sexta-feira, dezembro 20, 2013

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 20/12

Sorocaba prepara editais de PPPs para hospital e sistema rápido de ônibus
A Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo, planeja duas PPPs (parcerias público-privadas) nas áreas de saúde e transporte.

Juntos, os projetos receberão investimentos estimados em R$ 440 milhões. Os detalhes serão apresentados pela administração hoje em um encontro com empresários.

A maior das duas parcerias será para a construção de um novo hospital na região norte, a principal área de expansão do município.

Com cerca de 200 leitos, a unidade deverá receber o aporte de R$ 250 milhões, segundo o governo local.

"É uma estimativa que poderá mudar de acordo com as propostas que serão feitas [pelas empresas interessadas]", afirma o prefeito, Antonio Carlos Pannunzio.

A ideia é que o setor privado assuma a obra, a instalação de equipamentos e a operação dos serviços, como cozinha e lavanderia.

O projeto do BRT (sistema rápido de ônibus), por sua vez, tem um cálculo inicial de R$ 190 milhões em investimentos necessários para a infraestrutura da rede.

A parceria incluirá a construção e a operação de aproximadamente 35 quilômetros de corredores de ônibus que irão operar em dois eixos --norte-sul e leste-oeste.

O sistema será integrado ao serviço atual de transporte coletivo, que conta com 106 linhas e recebe cerca de 5,6 milhões de pessoas por mês.

Tanto no caso do novo hospital como no do BRT, os editais para as parcerias público-privadas serão lançados no início de janeiro, de acordo com Pannunzio.

"Conseguimos aprovar na Câmara a lei das PPPs e um fundo garantidor, então as exigências legais para esses projetos já estão asseguradas", afirma o prefeito.

C&A planeja abrir cerca de 30 novas lojas no Brasil em 2014
A rede varejista de moda C&A estuda reproduzir em outros locais do país um novo modelo de loja 100% voltada ao público feminino, que entrou em funcionamento no grupo há cerca de um mês.

O primeiro ponto de venda dedicado às mulheres foi aberto no Rio de Janeiro.

"O resultado positivo que registramos nesse primeiro mês em Ipanema nos deu muita confiança de que há espaço para esse formato em outras localidades", afirma Paulo Correa, vice-presidente comercial do grupo.

Ainda não há a confirmação de quantidade nem de onde serão essas unidades.

De forma geral, no entanto, a rede de origem holandesa planeja abrir cerca de 30 novas lojas no Brasil em 2014.

Neste ano, foram inaugurados 28 pontos e outros 28 foram reformados --a companhia encerrará 2013 com 261 filiais no país.

"Crescemos mais de 10% ao ano em número de lojas e o projeto é continuar nessa velocidade", diz.

A expansão ocorrerá com mais força no Sudeste e no Nordeste. "Mas há inaugurações previstas para todas as regiões", afirma o executivo.

A C&A não divulga valores de investimentos feitos nem o seu faturamento.

Empresa de logística investirá em armazenagem
A Coopercarga, operadora de logística que atua no Brasil e no Mercosul, vai investir a partir do próximo ano no aumento de sua capacidade de armazenagem.

A nova estratégia terá um aporte inicial de R$ 50 milhões para a construção de um armazém em Duque de Caxias (RJ), além da verticalização de um centro de distribuição no Recife.

A nova unidade terá 120 mil metros quadrados e as obras devem iniciar no segundo semestre de 2014.

"Prevemos um incremento de 60% na nossa capacidade de armazenagem", afirma Osni Roman, presidente da Coopercargas.

"Estudamos abrir também unidades em Buenos Aires, Goiânia, Porto Alegre e outras cidades brasileiras, para não ficarmos apenas no transporte de cargas", diz.

Hoje, a empresa, baseada em um modelo cooperativo cujos sócios disponibilizam seus ativos para investimentos, conta com outros dois centros de distribuição --em Itupeva (SP) e Curitiba-- e frota com 2.000 veículos.

CASA NOVA NO SUL
O sistema que engloba Fecomercio-RS, Sesc e Senac começará a construir em 2014 uma nova sede em Porto Alegre, na qual serão investidos R$ 340 milhões.

O complexo será instalado em um terreno de 200 mil metros quadrados e abrigará salas de aula para cursos técnicos, centros de administração e de eventos.

A Fecomercio já tem recursos para a primeira etapa do projeto --a de construção das instalações administrativas. Nessa fase, serão aplicados entre R$ 110 milhões e R$ 115 milhões.

"O capital vem de nosso superavit, que varia de R$ 90 milhões a R$ 100 milhões. A receita do grupo fica em torno de R$ 500 milhões por ano", afirma o presidente da entidade, Zildo De Marchi.

Todo o complexo deverá ser concluído em seis anos. Após a entrega da primeira fase, será erguido o centro de convenções, com capacidade para 10 mil pessoas.

"Em Porto Alegre, é difícil encontrar um local para organizar grandes eventos. Queremos atender essa demanda", diz De Marchi.

O centro educacional do Senac ficará para a terceira etapa das obras.

"Hoje, a entidade aluga espaços para receber os alunos, que chegam a 42 mil em todo o Estado."

R$ 340 milhões
serão investidos no projeto

R$ 500 milhões
é o faturamento do sistema por ano

10%
é a taxa anual de crescimento da entidade

Piores dias... Hoje e amanhã serão os dias de maior movimento nos voos da TAM até o Natal.

...antes de Noel Um outro pico de fluxo é esperado no final de semana anterior ao Réveillon, diz a companhia.

FALHA NA LIGAÇÃO
O mercado paulista de telemarketing deve faturar neste ano R$ 8,6 bilhões, um crescimento de 6% em relação a 2012, segundo levantamento do Sintelmark (sindicato de empresas do setor).

A rentabilidade por posição de atendimento alcançou os R$ 52 mil, enquanto no ano anterior foram R$ 45,3 mil.

"Não foi um crescimento significativo, pois a margem das empresas ainda é muito pequena", afirma Stan Braz, diretor-presidente-executivo do sindicato.

A média salarial de um atendente também teve um incremento, de R$ 587, em 2012, para R$ 759 em 2013.

A não aprovação neste ano de um projeto de lei que regulamenta a atividade terceirizada do setor trouxe prejuízos, de acordo com Braz.

"Pelo menos cinco empresas estrangeiras quiseram vir investir no Brasil, mas se sentiram inseguras."

Ao todo, o mercado nacional de contact center movimenta R$ 14,3 bilhões e 576 mil colaboradores. Somente no Estado de São Paulo são 346 mil profissionais.

46,7%
dos profissionais do setor têm mais de 25 anos

R$ 759
é a média salarial dos trabalhadores da área

Pouco desemprego e menos trabalho - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 20/12

Desemprego é espanto histórico de tão baixo, mas população ocupada volta a diminuir


O DESEMPREGO no Brasil parece o de uma economia acelerada, histórica e espantosamente baixo. A inflação resistente em torno de 6% também parece coerente com uma economia de desemprego tão baixo, faz já algum tempo. Mas o número de pessoas empregadas e interessadas em trabalhar caiu pela segunda vez consecutiva em novembro, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, divulgada ontem.

Como se dizia aqui faz mais ou menos um mês, a respeito da pesquisa de emprego de outubro, a diminuição do número de pessoas empregadas é uma raridade no Brasil deste século. Desde que os números podem ser comparados (2002), o número de pessoas empregadas caiu apenas outras três vezes: justamente em outubro e noutras duas ocasiões, no ano ruim de 2009, de recessão.

Mais uma vez, a baixa no número de pessoas interessadas em trabalhar ocorreu entre mulheres e jovens de 18 a 24 anos. No caso dos jovens, trata-se de uma tendência já antiga que se acentuou nos últimos meses. No caso das mulheres, é raridade mesmo.

A renda média continua a aumentar acima da inflação, embora em ritmo cada vez menor. Pelo jeito, tal progresso segura a renda das famílias o bastante para que jovens em idade de ensino médio e faculdade, na maioria provavelmente mulheres, prefiram outras atividades a trabalhar ou procurar emprego.

Ainda assim, o aumento da renda e o nível de renda não parecem tão expressivos a ponto de explicar o desinteresse pelo emprego. O aumento da cobertura e do valor dos benefícios sociais talvez ajude a explicar um pouco mais essa retirada do mercado de trabalho, mas por ora isso é apenas uma hipótese meio especulativa.

Em suma, estamos com um desemprego um tanto exoticamente baixo, depois de três anos de crescimento lerdo e com a perspectiva de um biênio igualmente medíocre. Além do mais, os salários ainda crescem, mas isso não é incentivo suficiente para levar mais gente para o mercado. Enfim, não se pode dizer que o mercado está aquecido, pois a população ocupada diminui. Não vai faltar assunto para teses de estudantes de economia.

Quanto ao andamento da economia "real", nota-se uma desaceleração forte do aumento da massa salarial (em 12 meses). O ritmo do aumento do total dos salários pagos apenas foi tão pequeno durante alguns meses do ano de recessão de 2009 e durante o período de recuperação do quase colapso de 2002-2003. Nos demais anos sob governos petistas, o avanço foi muito mais rápido.

Por ora, portanto, a perspectiva é que o ritmo de aumento do consumo no ano que vem não deva ser muito diferente daquele deste ano (dado ainda que o aumento do crédito deve ocorrer no mesmo ritmo desde 2013).

Um mercado menos aquecido, porém, não deve derrubar salários, em média, o que não deve dar muito refresco para a inflação.

Como escreveu ontem em relatório Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco, "um mercado de trabalho que desacelera, mas sem gerar excesso de oferta de mão de obra (dado que há diminuição da força de trabalho), não gera pressão baixista nos salários reais. Por isso a renda média mantém o ritmo de alta".

Nova queda no desemprego - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 20/12

Há meses, o IBGE vem anunciando recordes nos níveis de emprego. Já não dá mais para pensar conservadoramente e continuar imaginando que esses números ocultam algum equívoco metodológico.

Em novembro, que repetiu uma temporada fraca da atividade econômica, o desemprego resvalou para apenas 46 pessoas em cada mil dos que compõem a força de trabalho (veja o gráfico). É a marca mais baixa da série histórica, anunciou o IBGE. Nenhum analista esperava desempenho tão expressivo. Em outubro, os desempregados eram 52 em cada grupo de mil.

Igualmente surpreendente é a informação de que o chamado contingente nem-nem, ou seja, o dos jovens que não trabalham nem estudam, aumentou em 16,7 mil pessoas, para um total de 16,851 milhões em novembro. Ou seja, o número de desempregados diminuiu no mês passado não apenas porque mais pessoas tenham encontrado trabalho, mas, também, porque mais deixaram de procurá-lo.

O aumento da faixa dos nem-nem vem levantando perplexidade entre os especialistas em Economia do Trabalho e em Demografia. Na falta de uma explicação convincente, o gerente de Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, atribui a redução de procura de emprego entre os jovens em novembro à melhora da perspectiva de trabalho temporário no comércio, por ocasião das vendas de fim de ano. As informações veiculadas pelos líderes do setor varejista de que, nesse segmento, houve mais oferta do que procura de emprego dão força a esse argumento. Mas não dá para desprezar outra explicação: a de que o crescimento das transferências de recursos do governo federal para as camadas mais pobres da população pode ter espalhado o entendimento de que é melhor trabalhar com bicos ou em atividades temporárias do que com um emprego fixo.

O próprio IBGE apurou que o aumento médio da renda real (descontada a inflação) cresceu 3,0% em comparação às posições de novembro de 2012. Outra estatística oficial é a de que há no Brasil 20,6 milhões de pessoas que recebem um salário mínimo da Previdência, seja a título de aposentadoria, seja como assistência social. Além disso, o programa Bolsa Família beneficia outros 50 milhões. Mesmo num país de 200 milhões de habitantes, esses números parecem dizer mais do que a vã filosofia.

Em todo o caso, é temerário apostar em que a tendência seja de aumento da escassez de mão de obra. A qualquer momento, boa parcela de jovens que hoje estão fora da População Economicamente Ativa (PEA), pode voltar a buscar emprego.

Mas não dá para desdenhar sumariamente dos efeitos dessa situação de pleno-emprego sobre o potencial de crescimento econômico. É o que já vem sendo observado algumas vezes por esta Coluna. Se o nível de desemprego é o mais baixo da série histórica num ano de baixo avanço do PIB, imagine o que não seria se fossem confirmadas as projeções do governo na Lei de Diretrizes Orçamentárias de um crescimento de 3,8% em 2014.

A desinflação interrompida - CLAUDIA SAFATLE

VALOR ECONÔMICO - 20/12

A taxa média anual de inflação do início do regime de metas, em 1999, para cá é de 6,63%. Foi de 8,77% no último mandato de FHC, caiu para 5,78% nos oito anos de Lula e subiu para 6,01% nos três anos do governo de Dilma Rousseff. Os cálculos consideraram variação de 5,7% para o IPCA deste ano. O IPCA-15 de 0,75%, divulgado ontem, porém, colocou em risco o compromisso do BC de entregar, este ano, um índice menor do que os 5,84% de 2012 e renovou dúvidas sobre a proximidade do fim do processo de elevação dos juros.

Ao longo desses anos, em apenas três o IPCA ficou abaixo da meta de 4,5%: 2006 (3,14%), 2007 (4,46%) e 2009 (4,31%). Cada período teve suas crises ou choques de oferta que dificultaram a convergência da inflação para a meta. O início do regime, em junho de 1999, foi precedido de forte crise cambial em uma economia ainda em condições precárias e abalada por uma sequência de crises externas. O último ano de FHC foi marcado por turbulências derivadas de temores eleitorais. Em 2008 e 2009, Lula viu a pior crise financeira mundial pós-29 e Dilma pegou o repique dessa crise em 2011/12, além de um choque de preços dos alimentos em 2012.

Não desprezível foi, também, o papel da valorização da taxa de câmbio para a política anti-inflacionária desde o Plano Real.

Sob uma perspectiva histórica, houve sucesso inegável no combate à inflação. Entre 1986 e 1994, a taxa média anual era de 842,5%. De 1995 a 2003, caiu para 9,1% e de lá para cá, para 5,5%. Sob a ótica das escolhas das políticas governamentais, o trabalho poderia ter sido melhor.

A desinflação avançou de forma razoável até 2006, com um tropeço aqui, outro acolá. Havia, inclusive, a esperança de reduzir a taxa para 3,25% em 2003 traduzida em metas que são estabelecidas todos os anos para dois anos à frente. Há nove anos, porém, a meta está estável em 4,5%.

Quando todo o mercado, em 2006, projetava a redução da meta de inflação para 4% para 2008, o Conselho Monetário Nacional (CMN), presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve-a em 4,5%. Perdeu-se, ali, uma chance de ouro de prosseguir na desinflação. O processo foi interrompido.

Nunca mais ouviu-se falar em redução da meta até que, no início deste mês, em café da manhã com empresários em São Paulo, o ministro da Fazenda disse, pela primeira vez desde que assumiu em março de 2006, que nos próximos dez anos, é possivel que o centro da meta inflacionária, atualmente de 4,5%, seja reduzido para 4%, desde que haja uma redução do grau de indexação da economia, que ainda possui um elevado grau de inércia inflacionária, e incrementos de produtividade .

Sempre há uma explicação para a inflação alta no Brasil e é pouca a vontade política de concluir a estabilização que começou há 20 anos. Isso exigiria um esforço fiscal mais prolongado e juros para segurar a demanda. Supondo que combater a inflação compromete o crescimento, os últimos governos se acomodaram em uma meta frouxa, que, com a margem de tolerância, pode variar entre 2,5% e 6,5%.

Mais recentemente o teto de 6,5% passou a ser meta. A presidente, em novembro, escreveu no Twitter que o país manterá, pelo décimo ano consecutivo, a inflação abaixo da meta de 6,5% anuais . Há um pressuposto, formulado por alguns economistas do governo, de que o brasileiro tolera bem uma taxa de inflação de 6% ao ano.

Para uma economia saudável e crescimento sustentável é fundamental ter uma inflação baixa e controlada, onde o movimento de elevação dos preços em geral não compromete o planejamento das empresas e das famílias, não é fator de corrosão dos salários nem um elemento de incerteza que deprime os investimentos. Esse é o caminho para se chegar a uma taxa neutra , que aqui nem é parte da discussão.

Ao fim do terceiro ano do governo Dilma Rousseff a inflação ainda ocupa o centro das preocupações. Resgatou-se, na área econômica, uma forma anacrônica de represá-la: o controle de preços. Os preços administrados (energia, derivados de petróleo, tarifas de ônibus) tiveram aumento este ano de pouco mais de 1% enquanto que os livres subiram sete vezes mais. Desses, os preços dos serviços continuam em ritmo galopante pressionados pelo pleno emprego.

A prática do controle prosseguirá no ano eleitoral de 2014. Esta semana a Aneel adiou para 2015 o início da bandeira tarifária, que seria usada como mecanismo de reajuste das contas de luz. No meio oficial acredita-se mais em controle de preços do que na eficácia da política monetária para conter a inflação.

Só recentemente o governo passou a atribuir alguma importância, também, a questões de valor intangível, como expectativas, confiança, credibilidade. As duras circunstâncias enfrentadas este ano, das manifestações populares de protesto ao baixo crescimento econômico e a descrença e mau humor dos investidores externos e internos, teriam forçado essa compreensão.

As expectativas para os próximos quatro anos, coletadas pelo Focus, continuam desancoradas. O mercado estima inflação média de 5,6% até 2017 e crescimento médio de 2,6%.

Por todas as razões - e a inflação sempre pune mais os mais pobres - os governos deveriam ter mais ambição no combate à inflação. Embora Mantega tenha condicionado a redução da meta num prazo longínquo a progressos na desindexação da economia, o mais provável é que seja exatamente o contrário: só será possível desindexar a economia quando a inflação for baixa o suficiente para permitir que os contratos possam ser livremente negociados e não automaticamente atrelados a algum índice.

Políticas de curto prazo para eficiência energética - RODRIGO AGUIAR

CORREIO BRAZILIENSE - 20/12

As alterações no clima do planeta são concretas e o grande responsável pelo cenário é o setor de energia no mundo, por meio das emissões de gases do efeito estufa (GEE). As consequências vão de panoramas catastróficos a moderados, com perturbações que afetam e afetarão muito a vida do planeta. No Brasil, segundo especialistas, comprometerão sobretudo a agricultura, a saúde, a habitação, a economia e a segurança energética.

As emissões de CO2 em 2012 cresceram 1,4% em todo o mundo, mas foi considerada uma notícia positiva, pois a expectativa era de incremento muito maior. A China é o maior emissor do mundo. No entanto, o acréscimo de emissão em 2012 (300 milhões de toneladas) foi bem menor que nos anos anteriores, em função dos fortes investimentos em energias renováveis e eficiência energética. Nos Estados Unidos, o decréscimo de emissões fez o país chegar a 200 milhões de toneladas, nível apresentado em meados de 1990. Na Europa, a crise e a desaceleração econômica fizeram o continente reduzir em 50 milhões de toneladas de CO2 as emissões.

O Brasil de 2005 a 2010 conseguiu reduzir 38,7% das emissões. A Agência Internacional de Energia (AIE) aponta que, com o ritmo atual de emissões, a temperatura do planeta deve crescer entre 3,6ºC e 5,3ºC nas próximas décadas, o que é muito preocupante. Ainda, dois terços dessas emissões são provenientes do setor energético.

E aí está a preocupação, no setor energético. Em 2005, o Brasil fez seu primeiro inventário de emissões e o setor de florestas era responsável por 57% das emissões nacionais. Em 2010, com os progressos neste setor, a fatia caiu para 22%. Segundo o relatório, desde 2010 a agropecuária lidera o ranking (35%), seguido dos setores energético (32%), de processos industriais (7%) e de tratamento de resíduos (4%).

O setor de energia foi o que mais aumentou as emissões: +21,4%. O país conseguiu resultado importante na redução global da emissão dos GEE, mas, analisando detalhadamente, é possível ver que o forte aumento do setor de energia é preocupante. Ações objetivando frear essa elevação necessitam ser implantadas.

A presidente Dilma Rousseff, durante o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), realizado em Brasília, em junho de 2013, disse que a meta de emissões de CO2 do Brasil para 2020 é "extremamente passível" de ser cumprida. Afirmou que haverá uma tendência inexorável de aumento das térmicas na matriz decorrente de hidrelétricas a fio d"água e de energia eólica.

Para a presidente, são energias que não têm mecanismos de reserva e que mudam em relação ao clima; por isso são necessariamente voláteis e necessitam, portanto, ser firmadas por térmicas. A afirmação reforça, assim, a política do governo de manutenção da tendência atual na expansão da geração de energia elétrica por termoelétricas e, principalmente, carvão.

Segundo a PricewaterhouseCoopers (PwC), no relatório "Índice de economia de baixo carbono", a eficiência energética foi a grande responsável pela diminuição na intensidade de carbono da economia mundial. Cerca de 92% da redução da intensidade de carbono atingida em 2012 foi em decorrência de melhoras na eficiência energética, enquanto apenas 8% foram de uma mudança para um mix energético mais limpo.

No Brasil, o Plano Nacional de Energia (PNE), o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf) e o Decreto nº 7.390, que regulamenta a Política Nacional de Mudança do Clima, expressam claramente o compromisso brasileiro para o incremento da eficiência energética no país. Portanto, o norteamento sobre as políticas para incremento da eficiência energética para o país existe, bem como um mercado e fornecedores habilitados.

É sabido que o desperdício energético no Brasil é enorme e está praticamente estagnado nos índices ligados à eficiência energética na última década. Existe um descompasso entre a teoria e a realidade. Muitos projetos de eficiência energética são instalados nos diversos setores da economia brasileira, mas, pelas dimensões do país, ainda é muito pouco frente ao potencial e à necessidade. Se realmente o objetivo é conquistar resultados, é preciso tirar os planos das gavetas e ser mais arrojado na implantação de políticas de curto prazo.

O falso antagonismo - PEDRO LUIZ PASSOS

FOLHA DE SP - 20/12

A interação entre serviços e indústria pode elevar a produtividade e reposicionar o país no contexto global


Um dos falsos debates em cena não só no Brasil trata de um suposto antagonismo entre os setores industrial e de serviços, com as participações de ambos em relação ao PIB apresentadas como evidência da decadência da indústria no processo de criação de riqueza, de emprego e de renda. Essa suposição, além de temerária, é precipitada.

Estudo recente da consultoria McKinsey (Manufacturing the Future: Next Era of Global Growth and Innovation) salienta que a indústria, mesmo onde sua participação no produto encolheu significativamente, jamais perdeu a condição de protagonista do desenvolvimento.

Embora represente 16% do PIB das economias avançadas, sua fatia relativa nas exportações chega a 70%. Em pesquisa e desenvolvimento, P&D --dois fatores cruciais para impulsionar a inovação e a competitividade--, a participação da indústria alcança 77%. E continua responsável por parcela expressiva do aumento de produtividade (37%).

A grande constatação do estudo da McKinsey, no entanto, não é que a indústria continua pujante independentemente da redução relativa de seu valor adicionado na formação do PIB. O que se destaca do estudo como importante contribuição para a formulação do desenvolvimento é a comprovação da simbiose entre indústria e serviços.

Segundo o estudo, 37% dos empregos na atividade fabril nos países avançados são de ocupações típicas de serviços. Nos setores mais inovadores e intensivos em tecnologia, o percentual sobe para 55%.

O que se extrai desses números é que as fronteiras que separam a indústria e serviços estão se dissolvendo, e a divisão clássica entre eles, se é que existiu, já não atende às atuais demandas da economia global.

Tais atividades podem ter atributos próprios, mas que se complementam e se alimentam mutuamente. A manufatura potencializa funções imprescindíveis para o avanço da produtividade e a inovação tecnológica, como centro gerador e irradiador de dinamismo em outros setores, notadamente em serviços qualificados. Assim, não faz sentido olhar para as duas áreas como estruturas estanques, sem comunicação entre si.

A análise atenta revela que essa relação já se manifesta com eloquência nas economias mais avançadas. Segundo organizações internacionais, 48% do valor agregado exportado pelos países mais ricos corresponde a serviços, boa parte incorporada nas exportações manufatureiras. A média do Brasil é menor, 36,7%, o que certamente reflete nosso atraso industrial. Mesmo assim, a contribuição da indústria para as exportações de serviços é relevante.

Os mesmos estudos indicam que, em termos de valor adicionado doméstico, 26% das exportações de serviços são de responsabilidade direta das empresas do setor. Mas percentual muito maior, 65%, resulta de serviços domésticos embutidos nas exportações de bens, sobretudo industriais. Outros 9% se referem a serviços importados.

Em alguns setores manufatureiros, o peso de serviços é significativo. Na exportação de produtos químicos, equipamentos de transporte, alimentos processados e bebidas, quase um terço do valor adicionado corresponde a serviços. Outros segmentos industriais chegam perto de 30%. Na agricultura, o percentual é bem inferior: 17%. Ou seja, a indústria moderna é uma engrenagem de exportação de serviços.

A interação entre os dois setores é uma preciosa oportunidade para elevar a produtividade da economia e reposicionar o país no contexto global, demandas urgentes na atual conjuntura. Além disso, bem explorada, ajudará a revigorar a base produtiva e a acelerar o crescimento da produção e das exportações de bens e serviços. O que nos falta são mais investimentos em inovação e maior desenvolvimento dos setores tecnologicamente avançados para aproveitar todo o potencial das sinergias entre indústria e serviços.

Tal movimento permite ampliar a produção e a exportação de bens com maior valor agregado de tecnologia. É uma via de mão dupla.

De um lado, o fortalecimento da relação indústria-serviços trará avanços de produtividade e reduzirá custos de produção, o que, em consequência, elevará a competitividade da economia em geral.

De outro, com maior capacidade competitiva, a indústria poderá alavancar o potencial da atividade de serviços e gerar empregos mais qualificados e mais bem remunerados. Está aí um destacado tema da atualidade para o governo considerar em suas políticas.

Sinais da bolsa - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 20/12

Se bolsa de valores é um termômetro para medir o ânimo dos investidores, o cenário para o Brasil é incerto. O Ibovespa acumula queda de 15% desde janeiro. Caiu de 60 mil pontos para 51 mil. Ao longo de 12 meses, houve redução em pontos e volume. Quem fugiu da bolsa e apostou em índices pós-fixados de juros, que subiram pelo aumento da inflação, teve um rendimento maior.

O ano na bolsa foi marcado pelas quebras de empresas do grupo de Eike Batista, que tinham muito peso sobre o índice, e pelos prejuízos bilionários sofridos pela Petro-bras com o congelamento do preço do diesel e da gasolina. A OGX, principal empresa do grupo X, entrou em recuperação judicial, e as ações PN da Petrobras caíram 10% enquanto as ON despencaram 18%.

O Grupo X pesou muito sobre o Ibovespa. Petrobras e Vale também não foram bem. As empresas do segmento imobiliário caem 26% pelo índice Imob. Pelo lado positivo, as siderúrgicas surpreenderam, e as empresas do setor financeiro estão subindo 1,4%, de acordo com o índice IFNC — explicou o analista-chefe da XP Investimentos, William Castro Alves.

O trauma causado no setor de energia no ano passado continua. O índice IEE, voltado para empresas do setor energético, tem queda de 8% no ano. Muitos investidores estrangeiros e pessoas físicas no Brasil perderam dinheiro com a mudança a toque de caixa no marco regulatório e desistiram da bolsa.

— A média diária de volume de negócios no Ibovespa está praticamente estagnada este ano. A bolsa não tem criado novos negócios, o que estamos vivendo é um mercado de trincheira: o investidor arrisca um setor, uma empresa, mas logo volta a se proteger. É como aquela brincadeira de "rouba montinho" — explicou o economista Álvaro Bandeira, da Órama Investimentos.

O contraste com outras bolsas do mundo revela mais da situação do Brasil. Enquanto o Ibovespa cai, nos EUA, os três principais índices bateram recordes ao longo do ano. O Dow Jones tem alta, no ano, de 26%; o S&P 500 subiu 29%; e o Nasdaq disparou 36%. No Japão, o índice Nikkei teve valorização de 54%. Até mesmo na Europa houve aumento forte em vários países, como na Alemanha, 22%; Grécia, com valorização de 28%; Espanha, com 24%; e Irlanda, 33%. Já outros países emergentes da América Latina estão com taxas negativas. Ainda assim, o Brasil cai mais que Chile e Colômbia (vejam no gráfico) e México, que tem pequena queda de 2% no ano.

O investidor que no início do ano desconfiou da promessa do Banco Central de-levar a inflação para a meta teve bons resultados. Esse apostou na alta dos juros e em contratos com taxas pós-fixadas. Ao mesmo tempo, pelo efeito contrário, quem acreditou na promessa de inflação na meta e juros baixos perdeu dinheiro em aplicações pré-fixadas. O dólar também teve forte valorização, com alta de 15% acumulada no ano. Mas, no final das contas, não foi um ano bom para o pequeno investidor.

As estimativas do Boletim Focus e a fraqueza da Bovespa são sinais de que a confiança na economia brasileira continua fraca. Será necessário um esforço maior para mudar o quadro.

Bombardeio aéreo - MARIA CRISTINA FERNANDES

VALOR ECONÔMICO - 20/12

O Estado que cresceu sobre quatro rodas agora deve ser conquistado pelo ar. A campanha petista pela joia da coroa da Federação começou com um bombardeio aéreo de grande alcance. Num único dia, o governo anunciou a compra dos caças suecos e a construção do terceiro aeroporto da região metropolitana de São Paulo.

É evidente que uma decisão de US$ 4,5 bilhões que mobilizou o lobby dos mais estrelados governantes do planeta e levou 13 anos para ser tomada não teve como alvo a comezinha disputa eleitoral em São Paulo. Mas está claro que a escolha do Gripen trará benefícios para o projeto petista de desalojar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes.

Das três propostas em disputa, a dos caças suecos era a mais comprometida com aquilo que os petistas do ABC chamam de embrião de um polo tecnológico. Como já relatou Marli Olmos, do Valor, os suecos foram hábeis em prometer investimentos e fazer aliados em São Bernardo do Campo. Vai demorar, mas oferece ao discurso político uma promessa de futuro.

É com essa parceria que Luiz Marinho, o prefeito da cidade que ascendeu no sindicalismo e na política sob os auspícios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pretende reverter o esvaziamento da região que viu sua indústria automobilística espalhar-se pelo país.

O anúncio dos caças se deu no mesmo dia em que se noticiou o fim da produção de kombis, inadaptadas ao airbag, em São Bernardo do Campo.

Parece mera coincidência, mas é também uma migração de projeto de poder. Depois de entupir as cidades brasileiras de carros, o petismo investe mais decididamente, a partir do seu berço político, no desenvolvimento de um polo tecnológico voltado para a indústria de defesa, inteligência, segurança pública e exploração do pré-sal.

Como são setores dependentes de compras governamentais e de linhas de financiamento oficiais, podem servir de lastro ao já verbalizado projeto de 20 anos de poder, que passa pela tomada do Palácio dos Bandeirantes.

O PT paulista nunca esteve tão determinado nesse propósito quanto nesses anos em que esteve fora da cadeira presidencial. A eleição da presidente Dilma Rousseff foi o momento mais nacionalizado da cúpula petista. O ex-ministro Antonio Palocci, voz de Lula no comando, dividia forças com o ex-presidente da Petrobras, o sergipano José Eduardo Dutra e o atual ministro Fernando Pimentel (MG). O terceiro nome da coordenação de campanha, José Eduardo Martins Cardozo, hoje ministro, apesar de paulista, era da cota de Dilma e nunca pertenceu ao grupo lulista.

Em 2014, além de 100% do comando da campanha presidencial, os paulistas contarão, na presidência da seção estadual do partido, com o ex-prefeito de Osasco, Emídio de Sousa, petista de perfil executivo, próximo a Palocci.

Além de desalojar os tucanos, sua missão, na praça que congrega 22% de todos os eleitores do país, é compensar em São Paulo o avanço dos adversários sobre territórios que, nas três últimas eleições, cravaram PT para presidente.

O maior deles é Minas. O ex-governador de São Paulo e o atual, José Serra e Geraldo Alckmin, revezaram-se em derrotas para os petistas naquele Estado nas mesmas três eleições em que o senador Aécio Neves reelegeu-se e fez de Antonio Anastasia governador.

Desta vez, apesar de o PT ter em Fernando Pimentel um candidato competitivo ao governo do Estado, é improvável que o partido repita a façanha de colocar mais de um milhão de votos à frente dos tucanos como o fez em todos os primeiros turnos a partir de 2002.

Dos três maiores Estados do Nordeste, dois, Bahia e Ceará, deram a Dilma vantagem superior a dois milhões de votos em 2010. Desta vez, a situação é mais confortável no Ceará. Na Bahia, Estado que lhe deu a maior dianteira (2,7 milhões de votos) em todo o país, além de o PT não ter mais o bônus da reeleição de governador, enfrentará uma chapa de duas mulheres boas de briga, Lídice da Matta (governo) e Eliana Calmon (Senado), ambas no partido do governador Eduardo Campos (PSB).

No seu Pernambuco, um dos seis em que Dilma alcançou diferença superior a um milhão de votos sobre o PSDB, está claro que a campanha da presidente será dura. No primeiro turno de 2002, Lula só perdeu em três Estados. Dois deles, Ceará e Rio, tinham ex-governadores no páreo presidencial, Ciro Gomes e Anthony Garotinho, ambos ex-correligionários de Campos.

A presidente tampouco terá vida fácil nos Estados da fronteira agrícola, aqueles sempre manchados de azul nos mapas de resultados eleitorais. A situação poderia ser pior se Campos não tivesse que explicar tanto para o agronegócio que, se eleitos, Marina Silva, acolhida como centroavante, será jogada para o escanteio

Com um mapa nacional mais intrincado que o de 2010, Dilma não pode se dar ao luxo de perder em São Paulo. Nos nove turnos em que os paulistas foram às urnas escolher presidente (contando o único de 1989), em apenas dois - os de 2002 - o PT venceu em São Paulo.

Naquela eleição, o desemprego era o dobro do atual e afetava mais o bolsão industrial que o resto do país. A crise no emprego não foi capaz de impedir a vitória de Alckmin, ainda que o PT, com José Genoino, tenha, naquele ano, chegado pela primeira e única vez ao segundo turno na disputa pelo governo estadual. A maior prejudicada pelo desemprego em alta foi mesmo a candidatura de José Serra.

Não é para dar o troco que Alckmin pouco se esforçará por Aécio em São Paulo. É porque corre, de fato, o risco de não se reeleger se desprezar os palanques duplos que lhe são oferecidos por prefeitos dispostos a fechar com Dilma para presidente.

Com o voto 'dilmin' em 2010 a presidente ficou 783 mil votos aquém de Serra no Estado. O potencial de traição desta vez é maior porque o candidato a presidente vem do outro lado da Serra da Mantiqueira.

Dilma leva vantagem por São Paulo, pela primeira vez, não ter candidato na disputa presidencial. Mas esse bônus pode ser relativizado pelo voto 'edumin', sacramentado com a presença do PSB na chapa de Alckmin.

O caça petista ainda tem pela frente as nuvens pesadas da popularidade do prefeito da capital. Fernando Haddad corroi o bônus que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem como sangue novo na política eleitoral. São Paulo nunca esteve tão decididamente no radar do partido, mas o céu dos petistas ainda não é de brigadeiro.

Haddad quebra-ovos - REINALDO AZEVEDO

FOLHA DE SP - 20/12

Haddad quer ver triunfar um valor: o 'coletivo'; quebra ovos com desfaçatez, só não consegue fazer omeletes


O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, espalhou faixas exclusivas de ônibus cidade afora, onde são e onde não são necessárias. Pragmatismo é coisa de gente chulé. Pensadores lidam com conceitos e com abstrações que estão acima da contingência e livres do império da necessidade. Haddad quer ver triunfar um valor: o "coletivo". Pretende, com o didatismo da porrada, ensinar a essa gente inzoneira que o individualismo é uma chaga moral.

Se a vida dos motoristas --convencidos a comprar carro pelo crédito fácil estimulado por Lula e Dilma-- virou um inferno pior do que antes, que migrem para o transporte público. O prefeito sabe "que não se faz omelete sem quebrar ovos", frase que não é de Stálin, mas de Nadejda Mándelstam, casada com o poeta Ossip Mándelstam, um dos 35 milhões que o ditador matou. Nadejda se referia à sem-cerimônia com que o bigodudo eliminava pessoas, sempre "com a desculpa de que construíamos um notável mundo novo".

Haddad tem a convicção, percebi pelas entrevistas que concedeu a esta Folha e ao "Valor", de que está construindo uma notável cidade nova. Afinal, se o coletivo se opõe ao individual e lhe é moralmente superior --e até parte considerável da imprensa, vivendo seus dias de apagão bibliográfico, acha o mesmo--, ele só pode estar certo. O prefeito quebra ovos com metódica desfaçatez. Só não consegue fazer omeletes. Aos poucos, a cidade vai recuperando a memória do caos.

A "cracolândia" voltou a seus dias de esplendor, estimulada pela mal digerida política de redução de danos. Voltou, mas num estágio superior. Agora já há uma "civilização do crack", com seus teóricos, seus artistas, até sua arquitetura... Logo os veremos no "Esquenta", da Regina Casé. Se viciados em clarineta, Chicabon ou cigarros Hollywood decidissem privatizar uma área da cidade, cassando direitos de terceiros, impondo-lhes uma disciplina ao arrepio da lei, não duvidem de que seriam reprimidos. Clarineta, Chicabon e Hollywood não alcançaram ainda o estatuto de uma cultura de resistência.

O desgraçado que mora no centro da cidade que pague o "Imposto Michel Foucault" --refiro-me ao filósofo que está na raiz desse pensamento torto que advoga, no fim das contas, que o direito à autodestruição supõe a supressão de direitos alheios. Foucault, esquerdista e gay, é aquele senhor que via na revolução iraniana um fervor, acreditem!, erótico! Khomeini chegou ao poder e começou a fila de enforcamentos pelos... esquerdistas e gays. O "despensador" morreu em 1984 sem emitir um pio de arrependimento. "Qual a razão do rosnado digressivo, seu reacionário?" A exemplo de Foucault, Haddad acha que sua teoria está certa; a realidade é que perdeu o rumo.

Só um intelectual de esquerda, ou alguém com tal pretensão, age como Haddad. Não por acaso, Lula, um notável e pernóstico conservador, nutre por essa gente imenso desprezo. O Barba é da turma do pragmatismo chulé. "E por que fez o outro candidato?" Porque mirou num produto eleitoral, não num gestor. O prefeito é o esquerdista que parece brincar no "play" sem sujar o shortinho. Mas alimenta ideias bem malvadinhas. O caso do IPTU repete a receita aplicada nos transportes e na cracolândia: o arranca-rabo de classes.

Compreensível. Em 2004, pouco antes de assumir o Ministério da Educação, Haddad escreveu num livro intitulado "Trabalho e Linguagem "" Para a Renovação do Socialismo" a seguinte pérola: "O sistema soviético nada tinha de reacionário. Trata-se de uma manifestação absolutamente moderna frente à expansão do império do capital". Bacana. Lênin, o fundador do "sistema" que ele exalta, deixou para a história um pensamento inequívoco: "Uma revolução sem pelotão de fuzilamento não faz sentido". Haddad, o acólito, é um homem em busca de sentido.

Desejos perigosos - NELSON MOTTA

O GLOBO - 20/12

Há muito tempo venho defendendo o fim da doação de empresas para campanhas eleitorais, mãe de todas as corrupções políticas, porque pessoa jurídica não vota e não deveria participar de eleições, que são um processo democrático entre os cidadãos, os partidos e os candidatos a representá-los no Poder. Cuidado com os seus desejos, eles podem se realizar. Com o Supremo Tribunal Federal prestes a realizar os meus, vejo que desejei errado, ou pela metade.

Como os partidos já têm os fundos constitucionais e o horário eleitoral, os cidadãos que apoiam as candidaturas é que deveriam financiá-las, como na campanha de Obama, que foi paga em boa parte por pequenas doações individuais pela internet. Teórica e tecnologicamente, isso seria viável no Brasil, mas quem está disposto a dar dinheiro de seu trabalho para os nossos políticos? Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas fez a sua campanha com 15 mil doadores individuais e uma média de 40 euros per capita — e conquistou 25% do eleitorado. Com ideias, trabalho e comunicação.

O perigo da proibição tão desejada é que pode levar ao indesejável combo petista “financiamento público/voto em lista”, em que — além do horário “gratuito” e dos fundos partidários, que já nos custam quase um bilhão de reais — todos os contribuintes pagarão mais para que o partido tenha as maiores verbas para sua campanha, seus caciques escolham os primeiros nomes das listas, privilegiem os que já têm cargos, e se eternizem no poder. Vai desejar mal assim...

Também desejei ardentemente que o Fluminense não fosse rebaixado, embora fosse um castigo merecido pelos dirigentes e quase todos os jogadores pelo que (não) fizeram dentro e fora de campo. Mas desejei pela metade, não queria continuar na série A desse jeito. Seria melhor se a Portuguesa já começasse o Brasileirão de 2014 com quatro pontos perdidos e o Fluminense fosse o campeão da Segundona, mas aí já são outros desejos.

Todas as pesquisas dizem que dois terços dos brasileiros, simpatizantes de todos os partidos, ou contra todos, querem mudanças. Mas quais?

Cuidado com a sua lista de desejos para 2014.

Ilegal? Pois é - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 20/12

Não são os marcianos nem o tão falado ativismo judicial os responsáveis pela limitação das campanhas ao período de três meses antes das eleições. A regra está na lei eleitoral e é fruto da vontade do Congresso.

Resultado de uma decisão do Parlamento, tomada por partidos que são os primeiros a ignorá-la solene e cinicamente quando saem por aí propagandeando seus candidatos inclusive em horário de televisão reservado à divulgação das legendas e financiado por dinheiro público.

A lei está obsoleta? Não atende às exigências da realidade? É draconiana, restritiva, impraticável? Perfeitamente. O Parlamento construiu, pode desconstruir; reunir-se, reformar as regras ou mesmo simplesmente revogar a existente, suspendendo qualquer restrição a campanhas.

Como a proibição não é respeitada, na prática não faz sentido e as punições não são suficientes para inibir as transgressões, melhor que suas excelências deixem de atuar na ilegalidade. Têm poder para isso.

Ademais, não está aí o problema. O tempo de campanha pode ser livre, a conduta dos homens e mulheres públicos é que não pode ser permissiva.

Hoje não há praticamente mais separação entre um pleito e outro. O assunto, os atos, as decisões, os gestos, qualquer movimento têm como meta o resultado eleitoral que possa produzir. Os problemas do cotidiano da população ficam, assim, em segundo plano ante a conveniência de cada agremiação.

Essa distância fica muito nítida quando se examinam as pesquisas. No caso federal há discrepância entre os índices de aprovação da figura presidencial e a avaliação bastante negativa sobre o funcionamento dos serviços prestados pelo Estado.

Há um ganho personalista nessa propaganda de cunho eleitoral à qual se dá o nome de "campanha antecipada" que, na verdade, é permanente. Em contrapartida, existe o desleixo em relação ao que seria de interesse da população no restante do tempo em que não está preocupada com quem vai ganhar ou perder o poder, mas em viver melhor.

Há seis meses as pessoas foram às ruas dizer: prestem atenção em nós! Pelo visto, não foram bem entendidas. Passado o susto, que provocou um intervalo de recolhimento dos partidos e dos políticos, voltou a vigorar o que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio Mello, chamou, em entrevista ao Valor Econômico, de "Babel" onde viceja "a lei do mais esperto".

Uma espécie de lei de Gérson: tira vantagem da situação quem tem mais ousadia para transgredir. Como ninguém quer ficar em desvantagem além daquele desequilíbrio usual, decorrente do uso da máquina pública por parte dos governantes candidatos, locupletam-se todos.

Diz o ministro que a Justiça Eleitoral será mais rigorosa nessa eleição. Ele acredita que as multas hoje insignificantes podem ser aumentadas mediante uma interpretação menos limitada da lei e defende que o TSE avance na jurisprudência levando a julgamento o registro da candidatura de quem faça propaganda antes da hora.

Claro que aí surgiriam as vozes de sempre dizendo que o Judiciário se intromete onde não deve; que o embate político não pode ocorrer nos tribunais e que a Justiça, se porventura vier a cassar essa ou aquela candidatura, estará sendo parcial.

Estará, isso sim, cumprindo o seu papel até hoje exercido com evidente leniência na área eleitoral. Para evitar justamente comprar uma enorme briga e ainda ser acusada de atrapalhar o "processo".

Pois é, mas existe uma lei. Conforme o início da nossa conversa, não foi aprovada em Marte nem inventada nos tribunais.

É produto da manifestação dos políticos. Se eles não medem as consequências de suas atividades legislativas, ao menos que as respeitem. Ou revoguem as disposições em contrário.

Campanha sem lei - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 20/12

Em todo o país vê-se quase que diariamente a quebra das regras eleitorais, com autoridades de diversos níveis sabidamente candidatas utilizando-se do acesso ao rádio e à TV que lhes permitem os cargos que ocupam para preparar suas candidaturas. Principalmente a presidente Dilma. Teoricamente, a propaganda eleitoral nas ruas e na internet será liberada no dia 6 de julho, e a campanha no rádio e na televisão começará em 19 de agosto.

O caso mais escandaloso é o do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, potencial candidato a governador de São Paulo, que comprou tempo de televisão recentemente para comemorar como uma vitória pessoal a determinação da Justiça de desautorizar o aumento do IPTU da cidade de São Paulo. O imposto é municipal, e a entidade que Skaf preside é estadual, e a proibição do aumento deveu-se também a uma ação do PSDB.

Mas isso não tem a menor importância para quem quer aparecer para o grande público como o defensor dos cidadãos contra a ganância do prefeito petista Fernando Haddad. Ontem, Skaf esteve no Supremo tribunal Federal para conversar com o presidente Joaquim Barbosa a respeito, pois a prefeitura de São Paulo recorreu ao STF depois de perder na Justiça local e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

São os primeiros movimentos da campanha eleitoral desenrolando-se diante dos eleitores, sem que os tribunais eleitorais tomem providências. Como oficialmente não há campanhas eleitorais ainda, não há legislação específica que possa ser acionada, tudo dependerá da subjetividade dos juízes eleitorais.

No Rio, há um procurador tentando controlar pré-candidatos de vários partidos que estão descumprindo a lei eleitoral. O vice-governador Pezão, do PMDB, o deputado federal Garotinho, do PR, e o senador Lindbergh Farias, do PT, cada um à sua maneira, desrespeitam sistematicamente a lei, inaugurando obras ou usando o horário eleitoral gratuito do partido para alavancar seus nomes ao governo do estado.

Os partidos e candidatos sabem que estão errados, mas preferem pagar a multa irrisória - o valor varia de R$ 5 mil a R$ 20 mil - a deixar de fazer a propaganda eleitoral antecipada. Isso quando pagam multa.

Clóvis Brigagão, professor do Iuperj/Ucam e professor-visitante da Uerj, lembra que a compra dos novos caças reforça a importância estratégica de uma Força Aérea que defina uma política de defesa aérea no Brasil, que, segundo ele, está ainda um pouco longe de termos: Basta ver que a Força Aérea toma muito mais conta dos aeroportos civis, que deveriam ser do âmbito do Ministério dos Transportes (rodoviário, ferroviário, aéreo e fluvial) e não da área aeroespacial. Vamos agora ter uma política de defesa aeroespacial?, pergunta Brigagão, para responder: Vamos cobrar.

A violência no futebol brasileiro já não se faz sentir apenas nos estádios de futebol e em suas imediações, mas passou a ser um estado de espírito. Torcedores e jogadores do Fluminense são atacados nas ruas, crianças sofrem Bullying nas escolas.

A decisão do STJD de tirar os pontos de Flamengo e Portuguesa por terem escalado jogadores sem condições de jogo foi o pretexto para torcedores trogloditas extravasarem seus ressentimentos sobre o Fluminense, que nada teve a ver com o caso. Cumprir a lei passou a ser um pecado mortal.

Enquanto em público defendem teses estapafúrdias, no particular, sabemos agora pela troca de mensagens entre dirigentes do Flamengo, eles têm noção de que estão errados, não têm qualquer direito a reivindicar e que, como um deles disse, se não fosse a Portuguesa, seria o Flamengo o rebaixado.

Que leis como a que puniu a Portuguesa, que não dão margem a graduações de punições, devem ser mudadas, não se discute. Mas neste caso, se tudo indica que a Portuguesa errou sem má-fé, por desorganização, o Flamengo, pela conversa de seus dirigentes, errou por soberba. Não há flexibilização da legislação que resolva esse caso.

Os anjos e o intérprete no funeral - FERNANDO GABEIRA

O Estado de S.Paulo - 20/12

O papa Francisco foi considerado a personalidade do ano pela revista Time. Mas quem fez uma aparição inesquecível foi o intérprete no funeral de Nelson Mandela. Seu nome é Thamsanga Dyantyi, tem 43 anos e os olhos bem abertos, quase assustados. Vestia um terno escuro e usava um enorme colar azul, sua credencial para traduzir os poderosos para os surdos do mundo.

Não sei se o intérprete parou de fazer sentido em certo momento ou se jamais se preocupou com isso. Seus gestos pareciam transmitir uma espécie de tudo bem, continuemos juntos. Alguém conseguiu traduzir isso de sua linguagem gestual. Mas também traduziu como socorro, cigarro, enfim, uma série de palavras que nada tinham que ver com o contexto.

Acusado de assassinato e estupro, Thamsanga impressionou o mundo porque se aproximou dos poderosos, furando todos os bloqueios de segurança que fazem e refazem constantemente. Ele não se considera perigoso. Com alguns rudimentos da linguagem gestual achou que poderia encarar a tarefa, que ninguém jamais se daria conta do seu improviso jazzístico, numa cerimônia em que muitos cantavam e alguns líderes mundiais viviam momentos de poses para o Facebook. Denunciado como impostor, Thamsanga declarou-se doente mental e disse que foi assaltado pelos anjos. Ele mesmo não tem a mínima ideia do que traduziu e ficou surpreso com o cerco da imprensa.

No meu trabalho cotidiano tenho encontrado muita gente que recebe entidades do além ou teve contato com seres do outro mundo. Mas em quase todos os casos seres e entidades enviam mensagens compreensíveis. Que tipo de falange atacou Thamsanga no momento em que falavam grandes líderes mundiais? O que queriam dizer com essa tradução? Tudo bem, continuemos juntos?

Se fossem anjos budistas trabalhariam com o koan, uma forma de ensinamento que desafia a compreensão racional, como, por exemplo, ouvir o barulho de palmas de uma só mão. Mas não era isso. Os anjos pareciam se rebelar contra a linguagem política nas cerimônias, melhor cantar e dançar do que ouvir o que os franceses chamam de langue de bois, palavras sem contato com a realidade.

O Brasil terá eleições no ano que vem. Imagino o que aconteceria se a mesma falange baixasse nos intérpretes dos programas eleitorais gratuitos. Nesse caso teríamos, sim, grandes espetáculos. É possível que radicalizem e saiam, literalmente, cobras e lagartos dos punhos das camisas, e nossas telas iriam reproduzir imagens de telas fantásticas da Antiguidade.

O mal do intérprete sul-africano é comum num cotidiano em que a tecnologia avança a passos que não podemos seguir. Muitos se perguntam se ainda estão dizendo coisa com coisa nessa corrida veloz atrás dos novos instrumentos, novas explicações dos cientistas e divulgadores que constituem a Terceira Cultura. Essa expressão foi criada por C. P. Snow, que via duas culturas nitidamente separadas, a científica e a, por assim dizer, literária e humanística. A Terceira Cultura seria uma tentativa de cientistas e divulgadores preencherem a distância entre as duas.

Nesse campo, estamos numa fase de convergência dos discursos, de reencontrar um terreno comum em que não sejamos intérpretes no funeral um para o outro. Mas na política brasileira a performance de um intérprete como Thamsanga não é mais necessária. As pessoas sabem que aquilo não faz sentido, é apenas um amontoado de frases vazias, sem contato com a realidade.

As manifestações de junho já vão longe. Mas em muitos programas partidários foram elogiadas, como se os partidos estivessem envolvidos nelas e não fossem um alvo de sua crítica. Não mudaram nada em suas estruturas, não se abriram para a sociedade. E agora virão dizendo como Thamsanga: socorro, precisamos continuar juntos.

Desmascarada a impostura de Thamsanga, valeu ao menos como uma lição para os poderosos do momento: não são apenas as versões que contam, existe ainda um sentido de realidade. O que se vê hoje no Brasil é uma falange de interpretes de funeral criando uma versão própria para fatos consolidados, como o julgamento do mensalão.

Os anjos que possuíram Thamsanga apenas desconstruíam o discurso. Os que voam no imenso céu da América do Sul oferecem versões articuladas, chegam na forma de pássaro para Nicolás Maduro, desenham o efígie de Hugo Chávez nas paredes de Caracas, transformam em guerreiros do povo brasileiro quem cometeu crimes contra a democracia.

Chega um momento em que todos descobrem as falhas do intérprete. O que podem dizer os anjos aos dirigentes do Rio num momento em que começam as chuvas de verão? Depois que possuíram Thamsanga, fiquei mais atento aos anjos. Passaram por aqui na tempestade. Frequentaram alguns sites que diziam: manifestantes protestam contra enchentes. Como se estivessem protestando contra um fato natural e seu alvo simbólico fosse São Pedro. Reapareceram no discurso político: as chuvas são um problema de décadas; nosso bloco está no poder há apenas pouco mais de uma década, logo, esperem mais algumas décadas para julgar nosso trabalho.

Tenho poucas esperanças no processo eleitoral. Thamsangas de todos os níveis vão ocupar as telas. Muita gente vai perceber que não fazem sentido e recusar o processo, por meio dos votos em branco e nulos. Isso não impede que haja vencedores e que continuem inspirados pelos anjos. Uma versão histórica transmitida pelos anjos que os possuíram. Los angeles defensores dos pobres e dos oprimidos.

Como muitos ainda se impressionam com os gestos do intérprete, sua faixa azul e os olhos assustados, é possível que sua mensagem seja aceita pela maioria dos eleitores. É a mensagem de ano-novo de Thomsonga: socorro, precisamos continuar juntos. Para a qual também existe uma outra versão respeitável: precisamos continuar juntos, socorro!

Não é bem assim - LUIZ GARCIA

O GLOBO - 20/12

O Orçamento da União do ano que vem estava parado no Congresso. Por simples razão: senadores e deputados exigiam aumento nos gastos de cerca de R$ 2 milhões, para atender a emendas dos caciques do Legislativo (membros da Comissão de Orçamento, líderes e vice-líderes de partidos, presidentes e vice-presidentes de comissões temáticas — e ainda tem um etc.). O Orçamento previsto era de R$ 10 milhões, que o pessoal achou pouco.

Os caciques também não são poucos: incluem os membros da Comissão Mista de Orçamento, líderes de partidos, presidentes e vice-líderes de comissões do Senado e da Câmara de Deputados. Parte das verbas vai para ministérios da área social, o que pode ser a única boa notícia dessa história.

O Palácio do Planalto entrou em cena e cedeu para apressar a votação. Na área do Executivo, a discussão estava conduzida pela ministra Ideli Salvatti, que carrega a pesada pasta das Relações Institucionais. É o ministério encarregado de chegar a acordos com o Legislativo. Antes de entrar na briga, ela avisou que o Executivo exigia a aprovação do Orçamento da União ainda este ano. E ameaçou que, se isso não acontecesse, o Executivo vetaria um projeto, já aprovado pelo Legislativo, que modifica as regras do chamado “Orçamento impositivo” (diferente, como se sabe, dos “orçamentos” para enganar os trouxas da plateia).

Observadores ingênuos acreditariam que o Executivo aprova ou veta projetos vindos do Legislativo se são, na sua opinião, bons ou ruins em face do interesse público — e não para ganhar outras paradas, em sua eterna relação de amor e ódio com o outro poder.

Não é bem assim.

Desconto salgado - RENATO ANDRADE

FOLHA DE SP - 20/12

BRASÍLIA - Há uma lógica tortuosa por trás do corte na conta de luz promovido pelo governo Dilma.

Desconto pressupõe redução de despesa, mas a estrutura montada para bancar parte do benefício custou aos cofres públicos quase R$ 10 bilhões nos últimos meses.

Para piorar, o cenário esboçado para 2014 é tão ruim quanto a fotografia de momento.

Pelas contas das distribuidoras, para manter os preços praticados neste ano, o governo terá que desembolsar mais R$ 13 bilhões para evitar reajustes que eliminem a benesse.

Não é preciso ser um especialista em finanças para questionar a validade de um desconto que custa bilhões e é bancado com dinheiro recolhido dos mesmos "beneficiados" pela conta de luz mais barata.

Dar com uma mão e tirar com a outra não é política de redução de custos, é propaganda enganosa.

Essa confusão foi armada pelo próprio governo. A redução de preço não foi negociada. O Planalto obrigou as empresas interessadas em renovar suas concessões no setor de geração a cortar compulsoriamente o valor da energia produzida. Nem todo mundo topou e acabou sobrando para o Tesouro Nacional.

A conta ficou mais salgada devido à falta de água nos reservatórios das hidrelétricas. Para garantir a luz em casa foi preciso apelar para o estoque de emergência, que vem das usinas que queimam óleo e gás para produzir eletricidade --bem mais cara.

Para evitar que o desconto desaparecesse meses depois de anunciado, o governo passou a bancar o custo extra das empresas.

A novela está prestes a se repetir. As distribuidoras não conseguem comprar energia barata e como estão impedidas de repassar mensalmente os custos para o consumidor, vão bater na porta do Tesouro, de novo.

Se o dinheiro não sair, os reajustes anuais --direito das empresas-- vão bater na casa dos 20%, zerando o desconto ofertado pela presidente.

Um brinde a eles - RENATO FERRAZ

CORREIO BRAZILIENSE - 20/12
Dez anos, em história, não passam de 10 segundos: ninguém consegue avaliar o que, como e por que algo aconteceu. Mas, talvez até influenciado pelo espírito natalino, o otimismo sobre a política preencheu alguns momentos recentes meus. Não sou, já disse e repito, parente de Pollyanna - aquela que tem a inclinação para ver as coisas pelo lado mais favorável. No entanto, não dá para ignorar o fato de que 1,7 milhão de famílias beneficiadas na última década pelo Bolsa Família simplesmente deixaram, espontaneamente, o programa - e assumindo que a renda delas ultrapassava o limite de R$ 140 por pessoa. São quase 12% das 13,8 milhões atendidas. Em homenagem a essa gente anônima, farei um brinde.
E brindarei, também, aos tucanos - caso cumpram a promessa recente de manter o programa se voltarem ao poder. Farei justiça e parabenizarei, mesmo que tardiamente, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e o ricaço ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que reconheceram os efeitos benéficos do programa. Vale lembrar: um é democrata; outro, republicano (esse último, por sinal, ousou implantar o Opportunity NYC, que hoje beneficia 5 mil famílias em bairros como Harlem e Bronx). Festejo, ainda, a informação referente à independência das mulheres que usufruem da ação: o jornal britânico The Guardian revelou, esta semana, que 93% das famílias são chefiadas por elas, e que até a saúde feminina melhorou - inclusive no período pré-natal, o que diminui a quantidade de partos prematuros.

Sobre outras ações públicas, governamentais ou meramente gestuais, de caráter simbólico, louvo um presidente da República - no caso, Dilma e Lula - que se reúne com catadores no Natal. Aprecio quem não tem medo de parecer ridículo: sim, foi essa, entre outras, a pecha que tentaram cravar sobre quem, para dar algo aos que sempre nada tiveram, pensou e criou o Mais Médicos.

Agora, também cobro: é impossível, por exemplo, não ficar indignado com a insensibilidade, indiferença e apatia diante da sonegação que, segundo fiscais tributários, soma mais de 20 vezes o que o país gasta com o próprio Bolsa Família. São R$ 400 bilhões, algo em torno de 10% do PIB, ou 25% do que é arrecadado anualmente.

Direção perigosa - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK

O GLOBO - 20/12

Celeuma sobre airbags mostra que não existem limites para o imediatismo do governo



As idas e vindas do governo na questão da exigência de airbags e freios ABS merecem cuidadosa atenção. O episódio realça, com riqueza de detalhes, a forma lamentável com que vem sendo conduzida a política econômica no país.

A obrigatoriedade de que todos os carros produzidos a partir de 2014 passem a contar com airbags e freios ABS foi estabelecida, já muito tardiamente, em abril de 2009. Em países mais civilizados, os dois itens são obrigatórios já há muito tempo. Em quatro anos e meio, a indústria automobilística teve tempo de sobra para se adaptar à exigência.

Há poucos dias, contudo, a menos de três semanas da data em que a obrigatoriedade deveria entrar em vigor, o governo, pressionado por montadoras e sindicatos, aventou a possibilidade de adiar a medida. “Comovido” com o anúncio de que, após ter sido fabricada por seis décadas, a Kombi deixaria de ser produzida no país, o Planalto começou a ter dúvidas sobre o acerto da exigência.

A racionalização do adiamento passou por rápida mutação em poucos dias. De início, a preocupação — acredite se quiser — era com o efeito que a exigência de airgbags e freios ABS poderia ter sobre a inflação. O que se alegava na Fazenda é que os preços dos carros que ainda não são dotados desses dois itens teriam de ser aumentados em até 9%. Feitas as contas, no entanto, e constatado que, ainda assim, o efeito sobre o índice oficial de inflação seria muito pequeno, o governo decidiu agarrar-se a argumento menos esfarrapado.

Da noite para o dia, a conversa mudou. O ministro da Fazenda passou a externar temores de que a elevação de preços reduzisse a demanda por automóveis e, tendo em conta o peso da indústria automobilística, acabasse impactando o nível de atividade e o emprego em pleno ano eleitoral.

O episódio deixou exposto amplo leque de problemas com que se vem debatendo a condução da política econômica. O governo já nem tenta disfarçar o imediatismo inconsequente que vem pautando suas decisões. Não só políticas de curto prazo, mas também as de prazo mais longo, estão inteiramente ao sabor das conveniências da campanha pela reeleição.

Para perceber de forma mais clara a absurda extensão dessa inconsequência no caso em análise, é bom lembrar que, nos últimos anos, o governo patrocinou indefensável escalada na proteção da indústria automobilística contra a concorrência de automóveis importados. E que, para isso, usou, como cortina de fumaça, um suposto programa de fomento à inovação tecnológica na indústria automobilística. É deprimente constatar, agora, que na esteira desse programa, o ministro da Fazenda se tenha mostrado tão propenso a adiar a exigência, absolutamente básica, de que automóveis sejam pelo menos dotados de airbags e freios ABS.

Há também que se indagar por que o governo acreditou que os preços dos automóveis terão de ser elevados em até 9% para que passem a ser equipados com esses dois itens. Em boa medida, porque o governo 6sabe que fechou o mercado e propiciou às montadoras instaladas no país um ambiente aconchegante e pouco competitivo, que lhes dá amplo espaço para repassar custos a preços com toda tranquilidade.

O episódio também ajuda a perceber, de forma muito concreta, a leveza com que o governo se dispõe a mudar regras do jogo bem estabelecidas. Produtores de autopeças, que investiram para atender a expansão de demanda de airbags e freios ABS, tiveram razões de sobra para achar que tinham sido ludibriados. E, no Planalto, ainda há quem não entenda por que a credibilidade do governo anda tão baixa e o clima de investimento, tão ruim.

Na terça-feira, em meio a cerrada barragem de críticas, o governo decidiu, de repente, dar o dito por não dito, e não adiar a exigência. Mas, como surto de insensatez não tem airbag, o episódio lhe saiu caro. A imagem do processo decisório do Planalto ficou ainda mais avariada do que já estava. Já as montadoras, mais uma vez, se deram bem. Saíram do episódio com promessas de que o governo as ajudaria a cumprir a exigência.

Decisões urgentes que nos faltam - WASHINGTON NOVAES

O Estado de S.Paulo - 20/12

Na semana passada, grande parte da zona norte da cidade do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense e região serrana voltou a ser atingida pelas chuvas muito intensas, que desalojaram milhares de pessoas e mataram algumas. E, depois de dois anos de seca, há uns dez dias a água de uma chuva de 130 milímetros - volume usual na região para um mês e meio - acumulou-se nos pontos mais altos do município de Lajedinho (4 mil habitantes), no interior da Bahia, e correu toda para a cidade, que foi destruída em 70%. Mais de dez pessoas morreram. É um fenômenos cada vez mais frequente no Brasil, onde não temos políticas capazes de remover mais de 5 milhões de pessoas de áreas de risco nem de impedir que prossiga o desmatamento sem controle e se criem condições para problemas como o de Lajedinho: a água escorre para as cidades e aumenta ali as inundações cada vez mais frequentes com os volumes de chuva muito intensificados com as mudanças climáticas em curso.

Já quase ninguém mais duvida desse quadro. Estudo do Lawrence Livermore National Laboratory, Califórnia, publicado pela Proceedings of the National Academy of Sciences, assegura que as emissões de poluentes que se acumulam na atmosfera afetam a distribuição de chuvas, tanto por causa do aumento de temperatura que geram como pela alteração dos padrões de circulação atmosférica, que "empurram tempestades de zonas de clima subtropical semiárido rumo aos polos do planeta". Não se trata - dizem os pesquisadores - de fenômenos conhecidos como El Niño ou La Niña.

Nesta mesma hora, texto do jornal The New York Times (10/12) informa que o aquecimento global seria o dobro do que é hoje, não fosse o Protocolo de Montreal, tratado mundial assinado em 1987 e que levou ao banimento dos clorofluorcarbonos, que reduzem a camada de ozônio e agravam para os seres humanos as consequências das radiações ultravioleta, principalmente o câncer de pele. O tratado também impediu maior concentração de poluentes na atmosfera e mudanças climáticas ainda mais graves. Curioso também que as negociações do tratado tenham sido lideradas pelo então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan - um ultraconservador, mas que já sofrera um câncer de pele.

Mas é difícil constatar que os países ricos ainda precisariam reduzir a cada ano em 10% suas emissões de poluentes para evitar que a temperatura planetária continue a subir e ultrapasse dois graus Celsius - e no conjunto não o estão fazendo, dizem os cientistas do Tyndall Centre for Climate Change Research. Ainda há poucos dias, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu manter em 30 milhões de barris diários a produção (The New York Times, 5/12) - e os chamados combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) são responsáveis pela maior parte da produção de energia no mundo e pela poluição.

Esse panorama - como tantas vezes já se escreveu aqui - deveria levar o Brasil a tornar ainda mais forte sua possibilidade de manter matriz energética predominantemente "limpa" e renovável. Além da hidreletricidade, temos a energia eólica no País, que chegou em 2011 à capacidade instalada de 1.403 MW e em 2021 deverá atingir 15.563 MW. A venda de aquecedores solares no País chegará ao fim deste ano com aumento de 15%, por oferecer a vantagem de reduzir em 40% o consumo de energia elétrica. Estudo do governo paulista mostra que o Estado tem potencial solar de 12 milhões de MWh por ano, suficiente para abastecer 4,6 milhões de residências. As usinas solares já implantadas no País evitaram a emissão de 11.229 toneladas equivalentes de dióxido de carbono em 2012. E ainda podemos ter usinas movidas por marés e ondas, usinas geotérmicas e outras movidas a biomassas (inclusive a partir de dejetos animais - o que seria uma possibilidade extraordinária para Estados com grande plantel de gado).

Em muitos lugares do planeta a corrida pelas energias "alternativas" está forte. Nova York, por exemplo, está implantando no aterro sanitário de Fresh Kills - que se esgotou em 2001, com mais de 150 milhões de toneladas de lixo ali depositadas - uma usina solar de 10 MW, ao lado de áreas de lazer. O fechamento do aterro obrigou a cidade a mandar seu lixo em caminhões para mais de 500 quilômetros de distância, no Estado da Virgínia, a custos altíssimos. Em dez meses deste ano, as fontes renováveis responderam por 32,8% de toda a capacidade nova de geração de energia naquele país. No conjunto, significam 16% da capacidade instalada no país. E, segundo a Agência Internacional de Energia, 18% da eletricidade no mundo podem ser gerados pela energia dos ventos - o custo será de US$ 150 bilhões por ano.

Nesta hora, o Brasil anuncia que fará as primeiras explorações do chamado gás de xisto (que muitos cientistas preferem chamar de gás de folhelho), extraído mediante "fraturamento" de rochas no subsolo e a grandes profundidades. Vários estudos - como já se escreveu neste espaço - mostram que a injeção de água e produtos químicos no subsolo para o fraturamento pode ter consequências muito graves com o retorno do líquido para a superfície - nos aquíferos de passagem e nas camadas superiores. O senador Sarney Filho já apresentou projeto para impedir o desenvolvimento de qualquer empreendimento dessa natureza antes de feitos os estudos de impactos. Em alguns lugares, como o Paraná, áreas que se pretende explorar estão situadas a profundidades maiores que as do Aquífero Guarani e podem ter neste consequências graves.

Como quase sempre, informações não faltam. Faltam decisões políticas. Principalmente lembrando que os estudos mostram que caminhamos rapidamente para 90% das pessoas morando nas cidades brasileiras. E de que não há indícios de que se atenue a intensidade dos "eventos extremos" no clima.

Além do símbolo - MARINA SILVA

FOLHA DE SP - 20/12

O Congresso aprovou, a presidente homologou e o projeto da deputada Janete Capiberibe agora é lei: Chico Mendes é patrono do meio ambiente brasileiro. A homenagem é adequada, Chico tem posição ímpar entre os defensores do meio ambiente e tornou-se símbolo mundial da luta dos povos contra a devastação.

Está aí, entretanto, o detalhe cuja profundidade poucos alcançam. Chico Mendes falava da planície, da floresta, do meio da sociedade civil. Diferente do ambientalismo clássico que muitas vezes reforça a oposição entre homem e natureza, foi um dos fundadores do socioambientalismo, incluindo a experiência e a luta das comunidades tradicionais que, na Amazônia, se identificavam como povos da floresta.

Aos homens e mulheres "de Estado" é difícil, no sistema político atual, ouvir até mesmo as estridentes vozes das ruas, quanto mais as do campo e da floresta, muitas vezes caladas pela violência dos que detêm fatias consideráveis desse mesmo Estado. Aí estão os protestos indígenas contra a maioria do Congresso que dificulta a demarcação de suas terras. É grande a resistência dos movimentos sociais contra o retrocesso nas leis e na gestão ambiental. E são incontáveis as manifestações de insatisfação das populações urbanas, castigadas por catástrofes que são mais políticas do que ambientais, tão evidente se tornou o descaso, a falta de planejamento e o mau uso das verbas para a prevenção.

O Estado faz-se de surdo. Nesta semana, 42 organizações assinaram nota questionando a falta de representantes da sociedade no Conselho Nacional de Política Energética, que decide em gabinete fechado, privilegia projetos de alto impacto socioambiental e, no interesse de megaempresas, despreza as fontes alternativas de energia limpa.

Permanece viva em minha memória a imagem de Chico Mendes, com projetos de desenvolvimento comunitário nas mãos, nos corredores das instituições, pedindo apoio de cientistas, ambientalistas, sindicatos, partidos políticos, órgãos de governo. Chico ouvia a todos, buscava o diálogo, valorizava a informação e unia a ciência aos conhecimentos tradicionais das comunidades. Não se afastava dos companheiros da floresta, com quem mantinha relação não apenas de fraternidade mas também de respeito à democracia no debate e nas decisões.

Sei que o sentimento profundo do povo é de concordância e gratidão pela homenagem do Estado brasileiro ao líder seringueiro, mas, ao mesmo tempo, de severa crítica, pois os 25 anos da morte de Chico se dão em meio a um grande retrocesso na política ambiental. Talvez seja necessário esperar que uma nova geração de governantes faça valer na prática a homenagem que hoje é apenas simbólica.

A lambança do airbag - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 20/12

É desconcertante, para um cidadão sério, ver pessoas responsáveis, como devem ser os altos funcionários do governo, defenderem ideias disparatadas e serem forçadas a renegá-las, assim que fica óbvio seu caráter despropositado. Foi o que ocorreu com esse lamentável episódio protagonizado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a propósito da aplicação de normas conhecidas há anos para aumentar a segurança dos automóveis nacionais.

Desde 2009, era sabido - sobretudo pelas montadoras, pelas indústrias de autopeças, além dos consumidores interessados em sua segurança pessoal - que, a partir de 1.º de janeiro de 2014, todos os veículos nacionais devem sair das fábricas obrigatoriamente equipados com airbags (bolsas que se inflam em milésimos de segundos em caso de colisão a mais de 16 quilômetros por hora) e sistema de freios ABS (que, em freadas bruscas, evita o travamento das rodas e que o condutor perca o controle do veículo).

No entanto, o ministro anunciou na semana passada que o governo estava revendo a medida - de iniciativa do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) -, cuja vigência poderia ser adiada por um ou dois anos ou cuja aplicação poderia ser gradual (seria exigida para uma determinada porcentagem dos veículos novos fabricados em 2014, até alcançar a totalidade em 2015 ou 2016).

Suas justificativas eram ocas ou de difícil comprovação. Mantega argumentou, na ocasião, que a instalação desses dois equipamentos encareceria os carros nacionais, o que teria efeito inflacionário. Não é fácil calcular com precisão o impacto das alterações dos valores pagos pelo consumidor sobre os índices de preços utilizados como medidas oficiais da inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Neste caso, o cálculo parece ainda mais complicado. Com a instalação dos equipamentos de segurança que se tornarão obrigatórios nos carros nacionais, o preço ao consumidor poderá subir de R$ 660 a R$ 1.500, de acordo com estimativas da entidade das montadoras, a Anfavea.

Há muito tempo o governo não consegue alcançar a meta definida para a inflação, de 4,5% ao ano. Sem fazer a sua parte essencial na luta contra a inflação, que é a redução de seus gastos de custeio para reduzir a demanda agregada, cujo aquecimento pressiona os preços internos, o governo tenta utilizar pequenas - e, neste caso, inúteis - espertezas para evitar a aceleração dos índices.

Outro argumento invocado pelo ministro para explicar o adiamento da vigência das novas normas de segurança dos carros foi o possível desemprego que resultaria da interrupção da produção de modelos que não podem atender às novas exigências. Empresas acostumadas a disputar arduamente fatias do mercado, as montadoras certamente planejaram a substituição dos modelos condenados por outros que atendam à nova regulamentação. Esse planejamento pode ter implicações negativas sobre o nível de emprego em determinadas linhas de produtos, mas isso pode ser compensado pela contratação de trabalhadores para a produção dos novos modelos. Empresas de autopeças, por sua vez, se prepararam para as novas exigências, tendo investido para atendê-las, o que igualmente pode ter resultado em mais postos de trabalho.

Se alguma montadora se atrasou, não foi por desconhecimento, mas por outras razões. O atraso poderá forçá-la a demitir. Num caso, pelo menos, o ministro se dispunha a abrir uma exceção - em nome do emprego de 4 mil trabalhadores, segundo alegação dos sindicalistas, mas em detrimento da segurança dos usuários. Trata-se da perua Kombi, que, por sua estrutura, não pode ter airbags. Lembre-se de que o ex-presidente Lula iniciou sua carreira política na cidade em que era fabricada a Kombi. Mas o Contran, corretamente, decidiu que não pode haver exceções à norma.

O episódio começou mal para Mantega e terminou de maneira ainda pior. Além de ter vetada sua última tentativa de agradar aos sindicalistas, teve de ouvir o óbvio do titular do Ministério das Cidades (ao qual está vinculado o Contran), Aguinaldo Ribeiro: "A vida das pessoas não tem preço".

Caças suecos na Força Aérea Brasileira - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 20/12
Entre as qualidades brasileiras, não figura a presteza. Deixamos para amanhã o que podemos fazer hoje. Se possível, para depois de amanhã. Talvez seja este o único país cujo calendário prevê o Dia de São Nunca. Explica-se assim a demora na compra dos caças-padrão da Força Aérea Brasileira (FAB) - necessários para a defesa nacional. Com eles, espera-se contar com aparelho apto a fazer combate aéreo, interceptação e ataque ao solo.
A presidente Dilma Rousseff, em encontro com generais durante o qual anunciou a decisão, sintetizou a importância da aquisição: "Nós somos um país pacífico, mas não vamos ser um país indefeso". As idas e vindas duraram 12 anos. Em agosto de 2001, na administração Fernando Henrique Cardoso, a Aeronáutica provocou empresas a apresentar propostas. De lá para cá, debates, adiamentos, pressões e contrapressões emperraram o processo.

Das três concorrentes - a americana (Boeing), a francesa (Dassault) e a sueca -, o governo bateu o martelo em favor da nórdica Saab Gripen NG. Pesaram na escolha, além do parecer técnico da FAB, dois fatores consideráveis. Um: a transferência de tecnologia. O Brasil terá acesso ao código-fonte - o DNA da aeronave, que possibilitará salto na indústria aeronáutica brasileira. O outro: o custo mais baixo, tanto na compra quanto na manutenção dos 36 aviões: US$ 4,5 bilhões (R$ 10,53 bilhões).

Num mundo em recessão, explica-se a força do lobby dos interessados. O americano Barack Obama visitou o Brasil no início do governo Dilma. O francês François Hollande esteve aqui há poucos dias. Em 2009, o antecessor, Nikolas Sarkozy, quase fechou negócio com o então ocupante do Planalto, Lula da Silva. Mas a compra não foi concretizada, apesar do alto escalão dos caixeiros-viajantes.

Feita a escolha, se o contrato for assinado em 2014, oito monomotores deverão ser entregues entre 2016 e 2023. Temem-se pedras no caminho. Entre elas, problemas com prazos e fornecedores. (Muitos equipamentos são de terceiros países, especialmente dos Estados Unidos). O modelo, eficiente para carregar mísseis e bombas, não foi testado em combate.

O modelo NG, adquirido pelo Brasil, é ainda um protótipo. Aparentemente negativo, o fato é visto como virtude, porque o país terá acesso à chave que lhe abrirá a porta da fabricação de aviões. Resta agora encaminhar o processo tecnicamente. As Forças Armadas, as universidades e os institutos de pesquisas dispõem de talentos capazes de corrigir rumos e evitar desvios prejudiciais ao interesse nacional. Em especial, ingerências políticas que visam à próxima eleição.

Enfim, os caças - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 20/12

Escolha dos modelos suecos, que aliam menor custo a transferência tecnológica, é desfecho ponderado para uma negociação arrastada


Foram "anos de sofrimento", segundo Juniti Saito, comandante da Força Aérea Brasileira, mas o governo ao menos valeu-se da delonga para dar um desfecho ponderado a uma negociação nem sempre conduzida pelo prisma técnico.

A escolha do sueco Saab Gripen NG como novo caça padrão da FAB representa não só a opção mais barata mas também a que pode oferecer maiores avanços tecnológicos ao Brasil. Era, conforme revelou a jornalista Eliane Cantanhêde nesta Folha em janeiro de 2010, o modelo mais bem avaliado em análise feita pela Aeronáutica.

Foram preteridos dois concorrentes de peso: o F-18, da americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault. Diante das propostas iniciais feitas em 2008 --as 36 unidades custariam, respectivamente, US$ 7,5 bilhões e US$ 8 bilhões--, o valor pedido pela Saab constitui inegável pechincha: US$ 4,5 bilhões (eram US$ 6 bilhões), que serão pagos em até 14 anos após a entrega do último avião.

Verdade que contratempos políticos pesaram contra os modelos derrotados. O Rafale, que chegou a ser o preferido no governo Lula, perdeu espaço quando a França, em 2010, não apoiou acordo capitaneado por Brasil e Turquia para a crise nuclear do Irã. Mais recentemente, a Boeing viu suas chances diminuírem com o escândalo de espionagem americana.

Não foi apenas isso, contudo. A principal vantagem que apresentavam na seara militar era, a rigor, um exagero. Dadas as características diplomáticas e geográficas do Brasil, o maior poderio em combates aéreos dificilmente seria empregado. Para as necessidades de vigilância e defesa estratégica, os hoje modernos caças suecos são apropriados --a um custo operacional bem mais baixo, aliás.

Mesmo o atraente pacote comercial e a vasta experiência oferecidos pela Boeing terminaram relativizados pelas promessas de transferência de tecnologia da empresa sueca. Não é trivial dominar técnicas da indústria de ponta, como turbinas supersônicas e manipulação de materiais compostos, com aplicações militares e civis.

Discutida desde os anos 1990 e transformada em pretensão oficial em 2001, a renovação da frota da FAB era uma necessidade inconteste --de resto, o sucateamento de equipamentos militares atinge as Forças Armadas brasileiras como um todo, e não só a Aeronáutica.

É por isso mesmo lamentável que o processo tenha se arrastado por tanto tempo. Em 2016, quando devem ser entregues as primeiras unidades, os caças já não representarão a geração mais avançada.

A novela, de todo modo, não terminou. Para que a escolha se mostre de fato acertada, é preciso haver o teste da realidade. Trata-se, neste caso, não só de conhecer os termos de um contrato ainda longe de ser assinado, mas também de tirar do papel todos os benefícios embutidos nessa negociação.

Brasil faz aposta na compra de caças - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 20/12

Preço e tecnologia favoreceram o caça sueco, enquanto a espionagem eletrônica não ajudou a Boeing e a falta de apoio francês na OMC deve ter prejudicado a Dassault



Uma compra bilionária de sofisticada arma de guerra é complexa e envolve vários aspectos, além de parâmetros óbvios, como preço e qualidade. A opção feita pela nova geração do caça sueco Grippen, fabricado pela Saab, para renovar a força de interceptação aérea do país, é um exemplo.

Numa visão preliminar, o Grippen parecia sem condições de competir com o F-18, da americana Boeing, aprovado com sobras em combate mundo afora, e o francês Rafale, da Dassault, fabricante dos confiáveis e admirados Mirage, que estão prestes a ser desmobilizados na Força Aérea Brasileira, por tempo de serviço.

Muitos fatores ajudaram os suecos. Inclusive preços e custo operacional. A compra dos primeiros 36 caças, que poderia chegar a US$ 7 bilhões, sairá por US$ 4,5 bilhões — nada mal para um país com problemas fiscais.

Com uma turbina apenas, em vez das duas do F-18 e do Rafale, o caça sueco tem custo por hora de voo estimado em US$ 4.700, contra US$ 11 mil do jato americano, para se ter um parâmetro.

Se, no desembolso financeiro para o comprador, o Grippen aparecia na liderança da licitação, na questão-chave da transferência de tecnologia ele se tornou imbatível. Este é um campo em que os americanos costumam ser restritivos e no qual a proposta francesa também deve ter ficado aquém do esperado.

Na prática, por meio da Embraer, o Brasil será cofabricante do Gripen NG (New Generation), de que já há um protótipo em teste com 300 horas de voo.

Uma aposta parecida com esta foi feita na ditadura militar, no governo Geisel, quando o Brasil se associou aos alemães para desenvolver um novo método de enriquecimento de urânio, e assim furar o bloqueio tecnológico que há na área nuclear. Não deu certo, o país perdeu bilhões e terminou se valendo mesmo do método tradicional das ultracentrifugadoras, aperfeiçoadas pelo “programa paralelo”, de cunho militar.

Há, porém, diferenças a favor da operação em torno do caça sueco. Além de ele ser a evolução de um modelo existente, em operação não só na Suécia, mas também na Hungria, na África do Sul, na Tailândia e na República Tcheca, na ponta brasileira do negócio estará a Embraer, terceiro maior fabricante de aviões do mundo, garantia de que haverá absorção de tecnologia. Não é preciso formar mão de obra do zero.

No aspecto político-diplomático, ficou evidente que a bisbilhotagem eletrônica do governo americano prejudicou a Boeing. E é provável que a falta de apoio francês à eleição do brasileiro Roberto Azevêdo para a direção-geral da OMC não tenha ajudado a Dassault.

Não bastassem esses aspectos, o Grippen era o preferido da FAB. Lula, ainda no governo, movido pelo faro político-diplomático, chegou a anunciar a escolha do avião francês, o Rafale, numa visita do então presidente Nicolas Sarkozy. Teve de voltar atrás, não mais tocou no assunto.

O aborto e o Código Penal - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 20/12

Comissão de senadores freou a tentativa de legalizar o aborto até a 12ª semana, como queriam os juristas que elaboraram o novo Código


A comissão especial de senadores que analisou o projeto de um novo Código Penal encerrou seus trabalhos no dia 17, após se debruçar por meses sobre o texto elaborado por uma comissão de juristas a pedido do ex-presidente do Senado José Sarney. O texto original, dominado pela ideologia do “politicamente correto”, se mostrava permeado por um profundo desprezo pela dignidade humana, motivo pelo qual a comissão resistiu às pressões (do próprio Sarney, inclusive) para que a tramitação fosse a mais veloz possível. O relatório final, do senador Pedro Taques (PDT-MT), traz diversas mudanças elogiáveis, das quais uma das mais importantes contempla a legislação sobre o aborto.

A primeira versão do novo Código Penal, elaborada pela comissão de juristas, previa um gravíssimo atentado à vida humana ao permitir o aborto nas primeiras 12 semanas de gestação “se por vontade da gestante (...), quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade”, um conceito tão vago que, na prática, abriria as portas à livre prática da eliminação de seres humanos indefesos e inocentes, bastando um laudo que muitos médicos e psicólogos favoráveis à legalização do aborto concederiam de bom grado. O procurador Luiz Carlos Gonçalves, coordenador da comissão de juristas, chegou a “reconhecer orgulhosamente”, em um programa do canal Globo News, que estava promovendo a legalização do aborto.

Felizmente, todo este trecho foi suprimido na versão aprovada pelos senadores. Vale a pena ler a argumentação de Taques a respeito do tema, nas páginas 158 a 174 do relatório. É uma defesa contundente do direito à vida: rechaça a noção de que o aborto é um debate de cunho religioso; reforça o consenso científico a respeito do início da vida humana já na concepção; denuncia as estratégias de desumanização do nascituro (como a linguagem que pretende descrevê-lo como “amontoado de células”); contesta os argumentos baseados na autonomia da mulher, que teria o direito de “dispor do seu próprio corpo”, como se o filho fosse parte de seu organismo, e não um outro ser humano. Em resumo, é um texto que merece ser lido, analisado e debatido tanto por defensores quanto por opositores da legalização do aborto.

Assim, permaneceram, no relatório de Pedro Taques, as circunstâncias em que a legislação atual já não previa punição pelo aborto: em caso de estupro e quando “não há outro meio de salvar a vida da gestante”. Acrescentou-se ainda um novo inciso, em que o aborto fica permitido “se comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida extrauterina, em ambos os casos atestado por dois médicos”. O aborto em caso de anencefalia já havia sido autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, mas o caso de “graves e incuráveis anomalias” é uma inovação da comissão de juristas e que permaneceu no projeto, abrindo as portas aos horrores do aborto eugênico.

A Gazeta do Povo reafirma seu compromisso com a defesa incondicional da vida desde a concepção, mas não é nossa intenção discutir, neste exato momento, a questão do aborto em caso de estupro ou de anencefalia. São temas que demandariam uma análise mais detalhada, que vai muito além do debate sobre o Código Penal. Interessa-nos, aqui, ressaltar a atitude dos senadores, que rejeitaram por ampla maioria (a exceção mais notável foi a do tucano Aloysio Nunes Ferreira, que defendeu até o fim a manutenção do aborto livre até a 12.ª semana) a introdução, na legislação sobre o aborto, de novidades completamente ofensivas à dignidade humana.

A maneira como uma sociedade trata seus membros mais vulneráveis é um forte indicativo de seu grau de civilidade. Praticamente todos concordamos, por exemplo, que os pobres, os doentes, os idosos, as crianças merecem atenção e proteção especiais. Também os nascituros, os mais indefesos e inocentes entre os seres humanos, precisam ser defendidos de uma ideologia que pretende tratá-los como objetos descartáveis, segundo a conveniência de cada um. Essa mentalidade guiou os juristas que elaboraram o anteprojeto do Código Penal que tramita no Senado, mas felizmente foi rechaçada pelos senadores. Poderiam ter feito mais; mesmo assim, é preciso parabenizá-los por não dar passagem livre aos arautos da cultura da morte.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Não tenho ilusão quanto a isso, não”
Ministro Joaquim Barbosa cético quanto à mudança dos políticos após o mensalão


NEM A PEDIDO DA PF DILMA AFASTA DIRETOR SUSPEITO

Responsável pela Operação Agro-Fantasma, que investiga desvio de recursos públicos na Cia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, o delegado Maurício Todeschini, da Polícia Federal, pediu o afastamento do cargo de Silvio Porto, diretor de Política Agrícola, um dos principais investigados. O governo ignorou a solicitação. Nesses casos, a PF teme a eventual destruição de provas.

SERVIÇOS PRESTADOS

Com fama de ativo “captador” de doações para as campanhas do PT, Silvio Porto é tido como uma das eminências pardas do governo Dilma.

‘RAINHA’ COM MEDO

Silvio Porto manda mais que Rubens Rodrigues Santos, presidente que tem medo do subordinado e virou uma “rainha da Inglaterra” da Conab.

COSTAS LARGAS

Outro fator de estabilidade de Silvio Porto no cargo é sua ligação ao ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

BLINDAGEM

Levado para depor, Silvio Porto foi liberado no mesmo dia. A PF pediu também, sem êxito, mandado de busca e apreensão na casa dele.

AÉCIO QUER CÁSSIO DISPUTANDO GOVERNO PARAIBANO

Em busca de palanques fortes nas eleições à Presidência, Aécio Neves (PSDB-MG) pressiona o senador correligionário Cássio Cunha Lima a disputar o governo da Paraíba, em 2014. Levantamento encomendado ao Consult Pesquisa mostra Cássio com 41,35% das intenções de votos, o dobro do governador Ricardo Coutinho (PSB), que tem apenas 20,35%. Já Veneziano (PMDB) aparece em terceiro lugar, com 13%.

MAL NA FITA

O governador Ricardo Coutinho tem alta rejeição (21% não votariam nele de jeito nenhum) contra 13% de Veneziano e 7,5% de Cássio.

LADEIRA ABAIXO

Os protestos de rua detonaram o apoio ao governo Ricardo Coutinho: caiu de 29,6% em abril para 20,5% em agosto e 16,95% em dezembro.

SOB NOVA DIREÇÃO

Ex-presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio, o deputado Moreira Mendes (RO) será o líder do PSD na Câmara, em 2014.

FORA DA COTA

No PMDB, é consenso que o comando do Ministério do Turismo deverá sair da cota do senador José Sarney, a quem é atribuída a indicação de Edison Lobão para o importante Ministério de Minas e Energia.

DE OLHO NAS RUAS

O cantor e ex-ministro Gilberto Gil gravou o jingle do programa nacional de TV do PV, o primeiro a ir ao ar em 2014, que terá como mote: “Você pode até não saber, mas tem um pouco de Partido Verde em você”.

COMPETÊNCIA

Parte do êxito da venda dos aviões de combate Gripen se deve a um discretíssimo e respeitado personagem: o ex-senador Marco Maciel. Foi ele quem primeiro defendeu a opção do Brasil pelos caças suecos.

ASCENSÃO

Com o deputado Anthony Garotinho (PR) inteiramente voltado para a campanha ao governo do Rio de Janeiro, o deputado e vice-líder Bernardo Santana (MG) assumirá a liderança do PR na Câmara em 2014.

SEM EXCEÇÃO

Primeiro-secretário da Força Sindical, Sérgio Leite não vê nada de extraordinário nas reclamações sobre a falta de interlocução com o governo de Dilma Rousseff: “Todos reclamam, nós e a torcida da Portuguesa”.

PEDE PRA SAIR

Para Sérgio Zveiter (PSD-RJ), relator do recurso do deputado Natan Donadon, o presidiário deveria renunciar logo ao mandato: “O processo ficou para fevereiro, e ele não tem direito a mais nada”.

SEM NOÇÃO

Deputados do PSDB reclamaram de Eduardo Azeredo (MG) no evento de lançamento das diretrizes do programa de Aécio Neves para 2014. Acham que a presença dele lembra o mensalão mineiro.

ESTRATÉGIA

Na tentativa de frear grupo que ameaça antecipar convenção nacional do PMDB, o vice Michel Temer parte para o radicalismo: ameaça tirar do encontro uma decisão definitiva. Não vai dar para voltar atrás.

PENSANDO BEM...

...agora falta arranjar inimigo para enfrentar com os novos caças de combate mezzo suecos, mezzo americanos.


PODER SEM PUDOR

GRATIDÃO PRESCRITA

Otávio Mangabeira chegou à casa do senador João Cândido Ferraz e encontrou na sala um grande retrato do brigadeiro Eduardo Gomes:

- Você ainda conserva este santo na redoma?

- Claro, doutor Otávio. É uma homenagem a um grande brasileiro e um gesto de gratidão pessoal.

- Ora, Zé Cândido, a homenagem, eu compreendo. Mas gratidão política, a gente guarda seis meses. E faz mais de quatro anos que ele perdeu pela segunda vez. Essa sua gratidão já está prescrita...

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Salários em alta: Serviços e turismo fazem a renda no Rio passar a de SP
- Folha: Europa vai à OMC contra política industrial do Brasil
- Estadão: Brasil quer caça emprestado para evitar falha na defesa
- Estado de Minas: Fraude no ENEM
- Jornal do Commercio: Entrevista derruba secretário Damázio
- Zero Hora: Renda permite o menor desemprego da história
- Brasil Econômico: BC muda regra de consignado para limitar troca de banco