quinta-feira, maio 09, 2013

Governo grande - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 09/05

Sábado passado à tarde, aeroporto de Miami: quase três horas para carimbar o passaporte. Voos desembarcavam passageiros do mundo todo. Pessoas se aglomeravam em filas apertadas, manifestavam surpresa. Alguns brasileiros arriscavam a ironia: isso aqui está pior que Guarulhos, hein!? Pois deveriam estar contando com a confusão.

No começo da fila, um cartaz grande anunciava: "em razão dos cortes no orçamento federal, o departamento de imigração está trabalhando com menos funcionários do que o normal. Por favor, seja paciente e colabore com os agentes".

Conversa daqui e dali - nessas filas em caracol , você vai criando um companheirismo de infortúnio, pois cruza várias vezes com as mesmas pessoas - e deu para saber que quase ninguém ali sabia o que estava acontecendo. Algumas pessoas nem haviam percebido o cartaz. Outras, sim, mas estavam longe de saber por que, afinal, havia os tais cortes no orçamento federal.

Sentiam na carne os efeitos de um impasse político em Washington, mas nem imaginavam que se tratava disso, de governo e política. Para resumir, portanto: o presidente Obama e os líderes republicanos, depois de anos de negociações, ainda não chegaram a um acordo de longo prazo para o necessário ajuste das contas públicas americanas, com déficits anuais e dívidas elevadas. Como o orçamento federal tem se ser votado todo ano, há um impasse anual. Em um desses momentos, os dois lados concordaram com um arranjo provisório e estabeleceram que, não havendo entendimento consistente um ano depois, entrariam em vigor cortes automáticos de gastos em toda a administração federal, além de aumentos de impostos.

É o que está acontecendo. Na flexível administração americana, a falta de verbas públicas produz resultados imediatos. Funcionários são demitidos ou, solução mais branda, mandados para casa, em licença não remunerada; obras e compras, de equipamentos militares, por exemplo, são eliminadas: e serviços tornam-se precários, como a imigração nos aeroportos.

No caso daquele sábado à tarde, as vítimas eram estrangeiras. Não havia fila no guichê dos residentes nos EUA. Mas os americanos estavam pagando caro pela redução no número de controladores de tráfego aéreo: voos atrasados no país inteiro. Isso foi torrou tanto a paciência dos consumidores, que o Congresso reuniu-se às pressas para aprovar a liberação de verbas extraordinárias para o departamento de controle de voos, com o voto amplo de democratas e republicanos.

E quer saber? É bom mesmo que falhas da gestão pública sejam imediatamente sentidas pela população. É educativo. Desde a crise de 2008, tornou-se moda dizer que a culpa de tudo foi o excesso de liberalismo, que teria eliminado regulações e reduzido demais o tamanho e as funções do Estado. De fato, houve pouca regulação das atividades financeiras, mas especialmente nos EUA e em alguns países da Europa, como a Inglaterra. Mas está claro que não se pode dizer que o sistema financeiro brasileiro foi em algum momento desregulamentado. Nem nos demais emergentes.

Quanto ao tamanho governo, vamos concordar, gente: só cresceu e isso no mundo todo, EUA incluídos, como se vê agora.

Obama, que tem o poder de ordenar os cortes, tem sido acusado pelos republicanos de criar caso de propósito. Estaria cortando recursos de serviços diretos ao público para dizer: estão vendo! tudo culpa desses republicanos que não querem aumentar impostos para os ricos!

E assim o debate tornou-se mais urgente, embora não menos fácil: o governo é grande, é preciso cortar gastos - quais? - e aumentar impostos - de quem?

A propósito, governos estaduais querem cobrar imposto ao consumidor nas vendas via Internet. Hoje, essas vendas só são taxadas quando o vendedor tem presença física no Estado. Logo, as grandes lojas de departamentos já recolhem o imposto e, claro, o colocam no preço. Já empresas médias e pequenas, instaladas em um único Estado, e que só vendem pela Internet, não recolhem nada e ganham uma vantagem.

Uma decisão antiga da Suprema Corte diz que essas empresas não têm como lidar com a legislação tributária de tantos estados. Mas agora os legisladores federais estão dizendo que modernos softwares podem fazer isso facilmente. Entende-se a cobiça: uma arrecadação de US$ 12 bi/ano.

Nasce assim o ICMS americano. Eu não disse que o governo sempre cresce? E da pior maneira…

Alta demais - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 09/05

Ainda não há boas notícias da inflação. Ela continua alta, à beira do inadmissível, e espalhada demais.

Em abril, a evolução do IPCA ficou em 0,55%, acima das expectativas do mercado, de 0,45% - como mostrou a pesquisa Focus, do Banco Central.

Os otimistas incorrigíveis dirão que, no período de 12 meses terminado em abril, houve recuo da inflação de 6,59%, em março, para 6,49% - já abaixo da linha de tolerância, os tais 6,50%, incluída aí a área de escape. Esse efeito aconteceu porque, nos cálculos, saiu a inflação de abril de 2012, de 0,64%, e entrou esse 0,55% de abril deste ano. Não dá para baixar a guarda. Trata-se de recuo irrelevante.

Dentro do governo há diagnósticos divergentes para a trajetória da inflação. Para as autoridades do Ministério da Fazenda é o resultado preponderante de choques de oferta, como acontece com a alta do tomate, da farinha de mandioca e da cebola (veja o Confira) - o que deve se resolver quando a produção se normalizar.

Mas para outros setores, sobretudo para o Banco Central, o galope tem mais a ver com a demanda maior do que a oferta, por sua vez, relacionada com despesas excessivas do governo e com o aquecimento do mercado de trabalho.

Essa divergência não é de natureza acadêmica. Implica manejar ou não políticas. Para a Fazenda, é melhor esperar até que a produção agrícola se normalize. Para o Banco Central, é preciso atacar as verdadeiras causas com disciplina orçamentária e com redução do volume de dinheiro na economia (alta dos juros).

Não dá para negar que o impacto da alta dos alimentos é forte: avanço de 14,0% em 12 meses. Mas não explica tudo. A inflação está espalhada demais, não está concentrada nesse setor, como mostra o índice de difusão ainda alto, de 65,8%. (Esse termômetro indica o número de itens da cesta de consumo que registraram alta de preços.) A inflação dos serviços, de 8,12% em 12 meses, dá razão ao Banco Central.

Nos próximos meses, a alta dos alimentos deve se acomodar. Em compensação, há número relativamente alto de reajustes programado para as próximas semanas, que deve puxar para cima a inflação em 12 meses.

E, mais do que isso, tanto os governos seguem gastando demais como o mercado da mão de obra continua elevando os salários, criando renda e consumo.

Os dois maiores efeitos perniciosos de curto prazo da inflação são a erosão do poder aquisitivo do trabalhador e a valorização do câmbio real. A redução do poder aquisitivo eleva a pressão dos sindicatos por reajustes de salário ou pela adoção do gatilho salarial (reajuste sempre que a inflação atingir determinado nível) que, se aceito, tende a realimentar a inflação. A queda do poder aquisitivo ainda acirra a inadimplência (calote).

A erosão do câmbio real é a perda de competitividade imposta ao setor produtivo quando seus custos sobem com a inflação sem evolução correspondente da cotação da moeda estrangeira. O resultado é o encarecimento do produto nacional e barateamento do importado.

A tendência nos próximos meses é de que a inflação se mantenha alta, embora com algum recuo ocasional.

Dois desequilíbrios - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 09/05

O Brasil está aumentando dois desequilíbrios: o das contas externas e o das contas internas. O rombo de dentro é mais grave. O superávit primário vem caindo bastante, os sinais são confusos, e no ano que vem pode ficar abaixo de 1%, na previsão do economista Ilan Goldfajn, do Itaú Unibanco. "O total das desonerações pode chegar a 1,7% do PIB em 2014", diz o economista.

Com políticas de benefícios a setores ou corte de impostos mais gerais, o governo vai deixar de arrecadar 1,7% do PIB e decidiu que não vai contabilizar isso como gasto. Como renúncia fiscal é gasto, essa decisão só fará com que as contas públicas fiquem ainda mais opacas.

- O maior problema da área fiscal é a falta de transparência. A gente não sabe mais para onde o governo está indo. Sabe que ele fará uma política contracíclica, mas oscilará entre que parâmetros? - diz o economista Nilson Teixeira, do Credit Suisse.

O banco fez um trabalho que mostra que os investimentos em infraestrutura programados vão exigir aportes ao BNDES de R$ 50 bilhões por ano até 2018:

- Se for feito através de captação de dívida, a relação dívida/PIB, sob qualquer parâmetro, vai piorar muito.

O Brasil parece estar melhor do que outros países porque a dívida líquida tem caído. Na dívida líquida, as reservas cambiais e outros ativos são descontados. Só que empréstimos feitos ao BNDES estão nesses ativos e eles são dívida contraída a curto prazo, para que o banco empreste a longo prazo. Não tem liquidez.

A consultoria Tendências produz um indicador que exclui da dívida líquida esse tipo de ativo. O percentual, que oficialmente em março ficou em 35,5% do PIB, sobe para 51,2%. Segundo Felipe Salto, créditos do Tesouro concedidos aos BNDES somam 8,2 pontos. Há também recursos do FAT na rede bancária, empréstimos feitos à Caixa e ao Banco do Brasil, e créditos que o Tesouro têm a receber de estatais. Tudo isso é mais difícil de ser resgatado e diferente das reservas aplicadas em títulos do Tesouro americano, que podem ser vendidos facilmente.

Por isso, é importante verificar a dívida bruta. Como mostra o gráfico, ela tem subido nos últimos dois anos. Em 2009, isso também aconteceu, mas para combater a crise. Não é o caso agora. E é esse dado da dívida bruta que é comparado no mundo inteiro. Também o indicador utilizado de contas públicas é o déficit nominal. No primeiro trimestre, chegou a 2,79% do PIB.

- Nos nossos cálculos, qualquer superávit primário abaixo de 1,5% do PIB faz crescer todas as dívidas, a bruta e a líquida - disse Ilan.

Nas contas externas, o rombo está indo para 3% do PIB. Não é um desastre histórico porque já houve déficits muito maiores, inclusive em alguns anos do governo do PSDB. O problema é que não há garantia de que a diferença seja coberta com investimento direto.

- E aí acaba financiado pelo dinheiro que ninguém quer - disse Ilan, referindo-se ao capital especulativo.

O país só atravessa este período de expansionismo fiscal e deterioração das contas externas porque passou anos acumulando reservas e reduzindo a dívida.

- O que está nos segurando é o passado e não a expectativa do futuro - alerta Ilan Goldfajn.

Ontem, hoje e amanhã - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 09/05

O programa de TV do PT que vai ao ar hoje encerra a era da comparação com a herança do PSDB e apresenta os governos de Lula e Dilma Rousseff como um projeto "vitorioso'' e que ainda tem "mais" a oferecer ao país. Numa edição dinâmica, serão mostradas realizações dos últimos dez anos para passar a mensagem de continuidade das gestões petistas. Para lançar a ideia de mais quatro anos para Dilma, serão martelados os desafios para o "futuro", palavra-chave na propaganda.

Coffee break Após a posse de Guilherme Afif no Planalto, hoje, Dilma Rousseff receberá Rui Falcão no Alvorada, com o ex-presidente Lula. Também participa da conversa o onipresente Aloizio Mercadante (Educação).

Ansiolítico Em conversa com Dilma ontem após a divulgação de que a inflação de abril fechou em 0,55%, Guido Mantega (Fazenda) disse que o resultado ainda estava contaminado pela alta de preços dos alimentos e que os números de maio serão melhores.

Conta-gotas 1 A Procuradoria-Geral da República só havia recebido até ontem 3 dos 26 embargos de declaração do mensalão enviados por Joaquim Barbosa a Roberto Gurgel para análise.

Conta-gotas 2 Assessores do STF informam que os recursos foram enviados, mas houve uma demora na saída devido à burocracia na corte. Gurgel quer esperar para fazer uma manifestação única sobre os recursos.

Tudo igual Interlocutores acreditam que o procurador-geral seguirá a linha de suas recentes declarações e dará parecer contra os embargos e qualquer alteração no acórdão do julgamento.

Páreo A procuradora-geral de Justiça do Distrito Federal, Eunice Carvalhido, entrou no páreo para a cadeira do ministro Carlos Ayres Britto no Supremo, vaga há seis meses. Ela conta com a simpatia do vice-presidente da corte, Ricardo Lewandowski.

Plano B Diante do risco de derrota na votação da medida provisória dos portos, o governo estudava alternativas. Além de licitar todas as áreas portuárias com contratos anteriores a 1993 e já vencidos, outra ideia é fatiar a reforma do setor por tópicos.

Compensação Senadores da base aliada já estudam, com o conhecimento da Fazenda, compensações para São Paulo, atingido pelas mudanças no ICMS aprovadas na Comissão de Assuntos Econômicos. Uma delas seria incluir na proposta benefícios para o polo tecnológico da região de Campinas.

War Do senador Delcídio Amaral (PT), relator da reforma do ICMS e pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul: "Quanto mais Geraldo Alckmin e Andrea Calabi disserem que eu prejudiquei o Sudeste, mais votos me garantem no meu Estado''.

Bolado A contrariedade de Alckmin com a mudança no ICMS foi responsável pelo discurso duro do tucano ontem. "É inacreditável. E tem tudo para piorar. É preciso indignação da população", disse. Depois, ligou para vários governadores para articular reação ao projeto.

Manda ver A base governista na Assembleia paulista vai deixar correr sem dificuldades um eventual pedido de impeachment do vice Guilherme Afif caso evolua a representação do deputado Carlos Giannazi (PSOL).

Controle remoto O Legislativo paulista publica hoje edital da licitação para a produção de conteúdo da TV Assembleia. O contrato atual, de R$ 40 milhões e firmado sem licitação, vence amanhã. Prorrogado duas vezes desde 2011, é investigado pelo Ministério Público.

com ANDRÉIA SADI e PAULO GAMA

tiroteio
"Depois da rodada de boxe entre os Estados na questão dos royalties, o governo federal patrocina agora o sangrento UFC do ICMS."
DO DEPUTADO CARLOS SAMPAIO, líder do PSDB na Câmara, sobre a atuação de Dilma Rousseff na negociação da discussão da reforma do tributo.

contraponto


Deixa a vida me levar
Em sessão na Câmara paulistana, Laércio Benko (PHS) pediu a palavra e disse que adotaria "linha filosófica".

-- Só se for de alto nível. Bertrand Russell para cima --advertiu o presidente José Américo (PT).

Benko começou citando Nietzsche, mas se convenceu de que a sabedoria popular era mais adequada para cobrar celeridade do prefeito Fernando Haddad na regulamentação de atendimentos a pessoas com autismo.

--Faço então uma citação filosófica muito útil para vereadores novatos como eu, do grande filósofo Zeca Pagodinho: "Camarão que dorme a onda leva".

Incompatibilidade de gênios - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 09/05

É impressionante e sério o que ocorre com a presidente Dilma Rousseff e os congressistas de um modo geral. Em especial, os deputados. Passados dois anos e quatro meses de governo, é cristalino que os parlamentares não aprenderam a lidar com o estilo de Dilma e nem ela aprendeu a ler atentamente as manhas de sua base política.

Nesse jogo de cão e gato constante, a vida do governo no Parlamento segue como um casamento em que marido e mulher não se suportam e pouco dialogam. Os projetos em comum são praticamente nulos. Mas, sabe como é, dez anos não são dez dias e, enquanto o público externo estiver achando que está tudo bem, o casal vai levando a vida, apesar das incompatibilidades.

No geral, salvo pouquíssimos líderes, ou um ou outro levado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, a agenda política de Dilma é nula. Temer, aliás, aprece ter sido um que aprendeu a lidar com o jeitão da presidente, mas não detém o poder de melhorar de vez o péssimo clima entre os parlamentares e Dilma. A sensação é a de que, a cada minuto, os políticos querem dar o troco em Dilma por tratá-los de um modo geral como meninos mimados. E a recíproca é verdadeira. Ela, por sua vez, é vista como autoritária e irascível pela base.

Ontem, por exemplo, foi um desses dias. No mérito da Medida Provisória 595, o governo parece ter perdido ontem o controle do processo. O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) levantava a hipótese de uma greve nos portos hoje cedo, caso o governo insistisse em retomar a MP original, que restringia a atuação dos Órgãos Gestores de Mão de obra (Ogmos). Os empresários, divididos entre aqueles que se beneficiam com o texto do governo, em especial, os que têm portos privados; e aqueles que se consideram prejudicados, os atuais concessionários de postos públicos, cabalavam votos no plenário, tornando impossível uma avaliação sobre que tipo de projeto sairá dali.

Sem comando sobre a base, no meio da noite de ontem, o governo olhava para a MP com ares de “deixa cair tudo no dia 16 de maio”, prazo fatal da 595. Isso porque, a medida, ainda que aprovada ontem, se fosse modificada no Senado — e tudo leva a crer que modificações virão —, volta para a Câmara. Mais uma vez, a história dos royalties do petróleo e do Código Florestal se repete. Se ninguém sentar para fazer uma terapia e aprender a lidar um com o outro, ou seja, dialogar. Essa cantilena não terá fim.

Enquanto isso, no Mané Garrincha...

Diante de uma base cada vez mais fraturada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trata de cuidar dos seus. Ontem, por exemplo, participou de uma série de encontros em Brasília, a começar por uma conversa reservada com o governador Agnelo Queiroz por meia hora no aeroporto.

Da conversa no aeroporto, participou também o presidente do PT, Rui Falcão. É a direção nacional do partido e seu maior líder, Lula, abraçando a campanha reeleitoral do governador. Lula afirmou ainda que virá mais a Brasília para acompanhar Agnelo em eventos nas cidades do DF e não apenas em Brasília. Hoje, as conversas de Agnelo com Falcão prosseguem com um café da manhã na residência oficial de Águas Claras. Aliás, toda essa investida de Lula e do PT pró-Agnelo tem um alvo: tirar fôlego dos aliados que planejam pré-candidaturas contra o petista, leiam-se Antonio Reguffe, do PDT, e Rodrigo Rollemberg, do PSB. Pelo visto, o ex-presidente não passa um dia sem tirar um pouco de oxigênio do PSB de Eduardo Campos. O raciocínio do PT é o de que se não houver Eduardo em 2014 — hoje um lusco-fusco entre governo e oposição — será mais fácil manter os partidos da base na sua órbita. E, ainda assim, se o casamento com Dilma naufragar, eles sempre terão Lula. O ex-presidente está na área, no estádio e nas ruas para assegurar que a maioria da base não se arrisque a apoiar o senador Aécio Neves (MG). Esse jogo eleitoral está apenas começando e os planos do PT, ao que tudo indica, passam pelo DF. Pode apostar.

Três vezes no "Guinness" - JOSÉ SERRA

O ESTADO DE S. PAULO - 09/05
Em palestra recente afirmei que o ex-presidente Lula mereceria pelo menos três verbetes no Guinness World Records. O primeiro por ter levado à pré-insolvência a Petrobrás, apesar de ser monopolista, a demanda por seus produtos ser inelástica, os preços internacionais, altos e as reservas conhecidas, elevadas. Fez a proeza de levar a maior empresa do País à pior situação desde que foi criada, há 60 anos. Promoveu o congelamento de seus preços em reais, instaurou uma administração de baixa qualidade e conduziu a privatização da estatal em benefício de partidos e sindicatos, com o PT no centro. Esse condomínio realizou investimentos mal feitos e/ou estranhos, sempre a preços inflados; queimou o patrimônio da Petrobrás na Bolívia; promoveu previsões irrealistas sobre o horizonte produtivo do pré-sal e fulminou, para essa área, o modelo de concessão, trocando-o pelo de partilha, que exige da empresa ampliação de capacidade financeira, administrativa e gerencial impossível de se materializar.

Outro verbete é o da desindustrialização, promovida ou acelerada pelo governo de Lula, ex-operário metalúrgico (durante dez anos). Uma ironia de bom tamanho, sem dúvida. O golpe decisivo foi dado a partir da crise internacional de 2008/2009, quando o real se desvalorizou e, ao mesmo tempo, a inflação quase virou deflação, criando-se uma oportunidade única para corrigir nosso malfadado atraso cambial. Mas o governo Lula jogou-a pela janela: já tinha aumentado a taxa de juros no começo da crise, fato único no planeta, e mesmo depois da quebra do Lehman Brothers demorou quatro meses para reduzi-la, timidamente. Daí em diante fez questão de mantê-la no nível real mais alto do mundo, forçando a revalorização da nossa moeda nos anos seguintes e comprometendo ainda mais, por isso, a competitividade da indústria.

Paralelamente, a política fiscal destinada a combater os efeitos da crise internacional enfatizou, sobretudo, o consumo do governo, não os investimentos, contrariando o recomendado por nove entre dez manuais de economia. A tradicional rigidez fiscal foi tonificada como nunca antes neste país, atravancando a administração da economia, a eficiência e a efetividade do gasto público, presente e futuro.

A farra dos bens de consumo importados deu-se, em grande medida, à custa da expansão da produção doméstica. Para se ter uma ideia, de um saldo comercial de produtos manufaturados quase equilibrado em 2007 passamos a um déficit projetado de US$ 112 bilhões em 2013. Isso principalmente no caso de produtos de maior densidade tecnológica. Mas não só. A título de ilustração e emblema: sabem quem é o maior fornecedor dos materiais e alegorias do carnaval carioca? A China.

E entramos no terceiro verbete a proeza de reviver desequilíbrios no balanço de pagamentos, não obstante a maior e mais intensa fase de bonança externa já experimentada pela economia brasileira. Desde 2003 os preços das exportações agrominerais do Brasil explodiram e os juros internacionais mantiveram-se baixos. Entre 2004 e 2010, apenas por conta do diferencial de preços entre nossas exportações e importações, o Brasil ganhou US$ 100 bilhões.

Isso tudo criou pela enésima vez na História de países latino-americanos a ilusão da oferta infinitamente elástica de divisas" (foreign exchange illusion), conceito criado pelo professor Albert Hirschman no fim dos anos 1950 e que o Brasil faz questão de atualizar periodicamente: a ideia de que as despesas com importações (incluindo turismo externo) se podem expandir acelerada e indefinidamente sem que, ao mesmo tempo, aumente a "exportabilidade" da economia. De fato, o déficit do balanço de pagamentos brasileiro, ressurgido em 2008, não parou de crescer, sendo projetado neste ano para mais de 3% do PIB, o que nos remete à realidade do início da década passada.

Mais ainda, a bonança externa não foi aproveitada para promover uma elevação sustentada dos investimentos em infraestrutura nem aliviar a sufocante
carga tributária. Esses fatores, por si sós, noves fora o câmbio apreciado, aumentam os custos industriais em relação aos dos nossos parceiros comerciais em cerca de 25%. A perda de capacidade para competir cria um círculo vicioso, pois desestimula os investimentos industriais e, pois, o aumento sustentado da produtividade. As inovações dependem desses investimentos, porque vêm embutidas nos novos equipamentos e instalações.

Mas o balanço de pagamentos vem sendo pressionado não só pelo aumento das importações, mas também pela estagnação, ou mesmo retrocesso (como no primeiro trimestre deste ano), das exportações industriais. Não se prevê nenhum colapso nos preços das nossas commodities, mas tampouco que eles possam continuar subindo ao céu.

As exportações sofrem também com a falta de uma política que abra mercados para nossos produtos. Um bom indicador é a falta de acordos bilaterais de livre-comércio. O Brasil tem apenas três acordos e só um funciona, com Israel. O Chile tem 21; México, 13; Peru, 12; Colômbia, 11; EUA, 14. Uma das razões, sem dúvida, é o absurdo tratado do Mercosul, que estabeleceu uma união alfandegária entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e, em trânsito, Venezuela.

O elevado e crescente déficit do balanço de pagamentos em conta corrente não tem como contrapartida um boom de investimentos, como, bem ou mal; ocorreu no governo Geisel. E um déficit de uma economia estagnada e baixos investimentos. Não há insolvência anunciada, pois as reservas são altas e o dinheiro internacional é hoje abundante e barato. O que existe, sim, é uma deterioração, perda de raio de manobra diante de mudanças futuras na economia internacional, processo que faz lembrar a advertência de Mário Henrique Simonsen, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento: "A inflação aleija, o balanço de pagamentos mata". Ele mesmo, quando no cargo, em 1979, foi atingido pelo aleijão da inflação e se retirou para não sofrer o tiro mortal da inadimplência ex-tema, que viria, e veio, depois.

Guantánamo, o nome da traição - DEMÉTRIO MAGNOLI

O GLOBO - 09/05

“É ineficiente, fere nossa posição internacional, reduz a cooperação com nossos aliados nos esforços de contraterrorismo, é uma ferramenta de recrutamento para extremistas e precisa ser fechada”, explicou Barack Obama, para concluir no ponto certo: “É contrária àquilo que somos”. O presidente americano referia-se à prisão de Guantánamo, onde cerca de cem dos 166 detentos prosseguem uma greve de fome deflagrada por alguns deles mais de dois meses atrás. Ele não disse, claro, mas Guantánamo também é o nome da traição: o signo de um compromisso de princípios desonrado pelo próprio Obama.

A promessa de fechar a prisão offshore foi proclamada solenemente na primeira campanha presidencial, em 2008. No segundo mês de seu mandato original, Obama assinou uma ordem executiva para fechá-la, mas enfrentou feroz resistência bipartidária no Congresso. Os parlamentares cortaram os fundos necessários à transferência de prisioneiros e adotaram diversas medidas destinadas a evitar que fossem enviados a qualquer outro lugar. O presidente tinha as alternativas de vetar as decisões parlamentares ou de utilizar prerrogativas do Executivo para circundá-las, mas preferiu inclinar-se. Agora, quando assegura uma vez mais que Guantánamo “é contrária àquilo que somos”, ele precisa invocar a história e a Constituição para ocultar um consenso político que, vergonhosamente, interliga seu governo ao de George W. Bush.

Bush, seu vice-presidente Dick Cheney e seu secretário da Defesa Donald Rumsfeld ergueram a prisão ilegal no curso de uma “guerra ao terror” que também borrou as assinaturas de sucessivos presidentes americanos nas leis internacionais contra a tortura. Obama prometeu restaurar o princípio que separa a civilização da barbárie e, efetivamente, proscreveu os métodos desumanos de interrogatório aplicados nos anos sombrios de seu predecessor. Hoje, contudo, duas dezenas de prisioneiros de Guantánamo são submetidos a técnicas de alimentação forçada que violam seus direitos individuais e, para todos os efeitos, equivalem a tortura. Na expressão “aquilo que somos” está contida uma aspiração à eternidade. Entretanto, as nações mudam e mesmo os princípios mais sagrados estão sujeitos ao inclemente desgaste causado pela traição continuada.

Guantánamo é a síntese da barbárie judicial engendrada pela “guerra ao terror”. Concluídas as investigações, nenhuma acusação pesa sobre 86 dos detentos. Muitos deles deveriam ter sido soltos há anos, mas permanecem encarcerados pois, sob alegações de “segurança nacional, o Congresso proibiu tanto sua liberação em solo americano quanto o repatriamento para os países de origem. Os demais, por decisão parlamentar, não podem ser processados por tribunais civis mas também não são julgados pelas “comissões militares” inventadas nos tempos de Rumsfeld, cujos trabalhos foram interrompidos quando seus procedimentos se revelaram insanavelmente ilegais. A greve de fome dos prisioneiros esquecidos, essas relíquias humanas dos anos de fúria, representa, objetivamente, um gesto de defesa das liberdades individuais e do império da lei. “Aquilo que somos”: nesse momento, os rostos barbados dos detentos islâmicos de Guantánamo formam uma imagem exata dos princípios inscritos nos textos fundadores dos EUA.

Os valores fundamentais, “aquilo que somos”, não deveriam ser pesados no prato da balança dos interesses utilitários. Mas Obama tem razão em sublinhar a “ineficiência” de Guantánamo, especialmente contra o pano de fundo do atentado terrorista em Boston. Dzokhar Tsarnaev invocou o Afeganistão e o Iraque como motivações para a carnificina planejada pelos dois irmãos. Terroristas sempre terão pretextos para explodir pessoas inocentes. No limite, o vocabulário dos extremistas não exige mais que palavras como “imperialismo”, “capitalismo” ou “judeus”. Entretanto, nada se compara à força persuasiva da verdade: as imagens dos detentos de Guantánamo, essas provas emaciadas de um poder que não reconhece o limite da lei, são uma “ferramenta de recrutamento” mais eficiente que qualquer discurso produzido na fábrica de ódio do jihadismo.

Guantánamo “fere nossa posição internacional”. É isso, e mais: Guantánamo fere a luta pelos direitos humanos e pelas liberdades civis no mundo inteiro. Seguindo uma triste tradição do governo Lula, Dilma Rousseff mencionou o nome da prisão offshore na sua visita a Cuba, no início de 2012, como pretexto para silenciar sobre a morte de um preso político em greve de fome na ilha dos ditadores amigos. O nome funciona como uma senha mágica, um toque de reunião para os “companheiros de viagem” dos tiranos. Ele constava do dossiê infame preparado pela Embaixada de Cuba no Brasil contra Yoani Sánchez e foi repetido como um mantra pelos que tentaram cobrir sua voz com gritos insultuosos. Ele emerge ritualmente nos discursos dos chefes chavistas que ameaçam trancafiar opositores e fechar órgãos de imprensa.

Obama enuncia perfeitamente os males imensos causados pela prisão de Guantánamo, mas ainda vacila diante do imperativo de fechá-la. Como explicou um editorial da revista The Economist, a chantagem dos “fanfarrões e covardes” que comandaram a política antiterror de Bush consiste em apontar os riscos de liberar os suspeitos de terrorismo encarcerados sem acusação. O mito da bomba-relógio que faz tique-taque é o argumento clássico dos advogados da tortura. A resposta a essa malta de arautos da violação dos direitos humanos deveria ser clara e direta: muito pior que a ameaça hipotética de violência representada por esses indivíduos singulares é a desmoralização dos pilares filosóficos que sustentam as liberdades e os direitos.

Guantánamo é um trunfo dos jihadistas e dos tiranos. Se o presidente americano quer conservar “aquilo que somos”, tem a obrigação de, finalmente, resgatar seu compromisso de campanha.

E a moralidade? - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 09/05
Na política, nem sempre o que é legal é aceitável eticamente, e o peso da moralidade, previsto no artigo 37 da Constituição de 1988, tem de ser levado em conta quando se trata de um cargo público. Está escrito lá: "A administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência."

A discussão em torno da duplicidade de função do vice-governador paulista Afif Domingos, nomeado ministro da Micro e Pequena Empresa pela presidente Dilma, gira em torno da legalidade do ato quando o principal problema aqui é a moralidade da decisão.

Pode até ser legal acumular as duas funções, como afirmam alguns juristas, mas permanecer como segundo homem de um governo do PSDB quando o outro pé está na barca governista através do PSD é exemplo pronto e acabado de uma política fisiológica que domina o cenário partidário atual.

Assim como a criação do 39º ministério, que nos coloca em uma situação que beira a burrice ou a incompetência, para usarmos a definição do empresário Jorge Gerdau, assessor da presidente Dilma para melhorar a gestão pública, diante de um descalabro administrativo difícil de reverter devido às prioridades políticas que se apresentam para garantir a reeleição de Dilma.

Uma coisa é certa: Afif não poderá acumular o salário das duas funções. Como muitos de seus colegas, estava disposto a optar pelo salário mais alto, o que não é criticável. Como vice-governador, ele tem um salário líquido de cerca de R$ 15 mil mensais, mas o de um ministro, sem os descontos, é de R$ 26,7 mil por mês, o que dá um salário líquido maior. O problema é que a Constituição do estado de São Paulo não prevê a possibilidade de o vice-governador abrir mão de seu salário, e tudo indica que Afif Domingos terá que ficar com o salário mais baixo, o que não é um grande problema para ele.

Mas a questão não se resume a esses detalhes burocráticos. Já quando se passou para o PSD, Afif Domingos perdeu o posto de secretário que tinha no governo de Geraldo Alckmin mesmo que o PSD ainda não tivesse explicitado seu apoio ao governo Dilma. Um partido que nasceu dizendo-se nem de esquerda nem de centro nem de direita ocupou uma brecha na política partidária brasileira para onde acorreram todos aqueles que, em diferentes partidos, queriam aderir ao governo de Dilma e não tinham porta de saída legal.

Os métodos nada ortodoxos do PSD de Kassab de atuar na política fazem jus à desconfiança de que seja um ônibus de aventureiros, o que se confirma agora com essa bizarra situação criada pela dupla militância de Afif Domingos. Basta lembrar que Kassab estava no palanque do petista Fernando Haddad logo em seguida à derrota de José Serra, candidato que "apoiara" até dias antes.

A partir daí, a marcha batida rumo à adesão governista foi uma consequência lógica de sua criação. Como é possível, então, um vice-governador eleito por um partido oposicionista, o DEM, numa chapa de oposição ao governo federal, agora continuar no cargo em um partido governista, e como ministro, um cargo de confiança da presidente Dilma?

Até mesmo a história mal contada de que o PSD continua sem aderir oficialmente ao governo Dilma, e que a escolha de Afif Domingos é pessoal da presidente, revela uma maneira dissimulada de fazer política que faz mal à sociedade. Além de ser uma maneira de evitar críticas, é também a prudência dos espertos. O que Gilberto Kassab aguarda até mais adiante é uma definição mais clara do quadro eleitoral, para formalizar o apoio já prometido à presidente Dilma.

Várias seções regionais do PSD já estão se pronunciando a favor do apoio à reeleição, e essas consultas às bases partidárias se arrastarão até o momento em que haja uma indicação mais firme de para onde os ventos sopram. É nessa direção que a nau do PSD enfunará suas velas.

A casa da mamãe Dilma - ROGÉRIO GENTILE

FOLHA DE SP - 09/05

SÃO PAULO - Eduardo Campos está há sete meses na estrada, desde que acabou a campanha municipal, insinuando-se pelo país como candidato a presidente. Posa de dissidente, com críticas aqui e ali a Dilma, mas não larga o osso, mantendo os apadrinhados do seu partido (PSB) no governo federal.

Sua independência em relação ao governo lembra à de um jovem quarentão que hesita em sair da casa dos pais. Tem vontade de morar sozinho, mas adia a decisão por não querer ficar sem a vitamina de banana que a mamãe faz no café da manhã.

A eventual candidatura de Campos é boa para o país na medida em que pode se tornar uma alternativa à velha polarização entre PT e PSDB (Marina Silva também poderá representar esse papel, mas enfrenta dificuldades para formar seu partido). Seria melhor, no entanto, se não soasse tanto como um projeto oportunista.

Campos está hoje, ao mesmo tempo, na oposição e no governo e já deixou claro que pretende manter essa "dupla personalidade" até abril de 2014, quando deve tomar uma decisão com base, sobretudo, nas pesquisas e nas alianças que terá conseguido articular nos Estados até lá.

Se entender que tem chance de obter um bom desempenho na eleição, Campos deixará a base governista, ampliará os ataques a Dilma e vai para o palanque dizendo que dará o prosseguimento que ela não conseguiu dar à obra de Lula. Caso contrário, recolherá sua artilharia, alegando que fez apenas críticas pontuais e construtivas ao governo, e vai negociar um novo lote no provável quarto mandato do PT.

Dilma, por sua vez, não tirou até agora o PSB do seu governo porque também trabalha com a calculadora política, ainda que isso signifique levar umas bordoadas de vez em quando do governador de Pernambuco. Imagina que, lá na frente, o partido de Campos acabará concluindo que é melhor continuar na casa da mamãe a se arriscar a ficar sem ter onde morar depois da eleição.

‘Pense num absurdo’ - DORA KRAMER

ESTADÃO - 09/05

“Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”, dizia Otávio Mangabeira, governador do estado entre 1947 e 1951. Pois hoje, mais de 60 anos depois, podemos sem medo de errar pensar num absurdo e afirmar que no Brasil tem precedente.

O mais recente é oficializado hoje com a posse do vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, na Secretaria/Ministério da Micro e Pequena Empresa servindo ao mesmo tempo a governos do PSDB e do PT, no atendimento a interesses do PSD, em arranjo nunca antes visto neste país.

Firmada a jurisprudência, damos mais um passo na direção da – para evitar um termo chulo – desordem geral. O episódio é rico no tocante à ausência de critérios.

Vejamos a reação dos tucanos: a propósito de “não passar recibo” decidiram amenizar a reação. O governador Geraldo Alckmin cumprimentou a presidente Dilma Rousseff pela excelente escolha, o senador Aécio Neves corroborou os elogios a Afif, alfinetou Dilma criticando seu “governismo de cooptação” e sobre a manobra do PSD preferiu nada comentar.

Isso a despeito de ter avaliação negativa (para dizer o mínimo) a respeito da atuação política do ex-prefeito Gilberto Kassab.

Quais as intenções por trás desses gestos? No caso de Alckmin a ideia é não criar confusão com ninguém porque tem uma reeleição a ser disputada. Tampouco pretende se estressar com o PT porque digamos que não chorará lágrimas de esguicho se Dilma for reeleita em 2014. O caminho fica livre para 2018.

Uma razão para a resistência da seção paulista em relação à candidatura presidencial de Aécio Neves que, se vitorioso, concorreria a novo mandato quatro anos depois.

Já o mineiro não pesou a mão nas críticas porque seu foco é a oposição ao PT e, além disso, não quer atritos explícitos com o PSD a fim de não prejudicar a possibilidade de alianças com o partido de Kassab nos estados onde precisará de palanques substantivos se levar adiante a candidatura à Presidência.

Ou seja, as ambições dominam as convicções. E não se diga que os tucanos sejam os únicos. Mestre na matéria mesmo tem se mostrado o PT. Cobra fidelidade dos aliados, mas aceita de bom grado, ou por outra, tira proveito da infidelidade alheia.

Exemplo: a ofensiva para desqualificar a figura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, perante o eleitorado, é chamá-lo de traidor. Conferir caráter de traição ao desejo dele de construir uma candidatura à Presidência e tomar um rumo político independente do PT.

Campos seria desleal. Mas os petistas não acham que transitam no terreno da deslealdade quando criam um ministério para levar ao governo um vice-governador de partido antagônico.

Fazer oposição hoje na concepção do PT é sinônimo de golpismo, uma iniquidade.

Mas, quando se trata de robustecer o campo governista, qualquer indignidade é válida.

Fazendo uma condenável concessão ao cinismo exacerbado, poder-se-ia dizer que se a falta de regra é a regra que o vale tudo valha para todos. Mas depois não reclamem quando a sociedade lhes der as costas, farta dessa anarquia moral.

Inaceitável é que o PT se considere sujeito passivo das adesões que recebe, inclusive porque elas se dão mediante o emprego de métodos nem sempre lícitos ou legítimos de atração.

Inconcebível não é mudança de posição, mas a ideia de que ela só possa ocorrer em sentido único. É certo cooptar velhos inimigos ao custo do uso do aparelho de Estado, mas é errado que aliados deixem de concordar com o rumo do governo e as práticas do partido.

Nesse cenário se desenvolve o teatro de absurdos para os quais já se fixaram os mais disparatados precedentes.

Falta de comando deixa base à deriva - RAQUEL ULHÔA

VALOR ECONÔMICO - 09/05
Entre parlamentares da própria base governista, a presidente Dilma Rousseff é responsabilizada pela sucessão de derrotas e constrangimentos impostos ao Palácio do Planalto pelo Congresso - e vice-versa. Até aliados aparentemente insuspeitos demonstram, lá no fundo, torcida por um tropeço do projeto da reeleição.
No Congresso faltam líderes com autoridade e habilidade para comandar entendimentos suprapartidários, construir pontes entre os três Poderes e prevenir crises institucionais. Mas, sem aval do governo, nenhum acordo é possível no Legislativo, especialmente com uma maioria parlamentar governista tão expressiva. "No regime presidencialista, o maestro é o presidente", resume um senador.

Há, na própria base, cansaço com a falta de articulação política do governo, o que deixa deputados e senadores muitas vezes sem orientação sobre projetos em tramitação. Ou são pressionados a votar contra suas posições. A própria presidente não gosta de operar politicamente e cerca-se de gente considerada inexperiente e inábil, como a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), cuja atuação é criticada. É chamada de "nariz empinado", "intocável" e "protegida" de Dilma.

Os parlamentares preferem tratar com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), mas avaliam que ela não tem poder para garantir cumprimento de compromissos. Não apenas aqueles movidos por razões fisiológicas, como cargos, dinheiro ou emendas orçamentárias. Faz falta, de acordo com parlamentares, a negociação política normal em qualquer democracia, com diálogo entre governo e Legislativo.

Os exemplos de derrotas do Planalto são vários. O "núcleo pensante" do PT dividiu o próprio partido ao articular a votação, na Câmara e no Senado, do projeto que restringe o acesso de novos partidos políticos a tempo de televisão e fundo partidário. Senadores petistas consideraram a articulação "amadora" e "autoritária", para prejudicar a candidatura de Marina Silva a presidente. Quem criticou foi pressionado a voltar atrás.

O plenário estava lotado, mas na hora da votação a base sumiu. A sessão caiu por falta de quórum. O Supremo Tribunal Federal (STF) deu liminar interrompendo a tramitação. Houve risco de crise entre o Legislativo e o Judiciário, que ainda está sendo administrado. Constrangidos, petistas querem que, mesmo que o STF libere a votação, Dilma barre a tramitação e "livre a base desse mico".

Senadores atribuem à "omissão" da presidente, por exemplo, papel fundamental na derrota do governo, terça-feira, com a aprovação da resolução que reforma o ICMS, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Dilma é a única com autoridade para negociar a questão federativa com os governadores. A proposta do governo foi desfigurada, com a maioria dos Estados se unindo contra o Sul e o Sudeste.

Os exemplos de propostas mal conduzidas pelo Planalto são vários, como a divisão dos royalties do petróleo, o Código Florestal e a Medida Provisória que muda o marco regulatório do setor portuário. Neste último caso, o Planalto pediu ao líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), que fosse relator. Após 138 audiências e 11 semanas, ele elaborou um texto negociado com os setores envolvidos, deixando aberta a possibilidade de Dilma vetar. Gleisi rejeitou o acordo.

Até quando a presidente resolve agir politicamente, leva bordoada dos aliados. Na sexta-feira, chamou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador José Sarney (PMDB-AP), para conversar sobre MP dos Portos e outros assuntos. "Só piorou o clima. Ela desprezou os líderes e chamou os caciques", diz um governista. Segundo avaliação desse parlamentar, a presidente não percebeu que há uma "nova correlação de forças no Senado".

O vice-presidente, Michel Temer, presidente nacional do PMDB licenciado, que tem atuado principalmente para manter alianças com o PT, também tem sido cobrado para que controle o PMDB da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Henrique Alves (RN), e o líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), são dois focos de problemas para o governo e Temer foi avalista da eleição dos dois.

Eduardo Cunha é uma pedra no sapato do governo. A última queda de braço ocorreu na MP dos Portos. Já o presidente da Câmara é criticado, entre outras razões, por defender o que o governo não quer, como o orçamento impositivo, e por não prever a crise que seria causada pela eleição de Marco Feliciano (PSC-SP) para presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Chama a atenção o diagnóstico generalizado entre parlamentares de que a falta de aptidão política e o estilo centralizador de Dilma - que quer sempre dar a palavra final sobre qualquer detalhe de qualquer assunto - dificultam as negociações e emperram o andamento das propostas. A relação não é difícil apenas entre parlamentares do governo e da oposição. Os governistas também andam se entendendo cada vez menos.

A base critica a atuação de líderes, que, por sua vez, ressentem-se de falta de interlocução com o núcleo decisório do Planalto e de não terem carta branca para comandar acordos. "Os 39 ministérios de nada adiantam para garantir apoio ao governo. A presidente perdeu o controle do Congresso", diz um aliado dela. "Nunca vi uma articulação política tão ruim, graças a Deus", afirma o presidente do DEM, senador José Agripino (RN). "A oposição só não tem grandes vitórias porque é numericamente muito menor."

A sensação predominante hoje pode ser definida como de "orfandade política", expressão usada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) na sessão solene em tributo ao ex-deputado federal e ex-ministro de Justiça Fernando Lyra, morto em fevereiro. Foi um raro momento de entendimento entre governistas e oposicionistas. Do presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), ao deputado José Genoino (SP), ex-presidente do PT, todos os discursos lembraram o papel de Lyra na transição democrática. E a falta que uma figura como ele faz no cenário político atual.

Afinal de contas - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 09/05

O dinheiro do mensalão não tinha como figurar na contabilidade do PT, pois nunca foi do partido


A aprovação do Tribunal Superior Eleitoral às contas do PT relativas a 2003, ano do chamado mensalão, leva a alguns fundamentos relegados, e outros contorcidos, na engrenagem desse episódio.

A recente estranheza com a aprovação deve-se a que o dinheiro do mensalão não foi incluído nas contas, ainda assim validadas pelo corpo técnico do TSE e aceitas pela própria presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia. O reparo recaiu apenas em outro quesito, submetido a multa.

O possível espanto não pode resistir a este fato: o dinheiro do mensalão não tinha como figurar na contabilidade do PT, pela razão definitiva de que nunca foi do PT.

Fosse para "compra de apoios no Congresso", como afirmado na denúncia apresentada pelo procurador-geral da República e adotada pelo relator, ou fosse acerto de campanha eleitoral, quem pagou foi uma empresa de Marcos Valério.

Da origem aos destinos, o percurso dos cifrões passou como uma das partes não questionadas do julgamento. O dinheiro não saiu do banco para o PT. Saiu como empréstimo a uma das empresas de Marcos Valério e foi por ele encaminhado ao destinatário indicado, como diz o processo, por Delúbio Soares. Tanto que coube a uma funcionária de confiança em empresa de Valério, Simone Vasconcelos, a condenação de desproporcionais 12 anos por cumprir as ordens patronais de levar importâncias aos favorecidos. Em outras operações, o dinheiro, da mesma maneira, chegou aos destinatários por indicação feita a Marcos Valério e passando por outras empresas, não pelo PT.

Às empresas de Marcos Valério competia contabilizar os empréstimos recebidos. O PT não podia contabilizar o que utilizou, mas não recebeu em seu caixa. O que saiu do banco para esse caixa foi por operação formal de empréstimo, com as assinaturas do tesoureiro Delúbio Soares e do presidente José Genoino. Empréstimo renovado, posto sob cobrança e quitado, já depois do escândalo.

O mensalão transcorreu por fora da configuração oficial do PT. Se fizesse idênticas transações com outros partidos e políticos, mas pela via legal de empréstimos e doações, estas até por intermédio do mecanismo entre Marcos Valério e bancos, talvez contornasse a ilegalidade. Ou, no mínimo, tornasse menos numerosas as suas incidências.

ADAPTAÇÃO

A Igreja Católica beatificou nova "Mãe dos Pobres", Nhá Chica, brasileira e filha de escravos. Negra. Mas sua imagem, usada na beatificação em Baependi, Minas, ostenta a tez pálida de certo tipo branco.

O preço do atraso - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 09/10

Indicadores de infraestrutura no Brasil ficam aquém da média internacional; governo cede e eleva taxa de retorno das concessões privadas


Tornou-se já consensual a noção de que a precariedade da infraestrutura brasileira é um dos maiores empecilhos ao crescimento. Raras vezes, contudo, o debate sobre o estado calamitoso de estradas, ferrovias e portos ultrapassa o âmbito das generalizações da macroeconomia e desce ao nível concreto dos prejuízos cotidianos que ocasiona para as empresas e o país.

Por isso é bem-vindo o estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que coteja o pífio desempenho nacional com o de outros países. O resultado, constrangedor, explicita o tamanho do famigerado custo Brasil.

Considere-se o indicador de quilometragem de rodovias por 10 mil habitantes. O Brasil fica em 53% do nível internacional --resultado muito ruim, mas não tão catastrófico quanto a parcela dessas estradas que se encontra pavimentada: somente 19% da média mundial.

Ferrovias e hidrovias apresentam quadro não menos preocupante: na mesma comparação por habitantes, o país conta com apenas 17% e 26% da média internacional, respectivamente, segundo o relatório da Fiesp. A precariedade das conexões de transbordo entre as diversas modalidades de transporte também é deprimente (meros 23% do padrão mundial).

A carência de infraestrutura amplifica, como é óbvio, os custos de produzir --por exemplo, ao solapar a agilidade das empresas. Gastam-se 324 minutos, em média, para a liberação de uma carga em aeroportos ao redor do mundo, ao passo que o mesmo procedimento, no Brasil, demanda 3.714 minutos.

Nos portos, a situação também é dramática. O custo de exportação de um contêiner se multiplica por três no Brasil. Não há competitividade produtiva que resista a tamanha desvantagem logística.

O governo Dilma Rousseff começa a reconhecer, felizmente, que perdeu tempo precioso com objeções ideológicas à alternativa mais prática para sua incapacidade de planejar e financiar o choque de infraestrutura: atrair investidores do setor privado.

É positiva, assim, a mudança de atitude evidenciada pela decisão de aumentar a taxa de retorno do investimento aceita nas concessões de infraestrutura, de 5,5% para 7,2%. Como há financiamento para 70% do valor dos projetos, o retorno para o capital próprio desembolsado sobe consideravelmente, para ao menos 15% ao ano.

Espera-se, agora, que as novas condições atraiam mais interessados. Mesmo assim, já ficou comprometido o que se planejava para 2013. Os primeiros leilões para concessão de rodovias só devem acontecer a partir de agosto, o que empurrará o grosso das obras para 2014. É o preço do atraso.

Muito além de plantar e colher - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 09/05

Para colocar em prática o plano de ampliação contínua da produção de alimentos, o país precisa de um planejamento orquestrado, com investimentos em rodovias, ferrovias, portos marítimos e armazenagem


A safra recorde de milho de inverno criou uma situação inusitada que envolve o agronegócio, a economia e o governo brasileiro. O país aumentou a produção, mas não tem estrutura para armazená-la. Como as exportações devem recuar, os preços estão caindo, e o governo terá de socorrer os produtores gastando milhões para garantir preço mínimo e equilibrar o mercado. E a saída não é recuar na produção, mas sim investir em planejamento e infraestrutura.

O volume de milho que está saindo do campo deve chegar a 40,6 milhões de toneladas, mostra levantamento da Expedição Milho Brasil, projeto da Gazeta do Povo. A tradicional “safrinha” deve resultar um volume 12% maior que a produção de milho de verão. As duas colheitas chegam a 76,9 milhões de toneladas, volume 45% maior que o consumo doméstico. Os cerca de 25 milhões de toneladas restantes não deverão encontrar espaço suficiente no mercado externo. Precisariam ir para os armazéns, que em muitas regiões simplesmente não existem.

O Brasil tem capacidade de armazenagem estática estimada em 121 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas produz em 2012/13 perto de 185 milhões de toneladas. Ou seja, 35% da colheita desta temporada não têm abrigo. Os especialistas no assunto afirmam que, para evitar essa contradição exposta pelo milho de inverno, o Brasil deveria contar com capacidade de armazenagem de 221 milhões de toneladas, suficiente para armazenar o equivalente à produção atual com 20% de folga.

Mas construir armazéns para 100 milhões de toneladas de grãos vai levar tempo. E depende de um plano nacional, uma vez que não há armazéns suficientes em nenhum estado. Na Bahia, por exemplo, o déficit absoluto – a diferença entre a produção e a capacidade dos barracões – chega a 56%. Mesmo o Paraná, apontado como referência em infraestrutura, precisa ampliar a capacidade de armazenagem em 38% para guardar a safra 2012/13, e Mato Grosso, o maior produtor nacional de grãos, 40%.

Houve aumento na procura por recursos a juros reduzidos (5,5% ao ano) para construção de armazéns. E a capacidade de armazenagem evolui mais rapidamente que as estatísticas. Mesmo assim, o déficit prevalece, o que mostra que não basta viabilizar os projetos. Falta planejamento por parte do agronegócio e do governo. Só assim haverá espaço suficiente para uma safra de mais de 200 milhões de toneladas, volume que deve ser atingido ainda nesta década.

Como não há espaço nos silos, uma das saídas é a exportação. Na temporada passada, o Brasil exportou volume recorde de milho. Embarcou 22 milhões de toneladas, o dobro do recorde anterior, registrado em 2009/10. A façanha foi possível porque houve aumento na produção brasileira num período em que os Estados Unidos registraram quebra histórica. Mas não se pode contar com quadro semelhante em todas as safras.

Se as exportações não derem conta de escoar a safra, a sobra de grãos no mercado interno forçará a oferta de produtos que poderiam ficar armazenados e derrubará os preços ao produtor. Como medida paliativa, o governo teria de oferecer incentivos para garantir a comercialização de cerca de 4 milhões de toneladas de milho, uma despesa que chegaria a R$ 500 milhões caso as cotações do cereal caiam bruscamente.

Sem planejamento, o Brasil tende a continuar pagando uma conta mais alta que a da construção de silos. Para colocar em prática o plano de ampliação contínua da produção de alimentos, o país precisa de um planejamento orquestrado, com investimentos em rodovias, ferrovias, portos marítimos. Os armazéns, nesse contexto, representam uma tarefa básica, caseira e indispensável.

Reforma deturpada - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 09/05

Os Estados prejudicados não podem se conformar com as mudanças no projeto do ICMS aprovadas em Comissão do Senado, que tendem a acirrar e a perpetuar a guerra fiscal.


Mais uma vez, depois de frustradas as expectativas de uma reforma tributária ampla e modernizante, o país está na iminência de não conseguir levar adiante nem mesmo as mudanças no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mantendo uma guerra fiscal que vem levando à exaustão as receitas de muitos Estados. A nova versão da proposta, aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, favorece de tal forma Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em detrimento do Sul e Sudeste, que corre o risco de perder o apoio do Executivo. O problema é que, ao favorecer regiões menos industrializadas _ o que em princípio seria aceitável dentro de limites do bom senso _, a questão assumiu contornos políticos muito fortes. Como não há interesse do Planalto em se indispor com áreas consideradas vitais para a disputa à reeleição da presidente Dilma Rousseff, o desfecho é imprevisível.
Entre os pontos mais controversos da proposta que, agora, precisaria ser consertada no plenário, está a ampliação do alcance da alíquota de 7% de produtos oriundos de Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mais Espírito Santo, inicialmente prevista apenas para produtos industrializados e agropecuários. A extensão para comércio e serviços deixa ainda mais em desvantagem as demais regiões, nas quais o percentual será de 4%. Minoritários na CAE, Estados do Sul e Sudeste tampouco conseguiram reduzir, como pretendiam, a alíquota interestadual de 12% para 7% na Zona Franca de Manaus, o que aumenta o temor de perda de indústrias. E saíram derrotados também na votação do ICMS sobre gás importado, confirmando a impressão de que o quadro, já ruim, ficou pior ainda.
Antes das deformações impostas ao projeto, o governo federal previa a necessidade de R$ 450 bilhões só para compensar perdas dos Estados com mudanças nessa área. Por isso, um dos desafios do Planalto, a partir de agora, será o de avaliar se vale a pena canalizar tanto dinheiro para um projeto que tende a acirrar ainda mais as diferenças e a insatisfação entre os Estados. Sem esse fundo, a reforma fica inviabilizada.
A decisão tomada pela comissão do Senado mostrou também que o parlamento age por motivação eleitoreira _ o que comprova o quanto seria perigoso submeter decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) às conveniências políticas do Congresso, como propõe o polêmico projeto do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI). Os Estados prejudicados não podem se conformar com as mudanças no projeto do ICMS aprovadas em Comissão do Senado, que tendem a acirrar e a perpetuar a guerra fiscal.

Direitos e deveres no comando da OMC - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 09/05

A vitória do diplomata brasileiro Roberto Azevêdo na disputa pela direção geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) tem diversas implicações positivas. Uma delas já estava garantida, pois, se o cargo tivesse ficado com o mexicano Herminio Blanco, o organismo teria à frente, do mesmo jeito, um representante do bloco de economias emergentes.

Os americanos se sentiriam mais bem representados pelo mexicano, em quem votaram, mas não há sinais de desconforto com a vitória do brasileiro. E espera-se que Azevêdo, hábil e de fácil trânsito na organização, possa romper a barreira defensiva, principalmente de europeus, diante da necessidade da abertura de mercados em escala global, missão em que o francês Pascal Lamy fracassou, na condução da Rodada de Doha, engavetada de vez pela crise mundial.

A escolha do brasileiro, com votos africanos, dos Brics, de uma série de países menores, injeta ânimo no legítimo projeto brasileiro de ampliar a representatividade em fóruns multilaterais, com destaque para o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. A direção da OMC, além de representar reconhecimento à maior estatura do país no mundo, pode ser entendida como um passo nesta direção. A ascensão de Azevêdo pode, também, contribuir para arejar a política comercial de Brasília, onde vozes a favor do protecionismo ganharam peso. Servem de prova regras estabelecidas para o setor automobilístico contaminadas pelo ranço da visão antiga de que quanto maior o conteúdo interno nas cadeias produtivas, melhor. Um erro, porque renunciar a participar de linhas globais de suprimento é contratar um futuro de atraso tecnológico, de baixa produtividade e competitividade.

Será um contrassenso se o país do diretor-geral da OMC praticar o oposto da missão do organismo: a liberalização do comércio mundial. O novo diretor da OMC também pode influenciar positivamente as cabeças terceiro-mundistas do Planalto, nas quais ainda existe o "conflito Norte-Sul", uma das amarras que paralisam o Brasil no atoleiro de um Mercosul de tinturas chavistas, um bloco que se converte ao nacional-populismo.

Esta visão míope foi observada em alguns comentários de brasilienses em torno do fato de o diplomata brasileiro ter vencido europeus e americanos. O próprio Roberto Azevêdo sabe que precisa percorrer o caminho inverso: minimizar conflitos, reaproximar países, para que a OMC não continue a ser solapada pelos inúmeros acordos bilaterais e criação de blocos de comércio, negociados à margem da organização. “A OMC está numa situação crítica”, reconheceu, ontem, na primeira entrevista como o próximo diretor-geral da entidade.

Para revitalizá-la terá de trabalhar bastante a fim de que tenha sucesso a reunião geral marcada para dezembro em Bali, quando será tentada a reabertura da Rodada de Doha. Neste trabalho, combater o protecionismo, também praticado pelo Brasil, será vital.

Em busca de legitimidade - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 09/05

A presidente Dilma Rousseff estenderá hoje o tapete vermelho a Nicolás Maduro, conferindo-lhe uma legitimidade que o presidente venezuelano está muito longe de desfrutar em seu próprio país.

Maduro partiu em visita a países do Mercosul na expectativa de demonstrar que tem apoio dos principais vizinhos e de angariar força política diante do desafio de governar a Venezuela no lugar do falecido caudilho Hugo Chávez - cujo carisma, bem ou mal, garantia alguma estabilidade mesmo em meio à grave crise econômica pela qual o país atravessa.

Eleito em abril com uma vantagem de apenas 220 mil votos sobre seu principal adversário, Henrique Capriles, Maduro saiu da disputa sem o reconhecimento pleno da vitória. A oposição acusa os chavistas de fraudar a votação, de intimidar eleitores e de usar a máquina administrativa de forma irrestrita em favor do candidato governista, entre outras irregularidades. Além disso, o governo dos Estados Unidos - principal parceiro comercial da Venezuela, a despeito das frequentes diatribes dos chavistas contra os americanos - recusou-se a reconhecer a vitória de Maduro, por considerar que, antes, a Venezuela deveria levar em conta as queixas da oposição. O presidente Barack Obama, em recente entrevista, reiterou essa posição. Ele declarou ter
dúvidas sobre se, na Venezuela atual, os direitos humanos, a democracia, a liberdade de imprensa e de opinião são realmente respeitados. Para Obama, não se pode aceitar que a Venezuela ainda não esteja "livre de práticas das quais todo o hemisfério se distanciou, de forma geral". Depois de tão clara manifestação em defesa dos cidadãos venezuelanos ante a óbvia agressão chavista à democracia, Maduro só conseguiu reagir como um mal-ajambrado êmulo de seu mentor, ao dizer que Obama é o "chefe maior dos diabos".

Como se nota, Maduro não tem a verve de Chávez nem mesmo na hora de ofender seus inimigos. Do ponto de vista dos venezuelanos, porém, a falta de graça é o menor dos problemas de Maduro. Em cerca de um mês de administração, o presidente revelou-se incapaz de apresentar qualquer plano para enfrentar a deterioração acelerada da economia -a inflação deve chegar aos 30%, estima-se um recuo de 4% no Produto Interno Bruto neste ano e faltam dólares nas reservas para financiar as importações, cruciais num país que produz praticamente apenas petróleo. O desabastecimento de alimentos é generalizado - não é à toa que um dos objetivos declarados de Maduro em sua visita ao Brasil é "comprar comida".

Diante dessa situação explosiva, Maduro deu ainda mais força aos militares e vem tentando tirar poder de facções chavistas problemáticas, como a Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional - o Congresso venezuelano. Ao mesmo tempo, Maduro e sua truculenta militância vêm empreendendo uma sistemática campanha para destruir a oposição, dona de metade dos votos na última eleição. Depois de cassarem a palavra de deputados oposicionistas e de agredi-los a socos e pontapés dentro do Parlamento, os chavistas agora impuseram limites à circulação de jornalistas na Assembleia Nacional - só podem entrar repórteres que tiverem alguma entrevista marcada e, uma vez dentro do prédio, eles só podem circular se estiverem acompanhados de assessores de imprensa da Casa.

Pois é esse "democrata" que será abraçado por Dilma, de quem receberá o apoio público e incondicional, mesmo diante de tantas arbitrariedades. É por isso que Maduro parece muito à vontade entre seus pares bolivarianos no Mercosul, tão à vontade que, no auge do cinismo, se declarou favorável à volta do Paraguai ao bloco -como se os paraguaios não tivessem sido suspensos do Mercosul numa manobra espúria, justamente para permitir o ingresso da Venezuela chavista, sob o argumento de que tinha havido ruptura da ordem democrática paraguaia. Assim, além de crescentemente irrelevante, o Mercosul agora se presta ao papel de avalista de um regime que pretende ser legítimo na marra.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Ele não pode acumular dois cargos em instâncias diferentes”
Deputado Carlos Giannazi (PSOL) ao pedir cassação de Afif por acúmulo de cargos


MINISTRO PLANEJA TRAIR PADRINHO E SE FILIAR AO PT

O ministro Fernando Bezerra (Integração) confidenciou a políticos amigos que está mesmo decidido a deixar o PSB do governador Eduardo Campos, seu padrinho, para se filiar ao PT e disputar o governo de Pernambuco. Ele alega que compõe o governo da presidente Dilma desde o começo e reclama que ficou em saia justa depois de Campos se colocar como candidato a presidente em 2014.

FORÇA-TAREFA

Fernando Bezerra virou forte alvo da corte do ex-presidente Lula e da presidente Dilma, que tentam desgastar o projeto de Eduardo Campos.

FERIDA ABERTA

A filiação de Fernando Bezerra vai dar confusão: o PT-PT não o aceita e já está rachado desde a eleição para prefeito do Recife, em 2012.

HISTÓRICO

Pular de galho em galho não é novidade, na vida de Fernando Bezerra: ele já foi do PDS, que apoiava a ditadura, PFL, PMDB, PPS, PSB...

UM PARTO

Após dar baixa no PPS e PMN, que se fundiram, líderes acham que o novo partido MD (Mobilização Democrática) sairá na próxima semana.

LUCRO NO BANCO BTG PACTUAL DESPENCOU 22,1%

O balanço do BTG Pactual surpreendeu muita gente ontem. Tido como infalível na arte de ganhar dinheiro, teve queda de 22,1% no lucro do primeiro trimestre. A rentabilidade caiu para 16,9%, de 35,2% no ano passado. Analistas estranham a surpresa: apenas se confirmou que ninguém faz milagre, nem mesmo André Esteves, que havia prometido no início do ano que manteria seu banco com retorno acima de 20%.

NA LATA

É da Bolívia a primeira cerveja de folhas de coca, a “Fuerza”, diz a Associated Press. Por US$ 3, “ajuda a suportar o desconforto da altura”.

PENDURADO NA BROCHA

Não aditou Afif Domingos virar ministro: seu partido, o PSD, decidiu manter “posição de independência” em relação ao governo Dilma.

FÁBRICA DE MEDALHAS

Os fornecedores estão eufóricos: em um mês, Dilma e o megalonanico Celso Amorim (Defesa) distribuíram 709 medalhas a civis e militares.

CUBA: SITUAÇÃO DRAMÁTICA

Dados de 2011 do ONE, o IBGE local, mostram quase 4 mil clínicas fechadas e queda de 10% no número de médicos de Cuba. Daí o interesse em “exportar” 6 mil médicos para o Brasil. Presentes em 70 países, eles geram faturamento US$ 8 bilhões ao ano para a ditadura.

MÉDICOS EXPLORADOS

O médico cubano Darsi Ferrer, exilado nos EUA desde 2012, após ser preso e torturado por denunciar o precário sistema de saúde em Cuba, disse à coluna que a ditadura paga aos médicos “exportados” 7% do salário conveniado com o país “importador”. Aqui também não será diferente.

MANDA BEM

Observação de Heráclito Fortes (DEM-PI), que presidiu a Comissão de Relações Exteriores: “A sabatina do embaixador Roberto Azevêdo, ao ser designado à OMC, foi a melhor que vi em oito anos no Senado”.

ASSÉDIO ATRASADO

O Itamaraty demorou três meses para abrir processo disciplinar contra o embaixador Américo Fontenelle e o adjunto César Cidade, acusados de assédio moral e sexual no consulado-geral em Sidney, Austrália.

CIRCO

O trajeto de carro ontem da Esplanada à Câmara durou 40 em vez de cinco minutos, com protestos simultâneos de pecuaristas do Paraná, contra aborto, seca no Nordeste, índios contra Funai, um inferno.

GREVE À VISTA

A Força Sindical fará paralisação dos metalúrgicos na terça (14) para brigar pelo reajuste automático dos salários sempre que inflação chegar a 3%. Os sindicalistas planejam greve a partir de 25 de maio.

NA GAVETA

Tramita desde 2007 projeto do deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR) que dá ao magistrado o poder de avaliar a gravidade do crime cometido por menores delinquentes. A PEC aguarda relator na CCJ desde 2011.

APAGANDO RASTROS

Na Europa em “visita técnica” paga pelo contribuinte, os deputados Robério Negreiros (PMDB) e Celina Leão (PSD), do DF, proibiram as acompanhantes de publicar nas redes sociais o “check-in”, ferramenta que entrega o paradeiro, como o baita hotel onde estiveram em Paris.

SOS

Comentário no Twitter sobre a anunciada importação de médicos cubanos: “finalmente, eles vão conhecer o esparadrapo”.


PODER SEM PUDOR

COLA TUDO

Na campanha de 1986, o empresário Camilo Cola disputava vaga no Senado pelo PMDB do Espírito Santo. Os adversários logo batizaram sua chapa de "Macaca", que seriam as iniciais de Max Mauro, (Gerson) Camata e o milionário dono da viação Itapemirim. Mas o que tirou Camilo Cola do sério, levando-o à Justiça Eleitoral, foi a distribuição de um certo cartaz. Dizia: "se a sua filha perdeu a virgindade, não se preocupe: Camilo cola".

A brincadeira pegou e ele, o empresário, acabou perdendo a eleição.

QUINTA NOS JORNAIS


- Globo: Disparada dos preços – Inflação dos alimentos já é de 14% em 12 meses
- Folha: Nova regra limita gravidez assistida acima dos 50 anos
- Estadão: BNDES deve ser sócio em concessão de rodovias
- Correio: Nota zero para quem puser miojo no Enem
- Valor: Governo se desilude com o rumo da reforma do ICMS
- Estado de Minas: ENEM: Tolerância zero para erros de português
- Jornal do Commercio: Mais rigor para a redação do Enem
- Zero Hora: A fraude do leite
- Brasil Econômico: Pressão alta da inflação

quarta-feira, maio 08, 2013

Causa e efeito - MARTHA MEDEIROS

ZERO HORA - 08/05

Ao assistir à peça Arte, que esteve recentemente em cartaz em Porto Alegre, no festival Palco Giratório Sesc, tive a mesma sensação de quando assisti a Deus da Carnificina, não por acaso obras da mesma autora, a fantástica Yasmina Reza. É incrível a capacidade que ela tem de criar situações que nos desconstroem.

Sem piedade, ela evidencia o quanto somos todos patéticos. Fazemos um dramalhão por pequenas coisas, expomos carências infantis e perdemos a compostura por nada. Somos experts em desproporção entre causa e efeito.

Será que um dia conseguiremos equalizar nossas reações, dar a elas uma medida exata? Acho improvável. Vida também é teatro. Por mais humildes que sejamos ao reconhecer nossos exageros diante de alguns acontecimentos, dificilmente conseguimos nos conter. Defendemos nossas opiniões com todas as ferramentas de que dispomos: palavra, voz, gestos, paixão, raiva. E dá-lhe atrapalhação. Agimos de forma farsesca acreditando estar sendo espontâneos.

Fazemos piada de assuntos graves e, por outro lado, levamos a sério as maiores bobagens. Amamos alguém e o atacamos. Desprezamos alguém e o tratamos com mesuras. Somos vigorosamente contra ou a favor, como se de nossas posições dependesse nossa vida. E chegam a ser inocentes nossas tentativas de compreender a nós mesmos, aos outros e ao mundo. Eu, particularmente, gosto muito dessa busca, mas sem perder a consciência de que, onde quer que eu chegue, ainda estarei a milhões de anos-luz da compreensão absoluta.

De certa forma, ainda bem. O que viria depois da compreensão absoluta?

Claro que as coisas podem ser mais simples, mas nunca serão exatas. Não há como ter controle sobre algo em constante movimento: a própria vida. É tão grande o número de influências, ideias, sensações e circunstâncias que nos impactam diariamente, que nunca teremos uma verdade pronta e empacotada para lidar com elas – e muito menos uma estabilidade emocional condizente com a experiência. Sempre estaremos falando num tom mais alto, tentando assim nos defender contra o susto que é ser confrontado diariamente com nossa vulnerabilidade.

O que admiro nesses dois textos de Yasmina Reza, Arte e Deus da Carnificina, é que ela mostra claramente o delírio de se levar a ferro e fogo situações banais, a absurda insistência em querermos causar boa impressão e a inutilidade de nos comportarmos como se estivéssemos diante de um tribunal.

Sendo assim, o que nos resta? Rir. No que diz respeito às nossas relações pessoais, a vida segue sendo mais cômica do que trágica.

Peles negras - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 08/05

A primeira clínica gratuita do país especializada em peles negras acaba de ser aberta na Santa Casa, no Rio.

É que os negros, diz a chefe do serviço, Katleen Conceição, que, aliás, é negra, apresentam maiores problemas com manchas na pele.

‘That’s all I want!’
Eduardo Paes passou a tarde de segunda-feira com o casal Clinton e a filha dele, Chelsea, em Nova York.

O prefeito perguntou a Bill sobre a candidatura de Hillary a presidente em 2016.O ex-presidente foi rápido:

— É tudo o que eu quero.

Sete vezes doutor
Lula, semana que vem, recebe simultaneamente sete títulos de doutor honoris causa de universidades argentinas.

Cultura lenta
Passado mais de um mês do anúncio de sua escolha, até hoje Ângelo Oswaldo não assumiu o Iphan.

O plenário do Senado também até hoje não apreciou a recondução de Manoel Rangel à Ancine.

Em tempo...
No caso de Rangel, no dia 22 termina seu mandato atual. Se até lá o Senado não o aprovar, a Ancine ficará sem presidente e com apenas dois diretores.

No mais
Se Dilma decidisse ouvir cada um dos seus 39 ministros, por apenas dez minutos, gastaria 6h30m.

Aliás...
O coleguinha Jorge Bastos Moreno mandou um recado para sua amiga presidente. Sugeriu que não criasse o 40º ministério para evitar que algum gaiato maledicente faça a piada de Ali Babá. Com todo o respeito.

Mama África
Nas contas do Itamaraty, a importante vitória de Roberto Azevêdo para comandar a OMC foi constrúda nas duas viagens de Dilma Rousseff à África.

Ela conversou com mais de 30 chefes de Estado africanos.

Acalma o leão
Dilma, além de fechar o apoio dos Bric, também falou com François Hollande e mandou recado tranquilizador a Obama, tido como eleitor do mexicano.

Mas...
A eleição faz crescer o prestígio de Antonio Patriota com Dilma.

Contudo, na véspera, o Planalto não gostou de ver o chanceler, sem combinar com ninguém, falando na contratação de seis mil médicos cubanos.

Produto com defeito
O STJ decidiu, ontem, contra o torcedor atleticano que queria ser indenizado pela CBF, com base na lei de defesa do consumidor.

É que ele se dizia lesado por ter ido ao Maracanã assistir à derrota do seu time, por erro de arbitragem, contra o Botafogo, em 2007.

Sai o tomate, entra o pão
Veja o preço do pão — aquele igual ao que Jesus Cristo distribuiu para acabar com a fome dos famintos — no Talho Capixaba, no Leblon.
O francês custa R$ 14,40. É o preço do quilo da carne.

Até do Vietnã
Há peregrinos vindos de todos os cantos do planeta para a Jornada Mundial da Juventude.

Já estão inscritos 17 grupos do Paquistão, 13 da Índia, 12 da Malásia, oito da China, sete de Hong Kong e sete do Vietnã Cada grupo tem até 50 pessoas.

Furto de carro
Uma mulher moradora da Barra da Tijuca, de classe média, bonita e sempre bem vestida, voltou a atacar no bairro.
Ela vai a lava-jatos, passa-se como a dona de um veículo, dá gorjeta e vai embora levando o carro. Há inquéritos contra ela na 16ª DP (Barra da Tijuca) e na 127ª (Búzios).

Filarmônica de NY
A Orquestra Sinfônica Brasileira costura acordo com a notável Filarmônica de Nova York, fundada em 1842.
O intercâmbio seria não só entre artistas. Mas também entre gestores.

Cuecas da discórdia

Um ambulante resolveu vender cuecas coloridas em frente ao prédio 218 da Rua das Laranjeiras, no Rio.
Só que a calçada é muito estreita. Para impedir, depois de ter feito várias reclamações, a síndica pôs uns vasos com palmeiras na calçada. Um morador do prédio em frente foi lá e quebrou as plantas.
O barraco acabou com queixa na 9ª DP (Catete).