quinta-feira, setembro 10, 2009

ADRIANO PIRES

Estatizações, eleições e o pré-sal


O Estado de S. Paulo - 10/09/2009

Os quatro projetos que visam a alterar a atual legislação do setor de petróleo e gás natural no Brasil trouxeram à tona, e desta vez com bastante força, o cansativo e ultrapassado debate estatização x privatização. Ressuscitar esse debate é o verdadeiro objetivo do governo, o pré-sal está sendo usado apenas como pretexto. E por que essa estratégia é importante? No curto prazo, o objetivo é tirar de pauta os escândalos do Senado, os problemas na Receita Federal e a gripe suína. No médio prazo, é ganhar as próximas eleições presidenciais.

Nos últimos anos assistimos no Brasil a três grandes rounds da luta estatistas x privatistas. O primeiro foi no governo FHC, com o embate em torno do petróleo. Primeiro, para a aprovação da Emenda Constitucional nº 9, que alterou o artigo 177 da Constituição federal, em que era dado o monopólio à Petrobrás. Depois, quando da tramitação e posterior aprovação da Lei 9.478, em agosto de 1997. Naquele momento a vitória foi dos privatistas, que se teriam aproveitado dos ventos neoliberais que sopravam pelo mundo.

Um segundo round ocorreu na primeira eleição do presidente Lula, quando o governo FHC foi acusado de ter promovido o racionamento de energia elétrica em razão das privatizações. Apesar de o governo FHC ter privatizado apenas 15% das estatais geradoras, a tese que culpava a privatização pegou e deu a vitória aos estatistas. O terceiro round foi na segunda eleição do presidente Lula, que na época tachou o candidato de oposição de privatista e neoliberal. O presidente Lula acuou o adversário afirmando que, caso a oposição ganhasse as eleições, a Petrobrás e o Banco do Brasil seriam privatizados. O candidato da oposição em momento algum conseguiu escapar da armadilha, mostrando que o debate não era estatização x privatização, e sim um Estado eficiente assumindo posições de fiscalização e regulação contra um Estado gastador, inchado e politizado. Pela segunda vez as urnas deram a vitória à tese estatizante. A luta é sempre reiniciada às vésperas das campanhas presidenciais, e agora não poderia ser diferente.

É bom lembrar que, se tudo correr bem, a produção comercial do pré-sal só se iniciará a partir de 2015. O próprio presidente da Petrobrás, em contraposição a outros membros do governo, declarou recentemente que o pré-sal não é uma vaca leiteira. Mesmo assim, o governo, de forma autoritária e nada democrática, apresentou seus projetos para que fossem apreciados e aprovados em apenas 90 dias pelo Congresso Nacional.

Quando analisamos os quatro projetos enviados ao Congresso pelo governo, verificamos a existência de dois pontos comuns a todos: o direcionamento para uma reestatização do setor de petróleo e gás natural e a mudança de um Estado que participa da renda petroleira por meio da arrecadação de impostos para um Estado que vai obter a mesma renda pela comercialização do petróleo e do gás natural. Essa mudança acaba prejudicando Estados e municípios produtores de petróleo. O projeto que cria a Petro-Sal propõe funções de gestora dos contratos de partilha e dos contratos de comercialização de petróleo e gás natural. A primeira é atualmente exercida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), só que em relação aos contratos de concessão. Nesse sentido, a Petro-Sal vai esvaziar a agência. A segunda faz a Petro-Sal reencarnar o antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e o Instituto Brasileiro do Café (IBC), que só deixaram heranças malditas. Por fim, a Petro-Sal vai participar dos comitês operacionais dos campos de petróleo, com poder de veto. Muitos afirmam que isso teria sido copiado da estatal norueguesa Petoro. Não é verdade. Na Noruega a estatal participa dos comitês operacionais porque a Petoro é investidora e, portanto, entra no risco do negócio. No Brasil, a Petro-Sal nada investe e apenas vai exercer ingerência política na administração dos campos. O governo brasileiro abandona o modelo de controle da produção e fiscalização do campo por uma agência reguladora e passa agora a ter essas funções exercidas por uma estatal com critérios pouco transparentes.

No contexto da volta aos anos 1950, o governo propõe restituir parte do monopólio que a Petrobrás havia perdido com a Lei 9.478. A Petrobrás passaria a ser a única operadora dos campos do pré-sal que ainda não foram licitados, com uma participação mínima de 30%. O primeiro comentário é que, além da perda de eficiência, natural em empresas monopolistas, essa novidade tende a afastar investimentos das tradicionais empresas petrolíferas, que poderão não aceitar ser meras parceiras financeiras da Petrobrás. Por outro lado, o novo modelo poderá atrair empresas estatais, principalmente chinesas, que têm grande disponibilidade de capital e pouca tradição como operadoras de petróleo. O governo chinês deixaria de comprar papéis do Tesouro americano e passaria a comprar reservas de petróleo no Brasil. Ficaria estabelecida a eficiente e moderna parceria estatal com estatal. A Petrobrás monopolista também passa a ser um monopsônio, transformando-se na única compradora das indústrias fornecedoras de bens e serviços para o pré-sal. Será que uma Petrobrás monopolista e exercendo o poder de monopsônio é caminhar para a modernidade e proteger os interesses do povo brasileiro?

É provável que a oposição não consiga sair do canto do ringue. Quando vemos políticos da oposição fazendo críticas artificiais aos projetos do governo para assegurar que não serão acusados de privatistas, temos a certeza de que caíram, mais uma vez, na armadilha de não ter coragem de enfrentar o verdadeiro debate. E, nesse caso, na próxima campanha presidencial o embate será entre estatistas e estatistas. Pobre Brasil, que com a adoção do novo modelo do pré-sal poderá gerar duas maldições: a conhecida doença holandesa e, na contramão do mundo, sujar a nossa matriz energética, que sempre foi das mais limpas do mundo.

GOSTOSA


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ELIANE CANTANHÊDE

Papel de trouxas

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/09/09



BRASÍLIA - A norte-americana Boeing e a sueca Saab gastaram milhões de dólares para disputar a seleção de renovação da frota da FAB.
E eis que de repente, não mais que de repente, Lula vai comer uma moqueca com Sarkozy e ambos anunciam ao mundo a escolha dos Rafale, da francesa Dassault.
O anúncio, num texto em diplomatês e à parte do comunicado conjunto longamente negociado, correspondeu a dizer que o processo não era para valer. Era só para americanos e suecos verem.
Isso, evidentemente, criou problemas na Aeronáutica, que comanda a indicação com seu jeito militar de ser: tudo tem regra, cronograma, informação técnica. Ou, como explicou Jobim no Planalto, processos de seleção, principalmente internacionais e na área de defesa, seguem "prazos e ritos".
Então, como explicar para a milicada, aqui dentro, e para os países e empresas concorrentes, lá fora, que a decisão foi tomada antes da conclusão do parecer técnico? Esse tipo de voluntarismo cabe bem em lutas sindicais, mas pode criar problemas em negociações muito mais complexas.
Na segunda, Lula e Sarkozy anunciaram a escolha dos Rafale. Na terça, Jobim, em nota, deu o dito pelo não dito. Ontem, foi a vez do contorcionismo retórico para explicar o inexplicável, enquanto Lula tentava reduzir tudo a uma brincadeira: "Daqui a pouco eu vou receber de graça". (Atenção ao "eu". Não tem graça nenhuma.)
OK. Há muito mais do que vã filosofia, questões técnicas e até mesmo de preços por trás da preferência do Brasil pelos aviões franceses -ou melhor, pelos franceses. Mas não precisava esculhambar.
Bastava seguir os "trâmites normais", deixar a FAB concluir o seu trabalho, pressionar por melhores preços e juros e anunciar o negócio com a França com profissionalismo e compostura, para conferir ar de seriedade ao país e evitar questionamentos, até jurídicos, depois.

CLÓVIS ROSSI

São Paulo e a maldição

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/09/09



SÃO PAULO - Carlos Eduardo Lins da Silva, o ombudsman desta Folha, é uma pessoa a quem nós, os pré-antigos, trataríamos como "cavalheiro de fino trato", elegante até na linguagem.
Por isso, quando ele, na crítica interna do jornal, chamou São Paulo de "cidade maldita", pensei baixinho: "a coisa está muito feia" Outra demonstração da "feiura" veio no texto de Rodrigo Fiume, editor-assistente de Cotidiano, que lamentava profundamente ter saído de carro apesar da chuva que caiu anteontem e pedia ao prefeito Gilberto Kassab que fizesse "algo nesta cidade maluca".
"Maldita", "maluca". Pobre São Paulo, a São Paulo que já foi "a cidade que não pode parar". Lamento desapontá-los, Carlos Eduardo e Rodrigo Fiume, mas sou mais antigo na arte de reconhecer as maldições e maluquices de São Paulo. Exemplo: em 1996, Duda Mendonça, marqueteiro então a serviço do malufismo, enchera a cidade de outdoors dizendo: "Não deixe São Paulo parar".
Parado, completamente parado, nos congestionamentos diários da avenida 23 de Maio, olhava o slogan do grande marqueteiro e pensava: "Como São Paulo já parou, essa é a típica propaganda enganosa".
O problema de São Paulo não é o de parar por causa de uma chuva excepcional como anteontem (parou ontem de novo, pelo menos de manhã, sem chuva extraordinária).
O problema de São Paulo é que parou faz tempo. Antes, o nível de congestionamento que autorizava voltar para casa era inferior a 100 quilômetros. Foi subindo, subindo, e hoje já está em 200, pouco mais, pouco menos.
Está próximo o momento (maldito) em que nem sair do trabalho os paulistanos sairão. Porque não conseguirão chegar.
E nos acostumaremos bovinamente, como ocorreu quando caíram sobre a cidade -e sobre nós- todas as "maldições" anteriores.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

PAINEL DA FOLHA

Para Lula ver

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/09/09

Quem conhece os meandros regimentais da Câmara sabe que, embora a oposição tenha concordado em fixar a votação em plenário dos projetos do pré-sal na semana de 10 de novembro, é quase impossível que a discussão esteja concluída antes do dia 24 daquele mês. Mesmo se não houver obstrução nas comissões, serão quatro propostas polêmicas, recheadas de emendas, a serem votadas madrugadas adentro.
Uma combinação de conveniências ditou o acordo que resultou no fim da urgência e na definição desse cronograma, ainda que pró-forma. Michel Temer (PMDB-SP) queria encerrar a obstrução e votar o reajuste do Judiciário. A oposição, desgastada, obteve mais prazo para debater as matérias e fazer emendas.

Mãozinha - Relator do projeto mais importante do pré-sal, o da partilha, Henrique Alves (PMDB-RN) ainda emplacou o conterrâneo João Maia (PR) na relatoria do fundo social. Argumentou que o irmão de Agaciel Maia vinha se aproximando da oposição, mas, uma vez contemplado, ficará com Dilma Rousseff.

Vai sonhando - Escolhido presidente da comissão sobre o regime de partilha, Arlindo Chinaglia (PT-SP) quer manter a discussão sobre royalties fora dos debates. Só que a maioria das emendas apresentadas trata da questão.

Borracha - Sem alarde, Eduardo Azeredo (PSDB-MG) fez alteração de última hora no texto da reforma eleitoral. Onde estava prevista a proibição de propaganda de programas oficiais seis meses antes da eleição, agora se lê quatro meses, ou seja, praticamente já na campanha. Explicou aos colegas que atendia a um pedido de Aécio Neves.

Momento - Eros Grau saiu bufando do plenário do STF depois do bate-boca com o relator Cezar Peluso a propósito do direito de defesa de Tarso Genro. Mas, pouco depois, minimizava o episódio: “O ministro Peluso é meu amigo-irmão”, disse a um assessor.

Pesos... - Depois que Peluso leu as preliminares do voto, o advogado de Battisti, Luís Roberto Barroso, disse que havia 30 anos seu cliente não se envolvia em questões “anti-sociais”. Quando lhe perguntaram se haveria tal prescrição para ex-ditadores, gaguejou.

... e medidas - Em seguida, formulou: “Defendo que criminosos de Estado, que usaram a tortura como instrumento de perseguição, tenham regime diferente dos criminosos de cidadania”.

Albergue - Eduardo Suplicy (PT-SP) deixou a chave de seu gabinete no Senado com os manifestantes pró-Battisti que chegaram a Brasília na véspera do julgamento. “Foi para que pudessem usar o banheiro à noite”, justificou.

Teleprompter - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, optou por ler na tela do computador sua sustentação no caso Battisti. Em vários momentos se perdeu.

Escravos... - Alçado ao governo do Tocantins com a cassação de Marcelo Miranda (PMDB), o presidente da Assembleia, Carlos Gaguim (PMDB), fechou acordo para ser eleito indiretamente. Levará para o secretariado Leomar Quintanilha (PMDB), com quem disputará a vaga de candidato ao governo em 2010. Miranda concorrerá à cadeira hoje ocupada por Quintanilha no Senado.

...de Jó - Enquanto isso, o senador João Ribeiro (PR) tenta atrair a base de Miranda para ser candidato ao governo. Do outro lado, a senadora Kátia Abreu (DEM) negocia com Siqueira Campos (PSDB), seu adversário na eleição passada.

Paris é aqui - No currículo parlamentar de Gaguim há um projeto que prevê a construção de réplica da Torre Eiffel em Palmas. Piada de adversários: com a atual aproximação Brasil-França, talvez seja possível arrancar recursos do PAC para a obra.

Tiroteio

A oposição não tem passado para contrapor ao governo Lula. Não tem presente para enfrentar a popularidade do presidente. E agora, com o pré-sal, também não tem futuro.
Do deputado JOSÉ MENTOR (PT-SP), fazendo pouco das chances do consórcio PSDB-DEM na eleição presidencial do ano que vem.

Contraponto

Meu nome não é Enéas

Ainda no início do governo Lula, o PFL (depois rebatizado DEM) tentava com dificuldade obstruir uma sessão da Câmara. Como havia poucos deputados do partido e do parceiro PSDB no plenário, o chefe de gabinete da liderança pefelista, responsável por manter a obstrução com os meios disponíveis no regimento, animou-se ao ver Enéas Carneiro (1938-2007) sentado sozinho num canto.
- Deputado, por favor nos ajude. Eu preciso que o senhor discurse. Pode falar o tempo que quiser.
- Não, obrigado - cortou Enéas para surpresa do assessor, habituado à contundência do homem do Prona.
Enéas ainda completou:
- Tenho de confessar para você: eu detesto falar.

MERVAL PEREIRA

Uma bomba política

O GLOBO - 10/09/09


Está na mesa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma verdadeira bomba política, exemplar de uma coalizão onde cada partido defende seus interesses próprios e mantém o governo refém. Um grave problema para quem é candidata oficial à sucessão do presidente Lula: o pedido do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, para que a Aeronáutica troque seu representante na Agência Espacial Brasileira (AEB), o majorbrigadeiro Antonio Hugo Pereira Chaves, que é PhD em Engenharia Espacial em Toulouse, na França, e ex-piloto da Esquadrilha da Fumaça, considerado “top gun” na Aeronáutica

O pedido de demissão foi feito por pressão do presidente em exercício do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, que acumula a função política com a presidência da empresa brasileiro-ucraniana Cyclone Alcântara Space, que vai explorar o lançamento de foguetes da Base de Alcântara, no Maranhão — cuja utilização está no centro de toda a crise política.

Esse acordo com a Ucrânia, por sinal, foi objeto de uma polêmica logo no início do governo Lula, pois ele continha cláusulas que haviam sido contestadas pelo PT quando o governo Fernando Henrique Cardoso negociou tratado semelhante com os Estados Unidos.

Na campanha eleitoral de 2002, o candidato Lula dissera que o acordo com os Estados Unidos não levara em conta a soberania nacional, pois os americanos é que dariam permissão para que brasileiros entrassem na base e não cabia aos brasileiros “fiscalizar um contêiner em nosso território”. Cláusulas semelhantes estão no contrato com a Ucrânia.

Na reunião da Agência Espacial Brasileira na semana passada, houve um bate-boca entre Roberto Amaral e o major-brigadeiro, que defendia uma negociação com os representantes dos quilombolas e dos indígenas que estão instalados no terreno da Base de Alcântara antes de colocá-la em funcionamento novamente.

Embora Alcântara, no Maranhão, seja considerada o melhor local do mundo para lançamento de foguetes, o Programa Espacial está sendo emperrado por grupos de indígenas e quilombolas que estão instalados na região.

É preciso construir uma nova base para os lançamentos de foguetes, pois a antiga base explodiu em agosto de 2003, matando mais de 20 engenheiros, na maior tragédia do setor na história brasileira.

Mas há problemas, pois a Funai exige um estudo de impacto ambiental e um levantamento socioeconômico, enquanto a demarcação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) destinou 78,1 mil hectares aos quilombolas e 8,7 mil para o programa de lançamentos de foguetes.

O ex-ministro Roberto Amaral está empenhado para que as obras da nova Base de Alcântara sejam incluídas no PAC, para garantir a prioridade do projeto e acelerar o processo de licença ambiental da área onde os lançamentos serão feitos.

O projeto da empresa binacional seria iniciar as obras de terraplanagem em agosto, para lançar o primeiro satélite, sem fins comerciais, no segundo semestre de 2010, e o primeiro lançamento comercial em 2011, mas o processo está atrasado pelos problemas.

O major-brigadeiro Antonio Hugo Pereira Chaves, representante da Aeronáutica na AEB, defendeu na reunião da agência a tese de que seria melhor que se tentasse um acordo com os quilombolas e indígenas instalados na região, para que os lançamentos de Alcântara não fossem impugnados internacionalmente pelos movimentos sociais e se tornassem alvos de protestos, inclusive locais, para impedi-los.

Roberto Amaral, presente à reunião como representante da Cyclone Alcântara Space, irritou-se com a proposta do brigadeiro e alegou que os problemas já haviam sido equacionados. Argumentou que a sugestão do brigadeiro prejudicaria o programa espacial brasileiro e, a certa altura, a classificou de uma “proposta de filho da puta”, batendo violentamente com a mão na mesa, para em seguida tentar atirar um copo de água na direção do brigadeiro, que reagiu com outro soco na mesa.

Ao mesmo tempo, o brigadeiro atirou-se na direção de Roberto Amaral para lhe tomar o copo, o que fez com que o presidente em exercício do PSB caísse da cadeira, gritando palavrões e sendo contido por seus auxiliares.

Mesmo assim, conseguiu jogar o copo na direção do brigadeiro, sem, no entanto, atingilo. Sentindo-se agredido, o presidente do PSB exigiu do ministro da Ciência e Tecnologia a destituição do brigadeiro do conselho da AEB.

Esse ministério é, desde o início do governo Lula, um feudo do PSB, tendo sido Roberto Amaral o primeiro ocupante do cargo, ficando conhecido por uma polêmica declaração em 2003 à BBC Brasil, quando afirmou que concordava com a ideia de que o Brasil tem de buscar “o conhecimento necessário para a fabricação da bomba atômica”.

Foi substituído pelo então deputado federal Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, hoje governador de Pernambuco, e depois pelo atual ministro Sérgio Rezende — que coordenou o grupo que elaborou a proposta de apoio à ciência e tecnologia do governo de Arraes, em Pernambuco, em 1986, e depois foi seu secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente.

Como se vê, Rezende não tem condições políticas de recusar uma exigência do presidente do PSB, e muito menos de adverti-lo. Ele já conversou várias vezes nos últimos dias com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com o da Aeronáutica, tenentebrigadeiro-do-ar Juniti Saito, mas encaminhou um pedido de demissão do majorbrigadeiro Chaves do Conselho da AEB, o que está abalando a Aeronáutica.

O major-brigadeiro Antonio Hugo Pereira Chaves continua trabalhando normalmente, à espera do desfecho da questão.

LINGUARUDO

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Bastidores

O GLOBO - 10/09/09

Especula-se que a vinda do Sarkozy ao Brasil foi precedida de uma intensa negociação diplomática entre Brasil e França em torno de uma única dúvida: se a Carla Bruni viria ou não viria junto. Quando o governo francês anunciou que ela definitivamente não viria, teria havido uma reunião de emergência no Planalto, com a participação do Itamaraty e dos ministros da Defesa e da Fazenda, quando ficara decidido que o Brasil concordaria em comprar helicópteros franceses, com a condição de que a Carla Bruni acompanhasse o marido. O Sarkozy teria dito que infelizmente ela tinha um compromisso previamente marcado e não poderia vir. O governo brasileiro insistira: compraria, além dos helicópteros, 18 aviões, se a Carla Bruni também viesse. A chancelaria francesa se desculpara: a senhora Sarkozy, infelizmente, não poderia atender ao convite. O Brasil então teria feito outra proposta: os helicópteros e mais 36 aviões. A própria Carla Bruni escrevera um bilhete muito gentil ao Lula, agradecendo o carinho dos brasileiros, etc. mas reafirmando que, infelizmente, não poderia vir. Nova reunião de emergência e nova oferta brasileira: os helicópteros, os 36 aviões e mais dois submarinos. Nova resposta francesa: infelizmente... Então Lula autorizara a proposta final. O Brasil compraria os helicópteros, os 36 aviões e TRÊS submarinos, sendo um nuclear, e a França ainda poderia levar o que quisesse do pré-sal, com desconto, se a Carla Bruni viesse junto. Aliás, se viesse
a Carla Bruni, o Sarkozy nem precisava vir. O negócio estava fechado.
Os franceses aceitaram. Por isso grande foi a decepção quando a porta do avião se abriu e o Sarkozy apareceu sozinho.
Depois ele explicou por que,
à última hora, a mulher não pudera vir:
– Enxaqueca.
Mas aí ficaria chato o Brasil retirar sua oferta.
Claro que esta é apenas uma versão do que teria havido nos bastidores do grande negócio. Outra, menos verossímil, é que o Sarkozy é apenas um vendedor com muita sorte.
UM DIA
(Da série “Poesia numa hora destas?!”)

Não esquente, não esquente:
um dia ainda vamos rir de tudo isto
histericamente.

CLÁUDIO HUMBERTO

“A gestão do Estado é morosa, complexa e os resultados demoram”
GOVERNADOR MINEIRO, AÉCIO NEVES (PSDB), TENTANDO NÃO CRITICAR O GOVERNO LULA

CPI: GOVERNO DEVE “RIFAR” GERENTE DA PETROBRAS
Na CPI da Petrobras, o governo Lula cogita não proteger o gerente de Comunicação Institucional da estatal, Wilson Santarosa, convocado para depor na terça (22). Ligado ao ex-ministro Luiz Gushiken, Santarosa ocupa o cargo desde 2003. Ele é quem define a liberação de patrocínios, sem dar ouvidos à própria diretoria da Petrobras, utilizando critérios que deixam governistas insatisfeitos e a oposição indignada.
BOLA DA VEZ
Em sessão noturna, há dias, a maioria governista sepultou o que quis, na CPI da Petrobras, exceto a convocação de Santa Rosa para depor.
ELE TEM A FORÇA
Wilson Santarosa pilota um orçamento estimado em R$ 1 bilhão em patrocínios, propaganda, repasses a ONGs e incentivos culturais.
NA BANDEJA
A frase de um senador petista resume o pragmatismo do governo Lula:
“Se temos de entregar a cabeça de alguém, que seja a do Santarosa”.
LIÇÃO DE DIREITO
Juristas consideraram “soberbo” o voto do ministro-relator Cezar Peluso, do STF, pela extradição do terrorista homicida Cesare Battisti.
ÚLTIMA PEÇA NO “XADREZ” DO CASO CELSO DANIEL
As promotoras do Ministério Público do ABC paulista Eliana Faleiros e Mylene Comployer entregaram à Justiça a última peça do intrincado quebra-cabeças que resultou no sequestro e assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002. Pedem júri popular dos sete réus confessos, um deles menor, que implicam Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, ex-motorista,
ex-segurança e ex-amigo íntimo da vitima.
CHOCANTE
A Secretaria de Saúde do DF revelou que em apenas um ano seus médicos sapecaram 4 mil atestados para justificar faltas ao trabalho.
MANDA QUEM PODE
Um referendo popular suspendeu a venda de 20 a 30 caças de combate Rafale... à Suíça.
NOTÍCIA VELHA
Depois de fazer doce, o presidente Lula confirmou ontem o que esta coluna antecipou: mandou retirar a urgência nos projetos do pré-sal.
EXTREMA CRUELDADE
Até o experiente legista do DF ficou chocado com a “extrema crueldade” de quem esfaqueou um total de 72 vezes o afável ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua mulher e a empregada.
“JE ME LIXE”
A presidente argentina Cristina Kirchner visitou as cidades da fronteira atingidas por um tornado. Lula, que só tem olhos para a França, nem se abala para conhecer a cidade catarinenses destruída pelo tornado.
PANCADARIA ANUNCIADA
Na campanha presidencial de 2010, dois amigos do governador tucano de São Paulo vão entrar na linha de tiro do vale-tudo petista: Guilherme Marins, primo de José Serra, e José Amaro Pinto Ramos.
PRÉ-LULA
Só não vê quem não quer. Antes de ser plataforma de campanha para Dilma Rousseff, o Pré-Sal é palanque armado para a volta de Lula ao governo em 2014. É lá que, com sorte, começará a jorrar o petróleo.
GOVERNADORA
Nem bem o TSE anunciou a cassação do governador Marcelo Miranda, a senador Kátia Abreu (DEM), anunciou a disposição de concorrer ao governo do Tocantins. Ela não topa ser vice na chapa de José Serra.
CIRO EM SAMPA
A pedido do presidente Lula, que ignorou solenemente o apelo do tucano José Serra, o deputado Ciro Gomes (PSB-SP) vai mesmo transferir o título eleitoral do Ceará para São Paulo, na segunda (20).
MUSA CAPIXABA
O tucanato paulista está encantado com a deputada Rita Camata (ES). José Serra a convidou para trocar o PMDB pelo PSDB e disputar o Senado. Gérson, o maridão senador, deve abandonar a política.
CADEIRA VAZIA
Há mais de um mês está vaga na Anac a diretoria desocupada com a saída de Marcelo Seroa. O ministro Nélson Jobim (Defesa) defende um nome técnico para a vaga, contra a vontade de seu partido, o PMDB.
PERGUNTA NO COCKPIT
Empacado o original, PAC agora é Plano de Aquisição de Caças?

PODER SEM PUDOR
“VELHINHO” AMEAÇADO
O presidente Lula havia confirmado, no início do mandato, que não iria operar a bursite, já que não pretende lutar boxe ou carregar peso. E brincou:
– A não ser que eu precise de força para dar um soco no Ricardo Kotscho.
Seu veterano assessor de imprensa não deixou por menos:
– Se fizer isso, o senhor será enquadrado no Estatuto do Idoso, que prevê 11 anos de cadeia para quem agredir um velhinho...

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Megaoperação tenta tirar 12 mil vans das ruas hoje


- Folha: Lula faz acordo e recua na urgência do pré-sal


- Estadão: Acordo com oposição faz Lula retirar urgência do pré-sal


- JB: Remédio terá bula simples e via web


- Correio: Recorde de vagas no serviço público


- Valor: Indústria nacional tenta garantir fatia no pré-sal


- Estado de Minas: O que move o endividado


- Jornal do Commercio: Cai o número de assaltos a ônibus


quarta-feira, setembro 09, 2009

O IDIOTA E O VERME

ARI CUNHA

Contra funcionários


Correio Braziliense - 09/09/2009

Antônio Carlos Magalhães Neto é corregedor do parlamento. Determinou abertura de processo administrativo contra 44 funcionários. Se for seguida a sugestão, serão demitidos e proibidos do exercício profissional no serviço público. A medida parece correta. Acontece que o Congresso não está em condições de punir funcionários. O que fazem de errado poderá ser em consequência do que veem entre os parlamentares. A liberdade é cara. Aplica-se a quem pode e tem exemplos a seguir. Ruindo uma coluna do edifício, não será surpresa o desmoronamento. Não é das mais convenientes a posição do Congresso. O exemplo a seguir é o comportamento dos parlamentares perante o público e seus funcionários. Manda quem pode e quando tem razão.

A frase que não foi pronunciada


“Quanto custa uma independência?”
» Caboclo perguntador em país consumista.


Saudade

»
Meu amigo Evandro Gueiros estava longe do companheiro do Superior Tribunal de Justiça. A notícia chegou após a missa do ministro José Guilherme Villela. Evandro está sentido e saudoso. Foi-se o amigo de andares pelas superquadras e conversas sobre a vida. Ficou a saudade. A mágoa do Evandro é não ter participado das homenagens ao companheiro. Coube ao colunista reconhecer sua dor. Conversamos e senti a informalidade da amizade entre os dois.

Rapidez

»
Encontro o ministro César Rocha, presidente do Superior Tribunal de Justiça. Foi aí que soube. A partir de 2 de janeiro a coisa vai mudar. Como está, o STJ distribui 40 processos por dia a cada ministro. Vai terminar o uso de papéis. O arquivo será eletrônico, facilitando a localização. Tudo virá pela internet. Com agilidade e comodidade.

Caixa-preta

»
Air France não conseguiu reaver a caixa-preta do avião que caiu entre Brasil e Paris. Sugere extinguir essa peça e gravar tudo pela internet. Pilotos não estão de acordo. Vai tirar a privacidade das conversas a bordo, quando falam livremente. Há quem suspeite que a Air France tenta amenizar os seguros a pagar.

Cerveja

»
Ninguém nega que a Bélgica produz as melhores cervejas do mundo. Há centenas de fábricas não comprometidas entre si. A notícia do Brasil é que a Ambev está se associando a um grupo belga para explorar o setor.

TJDFT

»
Romão Cícero, vice-presidente do TJDFT, preside a comissão que organiza as festividades dos 50 anos de Brasília e do tribunal. O desembargador está impressionado com o número de inscrições de magistrados e servidores. Trata-se de um concurso para a logomarca do cinquentenário da instituição.

Erro & tentativa

»
Difícil aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS). Tempo errado e justificativa que não convence. Perto das eleições, ninguém irá acreditar no político que votou em um imposto que em quase uma década não melhorou o atendimento da saúde pública.

Novidade

»
Vai se complicando a vida dos inquilinos. Há discussões no Senado que podem passar a valer. Uma delas é que o fiador tenha pelo menos dois imóveis.

Correção

»
“Prezado colunista. Sou leitor do CB e gostaria de fazer algumas correções ao texto ‘Atenção para o IPVA’, publicado em 4/9 na sua coluna. É compreensível a preocupação do jornalista em denunciar os baixos investimentos em rodovias e melhorias no trânsito. Convém esclarecer que o IPVA não vai para a União. É competência dos estados e por eles são geridos, bem ou mal. Vale dizer que dos estados são repassados aos municípios. Assim, as críticas ao baixo investimento devem ser dirigidas aos estados.” (Zemir Nascimento, advogado)

História de Brasília


O único departamento da Novacap que está na plenitude de suas atividades é o Departamento de Viação e Obras. Há uma equipe excelente, organizada e competente, que não está se negando a colaborar com o novo prefeito, pondo os interesses de Brasília acima dos pessoais.

PAULO RABELLO DE CASTRO

O direito de investir seu FGTS


Folha de S. Paulo - 09/09/2009


É preciso dar aos brasileiros o direito de investir naquilo que o governo admite ser o maior negócio de todos os tempos


A CAPITALIZAÇÃO da Petrobras reclama a discussão sobre o direito de os brasileiros poderem investir, com alguma vantagem, naquilo que o próprio governo admite ser o maior negócio de todos os tempos. O Congresso Nacional decidirá como os minoritários poderão participar. Dentre estes últimos, estão os detentores de cotas do FMP-Petrobras, um fundo de investimento em ações da empresa, adquirido mediante uso de recursos do FGTS individual dos trabalhadores que, em julho de 2000, optaram por essa modalidade. A valorização foi superior a 1000%.
A opção de o trabalhador investir em Petrobras se originou na década de 90, quando um grupo de brasileiros se colocou contra o modo exclusivista de se realizar a privatização no Brasil, visto que o modelo adotado não estimulava a participação popular, favorecendo poucos compradores com privilegiado acesso a financiamentos. No Instituto Atlântico se desenvolveu a tese da privatização sócio-capitalista ou popular, pela qual se empreendeu um enorme esforço de convencimento no BNDES e nos ministérios de FHC.
Com apoio do jornal "O Globo", em 95 foi realizado seminário com Antonio Kandir, então ministro do Planejamento, que iniciou gestões, resultando daí uma legislação específica que abriu espaço ao povo nas vendas de estatais. A presunção era sempre a da hipossuficiência de recursos ("o povo é um duro!") enquanto a tese do IA era justamente a de que o povo, como credor da Previdência Social e do FGTS, não precisava de outra moeda na privatização senão esses mesmos créditos.
Demorou a entrar goela abaixo do governo, sempre ávido por fazer caixa com as vendas das estatais. O apoio político veio da Força Sindical, que desejava ver os fundos da Previdência e do FGTS apoiados em ativos sólidos e palpáveis, não apenas em promessas sem lastro. Em 2000, já com quase US$ 100 bilhões em vendas de estatais realizadas sem nenhuma participação popular, a chance surgiu através da colocação, pelo BNDES, de sobras da Petrobras, numa oferta a estrangeiros em que as sobras das sobras seriam oferecidas finalmente ao distinto povo brasileiro. Mesmo aí, por pouco não se excluiu completamente os trabalhadores. Após veemente reclamação da Força Sindical, permitiu-se que sindicatos organizassem seus FMPs. Entretanto, menos de 30 dias (?!) foram dados até a data limite para a conversão dos FGTS em Fundo Petrobras. Alegava-se que o "closing" em Nova York não podia esperar. Menos de cem trabalhadores de chão de fábrica aderiram ao FMP, pois ninguém teve chance de entender nada, obrigando a Força a consolidar seu fundo no do Bradesco. É um erro supor que os trabalhadores já tiveram algum acesso ao capital acionário brasileiro. Foram centenas de milhares, sim, entre você, eu e muitos outros "white collars", também detentores de FGTS optantes.
Ainda bem... Enquanto isso, o povão permanece excluído, apesar da propaganda oficial em contrário.
Mas surge agora nova oportunidade a favor da inclusão do povo no mercado de capitais. O vice-presidente da Caixa, Moreira Franco, mencionou a possibilidade do uso do FGTS para os que quiserem investir no Fundo de Infraestrutura, que renderá bem mais que os 3% ao ano que hoje se paga de rendimento.
Nesse FI se poderia cogitar de criar, dentro ou ao lado dele, um Fundo Petrobras, não só para seus atuais investidores minoritários, mas também para milhões de brasileiros que, por enquanto, só estão vendo a banda dos ganhos monumentais passar, sem parar, na frente de seu nariz.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ROBERTO DaMATTA

Um Estado de coluna

O GLOBO - 09/09/09

Veja bem o leitor. Falo de um Estado de coluna; não da coluna afeita ao Estado que retorna por meio do lulismo e joga na nossa cara dita democrática o nome de um jornal absurdamente censurado.

Temos no Brasil uma enorme admiração pelo Estado cujo papel seria o de centralizar, educar, proteger, compensar, administrar e, como fonte exclusiva de virtude, promover o salvacionismo nacional, manter a boa hierarquia dos que estão por cima e, no limite do cristianismo populista que se mistura com politicagem barata, conter as ambições ou - como diz o presidente Lula e seus seguidores - "cuidar" do "povo" e não da totalidade dos seus cidadãos. Pois quem tem sucesso e fortuna não precisaria do Estado.

Disse num trabalho acadêmico que um dos traços mais marcantes da ideologia latino-americana era a estadofilia, a estadolatria, a estadomania e a estadopatia. A ideia segundo a qual o Estado salvaria a sociedade de si mesma, como ocorreu em Canudos e em todos os chamados golpes - essa recorrência das Américas do Sul. No fundo, legislamos - como mostra Sergio Buarque de Holanda em "Raízes do Brasil" - contra e para corrigir o mundo, pois nada que preste pode dele vir, como - contrariamente - concebiam os protestantes em geral e os calvinistas em particular.

Isso pode parecer uma discussão de professores que - indignos de ganhar um salário comparável à quota de papel higiênico de um senador ou ministro de Estado - tapeiam as frustrações dos que ensinam porque não sabem, discutindo o sexo dos anjos e, nas horas vagas, falam de como o Estado é pensado no Brasil. Mas a verdade é que o debate retornou forte neste país que consolida sua democracia fingindo que não vê a censura imposta a um jornal de nobre e rara tradição liberal e, paralelamente, fala de um novo marco regulatório para a indústria do petróleo no qual o Estado terá mais poder, e - mais adiante e com um fôlego de tirar o fôlego - tenta retomar a velha CPMF e, pior que isso, legislar sobre a chamada "propaganda política" na internet, o que seria um atentado não apenas à liberdade, mas um crime contra o bom senso.

Aí está, nu e cru, o primeiro sintoma da doença que essa tradicional idealização do Estado promove, quando se acredita realmente que só o Estado é capaz de conter, inibir ou reformar a sociedade, deixando de lado - eis o ponto brutalmente crítico - o fato irrevogável e não mercadante de que quem vai gerenciar esse Estado perfeito no desenho não serão marcianos, escandinavos, franceses, prussianos ou calvinistas radicais na honestidade, mas nossos parentes, compadres, companheiros e amigos. Podemos ter um Estado à francesa, mas não podemos esquecer que - com o devido respeito - ele será governado por brasileiros que não internalizaram nas suas consciências de ex-traficantes de escravos uma mentalidade institucional gaulesa. Tudo é perfeito no papel, mas os administradores - chamados de "políticos" - têm a lei apenas na cabeça. No coração carregam a penca de favores e de obrigações que devem aos seus netinhos.

A estadofilia, que acaba em estadopatia, vê a sociedade como desorganizada. Como uma mixórdia de raças inferiores e de aristocratas, mas sem hierarquia, princípio ordenador ou ritual (os antigos intérpretes do Brasil não conheciam o carnaval, a Semana Santa, as festas juninas e os almoços de família, etc., etc., etc...). Esse meio tido como caótico, mas dinamizado pelo mais regrado escravismo e patriarcalismo, demandaria esse tal Estado forte, neofascista, que dele viesse "cuidar" com o necessário carinho, comprometendo-se, primeiramente, é claro, com os pobres de Deus e o seu outro lado: os esfomeados de poder. Esses santos da política que, no Estado, desejam simples e humildemente revogar alguns princípios sociais perniciosos como a propriedade privada, a ambição, a liberdade de opinar, o mercado e, mais modestamente ainda, o capitalismo como forma civilizatória, deixando de lado a arrogância e a onipotência típicas de quem imagina que pode haver Estado sem sociedade. Que ainda é possível continuar com um Estado regiamente sustentado pela sociedade. Com uma administração pública que pouco se lixa para o sistema sociocultural do qual faz parte.

Regular o mundo. Eis o que poderia substituir o nosso velho e nada verdadeiro "ordem & progresso" comtiano como dístico do pendão da política nacional mais reacionária. Certos de que nada existe nos nossos corações, seguros de que nossos costumes não têm nenhuma força ou peso e que não seríamos mesmo organizados porque o mundo do qual viemos estava numa das fronteiras da Europa, nossos teóricos acabaram levando mais a sério do que os próprios alemães, ingleses, franceses, russos e americanos o que os seus ideólogos e estudiosos escreviam. O grande Rousseau situou com precisão a dialética entre costumes e leis falando dos últimos como os hábitos do coração. E Alexis de Tocqueville, que sequer fazia parte das leituras locais, escreveu todo um segundo livro discorrendo sobre os reflexos das instituições democráticas americanas nos costumes, mostrando como a igualdade da lei estimulava a que operava na vida diária.

A questão não é ter de mais ou menos Estado. O real problema é ter mais ou menos competência, canalhice e honra na gerência tanto do Estado quanto da sociedade!

GILLES LAPOUGE

Os aviões militares franceses Rafale e o Brasil

O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/09/09


A França sempre apreciou o Brasil. Mas, depois do anúncio da compra pelo Brasil, de 36 aviões Rafale, esse amor chegou ao seu ápice e Lula, novo amigo íntimo de Sarkozy, é considerado o mais inteligente de todos os dirigentes do mundo.

Essa satisfação é explicada pela compra dos aviões militares franceses. Paris espera que esse "primeiro passo" dê início a uma estreita cooperação, no campo industrial e militar, entre França e Brasil. Não se pode negligenciar o fato de que a França, além dos Rafale, vai fornecer também quatro submarinos, o casco de um submarino nuclear, 50 helicópteros, representando 12 bilhões de euros.

Os franceses sonham modernizar toda a frota aérea brasileira (120 a 150 aviões) com seus aviões. Uma meta ambiciosa, mas eles acham que ela não está fora do alcance.

Até ontem, uma estranha fatalidade envolvia os Rafale. Esse avião é considerado por todos os especialistas como um dos melhores do mundo e, apesar de seus vinte anos de idade, um dos mais jovens. Mas até hoje não se conseguiu vender nenhum para o exterior.

Por dez vezes, o Rafale esteve prestes a arrebatar um grande mercado e nessas dez vezes foi vencido pelo aparelho de uma outra empresa. Como se, num passe de mágica, uma bruxa, talvez o diabo, se divertisse fazendo o caça brilhar e, no último momento, tirar do seu caldeirão um outro candidato.

Essa bruxa, esse "diabo", tem um rosto? Muitos acham que tem fisionomia americana. Um breve histórico: em 2005, o avião francês parecia prevalecer em Cingapura. No entanto, foi o F-15 Eagle da Boeing que venceu, para surpresa de todos. Três anos antes, a Coreia do Sul começou a se equipar e os militares optaram pelo Rafale. Mas o eleito foi o F-15.

O caça francês conseguirá conjurar essa maldição? É a esperança de Paris. Atualmente há três países "onde o coração balança": Grécia, Suíça e Índia. E há ainda um quarto, os Emirados Árabes Unidos, que gostariam de adquirir 60 aparelhos, mas exigem alguns ajustes e motores mais potentes. Paris espera que a decisão do Brasil permita, como num conto de fadas, "pôr fim a essa fase de azar".

A Líbia também estava de olho no avião francês e Sarkozy ofereceu a Kadafi uma recepção suntuosa e grotesca, pois o coronel líbio exigiu dormir, em Paris, sob a sua tenda do deserto, desprezando os palácios parisienses. Esse circo ridículo não serviu para nada. Kadafi manteve-se calado.

A decisão do Brasil vem "salvar" a fabricante de aviões francesa. Com efeito, a Dassault tira 70% das suas receitas da venda de seus aviões Falcon. Ora, trata-se de um avião executivo e é claro que, com a crise econômica, as encomendas do aparelho minguaram. A brilhante ressurreição da frota militar, graças ao Brasil, é a oportunidade para salvar essa grande empresa que é a Dassault Aviation.

GOSTOSA


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DIRETO DA FONTE

No matter if she"s black or white

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 09/09/09

Nem bem Michael Jackson foi para a Terra do Nunca e sua irmã La Toya fechou, com grupo de empresários brasileiros, a inclusão do País na montagem de tributo ao Rei-Pop. Quando? Novembro.

Ela fará giro pelo mundo acompanhada de músicos do Earth, Wind and Fire, mais bailarinos contratados pela turnê de Michael que não aconteceu. La Toya trará, ainda, um sósia do irmão. Fala-se que, além da semelhança incrível, o moço dança e canta...

Black...

Pelo que se apurou, cada país terá um "plus" especial. No Brasil, a irmã de 53 anos de Michael convidou o Olodum e liberou o grupo para convocar outros artistas que queriam pegar carona na festa.

E mais: La Toya está treinando dueto com um cantor brasileiro que vive nos EUA.

...or white

Latoya, que nunca chegou aos pés do irmão, tem uma justificativa para a turnê: quem mais que eles, os irmãos, tem direito a fazer uma homenagem ao caçula? Crítica direta a todos os outros que estão fazendo o mesmo pelo mundo.

Ah! O papai Jackson não virá junto para tirar um lasquinha do evento.

Bombando

Os EUA também procuraram o Itamaraty para saber do estudo segundo o qual o Brasil já sabe fazer uma bomba atômica.

Antes dos EUA, a Agência Internacional de Energia Atômica havia questionado o governo a respeito. E ouviu que a pesquisa é só acadêmica e foi feita a partir de documentos disponíveis a qualquer um.

Pobre, o mercado

Demos os pobres aos mercados e falta, agora, dar os mercado aos pobres. É assim que Marcelo Néri, da GV-Rio, define a pesquisa "Microsseguros e a Nova Classe Média", que lança hoje.

Mercado, o pobre

Hoje, o seguro está concentradíssimo. Índice de Gini de 0,94. Se fosse zero, estaria distribuído por toda a população. Se fosse 1, apenas um brasileiro teria seguro. Néri vê, no microsseguro, a "fase 2" do microcrédito.

Escola São Paulo

Inspirado em São Paulo, Márcio Lacerda declara guerra aos outdoors de Belo Horizonte. Mandou retirar todos os que estão instalados irregularmente em vias públicas da cidade.

E encaminha projeto de lei proibindo publicidade externa em bairros tradicionais.

Pós-Sonrisal

Depois de ter experimentado a exótica combinação de moqueca de peixe com feijão tropeiro, parece que Nicolas Sarkozy ainda conseguiu chegar bem em casa...

Direto ao Ponto

Guillermo Zuñiga, ministro da Fazenda da Costa Rica, acaba de enriquecer o debate da economia mundial com nova teoria: a de que o mundo está vivendo... um problema caligráfico.

Foi numa reunião da Fundação Iberoamericana, em Madri, onde detalhou sua dramática conclusão. Para uns o cenário é um V - que simboliza queda e recuperação rápida. Para outros, um L, queda e estabilização lá embaixo. Nouriel Roubini acrescentou ao debate um W, em que a economia cai, sobe, cai de novo e sobe.

Ao ouvir, atento, a explicação, o brasileiro Wilson Brumer, irônico, acrescentou a letra... G: começa com um desaquecimento, seguido de pequena ascensão e se estabilizando em nível algo, assim, inferior.

Na frente

Vik Muniz está de malas prontas para a Rússia. Foi convidado para participar da Bienal de Arte de Moscou. Com estreia a partir do dia 25.

Thor, filho de Eike Batista e Luma de Oliveira, cresceu e foi visto atrás do palco do Pânico. De olho em Nicole Bahls.

Que John Galliano, que nada. São assinados por Alexandre Herchcovitch os dois vestidos de R$ 18 mil, cada, doados por Daniela Mercury ao Garage Sale da Dior. Em prol da Aliança Misericórdia.

No melhor estilo vi, gostei e quero bis, Ivan Zurita convocou Latino para animar a abertura de seu leilão, sexta, em sua fazenda de Araras. Conheceu o repertório do moço em show na casa de Lucilia Diniz.

O Itaú Cultural abre, hoje, a mostra Em Ritmo de Aventura: o Cinema da Jovem Guarda.

Marcio Kogan faturou o primeiro lugar no cobiçado Leaf Award, em Berlim. Na categoria Projeto Residencial.

Guerra entre as fast fashions. Depois de a londrina Top Shop desembarcar em Nova York, agora é a vez da americana Gap chegar a Londres.

Trocadilho ouvido nos arredores de Rosário,domingo: a Argentina ficou na...pro "Messi".

VINÍCIUS TORRES FREIRE

O dólar com sotaque de iene


Folha de S. Paulo - 09/09/2009

Moeda americana parece padecer de ienização, não se sabe se crônica ou aguda, e desce a ladeira outra vez

O DÓLAR entrou de novo em liquidação ou trata-se apenas de mais uma promoção passageira (digamos, de uma, duas semanas)? De menos incerto, o dólar parece padecer de ienização, não se sabe se crônica ou aguda.
"Ienização": de iene, a moeda japonesa, moeda de uma grande economia com taxas de juros muito baixas, utilizada portanto para especulação nos mercados financeiros. Em euros, o dólar estava ontem quase tão barato quanto em setembro do ano passado e apenas 9% acima do pico da desvalorização ante a moeda europeia.
A taxa de juros no mercado interbancário de Londres (Libor) para negócios com dólar por três meses ficou menor que a Libor de três meses para o iene no final de agosto. Ontem, o juro do dólar estava até um pouco menor que o do franco suíço.
No auge da especulação que antecedeu os desastres de setembro de 2008, chegou a ficar popular a conversa sobre "carry trade" com ienes. Isto é, trata-se da operação de tomar empréstimos baratésimos na moeda japonesa e vendê-la a fim de comprar moedas de países com altas de taxas de juros, moedas que de resto se valorizavam, caso dos países vendedores de commodities (Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Brasil, por exemplo). O dólar agora é uma estrela do "carry trade".

O "status" do dólar
Há gente no mercado que atribui as baixinhas recentes e adicionais do dólar aos "reiterados protestos globais de estima e consideração" pelas medidas de relaxamento fiscal e monetário, retomados no final de semana por autoridades do G20, banqueiros centrais e ministros das finanças dos países ricos.
Ou seja, não será tão cedo que os bancos centrais mais importantes elevarão juros, que os governos deixarão de gastar e que deixarão de doar dinheiro barato para bancos.
Por falar em bancos, observe-se de passagem que não será tão cedo também que as autoridades econômicas do mundo rico passarão a apertar os critérios de contabilidade e supervisão das finanças. Apesar de toda a conversa da "nova, melhor e mais forte regulação", tudo isso por ora é para inglês ver, pois a banca está meio que liberada para melhorar & maquiar balanços, com subsídio e vista grossa dos governos de EUA e Europa.
Havia ainda gente que, ontem, a relacionar "parte" da fraqueza do dólar a declarações de gente da ONU (Unctad) e da China sobre a necessidade de tirar a moeda americana do trono e blablablá.
Mas o que parece mais relevante mesmo é que está difícil fazer dinheiro nos EUA, e as taxas de juros lá ficarão baixas durante muito tempo, segundo declaração pública e firmada do Fed . Está barato tomar dinheiro em dólar. Há taxas de juros gordas, como a brasileira, pelo mundo, e moedas e economias em ascensão, como as dos países mais dependentes da China e que parecem sair mais cedo da recessão (de novo, nós, o Canadá, a Austrália); há Bolsas inflando pelo planeta, em particular na periferia.
Com o dólar a cair pelas tabelas, ouro, petróleo e outras commodities sobem mais. O que deve dar mais impulso à valorização do real.

GOSTOSA


BRASÍLIA - DF

Pane na telefonia


Correio Braziliense - 09/09/2009



A Telefônica está de novo na berlinda, por causa da pane de ontem nos serviços de telefonia em São Paulo. Provocada por forte chuvas, que tornaram ainda mais caótico o trânsito paulista e bagunçaram o tráfego aéreo em Congonhas e Cumbica, a crise afetou serviços básicos, derrubando até sistemas operacionais de bancos e da Polícia Militar. O pior é que levou mais água para o moinho dos setores do governo que questionam o modelo de privatização não só da antiga Telesp como das demais empresas de telefonia. O que se discute é um novo marco regulatório da telefonia e mais presença do governo no setor.

A propósito, o Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo resolveu pegar no pé da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e move uma ação civil pública para obrigar a agência reguladora a divulgar as informações sobre as operações de fiscalização que realizou nas prestadoras de serviços de telefonia. Segundo o MPF, a Anatel tem sido negligente com os consumidores. “A Anatel sabe que o consumidor paga a mais por erros da prestadora e esconde esse fato”, argumenta o procurador da República Márcio Schusterschitz da Silva Araújo.

Confederados// Na quinta-feira, a convite dos Democratas, os partidos de oposição liberal da América do Sul estarão reunidos no Rio. Filiados à União de Partidos Latino-Americanos (UPLA) farão o ato político “Sim à democracia, não ao populismo”. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) presidirá o encontro.

Troco



O presidente do PPS, Roberto Freire, deu sinal verde para o deputado Arnaldo Jardim (foto), do PPS-SP, aceitar a presidência da comissão especial que vai discutir a capitalização da Petrobras, em dobradinha com o relator, deputado Antonio Palocci (PT-SP). Os aliados do DEM e do PSDB não gostaram, mas nem por isso podem reclamar. Os dois partidos sempre dividem os cargos que cabem à oposição entre si e deixam o PPS de fora. O nome de Arnaldo foi proposto pelo líder do PT Cândido Vaccarezza (SP). Os dois foram líderes de bancada na Assembleia paulista.

Café


A área cultivada com café chega a 2,1 milhões de hectares. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma queda de 15,2% na produção, que foi de 46 milhões de sacas na safra 2008. De acordo com a estatal, a queda pode ser explicada pela instabilidade das chuvas e pelas temperaturas elevadas. Este ano, o Brasil deve produzir
39 milhões de sacas de 60 quilos.

Frágil



O desempenho do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (foto) na pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem quase sepultou sua candidatura ao governo de São Paulo. O que mais abalou seu projeto eleitoral foi a altíssima rejeição: 45,8%. Quem se assanhou foi o prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT), que trabalha para ser o candidato do Partido dos Trabalhadores.

Em alta


Os ministros da área econômica — Guido Mantega (Fazenda), Paulo Renato (Planejamento) e Henrique Meirelles (presidente do Banco Central) — comemoram a pesquisa CNT/Sensus, que fez uma avaliação positiva da forma como o governo enfrentou a crise (59% acreditam que o Brasil sairá da crise fortalecido). Mas quem faturou mesmo foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em baixa


Quem ficou com a bola murcha por causa da pesquisa foi o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que virou o vilão da queda dos índices de popularidade do governo. Muito mais por causa da proposta de recriação do imposto do cheque (53% são contra), com o nome de Contribuição Social para a Saúde (CCS), do que devido à gripe suína (52% avaliam que a pandemia está sendo enfrentada de forma adequada).

Mordido/ O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), está em guerra com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), que comandou as negociações para a composição das comissões especiais do pré-sal, principalmente depois do pronunciamento do presidente Lula em cadeia de televisão e rádio. “Eu espero uma reação do Michel Temer. O mínimo que se espera dele é isso. Um comportamento de altivez, de dignidade de presidente de uma instituição”, dispara Caiado.

Pijama/ Ícone do PMDB capixaba, o senador Gerson Camata está decido a abandonar a carreira política definitivamente. “Só assim terei direito à aposentadoria integral”, argumenta. A deputada Rita Camata (PMDB-ES), com quem é casado, está sendo estimulada pelo governador José Serra (PSDB) a migrar para o PSDB e concorrer ao Senado. Camata acha arriscado. Rita foi vice na chapa de Serra em 2002.

Foi/ O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes
(DEM-PI), está longe da crise da instituição. Se mandou para a Nova Zelândia, uma monarquia parlamentar chefiada pela Rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Encabeça o importantíssimo Grupo Parlamentar de Amizade Brasil–Nova Zelândia, do qual também fazem parte os deputados Vieira da Cunha (PDT-RS) e Márcio França (PSB-SP). Os três foram discutir mudanças climáticas, intercâmbio de férias e parcerias agroindustriais.