domingo, dezembro 28, 2008

CLÓVIS ROSSI

O horror e a ternura

Folha de São Paulo 28/12/08 

SÃO PAULO - O leitor César Danilo Ribeiro de Novais puxou ontem Guimarães Rosa para falar das touradas na Espanha. "Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?", perguntam Guimarães Rosa e César Danilo.
Os ataques do Hamas a Israel e a resposta violentíssima e desproporcionada de Israel permitem deduzir que os homens (e a mulheres) daquela parte do mundo não inspiram a menor ternura uns aos outros. "O que houve com os homens [sejam judeus, sejam palestinos]?" (há várias outras parte do mundo em que a pergunta cabe igualmente, mas o espaço é pouco).
Faço coberturas esporádicas em Israel e nos territórios palestinos, a cada tanto. Uma só vez, em 1987, antes da primeira intifada, havia o que, para os parâmetros locais, se poderia chamar de paz.
Depois, foi ficando crescentemente inviável tentar encontrar um mínimo de racionalidade de parte a parte, porque ambos os lados pensam com o fígado e com os respectivos livros sagrados à mão (nada contra religiões, mas, definitivamente, não dá para repartir um território com base na Torá ou no Corão ou na Bíblia).
Na última vez, em 2002, Israel havia invadido os territórios palestinos e sitiado, entre outras cidades, a Belém em que, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus. O administrador do hospital local contou que encontrara 28 cadáveres de pessoas mortas pelos israelenses. Os corpos haviam sido enterrados no jardim, porque as tropas ocupantes não permitiam a entrada de ambulâncias que os retirassem.
Em outro momento, houve um atentado no Mahane Yehuda, popular mercado de Jerusalém. Vi pedaços de massa encefálica misturados a tomates esmagados.
Nessas circunstâncias, os homens (e as mulheres) naquela região não podem mesmo sentir ternura. Apenas reproduzem o horror que leva a mais horror e a menos ternura.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Admirável ano novo

O Globo 28/12/08

Era comum, talvez ainda seja, que o infeliz plantado numa redação na véspera de Natal, com uma página somente esperando uma matéria dele para rodar, não resista ao título que, em temível concerto telepático, também vem à cabeça dos outros na mesma situação, e taque lá “Admirável Mundo Novo”, tirado, como sabemos, do livro do mesmo título de Aldous Huxley.
Aqui, fiz uma inovação, na esperança de que ela não ocorra também a mais de dez por cento dos aflitos.
Boto “ano”, em vez de “mundo” porque é cada vez mais assim. O que era para acontecer somente daqui a décadas acontece amanhã e, descontada a crise, creio que certos setores, notadamente do mercado de eletrônicos, às vezes pisam no pé das novidades, para que elas não terminem embotando a capacidade de absorção ou compra do consumidor.
Quando eu entrei em jornal, encontrei vários colegas bem coroas, já a poucos anos da aposentadoria. Os muito mais velhos se lembravam de grandes jornalistas que escreviam seus artigos incendiários à caneta e a mais ousada inovação que adotavam era a caneta-tinteiro. Ríamos deles, mas a única novidade tecnológica que incomodava os jornalistas “modernos” era uma periódica troca de marcas de máquina. De Underwood para Remington, quase um motim; de Remington para Olivetti, resistências tão severas que as duas marcas às vezes coexistiam nas redações.
Aquela IBM de bolinha nunca passou das escrivaninhas de secretárias chiques.
Aliás, ninguém mais sabe o que era a IBM de bolinha. Uma vez, há muitos, muitos anos, quando chegando de volta dos Estados Unidos, falei sobre as máquinas de bolinha e fui tido na conta de mentiroso cínico. Outra vez, faz poucos dias, quis descrever uma máquina de bolinha a uma moça de 25 anos e ela não me chamou de mentiroso, só não entendeu nada e ficou com um ar de pena de mim.
Estava pensando em abordar doenças novas que nos ameaçam, mas aí pensei de novo e não achei essa conversa lá muito estimulante, para um dia de Natal. Só faço menção a uma delas porque é chique e esta coluna não vai correr o risco de deixar escapulir de seus leitores uma nova doença chique, para a qual já devem estar-se formando alguns especialistas. A doença a gente já conhece, novidade é o nome: ortorexia. Não é sinônimo, é só parenta da Ano. Ortorexia vem a ser, mais ou menos, a mania exagerada de ingerir a comida correta, segundo seu conteúdo nutritivo, a hora em que é ingerida, mastigação, o ambiente, o estado de espírito, a origem dos alimentos e, enfim, os inesgotáveis problemas que podem acometer o ortoréxico, que no futuro, dizem-me cá, deverá andar com uma espécie de pochete ortoréxica, contendo o mínimo essencial para o laborioso ato de comer: balança, analisador de teor de acidez, detetor de agrotóxicos, detetor de hormônios e quem mais ousa adivinhar o quê. Talvez uma empresa lance o Eat-Rite, sucesso absoluto de vendas, até que a Apple anuncie o iPot e todo dia pinte um modelo novo, vai ver um que possa até almoçar pelo dono, se faltar tempo, em época na qual ele é tão escasso e, assim mesmo ou por isso mesmo, gastamse fortunas para matá-lo.
Imagino que pensem que vai chiste nisto, mas não vai. Por exemplo, talvez a “degola” demore mais alguns anos, mas o casamento, segundo o conhecemos, mesmo na pluralidade de formas com que vem tentando adaptar-se, vai acabar, já deve ter começado a acabar. Isto porque muitos casamentos, suponho que a maioria deles em nossa sociedade e em diversas outras, se apóiam, ainda que por vício, em conceitos como a fidelidade, a sinceridade ou lealdade e a confiança.
Tudo isso está indo rapidamente para o beleléu, porque nenhuma dessas virtudes é integralmente observada por homens ou mulheres, pois que ninguém vira santo apenas porque casou. Se começar a haver sensores, como já existem e não são tão raros assim, que monitorem certos dados vitais, o(a) ciumento(a), ambos vão saber, através de um programinha esperto que processe esses dados, o que foi que ela sentiu quando dançou com fulaninho e o que foi que se passou nele, na hora da bitoquinha em sicraninha. Palavras de arrependimento, que terrível engano, não foi nada disso que você pensou — vai tudo isso para o espaço, ciência é ciência.
Em setores, digamos, acessórios, existe de tudo, grande parte já à venda no Japão, muitas vezes com versões diversas. Celular com localizador é manjadíssimo. O moço ou a moça no motel e o corno ou a corna sabendo de tudo, ou até assistindo, porque uma hora destas aparece celular com filmadora de controle remoto.
Chips minúsculos emitindo sinais para localização, embutidos no cós da cueca ou da calcinha. Ou seja, periga surgir próspero negócio para quem precisa faturar uns extras no escritório: aluguel de estacionamento de cueca ou calcinha. Tokomoyo chega ao escritório, sabe que está de cueca grampeada, paga a Toshito para trocarem de cueca no fim de tarde, porque Tokomoyo vai finalmente traçar Fushita, e Fushita, que também finge que não sabe que está de calcinha grampeada, já fez o mesmo acerto com Okomoko, porque Fushita também está muito a fim de traçar Tokomoyo. E, assim, as horas extras de um são extras diversas das de outro.
Imaginem que mercado, imaginem que revolução de costumes. Claro, haverá quem resista e surgirão inúmeras tribos urbanas monógamas e fiéis, mas logo virarão exóticas e objetos da cobiça dos grampeados.
Vencer a virtude de uma desgrampeada deverá render um prazer sedutor meio pervertido, meio “Ligações perigosas”. E pegar um desgrampeado há de ser façanha igualmente valorizada.
Mas, com a localização e a espionagem de todos por todo mundo, acabará de vez a privacidade, não só de atos, como também de emoções muito íntimas, desconhecidas, talvez, do próprio portador. Continuo preferindo não estar aqui nessa época.

RETROSPECTIVA


DOMINGO NOS JORNAIS

JORNAIS NO BRASIL E NO MUNDO

Folha de S.Paulo
Israel faz maior ataque contra Gaza

Agora S.Paulo
Confira sete novas revisões do INSS garantidas

O Estado de S.Paulo
Israel faz bombardeio a Gaza e mortos chegam a 225

Jornal do Brasil
Tudo pronto para 2009

O Globo
Bolsa no Brasil perde US$ 835 bi em 2008

Correio Braziliense
Ataque a Gaza põe mundo em alerta

Estado de Minas
2008 - O ano que não terminou

Diário do Nordeste
Conheça as dicas de investimentos para o seu bolso

Extra
Confira tabela dos reajustes do funcionalismo para 2009

Correio do Povo
Faixa de Gaza é bombardeada

Zero Hora
Como ficam as rodovias sem pedágios prorrogados

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Israel diz que ataques contra o Hamas vão continuar

The Washington Post (EUA)
Caças israelenses ataca Gaza

The Sunday Times (Reino Unido)
Caças israelenses matam "ao menos 225" em ataques de resposta em Gaza

The Observer (Reino Unido)
Ataque aéreo em Gaza mata 225 e Israel busca Hamas

Le Monde (França)
Situação dos sem-teto se agrava na Europa

China Daily (China)
Marinha manda navios para combater piratas

El País (Espanha)
Israel golpeia cidade de Gaza

Clarín (Argentina)
Registro por pontos: iniciam radares desde Ano Novo

sábado, dezembro 27, 2008

ISSO DEPOIS DE UM UÍSQUE...


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FERNANDO RODRIGUES

Congresso humilhado

Folha de São Paulo 27/12/08

BRASÍLIA - A medida provisória baixada ontem por Lula sobre o fundo soberano cumpre dois objetivos principais. Primeiro, dará imediatamente ao Palácio do Planalto R$ 14,2 bilhões para investir em obras de infra-estrutura. Segundo, humilhará o Congresso.
Uma proibição constitucional impede o governo de criar novos créditos no Orçamento por meio de medida provisória. O fundo soberano havia sido aprovado pelo Congresso na semana passada, mas ainda sem destinação de recursos. O governo começaria 2009 sem dinheiro para torrar nas obras destinadas a segurar um pouco a crise econômica -e a alavancar a candidatura de Dilma Rousseff.
Lula encontrou um artifício jurídico. Burlou o espírito da proibição constitucional. A MP baixada ontem não cria novos créditos, mas autoriza o Tesouro a emitir títulos cujo valor será depositado diretamente no fundo lulista.
Como MPs entram em vigor ao serem editadas, mesmo se for derrubada depois no Supremo Tribunal Federal, parte considerável do dinheiro já terá evaporado. Esse é um episódio sem mocinhos. A oposição equivoca-se ao estrangular o governo no momento em que são necessários recursos para conter a desaceleração da economia. Já o Planalto mostra seu habitual desprezo pelo Congresso ao patrocinar uma manobra jurídica no apagar das luzes do ano.
Lula tem maioria na Câmara e no Senado. Poderia ter aprovado os créditos para seu fundo dentro das normas constitucionais. Mas a articulação política incompetente do Planalto só defende com facilidade mulas-sem-cabeça como o aumento de vagas de vereadores. Nada de trabalhar duro na votação de uma medida polêmica. Pouco importa se é vital ou não para o país num momento como o atual. É mais fácil depois ganhar o debate na mão grande, editando uma MP.

RUY FABIANO

A nova guerra do paraguai

Blog Noblat

O contencioso político que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, constrói em torno da usina hidrelétrica de Itaipu coloca mais uma vez a diplomacia brasileira em estado de desconforto com os seus vizinhos.

Mais uma vez, o projeto de unidade político-ideológica do continente, concebido pelo Fórum de São Paulo, esbarra em conflitos de interesse, freqüentemente ditados por questões de conveniência política interna, associadas a velhos recalques históricos, que marcaram por anos as relações da América Espanhola com a América Portuguesa.

Enquanto a diplomacia brasileira acena com a superação desses contenciosos históricos e investe na unidade, seus vizinhos, comercialmente beneficiários desse aceno, fazem o contrário: revivem esses ressentimentos, tornando-os matéria-prima de um discurso populista que garante índices de aprovação interna, mas gera impasses que, não sendo superados, comprometem o projeto de construção de um bloco continental.

É o caso das relações com a Bolívia e com o Equador, que acaba de protagonizar um calote no BNDES. E é o caso paraguaio. Vejamos. O presidente Fernando Lugo fez de Itaipu uma de suas bandeiras eleitorais. Construiu em torno da usina, que seu país recebeu de mão beijada do Brasil, um discurso oportunista, que semeia indignação e colhe aplausos.

Quem se dispuser a examinar com isenção a questão de Itaipu, seja pelo ângulo político ou econômico, há de constatar o despropósito das queixas paraguaias. Como se sabe, a usina foi inteiramente construída e paga pelo Brasil, ao tempo do governo militar, o que representou um dos itens mais onerosos de sua dívida externa, ainda em curso.

O Tratado de Itaipu, que Lugo quer rever, garante ao Paraguai 50% da produção da maior represa hidrelétrica do mundo em capacidade de geração. O Paraguai consome apenas 5% da energia que recebe de graça, o que lhe garante algo inédito em todo o planeta: capacidade de aumentar seu consumo em 10 vezes, com uma fonte limpa e renovável de energia, ao custo de US$ 22,5 por megawatt/hora (baixíssimo em termos de mercado), sem investimentos em infra-estrutura.

Trata-se, sob qualquer ótica, de recurso estratégico fundamental, que coloca o país em posição privilegiada em relação a qualquer outro. Enquanto todos gastam ou têm que gastar (muitos, como o Brasil, sem ter de onde tirar) recursos colossais para mudar sua matriz energética, substituindo fontes emissoras de carbono, o Paraguai tem tudo isso de graça, assegurado pelo tratado que seu presidente quer mudar.

Lugo argumenta que o artigo XIII do Tratado de Itaipu, que estabelece que a energia excedente de uma das partes seja vendida à outra, é injusto. O Brasil estaria pagando por essa energia excedente preço de custo e não preço de mercado. Não é verdade.

A receita da Itaipu Binacional é de US$ 3,2 bilhões/ano. E é repartida igualmente entre os dois países, o que gera para cada qual cerca de US$ 1,5 bilhão por ano. Há, porém, um detalhe: dois terços dessa receita vão para o pagamento da dívida que a construção da represa custou. E o Brasil arca sozinho com essa despesa, o que, como é óbvio, limita o ingresso líquido da sua receita em um terço. Nada menos.

O endividamento brasileiro com a construção da usina foi de US$ 27 bilhões, captados em período particularmente delicado para o país: a década dos 80, que marcou a crise da dívida externa e o aumento das taxas de juros norte-americanas, que passaram de 6% para quase 20% ao ano.

O sufoco foi tão grande que o Brasil chegou a considerar a paralisação da obra. O Paraguai, mesmo assim, quer a rever o Tratado. Quer vender a energia excedente a terceiros e aumentar substancialmente o seu preço. Quer o fim do artigo XIII, exatamente o que fez com que o Brasil se dispusesse a empreender obra de tal porte e compartilhá-la sem ônus com outro país. Itaipu só foi construída como obra binacional na confiança de que o Brasil poderia comprar o excedente paraguaio.

Romper essa cláusula, sobretudo em momento delicado para o Brasil, de carência energética, representa traição ao Tratado, que é de longe o melhor negócio da história daquele país. Se o Brasil tivesse perdido a guerra do Paraguai e fosse obrigado a pagar uma indenização, nenhuma excederia os ganhos da Hidrelétrica de Itaipu, nos termos em que está.

Mas Fernando Lugo, cuja eleição foi incentivada por Lula – assim como a de Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Hugo Chavez (Venezuela) -, passa por cima desses, digamos, detalhes.

Em vez de investir no crescimento do país, com a garantia de uma matriz energética já instalada e sem custos, quer uma nova Guerra do Paraguai – sem pólvora, mas com muitos, muitos dólares. Lula diz que vai tentar atendê-lo...

PINTO EM BAKU

VEJA ONLINE - RADAR -11/12


Pereira Pinto em Baku

O Itamaraty acaba de indicar o diplomata Paulo Antonio Pereira Pinto para abrir a embaixada brasileira em Baku. Onde? Na capital do Azerbaijão. Será o nosso primeiro embaixador na ex-república soviética.

SÁBADO NOS JORNAIS

Folha de S.Paulo
Lula muda lei para tornar fundo soberano ilimitado

O Estado de S.Paulo
Planalto atropela Congresso com MP do Fundo Soberano

Jornal do Brasil
Tudo pronto para 2009

O Globo
Anac ameaça cancelar vôos se Gol não cumprir normas

Correio Braziliense
Recorde de vendas anima comércio no DF

Estado de Minas
Operação de guerra para aplicar Lei Seca

INFORME JB

 A fatura, enfim, começou a chegar


Dificilmente o presidente Lula escapará em 2009 do debate sobre a flexibilização das leis trabalhistas, cobrada por empresários como medida para evitar o corte de vagas e execrada por entidades sindicais pelo temor de que se abra uma janela para a redução sem critérios dos direitos do trabalhador. Capital político para azeitar a discussão, Lula tem. O problema é que, para muitos dentro do governo, a oportunidade foi perdida lá atrás, quando naufragou o diálogo tripartite governo- empresas-trabalhadores sobre as reformas sindical e trabalhista – esta última, de tão emperrada, sequer chegou a ir para o papel. Diante dos primeiros reflexos da crise no mercado de trabalho, Lula começa a se deparar com o dever de casa que deixou de fazer.

Um cajado... ...E dois coelhos

O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), não pode ouvir a hipótese de ser o candidato do partido ao governo do Rio em 2010 sem se assanhar todo. Lindberg está em constante campanha para tentar emplacar o governador Sérgio Cabral como a melhor opção para vice em uma possível chapa com a ministra Dilma Rousseff para a Presidência da República, em 2010.

Dessa forma, o petista não teria empecilhos para sair candidato ao governo do Estado. Sem ter Cabral como adversário e ainda tendo o apoio dele e de Dilma.

A todo vapor

Lindberg lançou uma frente de prefeitos do PT do Rio, na semana passada, já de olho no fortalecimento de sua candidatura. A quem quiser ouvir, ele jura já ter adesão de outros 15 prefeitos numa lista suprapartidária. Todos da Baixada Fluminense e do Norte do Estado. Vale lembrar que só a Baixada concentra 23% dos votos do Rio. Se for verdade...

Cena 1

Em Brasília, tal como Cosme e Damião, os inspetores da Anac caminhavam de dois em dois pelo aeroporto lotado. A despeito do caos instalado, dois deles conversavam calorosamente sobre a biografia de um líder religioso de uma igreja brasileira. Enquanto isso, filas cresciam, atrasos se multiplicavam.

Cena 2

Uma fila enorme se rebelava no guichê da Gol. Mais de 30 pessoas para comprar passagens e apenas três atendentes se revezavam no atendimento dos clientes. Dois passageiros foram à Anac. A resposta? "Não há regulação na Anac para fila grande". Ah tá, diria o sábio.

E aí?

A reunião de ontem entre Anac e Gol/Varig vai mesmo mudar alguma coisa?

Levante

Na tradicional Faculdade de Direito da USP, o diretor João Grandino Rodas comprou briga contra servidores, que ruminam contra ele nos corredores da faculdade e exigem do sindicato da USP uma posição mais dura contra Rodas. O motivo é que ele trocou praticamente todas as chefias dos departamentos administrativos e está alterando lotação de servidores e substituindo-os.

Demandas

Outra queixa dos servidores é a outorga de um espaço privilegiado dentro da Faculdade para que a Editora Saraiva abrisse uma filial e um point de cafeteria. Apesar da filial andar às moscas, os servidores consideram que Grandino Rodas deveria ter sido mais transparente na escolha da Saraiva, abrindo espaço para competição com outras editoras jurídicas.

Por outro lado...

Apesar das queixas, Grandino Rodas tem conseguido obter recursos para a manutenção e reforma da Faculdade do Largo do São Francisco, com uma campanha de doação de livros pelas grandes editoras e a formação de um grupo de apoiadores institucionais, entre escritórios de advocacia e ex-alunos da USP, para captação de dinheiro no mercado.

Laços

O corpo diplomático da China – representantes de Brasília, São Paulo e Rio – comandado pelo cônsul no Rio, almoça hoje em Búzios em clima de confraternização com empresários brasileiros.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

ROBERTO CIVITA


REVISTA VEJA
Sobre esquimós 
e larápios

"Um bom sinônimo de desonesto é indigno. 
E servidor do povo indigno não pode e não 
deve escapar incólume"

Dizem que os esquimós têm 32 diferentes palavras para descrever a neve, elemento onipresente em sua vida. Não sei quantas temos, no Brasil, para falar de desonestidade, mas – para início de conversa – além de ladrão e corrupto, me ocorrem meliante, gandaia, bandalheira, larápio, picareta, maracutaia, batedor de carteira, gatuno, trambicagem, safadeza, bandido e malandro.

Curiosidades etimológicas à parte, isso certamente confirma que a questão vem de longe, e que não por acaso permeia a vida e a língua que hoje une mais de 180 milhões de brasileiros.

É evidente que a desonestidade não é um fenômeno nativo nem recente. Existe desde que os homens desenvolveram o conceito da honestidade e seu oposto e se encontra em todas as culturas e línguas desde o início da civilização – inclusive nas leis e religiões que há tantos milênios visam a reprimi-la e puni-la.

É aí que fico fascinado com o que me parece ser uma das principais e mais urgentes questões da nossa vida pública: a impunidade. Pois, se é verdade que na vida real somos todos permanentemente tentados a cometer uma ou outra desonestidade, é também verdade que a grande maioria consegue resistir às tentações correspondentes por uma mistura de ensinamentos, princípios éticos ou religiosos e – certamente – receio de alguma punição.

Como múltiplas reportagens de VEJA e tantos outros veículos vêm mostrando ao longo do tempo, o que diferencia o Brasil dos países mais avançados e desenvolvidos do planeta não é o número de casos em que nossos governantes desviam recursos públicos ou se aproveitam de seu cargo para obter vantagens ilícitas. Isso, infelizmente, parece ser uma constante planetária. O que varia muito de um país para outro é o que acontece aos transgressores quando descobertos. É o que lhes acontece em seguida.

A progressiva – e muito bem-vinda – institucionalização do país vem resultando em crescente número de investigações e denúncias nessa frente por parte da Polícia Federal, do Ministério Público e da grande imprensa. Mas o que vem acontecendo em seguida? As ações entre amigos no âmbito legislativo, o corporativismo, o nosso tortuoso sistema jurídico e os intermináveis recursos de muitos competentes e bem remunerados advogados vêm se juntando para frustrar praticamente todas as tentativas de punir os governantes que – em todos os níveis da vida pública nacional – abusam da sua autoridade, traindo a confiança dos seus eleitores, desviando recursos públicos e se locupletando impunemente.

Sei que é virtualmente impossível esperar que todos os nossos prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores e outros dirigentes políticos sejam íntegros e dedicados apenas à boa gestão da coisa pública e ao bem comum. E é exatamente por isso que urge acelerar as mudanças indispensáveis para garantir que todos os que violarem a lei sejam não apenas julgados e condenados, mas – quando assim for determinado – que também passem a cumprir sua pena na prisão. Pois um bom sinônimo de desonesto é indigno. E servidor do povo indigno não pode e não deve escapar incólume.

Somente quando virmos cada vez mais corruptos atrás das grades é que poderemos finalmente festejar o fim da impunidade que tantos males tem trazido ao país.

Roberto Civita é presidente da Editora Abril e editor de VEJA

DIOGO MAINARDI


REVISTA VEJA
O ano da parábola

"É assim que eu resumiria 2008: o ano parabólico. 
Ou mais simplesmente: o ano de Galileu. Na primeira 
metade, a gente subiu, subiu, subiu. Na segunda 
metade, desceu, desceu, desceu"

Qual é o peso de Lula? É para realizar um teste. O mesmo teste que Galileu realizou com uma bola de bronze do tamanho de uma castanha. O teste de Galileu é de 1608. Quatrocentos anos depois, nos últimos momentos de 2008, sugiro reproduzi-lo em sua homenagem. Com Lula no lugar da bola de bronze.

O teste de Galileu permitiu-lhe estudar a trajetória dos projéteis. Uma bola de bronze corria por uma prancha inclinada, dotada de uma canaleta, posicionada na borda de uma mesa. Dependendo do ângulo de inclinação da prancha, a bola de bronze atingia uma determinada velocidade e era projetada mais perto ou mais longe, até se chocar contra o solo. Dessa maneira, Galileu demonstrou que a trajetória dos projéteis, ao contrário do que se dizia desde os tempos de Aristóteles, fazia uma parábola no ar, como ele ilustrou no seguinte desenho:

É assim que eu resumiria 2008: o ano parabólico. Ou mais simplesmente: o ano de Galileu. Na primeira metade, a gente subiu, subiu, subiu. Na segunda metade, desceu, desceu, desceu. Há 400 anos, no laboratório de Pádua, Galileu analisou o arco percorrido pela bola de bronze, que ascendia até tocar seu vértice e, a partir daí, empreendia uma trajetória descendente, estatelando-se no solo. Foi o que aconteceu em 2008, no Brasil e lá fora.

Para nós, a data mais marcante do ano foi 3 de julho. Nesse dia, a saca de soja, o litro de etanol e o barril de petróleo tocaram o topo da parábola, sendo negociados com seus valores máximos. Depois disso, eles só despencaram, indicando o que iria ocorrer na segunda metade do ano, com o completo esfarelamento da economia internacional. Alguém pode argumentar que o Brasil é muito mais do que suas sacas de soja. Eu pergunto: é mesmo? A saca de soja é o principal símbolo de nosso papel no mundo, como produtores de matérias-primas. É o que compartilhamos com os outros países, mais ou menos como aqueles 95% de DNA que os seres humanos compartilham com os chimpanzés. O Brasil é o chimpanzé do comércio mundial.

Se 2008 é o ano da parábola, a melhor maneira de festejá-lo é refazer o teste de Galileu.

1) Construir uma rampa de 30 metros de comprimento.

2) Erguê-la a 10 metros de altura.

3) Soltar Lula do alto da rampa.

4) Vê-lo rolar cada vez mais rápido.

5) Analisar a trajetória de sua queda, depois de ter sido arremessado da rampa.

6) Medir a distância percorrida no ar até o ponto de seu impacto no solo.

O fato de realizar o teste com Lula no lugar da bola de bronze tem um propósito: ele representa 95% do DNA nacional. E representa-os mais do que nunca, tendo batido, neste ano, todos os recordes de popularidade. Ou jogamos Lula do alto da rampa, ou jogamos uma saca de soja. Lula é melhor. Em particular, para aquela parte final do teste, quando a bola de bronze desce, desce, desce, até se chocar contra o solo.

O IDIOTA E SUA CORJA


KENNEDY ALENCAR

É o juro, estúpido!


Folha de S. Paulo - 26/12/2008
 

Em economês, é comum ouvir que há descoordenação entre as políticas fiscal e monetária do governo Lula. O português permite traduções ao gosto do freguês.
Uma delas: Lula é obrigado a gastar mais do que recomenda a boa governança a fim de esquentar a economia, porque tem um Banco Central conservador, que mantém os juros mais altos do que o necessário para controlar a inflação, o que esfria a economia. Cria-se, então, a escalada em que Lula gasta mais e o BC pesa a mão nos juros.
Noutra tradução, o responsável BC usa a ferramenta mais forte que possui (juros altos) porque Lula gasta muito quando deveria poupar mais. Um maior esforço fiscal criaria espaço para redução dos juros mais altos do planeta. A taxa básica (Selic) está em 13,75% ao ano. Nos EUA, a taxa, na prática, é zero.
Até setembro, quando a crise econômica internacional se agravou, havia um pouco de verdade em ambas as leituras. De lá para cá, a economia mudou. As perspectivas de geração e manutenção do nível de emprego não são boas. No arsenal de combate à crise, Lula já gastou e prometeu gastar quase tudo o que podia. Persistir nesse caminho será um erro. Entre os preços fora da realidade na economia brasileira, os juros ocupam o primeiro lugar.
Por muito tempo, o BC vendeu a tese de que o Brasil não podia crescer mais do que 3,5% ao ano sem risco de alta da inflação. Os dados de 2007 e 2008 minaram tal tese.
A tese da hora é a possibilidade de a valorização do dólar gerar inflação. O BC adora um populismo cambial (real forte/dólar fraco) para controlar a inflação, mesmo a um custo alto para a produção.
Se Lula deseja mesmo tentar crescer 4% em 2009, não tem jeito. Será preciso baixar os juros. Nos bastidores, ele dá mostras de que está disposto a cobrar essa fatura do BC. Nunca antes na história deste país houve ambiente tão propício para chegarmos a um taxa civilizada. A crise espantou, por ora, as pressões inflacionárias internas e externas.

COLUNA PAINEL

CPI do B


Folha de S. Paulo - 26/12/2008
 

Técnicos do PSDB na Câmara começaram a formatar, antes do recesso, o relatório alternativo ao parecer do deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) na CPI dos Grampos. O eixo do documento tucano tem três pontos: 1) listar operações anteriores da Polícia Federal para mostrar que "nunca antes" houve empenho investigativo similar ao da Operação Satiagraha; 2) citar dados da auditoria do Exército para afirmar que a Abin tem pelo menos sete aparelhos capazes de produzir grampos não-autorizados; 3) cruzar dados do Conselho Nacional de Justiça com material enviado pelas operadoras para argumentar que ninguém sabe ao certo quantos são os grampos em andamento.

Saga
Os autores do relatório já escolheram o nome do capítulo sobre ações anteriores da PF no governo Lula: "De Waldomiro a Romênio". Este último é o secretário do PT flagrado em escutas da Operação João de Barro, sobre desvios do PAC em prefeituras. 

Reciprocidade 1
A delação premiada vem sendo usada nas investigações de crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro. No último dia 16, o juiz federal Fausto Martin De Sanctis, conhecido pela Operação Satiagraha, aplicou restrição de direitos e multa, em vez de prisão, a um grupo de condenados que aceitou colaborar no inquérito. 

Reciprocidade 2
Em julho, o juiz Sergio Fernando Moro, de Curitiba, reduziu a pena de Antônio Celso Garcia, condenado por crimes financeiros, para seis anos de prestação de serviços comunitários, por ter colaborado com a Justiça e depositado R$ 10 milhões em juízo para ressarcir consorciados lesados. 

Reluzente
Será conhecido hoje o resultado de licitação do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Rio, ligado ao Ministério da Saúde, para implantação de sistema eletrônico de comunicação entre pacientes internados e enfermeiros. Um detalhe chama a atenção: parte dos equipamentos deve ser banhada a ouro. Segundo o edital, para evitar corrosão. 

Pensando bem
Michel Temer (PMDB-SP) afirma que, após uma reavaliação, desistiu de fazer viagens por 20 Estados em janeiro, a maioria de jatinho, em sua campanha para presidir a Câmara Federal. Agora, ele diz que passará a maior parte do mês em Brasília, dando telefonemas a deputados.

Não custa...
Embora considere "muito improvável", o Ministério da Fazenda incluiu entre os seus cenários para a evolução da crise internacional em 2009 uma opção "catastrófica": crescimento do PIB de apenas 0,5% no ano e taxa básica de juros em 18%. 

Flexível
O próximo balanço do PAC, no final de janeiro, deverá incluir obras em rodovias secundárias, não previstas inicialmente. Argumento do governo: num contexto de crise, todas as ações, mesmo as laterais, podem ser consideradas "estratégicas" para a recuperação econômica. 

Hermanos
Lula começará o ano renovando suas credenciais bolivarianas. Em janeiro, fará reunião de trabalho com Evo Morales (Bolívia) num dia e, no outro, viajará à Venezuela para uma cúpula com o presidente Hugo Chávez. 

É ouro
O Ministério do Esporte fará 19 "praças da juventude" nas periferias das grandes cidades, com quadra esportiva, ginásio coberto e centro de convivência, por R$ 1,5 milhão cada. Lula deverá inaugurar parte em 2009. 

Otimismo
Escolado com as críticas no Pan, o ministro Orlando Silva (Esporte) diz que não deve ser gasto "nenhum centavo de dinheiro público" com estádios para a Copa de 2014. Pretende deixar tudo para o setor privado. 

Tiroteio


"2008 viu o surgimento de súmulas vinculantes que se antecipam a leis. O STF, que já tem a prerrogativa de dar a última palavra, não deveria estar preocupado em dar a primeira." 

Do juiz estadual paulista 
MARCELO SEMER , ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia, sobre o balanço das atividades do Supremo.

Contraponto

Oposição diet

Durante sessão conjunta do Congresso para votar créditos suplementares ao Orçamento, petistas e "demos" travavam uma queda-de-braço. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) resolveu se queixar da ausência de conterrâneos governistas para lutar por verbas para seu Estado.
-A bancada do Piauí neste momento está enfraquecida, porque somos somente o Mão Santa e eu nesta sessão. Cadê os demais companheiros?-, alfinetou.
-Mas isso é verdadeiramente uma bancada de peso!-, ponderou o deputado Walter Pinheiro (PT-BA).
O rechonchudo senador devolveu:
-Peso limitado. É peso físico, mas não na caneta...

INFORME JB

Dois anos para cumprir promessas


Jornal do Brasil - 26/12/2008
 

Ainda que possa vangloriar-se de estar entre as 18 personalidades mais poderosas do mundo, o presidente Lula terá muito trabalho para emplacar a agenda internacional prometida em 2003, agora que iniciou a contagem regressiva para o término de seu mandato. Eram os seus pilares: a conquista do assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, a viabilização de um acordo comercial mundial e a consolidação de um bloco poderoso na América do Sul. Nessas três missões, o que se tem hoje é frustração. Longe de dizer que toda a política externa do governo Lula foi fracassada. Mas a tarefa de colocar o Brasil entre os líderes mundiais – algo que Lula promete para o pós-crise – está longe de ser cumprida ainda neste governo.

Toda sorrisos

Lula planeja colocar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como rosto – devidamente repaginado – da propaganda do PT em 2009. O presidente anda decepcionado com o desempenho da ministra nas pesquisas, daí o conselho dado para mais entrevistas e exposição durante o café com jornalistas. E quer fazer dos programas em rede nacional um laboratório para a popularidade da ministra.

Ai ai...

Certos aliados olham para o problema do crescimento da ministra suspirando com a possível oportunidade de substituí-la. Afinal, como Lula já deixou bem claro, o que não falta é nome para a empreitada.

Por precaução

Dilma não pára de agradar aos peemedebistas, de olho em 2010. Agora mesmo, acaba de autorizar a inclusão de duas obras no PAC, em valor superior a R$ 200 milhões, atendendo a um pedido do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves. A ministra aceitou investir, só na ampliação do Porto Ilha, na cidade de Areia Branca, no Rio Grande do Norte, mais de R$ 160 milhões, como também irá dar uma cara nova à BR-226, ligando o RN ao Ceará.

Enquanto isso...

Irritado com o presidente Fernando Carvalho, da empresa cearense de tecnologia e informação, a Etice, o governador Cid Gomes deu um carão público em seu subordinado. Ao inaugurar o programa de Cinturão Digital, que levará internet de banda larga a todo o estado, Fernando dissera em discurso que Cid era apenas o patrocinador do programa.

Fino trato

Cid respondeu na bucha: "Fernando, você me transformou em cocô do cavalo do bandido. Esse projeto é minha idéia e não queira se apropriar do que não é seu", disparou. Fernando Carvalho, que é professor da Universidade Federal do Ceará, tirou férias e não volta mais ao cargo.

Copa

A Fifa vai anunciar em março as 10 cidades-sede para a Copa de 2014. Fortaleza é séria concorrente. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, recita a quem quiser ouvir que pretende fazer desta uma "Copa do Nordeste", aproveitando as belas praias e cidades turísticas. Lula queria 12 sedes, mas a Fifa bateu o martelo. Serão só 10 cidades. E ponto final.

Mãos abanando

Sem alarde, o deputado Michel Temer (PMDB) passou rapidamente pelo Recife à caça dos votos da bancada do PSB. Mas o bloquinho disse não.

Vale

Apesar da crise internacional e da queda do preço do minério, Roger Agnelli pode ser considerado o destaque do ano à frente da Vale. Conseguiu segurar as rédeas da situação e o grupo mantém o crescimento, com poucos cortes.

O IDIOTA


SEXTA NOS JORNAIS

Folha de S.Paulo
Tele planejam investir R$ 19 bi em celulares no próximo ano

O Estado de S.Paulo
Imposto sindical mantém gastança de centrais

Jornal do Brasil
Natal violento nas estradas do país

O Globo
Paes combaterá camelôs com guardas nas ruas até de noite

Gazeta Mercantil
Abimaq pede agilidade do governo contra crise

Valor Econômico
Recursos de controladores aliviam escassez de crédito

Correio Braziliense
Giovanna, vítima de motorista embriagado

quarta-feira, dezembro 24, 2008

FELIZ NATAL


UM NOEL PARA AS LEITORAS DO BLOG


UMA NOEL PARA OS LEITORES DO BLOG
A mamãe noel foi enviada por APOLO
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LUIZ WEIS

Conto-do-vigário na sucessão


O Estado de S. Paulo - 24/12/2008
 

 
A sucessão de 2010 começou cedo e começou mal. Cedo porque o horizonte de incerteza econômica levou o presidente Lula a pôr desde logo na avenida o bloco da candidatura Dilma Rousseff. Já não bastasse o fato de a ministra continuar desconhecida para quase a metade dos brasileiros, apesar da profusão de holofotes voltados para a sua figura, Lula não iria correr o risco de descortinar a sua campanha quando (ou se) o desemprego tiver se instalado nas manchetes - do primeiro trimestre de 2009 em diante, ao que se calcula.

Se não se instalar, sinal de que o temido contágio do colapso financeiro internacional se limitou a uma "gripe pequenininha", como prevê a ministra, tanto melhor para a operação Dilma-10: ela terá ganho tempo extra para corrigir os eventuais erros de implantação de um nome sem passagem prévia pelas urnas. O público, porém, tem mais com que se preocupar que com uma eleição a 22 meses de distância. E só lhe resta torcer para que a imersão do presidente na montagem do suporte político da candidata não embace sua concentração na crise.

Agora, a sucessão começou mal porque o PT armou um conto-do-vigário, querendo atar a eleição a uma cruzada contra o neoliberalismo. A deixa partiu do secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime, numa reunião de dirigentes partidários. "A crise tem pai e mãe", proclamou. "Ela é uma crise do modelo neoliberal, daqueles que no Brasil defenderam as idéias de desregulamentação do Estado, ou seja, o PSDB e o DEM. E esse debate o PT vai fazer. Os neoliberais perderam."

Seguiu-se, dias depois, a própria Dilma. "Nossa visão de Estado não é neoliberal. Somos governo com responsabilidade fiscal, mas também social", discursou ela para uma platéia de prefeitos petistas. "A diferença (em relação ao passado) é radical", emendou. É inconcebível que ela não saiba, antes de tudo, que o governo Fernando Henrique foi privatista, mas não neoliberal. Se fosse, o sistema financeiro nacional estaria tão desregulamentado como o dos EUA e, como este, em frangalhos.

Além disso, no atual governo, desde a hora zero, a ex-ministra de Minas e Energia não precisa que ninguém lhe ensine que Lula encampou a política econômica do antecessor, embora a desancasse como "herança maldita". Não só a encampou, mas soube tocá-la com uma competência que seus adversários, não fosse a baixaria da política, poderiam fazer a fineza de admitir, em nome da verdade. A mesma competência, por sinal, com que levou adiante o Bolsa-Família.

Este descende em linha direta dos vários programas de transferência de renda iniciados no segundo mandato de FHC, especialmente o Bolsa-Escola - cujos ancestrais, por sua vez, foram uma administração tucana (a do prefeito de Campinas já falecido José Roberto Magalhães Teixeira) e outra, petista (a do governador do Distrito Federal Cristovam Buarque).

O petismo fabrica uma diferença - "radical", ainda por cima - em relação ao PSDB para esconder as semelhanças recíprocas, para o bem e para o mal, que não tem como admitir de cara limpa. Até o primeiro caso documentado de mensalão é obra tucana (na campanha do atual senador Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998).

Por último, falar em neoliberalismo no Brasil numa hora destas é de um anacronismo atroz. Qualquer que tenha sido seu apelo na década passada, hoje deve ter tantos adeptos quanto os da restauração da monarquia. E o provável adversário de Dilma, o ex-ministro e governador paulista José Serra, nunca deu nem sequer uma piscadela para a ideologia do absolutismo do mercado.

Está na cara a intenção de escamotear a inconveniente verdade da convergência de posições entre o PT - pelo menos o PT da Carta aos Brasileiros, de 2002 em diante - e o PSDB, no que toca aos problemas de fundo do País. O próprio Fernando Henrique, que também diz uma coisa para fora e outra para dentro, já deixou escapar que a disputa entre as duas legendas é puramente política.

Trata-se, pois, de uma disputa pelo poder, velha como as montanhas, entre confederações rivais de interesses cristalizados que compõem os respectivos partidos ou se exprimem por seu intermédio. Essa convergência básica não é uma jabuticaba - dá em qualquer democracia estável. Nelas, o tempo destila na sociedade e nos principais partidos um consenso sobre o núcleo essencial das políticas de Estado.

As divergências não se evaporam; ao contrário, tendem a se intensificar - mas na periferia das grandes questões em jogo. Nos EUA, por exemplo, o consenso em torno do New Deal de Roosevelt durou cinco décadas, dos anos 1930 até a contra-revolução conservadora inaugurada com a eleição de Ronald Reagan. Na Grã-Bretanha, o consenso em favor do Welfare State, a partir do primeiro governo trabalhista do pós-guerra, só se desfez com o advento do thatcherismo, em 1979.

Quando Dilma e Serra (ou, vá lá, Aécio Neves) enfim disserem a que vêm, ver-se-á que, removida a retórica, ambos estarão propondo, ao fim e ao cabo, o mesmo - desenvolvimento com justiça social, a ideologia brasileira por excelência desde a Revolução de 1930 (à parte as discordâncias posteriores sobre o papel do Estado como produtor de bens e provedor direto de serviços).

O resto - embora não seja pouco nem descartável - é questão de métodos. Métodos de construir maiorias parlamentares, métodos de ocupar e conduzir o Estado, métodos de conquistar popularidade, métodos de fazer política externa. Sem Lula a ofuscar as coisas com a sua exacerbada oralidade e seu inigualável carisma, isso ficará patente no próximo período de governo, com Dilma ou Serra.

Quantas vezes, enfim, será preciso repetir que, para os historiadores do futuro, a continuidade dará a marca do ciclo iniciado com a eleição de FHC e só terminará no dia ainda distante em que o Planalto não hospedar nem petistas nem tucanos? 

EU PESCADOR


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JOSÉ NÊUMANNE

Só quem trabalha pode pagar o almoço


O Estado de S. Paulo - 24/12/2008
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encasquetou com a idéia fixa de que ele vai livrar o Brasil da crise se fizer o brasileiro consumir. Por isso, fingiu descer do palanque eleitoral para trocar o papel de eterno candidato pelo de garoto-propaganda do consumismo redentor. A idéia parte do pressuposto aparentemente simples, mas na verdade apenas simplista, de que, se o consumidor comprar, o comércio venderá, levando a indústria a produzir, a empresa a empregar e o trabalhador garantirá, destarte, sua renda para assegurar o próprio poder de compra. Usando uma parábola futebolística da preferência presidencial, é como se uma partida começasse aos 90 minutos e o cronômetro fosse rodando para trás até chegar ao zero - com o resultado predeterminado pelo árbitro. Caberia aos jogadores dos dois times cumprirem as determinações prévias de fazer os gols necessários para a derrota, a vitória ou o empate determinados pelo supremo juiz.

A torcida do Corinthians, contudo, sabe que não se joga o jogo assim, mas na ordem inversa das coisas: ele começa no primeiro minuto e acaba no último; o destino das equipes é determinado por suas atuações; e, embora o juiz possa influir no resultado, não é esperado nem lícito que o faça. Pois dessa forma é também a vida real da economia: o campeonato começa com a disposição de produzir da sociedade, continua com a sua capacidade de poupar e se completa com a necessidade de consumir. Embora corintiano roxo, o presidente parece não ter percebido que os desmandos do clube levaram o time à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. E foram o empenho e engenho dos jogadores, sob uma gestão adequada, que o levaram de volta à Primeira, não apenas a vontade suprema da diretoria nem o entusiasmo da torcida.

Sua Excelência Excelentíssima e seus áulicos poderão argumentar que a teimosa disposição dos japoneses para poupar não os salvou dos estilhaços da crise dos mercados financeiros internacionais. Japoneses são tão viciados em poupança quanto os brasileiros em gastança e tudo indica que estão sendo mais atingidos pelo tsunami de Wall Street que nós aqui nestes tristes trópicos. É fato também que os séculos de cultura e civilização vividos pelos europeus de nada lhes têm valido para livrá-los do pânico da recessão, que assombra o mundo. A antiga habilidade de produzir mais e melhor (inventando sistemas como a linha de montagem, por exemplo), que deu aos antigos colonos da Nova Inglaterra o domínio sobre o mundo, não impediu que a hecatombe fosse nutrida no seio de seu sistema financeiro. Mas isso não modifica leis fundamentais da sobrevivência humana que o apóstolo São Paulo resumiu numa frase genial, que o presidente Lula, mais que seus assessores, comunistas, et pour cause, ateus, deveria ter aprendido, após tantos anos de freqüência de missas: "Quem não trabalha não come."

Os economistas liberais da Escola de Chicago adaptaram a sentença curta, dura e sincera do primeiro teólogo cristão para "não há almoço grátis". E a bruta sentença paulina sobrevive nestes tempos bicudos de pós-capitalismo: não há produção sem consumo nem vice-versa. O trabalho precede a refeição e, em termos atuais, a paga. Pois a produção garante a remuneração, não cabendo nessa equação a velha dúvida entre a precedência do ovo sobre a galinha ou da galinha sobre o ovo. Talvez esta não seja a melhor hora para concentrar esforços na poupança, mas certamente comprar sem freios nada resolve, se não por qualquer outro motivo pelo menos pela óbvia razão de que só compra quem tem dinheiro no bolso e dinheiro, ao contrário do que Lula possa pensar, não é um papel pintado impresso na Casa da Moeda, mas um signo de troca resultante da capacidade de uma sociedade de produzir, poupar e consumir. Não se produzem riquezas só com vontade política e as complicadas malhas da economia real são impermeáveis às leis do marketing político, matéria na qual ele é mestre incontestável.

Lula é um gênio intuitivo fora do comum, muito acima da média, em matéria de comunicação política, por dominar como poucos a linguagem dos anseios populares de consumo e conforto: todos adoramos comer e comprar, mas quem gosta de trabalhar feito um mouro? Quando apela ao consumo, noçço líder atinge o que há de mais vulnerável no organismo humano: o estômago. Ele sabe o que faz: seu segredo de prestidigitador de massas é o cardápio do trabalhador, enriquecido de proteína pela oferta de emprego propiciada pela bonança internacional (que está, aliás, na raiz da crise, mas quem se importa com isso?) e pela mudança completa de seus hábitos de vida. O observador desapaixonado que for à periferia de qualquer cidade de qualquer região brasileira perceberá a olho nu essa conquista. O morador dessas "comunidades" de baixa classe atribui, com orgulho, o fato de poder possuir um televisor e trocar a geladeira - sem falar na rede elétrica que lhe chega, sem sequer a obrigação de pagar, graças aos "gatos" tolerados -, ao fato de ter, afinal, alguém de sua grei na gerência dos negócios republicanos. Daí, o prestígio do presidente subir sem parar feito um foguete sem rota de retorno.

Neste momento, os índices de desemprego não são assustadores, quem está desempregado come sua cota de Bolsa-Família e a alta burguesia financeira não se sente abalada pelo sismo de Wall Street. Enquanto essa satisfação generalizada perdurar, ninguém trará o foguete Lula de volta ao solo. Só que perdurar não é sinônimo de se perpetuar e não há dor perene nem glória perpétua. O castelo só não ruirá se a crise não cruzar seus muros e a arma para evitar isso é o trabalho árduo, tema inglório em comícios, e não o consumismo desenfreado, fácil de propor, mas difícil de cumprir sem a premissa da poupança e da produtividade. 

O IDIOTA


INFORME JB

PAC da Copa sai em abril de 2009


Jornal do Brasil - 24/12/2008
 

O ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou ontem: sai em abril o PAC da Copa de 2014. A principal notícia, acrescentou o ministro, e de acordo com o presidente Lula, é que o governo federal não vai dar dinheiro para os estados construírem estádios, mesmo com a crise às portas. No mês de março, a Fifa dirá o nome das 10 cidades-sede para o evento. A partir daí, o ministério prioriza, no mesmo PAC, a mobilidade de tráfego e transporte – num trabalho conjunto com o Ministério das Cidades, além de estradas, portos e aeroportos. Orlando terá em mãos um mapeamento de infra-estrutura com as cidades mais preparadas para investimentos – só que caberá à Fifa decidir quais são, e o governo terá de adaptar seus projetos aos interesses da federação.

Rio 2016

Segunda-feira, o ministro Orlando Silva encontrou-se com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Nawaf Bin Faisal, e ouviu do sheik: "Sou um voluntário para a campanha do Rio pela Olimpíada".

Aposta

O prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), e o senador Ignácio Arruda (PCdoB-CE) reuniram-se com Orlando Silva, também comunista, ontem à tarde. Mas não falaram de esporte.

Lula lá, de novo

O presidente Lula prepara nova agenda de viagens para a África ano que vem. Quer conhecer agora mais oito países, entre eles Quênia e Etiópia.

Praia do mosquito

A paradisíaca (por enquanto) Búzios sofre com o descaso político. A cidade, um dos mais belos balneários do país, está infestada de mosquitos da dengue. Isso, só percebem os que chegam lá depois de horas atravessando estradas ruins.

Quem é quem

Manda em Búzios hoje o prefeito Toninho Branco, ou Octávio Raja Gabaglia – ou ambos juntos.

Cortando asas

A Agência Nacional de Aviação Civil adiou mais uma vez, a pedidos, a audiência pública que faria dia 30, no Rio, para debater a ampliação de operações do Aeroporto Santos Dumont, além do processo de concessões de terminais no país.

Batendo asas

O fato é que tem muita gente graúda já fugindo dessa briga entre Gol e TAM contra a Azul.

Sarkozy em Angra

O casal Nicolas Sarkozy e Carla Bruni alugou uma ilha de conhecido milionário, em Angra dos Reis, famosa por seu belo litoral no Sul do Rio. A dupla pretende passar ali o Réveillon, cercada de seletos amigos, além do pai de Carla. Isso, se resolverem deixar o também belo litoral baiano.

Ano novo

O Senado deverá ter, a partir do ano que vem, um novo regimento interno. O objetivo é tornar a Casa mais eficiente, explica o senador Marco Maciel. Ele preside a comissão temporária criada especificamente para isso.

Coitado do Mão Santa

Para desespero do senador Mão Santa, que adora falar, a comissão já estuda limitar os discursos e as sessões solenes, em busca de mais celeridade no processo legislativo. Estuda-se também, segundo Maciel, dar mais poder de decisão às comissões em certos projetos, que não seriam levados a plenário.

Balanço da AGU

A AGU informou à coluna que realmente economizou para o país R$ 640 milhões, mas foi "ao barrar ações contra a União no STF". Levando em conta o balanção de 2008, em outras frentes de trabalho, a economia para o governo alcança R$ 55,4 bilhões.

SÔNIA RACY - DIRETO DA FONTE

Mais dinheiro por 30 dias


O Estado de S. Paulo - 24/12/2008
 

São Paulo teve peso na aprovação no comitê gestor do Simples Nacional em relação à prorrogação, para o dia 13 de fevereiro, do recolhimento de tributos por parte das empresas que aderiram ao regime especial de arrecadação. Segundo se apurou, a iniciativa foi encabeçada por São Paulo e Maranhão, representantes dos 27 Estados no comitê gestor do Simples.

Para Mauro Ricardo Costa, secretário da Fazenda do Estado, esta medida é de grande alento para as empresas como um todo e a paulista em particular. “No caso de São Paulo, serão R$ 170 milhões”, soma. No País? “A conta chega a R$ 2 bilhões”, afirma. 

O que mudou? As empresas ganharam uma folga de 30 dias para usar os recursos como capital de giro.

Caminho das pedras 

Sérgio Cabral deve trilhar os passos de José Serra e Aécio Neves.

Estuda diminuir impostos para a indústria local.

Matemática 

Contabilidade fresca do setor: a produção siderúrgica, no fim de ano, caiu 50%.

O consumo interno, 70%

Matemática 2

Contabilidade da Vale: em seus canteiros de obra, trabalham 41.681 mil pessoas. Na empresa, 46 mil. De Roger Agnelli: “O País precisa de investimentos para continuar gerando empregos.”

Alô presidente

Vai sair salgada a próxima conta telefônica de Garibaldi Alves Filho.

O presidente do Senado e candidato à reeleição contou que vai passar as férias grudado no celular. “Vou fazer campanha pelo telefone, porque cada senador irá para o seu Estado, e eu não tenho jatinho para ir atrás deles”. 

Resposta light

Tem gente no governo que nem disfarça mais. O deputado Raul Jungmann enviou requerimento de informações a Petrobras. 

Queria saber qual era o cronograma financeiro de desembolso na construção da refinaria Abreu Lima, em parceria com a PDVSA. Advinhem qual foi a resposta?

Um espaço em branco. A Petrobras sequer tentou encher lingüiça.