domingo, janeiro 04, 2009

PARA...HIHIHIHI

Joãozinho
Joãozinho viu o pai entrando no banheiro.A porta ficou aberta e ele entrou também.
Quando percebeu a presença do filho, o pai foi logo botando a mão no pau e gritou:
- Sai daqui, menino!
- Não, não saio! O que é que senhor tá escondendo?
- Sai daqui, filhinho! Não é nada!
- Não, não saio enquanto num me mostrar o que o senhor tá escondendo aí, pai!
- É um passarinho!
- Sacanagem, heim, pai... Comendo a bunda do passarinho?

BONITA E GOSTOSA


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JOÃO UBALDO RIBEIRO

Despetalando a flor do Lácio

O Globo

Despetalando” está correto, tenho praticamente certeza. Não acredito que um filólogo desalmado tenha resolvido que aí vai hífen.

Não, não vai, não é des-petalar. “Flor” e “Lácio” continuam, uma sem acento, outro com acento. Portanto, cem por cento de acerto em meu primeiro título na ortografia nova, brilhei mais uma vez. Isso, contudo, não me aplaca o nervosismo.

Deve ser a idade, porque já encarei algumas reformas ortográficas nesta curta existência e me saí satisfatoriamente, mesmo no tempo em que a gente tinha que grafar “tôda” com circunflexo, para distinguir de “toda”, que ninguém sabia o que era, embora, no ver de alguns, fosse uma ave amazônica pouco sociável, ou, segundo outros, uma exortação obscena de origem xavante.

Acho que esse ponto nunca será esclarecido (de qualquer forma, cartas de esclarecimento para o editor, por caridade) e constituirá mais uma das graves interrogações sem cujas respostas minha geração deixará este mundo.

Quando me peguei lendo, a maior parte da livrama de meu pai era na orthographia antiga e havia livros portugueses com suas próprias normas.

Apesar de leitor fominha que, mesmo sem entender nada, traçava o que aparecesse, levei semanas para compreender que “augmentar” era “aumentar”. Mas me acostumei e sempre transitei bem nessa área, para alguma coisa eu tinha de levar jeito.

Chefiei redação no tempo da abolição do acento diferencial e dedicava grande parte de meu tempo a explicar que, de então em diante, não se escreveria “voce”, mas “você” mesmo, como sempre. Foi difícil, muito mais difícil do que qualquer um imaginaria, tratando-se de gente instruída e, em muitos casos, talentosa.

Uma amiga minha sustenta que tudo vem de trauma da infância e eu tendo a concordar com ela. Sei de traumas profundos, carregados por amigos meus sob o jugo — o que, graças a Deus, não foi meu caso — de professores de português dogmáticos e caturras, que entupiam todos de regras quase impenetráveis e só podiam com isso instilar ódio e temor pela língua e pelo que nela é escrito. Para muitos, os livros são dolorosas memórias de torturas.

E as reformas sempre levam alguma coisa com elas. Já haviam feito isso com o K, o W e o Y, agora reabilitados, se bem que nunca de fato o povo os haja banido, aí estando o Kilo, o Waldir e o Ruy, que não me deixam mentir e nem ao menos caíram na clandestinidade, mas continuaram a circular com grande liberdade.

Levaram a indicação da subtônica também, aquela que, por exemplo, marcava com acento grave palavras como “precàriamente” e mostrava a existência da subtônica (“cà”). Mas, segundo eu soube, nem precisamos (precisamos, sim), nem temos condição de exigir que as subtônicas se pronunciem, tudo bem, não estamos à altura.

Por mim, tenho trauma do trema.

Ontem me disseram que fui visto com o olhar distante, em frente a este monitor, sacudindo lentamente a cabeça e murmurando “não me conformo, não me conformo”. Não me recordo disso, pode perfeitamente ser uma invencionice, mais uma das anedotas apócrifas que contam sobre nós, celebridades internacionais. Mas a verdade é que não me conformo não somente com a saída do trema e suas temíveis consequências (em breve alguém lerá aí “consekências”, assim como chegará o dia em que um simpático alemão que veio morar no Brasil nos perguntará, com sotaque ainda carregado, onde poderá comprar “linghiças”, raio de lingúa difícil, depois reclamam do alemão).

Não posso igualmente aceitar a maneira sem-cerimoniosa com que ele foi humilhantemente defenestrado, depois de tanto tempo de serviços prestados.

Expulso sem nem um relógio folheado a ouro de lembrança, uma plaquinha sequer.

O volume principal de besteiras que vem aí, em nome dessas mudanças, embora esteja longe de restringir-se a ele, deverá ser o despejado pelo enlouquecido movimento do “fala-se como se escreve”, uma completa piração defendida exaltadamente por muita gente.

Gente esquecida, é claro, de que a grafia é uma maneira sempre imperfeita, rudimentar mesmo (os textos gregos clássicos não costumavam ter intervalos entre as palavras e muito menos sinais de pontuação ou acentos, isso tudo veio muito depois), de se tentar congelar em símbolos toda a riqueza da fala, suas inflexões, os gestos, os timbres e os tons que a acompanham, enfim, um universo imensamente amplo para 26 letras e alguns sinais diacríticos.

Então, “falar como se escreve” é uma inversão completa, que só pode ter efeitos grotescos, para não dizer maléficos. Alguns já podem ser notados, em suas primeiras manifestações insidiosas. O que mais me mexe com os ner vos é o umazero (1x0) ou umaum (1x1) de grande parte dos narradores esportivos. Não sei o que deu neles, praticando a forma mais execranda do “fala como escreve”. O eme do final de “um” está aí para nasalar a vogal, só para isso, tanto assim que, em português antigo, era comum escreverse com til. Agora não, agora se pronuncia “como se escreve”, e o resultado é que, se deixarem a coisa correr solta, daqui a pouco ninguém distingue mais “um olho”, de “um molho”, “um achado” de “um machado”.

Ouço também, embora com muito menos frekência (esta palavra está errada, foi só vontade de usar o K) o M final de “com”, ser “misturado” à vogal inicial da palavra que a segue. “Com ida marcada para” seria “comida marcada para”, o que poderia render um mal-entendido ou outro. E por aí vai a língua, junto com a vida. Alguém já está ganhando dinheiro com isso. Não somos nós, como de hábito, mas nem por isso deixemos de nos alegrar. Combustível novo na combalida economia do livro. E que serve para mais uma vez mostrar aos eternos descontentes como este governo é reformista

CLÓVIS ROSSI

Duas hipóteses sobre o Hamas

Folha de São Paulo

PARIS - Claudia Antunes, a competentíssima editora de Mundo, matou a charada da atual crise em Israel/Palestina em artigo no primeiro dia dos ataques a Gaza, sob título que diz tudo: "Falta um plano para lidar com Hamas".
Qualquer plano teria que partir de uma de duas hipóteses. Hipótese 1 - Tratar o Hamas como um grupo terrorista com o apoio da maioria dos palestinos (pelo menos os de Gaza). Se é assim, o plano seria aniquilar o grupo, transformando Gaza no maior cemitério do mundo. Hipótese 2 - Tratar o Hamas como um movimento político, religioso e assistencialista que tem, sim, um grupo armado -e terrorista. A pergunta seguinte é: dá para amputar o braço podre sem matar o resto do corpo? Tudo indica que não.
Aliás, o Ocidente já foi submetido a uma prova parecida, na Argélia de 1992. A FIS (Frente Islâmica de Salvação, grupo com algum parentesco com o Hamas) ganhou o primeiro turno da eleição. A reação foi um golpe militar, com apoio/estímulo ocidental, que deu origem a uma guerra civil cruenta, dezenas de milhares de mortos e uma paz apenas relativa, vira e mexe interrompida por atentados. Se se aceitar a hipótese 2, o lógico seria negociar com o Hamas.
É horrível negociar com um grupo que abriga terroristas? Também acho. Mas não é igualmente horrível ter parte da população de Israel sob ameaça permanente de que um foguete caia dos céus na cabeça dela? Não é igualmente horrível promover um banho de sangue de civis inocentes, inclusive crianças, e de suspeitos de terrorismo, condenados à morte sem o direito ao devido processo legal, o que contraria a essência do judaísmo? Há até antecedente: a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) também era dada como terrorista, mas Israel acabou por negociar com ela.

CLÓVIS ROSSI

Duas hipóteses sobre o Hamas

PARIS - Claudia Antunes, a competentíssima editora de Mundo, matou a charada da atual crise em Israel/Palestina em artigo no primeiro dia dos ataques a Gaza, sob título que diz tudo: "Falta um plano para lidar com Hamas".
Qualquer plano teria que partir de uma de duas hipóteses. Hipótese 1 - Tratar o Hamas como um grupo terrorista com o apoio da maioria dos palestinos (pelo menos os de Gaza). Se é assim, o plano seria aniquilar o grupo, transformando Gaza no maior cemitério do mundo. Hipótese 2 - Tratar o Hamas como um movimento político, religioso e assistencialista que tem, sim, um grupo armado -e terrorista. A pergunta seguinte é: dá para amputar o braço podre sem matar o resto do corpo? Tudo indica que não.
Aliás, o Ocidente já foi submetido a uma prova parecida, na Argélia de 1992. A FIS (Frente Islâmica de Salvação, grupo com algum parentesco com o Hamas) ganhou o primeiro turno da eleição. A reação foi um golpe militar, com apoio/estímulo ocidental, que deu origem a uma guerra civil cruenta, dezenas de milhares de mortos e uma paz apenas relativa, vira e mexe interrompida por atentados. Se se aceitar a hipótese 2, o lógico seria negociar com o Hamas.
É horrível negociar com um grupo que abriga terroristas? Também acho. Mas não é igualmente horrível ter parte da população de Israel sob ameaça permanente de que um foguete caia dos céus na cabeça dela? Não é igualmente horrível promover um banho de sangue de civis inocentes, inclusive crianças, e de suspeitos de terrorismo, condenados à morte sem o direito ao devido processo legal, o que contraria a essência do judaísmo? Há até antecedente: a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) também era dada como terrorista, mas Israel acabou por negociar com ela.

ELIANE CANTANHÊDE

O Maranhão é o Brasil

BRASÍLIA - Nada poderia espelhar melhor a desigualdade brasileira do que o Maranhão que emergiu de três páginas diferentes da Folha na última sexta-feira.

Na pág. A2, no texto "A crise na janela", delicioso como sempre, José Sarney não fica a ver navios e sim "um solitário barco envolto na bruma de sal". É a crise a olho nu, mas Sarney trata de enaltecer São Luís como o segundo porto do Brasil, exportando 110 milhões de toneladas de minério de ferro e alumínio, além de soja, milho, babaçu.
O Maranhão também tem "a maior fábrica de alumínio do mundo, da Alcoa" e a "melhor infraestrutura do Nordeste", com estradas de ferro e "comboios imensos, milhares de operários, lavra, energia e estradas". Fantástico.
Mas esse é um Maranhão. Há outros. Você vira a página e, na A4, as notas "Fichados 1" e "Fichados 2", do Painel, informam que o Estado contribui para a nova "lista suja" de trabalho escravo com um juiz, Marcelo Baldochi, e o ex-prefeito de Santa Luzia Antonio Braide, pai de um ex-assessor do ministro maranhense Edison Lobão.
Virando mais uma página, chegamos à A6 e à reportagem sobre maranhenses que, no primeiro dia do ano, incendiaram a prefeitura, o fórum e o cartório da mesma Santa Luzia, a 300 km de São Luís e do segundo porto brasileiro. Motivo: quem ganhou a eleição para prefeito não levou. A Justiça não deixou.
Na véspera, com os salários atrasados e sem Natal, prestadores de serviço tinham invadido a casa do prefeito Zilmar Melo e a empresa de informática da família, em Tutoia (457 km da capital e do porto maravilhoso). Quebraram até os carros. O que restou, levaram.
E o Maranhão de um ex-presidente recente (1985-1990) e "da maior fábrica de alumínio do mundo" não é só lembrado por trabalho escravo e pela fúria de cidadãos, mas pelos piores desempenhos em português e em matemática. E no IDH, claro.
O Maranhão é o Brasil. Ou melhor, o Brasil é o Maranhão.

STEPHEN KANITZ

REVISTA VEJA


Stephen Kanitz 
Um castelo de cartas
que desaba?

"Para o futuro, devemos indagar por que 
as empresas não possuem as reservas
que deveriam ter para aguentar as crises"

Ilustração Atómica Studio


Duas alegorias estão sendo associadas à crise de 2008. A primeira, a de que se trata de um castelo de cartas que desabou, como o Muro de Berlim – só que agora é o muro de Wall Street –, o que significaria uma nova ordem mundial a ser construída, com Barack Obama no comando. Por isso tão poucos artigos foram escritos numa tentativa de impedir essa crise. Muito pelo contrário, a maioria dos intelectuais americanos noticiava, com certo prazer, cada detalhe desse desmoronamento. Quanto pior e mais rápido, melhor. O problema é que o castelo de cartas era americano, e não brasileiro, e quem vai pagar pelo pânico aqui gerado é nosso trabalhador, como sempre.

Uma pesquisa do Datafolha revela que 29% dos trabalhadores brasileiros acham que perderão o emprego em 2009, o que mostra a extensão do medo disseminado. Nem em 1929 o desemprego chegou a tanto. Pesquisa do Ibope indica que 50% dos brasileiros vão reduzir gastos. 
Se não revertermos esse pânico, aí, sim, teremos uma recessão em 2009. Portanto, demos vários tiros no pé, podería-mos ter passado relativamente imunes, mas não agora com esse pessimismo todo. Acreditar que reduzir juros resolve, como muitos estão sugerindo, é até infantil. Quem teme perder o emprego não compra a prazo nem com juro zero. Nem com redução de IPI.

A outra alegoria, a que eu prefiro, é a da cadeia de dominós que tombam um a um. É o setor imobiliário, que derruba o setor financeiro, que derruba o setor automobilístico, que derruba o de autopeças, e assim por diante. Não é um castelo de cartas que desaba, mas, sim, uma única peça que cai por alguma razão e arrasta as demais. Perguntas que aqueles que se dizem especialistas no assunto deveriam fazer, mas, infelizmente, não fazem, são: por que o segundo dominó não conseguiu aguentar o tranco do primeiro? Por que, quando um cliente seu não paga, você tem de atrasar seu fornecedor ou despedir seus funcionários? Quando uma empresa despede 2% dos funcionários, como fez a Vale do Rio Doce, o que ela está dizendo é o seguinte: "Vocês, trabalhadores, que sobrevivam usando as suas reservas financeiras pessoais. Não vamos ajudá-los usando as nossas reservas empresariais. Boa sorte e adeus!".

A solução para o futuro é fazer indagações como estas: por que as companhias não possuem as reservas que deveriam ter para aguentar o tranco do parceiro na frente, se ele tropeçar? Por que as empresas não constituem reservas nos tempos bons para usar nos tempos difíceis? Não é por ganância, mas por arrogância intelectual. Muitas companhias passaram a contratar especialistas em prever o cenário econômico, aqueles que previram que o dólar fecharia o ano a 1,67 real, lembram-se? Derrubaram a Sadia, a VCP e a Aracruz. "O futuro é previsível, senhores, o câmbio não passa de 1,80 real, portanto as reservas da sua empresa podem ser reduzidas." Ledo engano, como já alertei inúmeras vezes aqui. O futuro não é previsível, minha gente, e foi essa arrogância intelectual que fez o sistema todo ruir.

O Brasil em outros tempos já estaria pedindo socorro ou reservas financeiras ao FMI. O que ocorreu de diferente desta vez? O país tinha reservas de 200 bilhões de dólares, acumuladas sob críticas constantes de que eram desnecessárias. Existem inúmeras outras razões por que empresas não constituem reservas, desde a pressão de analistas, a tributação de reservas, o que é um absurdo, e otimismo demasiado com relação ao futuro. No Brasil, taxamos reservas na pessoa jurídica em 32% e na pessoa física em 20%, o que leva à distribuição imediata aos sócios. Outro absurdo.

Para que companhias se mantenham sólidas no futuro, temos de lidar com essas questões, e não com a redução de juros, mais gastos do governo, mais supervisão mundial. Portanto, preparem-se, porque em 2009 vamos ler um monte de bobagens, com prêmios Nobel sugerindo uma nova ordem mundial, e ninguém vai se lembrar do óbvio de que países, empresas e famílias precisam de reservas financeiras adequadas, para aguentar as tempestades futuras e não demitir pessoal.

O IDIOTA


DOMINGO NOS JORNAIS

Globo: Preço de passagem aérea pode cair 30% em 2009

Folha: Prevista para 2010, obra do São Francisco tem trechos parados

Estadão: Indústria aposta no mercado interno para enfrentar crise

JB: Os 100 primeiros dias de Paes

Correio: Material escolar: Está tudo mais caro

Valor: Economia desaquecida vai garantir oferta de energia

Gazeta Mercantil: Por que as 'ações de viúva' fazem sucesso

sábado, janeiro 03, 2009

ISRAEL


ISRAEL TEM DIREITO DE DEFESA

Entre o dia 19.12 e 26.12.08, o Hamas lançou mais de duzentos foguetes contra Israel. 
O que danando é força despropocional? 
Se Esse conceito fosse aplicado durante a segunda guerra mundial, ela não teria terminado.
Terroristas devem ser eliminados a qualquer custo.
O mundo ficou melhor com os dois Canalhas do Hamas mortos.
Nós deviamos aplicar essa receita com o MST, Vila Campesina e mais outras quadrilhas travestidas de movimentos sociais.

PARA OS LEITORES DO BLOG


Enviado por JUNIORMACAU, esse quer o lugar de qualquer maneira.
valeu Juninho

UM VERÃO PERIGOSO

O VERÃO E A DOLOROSA MISSÃO ECLESIAL

 Nem se iniciou a efervescente temporada de veraneio, e os acidentes, o descumprimento das normas, o descaso e o perigo a que nos expomos já fez a sua primeira (?!) vítima.

      Como se não bastassem os quadriciclos e motos na areia da praia, os jet skis e lanchas disputando espaço com os banhistas; como se já não fosse demais a quantidade de dejetos arremessados irresponsavelmente no Rio Pium e em quase toda a orla potiguar; o som de trio elétrico nos carros; motoristas menores de idade; lanchas trafegando com pessoas sem habilitação e seus ocupantes sem uso de coletes salva-vidas; agora também estamos expostos à velocidade, ao perigo e às manobras (ao gosto do vento) dos Kite Surfs.

                   O equipamento (ou a arma do crime) é composto de uma prancha, confeccionada em espuma de poliuretano de alta densidade (divinicel) e resina epoxi, que está ligada a uma vela de nylon rip-stop (o mesmo usado em pára-quedas e asa-delta) por uma rede de fios também de nylon que, durante a prática esportiva, em um momento ficam a 15 metros de altura e, no instante seguinte, já estão paralelos ao nível do mar, prontos para cortar o seu pescoço como uma navalha. A prancha também representa perigo igual ou maior ao chocar-se, em alta velocidade, contra qualquer banhista.

                   Lamentavelmente, não falo no campo da hipótese. Na manhã de ontem (27.12.2008), estávamos, eu e minha esposa Uianê Azevedo, tomando banho na Praia de Pirangi do Norte, a não mais de 5 metros da areia. A água estava um pouco acima do joelho. Em segundos, um destes equipamentos aproximou-se de nós. Enquanto tentávamos correr para a areia, a tal vela (também conhecida como pipa), totalmente descontrolada, começou a girar em alta velocidade e, de forma violenta, oscilava seu giro entre o mar e o ar, em círculos de 10 metros de diâmetros. Ao descer veloz, batia violentamente sobre a minha esposa lhe provocando lesões corporais na fronte, na barriga, nas costas, nos braços, em uma das axilas... E o mais grave: um dos fios atingiu-lhe exatamente o pescoço.

                   Por ser médica, conseguiu, com meu auxílio e de outras pessoas, adotar os primeiros socorros em seu benefício, na tentativa de diminuir o sofrimento e dores causadas pelos ferimentos.

                   Foram momentos de muito terror. O seu corpo, atingido em vários locais, sangrava. O desespero tomava conta de nós pela incapacidade de reagir a tão violento ataque. Por verdadeiro milagre, as cordas de nylon se desenrolaram de seu corpo por si só. Não tive dúvidas de que a sua vida esteve ali por um fio... de nylon.

                   O tal kite surf vinha “dirigido” por um jovem que se identificou, após o acidente, como sendo instrutor. Quando ele me disse isto, fiquei com um questionamento: como será, então, que um aprendiz “dirige” aquele equipamento?!

                   É importante realçar que já há disciplinamento legal a ser cumprido. A Lei Federal nº 9.537, de 11.12.1997, regulamentada pelo Decreto nº 2.596, de 18.5.1998; a Lei Federal nº 7.661, de 16.5.1988, regulamentada pelo Decreto nº 5.300, de 7.12.2004; além da NORMAM nº 03, emanada da Diretoria de Portos e Costas que, em seu capítulo 1 - 109, (Áreas Seletivas para a Navegação), contém, no item “b”, 1, que as embarcações utilizando propulsão a remo ou a vela só poderão trafegar a partir de cem (100) metros da linha de arrebentação das ondas e as embarcações de propulsão a motor, tais como jet ski, reboque de esqui aquático e pára-quedas a partir de duzentos (200) metros daquela linha.

                   Para pôr fim a todo este “mundo-sem-lei” em que se transformam as praias, sobretudo na época do veraneio, é necessário que cada cidadão respeite o ordenamento legal. Que a Guarda Costeira, a Capitania dos Portos, a Polícia Militar, o DETRAN e Corpo de Bombeiros (salva-vidas) estejam presentes e fiscalizem. É imprescindível que a autoridade legislativa discuta e regulamente o que ainda não está limitado. É necessário que cada um faça a sua parte e assuma seu papel para evitar que a autoridade eclesial necessite cumprir sua dolorosa missão: celebrar a missa de sétimo dia.

                   Artêmio Jorge de Araújo Azevedo

                   Advogado

ANO NOVO?


SÁBADO NOS JORNAIS

Jornais nacionais

Folha de S.Paulo
Importação cresce e saldo comercial é o pior sob Lula

Agora S.Paulo
Aposentadoria imediata começa segunda no INSS

O Estado de S.Paulo
Saldo comercial é o menor do governo Lula

Jornal do Brasil
Futuro indefinido das obras no Rio

O Globo
Paes encontra R$ 1,3 bilhão em caixa deixado por Cesar

Gazeta Mercantil
Por que as "ações de viúva" fazem sucesso

Valor Econômico
Economia desaquecida vai garantir oferta de energia

Correio Braziliense
Um milhão e meio de multas no DF

Estado de Minas
Tempo de reconstruir

Jornal do Commercio
O pior ano da Bolsa de São Paulo desde 1972

Diário do Nordeste
Ceará tem a 2ª maior epidemia de dengue

A Tarde
Câmara elege novo presidente polêmico

Extra
Comércio começa liquidações com descontos de até 80%

Correio do Povo
Lula critica prefeitos que reduzem obras

Zero Hora
Tragédia alerta para fim de feriadão nas estradas

Jornais internacionais

The Washington Post (EUA)
Dívida americana deve atingir US$ 2 trilhões em 2009

The Times (Reino Unido)
Empresas de caridade cortam serviços à medida que doações começam a diminuir

Le Figaro (França)
Barack Obama se instala em Washington

China Daily (China)
Plano de estímulo adicional da economia em preparação

Clarín (Argentina)
Gaza: já são 432 mortos e Hamas assegura que não desistirá

sexta-feira, janeiro 02, 2009

NELSON MOTTA

Os bons companheiros


O Globo - 02/01/2009
 

-O que você quer ser quando crescer, meu filho? 

- Sindicalista! 

Garoto esperto. No Brasil país de todos, que é mais de alguns "todos" do que de outros, a carreira sindical passou a ser uma das mais valorizadas. Não só pelos benefícios pessoais, da estabilidade no emprego sem trabalhar às benesses das diretorias sindicais, mas como trampolim para cargos políticos e eletivos, que pode levar aos melhores empregos da República. 

A nobre missão de defender os interesses dos companheiros de trabalho tem sido um terreno fértil para talentos, mas não necessariamente nas suas categorias. Ocupados em lutar pelos companheiros, eles não têm tempo, nem aptidões e nem ambição de progredir em seus ofícios. 

É difícil vislumbrar sindicalistas, por exemplo, entre bancários, que sejam os melhores profissionais de sua área. É natural: eles odeiam, ideologicamente, a idéia de banco, detestam seus empregadores gananciosos e exploradores, nada entendem do negócio. Entendem de salários, carreiras, horas extras, planos de saúde, aposentadorias, bônus, participações nos lucros e na administração, questões trabalhistas. 

Sua missão legítima é conquistar, no papo ou no grito, as maiores vantagens possíveis para a categoria. Sua formação, suas estratégias e seus objetivos são conseguir cada vez mais para seus companheiros, e só para eles. E já é muito! Para equilíbrio do capitalismo, é preciso que alguns façam este trabalho. Mas será que isto os qualifica para um alto cargo em um banco, uma agência reguladora ou uma estatal? 

Ou faz de um líder petroleiro um expert em produção ou comércio de petróleo? E, no entanto, tantos ocupam cargos que exigem qualificações profissionais que eles não têm, simplesmente porque não estudaram, não praticaram e nem se desenvolveram nos seus ofícios. Porque estavam trabalhando pelos companheiros. 

Deve ser por isso que, quando a militância sindical qualifica alguém para uma diretoria de estatal, um banco ou uma agência, seja inevitável que, chegando lá, eles continuem priorizando os interesses dos companheiros, e só deles. Não é por mal, é só força do hábito. 

ILIMAR FRANCO

Independência

Panorama Político

O Globo - 02/01/2009
 

Último candidato a se lançar na disputa pela presidência da Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) está propondo a recuperação de uma agenda própria da Casa. "No vazio dessa agenda é que há o abuso das medidas provisórias e a pressão das corporações", disse ele, que já foi presidente da Câmara e ministro responsável pela articulação política do governo Lula. 

Aldo critica governo 

Na agenda proposta por Aldo está a reforma tributária, que o governo não conseguiu votar no ano passado por falta de apoio de governadores. "Não para votar como um pacote. Tem que ser um programa que se atravesse como um rio, pisando sobre as pedras, e não que se mergulhe e saia do outro lado", disse ele, que também defende a votação da reforma política. O deputado também propõe a implantação, aos poucos, do Orçamento impositivo. "Enquanto isso, vamos votando medidas provisórias, mas tem que ter limites. Quando eu era ministro, até reajustar tabela de cobrança de conselhos queriam fazer por MP", disse ele. 

Sem rusgas 

Apesar de apoiar Temer, o PT não vai tratar Aldo como adversário na disputa pela presidência da Câmara. A orientação é não esticar a corda. A preocupação é com o apoio do Bloco de Esquerda (PCdoB-PSB-PDT) nas eleições de 2010. 

Os discursos sobre a crise parecem quase uma torcida" - Ideli Salvatti, senadora (PT-SC), afirmando que a oposição aposta no quanto pior, melhor 

Quércia quer lugar de Temer 

Orestes Quércia está se movimentando de olho na presidência do PMDB. O deputado Michel Temer (PMDB-SP), atual presidente do partido, tem dito que não vai renunciar ao cargo, se for eleito presidente da Câmara. Mas peemedebistas afirmam que ele não quer é abrir uma nova frente agora. O senador Romero Jucá (RR) também está trabalhando pela presidência do PMDB, mas sofre resistências por ser um "neopeemedebista". 

Medidas contra crise dividem governo 

Enquanto o presidente Lula quer mais medidas de incentivo à economia para enfrentar a crise, a equipe econômica do governo se divide sobre quais iniciativas seriam melhores. Parte do governo, como o Ministério do Desenvolvimento, defende medidas pontuais para alguns setores, como foi a redução do IPI para os automóveis. Outro grupo, mais forte na Fazenda, quer benefícios horizontais, como novas alíquotas do IR, beneficiando de uma vez 25 milhões de contribuintes. 

COMPENSAÇÃO. Já tem peemedebista sugerindo que o presidente Lula dê o Ministério da Saúde ao senador Tião Viana (PT-AC) como compensação pela presidência do Senado. São os partidários da candidatura José Sarney (PMDB-AP). 

ESTILO. Empossado vice-prefeito de São Bernardo (SP), Frank Aguiar (PTB) conclui assim a mensagem da caixa postal de seu celular: "Fui!". 

MP. A pauta de votações do Senado já começa 2009 trancada por uma medida provisória. 

Lua-de-mel 

Com a bênção do PT, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) continuará na liderança do governo este ano. "A não ser que o Obama convide ele", disse a senadora Ideli Salvatti (PT-SC). A lua-de-mel deve-se ao apoio de Jucá a Tião Viana (PT-AC). 

ANCELMO GÓIS

Abre o bolso, Chávez


O Globo - 02/01/2009
 

Antes de embarcar para Fernando de Noronha, Lula convidou o governador Eduardo Campos para ir, dia 16 agora, à Venezuela encontrar Hugo Chávez. 

É que, sobre a construção da refinaria de Abreu e Lima, parceria dos dois países em Pernambuco, o venezuelano é só gogó. 

Até agora 

A Petrobras já pôs R$500 milhões nas obras. 

Já a venezuelana PDVSA, que terá 40% do negócio, não investiu nenhum centavo até agora. 

No mais... 

O governador não espera atrair visitantes para Fernando de Noronha com a ida de Lula. É que a capacidade para turistas no lugar está saturada. 

Campos até mandou retirar da ilha uns 40 carros que rodavam por lá. Ainda ficaram 200. 

Casas populares 

Lula deve anunciar até 30 de janeiro um pacote para a construção civil. 

Em parceria com os estados, os planos são de construir umas 500 mil casas. 

11 Paraguais 

Em 2008, a usina de Itaipu Binacional bateu o recorde mundial de geração de energia. A geração acumulada ano passado alcançou 94.684.781 MWh. 

É energia suficiente para abastecer a Argentina por um ano ou o Paraguai por 11 anos.

CELSO MING

Metamorfose

O Estado de S. Paulo - 02/01/2009


A crise global é um bicho em metamorfose. Não começou em 2008; explodiu, sim, em 2008, e não tem prazo para terminar.

Seus nomes também vão mudando. Começou como crise subprime, porque eclodiu no segmento das hipotecas podres americanas. Logo se viu que não foi só a bolha dos imóveis que estourou. A encrenca é muito maior porque, a partir de determinado momento, já não se sabia mais quais eram os preços de um grande número de ativos e, então, passou a ser chamada crise do lixo tóxico. 

Em seguida, banco deixou de confiar em banco, o crédito estancou e foi preciso enfrentar a subcapitalização das instituições financeiras, fossem elas bancos ou não. Sobreveio, então, a expressão crise de desalavancagem.

E, a partir daí, tudo virou crise financeira global que já não se restringe às finanças porque há uma forte recessão encomendada e em fase de entrega, que poderá ou não degenerar em depressão.

Essa é uma crise sem precedentes. Não guarda características comuns às anteriores. Basta dizer que, nos últimos 50 anos, o primeiro efeito sempre foi o derretimento da moeda e dos títulos do país em crise. Desta vez, está acontecendo o contrário. O dólar e os títulos do Tesouro americano continuam sendo os ativos mais procurados e, portanto, mais valorizados. Mas aí já entramos na ideia desta coluna, que é a de apontar algumas novidades que podem ficar consagradas.

A primeira delas é o princípio de que banco grande não pode quebrar. Quando as autoridades entregaram o Lehman Brothers à própria sorte, imaginavam que moralizariam o mercado financeiro. Até agora, foi o maior desastre desta crise. O desmonte do Lehman espalhou o pânico em todos os mercados. Em novembro, o Citigroup arrancou US$ 307 bilhões em socorro oficial. 

Outra característica sem precedentes dessa crise é a intervenção dos governos. Nunca bancos centrais e secretários de tesouro se meteram tanto nos negócios. Bancos foram parcialmente estatizados, bancos centrais compraram ativos podres de bancos ou de empresas comuns, recursos fiscais foram usados para comprar ativos rejeitados pelo mercado ou repassados ao contribuinte para que continue consumindo.

A intervenção estatal ao redor do mundo se conta aos trilhões de dólares. Mas ainda é pouco. Nos próximos meses, mais recursos e intervenções virão. Provavelmente em janeiro o governo Obama anunciará novo pacote, de US$ 850 bilhões, para socorrer a economia. Essa intervenção não ficará sem consequências. Falta saber quais serão.

E, por falar em atuação do Estado, há ainda a questão regulatória. É verdade que faltou regulação aos mercados. Mas não é verdade que essa foi a falha central. A maioria das leis e dos regulamentos está aí e não há muito o que mudar. A falha principal foi dos organismos de fiscalização e supervisão. Os bancos centrais falharam miseravelmente, as agências de acompanhamento do mercado financeiro e de classificação de risco falharam miseravelmente e os governos falharam miseravelmente.

Aí está a pergunta a ser respondida em 2009: como é que se pode contar com mais intervenção do Estado para disciplinar os mercados se o agente que mais falhou na origem desta crise foi o próprio Estado? Ou o Estado é outro animal em metamorfose?


Confira

E os fundos de pensão? Trilhões de dólares em patrimônio derreteram nessa crise: imóveis, hipotecas, ações, títulos de dívida, commodities. 

Está para aparecer quem calcule a desvalorização da aposentadoria futura de tanta gente pelo mundo, que estava amarrada aos fundos de pensão.

Parte desses ativos recuperará valor. Mas sabe-se lá quanto do patrimônio anterior desaparecerá para sempre. Boa pergunta está em saber qual será a reação do cotista do fundo. Vai trabalhar mais ou esperar pela recuperação do seu patrimônio? Ou vai se conformar em viver com menos?

EMPACOU


SEXTA NOS JORNAIS

JORNAIS NO BRASIL E NO MUNDO

Jornais nacionais

Folha de S.Paulo
Na posse, prefeitos já preveem cortes

O Estado de S.Paulo
Prefeitos assumem com corte de gastos

Jornal do Brasil
Paes toma posse e decreta: 1. Choque de ordem no município/ 2. Auditoria na Cidade da Música/ 3. Fim da aprovação automática/ 4. Aperto no orçamento da prefeitura

O Globo
Eduardo Paes assume cortando gastos com pessoal e contratos

Correio Braziliense
Calotes vão crescer no primeiro semestre

Estado de Minas
Da posse ao caos

Diário do Nordeste
Siderúrgica do CE ameaçada

Extra
Alunos da prefeitura vão poder praticar esportes em clubes do Rio

Correio do Povo
Temporal provoca mortes e destruição em Belo Horizonte

Zero Hora
Promessas reafirmadas

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Indústria do aço, em colapso, espera estímulo dos Estados Unidos

The Washington Post (EUA)
No Iraque, o dia seguinte

The Times (Reino Unido)
Foguetes em Gaza colocam usina nuclear de Israel em zona de batalha

The Guardian (Reino Unido)
Criminosos enfrentam voto público para punições

Le Monde (França)
Sarkozy deverá obter resultados concretos perante a crise

China Daily (China)
Mundo faz festa silenciosa para chegada de 2009

El País (Espanha)
Rússia reabre guerra do gás na Europa

Clarín (Argentina)
Novos ataques israelenses em Gaza afastam trégua

quinta-feira, janeiro 01, 2009

DEMÉTRIO MAGNOLI

REVISTA VEJA

Artigo Demétrio Magnoli
Começa o outono de Lula

"No fim de seu segundo mandato, seremos ‘brancos’ ou 
‘negros’ antes de sermos brasileiros. Eis aí a verdadeira 
mudança promovida pela era Lula: uma bomba social de 
efeito retardado que sua passagem pela Presidência 
deixa aos filhos e netos da atual geração"

Sergio Moraes/Reuters

SALVACIONISMO Lula em discurso: ele não enxerga nada de positivo antes
de seu próprio advento

Lula chegou ao Palácio do Planalto como a personificação de esperanças exageradas, quase ilimitadas: "Foi para isso que o povo brasileiro me elegeu presidente da República: para mudar". Na hora em que começa o outono de seu segundo mandato, contudo, é tempo de investigar a sua herança: desses oito anos, o que ficará incrustado no edifício político brasileiro?

"Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta." Antes de tudo, provou-se que diplomas acadêmicos não são adereços indispensáveis para governar. Os acertos e os erros de Lula decorrem de suas opções políticas, não das supostas virtudes ou das óbvias carências associadas a um nível baixo de instrução formal. O presidente não precisou de uma universidade para preencher a diretoria do Banco Central com um time de economistas que ostenta medalhas acadêmicas incontáveis – e concepções opostas às doutrinas econômicas petistas. Bastou-lhe o faro político privilegiado do conservador que, no fundo, nunca deixou de ser. Inversamente, o elogio da ignorância, um traço ubíquo dos pronunciamentos presidenciais, não reflete uma suposta convicção de que a escola é desnecessária, mas o egocentrismo exacerbado de um líder salvacionista.

"Nunca antes neste país." O salvacionismo abomina a história, apresentando-se como o início de tudo: a virtude que exclui o vício e escreve uma nova história num mármore intocado. A democracia enxerga a si mesma como um processo de mudanças incrementais. O líder salvacionista não enxerga nada de positivo antes de seu próprio advento. Lula é uma versão pragmática, cuidadosa e mesquinha de salvacionismo. De dia, ele denuncia "a elite que nos governa há 500 anos". À noite, cerca-se de grandes empresários, a quem atende e de quem espera retribuição. O sucesso do estilo político salvacionista deriva das fraquezas de nossa democracia – e as perpetua.

"Não se enganem, mesmo sendo presidente de todos, eu continuarei fazendo o que faz uma mãe: cuidarei primeiro daqueles mais necessitados, daqueles mais fragilizados." Lula não inventou o paralelo entre a nação e a família, que faz parte da longa linhagem do pensamento conservador de raiz autoritária. Mas, com a expansão do Bolsa Família, ele encontrou uma fórmula de modernização do assistencialismo tradicional. A distribuição direta de dinheiro, no lugar das proverbiais dentaduras, não é a fonte do aumento do consumo dos pobres, que reflete o crescimento da economia em geral e do salário mínimo em particular. Pouco importa: em virtude de sua eficácia eleitoral, o Bolsa Família será adotado pelos próximos governantes, sejam quem forem. Eis um legado duradouro da "mãe do povo".

"Não tem Congresso Nacional, não tem Poder Judiciário. Só Deus será capaz de impedir que a gente faça este país ocupar o lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar." O lulismo aprofundou a subserviência do Parlamento ao Executivo, que se manifesta sob a forma de um intercâmbio: o Congresso se anula politicamente enquanto os congressistas da base do governo chantageiam o presidente para conseguir cargos e favores. A troca descamba sem dificuldades para a corrupção aberta. O "mensalão" foi isto: um projeto de estabilização da base governista pela compra direta dos parlamentares. Ele acabou exposto, mas apenas em virtude de uma fortuita ruptura interna à ordem da corrupção. Lula não caiu, apesar de tudo, e a oposição nem sequer apresentou um processo de impeachment. A elite política aprendeu do episódio que um presidente popular não será punido nem mesmo se distribuir dinheiro a parlamentares.

"Se tem uma coisa que está dando certo no governo é a política econômica. O PT não pode se esconder, procurando motivos para as derrotas, com críticas a ela." O PT morreu como partido da mudança antes da vitória eleitoral de Lula, com a Carta ao Povo Brasileiro, que o converteu em partido da ordem. Nos partidos social-democratas europeus, transições similares verificaram-se antes e de modo diferente. Eles renunciaram publicamente a seus velhos programas revolucionários, adotando programas fundados nos cânones da democracia e da economia de mercado. O PT, não: embora, na prática, sustente a ortodoxia econômica do governo Lula, suas resoluções clamam pela ruptura socialista, denunciam a liberdade de imprensa e fazem o elogio da ditadura de partido único cubana. A cisão entre o gesto e a palavra não apenas corrompe politicamente o partido como também alimenta um tipo mais virulento de corrupção.

Dida Sampaio/AE

MÁQUINA CLANDESTINA O operador do mensalão Delúbio Soares: o PT não consegue estabelecer distinções entre as instituições públicas e o partido


"Se eu falhar, será o fracasso da classe trabalhadora." Uma máquina clandestina petista, instalada dentro do Planalto, conduziu as operações do "mensalão". Militantes partidários em altos cargos públicos realizaram a quebra de sigilo do caseiro Francenildo, um crime de estado que passará impune. Se acreditamos que temos a chave do futuro e uma missão histórica redentora, não hesitamos em usar de qualquer expediente para realizar as finalidades partidárias. O PT não consegue estabelecer distinções entre as instituições públicas e o partido. No fundo, interpreta a democracia como instrumento transitório para a sua perpetuação no poder. Depois de Lula, o maior partido brasileiro continuará a figurar como elemento de distúrbio no sistema político.

"Quem chega a Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades no mundo são tão limpas." Os estereótipos raciais clássicos, afundados na lagoa do senso comum, são um componente óbvio da rasa visão de mundo de Lula. Entretanto, o programa de racialização da sociedade brasileira conduzido por seu governo decorre de um frio cálculo político. O presidente quer conservar na sua ampla coalizão as ONGs racialistas, financiadas pela poderosa Fundação Ford. Em nome dessa meta, patrocina uma enxurrada de leis raciais com repercussões na educação, no mercado de trabalho e no funcionalismo público. No fim de seu segundo mandato, todos os direitos dos cidadãos estarão mediados e condicionados por rótulos oficiais de raça. Seremos "brancos" ou "negros" antes de sermos brasileiros. Eis aí a verdadeira mudança promovida pela era Lula: uma bomba social de efeito retardado que sua passagem pela Presidência deixa aos filhos e netos da atual geração.

J. R. GUZZO


REVISTA VEJA
Ideias mortas

"Não temos um serviço público capaz de prestar
serviços ao público. Mas se há alguma coisa que
temos de sobra, em praticamente qualquer área 
da atividade humana, são ‘políticas públicas’"

Os países desenvolvidos do mundo podem estar na frente do Brasil em muita coisa, mas perdem de longe em pelo menos uma: nossa capacidade de criar "políticas públicas". Faltam ao Brasil redes de esgoto, água tratada, coleta de lixo, transporte público, portos, ferrovias e estradas asfaltadas. Faltam aparelhos de raios X em hospitais, sistemas para conter enchentes e escolas capazes de ensinar a prova dos noves. Não temos confiança em políticos, juízes e autoridades em geral. Não temos um serviço público capaz de prestar serviços ao público. Mas se há alguma coisa que temos de sobra, em praticamente qualquer área da atividade humana, são "políticas públicas", quase sempre descritas como as "mais avançadas do mundo"; é difícil entender, francamente, por que os demais 190 países que repartem a Terra conosco ainda não copiaram todas elas.

Ninguém ignora que o Brasil conta com o que há de mais moderno no planeta em matéria de proteção ao menor abandonado, direitos humanos (nossos assassinos, por exemplo, têm o direito de cumprir apenas um sexto das penas a que forem condenados), defesa do meio ambiente e legislação de trânsito. Temos o melhor modelo mundial não só de reforma agrária, mas também de reforma aquária, como nos garantiu tempos atrás o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há quem nos supere em leis de proteção ao trabalhador, ao deficiente físico e aos direitos do consumidor – e por aí afora, numa lista que não acaba mais. É verdade que funcionários do Incra, repartição pública encarregada de aplicar a reforma agrária, vivem sendo presos por corrupção, que os menores começam a matar gente cada vez mais cedo e que o trânsito nas grandes cidades é uma piada. Mas aí também já seria querer demais – não se pode exigir que este país, depois de toda a trabalheira que teve para montar políticas tão admiráveis, seja também obrigado a mostrar que elas produzem resultados práticos.

O ano de 2008 se encerrou com mais dois grandes momentos na história da criação de "políticas públicas" para o Brasil. O primeiro desses feitos é a Estratégia Nacional de Defesa, uma coleção de planos que vão dar ao Brasil, como nas áreas citadas acima, uma nova oportunidade de se colocar entre os países "mais avançados" do mundo. É perfeitamente correta, no caso, a ideia de melhorar o equipamento das Forças Armadas; não adianta nada dar a elas uma missão e não dar os meios. Mas, junto com providências possivelmente racionais, indispensáveis ou urgentes, vem todo um tropel de desejos tumultuados – a transformação do Brasil em potência militar, o desenvolvimento de caças de quinta geração, a criação do "soldado do futuro", taxas a ser pagas por empresas que seriam beneficiadas pela ação das Forças Armadas e até um submarino nuclear, no qual a Marinha trabalha desde 1979 e que ficará pronto, se tudo correr bem, no remoto ano de 2024. Por qual motivo o Brasil precisaria, por exemplo, de um submarino nuclear? Fala-se vagamente, em voz baixa e linguagem obscura, em "ganhos de tecnologia". Mas daí não se passa – talvez por se tratar de um segredo de estado, talvez porque não haja mesmo ninguém, no governo, capaz de explicar isso de forma coerente. O presidente Lula disse que é preciso defender a Amazônia e o petróleo das águas profundas. Muito justo, mas os principais inimigos da Amazônia, até hoje, têm sido os próprios brasileiros e seu principal problema, a pobreza, também é de criação puramente nacional; quanto ao petróleo, ninguém atacou até hoje as plataformas em alto-mar para roubar as riquezas da Petrobras, desde a perfuração do primeiro poço na Bacia de Campos, trinta anos atrás. Não há sinal de mudança em nenhuma dessas duas realidades.

O segundo grande momento foi a finalização do Plano Nacional de Cultura, que, segundo o governo, vai desenvolver as "políticas culturais" do Brasil nos próximos dez anos, com o fortalecimento da ação do estado na área cultural, "participação social" em sua gestão e outras ameaças parecidas. Mas, segundo o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o plano se baseia em "300 diretrizes" – e a partir daí não vale a pena dizer mais nada. Não existe neste mundo projeto algum que precise de 300 diretrizes para funcionar e, caso existisse, não haveria governo capaz de aplicá-las. Não o brasileiro, com certeza.

No mais é esperar que a habitual combinação de inépcia, preguiça e burocracia da máquina estatal leve o grosso do plano para o depósito geral das ideias mortas. Nessas horas a incompetência do poder público é uma verdadeira bênção.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

ANO NOVO

FELIZ ANO NOVO

UM CAMINHÃO DE CERVEJA, MULHER E DINHEIRO

E MUITA SAÚDE PARA DAR CONTA DE TUDO ISTO


RICARDO NOBLAT

Gigolô da ignorância alheia

Lula escolheu para fechar o ano a sua máscara preferida: a de vítima.

Voltou a repetir no Recife, durante a inauguração, ontem, de um parque, que seus críticos torcem para a crise financeira "arrebentar o Brasil". Só assim ele perderia popularidade.

- Tem gente torcendo para a crise arrebentar o Brasil. Tem gente dizendo: "Ah, agora a crise vai pegar o Lula. Agora é que nós vamos ver. Queremos ver se ele vai continuar bom na pesquisa. Queremos ver porque agora ele vai se lascar. É assim que falam.

Os empresários torcem para que a crise arrebente o Brasil - e por extensão os seus negócios? Não são suicidas.

Boa parte dos políticos de oposição é formada por empresários. A parte que não é quer sobreviver como todo mundo. Torce contra a crise e não a favor dela.

A mídia torce pela crise? Ela já está sendo vítima dela. Caiu o volume de anúncios em todos os meios de comunicação. Alguns jornais começaram a demitir.

Jornalista torce pela crise? Para quê? Para perder o emprego?

Interessa aos governadores José Serra e Aécio Neves, ambos aspirantes à vaga de Lula, que a crise desacelere o crescimento do país que pretendem herdar?

Para eles o ideal seria receber uma economia nos trinques. E governar em paz pelos próximos dois anos.

A condição de ex-retirante da seca ajudou Lula politicamente.

A de ex-metalúrgico que perdeu um dedo na prensa, também.

A de quem não estudou, mas mesmo assim chegou à presidência da República - essa nem se fala.

Diante de uma dificuldade maior, Lula veste a máscara de vítima - e desfila com ela por aí.

Foi assim quando vários escândalos ameaçaram seu governo. Ele acusou as elites de desejarem derrubá-lo - mas por que?

Elas jamais lucraram tanto antes. Se dependesse delas, Lula teria um terceiro e até um quarto mandato consecutivos.

A crise pode atrapalhar o plano de Lula de fazer o seu sucessor. Pode até mesmo arranhar sua popularidade.

É por causa disso que ele tenta jogar no colo dos adversários parte da responsabilidade pelos estragos que a crise venha a causar. Quer tirar vantagem da crise.

Esse tipo de comportamento da parte dele tem dado certo até aqui.

Entre nós, Lula é disparado o mais talentoso gigolô da ignorância alheia.

A VARANDA:RETROSPECTIVA

A VARANDA DAS GOSTOSAS!!!

FIQUEM BABANDO!


EDITORIAL- ESTADÂO

Diplomas cubanos

O Estado de S. Paulo - 31/12/2008
 

Pressionado pelo PT e pelo PC do B, o Ministério da Saúde anunciou que uma de suas metas, em 2009, será regularizar a situação dos brasileiros que se formaram na Escola Latino-Americana de Medicina de Havana (Elam). Como os diplomas por ela expedidos não são revalidados automaticamente no Brasil, os médicos brasileiros formados em Cuba não podem trabalhar em hospitais ou abrir uma clínica sem, antes, se submeterem a um exame de proficiência e de habilitação profissional numa instituição credenciada pela Capes. Como as provas são rigorosas, 85% desses médicos, em média, acabam sendo reprovados. 

Mesmo assim, o ministro José Gomes Temporão pretende aproveitá-los no Programa Saúde da Família. No entanto, isso depende da aprovação de um projeto de lei que tramita há vários anos no Congresso. O projeto, que sofre oposição do Conselho Federal de Medicina (CFM), estabelece critérios para a elaboração de provas de habilitação profissional mais “justas” aplicadas pelas faculdades credenciadas pela Capes. Para o CFM, essa seria apenas uma forma de “facilitar” o reconhecimento do diploma. 

“São estudantes que não conseguiram passar no vestibular aqui e vão para Cuba. O ensino de lá é muito deficiente. Eles nunca estagiaram em emergência. Não somos corporativistas. O que não podemos é arriscar entregar a saúde da população para médicos despreparados. Os exames para revalidação de diploma têm de continuar sendo rigorosos”, diz o vice-presidente do CFM, Roberto D’Ávila. Os médicos brasileiros formados em Cuba acusam a entidade de enviesamento político. “Nosso pessoal é de família proletária e, não bastasse as dificuldades naturais de se fazer um curso que exige muito do aluno, ainda têm de enfrentar preconceitos de classe”, afirma Afonso Magalhães, da Associação de Pais e Apoiadores dos Estudantes Brasileiros em Cuba (Apac). 

O argumento é obviamente falacioso, pois dá a entender que a maioria dos médicos formados no Brasil pertenceria a famílias de classe alta, que só teriam interesse em atender a população rica dos grandes centros urbanos, enquanto os médicos brasileiros formados em Cuba se preocupariam com os setores mais pobres da sociedade. 

A discussão é antiga. Começou na década de 90 quando o governo cubano, empenhado em divulgar seu “modelo” de medicina, passou a oferecer bolsas de estudo para estudantes de 35 países. O problema é que o critério de seleção dos bolsistas sempre valorizou afinidades ideológicas, jamais o mérito. Enquanto todas as faculdades brasileiras de medicina realizam exames vestibulares acirradamente disputados, a Elam aceita automaticamente qualquer candidato, desde que seja indicado por agremiações políticas, centrais sindicais, ONGs e movimentos sociais simpatizantes do regime castrista. 

Dos 160 médicos brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, desde 1999, pelo menos 26 foram indicados pelo MST. Os partidos mais envolvidos com o esquema de bolsas da Elam são o PC do B e o PT. Mas também há alunos indicados pelo PDT, PSB e até o PSDB. A bolsa inclui gastos com alimentação, moradia e um pequeno kit de higiene. A passagem para Cuba é paga pelo estudante ou pela entidade ou partido que o indicou. 

O CFM e a Associação Médica Brasileira sempre questionaram a qualidade do ensino de medicina em Cuba. Para essas corporações, a tão comentada “excelência” das faculdades cubanas não passaria de um mero jogo de marketing político. Os médicos brasileiros formados pela Elam acusam essas entidades de valorizar uma medicina “curativa”, em detrimento de uma medicina “sanitarista”, voltada para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda.

O debate, como se vê, não é técnico, mas ideológico. Ao defender novos “critérios” para o reconhecimento dos diplomas expedidos por escolas cubanas de medicina e prometer emprego aos médicos por ela formados no Programa Saúde da Família, o ministro da Saúde só está fazendo política à custa da deterioração do já combalido sistema de saúde pública do País.