quarta-feira, setembro 02, 2009

ARI CUNHA

Disputa no Ceará

CORREIO BRAZILIENSE - 02/09/09


Fortaleza — Notícia forte. PMDB cearense veta a candidatura do ministro José Pimentel ao Senado. A decisão foi comunicada diretamente ao presidente Lula da Silva pelo deputado Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados, e Henrique Alves, que lidera a bancada do PMDB. A notícia surpreendeu a política cearense. O interesse do PMDB é manter a maioria no Congresso, do que não abre mão. A eleição do próximo ano vai criar outro sentido, com o peso do PMDB, que deseja representação maior no Congresso. A decepção do PT foi surpresa para o partido no Ceará. Agora serão necessárias reuniões para que possam assimilar a decisão do presidente da Câmara, Michel Temer. Mantida a maioria, o PMDB continuará sendo o fiel da balança


A frase que não foi pronunciada

“Não pense que essa propaganda toda do pré-sal vai diminuir o preço da gasolina.”
Lado pessimista e realista do contribuinte acostumado a bancar os sonhos do governo.



Tudo ou nada
Torpedo se transforma em assunto sério. A defesa do consumidor discute a proibição de torpedos com propagandas comerciais. Durante a compra do aparelho, seria feita a opção do consumidor. Como a operadora vai fazer a triagem do que é ou não comercial, não se sabe.

Pesquisa
Segundo o presidente Lula, os investimentos em pesquisas vão receber incentivo do pré-sal. Se o governo não acordar para o valor desse segmento, o país perde. Mas há alternativas de desenvolvimento com a iniciativa privada. O assunto foi discutido na UnB por Alain Coulon, do Ministério de Educação e Pesquisa da França.

Bolsa
Ainda sobre pesquisa, depois da reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, uma caravana segue do Rio para Brasília. O movimento é pela aprovação do projeto de lei do deputado Jorge Bittar. Ele prevê a fixação de valores das bolsas a estudantes de mestrado e doutorado.

Produtividade
Senador Paim exagerou. Enquanto defendia a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), disse que o autor de projetos no Congresso é como um copo descartável. Nem tanto, senador. Há eleitores que estão atentos à produtividade de seus representantes.

2010
Osmar Dias e José Agripino ponderaram sobre a pressa do governo em enviar ao Congresso quatro projetos de lei sobre a exploração de petróleo na camada do pré-sal. Nem o marco regulatório foi discutido ainda e os projetos são em regime de urgência. A preocupação dos senadores é que o assunto seja politizado, o que seria um crime contra o país.

Muito tempo
CGU detecta prejuízo de R$ 7,1 mi em convênios da Funasa com três prefeituras e uma ONG. Estranho é que a denúncia apareça sobre contratos que foram firmados entre 1998 e 2004.

MI Dengue
Armadilha de plástico com gel que atrai o mosquito da dengue. Simples e eficiente. Agentes contam semanalmente quantas fêmeas foram capturadas. É feito o mapeamento e a prefeitura age para destruir os focos. A Ecovec é uma empresa de biotecnologia, desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais. É a autora do extermínio amistoso do mosquito da dengue.

Sonho ou pesadelo
Já desmembrada, a PEC dos vereadores chega perto de se transformar em realidade. Em breve, o país receberá quase 8 mil novos políticos para fazer valer a vontade do povo. Ou não.


História de Brasília

Quando os ditadores da paginação tomam uma decisão, é implacável, drástica como a Inquisição. Não há argumento, não há vontade, não há nada. E a última decisão aqui, na casa, foi do nosso Almeida. Separou minha vizinha Katucha, colocou-a na capa do segundo caderno, o que equivale a uma suíte presidencial. Com tanta página nos separando, transmito daqui a minha mensagem de agradecimento pela boa vizinhança com que me honrou durante vários meses. (Publicado em 7/2/1961)

FAZ SENTIDO


TODA MÍDIA

O mundo reage

NELSON DE SÁ

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/09/09

Nas manchetes on-line de "Wall Street Journal" e "Financial Times", "Ganhos industriais indicam recuperação global". Em suma, o setor "cresceu nos EUA pela primeira vez desde 2008", "cresceu na China no ritmo mais rápido em mais de um ano" e "superou as expectativas no Japão". Também na Alemanha e na França. "A recuperação é para valer", avalia o economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais, dos "grandes bancos globais".
A China puxou "particularmente" o Brasil, diz o "WSJ". Mas o país "continua a sentir o impacto da crise em suas exportações", acrescenta outro post no "WSJ", sobre o superavit comercial brasileiro, que subiu devido à redução nas importações.

FIM INEVITÁVEL?
wsj.com

O "WSJ" pergunta, em novo artigo, sobre "O fim inevitável do papel do dólar nas reservas?". Cita de Nicholas Sarkozy a Zhou Xiaochuan, do BC chinês. Não fecha a discussão, mas afirma que "alguma coisa foi iniciada pelo pânico de 2008"

ESTÍMULO...
Nas manchetes de Folha Online e Veja.com à tarde, "Com IPI menor, governo evita 60 mil demissões". Mas "perde R$ 1,8 bi".

DE MÃE
Fim do dia na Folha Online, no portal G1, em novas manchetes, "Governo deve ser uma mãe com recursos do pré-sal, diz Lula".

CABO DE GUERRA
Sobre as regras do pré-sal, a cobertura saiu do governo e foi para o DEM, depois também PSDB. No UOL à tarde, "Contra urgência, oposição vai obstruir votações". Depois, "Fracassa tentativa de barrar urgência".
DEM e PSDB defendem manter as regras como foram estabelecidas por David Zylbersztajn -que comandou a agência de petróleo sob FHC e vem ocupando CBN, Globo News e outras, em entrevistas contra a "operadora única" Petrobras. Que quase virou Petrobrax.

TUPI LÁ
wsj.com

Por "WSJ" e outros, a cobertura em papel foi ainda mais crítica do "Independence Day", seu "novo plano para dominar a indústria", seu "papel muito maior do governo". Prevê "debate quente" no Congresso, devido à reação de "alguns oposicionistas"

PRÉ-SAL, A NOVELA
A novela "Paraíso", duas semanas antes de saírem as regras, tratou do pré-sal, na conversa de uma candidata a prefeita com assessor:
"Essa história de petróleo está na moda e, se promessa não paga imposto... Quanto é que custa para perfurar um poço de petróleo? Uns cem mil postos de saúde?"
"Põe mil nisso."
"E escola?"
"Deve dar para reformar todas e construir mais uma montanha delas."
"Então por que a gente está falando em perfurar poço de petróleo?", encerra ela.

2010, A NOVELA
E causa espécie na blogosfera a entrevista de Audrey Furlaneto com o autor da próxima novela das oito, publicada domingo.
Ele anuncia "capítulos quase quentes", inclusive "adendos no dia da gravação". A personagem de uma comentarista de economia pode entrar ao vivo, "se acontecer alguma coisa grave".
Ele fala em vincular notícias do "Jornal Nacional" com a novela. "É evidente que eu aproveitaria, é tão fácil meter um ator no estúdio e fazer um comentário", diz, citando a crise no Senado.

AINDA O BLOG DO PLANALTO
whitehouse.gov

O blog de Marcelo Tas no UOL e outros comandaram ontem as críticas ao Blog do Planalto, por não se abrir a comentários. Até o "El País" citou criticamente.
O blog de mídia de Tiago Dória também não gostou. Mas lembrou contra a corrente que "a referência" usada foi o blog da Casa Branca (acima), também com "conteúdo oficial... e falta de espaço para comentários". O de Lula até avança em relação ao de Obama, com "trackbacks", os links para posts externos sobre o blog.

"DESPEDIDA"
caderno.josesaramago.org

No alto da home UOL, o escritor "diz adeus aos leitores de seu blog". Durou um ano, com "comentários desligados"

PANORAMA ECONÔMICO

Escolhas

REGINA ALVAREZ (interina)

O GLOBO - 02/09/09


O Orçamento é feito de escolhas. Governos costumam moldá-lo cuidadosamente para viabilizar seus projetos de poder. O Orçamento de 2010, encaminhado esta semana ao Congresso, reflete as prioridades do governo Lula no ano eleitoral, mas também consolida as escolhas feitas ao longo de seus oito anos de mandato. Com os números revelados, é possível refletir sobre essas escolhas.

Se tudo der certo e as previsões do governo para a arrecadação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se confirmarem, a receita líquida da União terá crescido o equivalente a 3,61 pontos percentuais do PIB desde a posse de Lula, em 2003, até 2010. Passará de 17,72% para 21,33% do PIB. Já o superávit primário, no mesmo período, cairá de 2,28% para 1,47% do PIB, considerando o abatimento dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Somando o aumento da receita com a redução do superávit, chega-se a 4,42% do PIB, que equivale ao avanço das despesas nesse período.

Os números da execução orçamentária, combinados com as projeções para 2010, mostram como o governo dividiu esse bolo. Os investimentos passaram de 0,35% do PIB em 2003 para 1,38% em 2010. É um crescimento de 1,03% do PIB no período, enquanto o gastos correntes abocanharam os 3,39% restantes.

O governo Lula escolheu investir mais nas transferências de renda, nos gastos com pessoas. O aumento das despesas correntes embute os reajustes para o funcionalismo, os programas sociais, o reajuste do salário mínimo e dos benefícios previdenciários.

A professora Margarida Gutierrez, da UFRJ, calcula que os gastos com pessoas comprometem 76% do total de gastos do Orçamento. E mostra preocupação com as escolhas do governo.

— Em muitos casos os gastos são legítimos. O país é muito carente, mas a divisão do bolo é injusta com uma grande parcela da sociedade — afirma.

Gutierrez destaca que com a divisão do bolo dessa forma sobra muito pouco para gastar com outras coisas que a sociedade também precisa. Investimentos públicos, saúde e educação são exemplos de áreas que precisariam de mais recursos, mas o cobertor é curto e elas estão carentes.

— A carga tributária brasileira é uma das mais elevadas, a terceira maior carga entre os emergentes, igual a cargas de países provedores — destaca Margarida, lembrando que os serviços prestados à sociedade estão muito aquém desses países.

A fatia do Orçamento destinada ao pagamento de pessoal passa de 4,5% em 2003 para 5,05% em 2010. É uma renda destinada a um milhão e duzentos mil servidores públicos. Já os investimentos públicos, que beneficiam toda a sociedade, ficaram com apenas um quinto desse montante.

O economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, lembra que os investimentos são o passaporte para o crescimento de qualquer país.

— Eles não apenas ampliam a capacidade do setor público de gerar receitas no futuro, como servem de mola propulsora para a expansão da economia — afirma.

As escolhas do governo Lula na condução dos gastos públicos são vistas por muitos analistas como um risco à estabilidade econômica, mas a crise global deu uma espécie de licença para gastar aos governos e a equipe econômica gosta de destacar que o Brasil é um dos que está gastando menos.

Na contramão

Essa análise do economista Raul Velloso reforça e ajuda a entender as escolhas do governo na crise global.

Ele comparou a evolução dos gastos correntes e dos investimentos antes e durante a crise. A conclusão é interessante. Mostra que na crise, a partir de novembro de 2008, os gastos de custeio cresceram em velocidade superior aos investimentos, na contramão dos manuais de políticas anticíclicas.

Do início do governo Lula até novembro de 2008, as despesas correntes anualizadas cresceram 87% — em valores nominais, sem inflação —, enquanto os investimentos subiram 467,3%. Este percentual parece muito grande, mas foi aplicado sobre uma base pequena, de 0,35% do PIB, que foi a fatia dos investimentos em 2003.

Já no período da crise, quando os manuais recomendam mais investimentos, os nossos cresceram em ritmo menor do que os gastos de custeio, principalmente por conta do impacto dos reajustes do funcionalismo.

Entre novembro de 2008 e julho de 2009, essas despesas avançaram 8,1%. Os investimentos, apenas 4,1%. O governo optou pelas desonerações e transferências diretas a pessoas e famílias para enfrentar a crise.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, defende a estratégia anticrise do governo Lula: — As medidas garantiram a retomada da economia.

As desonerações evitaram o aumento do desemprego — afirma

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JOSÉ SIMÃO

Ueba! Quero um pré-sal de frutas!

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/09/09


Em tempo de lei seca, o negócio é tomar remédio para labirintite! Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Sexo pago praticado pelas ruas de Barcelona. Como é o nome do lugar? Mercado da BOQUERIA! Ué, no Piauí não tem o Mercado da Piriquita Usada? Então pronto! E o Lula lança o pré-sal. A palavra do dia é pré-sal. Pois eu acho que o Brasil tá precisando de um pré-sal GROSSO! E pra aguentar o Lula um pré-sal de FRUTAS! Rarará!
E o site Comentando disse que o Lula vai lançar um monte de prés. 1) Pré-primário: alfabetização para todos, coordenado pessoalmente por ele, principalmente depois que ele lançou o Brog do Pranalto; 2) pré-tendente: dentadura para todos; 3) pré-juízo: para todos; 4) pré-claro: celular para todos; 5) pré-sepada: todas as anteriores!
E sabe como se chama o hino nacional na versão da Vanusa? O VÍRUS DO IPIRANGA! Rarará! E diz que não foi bebida, foi remédio de labirintite.
Então, em tempo de lei seca, o negócio é tomar remédio para labirintite! Bafo de labirintite! Rarará! TWITTER URGENTE! E as cerebridades, hein? Continuam assassinando o português no Twitter. Olha, depois que a Ana Brega escreveu "uzar" e a Xuxa e a Xaxa escrevem "sena" com "s" (acho que a Xuxa lembrou do Ayrton Senna), vamos lançar um novo serviço: o Personal Twitter. Só para cerebridades. Professor de português para revisar o Twitter. Para ensinar o twico e o tweco a twittar!
E no Twitter só pode usar 140 caracteres. Como disse o Saramago: depois desses 140 caracteres vamos nos comunicar por grunhidos. Eu adoraria ficar grunhindo com a Ana Maria Braga! E o que eu acho da Xuxa querer processar o Twitter? É que esse pessoal da Globo vive num mundo tão à parte que tem dificuldades de entender o mundo real! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Vila Seixas, aqui em Sampa, tem uma avícola chamada FRANGOS E FRANGAS! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pressão alta": companheiro Lula abusando do pré-sal! Pré-salve nóis! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!

PAINEL DA FOLHA

Devagar com a sonda

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/09/09

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), deverá ser o encarregado de alertar Lula para a conveniência de desistir da urgência constitucional na tramitação dos projetos do marco regulatório do pré-sal - que, até ontem à noite, ainda não haviam sido enviados pelo governo ao Congresso.
As contraindicações da pressa vão desde a complexidade das matérias até o fato de que os deputados não querem ficar com a pecha de ‘enroladores’ quando se evidenciar a inviabilidade de liquidar a fatura neste ano. O ideal, segundo eles, é estabelecer uma longa agenda de audiências públicas. O próprio líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), foi desde o início contrário à urgência.

Tem pra todos - O parecer preliminar do secretário-geral da Mesa, Mozart Viana, aponta a necessidade de quatro comissões especiais para as matérias do pré-sal. Tradução: haverá presidências e relatorias para dar e vender.

Fogo amigo - Na própria bancada do PT, é intenso o bombardeio à pretensão de Arlindo Chinaglia (SP) de relatar um dos projetos do pacote. Os que querem tirar o ex-presidente da Câmara de campo fazem lobby por Antonio Palocci (SP), cotado para tudo desde que escapou da ação penal no caso do caseiro.

Secessão 1 - A oposição aposta no acirramento da guerra federativa para tirar o foco do pré-sal do discurso nacionalista entoado por Lula e Dilma Rousseff. Acredita que, com 24 unidades da federação contrariadas, o marco regulatório deve empacar como a reforma tributária.

Secessão 2 - De André Vargas (PT-PR), sobre a a ideia de privilegiar os Estados produtores na divisão dos royalties: ‘Acordo entre São Paulo e Rio não dá certo nem no futebol’.

Opções - Uma voz experiente comenta o fato de que o presidente da Petro-sal deverá ser indicado pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), cria política de José Sarney: ‘Precisa ver qual modelo de gestão eles vão adotar: o do Senado ou o do Maranhão’.

Constitucionalista - Cotado para o STF, o advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, foi consultado sobre a polêmica dos royalties já na reta final da negociação com governadores. Assim como o ministro Nelson Jobim (Defesa), opinou que a manutenção do regime diferenciado para Estados produtores é um comando constitucional.

Rádio Supremo 1 - A possibilidade de indicação de Toffoli para a vaga de Carlos Alberto Direito incomoda alguns ministros do STF. Embora declarem ter boa relação com o advogado-geral da União, opinam que Toffoli, aos 41, ‘não está pronto’.

Rádio Supremo 2 - Esse grupo de ministros prefere que a vaga seja preenchida por um nome de ‘perfil técnico’, como Direito, e não ‘político’ - Toffoli é defendido pelo PT em peso. Eles acreditam, porém, que Lula se inclina pelo advogado-geral.

Apaga a luz - Por determinação do comandante Enzo Peri, o QG do Exército faz hoje um feriado ‘fora de época’ e, a partir do dia 14, passará a funcionar às segundas em regime de meio expediente, apenas depois das 13h. Trata-se de medida de contenção de despesas. E/ou de protesto dissimulado contra o contingenciamento do Orçamento das Forças Armadas.

Na floresta - Depois da festa em São Paulo para o ingresso de Marina Silva, o PV fará evento sábado no Acre, Estado da senadora, para arrebanhar filiados. Na data se comemora o ‘Dia da Amazônia’.

Buzina - As centrais sindicais acertaram ontem antecipar sua marcha anual a Brasília de dezembro para o próximo dia 30, data em que deve ser votada na Câmara a redução da jornada de trabalho.

Tiroteio

O Blog do Planalto não é “do Planalto’ nem é blog.

Do apresentador e blogueiro MARCELO TAS , comentando no Twitter a recém-lançada iniciativa da Presidência da República, que não permite ao leitor enviar comentários para as informações postadas.

Contraponto

O poço do Serra

Militantes do Greenpeace protestavam no evento do pré-sal quando José Serra cochichou com Marcelo Déda:
- Pensei que era a UNE. Só agora percebi que era contra o governo...
O petista entendeu a ironia e cutucou:
- Mas outro dia eu vi no YouTube um vídeo seu como presidente da UNE elogiando o governo Jango...
- Eu fazia discursos duros. Aliás, sou o último sobrevivente da campanha o ‘Petróleo é Nosso’! - rebateu Serra.
- Então você deveria se sentir incluído no discurso do Lula em homenagem ao companheiro Monteiro Lobato!

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TOSTÃO

Quem vai dançar o tango?

JORNAL DO BRASIL - 02/09/09

O Brasil possui hoje melhor conjunto e melhores jogadores do que a Argentina. O Brasil está pronto para disputar o Mundial, com boas chances de vencer. A Argentina ain da não definiu um esquema tático, nem vários titulares e reservas.

A grande dúvida da Argentina, que vem antes de Maradona ser o técnico, é se o time joga com Messi e mais dois ou um atacante. Nesse último caso, entraria outro jogador de meio de campo. A dúvida é parecida com a do Brasil, quando Ronaldinho era convocado. Dunga não sabia se escalava Robinho, Kaká e Ronaldinho juntos ou se trocava Ronaldinho por mais um armador, para melhorar a marcação.

Sábado, o que será mais decisivo: jogar em casa, a necessidade de vencer e a pressão que a Argentina deve fazer ou a excelente defesa e os ótimos contra-ataques do Brasil? Assim, o Brasil ganhou várias vezes da Argentina e goleou, fora de casa, o Uruguai. Já contra Pa ra guai e Equador, o Brasil foi pressionado e só não perdeu porque Júlio César fez extraordinárias defesas.

Como disse Maradona, Maicon é um trator. Sua atuação contra o Milan foi espetacular. Ainda há muitos no Brasil que não gostam do lateral. Deve ser porque ele é alto, forte e pouco habilidoso. Além da força física, Maicon possui ótima técnica. Na última partida contra a Argentina, no Mi neirão, Gutiérrez entrou em campo só para anulá-lo. Con seguiu. Sábado, Gutiérrez estará fora, contundido.

Na Inter, Maicon e Zanetti formam uma ótima dupla. Maicon, de lateral, e Zanetti, de armador, pela direita. Na seleção da Argentina, Zanetti é lateral. Não há outro. Zanetti não tem mais a juventude e a força física para de fender e atacar.

Na lateral esquerda, André Santos ainda não garantiu seu lugar, mas é melhor que os laterais da Argentina, Heinze e Papas.

O meio de campo da Argentina, com Mascherano, Gago e Verón, é superior ao do Brasil. Essa diferença diminuiu após a entrada de Felipe Melo.

Agüero é outra grande esperança dos argentinos. Está cada dia melhor. Ele e Luís Fabiano mereciam jogar em um dos principais times da Europa.

Recebi críticas por escrever que a seleção não tem um bom substituto para Robinho. Seria Ro naldinho, ou mesmo Diego, que entraria no lugar de Kaká, e esse, no de Robinho. Os dois não têm sido convocados. Não há outros. Ronaldinho virou outro jogador, e Diego não conseguiu um lugar na seleção. Mesmo quando atua mal, Robinho, por se movimentar muito, facilita para os companheiros.

A Argentina tem Messi, e o Bra sil tem Kaká. Dois craques. Pos suem ótima técnica. Messi é mais habilidoso e mais encantador. Kaká é mais alto, forte e utiliza muito bem sua força física.

Antes da Copa de 2002, a Argen tina estava muito melhor que o Brasil. A Argentina foi eliminada na primeira fase, e o Brasil foi campeão mundial. Portanto, não é momento para euforia, mesmo se o Brasil ganhar bem.

Se perder, e os concorrentes ven cerem, a Argentina ficará em uma situação bastante difícil. Seria triste uma copa sem a Argentina e sem Messi. Só restaria aos argentinos chorar e dançar um tango.

FERNANDO CALAZANS

Face de Maradona

O GLOBO - 02/09/09

A circunstância de enfrentar o Brasil pela primeira vez como técnico de futebol parece ter despertado a face meio delirante da personalidade de Diego Maradona. Até que nesta sua experiência como treinador da seleção da Argentina, a primeira também, o irrequieto Maradona estava mais discreto do que na sua época áurea de craque (e bota áurea nisso). Agora, ele se redescobre.
Em primeiro lugar, transferiu o jogo da capital para a cidade de Rosário, onde, acredita, a pressão da torcida sobre a seleção brasileira seria (ou será mesmo) mais forte.
Não contente, inventa essas duas preciosidades, para que o jogo se torne mais rápido, mais corrido: quer que a grama do estádio seja cortada diariamente para ficar baixa, mais rente, e no dia do jogo quer que ela seja regada, tudo isso para dar mais velocidade à bola.
O que me causa espanto e uma certa graça é Maradona achar que tais expedientes, um tanto pueris a meu ver, poderão influir no resultado de um jogo que por muitos é considerado o maior clássico do futebol mundial. Imagino que eles tivessem mais efeito num possível jogo com a Estônia, a Jamaica ou a Tailândia. Mas contra o Brasil...

A Argentina é o tipo do país que, no futebol, pode derrotar a seleção brasileira em quaisquer circunstâncias. O fato de jogar em casa, este sim, ajuda, mas tanto em Rosário, em Buenos Aires ou em Mar del Plata. A altura da grama, molhada ou não, já me parece um pouco de desvario, o que, no caso do grande ex-jogador, não surpreende.
Poderiam entrever, sim, uma recorrência à propalada catimba dos argentinos, tão explorada pela nossa imprensa, como se nossos jogadores, brasileiros, fossem modelos de inocência e de cortesia, os anjinhos. Mas francamente... que bobagem.
O tema catimba vou “explorar” em outra coluna — até sábado, naturalmente.

No momento em que se discute — enfim! — o profissionalismo, ou melhor, a falta de profissionalismo do futebol do Rio, salta aos olhos, de dentro do campo, o péssimo comportamento dos jogadores (chamados de profissionais), como uma das demonstrações do descaso dos clubes.
Sei que histórias de gestão, como as narradas por Maurício Fonseca na reportagem sobre o tema, no último domingo, são mais importantes, mas não aguento mais ver a irresponsabilidade de jogadores cometendo gestos tolos e levando cartões amarelos, vermelhos, cor de rosa, etc...
Sem implicância, apenas a título de exemplo (porque pode ser em qualquer clube), pego o jogo até certo ponto fácil do Flamengo contra o Santo André. Leonardo Moura levou cartão amarelo porque, depois de fazer o gol de pênalti, levantou a camisa do clube para mostrar alguma coisa pessoal na camiseta de baixo.
Quer dizer: Leonardo Moura NÃO sabe que NÃO pode fazer isso. Além dele, a poucos minutinhos do fim, e quando o time já ganhava de 2 a 0, Dênis Marques fez questão de dar um carrinho num adversário, no campo deste, lá longe da defesa do Flamengo, num lance junto à linha lateral, sem qualquer importância. Levou amarelo também.

Houve épocas em que o futebol brasileiro (em qualquer clube) tinha supervisores de alta qualificação, como Carlos Nascimento, Almir de Almeida, Domingo Bosco, só para dar alguns exemplos.
Hoje, do lado de fora dos clubes, nem se sabe o que eles fazem, nem para que servem. Não tratam sequer da disciplina, entregando-a, como outras coisas, nas mãos dos técnicos.
Quando estes se desgastam nas relações com os jogadores, são eles os demitidos, enquanto os tais “supervisores”, assim entre aspas, continuam firmes, esbanjando inutilidade.

NO CU DA GALINHA


CLÓVIS ROSSI

O pré-sal e o pós-sal

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/08/09

LONDRES - Pura coincidência, mas muito significativa: no dia em que boa parte dos jornais do mundo dava destaque para o pré-sal brasileiro, começava em Londres o, digamos, pós-sal -uma campanha cujo fim último fatalmente será o de um mundo com muito menos consumo de petróleo.
A campanha chama-se 10:10, porque visa reduzir em 10% em 2010 a emissão de gases que causam o aquecimento global. Petróleo e derivados são, sabidamente, os vilões principais nessa história, seguidos pelo desmatamento.
A campanha envolve "uma coligação sem precedentes de cientistas, empresas, celebridades e organizações [sociais], cobrindo todo o espectro político e cultural", segundo o jornal "The Guardian", que aderiu com tudo ao 10:10, a ponto de toda a sua capa de ontem estar dedicada ao tema do aquecimento global (não, petistas hidrófobos, o "Guardian" não está fazendo a campanha de Marina Silva).
Do meu ponto de vista, o que chama mais a atenção é o fato de que se busca envolver cada cidadão no esforço dos 10:10. Tanto que um quadro na capa mostra "cinco maneiras pelas quais você pode dar apoio à campanha". Uma delas: "Compartilhe sua experiência de tentar viver uma vida de baixo uso de carbono e consiga orientação de nossos peritos verdes".
Quando digo que se trata de uma coincidência significativa não é para criticar o pré-sal. Ao contrário. Mesmo que o petróleo tenha vida mais ou menos curta, o Brasil é um dos poucos países do mundo, talvez o único, com a imperdível oportunidade de usar os recursos provenientes de um combustível sujo para desenvolver e/ou consolidar as alternativas limpas que possui.
Foi esse o principal aspecto que faltou discutir nessa história do marco regulatório do pré-sal. Se continuar ausente, aí, sim, se dará a "maldição" a que aludiu o presidente Lula.

ANCELMO GÓIS

POUSO FORÇADO

O GLOBO - 02/09/09

A expansão do número de voos no Santos Dumont mostra falta de planejamento – e não só pelo barulho dos aviões em certas áreas residenciais do Rio.
Um dos fingers (passarelas que ligam os portões de embarque às aeronaves) foi canibalizado pela Infraero para suprir a falta de peças de reposição.
PERDAS E DANOS
No Planalto, o balanço da crise política do Senado é que apesar de tudo foi melhor assim.
Lula reconhece o grande desgaste público no apoio a Sarney. Mas, acha que era preciso pagar o preço. Caso contrário, o prejuízo político teria sido maior.
É. Pode ser.
ALÔ, PM!
Otávio Augusto, o ator boa-praça, foi assaltado sábado, às 10h30m, em plena Ataulfo de Paiva, esquina de Cupertino Durão, no meio do Leblon, no Rio.
Dois homens armados levaram celular e dinheiro. E nada de PM por perto.
BANHEIRO OCUPADO
Tem artista convidado para fazer “A Fazenda 2”, o reality show da Record, invocado com uma cláusula do contrato que proíbe a presença no banheiro de mais de um participante ao mesmo tempo.
A razão é... francamente não sei.
IMPRENSA
Que Zé Dirceu, ele mesmo, tem se envolvido em negociações para compra de jornais não é novidade.
Agora o que se diz é que o petista anda namorando a aquisição do jornal carioca “O Povo”.
VIDA & ARTE
Mesmo com a falta de ânimo dos senadores para discutirem o projeto de Cristovam Buarque, que obriga filhos de políticos a estudarem em escolas públicas, a ideia virou plataforma de campanha de Aurora, personagem de Bia Seidl, na novela Paraíso, da TV Globo.
SEGUE...
No capítulo de sábado, Aurora, candidata a prefeita da cidade fictícia da trama, deu uma entrevista à rádio da novela, sugerindo a adoção da medida.
BURACO DO CASÉ
Do gaiato Jaguar, numa mesa do Bracarense, anteontem:
– Depois do Buraco do Lume, agora temos o Buraco do Casé, após a derrubada da passarela. Fui dar uma olhada e gostei. Mas sou contra a derrubada. O Obelisco está para Ipanema assim como a Estátua da Liberdade está para a Barra da Tijuca. Eles se merecem.
MUSEU DO CORPO
Petrópolis, a cidade imperial, vai ganhar um museu de anatomia nos moldes daquela exposição Corpo Humano, lembra?
Ficará na Faculdade de Medicina de Petrópolis.
ALÔ, EIKE BATISTA!
Foi um dos muitos cariocas que fazem seu exercício diário no cinematográfico cenário da Lagoa que notou: não há banheiros por lá.
– Num ponto da caminhada do povo da terceira idade, o único jeito é fazer na Lagoa. Apenas dois banheiros químicos eliminariam os mijões do recanto.
PEGA GERAL
Um conhecido ex-jogador de futebol, que já foi ídolo de grandes clubes no Rio e em São Paulo, virou freguês da casa de suingue (ou seja, de troca de casais) Café Paris, no Recreio.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


ROBERTO DaMATTA

Duelos de coluna

O GLOBO - 02/09/09

A conclusão do caso do caseiro contra o ministro abre a questão. No Brasil, quando o fraco duela com o forte, ficamos sempre e invariavelmente com o superior? Ou seremos, um dia, capazes de agir movidos pelo princípio da igualdade para sermos mais intensos com quem manda, cobrando deles mais responsabilidades, justamente porque deveriam ter mais consciência do que diz respeito aos papéis que ocupam, do que os fracos, os pobres e os oprimidos? Estou convencido que o discurso pelo povo e pelo batido “amor” aos pobres é uma fachada. Falamos em pobres para esconder o nosso viés aristocrático e a nossa crença inabalável de que somos realmente superiores.

Cada partido tem os pobres que merecem.

Eis um qualificativo santificado para classificar um conjunto de cidadãos brasileiros como subordinados e inferiores. Numa pesquisa realizada faz algum tempo, encontrei algo contundente.

O mundo foi, é e será sempre constituído de ricos e pobres. A pobreza, dizem os informantes que se classificam como pobres, não é um defeito ou um erro, como argumentam as teorias modernas da desigualdade, mas faz parte da vida. É bíblica e natural.

Aqui, o pobre surge acoplado ao rico: um não pode ser balizado sem o outro.

Posteriormente, essa pesquisa foi confirmada quantitativamente com a colaboração de Carlos Alberto Almeida, do Instituto Análise.

Ela revela o eixo hierárquico dentro dos ideais de igualdade que, com o advento da República, transitaram do campo religioso (todos são relativamente iguais perante Deus, a Virgem e os santos) para o campo cívico-político que declarava uma igualdade de raiz perante a lei neste mundo. Ora, essa é a questão. No “outro mundo”, todos pagam, mas lá não há Supremo Tribunal Federal, governo, polícia, partidos políticos, ambições pessoais e mendacidade, exceto na cabeça dos crentes. E os brasileiros são crentes escarrados.

Todos acreditam não somente numa justiça divina, pela qual os f.d.p deste mundo pagam pelo que fazem com os inferiores, MAS somente depois da morte, quando o que se demanda num regime democrático e liberal é — eis o duelo de coluna — uma justiça igualitária aqui e agora. Um sistema menos condescendente com quem está no poder e mais igualitário com quem vai aos tribunais exigir compensação moral pelo aviltamento sofrido, como foi o caso do caseiro cujos direitos constitucionais foram violados pela cúpula governamental.

Continuamos do lado das hierarquias que com a sinceridade das crenças inabaláveis, porque jamais foram discutidas e politizadas, decidem sempre pelo lado de quem está no “poder”, “manda”, pode e deve mentir ou “controla”; porque pode “dar”, “tirar” ou “perseguir” — esses traços característicos dos mais fortes (dos que “estão em cima” ou “por cima”) — contra os mais fracos. Ou, eis um outro lado do duelo, começamos a mudar essa equação? Longe das disputas, os fracos são “pobres” e “oprimidos”, mas, quando eles se individualizam e clamam por direitos, passam de cordeiros a ingratos que perderam a sua consciência de lugar porque pretenderam — como o caseiro Francenildo Costa contra o todopoderoso ministro Antonio Palocci — disputar com o “superior” como um igual. Eis um caso de revoltar o estômago: um conluio de ministros (inclusive com o da Justiça que, sem conflito de interesses, atuou como advogado de Palocci), um poderoso diretor de um dos maiores bancos do país, a Caixa Econômica Federal, toda uma súcia de subordinados que fazem tudo pelos chefes, contra um caseiro que tinha uma conta bancária impossível para quem acabava de fazer o mensalão e não podia imaginar que alguém pudesse falar a verdade ou não ter um plano B. Eis o Partido dos Trabalhadores jogando tudo contra um trabalhador, eis a prova de que quem está por cima tudo pode no Brasil.

Num sistema aristocratizado, a igualdade é afronta, renúncia do mundo ou subversão. Como é que este merdinha ousa colocar-se contra mim? Eu, que tenho biografia e sou membro do partido que mais tem feito pelos pobres e pelos que, no plano de nossa modernidade retrógrada, os representam: os trabalhadores em geral, pois num sistema (desenhado pela escravidão) todo trabalhador é, por definição, pobre e desamparado.

Todos precisam de pai ou caudilho.

O remédio não prevê a igualdade, mas defensores que irrevogavelmente, como diria o senador Mercadante, os representem de modo absoluto.

Eis o duelo. Quando o pobre “entra” na Justiça e troca a resignação religiosa, base do messianismo de Canudos (e de outros movimentos sociais), e que situava a salvação fora deste mundo (como, aliás, eu menciono em “Carnavais, malandros e heróis”), ele desafia essa justiça divina, trocando-a pelos códigos legais deste mundo. E demandam reparos concretos baseados numa justiça humana: conflituosa, reveladora e falível.

Estamos na base do 5 a 4 para os superiores. Para o Brasil do século XXI onde todos são progressistas, honestos e de esquerda, é — valhame Deus! — um baita avanço!

CLÁUDIO HUMBERTO

“(O governo) é como um papel de uma mãe”
PRESIDENTE LULA PROMETENDO A “CHUPETA” DOS ROYALTIES DO PRÉ-SAL

PRIVATIZAÇÃO FEZ DISPARAR O CUSTO DA ENERGIA
O custo da energia elétrica para o consumidor do Maranhão, o Estado mais pobre, é 80% maior que o do Distrito Federal, que tem a maior renda per capita do País, e 49% mais alto que o de São Paulo, o Estado mais rico. A constatação é da CPI da Conta de Luz na Câmara dos Deputados. A Cia Energética do Maranhão (Cemar), privatizada na era FHC, é da americana PPL Global. No DF, a CEB ainda é estatal.
CADEIRA ELÉTRICA
O presidente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nélson Hubner, vai depor nesta quarta-feira na CPI da Conta de Luz.
DONO DO GALINHEIRO
Sempre bonzinho com distribuidoras privadas de energia, o presidente da Aneel foi diretor da Abradee, a associação das empresas do setor.
“MENAS” NOTÍCIA
O “brógui” do Planalto esteve a maior parte do tempo fora do ar, estes dias. Deve ser por incompatibilidade do redator-chefe com a gramática.
FAVORITO
A vaga do falecido Carlos Alberto Direito no Supremo Tribunal Federal deve ser José Antônio Dias Toffoli, atual advogado-geral da União.
EX-ARAPONGA: ABIN NÃO SABE ESPIONAR
Ex-chefe do Grupo de Trabalho Amazônico e ex-Agência Brasileira de Inteligência, da qual foi afastado pelo ministro Nelson Jobim (Defesa), o coronel da reserva Gelio Fregapani acha que a Abin “deveria cuidar da segurança do presidente, para tanto bastando um coronel, não um general quatro estrelas”. Desvirtuada, “fez besteira” no sumiço da fita da suposta visita da ex-secretária da Receita Lina Vieira ao Planalto.
A FAVOR DO GRAMPO
Militar especialista em estratégia, ele acha que uma agência de inteligência deveria fazer grampos e interpretar “fatos revelantes”.
NINHO DE AMADORES
Fregapani considera a Abin “engessada”, sem o devido contato direto com o presidente, protegido por “filtros (arapongas) amadores”.
NOTÍCIA DE JORNAL
Proibidos de espionar, os arapongas se limitam a analisar notícia de jornal. “É melhor poupar dinheiro e acabar com a Abin”, aconselha.
DEPUTADO PIANISTA
O pianista Arthur Moreira Lima, um dos mais importantes músicos do planeta, não apenas se filiou ao PR, a convite do ex-governador Anthony Garotinho, como cogita candidatar-se a deputado federal.
TEMA INSEPULTO
Testemunha no mensalão, o dono de bingo conhecido como “Zé Maria” foi morto há dias com um tiro na cabeça em Santo André (SP). Sócio oculto dele, um policial também foi assassinado, uma semana depois.
CONTRADIÇÃO VERDE
O repórter Danilo Gentili, do CQC (Band), disse a Marina Silva (PV-AC) que enquanto ela “defende o verde”, o ex-ministro Gilberto Gil, também do PV, “queima” o verde, referindo-se a consumo de maconha. Marina sorriu e respondeu algo como “prefiro não comentar...”
ADVOGADO DO DIABO
O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos não rejeita clientes que pagam seus honorários siderais: agora defende o médico tarado Roger Abdelmassih, acusado de estuprar mais de meia centena de pacientes.
HOMEM HONRADO
Uma das hipóteses levantadas pela polícia do DF para o assassinato do advogado e ex-minsitro do TSE Jose Guilherme Villela foi a de “queima de arquivo”. Villela era um homem honrado, não merecia isso.
CEARÁ EM PÉ DE GUERRA
Lançado pela ministra Dilma no início do ano, um programa do Dnocs para recuperação de 21 áreas de irrigação do Nordeste, oito no Ceará, parou porque o dinheiro teria sido desviado para obras no Rio Grande do Norte, por influência do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves.
NO RUMO DE CUBA
O governo do semi-ditador Hugo Chávez processa 2.200 venezuelanos por protestos até contra salários, escolas em mau estado, etc. É um presidente de quem deve-se evitar a companhia.
ESPECIALISTAS
A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, e Adrienne Sena, mulher do ministro Nelson Jobim (Defesa), foram ao espetáculo do balé mineiro Corpo, em Brasília. Ellen comentou cada cena com a amiga.
FILHO BASTARDO
Dilma é “mãe” do PAC, Lula é “mãe” do pré-sal. O pai, pelo visto, é desconhecido.

PODER SEM PUDOR
TROCANDO NOMES
Em 2003 o então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Maurício Corrêa, quase ganhou outro inimigo. Ao receber o vice-presidente da Câmara, nos 175 anos do STF, ele abriu o sorriso e os braços:
– Oh, deputado Inocêncio Martins, que bom vê-lo!
– É Inocêncio Oliveira! Oliveira! – irritou-se o deputado pernambucano.

QUADRILHA

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Depois da festa, pré-sal abre guerra de partidos e estados


- Estadão: BNDES terá reforço para ajudar Petrobras


- JB: Bancada do Rio se une para defender royalties


- Correio: Crime na 113 Sul: 72 facadas e muitas dúvidas


- Valor: Lucro crescente explica pressão contra cartões


- Estado de Minas: Lula promete pré-sal entre todos


- Jornal do Commercio: PM abre 2.100 vagas

terça-feira, setembro 01, 2009

AUGUSTO NUNES

Viva a Segunda Independência!

1 de setembro de 2009

Soube-se neste histórico 31 de Agosto (A maiúsculo, como convém a uma data condenada a virar feriado nacional) que o pré-sal é uma dádiva de Deus ao maior estadista de todos os tempos, escolhido pessoalmente por Ele para salvar o país onde ambos nasceram. Soube-se também que o Brasil proclamou a Segunda Independência, e que haverá dinheiro de sobra para tudo e para todos. Logo estarão nadando num oceano de reais, dólares e euros os governadores do litoral e os sem-praia, o sistema de saúde, o ensino público, a Petrobras, o turismo, a Amazônia, as estradas federais, o trem-bala, a transposição do Rio São Francisco, o esquema de combate às secas e enchentes, os companheiros de primeira hora e os recém-chegados, os generais da base alugada e os soldados rasos das tropas de choque, a navegação fluvial, a indústria automobilística, os amigos do ministro de Minas e Energia, os parentes do dono daquela diretoria que fura poço, a aviação civil, as Forças Armadas, a rede de atalhos, trilhas e picadas que ligam o Brasil aos vizinhos bolivarianos, os destacamentos militares da fronteira, a Polícia Militar e a a Polícia Civil, o progresso da Bolívia e o desenvolvimento sustentado do Paraguai, a campanha de Dilma Rousseff, os presídios federais de segurança máxima — fora o resto.

Graças às fabulosas jazidas nas profundezas do Atlântico (ainda não se sabe direito como içar o tesouro, mas com o Brasil ninguém pode, e antes da eleição a gente chega lá), as favelas se transformarão em bairros chiques, a TV Brasil ficará maior que a Globo, a gripe suína será erradicada, os parlamentares que faltam assinarão o contrato de aluguel, o novo salário mínimo subirá para 10 mil dólares mensais, a elite golpista agonizará confinada em Roraima e os pobres que restarem serão tão poucos que, expostos à visitação pública a 10 reais por visitante, logo ficarão mais ricos que os ricos desde sempre. Melhor que a outra, essa Segunda Independência.

Só não ficou muito claro o que o governo ainda está esperando para baixar a carga tributária em pelo menos meia tonelada.

O IDIOTA FALANDO MERDA

GOSTOSAS


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DIRETO DA FONTE

Pena-longa

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO

Depois de ter desistido, no ano passado, da compra da National Beef, o JBS-Friboi está comprando o maior abatedouro de frangos dos EUA.

A Pilgrim?s Pride, bastante endividada, faturou no ano passado nada menos que US$ 8,5 bilhões.

Natural que seja assim

Mesmo com todos os assaltos que têm ocorrido nos Jardins, o bairro não se desvaloriza de jeito algum.

Uma casa acaba de ser comprada por nada menos que... R$ 56 milhões.


Em cima da hora

Primeiro efeito da absolvição de Antonio Palocci.

Ciro Gomes adiou o anúncio de seu título eleitoral em São Paulo. De 15 para 20 de setembro.


Parto polêmico

José Temporão, da Saúde, já se prepara para batalha na Câmara.

Prega o veto de dois projetos de lei que regulamentam o trabalho de parteira no País. Embora reconheça a profissão (tanto que o ministério dá cursos de capacitação às parteiras), o ministro defende que apenas duas categorias estejam habilitadas para a realização de partos. Os médicos e os enfermeiros.


Boa colheita

Não há crise para a Monsanto brasileira. André Dias acaba de informar à matriz que ela cresceu 25% de julho a julho.

Trata-se da unidade que melhor reagiu à crise no planeta, graças à introdução da biotecnologia no milho.

Noves fora

Sorte ou azar? O pedido de extradição de Cesare Battisti será julgado, no STF, no dia 9/9/2009, em sessão que começa às 9 horas.Por nove ministros.

Da cera à cera

Michael Jackson só perde para a rainha Elizabeth II. Acaba de ganhar sua 13ª estátua de cera, todas feitas pelo Madame Tussauds.


Dia de Marina

Único verde do governo Lula, o ministro Juca Ferreira evitou o microfone e o público na festa-filiação de Marina Silva no PV, domingo, em São Paulo. Perguntado sobre "Dilma ou Marina em 2010", contra-atacou: "Isso só pode ser provocação."

Até o presidente do PV, José Penna, tomou cuidados: chegou com três seguranças, mesmo sabendo que a maioria, na plateia era gente sua. À vontade, mesmo, estava Zequinha Sarney. Tirou fotos com todo mundo e até anunciou o futuro líder do PV na Câmara: o baiano Edson Duarte.

Dia de Marina 2

Marina mal chegou ao partido e já recebeu cobrança social. De Maria Cristina Mendes Caldeira, que apareceu com Vitor Fasano e Cristiane Torloni, exibindo camiseta com foto de Chico Mendes, repetida no colete de seu beagle.

"Estou entregando a minha ficha de filiação a Marina. Mas só fico se ela expulsar os corruptos do partido", avisa. Já de saída?

Blindagem eleitoral

Lula não quer saber de bala perdida ou achada.

Mandou colocar vidros a prova de bala no seu gabinete em reforma, no Planalto.

Lé com cré

Há razão oficial para a Argentina não ter enviado representantes ao encontro das Agências Sanitárias da América Latina.

Alegam que estão ocupados demais com a... gripe suína.

Cuba em Sampa

Os músicos do Buena Vista Social Club chegaram animados a SP, ontem. Foram direto fazer compras na... rua Teodoro Sampaio.

Muvuca Chic pela Oscar Freire

O tempo ajudou e o clima era de passeio no Promenade Chandon, evento promovido domingo na rua Oscar Freire - a "Rodeo Drive tupiniquim". Pela muvuca chique passaram quase 15 mil pessoas, durante quatro horas, observando 33 lojas que se travestiram de showrooms. Com direito a minifestas, mas só para quem tinha pulseira vip.

Marcado por intervenções culturais, como show de Jairzinho e Simoninha e o Balé da Cidade, o evento contou com cenografia e presença de Daniela Thomas, que transformou as ruelas dos Jardins em pequenas "Places de la Concorde".

Sorte dos restaurantes, que foram literalmente atacados no pós-festa, depois do consumo de mais de 4.110 garrafas de Chandon. Santé!

JOSÉ PASTORE

A fadiga das leis do trabalho


O Estado de S. Paulo - 01/09/2009

Um dos temas mais fascinantes do 15º Congresso Mundial de Relações do Trabalho, realizado em Sydney na semana passada, foi o da busca de meios de proteção para as novas formas de trabalhar.

Embora o emprego por prazo indeterminado continue sendo a forma mais utilizada, multiplicam-se as atividades até há pouco tempo consideradas atípicas e que hoje viraram típicas de tão frequentes que se tornaram. Assim é o caso do trabalho temporário, intermitente, casual, por tarefa, realizado a distância, mediante acordos tácitos ou contratos padronizados e que, muitas vezes, seguem mais as características das profissões do que as do trabalho.

Ao lado dessa diversificação se acentua a predominância das ideias nas atividades humanas e que podem ser transportadas de um trabalho para outro, ao arrepio das regras de propriedade intelectual e dos segredos industriais. Os que realizam esse trabalho detêm mais poder do que os donos dos empreendimentos.

Neste novo mundo, há gente que trabalha em horários regulares e outros que seguem turnos intermitentes, sem falar nos que definem a sua própria rotina, o local e o horário de trabalhar.

Com tantas variações, como aplicar as fórmulas homogêneas de proteção que foram desenhadas para atividades realizadas de forma regular, rotineira e previsível? O direito do trabalho entrou em crise.

A situação é ainda mais complexa porque o mundo não é povoado apenas por essas formas sofisticadas de trabalhar. Persiste nos países mais pobres uma avassaladora quantidade de pessoas que, apesar de trabalharem de forma relativamente convencional, não dispõem de proteções. No Brasil a informalidade atinge 50% da força de trabalho; na Índia, 85%; e em muitos países da África, 90%. Uma calamidade.

Aqui, também o direito do trabalho é impotente para proteger atividades em que, com frequência, os empregadores são tão vulneráveis quanto os empregados, além de um enorme segmento que é formado por pessoas que, involuntariamente, trabalham por conta própria e de forma errática.

O desafio se torna intransponível quando se tenta regular tais situações com mecanismos que requerem a estabilidade das relações empregatícias convencionais. O tema é realmente difícil. Não se trata de simplesmente criticar ou abandonar a regulação atual, mas, sim, de buscar novas formas de proteção para trabalhos atípicos que se tornaram típicos.

O Brasil deu um importante primeiro passo com a lei do microempreendedor individual, que garante proteções parciais aos trabalhadores de baixa renda que vivem de atividades autônomas.

Em Sydney, a citação despertou o interesse de vários congressistas. Entre eles, foi enfática a recomendação de buscar na realidade desses grupos as formas mais adequadas de proteção.

Mesmo no caso dos bolsões de pobreza do mercado informal, há de se reconhecer que, apesar de todos os riscos e da alta vulnerabilidade ali existentes, os grupos humanos encontram reguladores mínimos que garantem a sobrevivência e, porque não dizer, o seu próprio progresso. Mesmo vivendo em situação de extrema precariedade nos campos da habitação, do saneamento, da segurança individual, do trabalho e da renda, as pessoas definem pactos não formais que asseguram um mínimo de respeito mútuo.

Por isso, em lugar de relatar resultados da imposição de regras de proteção de cima para baixo, os participantes do congresso mostraram haver mais sucesso quando se investe em aperfeiçoamento das regras existentes. Muito lembrados foram as lições de Hernando de Soto e o trabalho dos antropólogos sociais que sempre enxergam, no meio de um aparente caos, os mecanismos de sustentação dos grupos sociais.

O que fazer daqui para a frente? Depois de ter equacionado de forma bastante razoável as condições de proteção dos pobres que trabalham por conta própria, sobrou para o Brasil a tarefa de buscar uma regulação realista - de baixo para cima - para os que trabalham como empregados no mundo da informalidade: um Simples Trabalhista. E de igual importância será a geração de uma regulação realista para o trabalho terceirizado. Um desafio e tanto.

Mas assim é a vida das leis do trabalho. Umas mais, outras menos, elas também sofrem fadiga. Quando isso ocorre, não há como impor as leis existentes, mas, sim, procurar outras e em novas bases.

*José Pastore é professor de relações do trabalho da Universidade de São Paulo