BRASÍLIA - Hoje o Senado sabatinará o oitavo indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal, José Antonio Toffoli. A oposição concentrará seus questionamentos no conhecimento jurídico, nas ligações políticas e em acusações legais contra o possível futuro ministro.
Nada contra as cobranças, mas há uma certa falta de foco quando o Senado se ocupa de sabatinar indicados para cargos públicos. É raro um candidato ao STF sair dali tendo explicitado suas ideias, por exemplo, sobre aborto, drogas, casamento entre homossexuais, liberdade de expressão e presença do Estado na economia.
Se houver interesse em saber como pensam sobre esses temas os atuais dez ministros do STF, a pior fonte possível são as transcrições de seus depoimentos ao Senado.
Traço do atraso cultural e da falta de valores republicanos no Congresso, é constrangedora a forma epidérmica como são questionados os nomeados para cargos públicos.
Na semana passada, José Múcio Monteiro deveria ter sido escrutinado para então assumir vaga no TCU (Tribunal de Contas da União). A sessão resultou numa bajulação do começo ao fim.
Hoje os senadores de oposição devem ser mais duros. Poderiam usar a oportunidade para também indagar a Toffoli sobre temas de real interesse do país no caso de ele ser confirmado como ministro. A frouxidão excessiva a respeito de procedimentos institucionais é a raiz de um Estado ainda primitivo.
Um assunto concreto está em pauta agora. O Supremo há mais de um mês determinou ao presidente da Câmara, Michel Temer, a liberação de notas fiscais apresentadas por deputados para justificar gastos. A decisão não foi cumprida. O STF foi desdenhado. Não reagiu.
Como reagiria Toffoli num episódio assim? Talvez seja demais exigir dos senadores tal pergunta. Ali, para todos, o melhor é fingir que esse tipo de atraso não existe.
quarta-feira, setembro 30, 2009
FERNANDO RODRIGUES
ARI CUNHA
Aproxima-se a data para a indicação da cidade sede das Olimpíadas de 2016. O Rio está otimista. Ocorre que há corrente em contrário. Nem tudo são flores na disputa que inclui o mundo inteiro. A solução será dada na Dinamarca. Rio, Chicago, Madri e Tóquio estão disputando cabeça a cabeça. Há influências universais, como toda decisão que sempre atinge pouco de política. No Brasil, as coisas são tratadas na última hora, e tudo ficará pronto a tempo. O país comandou o Pan-americano. Houve êxito. Porém, as contas subiram barbaridade. Brasil suportou o desgaste. Obras eram superfaturadas vergonhosamente. Mesmo assim, a festa foi sucesso. A contabilidade, a grande decepção. Com as coisas em ordem, o país espera êxito nas Olimpíadas.
A frase que não foi pronunciada
“O prazo de validade da gripe suína é o mesmo da campanha eleitoral.”
Cecília, que gastou R$100 em álcool em gel, pensando enquanto lê algumas anotações.
Insumos
Cristiano Walter Simon, presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, afirma que os produtores devem intensificar as compras de fertilizantes. Enquanto isso, as indústrias brasileiras começam a se unir contra os insumos importados. Só de agrotóxico, em oito meses deste ano, a venda chegou a R$ 1,2 bilhão. A briga promete ser boa. Multinacionais recebem freio.
Transparência
CCJ do Senado define hoje mudanças na gestão política e administrativa da Casa. A iniciativa é do senador Pedro Simon, com aval e relatoria do senador Tasso Jereissati. Uma das ideias é uma sessão administrativa no plenário do Senado na última semana de cada mês, em que execução de obras, previsão de despesas e remuneração seriam assuntos integrados na Ordem do Dia.
Perda
Estudiosos tentam conter o avanço da soja no cerrado. Reconhecido como o berço das águas, o cerrado corre perigo. No auditório do Interlegis, autoridades no assunto se reuniram para defender o bioma. Prestaram homenagem a Maria Felfili Fagg, pesquisadora e estudiosa do meio ambiente. Ela faleceu em 13 de julho.
Novidade
Policiais e bombeiros receberão gratificação por risco de vida. O valor é de R$ 1 mil e foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados. O relator da matéria foi o capitão Assunção. A proposta tramita em regime de urgência. É muito pouco para quem vai trabalhar e não sabe se volta. Mas o primeiro passo foi dado.
Livros
A greve dos Correios está prejudicando a entrega de 117 milhões de livros escolares. Houve uma mobilização entre os programas do Livro Didático para a alfabetização de jovens e adultos e para o ensino médio e fundamental, além da parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Com muito esforço, a situação será normalizada em semanas.
Figura
Alberto Silva deixa com quem conviveu com ele toda a energia que espalhava por onde passava. Neusa França lamenta a morte do aluno. Gostava de tocar peças populares e eruditas sempre em dó maior.
Multas
Difícil recorrer e ganhar na Justiça contra multas de trânsito. O ministro Humberto Martins deu parecer. Pardais eletrônicos não aplicam multa, apenas comprovam a infração ocorrida.
Imagem
Xavier Darcos, ministro francês do Trabalho, não poupou elogios ao governo brasileiro pelo enfrentamento da crise mundial. O ministro Lupi explicou as políticas de geração de emprego e renda. A declaração de Lupi de que a crise evidenciou o fracasso das políticas do mercado autorregulado e que o Brasil repensa o papel do Estado e sua relação com o mercado lhe rendeu a presença obrigatória na reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).
Internacional
Cooperação internacional contra o crime organizado e acordo de extradição. Troca de experiências em atividades policiais, em penitenciária e registros de nascimento. Brasil e Cuba se aproximam. Tuma Júnior reforça que a aproximação é necessária para que as fronteiras brasileiras não sirvam mais de trincheiras para a impunidade.
Intercorruptos
Até maio de 2009, 667 políticos foram cassados. É a força da lei contra a compra de votos. Com o aumento do número de vereadores, a estatística pode mudar. Mas o eleitorado está aprendendo a também corromper. Passa a vender o voto para vários candidatos. Há os que se aproveitam do transporte oferecido por um para votar no outro.
História de Brasília
Depois da gasolina, subiu, em Brasília, o pão, que, de três cruzeiros por unidade, está agora custando quatro cruzeiros. (Publicado em 10/2/1961)
RUY CASTRO
A morte ideal
Na semana passada, perdemos o Dr. Henrique Gandelman. Tinha 80 anos e era advogado. Na juventude estudou violino, viola, composição e regência, e apaixonou-se pela obra de Villa-Lobos. Formou-se em direito e abriu um pioneiro escritório de administração de direitos autorais. Vários escritores, inclusive eu, estavam aos seus cuidados.
Dr. Henrique, era como o chamávamos. O tratamento não parecia compatível com o homem alegre e popular que discutia futebol, Beethoven e literatura no Clipper, decano dos botequins do Leblon. Mas ele era um doutor, uma autoridade nas questões sobre quem é dono do quê na obra de arte, e autor de diversos livros a respeito.
Foi Dr. Henrique quem dirimiu a caótica situação da obra de Villa-Lobos no exterior. Levou anos correndo EUA, Itália e França, mas conseguiu com que os direitos sobre Villa, perdidos, dispersos ou em mãos de terceiros, convergissem para quem de direito: o espólio do maestro. Foi um trabalho de amor, poucos amavam tanto Villa-Lobos.
Na última quinta, Dr. Henrique ia dar uma palestra sobre o artista no Museu Villa-Lobos. E seria também homenageado por seu trabalho de organização jurídica dos contratos da obra do compositor. No camarim, o sistema de som tocava a Floresta Amazônica. De mãos dadas com sua mulher, Salomea, Dr. Henrique comentou: “Fico sempre arrepiado de ouvir isto. O Villa é mesmo o maior.”
Soltou um suspiro grave. A cor lhe fugiu – era o aneurisma, fulminante e fatal. Morreu ali mesmo, no ato. Como se tivesse escolhido morrer ao som de Villa-Lobos.
MERVAL PEREIRA
Em busca de uma saída
O GLOBO - 30/09/09
A iminência de uma tragédia parece estar levando o bom senso aos principais atores dessa comédia bananeira que se desenrola em Honduras, na qual não há lado certo. Está claro que o governo brasileiro vem buscando desesperadamente uma saída, depois de ter entrado de gaiato na armação chavista de transformar o presidente deposto, Manuel Zelaya, em um herói da democracia hondurenha.
Quando o assessor especial para assuntos de América Latina, Marco Aurélio Garcia, pede que os Estados Unidos tenham uma posição menos ambígua na questão, demonstra que nossa posição de protagonismo começa a ser colocada em dúvida.
Diplomaticamente é classificada como “irresponsável”, adjetivo que serve diretamente para Chávez, que se vangloriou de ter organizado a reentrada de Zelaya em Tegucigalpa, mas que cai como uma carapuça no governo brasileiro.
O subchefe da missão americana na OEA, Lewis Amselem, é considerado um linhadura, que já serviu em vários países da região, e pode estar tendo uma visão pessoal da questão. Se for assim, deveria ter sido desautorizado por sua chefe, a secretária de Estado, Hillary Clinton.
Mas a comissária para as Relações Exteriores da União Europeia (UE), Benita Ferrero-Waldner, também considerou que o retorno ao país do presidente deposto, Manuel Zelaya, “complicou” a solução para a crise local.
No seu depoimento de ontem no Senado, o chanceler Celso Amorim disse que o governo brasileiro não se considera usado por Chávez, embora reafirme que de nada sabia até meia hora antes de Zelaya se materializar na embaixada brasileira.
Uma atitude no mínimo estranha, que implica adesão à manobra guerrilheira chavista de reintroduzir em território hondurenho um presidente que estava no exílio.
Tanto a manobra quanto a adesão brasileira, permitindo que Zelaya se pronuncie abertamente convocando o povo à revolta, significam uma clara intromissão na política interna de outro país.
Sempre que os Estados Unidos invadiram países das Américas, e mesmo no caso do Iraque, o fazem alegando defender a democracia, o que não torna suas ações dignas de respeito pelos verdadeiros democratas.
O fato de a “comunidade internacional”, como salienta sempre que pode o chanceler Celso Amorim, ter condenado o “golpe” que tirou do poder o presidente democraticamente eleito não significa que tenha havido um golpe, mas apenas que a percepção internacional sobre as regras do jogo democrático varia de acordo com a importância geopolítica de cada país.
A Constituição de Honduras tem a mesma validade, e deve ser tão respeitada, quanto a de outro país qualquer de PIB maior ou de tradições democráticas mais sólidas. Não querer distinguir as diversas etapas do processo que levou Zelaya ao exílio ajuda a não encontrar saída para a crise regional que o Brasil tenta a todo custo transformar em internacional, colocando o Conselho de Segurança da ONU para atuar num campo em que o interlocutor deveria ser a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Se é verdade que o Brasil se transformou em defensor da democracia na América Latina, como exagerou o chanceler Amorim ontem no Senado, é também verdade que esse neobolivarista Zelaya estava colocando em perigo a democracia na mesma região, e ninguém se incomodava com isso.
Quando o protoditador Hugo Chávez manda fechar jornais, rádios e televisões na Venezuela, não aparece nenhuma autoridade brasileira para protestar, e a “comunidade internacional” não se mobiliza para evitar que a democracia seja ameaçada.
Quando o presidente Lula pede que a ditadura cubana seja recebida pela OEA e pela ONU sem condicionar seu retorno à convivência da tal “comunidade internacional” a compromissos democráticos, perde substância seu apelo a favor da democracia representada por Zelaya.
O governo interino de Honduras já se convenceu de que cometeu um erro político fundamental ao exilar o presidente deposto sem que fosse julgado dentro das normas legais, colocando-se também o governo substituto fora da legalidade.
Mas não ajuda para uma saída da crise abrigar em nossa embaixada o presidente deposto com direito a promover manifestações políticas e incitamentos a revoltas populares, assim como não ajuda a OEA recusar apoio à realização de eleições em novembro, que é a única maneira de salvar a democracia hondurenha.
Para se chegar a uma solução do impasse, é preciso reduzir o grau de radicalização dos dois lados, e esse é um trabalho da tal “comunidade internacional”.
A decretação do estado de sítio pelo governo provisório, e consequente invasão de órgãos de comunicação, foi mais um passo em falso que não favorece a que o governo de fato seja bem visto pela “comunidade internacional”, mas organismos como a OEA, que deveria ser o intermediário para uma solução, não podem adotar uma posição radicalizada, colocando condições para uma saída.
O grau de paranoia é tão acentuado que a delegação de representantes da OEA e alguns embaixadores estrangeiros foram barrados porque o governo interino temia que junto com eles chegariam ministros de Zelaya querendo instalar um governo provisório.
O governo já recuou das duas medidas insensatas, e o diálogo está para ser retomado.
Apesar da retórica oficial de que qualquer solução tem que levar em conta a volta de Manuel Zelaya ao poder, o governo brasileiro já parece disposto a aceitar qualquer saída que seja negociada, e essa parece ser a posição que a tal “comunidade internacional” está tendendo a aceitar, para que se chegue a um clima que permita a realização das eleições em novembro.
JOSÉ SIMÃO
Socuerro! Pererecas em extinção!
FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/09
E sabe a diferença entre rã e perereca? Rã é comestível, perereca é comível! Rarará!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Minc quer preservar as pererecas! Todo mundo quer. O ministro do Meio Ambiente, Minc Leão Dourado, interrompe obra do PAC para salvar as pererecas.
Normal, no Brasil qualquer um interrompe qualquer coisa por uma perereca. É um tipo de perereca em extinção. Só espero que não seja o tipo de perereca da minha vizinha! Eu sugiro um slogan: "Preserve a natureza! Adote uma perereca!".
E sabe a diferença entre rã e perereca? Rã é comestível, perereca é comível! Rarará! E a única perereca em extinção é a da Hebe!
E Honduras? E o Zelaya? Zelaya ou Ratinho ou Professor Girafales. A gosto do freguês! O chargista Liberati disse que mudaram o nome da capital de Honduras. De Tegucigalpa pra TEGUCIGOLPE! Rarará!
E os gases tóxicos não foram lançados de fora pra dentro mas de dentro pra fora. O pum do Zelaya!
E já são duas as ameaças dos golpistas para a embaixada brasileira: 1) Ou vocês entregam o Zelaya ou a gente manda a Vanusa cantar o Hino Nacional; 2) Ou vocês entregam o Zelaya ou a gente manda o Suplicy cantando aquela música do Cat Stevens, "Father and Son". Aí o Zelaya se entrega! Rarará!
DOUTORA HAVANIR QUER SE ENROSCAR! A doutora Havanir tá procurando marido no "Manhã Maior", da RedeTV! Com aquela cara de piloto de trem-fantasma? Já imaginou na hora da transa, na hora do clímax, ela tem um ataque neurótico-político e começa a gritar MEU NOME É HAVANIR! Meu Nome é Havanir! Com aqueles olhos esbugalhados? Aí tudo o que o Viagra conseguiu vai por água abaixo. Rarará! Marido da doutora Havanir tem de ter um pré-requisito básico: ser deficiente auditivo. Rarará! É mole?
É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que eu tenho uma foto com a placa: "Água de Coco, 100% Saúde! Hidrata e REJUVELHESCE!". Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Zelaya": companheiros zelando pelos de sua laia. O lulês é mais fácil que o ingreis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!
DORA KRAMER
Tiro e queda
O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/09/09
A natureza humana – assim como a do escorpião – quando muito tarda, mas falhar, não falha jamais. Prova é a emenda constitucional assinada por 1,3 milhão de brasileiros, pedindo que pessoas com contas em aberto na Justiça não possam se candidatar a mandatos eletivos.
A proposta nem bem cruzou a porta de entrada do Congresso e já se deparou com o arsenal de matar inconveniências. Suas excelências, que já haviam deixado o clamado veto de fora das recentes modificações feitas a toque de caixa na lei eleitoral a fim de restringir o espaço de atuação da Justiça Eleitoral, não gostaram.
Antes que a matéria comece a tramitar, já propõem mudanças que, se aprovadas, alteram inteiramente o espírito da proposta popular. A emenda prevê a negativa de registro para candidatos que tenham sido condenados em primeira instância por racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas.
Sem prejuízo, claro, daqueles já condenados por uso da máquina pública e compra de votos, hoje devidamente enquadrados na Lei 9.849/99, que deu base legal à Justiça para a cassação de três governadores eleitos em 2006.
Goste-se ou não da forma de substituição dos cassados – eleição indireta pela Assembleia Legislativa em um caso e, nos outros dois, posse aos segundos colocados nas urnas –, imponham-se reparos à demora das decisões judiciais, imponha-se a necessidade de encontrar uma maneira mais rápida e democrática para troca de comando no Poder Executivo, fato é que a aplicação da lei deu um freio de arrumação no abuso do poder, notadamente econômico.
Hoje, um candidato a presidente da República, um governador ou um prefeito em campanha precisam pensar várias vezes antes de partir para a ignorância no que tange ao uso de recursos, sejam eles públicos ou privados.
Pois a emenda popular contra os chamados fichas-sujas tem o mesmo caráter profilático. A despeito da regra geral que assegura a presunção da inocência até a última instância de julgamento para os cidadãos em geral, é muito justo que a regra seja mais rigorosa para quem pretenda representá-los.
Afinal de contas, quando uma denúncia chega a um tribunal ela já passou pela polícia, pelo Ministério Público e por um primeiro crivo da Justiça. Pode haver injustiças? Pode, só que não estamos tratando de situações definitivas, irreversíveis.
Se depois de todos os recursos ficar provado que o acusado era inocente, muito bem. Recebe seu atestado de idoneidade – aquele mesmo exigido de qualquer um para se credenciar a cargos públicos – e se inscreve na chapa deste ou daquele partido, que, por sua vez, a registrará no tribunal eleitoral da região pretendida para a disputa de votos.
É tudo muito simples, mas suas excelências já estão achando complicadíssimo. Consideram o projeto “muito duro”. Realmente, perto da frouxidão das regras que eles mesmos criam quando estão em jogo seus interesses, a proposta é um obstáculo.
Principalmente à desfaçatez de se achar muito natural que dois terços, ou três quintos, uma parcela dessa ordem de absurdo, dos parlamentares estejam respondendo à Justiça.
Na maioria eles alegam que os processos são produtos de perseguição ou armadilhas políticas. É de se perguntar: e os outros que nada devem, não têm adversários?
Novo rumo
O chanceler Celso Amorim dramatiza, diz que o Brasil abrigou Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa para proteger a vida do presidente deposto. Não fosse isso, hoje ele “estaria morto”.
Um tom muitos decibéis abaixo da ufanista e animada declaração inicial de que a busca pela representação brasileira era um sinal do “prestígio” internacional do país.
Lição do abismo
Mais inadequada e explícita impossível a escolha do tema do discurso do presidente Lula na cerimônia de posse do novo ministro das Relações Ins titu cionais, Alexandre Padilha: a defesa da partilha partidária de cargos na administração pública como forma de construir maioria no Congresso.
É assim que funciona, mas a citação rebaixa o Parlamento, representa aval presidencial ao fisiologismo e demonstra zero disposição de tornar mais institucionais as relações.
Túnel do tempo
Melhor que o pragmático era o Lula doutrinário, ainda candidato, em 2002, pregando o voto facultativo: “A política ficará melhor e mais depurada quanto maior for o interesse e a convicção com as quais o eleitor comparecer para votar”. Até o português era melhor.
Para o Luiz Inácio de sete anos atrás, o compromisso partidário e o trabalho de conquistar a atenção da sociedade, despertando nela a vontade de participar, eram as missões primordiais do político com vocação para o exercício da representação popular.
ANCELMO GÓIS
O acordo foi selado com a Dama Filmes ontem, véspera de o escritor ir a Copenhague ajudar o Rio a trazer os Jogos de 2016.
TORCIDA PELO RIO
Dilma Rousseff, em campanha, vai com o vice Pezão acompanhar do palco armado em Copacabana a votação do COI, em Copenhague, sexta, para escolher a sede dos Jogos de 2016.
VIDA DURA
Depois que Manuel Zelaya resolveu se hospedar na nossa embaixada em Tegucigalpa, brasileiros residentes em Honduras têm sido hostilizados por adversários do presidente deposto.
Nada grave até agora, mas mostra o tamanho da encrenca em que o País se meteu por lá.
VÍCIO DO JOGO
O grupo Jogadores Anônimos, irmandade de gente que tenta se libertar do vício da jogatina, atua para, caso seja aprovada a regulamentação dos bingos, incluir nas cartelas mensagens como aquelas dos maços de cigarros.
Coisas do tipo “jogar compulsivamente é doença”.
GALEÃO REPROVADO
O Galeão, com sua enorme folha de serviços não prestados, conseguiu mais uma proeza.
Foi citado no New York Times, na seção “Viajante Frequente”, por Melissa Bradley, como “o pior aeroporto em que já esteve”. E olha que Melissa já passou por Jordânia, Índia, Nepal, Laos, Mongólia, Egito...
HINO DO JOBIM
O Ministério da Defesa publicou ontem no DO o regulamento de um concurso para a escolha do hino da pasta.
O vencedor levará R$ 10 mil. A letra deve valorizar a integração das Forças Armadas e sua importância para a democracia.
DONA FIFA
Nos bastidores da reunião do Comitê Executivo da Fifa, no Rio, só se fala na sucessão do presidente Joseph Blatter.
Integrantes da Concacaf, que reúne 32 votos das Américas do Norte e Central e do Caribe, querem lançar o nome de Ricardo Teixeira. O governador Sérgio Cabral tocou no assunto com Blatter, que desconversou.
NA VERDADE...
O plano do presidente da CBF é realizar a Copa de 2014 no Brasil e se candidatar à Fifa na eleição de 2015.
LULA NÃO DORME...
Por falar em Fifa, Lula cancelou na última hora, ontem, a vinda ao Rio para jantar com a cúpula do futebol mundial, porque estava à beira de uma estafa.
As viagens estão cansando o presidente, que, raramente, consegue dormir no AeroLula.
SENTIMENTO PAROU
O cineasta José Henrique Fonseca, que roda o documentário O sentimento não pode parar, sobre o Vasco, foi assaltado com sua equipe de produção, segunda, na saída do Estádio de São Januário. Os bandidos, armados e de moto,
levaram o carro e todo o equipamento de filmagem.
Fonseca lamenta, acima de tudo, a perda de cinco dias de material filmado.
CLÓVIS ROSSI
O hino e os amigos
FOLHA DE SÃO PAULO - 30/09/09
SÃO PAULO - Duas frases ditas anteontem definem à perfeição por que o debate público no Brasil é em geral indigente e por que o serviço público é em geral tão pobre.
Frase 1, do novo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao aludir à sua fidelidade canina a Luiz Inácio Lula da Silva: "Parecia jogo de futebol em que as torcidas [os lulistas] ficam se digladiando, mas, quando toca o hino, todo mundo canta uma música só".
É o que acontece, com raras exceções, no debate público: os lulo-petistas e a oposição não se comportam, com raras exceções, como animais pensantes, mas como rebanho. Os hoje governistas, antes oposicionistas, põem a mão no peito e cantam o hino lulo-petista, sem discutir se a execução é boa, ruim ou péssima, se a letra é a mais adequada ou não. Aplaudem sempre, incondicionalmente.
Já a oposição vaia sempre, como se estivesse tocando o hino da Argentina. Inteligência que é bom vira vaga-lume nesse comportamento de manada: pisca aqui e ali, mas logo se apaga.
Frase 2, do presidente Lula, ao rebater críticas à nomeação de apaniguados de partidos, "como se algum partido que ganhou a eleição empregasse todos os inimigos e deixasse os amigos de fora".
O segredo da boa governança, versão Lula, é não deixar os amigos de fora. Se os amigos são competentes ou não, se são corruptos ou não, se usam os cargos para proveito político ou pessoal, é indiferente.
Importante é não deixar os amigos ao sereno. Como todos os partidos procedem da mesma maneira, o serviço público deixa de ser público para se transformar em uma ação entre amigos. Como consequência inexorável, a prioridade é atender os amigos, não o público.
Se houve, em algum momento, a noção de coisa pública desapareceu do Brasil. Há apenas o hino e os amigos que cantam.
CLÁUDIO HUMBERTO
PELÉ, O MODESTO, SOBRE O PAPEL DE BARACK OBAMA NA DEFINIÇÃO DA SEDE DAS OLIMPÍADAS
BANCOS DO GOVERNO JÁ TOMARAM R$ 6 BI EM 2009
Seis bancos públicos estão entre os dez órgãos governamentais que mais verbas federais receberam em 2009: Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Nossa Caixa, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste tomaram quase R$ 6 bilhões do contribuinte. Assim foi mole para o BB recuperar a liderança no ranking dos maiores. Completam a lista dos “dez mais” Ministério da Fazenda, Serpro, Dataprev e Eletronorte.
PREFERÊNCIA PAC
Desde 2003, BB e Caixa receberam R$ 28,2 bi em aplicações diretas do governo Lula. Em 2008, o BNDES recebeu sozinho R$ 14,2 bi.
ATENÇÃO, TORCEDORES
Sexta (2), as três concorrentes do Projeto FX2, de caças de combate, entregam preços à Defesa, quando o Brasil está de olho na Dinamarca.
OLD NEWS
Nossos leitores sabem, desde o dia 12, que o presidente Barack Obama e a mulher, Michelle, vão à Dinamarca, dia 2, torcer por Chicago.
BOI DE PIRANHA
O presidente do PT, Ricardo Berzoini, tem dito que a candidatura de Ciro Gomes a presidente faz parte do plano de Lula para eleger Dilma.
LICITAÇÃO DÁ NOTA IGUAL A PREÇOS DIFERENTES
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) pagará R$ 1,39 milhão por quatro edições de sua revista de 32 páginas, 50 mil exemplares cada. A proposta da paulista Bolina, primária, de má qualidade, ganhou a maior nota, já revelando algo estranho. O menor preço, R$ 546.640, da WHD, teve nota igual (28) ao mais alto (R$ 1,49 milhão). A Bolina, a da proposta chinfrim, pediu R$ 1,39 milhão para fazer o serviço. Levou.
DINHEIRO NO RALO
A gráfica Coronário, de Brasília, orçou em R$ 384 mil as quatro edições da revista do Cofen. A TV1, de São Paulo, pediu R$ 333,2 mil.
COMPUTADOR SAFADINHO
O Conselho Federal de Enfermagem inovou em explicações do gênero: por sua assessoria, botou a culpa no computador, que “deu as notas”.
ASPIRINA E CAMA
A ministra Dilma garantiu que “está completamente curada”. Os eleitores é que não estão se sentindo muito bem.
PERGUNTAR NÃO AFUNDA
O governo quer obrigar a Vale a construir navios no Brasil, pagando até 50% mais caro, mas a estatal Transpetro pode encomendar aço na Coreia alegando que aqui o produto seria mais caro?
COMPETÊNCIA
Cearense de Crateús, o ministro Francisco Catunda tem sido eficiente anfitrião, na embaixada em Tegucigalpa, e excelente diplomata. Seus primorosos telegramas ao Itamaraty são muito elogiados. Ele está designado para a República Dominicana, onde vai servir após a crise.
QUESTÃO DE IMAGEM
O governo interino de Honduras contratou por US$ 290 mil a empresa Chlopak, Leonard, Schechter & Associates, de Washington DC, para melhorar sua imagem nos EUA. A firma também trabalha no Brasil e perdeu para os japoneses o lobby do padrão europeu de TV digital.
VIGARICE NO LIXO
Mesmo que a Câmara aprove a PEC do trem da alegria dos cartórios, que efetiva 5 mil sem concurso público, o Supremo Tribunal Federal, provocado pela OAB, já sinalizou que vai enterrar a vigarice.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
Jurista admirado, o presidente da Câmara, Michel Temer, chocou a magistratura ao deixar prosperar as duas PECs pilantras que ofendem a Constituição: a dos vereadores e a do trem da alegria nos cartórios.
MÃE PROVEDORA
Um ex-auxiliar de escritório da Petrobras tentou pensão maior como anistiado político, alegando que hoje seria administrador por concurso na empresa. O STF barrou, lembrando que talvez fosse reprovado.
PERTO DO DESFECHO
Diretor-geral da Polícia Civil do DF, considerada uma das melhores do País, Cleber Monteiro acredita na prisão em breve de quem matou o ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua mulher e a empregada com 79 facadas. “Estamos bem perto”, garantiu a esta coluna.
ÁGUA NA BOCA
Virão do Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile as tripas bovinas das tradicionais cervelas (salsichas) suíças. A União Europeia proibiu de vez importar do Brasil, sob suspeita de mal da vaca louca. Loucura.
EL PÉ-FRIO
Se o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, acredita em pé-frio, é bom começar a pensar em distância de Lula.
PODER SEM PUDOR
VENDENDO SAÚDE
Empossado governador do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz nomeou o engenheiro José Nilson de Sá para o Departamento de Estradas e Rodagens, mas, com problemas pulmonares, o amigo não obteve o atestado médico exigido pela diretora de pessoal do Palácio, e não pôde assumir. Mas, só até Mariz tomar conhecimento do fato:
– Dra. Nani – disse o governador à diretora – quando eu nomeio um amigo é porque ele tem saúde para dar e vender. Nem precisa de atestado médico.
José Nilson, subitamente restabelecido, assumiu o cargo.
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: TCU pede bloqueio de obras do PAC por irregularidades
- Folha: Brasil recusou avião para Zelaya voltar, diz Amorim
- Estadão: TCU manda parar 41 obras federais e irrita Planalto
- JB: Aposta na Olimpíada verde
- Correio: Todos são caciques na folha do Senado
- Valor: Investimento de R$ 74 bi agita o setor ferroviário
- Estado de Minas: 7.800 vagas abertas em BH
- Jornal do Commercio: Ladrões atacam dentro do metrô
terça-feira, setembro 29, 2009
MARY ANASTACIA O' GRADY
Honduras só quer uma eleição
| Valor Econômico - 29/09/2009 |
A melhor forma de sair do problema hondurenho é permitir que o povo tenha uma eleição livre e participativa Num almoço de recepção oferecido ao presidente brasileiro Lula no começo do ano, uma autoridade brasileira me explicou que o motivo para o Brasil não subir o tom pelos direitos humanos na ditadura de Cuba é que o país não quer intervir nos assuntos internos da ilha. Aparentemente, a política de não-intervenção não se aplica à Honduras democrática. Na segunda-feira passada, o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, que foi preso, deportado e legalmente deposto do cargo em 28 de junho, retornou furtivamente a Tegucigalpa e buscou abrigo na embaixada brasileira. Zelaya disse a uma emissora de rádio hondurenha que seu plano de voltar foi elaborado em consultas a Lula e seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O Brasil diz que não teve nada a ver com a infiltração clandestina de Zelaya no país, o que equivale dizer que o ex-presidente hondurenho é um mentiroso. Nesse ponto, muitos hondurenhos concordariam. Zelaya enfrenta acusações de corrupção pendentes em Honduras, mas o Brasil "não-intervencionista" se recusa a entregá-lo às autoridades. Em vez disso, está permitindo que use a embaixada como um centro de comando, de onde tem convocado seus violentos apoiadores para irem às ruas. As simpatias de Lula com a extrema esquerda e sua amizade com Fidel Castro são famosas. Na sua terra natal, ele não se envolve na militância esquerdista da década de 70 porque os brasileiros não querem saber disso. Ele é limitado pelas instituições, pela realidade econômica e pela pressão pública. Sua admiração pelo comunismo até arrefeceu um pouco quando a Venezuela e a Bolívia tentaram nacionalizar investimentos brasileiros. No entanto, ele foi obrigado a jogar algumas migalhas na direção do seu manifestadamente esquerdista Ministério das Relações Exteriores, e é aí que Honduras é providencial. Essa prática de moderação em casa e extremismo no exterior não é exclusiva do Brasil. Muitos presidentes latino-americanos fazem a mesma coisa. O que assusta é que os EUA parecem estar adotando uma política semelhante. Na semana passada, Tegucigalpa esteve sob o ataque dos partidários de Zelaya. Eles queimaram pneus, destruíram propriedades, saquearam estabelecimentos comerciais e bloquearam estradas. Os EUA, porém, reiteraram seu apoio a Zelaya. Sem apresentar nenhuma análise jurídica, Washington estipulou mais uma vez que um presidente que tentou destroçar a constituição deve ser reconduzido ao cargo, caso contrário o país não reconhecerá a eleição presidencial de novembro. Porque os EUA ameaçam minar uma eleição livre que muito provavelmente poderia restaurar a paz e a segurança? Hugo Chávez, da Venezuela, pode ter respondido a essa pergunta no seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas na quinta-feira. Da tribuna, Chávez disse à sua plateia que não sentia o cheiro de "enxofre" como sentiu no ano passado. Isso foi uma referência à sua tirada anterior na ONU, quando chamou George W. Bush de diabo, que deixou no seu rastro um odor sulfúrico. Nesse ano, disse Chávez, havia um cheiro de "esperança". Obama obviamente conquistou a aprovação do tirano latino-americano e a política dos EUA para Honduras tem sido proveitosa. Mas será que essa grande honra durará mais que um átimo e trará algum benefício? Provavelmente não. Além de poupar Obama das farpas que dirigia a Bush, Chávez não mostra nenhuma inclinação para se tornar um bom vizinho. Ele está envolvido numa maciça escalada militar e até tem falado sobre suas próprias ambições nucleares. A posição da administração a respeito das eleições hondurenhas é embaraçosa. Alguém pode imaginar que, caso Fidel Castro declarasse amanhã que realizaria eleições livres e convidasse o mundo todo a vir como observadores, os EUA rejeitariam a ideia porque Cuba é uma ditadura militar? Seria um absurdo. O presidente panamenho Ricardo Martinelli me disse na semana passada em Nova York que acredita que "a única e melhor forma de sair do problema hondurenho é permitir que o povo hondurenho tenha uma eleição livre e participativa, onde eles selecionarão quem quer que acreditem ser o melhor candidato para administrar o seu governo". Martinelli observa que os candidatos nessa disputa foram escolhidos enquanto Zelaya ainda era presidente. O presidente hondurenho Micheletti concorreu numa eleição preliminar para a escolha de candidatos, mas perdeu para Elvin Santos, que é agora o candidato do partido de Zelaya e que também quer que as eleições sigam adiante. O Panamá já sofreu o problema de ter sua democracia interrompida, diz Martinelli, e foram as eleições que a restauraram. Martinelli diz - como muitos no governo hondurenho - que foi errado deportar Zelaya. Ele também diz que esperava que as negociações de San José, Costa Rica, produzissem um acordo para solucionar a disputa. Mas ele acrescenta que o que Zelaya está exigindo "não está no âmbito das leis e normas de Honduras". Assim sendo, agora, a eleição é a resposta. Uma eleição transparente é o caminho para a estabilidade política endossada pelo mundo livre. Que os EUA ameacem esse processo é indecoroso e grosseiro. Será que Obama aprecia as palavras amáveis a esse ponto? Se assim for, estamos todos em apuros. Mary Anastasia O´Grady é editora do Wall Street Journal. |
BRASÍLIA - DF
Bilhões e bilhões
| Correio Braziliense - 29/09/2009 | ||||||||||||
FGTS// Uma das 67 emendas do PMDB apresentadas ao projeto do pré-sal prevê a utilização dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a compra das novas ações da Petrobras. Trabalhadores que compraram ações da empresa com o FGTS, no passado, correm o risco de perdê-las se não aumentarem a participação na Petrobras. Nunca antes
Barril Em tese, com o barril de petróleo cotado a US$ 5, se a Petrobras comprar os 5 bilhões de barris do governo, a operação poderia chegar a US$ 78 bilhões. Ou seja,R$ 155 bilhões Cariri atômico O governo não pretende limitar os investimentos em energia nuclear à construção da usina 3 de Angra dos Reis. Rico em urânio, o Brasil domina o ciclo nuclear completo e já tem condições de construir uma nova usina com tecnologia nacional. A quarta usina deve ser instalada no Nordeste, aproveitando a exploração de uma nova mina de urânio no município de Santa Quitéria, no Ceará. Agência A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quer transformar o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) numa nova agência reguladora para controlar e fiscalizar o setor mineral. Com 1,2 mil funcionários efetivos, o DNPM é uma autarquia reestruturada e fortalecida sob a proteção da ministra, que agora defende a elaboração de um novo marco regulatório para o setor mineral. Dilma foi ministra de Minas e Energia no primeiro mandato do presidente Lula. Fim de papo
Imagem Sob o escrutínio desde sua indicação a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, contratou uma consultoria de comunicação para orientá-lo durante o período de exposição. Ele está sob os cuidados da Companhia de Notícias (CDN), que passou a cuidar também da Petrobras durante o bombardeio pré-CPI do Senado. Conselhos/ A comitiva de deputados da Comissão de Relações Exteriores, que está de viagem marcada para acompanhar o cerco à embaixada brasileira em Tegucigalpa, foi aconselhada pela embaixada de Honduras em Brasília a não desembarcar no país. O grupo aguarda a concessão de um visto especial do legislativo hondurenho. |
RODRIGO CONSTANTINO
A hipocrisia da esquerda
| O Globo - 29/09/2009 |
O presidente Hugo Chávez afirmou que “sabia de tudo” sobre a volta do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, ao país, e ainda disse ter ajudado a “despistar” as autoridades sobre o seu paradeiro. O governo brasileiro nega ter participado da operação de retorno de Zelaya, mas parece extrema ingenuidade crer que ele simplesmente se “materializou” na embaixada brasileira, junto com dezenas de pessoas. Sem falar que Zelaya esteve no Brasil conversando com o presidente Lula pouco antes. Além disso, a embaixada não ofereceu asilo, e sim abrigo, tornandose um palco para os discursos políticos de Zelaya. Fica claro que o governo brasileiro adotou uma postura ativa em relação aos acontecimentos internos de Honduras. Tudo isso já seria bastante absurdo do ponto de vista da diplomacia entre nações. Mas aqui eu gostaria de focar no aspecto da incoerência dos discursos e atos dos líderes de esquerda da América Latina. Afinal, são esses mesmos presidentes — Chávez e Lula — que costumam acusar o governo americano, não sem razão, de atos imperialistas quando este se mete indevidamente em assuntos locais dos países latino-americanos. Por que quando o governo americano interfere nos assuntos de outros países é “imperialismo”, mas quando o governo venezuelano faz o mesmo trata-se de uma “luta pela democracia”? O uso de dois pesos e duas medidas também costuma ser chamado de hipocrisia. É quando alguém utiliza critérios diferenciados para julgar, na tentativa de sempre condenar o que não gosta e proteger seus aliados ou interesses. Por exemplo, quando aquele que abraça uma cruzada pela democracia é o mesmo que defende o regime cubano, a mais duradoura ditadura do continente. Ou quando aquele que culpa o embargo americano a Cuba por sua miséria é o mesmo que condena a globalização e chama o comércio com os americanos de “exploração”. Ou ainda aquele que fala em “solução pacífica” enquanto incentiva atos de vandalismo como mecanismo de pressão. Tanta incoerência, tanta contradição, possui apenas uma explicação possível. Esses governantes esquerdistas não estão preocupados com princípios ou com a coerência, mas sim com a única coisa que eles almejam de verdade: o poder. Para este fim, eles estão dispostos a aceitar quaisquer meios. A hipocrisia é apenas mais um desses métodos utilizados para a conquista plena do poder. Ao menos as verdadeiras virtudes ainda são reconhecidas, pois, como disse La Rochefoucauld, “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Isto é, quando Chávez apela para uma retórica em defesa da “democracia”, é porque ele sabe que o povo a valoriza. Não o que ele chama de democracia, a sua “revolução bolivariana”, que não passa de uma ditadura velada que ele tenta exportar para toda a região com seus petrodólares. Mas sim aquela democracia republicana que respeita os direitos das minorias, a propriedade privada, as liberdades individuais e de imprensa. Ou seja, justamente a democracia que anda faltando na região, cada vez mais vítima de caudilhos autoritários que pretendem governar para sempre um povo de súditos. Chegou a hora de dar um basta a esta hipocrisia. Um povo que pretende ser livre precisa defender princípios, não seus “camaradas” como se fossem membros de uma máfia. A fidelidade deve ser aos valores comuns, não aos aliados, por interesses escusos. Todo tipo de imperialismo deve ser condenado, independentemente de quem é o imperialista. Caso contrário, tratase de pura hipocrisia. |





