sábado, outubro 03, 2009

DIOGO MAINARDI

REVISTA VEJA
Diogo Mainardi

O nosso futuro

"Lula disse: ‘Nenhum país tem tanta certeza do seu futuro
quanto o nosso’. Eike Batista encarna essa certeza melhor
do que ninguém, com suas empresas bilionárias que faturam
tanto quanto uma padaria"

Se Chicago tinha Saul Bellow e Ernest Heming-way, o Rio de Janeiro tem Paulo Coelho. Se Chicago tinha Al Capone e John Dil-linger, o Rio de Janeiro tem Fernandinho Guarabu, do Terceiro Comando Puro, imortalizado na última New Yorker. Se Chicago tinha Orson Welles e Walt Disney, o Rio de Janeiro tem Eike Batista.

Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, foi o maior financiador particular da candidatura olímpica carioca. Ele até emprestou um jatinho para trans-portar Eduardo Paes e Sérgio Cabral a Copenhague, onde eles acompanharam a escolha da sede da Olimpíada de 2016. No mesmo dia em que Eduardo Paes e Sérgio Cabral embarcaram em seu jatinho, Eike Batista anunciou a compra de um empreendimento na Marina da Glória, que pertence à cidade do Rio de Janeiro, tornando-se simultaneamente concessionário da prefeitura e – como dizer? – concedente do prefeito e do governador. É a política brasileira transformada no programa de Amaury Jr.

Eike Batista pretende dominar a indústria turística carioca. Como tudo o que se refere a ele, a promessa é mais altissonante do que a realidade. Dois anos atrás, ele passou a oferecer passeios náuticos pela Baía de Guanabara, a bordo de sua Pink Fleet – ou Frota Cor-de-Rosa. Contrariamente ao que indica o nome, trata-se de uma frota de um barco só. No caso, uma balsa recauchutada de meados do século passado. A Frota Cor-de-Rosa pode ser considerada uma espécie de Bateau Mouche de Penélope Charmosa. Além da Frota Cor-de-Rosa, Eike Batista possui também um restaurante de comida chinesa especializado em costelinhas com ketchup e uma clínica dermatológica "com status de grife" que fornece o tratamento Triniti-Syneron E-Max. O conglomerado EBX reúne a maior parte de suas empresas. Em 2009, elas ocuparam os últimos lugares nos cálculos de lucros da Bolsa de Valores.

Chicago representa o passado. Madri representa o passado. Tóquio representa o passado. Só o Rio de Janeiro pode representar o futuro. Esse foi o mote da campanha olímpica carioca. Em Copenhague, tentando angariar eleitores para a candidatura brasileira, ao lado de Eduardo Paes e Sérgio Cabral, os dois emissários de Eike Batista, Lula disse: "Nenhum país tem tanta certeza do seu futuro quanto o nosso". Eike Batista encarna essa certeza melhor do que ninguém, com sua frota de um barco só, com seus licenciamentos ambientais indagados pelo Ministério Público e com suas empresas bilionárias que faturam tanto quanto uma padaria. O futuro do Rio de Janeiro e do Brasil será assim: de um lado Eike Batista e do outro Fernandinho Guarabu.

GOSTOSA


CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

PAINEL DA FOLHA

Distribuindo Lula

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09

As centrais sindicais, que já haviam recebido do produtor Luiz Carlos Barreto a proposta de subsidiar ingressos de "Lula, o Filho do Brasil", terão nova reunião com a equipe do filme, desta vez para tratar da distribuição de DVDs. O caminho serão as sedes municipais dos sindicatos, que, mais adiante, promoverão sessões da cinebiografia do presidente.
Já está acertado que os cartazes de divulgação do longa trarão os selos da CUT e da Força a título de "apoio cultural". As centrais se comprometeram a usar seus sites na internet para anunciar o filme, que terá pré-exibição ainda neste mês no auditório da Força e chegará ao cinemas em janeiro de 2010.




DDI. José Serra telefonou para Lula e Sérgio Cabral tão logo divulgada a escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016. O pré-candidato tucano elogiou o discurso do presidente e disse, fazendo graça: "No que depender de mim, os investimentos estarão garantidos". Tentou ainda falar com o prefeito Eduardo Paes, mas não o encontrou.

Hi, cara. A primeira pessoa a ligar para cumprimentar Lula foi Barack Obama, ainda a bordo do Air Force One. O presidente estava no meio da entrevista. Ligou em seguida. "Pelo menos as Américas ganharam", disse Obama.

Bônus. Depois veio o telefonema de Nicolas Sarkozy. Com direito a umas palavras de parabéns de Carla Bruni.

Boca de urna. Pelos cálculos do staff presidencial, Lula conversou separadamente na véspera com mais de 20 eleitores do COI.

Encolheu. Comentário de um petista diante do resultado: "Tóquio foi o Geraldo Alckmin da Olimpíada. Teve mais votos na primeira rodada do que na segunda". Como o tucano em 2006.

Memória. Em junho, o TCU ratificou decisão que apontara superfaturamento de R$ 2,7 mi em obra do Pan-2007 no Rio. Foram considerados responsáveis: Ricardo Leyser, funcionário do Ministério do Esporte que gerenciava o evento, a comissão de licitação e o Consórcio Interamericano, da JZ Engenharia.

Não foi. Apesar de ter comparecido à reunião que selou o ingresso do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no PSB, o empresário Benjamin Steinbruch, da CSN, não se filiou.

Direito autoral 1. No esforço para virar a página do episódio Gabriel Chalita, alckmistas fizeram circular a versão de que teria sido o ex-governador o responsável pelo ingresso no PSDB de William Dib, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex-PSB.

Direito autoral 2. No próprio evento de filiação, porém, José Serra fez questão de destacar que a vinda de Dib resultou "do trabalho do Aloysio" (Nunes Ferreira). O chefe da Casa Civil e Alckmin disputam a candidatura tucana ao governo paulista.

Ficha 1. Sensação da temporada de trocas partidárias, o nanico PSC é presidido por Vítor Jorge Abdala Nósseis, autor em 2006 de um pedido de impeachment de Lula. Seu pacote de denúncias contra o presidente incluía desde ataques do PCC em São Paulo até o número de medidas provisórias editadas pelo Planalto.

Ficha 2. O tesoureiro da sigla, que saltou de 9 para 17 deputados na Câmara, é Luiz Rogério Ognibeni Vargas, ex-secretário de Administração do Estado do Rio. Em 2005, o TJ-RJ emitiu uma ordem de prisão contra ele pelo não pagamento de servidores.

Bancadas. Ivan Valente (PSOL-SP) e Janete Pietá (PT-SP) se rebelaram em Honduras. A dupla, que integra a comitiva de deputados brasileiros em Tegucigalpa, não topou comparecer a uma reunião com o presidente golpista, Roberto Micheletti.

com VERA MAGALHÃES e SILVIO NAVARRO

Tiroteio

O presidente Lula bateu todos os recordes olímpicos ao trazer os Jogos para o Rio. A medalha de ouro será eleger a Dilma.

Do deputado RICARDO BERZOINI, presidente do PT, sobre a atuação do presidente no processo de escolha da sede de 2016.

Contraponto

Minha formação A Comissão de Educação do Senado votava, na terça-feira passada, um projeto que proíbe o aluno de cursar simultaneamente duas carreiras na mesma universidade pública, com parecer favorável do relator Augusto Botelho (PT-RR). Wellington Salgado (PMDB-MG) protestou:
-Fiz Engenharia e Educação Física ao mesmo tempo!
-Qual deles o senhor concluiu?- quis saber o relator.
-Pedagogia-respondeu o senador cabeludo.
A plateia riu, mas Salgado, proprietário de uma rede de ensino, não se deu por vencido:
-Ora, vocês têm que entender que eu estava me preparando para virar reitor!

MAÍLSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA
Maílson da Nóbrega

Um fascínio de alto risco

"A substituição de importações teve seu tempo. É no mínimo
impróprio revivê-la agora, quando os serviços respondem por
65% do nosso PIB e a globalização é uma realidade"

A abertura da economia brasileira, conduzida entre 1988 e 1994, foi uma resposta ao esgotamento, às distorções e aos problemas herdados da estratégia de substituição de importações. Por isso, surpreende que o modelo tenha ressuscitado com o marco regulatório do pré-sal, cujo projeto de lei fala em "conteúdo local mínimo e outros critérios relacionados ao desenvolvimento da indústria nacional".

A ideia é produzir aqui o máximo possível dos equipamentos, à moda dos planos da era Geisel, criados após a crise do petróleo de 1973-74. As empresas que recebessem incentivos fiscais não podiam importar equipamentos com similar nacional. Resultado: aumento de custos e de prazos de entrega.

Ainda que de forma ineficiente, o Brasil se industrializou via substituição de importações. O impulso inicial foi a dificuldade de importar na I Guerra e na Grande Depressão dos anos 30. Na década de 50, substituir importações virou objetivo nacional. No governo Geisel, tornou-se obsessão. No período Figueiredo, atingiu o auge com a insensata reserva de mercado para a informática.

A industrialização por substituição de importações foi bem-sucedida na Europa e nos Estados Unidos, no século XIX. A estratégia era alcançar rapidamente, sob orientação do estado, a posição dos ingleses, cuja Revolução Industrial havia sido gestada em pelo menos seis séculos de evolução institucional.

Casos de insucesso foram os de países incapazes de identificar e eliminar defeitos do modelo. Ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, a estratégia era prolongada de maneira insustentável, sob influência de grupos e deficiências do governo.

No Brasil, os problemas maiores parecem ter sido a busca da autossuficiência a qualquer custo e o descaso pela educação. Além disso, os vencedores eram escolhidos pela burocracia, que podia ser capturada pelos beneficiários da política. Estudos recentes provam que a substituição de importações foi claramente concentradora de renda.

A Coreia do Sul é uma história diferente. Como o Brasil, adotou o modelo nos anos 50, mas soube mudá-lo. Expôs suas empresas à competição internacional, o que criou incentivos à inovação. Seu êxito não decorreu de políticas industriais, como muitos pensam, mas essencialmente da revolução na educação e do legado do domínio japonês (1910-1945), traduzido na formação de recursos humanos, na pesquisa e nas técnicas organizacionais.

Aqui, o apoio à substituição de importações se enraizou por três razões: (1) a cultura favorável à intervenção estatal; (2) a influência intelectual da Cepal, cujos estudos diziam que a América Latina perdia com o comércio exterior (a tese se provou errada); e (3) o suposto êxito econômico da União Soviética, que viria a entronizar o planejamento estatal nos países em desenvolvimento.

A teoria então mais aceita – a dos economistas Roy Harrod (1900-1978) e Evsey Domar (1914-1997) – atribuía papel central ao investimento. O desenvolvimento dependeria da quantidade de mão de obra e de capital. Mais investimento conduziria à acumulação de capital e daí ao crescimento. Hoje, sabe-se que a fonte primária do desenvolvimento é o conhecimento, secundado por instituições.

A experiência recente mostrou que o Brasil não precisa do dirigismo daquele modelo para produzir vencedores. Economia aberta, sistema financeiro sólido e gestão macroeconômica responsável constituem poderosos mecanismos para alinhar incentivos em prol da inovação e da assunção de riscos pelos empreendedores.

Na vigência do modelo, as empresas se acomodavam ao bem-bom do protecionismo. As ineficientes podiam sobreviver. Agora, com a abertura, a privatização, a estabilidade e a maior concorrência, a situação mudou. Surgiram fortes multinacionais brasileiras. Uma delas se tornou a maior empresa global de processamento de carnes.

O modelo teve seu tempo. É no mínimo impróprio revivê-lo agora, quando os serviços respondem por 65% do nosso PIB e a globalização é uma realidade inescapável.

Um governo que se vangloria de reduzir desigualdades de renda resolveu desenterrar sua antítese. A substituição de importações se esgotou, mas continua a fascinar.

MAIS ROUBO

CLÓVIS ROSSI

De armas e curiosidades

FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09

ESTOCOLMO - É curioso, muito curioso, como difere a percepção de uma mesma disputa conforme o país de que estamos falando.
Pelo relato da coluna de Nelson de Sá de ontem, o site norte-americano Politico previa problemas para Barack Obama não se Chicago perdesse a indicação, como perdeu, mas se ganhasse.
Dizia: "Um resultado positivo em Copenhague pode armar seus opositores com munição para mais de seis anos" devido à explosão de custos, controvérsias e atrasos que marcaram os Jogos no passado.
Já no Brasil, e particularmente no Rio de Janeiro, há até feriado, como se explosão de custos, controvérsias e atrasos fossem características exclusivas dos Estados Unidos e nunca ocorressem no Brasil.
Por falar em explosão de custos, o "Financial Times" de ontem informa que os gastos do Rio com as obras para a Olimpíada de 2016 serão dez vezes superiores aos orçados para a derrotada Chicago.
Para tocar no outro ponto que Janio de Freitas analisou ontem impecavelmente, o SFO, escritório britânico de investigação de grandes fraudes, está de olho na BAE Systems, fabricante de equipamentos militares, por suspeita de ter pago propinas a meia dúzia de países.
Entre eles, a Arábia Saudita, que gastou 43 bilhões (quase R$ 130 bilhões) em compras de aviões militares Tornado, além de outros equipamentos.
Não, o Brasil não está na lista dos países que foram às compras na BAE, mas o Chile de Pinochet esteve. O general teria recebido uma propina de 1 milhão.
De novo, como no caso da Olimpíada, tem-se que acreditar que o Brasil é um caso à parte nesse obscuro universo dos negócios com armas, em que tudo se faz limpamente e de forma transparente.
Será que a Dassault, a que venderá os Rafale ao Brasil, é feita de material diferente da BAE?

LYA LUFT

REVISTA VEJA
Lya Luft

Contraponto: deixar desabrochar

"Tive um filho, tenho um aluno, e agora? Agora é plantar os pés
no chão, deixar a alma um pouco solta e, como diziam os avisos
nos trilhos de trem de minha cidadezinha natal: parar, olhar, escutar"

Na coluna passada escrevi sobre educação e autoridade, dois temas complicados nos nossos dias de bagunça generalizada. Hoje falo sobre seu contraponto, o que me ensinou um velho mestre sábio sobre educação: "Família e escola fazem muito, se não estorvam. Deixem as crianças e os jovens desabrochar". Na primeira vez em que escutei a frase fiquei um pouco chocada. Se já naquele tempo, eu ainda universitária, questionávamos a frouxa autoridade em casa e na escola, que deixava a meninada perdidona e sem limites, como entender aquela afirmação de quem entendia mais do que a maioria de nós sobre ensino, educação e o resto?

O tempo e a experiência foram mostrando um pouco do mistério: é preciso juntar tudo isso, bater no liquidificador da experiência, tentativa e erro, alegria e desespero de quem lida com esses assuntos na prática e na teoria, e ver no que dá. Pois para lidar com gente não há garantia nem receitas, por mais que sejam vendidas ou espalhadas gratuitamente por aí em abundância: como conseguir parceiro, como segurar seu homem, como enlouquecer sua amante, como ficar rico sem esforço, como ter sucesso, como ser feliz em dez lições a preços módicos.

A questão é como dosar autoridade e liberdade, para que crianças e jovens cresçam. Ou melhor: para que a gente também continue crescendo, pois sou dos que acreditam que viver não é deteriorar-se, mas se expandir. E quando o corpo parece encolher, murchar, envelhecer – é bom usar as palavras certas, pois às vezes os eufemismos soam ofensivos – a alma tem de continuar crescendo. Alma, psique, mente, não importa o conceito científico, moral, espiritual, que lhe queiram dar.

Mas volto ao desabrochar de crianças e adolescentes: se alguém tem perto de si um desses belos, estimulantes, atordoantes exemplares humanos, comece a observar: encante-se, assuste-se, trate de se descabelar e maravilhar. E vai lentamente entender a frase do velho mestre, quando dizia que família e escola não devem estorvar. É preciso olhar, tentar entender um pouco, e respeitar. Amparando quando for preciso, botando limites para que as capacidades, talentos e dificuldades do outro não transbordem tornando-se prejudiciais; estimulando sem interferir gravemente, e admirando-se de como, igual a uma planta ou pássaro, um peixe no mais remoto fundo de oceano, a criança observa, pensa, e precisa se desenvolver. O susto de quem tem a responsabilidade de cuidar (porque, repito interminavelmente, quem ama cuida) não é pequeno.

Tive um filho, tenho um aluno, e agora? Agora é plantar os pés no chão, deixar a alma um pouco solta e, como diziam os avisos nos trilhos de trem de minha cidadezinha natal: parar, olhar, escutar. Mais que isso, pensar.

Falar assim é fácil, escrever mais ainda, dirão. É verdade. Mas se formos menos desligados e mais atentos, mais firmes mas menos rígidos, mais amorosos e mais exigentes neste universo contraditório que todos somos, e mais respeitosos, veremos milagres. E atenção: dizendo "respeitosos" não digo "encolhidos, humildes, suportando todas as más-criações e maluquices", mas sendo ativamente tranquilos. Claro que para isso precisamos ser, se pais, razoavelmente estruturados emocionalmente, pois se formos destrambelhados demais poderemos perturbar as crianças. Professores, temos de ser bem pagos, com excelentes escolas – ou vamos mendigar a esmola de condições mínimas para trabalhar.

Embora os personagens de minhas ficções sejam neuróticos e sofridos, minhas crônicas nem sempre sejam otimistas, acredito que a gente sempre pode repensar a vida e todas as coisas que nela causam tamanho susto e tanto prazer, para sentir que afinal vale a pena. Educar e ensinar não deveria ser razão de tanto conflito, com tão melancólicos resultados como os que muitas vezes se veem por aí. Deveria ser motivo de interesse, adrenalina boa, entusiasmo – ainda que passando por muitos fracassos e frustrações – porque, afinal, somos todos apenas humanos tentando entender o mundo de Deus e as humanas trapalhadas.

SUCO

DORA KRAMER

Medida cautelar

O ESTADO DE SÃO PAULO -03/10/09


O lance da troca de domicílio eleitoral de Ciro Gomes não é definitivo, mas é claro: o presidente Luiz Inácio da Silva se move na posse da banca e esconde o jogo até o último momento. Vale dizer, até o esgotamento dos prazos legais e a data marcada pelo adversário para dar a partida.

O deputado não precisaria mudar o registro do título de eleitor do Ceará para São Paulo nem para parte alguma se seu plano, como diz ser a sua preferência, fosse a candidatura presidencial. Ou se fosse a preferência dele que comandasse o espetáculo.

Ciro, aliás, sempre disse que uma coisa era sua escolha pessoal, outra a conveniência do partido. Faltou acrescentar que o que vale mesmo é a ordem unida de Lula. Pois bem, se mudou o domicílio é porque joga com o Planalto, o que também já deixou patente, para o que der e vier: candidatura ao governo, a vice de Dilma Rousseff, a presidente no lugar dela, ou ocupando um palanque presidencial alternativo com o apoio de Lula para fazer a cena em que um morde e o outro assopra o adversário.

Quem morderia seria Ciro e Dilma assopraria com a delicadeza já afamada. Considerando que no campo oposto há também um mordedor (José Serra) e um assoprador (Aécio Neves), o espetáculo, nessa conformação, promete valer o ingresso.

Seja qual for a opção de Lula adiante, a jogada da mudança de domicílio eleitoral de Ciro Gomes deixa as coisas até lá em suspenso. E aí elas começam mais a combinar com o raciocínio do presidente segundo o qual candidato lançado com antecedência é candidato a morrer na praia. Vítima de toda sorte de queimaduras.

Qualquer coisa pode acontecer e tentar antecipá-las é um exercício de impossibilidade pura. Pelo simples fato de que as decisões dependem das circunstâncias, reféns do imponderável. Isso nos âmbitos nacional e regional. Note-se uma frase dita pelo governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, no dia do anúncio: “Não estamos discutindo a candidatura ao governo estadual e sim a pré-candidatura de Ciro a presidente. O fato de ele ir para São Paulo vai levar o debate para lá.”

“Lá” não é, no entendimento de Campos nem de Ciro, o centro ideal para as decisões, pois ambos são partidários da tese de que a política está excessivamente concentrada nos paulistas.

“Lá” é maior colégio eleitoral do país, o eixo do PT, a base do principal candidato da oposição, o estado mais complicado para Lula, que precisa urgentemente tomar uma providência para enquadrar a turma que comanda a máquina partidária sob a liderança de Marta Suplicy.

Fio terra

Uma vitória da articulação e da competência nos preparativos, a escolha do Rio é excelente notícia para o país todo. Não só pelo gosto de chegar lá, de sediar a primeira Olimpíada na América do Sul, da projeção internacional que trará, dos resultados internos que produzirá.

Melhor que tudo é o sentido de responsabilidade, do compromisso com a realização pela via do esforço, do investimento e do planejamento – de probidade também, esperemos – a que o Brasil terá de fazer frente.

Mal-entendido

Alguns leitores escrevem para reclamar das “críticas” ao novo ministro do Supremo Tribunal Federal, José Antonio Toffoli, no artigo de ontem, que, se lido com a atenção devida – ou escrito com mais clareza –, permite a percepção de que as críticas são dirigidas ao Senado e não ao advogado. A começar pelo título: Toffoli 10, Senado 0.

Em miúdos: com ele, ou qualquer outro, o Senado não cumpre a tarefa de escrutinar o saber, a reputação e a independência do indicado. Trata indicações – não apenas ao STF, mas às agências reguladoras também – como questões políticas ou assunto de ordem pessoal.

Como se a sabatina rigorosa denotasse falta de educação, ou pudesse representar uma ameaça de retaliação por parte do possível futuro integrante da corte.

No caso de Toffoli, como foi dito, a apresentação esteve irrepreensível. Não deixou nenhuma pergunta sem resposta. Mas valeu palavra dele que não foi posta a teste. Os “ataques” de alguns senadores foram só para marcar posição.

Na próxima vez em que um ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos for indicado, recomenda-se o acompanhamento da sabatina. Mas é preciso paciência, porque às vezes leva meses. Não é como aqui, na base da fidalguia e da fatura liquidada em poucas horas

Se essa é a forma mais correta de se aprovar o nome de um dos 11 guardiães da Constituição, cujas decisões representam a última palavra, perdão leitores. O Brasil merece, e pode, mais.

A propósito

Se por algum motivo a Justiça houvesse imposto ao jornal O Estado de S.Paulo a censura para assuntos de educação, o jornal não poderia noticiar (e evitar) a fraude nas provas do Enem.

ANCELMO GÓIS

O PREÇO DA VITÓRIA 1

O GLOBO - 03/10/09


José Gustavo de Souza Costa, presidente do Metrô-Rio, que foi a Copenhague acompanhar a vitória do Rio, jantava na véspera da escolha num restaurante quando percebeu, na mesa ao lado, um casal de brasileiros.
Papo vai, papo vem, soube que os dois vivem lá, e perguntou: “O Rio vence amanhã?” E eles: “Vence nada. O metrô do Rio é uma m... Não vão querer uma cidade com aquele metrô.”
MORAL DA HISTÓRIA...
Tem gente muito pessimista com o Brasil, chega de complexo de vira-lata. O Rio mereceu.
Mas o metrô, em que pese o esforço da atual administração, precisa crescer mesmo.
OU...
Como eu ia dizendo, a festa foi bonita, mas, agora, é melhorar, de uma vez por todas, a infraestrutura e cuidar de tantas questões que afligem a cidade.
O PREÇO DA VITÓRIA 2
Ontem, quando o telão de Copacabana anunciou a vitória do Rio em Copenhague, o pessoal na área vip em frente ao Copacabana Palace, liderado pelo secretário Júlio Lopes, ergueu Dilma Rousseff pelas... nádegas.
Foi meio constrangedor. Mas Dilma relevou e festejou junto.
O PREÇO DA VITÓRIA 3
Otávio Cinquanta, um dos delegados italianos no COI, esbarrou com Pelé antes de votar, ontem, e disse: “Só voto no Rio se você se desculpar pelo que fez com a gente em 70, no México.”
Pelé, que acabou com a Itália na final daquela Copa (4 a 1), fez que ia se ajoelhar, gaiato, pediu desculpas e levou o voto.
VEM QUE É TUA
Lula, como se sabe, pretendia esperar no hotel o anúncio da cidade vencedora, ontem, em Copenhague.
Quando o próprio presidente do COI mandou chamá-lo de volta, caiu a ficha de que a parada estava ganha.
SKAF NO PSB
O Brasil não é mesmo para principiantes.
Afinal de contas, é o país em que o presidente da federação das indústrias se filia ao Partido Socialista. Com certeza, alguém está enganando alguém.
ALIÁS...
O PSB defende a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais contra a opinião da Fiesp.
OUTRA COISA...
O deputado Ciro Gomes, também do PSB, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo, como se sabe.
Mas continua na Câmara como representante do povo do Ceará.
RUBINHO NA WILLIAMS
A Rádio Corredor do Autódromo dizia ontem que Rubinho Barichello já assinou com a Williams para 2010.
EXPLODE, CORAÇÃO
De Carlos Alberto Parreira, que foi a Copenhague torcer pelo Rio:
– Eu me senti como numa final de Copa. Foi muita emoção.
HORA DE TRABALHAR
Eduardo Paes desembarca no Rio amanhã, às 5h da matina.
Mas já convocou uma reunião do secretariado para segunda, no Palácio da Cidade. Vai pedir um plano de ação para começar a preparar o Rio para as Olimpíadas de 2016.

GOSTOSA

RUY CASTRO

Cidade feliz


FOLHA DE SÃO PAULO - 03/10/09


Há tempos, escrevi num livro que, assim como os londrinos são bons em táxi, guarda-chuva, pigarro, cachorro e consciência de classe, e os parisienses, em baguete, boina, livro usado, cigarro sem filtro e bidê, o carioca sempre se orgulhou de seu know-how em botequim, sandália de dedo, frescobol, caldinho de feijão e botar apelido nos outros. Pois logo poderá somar outro item a seu currículo: organizar grandes competições esportivas.

O Rio receberá os Jogos Mundiais Militares em 2011, a Copa das Confederações em 2013, a Copa do Mundo em 2014 (abrigará, entre outros, o jogo final, além de ser sede da seleção, da Fifa e do centro de imprensa) e, agora, a Olimpíada e a Para-Olimpíada em 2016. Ou seja, há espaço na agenda para 2012 e 2015. E, até que se acenda a chama olímpica, ainda teremos sete Carnavais e outros tantos verões e Réveillons.

Estamos numa maré boa. Nos últimos meses, o Rio ganhou o título de 'cidade mais feliz do mundo' (segundo pesquisa de um instituto americano com 10 mil pessoas em 20 países), foi considerado (pelos entendidos) o 'melhor destino gay do mundo' e se tornou a primeira cidade da América do Sul a merecer uma edição do Guia Verde Michelin, com 20 lugares agraciados com a cotação máxima de três estrelas e 40 com duas.

Junte a isso a boa colocação do Rio como polo nacional do audiovisual e de pesquisa acadêmica nas áreas de saúde, biologia, biotecnologia, petróleo, astronomia e humanas em geral – e, acrescento eu, da baixa gastronomia, conceito criado aqui e irradiado para as demais potências – para entender como, depois de tanto apanhar, nossa autoestima tem melhorado muito.

Mas, como diria o carioca Noel Rosa, o Rio não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz Olimpíada tão bem.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Parabéns à alma e paixão do povo brasileiro”
PRESIDENTE LULA, EMOCIONADO, APÓS A VITÓRIA DO RIO PARA SEDIAR AS OLIMPÍADAS DE 2016

SIMON ANUNCIA SUA RETIRADA DA VIDA PÚBLICA
O senador Pedro Simon, 79, inicia neste domingo um irrevogável processo de retirada da vida pública. No encerramento da convenção municipal de Porto Alegre, vai anunciar a renúncia imediata e voluntária da presidência do PMDB gaúcho, abrindo espaço para a renovação. E vai dizer que voltará aos pagos em 2014, ao final do quarto mandato e após 32 anos em Brasília, encerrando sua missão no Senado Federal.
CAMINHO DAS PEDRAS
Pedro Simon deve aproveitar a emoção do momento para apontar caminhos para o PMDB nas eleições de 2010.
BARBAS DE MOLHO
O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o ex-governador Germano Rigotto, que sonham suceder Yeda Crusius, estão de orelha em pé.
O HOMEM CERTO
O dono de uma pizzaria tentou intermediar a venda das provas do Enem. Talvez com a certeza de que tudo acabará em pizza.
NOSSA GRANA
O Ministério da Saúde prevê que até 2011 sejam destinados R$ 9 milhões aos Sistema Integrado de Saúde das Fronteiras.
RUSSOS AINDA ACHAM QUE DISPUTAM CAÇAS
Só pode ter sido excesso de vodka: a Rosoboronexport, estatal de armamentos da Rússia, anunciou ontem seu “otimismo” com o contrato bilionário dos caças de combate, disputado pela francesa Dassault, a americana Boeing e a sueca Saab. O porta-voz até admitiu, há “grandes chances”. O porta-voz está por fora do assunto: o Brasil rejeitou os Sukhoi Su-35 na primeira seleção, há exatamente um ano.
GRIPEN BRASIL
Para vender seus caças, a sueca Gripen propôs auxiliar o Brasil no desenvolvimento do avião militar de carga KC-390, da Embraer.
LUCRO NO FUTURO
Além de transferir tecnologia, os suecos prometem substituir toda a frota SK60 da Força Aérea sueca por aviões Super Tucanos.
BMW NACIONAL
A BMW confirmou: vai produzir motos em Manaus, como esta coluna antecipou em 6 de agosto. É a primeira fábrica fora da Alemanha.
DOCE VINGANÇA
A vitória do Rio de Janeiro contra Madri, na disputa para sediar as Olimpíadas 2016, tem sabor especial para milhares de brasileiros barrados, humilhados, ofendidos e deportados na capital espanhola.
ESTRATÉGIA FALHA
Em Copenhague, espanhóis tentaram desqualificar o Rio, mas grandes empresas da Espanha (Cobra, Elecnor, Abengoa etc) escolheram a cidade para instalar suas sedes no Brasil. E não querem ir embora.
SIM, NÓS PODEMOS
Os chefões do tráfico das favelas de São Carlos, Zona Norte do Rio, e Rocinha, Zona Sul, comemoraram, dias antes, a vitória nas Olimpíadas com foguetório de réveillon, pagode e muitas caixas de cerveja.
TORNEIRA ABERTA
O Supremo Tribunal Federal gastou R$ 211 milhões desde janeiro com os 1.135 servidores, incluindo pensionistas. A despesa cresceu 64% em seis anos. E vai aumentar mais, com o novo salário dos ministros.
LUXO PIAUIENSE
O Conselho Nacional do Ministério Público brecou o luxo do Ministério Público do Piauí, Estado rico, como se sabe: uma consultoria de “estratégia” foi contratada, sem licitação e justificativa, por R$ 465 mil.
ESCALADA RACISTA
Mais uma contribuição à escalada racista no Brasil: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou projeto instituindo o Hino à Negritude. Só falta imporem sua execução obrigatória nas escolas.
GOL CONTRA
A morosidade na concessão de licenças ambientais tem provocado atrasos nas obras preparativas para a Copa do Mundo de 2014. Principalmente na construção e expansão de aeroportos.
CULPA DO PRÉ-SAL
A União da Indústria de Cana-de-açúcar revisou a previsão para a colheita 2009/2010: a exportação de produtos derivados do etanol caiu mais de 27% desde abril, mas a produção deve superar a de 2008/9.
PENSANDO BEM...
...Zelaya ainda vira zelador da embaixada do Brasil em Honduras.

PODER SEM PUDOR
O PT, COMO BUSH
A revista Veja revelava, em 2003 o esquema montado pelo PT para vencer a eleição de qualquer maneira, bisbilhotando as vidas dos adversários para destruí-los. O então líder do DEM, José Carlos Aleluia (BA), dizia que o PT tinha um plano de guerra, mas não um plano de governo, e comparou os petistas aos americanos no Iraque:
– Invadiram o País e não sabe o que fazer com ele.

ALÇA DE MIRA

sexta-feira, outubro 02, 2009

DIRETO DA FONTE

Infraero

Sonia Racy

O ESTADO DE SÃO PAULO - 02/10/09


A Infraero anda irritada com a "falta de urgência" dos outros poderes nas questões aeroportuárias. Em recentes reuniões, pelo menos três aeroportos têm sido mencionados - Congonhas, o JK, de Brasília, e o Salgado Filho, de Porto Alegre, segundo um dos conselheiros.
Em Porto Alegre, já existe projeto e financiamento para ampliar a pista e construir novo terminal. "Mas nem Antonio Fogaça nem Yeda Crusius se mexem para desobstruir a área para que as obras comecem."
Em Brasília, falta o transporte de massa entre a cidade e o aeroporto JK.
Congonhas é outro caso grave, diz a fonte. Desde 2003 se fala de um trem ligando a região ao metrô da Barra Funda... cujo projeto entrou em compasso de tartaruga. Sequer anda a ligação do aeroporto com o metrô Jabaquara.
O conselheiro teme que a batata quente sobre para a Infraero. E por que não para as empresas?

Guerra dos gigantes

A Nestlé entrou em guerra com a Danone. Foi com esta advertência que Ivan Zurita encerrou recente reunião com seus executivos. Zurita reclamou que a Danone está fazendo publicidade antiética.
A Nestlé, inclusive, já conseguiu tirar do ar publicidade da água Bonafont - que sugeria que o líquido poderia ajudar a... emagrecer.

EM FOCO 1

Agitadores e produtores de fotografia também querem sua fatia do bolo. Na Paraty em Foco juntaram a patota e escreveram a "Carta de Paraty", que será entregue hoje a Juca Ferreira.
Objetivo? Pleitear mais suporte e melhores políticas culturais para a categoria.

EM FOCO 2

E foi Luiz Marinho quem arrebatou a bela fotografia de Thomas Farkas, no leilão do evento em Paraty. Pela bagatela de R$ 7.300.

OUVIDOS MOUCOS

Alguns senadores, depois de convencidos pela declaração pública fervorosa de José Antonio Toffoli na sua sabatina, seguiram para a casa do novo ministro do STF.
Um deles, no entanto, sentiu um frio na barriga ao ouvir a trilha sonora. Ela ia de É o Amor, de Zezé Di Camargo e Luciano, até Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré, hit da esquerda nos anos 60.

CRIME E CASTIGO

O MPF foi acionado pela família de Vírgilio Gomes da Silva, que participou do sequestro do embaixador americano em 1969. A viúva Ilda exige que o Estado encontre os restos mortais do guerrilheiro. O Exército já assumiu a responsabilidade pelo crime.

MUTIRÃO

Não será por falta de apoio de cineastas amigos que Roman Polanski ficará preso.
Walter Salles, Woody Allen, Martin Scorsese e Pedro Almodóvar estão entre os mais de 100 nomes da indústria cinematográfica mundial a assinar um abaixo-assinado a seu favor.

Sobre rodas

Realmente, a indústria automotiva não tem do que reclamar este ano. A Mercedez-Benz está recontratando quase mil funcionários, conta Jackson Schneider.
José Carlos Pinheiro Neto, da GM, não tem dúvida: o Brasil bate o recorde de vendas este ano. Ele prevê 3 milhões de unidades, contra 2,8 mi em 2008. Ontem, a GM anunciou recorde mensal: mais de 61 mil carros.

SALTO ALTO

Saíram todos os indicados do Prêmio Moda Brasil, que será apresentado, dia 28, por Débora Bloch.
O evento contará ainda com show de Vanessa da Mata, Luiz Melodia e da grande revelação da MPB, Maria Gadú. Na direção, José Maurício Machline.

NA FRENTE

Hoje o mundo vai saber onde serão as Olimpíadas de 2016. No Brasil, pesquisa do Instituto Análise/Insight mostra que 54% da população sequer conhece sabe que o Rio de Janeiro é candidato.

Michelle Obama será a estrela do 40º aniversário do "Vila Sésamo". A primeira-dama aparecerá plantando vegetais na horta da Casa Branca. No ar, dia 10 de novembro.
Gal Costa garante o show do Via Funchal, esta noite, na festa dos 150 anos da Beneficência Portuguesa. Com presença de Gilberto Kassab e do embaixador português João Manuel Salgueiro.
A criançada vai literalmente sair correndo no domingo. Na 3ª Iguatemi Kids Run.

Marisa Monte, Gustavo Santaolalla e os músicos do Café de Los Maestros são os convidados para inauguração do Teatro Bradesco, dia 22.

A paixão ambiental de Maristela Colucci entrou no universo infanto-juvenil. Curioso e divertido livro, SUB - uma Viagem ao Brasil Submarino, será lançado amanhã na Livraria da Vila dos Jardins.

Evaldo Mocarzel já pode comemorar. É o único cineasta com três filmes na Mostra Internacional de SP.

A Expedia, principal empresa de viagens online do mundo, promove hoje almoço no Charlô para anunciar a chegada da sua Hoteis.com.

Juan Alba gravou ontem, na Record, piloto de novo programa, O Preço Certo .

Ivo e Eleonora Rosset filiam-se hoje ao PT. Ponto parea Marta Suplicy, melhor amiga de Eleonora.

CELSO MING

Cada vez mais dólares


O Estado de S. Paulo - 02/10/2009
O real está sob pressão. Tende quase inexoravelmente à valorização diante das demais moedas fortes. E a principal razão disso não tem nada a ver com o que exportadores, industriais, economistas e comentaristas econômicos vinham denunciando.

Estes levantam o indicador para a grande diferença entre os juros externos e internos como o principal fator de forte entrada de moeda estrangeira no Brasil e, portanto, da excessiva valorização do real que, por sua vez, prejudica os exportadores e a indústria, que perde competitividade para o produto estrangeiro.

A especulação com juros consiste em tomar recursos emprestados no exterior a juros bem mais baixos, trazê-los para o Brasil, em cujo mercado de câmbio são trocados por reais, aplicá-los no mercado financeiro interno, onde vigoram juros mais altos, para mais à frente embolsar a diferença, no mole.

O outro fator de valorização do real mais denunciado pelos analistas é a alentada exportação de produtos primários, especialmente de commodities (que têm cotação diária nas bolsas de mercadorias), que também produz forte receita de moeda estrangeira. É o que os economistas chamam de doença holandesa, em referência à prostração da produção da Holanda nos anos 70, quando as enormes receitas com exportação de gás dos campos no Mar do Norte provocaram grande entrada de moeda estrangeira e valorização do florim, a moeda holandesa de então.

Nenhum desses dois fatores, nem a arbitragem com juros nem o superávit comercial, estão sendo apontados como responsáveis pela pressão sobre o real. A novidade é a perspectiva de forte entrada de recursos para o investimento em ações e captação de recursos externos, de nada menos que US$ 25 bilhões nas próximas semanas. Não é preciso haver fato consumado. Basta a expectativa de grande afluxo de recursos para que o mercado financeiro se antecipe e aposte contra a alta do dólar. E ainda não está nesse movimento a perspectiva de entrada de capitais destinados à capitalização da Petrobrás.

Todos os dias os mesmos analistas que denunciam o que entendem como a excessiva valorização do real vêm pedindo providências das autoridades para reverter a situação. Pedem (1) baixa imediata dos juros, sem olhar demasiadamente para os efeitos disso na inflação; (2) confisco de parte do faturamento das exportações de commodities por meio da instituição de um Imposto sobre Exportações, mais ou menos como acontece na Argentina; (3) cobrança de um pedágio (Imposto sobre Operações Financeiras) na entrada de capitais destinados a aplicações de curto prazo; e (4) compras mais agressivas de moeda estrangeira pelo Banco Central.

Como o principal fator de valorização do real passa a ser não propriamente a especulação em Bolsa, mas a subscrição de ações de empresas brasileiras por capitais estrangeiros e a tomada de empréstimos para viabilizar projetos no Brasil, tomar decisões de política econômica para impedir esse movimento significaria impedir a capitalização da empresa brasileira justamente quando se abre a oportunidade para isso.

E exigir compras automáticas de dólares pelo Banco Central implica deixar de usar a política cambial para reforçar a resistência do Brasil às crises para garantir um determinado piso ou banda para as cotações da moeda estrangeira. Isso significaria mudança do eixo da política econômica do País.

Confira

Encolhendo -
A crise externa foi a principal responsável pela queda de 25,1% nas exportações dos nove primeiros meses do ano em relação a igual período de 2008. Mas foi o segmento de manufaturados que mais sofreu: perdeu 31,2%.