sábado, dezembro 14, 2013

FESTA À FRANCESA - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 14/12

O presidente François Hollande entregou ao ex-jogador Raí Oliveira a Legião de Honra, uma das três principais condecorações do governo da França, anteontem, no hotel Hyatt. O homenageado estava com parentes e amigos, como a mãe, Guiomar, o irmão Sóstenes, a filha Noáh, a neta, Naira Bellissimo, e as ex-mulheres, Danielle Dahoui e Cristina Bellissimo. A primeira-dama francesa, Valérie Trierweiler, o embaixador do país no Brasil, Denis Pietton, e a consulesa em SP, Alexandra Loras, também participaram da festa.

PAPEL PASSADO
José Renato Nalini, novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, diz ser "irreversível" a adoção do peticionamento eletrônico no Estado. Na próxima segunda-feira, a OAB-SP vai liderar uma manifestação nacional da classe em defesa da manutenção das petições de papel junto com o sistema digital.

PAPEL PASSADO 2
Advogados reclamam de falhas técnicas que dificultariam o envio dos processos à Justiça. Segundo Nalini, o aperfeiçoamento do sistema pode ser discutido. "Mas não dá para jogar dinheiro do povo fora. A implementação consumiu R$ 300 milhões ao longo de sete anos." Ele afirma que são gastos R$ 5 milhões por mês em aluguel de locais para guardar arquivos de papel.

DA TERRINHA
A fadista Carminho gravou uma participação especial no próximo disco de Alceu Valença. A música escolhida foi "Frevo nº 1 do Recife", de Antônio Maria.

De volta ao Brasil, a cantora portuguesa, que já gravou com Chico Buarque, Milton Nascimento e Nana Caymmi, se apresenta no Tom Jazz, entre segunda e quarta-feira da próxima semana.

FAZENDO CONTAS
Manoel Rangel, presidente da Ancine, retorna de Cuba hoje, depois de acompanhar o Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano, em Havana, que teve mais de 70 filmes brasileiros em sua programação. Na segunda, ele se reúne com o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, que tem mais de R$ 1 bilhão em caixa, para definir os recursos a serem liberados ainda neste ano. Os editais serão lançados na terça pela ministra Marta Suplicy.

REPARAÇÃO
O blogueiro Paulo Henrique Amorim, apresentador da TV Record, foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais ao ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Em 2008, ao criticar decisões do magistrado, Amorim afirmou que ele "transformou o Supremo Tribunal Federal num balcão de negócios".

SEM QUERER
Em sua defesa, Amorim sustentou que as afirmações "não representam ofensa à honra e reputação do autor, caracterizando-se como livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação". A juíza Tatiana Dias da Silva, de Brasília, considerou, no entanto, que "a matéria produzida pelo réu não relatou fato verídico, não teve o intuito apenas de informar a coletividade", mas, sim, "teve o escopo de depreciar a imagem do autor, sem qualquer amparo". O advogado de Amorim informa que vai recorrer da decisão.

DESTINO CERTO
A juíza determinou que os R$ 50 mil a serem pagos por Amorim devem ser destinados à Apae de Diamantino (MT), onde Mendes nasceu.

MUNDO DA MODA
"In my Book" (Companhia Editora Nacional), autobiografia da empresária de moda Tamara Mellon, será lançada no Brasil em fevereiro.

CURTO-CIRCUITO
O livro "Memórias de um Caçador", de Ivan Turgueniev, será lançado hoje, às 11h, na Casa do Saber da Mario Ferraz.

O estilista João Pimenta é o novo diretor criativo da marca West Coast.

O Teatro Oficina, no Bexiga, estreia hoje "Cacilda!!!!". 16 anos.

Maria Gal autografa "A Bailarina e a Bolha de Sabão ", hoje, às 13h, no Anhembi.

Betty Gervitz faz show com o grupo Mutrib, amanhã, às 18h, no Sesc Pompeia. Grátis. Livre.

Mantega desautorizado - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 14/12

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) está ligando para líderes no Congresso, avisando que o ministro Guido Mantega não fala pelo governo. Ela tenta contornar o mal-estar gerado por Mantega, ao defender que seja adiada a obrigatoriedade de airbags e freios abs nos carros. “O governo não tem decisão fechada, não bateu o martelo”, disse Gleisi, ontem, ao deputado Hugo Leal (PROS-RJ). 

Esquizofrenia judicial 
Políticos de todos os partidos estão chocados e preveem o caos se o STF proibir o financiamento eleitoral pelas empresas. O cientista político Paulo Kramer resume a perplexidade: “Eles desmontaram o que existe sem dizer o que vai ficar no lugar”. Os políticos afirmam: “O Supremo quer mudar a forma de financiamento sem mudar a forma de disputar eleições”. O custo das campanhas e da propaganda na TV vai continuar crescendo, mas as principais fontes de receita estão sendo colocadas fora da lei. Os especialistas avaliam que a decisão vai estimular o “festival de denuncismo” e o “caixa 2” Em 2010, a campanha da presidente Dilma custou R$ 176 milhões. 


“Às vezes, é preciso uma vanguarda iluminista para empurrar a história. É isso que legitima nosso papel” 
Roberto Barroso 
Ministro do STF, ao votar para proibir que as empresas financiem as campanhas eleitorais 

A dieta do vice 
O vice-presidente Michel Temer aderiu a uma nova dieta: “Não como mais nada que tenha olhos”. Conta que estava almoçando com um amigo que segue a dieta vegana e que, sensibilizado, aderiu à filosofia. 

Café com leite 
O tucano Aécio Neves ainda não definiu quem será o vice na sua chapa à Presidência. Mas relata que “o ex-presidente Fernando Henrique defende que o lugar seja ocupado por um político de São Paulo filiado ao PSDB”. Aécio confirma que o nome é o do senador Aloysio Nunes Ferreira. Para FH, Aécio precisa ter uma base forte no maior colégio eleitoral do país. 

Bico fechado 
Eles estão na mesma cela na Papuda (DF): Valdemar Costa Neto, José Dirceu, Delúbio Soares, Bispo Rodrigues e Jacinto Lamas. A um amigo, Valdemar contou que passa o dia calado. Os presos estão satisfeitos com as instalações. 

Retrabalho 
Na onda da exumação do corpo do ex-presidente João Goulart, a Câmara criou uma comissão para investigar a morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck. Comissão semelhante há 12 anos, em 2001, concluiu: “Não há qualquer indício ou evidência que justifique a tese de assassinato. O acidente que o vitimou restringiu-se a fatalidade”. 

Retrato 
O Vox Populi fechou pesquisa (8 e 9/12) na ilha de São Luís, 22% do eleitorado do Maranhão. O candidato ao governo do PCdoB, Flávio Dino, lidera com 38,5%. Luiz Fernando, candidato da governadora Roseana Sarney (PMDB), tem 28,2%. 

Sucessão potiguar 
Sem disposição para concorrer ao governo do Rio Grande do Norte, o ministro Garibaldi Filho (Previdência) tem atuado pela indicação do ex-senador Fernando Bezerra. O nome agrada ao PT, que indicará Fátima Bezerra ao Senado. 

ABACAXI para o PT descascar: os programas de TV regionais do partido, em fevereiro, no Rio e no Ceará, terão ou não a presidente Dilma?

Au revoir - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 14/12

Dilma Rousseff disse nesta semana ao presidente François Hollande que o Brasil não comprará da França os 36 caças do programa FX-2, da Aeronáutica. O entrave para a aquisição do Rafale, fabricado por um consórico liderado pela francesa Dassault, é o preço: ele custaria o dobro dos concorrentes --o F/A-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, e o sueco Gripen-NG. Na expectativa de selar o negócio, Hollande trouxe o presidente da Dassault, Éric Trappier, em sua visita ao Brasil.

Sinais trocados Surpresos, auxiliares relatam que Dilma deixara no ar que poderia decidir pelos franceses, pois acompanhou Hollande em dois eventos no Brasil, contrariando seu estilo. Mas, nas palavras de um deles, era um "gesto de consolação".

Finesse Apesar do contratempo comercial, Hollande foi cavalheiro com a brasileira: ela tropeçou ao descer uma escada ontem na Fiesp, em São Paulo, e só não caiu porque o francês a amparou.

Titular Desde junho interino, Dyogo Oliveira será efetivado como secretário-executivo do Ministério da Fazenda. A situação provisória do número dois na pasta é considerada um dos fatores de divergências que vieram à tona nas últimas semanas.

Órbita 1 A pedido de Xi Jinping, o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, foi à missa em memória de Nelson Mandela, anteontem, para conversar com o vice-presidente Michel Temer.

Órbita 2 O diplomata disse que a China fará o que for possível para antecipar o lançamento do CBERS-4 como forma de compensar falhas no CBERS-3, satélite sino-brasileiro de observação da Terra.

Tom Peemedebistas criticaram discurso de Ideli Salvatti no jantar com a bancada na residência oficial da Câmara, nesta semana. Eles classificaram a fala da ministra de "arrogante" e dúbia sobre a aliança com o partido.

Por fora Eles relatam ainda que a ministra, no dia do acordo com deputados para votar o Orçamento de 2014, falou que Dilma não aceitaria a negociação, enquanto Gleisi Hoffmann (Casa Civil) já havia confirmado para Temer e Henrique Eduardo Alves que o governo topava.

Modo Lula Além de fazer um discurso em tom popular em evento do governo ontem, em São Bernardo do Campo, Dilma recebeu em uma sala reservada representantes de ao menos dez sindicatos. Posou para fotos e abraçou costureiras e seguranças.

Vai que é sua Segundo organizadores do evento, Lula também discursaria no palanque, logo antes da presidente, mas desistiu para que Dilma fosse a protagonista.

Faltou Geraldo Alckmin (PSDB) só avisou na quinta-feira à noite que não participaria da inauguração do Hospital das Clínicas na cidade do ABC ao lado da presidente e de Alexandre Padilha (Saúde), seu adversário na eleição do ano que vem. O governo paulista deu R$ 40 milhões dos R$ 240 milhões da obra.

Trator Aécio Neves participou de café da manhã com representantes do agronegócio ontem, em São Paulo. O presidenciável tucano ouviu queixas sobre o "aparelhamento" do Ministério da Agricultura, comandado pelo peemedebista mineiro Antonio Andrade. A reclamação já havia sido endereçada a Eduardo Campos (PSB).

Duas canoas Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura de Lula que promoveu o encontro de Campos com os ruralistas, também esteve no ato do setor com Aécio. Compareceu ainda João Sampaio Filho, ex-secretário da área no governo de José Serra e atual vice-presidente da Mafrig.

Reduto Pernambuco é o único Estado do Nordeste em que a avaliação de Dilma está abaixo da do governador na pesquisa CNI/Ibope. A gestão de Campos é considerada ótima ou boa por 58% dos eleitores, contra 45% de aprovação do governo federal.

tiroteio
"Se alguém no governo discorda de mim, deveria sair do anonimato, e não tentar colocar palavras na boca da presidente."
DO MINISTRO GUIDO MANTEGA (FAZENDA) sobre a reação negativa de setores do governo a sua declaração sobre a economia estar com "pernas mancas".

contraponto


O rei do camarote
Na terça-feira, o ministro José Eduardo Cardozo participou da confraternização de fim de ano dos funcionários do Ministério da Justiça no Loca como Tu Madre, restaurante em Brasília.

Questionado pelos servidores e pelos garçons se gostaria de provar o "drink que pisca", uma novidade do cardápio cuja receita incluía vodka e sucos de ameixa e pêssego, o auxiliar de Dilma Rousseff foi precavido:

--Não, obrigado, estou tomando antibióticos.

Frente e verso - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 14/12

O discurso de Dilma Rousseff, Lula e de Rui Falcão no Congresso do PT deixou em muitos a impressão de que o plano petista para 2014 é sufocar os aliados. A sensação entre os partidos engajados no projeto de reeleger Dilma, em especial no PMDB, é a de que, enquanto os peemedebistas reclamam por espaço no governo, o PT vai fechando o tabuleiro com as peças estreladas.

Duas reuniões prévias aos discursos serviram para espalhar esse temor entre os partidos. A primeira delas foi a que lançou José Nobre Guimarães (PT-CE) candidato ao Senado. A outra foi a dos petistas do Rio Grande do Norte, que colocou a deputada Fátima Bezerra, do PT, candidata a senadora. Isso somado ao desejo de tomar São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro mencionado por Lula, não deixou dúvidas: vem aí a busca da hegemonia propalada nos discursos que, de público, exaltam os aliados.

Objetivo final

O plano do PT potiguar ao pedir o Senado é atrair Henrique Eduardo Alves a uma candidatura de governador. Assim, ele teria que desistir de mais um mandato a presidente da Câmara, abrindo aos petistas a possibilidade de, se eleger a maior bancada no ano que vem, reivindicar o comando da Casa. Com Henrique Alves por ali, essa operação é considerada mais difícil.

Pressão total


O alto comando do PT de Minas Gerais baixou em peso na presidência da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para um jantar com o senador Clésio Andrade na noite de terça-feira. Buscavam o apoio do peemedebista para a candidatura de Fernando Pimentel ao governo estadual. Como bom mineiro, Clésio não fechou a porta, mas disse que a prioridade do PMDB é lançar um candidato próprio.

Guerrilha na ANP I

A direção da Agencia Nacional do Petróleo (ANP) abriu processo disciplinar contra o diretor da Associação dos Servidores da instituição, Kerick Robery Leite de Souza. Tudo porque, em emails a colegas, ele sugere que a associação recorra a lei de acesso à informação para obter detalhes a respeito da motivação das viagens de servidores custeadas pela agência. Essa informação
hoje não aparece nos boletins de pessoal.

Guerrilha na ANP II

O clima entre a associação e a direção da agência está quente. Advogados que tiveram acesso ao processo em Brasília suspeitam de quebra de sigilo irregular de emails do diretor da associação. A comissão que conduz o processo contra os servidores e a mesma que, no passado, retirou o auditório da associação, impediu o uso do email funcional e ainda recomendou que se retirasse a sala usada pelos associados.

Stand up comedy/ Lula foi quem mais divertiu os antecessores e a sucessora Dilma Rousseff na viagem dos cinco presidentes para os funerais de Nelson Mandela. Foi uma série de piadas como há muito tempo os demais não ouviam.

Ruralistas repaginados/ A Frente Parlamentar de Agricultura pretende mudar seu foco no ano que vem. Em vez de falar para o setor produtivo, a ideia é direcionar o discurso para a sociedade de uma formal geral, na linha “nós alimentamos o Brasil”.

Guerra judicial/ O PSDB paulista abrirá guerra contra o PT do prefeito da capital, Fernando Haddad (foto), para barrar o aumento do IPTU. O presidente do diretório estadual tucano, deputado Duarte Nogueira, levará o caso até o Supremo, se for preciso. Internamente, há quem diga que, enquanto esse tema estiver na mídia, melhor será para o PSDB, que hoje tem mais base no interior do que na capital.

Por falar em PSDB.../ O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aproveita as quintas-feiras para reforçar sua boa imagem no interior do estado. Essa semana, por exemplo, entregou ambulâncias em diversos municípios. Repete assim, em escala estadual, o que a petista Dilma faz pelo país com a entrega das retroescavadeiras.

A cavalgadura rampante e a inflação do airbag - ROLF KUNTZ

O Estado de S.Paulo - 14/12

Acavalgadura de vinte e oito patas, figura definitiva e definidora criada por Nelson Rodrigues, salta da memória e exibe-se gloriosa e rampante quando se ouve uma fala sobre as patas mancas da economia. Em seguida, apruma-se e galopa, estrepitosa, quando o discurso resvala para a teoria da inflação do airbag e do freio ABS. A alguns a evocação da imagem rodriguiana parecerá estranha. A outros, luminosa. Não vale a pena tentar explicá-la, justificá-la ou associá-la a qualquer figura do mundo real. Cada qual a entenderá à sua maneira. Muito mais difícil é traduzir e dar expressão racional ao discurso econômico do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e às orientações de sua chefe, a presidente Dilma Rousseff.

O primeiro mistério, a história das pernas mancas, foi decifrado facilmente. Incapaz de aprender com os próprios erros, o ministro da Fazenda continua apostando no estímulo ao consumo para dinamizar a economia brasileira. Três anos de fracasso dessa política parecem não ter produzido nenhum ensinamento. Além disso, ele insiste em atribuir a inflação a choques internacionais de oferta. Mas as cotações já se acomodaram e a alta de preços persiste no mercado interno. Enfim, o ministro combina a imaginária escassez de consumo com a crise externa para explicar por que a produção do País cresce menos do que poderia. Em sua cabeça, o potencial brasileiro de crescimento parece bem maior do que o estimado por economistas nacionais e de fora.

O segundo mistério é mais complicado, porque envolve uma estranha teoria da inflação. Segundo o ministro, a inclusão obrigatória de airbags duplos e freios ABS nos carros novos, em 2014, deverá elevar os custos e produzir efeitos inflacionários. Por isso o governo decidiu repensar o assunto, segundo informou na quinta-feira. A questão foi discutida horas depois em programa de entrevistas na Globo News. Um professor de Engenharia criticou a hesitação do ministro e insistiu na prioridade à segurança. Um economista especializado em indústria automobilística estimou rapidamente o efeito do aumento de custo no índice de inflação. O impacto, segundo sua conta, seria minúsculo, algo da ordem de 0,1% em um ano.

Os dois argumentos são respeitáveis, mas deixam de lado pelo menos três questões especialmente relevantes. Em primeiro lugar, o custo de produção de um setor pode aumentar sem se converter, necessariamente, em nova pressão inflacionária. Se alegações como a do ministro fossem levadas a sério, carruagem e bonde puxado a burro ainda seriam as formas principais de transporte urbano. Que governo teria apoiado a indústria aeronáutica nascente, ou investido na substituição de velhas e baratas latrinas por sistemas complexos e caros de saneamento?

Elevações de custo podem, sim, ter consequências inflacionárias, mas isso depende de condições favoráveis ao repasse e à difusão dos aumentos de preços. Além do mais, o custo adicional gerado por melhoras tecnológicas tende a ser absorvido e diluído quando há suficiente concorrência.

Isso remete à questão seguinte. Além de beneficiada em vários momentos por incentivos fiscais generosos, a indústria automobilística tem sido pouco pressionada, de modo geral, pela concorrência estrangeira. Essa é uma das explicações do baixo padrão de segurança apontado por especialistas internacionais, quando examinam os carros produzidos no Brasil. Se os fabricantes puderem manter alguns modelos sem os airbags duplos e os freios ABS por mais algum tempo, serão os principais beneficiários da decisão oficial. A alegada vantagem para os consumidores - o preço sem aumento - será infinitamente menor que a desvantagem de continuar sem condições razoáveis de segurança.

A real preocupação do ministro, quando fala sobre a alta de preços, é a próxima interrogação, mas esse ponto é muito menos complicado. Ele continua, tudo indica, mais empenhado em administrar os indicadores do que em combater a inflação.

Não se diferencia, quanto a esse ponto, de sua chefe. Ela pode tê-lo censurado pela declaração perigosa, ou, no mínimo, precipitada, sobre os airbags e os freios ABS. Também o censurou, segundo informaram os grandes jornais, pela referência às duas pernas mancas da economia.

Declarações impensadas podem prejudicar a imagem do governo, dificultar a recuperação de credibilidade e aumentar o risco de rebaixamento da nota de crédito do País. Mas os dois, a presidente e o ministro, continuam demonstrando muito mais preocupação com os problemas de imagem do que com os fundamentos da economia. Isso inclui, para começar, as contas públicas e as pressões inflacionárias.

Qual o superávit primário para garantir em 2014 o pagamento de uma fatia razoável dos juros e pelo menos a estabilização da dívida? Bastaria o equivalente a 1,8% do produto interno bruto (PIB), segundo alguns analistas. Outros poderiam recomendar um alvo mais ambicioso. Mas a presidente, informa-se em Brasília, cobra da equipe econômica um objetivo realizável sem muita complicação e, portanto, sem risco de tropeço. Qual será a meta exequível num ano de eleição e, portanto, de muita pressão para gastança, concessão de benefícios fiscais e muito favor a governadores aliados?

Quanto à inflação, o ministro da Fazenda tem apontado como grande vitória uma taxa de 5,77% acumulada nos 12 meses até novembro, menor, portanto, que a de janeiro a dezembro do ano passado, 5,84%. Em outras palavras, qualquer resultado até 5,83% será apontado como um sinal de estabilização dos preços. Será uma avaliação compatível com a tese da inflação do airbag e com a imagem das patas mancas.

Bali não era Doha - KÁTIA ABREU

FOLHA DE SP - 14/12

Estamos longe do final, mas a rodada do desenvolvimento e da agricultura ganhou alento


Três meses atrás, quando eram retomados os trabalhos da OMC (Organização Mundial do Comércio) após a chegada do novo diretor-geral, Roberto Azevêdo, prevalecia o sentimento de que se caminhava para um fracasso em Bali.

A situação da economia mundial seguia preocupante, e os sinais eram de recuperação lenta e incerta nas economias desenvolvidas em 2014 e de queda nas taxas de crescimento dos emergentes.

O comércio mundial acusava o impacto da crise, e a economia chinesa desacelerava e indicava o fim do superciclo das matérias-primas. Nas salas da OMC, a desmobilização era geral.

Foi nesse ambiente que Azevêdo desencadeou uma operação para salvar Bali. O objetivo era fechar um pacote e recuperar a credibilidade da OMC como foro de negocia- ção e guardiã de normas gerais importantes.

Nesse cenário, a única forma de fechar um acordo era trabalhar sobre temas maduros e com alcance limitado. Temas centrais da Rodada Doha, como liberalização do comércio agrícola, com redução de barreiras e cortes de subsídios domésticos e à exportação, que requeriam maior esforço dos países desenvolvidos, ficaram fora da pauta.

A redução das barreiras na área de produtos industriais, em que países em desenvolvimento teriam de contribuir mais, também foram deixados para depois. Tudo em nome do acordo possível, que abrisse caminho para discutir a agenda central de Doha.

Bali não era Doha. Não se pode avaliar Bali sem ter presente essas condicionantes. À luz delas, o pacote acordado foi positivo e equilibrado. Olhemos rapidamente os temas mais relevantes para o Brasil e o agronegócio.

A facilitação de comércio reduzirá os custos das transações, simplificando procedimentos burocráticos e tornando-os mais transparentes. Como os procedimentos na fronteira são em geral menos eficientes nos países em desenvolvimento, o acordo poderá facilitar essas exportações inclusive para os países vizinhos.

E também ajudará as exporta- ções do agronegócio, pois se aplica a todos os produtos e tem dispositivos especiais para os agrícolas e perecíveis.

Na área agrícola, o acordo sobre administração de cotas tarifárias cria melhores condições para o aproveitamento integral das quotas pelos exportadores. Exemplo importante de nossas dificuldades nessa área é a cota Hilton de carne bovi- na na UE, frequentemente não preenchida.

Nos subsídios destinados à formação de estoques públicos para fazer frente a problemas de segurança alimentar em países em desenvolvimento, que quase romperam o acordo de Bali, há uma legítima preocupação dos exportadores com o possível desvio de tais estoques para exportações e seu impacto nos preços.

Mas o acordo provisório fechado em Bali contém uma cláusula que dispõe que tais estoques não deverão distorcer o comércio. Além disso, as detalhadas informações a serem prestadas pelos países que usarem esse acordo permitirão acompanhar o volume e utilização dos recursos e o destino dos estoques.

O governo brasileiro e o setor exportador devem acompanhar esse tema com atenção para evitar que o acordo seja desvirtuado e garantir que um texto definitivo cubra plenamente nossas preocupações.

Outro grande resultado de Bali foi recuperar a credibilidade da OMC e voltar a colocar a agenda de Doha na mesa de negociação. Para um país como o Brasil, que representa apenas 1,5% do comércio mundial, a OMC é fundamental.

Em 2014 será preparado um programa de trabalho sobre os temas remanescentes da Rodada e novas questões, como proteção dos investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual, poderão ser incluídas.

Igualmente significativo foi o fato de que todos os países, inclusive os que estão engajados na negociação de grandes acordos plurilaterais, esforçaram-se para que um acordo fosse construído, incluindo um renovado compromisso com a Rodada Doha.

Estamos longe do final, mas a rodada do desenvolvimento e da agricultura ganhou novo alento. Foi uma demonstração de que os membros da OMC valorizam o sistema multilateral de comércio, não como o único foro negociador, mas como um foro relevante.

Melhorou, até quando? - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 14/12

A coluna de hoje comenta dois assuntos. O primeiro deles é o desempenho da economia em outubro, tal como apontado pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o (IBC-Br). O segundo é a proposta do governo de adiar por mais dois anos a entrada em vigor das medidas de segurança nos veículos.

O IBC-Br, medido pelo Banco Central, pretende ser um indicador do comportamento da atividade econômica. Passou a ser calculado em 2010 com o objetivo de antecipar o desempenho do PIB, que é divulgado trimestralmente e, em geral, leva quatro meses depois de terminado o trimestre para vir a público. O PIB de 2013, por exemplo, só deve ser conhecido em abril 2014 e, ainda assim, sujeito a correções.

Até há alguns meses, o Banco Central teve dificuldade para calibrar a metodologia dessas Contas Nacionais com as usadas pelo IBGE, o organismo oficial que mede o PIB. Agora, o IBC-Br parece mais confiável.

Os resultados de outubro foram melhores do que o esperado. Apontaram, em relação ao mês anterior, avanço da renda nacional de 0,77%. Mas não dá para estender esse ritmo para os meses seguintes, porque o comportamento da economia é feito de muito sobe e desce, como dentadura de jacaré.

Ainda não dá para dizer que o setor produtivo brasileiro tenha iniciado uma trajetória constante e sustentável. Ao contrário do que aconteceu nas viradas de anos anteriores, quando apostava sempre em crescimento entre 3,5% e 4,5%, desta vez, o governo está mais cauteloso. O ministro Mantega, por exemplo, afirma que, para 2014, espera um crescimento do PIB apenas um pouco mais alto do que o deste ano que, por sua vez, deverá ficar por volta dos 2,2%.

Não tem justificativa o provável adiamento para 2016 da entrada em vigor das novas normas de segurança que exigem freios ABS e airbags para os veículos fabricados no Brasil.

Hoje, os veículos que saem das fábricas sem esses equipamentos são a Kombi, Gol G4, Fiesta Rocam, Ford Ka, Clio, Celta e Uno Mille. Alguns desses modelos não comportam esses itens de segurança e sua produção tem de ser suspensa. Pressionado pelos sindicatos, que temem demissão de pessoal com a paralisação de algumas linhas de produção, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu o adiamento.

A alegação de desemprego é incompreensível, especialmente num momento de pleno-emprego. Se ficou inevitável impor mais segurança, foi porque esses veículos foram considerados perigosos. Trocar questões de segurança por supostos problemas de emprego, não é só insensatez; é troca equivocada. O desemprego que eventualmente pudesse ser evitado nas montadoras passaria a ser produzido na indústria de autopeças, que se preparou para fornecer esses equipamentos e contratou gente para dar conta das encomendas.

Além disso, por serem tecnologicamente desatualizados, esses veículos mais perigosos são também mais baratos. Ou seja, essa decisão empurraria mais riscos para o consumidor de mais baixa renda.

Dilma tomou partido - MÍRIAM LEITÃO

O GLOBO - 14/12

Quando a presidente da República participa de um evento em que se acusa a cúpula do Judiciário de manipulação, e de ter realizado um julgamento de exceção, está enfraquecendo a democracia brasileira. Foi o que a presidente Dilma fez. O que ela não disse explicitamente, o ex-presidente Lula o fez. O que ela demonstrou no 5º Congresso do PT, por ação ou omissão, é grave.

Dilma sabia o que seria a abertura do 5º Congresso do seu partido. Sabia que lá defenderiam os condenados do mensalão. Ao mesmo tempo, como chefe do Poder Executivo, ela não pode participar de um ato em que a Justiça brasileira está sob ataque. O Supremo tribunal Federal cumpriu todo o devido processo legal. Dilma consentiu - pelo silêncio e pela presença - com as acusações ao Tribunal. Ela é militante do PT e é a candidata. A situação era delicada, mas ela só poderia participar de um evento sóbrio em que não ocorresse o que ocorreu.

O presidente Lula, como é de seu feitio, fez o que disse que não faria e acusou o julgamento de ter sido resultado da maior campanha de difamação . Dilma pensa que se protegeu atrás de afirmações indiretas como a de que os petistas têm couro duro ou o partido está em momentos difíceis . Pensava que ficara em cima do muro, mas estava tomando partido.

A chefe do executivo de um governo democrático só pode ir para uma reunião de correligionários em que o Poder Judiciário é atacado se for para defendê-lo. Seu silêncio a coloca do lado dos que acusaram o processo de ser de exceção. Ela sabe bem a diferença.

Seus amigos e companheiros José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e aliados de outros partidos foram investigados pelo Ministério Público e denunciados. O STF aceitou a denúncia e em sete anos de tramitação do processo deu amplo direito de defesa aos réus e analisa os recursos. Os juízes foram em sua maioria escolhidos por ela ou por seu antecessor. Houve troca de juízes mas não de juízo da maior corte do país. Eles foram considerados culpados.

O julgamento foi feito com base nas leis e na Constituição. Os militantes podem gritar qualquer coisa, mas o grave é a presidente estar ali, consentir pelo silêncio ou por menções indiretas para serem interpretadas pelos militantes como concordância. Enquanto exercer o mandato ela não é apenas a Dilma, ela representa o Poder Executivo.

Dilma pode sentir solidariedade pelos companheiros. É natural. Mas não pode aquiescer, por silêncio ou meias palavras, com os que acusam a Justiça do governo democrático. Ela estar nesse desagravo é um ato com significado institucional.

A democracia passou por várias rupturas ao longo da história republicana. É conquista recente e que pertence ao povo brasileiro. Não pode ser ameaçada por atitudes que solapem a confiança nas instituições, e por interpretações diante das quais a presidente se cala e, portanto, consente.

Dilma tentou manter uma posição ambígua até agora. Mas aquele era um local em que a militância gritaria as palavras de ordem oficiais do partido. Rui Falcão, presidente do PT, disse que os mensaleiros foram condenados sem provas num processo nitidamente político .

O nada a dizer diante disso, por parte da presidente, diz muito. O Supremo tribunal Federal se debruçou com abundância de tempo sobre as provas, julgou e condenou. Dilma pode não ter gostado do resultado, pode discordar das penas pessoalmente, mas enquanto exercer o cargo não existe o pessoalmente em assuntos institucionais. Militantes podem atacar o Supremo. Mas a presidente da República, não. Sua presença naquele ato é lamentável e enfraquece a democracia.

Não estrague a festa, estúpido! - DEMÉTRIO MAGNOLI

FOLHA DE SP - 14/12

A convocação à unidade já foi integrada ao discurso da publicidade no país da Copa. Será repetida à exaustão


O país da Copa é grande e bobo. "Esta será a Copa das Copas", disse a presidente, de boca cheia, na cerimônia de sorteio dos grupos. No país dela, que é o nosso, ninguém circula nas cidades travadas, nas estradas paralisadas, nos aeroportos congestionados --mas 12 arenas superfaturadas, em recordistas 12 sedes, receberão a mais cara das Copas. Do enclave do Sauípe, uma bolha segura, esparramou-se pelo mundo a linguagem do verde-amarelismo balofo. No país da Copa, um governo "popular" e "de esquerda" reverbera, tanto tempo depois, as frases e os tiques do general-presidente que gostava de futebol. Há um cheiro de queimado no ar.

"O Brasil está muito feliz em receber todos nesta Copa porque somos um povo alegre e acolhedor." Violência é a palavra da hora --e ela surge em curiosas associações com a "Copa das Copas". A barbárie das torcidas do Atlético Paranaense e do Vasco não foi deplorada por seus significados intrínsecos, mas pelas mensagens que supostamente envia ao mundo. Gaiatos da política, do marketing e do colunismo ensaiaram uma sentença que menciona a violência "dentro e fora dos estádios". É senha, com endereço certo: no saco fundo, cabem tanto os torcedores selvagens e os sumidos black blocs quanto manifestantes pacíficos mas indignados com a "Copa das Copas". O pau vai comer.

"Não repara a bagunça" --o dístico popular nacional, candidato eterno, e perfeito, a substituir o "Ordem e Progresso" no núcleo de nossa bandeira, trai o medo da vergonha. Joseph Blatter entendeu e traduziu, chamando-nos a congelar a indignação, sublimar as insatisfações, colocar entre parêntesis as divisões. A unidade em torno de um bem maior, que é a imagem do país diante do planeta que nos vê: eis a gramática do discurso político sugerida pelo chefão da potência ocupante. No país da Copa, a convocação à unidade já foi integrada ao discurso da publicidade. Será repetida à exaustão, como uma ladainha, até o apito final. Não estrague a festa, estúpido!

"Será uma Copa para ninguém esquecer", jactou-se a presidente, formulando uma ameaça involuntária. A partir do Gabinete de Segurança Institucional, estrutura-se uma operação de guerra que abrange as três forças em armas e um desdobrado aparato cibernético. Nas telas dos computadores do sistema de vigilância, cada arena figura como ponto focal de um envelope tridimensional de segurança. Nas ruas, o controle físico do perímetro das arenas, a cargo das PMs, terá a missão de proteger as marcas dos patrocinadores oficiais da ameaça simbólica representada pela presença de manifestantes. Jamais, em tempo algum, o Estado serviu tão direta e exclusivamente a interesses privados. Não: ninguém esquecerá.

O país da Copa não se respeita. Ontem, o partido do governo celebrou políticos condenados por corrupção --e, sob o silêncio cúmplice do presidente de facto e da presidente de direito, achincalhou um STF composto por juízes que eles mesmos indicaram. O país da Copa perdeu o autorrespeito. Os líderes governistas manobram para o Congresso não ouvir um ex-secretário nacional de Justiça que acusa o governo ao qual serviu de operar uma fábrica de dossiês contra adversários políticos. O país da Copa perdeu o respeito. As lideranças do PSDB preferem empregar táticas diversionistas vexatórias a colher assinaturas para uma CPI destinada a investigar todos os contratos estaduais e federais firmados com a Siemens. Yes, nós gostamos de futebol.

No vale-tudo da nova ordem do racialismo, perdemos, ademais, um senso básico de decoro: eu li --aqui mesmo, não nas catacumbas da internet!-- que Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert formaram "um casal mais parecido com representantes de afrikâners". Cores, rancores. No país da Copa, nativos felizes, contentes, de bunda de fora, tocavam caxirola. Foi bonita a festa, pá --pena que nem começou.

Caindo pelas tabelas - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 14/12

O Brasil também não tem tido boas notícias com relação às suas universidades. Recentemente, deixou de ter representante entre as 200 melhores no Ranking Mundial de Universidades 2013-2014, divulgado pela consultoria britânica Times Higher Education (THE). Em 2012, a USP figurava como a única brasileira, na 158ª posição, mas este ano caiu para a 226ª colocação.

Além disso, há apenas quatro universidades brasileiras entre as cem melhores dos principais países emergentes, classificação feita pela primeira vez pela mesma THE. As quatro brasileiras citadas são a USP, que ficou em 11º lugar; Unicamp, em 24º lugar; UFRJ, em 60º; e Unesp, em 87º. A China lidera a classificação com 23 universidades na lista - quatro delas entre as dez melhores.

Para o sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), a política de ensino superior do governo federal tem se concentrado no acesso, sem se preocupar com a qualidade e sem admitir que diferentes instituições podem ter papéis distintos - umas dando cursos de qualidade adequada para grandes números, outras trabalhando na ponta da excelência. Segundo ele, a China, como também a Índia e a Coreia, da mesma maneira que a Alemanha e outros países europeus, decidiu identificar suas melhores instituições e investir nelas para as transformar em instituições de padrão internacional. Isso é feito não somente colocando mais recursos, mas exigindo que elas mostrem padrões elevados de desempenho em ensino e pesquisa.

Para tal, precisam ter autonomia e flexibilidade para administrar recursos e, sobretudo, para ter políticas de gestão de talento, o que significa buscar ativamente, em todo o mundo, pessoas de alta competência e pagar o que se paga a essas pessoas no mercado internacional, ou pelo menos acima do que pagaria o mercado privado em seu país.

Schwartzman lembra que, no Brasil, essa flexibilidade tem sido impossível, porque nossas universidades são repartições públicas geridas burocraticamente e submetidas a políticas de salários isonômicos . Além disso, as universidades estão submetidas a pressões populistas como as de eleições diretas etc., que são incompatíveis como uma gestão mais forte e voltada para o desempenho e a excelência , ressalva. Como o setor público não conseguiu crescer nesse modelo, o privado ocupou o espaço e hoje atende a mais de 70% das matrículas, dando uma educação de qualidade precária , lamenta Schwartzman.

Para Arnaldo Niskier, ex-secretário de Educação no Rio, não há muito o que comemorar no ensino superior: Já deveríamos estar com dez milhões de alunos, mas não chegamos ainda a sete, mesmo contando com um milhão de inscritos na promissora educação à distância . Para ele, é mais que evidente o envelhecimento do nosso modelo educacional. Currículos ultrapassados, professores despreparados, recursos insuficientes, falta de vontade política nesse setor estrategicamente fundamental para o crescimento do país .

Mozart Ramos Neves, do Instituto Ayrton Senna, acha que uma das razões da queda de nossas universidades é o baixo nível de internacionalização , que teria de ser ampliada aumentando a dupla titulação no seu cotidiano e a mobilidade acadêmica de professores e alunos. Nossos currículos são muito verticalizados e burocratizados, o que impede muitas vezes a dupla titulação e o reconhecimento de estudos fora do país. Nossos alunos e professores têm baixa capacidade para se comunicarem em inglês, seria necessário oferecer disciplinas bilíngues .

Ele acha que o programa Ciência sem Fronteiras é importante iniciativa no campo da internacionalização, mas é preciso ter um planejamento na volta de nossos alunos, ou seja, de como vamos aproveitá-los estrategicamente para o desenvolvimento do país . Mozart lembra que atualmente, nos Estados Unidos, há cem mil chineses estudando nas melhores universidades e já sabem o que vão fazer no retorno ao país. Nós temos apenas nove mil brasileiros. Seria estratégico para nossas universidades abrir escritórios em locais de desenvolvimento em C&T e Inovação, como nas regiões de Harvard e Stanford , o que ele chama de ter antenas para o futuro . As universidades precisariam também se submeter às avaliações internacionais.

Ele lembra que a Universidade Federal de Pernambuco fez isso há 15 anos, ao ser avaliada pela Associação de Reitores da Europa e pela Middle States Association - USA, e assim conseguiu chegar entre as dez melhores universidades do Brasil - a única do Norte/Nordeste. (Amanhã, mais sugestões)

A culpa é sua - RENATO FERRAZ

CORREIO BRAZILIENSE - 14/12
Temos as polícias mais bem pagas e equipadas do país. Elas também contam com o maior contingente proporcional à quantidade de habitantes. Mas nada disso tem garantido a tranquilidade do brasiliense. E, em vez de cobrar maior eficácia por parte dos militares e agentes, aqueles que deveriam cuidar da segurança pública da capital tentam imputar à população a culpa pelo aumento nos índices de criminalidade.
 A mais recente medida para diminuir a violência veio por meio de uma decisão unilateral da Coordenadoria de Cidades da Casa Civil do GDF. Sem consultar a comunidade, alguém mandou reduzir o horário de funcionamento dos bares e restaurantes do Sudoeste e da Octogonal.

 Ordens iguais foram adotadas em outras oito regiões administrativas, somente neste governo. Em meus quase 15 anos de Brasília, vi criarem e sumirem com a tal lei seca em outras gestões. Os resultados ninguém nunca apresentou. Mas, sejam quais forem, nenhum me convenceria da real necessidade da legislação arbitrária. 

Não faço apologia às drogas vendidas em bares e restaurantes por meio de garrafas e latinhas. Abandonei tal vício há uns 10 anos, mesmo tendo o chope gelado como um dos meus grandes prazeres. Culpa de gastrite crônica. 

Sei perfeitamente da relação álcool-violência. Mas, como o álcool é uma droga legalizada, não podemos restringir o consumo simplesmente limitando a venda nos estabelecimentos. Não se pode punir consumidores e empresários, pagadores dos seus tributos. Eles, como todos os cidadãos brasilienses, pagam impostos também para poder se divertir e lucrar. 

Mas, como no caso dos sequestros relâmpagos, que nos impedem de namorar embaixo do bloco e nos fazem entrar mais rápido em casa e até dirigir alguns metros sem o obrigatório cinto de segurança, os ditos especialistas da área de segurança do GDF preferem se apegar aos números de crimes na madrugada, cometidos por pessoas alcoolizadas, a fazer policiais militares e civis cumprirem seus papéis constitucionais, de proteger quem é de bem, tirando das ruas quem é do mal. 

Vai ver é mais fácil mandar um cliente embora do bar mais cedo do que mandar um PM para a rua. Ou acabar com a diversão de quem paga os salários e equipamentos do pessoal da Segurança Pública a terminar com Operação Tartaruga dos policiais militares.

Acessibilidade e cidadania - MARCO AURÉLIO MELLO

O GLOBO - 14/12

As políticas públicas devem ser direcionadas ao bem-estar dos cidadãos em geral, mas, entre o formal e a realidade, o Estado fica a dever. Isso é sentido de modo mais acentuado pelos detentores de necessidades especiais. Ruas, prédios e veículos de transporte coletivo longe estão da concretude prevista na Carta Federal, que, em dois artigos, impõe medidas visando à adaptação - 227, parágrafo 2º, e 224. Esse verdadeiro descaso não pode continuar, valendo lembrar que a Convenção Internacional Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências passou a compor a ordem jurídica brasileira com força constitucional, não bastassem as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais terem aplicação imediata.

A gestão pública há de ser implementada no interesse da sociedade. Inconcebível é a ausência de tomada de providências que acaba por menosprezar direito público subjetivo, desrespeitando a cidadania. Os portadores de necessidades especiais têm o direito de ver facilitado o acesso a hospitais, escolas, bibliotecas, museus, estádios, em suma, edifícios de uso público e áreas destinadas ao uso comum do povo. Descabe a visão míope a ponto de tratá-los como cidadãos de segunda classe, ferindo de morte o direito à igualdade e à cidadania. A matéria não se sujeita ao poder discricionário ou à existência de recursos financeiros. Ao administrador não é permitido escolher qual preceito constitucional deseja observar. Sob o ângulo dos recursos, o argumento da deficiência é desmentido pela gravosa carga tributária suportada pelos contribuintes. A incoerência desse argumento é gritante no que não faltam verbas, por exemplo, para a publicidade voltada, quase sempre, não à educação, à informação ou orientação social, mas à promoção pessoal, aplainando campo à reeleição.

Ante a conjuntura atual, sob todos os títulos condenável, marcante se mostrou recente julgamento. O Supremo tribunal Federal, ao defrontar-se com controvérsia sobre política pública ligada ao tema - adaptação de escola pública para o acesso por todos, inclusive pelos portadores das chamadas necessidades especiais -, deu provimento a recurso do Ministério Público e, sem qualquer voto contrário, proclamou a omissão do Estado, compelindo-o, sob pena de incidência das sanções legais, a proceder às obras necessárias. Assim o fez como guarda maior do texto constitucional, não deixando de levar em conta a independência e a harmonia dos poderes, presente o fato de a prestação positiva estar assegurada em lei. Em síntese, decidiu à luz do controle jurisdicional das políticas públicas, de importância ímpar para a concretização da Carta da República, em virtude do conteúdo dirigente.

Que oxalá esse precedente, formalizado no Recurso Extraordinário nº 440.028, interposto em processo revelador de ação civil pública, sirva de alerta aos administradores como um todo, implicando atenção maior para o fundamento da República que é a dignidade da pessoa humana, sendo alcançado objetivo fundamental - uma sociedade livre, justa e solidária -, afastada a marginalização.

Exercícios de memória - ALBERTO DINES

GAZETA DO POVO - PR - 14/12

Também ocorreu numa aziaga sexta-feira, 13 de dezembro: ontem, nos 45 anos da promulgação do Ato Institucional n.º 5, poucos lembraram o seu significado. Parecia mais uma data do monótono livro das efemérides completamente liberada da carga de terror que espalhou pelo país ao longo dos 17 anos seguintes.

Graças ao blog Última Instância, as ameaças de amnésia e acomodação não se consumaram e ficamos sabendo que o AI-5 vinha sendo formalmente discutido desde julho de 1968 no Conselho de Segurança Nacional, opondo o então general-presidente Costa e Silva ao chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), general Garrastazu Médici. Apoiavam o imediato endurecimento do regime os três ministros militares, o ministro da Justiça, Gama e Silva, e o da Fazenda, Delfim Netto.

Esse “núcleo duro” via com preocupação a onda crescente de manifestações de rua contra o regime militar inspiradas no figurino francês de Maio de 1968. Temiam, sobretudo, que a Frente Ampla – a surpreendente coligação articulada dois anos antes por Carlos Lacerda, com o apoio dos seus ex-inimigos Juscelino Kubitschek e João Goulart – conseguisse uma base de apoio popular capaz de torná-la politicamente imbatível.

Desgasta-se assim a versão tradicional de que o AI-5 foi uma reação da ditadura à recusa do Congresso em processar o deputado Márcio Moreira Alves pelo discurso antimilitar na véspera do Sete de Setembro. Tanto o discurso como a resistência parlamentar foram meros pretextos. O “golpe dentro do golpe” vinha sendo pacientemente elaborado porque a comunidade de informações, mancomunada com os órgãos de repressão, carecia de um instrumento legal para começar a agir contra a “conspiração comunista”.

O fim do habeas-corpus, o fechamento do Congresso e a implantação formal da censura aos órgãos de comunicação constituíam o armamento básico do arsenal militar. Costa e Silva resistia não porque fosse um convicto democrata, mas porque era um pragmático e, além disso, adepto das doutrinas de “cordialidade” e aparências. Ao opor-se à censura, disse, nas reuniões do Conselho de Segurança, que não se importava que alguns dos ministros continuassem influenciando a direção das empresas jornalísticas em defesa do regime – Delfim Netto era um dos mais ativos e bem-sucedidos –, mas ele não implantaria a censura.

O general-inquisidor ganhou duas vezes: além de vencer a disputa com o general-presidente, ficou com o seu cargo quando, em 1969, Médici substituiu a Junta Militar que assumiu o comando do país após Costa e Silva ser vitimado por uma hemorragia cerebral. Como prêmio pela autoria da mais abjeta legislação que o país já teve, Gama e Silva foi escolhido por Médici para sucedê-lo em 1973. Os irmãos Geisel (Orlando e Ernesto) não deixaram. O outro pai do AI-5, Delfim Netto, continua o seu pontificado a favor do Estado forte, agora incensado por setores de esquerda.

O AI-5 não foi uma ópera-bufa representada nos quartéis. Foi uma tragédia que precisa ser escancarada. Porque em breve, 31 de março de 2014, teremos outra efeméride a lamentar: os 50 anos do golpe militar – quando começou o pesadelo.

Políticos no sal - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 14/12

BRASÍLIA - Apenas 3 dos 27 governadores no Brasil têm uma avaliação positiva acima de 50% para suas administrações. Esse é o dado mais eloquente na pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem. Dito de outra forma: 24 governadores estão com nota vermelha, reprovados.

Nunca o Brasil teve uma avaliação simultânea de seus 27 governadores numa mesma pesquisa. Por essa razão, é impossível dizer se a situação hoje é pior ou melhor para esses políticos em relação a outros períodos. Mas é certo que é sofrível o desempenho atual da maioria.

O levantamento do Ibope foi realizado de 23 de novembro a 2 de dezembro. Apurou-se que o governo da presidente Dilma Rousseff tem taxa de aprovação de 43% --também ainda abaixo de 50% e bem longe das taxas estratosféricas pré-manifestações de junho. A aprovação dilmista é parecida aos 41% apurados pelo Datafolha no final do mês passado.

Os institutos têm captado, em pesquisas recentes, um certo sentimento difuso a favor de mudanças no país. No Datafolha, 66% dos entrevistados indicaram preferir que o próximo presidente adote políticas em sua maior parte diferentes das ações do atual governo federal petista.

A avaliação ruim da imensa maioria dos governadores corrobora esse desejo de mudança geral no país. É claro que seria imprudente concluir de maneira cartesiana que haverá uma limpa completa na eleição de 2014. Ao mesmo tempo, é lícito supor que um político com menos de 50% de aprovação não terá uma vida fácil nas disputas do ano que vem.

Quando observados os governadores dos partidos mais influentes do país, PT e PSDB, ninguém tem desempenho exemplar. Os tucanos derrapam em São Paulo. Os petistas estão mal no Rio Grande do Sul e na Bahia. É cedo para conclusões definitivas, mas essa pesquisa do Ibope é um indício extra de que há ainda muito jogo a ser jogado nas várias disputas eleitorais de 2014.

A vida é a prioridade - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 14/12

Questões de natureza econômica ou política não podem prevalecer sobre a proteção de seres humanos.


É difícil de entender a hesitação do ministro Guido Mantega em relação à entrada em vigor da exigência de airbag e freios ABS nos veículos novos fabricados no país. O governo teme que a obrigatoriedade dos equipamentos, somada à retomada do Imposto sobre Produtos Industrializados, possa provocar aumento de preços nos automóveis, mexer com a inflação, provocar desemprego e _ isso ninguém admite oficialmente _ causar prejuízos eleitorais aos atuais ocupantes do poder. Por isso, e também por pressão de fabricantes e metalúrgicos, o ministro da Fazenda admite adiar a medida para 2016.
Do ponto de vista da segurança, é um verdadeiro absurdo, especialmente num país que contabiliza 50 mil mortes por ano no trânsito. Quantas vidas mais serão perdidas nos dois anos de tolerância pretendidos para a instalação dos equipamentos protetores? Ora, o cinto de segurança e a cadeirinha para crianças também elevaram o custo dos veículos para os usuários _ mas as vidas salvas desde que foram adotados não têm preço.
Questões de natureza econômica ou política não podem prevalecer sobre a proteção de seres humanos. Médicos e especialistas em segurança do trânsito dizem que airbags evitam contusões torácicas graves na maioria das colisões. Em países desenvolvidos, o equipamento já é obrigatório há vários anos. No Brasil, estabeleceu-se um cronograma para a obrigatoriedade: 8% dos veículos novos em 2010, 60% até 2012 e 100% a partir de 1º de janeiro de 2014. Agora, o governo planeja o descumprimento da própria decisão.
Ainda há tempo, porém, para uma reconsideração. Este é um daqueles casos que merecem mobilização da sociedade e manifestação pelas redes sociais, pois a implantação dos equipamentos de segurança nos veículos não interessa apenas aos fabricantes e aos trabalhadores da indústria automobilística. Interessa a todos. Se o airbag protege essencialmente condutores e passageiros, o freio ABS aumenta a segurança dos tripulantes e também dos pedestres, pois impede o veículo de derrapagem no momento de uma parada brusca. Não há por que perder mais tempo nesse aperfeiçoamento dos carros fabricados no Brasil.
Uma vida vale muito _ e, por isso, itens de segurança comprovadamente eficazes não podem ser negociados como opcionais. Já estamos atrasados na implantação dessa medida. E o governo não pode ter dúvida de que o seu adiamento por motivações eleitorais acabará resultando em prejuízo maior para sua imagem, até mesmo porque o retrocesso tende a ser lembrado cada vez que ocorrer um acidente grave nas estradas do país.

Oportunidade perdida - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 14/12

Em vez de se reinventar, o PT, em seu 5º Congresso Nacional, repete os ataques à imprensa e ao STF e segue prestigiando seus mensaleiros


O Estatuto do Partido dos Trabalhadores, em seu artigo 231, prevê os casos em que membros do partido serão expulsos. O inciso II diz que será expulso quem for considerado culpado de “inobservância grave dos princípios programáticos, da ética, da disciplina e dos deveres partidários”, um conceito um pouco subjetivo, especificamente no que se refere à ética. Mas o inciso XII é mais objetivo: a legenda expulsará quem tiver “condenação por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado”. Seria o caso dos presidiários mensaleiros. No entanto, em vez de expulsos, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares estão sendo homenageados no 5.º Congresso Nacional do PT, iniciado na quinta-feira.

Na manhã de ontem, houve um ato de desagravo aos mensaleiros condenados, com a participação de parentes de Dirceu, Genoino e Delúbio e do deputado João Paulo Cunha – ele mesmo um dos condenados, e que aguarda o julgamento de um recurso. Foram distribuídos adesivos pedindo a anulação do julgamento, e todos os discursos batiam na mesma tecla, a da inocência dos mensaleiros. O presidente da legenda, Rui Falcão, permaneceu na plateia, mas disse à imprensa que o partido continuará apoiando manifestações de solidariedade a seus membros presos. “Já lançamos recentemente alguns documentos falando do caso. Se militantes quiserem fazer mais atos como esse, nós daremos a oportunidade”, avisou.

Falcão nem precisava mesmo ter discursado ontem. Na abertura do congresso, anteontem, já deu seu recado. “Ninguém pode se arvorar no direito de nos dar lição de ética. Ninguém pode se arvorar no direito de nos ensinar qual o verdadeiro sentido da política. Ninguém pode se arvorar no direito de nos ensinar o que significa justiça social. Mas nós, sim, podemos e devemos dar uma lição permanente, a nós mesmos, de renovação, autocrítica e de avanço”, disse, diante da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Pior ainda: Falcão atacou o Supremo Tribunal Federal, ao chamar o julgamento do mensalão de “tsunami de manipulação”.

Dilma preferiu não falar do mensalão e se limitou a enaltecer feitos de seu governo, como o programa Mais Médicos. Mas Lula não se conteve. Logo depois de ter dito “não falarei da Ação Penal 470 enquanto não terminar a última votação”, criticou a imprensa. “Se for comparar o emprego do José Dirceu no hotel com a cocaína no helicóptero, o que a gente percebe é que houve uma desproporcionalidade na divulgação do assunto”, afirmou. Obviamente Lula não ignora que a cobertura do escândalo do helicópterio do senador José Perrella teve ampla divulgação, e que o caso do emprego oferecido a José Dirceu em um hotel merecia, sim, a divulgação que teve, ainda mais depois que foi revelado o laranjal que envolve a propriedade do Hotel St. Peter e as ligações entre o governo e o “dono” que ofereceu a Dirceu o emprego de R$ 20 mil mensais. Mas, para Lula, como para Rui Falcão, toda a cobertura sobre os petistas será sempre exagerada, enquanto toda a cobertura sobre os demais políticos nunca será suficiente. Imprensa boa, para Lula e Falcão, é aquela em que petistas só aparecem para receber elogios, enquanto os adversários só recebem críticas.

Lula ainda mostrou uma percepção um tanto distorcida da realidade econômica do país, ao afirmar que “não tem nenhum país com mais responsabilidade fiscal entre os emergentes”. O homem que, ainda durante seu período na Presidência, disse que o Democratas devia ser “extirpado” da política brasileira, voltou a usar metáforas belicosas para se referir às eleições do ano que vem. “Você tem de se preparar que vai ser uma guerra”, disse a Dilma, mostrando que, para ele, na política não há adversários contra quem se disputam cargos e com quem se debatem projetos para o país, mas inimigos que precisam ser eliminados.

Críticas ao Supremo Tribunal Federal, ataques à imprensa livre, intolerância em relação aos que estão do outro lado do espectro político, defesa de criminosos condenados: é nisto que se transformou, infelizmente, o 5.º Congresso Nacional do PT. Uma legenda com tanta penetração e militância poderia dar uma contribuição positiva ao Brasil, mas que, em vez de fazer a autocrítica e renovação pedidas (da boca para fora, claro) por Rui Falcão, prefere, a julgar por sua cúpula e pelos gritos de guerra dos delegados presentes ao evento, se manter apegada a ideologias ultrapassadas e ao ataque às instituições democráticas.

A normalidade das chuvas - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 14/12
Considerar excepcional a tragédia das chuvas é acreditar em Papai Noel.Vão longe os tempos em que fortes temporais ocorriam a cada 10, 15 ou 20 anos. Com a ocupação desordenada das cidades, a situação se inverteu. As violentas tempestades que começam em dezembro tornaram-se regra, não exceção. Trata-se da crônica da calamidade anunciada. É normal, pois, esperar por elas.
O anormal  é o descaso das autoridades. Sai ano, entra ano, prefeitos e governadores se dizem surpresos com os estragos causados pela violência das águas. Morros deslizam, rios transbordam, casas despencam, vidas se perdem. Milhares de pessoas repentinamente sem teto perambulam pelas ruas ou são recolhidas a abrigos improvisados.

A ruptura da rotina urbana acarreta prejuízos milionários. Crianças deixam de frequentar a escola e adultos não conseguem chegar ao trabalho. Linhas de trem e metrô não funcionam. Vias alagadas dificultam o ir e vir. Ônibus, caminhões e carros correm perigo. Além de permanecerem ilhados, motoristas e passageiros ficam sujeitos a saques e assaltos.

É a triste reprise que se viu no Rio esta semana. Contam-se mais de 6 mil desabrigados. Pelo menos três pessoas morreram. A Via Binário, obra recém-construída na Zona Portuária, não suportou a enchente. O prefeito Eduardo Paes considerou a inundação "inadmissível" e ameaçou multar a concessionária - sinal de que negligenciou a fiscalização preliminar. Trancou a porta depois da casa arrombada. Pior: mandou a população não sair à rua.

O governador Sérgio Cabral tampouco ficou bem no filme. Depois de sete anos no poder, culpou "décadas de abandono" pelas tragédias que se repetem. E, como solução, instituiu um gabinete de crise para cuidar das calamidades no estado. A iniciativa soa velha. Todas as vezes que criam grupos de trabalho para resolver antigas disfunções da administração pública, as autoridades confessam que nenhuma medida efetiva será adotada.

Urge mudar o paradigma. Discursos, improvisações ou obras tópicas não solucionam problemas de tal dimensão. Sem descuidar do básico - assoreamento dos rios causado pelo acúmulo de esgoto e lixo doméstico, a impermeabilização do solo, a ocupação de áreas proibidas pela legislação - impõe-se enfrentar de fato a questão.

Obras de infraestrutura precisam ser levadas adiante em obediência a calendário independente do eleitoral. A receita vale para as demais unidades da Federação castigadas pela chuva. Espírito Santo, Goiás, Minas, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso também exibem o drama da imprevidência. Sabem que viverão o caos anual.

Melhor, mas ainda fraco - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 14/12
No último trimestre do ano, a economia brasileira deverá registrar um desempenho melhor do que o do trimestre anterior, como apontam indicadores mais recentes, mas o resultado final de 2013 não será muito diferente do que vem sendo previsto por analistas do setor privado um aumento modesto do PIB, de até 2,5%.
Além de fraco, e marcado por investimentos ainda insuficientes, o desempenho de 2013 influirá fortemente na atividade econômica em 2014. Por isso, o crescimento médio anual do PIB brasileiro durante o governo Dilma Rousseff não deverá ser muito superior ao resultado previsto para este ano. Será um resultado semelhante ao alcançado durante o governo FHC (média de 2,3% ao ano), mas inferior ao do governo Lula (4% ao ano), inferior, por sua vez, à média de crescimento do País no período republicano (4,6% ao ano).

Depois de ter apresentado um desempenho frustrante entre julho e setembro, quando encolheu 0,5%, a economia parece ter iniciado uma recuperação no último trimestre do ano. Em outubro, alcançou o melhor resultado desde abril, de acordo com o índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apontado como uma prévia do PIB, calculado pelo IBGE.

Tendo permanecido praticamente estável entre agosto e setembro (variação de -0,01%), o IBC-Br subiu 0,77% em outubro, na comparação com setembro, passando de 145,99 pontos para 147,12 pontos na série dessazonalizada, o maior nível desde abril, quando alcançou 147,14 pontos. Nos 12 meses encerrados em outubro, o crescimento acumulado é de 2,44% na série sem ajuste sazonal.

Também o Indicador de Atividade Econômica calculado pela Serasa Experian indica a recuperação da economia em outubro. A alta, neste caso, foi de 0,6% na comparação com setembro. De janeiro a outubro, o índice acumula avanço de 2,3%.

A primeira indicação sobre o desempenho em novembro, no entanto, sugere que pode ter havido uma desaceleração da atividade econômica. Depois de três avanços consecutivos, o Indicador Antecedente Composto da Economia, calculado conjuntamente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo The Conference Board, instituição internacional de pesquisas, recuou 0,3% em novembro.

Baseado em expectativas da indústria, do comércio e do setor de serviços, além do desempenho do comércio exterior e do comportamento do índice Bovespa, o índice da FGV pode refletir incertezas crescentes na área empresarial a respeito da consistência da recuperação da economia no fim de 2013 e nos primeiros meses de 2014.

Se, contrariando as expectativas captadas em novembro pelo índice da FGV, a economia brasileira repetir nos dois últimos meses do ano a expansão de outubro apontada pelos indicadores do BC e da Serasa Experian, terá afastado o risco de ser considerada em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda da atividade econômica.

O resultado final de 2013, ainda assim, será frustrante. Analistas privados temem que, em 2014, o desempenho seja ainda mais fraco. Um dos dados mais preocupantes captados pelo IBGE foi a redução de 2,2% da formação bruta de capital fixo (medida das contas nacionais que afere investimentos em construção e em máquinas) no terceiro trimestre na comparação com o segundo.

O governo vem afirmando que os investimentos serão o principal motor da economia -para compensar a perda de fôlego do consumo, que impulsionou o crescimento por bastante tempo -, sobretudo em razão das aplicações de capitais públicos e privados nos programas de infraestrutura. Até agora, porém, dada a lentidão das ações do governo, esses investimentos não deslancharam.

Quanto aos investimentos privados na modernização e expansão do parque produtivo, fatores como a alta dos juros e a desvalorização cambial (que favorece os produtos importados) os tornam menos atrativos. Além disso, o clima macroeconômico, marcado por baixo crescimento e por desconfianças com relação às política fiscal e de combate à inflação, não dá confiança aos investidores.

Corrupção sem fim - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 14/12

Denúncias sobre máfia do ISS na Prefeitura de São Paulo se avolumam, e contradições não lhes retiram plausibilidade


Parece não ter limites o escândalo na arrecadação do ISS (Imposto sobre Serviços) na Prefeitura de São Paulo. A lista das empresas que teriam pago propinas a fiscais, obtendo redução no cálculo dos tributos, cresce dia a dia.

Eram 410 os empreendimentos --sobretudo construtoras, mas também hospitais e pelo menos uma igreja-- cujos nomes estavam mencionados numa tabela apreendida pelas autoridades. A planilha estava no computador do fiscal Luís Alexandre de Magalhães, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público.

O funcionário da prefeitura tinha inicialmente negado a existência do documento. Confirmou-a depois; amplia, agora, o rol de suas denúncias, citando também bancos, grupos de segurança privada e empresas de estacionamento.

Em novo depoimento, Magalhães isentou o shopping Iguatemi de participação no esquema, mas o empreendimento consta da planilha em seu poder.

Oscilações dessa natureza tendem a impor alguma circunspecção e prudência na análise do que foi denunciado até aqui.

Ao mesmo tempo, noticia-se que, depois da incorporadora Brookfield e da construtora Alimonti, mais uma empresa confirma ter pago propina à máfia do ISS.

Trata-se da construtora Tarjab, responsável por empreendimentos na Grande São Paulo e em cidades do interior e do litoral paulista. Um representante da corporação, ouvido pelo Ministério Público, afirmou ter pago cerca de R$ 700 mil reais, em diversas parcelas, de modo a livrar-se dos altos valores que um auditor estipulava.

Depoimentos como esse dão credibilidade à informação, também transmitida pelo delator do esquema, de que em apenas uma semana R$ 6 milhões teriam sido embolsados pelo chefe do bando.

Como o ISS responde por 23% da arrecadação prevista pela prefeitura no ano de 2013, somando R$ 9,7 bilhões, não chega a parecer desproporcional o montante das alegadas propinas e a extensão da lista dos envolvidos.

Cerca de R$ 59 milhões foram sonegados, num intervalo de 16 meses, rendendo R$ 29 milhões aos fiscais corruptos (e é de perguntar se foram os únicos beneficiários do esquema estruturado por funcionários de confiança durante a gestão de Gilberto Kassab). É o que afirma, mais uma vez, o autor das denúncias.

Ainda que oscilantes, certamente não se pode classificá-las de implausíveis; a rigor, para além das culpabilidades individuais, que dependem de comprovação específica, a presunção de irregularidade tende a ser a atitude mais sensata em casos desse tipo.

O projeto em construção das UPPs - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 14/12
Mais do que um balanço dos cinco anos de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora, a entrevista do secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, que O GLOBO publicou ontem reflete uma lúcida e realista preocupação sobre o futuro desse bem-sucedido programa de retomada, pelo poder público, de favelas e comunidades que, por longos anos, estiveram sob o jugo de quadrilhas do crime organizado.
A avaliação de Beltrame é precisa. A reconquista do território abre uma janela de oportunidade para transformações profundas dessas localidades, para além da simples, mas crucial, chegada dos serviços públicos básicos às comunidades. A UPP é apenas uma anestesia. (...) As pessoas gostaram [desse efeito anestésico] mas têm medo de encarar a [necessária] cirurgia , afirmou o secretário.

Em outras palavras, é fundamental pôr o dedo na ferida para levar a outro patamar as conquistas obtidas com as UPPs e consolidar uma política de segurança e resgate integral da cidadania.

A cirurgia passa inevitavelmente pela questão das remoções, um assunto ainda tratado como tabu, mitigado em geral por ideologias ou interesses políticos menores, mas que precisa ser encarado sem hipocrisia. Não só para preservar a segurança de famílias que moram em áreas de risco, mas também para combater o adensamento de casas, melhorar a qualidade de vida de seus moradores e abrir espaço físico que permita o acesso do Estado com seus serviços.

Essa questão vai além da vontade do Executivo e implica juntar num pacto outras pontas envolvidas na questão, como o Judiciário, muitas vezes permeável a ações de embargo de retirada de moradores, o Legislativo, a União e até mesmo o setor privado - como acentua o secretário.

Ele fala com a autoridade de quem pilota um projeto vitorioso, mesmo inacabado. Em cinco anos, as UPPs balizam elogiáveis indicadores sociais. As comunidades pacificadas registram a menor taxa de homicídios do país - 8,7 casos por cem mil habitantes, inferior às do Brasil (24,4) e de Washington (19), abaixo do índice a partir do qual a OMS considera a violência endêmica (10/100 mil). O número de estabelecimentos comerciais abertos ou ampliados aumentou entre 25% e 30%, exames mostram que alunos de colégios nessas regiões estão aprendendo mais, multiplicaram-se os projetos culturais etc. Algumas demandas não foram devidamente atacadas, como a permanência de becos e áreas de difícil acesso que dificultam o policiamento, ou o reaparecimento de nichos residuais de violência que exigem atuação mais firme da PM. Problemas inerentes a uma obra em construção, mas sanáveis.

Com saldo positivo, as UPPs são uma realidade consolidada, um patrimônio da sociedade que precisa ser tratado como política de Estado, imune às influências da baixa política.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Pra que me mandar [para Brasília] se eu quero ficar [em Minas]?”
Mensaleiro Roberto Tolentino, ao se entregar à Polícia Federal para cumprir sua pena


PSB TENTA CONVENCER DEM A DAR RASTEIRA NO PSDB

Apesar do pacto de “não agressão”, Eduardo Campos (PSB) atua nos bastidores para esvaziar o tempo de TV do tucano Aécio Neves (MG), com quem trava queda de braço por eventual segundo turno contra a presidente Dilma. Interlocutores do socialista têm aconselhado o presidente do DEM, José Agripino (RN), a lançar candidato próprio, até por “questão de sobrevivência”, caso Aécio decida por “chapa pura”.

ÚNICA SAÍDA

Na lógica do PSB, o DEM enfrentará dificuldade para eleger bancada federal se não estiver na vice de Aécio ou lançar candidato próprio.

DIVIDIDO

Ala do DEM pressiona pela candidatura de Ronaldo Caiado (GO) à Presidência, enquanto José Agripino prefere apoiar Aécio Neves.

CAFÉ COM LEITE

O ex-presidente FHC ignora os pleitos do DEM e defende que o vice de Aécio seja um paulista como Aloysio Nunes, para “acalmar” José Serra.

PRIORIDADE

O líder do PSB, Beto Albuquerque, torce para que Eduardo Campos e Aécio Neves (PSDB) não briguem: “O foco principal é derrotar Dilma”.

CABO ANSELMO PODE REVELAR SINDICALISTA DEDO-DURO

José Anselmo dos Santos, “Cabo Anselmo”, 70, mais famoso alcaguete da ditadura, mantém, se convocado, a disposição de falar à Comissão da Verdade, revelada no Roda Viva da TV Cultura, em 2011, quando insinuou que havia “sindicalista” dedo-duro que “continua por aí”.

Assim como o ex-delegado Romeu Tuma Jr, cujo livro revela Lula como agente duplo na repressão, Anselmo também tem documentos e fotos.

‘CUMPANHERO’ COMUNISTA

Piada no Twitter com o fuzilamento do tio “mulherengo, corrupto e ideologicamente doente” do ditador norte-coreano: “Lembra quem?”.

SURDO-MUDO

Lula deve estar pensando em contratar o aloprado intérprete sul-africano, caso os jornalistas perguntem onde anda “Rose” Noronha.

TE CONHEÇO?

Só um par de asnos não manteria distância dos mensaleiros do PT na cadeia. Por isso, em tempo de eleição, Lula e Dilma ignoram o tema.

O Nº 1 DO BRASIL

Omar Aziz (PSD), do Amazonas, confirma a confiança do eleitorado que o fez campeão de votos em 2010. A pesquisa Ibope/CNI o aponta como o governador mais bem avaliado do País.

SE A MODA PEGA

Depois do falso intérprete no memorial de Mandela, ontem foi a vez de o presidente François Hollande corrigir seu tradutor, que chamou o Programa Ciência sem Fronteiras de “François sem Fronteiras”. “Eu tenho fronteiras, sim, meu apreço pelo Brasil é que não tem”, brincou.

JOGO DE CENA

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha segue a trilha do choro livre, mas acabará como José Genoino: renunciando para não ser cassado. Quem devia conta da NET, não abre mão de aposentadoria.

FOME ZERO

Renan Calheiros recebeu senadores quarta (11), na residência oficial, para uma confraternização, mas não havia nem sanduíches para os motoristas de suas excelências. Esfomeados, foram socorridos pela festa que bombava no vizinho Henrique Alves, presidente da Câmara.

ESTREIA

Após três anos no cargo, Dilma foi ontem pela primeira vez à Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), ainda assim porque o francês François Hollande estava lá. Acabou ganhando uma medalha.

LUGAR AO SOL

Após declarar que a economia cresce “com duas pernas mancas”, o ministro Guido Mantega (Fazenda) teve pronunciamento vetado ontem no encontro da Fiesp com franceses. Como prêmio de consolação, descolou uma cadeira no palco para, pelo menos, aparecer na foto.

DESAFIO LANÇADO

Em pé de guerra com o PT, o senador Eunício Oliveira ameaçou em reunião da Executiva Nacional do PMDB, na quarta (11): “Eu quero é ver se o Cid consegue pôr votos do Ceará na convenção do partido”.

FIM DE FEIRA

Até a assessoria de imprensa abandonou o impopular governador Sérgio Cabral (PMDB): após culpar gestões anteriores por nova tragédia, mandou avisar no Twitter que “terá muito trabalho pela frente”.

PENSANDO BEM...

...quando o Brasil decidir comprar da França, os caças Rafale já estarão obsoletos.


PODER SEM PUDOR

DINHEIRO PARA Q-SUCO

João Hemétrio, prefeito de Belo Oriente (MG), inaugurava uma fonte luminosa quando foi abordado por Quito, bêbado conhecido na cidade:

- Sô Jão, me dá um dinheiro pra tomar uma cachaça.

- Estou sem dinheiro agora, Quito.

O bebum retrucou:

- Dinheiro pra mim não tem, mas comprar Q-Suco pra colocar na água o senhor tem, né?

E saiu resmungando, indignado.

SÁBADO NOS JORNAIS

Globo: Operação fim de ano: Ação contra caos aéreo sofre com falta de pessoal
Folha: Argentina limita carro importado e afeta Brasil
Estadão: Preso no mensalão, Henry é o 3º a renunciar
Correio: Punição a assassinos de Villela complica Adriana
Zero Hora: Um acidente de trabalho a cada 10 minutos no RS
Jornal do Commercio: Avaliação de Eduardo é segunda melhor do País