sábado, maio 30, 2009

FERNANDO RODRIGUES

Os R$ 3.800 invisíveis

FOLHA DE SÃO PAULO - 30/05/09

BRASÍLIA - Tenho procurado evitar escrever de maneira constante sobre as imposturas de deputados e de senadores. O risco de parecer adepto de uma sanha persecutória udenista é enorme. É importante diferenciar o Congresso de parte dos congressistas.
Ressalvada a importância do Poder Legislativo, o episódio revelado pela Folha sobre o auxílio-moradia é exemplar da desconexão dos políticos do mundo real. Deputados e senadores podem receber uma verba extra mensal a título de auxílio-moradia. Não importa que tenham imóveis próprios em Brasília. Num ato de bom senso involuntário, o Senado suspendeu o benefício há alguns anos. Mas mais de 40 senadores continuaram a ganhar de forma irregular os seus R$ 3.800 por mês.
Um dos beneficiados foi José Sarney, presidente do Senado. Flagrado em pecado, negou. Quando se tornou impossível o desvio da evidência material, desculpou-se (um ato nobre). Prometeu devolver os recursos (o mínimo a ser feito). Completou alegando ter havido um "equívoco" somado à "impressão de que não estava recebendo".
Poucos brasileiros podem se dar ao luxo de durante algum tempo receber R$ 3.800 por mês em suas contas bancárias sem nada perceber. Não custa lembrar, o salário mínimo é hoje de R$ 465. Se a Folha não publicasse a reportagem nesta semana, Sarney continuaria a embolsar seu auxílio-moradia anos a fio, sem perceber (sic). O presidente do Senado, aliás, tem casa própria em Brasília e usa a mansão colocada à disposição para o ocupante do cargo.
O desleixo com o dinheiro público, o desprezo por boas práticas gerenciais e o abuso com a paciência dos eleitores parecem ilimitados no Congresso. Ontem, houve um vazamento de gás num prédio da Câmara. Felizmente, ninguém se feriu com gravidade. Mas as anedotas derivadas do acidente foram desalentadoras para a democracia.

O RATO SARNEY


MAILSON DA NÓBREGA

REVISTA VEJA

Maílson da Nóbrega
Oposição desorientada

"Ainda não dispomos de bons partidos, a 
corrupção e o fisiologismo são marcas tristes 
do cotidiano e parte da classe política ainda 
se guia por princípios pouco nobres"

Antes de ser governo, o PT fez oposição não construtiva. Buscava dividendos eleitorais sendo "contra tudo o que está aí", e não como opção melhor para dirigir o país. O PT criticou o Plano Real, opôs-se à Lei de Responsabilidade Fiscal e vociferou permanentemente contra a política econômica, que manteve ao chegar ao poder.

O PSDB e o DEM passaram para o outro lado prometendo uma oposição dura, mas construtiva. Infelizmente, à moda do PT, recorreram à demagogia e se opuseram a qualquer mudança na caderneta de poupança. Antes, outro membro da oposição, o PPS, havia usado seu horário na TV para afirmar que se tramava o confisco da caderneta, à la Collor.

Nas democracias representativas, cada vez mais o caso do Brasil, a oposição é parte essencial do processo. A ela cumpre realçar os erros da administração, evitar abusos, prevenir a corrupção e assim por diante. Seu principal desafio é mostrar que pode fazer um governo melhor se vencer as eleições.

Nos países parlamentaristas, a oposição costuma organizar um "ministério sombra" (shadow cabinet) para criticar o desempenho das respectivas pastas. Esse "ministério" treina os que o integram, os quais são candidatos naturais a ministro se a oposição assumir o poder. No Reino Unido, o "ministério" é chamado de "oposição leal a Sua Majestade". O adjetivo "leal" significa que se faz oposição ao Executivo, e não ao direito do rei ou da rainha ao trono. Espera-se que a oposição aja de forma construtiva.

Nos países presidencialistas, faz pouco sentido o "ministério sombra", inclusive porque o vencedor das eleições dispõe de tempo para organizar sua equipe. No parlamentarismo, a oposição assume poucos dias depois da vitória. Mesmo assim, também se espera que a oposição seja "leal". Não pode ser contra o país.

Somos uma democracia jovem – felizmente já vigorosa –, ainda não dispomos de bons partidos, a corrupção e o fisiologismo são marcas tristes do cotidiano e parte da classe política ainda se guia por princípios pouco nobres. Acontece que foi assim também nas democracias hoje maduras. Por isso, não há por que não chegarmos a esse estágio.

De fato, nossa democracia parece estar livre do germe destrutivo do voluntarismo inconsequente na política econômica, que ainda é endêmico em países da América Latina. Construímos instituições que inibem o populismo e asseguram a estabilidade macroeconômica. Uma boa oposição pode acelerar nossa evolução nesse campo.

É decepcionante, assim, a atitude da oposição no caso da caderneta de poupança, principalmente porque a ela devemos – sob a liderança do presidente Fernando Henrique – grande parte das mudanças que nos legaram a estabilidade econômica e maior racionalidade na condução da política econômica.

Ao declarar que "a necessária diminuição da taxa de juros não pode ser feita à custa do rendimento da caderneta de poupança" e que "outros instrumentos fiscais e financeiros" poderiam ser utilizados para "corrigir a política de juros", a oposição agiu como se esse rendimento não fosse um piso para a taxa de juros. Jogou para a plateia.

Em um governo ausente de vontade política para enfrentar questões impopulares, a oposição acabou fornecendo um motivo a mais para a inação. Assim, preferiu-se um confuso remendo tributário a uma solução definitiva – como a de atrelar o rendimento à taxa Selic. O interesse eleitoral se sobrepôs ao avanço institucional que nos colocaria no rumo dos juros civilizados. Agora, só no próximo governo.

A oposição tem dirigido ácidos ataques ao Banco Central, dando a entender que interferiria na política monetária caso voltasse ao poder. Ocorre que a autonomia operacional do BC resultou de longo processo de mudanças institucionais, inclusive quando a oposição era governo. O atual líder da oposição no Senado apresentou um projeto pelo qual a autonomia viria da lei, e não da vontade do Executivo. Como entender?

Se vencer em 2010, a oposição terá de alterar a remuneração da caderneta se quiser juros menores. Dificilmente mudará a política monetária. Tal qual o PT em 2003, cinicamente manteria o que condenava. Mais uma vez, ficaria claro que o Brasil ainda está à procura de uma boa oposição.

COISAS DA POLÍTICA

A saída da proposta de Genoino

Villas-Bôas Corrêa

JORNAL DO BRASIL - 30/05/09

Não sei como anda o prestígio do deputado José Genoino (PT-SP), que já desfrutou os seus dias de prestígio antes cometer o pecado de envolver-se nas trapalhadas do PT e aliados do mensalão para o rateio entre parlamentares ou do caixa 2 para a ajuda na campanha eleitoral. O certo é que purgou anos de ostracismo, na semiobscuridade do plenário nos seus quatro dias da semana inútil, e, afinal, está recomeçando do ponto de partida, inclusive nas cogitações petistas para a escolha do candidato a governador de São Paulo ou da mais provável candidatura a senador. Em voo mais ousado, mas com as devidas cautelas, o deputado José Genoino anuncia a apresentação, na próxima semana, de uma emenda aglutinativa de uma revisão constitucional, em 2011. O Congresso revisor se reuniria entre 15 de março e 15 de novembro, com amplos poderes para analisar e revisar a organização dos poderes e o sistema político eleitoral.

A amplitude da pauta atende à evidência de que não se convoca uma Constituinte para simples remendos de emergência. Não se discute que a crise moral e ética em que patina o pior Congresso de todos os tempos desafia a competência dos poucos em condições de propor saída e não perder a hora. É o que a emenda atende, no encaixe entre a realização das eleições de 2010 e o início da próxima sessão do Legislativo. Entre as suas virtudes, o destaque para a valorização da eleição de 5 de outubro de 2010, que elegeria o futuro Congresso Revisor que funcionaria paralelamente com a Câmara e o Senado.

A proposta do deputado José Genoino conta com apoios significativos, inclusive dos autores de propostas semelhantes, como a Proposta de Emenda Constitucional do ex-deputado Luiz Carlos Santos, na fila e pronta para ser submetida a votação no plenário. Duas outras, dos deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e Flávio Dino (PCdoB-MA) também aguardam o encaminhamento ao plenário.

Os novos deputados eleitos em 2010 seriam os responsáveis pela revisão constitucional, o que justificaria a esperança da correção dos erros, distorções e casuísmos que contaminam a pobre Constituição de 1988, quase irreconhecível com os remendos que a desfiguram. Para não desperdiçar o tempo encurtado pela madraçaria da semana de quatro dias úteis, às vezes apenas três, com a antecipação para as quintas-feiras da volta para as bases eleitorais, com as passagens aéreas pagas pela Viúva, além da verba indenizatória, agora pendurada no subsídio, o Congresso revisor funcionaria paralelamente com a Câmara e o Senado, seguindo o modelo das Constituintes de 1987 e 1988. As sessões seriam unicamerais, e a aprovação das emendas por maioria absoluta. No toque democrático de absoluta oportunidade, ao final da elaboração das propostas aprovadas pelo Congresso Revisor, elas passariam por referendo popular em 2012.

Certamente há um longo trajeto a percorrer, com todas as imprevisões de um período tenso. No Senado, a CPI da Petrobras é uma autêntica caixa-preta. O gigantismo da maior empresa do país, a sua importância econômica e política, a sua evidente invasão por petistas a exigir o emprego, a amplitude da sua área de atuação, o interesse guloso de prefeituras e governos estaduais justificam os receios de denúncias que projetem a CPI no noticiário de jornais, revistas, noticiário das redes de televisão.

A véspera de campanha, ao mesmo tempo que esvazia as sessões da Câmara e do Senado, é a arena de ásperos debates, da troca de desaforo das quizílias municipais e estaduais. E fumaça que oculta as tramas de bastidores deixam entrever a sombra das hesitações do PMDB e do desconforto das áreas do partido que se consideram marginalizadas dos conchavos dos donos da casa. Centrados na luta pelo voto que garanta mais quatro anos de desfrute do mandato e suas mordomias, poucos terão vagares para acompanhar a trama de bastidores em torno de uma proposta que valoriza o Legislativo e pode dar um jeito na bagunça constitucional que contamina os três poderes.

E, se o Executivo participa dos entendimentos através dos seus líderes na Câmara e no Senado, o Supremo Tribunal Federal (STF) não pode ficar ausente. Pois o mais politizado STF dos últimos dias é um parceiro compulsório num esforço de moralização do país e de melhoria do desempenho da trinca que está sendo convidada a participar do mutirão.

GOSTOSA


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CLÁUDIO HUMBERTO


“Todo mundo sabe que nós vamos ganhar as eleições de 2010”

PRESIDENTE LULA, AO “NÃO FALAR” SOBRE A CAMPANHA, DURANTE INAUGURAÇÃO DE OBRAS DO PAC

TCU CRIA ‘SERASA’ DE GESTORES PÚBLICOS
O presidente do Tribunal de Contas da União, Ubiratan Aguiar, acredita que até o fim do ano estará concluído o Cadastro Geral dos Gestores, uma espécie de Serasa do presidente da República, ministros, prefeitos e governadores. Quem estiver na lista suja automaticamente será alijado das disputas eleitorais do próximo ano, pois o Tribunal Superior Eleitoral também terá acesso ao cadastro nacional dos pilantras.
ABASTECIMENTO
O TCU fez parcerias com todos os Tribunais nos Estados e Municípios para que enviem a relação completa dos administradores condenados.
SEM PAPEL
Outra medida anunciada pelo TCU é banir, até o dia 30 de junho de 2010, todo papel nos processos. Tudo será feito eletronicamente.
PRESSA DE DILMA 
A transposição do Rio São Francisco tem prioridade para Lula. Ele quer inaugurá-las para fortalecer a ministra Dilma Rousseff no Nordeste.
SIMPATIA É QUASE AMOR
Amigos, amigos, política à parte: Lula passou a ver com grande simpatia a candidatura do ministro Geddel Vieira Lima ao governo da Bahia.
CPI AGORA É SÓ ALEGRIA PARA GABRIELLI 
A pizza anunciada na CPI da Petrobras aliviou o presidente da empresa, Sérgio Gabrielli. Quinta (28), ele embarcou às 7h20, em Brasília para o Rio de Janeiro com um ar feliz. Durante o voo da TAM, leu atentamente notícias da CPI em um jornal do Rio, que ele costuma chamar de “mentiroso”, conversou e riu com um amigo todo o tempo. Ao chegar no Santos Dumont, o bom humor era visível. CPI também é alegria.
VOU DE BIKE 
Em tempos de arapongas hightech, a Agência Brasileira de Inteligência adquiriu bicicleta de “selim consistente e bagageiro super-resistente”.
INVESTIGAÇÃO
A Câmara de Fortaleza tenta instalar CPI para investigar o pagamento de R$ 220 milhões à companhia energética francesa Citèluz.
USINA DO MAL
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) chama de “usina do mal” a fonte das “maledicências” divulgadas contra ele. O principal suspeito está no cargo.
ACHADO PARAIBANO
Correição de Brasília no Tribunal de Justiça da Paraíba, esta semana, deparou-se com a nomeação da mulher de um ministro de tribunal superior para um cargo de confiança no governo do Estado.
SUBIU NO TELHADO
O ministro Carlos Holofotes Minc (Meio Ambiente) vem cavando a própria sepultura no governo. Após fazer apologia ao uso de drogas, na Marcha da Maconha, comprou briga com o agrobusiness, que banca a economia.
PRESIDÊNCIA TEMER
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), assume amanhã a presidência da República, com a viagem de Lula a El Salvador e a licença de José Alencar, em tratamento nos Estados Unidos.
BC VAI ÀS COMPRAS
O Banco Central voltou ao mercado comprando dólares. O ministro Guido Mantega (Fazenda) diz que é para recompor as reservas, hoje em US$ 205,04 bilhões. Na verdade, cede à pressão dos exportadores, que não acompanham a concorrência externa com o real nas alturas.
DERROTA
Candidato a ocupar a vaga do Senado no Conselho Nacional de Justiça, o advogado Marcelo Neves foi preterido pela segunda vez na disputa para ser professor titular da USP. Perdeu para Elival da Silva Ramos.
BESTEIROL
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) agiu muito mal, ridicularizando a busca pelos mortos no Araguaia, mas o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucci fez pior: despreparado, acusou o deputado de “torturador”. Bolsonaro tinha 9 anos em 1964 e 17 na época da guerrilha do Araguaia. 
ECONOMIA NA FARMÁCIA 
Os genéricos já representam 18% do mercado farmacêutico, garantindo ao brasileiro uma economia de R$ 10,9 bilhões por ano. Nos Estados Unidos e na Alemanha, os genéricos representam um terço do consumo. 
BOLA DE CRISTAL
Até hoje o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) é cumprimentado por colegas da Câmara porque, em artigo seis meses antes da crise da “marolinha”, previu o que ia acontecer. Previu até o tamanho da marola.
PENSANDO BEM...
... após tantas manobras, a CPI da Petrobras só vai começar as investigações no segundo semestre do ano. E olhe lá. 

PODER SEM PUDOR
PROTESTO DOS FIÉIS
Na pregação de missa das 19h de domingo, em Brasília, à época do mensalão, o pároco da Igreja de São Camilo de Lélis, protetor dos doentes, fez a sua tietagem:
– Que Deus abençoe o presidente Lula e seus ministros!
Uma mulher fez a ressalva, na bucha, em voz alta:
– O Zé Dirceu, não!
Os fiéis caíram na gargalhada.

DORA KRAMER

A estiva da tropa

O ESTADO DE SÃO PAULO - 30/05/09

O líder do governo no Senado, Romero Jucá, tem um bom dilema pela frente. Cotado para assumir o posto de relator da CPI da Petrobras, o senador se adiantou à indicação oficial e não só aceita, como assegura total imparcialidade no exercício da função.

Essa é a parte mais fácil, a da mistificação. Frente a frente com a realidade, entretanto, Jucá terá de escolher: ou cumpre a promessa de ser imparcial e deixa a liderança do governo ou continua líder e deixa a imparcialidade para outra ocasião.

As duas mercadorias não cabem no mesmo pacote. Tivesse a neutralidade a mais pálida intenção de comparecer às sessões da CPI, a escalação do comando não seria a que se cogita. A escolha do líder do governo equivale a uma assinatura de compromisso com o resultado.

O mesmo ocorre com a ideia de a senadora Ideli Salvatti, líder do governo no Congresso, ocupar a presidência da comissão. Se confirmada, esperemos que a bem da verdade se abstenha de firmar compromisso com a isenção.

Mais não seja, para que não se extrapolem os limites do razoável no quesito embromação.

Ideli e Jucá são cogitados exatamente para prestar serviço à parcialidade. São líderes de governo, nomeados pelo Planalto, e isso define os contornos da atuação que o governo espera de sua base de apoio e o peso dado ao potencial de dano da CPI.

Sobre a relatividade da garantia proporcionada pelo controle do comando de uma CPI já se escreveu à vasta. Há disponíveis exemplos de comissões supostamente controladas que saíram do controle, mas não há registro de CPI cujo êxito possa ser atribuído ao fato de o presidente ou o relator serem de oposição.

Portanto, perfeitamente entendido que dois governistas por si sós não fazem um verão.Ocorre que a composição da CPI da Petrobras está obedecendo a critérios mais rígidos. E inéditos. Nunca se viu governo algum pensar em deslocar seus líderes no Senado e no Congresso para a linha de frente desse tipo de combate.

Justamente para preservar o ofício da liderança, de um lado, e, de outro, evitar a explicitação da presença do Executivo na direção da CPI. Mas aqui não há essa preocupação. Importam menos as aparências que a essência.

E de essencial o que existe é o plano de fazer a CPI fracassar. Custe o que custar, doa a quem doer.

O Planalto está suficientemente escaldado com experiências anteriores para se dar ao desfrute de fazer concessões à figuração. O senador Delcídio Amaral, do PT, e o deputado Osmar Serraglio, do PMDB, governistas, credenciaram-se no quesito impessoalidade ao comandarem a CPI dos Correios, cujo relatório final serviu de base à denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os acusados de participar do esquema do mensalão.

Pois Delcídio foi parar numa terceira suplência da CPI da Petrobras e, fosse a comissão mista, o deputado Serraglio estaria fora, dado ter-se transformado em persona non grata nas hostes pemedebistas.

Os quatro senadores do PMDB que assinaram o requerimento da CPI – Jarbas Vasconcelos, Mão Santa, Geraldo Mesquita e Pedro Simon – nem sequer foram cogitados, embora tenham aptidões suficientes para participar. O problema é que seus atributos não são convenientes.

A tarefa adiante é dura, pesada e requer biografias compatíveis. Daí, a escalação da tropa de estiva comandada pelo líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, cuja influência na CPI se estende para além de seu partido.

E qual é o ofício? Simplesmente impedir que a CPI saia do lugar. Com o regimento interno na mão, uma ordem na cabeça, nenhum pudor nas faces e muita desfaçatez no espírito, a maioria tentará partir para a obstrução total: nada de requerimentos de informações (a não ser as irrelevantes), nada de depoimentos importantes, nada de quebra de sigilo. Nada de nada.

Brigas, desaforos, exacerbação artificial de ânimos, chicanas de toda sorte, isso haverá a mancheias, pois a meta é muita confusão e pouca investigação.

No Congresso, portanto, o campo está todo dominado. Isso assegura a falência da CPI? Não necessariamente, porque a imprensa o governo não controla, embora tenha tentado exercer o domínio por meio do malfadado Conselho Federal de Jornalismo, que teria a função de fiscalizar, regulamentar e disciplinar o exercício da atividade.

Resolveria os problemas de azia que acometem o presidente Lula quando da leitura de jornais e poderia se arvorar a prerrogativa de considerar qualquer notícia mais embaraçosa sobre os meios e modos de administração da Petrobras um ato de lesa-pátria a ser combatido a bem da soberania nacional.

Cão que ladra

A emenda que autoriza à disputa do terceiro mandato faz barulho, mas não morde. Se alguém porventura quiser que morda, precisará atuar à luz do dia porque casuísmo não sobrevive sem dono nem prospera no escuro.

O IDIOTA E A PETROLAMA

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Milícia era chefiada de dentro de prisão da PM

 

Folha: Após 8 meses, dólar fica abaixo de R$ 2

 

Estadão: Dólar cai abaixo de R$ 2 e perda no ano já supera 15%

 

JB: Rio tem o 5º caso de gripe suína confirmado

 

Correio: Basta de impunidade

sexta-feira, maio 29, 2009

AUGUSTO NUNES

veja on-line
SEÇÃO » Direto ao Ponto

O democrata exemplar é hostilizado no grotão do tirano aprendiz

29 de maio de 2009

Os policiais designados para a missão abjeta nem sabiam com quem falavam. Estavam no aeroporto de Caracas para interceptar o forasteiro no momento do desembarque, retê-lo pelo tempo que pudessem na área da alfândega, confiscar-lhe sem explicações o passaporte e, sobretudo, transmitir a ordem expedida pelo governo venezuelano:  enquanto estivesse no país, não poderia criticar o presidente Hugo Chávez. Se conhecessem a obra do escritor Mario Vargas Llosa, os agentes do arbítrio saberiam que aquilo tudo era obsceno.  Se conhecessem a biografia do cidadão peruano Mário Vargas Llosa, saberiam que aquilo tudo era inútil. Como não conheciam uma coisa nem outra, os figurantes do espetáculo de hostilidade concebido pelo lider da revolução bolivariana foram elegantemente desmoralizados já no saguão.

“Um funcionário amavelmente me me advertiu que, como estrangeiro, eu não teria direito de fazer declarações políticas”, resumiu a risonha vítima das demonstrações de boçalidade.  ”Eu, também com muita amabilidade, respondi que, estando na terra de Simón Bolivar, o libertador da América do Sul, ninguém podia impor restrições ao livre pensamento, à livre expressão, e que eu falaria com toda a liberdade, como sempre faço”.  E fez ─ antes,  durante e depois do seminário sobre democracia que reuniu dezenas de escritores do continente.  ”Este ex-intelectual deve ter perdido um pouco de sua inteligência para expressar-se de maneira desrespeitosa contra o presidente Chávez”,  rugiu  o ministro da Cultura, Héctor Soto. Não se pode esperar sinais de vida inteligente de quem ocupa esse cargo a serviço da revolução bolivariana.

Ex-intelectual ─ foi tudo o que Soto conseguiu dizer. Mesmo para cretinos fundamentais, é difícil desqualificar a obra de um romancista mundialmente festejado. Mesmo para um perfeito idiota latino-americano, é complicado aplicar a Vargas Llosa o repertório de adjetivos habitualmente despejados sobre quem recusa o pensamento único.  Não pode ser acusado de reacionário o autor de O dia do bode, uma devastadora revisita aos tempos em que o ditador  Rafael Leonidas Trujillo ultrajou a República Dominicana. Não pode ser acusado de golpista o homem que disputou a presidência do Peru com Alberto Fuminori. Derrotado pelo farsante populista que assassinou o regime e incontáveis adversários,  embolsou milhões de dólares, fugiu do país e acabou na cadeia, o tempo transformou-o em vitorioso.

Não pode ser acusado de elitista o ficcionista solidário com a gente humilde. Não pode ser acusado de amigo dos militares quem escreveuPantaleão e as Visitadoras. Não pode ser considerado conservador quem inspirou o personagem principal de Tia Júlia e o Escrevinhador, que narra o romance entre um jovem apaixonado e a parente por afinidade alguns anos mais velha. Mário Vargas Llosa é, essencialmente, um grande escritor e um democrata radical. Gente assim jamais será bem-vinda aos grotões dominados por tiranos aprendizes.

 ”Na Venezuela tem democracia até de sobra”, disse há meses o presidente Lula. Esse nunca sabe o que diz. Quem não lê sequer livros sobre o Corinthians entende tanto de Vargas Llosa quanto o vizinho que presenteou Barack Obama com um exemplar de As Veias Abertas da América Latina, tão profundo que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiga poderia atravessá-lo com com água pelas canelas.  O romancista desconcerta Chávez. Intimida-o muito mais o democrata radical, que se distingue do simplesmente democrata pela disposição de enfrentar com ferocidade quaisquer liberticidas ─ venham de que extremidade vierem.

Essa tribo começa a expandir-se também no Brasil. Seus integrantes aprenderam que a ditadura militar é tão odiosa quanto a ditadura do proletariado. Aprenderam que dividir o mundo entre esquerda e direita é apenas uma simplificação malandra forjada para driblar distinções que devem precedê-la. Há os homens de bem e os desonestos, há os devotos do convívio dos contrários e a seita dos intolerantes.

Há o Brasil da cafajestagem e o Brasil que presta. Neste vivem os democratas radicais. Neste Vargas Llosa será sempre bem-vindo.

PARA...HIHIHI


O TOURO

Uma mulher, toda boazuda, vai ao médico: 

- Sr.Doutor: queria que fizesse algo pelo meu marido... Algo que o fizesse ficar como um touro! 

- Pois bem, dispa-se. Vamos começar pelos chifres...

GOSTOSA


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FIM DE SEMANA EM NATAL


ROTEIRO PARA O FIM DE SEMANA

Sexta-feira

Universiarte - A partir das 9h haverá a abertura dos trabalhos artísticos de alunos da UFRN, no Centro de convivência da instituição.

Aula-espetáculo - Os principais expoentes da arte barroca no Brasil serão representados em uma 'aula espetáculo' por um núcleo formado por 75 alunos do Ensino Médio, do Colégio Nossa Senhora das Neves, a partir das 17h, no auditório da escola. Entrada franca.

Oitoporquatro - O espetáculo terá sua última apresentação hoje, às 20h, no Teatro Alberto Maranhão. A apresentação usa o romance popular de Dona Militana e a música do compositor clássico Bach. Entrada: R$ 5

Mercado - Toda sexta-feira o Mercado de Petrópolis oferece o melhor do forró-pé-serra com Raimundo Flor e Forró Legal. Das 18h às 22h. Entrada franca.

Buraco da Catita - Toda sexta tem roda de choro e muita animação a partir das 20h. R. Câmara Cascudo, Ribeira - próximo à Praça Augusto Severo. Tel. 8802 1812. Entrada franca.

Festival - O 7º Festival de Inverno de Cerro Corá começa nesta sexta-feira no largo da prefeitura, das 18h às 3h, e segue até domingo. Hoje se apresenta Chibata de Couro, Santana, Três do Nordeste e Robson Semog.

Progressivo - A banda Sigma 6 (primeira banda cover de Pink Floyd de Natal) toca no Aprecie Pub (Rua das Algas, 2282, Ponta Negra) a partir das 22h.Ingresso a R$ 7 (até as 23h). Depois, R$ 10. Tel. 9117-1757.

Budda - Dom Joker e Boca de Sino estarão hoje no Budda Pub, a partir das 22h30. Tel. 3219-2328.

Artes - A mostra Infinita Estética Particular & Avulsos apresenta 34 obtras de potiguares e alhures no auditório o Colégio de Ciências Aplicadas (Rua Nossa Senhora de Lourdes, 56, Tirol, vizinho à Caern). Tel. 9983-5667.

Noite temática - A banda Dancing Days toca a partir das 22h30 no Taverna Pub, em Ponta Negra. No repertório, só sucessos das discotecas nos anos 70. Tel. 3236-3696. 

Grafith - O Maranello Bistrô terá festa vip com a banda Grafith a partir das 23h. A noite terá ainda o som do Dj Gabriel Sodré. Os ingressos custam R$ 30 (preço único). Tel. 3086-4049.

Sancho Pub - A partir das 22h, The Frois e Dj Robert animam o pessoal do Enfermagem Fest a partir das 22h. 

Ritmos latinos - A banda Camba, sob o comando dos músicos Sergio Groove e Gilberto Cabral, leva seu repertório de salsa, merengue, rumba e outros ritmos latinos para o Bar das Bandeiras (rua Chile, Ribeira), a partir das 22h. Entrada: R$ 8 (grátis drink cubano Mojito). Tel. 8705 4583 / 8878 3530.

Medievo - A boate recebe nesta sexta-feira a Dj Lu Vargas, especialista em House Pop Fusion. A noite terá ainda a presença do Dj Caverna (NOX - Recife), da banda João Teimoso e do Dj Shato. Atrações a partir das 23h. Tel. 8711-7777.

Arraiá no Facho - As atrações são Mastruz com Leite e Cavalo de Pau. O forró fica estrada de Macaíba entrando ao lado da Águia Piscinas. A senhas antecipadas estão sendo vendidas nas lojas Corbeluxe do Midway, Praia Shopping e Hiper da Prudente de Morais.

Sábado

MPBeco - Segundo eliminatória da quarta edição do Festival de Música do Beco da Lama (Cidade Alta) com Simona Talma, às 18h, seguida da apresentação das 14 músicas concorrentes, encerrando com Sueldo Soaress. Entrada franca.

Caliente - A banda Perfume de Gardênia anima o Budda Pub com o melhor da música latina, a partir das 23h. Ingresso a R$ 15. Tel. 3219-2328.

Latino - O som latino também invade o Taverna Pub Medieval Bar, em Ponta Negra com a Banda Camba. A festa começa às 22h30. Tel. 3236-3696 / 8705-4583.

Metal - A 2ª edição do Natal Metal Fest acontece sábado no Sancho Pub (Rua Aristides Porpino Filho, Ponta Negra, vizinho ao Rastapé). Atrações: Comando Etílico, Blackhalls, Vain'n Vains, Metallica Cover, Avlon Symphony. Ingresso a R$ 10. Tel. 3091-1991 ou 8803-9599.

Humor - O comediante Fábio Rabin apresenta o show Conexão do Riso no Teatro Alberto Maranhão, às 21h. Fábio ficou conhecido depois de apresentar o quadro Beijo na boca, tapa na cara, no Pânico na TV. Ingressos vendidos na Contém 1g do Midway e Natal Shopping. Tel. 3235-8130 e 8705-6969.

Global - O Centro Cultural Jesiel Figueiredo (Zona Norte) sediará o projeto Ação Global - iniciativa do Serviço Social da Indústria junto à Rede Globo para ações de cultura e lazer. Das 8h às 8h estarão disponíveis gratuitamente exposições de artesanato, capoeira, hip hop e contadores de histórias. Tel. 8807-0168.

Blues - O Mad Dogs toca no Aprecie Puba partir das 22h. Ingresso a R$ 10 (até 23h. Depois, R$ 15). Tel. 9117-1757.

Forró - Os Nonatos, de poética musical nordestina, se apresentam hoje, às 21h, no Forró do Jerimum (em frente ao posto Dudu, BR 101, em Paramirim). Atração local: Cristiane Velassy, Gugu Sanfoneiro e convidados. Ingresso a R 15. Tel. 3643-6665 e 8862-8832.

Cavaleiros Ice - Na Cervejaria Continental, a partir das 18h, show com as bandas Cavaleiros do Forró, Forró Pegação e participação de MC Sapão e Ricardo Chaves. Ingressos à venda na loja D. Hall do Shopping Midway Mall.

Aniversário do Tricor - A banda Tricor convidou amigos músicos para a comemoração do aniversário de cinco anos da banda. Show com Tricor , For Sale, Diogo Guanabara, CBI (Mad Dogs) e Rodrigo BS (Jane Fonda), a partir das 20h, no Sgt. Pepper's. 

Aniversário do Saideira - O bar Saideira, localizado na Av. Integração, comemora dois anos neste sábado. Para animar a festa, as bandas Pura Tentação, Deixe de Brincadeira e Saideira, a partir das 16h.

'Aprecie sem moderação' - Festa promovida pelo Aprecie Pub no último sábado de cada mês. Amanhã, tocam Mad Dogs e The Blue se Mountain, a partir das 23h. Os ingressos custam R$ 10 (até às 23h) e R$ 15 (após o horário).

Arraiá do Vavá - Tem início a temporada de festas do Arraiá do Vavá 2009, que neste ano acontece no Portal das Dunas, na Redinha. Show das bandas Cavaleiros do Forró, Chicabana e Banda Inala. Tel. 3232-3834.

Natal Metal Fest - A partir das 21h, no Sancho Pub, com Comando Etílico, Blackhalls, Vain´nVains, Metallica Cover e Avalon Symphony. Os ingressos custam R$ 10. Tel. 3091-1991.

Rock - O estúdio Frutos, em frente ao Teatro Alberto Maranhão, recebe no sábado (30/05), as bandas Irados 1234 (cover de Raimundos) e outras oito atrações.Dentre elas, banda Pen is driver, fazendo cover dos Mamonas Assassinas. A festa rola a partir das 16h e os ingressos custam R$ 5.

Fazenda Olho D'água - O forrozeiro Dorgival Dantas é a atração. O pé-de-serra começa às 22h e terá também a participação de Assum Preto.

Domingo

Aniversário da Mandala Viva - A ONG comemora seu primeiro ano com oficinas de reciclagem, palestra de Educação Ambiental, debates e intervenções artísticas, no Parque das Dunas, a partir das 9h30. Show com as bandas Hora Absurda, Maverick 67, Letto, Rani e Artigo 5º. R$ 1.

MPBeco - Terceira e última eliminatória da quarta edição do Festival de Música do Beco da Lama (Cidade Alta), a partir das 18h, com apresentação das 12 músicas concorrentes, encerrando com Os Grogs. Entrada franca.

Artes marciais - O Ginásio de Esportes da Cidade da Esperança recebe o 'Sportmix Fighter Original de Artes'. O evento tem início às 20h e terá lutas de Jiu-Jitsu, MMA, Kick-Boxing. Os ingressos serão vendidos no local por R$ 10. Tel. 8805-1613.

CQC - O apresentador do humorístico CQC, da Band, Rafinha Bastos está em Natal para apresentar o show Arte do Insulto, dentro da linha Stand-up: banquinho e microfone. Será no Centro de Convenções (Via Costeira), às 20h. Ingresso vendido no Pitts Burg da Prudente de Morais: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (estudante).

Música - O areiabranquense com carreira internacional, Tico da Costa, apresenta nesta segunda-feira na Escola de Música da UFRN, às 19h, o show Vou na Oda do Mar. O repertório é do Cd Mar, gravado na Itália. Senhas a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Teatro - A peça Encanta Brasil, de teatro de bonecos de Curitiba, chega a Natal nesta segunda-feira, com apresentações no Teatro Alberto Maranhão (ribeira). Sessões às 8h30, 10h, 14h e 15h30, mais uma sessão beneficente às 20h, com entrada sendo 1 kg de alimento não-perecível. 

BRASÍLIA - DF

O tom de 2010

Denise Rothemburg

Correio Braziliense - 29/05/2009
 


Um manifesto assinado por 54 deputados do PT em defesa da apresentação de um candidato único à presidência do partido soa como os primeiros acordes da campanha presidencial de 2010. “Estará em jogo o nosso projeto, com toda a concepção de resgatar nossa enorme dívida social (…), e o do PSDB/DEM, ancorado numa lógica privatizante, rendido à exclusividade do mercado e avesso à distribuição de renda (…).” A ideia é deixar os tucanos na defensiva, dedicados a explicar que não é bem assim. 

*** 
Quanto ao processo interno, os parlamentares alertam que o partido não pode se render “à luta dos cargos na máquina partidária, nem ser patrono de carreiras individuais”. Apelam ainda à generosidade de seus filiados para eleger Dilma Rousseff presidente e citam essa proposta vinculada à capacidade de “aglutinar os movimentos populares, solidificar um bloco de esquerda e agregar forças políticas de centro, principalmente o PMDB”. Pelo menos, no papel e na bandeira de Dilma, dizem alguns, o PT vai de PMDB. Só quem não assinou foi a turma do ministro da Justiça, Tarso Genro, a tal Mensagem ao Partido, e o grupo Articulação de Esquerda. 

*** 
Em tempo: a exposição excessiva de Dilma no programa do PT que foi ao ar ontem à noite tinha um motivo subliminar: mostrar que essa história de terceiro mandato de Lula não conta com o apoio do partido e não passa de um tema recorrente levantado pela oposição.


Sinais

O mercado considera a eleição do presidente da CPI da Petrobras o primeiro teste do governo no colegiado. Se for 8 a 3, quer dizer que tudo irá correr sem sobressaltos nos preços das ações da empresa. Todo o esforço daqui para frente será nesse sentido: de manter os oito governistas ou quase governistas fechados em torno dos desejos do Planalto. 

Demora incômoda 

A Polícia Federal reiterou ao Senado o pedido de envio do material sobre o casal Zoghbi apurado pelas autoridades da Casa. Há entre os policiais a sensação de que a lentidão para envio da papelada é proposital. 

Poderia ser pior 

O PSB levará ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), um trecho da pesquisa encomendada para avaliar o cenário de 2010. O levantamento aponta que, a despeito dos recentes escândalos — como o das passagens e de casos de gastos indevidos com verba indenizatória — a atuação dos parlamentares ainda é avaliada como satisfatória. Os entrevistados deram nota média de 6,3 aos deputados em quem votaram. Por outro lado, 40% dos ouvidos não tinham uma resposta na ponta da língua. 

Bombeira

A presidente nacional do PMDB, deputada Iris de Araújo (GO), encontra-se hoje com o ex-governador Joaquim Roriz em busca de uma solução para o racha no partido no DF. Na semana que vem, deve ser a vez de um tête-à-tête com o deputado Tadeu Filippelli, com quem Roriz trocou indelicadezas no fim de semana. Iris se queixa de “interferências externas na legenda”. 

No cafezinho...


 
 


Pau de arara 
Ao encerrar ontem um inflamado discurso sobre a degradação das estradas no Pará, o senador Mário Couto (foto) virou-se para as câmeras da TV Senado e bradou: “Atenção, paraenses. Amanhã estarei aí! E vou de ônibus pela Belém-Brasília!”, rodovia castigada pelas recentes chuvas. 

Comerciais 
Uma leva de adesivos “O Brasil quer Aécio” pode ser vista estampando carros de entusiastas da candidatura do governador mineiro à Presidência da República. Não, como se poderia imaginar, no trânsito de Minas Gerais. O adereço foi confeccionado no Distrito Federal e circula pelas ruas de Brasília. 

No ar 
O ministro da Justiça, Tarso Genro, saiu-se com esta quando perguntado se havia “deputados piratas” no Parlamento: “Pelo que vocês escrevem por aí parece que tem, né?”. Xiii…. 

Te vira 
Quem entende do riscado da diplomacia estranhou a forma como o presidente da Câmara dos Senadores da Bolívia, Óscar Ortiz, chegou ao Congresso brasileiro ontem. Em vez de um carro oficial da embaixada boliviana, ele foi de táxi. Explica-se: Ortiz é ferrenho opositor do presidente Evo Morales.

GOSTOSAS


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ARI CUNHA

Estranhos dando aula


Correio Braziliense - 29/05/2009
 




Trágico receber informação oficial, do Ministério da Educação, dando conta de que mais de 382 mil professores não têm aptidão para ministrar aulas. Não possuem diploma adequado. O MEC, que tem a seu encargo a responsabilidade da educação, atalha a opinião pública com notícia desastrada. A notícia oficial do governo declara que, do total de 1.882.961 professores do país, 382.577 não têm formação para lecionar. Essa projeção deve ser antiga, pelos detalhes sobre o total dos professores de todo o Brasil. Num país opulento mas sem dinheiro, vê-se que a evasão de verbas aperta muita gente. O exercício mental leva o cidadão comum a pensamentos mais extensos. Se o Ministério da Educação transmite informação desse teor, imagine se os tribunais dos estados e municípios estiverem operando de forma ilegal. Calcule-se o que acontece nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores com relação à existência de pessoas fora das atividades. Se as Forças Armadas estivessem sofrendo do mesmo mal, estaria decretado o caos. Aqui vamos à ultima citação. Nas Forças Armadas, a disciplina jamais deixaria que ocorresse tamanha baixaria. O futuro é cada brasileiro olhar para o espelho da pátria e prever como estão indo as coisas a seu redor.


A frase que não foi pronunciada

“Ao bom leitor meia pala basta!”
Teste para o leitor.


Distinção 
Ministro José Carlos da Fonseca recebe homenagem em sua terra. Será empossado hoje na Academia Calçadense de Letras, de São José do Calçado. Depois da solenidade, receberá homenagem dos conterrâneos. 

Televisão 
Dos 22 canais de TV regular, na Califórnia, seis são voltados para a comunidade asiática e seis aos espanhóis. As colônias são populosas e autossustentáveis. Se não houver interesse em aprender o inglês, esses imigrantes são capazes de viver a própria cultura por toda a existência em terra estrangeira. 

Criatividade 
Onde a criatividade é parte do trabalho, sempre deve haver duas portas. Uma para laboratório, outra para museu. No laboratório para a produção; no museu, para a coleção. O mundo tem o direito de saber o que é estudado cientificamente. A opinião é de Matías Tarnopolsky, nomeado diretor da Cal Performances. 

Reduzir 
Na Califórnia, o consumo de energia é 49% menos que a média americana. Mary Nichols, da Comissão de Recursos Atmosféricos, afirmou na Universidade de Berkeley que o objetivo é reduzir a emissão dos gases que causam o efeito estufa aos níveis de 1990 até 2020. 

Lembrança 
Em 1949, a maioria dos intelectuais acreditava que o comunismo salvaria a China. Em 1969, eles acreditavam que a China salvaria o comunismo. Em 1979, o primeiro ministro Deng Xiao Ping percebeu que o comunismo só salvaria a China. Em 2009, o mundo acredita que somente a China salvará o capitalismo. 

Clima 
Centro das atenções em Berkeley, John Hofmeister trabalhou na Shell. A discussão girava em torno das indústrias petrolíferas e automóveis. Novas sugestões e projetos para mudanças significativas no combate das alterações climáticas. Hofmeister, que agora dirige uma organização sem fins lucrativos, termina a palestra com esta pergunta: “Se vamos gastar dinheiro de qualquer maneira, por que não trabalhar agressivamente para evitar o pior?" 

Lunáticos 
Há preparação para tentar provar que existe algo mais que crise na sociedade americana. Barack Obama, sobrecarregado com as agruras econômicas internacionais e a guerra do Afeganistão, quer se beneficiar de uma boa lembrança para afugentar os problemas que afligem a população. Há 40 anos, o homem pisou a lua.

História de Brasília


A espada do marechal Odilio Denys, à entrada do elevador da Câmara, antes da solenidade de posse, sofreu uma ligeira pane. O ministro da Guerra, num esbarrão, deixou-a cair e depois, para que a lâmina entrasse na bainha, foi preciso o auxílio de outro oficial. (Publicado em 1/2/1961)