quinta-feira, junho 04, 2009

PAINEL

Palocci revisitado

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/06/09

Lula, que mais de uma vez manifestou a colaboradores o desejo de ver Antonio Palocci disputar o governo de São Paulo, tem agora um novo roteiro na cabeça para seu ex-ministro da Fazenda. Se o STF arquivar a denúncia contra Palocci no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o primeiro passo seria reincorporá-lo ao governo numa pasta de "médio porte", na qual ficaria até a desincompatibilização de Dilma Rousseff, no final de março de 2010. Aí assumiria a Casa Civil. Nessa posição, em caso de vitória da candidata do PT, seria o "homem de Lula" na transição -e eventualmente no futuro governo.
No aspecto eleitoral, a ideia é que o processo pavimente a candidatura a prefeito de São Paulo em 2012.



PT saudações. O chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho tem telefonado a colegas petistas para avisar que não será mesmo liberado por Lula para assumir a presidência do partido. Isso aumenta as chances de José Eduardo Dutra ser escolhido candidato pelo antigo Campo Majoritário, que se reunirá amanhã e sábado em São Paulo. 

Reprise. A dianteira de Tarso Genro no Datafolha para o governo gaúcho não tranquilizou o PT. O partido vê no bom desempenho de José Fogaça (PMDB) o risco de mais uma vez ser derrotado por isolamento no segundo turno. 

Chá e simpatia. Antes de começar a exposição do sétimo balanço do PAC, Dilma Rousseff passou um sabão nos demais ministros-expositores. "Vocês já cumprimentaram o presidente da Comissão de Infraestrutura?", perguntou. Ato contínuo, formou-se uma fila para saudar o senador Fernando Collor (PTB-AL), que retribuiu a gentileza com uma reverência formal à chefe da Casa Civil.

Palmatória. Alfredo Nascimento (Transportes) e Carlos Minc (Meio Ambiente), que no balanço do PAC voltaram a se estranhar, serão chamados às falas hoje por Lula. O objeto da discórdia é o licenciamento da BR-319. O presidente cobrará Minc por ter lhe dito, há duas semanas, que não havia problema ambiental nenhum com essa obra.

Sem recibo. A apresentação sobre o PAC colocou frente a frente, no auditório do Itamaraty, os desafetos Geddel Vieira Lima e José Sérgio Gabrielli. "Geddel, pode ficar tranquilo, não sou candidato ao Senado", afirmou o presidente da Petrobras. "Nem eu", replicou o ministro da Integração Nacional.

Síndico. Responsável pela administração dos apartamentos funcionais do Senado, o terceiro-secretário, Mão Santa (PMDB-PI), antecipou ontem a colegas o valor da conta que pretende apresentar ao ministro Hélio Costa (Comunicações) por recebimento indevido de auxílio-moradia: R$ 173 mil. 

Feudos. Ao insistir em colocar na CPI um relator que se reporte antes a ele do que ao governo, Renan Calheiros (PMDB-AL) cuida de blindar suas duas posições na Petrobras: o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto da Costa.

Da poeira. Noveleiro contumaz, Romero Jucá (PMDB-RR) faz graça com o fato de ser rejeitado pelo líder de seu próprio partido para ocupar o cargo mais estratégico da CPI da Petrobras: "Virei o relator dalit". Trata-se de referência aos "intocáveis" da sociedade indiana, retratados na trama de "Caminho das Índias". 

Nu e cru. Chamou a atenção dos jornalistas o vocabulário explícito de Nelson Jobim na entrevista coletiva sobre as buscas ao avião da Air France que caiu no Atlântico no trajeto Rio-Paris. Em tom professoral e segurando uma varinha, o ministro da Defesa falou em "restos de corpos" e "abdomens intactos" sem a menor cerimônia.

com VERA MAGALHÃES e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

"Do jeito que a Dilma está crescendo, logo logo o Serra será Aécio desde criancinha." 

Do deputado VIC PIRES (DEM-PA), sobre a mais recente rodada de pesquisas a respeito da sucessão presidencial de 2010.

Contraponto 

Demo-petista Aguerrida oposicionista no Senado, Kátia Abreu adotou tom conciliador ao se apresentar ontem, como presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, para almoço com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
A senadora "demo" enumerou polidamente as sugestões da CNA para o plano de safra de 2011, destacando a necessidade de opções mais baratas de crédito ao produtor. Para concluir a exposição, brincou:
-Que tal lançar o "Minha Roça, Minha Vida"?
Paulo Bernardo pegou a deixa e foi além:
-Ótima ideia! E você poderia fazer o lançamento do programa junto com a Dilma...

GOSTOSA


CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

COISAS DA POLÍTICA

A fronteira da tecnologia

Mauro Santayana

JORNAL DO BRASIL - 04/06/09

Em um dos primeiros testes com o sistema fly-by-wire, criado para a Força Aérea norte-americana, o avião, um F-16, caiu, matando o piloto. Entre essa primeira vítima e o desastre com o vôo 447, da Air France, vários acidentes, com os modernos Airbus, foram atribuídos à preponderância da inteligência artificial sobre o livre arbítrio dos pilotos. Em julho de 2007, em Congonhas, na maior tragédia aérea ocorrida no Brasil, segundo alguns especialistas, houve a aceleração do aparelho, em lugar da frenagem, e a impossibilidade da correção humana. "Desacelera!", gritou um dos pilotos. "Não consigo!", respondeu o outro.

Tal como o HAL-9000, o computador central da nave de Uma odisséia no espaço, filme de Stanley Kubrick, de 1968, esses modernos sistemas eletrônicos de voo levam aos pilotos informações falsas. Em outubro do ano passado, um Airbus 330-303, da empresa Qantas, que decolara de Singapura rumo a Perth, na Austrália, voava a 37 mil pés, quando o piloto automático se desligou. Imediatamente o sistema fly-by-wire começou a sinalizar panes múltiplas no avião, que entrou em pique, caindo 650 pés. Restabelecido o nível do voo, houve nova queda de 400 pés. Os pilotos entraram em contato com o controle de terra e pediram autorização para descer, antes, em Learmonth. Felizmente era ao meio do dia, com boa visibilidade.

O relatório do voo da Qantas, examinado pela Easa, levou a agência que controla a segurança aérea na Europa a advertir os pilotos dos Airbus dos riscos com o sistema, em nota emitida em 16 de janeiro deste ano. Nela, a agência relata o que ocorrera com o avião da Qantas, e avisa que o sistema fly-by-wire emitira aleatoriamente informações de perda de velocidade (stall), de aumento de velocidade e de outras alterações, que não correspondiam à realidade, além de levar o aparelho aos dois piques sucessivos. Seria de esperar que, diante dos acidentes já registrados, e da experiência vivida pelos pilotos da Qantas, a agência europeia de segurança aérea houvesse recomendado o recolhimento dos Airbus e a reconstrução do sistema fly-by-wire. Ao que parece, a vida humana é menos importante do que o interesse dos fabricantes e operadores de aviões, que tampouco tomaram qualquer providência.

Esses acidentes repetidos desmentem a supremacia da máquina sobre o homem, na tomada de decisões. A metáfora do cavalo sempre foi usada por alguns pilotos, para explicar as suas relações com os aviões. Há, sem embargo, uma diferença: ser vivo, o cavalo tem, como o homem, o instinto de sobrevivência, e, com a decisão de salvar a própria vida, ajuda a salvar o cavaleiro. Os computadores, não. Tal como Hal estava programado para assegurar o cumprimento da missão espacial da nave, mesmo contra a vontade de seus tripulantes, o sistema fly-by-wire foi programado para substituir funções humanas. Nos primeiros voos comerciais transatlânticos, havia cinco tripulantes na cabine: o comandante, o copiloto, o engenheiro de voo, o navegador e o radiotelegrafista. Primeiro foi eliminado o radiotelegrafista. Em seguida, dispensado o navegador. E a exacerbação da tecnologia, com o fly-by-wire, fez desaparecer o engenheiro de voo.

Logo depois da histórica travessia do Atlântico Norte, em 1927, o grande piloto Charles Lindenbergh, ao relatar sua experiência, definiu o que o voo significava para ele. Outros conhecidos pilotos disseram mais ou menos a mesma coisa: "Havia momentos em que eu tinha a sensação de ter escapado da mortalidade, e, ao olhar a terra embaixo, me sentia como se fosse um deus". De todos os desafios vencidos pelo homem, ao longo dos milênios, o do voo é o que mais fascina. Talvez por isso mesmo tenha sido tão rápida a evolução dos aviões. Quarenta e um anos depois do primeiro voo de Santos Dumont, as hélices foram substituídas pela propulsão a jato, 14 anos mais tarde, em 1961, Gagarin iria ao espaço, abrindo a rota para que, em 1969, o homem chegasse à Lua.

Muitos pensadores concluem que a tecnologia deve estar submetida a um imperativo ético, como lembra sempre o teólogo Leonardo Boff. Georg Friedrich Junger e outros reduzem a importância da técnica na vida dos homens, ao dizerem que ela significa mais trabalho, mais desperdício, mais destruição, maior opressão.

Desastres como o da Air France nos conduzem à constatação de que a tecnologia não pode servir, ao mesmo tempo, à libertação do homem e à multiplicação ilimitada dos lucros, a Deus e a Mamon. O Deus do dinheiro tem em Tanatos, a divindade da morte, um sócio fiel.

INFORME JB

Câmara quer evitar ser refém do STF

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 04/06/09

Na terça-feira, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP) (D), antes da conclusão da reunião de líderes, convocou o grupo para comparecer amanhã, às 8h30, a fim de tratar de assuntos ligados a projetos de reforma política. Mas adiantou a pauta. No encontro de hoje, vai discutir com os líderes maneira de a Câmara tomar a frente no assunto antes que os pontos polêmicos – todos ainda longe do consenso – acabem nas mãos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como, recentemente, o caso da fidelidade partidária. Seria uma vergonha para o Legislativo, pensam todos. A estratégia é tratar logo do assunto, chegar a um pacote para colocar em votação e evitar que algum deputado leve a questão ao presidente do STF, ministro Gilmar Mendes (E).

Notívagos Reformas

Uma reunião acalorada entre poucos, consumiu o tempo que restou de uma cansativa quarta, dia 27, no gabinete de Michel Temer, na Câmara, depois das 22h.

O encontro de Temer com Cândido Vaccarezza (PT-SP), Edinho Bez (PMDB-SC) e Sandro Mabel (PR-GO), sobre reformas estruturantes, acabou sem solução. Edinho, pela Política, e Mabel, PELA pró-tributária, estão cobrando a pauta.

Maldade pura

Funcionários brasileiros e franceses da Air France no Rio estão horrorizados. A maioria das ligações para o serviço telefônico 0800 que lançaram para atendimento sobre o desastre aéreo é de piadistas anônimos e trotes.

PDT 2010

Um encontro ontem do ministro Carlos Lupi, do Trabalho – presidente licenciado do PDT – com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) delineou o que pode vir por aí em 2010.

Cristovam...

Sobressaiu-se nas entrelinhas que: José Serra (PSDB) não está nos planos do partido. E a candidatura própria é outra alternativa. O PDT pretende lançar novamente Cristovam, depois do aval do Planalto, claro.

...o retorno

O PDT vai pedir aos institutos que incluam o nome do senador nas sondagens para 2010. Em 2006, Cristovam teve 2,5% dos votos

Celular-pop

Quem adorou a ideia do celular-popular de Marcio Fortes (Cidades) foi o cacique do PP, senador Francisco Dornelles.

Dr., a pressão

Ontem o senador Paulo Duque (PMDB-RJ), cotado para relator da CPI da Petrobras, não aguentou o assédio de jornalistas e colegas em cima dele. Por volta das 16h15, entrou muito discretamente no serviço médico do Senado. E lá ficou um bom tempo.

Precedente

Certa vez no Rio, em tumultuada reunião do PMDB, Duque não aguentou ficar de pé durante 15 minutos de discurso de Anthony Garotinho, e desabou em desmaio, atrás da mesa diretora.

Óleo estatal

O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) protocolou a PEC da Petrobras, com 224 assinaturas. Quer incluir cláusula clara: "A estatal não pode ser privatizada".

É guerra

O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) recolhe assinaturas para moção de repúdio ao juiz da 16ª Vara Federal que determinou o retorno do menino Sean Goldeman aos Estados Unidos.

Na UTI

A Câmara vai encaminhar ao ministro da Saúde, José Temporão, relatório de vistoria feita por comissão de deputados que visitou hospitais estaduais e municipais do Pará. "A população está sofrendo descaso", diz o documento.

Sr. Fome Zero

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, comandou um workshop em países da América Central sobre o Bolsa Família, que estão adotando o programa. Volta animado.

Prato feito

Na Guatemala, o famoso Restaurante Popular aqui lá é chamado de Almoço Econômico.

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

Ostentação nuclear

O GLOBO - 04/06/09

A Any Bourier, jornalista brasileira que mora há anos em Paris e viajou muito pelo Extremo Oriente, tem um livro pronto sobre a Coreia do Norte, o país mais excêntrico que já visitou. Agora que a Coreia do Norte está no noticiário com sua ostentação nuclear e seus curiosos hábitos políticos, seria o caso de publicarem o livro para pelo menos nos ajudar a entender que país é esse, e o que ele pode aprontar.
Li que a sucessão do atual líder Kim Jong-il, que está doente, já foi decidida: o sucessor será seu filho menor Kim Jong-un, cuja principal credencial para o cargo é sua semelhança física com o pai. O filho do meio, Kim Jong-chol, nem teria sido cogitado porque é muito feminino. E o mais velho, Kim Jong-nam, a escolha natural para continuar a dinastia que governa o país há anos, desgostou o pai quando arranjou um passaporte forjado para entrar com um nome falso no Japão, pois queria conhecer a Disneylândia local. Aparentemente, o próprio pai decidiu que dar mísseis nucleares para o Kim Jong-nam brincar seria um pouco demais.
A Coreia do Norte é o primeiro novo membro do clube nuclear em muitos anos. Mesmo com toda a sua estranheza e imprevisibilidade, é improvável que use seus mísseis em ataques à Coreia do Sul ou ao Japão, os inimigos mais à mão, a não ser que os Kim Jongs queiram se suicidar. Ameaças muito maiores ao sossego do mundo são os arsenais nucleares da Índia e do Paquistão, que vivem em estado de guerra. E para bombas nucleares do Paquistão caírem eventualmente em mãos do Taliban e da Al Qaeda só falta a eventualidade.
A impressão que se tem é que as armas nucleares da Coreia do Norte fazem parte mais de uma megalomania teatral do que de qualquer estratagema mais doido. Como o carro de luxo usado só para dar a volta na quadra e provocar inveja nos vizinhos.
EMPATIA
Sentimos tragédias como a do avião da Air France com uma empatia mais dolorosa porque podemos imaginá-las, porque já as imaginamos muitas vezes. Nada na nossa experiência nos permite saber como seria morrer num tsunami, por exemplo, ou num ato de guerra. Claro que a morte de qualquer ser humano, em qualquer circunstância, nos toca, mas é mais terrível a morte que nos faz pensar: podia ser eu. 

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO


ANCELMO GÓIS

“PARDON, BRÉSIL”

O GLOBO - 04/06/09
 
Sônia Bridi, a coleguinha correspondente da TV Globo na França, conta que, depois da tragédia com o Airbus da Air France, tem sido parada nas ruas de Paris quando percebem que é brasileira:
– Os franceses não perdem a oportunidade de nos dizer como sentem profundamente o que aconteceu. Terça, fui a uma farmácia e a francesa saiu de trás do balcão para me abraçar. Nunca imaginei essa cena um dia.
SEGUE... 
Sônia continua:
– Os vizinhos, os garçons, a mulher da banca de jornais... Todos param meu filhinho com a babá na rua para saber se estamos bem e mostrar solidariedade. Porque o acidente envolve duas empresas francesas, Air France e Airbus, e eles se sentem quase culpados. Outros brasileiros relatam situações idênticas.
CPI DA PETROBRAS
Um dos alvos da oposição é investigar o fretamento de navios da Petrobras, área do diretor Paulo Roberto Costa.
Em dezembro, a estatal tinha uns 100 navios fretados.
ESTATAL ELÉTRICA
Não é só Obama que anda estatizando. Aqui na terra, avança a conversa para que a Eletrobrás assuma a Celpa, do grupo privado Rede Energia.
DIGESTÃO DIFÍCIL
Não tem sido fácil para a Perdigão digerir a Sadia.
Os problemas não são poucos, a começar pelas ações movidas em Nova York por acionistas da Sadia contra a empresa engolida.
É GRAVE A CRISE 
O bom e velho Café Lamas, há 135 anos endereço do bom chope no Rio, começou terça a testar, quem diria?, um horário de fechamento mais cedo.
Em vez de 3 ou 4 horas, fecha agora à 1 hora e só vai até depois disso nos fins de semana.
GUERRA E PAZ 
A ONU, por causa de dois anos de obras em sua sede, em Nova York, decidiu entregar ao Projeto Portinari a guarda dos painéis Guerra e Paz, doados pelo governo JK, em 1957.
João Candido Portinari, filho do pintor, planeja expor os dois em Paris e Londres, em 2010, e em São Paulo e no Rio, em 2011, antes de devolvê-los.
ALIÁS... 
Na inauguração dos painéis, na ONU, JK estava presente. Mas Portinari, comunista boa parte da vida, teve o visto negado pelos EUA, que viviam o auge do macarthismo.
CAMPO DE AZULÃO
O que se diz no setor é que a Exxon Mobil e suas parceiras não encontraram óleo comercial no segundo poço perfurado no Campo de Azulão, no pré-sal.
O primeiro poço, como se sabe, revelou-se tão promissor que foi apontado como capaz de competir com Tupi em volume de reservas.
O “JULGAMENTO”
Alunos do Centro Acadêmico do curso de direito da PUC-Rio vão promover um ato contra o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, no pilotis da universidade, terça, dia 9.
Um boneco inflável, tipo João Buracão, ficará numa mesa, enquanto o pessoal debate “decisões polêmicas do ministro”. 
HORAS DE VOO
Lula, que já tem mais horas de voo que muito piloto, vai a Genebra, dia 15 agora, para a Conferência Internacional do Trabalho.

CLÓVIS ROSSI

Brincadeira besta

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/06/09

SÃO PAULO - Luiz Inácio Lula da Silva não é apenas a metamorfose ambulante, como se autodefiniu, mas também a contradição itinerante, de que dão prova as suas declarações na Guatemala sobre mais de uma reeleição.
Primeiro, o presidente repete o que já disse várias vezes: não quer a re-reeleição porque não brinca com a democracia.
Ainda se dá ao luxo de ser explícito no formato que tomaria a "brincadeira", se levada avante: "Alguém que quer o terceiro mandato pode querer o quarto, pode querer o quinto, pode querer o sexto". Bingo. Perfeito. Por que diabos, então, Lula acha que seus amigos Álvaro Uribe (Colômbia) e Hugo Chávez (Venezuela) podem querer brincar com a democracia?
Alguém precisa ensinar o presidente, que aprende fácil, que há uma colossal diferença entre o parlamentarismo europeu, que permite reeleições sucessivas, e o presidencialismo praticado na América Latina. Por estas bandas, o regime é imperial. Não valem ou não funcionam os "checks and balances" (pesos e contrapesos, em tradução livre) de que se orgulham por exemplo os Estados Unidos.
No parlamentarismo, quem governa é o Parlamento, como aliás o nome indica. Por estas bandas, os Congressos são invariavelmente uma caricatura de poder, que não pode nada, submetido aos desígnios do todo poderoso Executivo.
No parlamentarismo, chefes de governo são destituídos sem dor, pelo voto de desconfiança. Às vezes, burocraticamente, como aconteceu com Margaret Thatcher, trocada como líder dos conservadores e, portanto, como primeira-ministra. No presidencialismo, é inescapável um doloroso processo de "impeachment". Por estas bandas, reeleições indefinidas geram caudilhos nada brincalhões -e caudilhismo nunca termina bem.

FARINHA LACTEA


VALDO CRUZ

Por quê?

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/06/09

BRASÍLIA - Até aqui acredito nas palavras do presidente Lula quando diz não desejar um terceiro mandato consecutivo, uma re-reeleição. Só que, vez ou outra, quase sempre, o petista dá umas indiretas que contribuem para confundir e deixar dúvidas no ar.
Se realmente não quer entrar nessa história embalada por alguns aliados, por que Lula diz coisas do tipo: "E isso [a nova reeleição], se for feito democraticamente, ainda é assimilável"?
Ou, então, por que ele insiste na lengalenga de que as mesmas críticas dirigidas a presidentes latino-americanos não são feitas a premiês europeus que ficam até "18 anos" no poder?
Será que ele usa esse argumento por desinformação ou com outros objetivos? Afinal, ele deve saber a diferença entre parlamentarismo e presidencialismo. Ou não?
Os premiês sempre citados por Lula, ao contrário dos presidentes latino-americanos, estão sujeitos ao "voto de confiança". Podem cair com um mês de governo se não tiverem apoio do Parlamento.
Partindo do pressuposto de que Lula é sincero ao dizer que não quer, algum objetivo ao insistir nessa tecla ele tem. Não creio ser gratuito. Daí considerar que a ameaça da re-reeleição lhe é muito útil, alimentando seu poder.
O fato é que, mesmo que desejasse, o prazo hoje é por demais exíguo para aprovar no Congresso tal iniciativa. Lula sabe disso. Então, para não ficar reclamando de seus críticos, ele bem que poderia parar de falar nessas teses. Por que não?
No artigo sobre o auxílio-voto, fiz uma classificação genérica de que os juízes ganhavam o benefício para dar um "votinho extra". Não quis dizer que era apenas um voto, mas passou essa leitura. Diante das críticas e para ser preciso, corrigi a informação dizendo que o pagamento se devia a vários votos, pelo trabalho realizado ao longo do mês.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ir ao Supremo é o último recurso”
ÁLVARO DIAS (PSDB-PR) SOBRE A INSTALAÇÃO DA TEMIDA CPI DA PETROBRAS NO SENADO

PRAÇA DE NIEMEYER CUSTARIA R$ 100 MILHÕES 
Autêntico monumento ao mau gosto, a mais recente criação chancelada pelo arquiteto Oscar Niemeyer para Brasília, a “Praça da Soberania” – um gigantesco tapete de cimento no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, com obelisco que mais parece um chifre de rinoceronte com 50m de altura – custaria cerca de R$ 100 milhões (R$ 3 milhões para ele, pelo projeto), segundo estima a Secretaria de Obras do governo do DF.
NINGUÉM MERECE
Gentil, o governo do DF alegou “falta de verbas” para recusar a praça de Niemeyer. Mas, além de caro, o projeto foi rejeitado porque é muito feito.
SEM LICITAÇÃO
Há três outros projetos de Oscar Niemeyer em execução no DF, todos vendidos ao governo sem licitação ao custo de R$ 4,5 milhões.
FATURANDO ALTO
Niemeyer vendeu ao DF os projetos do Sambódromo (R$ 902,8 mil), da Torre de TV Digital (R$ 2,3 milhões) e da Praça do Povo (R$ 1,3 milhão).
BAGUNÇA
Agência do Banco do Brasil no Ministério das Relações Exteriores expõe um cartaz curioso para a clientela de diplomatas: “Não temos dólares”.
MINISTRO SE RECUSA A FICAR AO LADO DE MINC 
O ministro Alfredo Nascimento (Transportes), indignado com Carlos Minc (Meio Ambiente), nem mesmo admitia sentar-se à mesma mesa, ontem, no 7º Balanço do PAC. Somente cedeu sob pressão da ministra Dilma Rousseff, mas recusou cumprimento a Minc, que o acusara de ligações a empreiteiras. Muito irritado, Nascimento disparou: “Eu já disse por aí que você é viado, para você ficar falando mal de mim?” Minc não reagiu.
FIM DE PAPO
Carlos Minc apenas balbuciou que só teria “relação institucional” com o colega Alfredo Nascimento, que reagiu: “Nem mesmo institucional, nada!”
VERDE AMARELADO
Muito pálido, Carlos Minc ajeitou o colete comprado em feira hippie e amarelou, diante do colega Alfredo Nascimento, um ex-sargento da FAB.
TRAPALHÃO
Além de insultar colegas e produtores rurais, para ele “vigaristas”, Carlos Minc participou de recente marcha, no Rio, de apologia à maconha.
PAC É POUCO
Conselheiro informal do presidente Lula, o ex-ministro Delfim Netto diz que o PAC não será suficiente para reanimar a economia. Se o governo pretende números positivos, terá que coçar mais fundo. 
IMORTAIS IGNORANTES?
Na homenagem ao grande poeta cearense, ontem, o cantor Raymundo Fagner disse no Senado que “a única pessoa que não sabe quem é Patativa do Assaré é a Academia Brasileira de Letras.” Pessoa jurídica?
AZARANDO TEMPORÃO
Em São Paulo, esta semana, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) foi recepcionado por David Uip, citado como seu eventual substituto. Dr. Uip parecia fazer todo o tempo a expressão “eu sou você amanhã”.
VAIA OU APLAUSO? 
Na quarta (10), o presidente Lula volta ao Recife, seu xodó, para assistir Brasil x Uruguai, a convite do governador Eduardo Campos. Se o jogo fosse no Maracanã, certamente o presidente pensaria duas vezes.
AVISO À PRAÇA
A CEB estatal de energia de Brasília, comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que negocia a venda de 50% do seu capital à Cemig, estatal de energia de Minas. O negócio foi revelado nesta coluna.
FRIGORÍFICOS CONGELANDO
Falências assombram os frigoríficos, que já demitiram quatro vezes mais trabalhadores que a Embraer, que dispensou 4 mil. Tudo por causa do cancelamento de encomendas do exterior. A queda é de mais de 30%. 
CADÊ O TROCO?
A União ainda deve aos municípios R$ 142 milhões referentes às perdas nos repasses do Fundo de Participação, surrupiados com as isenções fiscais concedidas na conta do IPI entre janeiro e maio deste ano. 
REJEIÇÃO É ALTA 
Apesar do crescimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) nas pesquisas em relação ao tucano José Serra, o que preocupa os aliados é a rejeição a seu nome: entre 32% e 35%, contra 22% a 26% de Serra. 
PENSANDO BEM...
... toda vez que está sumido dos noticiários, o venezuelano Hugo Chávez sempre volta aos holofotes com “planos dos EUA” para assassiná-lo. 

PODER SEM PUDOR
LOROTA COM LOROTA SE PAGA 
O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, acusado de azeitar sua campanha eleitoral com recursos da estatal, encontrou-se ontem com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), durante o 7º Balanço do PAC, e foi logo contando lorota:
– Quero deixar claro que não sou candidato ao Senado, ministro... 
Geddel fez cara de espanto e respondeu de bate-pronto: 
– Não sei por que você me diz isso; afinal, também não sou candidato ao Senado...

BAR ZIL

DORA KRAMER

Bem entendido


O ESTADO DE SÃO PAULO - 04/06/09


A CPI da Petrobras faz 20 dias hoje e, segundo consta, ainda não começou a funcionar porque a base do governo não se entende sobre a escolha do presidente e do relator. Com todo respeito (in) devido à confiabilidade da palavra de suas excelências, não é o que parece. Pelo balanço da carruagem, parece mesmo é que a CPI atrasa porque a base do governo está se entendendo muitíssimo bem.

Briga interna de verdade é negada, quando muito, amenizada. Mas aqui se observa o contrário: um empenho quase ansioso dos governistas em revelar detalhes da aludida guerra.

Uma hora é o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, que odeia o líder do PT, Aloizio Mercadante, outra é o petista que desanca o peemedebista, que intriga Mercadante com o presidente Luiz Inácio da Silva, que desautoriza o companheiro de partido e não se importa em ver o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, declarando que o bate-cabeça entre os aliados é realmente muito grave.

Isso tudo e ao Planalto não aflige o fato de a articulação política do governo no Senado ter virado uma baderna. Fala-se com a maior naturalidade de conversas fracassadas, de tentativas desastrosas de acertos, de ódios viscerais que até outro dia simplesmente não existiam.

Romero Jucá e Renan Calheiros, por exemplo: sempre tocaram de ouvido e de repente viraram inimigos.

O líder do PMDB alegara dificuldade para escolher os representantes na CPI por excesso de oferta, mas, de uma hora para outra, a motivação é oposta: falta mão de obra. Alguns senadores se recusam, outros são vetados pela ala adversária, uma dificuldade que nem a intervenção do presidente da República foi capaz de resolver.

Aliás, note-se que as divergências na base recrudesceram mesmo a partir na entrada de Lula na história, mandando cancelar um acordo com a oposição para a divisão do comando da CPI. Desde então, a base se desorganiza no Congresso enquanto, na rua, os sindicatos organizados abraçam prédios em defesa da pátria aí entendida com sinônimo de Petrobras.

Se alguma dúvida pudesse existir, a história do fogo amigo revelou-se de artifício na terça-feira, quando a CPI deveria abrir seus trabalhos. Não apareceu um governista, além do segundo suplente de senador Paulo Duque, para abrir e fechar a sessão na metade do tempo regulamentar.

Outra chicana dos governistas é a exigência da entrega do cargo de relator da CPI das ONGs, aberta desde 2007 e para a qual ninguém dá a menor bola. Esses dois estratagemas executados em conjunto evidenciaram a unidade da base aliada na execução da tarefa de protelar o início da CPI. Até quando, é a questão.

Pode ser que seja só até hoje, conforme o prometido. Mas também pode ser que a pendenga se estenda, obrigando a oposição a recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Um caminho perigoso. Da outra vez em que isso ocorreu, quando os governistas se recusaram a indicar integrantes para a CPI dos Bingos (aquela do caso Waldomiro Diniz), a CPI demorou para sair e começou bem no meio do escândalo do mensalão. Agora, o risco é a CPI da Petrobras acontecer em plena campanha eleitoral.

Vivendo e aprendendo

O presidente Luiz Inácio da Silva conquistou o direito de expor ideias desconexas, bem como se expressar em agressivo e arrevesado português, em razão de um acordo tácito segundo o qual sua origem de gente humilde o torna inimputável e enquadra como preconceito de classe qualquer crítica nessa área.

Fica, portanto, acertado que não se trata de exacerbação nacionalista com viés de oportunismo explícito a comparação entre a busca dos destroços do avião da Air France e os trabalhos de prospecção da Petrobras. “Um país que pode achar petróleo a seis metros de profundidade, pode achar um avião a 2 mil metros” é uma declaração sensata, lógica e absolutamente adequada à ocasião.

Da mesma forma, é plausível o seguinte raciocínio, desenvolvido por Lula sempre que nega querer um novo mandato: “É muito engraçado que as críticas (sic) que fazem aos presidentes da Amé-rica Latina que querem um terceiro mandato não se fazem aos primeiros-ministros na Europa que ficam 16 ou 18 anos”.

Não há erro nem sombra de má-fé na comparação entre regimes presidencialistas – de mandatos fixos, legalmente interrompidos apenas por processos de impeachment – e parlamentaristas, cujos governos podem ser derrubados a qualquer tempo mediante voto de desconfiança do parlamento.

A tolerância é um dom. Mas o problema de tolerar o intolerável é que, uma vez rompida a barreira do aceitável, perde-se a percepção dos limites, o senso crítico e a noção do ridículo.

De fato

O Brasil realmente não é “comandado pelos ruralistas”, como afirmou o ministro Carlos Minc. Embora seja, em boa medida, sustentado.

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Agência tinha alertado para riscos com avião da tragédia

 

Estadão: Aposta na produção faz entrada de dólar dobrar

 

JB: Armadilhas na rota da Europa

 

Valor: BC fecha representações de bancos estrangeiros

 

Estadão: Grupo pagou a vereadores para liberar shopping (pág. 1)

 

Jornal do Commercio: Mais destroços e menos esperança