sexta-feira, junho 12, 2009

MELCHIADES FILHO

Minc e o cérebro

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/09

BRASÍLIA - Carlos Minc levou bronca de Lula, foi enquadrado por Dilma e ouviu até palavrão de colegas de governo. Mas o Planalto deve um enorme favor ao ministro por ter provocado tanta "algazarra".
Minc foi escolhido para substituir Marina Silva só porque topou o papel de carimbador expresso de obras de infraestrutura. Tem seguido o roteiro, aliás. As usinas de Jirau e Santo Antônio, por exemplo, receberam sinal verde apesar dos senões de técnicos do Ibama.
Daí a surpresa que causaram as "denúncias" do ministro do Meio Ambiente de derrotas em sua área, notadamente a medida provisória que regulariza a posse de terras na Amazônia. Foi Lula, afinal, quem produziu a "MP da Grilagem". E foi a base governista na Câmara que aprovou a redação final. Durante semanas, somente uma voz no PT se elevou contra a manobra: não a de Minc, mas a de Marina Silva.
Chegou-se a temer que os desabafos repentinos do ministro pudessem estragar o balanço do PAC. Exagero. Como embaraçar uma cerimônia que anuncia como "concluída" uma rodovia entregue à iniciativa privada, ainda que nenhum quilômetro tenha sido asfaltado? Dilma Rousseff nem piscou, claro, ladeada de reverentes companheiros da Esplanada, numa espécie de Santa Ceia do primeiro escalão.
Diminuído, Minc recuou. Disse que antes de tudo era um "homem do governo" e que havia opinado em nome de "amigos e eleitores".
Podia até ser. Mas o esperneio do ministro acabou jogando a crise no colo do Senado, só porque a "MP da Grilagem" lá tramitava naquele momento. Logo os senadores, que nem relaram no conteúdo do texto.
Se agora atender ao "apelo" do ministro e fizer algum ajuste no decreto, Lula sairá revigorado da confusão que armou. Se sancioná-lo sem vetos, a culpa será do agronegócio, do DEM, do Congresso... Marina defendia o ambiente com mais vigor, mas Minc lava mais verde.

ESSO


CLÓVIS ROSSI

O meu voto (inútil) para 2010

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/06/09

SÃO PAULO - Antonio Estella, professor de direito da Universidade Carlos 3º, de Madri, faz, para "El País", uma bela análise sobre "o paradoxo de que a direita ganhe as eleições europeias após naufragar o neoliberalismo", que é ou era o seu navio-insígnia.
O paradoxo talvez se explique pelo fato de que a esquerda aplica as políticas da direita em praticamente todos os países europeus. Vale para o Brasil também, em especial o seguinte trecho do artigo: "Se você quer continuar mantendo-se no poder, faça o que seu concorrente fazia de maneira bem-sucedida e, se possível, de forma melhor".
De alguma maneira, foi o que Lula fez: manteve o controle da inflação, iniciativa do antecessor e fonte primeira de prestígio dos governantes, e ampliou enormemente os programas sociais do tucanato.
Todas as pesquisas mostram que esse tipo de comportamento funciona, do ponto de vista do prestígio do governante.
O problema começa quando se tem a ambição de promover transformações estruturais, que era não tão antigamente assim o navio-insígnia da esquerda. Na Europa, escreve Estella, "é mais difícil encontrar partidos social-democratas que de fato tenham uma agenda de mudança própria, estejam intimamente convencidos dela e dispostos a desenvolvê-la, levando em conta as limitações existentes".
Suspeito que valha para o Brasil, por mais que, do meu ponto de vista, esteja esgotada ou perto do esgotamento a agenda da estabilidade que foi o forte dos quatro períodos presidenciais mais recentes.
O período 2011/14 pediria acoplar a essa agenda, que é permanente, um desenvolvimento econômico, social e ambiental muito mais forte e muito mais transformador.
É uma pena que ambição não seja o forte do político brasileiro -nem, de resto, do eleitorado, extremamente conservador.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se for para ser igual, fico eu”
PRESIDENTE LULA, SOBRE A CANDIDATURA A PRESIDENTE DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF

ITAMARATY AGORA TENTA ISOLAR MANGABEIRA
O ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) agora enfrenta um adversário discreto e poderoso, dentro do próprio governo: o exótico Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. Segundo fontes diplomáticas, Guimarães até teria ordenado o monitoramento de Unger quando ele viaja ao exterior, para saber exatamente o que faz e com quem conversa.
CIÚMES
Samuel Guimarães e o Itamaraty estão irritados com as incursões de Unger em assuntos que consideram privativos de diplomatas.
CAIA FORA
O novo embaixador do Brasil na Ucrânia, Antonio Fernando de Mello, foi desestimulado a discutir com Unger o acordo bilateral
espacial.
CORPORATIVISMO
O brasileiro Márcio Barbosa, que não é diplomata, ousou candidatar-se à direção-geral da Unesco. Foi esmagado pelo ministro Celso Amorim.
VALEBRÁS
Os presidentes da Vale, Roger Agnelli, e da Petrobras, Sergio Gabrielli, negociam uma nova parceria em pesquisa nas áreas de gás e petróleo.
NO DF, A PRIORIDADE DO PT É DILMA
O PT nacional avisa: seu candidato ao governo do Distrito Federal, ex-ministro Agnelo Queiroz, tentará se viabilizar, mas está pronto a apoiar o primeiro adversário que se pronunciar favoravelmente à candidatura da ministra Dilma Rousseff a presidente. A surpresa é que os petistas aceitariam de bom grado tanto o apoio do governador José Roberto Arruda (DEM) quanto o do ex Joaquim Roriz (PMDB). Tanto faz.
DECOLANDO NA FRENTE
A Infraero já trabalha em projetos para modernizar os aeroportos das cidades escolhidas sedes da Copa do Mundo de 2014.
PRIVATIZAR, NÃO
Mal nasceu, a frente parlamentar contra a privatização da Infraero já soma quase uma centena de deputados e senadores.
JÁ CHEGA
Sai cara a missão militar do Brasil no Haiti, já há cinco anos: R$ 700 milhões até agora. Posar de polícia do mundo é coisa para país rico.
FORA DE CONTROLE
O Tribunal de Contas da União investiga o Bolsa Família, por falha no controle dos 11 milhões de beneficiados, e o “Universidade para Todos” (Prouni), com 38 mil convênios sem fiscalização.
CAUDILHO PLEBISCITADO
Do jurista Paulo Bonavides, um dos constitucionalistas mais admirados do País: “Com o terceiro mandato, não se elegerá um presidente da República, mas um ditador constitucional, um caudilho plebiscitado”.
RETORNO ESPERTO
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça distribuiu mais de 300 milionárias pensões por “perseguição política” do regime militar. Ainda há outros 190 processos da turma que, segundo Millôr Fernandes, não fez militância política contra a ditadura; fez um belo investimento.
A VOLTA DO MILAGRE
Ministro dos governos militares e conselheiro informal do presidente Lula, o ex-deputado Delfim Netto, otimista, acha que a eleição de 2010 chegará com o PIB batendo os 4%. E com o emprego aumentando.
ELE É UMA NOVELA
O sempre indeciso Itamar Franco inicia nova rodada de negociações com o PPS no primeiro dia de julho. Quer disputar algum cargo em 2010, qualquer um. Pode até ser candidato ao governo de Minas.
POUPANÇA IMEXÍVEL
Com medo de mexer na Poupança, o governo estuda a permissão para passar dos 8% atuais para 30% o limite para investimentos dos fundos de pensão em imóveis e em ações. É para compensar as perdas dos fundos, hoje com patrimônio de R$ 458 bilhões, com a queda dos juros.
REPÚBLICA DE BANANAS
Lula faz política externa com demagogia. Mandou abrir embaixada em São Cristovão e Névis, país do Caribe formado por duas ilhas, vinte vezes menor que o Distrito Federal, que exporta coco e banana. Sua população não lotaria nem o estádio Mané Garrincha, no DF.
AOS AMIGOS, TUDO
Tim Gomes, primo do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes, está entre os agraciados pela prefeita Luizianne Lins (PT) com boquinhas na prefeitura de Fortaleza.
PENSANDO BEM...
o aloprado ministro Carlos Minc foi à Marcha da Maconha porque perde o juízo quando vê uma fumaça. Ou seria o contrário?

PODER SEM PUDOR
O HOMEM DO “CAIXA”
Ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, José Segadas Vianna certa vez advertiu o presidente sobre um assessor que procurava empreiteiros para fazer “caixinha”. Segundo familiares do ex-ministro, Getúlio perguntou:
– Segadas, você faria o que ele faz?
– Certamente que não!
– É por isso mesmo que o mantenho – encerrou o presidente.

O NADA


PAIXÃO

DORA KRAMER

O ilícito é a lei

O ESTADO DE SÃO PAULO - 12/06/09

Por muito menos, qualquer outra instituição ou pessoa envolvida em ilícito de natureza pública já teria sido objeto abertura de comissão parlamentar de inquérito para investigar fatos plenamente determinados.

Mas, como a instituição em foco é o Parlamento e as pessoas envolvidas são congressistas, a saída por enquanto tem sido a anistia do passado e juras de apreço à probidade no futuro.

A última descoberta da série de ilícitos em exibição desde fevereiro, contudo, reduz muito a margem das manobras que vêm sendo usadas pelo Poder Legislativo no intuito de remendar uma história que não suporta mais remendos.

Quanto mais se tenta suavizar a situação com restaurações pontuais, mais danificada fica a credibilidade do Congresso, dos parlamentares, dos políticos, da política. Na quarta-feira, o jornal O Estado de S.Paulo desvendou um mistério, mostrando como foi possível nos últimos anos o Senado se transformar numa confraria de benesses sustentada por uma rede de ilícitos comandada a partir da diretoria-geral da Casa.

Os repórteres Rosa Costa e Leandro Colon revelaram a existência de mais 300 atos secretos por meio dos quais foram distribuídos empregos em troca de favores, criados cargos em comissão para acomodar apaniguados, assinados aumentos de salários, permitidas operações bancárias fora dos limites da lei, estendida a assistência médica vitalícia destinada aos senadores para funcionários, autorizados pagamentos de horas extras não trabalhadas e toda sorte de decisões a serem mantidas longe se qualquer controle.

Uma instituição onde existe esse tipo de prática sem justificativa legal e que contraria frontalmente um dos princípios constitucionais da administração pública – o da publicidade – não pode ser vista como o “poder mais transparente da República”, muito menos ser considerada a “casa do povo”.

A descoberta deveu-se ao trabalho da comissão de sindicância interna criada há 45 dias para investigar irregularidades. Seria um ponto a favor do Senado, caso não tivesse havido a tentativa de ocultar a existência dos atos secretos que, uma vez detectados, passaram a ser publicados com data retroativa e sob a rubrica de “boletins suplementares”.

Com isso, fica patente que as transgressões no Senado ocorreram por premeditação criminosa – única qualificação possível para aplicação de dinheiro público em vantagens pessoais –, cujo plano incluiu a ocultação dos esqueletos na gaveta do então diretor-geral, Agaciel Maia.

Não há desleixo administrativo. Ao contrário, pelo que se vê é tudo feito com muito esmero. E doses oceânicas de cinismo. Os atuais e ex-integrantes da Mesa Diretora do Senado pretendem que se acredite na inocência deles. De nada sabiam. Agaciel Maia contratou a ex-presidente da Câmara Municipal de Murici, município politicamente dominado pela família Calheiros, por iniciativa própria.

Assim como achou por bem e espontânea vontade requisitar o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Amapá – domicílio eleitoral de Sarney – para prestar serviço no conselho editorial Chega ser constrangedor ouvir e ver homens adultos tentando disfarçar o indisfarçável de maneira tão pueril.

Mas admitamos que Agaciel tenha formado um feudo transgressor pelas costas – não obstante embaixo dos narizes – de gente com décadas de experiência no ramo da esperteza. Nessa hipótese, seria aquilo que no auge do escândalo do mensalão o presidente Luiz Inácio da Silva chamou de “traidor”.

Um homem assim tão venal, inclusive recentemente exonerado de suas funções por esconder patrimônio da Receita Federal, mereceria a desconfiança dos inocentes por ele iludidos. No lugar disso, recebeu tratamento de compadre no casamento da filha dia desses, em Brasília. Estavam lá José Sarney, como padrinho, Renan Calheiros, Garibaldi Alves e Edison Lobão, todos com passagem pela presidência do Senado, onde o pai da noiva reinou absoluto durante quase 15 anos, cometendo infrações à revelia da chefia, uma gente completamente desatenta.

Tudo muito adequado. Mais não fosse pela escolha do tema musical extraído da trilha sonora de O Poderoso Chefão.

Hora incerta

A decisão da Petrobras de divulgar informações obtidas por meios de comunicação privados “ao primeiro minuto do dia previsto para a publicação da matéria” ou é fruto da relutância em reconhecer por completo um erro ou é produto de autoritarismo incurável.

Não é da alçada da empresa petrolífera as decisões tomadas numa redação de jornal, revista, emissora de rádio ou televisão. A prerrogativa é exclusiva dos editores que não são obrigados a prestar contas ao Estado sobre quando, como e onde divulgarão seu material jornalístico.

Queira o bom-senso, portanto, que a Petrobras não se proponha a fazer como a ditadura na época da censura prévia e montar um serviço de controle do noticiário a ser publicado.

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Gripe suína chega a 74 países e vira pandemia


- Folha: Gripe suína já é pandemia, diz OMS


- Estado: OMS faz acordo e anuncia pandemia moderada de gripe


- JB: Gripe suína é primeira pandemia do milênio


- Correio: Casa legalizada para 10,5 mil pessoas


- Valor: Nova ‘Lei do Bem’ espalha perdões e generosidades


- Estado de Minas: Crise fica com cara de marolinha (pág. 1)


- Jornal do Commercio: Gripe vira pandemia

quinta-feira, junho 11, 2009

ADRIANA VANDONI

O “driblador” de caráter

site prosa & política

Em reunião com prefeitos, Lula disse que obras suspeitas de irregularidades, não devem ser paralisadas. Claro, pelo bem da campanha eleitoral de 2010. Que se dane se o dinheiro público estiver sendo roubado.

Ele está errado? Depende. Mas depende de que? Depende da ótica. Para meus conceitos de ética ele está dando carta branca aos ladrões. Para os conceitos de ética dele...mas quais conceitos e qual ética Lula tem?

Quanto mais passa o tempo cada vez mais me convenço que este Luiz Inácio é um salafrário, ou pelo menos age como se fosse. Há tempos citei em um artigo a infame teoria que rege a vida de Lula, segundo suas próprias palavras, de que achado não é roubado. Em maio deste ano li uma matéria da revista IstoÉ com Denise Paraná, uma escritora que nada sei a seu respeito além de que é amiga de Lula e o admira, o que pra mim já basta para ter as piores impressões e acreditar que ela vê luzes quando Lula fala. A matéria é sobre o livro escrito pela Denise sobre a vida de Lula e como ele, segundo ela, “driblou o destino”.

Ôpa! Qual foi o drible? E o destino, qual é? Uma das tristes lembranças de Lula, diz a escritora, foi que ele e sua família nunca comiam carne. "A carne que a gente comia era a mortadela que meu irmão roubava na padaria em que ele trabalhava", relatou Lula no livro.

Não é lindo? Quando o irmão roubava. Veja a singeleza do ato! Isto é de um drible fenomenal. Drible no caráter, na ética, na honestidade e na polícia. O irmão roubava do patrão, mas sempre se safou e nunca foi preso.

Que drible, pqp!

Esse mesmo irmão, um sortudo!!!, foi responsável pela mudança na vida da família. Sortudo, achou um pacote de dinheiro (cerca de 34 salários mínimos) embrulhado num jornal, embaixo de um carrinho. Como ninguém reclamou ele roubou o dinheiro. Mas ai a escritora amiga de Lula arremata, “usou-o para quitar o aluguel atrasado em cinco meses e financiar a mudança da família para a Vila Carioca, em São Bernardo do Campo”. Como se fizesse diferença usar para pagar aluguel ou para beber com prostituta. Roubo é roubo, não interessa a causa nem a quantia. Ladrão é ladrão.

Ou seja, Lula foi criado em um ambiente delinqüente onde o roubo e o desvio de conduta eram encarados como sorte, como drible. Não tem em sua programação princípios fundamentais como o respeito ao próximo.

Lula não driblou seu destino, como afirma a escritora. Ele forjou uma vida se apossando do que não é dele. Foi programado para isso. Para não ter caráter.

Lula é uma massa amorfa moldada pelo que há de pior no ser humano.

MERVAL PEREIRA

Tiro curto

O GLOBO - 11/06/09

Embora ainda seja muito cedo para uma definição de posições eleitorais, mais de um ano antes da eleição presidencial de outubro de 2010, as pesquisas que vêm sendo divulgadas permitem uma análise das tendências que parecem confirmar a previsão do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, de que a eleição deve ser decidida já no primeiro turno, entre o candidato do governo, hoje a ministra Dilma Rousseff, e o provável candidato da oposição, o governador de São Paulo, José Serra, pelo PSDB. Uma corrida curta, não uma maratona.

Alcançando a casa dos 20% do eleitorado, Dilma mostrase uma candidata competitiva ou, pelo contrário, difícil de ser carregada pelo presidente Lula e pelo PT? A tese de Montenegro é que a capacidade de transferência de votos de Lula para qualquer candidato petista é limitada.

Para conferir sua suspeita, ele incluiu na recente pesquisa que fez para a CNI um quesito que não foi divulgado: a avaliação do ministro da Justiça, Tarso Genro, como “candidato do presidente Lula”. Tarso saiu de um nível de 2% a 3% para 12% da preferência quando avaliado na condição de candidato oficial.

Para Montenegro, fenômeno semelhante acontece com Dilma, que há dois anos está sendo apresentada pelo presidente Lula como a “mãe do PAC” e sua candidata oficial.

Chegando a um índice que vai de 18% a 20% das intenções de voto, Dilma teria atingido o teto da transferência de votos de Lula, que seria, na avaliação de Montenegro, de cerca de 15%.

Na análise de Fabiano Santos, cientista político do Iuperj, o PT tem uma oscilação no apoio do eleitorado, mas continua sendo o partido mais citado como o preferido pelos eleitores. Dependendo do instituto e da metodologia, tem por volta de 20%.

Já não é mais possível misturar o índice petista com o índice de Lula, que historicamente tinha 30% dos votos, por conta do eleitorado de esquerda, e não apenas do PT.

O que demonstraria que, no momento, a candidata petista não conseguiu nem mesmo chegar ao nível de votação que a esquerda tradicionalmente tem.

Fabiano Santos lembra que, no momento em que Lula tinha um veto no eleitorado por conta de seu perfil extremamente popular, se dizia que ele tinha esse teto de 30%. Agora, esse perfil popular acabou sendo a marca dele para justamente superar esse limite da votação de esquerda.

Montenegro acha que as pesquisas vêm indicando que a “era PT” teve fim com o episódio do mensalão, e que a partir daí começou a era Lula, que se descolou do PT para ganhar sua própria dinâmica.

Fabiano Santos concorda que existe uma clara diferença entre Lula e o PT hoje, o que dá para ver por vários indicadores, entre eles a votação que Lula tem tido e a do PT nas eleições locais, como também a taxa de apoio ao PT e a de aprovação da pessoa de Lula, que são muito discrepantes.

Nessa rodada da pesquisa do Ibope, 76% disseram confiar em Lula, e a sua aprovação subiu para 80%. Nada que se compare ao índice do PT como partido político.

O presidente do Ibope considera que, a partir de agora, a candidata do PT terá que ganhar força eleitoral a partir de sua própria história política, o que, na sua avaliação, a fará perder na comparação com o provável candidato tucano, José Serra.

Nas pesquisas, a experiência anterior é bastante valorizada pelo eleitor, e a história de Serra como secretário estadual, deputado federal, senador, ministro, prefeito e governador de São Paulo, além de candidato à Presidência em 2002, forma um conjunto muito sólido na opinião de Montenegro, ao contrário de Dilma, cuja primeira experiência política é como administradora, seja como secretária estadual ou ministra, sem ter disputado uma eleição.

O fato de a ministra não ter podido ir ontem ao lançamento do PAC da Drenagem porque, segundo o presidente Lula, ficou em casa “para descansar” chamou a atenção dos políticos da base do governo, que temem que os problemas de saúde a impeçam de prosseguir na campanha.

O cientista político Fabiano Santos acha que um dos segredos da candidatura petista será conseguir atrair a base aliada e lutar pela marca do governo, para que o fluxo de informações sobre as atividades do governo chegue aos diversos cantos do país. “Se descolar do PT e ao mesmo tempo manter o PT”, esta seria a tarefa de Dilma Rousseff para ampliar sua votação.

Ele fez “um exercício de observação” sobre a eleição de 1994, nessa mesma época do ano anterior, pois considera que era uma situação mais ou menos análoga à de hoje: um candidato que tem um recall grande — Serra hoje, Lula naquela ocasião —, e ao mesmo tempo um governo que era bem avaliado, tinha o Plano Real.

Tanto Fernando Henrique, na ocasião, como Dilma, hoje, eram ministros que não tinham grande história política.

Fernando Henrique estava até mesmo pensando em se candidatar a deputado federal, porque não tinha chance de se reeleger senador.

Em 1993, Lula tinha 30% de apoio e Fernando Henrique, 10%. “É muito cedo, portanto, para dizer que o candidato governamental está indo bem ou mal com 17%, um pouco mais, um pouco menos”, comenta Santos, mesmo admitindo que o candidato da oposição naquela ocasião, Lula, não tinha tanto apoio quanto tem hoje Serra, que se mantém estável nessa faixa de 40%, “muito sólido”.

Uma diferença importante é que, naquela ocasião, o ministro da Fazenda, Fernando Henrique, era mais identificado como autor do Plano Real do que o próprio presidente Itamar Franco, enquanto hoje a tentativa é convencer o eleitorado de que Dilma “é Lula outra vez”.

Montenegro acha que não é possível essa transferência, “Lula tem nome e sobrenome na política”. Fabiano Santos acha que há uma discussão sobre o índice de Serra: esse é o tamanho da oposição ao PT hoje? Quem vai dar o tom da campanha?

GOSTOSA


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BRASÍLIA - DF

Com medo do Ministro Barbosa

Luiz Carlos Azedo

CORREIO BRAZILIENSE - 11/06/09

Líderes governistas e de oposição firmaram um estranho pacto para aprovar a toque de caixa a nova legislação eleitoral, cujo projeto está sendo elaborado pelo deputado Flávio Dino (PCdoB-MA). Participaram do entendimento os deputados Cândido Vaccarezza(PT-SP), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), José Aníbal (PSDB-SP), ACM Neto (DEM-BA) e Fernando Coruja (PPS-SC), que não se entendiam em relação à reforma política. A razão da surpreendente coalizão tem um nome: Joaquim Barbosa (foto), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que comandará o processo eleitoral de 2010.

Temem que Barbosa resolva regulamentar temas como o uso da internet, a captação de recursos de campanha e as atividades pré-eleitorais dos possíveis candidatos à revelia do Congresso, na linha de recentes decisões dos ministros do TSE na seara política-eleitoral. Por trás da articulação estão o Palácio do Planalto e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ambos preocupados com as regras do jogo para a campanha eleitoral de 2010, face os recentes processos de cassação de governadores por causa da campanha de 2006.

A convergência entre governo e oposição, porém, tem pontos de fricção. Há acordo, por exemplo, quanto à regulamentação do uso da internet, mas Flávio Dino foi com tanta sede ao pote na regulamentação da captação de recursos na pré-campanha eleitoral que a oposição já se assustou.

Alta

A equipe médica que cuida da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, comemora o sucesso do tratamento ao qual a petista está sendo submetida. A candidata do PT à sucessão do presidente Lula sentiu o tranco das sessões de quimioterapia, mas os medicamentos estão surtindo efeito além das expectativas. Tanto que Dilma fará no fim deste mês o último procedimento do gênero, reduzindo de seis para quatro as etapas do tratamento.

Afogados

Arrasado pelas chuvas desde o fim de março, o Piauí somente agora disporá dos recursos emergenciais para socorrer os desabrigados e reparar os danos causados pelas inundações. O Ministério da Integração Nacional, ontem, autorizou a transferência de R$ 124 milhões ao governo estadual para reconstrução de moradias e de rodovias destruídas pelas cheias. Os recursos devem ser repassados em até 180 dias. No Planalto, ainda não caiu a ficha de que as mudanças climáticas exigem um plano de contingência só para as enchentes.

Checagem

DEM, PSDB e PPS têm encontro marcado na próxima terça-feira para definir o cronograma das próximas caravanas de fiscalização das obras do PAC. Depois de percorrer estados de média ou pouca expressão eleitoral — Pernambuco, Paraíba, Piauí e Santa Catarina —, a oposição quer jogar os holofotes sobre gargalos do programa onde há grande concentração de votos. Isto é, no PAC das favelas e periferias de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Manaus.

No cafezinho...

Estaleiro

Primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (foto), do DEM-PI, será operado amanhã, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Depois de muito relutar, aceitou as pressões da família e fará uma cirurgia bariátrica para redução do estômago. A silhueta do presidente da CPI das Ongs fazia alegria dos fotógrafos que cobrem o Senado.

Liberou

A direção nacional do PDT abandonou a regra que impõe aos diretórios estaduais repetir a coligação adotada na disputa federal, responsabilizada por derrotas cruciais em 2006. Capitão da pressão contra a “verticalização”, o senador Osmar Dias (PR) é o principal beneficiado. Apesar de governista, negocia o apoio do DEM para concorrer ao governo do Paraná.

Calote

Além de dois meses de salários atrasados de 1,4 mil funcionários terceirizados na Câmara dos Deputados, a Capital Serviços Gerais, desde segunda-feira, deve o pagamento do tíquete-alimentação dos empregados. A direção da Câmara arcou com os salários atrasados; agora, terá que garantir a boia dos terceirizados.

Servidão

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), incluiu ontem a PEC do Trabalho Escravo na pauta de votações da próxima semana. A bancada ruralista é radicalmente contra a aprovação do texto que arrocha a fiscalização e aumenta a punição aos exploradores de mão de obra.

Mosca

Em roda de parlamentares na segunda-feira, na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou seu apoio à candidatura do ex-ministro Agnelo Queiroz (PT) ao Governo do Distrito Federal. E defendeu uma candidatura ao Senado do PSB com a mão no ombro do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que captou a mensagem, mas desconversa.

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI

USP: Faz de conta e violência

FOLHA DE S. PAULO - 11/06/09

Nos últimos anos, cresceu a violência nas universidades, assim como o descrédito das lideranças. O que fazer para evitar o desastre?

MESMO QUANDO um professor chama a polícia para combater alunos desordeiros, ele simplesmente abdica de sua tarefa de professor; trata-os como se fossem transgressores, esquecendo que precisam ser educados.

Porém, tendo os estudantes se associado a grupos baderneiros, não cabia à reitora chamar a polícia para garantir o patrimônio público?

Se, entretanto, a reitora pode ter razão nesse ponto, cabe examinar como se chegou a essa crise em que ela deixa de ser professora para vestir o uniforme da repressão.

Na tarde de terça-feira, estudantes, funcionários e professores se manifestavam contra a presença da polícia no campus. Alguns extravasaram os limites do bom senso, acuando a polícia, que, reforçada, reagiu com violência. Felizmente só houve feridos.

Fora os esquentados de sempre, sobretudo o pessoal da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais) e da ECA (Escola de Comunicações e Artes), o resto da universidade funcionava normalmente, mantendo o curso das atividades costumeiras. Total esquizofrenia. Como todos não se mobilizaram para impedir a barbaridade do conflito?

É evidente que as lideranças atuais perderam qualquer legitimidade. Reiteradamente no mês de maio começam as negociações para reposição salarial e outras reivindicações.

O orçamento das três universidades paulistas está bloqueado, sobretudo porque, durante a negociação da autonomia universitária, não se criou um fundo de pensão responsável pelo pagamento dos aposentados. Hoje, eles representam por volta de 30% do orçamento da USP, que, segundo última informação, teria chegado a gastar 85% com pessoal. Obviamente o restante não basta para tocar uma universidade. A USP estaria falida se não fosse a Fapesp.

A falta de recursos disponíveis leva ao impasse. O sindicato de funcionários decreta a greve, algumas unidades diminuem suas atividades, a biblioteca, o "bandejão", a creche e os ônibus circulares param (a greve parece ser contra os estudantes pobres).

A maioria, no entanto, continua trabalhando como se nada estivesse acontecendo.Em geral, as lideranças dos professores e dos alunos acabam aderindo.

Na base de reivindicações abstratas, a greve se resume a uma triste encenação. Depois de algumas escaramuças, as partes cedem, obviamente sem ônus para os grevistas. Terminada a greve, eles fazem de conta que repõem as atividades retidas.

A repetição desse ritual não causaria grandes danos se não abrisse cunhas para a violência.

Durante a greve, prédios são ocupados, o patrimônio passa a ser depredado e grupos entram em choque. Até onde vai esse apodrecimento?

A indiferença da maioria dos atores termina criando espaço para os ditos "radicais". São aqueles que acreditam piamente que, dado o caráter repressor do aparelho do Estado, devem mudar, mediante violência, a universidade e o país.

Em vez de explorarem as ambiguidades da legislação vigente para mobilizar a sociedade civil visando forçar mudanças nas leis pelas leis, simplesmente se tomam como agentes sem compromissos com a legalidade. Consideram legítima sua violência e espúria qualquer reação.

Já que a maioria dos universitários não embarca nesses enganos -eles não se confundem com a sociedade nem acreditam que, no mundo de hoje, uma crise no Estado de Direito pode aprofundar a democracia-, os ditos radicais se isolam de seus representados, transformando uma possível violência política numa simples ação criminosa.

Nos últimos anos, cresceu a violência nas três universidades públicas paulistas, assim como aumentou o descrédito das lideranças. O que fazer para evitar o desastre?

Não sejamos ingênuos: passada a agitação presente, tudo voltará ao "normal" antigo. A não ser que professores, estudantes e funcionários se mobilizem e assumam a dualidade de suas funções sociais.

Se, de um lado, devem ser bons profissionais, de outro, não podem ignorar suas responsabilidades políticas, inclusive bloquear a burocracia para que possam agir por inteiro.

Repensar as pautas fantasiosas que têm marcado as últimas reivindicações é a tarefa mais elementar. No final das contas, que universidade queremos?

UMA RUMA DE GOSTOSA


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MÍRIAM LEITÃO

Crônicas dos juros anunciados

O GLOBO - 11/06/09

Comemorar juros tão altos assim é esquisito. Qualquer país acharia isso. Mas nós não somos qualquer país e só nós sabemos de quantas esquisitices nos livramos e ainda temos de nos livrar. Ontem foi mais um daqueles dias de atravessar fronteiras e dar mais um passo para ser um país normal. Os juros, em um dígito, ainda são um dos mais altos do mundo, mas, felizmente, eles caem.

Juros, juros, juros. Essa é uma conversa sem fim no Brasil. Juros podem ser os da Selic, que é a conta paga pelo governo nos seus papéis. Podem ser os juros das empresas, dos descontos de duplicatas; podem ser os das pessoas físicas, do crédito direto ao consumidor. Podem ser até os do crédito rotativo dos cartões e os do cheque especial, os spreads bancários. Taxas diferentes e todas absurdamente altas.

Que governo, com superávit primário, respeito aos contratos, redução de dívida pública, está pagando 9,25% ao ano para rolar seus papéis, em títulos com liquidez diária? Só mesmo o Brasil. E essa taxa parece diminuta perto dos juros pagos pelas pessoas físicas e empresas nos seus empréstimos junto ao mercado bancário.

Ainda há uma longa caminhada antes do dia em que poderemos dizer que nossos juros são normais, como nossa inflação passou a ser. Mesmo assim, ontem foi um dia histórico. A menor taxa da era do Real. Economistas que ouvimos na coluna só se lembram de taxas assim nos anos 70.

Esta semana, ouvi o presidente Lula defendendo o câmbio flutuante e contando o que diz para quem vai lá em seu gabinete reclamar do câmbio baixo ou alto:

- Pergunto se eles querem me propor a centralização do câmbio. Ninguém quer. É isso gente, câmbio flutuante, flutua.

Me lembrei da época em que no programa do PT havia a defesa explícita de controle cambial, centralização cambial. Medidas até mais exóticas.

Ouvi também o ministro Mantega falar com orgulho do real, como moeda que hoje é uma das mais negociadas no mundo. Lembrei do tempo em que integrantes do atual governo acusaram o real de ser "eleitoreiro".

Nas duas cenas tive a mesma sensação: a de amadurecimento do país.

O debate continua. Hoje é pela qualidade dos gastos, a melhor forma de reagir à crise, a falta de uma reforma tributária - adiada por todos os governos - o alto custo trabalhista que vem do Varguismo. Parece um país engasgado com obstáculos que não consegue remover. E pur si muove.

O melhor do dia de ontem é que a queda dos juros para menos de 10% não foi apenas uma encomenda de ocasião, provocada pela crise internacional. É um momento de uma longa caminhada até uma economia estabilizada. Não quero tirar o mérito de ninguém, mas sei que nenhum governo sozinho pode se atribuir todos os avanços. Os governos se complementaram apesar de adversários na arena política. Arena? Eu disse Arena? Melhor esquecer essa palavra que lembra uma esquisitice política, e aqui, neste espaço, quero ficar apenas nas econômicas.

Há uma grande chance - e essa é a melhor notícia - de que os juros fiquem em um dígito por um bom tempo. O Brasil foi fincando estacas no caminho que leva a esta conquista. Tem ainda muitos entulhos: muito crédito direcionado, muitos juros subsidiados, muitos preços para o dinheiro; atalhos criados para fugir das taxas cronicamente altas e que acabaram ajudando a mantê-las altas. As grandes empresas, no BNDES, pagam juros de um dígito há muito tempo. Uma coisa estranha assim: uma grande empresa brasileira pega empréstimo a 6% ao ano e empresta ao governo, até ontem, a 10,25%. O melhor negócio é ser grande, pegar dinheiro no BNDES e emprestar para o Tesouro. A TJLP é uma forma de reduzir o custo de capital para o investimento, mas é um contorcionismo. Esquisitice.

Depois quando voltar a crescer, o Brasil terá que subir novamente os juros para acima de 10%? Há boas chances de que não. Há espaço para crescimento não inflacionário. O país passou por uma alta recente do dólar sem o repasse para a inflação. Nunca antes.

Há mais dúvidas. Os poupadores continuarão poupando com juros que na mentalidade brasileira não são compensadores? Deixaremos o dinheiro aplicado em fundos de renda fixa com as taxas baixas para os nossos padrões? Os fundos de pensão já foram autorizados a correr mais riscos, os investidores estão ficando inquietos. O dinheiro "não está rendendo", como se diz no Brasil.

Para crescer, o país precisa investir, e para isso precisa aumentar sua taxa de poupança, cronicamente baixa. Mas para isso precisa mudar seus conceitos do que seja rentabilidade do dinheiro. Os bancos precisam parar de torturar os números para que eles confessem algo inaceitável: que os altíssimos spreads brasileiros fazem algum sentido. Não fazem não. São parte do entulho inflacionário que o Brasil vai deixando para trás lentamente. Esquisitice.

Os juros? Eles continuam altos em qualquer medida, mas ontem a taxa básica que remunera os títulos públicos, a notória Selic, atravessou uma linha imaginária que já pareceu ao Brasil um muro intransponível.

INFORME JB

Governo só quer a CPI das ONGs

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 11/06/09

Depois da manobra que esvaziou o plenário ontem, evitando a instalação da CPI da Petrobras, os senadores da base governista engendram a última cartada para a mesa na tentativa, a partir de hoje, de enterrar de vez a comissão que investigará a estatal petroleira. A base quer convencer DEM e PSDB de que as investigações sobre a petroleira podem ser concentradas na CPI das ONGs. Ela estava apagada e pode ressuscitar. Para tanto, deixam o tucano Arthur Virgílio, líder do PSDB, na relatoria desta comissão. Haverá, no entanto, resistências. A contar do próprio Virgílio, procurado pela coluna: "Não vejo nenhuma razão para não abrir a CPI. Você fala em fretamento de navios, e eles tremem", desabafou o senador, que reunirá a bancada na terça em almoço.

Pajelança Ele é Dilma

Arthur Virgílio reúne terça-feira, em Brasília, os senadores do PSDB, e os líderes na Câmara, Otávio Leite (Minoria) e José Aníbal (da bancada). "Quero discutir as hipóteses", diz Virgílio.

Conforme a coluna adiantou, Anthony Garotinho, pré-candidato pelo PR ao governo do Rio, oficializou ontem apoio à futura candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Foi pelas mãos de Dilma, indiretamente, que ele foi para o PR.

Rasante

O diretor da Anac Ronaldo Seroa continua no cargo em meio a um imbróglio de prazos – que podem lhe tirar mando. Para a Anac, ele só sai em agosto.

Predador

O ex-ator Arnold Schwarzeneger, governador da Califórnia, nos EUA, já tem novo apelido por causa da quebra do estado: "O Predador". Dito por um senador de sutil humor da base de Lula.

É a crise

Apesar da pequena recessão por aqui, aliados de Lula emplacam um discurso comparativo para blindar o Planalto: dizem que na Califórnia já existem três "cidades de lonas". São desempregados e sem-teto, frutos da crise lá.

Recado

De Sérgio Cabral: "Sei bem de quem partem as histórias de que sou governador da Capital".

Brasillll

A Procuradoria Federal Especializada do Incra e a Procuradoria da República no Pará ajuizaram 61 ações de reintegração de posse para recuperar 155 lotes que foram comercializados ilegalmente ou abandonados por ex-sem-terra.

Um Rio de verba

O carioca Marcio Fortes, ministro das Cidades, garantiu R$ 322 milhões para a recuperação ambiental da Bacia de Jacarepaguá na capital, com obras tocadas pela prefeitura. As baixadas fluminense e campista vão levar R$ 170 milhões, com obras pelo estado.

Tudo azul

Elma Fortes, mulher do ministro, tem sido vista caminhando no calçadão do Leblon com camisa e boné da Caixa – a principal parceira do ministério no PAC.

Reza forte

Osmar Santos, da Fundação Cacique Cobra Coral, com médiuns que ajudam nas alterações do tempo, é um dos poucos que escaparam do voo 447. Trocou a viagem para outro dia.

Audiovisual

Uma gripe de dois dias deixou no estaleiro o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Mas ele prometeu voltar ao Rio, dia 19, para a posse dos novos diretores da Ancine, Paulo Alcoforado, Glauber Piva e Mário Diamante,

Recondução

O presidente da Ancine, Manoel Rangel, será reconduzido.

O IDIOTA


COISAS DA POLÍTICA

Amazônia: uma questão militar

Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL - 11/06/09

O projeto, elaborado pelo ministro Mangabeira Unger, e alterado nas discussões interministeriais, de regularização da posse das terras amazônicas, já não era o melhor, e se complicou com as emendas acrescentadas pelos parlamentares. A questão prioritária da Amazônia é a da soberania, e nisso podemos duvidar do Congresso, que não parece submetido plenamente à vontade do povo. A ação parlamentar dos últimos anos não nos conforta: ela se faz mais pro domo sua, do que no interesse geral do país. No caso em pauta, Câmara e Senado, em sua maioria – embora, no Senado, fosse de apenas dois votos – agiram para atender aos interesses dos empresários do agronegócio e outros.

Os estudos recomendavam que se regularizassem apenas as posses cadastradas até 400 hectares de área, o que corresponderia a 81% dos ocupantes e a 7,8 milhões de hectares. Ainda no âmbito do Poder Executivo, decidiu-se ampliar a área a ser concedida a 1.500 hectares, o que eleva a 67 milhões de hectares o total das glebas. De acordo com omissão do projeto aprovado, estrangeiros, tanto como pessoas físicas quanto jurídicas, poderão ser beneficiados, o que favorecerá a desnacionalização do território. Além disso, os latifundiários que vivem fora – e mantêm laranjas ou prepostos nas glebas – poderão regularizá-las, e revendê-las três anos depois, o que retira do projeto o seu interesse social, em benefício dos ricos.

O presidente Lula declarou, ontem, que irá vetar os acréscimos à medida provisória. É provável que, ao reexaminar a questão, ele venha a proibir claramente a legalização de terras ocupadas por estrangeiros, qualquer que seja sua extensão. Talvez fosse melhor que a vetasse por inteiro, e mandasse ouvir a sociedade, antes de enviar ao Congresso não medida provisória mas projeto de lei, bem estruturado. Não está em jogo uma situação conjuntural mas a integridade do território brasileiro. A Amazônia já é ocupada pelas ONGs, missões religiosas, madeireiras indonésias, antropólogos neolíticos, caçadores de bichos e plantas medicinais, traficantes de drogas e minerais.

A questão, mais do que fundiária, é bélica. Não temamos usar o adjetivo que expressa a ultima ratio das nações. Seria importante que as Forças Armadas fossem reforçadas com homens e equipamentos, uma vez que não se trata só de preservar a Amazônia mas, sim, de reconquistá-la, reincorporá-la, em todas as suas dimensões, ao território e à alma nacional. Desde o projeto malsinado da internacionalização da Hileia, durante o governo Dutra, damos ao mundo a impressão de que nos sentimos constrangidos em possuir tal patrimônio. É como se, por incompetência, estivéssemos dispostos a compartilhar sua soberania com os outros. A realidade, no entanto, demonstra que só nós mesmos, os brasileiros, e ninguém mais, dispomos da experiência, da vontade e do conhecimento para usufruir racionalmente do território e assegurar seu futuro. Isso significa dispensar a ajuda de organizações estrangeiras, restringir e fiscalizar a ação de "pesquisadores", bem como as missões religiosas – e garantir aos órgãos civis do governo a execução de política fundiária adequada. Ao mesmo tempo, é necessária vigilância da cidadania sobre o Congresso. Se houvesse pressão legítima dos cidadãos, o Parlamento não teria amolgado a medida provisória, contra o interesse da nação como um todo.

Alguns antropólogos e ongueiros combatem a presença militar ali pelos motivos que os historiadores conhecem. Os ingleses, a pretexto de observações botânicas, enviaram, em meados do século 19, ao Norte do Brasil – com autorização do nosso governo imperial – o explorador alemão Robert Schomburgk. O "pesquisador" se assenhoreou da região do Pirara e, a pretexto de proteger tribos indígenas (as mesmas que foram protegidas agora pelo STF, na amputação de Roraima), colocou os marcos de soberania inglesa em nosso território. Em 1904, perdemos grande parcela daquelas terras para os ingleses, com o laudo de arbitragem de Vittorio Emanuele II, da Itália, que se baseou, entre outras "provas", no depoimento de índios macuxis, que brandem agora bandeiras da "nação indígena" em Roraima.

Quem entende da Amazônia são os seus caboclos e indígenas não "catequizados" pelos estrangeiros. Quem entende dos caboclos e dos indígenas, com a experiência do convívio solidário, desde a heroica saga de Rondon, são os militares.