quarta-feira, julho 17, 2013

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 17/07

Intenção de consumo chega ao menor patamar da confederação do comércio
As famílias brasileiras frearam a vontade de ir às compras: a intenção de consumo teve uma queda de 7,7% ante julho de 2012, mostra pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O índice de 124,9 é o menor patamar da série de levantamentos, iniciada em 2010. A pontuação no mês passado foi de 130,1, em escala de 0 a 200.

O estudo mede o sentimento dos consumidores em relação a sete itens, como a satisfação com a renda e a sensação de segurança de permanência no emprego.

O resultado, segundo a CNC, é reflexo do nível de endividamento elevado, das altas taxas de juros e da retirada gradual de medidas de estímulo, como o IPI reduzido de veículos e da linha branca.

A inflação também foi vilã, aponta o economista Bruno Fernandes, da confederação.

"Por mais que esteja agora em um nível melhor, a inflação comprometeu a renda das famílias ao longo de todo o primeiro semestre."

Outro motivo apontado por ele foram as manifestações que explodiram no país durante o mês de junho.

"As pessoas ficaram com um pouco de receio de ir às ruas para gastar e, diante de tantos pedidos de mudanças, diminuíram o otimismo sobre o futuro", diz Fernandes.

Apesar do resultado, o índice acima de cem indica um nível favorável de consumo.

O levantamento foi feito no início do mês com base em 18 mil questionários aplicados em todo o país.

Baixo treinamento
Os vigilantes são considerados despreparados para 62% dos participantes de uma pesquisa do Sesvesp (sindicato paulista das empresas de segurança privada).

O levantamento foi feito com 840 pessoas do ABC e de outras seis cidades de São Paulo, incluindo a capital.

A baixa escolaridade e a falta de treinamento dos funcionários foram apontadas como fatores negativos do setor.

As empresas privadas apresentaram os índices mais baixos de confiança (47%) entre as organizações de segurança, que envolvem também polícias e guardas municipais.

"A população faz um juízo equivocado do serviço, pois confunde as empresas legais com as clandestinas", diz João Palhuca, vice-presidente do sindicato. "Os falsos profissionais cometem erros e passam uma imagem ruim para a sociedade."

A cada quatro empresas do setor, três não trabalham de acordo com a legislação trabalhista e com a Polícia Federal, segundo Palhuca.

FOCO NO ENEM
A rede de ensino Microlins abre neste mês cursos preparatórios para o Enem, em parceria com a Federal Concursos. A ideia é que as aulas sejam oferecidas em 40% das cerca de 500 unidades neste ano e a partir de 2014 em todas.

A entrada da empresa no segmento foi impulsionada principalmente pelo crescente número de participantes do exame a cada ano. "A tendência é que o Enem substitua o vestibular", afirma Wilson Martins Filho, gerente comercial da rede.

"Nossa expectativa é alcançar 3% desse mercado até 2014 e ser a maior rede de cursos preparatórios para concursos e Enem em três anos", afirma Carlos Martins, dono do Grupo Multi, que, além da Microlins, tem outras marcas como Wizard, Yázigi, Skill e People.

VIDRO GAÚCHO
A Tecnovidro, empresa gaúcha especializada no beneficiamento de vidro para as indústrias automotiva e moveleira, irá instalar uma fábrica no Espírito Santo, em Colatina (a cerca de 130 km da capital do Estado).

"Alguns clientes nossos que têm sede no Rio Grande do Sul estão indo com novas unidades para o Sudeste e para o Nordeste. Por isso, também estamos migrando", diz o diretor-geral do grupo, Marco De Bastiani.

A segunda planta da companhia demandará R$ 20 milhões em investimentos e começará a operar em janeiro de 2015.

No local, além de produtos para móveis e decoração, serão fabricados para-brisas. Hoje, no segmento de veículos, a companhia trabalha apenas com janelas laterais e traseiras.

A Tecnovidro beneficia cerca de 150 mil metros quadrados de vidro por mês em sua planta em Farroupilha (110 km de Porto Alegre).

A nova fábrica deverá ter uma capacidade de produção um pouco maior, de acordo com De Bastiani.

A empresa não divulga dados de faturamento.

R$ 20 MILHÕES
serão investidos na nova fábrica da companhia, no Espírito Santo

150 MIL M2
de vidro por mês são beneficiados pela empresa atualmente

Estudo sobre trem regional no RS fica pronto no fim do mês
O estudo de viabilidade para implantação do trem regional de passageiros entre as cidades de Pelotas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, deve ser concluído no dia 25 de julho, de acordo com o Ministério dos Transportes.

O levantamento, feito pela Universidade Federal de Santa Catarina, é a primeira etapa do empreendimento.

"Avaliamos detalhadamente a viabilidade técnica e outros pontos, como o financeiro e o ambiental", afirma Rodolfo Nicolazzi Philippi, que coordena o projeto no laboratório de transportes da instituição de ensino.

O trabalho vai apontar os valores necessários para implantação do trem, mas os números ainda estão em fase de revisão, afirma Philippi.

O trem deve percorrer 62 quilômetros entre as cidades, que, juntas, têm 525 mil habitantes. Atualmente há uma ligação férrea entre os municípios, mas apenas para transporte de cargas.

Como o tráfego existente é elevado, o estudo vai apresentar a necessidade de construção de uma linha exclusiva para passageiros, seguindo o traçado atual.

O trabalho servirá de base para as próximas fases e vai ajudar a definir de que forma o trecho será implantado --se por concessão ou por parceria público-privada.

Tarefas de rotina para ministros de Dilma - JOSÉ NÊUMANNE

ESTADÃO - 17/07

Os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, têm abandonado seus expedientes rotineiros para exercerem os cargos informais de espírito santo de orelha e papagaio de pirata de sua chefe, a presidente Dilma Rousseff. Nessa condição têm produzido sesquipedais ideias de jerico, tais como o golpinho sujo da Constituinte exclusiva para uma reforma política que ninguém pediu e da qual só os políticos, particularmente os petistas, se beneficiariam; e a empulhação do plebiscito prévio com igual objetivo. O máximo que conseguiram até agora foi a adesão da oposição, incompetente e alienada, que aceita a embromação de um referendo.

Melhor seria para os dois, para o governo a que servem, para a presidente a que obedecem e, sobretudo, para a sociedade, que paga com sacrifício seus salários com impostos escorchantes, que eles se dedicassem à rotina comezinha de suas funções públicas. O economista Mercadante, que se recusa a usar o sobrenome do pai, o general Oliva, serviçal da ditadura militar que assolou o País por 21 anos, de 1964 a 1985, faria um bem enorme às gerações futuras de brasileiros se resolvesse uma equação perversa que as condena à ignorância e a perder a competição na guerra planetária pelo conhecimento.

De acordo com levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), composta pelos 34 países mais ricos do mundo, o Brasil investe em educação pública 5,8% do produto interno bruto (PIB), praticamente o mesmo que Estados Unidos, Espanha e Coreia do Sul. Mas ocupa o 53.º lugar no ranking do desempenho escolar, conforme o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame que avalia habilidades em leitura, matemática e ciências, aplicado pela própria OCDE. Ou seja, embora mais recursos para o setor sejam bem-vindos, estes não são imprescindíveis para aprimorar a educação. Para tanto urge melhorar a gestão, e isso o ministro pode fazer já.

Não será um trabalho fácil. Mas não é uma tarefa impossível. Como difíceis, mas também possíveis, são algumas das missões de que seu colega no primeiro escalão do governo federal petista, o causídico Cardozo, não dá conta. Pode-se dar-lhe o benefício da compreensão das dificuldades que a Polícia Federal (PF), sua subordinada hierárquica, deve enfrentar para ter de desvendar crimes de toda natureza, particularmente os de colarinho branco. Mas tampouco se pode omitir o fato de que a instituição às vezes tem um desempenho exemplar em casos muito mais difíceis do que em outros, na aparência, bem mais simples, mas cuja solução tem sido adiada para as calendas.

Um exemplo desse paradoxo é o escabroso caso da compra pela Petrobrás de uma refinaria que pertencia à empresa Astra Oil em Pasadena, no Texas (EUA). Os belgas a adquiriram por US$ 42,5 milhões em 2005. Em 2006 a empresa, presidida por um ex-funcionário da estatal brasileira, vendeu metade do controle acionário dela à Petrobrás por US$ 360 milhões. O convívio entre os sócios foi perturbado pela necessidade de aporte de US$ 1,5 bilhão para a pequena refinaria, com capacidade para ínfimos 150 mil barris/dia, poder refinar o petróleo pesado extraído de poços brasileiros. Os belgas processaram a sócia e esta encerrou a questão na Justiça americana desembolsando mais US$ 839 milhões para assumir o controle total da refinaria. Ou seja, a Astra Oil embolsou, ao todo, US$ 1,199 bilhão: US$ 1,154 bilhão e quase 300 vezes mais que os US$ 42,5 milhões pagos por ela oito anos antes. O Ministério Público Federal no Estado do Rio resolveu investigar essa óbvia fraude e talvez a PF, sob as ordens do dr. Cardozo, desse uma extraordinária contribuição à Pátria se, ao cabo de uma investigação rigorosa, descobrisse quem recebeu a bilionária (em dólares) "comissão".

Outra tarefa rotineira a ser desincumbida pelo causídico Cardozo, se trocar as funções de Richelieu do Planalto por mais assiduidade no expediente no Ministério da Justiça, seria cobrar da PF a apuração rigorosa e imparcial das acusações feitas contra Rosemary Noronha na Operação Porto Seguro, que a própria PF encetou em novembro de 2012. Na ocasião, a PF informou ter flagrado as práticas de advocacia administrativa e tráfico de influência em altos escalões do governo federal. Entre os protagonistas do caso teve destaque a figura de Rosemary, dada como amiga muito íntima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e flagrada interferindo pessoalmente na nomeação de quadrilheiros em cargos importantes da burocracia da União, inclusive uma direção da Agência Nacional de Águas. A então chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, nomeada por Lula e mantida no cargo por Dilma a pedido do padrinho e antecessor, é acusada, entre outros malfeitos, de ter ajudado o ex-senador Gilberto Miranda a obter licenças para usar duas ilhas no litoral paulista. Essa ajuda teria sido recompensada com um cruzeiro (R$ 2.500), uma Mitsubishi Pajero TR4 (R$ 55 mil), uma cirurgia no ouvido (R$ 7.500) e móveis para a filha (R$ 5 mil).

Segundo a Veja, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, homem de confiança de Lula, teria tentado atrapalhar a investigação que a presidente mandou a chefe da Casa Civil, Gleisi Hofmann, fazer a respeito de Rosemary. Carvalho tentou se explicar no Senado. Mas a PF teria de investigar por que oligarcas da republiqueta petista foram prestimosos e atenderam aos pedidos de uma secretária de luxo.

A PF poderia ainda investigar denúncia da Folha de S.Paulo de ter a Caixa Econômica Federal liberado sem licença Bolsa Família na véspera da onda de boatos que causou corrida a agências da instituição, pela qual dignitários do governo e do PT, entre eles Dilma, acusaram adversários. É ou não é?

Tensão na aliança - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 17/07

O PMDB se sente traído pelo PT . Os ministros petistas atuam com liberdade, e os aliados não têm autonomia administrativa. A campanha já está nas ruas, e os deputados petistas invadem as bases eleitorais dos aliados. Diante da queda na avaliação do governo, ganham força os que defendem um rompimento. O governo Dilma tem 15 dias, no recesso, para colocar ordem na casa.

Em debate, as balas de borracha
Por causa das sequelas provocadas pelo uso de balas de borracha, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) quer abolir seu uso. Ele relata que a Comissão Europeia recomenda a proibição, devido a mortes e danos irreversíveis. O centro britânico Omega-Overarching, justifica, tem estudos que concluem que “a imprecisão dessas armas pode levar ao ferimento de qualquer um, e não do indivíduo visado, mesmo de terceiros sem relação com os distúrbios”. O Centro de Inovação de Tecnologia Não Letal da Universidade de New Hampshire diz que “é muito fácil cegar alguém” com essa munição. Seu uso, aqui no Brasil, também fez vítimas inocentes nos protestos.

“Nossa intenção é acabar com a coligação nas proporcionais e criar cláusula de barreira para limitar os partidos com direito a Fundo Partidário e tempo na TV”
Cândido Vaccarezza Deputado (P T-SP), coordenador da comissão de Reforma Política

Tucanos puxam orelhas tucanas
O Instituto Teotônio Vilela (PSDB) produziu texto crítico ao programa Mais Médicos. Entre os alvos, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, diretor da Frente Nacional de Prefeitos, que defende a contratação de médicos estrangeiros.

Bola na rede
A invasão VIP ao gramado, no jogo Vasco e Flamengo, em Brasília, virou inquérito. O presidente do STJD, Flávio Zveiter , quer ouvir o árbitro, o delegado da partida e os presidentes de federação. Serão requisitadas imagens às TVs. No dia, as equipes de uma emissora de TV e de uma rádio chegaram a ser barradas porque havia muita gente no campo.

Lavando a roupa suja
Integrantes do governo de Brasília alegam que quem administrou o jogo Flamengo x Vasco foi a diretoria rubro-negra. Ela é que seria responsável pela “invasão VIP”. Relata ainda que dela teria participado a mulher do árbitro Grazianni Maciel.

Pente-fino
O secretário-executivo do Turismo, Valdir Simão, está se transferindo para o Planalto. Vai implantar na Presidência sistema de acompanhamento de emendas que montou a pedido do ministro Gastão Vieira. Nele, a execução das emendas parlamentares é monitorada em tempo real. Por isso, no ano passado, o Turismo executou 96% de suas emendas e zerou todos os restos a pagar .

Ganhando tempo
O governo desistiu de finalizar a votação da Lei dos Royalties porque o prognóstico era de uma derrota acachapante. Petistas e peemedebistas, que seguiram orientação do Planalto, avisaram aos partidos que mudariam o voto.

Sem carinho, sem afeto
Os deputados do PMDB que estiveram ontem com o vice Michel Temer reclamaram que a presidente Dilma foi ao Paraná ontem, para entregar casas do Minha Casa, Minha Vida, e não convidou qualquer um deles para acompanhá-la

OS QUE CONHECEM o ex-governador José Serra (PSDB) não acreditam que ele poderia se filiar ao PPS para disputar as eleições presidenciais

Nos braços do povo - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 17/07

O papa Francisco ordenou uma redução no esquema de segurança de sua viagem ao Rio de Janeiro, para Jornada Mundial de Juventude, e a Aparecida, na semana que vem, contrariando o planejamento elaborado pela Polícia Federal, responsável pela proteção de chefes de Estado estrangeiros em visita ao Brasil. Segundo informações passadas ao governo brasileiro pelo Vaticano, Francisco quer "contato com o povo" durante o evento e na missa no santuário de Aparecida.

Planejamento Diante da decisão, a PF está refazendo os trajetos que o pontífice deve percorrer durante a visita para reavaliar os possíveis riscos a sua segurança.

Segmentos Entre os protestos que preocupam o Planalto no período da Jornada estão, além dos liderados por evangélicos, manifestações de feministas e movimentos contra abusos nos gastos públicos, como ocorreu na Copa das Confederações.

Gabinete... Lula chamou petistas anteontem à sede de seu instituto, em São Paulo, para uma "conversa informal" sobre o cenário político. Segundo presentes, o grupo repetiu para o ex-presidente as queixas que havia feito à presidente Dilma Rousseff sobre as falhas na articulação política do governo federal.

...paralelo Lula, de acordo com os deputados, disse que é preciso "paciência". "E que não pode haver vacilação no apoio à presidente", conta um petista. Participaram do encontro Ricardo Berzoini, José Guimarães, Cândido Vaccarezza, entre outros.

Longe... A despeito da tentativa do governo Dilma de reatar com movimentos sociais, Manoel Dias (Trabalho) avisou à Força Sindical que não vai participar do congresso da central, no fim do mês. O ministro enviará um representante ao evento.

...demais Ministros do Trabalho costumam prestigiar os eventos, realizados a cada quatro anos. Aconteceu com Luiz Marinho e Carlos Lupi, nos governos Lula, e com Paulo Paiva e Francisco Dornelles, na gestão FHC.

Perfeito Apesar de boatos, Lula disse a um aliado durante sua viagem à Alemanha, há cerca de dez dias, que sua saúde está "110%".

Conexão A direção do PPS está tão empenhada em retomar sua fusão com o PMN para formar a MD que vai enviar uma delegação a Buenos Aires para negociar com a presidente da sigla aliada, Telma Ribeiro, que faz um curso na Argentina.

Enxuga A Cesp (Companhia Energética de São Paulo), do governo paulista, aprovou um programa de incentivo à aposentadoria para reduzir seu quadro de funcionários. Dos 1.200 trabalhadores da empresa, 400 estão em condições de aderir ao plano.

Paraíso Depois da turbulenta redução das tarifas de transportes de São Paulo, o secretário de Fazenda paulista, Andreia Calabi, vai tirar uns dias de férias na Escócia, sem preocupações. "Isso reflete como as contas de São Paulo estão bem", diz.

Na frente Antes de trocar o comando da autarquia de desenvolvimento de Sergipe, sem consultar o governador licenciado Marcelo Déda (PT), o vice Jackson Barreto (PMDB) havia confidenciado a aliados que procurava dar "agilidade" ao governo na ausência do titular, internado para tratar um câncer.

Espelho O Senado abriu uma consulta na internet para medir a resposta da população a sua agenda positiva. A enquete pede avaliações sobre a proposta de passe livre para estudantes, de Renan Calheiros (PMDB-AL), e sobre a "atuação do Congresso" diante dos protestos.

com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

tiroteio
"A CPI do BNDES provará que o investimento nos campeões nacionais' era uma forma de lavar dinheiro para campanhas do PT."
DO LÍDER DO DEM NA CÂMARA, RONALDO CAIADO (GO), sobre a investigação que deve ser feita sobre os repasses do banco estatal para grandes empresas.

contraponto


Regionalismo contábil
Ao apresentar números da balança comercial durante uma sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) afirmou que o indicador voltaria a crescer até o fim de 2013, mas se recusou a arriscar uma previsão.

--Vamos terminar o ano com um saldo que eu não quero dizer de quanto será, porque depois ele não acontece naquele número e a imprensa vai dizer que nós erramos.

Ao ser abordado pelo conterrâneo mineiro Francisco Dornelles (PP), Pimentel reforçou sua cautela:

--Mineiro não vai dizer uma coisa dessas! -- brincou.

Baile à fantasia - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 17/07

Quando se iniciaram os protestos de junho a presidente da República tinha certeza absoluta de que a coisa não era com ela. Na primeira semana Dilma Rousseff disse a um senador do PT que a procurou para alertar sobre a gravidade da situação, que não seria atingida. Segundo ela, as manifestações seriam um problema de prefeitos e governadores.

Avaliação errada, como viria a apontar a queda de popularidade e avaliação positiva de governo registrada pelo instituto Datafolha no fim daquele mês e confirmada pela pesquisa CNT realizada já na fase de refluxo (temporário?) das ruas e divulgada ontem.

A presidente tampouco deu ouvidos a tudo o que disse o ex-presidente Lula na reunião que os dois tiveram em São Paulo com o prefeito Fernando Haddad, o marqueteiro João Santana e o presidente do PT, Rui Falcão, assim que ficou evidente que a crise bateria às portas do Palácio do Planalto.

Na ocasião, ficou combinado que Dilma chamaria prefeitos e governadores para um encontro de "aconselhamento" para, em conjunto, decidirem sobre a melhor forma de reagir.

A presidente fez o contrário: convocou governadores para posarem de coadjuvantes naquele pronunciamento em que ela propôs pactos e Constituinte exclusiva mediante plebiscito para a reforma política, encerrando a transmissão pela TV Brasil antes que os chefes de executivos estaduais pudessem falar.

Com a história do plebiscito Dilma tentou transferir a responsabilidade para o Congresso que rejeitou a proposta e deu o troco: aprovou uma série de projetos de criação de despesas, obrigando-a a anunciar veto às medidas de dita "agenda positiva". Demagogia por demagogia, deu empate.

Em tese, porque na prática quem perdeu foi ela. O Congresso estava perdido há tempos. Desmoralizado, desqualificado, desprovido de gordura para queimar. Dilma não: antes de a inflação e a população darem o ar das respectivas graças, chegou a quase 75% de avaliação positiva de seu governo e bateu em 55% das intenções de voto.

Hoje, três ou quatro pesquisas, desacertos em série na economia, explosões de descontentamento e respostas erráticas depois, desceu ao patamar de 30% tanto na avaliação positiva quanto nas intenções de votos.

Segundo a pesquisa CNT, a percepção negativa mais que triplicou: foi de 9% para 29%. Pior: 44% dizem que não votam nela de jeito nenhum. Ou seja, Dilma entrou naquela faixa perigosa em que se cruzam rejeição e aprovação. Quando a primeira caminha para superar a segunda, a chance de recuperação torna-se remota.

É cedo para firmar certeza, mas vislumbra-se aí mais um erro de cálculo da oficina palaciana sobre a convicção de que Dilma Rousseff não apenas será candidata à reeleição como pode levar no primeiro turno.

Confiança esta baseada em boa medida no poder da caneta presidencial e no fato de o repúdio aos políticos alcançar a todos eles. Alcança, mas é de se observar que Marina Silva subiu de 12% para 20% e Eduardo Campos de 3% para 7% em números redondos. Aécio Neves foi de 17% para 15%.

Sem considerar a entrada em cena de improbabilidades como Joaquim Barbosa e possibilidades como José Serra, registre-se que os nomes vistos como "novos", mas ainda assim políticos, estão conseguindo arrebatar o capital antes pertencente à presidente.

Se eles saberão ou poderão manter essa tendência de ganho são outros quinhentos a serem contados daqui em diante. De um jeito melhor se o governo continuar sem norte. De outro pior caso Dilma, PT e companhia recuperem a bússola perdida no baile à fantasia da popularidade desprovida de lastro na confiabilidade de palavras e gestos.

Credibilidade dá trabalho para ser construída. Em compensação, é muito mais difícil de ser destruída.


Fala sério! - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 17/07
Parece brincadeira, mas não é. Depois de o presidente do PT, deputado Rui Falcão, ter tido o cinismo de dizer que não havia militantes petistas nas manifestações dos últimos dias porque todos estão empregados, trabalhando, agora foi a vez de o ex-presidente Lula escrever no artigo distribuído ontem pelo New York Times que os protestos que ocorreram pelo país são reflexos dos sucessos de seu governo nos campos econômico, político e social.

Como se não bastasse a contabilidade criativa com que o governo tenta esconder os fracassos de sua política econômica, temos agora a interpretação criativa para tentar esconder o que o povo foi às ruas exigir: menos corrupção, maior transparência no uso do dinheiro público, prioridades para transportes públicos, saúde e educação, e não para estádios de futebol padrão Fifa .

Trazer a Copa do Mundo para o Brasil, aliás, foi uma das grandes vitórias do governo Lula, e desde o primeiro momento houve o compromisso de que não se gastaria dinheiro público nas obras necessárias, como a construção dos estádios. O que se viu, no entanto, foi um gasto muito superior ao estimado - os gastos com estádios representam R$ 7,5 bilhões dos R$ 28,1 bilhões previstos nas obras da Matriz de Responsabilidades da Copa - com financiamentos pelo BNDES, incluindo aí o estádio do Corinthians, que teve o apadrinhamento decisivo de Lula, corintiano doente.

Embora diga que os protestos não são contra a política, mas uma vontade da juventude de participar mais diretamente dela, o ex-presidente Lula reconhece que mesmo o Partido dos Trabalhadores, que eu ajudei a fundar, e que contribuiu muito para modernizar e democratizar a política no Brasil, precisa de uma profunda renovação. É preciso recuperar suas ligações diárias com os movimentos sociais e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer as duas coisas sem tratar os jovens de forma paternalista .

Na parte de seu artigo mais conectada com a realidade, Lula lembra que as pessoas não querem apenas votar de quatro em quatro anos, (...) querem interagir com os governos locais e nacionais, e tomar parte das decisões de políticas públicas, oferecendo opiniões e decisões que os afetem todos os dias .

Lula diz ser natural que os jovens desejem mais , especialmente aqueles que têm o que seus pais não tiveram. Mas trata de encontrar desculpas para as críticas das ruas, especialmente às questões econômicas que começam a incomodar a nova classe média inventada pelo lulismo, que vê seu poder de compra ser reduzido pela inflação e pelo endividamento.

Ressalta, com razão, que a maioria das pessoas que estava nas ruas não viveu os tempos de hiperinflação. Em tempos de estagflação, Lula diz que hoje as pessoas já não se lembram dos anos 1990, quando a estagnação e o desemprego afetaram nosso país . Ao tentar minimizar os problemas de inflação que temos hoje, traz à lembrança o Plano Real, que acabou com a hiperinflação.

Sem receio de parecer incoerente, Lula admite, sem nunca afirmar explicitamente, que as manifestações têm a ver com o jogo partidário que o PT aprofundou ao chegar ao poder, gerando crises como o mensalão. Eles exigem instituições políticas mais limpas e transparentes, sem as distorções políticas e eleitorais (...) .

Da mesma forma que o presidente do PT, Rui Falcão, no programa Roda viva , também o presidente Lula admite em seu artigo a legitimidade dessas demandas . Lula diz, no entanto, que é impossível contemplá-las rapidamente . Confrontado com o fato de que a principal aliança partidária do PT é com o PMDB, cujos líderes são acusados de malversação do dinheiro público, Falcão disse que a solução do problema está no plebiscito para a reforma política.

Os dois se utilizam dos mesmos argumentos com que já tentaram transformar o mensalão em simples uso de caixa dois eleitoral, que todo partido brasileiro usaria. Também em relação aos parceiros preferenciais, em vez de uma política transparente como as ruas exigem, não há nada a se fazer no momento. Apenas não é culpa do PT.

As uvas verdes e os adversários em julho - ROSÂNGELA BITTAR

VALOR ECONÔMICO - 17/07

Menos propaganda, mais política, o novo lema da reeleição

Dia sim, o governo Dilma Rousseff se convence de que o governador Eduardo Campos é candidato a presidente em 2014; e dia não tem certeza que seus movimentos refluíram e o governador permanecerá aliado no primeiro e no segundo turnos da eleição presidencial. Hoje é dia sim: na avaliação do governo, depois de recuar, período em que sumiu de Brasília, dos encontros com empresários e das conversas políticas, coincidindo com os movimentos de protesto que tomaram as ruas, o governador está novamente candidato com força total. Os líderes do PSB no Congresso, seus amigos, governadores aliados e analistas de pesquisas nunca duvidaram de sua candidatura. O governo federal, porém, oscila.
E não há uma explicação para sentimentos tão opostos em espaços tão curtos de tempo. A não ser que tenha a presidente Dilma informação privilegiada sobre a veracidade dos acertos secretos que, nas conjecturas do PT, o ex-presidente Lula e o governador Eduardo Campos fazem em reuniões não registradas.
Fato é que, neste momento, para o governo, Eduardo é inimigo porque é candidato concorrente. Porém, não se sabe se por fingimento da equipe que define estratégias da reeleição, o governador de Pernambuco não ocupa o primeiro lugar nas preocupações dos encarregados de executar a nova ordem da candidatura Dilma: "Menos propaganda e mais política".
Os executores dos próximos passos da recandidatura já afastaram, também, o temor de que o ex-presidente Lula, partindo do princípio inicial de que seria candidato em 2014 se a presidente Dilma não tivesse condições de enfrentar a disputa, ceda seu lugar ao neto de Miguel Arraes.
Não haverá dois candidatos do campo governista, um do PT e um do PSB, assegura mais uma vez uma autoridade próxima à presidente candidata à reeleição. O que significa que, se Eduardo sair candidato, estará no campo da oposição e sem o apoio de Lula.
Avalia também o governo que, antes das manifestações, com a queda de seus índices de popularidade em Pernambuco, o governador manteve-se discreto porque tudo estava mais difícil para ele. Agora, quando tudo ficou mais difícil para a presidente Dilma, Eduardo teria se reanimado. Concluem os auxiliares da presidente: "O que não significa que ficaram fáceis para ele".
O governador de Pernambuco tem um problema a persegui-lo e isto é contabilizado como negativo para sua candidatura no comitê político da reeleição. Também, não caiu nas graças da "rede". Está o governador num limbo estranho da política.
Trabalham o comitê da reeleição e ministros políticos do governo com a evidência de que o movimento das ruas funcionou positivamente, sim, para a candidatura de Marina Silva e para a candidatura de Joaquim Barbosa, o presidente do Supremo e relator do mensalão que continua afirmando não ser candidato. E não toma conhecimento dos resultados de pesquisas que mostram, como a feita pelo MDA, divulgada ontem, que Eduardo Campos teve crescimento na preferência do eleitorado, bem como cresceram os índices dos que declaram intenção de votar nulo ou em branco.
É frágil a nuance estabelecida na análise da equipe do governo: os votos nulos, em branco e em Marina Silva fariam parte do contingente do eleitorado que está praticando a negação da política institucionalizada. Em Eduardo Campos, não, por isso seu nome teria crescido pouco no rastro dos protestos. Uma avaliação ainda incipiente, superficial, que exige abordagem mais científica para ser crível.
Marina, nesta concepção, seria entre todos, portanto, a detentora das maiores chances de reunir apoios e vencer Dilma. Um partido não lhe faria a menor falta. Por qual partido candidatou-se Jânio Quadros? Por qual partido elegeu-se Fernando Collor? São as perguntas feitas próximo à presidente Dilma para reduzir a importância de se pertencer a uma legenda forte. O que vale é o apoio financeiro e técnico que receberá se deixar-se conduzir.
Isso significa manter consigo os assuntos que lhe interessam e deixar que Banco Central, Ministério da Fazenda e Receita Federal sigam orientados por seus apoiadores da "plutocracia financeira e industrial". Não é brincadeira, é o tipo de análise que está sendo feita pelos potenciais adversários da candidata verde.
Sobre o presidente do Supremo, que apareceu na pesquisa Datafolha com 15%, mas não foi incluído na consulta do MDA divulgada ontem, a equipe política e de propaganda da reeleição tem feito trabalhos de neutralização antecipada, levantando informações sobre o candidato para instruir ações se ele vier a ser.
Sobre o candidato do histórico adversário PSDB, Aécio Neves, fala-se pouco entre os combatentes da reeleição, mais dedicados aos fatos novos do quadro da disputa. Mas o veem sem chances, embora esteja em terceiro lugar nas pesquisas.
Enquanto parte da equipe cuida dessas questões políticas, numa tentativa de apartá-las dos domínios do publicitário João Santana, o governo deixa com o marqueteiro a aposta na recuperação da candidatura por intermédio da recuperação da economia. A inflação está caindo, registra-se no Planalto, e Guido Mantega e Alexandre Tombini  encontrarão um caminho, até dezembro, para recuperar o prestígio da presidente Dilma Rousseff.
Há um grupo de bombeiros dizendo à presidente Dilma Rousseff que o PMDB não é um problema, mas uma solução. Sempre esteve onde está, não tem segredo, não tem mistério. É preciso conviver com um partido que tem quase 100 deputados e, para apoiar a presidente exige, adequadamente, participar do governo. Tem lá suas pretensões, seus objetivos. Não é preciso gostar dele, pois em política não há relação de afeto mas, prioritariamente, o que o nome diz, relação política. Não é possível escolher interlocutores, eles existem, estão ali no seu devido lugar. Todas as atividades têm seus especialistas, a política também tem. Os interlocutores não revelam o que a presidente diz após a peroração.

A caixinha dos trens e dos metrôs - ELIO GASPARI

O GLOBO - 17/07

A Siemens resolveu colaborar com o governo e é possível que se conheça o mapa da roubalheira de gente graúda


Desde 1993, quando foi aberta a caixinha das empreiteiras com deputados da Comissão do Orçamento, não aparecia notícia tão boa para expor o metabolismo das roubalheiras nacionais. Os repórteres Catia Seabra, Julianna Sofia e Dimmi Amora revelaram que a Siemens alemã, a maior empresa de equipamentos eletrônicos da Europa, colaborará com o governo para expor a formação de cartéis que viciam concorrências para compra de equipamentos no Brasil. Ela tem 360 mil empregados em cerca de 190 países. Foram negócios de bilhões de dólares, com maracutaias das quais participava. Desta vez o Ministério Público poderá furar a poderosa blindagem de um cartel invicto.

Há sete anos o deputado Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, informou que havia "denúncias que precisam ser aprofundadas". Uma delas tratava de um contubérnio entre a empresa francesa Alstom e a Siemens para fraudar uma concorrência de R$ 78 milhões. Na denúncia havia nomes, datas e locais. Deu em nada.

Tudo bem, teria sido esperneio de concorrente. Afinal, com 110 mil funcionários pelo mundo afora, o conglomerado da Alstom era uma das maiores empresas do mercado. Ela e a Siemens foram grandes fornecedoras de máquinas aos governos brasileiros, tanto o federal quanto os de diversos Estados.

Em 2008 o "Wall Street Journal" revelou que a Alstom estava sendo investigada na França e na Suíça por ter pago propinas globalizadas. Na lista estava o Brasil, honrado com jabaculês no metrô de São Paulo (US$ 6,8 milhões em mimos) e na hidrelétrica de Itá (propina de US$ 30 milhões). Num contrato com o Metrô paulista, a Alstom e a Siemens foram parceiras.

Autoridades municipais, estaduais e federais prometeram rigorosas investigações. Um ex-diretor da área de energia da Alstom já fora preso. O assessor de um senador fora grampeado pedindo dinheiro num contrato da Eletronorte. Se isso fosse pouco, o Ministério Público suíço tinha nomes, endereços, RGs e números de contas. Lá, um diretor da empresa foi para a cadeia. No Brasil, acharam-se até comprovantes de depósitos. Mark Pieth, presidente do Grupo Anticorrupção da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), contou que "em 2005, no Estado de São Paulo, pessoas que eram responsáveis pela compra de equipamentos não pediram suborno para eles, mas sugeriram que a empresa fizesse pagamento ou presente político' para a caixa de partido". O Estado de São Paulo é governado pelo PSDB desde 1995 e, até 2008, firmou 139 contratos com a Alstom no valor de mais de R$ 5 bilhões. Entre 2003 e 2008 o governo Lula contratou R$ 1,2 bilhão com a empresa. Foram vãs todas as tentativas de criação de um CPI em São Paulo. A cada blindagem, contudo, correspondia mais uma revelação. Chegou-se a um ex-presidente das Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp) que reconheceu ter recebido, na Suíça, US$ 1,4 milhão, mas, segundo ele, tratava-se apenas de uma consultoria. Já são cerca de 20 os processos que correm no Ministério Público sobre os negócios da Alstom em São Paulo.

Quando vozes mais altas se alevantam, as coisas andam devagar. A decisão da Siemens, consequência dos novos padrões de conduta de grandes empresas, poderá iluminar esse porão. Se nem isso adiantar, a situação está pior do que se pensa.

Dilma, começar de novo - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 17/07

Presidente não tem tempo de implementar política econômica, educacional ou de saúde


É DIFÍCIL IMAGINAR alguma iniciativa séria de governo que possa levantar o prestígio de Dilma Rousseff. Isto é, séria e popular, de "amplo espectro", como se diz de antibióticos e antidepressivos modernos.

Por falar em antidepressivos, pode ser que a obscura psicologia popular devolva à presidente uma dezena de pontos de popularidade até antes do final do ano. Com uns quarenta e poucos pontos de aprovação, Dilma teria histórias para contar aos aliados para a eleição de 2014.

No entanto, embora ainda vença a eleição contra qualquer um dos candidatos postos, Dilma ainda não se recuperou do tombo de junho. Afora genialidades marqueteiras, o que a presidente pode fazer?

Não foi propriamente a economia que a derrubou, apesar dos estragos causados pela revolta do tomate (inflação crescente). Difícil acreditar que a economia vá tirar o prestígio presidencial da cercania do rodapé, se mais não fosse porque:

1) retomadas econômicas levam tempo. Mais tempo do que o disponível até a campanha eleitoral;

2) no presente caso, as coisas piorariam antes de melhorar (depois da eleição de 2014, no mínimo);

3) não há milagre externo no forno, que pudesse dar um tranco (para a frente) no Brasil. Ao contrário;

4) o governo não se mostrou disposto a rever a política econômica;

5) o governo (e, depois, os protestos) criou tamanha má vontade contra si mesmo no meio empresarial que mesmo algumas medidas sensatas e relevantes não vão colar muito. Muita gente graúda na finança e nas empresas, que agora diz coisas indizíveis e impublicáveis sobre a presidente e cia., quer que o governo entregue os pontos.

Obviamente nem só de economia quer saber o povo (vide junho) e não faltam problemas para resolver no Brasil. Porém, nenhuma reforma séria vai fazer efeito prático tão cedo. Havendo reforma, não se sabe se o eleitorado vai reconhecer o "sprint" final, o esforço presidencial de se encarregar de um pepino antigo. O problema, mesmo, porém, nem é esse. O governo não tem nem jamais teve plano para lidar com os problemas que estão no radar popular.

Corrupção não acaba nem na república dos anjos; depende também de reforma de procedimentos judiciais etc. Mas a coisa começa a andar com reforma administrativa, simplificação do governo e a criação de medidas de eficiência (se não sabemos quão eficientes somos, não temos medidas de desperdício). Isso não passou pelo programa de Dilma.

Nunca houve plano de passar um pente no SUS. A presidente mal falava de educação até a metade do seu mandato. No caso dos transportes, dedica-se até hoje ao disparate do trem-bala.

Tudo se passava como se a "infraestrutura social" do país estivesse nos trilhos, bastando apenas passar um batom ou fazer um aplique: medidas superficiais ou cosméticas, mesmo.

Dilma jamais teve um programa de reformas, por desgosto do Congresso ou por não ter preocupação com danos estruturais do SUS e do método falido de educar no Brasil.

Agora, não vai dar tempo de realizar nada, pois falta projeto. Mas tentar discutir e fazer um projeto, em vez de baixar decretos cosméticos, seria já um serviço. Mesmo que não renda muito voto. Que ela terá de qualquer modo de buscar com a marquetagem ou com a sorte.

Democracia eletrônica - MARCO LUCCHESI

O GLOBO - 17/07

A resposta dos três níveis de governo às manifestações demonstra um despreparo monumental das autoridades. Não desço a razões instrumentais, diminuindo a altura do debate, como os que pensam de forma oportunista nas próximas eleições. Vivemos uma transformação de paradigma e precisamos aprender a lidar com esses novos horizontes democráticos. A justificativa dos presidentes da Câmara e do Senado sobre o uso dos aviões da FAB é de uma eloquência meridiana. O patrimonialismo continua sendo uma árvore, de raízes fortes, que, se não dá frutos, produz sombras e manchas no corpo da República.

Elevemos o debate. O plebiscito é um recurso muito bem-vindo, desfavorecido muito embora pela precipitação com que foi desenhado, sem apoio e consenso. O que não diminui a necessidade de uma reforma política exigida pela “sabedoria das multidões”.

É preciso passar da ideia de governo para a de governança, deixar para trás o velho modelo fechado e centralizador para atingir formas distintas de deliberação, que incluam a sociedade civil no centro dos processos decisórios. Participação que não se limite ao voto e ao consenso, mas a uma interação difusa e permanente, através das tecnologias da informação e comunicação, ferramentas da democracia eletrônica (a e-democracy), ainda tímida no Brasil. Não se trata apenas de ampliar a qualidade dos serviços ou de promover mecanismos eficazes de controle e transparência. Condições necessárias, embora insuficientes. Buscamos formas que contribuam para a criação de um espaço público maior, o que não implica eliminação de partidos ou lideranças, nem dissolve tampouco a lógica da representação, mas aperfeiçoa as linguagens do consenso e alarga as instâncias decisórias. O espaço público adquire outra dimensão, quando passamos de objeto a sujeito da política. Num país que mal se libertou do populismo, a governança não parece facilmente assimilável. Mesmo porque a democracia ganhará consistência quando a inclusão social e a digital coincidirem.

Importa aperfeiçoar os canais de diálogo e os protocolos democráticos do cenário recente. Mas com maturidade, sem declarações de guerra entre antigos e modernos democratas, sem otimismos irresponsáveis, de 1968 contra 2013, ou do virtual contra o real, como se este fosse o demônio e aquele o inforredentor.

É preciso cuidado para que não se desloque para outro espaço a nova e igual concentração de poder. Vinhos com sabor de vinagre em odres recentes, derivados eletrônicos neopopulistas ou pós-fundamentalistas.

Para tanto, devem-se aperfeiçoar as múltiplas interfaces corretas e os sistemas de diálogo que possuam equidade e segurança jurídica. Comecemos com a aprovação do projeto de lei 2126/11, o marco civil da internet, de que o deputado Alessandro Molon é relator.

Vejo outra placa nas ruas: “Desculpem os transtornos, estamos aperfeiçoando a democracia no Brasil.”

Projeto 'desmatamento líquido zero' - MARCOS SAWAYA JANK

ESTADÃO - 17/07

O desmatamento continua sendo o principal tema que afeta o equilíbrio entre desenvolvimento agropecuário e conservação ambiental, mexendo com os humores de todo mundo: agricultores, ambientalistas, agroindústrias, varejistas, governos e consumidores. Na visão do agronegócio, o argumento é que a produção agropecuária utiliza apenas 28% da área total do País e o mundo não pode prescindir do Brasil para se alimentar e vestir.

Dois pontos reforçam esse argumento. O primeiro é que o Brasil teve os maiores ganhos de produtividade total da agricultura do planeta: 3,6% ao ano nas duas últimas décadas. O segundo é que, por causa desse desempenho, o desmatamento na Amazônia caiu mais de 80% nos últimos dez anos: de 2,5 milhões para 457 mil hectares/ano, o menor nível desde que a série foi criada. A alta produtividade, as rígidas leis ambientais e uma governança mais eficiente na fronteira agrícola permitiriam a expansão controlada da produção agrícola brasileira, muito mais eficiente, por exemplo, do que na África e no Sudeste Asiático, hoje.

Na visão dos ambientalistas, o argumento é que o Brasil já desmatou demais no passado recente (o maior nível do planeta) e não seriam necessários novos desmatamentos, que causariam importantes perdas de vegetação e biodiversidade, além de pesadas emissões de CO2. Eles argumentam que existem ao menos 20 milhões de hectares (Mha) de pastagens degradadas aptas a ser convertidas em agricultura, o que tornaria desnecessário qualquer desmatamento adicional.

O desmatamento é permitido pela legislação brasileira e muitos produtores contam com ele para garantir a rentabilidade de suas propriedades, principalmente nas fronteiras agrícolas. Mas será que ele é, de fato, necessário? A resposta não é simples. Estimativas da Plataforma Agro mostram que até 2022 a pressão de crescimento da agricultura será da ordem de 15 Mha adicionais aos atuais 68 Mha cultivados, o que deverá ocorrer principalmente em áreas de pastagens. Ora, nos últimos dez anos a produtividade da pecuária de corte passou de 43 kg para 58 kg de carcaça por ha, liberando 7 Mha para atividades agrícolas, de um total de 177 Mha de pastagens. Se nos próximos dez anos a produtividade passar para 80 kg de carcaça/ha, um número bastante plausível, serão liberados outros 14 Mha. Portanto, claramente há espaço para intensificação das pastagens, principalmente se houver a adoção maciça das técnicas de integração lavoura-pecuária.

Acontece, porém, que o processo de ocupação do território nacional foi marcado por mudanças constantes nas regras do jogo e falta de planejamento. Cidades cresceram em áreas onde jamais se deveria construir. A agricultura avançou sobre áreas sem aptidão agrícola, tanto em termos de solos como de declividade. Basta rodar pelo interior e observar a imensa quantidade de pastos degradados que dominam morros inacessíveis para o cultivo, cheios de cupinzeiros.

Por outro lado, nos Estados mais pobres do País, como Maranhão e Piauí, ainda há grande quantidade chapadões planos e férteis, cobertos por cerrados, onde a única saída efetiva de desenvolvimento regional reside no agro moderno. Moralmente não podemos condenar esses Estados a continuar com o IDH da Namíbia (0,68), quando têm tudo para se tornar um novo Paraná (IDH de 0,82).

Assim, simplesmente "congelar" o uso da terra seria condenar regiões de desenvolvimento tardio a jamais se desenvolverem na área em que têm maior aptidão. Essa política também não trará nenhuma solução para os milhões de hectares de áreas ocupadas sem aptidão agrícola. Portanto, é simplista e equivocada a ideia de que basta intensificar as atuais áreas de pastos degradados para resolver os desafios de produção do Brasil. A realidade é muito mais complexa: boa parte dessas áreas não tem aptidão agrícola alguma e nunca deveria ter sido desmatada, ao mesmo tempo que vastas áreas de solos férteis e planos se encontram sob vegetação de cerrado em regiões muito pobres.

Nasce dessa constatação a interessante ideia de "reordenamento estratégico" do território nacional, buscando obter um balanço de "desmatamento líquido zero", ou seja, zerar a diferença entre o desmatamento de novas áreas com aptidão agrícola e o reflorestamento de áreas já ocupadas sem aptidão agrícola. Essa proposta exige uma rara e inédita visão estratégica de longo prazo de nossos governantes. Claro que os mais puristas dirão, corretamente, que um hectare de área reflorestada vale menos, em termos ecológicos, que um hectare de vegetação nativa. Porém essa solução subótima é muito melhor do que nada fazer, além de marcar o início tardio de um processo de planejamento territorial, depois de 500 anos de desenvolvimento caótico.

Para tanto acredito que seria possível reestruturar vários programas hoje existentes: 1) a eliminação do desmatamento ilegal; 2) a reestruturação do Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) - a fim de incentivar a recuperação ou o reflorestamento de áreas degradadas - e do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima; 3) a reorientação do Fundo Amazônia e do Programa de Investimentos em Florestas; e 4) a aprovação de leis avançadas sobre pagamento por serviços ambientais e de projetos de redução de emissões por desmatamento e degradação (REDD+), que não excluam a conservação florestal nas fazendas. Recursos internacionais vultosos poderiam ser atraídos nesse contexto.

Da mesma forma que o mapa agropecuário será redesenhado pela nova logística que vem aí, um esforço inédito de zoneamento e planejamento territorial poderia dinamizar a implementação dos projetos agropecuários que o mundo espera do Brasil, otimizando o uso da terra e dos recursos naturais.

O mundo de Lula - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 17/07

BRASÍLIA - Luiz Inácio Lula da Silva escreveu um artigo para o jornal "The New York Times" a respeito da onda de protestos de rua pelo Brasil.

O ex-presidente usa o texto para duas finalidades. Primeiro, faz um autoelogio sobre seu governo e a ampliação da sociedade de consumo. Depois, aponta razões da insatisfação dos brasileiros. Aí, claro, o responsável é um sujeito oculto.

O PT está no comando do país há dez anos e meio, com Lula e Dilma Rousseff. É mérito petista o aumento do mercado consumidor. Mas está nesse mesmo escaninho a responsabilidade pelo que não foi realizado.

"Eles [os manifestantes] querem uma melhoria na qualidade dos serviços públicos", escreve Lula. É verdade. E prossegue: "As preocupações dos jovens não são apenas materiais (...) Acima de tudo, eles demandam instituições políticas que sejam mais limpas e transparentes, sem as distorções do sistema político-eleitoral anacrônico brasileiro, que recentemente se mostrou incapaz de conduzir uma reforma".

Como assim? O "sistema" se mostrou incapaz? De qual sistema Lula está falando? O ex-presidente escreve como se não tivesse se esbaldado por oito anos em abraços com tudo o que ele próprio rejeitara no passado, inclusive xingando em público --como Fernando Collor e José Sarney.

Chega a ser comovente o esforço de Lula para se aproximar dos manifestantes que foram às ruas. Ele prega a renovação dos partidos, inclusive do PT. A proposta é curiosa.

Lula manda no PT. O que foi realizado para modernizar o petismo nos últimos dez anos? Nada, exceto distribuir cargos públicos a filiados.

"Enquanto a sociedade entrou na era digital, a política permaneceu analógica", escreve Lula. Já ele próprio entrou numa era de distanciamento. Até porque, se desejasse, poderia ter ido também à rua dialogar com os indignados durante o mês de junho. Mas o petista prefere escrever artigos para o "New York Times".

Restringindo a aplicação da lei seca - DELMAR PACHECO DA LUZ

ZERO HORA - 17/07

Recente decisão de uma das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do RS mereceu reportagem de ZH pelo inusitado: a absolvição do condutor de veículo automotor que dirigia com índice de concentração de álcool no sangue superior ao permitido pela legislação.
O fundamento da decisão foi a exigência, além do índice de concentração de álcool no sangue, ainda, da prova de alteração da capacidade psicomotora do condutor para tipificação do delito.
Esta inovação trazida pelo órgão julgador significaria, na prática, exigir que, de alguma forma, se demonstrasse o perigo (concreto) que o condutor estaria representando na direção do veículo, quando se sabe que o legislador reconhece na embriaguez ao volante um delito de perigo abstrato.
É evidente que esta decisão força uma interpretação para deixar de aplicar a lei penal. Sinceramente, não há surpresa para quem acompanha o que vem acontecendo nestes tempos de louvação à impunidade. O que chama atenção é que ninguém tinha visto a novidade até agora, nenhuma das outras Câmaras Criminais, nem a própria.
Nos deparamos com isso reiteradamente, sob os mais diversos argumentos, que vão do rigor da lei ao descalabro do sistema penitenciário. Foi assim que aqui se inventou a prisão domiciliar para presos do regime semiaberto: colocando-se centenas de apenados nas ruas e a população em pânico.
Aliás, se olharmos com atenção veremos que, mais do que na lei, a impunidade está na interpretação que lhe é dada pelos aplicadores. Veja-se o exemplo do regime inicialmente fechado para os crimes hediondos, estabelecido pela Lei nº 11.464/2007, cuja constitucionalidade foi reconhecida até 2012, quando uma nova decisão do Supremo Tribunal Federal (6 x 5 votos), sendo relator o ministro Dias Toffoli, passou a dizer que a referida lei era inconstitucional e que o crime hediondo, conforme a quantidade da pena aplicada (se inferior a oito anos) podia iniciar o cumprimento em regime semiaberto ou aberto e, inclusive, ser substituída por penas alternativas. A lei é a mesma, a interpretação é que passou a ser outra.
A mesma coisa ocorreu com a pena reduzida do chamado tráfico privilegiado (do réu primário, de bons antecedentes e que não se dedique a atividade criminosa), para cuja pena a lei vedava a substituição por restritiva de direitos. Depois de anos de aplicação, o STF declarou a regra inconstitucional e passou a permitir a substituição.
Tudo sob o argumento da individualização da pena, como se a lei não tivesse diversas outras regras que limitam essa individualização e que ninguém sequer ousaria questionar a constitucionalidade.
Ou seja, não está na lei a impunidade, mas na sua aplicação. Nas inconstitucionalidades "descobertas" anos depois pelos novos ministros e julgadores, com novo viés ideológico.
Parece que o povo, fonte de todo o poder (não importa a forma de investidura, a fonte é sempre a mesma) está precisando fazer barulho em outros endereços. Não pensem que Eles também não ouvem, Eles ouvem, sim.

A vez do saneamento básico - MARCELO CERQUEIRA

O GLOBO - 17/07
Na iminência do lançamento do novo pacote de investimentos governamentais do Plano Nacional de Saneamento Básico, que prevê a aplicação de R$ 508,5 bilhões entre 2013 e 2033 em projetos de acesso da população a água e esgoto tratados, a indústria brasileira está pronta para fazer acontecer a tão esperada universalização do saneamento básico, tanto em novos projetos, como para renovação dos antigos sistemas que carecem de modernização urgente.

Tudo está preparado para ser realizado da maneira mais favorável possível. A indústria brasileira de PVC - material mais utilizado no Brasil para a produção de tubos e conexões para saneamento, com excelente relação entre resistência, leveza e preço - é hoje a maior da América Latina. Ou seja, além de atender a necessidades sociais e ambientais das mais importantes do País, do ponto de vista de negócios, o Plansab representa enorme potencial de demanda também para as empresas nacionais desse segmento.

A sociedade reconhece a necessidade de avanços na questão do saneamento e, não há mais como se contentar com o fato de que apenas 46% da população do Brasil estejam conectados com redes oficiais de esgoto, e que crianças brasileiras continuem perdendo 18% do aprendizado escolar, comprometendo seu futuro. A necessidade de erradicar doenças comuns a condições de extrema pobreza é uma questão humana e imediata. É responsabilidade de todos somar esforços para garantir gerações mais saudáveis.

A melhor notícia de todas é que com os diversos projetos propostos pelos governos federal e estadual, no PAC e nas parcerias público-privadas que estão surgindo, a realidade brasileira deve, sim, mudar radicalmente em duas décadas. E a indústria tem apostado nisso, com investimentos em inovações que tragam produtividade, confiabilidade e durabilidade.

O otimismo às avessas é explicado pela dimensão dos problemas enfrentados pelo nosso País na área de saneamento e pela expectativa de evolução desses projetos. Hoje, de acordo com dados do Trata Brasil, quase 20% dos brasileiros ainda não têm água tratada, sobretudo nas periferias e zona rural. Tendo isso em vista, a indústria nacional de PVC tem investido fortemente também em capacidade para atender ao mercado nacional. Os números comprovam a confiança da indústria na mudança a caminho.

A produção total de PVC do Brasil no ano passado foi de 746 mil toneladas. Há dois anos, essa produção era de 678 mil toneladas. Ou seja, um aumento de 10% em dois anos. Para 2013, a alta deve ser de 13%. O marco do saneamento deve representar uma alavancagem ainda mais significativa no consumo de PVC.

Considerando o levantamento da Organização Mundial de Saúde, para cada R$ 1 investido em saneamento são gerados R$ 4 de economia na saúde. E para cada R$ 1 milhão investidos em obras de esgotamento sanitário são gerados 30 empregos diretos e 20 indiretos, além dos empregos permanentes quando o sistema entrar em operação. Com um investimento médio de R$ 30 bilhões por ano calcula-se que seriam gerados potencialmente quase 1,5 milhão de novos empregos no mesmo período.

O saldo é totalmente positivo e, entre a disposição do governo e a competência da indústria, surgem os maiores beneficiados com as boas novas próximas: a população, em especial as mais carentes e as que vivem na zona rural. Serão menos 700 mil pessoas internadas e cerca de dois mil óbitos anuais evitados por doenças relacionadas à falta de saneamento básico. É a dignidade dos brasileiros que deve chegar, enfim, às suas casas através dos quilômetros de tubulações de PVC que vão cortar o subsolo do País.

Pesquisas adormecidas - CLÁUDIA COLLUCCI

FOLHA DE SP - 17/07

SÃO PAULO - O gigante acordou nas ruas, mas no campo das pesquisas clínicas parece adormecido. Problemas técnicos e burocráticos na aprovação de projetos continuam afugentando multinacionais e fazendo com que o Brasil só realize 1% dos estudos clínicos do mundo.

Além de abocanhar apenas migalhas dos 50 bilhões de dólares do setor, o país segue como um mero desconhecido para a comunidade científica internacional, conforme revela a Folha hoje.

Por mais bem-intencionada que seja a conexão de centros de pesquisas nacionais a instituições responsáveis por desenhar os testes clínicos, a iniciativa será inútil se persistirem os problemas da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa).

Só neste ano, 41 estudos clínicos que deveriam ser realizados, não o serão por conta da burocracia, prazos e processos. No mês passado, em audiência com pesquisadores de São Paulo, o coordenador da Conep, Jorge Venâncio, disse que havia 600 projetos à espera de aprovação.

Por insuficiência de pessoal técnico e outros problemas, a comissão só tem condições de avaliar cem projetos por mês. Venâncio promete dobrar a produtividade e zerar a fila de espera até o final do ano. A ver.

É claro que a agilidade deve acompanhar o cumprimento dos princípios éticos previstos no Código de Nuremberg, que norteia as pesquisas com seres humanos desde o julgamento dos crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.

Ao longo da história, a falta de segurança nos ensaios clínicos levou a tragédias como a da talidomida, na década de 1960. Prescrita como sedativo e no combate às náuseas da gravidez, a droga provocou defeitos graves na formação de braços e pernas de bebês do mundo todo.

As normas de segurança que regem os estudos clínicos que antecedem uma nova droga devem ser seguidas com rigor. Mas sem delongas que só atravancam a saúde, a ciência e as finanças do país.

Papel das hidrovias no Brasil é desprezado - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 17/07

Por falta de integração dos diferentes sistemas de transportes no país, o caminhão acaba sendo mais competitivo que todos os outros modais


São conhecidas as comparações que mostram as equivalências entre diferentes modais de transportes. Um trem chega a carregar o mesmo que mais de duas centenas de caminhões e um navio de cabotagem é capaz de substituir mais de 1.200 veículos. A racionalização do sistema de transporte tenderia, então, para uma maior utilização de ferrovias e navegação marítima e fluvial, mas isso não acontece por um fator surpreendente: o modal rodoviário quase sempre é mais competitivo.

Isso porque o caminhão tem mais flexibilidade, e acaba sendo mais ágil, pois permite a entrega porta a porta. As ferrovias brasileiras têm traçado antigo, e a navegação convive com uma burocracia infernal nos portos, até mesmo nos fluviais.

Mas, embora a legislação brasileira não estimule a integração, ela tem ocorrido, na prática, no caso dos granéis, por exemplo. Caminhões fazem o transbordo de grãos, minérios e combustíveis para ferrovias, que, por sua vez chegam a portos fluviais e marítimos, onde a carga é embarcada (ou desembarcada).

Nesta intermodalidade já existem algumas iniciativas de inclusão de hidrovias. Pelo tamanho dos rios brasileiros, elas deveriam ser mais presentes no sistema de transportes. Barcos carregados de soja, levada por caminhões desde o Norte de Mato Grosso, descem o Rio Madeira, a partir de Porto Velho, até o Solimões, no estado do Amazonas, e de lá embarcam em grandes navios graneleiros. A hidrovia Tietê-Paraná, em São Paulo, enfim ganhará mais importância com as barcaças que transportarão etanol ou celulose. Mas o que dizer das demais? O rio Tocantins já poderia ter uma boa hidrovia, se as hidrelétricas construídas ao longo do seu curso contassem com eclusas (por investimento público, ou privado, sob regime de concessão). O Rio Tapajós também é citado como uma hidrovia natural.

É claro que nem sempre essas hidrovias atravessam zonas de produção agropecuária ou industrial. Mas em vários pontos elas podem se integrar aos outros modais de transporte.

Infelizmente, no planejamento recente do sistema de transportes (que prevê a construção de novas ferrovias e terminais portuários) não se cogitou das hidrovias. No passado, havia objeções de ambientalistas a essas “estradas” fluviais devido à necessidade de dragagem para mantê-las navegáveis durante grande parte do ano. Em vários casos, já existem soluções técnicas que podem minimizar esse impacto no meio ambiente.

Ao menos dentro desse quadro negativo, há uma boa notícia. São Paulo se prepara para ter uma primeira hidrovia metropolitana, de mais de 50 quilômetros, nos rios Tietê e Pinheiros para transporte de pequenas cargas, especialmente resíduos e rejeitos. Hidrovias metropolitanas são comuns na Europa (as do Sena, na França, e do Tâmisa, na Inglaterra, são as mais conhecidas). É um exemplo que o Brasil deveria seguir.

A crise maior é de confiança - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 17/07
O governo terá de cuidar com urgência de dois problemas, se quiser comandar uma reativação econômica puxada pelo investimento. Precisará restabelecer a confiança de empresários e consumidores, fortemente reduzida depois de mais um semestre de inflação alta, baixo crescimento e muita incompetência na maior parte da administração pública.
A onda nacional de mau humor, confirmada por uma série de sondagens, como a nova pesquisa CNT/ MDA, está refletida na sensível piora de avaliação do governo e da presidente Dilma Rousseff. O outro grande problema é a baixa eficiência do próprio setor público, incapaz de cumprir a maior parte de suas promessas e, de modo especial, de destravar e pôr em movimento os programas e projetos indispensáveis a uma retomada firme do crescimento.

Se a presidente e sua equipe exibirem mais seriedade e competência do que mostraram até agora, poderão mais facilmente fixar um rumo para a economia nacional e influenciar de forma positiva as expectativas dos agentes particulares. Nada conseguirão, no entanto, com mais bravatas e tentativas de enfeitar um cenário muito feio.

Três sondagens divulgadas ontem evidenciaram de novo a crise de confiança no governo e nas perspectivas da economia. Em apenas um mês, de junho para julho, a avaliação positiva da administração federal caiu de 54,2% para 31,3%, segundo a pesquisa CNT/MDA. No mesmo período, a expectativa de melhora da situação do emprego diminuiu de 39,6% para 32% e a de piora quase dobrou, passando de 11,5% para 20,4%. A esperança de aumento da renda mensal encolheu de 35,8% para 29,6%.

Outra pesquisa importante, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou uma nova queda do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Com a redução de 54,8 para 49,9 pontos, o indicador chegou em julho ao nível mais baixo desde abril de 2009, quando o País ainda experimentava os efeitos da recessão iniciada no fim do ano anterior. O Icei varia de zero a 100 e valores acima de 50 indicam empresários confiantes.

Houve piora tanto da avaliação das condições atuais da economia e da empresa, comparadas com as dos seis meses anteriores, quanto da expectativa para os seis meses seguintes.

O indicador de confiança diminuiu nos três grandes segmentos industriais, mais acentuadamente no setor de transformação do que na construção e na mineração.

O quadro é perfeitamente compatível com a piora dos indicadores de produção e de emprego divulgados nas últimas semanas por entidades oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e por associações privadas. Também ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apresentou os dados de emprego do mês passado.

O nível caiu 0,23% de maio para junho, descontados os fatores sazonais, e ficou 1,05% abaixo do registrado um ano antes. No primeiro semestre, o índice foi 2,31% superior ao de um ano antes, graças, em grande parte, à expectativa de reativação dos negócios. Mas antes de junho essa expectativa já começou a se esvair.


O resultado do semestre reflete o panorama da economia em 2013, com uma atividade industrial "aquém das expectativas", comentou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. Quanto à estimativa para os meses seguintes, acrescentou, é "nada alvissareira".

Até agora, a presidente e sua equipe se mostraram preocupadas principalmente com os efeitos eleitorais da piora de sua imagem. Todas as suas respostas, até agora, foram obviamente orientadas por uma visão de marketing de campanha. Nada foi feito para motivar a recuperação da confiança na evolução da economia e, de modo especial, na gestão econômica do governo a partir deste semestre.

Ao contrário: os anúncios mais notáveis, nesse campo, foram de mais truques para maquiar as contas públicas. Como reavivar a confiança dos cidadãos, se nem o governo pode acreditar no próprio discurso?

Família de equívocos - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 17/07

Polícia Federal conclui que onda de boatos sobre programa social do governo não teve origem criminosa; Caixa ainda deve explicações


Após 55 dias de investigação, a Polícia Federal esclareceu que não foram cometidos crimes na onda de boatos sobre o fim do Bolsa Família em maio. Reiteradas mentiras das autoridades envolvidas, porém, contribuem para que permaneçam obscuras as explicações sobre os acontecimentos.

Ontem, esta Folha revelou que a Caixa Econômica contrariou norma federal ao antecipar a distribuição dos benefícios sem autorização do Ministério do Desenvolvimento Social. A pasta é a principal responsável pelo Bolsa Família e única instituição apta a alterar o calendário de pagamentos.

Isso não havia ficado claro. Dois meses atrás, o presidente do banco público, Jorge Hereda, afirmou, de forma esquiva, que o procedimento "foi comunicado" ao ministério. Era, agora se sabe, uma artimanha: a lei é clara ao dispor que a antecipação dos pagamentos precisa ser aprovada pela pasta, e não apenas informada a ela.

Esse não foi o único episódio no qual a direção da Caixa faltou com a lisura que se espera de autoridades públicas. Revelou-se falsa a primeira versão do banco para a confusão verificada em maio.

Entre os dias 18 e 20 daquele mês, uma multidão correu às agências da Caixa em 13 Estados para sacar o dinheiro do Bolsa Família. Temia-se que o benefício se extinguisse em breve. Houve tumulto e depredação de unidades do banco.

A direção da Caixa então declarou que havia antecipado o pagamento justamente para evitar que o alvoroço aumentasse.

Reportagem desta Folha mostrou, no entanto, que a versão oficial não se sustentava: no dia 17 de maio --antes de os tumultos ganharem força no país--, uma beneficiária do programa na região metropolitana de Fortaleza já havia recebido o pagamento antecipado.

Ela não estava sozinha. Os R$ 2 bilhões em benefícios foram depositados de uma só vez nas contas das 13,8 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Normalmente, a liberação ocorre de forma escalonada ao longo de dez dias. Foi essa mudança súbita, e sem aviso, um dos principais fermentos para toda a confusão, segundo apuração da Polícia Federal.

Ou seja, os boatos surgiram de forma espontânea, e não sob a liderança de alguém "criminoso" e "desumano". Desmentiu-se, assim, a afirmação da presidente Dilma Rousseff, cujo governo, não sem alguma dose de oportunismo político, tratou de imputar à oposição a responsabilidade pelo ocorrido.

Faria melhor a presidente se cobrasse conduta mais transparente de seus subordinados. Seu silêncio diante da trapalhada ainda mal esclarecida faz crer que aumentou a tolerância do governo com os próprios erros.

Qualidade exige investimentos em tecnologia - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 17/07
Em palestra recente, o vice-presidente da General Motors do Brasil, Marcos Munhoz, repassou conceito que merece ser reproduzido: "Tecnologias que permitam produtos mais sustentáveis são tão importantes quanto a responsabilidade corporativa e a economia de recursos nas fábricas". O executivo, que falou sobre gestão global e tendências futuras nos negócios atuais, apresentou os resultados de pesquisa que avaliou o cenário de 2 mil empresas em 22 países, com a presença de uma centena de brasileiras. Para ele, o Brasil está no caminho certo, mas ainda há muito o que melhorar.
Na avaliação dele, organizações com lideranças executivas que gerenciam diretamente o processo de qualidade são 30% mais propensas a ver a questão como atividade de melhoria contínua, em comparação com a média das demais. O entendimento do conceito de qualidade foi diverso entre as pessoas pesquisadas, sendo que, para a maioria das corporações, esse item é atividade de evolução constante. Aliás, o tema qualidade esteve na pauta dos protestos ocorridos recentemente no país - principalmente quanto aos serviços de saúde, educação e transporte. Contudo, para que haja gestão nesse âmbito, seja no setor privado, seja no público, é preciso conhecimento.

A tecnologia hoje é fundamental nas organizações de grande porte. É inegável que as inovações tecnológicas introduzidas nas organizações aumentaram a produtividade - pelas melhorias que incorporam aos processos produtivos ou pela racionalização da mão de obra. No mundo atual, as organizações são avaliadas a todo momento pelos consumidores, fazendo-se necessário que se qualifiquem tecnologicamente para oferecer ferramentas propícias aos funcionários na realização das tarefas. Dessa forma, tecnologia e qualidade são inseparáveis em qualquer empresa comprometida com um mercado cada vez mais exigente.

Não há dúvida de que a sustentabilidade empresarial pode ser oportunidade de novos negócios para as empresas, gerando receitas e contribuindo para a perenidade dos negócios. Portanto, o recado dado pelo vice-presidente da GM pede mudança de paradigma das organizações. Isso passa por repaginação dos modelos de produção e de consumo, que pode ser traduzida como sustentabilidade empresarial.
A proposição inova e desafia organizações e administradores a respeito da necessidade de conciliar os interesses econômicos com os ambientais e sociais, o que inevitavelmente resultará em bom retorno financeiro. Produzir com sustentabilidade, em harmonia com a sociedade, significa ir além da produção de riqueza material. Esse é, insofismavelmente, o maior desafio do empresariado neste século.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Enquanto a sociedade entrou na era digital, a política permanece analógica”
Ex-presidente Lula, que defende a renovação do PT em artigo no jornal New York Times


STF: MINISTROS JÁ ESPERAM FIM DO FORO PRIVILEGIADO

Após terem condenado políticos às celas no julgamento do mensalão, ministros do Supremo Tribunal Federal consideram “inevitável” o fim do foro privilegiado, que submete processos envolvendo autoridades ao crivo da Suprema Corte. A medida mandaria à primeira instância cerca de 166 ações penais e 513 inquéritos,que esperam apreciação no STF, ajudando acusados a empurrar ainda mais o julgamento com a barriga.

RUMO À PRESCRIÇÃO

Advogados comemoraram na última reunião da OAB o possível fim do foro privilegiado, o que só aumentará a gama de recursos protelatórios.

OLHA A MANOBRA

Assim como os mensaleiros, o deputado Natan Donadon – condenado à prisão – fez de tudo para transferir seu processo à primeira instância.

RECORDAR É VIVER

O processo do ex-senador Luiz Estevão, condenado a 31 anos prisão, se arrasta desde 2002, quando iniciou julgamento na primeira instância.

AÍ TEM COISA

Para prefeito Paulo Piau, “é no mínimo suspeito” o parecer da Agência Nacional de Petróleo que inviabiliza produção de amônia em Uberaba.

AVIÃO ‘RETIDO’ DE AMORIM VIRA PIADA COM BOLÍVIA

A emenda foi pior que o soneto na “consertação” do vexame impingido ao ministro Celso Amorim (Defesa) no aeroporto em La Paz, na Bolívia, no fim de 2012, como revelou no domingo (14) o www.diariodopoder.com.br: o ministro admitiu em nota oficial ontem que seu avião foi “vistoriado” no fim de 2011. O governo do maluquete Evo Morales nega ambas as violações da soberania brasileira com a sinceridade bolivariana habitual, mas prometeu investigar.

DE JOELHOS

Ministros bolivianos correram a afirmar que “a Bolívia respeita tratados internacionais”, mas a nota do ministro Amorim confirma a humilhação.

EXPLICAÇÕES

A oposição boliviana pediu explicação oficial à chancelaria de seu país sobre o episódio, que teve grande destaque na imprensa local ontem.

AUDÁCIA COCALEIRA

Cães farejadores entraram no jato da FAB procurando o senador de oposição Roger Pinto, asilado há mais de ano na embaixada do Brasil.

SERVIRÃO DE EXEMPLO

O PT avisou à base aliada que punirá os seis petistas que votaram contra o governo Dilma na Lei dos Royalties. Além de serem excluídos da relatoria de projetos até o fim do ano, Fátima Bezerra (CE), Erika Kokay (DF) e Eudes Xavier (CE) perderão cargo de vice-líder da sigla.

SELEÇÃO

A agência de propaganda Calia/Y2, que já tinha um craque do marketing político, Elsinho Mouco, agora se reforça com um craque da publicidade. José Badaró é o novo vice-presidente em Brasília, onde atenderá, dentre outras contas, ao Ministério da Saúde.

SANTA ENCRENCA

O Planalto está preocupado com o encontro de Dilma com o papa Francisco, segunda (22), no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, onde manifestantes vão protestar contra o governador Sérgio Cabral. A “blindagem” será de guerra, mas não ostensiva que constranja o papa.

CANSEI

O esperado relatório de voos da FAB mostrou céu de brigadeiro contra espiões dos EUA ao general Elito (Segurança Institucional): às 13h de sexta (12), ele embarcava no jatinho para casa em Salvador (BA).

CARDÁPIO GORDO

O vice-presidente Michel Temer parece ter cansado do cardápio: reservou R$ 4,3 mil para treinar oito cozinheiros na preparação de receitas diet e light no Palácio do Jaburu, afirma o Contas Abertas.

NA MIRA DO CRIME

A Justiça de SP oficiou o Ministério Público para apurar suposta fraude da OAS, sucessora da enrolada Bancoop, contra idosa de 80 anos, analfabeta, apresentando nova escritura do imóvel quitado por ela.

PESOU A MÃO

O Palácio do Planalto mandou adiar a votação do projeto que destina royalties do petróleo para a Educação e a Saúde após ser informado de que a traição no PMDB duplicaria, e no PT, triplicaria. Deputados reclamam que o governo chegou a ameaçar de expulsão petistas contrários à proposta.

SONHO OLÍMPICO

Recordista brasileira em salto a distância, a paratleta Marivalva de Almeida, 35, andou pela primeira vez em 15 anos, com a prótese da perna esquerda implantada pela equipe da Loma Linda University, na Califórnia (EUA). Ela quer disputar a Olimpíada de 2016 sem muletas.

PENSANDO BEM...

...agora expostos na FAB, os doidos por jatinho devem estar cobiçando os “drones” invisíveis.


PODER SEM PUDOR

O SONO DO TÉDIO

Eleita prefeita de São Paulo, Luiza Erundina foi a uma reunião com o prefeito Jânio Quadros, que logo caiu num sono profundo. A reunião durou duas horas, todos sussurrando para não incomodar Jânio. Sem jeito, Erundina não sabia o que fazer: despedia-se do prefeito? Ia embora? O secretário de Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo, cutucou o dorminhoco:

- Presidente, já terminamos.

Jânio acordou, já com olhos arregalados, ajeitando-se na cadeira:

- Sim? E o que decidiram por mim? Onde assino?

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Francisco em Copacabana – Rio terá dois ‘réveillons’ na semana que vem
Folha: Ameaça de protestos deve mudar rota do papa no país
Estadão: Abin avança que protesto é ameaça na visita do papa
Correio: Fazenda de gado no DF virou aeroporto
Valor: Os fundos que driblaram a queda da bolsa no semestre
Estado de Minas: Uma chance para a Pampulha
Jornal do Commercio: O Recife contra o crime
Zero Hora: Transparência – O mapa dos cargos em comissão da Assembleia
Brasil Econômico: Economia em baixa leva empresas ao mercado de energia