sábado, junho 06, 2009

RUY CASTRO

Praia de Tom Jobim

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/09

RIO DE JANEIRO - Em todos os jornais, sites, TVs e rádios do planeta, nos últimos dias, o Airbus da Air France decolou do Aeroporto Galeão-Antonio Carlos Jobim, no Rio, no último domingo, para a queda no oceano Atlântico. Mídia e curiosos também especularam se o avião já não teria saído do Tom Jobim com algum problema, e se o Tom Jobim isto ou o Tom Jobim aquilo na morte das 228 pessoas a bordo.
Obviamente, nada supera a tragédia em si, mas é triste ver o nome de um artista aparecer no noticiário associado a um dos piores desastres na história da aviação. E ninguém merece isso menos que o próprio Tom -seu nome estava apenas batizando um aeroporto, o qual, por sua vez, também não teve nenhuma responsabilidade na desgraça.
Há um certo lirismo no fato de um aeroporto levar o nome de um músico, quando a regra é que essa honra seja privilégio de gente cascuda, como reis, presidentes, militares -aliás, aeroportos são instalações militares. Mas, com isso, o homenageado corre o risco de protagonizar manchetes de sentido dúbio, como já aconteceu por aqui há tempos: "Polícia Federal apreende 200 kg de cocaína no Tom Jobim".
Logo Tom, que não chegava perto de drogas ilícitas, não gostava de aeroportos e tinha horror a avião. Só voava porque era obrigado. Ao compor o "Samba do Avião", em meados de 1962, queria apenas celebrar uma rara chegada ao Rio por esse meio, voltando de São Paulo -ele que, na época, só fazia o dito trajeto de trem.
Sempre achei que acoplar o nome de Tom Jobim ao do antigo Galeão, o que aconteceu meses depois de sua morte, em 1994, era uma falsa boa ideia. Uma homenagem mais a propósito teria sido se, sob as placas indicando sua querida av. Vieira Souto, em Ipanema, uma segunda placa dissesse: "Praia de Tom Jobim".

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


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ANCELMO GÓIS

QUER VER

O GLOBO - 06/06/09

Manmohan Singh, o premier da Índia, solicitou à embaixada do Brasil em Nova Déli uma cópia da novela das oito da TV Globo, Caminho das Índias.
BRASIL MINERAL
O bilionário americano Warren Buffett, considerado o maior investidor do mundo, conversou com um conhecido banqueiro brasileiro.
Está de olho em mineração no Brasil.
MEU DEUS...
Os hackers não economizam maldade nem na tragédia.
Acredite. Começou ontem a proliferar no orkut um recado com links para falsas imagens de “resgates de sobreviventes” da tragédia com o Airbus da Air France. É vírus.
CADERNO E LÁPIS
Dilma Rousseff está treinando francês e inglês.
CINE MULHER
O Festival de Ouro Preto, MG, que começa dia 19 de junho agora, será dedicado à mulher no cinema brasileiro.
Zezé Motta receberá uma homenagem especial e irá a sessões de filmes em que atua.
NA TERRA DE MORALES
“Entre dez petroleiras do mundo todo, a Petrobras é a que mais investirá na Bolívia”, diz reportagem do El Diario.
Segundo o jornal boliviano, a estatal brasileira teria se comprometido a fazer um aporte de US$ 174,54 milhões nos campos de San Alberto e San Antonio, e nos trabalhos de exploração em Ingre.
JORGE SEMPRE AMADO
Gabriela cravo e canela, Dona Flor e seus dois maridos e Capitães de areia, de Jorge Amado, serão lançados na Romênia pela editora Univers.
Na Alemanha, será lançado A descoberta da América pelos turcos”.
A NOVELA DA VARIG
José Antônio Toffoli, advogado-geral da União, prorrogou por 60 dias a comissão que tenta um acordo para encerrar a ação da defasagem tarifária em curso no STF e outras grandes causas da velha Varig contra o governo.
O pessoal da finada pediu R$ 7 bilhões para encerrar o caso. O governo achou caro e pediu mais tempo.
NOSSO JAPONÊS
O ministro Hélio Costa vai estes dias à Venezuela. O Brasil está em campanha para convencer outros países da região a adotar o modelo de TV digital japonês.
Quanto mais países da região adotarem o modelo, maior a economia de escala. O Peru já aderiu. Argentina e Chile podem fazer o mesmo.
PELADÃO
O ator Eriberto Leão, o Zeca da novela Paraíso, da TV Globo, foi convidado para posar nu na G Magazine.
SEGURANÇA EM 2014
Semana que vem, oito delegados cariocas desembarcam na África do Sul para visitar cidades onde haverá jogos da Copa de 2010.
É estágio para os preparativos da segurança da Copa de 2014.
TELA GRANDE
A história do cantor Marcelo D2 e de sua extinta banda Planet Hemp vai virar filme.
Anjos da Lapa será ambientado no Centro do Rio. A ideia é mostrar também o início da fase de revitalização do bairro boêmio. O longa terá roteiro de Nelson Motta e será produzido pela Academia de Filmes.

FERNANDO RODRIGUES

O Fura-Fila de Dilma

FOLHA DE SÃO PAULO - 06/06/09

BRASÍLIA - Enganado por FHC na aprovação da emenda da reeleição, Paulo Maluf ficou sem opções em 1996. Queria mais um mandato de prefeito em São Paulo, mas o tucanato cronometrou o casuísmo para 1998, quando só serviria ao presidente e a governadores.
Maluf então inventou Celso Pitta para sucedê-lo. Era um de seus secretários mais vistosos. Negro, não era político e foi vendido como honesto e bom administrador -esse último suposto predicado acabou desmoronando na prática.
Pitta saiu quase do zero nas pesquisas. Na campanha, exibia dois ativos. O prestígio de seu chefe, Paulo Maluf, e à época sofisticada propaganda eletrônica maquinada por Duda Mendonça. Uma imagem computadorizada fazia deslizar sobre trilhos suspensos, em São Paulo, o Fura-Fila. O simpático trenzinho acabaria com a agonia dos paulistanos. Nunca deu certo, mas o malufismo elegeu um sucessor.
Nesta semana, Dilma Rousseff fez uma apresentação sobre o PAC, as obras de infraestrutura do governo Lula. Uma delas é o trem-bala entre São Paulo e Rio. A ministra, pré-candidata a presidente, mostrou um filminho com uma linha percorrendo o trecho entre as duas maiores capitais do país.
A apresentação de Dilma foi tão virtual como a de Pitta, em 1996.
Não por coincidência, o publicitário inoculando ideias e estratégias no projeto Dilma-2010 é João Santana, que por alguns anos trabalhou com Duda Mendonça.
O trem-bala lulista sai de São Paulo, passa por Campinas e chega ao Rio atravessando montanhas, voando sobre penhascos e cortando ao meio bairros inteiros nas periferias das cidades. A promessa é colocá-lo em circulação até 2014, ano de Copa do Mundo. Como furar todos esses caminhos para o trem-bala passar? Não importa. Até porque, é sabido, a história se repete muitas vezes como farsa.

VAMOS TOMAR CERVEJA!


CLÁUDIO HUMBERTO

“Continuo (no governo) firme e forte. Tremei poluidores”
MINISTRO CARLOS MINC (MEIO AMBIENTE), GARANTINDO QUE NÃO VAI SAIR DO CARGO.

METADE DO MINISTÉRIO VAI DISPUTAR ELEIÇÃO
O presidente Lula conta com a saída de 18 dos atuais 37 ocupantes de cargos de nível ministerial. Todos devem se afastar dos cargos em dezembro, cedendo lugar a substitutos a serem escolhidos por Lula em comum acordo com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), única a ficar no cargo até a data-limite do prazo de desincompatibilização, a fim de garantir exposição na mídia ao lado do presidente da República.
DROGA DE MINISTRO
Após integrar a marcha de apologia ao consumo de maconha, o ministro do Meio Ambiente ganhou um apelido na internet: Carlos Minconha.
SEU DINHEIRO
O rico governo do Piauí vai investir R$ 1 milhão em um filme sobre a vida do cantor Frank Aguiar, atual vice-prefeito de São Bernardo (SP).
CHUVA DE DÓLARES
A entrada de dólares totalizou 3,13 bilhões em maio (119% a mais, em relação a 2008). Aplicações no setor produtivo somam US$ 2,75 bilhões.
ELEIÇÕES
Cerca de 29 milhões de italianos irão às urnas neste sábado e domingo para eleger o presidente e os parlamentares de 62 províncias do país.
LOBBY POR TERRORISTA ENVOLVE ATÉ A OAB
O presidente da OAB, Cezar Britto, levará à reunião do conselho federal, segunda-feira (8), no Rio, uma proposta para exigir do Supremo Tribunal Federal que julgue logo o caso do terrorista italiano Cesare Battisti, preso em Brasília por ter sido condenado à prisão perpétua pelo assassinato de quatro inocentes, na Itália. Criminoso comum, ele foi aliciado na prisão pela organização terrorista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).
MÃO AMIGA
O STF examinava a extradição quando o terrorista foi beneficiado por uma portaria do ministro da Justiça concedendo-lhe “asilo político”.
FIQUE CLARO
Cesare Battisti não foi julgado e condenado em uma ditadura, mas na Itália, sólida democracia cuja Justiça goza de excelente reputação.
PRAZER SÁDICO
Segundo o testemunho de cúmplices do terrorista na Justiça, César Battisti “sentia prazer ao ver o sangue jorrar de suas vítimas”.
A MAIS LIDA
Pesquisa anual da FSB Comunicação sobre hábitos de leitura dos deputados federais, divulgada ontem pela Folha de S.Paulo, atesta que esta coluna está entre as mais lidas da imprensa brasileira, com 50%. A coluna Painel, da Folha, vem logo em seguida.
DISTORÇÃO
O edital de concurso para analista de sistemas e técnico em computação do Tribunal de Justiça do Paraná reserva 10% das vagas para “afrodescendentes” e apenas 5% para deficientes físicos.
SOSSEGO
A família pernambucana pode dormir sossegada. O presidente Fernando Lugo, bispo que não pode ver um rabo de saia, não viajará ao Recife para o jogo Brasil X Paraguai, quarta-feira (10).
FILA PARADA
Há 7 mil crianças na fila de espera de cirurgia (algumas muito simples), nos hospitais públicos de Brasília, a capital do País cujo presidente diz que o sistema público de saúde é “atingiu a perfeição”.
VERGONHA
Palavra de diplomata: desmentido pelos fatos no caso do sumiço do avião da Air France, o ministro Nelson Jobim teria feito melhor se deixasse o caso para profissionais: oficiais da Marinha e da Aeronáutica.
RARO CONSENSO
Confederação Nacional da Indústria e Fiesp se uniram para sepultar na Câmara projeto permitindo ao credor de precatório receber antes o valor do título com deságio, quando o papel vai a leilão público.
PREPARANDO O RETORNO
O ex-ministro da Justiça e advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, acompanha os passos da ministra Dilma Rousseff, sempre que ela vai a São Paulo para o tratamento quimioterápico no hospital Sírio e Libanês.
PÕE NA CONTA
Passageiros da TAM (vôo 3112), de São Paulo para Belo Horizonte, tomaram um baita susto, ontem: o avião arremeteu quando praticamente tocava o solo. Segundo a empresa, “não houve nenhuma turbulência”.
DIA D
Hoje é comemorado o 65º aniversário do desembarque das forças aliadas na praia da Normandia, na França controlada pelos nazistas.

PODER SEM PUDOR
O CARRO COMO TROCO
Cansados do lero-lero de uma convenção regional do PSDB, em 1990, Fernando Henrique, José Serra, Sérgio Motta e Walter Feldman decidiram matar a fome numa churrascaria. Apertaram-se no carro de Feldman, um Corcel 1970 em petição de miséria. À saída do restaurante, Feldman coçou o bolso e disse que não tinha como gratificar o manobrista. Serjão sugeriu:
– Ofereça o seu carro. Talvez ele aceite...

DORA KRAMER

Fantasmas ao meio-dia

O ESTADO DE SÃO PAULO - 06/06/09

Perfeitamente incorporado à paisagem praiana do Rio de Janeiro, o ministro Carlos Minc causa espécie no ambiente do planalto. Não é o primeiro nem será o último personagem que aparece na capital da República imbuído da convicção de que, sendo peculiar, fará a diferença.

De vez em quando aparece um. Chama atenção, prende todos os interesses, divide opiniões, junta sempre muita gente, é assunto por um tempo, até que começa a pecar pelo exagero e entra na mira da máquina de moer boas imagens.

Carlos Minc está nesse ponto, pronto para a inflexão. No momento, o menor dos problemas do ministro do Meio Ambiente é a possibilidade de uma demissão. Desse mal não morre enquanto atender à necessidade do governo no tocante à concessão de licenças ambientais para as obras do PAC.

Esse risco também não corre enquanto mantiver acesa a chama da briga com os grandes produtores rurais. Coisa recente, segundo parlamentares na bancada que tiveram com Minc conversas “normais e cordiais” no ano passado.

Ao construir essa dicotomia, o ministro dificultou qualquer ação contra ele, pois o menor gesto seria visto como vitória dos “latifundiários”. Fica o presidente Luiz Inácio da Silva de mãos amarradas. Daí a segurança de Minc ao informar sua permanência “até o fim do governo”, antes mesmo da conversa formal marcada com o presidente para tratar da “algazarra” durante a ausência dele. Daí a retomada do ataque, em tom de deboche, sobre o desejo da bancada ruralista de cortar o “pescocinho do Carlinhos”.

Quanto mais tensão se mantiver entre ele e um grupo que não priva mesmo de boa fama, mais seguro fica no cargo, mais constrangimento as ONGs que reclamam da política ambiental do governo têm de ligar a queixa à pessoa de Carlos Minc, mais heroica parecerá sua posição, com mais consagração poderá sonhar na próxima eleição.

Enquanto se assiste ao conflito vazio, não se questiona a eficácia do ministro na administração das questões substantivas relativas ao ministério nem se contesta sua capacidade de acomodar interesses e avançar naquilo que lhe concerne: o manejo racional dos recursos do meio ambiente.

Mas, pelo jeito, Minc já percebeu que essa briga sempre esteve perdida. Ao governo importa pouquíssimo o destino do ambiente. Não é um tema que sensibilize a massa do eleitorado nem é algo que possa fazer frente a um robusto calendário de obras em cima de um palanque.

Se não quiser macular sua bem-sucedida trajetória de político e ambientalista, se não quiser sair por aí com a pecha de carimbador de licenças ambientais, Minc parece convencido de que terá de combater algum dragão da maldade para, no contraponto, ficar no papel de santo guerreiro.

Nada contra, é do jogo atuar para deleite da arquibancada. Apenas é preciso levar em conta aquele velho lema segundo o qual a esperteza, quando é muita, vira bicho e engole o dono. Até agora, a estratégica de Carlos Minc tem dado certo. Mas a falta de sutileza, o imperativo de marcar com tintas muito fortes sua posição, pode levar ao efeito contrário.

Tudo o que é demais, até o factoide, enjoa. E o ministro não tem sido muito hábil na calibragem do estilo carnavalesco, seu maior e mais poderoso inimigo. Muito mais que qualquer integrante da bancada ruralista.

Por ora, ainda há ali alguma intimidação, uma vez que no terreno dos simbolismos Minc é do “bem” e os produtores rurais são do “mal”. Ninguém em sã consciência quer briga com quem, em tese, é soldado do bom combate.

Mas, quando a insistência é muita, o público desconfia. Ele teria se saído razoavelmente bem da mais recente ofensiva – ou “algazarra” no dizer do presidente Lula – se tivesse parado no pedido de desculpas aos ruralistas por tê-los chamado de “vigaristas”.

Mas, não, resolveu insistir. Jactou-se da sustentação recebida para permanecer no cargo e, contrariando a promessa de ser mais cauteloso com as palavras, deu-se à imprudência de recrudescer. E aí já em termos de pura provocação, o que levanta nos eleitos como inimigos a forte suspeita de que ao reagir apenas batem palmas para o ministro dançar.

Minc sabe perfeitamente bem que o objetivo da “turminha” não é exibir como troféu o “pescocinho” nem a “picanha do Carlinhos”. Sabe que a agricultura no Brasil não é um valhacouto de vândalos interessados em transformar “nossos biomas em latifúndios, em monocultura”.

Sabe que o choque real de concepções se dá no governo. As derrotas de que reclama foram todas impostas dentro e não fora do governo. Portanto, Minc está fazendo, e de maneira consciente, uma guerra com fantasmas sob o sol do meio-dia, na impossibilidade de lutar contra os reais adversários, pelos motivos e com as armas certas.

Tenta ganhar a chamada guerra da comunicação, área de sua notória especialidade. Esquecido, porém, de que só existe um personagem na posse do salvo-conduto para exorbitar do verbo impunemente e o nome dele não é Carlos Minc.

O CHEFE DA QUADRILHA

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Após tragédia, Air France troca o sensor de aviões

- Folha: Mensagem indica que o leme do Airbus quebrou

- Estadão: Brasil taxa aço importado para conter invasão chinesa

- JB: Air France sabia de problema no sensor

- Correio: Como blindar seu dinheiro na crise

- Valor: Limite para queda dos juros opõe Fazenda e BC

sexta-feira, junho 05, 2009

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE
SEÇÃO » Direto ao Ponto

Jobim das Selvas ressurge no papel de especialista em desastres aéreos

4 de junho de 2009

Com uma farda de guerreiro da floresta no lugar do terno cinza-Brasília, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, invadiu Manaus no fim de 2007. Se tivesse um punhado de anos e algumas arrobas a menos, provavelmente teria aparecido fantasiado de Tarzan. Como o calendário e a balança o aconselharam a contentar-se com a imitação de Johnny Weissmuller já no crepúsculo da carreira, infiltrou duas letras no prenome do herói de cinema, transformou-se em Jobim das Selvas, proclamou que “a Amazônia tem dono”, colocou em fuga uma tropa de saguis, reduziu uma sucuri de quartel a prisioneira de guerra, declarou-se vitorioso e voltou a Brasília. Mais um que não perde chance de ser ridículo, sorriu o país atormentado pelo apagão aéreo a caminho do 1° aniversário.

Oito meses antes, no discurso de posse, o combativo gaúcho decolou no quinto parágrafo com a excitação de um piloto de caça na metade da pista do porta-aviões. Até então, tratara de justificar a fama de doutor muito sabido com a evocação de episódios protagonizados por nomes de rodovias, ruas, praças e avenidas. A aula foi encerrada com a frase atribuída a Benjamin Disraeli, duas vezes primeiro-ministro do império britânico no fim do século 19. “Never complain, never explain, never apologise”, caprichou. Caridoso com os muitos monoglotas presentes, cuidou de traduzir: “Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe”.

Então, já no papel de brigadeiro encarregado de livrar do colapso a aviação civil, arremeteu espetacularmente: “Aja ou saia, faça ou vá embora”. Formulada pela figura com mais de 100 quilos esparramados por quase 2 metros, a ameaça soou como um ultimato tremendo, quem tivesse culpa no cartório que se cuidasse, começaria naquele momento a contra-ofensiva reclamada pelo país desde outubro de 2006. Andorinhas voaram de costas, urubus ficaram brancos de medo, flagelados dos aeroportos correram para os portões de embarque, nuvens fugiram do céu ─ até ficar claro que Jobim não prestara atenção no próprio berreiro. Não agiu nem saiu. Não fez mas ficou. Só foi para a Amazônia brincar de encantador de sucuris.

Seis meses depois dos combates na mata, cada vez mais aflito com os sucessivos fiascos na guerra contra o apagão, foi embora de novo, agora para a França. No verão europeu de 2008, escoltado pelo ordenança Roberto Mangabeira Unger, ministro de problemas futuros, Jobim baixou em Paris fantasiado de almirante, submergiu num submarino, voltou à terra firme para deslocar-se até Moscou, fez cara de freguês exigente ao passar em revista a frota de submarinos russos, disse aos anfitriões ansiosos que precisava pensar melhor no negócio e retornou ao Brasil.

Sempre condescendentes, os compatriotas incluíram Jobim na categoria dos inimputáveis, ao lado dos loucos mansos, dos doidos de pedra e dos napoleões de hospício. Livre de vigilância, enfim resolveu agir e fazer. Negociou a venda de 300 mísseis ao Paquistão, divorciado desde a infância da vizinha Índia e em permanente noivado com terroristas, reiterou que o Brasil não assinaria o tratado que proíbe a fabricação de bombas de fragmentação e desapareceu nas coxias. Voltou repentinamente ao palco a bordo do acidente com a avião da Air France, desta vez no papel de especialista em desastres aéreos.

“A FAB detectou no mar uma faixa de cinco quilômetros com destroços de um avião. Não há dúvidas: são destroços do avião da Air France”, decretou durante uma espantosa entrevista coletiva. ”O que estamos fazendo aqui é a localização de sobreviventes, ou melhor, de restos”, começou a procissão de atentados à inteligência, ao bom-senso e à compaixão. ”Além dos corpos afundarem, a costa de Pernambuco tem o problema que vocês sabem”, jogou a isca. Um jornalista mordeu: era alguma referência a tubarões? “Sim”, respondeu Jobim, para produzir em seguida uma inverossímil dissertação sobre ruptura de abdomes. Há dois anos, Jobim sabia apenas que as poltronas dos aviões deveriam ser bem mais largas. ”Um homem com o meu tamanho não cabe nelas”, queixou-se. Já aprendeu um pouco mais, comprovou a entrevista. Mas não aprendeu a ter juízo.

Nem precisa aprender. No Brasil imerso na Era da Mediocridade, sensatez virou coisa de tempos remotos. Tanto assim que um Nelson Jobim foi deputado federal, chefiou o Supremo Tribunal Federal, hoje é ministro da Defesa e continua sonhando, por que não?, com a presidência da República.

DIOGO MAINARDI - PODCAST

PODCAST
Diogo Mainardi

4 de junho de 2009

Texto integral
O pigmeu de Pyangyong e o gigante maranhense

Kim Jong-Il, apresento-lhe José Sarney. José Sarney, apresento-lhe Kim Jong-Il.

Se Arnaldo Carrilho, o embaixador brasileiro na Coreia do Norte, cumprir a promessa de presentear Kim Jong-Il com os DVDs de Glauber Rocha, finalmente ocorrerá o encontro entre o "pigmeu de Pyangyong" - o apelido dado por George W. Bush - e o gigante maranhense.

Glauber Rocha fez um documentário sobre a posse de José Sarney no governo do Maranhão, em 1966. Título? Maranhão 66. O documentário reproduzia integralmente o discurso de posse de José Sarney, intercalando-o com cenas de miséria dos maranhenses. José Sarney, no palanque, proclamava: "O Maranhão não suportava o contraste de suas terras férteis, de seus vales úmidos, de seus babaçuais ondulantes e de suas fabulosas riquezas potenciais com a miséria, com a angústia, com a fome". Enquanto isso, na tela, Glauber Rocha exibia imagens de miséria, de angústia e de fome, reiterando didaticamente o discurso eleitoreiro de José Sarney.

Os glauberianos sempre argumentaram que, ao contrapor o discurso de posse de José Sarney às imagens de miséria, Glauber Rocha, na realidade, pretendia denunciar as falsas promessas do governador recém-eleito. Mentira. Maranhão 66 é pura propaganda política. Ele foi encomendado a Glauber Rocha pelo próprio José Sarney, sendo financiado pelo governo estadual. A rigor, aliás, quem o financiou foram os mesmos miseráveis mostrados no filme. José Sarney, eleito com o apoio do marechal Castelo Branco, contou também com o apoio do marketeiro baiano Glauber Rocha, predecessor daquele outro marketeiro baiano, Duda Mendonça. Maranhão 66 está para Glauber Rocha assim como a conta Dusseldorf está para Duda Mendonça.

Luiz Gutemberg, hagiógrafo de José Sarney, comentou o trabalho da seguinte maneira: "O filme concentra as esperanças que nasciam dos casebres, dos hospitais e, no meio de tudo, a voz de Sarney. Glauber, modificando a ciclagem da voz do novo governador, obteve um efeito emocionante e fez com que ela soasse como a voz de um vulto profético, fixando o choque entre o impossível, que a mensagem de esperança do novo governador anunciava, e a miséria que as imagens mostravam".

José Sarney ridicularizou a idéia de que Glauber Rocha pudesse ter qualquer propósito crítico, apresentando-o como um apaniguado cúmplice e obediente. Ele disse: "Quando fui eleito governador, o levei para fazer o documentário da posse. Ele se empolgou e fez. Eu também ajudei porque fiz, de certo modo, o roteiro do documentário, para fugirmos daquela coisa, para ver o contraste entre o que se encontrava e o que a gente desejava. E ele fez".

Maranhão 66 foi produzido por Luiz Carlos Barreto. E quem mais poderia ser? Atualmente, Luiz Carlos Barreto produz uma cinebiografia de Lula. Pena que Glauber Rocha tenha morrido, porque ele certamente se empolgaria com o projeto e o dirigiria. Seu filho, Erik Rocha, já dirigiu um documentário empolgado sobre Lula. De Maranhão 66 a Brasília 09, a política continua igual. E o cinema brasileiro continua igual: empolga-se e faz.

VAMOS TOMAR CACHAÇA


MUITA CACHAÇA E MUITA MULÉ GOSTOSA

O BLOG VAI COMPARECER

OBS: DISTRIBUIÇÃO DE COMIDAS PICAS PARA AS MULHERES

FIM DE SEMANA EM NATAL

UM ROTEIRO PARA O FIM DE SEMANA

Sexta-feira:

Corredor ecológico - Até hoje, no shopping Midway Mall, os visitantes poderão percorrer por um labirinto onde poderão vivenciar as três etapas da ação do homem na natureza, passando pelo "ontem", "hoje" e o "futuro". Artistas como Dorian Gray,Flávio Freitas, Sayonara Pinheiro, Jean Sartief, Isaías Ribeiro expõem seus trabalhos sobre Meio Ambiente. Das 10h às 22h. Entrada gratuita.

Praia - Arnaldo Farias e Trio anima hoje o São João do Praia Shopping, a partir das 21h.

Festa junina pop - "Festa Junina aqui é: Pop, Rock e música latina" é o slogan adotado pelo Budda Pub, em Ponta Negra, para sua programação neste mês de junho. Hoje, a atração é a banda Uskaravelho, que se apresenta a partir das 23h. R$ 10, até meia-noite. Tel.: 3219-2328.

Taverna Pub - Apresentação do músico mineiro Gleison Túlio, a partir das 23h, seguida de um especial com a banda Mobydick cantando sucessos de Roberto Carlos e Raul Seixas. Amanhã, Gleison terá sua última apresentação e quem estiver presente também vai poder curtir o som da banda Camba, que toca tudo de ritmos caribenhos. Os ingressos são vendidos no local. Tel.: 3236-3696.

Música eletrônica - A Dj Miss Cady comanda a vibe da boate Medievo, em Petrópolis. Considerada uma das melhores do Brasil, a Dj Ana Clara éespecialista em house e já se apresentou em cidades como Moscou e Paris. The Frois, Dj Maria Helena e Fam Mattos também estarão na casa animando a galera. Tel.: 8711-7777.

Sábado:

Fotografia - O Photoclube convida todos a participarem do lançamento do Fotografia - Jornal da Fotografia, espcializado no segmento da arte visual e regularidade mensal. O jornal será capitaneado pelos profissionais Marcus Ottoni e João Maria Alves. Será na Capitania das Artes neste sábado, a partir das 15h.

Teatro - O espetáculo A Bela e a Fera estará em cartaz no Teatro Alberto Maranhão neste sábado e domingo. Ingresso a R$ 20 (desconto de 50% para criança até 12 anos). Não foi informado horário das sessões. Contato: 3222- 3669 ou 3207-0383.

Country rock - Os meninos do Kentucky tocam no Budda Pub em Ponta Negra, a partir das 23 horas. Aproveite para levar chapéu e bota e curta o melhor do country rock. R$ 10 até meia-noite, com 50% de desconto aos 30 primeiros que enviarem e-mail para bandakentucky@gmail.com. Tel.: 9925-9553.

Arraiá - A 10ª edição do Arraiá do Pote recebe a cantora Irah Caldeira, Zé Hilton do Acordeon e Pingo & Forró de Primeira. Vendas antecipadas na Casa do Fiat e Tábua de Carne. Contato: 3081-3163 ou 9127-2339.

Rock - Começa neste sábado o festival de bandas covers The Monsters of Rock. As apresentações serão no Castelo Pub. Queem e Roling Stones serão as atrações do dia, a partir das 22h. Ingresso a R$ 5. Contato: 9117-8816.

Rua Chile - Mais uma edição da "E.Sessions", no Galpão 29, Ribeira. Sobem ao palco Roots Rock Revolution, Bee (Pum!), Dj Felps (RN) e Dj KaPosadzki. A festa começa às 23h. R$ 15 ou R$ 10 (com nome na lista).

Forró - O Forró do doutor em Macaíba (ao lado da Amarn - acesso pela Br 226) apresenta neste sábado Zezo, Luiz Almir, A Raposa do Nordeste e Tota Silva, a partir das 22h. Ingressos a venda a Doce Mel, Boutique, Happy Mall e farmácias Irmã Dulce a R$ 10 (individual) e R$ 60 (mesa).

Domingo:

Exposição de animais - No Praia Shopping, em Ponta Negra, os apaixonados por cachorros podem conhecer mais sobre as raças dos animais. A exposição acontecerá no estacionamento a partir das 8h.

Passeio - A bordo de um catamarã, Geraldo Carvalho canta canções de seu CD, "Um toque a mais" no projeto "Pôr-do-Som". O barco sai às 16h30 do Iate Clube. R$ 30 (incluindo drinque cortesia e buffet de aperitivos) ou R$ 45 (turistas com traslado). Tel.: 3088-1833 / 9999-4488.

Som da Mata - Uma edição especial do Som da Mata apresenta Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz neste domingo no Parque das Dunas, às 16h. Entrada Franca.

São João - Candieeiro Jazz (JubileuFilho, Sérgio Groove e Zé Hilton) se apresenta neste domingo no São João do Praia Shopping, a partir das 20h.

LOST: AVIÃO LOCALIZADO

A MARINHA VAI DESCOBRIR A ILHA DE LOST

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BRASÍLIA - DF

Os últimos serão os primeiros


Correio Braziliense - 05/06/2009

Dia desses, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão, perguntou ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), quando ele iria assinar o Minha Casa, Minha Vida, o programa de construção de casas do governo federal. Aécio foi direto: “Me convença que o programa é bom que eu assino na hora”. Simão prontamente marcou uma apresentação minuciosa. E Aécio se convenceu de que a proposta é factível, mas já tem em mente a ampliação, dentro do projeto pós-Lula.

***
O governador mineiro também soube que a meta de 1 milhão de casas que o atual governo propôs não vai se cumprir até dezembro do ano que vem. E a ideia de Aécio é justamente dizer que não só continuará o programa como tratará de aprimorá-lo para zerar o déficit habitacional do país. E, para não passar a ideia de que deseja atropelar o governador de São Paulo, José Serra, vai discutir o assunto com ele. Em tempo: os dois vão chegar juntos ao evento de agronegócio em Foz do Iguaçu hoje. A ordem no PSDB é mostrar unidade.


De seguro...

A Câmara contratou uma consultoria externa para emitir um parecer jurídico sobre como devem ser usadas as cotas de passagens aéreas que não foram gastas até 31 de dezembro de 2008. A consultoria jurídica da Casa opinou que, de acordo com a norma antiga, os valores poderão ser apropriados pelos deputados. Mas o presidente Michel Temer (PMDB-SP), por segurança, quer o respaldo de uma opinião alheia ao Legislativo antes de tomar a decisão final.

Abre-te, Sésamo

No Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentou ontem um projeto de resolução que obriga a Casa a divulgar semestralmente, na internet e no Diário do Senado, o nome de todos os empregados da Casa e seus rendimentos brutos. Será uma dura batalha. Trata-se do mais bem guardado segredo em toda a Esplanada dos Ministérios.

Reforço

A Casa Civil enviará ao Congresso, na próxima semana, o projeto de lei que prevê o pagamento de R$ 1,9 bilhão aos estados exportadores a título de compensação por perdas na receita com o ICMS. O governo promete liberar o dinheiro até 20 dias depois que os parlamentares aprovarem a proposta.

Data marcada

O presidente do PRTB, Levy Fidelix, convidou o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz e o ex-senador Luiz Estevão para ingressar no partido. Roriz apenas ouviu e ficou de voltar a conversar, dependendo do clima no PMDB. “As portas estão abertas para os dois. Vamos nos reunir novamente em julho”, contou Fidelix à coluna.

No cafezinho


Torcedor/ O ministro do Turismo, Luiz Barretto (foto), leva técnicos da Casa Civil a São Paulo hoje para conhecerem o projeto de reforma do estádio do Morumbi para a Copa de 2014. São paulino de carteirinha, Barretto reforça a pajelança para que a arena — considerada a mais problemática entre as 12 eleitas pela Fifa — seja escolhida para sediar a abertura do torneio. No páreo estão ainda Brasília e Belo Horizonte.

Vacinado/ Depois de colocar em seu blog uma enquete sobre quem foi o melhor presidente, na qual Lula venceu Fernando Henrique Cardoso, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) perguntou aos internautas se eram contra ou a favor do terceiro mandato. Anteontem, o tucano mandou encerrar a pesquisa quando o percentual de favoráveis começou a crescer vertiginosamente. O placar final foi fechado em 53% contra e 47% a favor.

Vai encarar?/ O deputado Eunício Oliveira fez o programa do PMDB no Ceará todo na linha de apoio ao presidente Lula, ao governador Cid Gomes (PSB) e à prefeita Luizianne Lins (PT). Os amigos do deputado agora comentam: “Quero ver a turma do Tarso Genro vir mexer com o PMDB agora”.

Ver para crer/ Quem esteve com José Serra esta semana garante: ele está no melhor dos mundos. No ano que vem, tem a possibilidade de ser candidato a gerenciar o primeiro ou o segundo orçamento do país, respectivamente, o da União ou o do estado de São Paulo. É uma posição tão confortável que ele está leve, solto, sorridente e brincalhão.

NELSON MOTTA

Olha o novo socialismo aí


O Globo - 05/06/2009

Pena que os velhos anarquistas mais libertários não viveram para ver um instrumento tão livre, poderoso e igualitário como a internet, que justamente por isso é tão temida pelas tiranias de esquerda ou de direita. Cada vez mais acessível a mais gente, ela nivela e aproxima, dá voz e imagem a todos e a qualquer um, é um espaço de liberdade e independência que cresce em proporção aos avanços tecnológicos que tornam as máquinas mais rápidas e potentes, mais leves e baratas.

É nesse território livre que surgem as primeiras evidências do que Chris Anderson chama de - whaall! - "Novo Socialismo" em texto-bomba na revista "Wired". A Wikipedia é um exemplo da socialização da informação, gratuita e mantida por contribuições voluntárias. Sem nenhuma interferência do Estado. Assim como as novas formas de compartilhamento, de troca de arquivos, os sites de buscas, o You Tube, significam uma inédita socialização da informação, do lazer, da arte e da opinião.

A diferença é que não são conquistas feitas pelos métodos totalitários e repressivos de Estados fortes, mas pela liberdade e o empreendedorismo só possíveis em sociedades abertas. Nenhum Estado comunista investiria nessas tecnologias de informação e comunicação, só para fins militares ou de propaganda. Se alguém ler para Hugo Chávez o texto da "Wired", o Beiçola vai levar um susto ao descobrir que o que ele chama de socialismo do século XXI é do XIX: o do terceiro milênio está na internet. Bytes o muerte, compañero!

Enquanto isso, em Brasília, anuncia-se mais um "fórum" para tentar encontrar instrumentos da democracia para instituir controles e limitações à imprensa, com o objetivo de "democratizar a informação", como se nossos jornais, rádios e televisões já não disputassem ferozmente a preferência do público e dos anunciantes, todos competindo pelas melhores produções, para todos os gostos.

Mas, com as lan houses se espalhando pelas cidades, computadores cada vez mais baratos e redes sem fio por toda parte, como é que eles vão fazer o "controle social" de 65 milhões de brasileiros on-line? Estão atrasados, mais uma vez.

O IDIOTA


PANORAMA POLÍTICO

Múcio no TCU

Ilimar Franco
O Globo - 05/06/2009

O presidente Lula vai indicar o nome do ministro José Múcio (Relações Institucionais) para o Tribunal de Contas da União. Ele vai substituir Marcos Vilaça, que se aposenta este mês. O governo concluiu que precisa da secretária-executiva Erenice Guerra na Casa Civil e que seu nome teria dificuldades de passar no Senado. Entre a indicação e a aprovação de Múcio no Congresso, Lula terá tempo para escolher um novo coordenador político.

Para aecistas, pesquisa não é critério

O governador José Serra (SP) continua liderando as pesquisas, e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) superou o governador Aécio Neves (MG) na corrida para a Presidência. Mas o tucano mineiro insiste nas prévias e está em campo para que sua candidatura seja conhecida. Um de seus aliados, o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB- MG) diz que a prévia é melhor que a pesquisa: "Se valesse o critério da pesquisa, o Gilberto Kassab (DEM) não seria prefeito de São Paulo e a turma do Serra teria apoiado a candidatura do Geraldo Alckmin (PSDB)". Os aliados de Aécio dizem que seu nome representa a renovação e é o que mais agrega.

Em 1974, ninguém queria enfrentar o Carvalho Pinto. O Quércia foi lá e ganhou a eleição para o Senado" - José Anibal, líder do PSDB (SP), dizendo que o favoritismo não transforma uma candidatura em imbatível

DESGASTE. Ironia do destino. O instituto das Comissões Parlamentares de Inquérito está tão desgastado que até o painel sobre o tema, no chamado Túnel do Tempo do Senado, está em manutenção porque está quase caindo. Enquanto isso, a instalação da CPI da Petrobras está emperrada, a das ONGs não consegue decolar e a última concluída, a dos Cartões Corporativos, foi um verdadeiro fiasco.

Novo endereço

A Confederação Nacional da Indústria, criada em 1938, desativou suas instalações no Rio de Janeiro. A CNI vai abrir um novo escritório em São Paulo. A sede da entidade já tinha sido transferida para Brasília com a mudança da capital.

CPI do Canecão

Na tribuna, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) citou como exemplo de mau uso dos recursos da Petrobras os patrocínios à "boate" Canecão. O tucano denuncia que a mais tradicional casa de espetáculos do Rio recebeu R$22,5 milhões.

Segurança no Santos Dumont

O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) vai notificar em cartório a presidente da Anac, Solange Vieira, e o presidente da Infraero, Cleonilson Nicácio, para que eles informem que providências estão sendo tomadas para garantir a segurança da pista do aeroporto Santos Dumont. Segundo o Sindicato dos Aeronautas, a pista principal está com sua camada porosa de asfalto vencida desde dezembro de 2007.

Brizola Neto: "Com a direita, não"

O líder do PDT na Câmara, Brizola Neto (RJ), não gostou da declaração simpática ao governador Aécio Neves feita pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho). Diz que elas devem ser vistas como uma gentileza. Afirma que em seu partido não há alinhamento automático, mas que uma aliança com o PSDB em 2010 está descartada. Ele explica: "Não vamos fazer aliança com a direita. A privatização e as reformas trabalhista e da Previdência tornaram o PSDB muito pesado".

DESAPROPRIAÇÕES. O governo vai deixar por último a divulgação do trajeto do trem-bala que vai ligar o Rio a São Paulo para evitar a especulação imobiliária.

RÉU no processo do mensalão, o ex-deputado Professor Luizinho (PT) não é atendido por uma banca famosa de advocacia, como seus companheiros, mas por um defensor público.

EM SEU BLOG, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, diz que, a exemplo do ministro Carlos Lupi (PDT), "nós (PTB) também aguardamos a movimentação de Aécio Neves".

MÍRIAM LEITÃO

A insensatez


O Globo - 05/06/2009

O confronto entre ruralistas e ambientalistas é completamente insensato. Mesmo se a questão for analisada apenas do ponto de vista da economia, são os ambientalistas quem têm razão. Os ruralistas comemoram vitórias que se voltarão contra eles no futuro. Os frigoríficos terão que provar aos supermercados do Brasil que não compram gado de áreas de desmatamento.

O mundo está caminhando num sentido, e o Brasil vai em direção oposta. Em acelerada marcha para o passado.

O debate, as propostas no Congresso, a aprovação da MP 458, os erros do governo, a cumplicidade da oposição, tudo isso mostra que a falta de compreensão é generalizada no país.

A fritura pública do ministro Carlos Minc, da qual participou com gosto até o senador oposicionista Tasso Jereissati (PSDB-CE), é um detalhe. O trágico é a ação pluripartidária para queimar a Amazônia.

Até a China começa a mudar. Nos Estados Unidos, o governo George Bush foi para o lixo da história. O presidente Barack Obama começa a dirigir o país em outro rumo. Está tramitando no Congresso americano um conjunto de parâmetros federais para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O que antes era apenas um sonho da Califórnia, agora será de todo o país.

Neste momento em que a ficha começa a cair no mundo, no Brasil ainda se pensa que é possível pôr abaixo a maior floresta tropical do planeta, como se ela fosse um estorvo.

A MP 458, agora dependendo apenas de sanção presidencial, é pior do que parece. É péssima. Ela legaliza, sim, quem grilou e dá até prazo. Quem ocupou 1.500 hectares antes de primeiro de dezembro de 2004 poderá comprá-la sem licitação e sem vistoria. Tem preferência sobre a terra e poderá pagar da forma mais camarada possível: em 30 anos e com três de carência. E, se ao final da carência quiser vender a terra, a MP permite. Em três anos, o imóvel pode ser passado adiante. Para os pequenos, de até quatrocentos hectares, o prazo é maior: de dez anos. E se o grileiro tomou a terra e deixou lá trabalhadores porque vive em outro lugar? Também tem direito a ficar com ela, porque mesmo que a terra esteja ocupada por "preposto" ela pode ser adquirida. E se for empresa? Também tem direito.

Os defensores da MP na Câmara e no Senado dizem que era para regularizar a situação de quem foi levado para lá pelo governo militar e, depois, abandonado.

Conversa fiada. Se fosse, o prazo não seria primeiro de dezembro de 2004.

Disseram que era para beneficiar os pequenos posseiros. Conversa fiada. Se fosse, não se permitiria a venda ocupada por um preposto, nem a venda para pessoa jurídica.

A lei abre brechas indecorosas para que o patrimônio de todos os brasileiros seja privatizado da pior forma. E a coalizão que se formou a favor dos grileiros é ampla. Inclui o PSDB. O DEM nem se fala porque comandou a votação no Senado, através da relatoria da líder dos ruralistas, Kátia Abreu.

Mais uma vez, Pedro Simon (PMDB-RS), quase solitário, estava na direção certa.

A ex-ministra Marina Silva diz que o dia da aprovação da MP 458 foi o terceiro pior dia da vida dela.

- O primeiro foi quando perdi meu pai, o segundo, quando Chico Mendes morreu - desabafou.

Ela sente como se tivesse perdido todos os avanços dos últimos anos.

Minha discordância com a senadora é que eu não acredito nos avanços. Acho que o governo Lula sempre foi ambíguo em relação ao meio ambiente, e o governo Fernando Henrique foi omisso. Se tivessem tido postura, o Brasil não teria perdido o que perdeu.

Só nos dois primeiros anos do governo Lula, 2003 e 2004, o desmatamento alcançou 51 mil Km. Muitos que estavam nesse ataque recente à Floresta serão agora "regularizados".

O Greenpeace divulgou esta semana um relatório devastador. Mostrando que 80% do desmatamento da Amazônia se deve à pecuária. A ONG deu nome aos bois: Bertin, Marfrig, JBS Friboi são os maiores. O BNDES é sócio deles e os financia. Eles fornecem carne para inúmeras empresas, entre elas, as grandes redes de supermercados: Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar.

Reuni ontem no programa Espaço Aberto, da Globonews, o coordenador do estudo, André Muggiatti e o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Sussumu Honda. O BNDES não quis ir.

A boa notícia foi a atitude dos supermercados. Segundo Sussumu Honda, eles estão preocupados e vão usar seu poder de pressão contra os frigoríficos, para que eles mostrem, através de rastreamento, a origem do gado cuja carne é posta em suas prateleiras.

Os exportadores de carne ameaçam processar o Greenpeace. Deveriam fazer o oposto e recusar todo o fornecedor ligado ao desmatamento. O mundo não comprará a carne brasileira a esse preço. Os exportadores enfrentarão barreiras. Isso é certo.

O Brasil é tão insensato que até da anêmica Mata Atlântica tirou 100 mil hectares em três anos.

Nossa marcha rumo ao passado nos tirará mercado externo. Mas isso é o de menos. O trágico é perdermos o futuro. Símbolo irônico das nossas escolhas é aprovar a MP 458 na semana do Meio Ambiente.