terça-feira, setembro 16, 2008

LAURO JARDIM
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ELEIÇÕES 2008


Jogando em casa
| 18:33
Lula vai desembarcar sexta-feira em Natal para tentar garantir a ida da candidata petista Fátima Bezerra ao segundo turno. Pelas últimas sondagens, Micarla Sousa, do PV, venceria ainda no primeiro turno, mas sua distância para a petista vêm se reduzindo. Para selar de vez a disputa do segundo-turno, a campanha de Fátima marcou o comício Lula numa das regiões mais pobres de Natal, a Zona Norte. O alvo são os quase 400 000 moradores em sua grande parte atendida pelo Bolsa-Família.
Petista de elite | 18:32
Ao contrário de Lula, a popularidade de Fátima Bezerra é pequena entre os mais pobres.
Todo mundo quer Lula | 18:31
Muito candidato vai ficar na mão no Rio Grande do Norte. Gente de todo o estado têm procurado lideranças da base aliada tentando aproveitar a visita de Lula para fazer fotos e gravações ao lado dele, mas os candidatos já têm sido avisados que em função da agenda apertada, não haverá tempo de atendê-los. Lula chega sexta de manhã, terá dois atos administrativos em Mossoró, o comício em Natal às 18h e em seguida embarca para São Paulo.
PROMESSAS, PROMESSAS E PROMESSAS


CRISE: COURO DE PICA


Bolsas no Brasil e nos EUA fecham em alta após Fed manter juros em 2%

Bovespa subiu 1,68% e ações da Petrobras, mais de 5%. Notícia de compra de parte do Lehman Brothers e injeção de recursos pelos BCs acalmaram mercados

NATAL
CHEGA LULA, CHEGA

IBOPE:

MICARLA  - 45%
 
FÁTIMA      - 28%


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MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS-CONT.

MACHADO DE ASSIS


CAPÍTULO 12

Um episódio de 1814

Mas eu não quero passar adiante, sem contar sumariamente um galante episódio de 1814; tinha nove anos.

Napoleão, quando eu nasci, estava já em todo o esplendor da glória e do poder; era imperador e granjeara inteiramente a admiração dos homens. Meu pai, que à força de persuadir os outros da nossa nobreza acabara persuadindo-se a si próprio, nutria contra ele um ódio puramente mental. Era isso motivo de renhidas contendas em nossa casa, porque meu tio João, não sei se por espírito de classe e simpatia de oficio, perdoava no déspota o que admirava no general, meu tio padre era inflexível contra o corso, os outros parentes dividiam-se; daí as controvérsias e as rusgas.

Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão, houve naturalmente grande abalo em nossa casa, mas nenhum chasco ou remoque. Os vencidos, testemunhas do regozijo público, julgaram mais decoroso o silêncio; alguns foram além e bateram palmas. A população, cordialmente alegre, não regateou demonstrações de afeto à real família; houve iluminações, salvas, Te Deum, cortejo e aclamações. Figurei nesses dias com um espadim novo, que meu padrinho me dera no dia de Santo Antônio; e, francamente, interessava-me mais o espadim do que a queda de Bonaparte. Nunca me esqueceu esse fenômeno. Nunca mais deixei de pensar comigo que o nosso espadim é sempre maior do que a espada de Napoleão. E notem que eu ouvi muito discurso, quando era vivo, li muita página rumorosa de grandes idéias e maiores palavras, mas não sei por que, no fundo dos aplausos que me arrancavam da boca, lá ecoava alguma vez este conceito de experimentado:

— Vai-te embora, tu só cuidas do espadim.

Não se contentou a minha família em ter um quinhão anônimo no regozijo público; entendeu oportuno e indispensável celebrar a destituição do imperador com um jantar, e tal jantar que o ruído das aclamações chegasse aos ouvidos de Sua Alteza, ou quando menos, de seus ministros. Dito e feito.Veio abaixo toda a velha prataria, herdada do meu avô Luís Cubas; vieram as toalhas de Flandres, as grandes jarras da Índia; matou-se um capado; encomendaram-se às madres da Ajuda as compotas e marmeladas; lavaram

se, arearam-se, poliram-se as salas, escadas, castiçais, arandelas, as vastas mangas de vidro, todos os aparelhos do luxo clássico.

Dada a hora, achou-se reunida uma sociedade seleta, o juiz de fora, três ou quatro oficiais militares, alguns comerciantes e letrados, vários funcionários da administração, uns com suas mulheres e filhas, outros sem elas, mas todos comungando no desejo de atolar a memória de Bonaparte no papo de um peru. Não era um jantar, mas um Te Deum, foi o que pouco mais ou menos disse um dos letrados presentes, o Doutor Vilaça, glosador insigne, que acrescentou aos pratos de casa o acepipe das musas. Lembra-me, como se fosse ontem, lembra-me de o ver erguer-se, com a sua longa cabeleira de rabicho, casaca de seda, uma esmeralda no dedo, pedir a meu tio padre que lhe repetisse o mote, e, repetido o mote, cravar os olhos na testa de uma senhora, depois tossir, alçar a mão direita, toda fechada, menos o dedo índice, que apontava para o teto; e, assim posto e composto, devolver o mote glosado. Não fez uma glosa, mas três; depois jurou aos seus deuses não acabar mais. Pedia um mote, davam-lho, ele glosava-o prontamente, e logo pedia outro e mais outro; a tal ponto que uma das senhoras presentes não pôde calar a sua grande admiração.

— A senhora diz isso, retorquia modestamente o Vilaça, porque nunca ouviu o Bocage, como eu ouvi, no fim do século, em Lisboa. Aquilo sim! que facilidade! e que versos! Tivemos lutas de uma e duas horas, no botequim do Nicola, a glosarmos, no meio de palmas e bravos. Imenso talento o do Bocage! Era o que me dizia, há dias, a Senhora duquesa de Cadaval...

E estas três palavras últimas, expressas com muita ênfase, produziram em toda a assembléia um frêmito de admiração e pasmo. Pois esse homem tão dado, tão simples, além de pleitear com poetas, discreteava com duquesas! Um Bocage e uma Cadaval! Ao contato de tal homem, as damas sentiam-se superfinas; os varões olhavam-no com respeito, alguns com inveja, não raros com incredulidade. Ele, entretanto, ia caminho, a acumular adjetivo sobre adjetivo, advérbio sobre advérbio, a desfiar todas as rimas de tirano e de usurpador. Era à sobremesa; ninguém já pensava em comer. No intervalo das glosas, corria um burburinho alegre, um palavrear de estômagos satisfeitos; os olhos moles e úmidos, ou vivos e cálidos, espreguiçavam-se ou saltitavam de uma ponta à outra da mesa, atulhada de doces e frutas, aqui o ananás em fatias, ali o melão em talhadas, as compoteiras de cristal deixando ver o doce de coco, finamente ralado, amarelo como uma gema, — ou então o melado escuro e grosso, não longe do queijo e do cará. De quando em quando um riso jovial, amplo, desabotoado, um riso de família, vinha quebrar a gravidade política do banquete. No meio do interesse grande e comum, agitavam-se também os pequenos e particulares. As moças falavam das modinhas que haviam de cantar ao cravo, e do minuete e do solo inglês; nem faltava matrona que prometesse bailar um oitavado de compasso, só para mostrar como folgara nos seus bons tempos de criança. Um sujeito, ao pé de mim, dava a outro notícia recente dos negros novos, que estavam a vir, segundo cartas que recebera de Luanda, uma carta em que o sobrinho lhe dizia ter já negociado cerca de quarenta cabeças, e outra carta em que...Trazia-as justamente na algibeira, mas não as podia ler naquela ocasião. O que afiançava é que podíamos contar, só nessa viagem, uns cento e vinte negros, pelo menos.

— Trás... trás... trás... fazia o Vilaça batendo com as mãos uma na outra. O rumor cessava de súbito, como um estacado de orquestra, e todos os olhos se voltavam para o glosador. Quem ficava longe aconcheava a mão atrás da orelha para não perder palavra; a mor parte, antes mesmo da glosa, tinha já um meio riso de aplauso, trivial e cândido.

Quanto a mim, lá estava, solitário e deslembrado, a namorar uma certa compota da minha paixão. No fim de cada glosa ficava muito contente, esperando que fosse a última, mas não era, e a sobremesa continuava intacta. Ninguém se lembrava de dar a primeira voz. Meu pai, à cabeceira, saboreava a goles extensos a alegria dos convivas, mirava-se todo nos carões alegres, nos pratos, nas flores, deliciava-se com a familiaridade travada entre os mais distantes espíritos, influxo de um bom jantar. Eu via isso, porque arrastava os olhos da compota para ele e dele para a compota, como a pedir-lhe que ma servisse; mas fazia-o em vão. Ele não via nada; via-se a si mesmo. E as glosas sucediam-se, como bátegas d'água, obrigando-me a recolher o desejo e o pedido. Pacientei quanto pude; e não pude muito. Pedi em voz baixa o doce; enfim, bradei, berrei, bati com os pés. Meu pai, que seria capaz de me dar o sol, se eu lho exigisse, chamou um escravo para me servir o doce; mas era tarde. A tia Emerenciana arrancara-me da cadeira e entregara-me a uma escrava, não obstante os meus gritos e repelões.

Não foi outro o delito do glosador: retardara a compota e dera causa à minha exclusão. Tanto bastou para que eu cogitasse uma vingança, qualquer que fosse, mas grande e exemplar, coisa que de alguma maneira o tornasse ridículo. Que ele era um homem grave o Doutor Vilaça, medido e lento, quarenta e sete anos, casado e pai. Não me contentava o rabo de papel nem o rabicho da cabeleira; havia de ser coisa pior. Entrei a espreitá-lo, durante o resto da tarde, a segui-lo, na chácara aonde todos desceram a passear. Vio-o conversando com Dona Eusébia, irmã do sargento-mor Domingues, uma robusta donzelona, que se não era bonita, também não era feia.

— Estou muito zangada com o senhor, dizia ela.

— Por quê?

— Porque... não sei por quê... porque é a minha sina...creio às vezes que é melhor morrer...

Tinham penetrado numa pequena moita; era lusco-fusco; eu segui-os. O Vilaça levava nos olhos umas chispas de vinho e de volúpia.

— Deixe-me, disse ela.

— Ninguém nos vê. Morrer, meu anjo? Que idéias são essas! Você sabe que eu morrerei também... que digo?... morro todos os dias, de paixão, de saudades...

Dona Eusébia levou o lenço aos olhos. O glosador vasculhava na memória algum pedaço literário e achou este, que mais tarde verifiquei ser de uma das óperas do Judeu:

— Não chores, meu bem; não queiras que o dia amanheça com duas auroras.

Disse isto; puxou-a para si; ela resistiu um pouco, mas deixou-se ir; uniram os rostos, e eu ouvi estalar, muito ao de leve, um beijo, o mais medroso dos beijos.

— O Doutor Vilaça deu um beijo em Dona Eusébia! bradei eu correndo pela chácara.

Foi um estouro esta minha palavra; a estupefação imobilizou a todos; os olhos espraiavam-se a uma e outra banda; trocavam-se sorrisos, segredos, à socapa, as mães arrastavam as filhas, pretextando o sereno. Meu pai puxou-me as orelhas, disfarçadamente, irritado deveras com a indiscrição; mas, no dia seguinte, ao almoço, lembrando o caso, sacudiu-me o nariz, a rir: Ah! brejeiro! ah! brejeiro!

CONT. AMANHÃ

ÁGUA NA BOCA


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SAÚDE
Dor na perna é sintoma de embolia

Campanha nos EUA vai alertar para doença que, no Brasil, aparece em 5% das necropsias
Cecilia Minner

Médicos começaram uma campanha nos Estados Unidos para alertar a população que dores nas pernas não são bobas: podem indicar um coágulo, que pode levar a uma embolia pulmonar. O diagnóstico da doença é difícil, pois os sintomas muitas vezes são confundidos com outros males. De acordo com o SUS (Sistema Único de Saúde) em 2004 houve no Brasil 6.700 mil casos de internação por embolia pulmonar – 75% deles não detectados de início. Pessoas que passam muito tempo de cama devem ficar atentas. Em pacientes obesos e fumantes, o risco é ainda maior.
– A falta de ar ocorre em 82% dos casos de embolia pulmonar. É o sintoma mais freqüente, porém aparece também em uma gripe, resfriado e pneumonia – explica o cardiologista João Mansur Filho.
O mal é causado por uma trombose venosa – formação de um trombo (coágulo de sangue) nas veias, geralmente das pernas, coxas ou quadris. Esse trombo pode se desprender e ser levado, pela circulação até o pulmão obstruindo a passagem de sangue pela artéria, causando a morte.
As pessoas que fumam, são obesas, fazem uso de pílula anticoncepcional ou que têm predisposição genética (trombofilia hereditária) apresentam grande risco de desenvolver embolia pulmonar, além dos pacientes com câncer ou com fratura óssea imobilizados por um período. Até gente saudável que faz uma longa viagem de avião – mais de 5 mil quilômetros – estão sujeitas ao mal.
– As pessoas com risco de ter uma embolia pulmonar e irão fazer uma longa viagem de avião devem consultar o médico para fazer uso de um anticoagulante. Devem também andar pela aeronave, movimentar-se de alguma maneira – recomenda a cardiologista Rita Villela.
Os principais sintomas da doença são a falta de ar, dor torácica, tosse seca ou com sangue, ansiedade, febre baixa e batimentos rápidos do coração. No entanto, nem sempre a doença é diagnosticada pelo médico. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 3% a 5% das necropsias indicam uma embolia pulmonar que não havia sido identificada.
No Brasil, em cerca de 10% dos casos de embolia pulmonar o paciente morre antes de chegar ao hospital. Nos EUA, 350 a 600 mil americanos sofrem do mal, por anos, e ao menos 100 mil deles morrem.
Atualmente, o método mais moderno de descobrir a doença é o D-Dímero, exame de sangue muito usado nas emergências dos hospitais.
Detectado o mal, o tratamento indicado é com heparina, um anticoagulante administrado por via subcutânea. Quando não há remissão, o médico opta pelo trombolítico, que dissolve o trombo. Em casos mais sérios, é usado um cateter que vai até o local do trombo e o aspira – embolectomia pulmonar.
BAR DO ESPETÃO


TERÇA NOS JORNAIS

- Folha: Maior quebra da história causa pior dia nas bolsas desde 11/9

- Globo: O novo 11 de Setembro do mercado

- Estadão: Quebra de banco nos EUA faz mercado global desabar

- JB: O mundo em pânico

- Correio: A pior crise desde 11/9

- Valor: Crise já atinge o crédito no Brasil

- Gazeta Mercantil: Derrocada do Lehman arrasta bolsas ao redor do mundo

- Estado de Minas: Como a crise pode afetar o Brasil

- Jornal do Commercio: Acordo à Vista

segunda-feira, setembro 15, 2008

Morre Richard Wright, um dos fundadores do Pink Floyd

O músico Richard Wright, 65, tecladista e um dos fundadores do grupo de rock Pink Floyd, morreu nesta segunda-feira (15). Ele sofria de câncer, segundo anunciou seu porta-voz.
ECONOMIA: COTAÇÕES

15/09/2008 - 11:30 hs


RASGA ANJO
BILÚ, BILÚ, BILÚ, BILÚ....BILÚ, TETÉIA
Informe JB

Dilma trabalha pela Petrobras
Márcio Falcão

Janeiro é o prazo para que a Petrobras se enquadre na resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente que exige redução no nível de poluentes do diesel produzido pela estatal. O jogo político, no entanto, já começou e é forte. Na sexta-feira, técnicos dos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento e de Minas e Energia estiveram na Casa Civil para uma reunião com a ministra Dilma Rousseff. E ouviram que a ordem é que não se mexa na Petrobras até que a empresa tenha condições de adaptar a tecnologia limpa, que já exporta, para o mercado interno. E isso passará ao largo da data limite de janeiro. Palavra de futura candidata.

Encalhou Em alta
O governo está com problemas para emplacar a construção do primeiro submarino nuclear do país. Os franceses da DCN estão segurando a transferência da tecnologia do propulsor. O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, já conversa com empresários russos, que têm o serviço para pronta entrega.

Espião
Mesmo com a má fama da Abin e da suspeita de envolvimento na crise dos grampos, parece que todo mundo quer ser espião. Ao todo, 58 mil pessoas se inscreveram para disputar as 160 vagas do concurso marcado para 12 de outubro. Mais impressionante ainda é o universo de gente que tentou se inscrever, mas acabou perdendo o prazo: 146 mil.

Passado
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) tornou-se um dos maiores críticos da Abin diante da crise. Parece ter esquecido o passado. Arapongas sustentam que, quando foi ministro do Desenvolvimento Agrário, Jungmann foi quem mais requisitou serviços da agência para acompanhar ações do MST.

Defesa
Nem todo mundo na Esplanada está contra as escutas telefônicas. O ministro da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, tem dito que não se pode banir o instrumento das investigações, uma vez que, hoje, o grampo é uma das armas mais poderosas contra a corrupção.

Troco
Os ministros do STF estão ansiosos para que o Congresso coloque em votação o projeto que aumenta seus vencimentos dos atuais R$ 24.500 para R$ 25.725. Os parlamentares estão resistentes. Não esqueceram que, em 2006, a Suprema Corte anulou ato da Câmara e do Senado que equiparava os salários dos congressistas aos dos ministros.

Sem pressa
O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) não se impressiona com a pressa de seu principal concorrente à presidência da Câmara, o deputado Michel Temer (PMDB- SP). Enquanto o peemedebista prepara um evento para o dia 8 de outubro, Ciro quer distância de badalação. Para o progressista, Temer corre para unificar o PMDB. Ciro diz contar com o voto de pelo menos 15 peemedebistas.

Energia
O governador Cid Gomes quer marcar seu primeiro mandato tornando o Ceará auto-suficiente em energia até 2011. Serão 14 parques eólicos que, juntos, vão gerar uma potência de 500,5 megawatts.
SEM TÍTULO


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MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS-CONT.

MACHADO DE ASSIS

CAPÍTULO 11

O menino é pai do homem

Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos. Talvez os gatos são menos matreiros, e, com certeza, as magnólias são menos inquietas do que eu era na minha infância. Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de "menino diabo"; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce "por pirraça"; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, — algumas vezes gemendo, — mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um — "ai, nhonhô!" — ao que eu retorquia: — "Cala a boca, besta!" — Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia
o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.
Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.
Outrossim, afeiçoei-me à contemplação da injustiça humana, inclinei-me a atenuá-la, a explicá-la, a classificá-la por partes, a entendê-la, não segundo um padrão rígido, mas ao sabor das circunstâncias e lugares. Minha mãe doutrinava-me a seu modo, fazia-me decorar alguns preceitos e orações; mas eu sentia que, mais do que as orações, me governavam os nervos e o sangue, e a boa regra perdia o espírito, que a faz viver, para se tomar uma vã fórmula. De manhã, antes do mingau, e de noite, antes da cama, pedia a Deus que me perdoasse, assim como eu perdoava aos meus devedores; mas entre a manhã e a noite fazia uma grande maldade, e meu pai, passado o alvoroço, dava-me pancadinhas na cara, e exclamava a rir: Ah! brejeiro! ah! brejeiro!
Sim, meu pai adorava-me. Minha mãe era uma senhora fraca, de pouco cérebro e muito coração, assaz crédula, sinceramente piedosa, — caseira, apesar de bonita, e modesta, apesar de abastada; temente às trovoadas e ao marido. O marido era na terra o seu deus. Da colaboração dessas duas criaturas nasceu a minha educação, que, se tinha alguma coisa boa, era no geral viciosa, incompleta, e, em partes, negativa. Meu tio cônego fazia às vezes alguns reparos ao irmão; dizia-lhe que ele me dava mais liberdade do que ensino e mais afeição do que emenda; mas meu pai respondia que aplicava na minha educação um sistema inteiramente superior ao sistema usado; e por este modo, sem confundir o irmão, iludia-se a si próprio.
De envolta com a transmissão e a educação, houve ainda o exemplo estranho, o meio doméstico. Vimos os pais; vejamos os tios. Um deles, o João, era um homem de língua solta, vida galante, conversa picaresca. Desde os onze anos entrou a admitir-me às anedotas reais ou não, eivadas todas de obscenidade ou imundície. Não me respeitava a adolescência, como não respeitava a batina do irmão; com a diferença que este fugia logo que ele enveredava por assunto escabroso. Eu não; deixava-me estar, sem entender nada, a princípio, depois entendendo e enfim achando-lhe graça. No fim de certo tempo, quem o procurava era eu; e ele gostava muito de mim, dava-me doces, levava-me a passeio. Em casa, quando lá ia passar alguns dias, não poucas vezes me aconteceu achá-lo, no fundo da chácara, no lavadouro, a palestrar com as escravas que batiam roupa; aí é que era um desfiar de anedotas, de ditos, de perguntas, e um estalar de risadas, que ninguém podia ouvir, porque o lavadouro ficava muito longe de casa. As pretas, com uma tanga no ventre, a arregaçar-lhes um palmo dos vestidos, umas dentro do tanque, outras fora, inclinadas sobre as peças de roupa, a batê-las, a ensaboá-las, a torcê-las, iam ouvindo e redargüindo às pilhérias do tio João, e a comentá-las de quando em quando com esta palavra:
— Cruz, diabo!... Este sinhô João é o diabo!
Bem diferente era o tio cônego. Esse tinha muita austeridade e pureza; tais dotes, contudo, não realçavam um espírito superior, apenas compensavam um espírito medíocre. Não era homem que visse a parte substancial da Igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia que do altar. Uma lacuna no ritual excitava-o mais do que uma infração dos mandamentos. Agora, a tantos anos de distância, não estou certo se ele poderia atinar facilmente com um trecho de Tertuliano, ou expor, sem titubear, a história do símbolo de Nicéia; mas ninguém, nas festas cantadas, sabia melhor o número e caso das cortesias que se deviam ao oficiante. Cônego foi a única ambição de sua vida; e dizia de coração que era a maior dignidade a que podia aspirar. Piedoso, severo nos costumes, minucioso na observância das regras, frouxo, acanhado, subalterno, possuía algumas virtudes, em que era exemplar, mas carecia absolutamente da força de as incutir, de as impor aos outros.
Não digo nada de minha tia materna, Dona Emerenciana, e aliás era a pessoa que mais autoridade tinha sobre mim; essa diferençava-se grandemente dos outros; mas viveu pouco tempo em nossa companhia, uns dois anos. Outros parentes e alguns íntimos não merecem a pena de ser citados; não tivemos uma vida comum, mas intermitente, com grandes claros de separação. O que importa é a expressão geral do meio doméstico, e essa aí fica indicada, — vulgaridade de caracteres, amor das aparências rutilantes, do arruído, frouxidão da vontade, domínio do capricho, e o mais. Dessa terra e desse estrume é que nasceu esta flor.

CONT. AMANHÃ

domingo, setembro 14, 2008

TÁ EXPLICADO


DOMINGO NOS JORNAIS


- Globo: País não tem navios, portos e plataformas para o pré-sal

- Folha: Sigilo telefônico é vendido a menos de R$ 1.000 no país

- Estadão: Atraso em obras impede uso imediato do gás brasileiro

- JB: Impostos que você não vê

- Correio: O perigo ronda as escolas particulares

- Valor: Bolívia rejeita mediação brasileira para conflito

- Gazeta Mercantil: Corte de gás da Bolívia expõe falhas do setor

sábado, setembro 13, 2008

MAIS UMA GOOOSSSTOSA


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BOM PROVEITO
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MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS: CONT.

MACHADO DE ASSIS

CAPÍTULO 8

Razão contra Sandice

Já o leitor compreendeu que era a Razão que voltava à casa, e convidava a Sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo:
La maison est à moi, c'est à vous d'en sortir.
Mas é sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar. É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, umas de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, porque a adventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.
— Não, senhora, replicou a Razão, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.
— Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...
— Que mistério?
— De dois, emendou a Sandice; o da vida e o da morte; peço-lhe só uns dez minutos.
A Razão pôs-se a rir.
— Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa.
E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando...

CAPÍTULO 9

Transição

E vejam agora com que destreza, com que arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão pecado da juventude; não há juventude sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada. De modo que o livro fica assim com todas as vantagens do método, sem a rigidez do método. Na verdade, era tempo. Que isto de método, sendo, como é, uma coisa indispensável, todavia é melhor tê-lo sem gravata nem suspensórios, mas um pouco à fresca e à solta, como quem não se lhe dá da vizinha fronteira, nem do inspetor de quarteirão. E como a eloqüência, que há uma genuína e vibrante, de uma arte natural e feiticeira, e outra tesa, engomada e chocha.Vamos ao dia 20 de outubro.

CAPÍTULO 10

Naquele dia

Naquele dia, a árvore dos Cubas brotou uma graciosa flor. Nasci; recebeu-me nos braços a Pascoela, insigne parteira minhota, que se gabava de ter aberto a porta do mundo a uma geração inteira de fidalgos. Não é impossível que meu pai lhe ouvisse tal declaração; creio, todavia, que o sentimento paterno é que o induziu a gratificá-la com duas meias dobras. Lavado e enfaixado, fui desde logo o herói da nossa casa. Cada qual prognosticava a meu respeito o que mais lhe quadrava ao sabor. Meu tio João, o antigo oficial de infantaria, achava-me um certo olhar de Bonaparte, coisa que meu pai não pôde ouvir sem náuseas; meu tio Ildefonso, então simples padre, farejava-me cônego.
— Cônego é o que ele há de ser, e não digo mais por não parecer orgulho; mas não me admiraria nada se Deus o destinasse a um bispado... É verdade, um bispado; não é coisa impossível. Que diz você, mano Bento?
Meu pai respondia a todos que eu seria o que Deus quisesse; e alçava-me ao ar, como se intentasse mostrar-me à cidade e ao mundo; perguntava a todos se eu me parecia com ele, se era inteligente, bonito...
Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar anos depois; ignoro a mor parte dos pormenores daquele famoso dia. Sei que a vizinhança veio ou mandou cumprimentar o recém-nascido, e que durante as primeiras semanas muitas foram as visitas em nossa casa. Não houve cadeirinha que não trabalhasse; aventou-se muita casaca e muito calção. Se não conto os mimos, os beijos, as admirações, as bênçãos, é porque, se os contasse, não acabaria mais o capítulo, e é preciso acabá-lo.
Item, não posso dizer nada do meu batizado, porque nada me referiram a tal respeito, a não ser que foi uma das mais galhardas festas do ano seguinte, 1806; batizei-me na Igreja de São Domingos, uma terça-feira de março, dia claro, luminoso e puro, sendo padrinhos o coronel Rodrigues de Matos e sua senhora. Um e outro descendiam de velhas famílias do norte e honravam deveras o sangue que lhes corria nas veias, outrora derramado na guerra contra Holanda. Cuido que os nomes de ambos foram das primeiras coisas que aprendi; e certamente os dizia com muita graça, ou revelava algum talento precoce, porque não havia pessoa estranha diante de quem me não obrigassem a recitá-los.
— Nhonhô, diga a estes senhores como é que se chama seu padrinho.
— Meu padrinho? é o Excelentíssimo Senhor coronel Paulo Vaz Lobo César de Andrade e Sousa Rodrigues de Matos; minha madrinha é a Excelentíssima Senhora Dona Maria Luisa de Macedo Resende e Sousa Rodrigues de Matos.
— É muito esperto o seu menino, exclamavam os ouvintes.
— Muito esperto, concordava meu pai; e os olhos babavam-lhe de orgulho, e ele espalmava a mão sobre a minha cabeça, fitava-me longo tempo, namorado, cheio de si.
Item, comecei a andar, não sei bem quando, mas antes do tempo. Talvez por apressar a natureza, obrigavam-me cedo a agarrar às cadeiras, pegavam-me da fralda, davam-me carrinhos de pau.
— Só só, nhonhô, só só, dizia-me a mucama. E eu, atraído pelo chocalho de lata, que minha mãe agitava diante de mim, lá ia para a frente, cai aqui, cai acolá; e andava, provavelmente mal, mas andava, e fiquei andando.

CONT. AMANHÃ
NADA SE VÊ, ALÉM DO NARIZ


SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Candidatos disputam voto de servidor com benesses

- Folha: Marta lidera e Kassab sobe em SP

- Estadão: Marta cai, Kassab sobe e alcança Alckmin

- JB: Manifestantes bolivianos fecham fronteira do Brasil

- Correio: Polícia estoura dois cassinos na W3 Sul

- Valor: Bolívia rejeita mediação brasileira para conflito

- Gazeta Mercantil: Corte de gás da Bolívia expõe falhas do setor

- Jornal do Commercio: Brasil tem 10% dos homicídios do mundo

sexta-feira, setembro 12, 2008

SEX SEXTA SEX

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GOGOGOOOOOOOSSSSSSSSTOSA
FIM DE SEMANA: ESCOLHA

Música e teatro na Ribeira

VIOLETAS E GIRASSÓIS
Será realizada hoje a partir das 22h no galpão 29, na Ribeira , uma festa para celebrar a vida, reencontrar sonhos e a diversidade da cidade do Natal.
A festa Violetas e GirassÓis vai reunir num único show, quatro vertentes da música natalense. Canteiro de Samba, Donizete Lima e Khrystal e a banda Os Grogs estão na programação. Ingressos: No local, ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Informações: 9177-1713 û 8882.8927

Som da Mata
O grupo Café do vento se apresenta no próximo domingo no projeto Som da Mata, que começa às 16h30, no anfiteatro Pau-brasil, no Parque das Dunas. A formação é composta por Roderick Fonseca (violino, viola, bandolim, marimbal e flautas), Mazinho Viana (violão, gaita e contrabaixo), Sami TariK (percussão, efeitos vocais e eletroacústicos) e Kleber Moreira (percussão, efeitos vocais e bateria). A entrada custa apenas R$ 1. Informações: 3201 4440.

Música no orla
O projeto Orla da Boa Música conta hoje com o show de Tânia Soares e trio, a partir das 19h. Ao meio-dia de amanhã tem show com Edna Gurgel e às 19h o palco será de Giuliane Guanabara. No domingo, Lene Macêdo se apresenta a partir das 12h e às 18h tem o encerramento o I Encontro Multicultural do Orla com um show Khrystal e Banda.

Apresentações no praia
No Praia Shopping, o show de hoje fica por conta de Elis Rosa cantando menino das laranjas, a partir das 20h30. Amanhã, no mesmo horário, tem Alexandre Siqueira interpretando sambas de Djavan. No domingo, às 20h, o público assistirá ao Catita Choro e Gafieira. Na segunda, também às 20h, tem Zé Hilton e trio interpretando clássicos do forró.

Coleta Seletiva
Amanhã tem mais uma edição da Festa Coleta Seletiva, no castelo Pub Bar (Rota do Sol - Ponta Negra). O evento começa às 22h com o DJ TXT, em seguida tem shows com a Orquestra Boca Seca, com o grupo Síntese Modular e Kawanui, além dos DJs Batché e Fa’s Groove. O ingresso custa R$ 5.

Show de Isabella Taviani
Pela primeira vez se apresentando na cidade, hoje é dia de show com Isabella Taviani, a partir das 20h, no pátio da Capitania das Artes. A apresentação, que será de voz e violão, é com base no seu terceiro disco Diga Sim. Entre seus sucesso estão as canções Diga sim pra mim, além de Luxúria e Ternura, ambas temas de novelas globais. Ingressos: La Femme Lingerie, no Midway Mall (3646 3292).

Teatro

Risos no TAM
As solteironas é o espetáculo que está em cartaz hoje e amanhã no Teatro Alberto Maranhão, a partir das 21h. O espetáculo une teatro e show de humor. O intuito deste espetáculo é unicamente fazer com que o seu público tenha bons momentos de diversão e alegria. O texto é de Nilton Rodrigues, direção de João Paulo Costa e realização de Amaury Júnior. Ingressos na Livraria Siciliano (Midway Mall e Natal Shopping). Informações: 3222-3669.

Eventos

Feira Cultural em Patu
A Feira da Cultura de Patu chega ao jubileu de prata e se encerra amanhã, com o Auto de Jesuíno Brilhante. Na programação estão shows musicais, feiras de artesanato, concursos, oficinas, cinema e festivais de música.

Mistura Cultural
Até domingo está sendo promovido, no shopping Orla Sul, o primeiro Encontro Multicultural do Orla, que reúne exposição de sebos, filatelia, antiguidades (antiquários do RN, PB e PE), quadrinhos, CDs, vinil, exposições de artes plásticas, fotografias e palestras proferidas por jornalistas e professores, além de shows. Tudo organizado com o objetivo de divulgar a arte e a cultura

Cinema

Cine Sesi
Hoje, amanhã e domingo a Unidade Móvel do projeto Cine Sesi Cultural está em São Paulo do Potengi. A estrutura para a projeção dos filmes, que começam às 18h30, está montada do Largo da Praça Matriz

Literatura

Livro em Mossoró
Amanhã, a partir das 19h, será lançado na Siciliano, do Mossoró West Shopping, a obra Crônicas da virtualidade, do administrador Julio Rezende.

DOMINGO NO PARQUE
A poesia MPBística do cantor e compositor Geraldinho Carvalho será a atração principal da nova edição do projeto Domingo no Parque, a partir das 16h.

PARAOLIMPÍDAS DE PEQUIM

ESSA É NOSSA
YES, NÓS SOMOS DEFICIENTES
Essa olimpíada é nossa. Nela, a raça brasileira está representada em toda sua plenitude, afinal, somos um povo deficiente em todos os sentidos. Vamos de ouro na cabeça.
Informe JB

PT trabalha o mandato de 5 anos
Leandro Mazzini


O PT trabalha a proposta de mandato de cinco anos, sem reeleição, para o Executivo – desde o presidente da República, passando por governadores e prefeitos. Esse é o projeto de lei já traçado e detalhado à coluna pelo líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE). A idéia será tratada com o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o relator da reforma política, deputado João Paulo Cunha (SP). No PL, Rands também propõe cinco anos para o Legislativo, e que as eleições sejam coincidentes para todos os cargos majoritários e proporcionais, no mesmo ano. "Mas com intervalos de um mês para cada eleição", justifica Rands. O deputado pretende unificar o discurso do PT. Antes, no entanto, é preciso saber quando o pacote de reforma entra na pauta.

Gabrielli 2010 Puro sangue
Vem da Bahia a idéia de fazer José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, vice de Dilma Rousseff pelo PT em 2010.
Com o petróleo e a história do pré-sal em alta, a chapa já tem um mote: a boa técnica política com o administrador que sabe vender um barril.

A mala preta
A Abin já teve oferta de compra de malas de rastreamento de celulares anos atrás, mas não adquiriu porque não era prioridade. E se fosse, faltavam recursos.

Mala milionária
Os fabricantes da famosa mala preta, à época, juravam que ela não grampeava. Cada uma saía por R$ 200 mil. Oferecidas por multinacionais especializadas.

Flagra amoroso
Há pouco tempo, um banqueiro acostumado a comprar grampos recebeu material e chamou amigos para ouvir. Descobriu triângulo amoroso entre um casal de funcionários seus e um economista. Saiu divórcio amigável, conta uma testemunha à coluna.

Alô, PF!
O mercado do grampo é antigo e acessível. Só a PF não sabe ainda que duas lojas especializadas em segurança vendem a tal mala – uma na Asa Norte de Brasília e outra no Centro do Rio – para citar dois exemplos, apenas.

Bananas!
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, inquilino do Palácio do Planalto, que deixa a cortina aberta no janelão da sala, soltou para um visitante: "A vista é bonita, mas de vez em quando vejo alguém me dando uma banana". Calma, ministro, talvez não seja para o senhor.

Lulista enquadrado
Romeu Aldigueri, candidato do PPS em Granja (CE), foi enquadrado pelo presidente do partido, Roberto Freire, por ter veiculado no rádio um imitador de Lula pedindo votos para ele.

Fora daqui!
O PPS é oposição ao PT, e Freire, que odeia Lula, determinou à executiva estadual que expulse Aldigueri após as eleições, mesmo que ganhe. O PPS garante que não pedirá o cargo dele, caso se eleja.

Mistério
A Universidade de Brasília, que passa por eleições, pode perder contratos milionários com ministérios porque está adiando entrega de trabalhos.

Arrastão
Salvador amanheceu ontem menos vermelha. Um grupo de vândalos, não se sabe ainda se da oposição, derrubou placas e arrancou cartazes do candidato do PT à prefeitura, Walter Pinheiro.

O Brasil merece
Mais um para a série Candidatos Estranhos. Em Campos (RJ), concorre à Câmara pelo PR o "Pau Velho". Curiosidade: com quase 60 anos, "Velho" é casado com uma mulher com a metade da idade, que está grávida.
LEIA UM LIVRO
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS-CONT.

MACHADO DE ASSIS

CAPÍTULO 7

O delírio

Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faço-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direito à narração. Mas, por menos curioso que seja, sempre lhe digo que é interessante saber o que se passou na minha cabeça durante uns vinte a trinta minutos.
Primeiramente, tomei a figura de um barbeiro chinês, bojudo, destro, escanhoando um mandarim, que me pagava o trabalho com beliscões e confeitos: caprichos de mandarim.
Logo depois, senti-me transformado na Suma Teologica de São Tomás, impressa num volume, e encadernada em marroquim, com fechos de prata e estampas; idéia esta que me deu ao corpo a mais completa imobilidade; e ainda agora me lembra que, sendo as minhas mãos os fechos do livro, e cruzando-as eu sobre o ventre, alguém as descruzava (Virgília decerto), porque a atitude lhe dava a imagem de um defunto.
Ultimamente, restituído à forma humana, vi chegar um hipopótamo, que me arrebatou. Deixei-me ir, calado, não sei se por medo ou confiança; mas, dentro em pouco, a carreira de tal modo se tornou vertiginosa, que me atrevi a interrogá-lo, e com alguma arte lhe disse que a viagem me parecia sem destino.
— Engana-se, replicou o animal, nós vamos à origem dos séculos.
Insinuei que deveria ser muitíssimo longe; mas o hipopótamo não me entendeu ou não me ouviu, se é que não fingiu uma dessas coisas; e, perguntando-lhe, visto que ele falava, se era descendente do cavalo de Aquiles ou da asna de Balaão, retorquiu-me com um gesto peculiar a estes dois quadrúpedes: abanou as orelhas. Pela minha parte fechei os olhos e deixei-me ir à ventura. Já agora não se me dá de confessar que sentia umas tais ou quais cócegas de curiosidade, por saber onde ficava a origem dos séculos, se era tão misteriosa como a origem do Nilo, e sobretudo se valia alguma coisa mais ou menos do que a consumação dos mesmos séculos: reflexões de cérebro enfermo. Como ia de olhos fechados, não via o caminho; lembra-me só que a sensação de frio aumentava com a jornada, e que chegou uma ocasião em que me pareceu entrar na região dos gelos eternos. Com efeito, abri os olhos e vi que o meu animal galopava numa planície branca de neve, com uma ou outra montanha de neve, vegetação de neve, e vários animais grandes e de neve. Tudo neve; chegava a gelar-nos um sol de neve. Tentei falar, mas apenas pude grunhir esta pergunta ansiosa:
— Onde estamos?
— Já passamos o Éden.
— Bem; paremos na tenda de Abraão.
— Mas se nós caminhamos para trás! redargüiu motejando a minha cavalgadura.
Fiquei vexado e aturdido. A jornada entrou a parecer-me enfadonha e extravagante, o frio incômodo, a condução violenta, e o resultado impalpável. E depois — cogitações de enfermo — dado que chegássemos ao fim indicado, não era impossível que os séculos, irritados com lhes devassarem a origem, me esmagassem entre as unhas que deviam ser tão seculares como eles. Enquanto assim pensava, íamos devorando caminho, e a planície voava debaixo dos nossos pés, até que o animal estacou, e pude olhar mais tranqüilamente em torno de mim. Olhar somente; nada vi, além da imensa brancura da neve, que desta vez invadira o próprio céu, até ali azul. Talvez, a espaços, me aparecia uma ou outra planta, enorme, brutesca, meneando ao vento as suas largas folhas. O silêncio daquela região era igual ao do sepulcro: dissera-se que a vida das coisas ficara estúpida diante do homem.
Caiu do ar? destacou-se da terra? não sei; sei que um vulto imenso, uma figura de mulher me apareceu então, fitando-me uns olhos rutilantes como o sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano, porque os contornos perdiam-se no ambiente, e o que parecia espesso era muita vez diáfano. Estupefato, não disse nada, não cheguei sequer a soltar um grito; mas, ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava: curiosidade de delírio.
—Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga.
Ao ouvir esta última palavra, recuei um pouco, tomado de susto. A figura soltou uma gargalhada, que produziu em torno de nós o efeito de um tufão; as plantas torceram-se e um longo gemido quebrou a mudez das coisas externas.
Não te assustes, disse ela, minha inimizade não mata; é sobretudo pela vida que se afirma. Vives: não quero outro flagelo.
— Vivo? perguntei eu, enterrando as unhas nas mãos, como para certificar
me da existência.
— Sim, verme, tu vives. Não receies perder esse andrajo que é teu orgulho; provarás ainda, por algumas horas, o pão da dor e o vinho da miséria. Vives: agora mesmo que ensandeceste, vives; e se a tua consciência reouver um instante de sagacidade, tu dirás que queres viver.
Dizendo isto, a visão estendeu o braço, segurou-me pelos cabelos e levantou-me ao ar, como se fora uma pluma. Só então, pude ver-lhe de perto o rosto, que era enorme. Nada mais quieto; nenhuma contorção violenta, nenhuma expressão de ódio ou ferocidade; a feição única, geral, completa, era a da impassibilidade egoísta, a da eterna surdez, a da vontade imóvel. Raivas, se as tinha, ficavam encerradas no coração. Ao mesmo tempo, nesse rosto de expressão glacial, havia um ar de juventude, mescla de força e viço, diante do qual me sentia eu o mais débil e decrépito dos seres.
— Entendeste-me? disse ela, no fim de algum tempo de mútua contemplação.
— Não, respondi; nem quero entender-te; tu és absurda, tu és uma fábula. Estou sonhando, decerto, ou, se é verdade que enlouqueci, tu não passas de uma concepção de alienado, isto é, uma coisa vã, que a razão ausente não pode reger nem palpar. Natureza, tu? a Natureza que eu conheço é só mãe e não inimiga; não faz da vida um flagelo, nem, como tu, traz esse rosto indiferente, como o sepulcro E por que Pandora?
— Porque levo na minha bolsa os bens e os males, e o maior de todos, a esperança, consolação dos homens. Tremes?
— Sim; o teu olhar fascina-me.
— Creio; eu não sou somente a vida; sou também a morte, e tu estás prestes a devolver
me o que te emprestei. Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada.
Quando esta palavra ecoou, como um trovão, naquele imenso vale, afigurou-me que era o último som que chegava a meus ouvidos; pareceu-me sentir a decomposição súbita do mim mesmo. Então, encarei-a com olhos súplices, e pedi mais alguns anos.
— Pobre minuto! exclamou. Para que queres tu mais alguns instantes de vida? Para devorar e seres devorado depois? Não estás farto do espetáculo e da luta? Conheces de sobejo tudo o que eu te deparei menos torpe ou menos aflitivo: o alvor do dia, a melancolia da tarde, a quietação da noite, os aspectos da terra, o sono, enfim, o maior benefício das minhas mãos. Que mais queres tu, sublime idiota?
— Viver somente, não te peço mais nada. Quem me pôs no coração este amor da vida, se não tu? e, se eu amo a vida, por que te hás de golpear a ti mesma, matando-me?
— Porque já não preciso de ti. Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem. O minuto que vem é forte, jocundo, supõe trazer em si a eternidade, e traz a morte, e perece como o outro, mas o tempo subsiste. Egoísmo, dizes tu? Sim, egoísmo, não tenho outra lei. Egoísmo, conservação. A onça mata o novilho porque o raciocínio da onça é que ela deve viver, e se o novilho é tenro tanto melhor: eis o estatuto universal. Sobe e olha.
Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha. Inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, durante um tempo largo, ao longe, através de um nevoeiro, uma coisa única. Imagina tu, leitor, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas. Tal era o espetáculo, acerbo e curioso espetáculo. A história do homem e da terra tinha assim uma intensidade que lhe não podiam dar nem a imaginação nem a ciência, porque a ciência é mais lenta e a imaginação mais vaga, enquanto que o que eu ali via era a condensação viva de todos os tempos. Para descrevê-la seria preciso fixar o relâmpago. Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, eu via tudo o que passava diante de mim, — flagelos e delícias, — desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo. Eram as formas várias de um mal, que ora mordia a víscera, ora mordia o pensamento, e passeava eternamente as suas vestes de arlequim, em derredor da espécie humana. A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura, — nada menos que a quimera da felicidade, — ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.
Ao contemplar tanta calamidade, não pude reter um grito de angústia, que Natureza ou Pandora escutou sem protestar nem rir; e não sei por que lei de transtorno cerebral, fui eu que me pus a rir, — de um riso descompassado e idiota.
— Tens razão, disse eu, a coisa é divertida e vale a pena, — talvez monótona — mas vale a pena. Quando Job amaldiçoava o dia em que fora concebido, é porque lhe davam ganas de ver cá de cima o espetáculo. Vamos lá, Pandora, abre o ventre, e digere
me; a coisa é divertida, mas digere-me.
A resposta foi compelir-me fortemente a olhar para baixo, e a ver os séculos que continuavam a passar, velozes e turbulentos, as gerações que se superpunham às gerações, umas tristes, como os Hebreus do cativeiro, outras alegres, como os devassos de Cômodo, e todas elas pontuais na sepultura. Quis fugir, mas uma força misteriosa me retinha os pés; então disse comigo: — "Bem, os séculos vão passando, chegará o meu, e passará também, até o último, que me dará a decifração da eternidade." E fixei os olhos, e continuei a ver as idades, que vinham chegando e passando, já então tranqüilo e resoluto, não sei até se alegre. Talvez alegre. Cada século trazia a sua porção de sombra e de luz, de apatia e de combate, de verdade e de erro, e o seu cortejo de sistemas, de idéias novas, de novas ilusões; em cada um deles rebentavam as verduras de uma primavera, e amareleciam depois, para remoçar mais tarde. Ao passo que a vida tinha assim uma regularidade de calendário, fazia-se a história e a civilização, e o homem, nu e desarmado, armava-se e vestia-se, construía o tugúrio e o palácio, a rude aldeia e Tebas de cem portas, criava a ciência, que perscruta, e a arte que enleva, fazia-se orador, mecânico, filósofo, corria a face do globo, descia ao ventre da terra, subia à esfera das nuvens, colaborando assim na obra misteriosa, com que entretinha a necessidade da vida e a melancolia do desamparo. Meu olhar, enfarado e distraído, viu enfim chegar o século presente, e atrás dele os futuros. Aquele vinha ágil, destro, vibrante, cheio de si, um pouco difuso, audaz, sabedor, mas ao cabo tão miserável como os primeiros, e assim passou e assim passaram os outros, com a mesma rapidez e igual monotonia. Redobrei de atenção; fitei a vista; ia enfim ver o último, — o último!; mas então já a rapidez da marcha era tal, que escapava a toda a compreensão; ao pé dela o relâmpago seria um século. Talvez por isso entraram os objetos a trocarem-se; uns cresceram, outros minguaram, outros perderam-se no ambiente; um nevoeiro cobriu tudo, — menos o hipopótamo que ali me trouxera, e que aliás começou a diminuir, a diminuir, a diminuir, até ficar do tamanho de um gato. Era efetivamente um gato. Encarei-o bem; era o meu gato Sultão, que brincava à porta da alcova, com uma bola de papel...

CONT. AMANHÃ
AJUDA


SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Tropas ocupam 5 favelas no início da operação eleitoral

- Estadão: Conflito na Bolívia mata 8 e corta fornecimento de gás

- JB: Campanha com tropas, mas sem os candidatos

- Correio: O vizinho explosivo: Governo já tem plano para retirar brasileiros da Bolívia

- Valor: Bolívia rejeita mediação brasileira para conflito

- Gazeta Mercantil: Corte de gás da Bolívia expõe falhas do setor

- Estado de Minas: Um conflito explosivo para o Brasil

- Jornal do Commercio: A dor de uma cidade

quinta-feira, setembro 11, 2008

NATAL
FÁTIMA: A VIGARISTA DAS SOMBRAS

FÁTIMA SE ESCONDE NA COZINHA DO RESTAURANTE

Leia a reportagem AQUI e AQUI MAIS OUTRA
Bolívia deve suspender envio de mais de 55% do gás ao Brasil

O novo incidente e a nova perspectiva de redução do envio de gás ainda não foram confirmados pela Petrobras.

Folha Online
da Efe, em La Paz

Os cerca de 31 milhões de metros cúbicos de gás natural que o Brasil recebe da Bolívia todos os dias irão ser reduzidos em mais de 55%, informou nesta quinta-feira à agência de notícias Efe uma fonte do consórcio Transierra, responsável pela administração dos gasodutos entre ambos os países.
Entenda os protestos contra Morales na Bolívia
Ontem, a Transierra já havia confirmado uma redução em 10% do volume devido a danos em uma válvula de um gasoduto localizado na região de Yacuíba. Nesta quinta-feira, o percentual subiu para mais de 55% devido a um novo incidente envolvendo outro gasoduto, desta vez na estação de Bella Vista. Não há confirmação sobre os estragos ocorridos no novo episódio.
Arte/Folha Online
O novo incidente e a nova perspectiva de redução ainda não foram confirmados nem pela Petrobras nem pela empresa estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos).
Segundo o jornal boliviano "La Razón", o que ocorreu foi a "manipulação" de uma válvula de segurança, entre a noite de ontem e a madrugada desta quinta. O jornal ainda ressalta que, agora, a alternativa encontrada pela Transierra para driblar o problema de ontem --enviar o gás por um gasoduto de outra empresa, a Transredes-- não funcionará, porque o gasoduto alternativo não comportaria os 17,6 milhões de metros cúbicos que faltariam.
Para o governo do presidente boliviano, Evo Morales, o incidente de ontem foi provocado por grupos opositores que têm realizado protestos freqüentes na maior parte do país, nos últimos dias. Nesta quinta, o ministro da Fazenda boliviano, Luis Alberto Arce, confirmou a suspeita e afirmou que os dutos foram alvo de "atos de vandalismo e terrorismo".
LEIA MAIS AQUI
ISSO É UMA BUNDA

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR E DESFRUTAR.

Essa está pronta para receber uma injeção de PÊNISCILINA. Goooosssstosa!
Informe JB

Na surdina, Lula articula para Crivella
Leandro Mazzini

O presidente Lula vive um dilema político. Enquanto assiste de longe à disputa no Rio, para evitar briga com Sérgio Cabral ou Marcelo Crivella – em lados opostos – não vê a hora de mergulhar nessa praia. Quer ajudar alguém, e acabou se antecipando. Há uma semana, chamou um ministro do PMDB, bem relacionado com Crivella, candidato do PRB, e soltou: "Avisa ao Crivella para ter paciência que no segundo turno eu entro na campanha dele". O PT palaciano parece ter a certeza, diante das atuais pesquisas, de que Crivella vai para a 2ª rodada. O apoio a Eduardo Paes (PMDB) está descartado. Nem o PT tampouco Lula o perdoam pela atuação na CPI dos Correios. O recado também chegou ao presidente do PT, Ricardo Berzoini. Uma aliança com o PDT e o PCdoB já é tramada para reforçar o PRB. Mas só as urnas confirmarão isso.

Coisa do Zé
O vice-presidente da República, José Alencar, tem pressionado Lula para ajudar Crivella.

Rifada
Jandira Feghali foi rifada. O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e o deputado Aldo Rebelo (SP) foram ao vice-presidente José Alencar e fecharam um acordo.

Todos comunistas
No trato, o PCdoB pediu mais engajamento do PRB na campanha de Jô Moraes, com quem tem chapa em Belo Horizonte. E prometeu se aliar a Crivella caso ele vá para o 2º turno no Rio.

Não é bem assim...
Apesar do encontro, Renato Rabelo disse à coluna que não houve trato algum.

Tensão
Evo Morales já teme um golpe. O ministro da Fazenda da Bolívia, Luis Arce, foi ontem ao Planalto pedir ajuda ao assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia.

Desabafo de mestre
O ex-presidente Fernando Henrique desabafou para um amigo que o PSDB paulista se perdeu. E não sabe como salvá-lo.

Quem diria
O senador Osmar Dias (PDT) andou pedindo votos para José Borba, candidato a prefeito em Jandaia do Sul, no Paraná. Borba é o deputado que renunciou em meio ao escândalo do mensalão.

Quem diria 2
No Planalto há quem defenda o fim da estabilidade do funcionalismo. Quem lidera a trupe é um cidadão de Assuntos Parlamentares, que passeia pelo Congresso. O PT, vale lembrar, derrubou projeto de FH na reforma administrativa que pedia o fim da estabilidade.
LEIA UM LIVRO
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS-CONT.
MACHADO DE ASSIS

CAPÍTULO 6

Chimène, qui l’ eût dit? Rodrigue,qui l'eût cru?

Vejo-a assomar à porta da alcova, pálida, comovida, trajada de preto, e ali ficar durante um minuto, sem ânimo de entrar ou detida pela presença de um homem que estava comigo. Da cama, onde jazia, contemplei-a durante esse tempo, esquecido de lhe dizer nada ou de fazer nenhum gesto. Havia já dois anos que nos não víamos, e eu via-a agora não qual era, mas qual fora, quais fôramos ambos, porque um Ezequias misterioso fizera recuar o sol até os dias juvenis. Recuou o sol, sacudi todas as misérias, e este punhado de pó, que a morte ia espalhar na eternidade do nada, pôde mais do que o tempo, que é o ministro da morte. Nenhuma água de Juventa igualaria ali a simples saudade.
Creiam-me, o menos mau é recordar; ninguém se fie da felicidade presente; há nela uma gota da baba de Caim. Corrido o tempo e cessado o espasmo, então sim, então talvez se pode gozar deveras, porque entre uma e outra dessas duas ilusões, melhor é a que se gosta sem doer.
Não durou muito a evocação; a realidade dominou logo; o presente expeliu o passado. Talvez eu exponha ao leitor, em algum canto deste livro, a minha teoria das edições humanas.O que por agora importa saber é que Virgília — chamava-se Virgília — entrou na alcova, firme, com a gravidade que lhe davam as roupas e os anos, e veio até o meu leito. O estranho levantou-se e saiu. Era um sujeito, que me visitava todos os dias para falar do câmbio, da colonização e da necessidade de desenvolver a viação férrea; nada mais interessante para um moribundo. Saiu; Virgília deixou-se estar de pé; durante algum tempo ficamos a olhar um para o outro, sem articular palavra. Quem diria? De dois grandes namorados, de duas paixões sem freio, nada mais havia ali, vinte anos depois; havia apenas dois corações murchos, devastados pela vida e saciados dela, não sei se em igual dose, mas enfim saciados.Virgília tinha agora a beleza da velhice, um ar austero e maternal; estava menos magra do que quando a vi, pela última vez, numa festa de São João, na Tijuca; e porque era das que resistem muito, só agora começavam os cabelos escuros a intercalar-se de alguns fios de prata.
— Anda visitando os defuntos? Disse-lhe eu. — Ora, defuntos! respondeu Virgília com um muxoxo. E depois de me apertar as mãos: — Ando a ver se ponho os vadios para a rua.
Não tinha a carícia lacrimosa de outro tempo; mas a voz era amiga e doce. Sentou-se. Eu estava só, em casa, com um simples enfermeiro; podíamos falar um ao outro, sem perigo.Virgília deu-me longas notícias de fora, narrando-as com graça, com um certo travo de má língua, que era o sal da palestra; eu, prestes a deixar o mundo, sentia um prazer satânico em mofar dele, em persuadir-me que não deixava nada.
— Que idéias essas! Interrompeu-me Virgília um tanto zangada. — Olhe que eu não volto mais. Morrer! Todos nós havemos de morrer; basta estarmos vivos.
E vendo o relógio:
— Jesus! são três horas. Vou
me embora
— Já?
— Já; virei amanhã ou depois.
— Não sei se faz bem, retorqui; o doente é um solteirão e a casa não tem senhoras...
— Sua mana?
— Há de vir cá passar uns dias, mas não pode ser antes de sábado.
Virgília refletiu um instante, levantou os ombros e disse com gravidade:
— Estou velha! Ninguém mais repara em mim. Mas, para cortar dúvidas, virei com o Nhonhô.
Nhonhô era um bacharel, único filho de seu casamento, que, na idade de cinco anos, fora cúmplice inconsciente de nossos amores. Vieram juntos, dois dias depois, e confesso que, ao vê-los ali, na minha alcova, fui tomado de um acanhamento que nem me permitiu corresponder logo às palavras afáveis do rapaz. Virgília adivinhou-me e disse ao filho:
— Nhonhô, não repares nesse grande manhoso que aí está; não quer falar para fazer crer que está à morte.
Sorriu o filho, eu creio que também sorri, e tudo acabou em pura galhofa, Virgília estava serena e risonha, tinha o aspecto das vidas imaculadas. Nenhum olhar suspeito, nenhum gesto que pudesse denunciar nada; uma igualdade de palavra e de espírito, uma dominação sobre si mesma, que pareciam e talvez fossem raras. Como tocássemos, casualmente, nuns amores ilegítimos, meio secretos, meio divulgados, via-a falar com desdém e um pouco de indignação da mulher de que se tratava, aliás sua amiga. O filho sentia-se satisfeito, ouvindo aquela palavra digna e forte, e eu perguntava a mim mesmo o que diriam de nós os gaviões, se Buffon tivesse nascido gavião...
Era o meu delírio que começava.

CONT. AMANHÃ
FALTOU GÁS


QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Bolívia: explosão em gasoduto reduz fornecimento ao Brasil

- Folha: PIB cresce 6% com investimento recorde

- Estadão: Investimento puxa alta de 6,1% no PIB

- JB: Chegam ao Rio 3.500 soldados para eleição

- Correio: Agora, sim...o espetáculo do crescimento

- Valor: Demanda interna no país já cresce em ritmo chinês

- Gazeta Mercantil: PIB em alta e descoberta no pré-sal reanimam a semana

- Estado de Minas: Vamos, enfim, ter espetáculo?

- Jornal do Commercio: Crédito mais difícil