domingo, março 10, 2013

O contra-ataque - CELSO MING

O ESTADÃO - 10/03

A desoneração da cesta básica, anunciada pela presidente Dilma no início da noite de sexta-feira, mostra duas coisas: (1) que o governo vem sendo seguidamente surpreendido pela força da inflação, porque faz o diagnóstico errado; e (2) que continua pouco disposto a usar os mecanismos mais eficazes para combatê-la.
A desoneração não deveria ser adotada agora. A idéia era anunciá-la apenas no Dia do Trabalho, 1º de maio. Foi a iminência do estouro do teto da meta de inflação (acima de 6,5% ao ano) já em março que levou o governo a precipitar a decisão.
Até agora, as autoridades vinham fazendo pouco caso do rali dos preços. Em vez de focar as causas internas, preferiam responsabilizar choques externos de oferta, como a seca nos Estados Unidos em meados do ano passado, que puxou para cima as cotações das principais proteínas vegetais: soja e milho. Mas não conseguiam explicar por que o problema não atingia outras economias emergentes com a mesma contundência sentida por aqui.
O Banco Central, por exemplo, garantiu em seus documentos que a convergência da inflação para a meta, de 4,5% ao ano, poderia não sair nos próximos meses, mas já estava contratada. Com um pouco mais de paciência, chegaríamos lá. E era também esse o discurso do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Ainda na manhã de sexta-feira, logo depois da divulgação pelo IBGE dos dados ruins do IPCA de fevereiro, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, retomou o blá-blá- blá de quem prefere desclassificar a realidade. Embora reconhecesse que a inflação veio "um pouco acima do esperado", insistiu em pintar um cenário despreocupante: "a expectativa é de que logo cairá gradualmente, principalmente quando começar a ser transmitida para os preços a queda recente das cotações das commodities". Ou seja, não é preciso fazer nada, a inflação recuaria espontaneamente. Não foi essa a leitura dos mesmos números feita pela presidente Dilma que em seguida mandou deflagrar o contra-ataque.
A isenção de impostos da cesta básica terá impacto imediato na queda do custo de vida, em proporção que ainda deverá ser melhor medida. Mas esta, decididamente, não é a melhor maneira de enfrentar o problema. Por três razões:
Primeira, porque é o tipo da providência que produzirá efeito apenas uma vez; nos meses seguintes, deixará de ser notado. Segunda, porque não ataca o problema principal, que é a demanda exacerbada, como o Banco Central já vinha avisando. Ao contrário, a eventual folga nos orçamentos domésticos proporcionada pela isenção de impostos deve aumentar o consumo, tanto de itens da cesta básica como dos que estão fora dela. E, terceira, porque deixa solta uma das principais pontas da inflação que é o setor de serviços.
São duas as melhores armas que poderiam combater a inflação com mais eficácia do que essa isenção de impostos. A primeira é maior rigor na administração das contas públicas. Uma boa derrubada nas despesas correntes do governo ajudaria a conter a demanda. A perda de arrecadação vai dificultar esse passo. A outra é a alta dos juros básicos (Selic), providência já admitida pelo Banco Central que, no entanto, pretende usá-la com parcimônia - para usar expressão que seus diretores adoram usar.
Cotação do dólar
Na sexta-feira, a cotação do dólar no câmbio interno fechou a R$ 1,95, dez centavos acima de R$ 1,85, nível que, no dia 7 de fevereiro, o ministro Mantega declarou inadmissível.
Cobertor curto
A fome de royalties provenientes da produção de petróleo e gás esbarra em sério limite: a incapacidade financeira da Petrobrás de participar maciçamente de todos os projetos de exploração do pré-sal, em 30% dos investimentos e na condição de operadora única. Ou muda a lei ou o volume de royalties não será do tamanho da fome dos políticos.

Salve Jorge e o dragão - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 10/03

Inflação estará no meio do jogo político dos próximos meses; governo fica à espera de são Jorge


A INFLAÇÃO vai dar pano para a manga política daqui até a campanha eleitoral. Deve ultrapassar o limite de 6,5% da meta oficial em março, o que saberemos no começo de abril.

Quase em seguida, também em abril, o Banco Central decide se reza (se eleva juros), depois de ter ajoelhado e prometido combater o dragão da maldade, a inflação.

O estouro decimal da meta de inflação, em si mesmo, não muda muito a cara do bicho. Importa mais a maquiagem que o governo e seus críticos vão passar no dragão.

A oposição terá oportunidade de fazer chacrinha com o fiasco. A maioria dos economistas rirá nervosa da desgraça alheia ("Não disse que ia estourar?"). Haverá mais adesões ao clube dos empresários que andam incomodados com a agitação ativista do governo. Nada grave. Apenas mais azedo.

A esta altura do campeonato político-econômico, o governo, por sua vez, não tem muito mais o que fazer a não ser mais do mesmo.

Quer dizer, vai "desonerar", reduzir impostos sobre empresas ou bens de consumo, e esperar que as "desoneradas" de 2012-13 contribuam para conter os preços. Espera ainda que aumentos menores do salário mínimo (atrelado aos Pibinhos de 2012 e 2013) ajudem a arrefecer a inflação.

Economistas dos maiores bancos e consultorias acham que sim, o dragão fica na jaula: que a inflação cai abaixo da meta ao final de 2013. Porém, consideram tanto que o bicho ainda pode fugir como, de resto, que solta fogo suficiente para chamuscar a economia. A maioria sugere aumento de juros, mas nem todos acreditam que juros bastantes virão, dados o jeitão da política econômica do governo e a proximidade da eleição.

Conter a inflação significa aumentar o desemprego, limitar salários, o mínimo inclusive. "Desonerando", o governo espera empurrar tal problema com a barriga até que passe o efeito de choques sobre os preços, como o da comida, e, caso de fé, que a capacidade produtiva suba bastante. Se tudo der errado, espera poder adiar uma decisão até que a campanha de 2014 esteja vencida.

Problema: o Banco Central vai esperar para ver inflação ainda mais gorda? Para alguns economistas, o BC dá um tapa de leve nos juros, para inglês ver, mas ainda assim suficiente para colocar alguma água no motor do PIB até 2014.

O crescimento médio no biênio final de Dilma Rousseff ficaria então na média de uns 3% ao ano. Ou 2,5%, na média dos quatro anos, semelhante ao da era fernandina. Pega mal.

É possível manter emprego e consumo no atual ritmo, ou por aí, até 2014, com o que o governo ainda seria popular, mesmo com o motor da economia fundindo. O povo comum não perceberia o cheiro de queimado e não faz caso de estatísticas de PIB, mas parte das "elites" não gostaria da poluição no ambiente.

O país tenderia a ficar mais dividido. Sua capacidade de crescer ficaria reduzida devido aos quatro anos de improviso.

Quase toda esta conversa é baseada em cenários de economistas e em que "tudo mais fique constante" (por exemplo, que as Bolsas do mundo não estourem depois de tanto riso, tanta alegria).

Pode ser que tenhamos a sorte de os economistas errarem tudo de novo.

Problema na raiz - AMIR KHAIR

O ESTADÃO - 10/03

O baixo crescimento econômico é o calcanhar de Aquiles do governo federal. Após crescer 7,5% em 2010, o Brasil cresceu 1,8% ao ano na primeira metade do governo Dilma.
Explicação muito difundida é que o País não deslancha, com a taxa de investimento de apenas 18% do PIB, quando deveria ser de 22% (?). Alguns já esticam para 25% (?).
Assim, a prioridade do governo para crescer 4% ao ano seria apostar todas as fichas no investimento e não no consumo, como foi a partir de meados de 2011, ocasião em que a política econômica mudou o enfoque para estimular a oferta, que não conseguia acompanhar a expansão do consumo.
As contas nacionais revelam que, nos últimos cinco anos, o consumo cresceu em média 44%por ano, a produção 1,8% e, a lacuna foi preenchida pela importação, que cresceu 9,8%.
As análises que pregam a mudança do enfoque de estímulo ao consumo para estímulo à oferta, defendem que o governo desonere a produção. E, para reduzir a inflação, eleve a Selic e gaste menos.
Creio que essas análises não vão iluminar saída para o crescimento econômico e, muito menos para a inflação.A razão é simples: a) para crescer é necessário que o consumo cresça e possa ser suprido principalmente pela oferta local; b) a desoneração esbarra no limite fiscal do governo; c) esse limite não será estendido enquanto não for reduzida sua despesa financeira.
Essa despesa só cairá o suficiente quando: a) for reduzida a Selic ao nível da inflação (como nos países emergentes); b ) parar de se endividar para suprir recursos ao BNDES e para atender o Banco Central nas operações compromissadas (compra de dólares para crescer as reservas internacionais) e; c) o Banco Central parar de remunerar pela Selic (!) os saldos diários de caixa dos bancos.
A saída para crescer deve passar pelo fortalecimento das empresas e pela queda das taxas de juros bancárias. Sobre taxas de juros, os dois últimos artigos mostraram que os grandes bancos privados, após ligeira queda, voltaram a subir até acima dos níveis que a presidente considerou sem justificativa técnica (abril de 2012).
Fortalecimento das empresas. O fortalecimento das empresas pode ocorrer pela: a) desoneração do PIS, Cofins e IPI; b) adequação do câmbio ao nível que conduza ao equilíbrio das contas externas e; c) redução dos preços dos principais insumos que se situam na base das cadeias produtivas.
A desoneração da folha de pagamento está criando distorções econômicas fazendo com que as grandes empresas paguem menos que as micro e pequenas, que usam o Simples nacional. Além disso, está lesando a Previdência Social, como apontado inúmeras vezes em meus artigos, ao reduzir sua arrecadação sem a devida compensação pelo Tesouro Nacional, como estipula a lei.
A redução/eliminação do PIS, Cofins e IPI reduz proporcionalmente o preço dos produtos, funcionando como aliado no combate à inflação. A eliminação de todos os tributos que incidem sobre os componentes da cesta básica é medida correta ao ampliar o poder de consumo das camadas de renda média e baixa, ao mesmo tempo que pode reduzir e 0,6 ponto percentual o IPCA, segundo estimativa do governo.
Câmbio. Em valores atuais, com base no IPCA, o câmbio médio que permitiu o equilíbrio nas contas externas, ocorrido dè 2003 a 2007, foi de R$ 3,80. O afastamento desse nível foi reduzindo a balança comercial (exportação menos importação), que acabou por tornar deficitária a conta externa do País.
Por aí se vê que está longe de devolver às empresas o poder competitivo que possuíam há anos atrás. Portanto, não procede o argumento de que as empresas não se modernizaram por sua própria culpa. Fato é que, face à crise externa, estão tendo que atravessar uma fase hostil, onde os preços internacionais estão mais competitivos face à: a) super oferta existente e; b) política de depreciação do câmbio nos Estados Unidos, Europa, Japão e China.
A depreciação do real poderá causar alguma inflação, mas não tão significativa quanto parece à primeira vista. E bom lembrar que, em 2011,o dólar girou em R$ 1,60 e, no final de 2012, R$ 2,10, desvalorizando 31% no período, sendo que a inflação passou de 6,5% em 2011 para 5,8% em 2012. Isso aponta para testar o câmbio a R$ 2,50 gradualmente, via ampliação da liquidez.
Cadeia produtiva. O governo, visando proteger a indústria nacional, elevou no final do ano passado as alíquotas de importação de bens que se situavam no início ou quase no começo de cadeias produtivas. Como resultado, as empresas beneficiadas remarcaram os preços, gerando inflação e obrigando o governo a dar marcha a ré.
Para crescer de forma competitiva e combater a inflação, além das desonerações e adequação cambial, é preciso reduzir os custos dos principais insumos da economia que estão contaminando a cadeia produtiva. E o caso de minério de ferro, cimento, nafta petroquímica, entre outros. Esses insumos estão para a economia como a raiz está para a planta. Insumos bons, economia boa.
Parece que o governo, salve a redução do custo da energia elétrica, não se sente com a coragem suficiente para intervir nos formadores de preços desses insumos. Ao mexer na energia elétrica teve que enfrentar forte resistência das empresas, que se sentiram prejudicadas. Os governadores reclamaram porque iriam perder arrecadação e rechaçaram o pedido da presidente para reduzir a pesada alíquota do ICMS, que tanto onera o custo da energia.
A intervenção do governo para regular esses preços é fundamental para o controle eficaz da inflação e para melhorar a competitividade das empresas. Em alguns casos de monopólio ou oligopólio, o que regula o preço é a oferta externa e, assim, o governo não precisa intervir. Mas, tem casos em que o frete é decisivo no preço e, mesmo com taxa de importação baixa, o produto importado fica mais caro. É o caso do cimento, por exemplo.
Para reduzir os preços na base da cadeia deve-se: a) desonerá-los totalmente do PIS, Cofins e IPI; b) reduzir o imposto de importação do similar tendendo-o a zero; c) exigir prioridade ao abastecimento interno através da relação entre quantidade exportada e faturada internamente; d) no limite, usar o imposto de exportação no caso de abuso no preço interno.
Conjugando desoneração, câmbio e preço controlado do insumo, que se situa no início da cadeia produtiva, restauram-se as condições necessárias à competitividade das empresas, com a consequente ampliação da oferta interna, maiores chances de disputa externa e redução de preços ao longo da cadeia, contribuindo para o controle da inflação e, induzindo de forma natural a retomada do investimento das empresas.
Resta ver se o governo, à semelhança com que enfrentou e conseguiu reduzir o elevado custo da energia elétrica, faça o mesmo nos demais insumos que estão na raiz das cadeias produtivas. Eis um bom desafio!

Exuberância racional - HENRIQUE MEIRELLES

FOLHA DE SP - 10/03

No momento em que a Bolsa brasileira tem trajetória incerta, a Bolsa de Nova York bate recordes históricos de valorização. É instrutivo entender as razões desse fenômeno, uma vez que a economia norte-americana está ainda em processo inicial de recuperação e a europeia, grande parceira comercial dos Estados Unidos, segue em dificuldades.

Para isso, devemos olhar a produtividade, a flexibilidade e a rapidez de adaptação da economia norte-americana.

O sistema financeiro daquele país reagiu de forma muito rápida à crise de 2008 e à escassez de crédito decorrente. Os prejuízos foram logo reconhecidos, o governo deu crédito para recuperar os bancos e a gestão dessas instituições foi substituída. Os acionistas perderam com a queda forte das ações, mas as instituições, a partir dali, puderam se capitalizar e voltar a crescer.

Já a reestruturação das empresas norte-americanas não financeiras promoveu grande aumento da produtividade. Num primeiro momento, isso resultou no que se chamou de recuperação sem geração de empregos, o que não é desejável. Mas a saúde financeira das empresas, seu dinamismo e sua capacidade de recuperação devolveu tração à economia. As empresas agora estão capitalizadas e prontas para investir.

É necessário mencionar ainda a enorme injeção de liquidez promovida pelo Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), que recuperou o preço de ativos, como as ações das empresas. Isso aumentou a riqueza percebida da população e sua intenção de gastar, já que o número de norte-americanos que investe na Bolsa é enorme comparado ao de outros países.

Diante dessa rápida capacidade de adaptação do setor privado e público dos Estados Unidos às mudanças econômicas, o mercado, como sempre, antecipa resultados. E bate recordes.

Na medida em que as empresas estão bem, a economia se recupera e a atuação do governo sinaliza segurança, tranquilidade e estabilidade ao investidor, a atividade econômica começa a se recuperar e os investimentos passam a reagir. E não só no mercado de ações, mas também na chamada economia real, como se vê na melhora do setor imobiliário, grande gerador de empregos.

Dito isso, é importante lembrar que tudo o que sobe em demasia acaba caindo. Os ciclos econômicos evidentemente não foram abolidos, e um ajuste de preços das ações virá em algum momento. Mas entender os motivos da recuperação da Bolsa norte-americana -ação rápida e focada do governo e das empresas, com segurança para o investidor- pode iluminar o caminho à frente.

O feriado e os “racistas” - EDITORIAL - GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 10/03

Defender ou criticar o novo feriado do Dia da Consciência Negra é legítimo; o que não se pode é simplesmente rotular de “racistas” os que são contrários ao dia de folga


O Conselho Municipal de Políticas Étnico-Raciais (Comper) de Curitiba iniciou, na sexta-feira, uma campanha de reação à ação judicial movida pela Associação Comercial do Paraná (ACP) que contesta a criação do feriado do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro. Buscar o debate público sobre a criação do feriado é louvável, mas, quando se observa o nome da campanha, não parece ser exatamente esse o objetivo do movimento. Inicialmente chamada “Racismo não”, a iniciativa recebeu o nome definitivo de “Diga não ao racismo e a todas as formas de discriminação”.

O nome da campanha não chega nem a ser uma indireta – o objetivo é escancarado: jogar sobre todos os que se opõem à criação do feriado a pecha de racistas. “A reação da ACP é racista”, disse, com todas as letras, o presidente do Comper, Saul Dorval da Silva, citado no site do vereador curitibano Jorge Bernardi. A afirmação é grave, e não apenas porque o movimento negro está acusando a ACP, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon, que também é autor da ação) e os demais opositores do feriado de uma ação criminosa – afinal, o racismo é justamente considerado crime.

Ao alegar que há motivações racistas na ação da ACP e do Sinduscon, o Comper simplesmente fecha a possibilidade de discussão. O interesse já não é debater a questão do feriado; é simplesmente ganhar o embate na base do rótulo, encarado como um “argumento” definitivo e irrefutável. Infelizmente muitas das discussões sobre políticas sociais e direitos das minorias no Brasil têm seguido este caminho, e adjetivos como “racista” ou “fascista” são usados e abusados para camuflar seja a falta de preparo para o debate, seja a própria intolerância a posicionamentos legítimos, embora contrários.

A verdade é que praticamente todos os argumentos econômicos e jurídicos que são usados pela ACP para contestar a instalação de mais um feriado em Curitiba serviriam igualmente para qualquer outra data que não fosse o Dia da Consciência Negra. A associação, por exemplo, afirma que cada dia parado representa um prejuízo de R$ 160 milhões para o comércio local. Em artigo publicado na Gazeta do Povo em 31 de dezembro de 2012, Saul Dorval afirmou que, em outras cidades nas quais o feriado de 20 de novembro foi implantado, a economia local cresceu de 2% a 4%. O Comper poderia, por exemplo, ter convidado a ACP para que as duas entidades apresentassem os estudos nos quais se baseiam, para chegar a uma conclusão a respeito do verdadeiro impacto da data sobre a economia curitibana. Mas, em vez disso, ao adotar a retórica vitimista, o movimento negro desrespeita a sociedade curitibana – que, aliás, em sua maioria também discorda da criação do feriado, conforme levantamento da Paraná Pesquisas divulgado pela Gazeta do Povo em 4 de fevereiro.

O racismo é uma chaga na sociedade brasileira, e não há dúvida de que precisa ser condenado e combatido. A cultura negra é digna de promoção, assim como as demais culturas que formaram a sociedade paranaense e brasileira – tanto a ACP quanto a maioria dos curitibanos concordam com a aprovação de uma data comemorativa em homenagem a Zumbi dos Palmares. Questionar a criação do respectivo feriado, no entanto, não implica o menor traço de racismo. Ninguém está pretendendo vedar aos negros direitos garantidos a outras etnias, ou considerá-los inferiores ou indignos. Associar a ação judicial da ACP e do Sinduscon à prática de racismo é uma tentativa de fazer prevalecer a opinião própria sem a necessidade de discutir o feriado. Saul Dorval alega que “esse tipo de posicionamento [a ação judicial] acaba manchando a imagem de Curitiba”, mas na verdade a reação do movimento negro é que mancha a sua imagem perante os curitibanos. Ainda há tempo de deixar o vitimismo de lado e promover um debate adulto sobre o que é melhor para a cidade.

A safra do congestionamento - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 10/03
Safra recorde no Brasil é sinal de congestionamento nas estradas, de acesso complicado aos portos e de navios em fila para atracação. Os complementos são custos elevados e muita dor de cabeça para quem deve cuidar de embarque e desembarque de mercadorias nos terminais marítimos. A história se repete mais uma vez. O País colhe um volume sem precedentes de grãos e oleaginosas, estimado em 183,6 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa é pouco menor que a divulgada em fevereiro, 185 milhões, mas, ainda assim, a colheita há pouco iniciada deve ser a maior obtida até agora. Seria bem mais fácil festejar a boa notícia - mais um sucesso da agricultura brasileira - sem o caos já visível no sistema logístico.

Caminhões de soja e milho estão sendo enviados aos portos, principalmente de Santos e de Paranaguá, mais cedo que em outros anos. O congestionamento no acesso aos terminais santistas começou na última terça-feira. Naquele dia, um dos terminais graneleiros recebeu 350 caminhões, 100 a mais que o número máximo permitido. Mas o caos é muito mais amplo e se espalha pelas estradas de outros Estados. Carretas de Mato Grosso têm demorado três dias a mais que em outros anos para descarregar nos portos. As viagens têm sido prejudicadas pelo mau estado das estradas e a lenta movimentação portuária agrava os atrasos. Tudo isso prejudica o retorno dos caminhões, retarda os novos carregamentos e eleva o preço dos fretes. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Sapezal (MT), Cláudio José Scariote, a opção ferroviária é pouco atraente, apesar dos problemas do transporte rodoviário, por causa da demora e do alto custo das operações de transbordo.

O caos logístico tem ocorrido em todos os anos de grandes colheitas e era esperado mais uma vez desde o segundo semestre de 2012, quando um grande volume de milho da segunda safra foi encaminhado aos armazéns. Especialistas falaram sobre o assunto naquela ocasião e apontaram os riscos de problemas consideráveis nos primeiros meses deste ano. As previsões estão sendo confirmadas, apesar de algumas novas medidas. No Porto de Paranaguá foi estabelecido um sistema de programação online para a entrega de carga, mas, mesmo assim, caminhoneiros continuam formando filas.

O sistema brasileiro de transportes é ruim tanto pela sua composição quanto pelas condições de conservação e de uso das várias modalidades. A predominância do modo rodoviário é um dos defeitos mais visíveis, num país com a extensão do Brasil e com enormes volumes de carga para transporte a longa distância.

Com base em custos do ano passado, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) comparou as condições de escoamento da produção americana e da brasileira. No Brasil, o produtor brasileiro pode gastar 59% mais que o americano para um percurso de 2 mil quilômetros, principalmente por causa da matriz de transporte. Dois terços dos produtos brasileiros são escoados pelo sistema rodoviário, enquanto essa proporção nos Estados Unidos é pouco inferior a 30%.

Além disso, a malha brasileira de rodovias é insuficiente e ruim. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) realizada em 95.707 quilômetros de estradas, no ano passado, o pavimento era deficiente em 46% da extensão, havia problemas na sinalização em 66,3% e a pista era única em 88,1% dos percursos. As condições predominantes, portanto, eram muito más tanto para o transporte de passageiros quanto para o de cargas.

No ano passado o governo mostrou preocupação com o problema, afinal, e anunciou um plano de logística. Na prática, a iniciativa, até hoje, foi pouco além do anúncio, exceto pela criação de uma estatal para cuidar do assunto. Pelo menos a demonstração de interesse é positiva. Durante anos, a impropriamente chamada política de transportes havia sido marcada por muita bandalheira e pouca realização, num Ministério sujeito ao loteamento político. Enquanto se espera a conversão das promessas em ações, a safra continua encalhando nas estradas e portos.

O limite dos bancos - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 10/03

O governo federal teve algum êxito na campanha de redução das taxas de juros, iniciada em abril do ano passado. Sucesso parcial, pois tal diminuição deveu-se na maior parte à queda da taxa básica, a Selic, providência adotada por um Banco Central em tese autônomo.

Levando em conta o panorama geral dos empréstimos do setor financeiro e a situação econômica, o sucesso é algo mais controverso.

A campanha federal começou com a redução dos juros nos bancos públicos, por orientação do governo Dilma Rousseff. Os privados reagiram apenas timidamente.

Também foi acanhada a concessão de novos empréstimos, devido à persistente inadimplência e ao receio de baixo crescimento. Os bancos privados preferiram manter excesso de dinheiro em caixa e emprestá-lo a curto prazo ao governo, a juros menores que os cobrados da clientela. Devido à queda da Selic, à pressão da concorrência e ao caixa ampliado, viram sua margem de lucro diminuir.

A expansão dos empréstimos no ano passado ficou a cargo das instituições estatais, que responderam por cerca de 75% do aumento do crédito. Tal incremento só foi possível porque o governo federal endividou-se e injetou mais capital nos bancos públicos, como tem feito desde 2008.

Em setembro daquele ano, início da grande crise mundial, a participação estatal no mercado bancário era de 34%. Em janeiro de 2012, de 43%. Neste janeiro, subiu a 48%.

O resultado financeiro dos bancos públicos tem sido bom: lucros maiores, inadimplência baixa. É provável que, sem a expansão do crédito das instituições estatais, o crescimento econômico tivesse sido ainda menor.

Pode-se, no entanto, fazer juízo diverso. Os bancos públicos chegaram ao limite da expansão e da redução de juros; cresceram porque contaram com capital barato oferecido pelo governo, ao custo de endividamento caro para o Tesouro.

O ativismo estatal contribuiu de modo limitado para um crescimento insustentável, pois a inflação cresce, os juros de mercado começaram a subir e tudo indica que a Selic logo será elevada.

O governo Dilma Rousseff imitou uma solução da era Lula, aquela com o objetivo de evitar um colapso econômico em 2008 no Brasil, sob risco de ser engolfado pela crise mundial.

A solução de emergência, porém, não dá conta dos desequilíbrios e das ineficiências estruturais da economia brasileira. O governo venceu uma batalha de pouca importância para a guerra do crescimento duradouro.

O embuste do uso do autoritarismo contra a miséria - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 10/03

Não há qualquer ditadura na relação dos países mais ricos , com renda mais bem distribuída, com os melhores índices de desenvolvimento humano



A morte de Hugo Chávez leva a reflexões sobre os caminhos escolhidos pelos latino-americanos para superar o mal da pobreza e da miséria, ainda marca registrada do continente, embora hoje menos presente em alguns países da região. A Venezuela, um deles, e graças ao próprio Chávez. Por aproveitar a explosão dos preços do barril de petróleo no seu período de poder, de US$ 20 para mais de US$ 100, e canalizar os petrodólares abundantes aos pobres, o caudilho melhorou o quadro social no seu país. Segundo dados da Cepal, da ONU, o contingente de pobres venezuelanos caiu de 45% da população para 27%.

Importa discutir se a experiência chavista reforça a defesa de regimes autoritários como a via mais eficiente para a justiça social. Não reforça, é o contrário.

Rápida consulta na lista das economias mais desenvolvidas do mundo, das sociedades em que a renda é mais bem distribuída, e da relação dos melhores índices de desenvolvimento humano (IDH) mostra maciça presença de países em que as instituições democráticas republicanas são historicamente fortes. Não por coincidência. O Brasil, por sua vez, tem obtido conquistas sociais capazes de rivalizar com as chavistas dentro dos marcos da democracia representativa.

No outro verso da História, há o fracasso dos projetos coletivistas, autoritários, o mais estrondoso deles a União Soviética. Parêntesis: a China ainda é um ponto fora da curva, em trânsito, porque é preciso saber até quando um regime fechado, de partido único, resistirá ao enriquecimento da população, com a criação de forte e ambiciosa, no bom sentido, classe média.

Pelo fato de os caudilhos/ditadores esmagarem as instituições que dão estabilidade ao desenvolvimento — por meio do respeito ao direito de propriedade, a uma série de direitos civis, segurança jurídica —, o sucesso que pode ser obtido num período de bonança econômica não se sustenta a médio e longo prazos.

A Argentina é exemplo mais reluzente: Perón distribuiu renda e criou um aparato sindical com ligações ao Estado tão forte que o partido Justicialista domina o espaço político, e o peronista da vez, hoje Cristina K., curva as instituições à sua vontade. O resultado é o empobrecimento e perda mundial de importância da Argentina.

A sorte do Brasil foi o varguismo ter sido contido pela modernização a partir da abertura econômica na década de 90. Mesmo assim, ainda há o peso da CLT e a atuação de corporações sindicais na defesa de privilégios contra os interesses da sociedade. A luta para quebrar o cartório dos portos é um exemplo. A própria Venezuela deixada de herança por Chávez está em frangalhos: previsão de 28% de inflação, a petroleira PDVSA desmantelada, desbastecimento, falta de divisas.

A ponto de o legado do caudilho poder destruir o chavismo. A própria falta de instituições fortes leva os chavistas a forçar a criação do mito Chávez. Este filme também é conhecido.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“As partes trazem suas razões com uma certa paixão”
Ministro Luiz Fux (STF) e a disputa, às vezes emocional, pelos royalties de petróleo


PR QUE TIRAR FERNANDO PIMENTEL DO MINISTÉRIO

Em negociação para voltar à base e apoiar a presidente Dilma em 2014, o PR propôs ao Planalto substituir o petista Fernando Pimentel no Ministério do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior. O partido alega que a aliança é importante ao próprio Pimentel, cotado para disputar o governo de Minas, já que é a segunda maior bancada mineira e tem quase três minutos de tempo de TV no horário eleitoral.

XADREZ POLÍTICO

Político de confiança de Dilma, Pimentel iria para a Casa Civil em lugar de Gleisi Hoffmann, que é candidata ao governo do Paraná.

PREJUÍZO ELEITORAL

O PT calculou que o prejuízo eleitoral de Dilma, se não obtiver apoio do PR em 2014, será principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

MALAS PRONTAS

O ex-senador Wilson Santiago e seu filho, Wilson Filho, decidiram abandonar o PMDB para assumir o comando do PTB na Paraíba.

ESCAFEDEU

Cumpriu-se o fado: um mês após deixar a presidência da Câmara, o nanodeputado Marco Maia (PT-RS) já despareceu no baixíssimo clero.

SEBRAE APOSTA EM SINERGIA COM MICROEMPRESA

Confortável em orçamento que permite ao Sebrae desenvolver políticas do setor, o presidente da entidade, Luiz Barretto, saudou a criação do novo ministério da Micro e Pequena Empresa, que será entregue ao empresário Guilherme Afif Domingos para acomodar o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab. Barretto aposta em sinergia com Afif, atual vice-governador paulista, que, aliás, ainda não revelou seus planos.

LIMITAÇÃO

Ao contrario do Sebrae, o novo ministério nasce com orçamento suficiente apenas para seu custeio, sem dinheiro para investimentos.

PROFECIA

O futuro ministro Afif Domingos, que é ligado ao comércio, era aquele candidato à Presidência da República do “Juntos chegaremos lá”.

O RETORNO

Já em clima eleitoral, o PMDB-RN só fala da eventual candidatura do ministro Garibaldi Alves (Previdência) ao governo do Estado, em 2014.

TUDO ARMAÇÃO

Parlamentares desconfiam que a suposta falsificação da assinatura do deputado Zoinho (PR-RJ) é armação dos cariocas para tentar anular a sessão que derrubou os vetos de Dilma sobre os royalties do petróleo.

TURBULENTO

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), prometeu a Henrique Fontana (PT-RS) votar o projeto de reforma política nos dias 9 e 10 de abril: “Vai ter turbulências igual aos royalties”, prevê o relator.

PRÊMIO DE CONSOLAÇÃO

A Câmara vai criar estrutura e cargos ao Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica, onde Inocêncio Oliveira (PR-PE) foi acomodado após perder vaga na Mesa Diretora, onde permaneceu por vinte anos.

PRÓ-ATIVO

O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), coleta assinaturas para votar o fim da aposentadoria vitalícia a ex-governadores. Ele também articula para derrubar o voto secreto no Congresso, salvo em caso de eleições.

ELE FICA

Além de Mendes Ribeiro ser um amigo querido, a presidente Dilma tem mais um motivo para mantê-lo ministro da Agricultura. Sua vaga na Câmara foi ocupada pelo suplente Eliseu Padilha, da cota do PMDB.

TAMANCADA

A TAM terá de indenizar em 10 mil merrecas a cliente que, vítima de overbooking, foi colocada em outro voo, onde sofreu novo overbooking e foi expulsa do avião.

E ainda tomou um tabefe do comandante. Ninguém foi preso. Com multa tão irrisória, nada vai mudar tão cedo...

REGRAS DO JOGO

Para o senador Walter Pinheiro (PT-BA), é “natural” o governador Eduardo Campos (PSB-PE) se posicionar em busca de espaço em 2014: “O núcleo do governo não é só PT e PMDB. Cabe mais um”.

LIMPEZA

Projeto do deputado Sebastião “Bala” Rocha (PDT-AP) proíbe fatos, provocações e ataques “sem comprovação” que “desqualificam e ridicularizam candidatos” no horário eleitoral. Vai acabar a propaganda.

PERGUNTA A ESTIBORDO

Quando Dilma inaugurou uma fábrica de submarinos no Rio era para enfrentar a “marolinha” do PIB ou as previsíveis enchentes na cidade?


PODER SEM PUDOR

PROVA PARA A DOUTORA

Ex-governador de Pernambuco com fama e hábitos, digamos, peculiares, Roberto Magalhães acabara de ser eleito deputado federal. Num sábado deserto de Brasília, queixou-se de dor de dente, pediu ajuda a amigos e um dentista neutralizou o abscesso. No fim da consulta, ele pediu:

- O sr. me dá um atestado?

- Claro. Mas, permita-me a pergunta: por que o senhor, um deputado federal, precisa de atestado?

- É para mostrar à doutora Jane.

"Doutora Jane" é como Magalhães chama a própria mulher. Ficou parecendo que ela duvidava da sinceridade de sua dor.

DOMINGO NOS JORNAIS


- Globo: A Guerra do petróleo- Sem royalties, municípios do Rio cortam R$ 1,8 bi
- Folha: Agência leva 12 anos para julgar plano de saúde
- Estadão: Dilma reduz repasses para Estado de Eduardo Campos
- Correio: Mulheres marcadas pela covardia
- Estado de Minas: BR 381- A primeira morte
- Jornal do Commercio: Mais dívida e menos calote
- Zero Hora: Esburacadas, emperradas, perigosas, caras

sábado, março 09, 2013

Política miúda - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 09/03

As más línguas do Vaticano dizem que o cardeal brasileiro Odilo Scherer está sendo inflado por gente da Cúria Ele seria, para esses cardeais, mais facilmente manobrável.
Os que querem cortar as asas da Cúria estariam alinhados com o poderoso arcebispo de Milão, Angelo Scola. A conferir.

De casa nova
A Rádio Corredor diz que o destino de Daniel Wainstein, de 43 anos, que deixou o comando do Goldman Sachs no Brasil levando bônus de uns 22 milhões de dólares, será o grupo Eike Batista.

Parquinho da Patrícia
Está com os dias contados o parquinho da sede do Flamengo, reformado por Patrícia Amorim e motivo de chacota da oposição, que dizia ter sido a maior obra da gestão da ex-presidente.
O restaurante que o McDonald’s vai erguer na Gávea ficará no espaço hoje ocupado pelos brinquedos.

Corrente positiva
Zezé Motta fez um pedido especial ontem, em seu Facebook, pela saúde de Emílio Santiago: “Uma corrente com muito pensamento positivo, energia e boas vibrações pela recuperação do Nat King Cole da música brasileira. Meu querido amigo, Emílio Santiago!”
É que...
O cantor teve um AVC e estáinternado no Samaritano, no Rio.

Salve, Glória
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil homenageou ontem
Glória Perez.A autora de “Salve Jorge” virou capa da página do perfil da instituição, no Facebook, no Dia Internacional da Mulher.

Medalha Duguay -Trouin
O consultor Adriano Pires, gaiato, sugere a Eduardo Paes investigar os parlamentares de outros estados que têm casa no Rio.
E os que votaram a favor da tunga do petróleo teriam... o IPTU aumentado.

Novos corsários...
Como ia dizendo, esta turma merece a Medalha René Duguay-Trouin, o francês que no começo do século XVIII tungou o Rio em 610 mil cruzados, cem caixas de açúcar e 200 bois.

Giane, o astro
Reynaldo Gianecchini será o protagonista do filme “Diminuta”, do cineasta Bruno Saglia.
O longa, com produção da B.O.X.X. Filmes, será rodado no Brasil e na Itália e terá no elenco, entre outros, Deborah Evelyn, Carlos Vereza e Daniela Escobar.

Niskier
No Museu Mário Mendonça, na cidade mineira de Tiradentes, será inaugurado, hoje, o “Espaço Arnaldo Niskier”.

Grande Portinari
O Instituto Chico Mendes doou para o MNBA, no Rio, apropriedade de cinco quadros do mestre Portinari que estavam na Capela Mayrink, na Floresta da Tijuca.

Os quadros (como este ao lado), que serão expostos no dia 26 agora, já estavam sob a guarda do museu.
Bianco e o maestro Aliás, este pintor Enrico Bianco, 94 anos, que o Brasil perdeu ontem, tinha verdadeira adoração por Portinari. No livro “Bianco”, editado por Léo Christiano, ele conta que testemunhou a morte de seu “maestro” em 1962, intoxicado pelo chumbo de suas tintas:
— Portinari explodiu. Paredes e teto ficaram pintados de vermelho-sangue.

Troca-troca
Botafogo, no Rio, ganha hoje uma casa de swing, a Two Lounge.

Tô fora
O secretário Indio da Costa convidou Zico para se candidatar a deputado nas próximas eleições. O craque recusou: “Tô fora de política.”

Tudo acaba em samba
A turma do Rio é gozadora até com suas mazelas. As imagens do Maracanã encharcado pelas chuvas levaram o mineiro-carioca João Bosco a brincar: “Se não ficar pronto pra Copa, agente vai pra cozinha.”
Outro gaiato propõe que o nome do
estádio seja “Arena Jacuzzi”. Calma, gente.

A derrota dos royalties - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 09/03

A presidente Dilma está irritada com a tática de confronto do governador Sérgio Cabral. Avalia que essa foi uma das causas da derrota e ficou decepcionada com a acusação de que “lavou as mãos”. Diz que sempre esteve com o Rio. Acha que a estratégia tem de mudar no STF. Além disso, Cabral, 14 anos após o ex-governador Itamar Franco (MG) declarar moratória, foi na mesma linha e anunciou a suspensão dos pagamentos.

A vida como ela é
O DEM convocou protesto contra a presidente Dilma por conta da seca no Nordeste e do atraso nas obras da transposição do Rio São Francisco. Foi no dia 1º de março, quando a presidente esteve em João Pessoa (PB). O líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), viajou para lá. Aí entrou em campo a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Ela chegou antes,dissolveu o protesto e levou os manifestantes para o palanque da presidente. Caiado não saiu do hotel, e um dos organizadores, o deputado Efraim Filho (DEM-PB), até se reuniu com Dilma.

“Temos que chegar no ano que vem com real expectativa de poder, pois é isso que vai aglutinar forças em torno
da nossa candidatura”

Aécio Neves Senador (MG) e provável candidato do PSDB à Presidência

‘IRopstar’
Acompanhante da presidente Dilma no velório de Chávez, o ex-presidente Lula foi o centro das atenções nas rodas de conversa. Ele passou o tempo todo cercado por Evo Morales (Bolívia), Rafael Corrêa (Equador) e Raúl Castro (Cuba).

Show da Xuxa
A apresentadora Xuxa, foto, engrossou o coro contra a nomeação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. “Que Deus nos ajude! Gente, socorro! Vamos fazer alguma coisa. Todo mundo sabe que eu respeito as religiões, mas este homem não é um religioso, é um monstro”, desabafou, no Facebook.

Quem tem a força
Os tucanos não estão preocupados com contatos do PPS e do DEM com as candidaturas Marina Silva (REDE) e Eduardo Campos (PSB). Avaliam que, sem o PSDB, esses dois partidos não elegem as atuais bancadas na Câmara dos Deputados.

O tamanho do estrago
Com a mudança da Lei dos Royalties, a cidade de Macaé (RJ), principal base logística de Petrobras, perderá este ano R$ 193 milhões de receita. O prefeito Aluízio Junior (PV) decidiu “auditar a folha de pagamento, reduzir a assessoria e limitar investimentos”. Serão cortadas “a construção de novas escolas, obras de saneamento e dos arcos rodoviários e a criação de leitos hospitalares”.



Sistematizando a dor de cabeça
Todos os presidentes estaduais do PT estão sendo convocados para uma reunião em 25 de março. O partido pretende fazer o primeiro mapa das eleições regionais de 2014, sistematizando as pretensões petistas e os planos dos aliados.

As luzes da ribalta
Afastado das principais campanhas desde o julgamento do mensalão, o marqueteiro Duda Mendonça se associou ao cientista político Antônio Lavareda e faz intenso lobby para assumir a campanha de Eduardo Campos em 2014.
O novo secretário de comunicação do Distrito Federal, Ugo Braga, já definiu seu adjunto. A função será exercida pelo jornalista Rudolfo Lago.

Reforma política - SONIA RACY

O ESTADÃO - 09/03

Geraldo Alckmin está preocupado com o destino da reforma política. “Se nada for votado neste semestre, não se vota mais antes de 2014. Não há democracia que funcione com 30 partidos atuando.”
A atual legislação, segundo o governador paulista, é “uma máquina de fazer partidos”.

Reforma 2
Alckmin espera que pelo menos dois itens sejam referendados. O que dita a proibição de coligação proporcional e as novas normas sobre tempo de TV. “Não pode mais existir a soma dos tempos na televisão de todos os partidos da coligação. Gera aberrações.”
Acabaria com o vale-tudo pelo minuto na telinha.

Arrecadação
São Paulo entrou no STF por causa dos royalties do petróleo. Mas não pensa em retaliar, como fez Sérgio Cabral.

Dá para entender. Segundo Andrea Calabi, dos R$ 173 bilhões do orçamento previsto para 2013, somente R$ 150 milhões são originários dos royalties. “Mas na projeção para 2016, receberemos R$ 4 bilhões. Não dá para abrir mão.”

Fogo…
Promotor que investiga Chalita– em 2 dos 11 inquéritos por suspeita de corrupção – sustenta ser “inútil e inócua” a discussão de que houve prescrição no caso. Diz que delitos de lesão ao patrimônio público e danos morais são imprescritíveis. E acrescenta: há elementos suficientes para que a apuração prossiga.

…cruzado
O deputado solicitou ao MP de São Paulo o trancamento das investigações contra ele. O Conselho Superior do órgão analisa. Já negou dois pedidos.

Haja linha
E a Receita Federal aperta a fiscalização sobre importação de… botões. Motivo? Indício de subfaturamento.
Das cerca de mil toneladas do produto que desembarcaram nos portos brasileiros em 2012, 82% vieram da China.

Em memória
Chorão será homenageado por Negra Liem show beneficente, dia 9 de abril. Com a Orquestra Jovem do Lar das Crianças da CIP, no Teatro Cultura Artística Itaim.
Regência? A cargo do maestro Claudio Weizmann.

Monopoly
No mercado imobiliário, fala-se que Joesley Batista pagou por sua nova casa, em Angra dos Reis – vendida por um casal de apresentadores da televisão –, nada menos que R$ 24 milhões. E pelo apartamento de conhecido publicitário, em Nova York, algo como US$ 15 milhões.
Somados aos quatro imóveis que comprou na região dos Jardins, em SP, avaliados em cerca de R$ 100 milhões, o empresário está fazendo uma bela carteira.

Citius, altius, fortius
A Olimpíada do Rio chegará primeiro… a São Paulo. O COB está trazendo 400 peças do Museu Olímpico, de Lausanne, para exposição na Fiesp. Entre os itens selecionados, cópia do discurso do Barão de Coubertincom a proposta de recriação dos Jogos, em 1892; sapatilha e medalhas de Adhemar Ferreira da Silva(das competições de 1952 e 1956); além de tochas e mascotes.
A mostra será aberta em abril e seguirá para o Rio em agosto.

Sem pressa
Muito se fala sobre Patricia Abravanel estar à procura de um programa para chamar de seu. Pessoas próximas, entretanto, atestam ser apenas especulação.

A moça tem olhado novos projetos, mas sem pressa. Está feliz com o que vem fazendo hoje. E o pai, todo orgulhoso com o desempenho da filha.

Eu acuso: Cunha foi honesto! - JORGE BASTOS MORENO

O GLOBO - 09/03

Cabral entrou no cheque especial da credibilidade para apoiar o trio Renan-Henrique Alves-Eduardo Cunha, achando que, na votação dos royalties, teria o apoio do comando do Congresso.

- Cá pra nós, o Henriquinho é muito fraco. Comigo na liderança, não teria acontecido o que aconteceu - foi assim que o famigerado (Não me processe, é no sentido de célebre e notável!) apresentou-se candidato a líder a Cabral.

Ninguém do outro lado contou ao governador que o discurso de Cunha foi este:

- Não posso ficar contra o Rio, mas também não posso ficar contra a bancada. Serei imparcial.

Pela primeira vez na vida, Eduardo Cunha agiu com correção. Traiu Cabral, mas é líder de uma bancada e não de um estado. E, como deputado do Rio, retirou-se do plenário junto com seus colegas do estado.

(Nunca pensei que, um dia, tivesse que elogiar um gesto do famigerado. Eu deveria ser processado por isso.)

"Mui amigo"

Falar em Cunha, sabe esses voluntariosos que tentam fazer as pazes entre as pessoas, à revelia delas?

Pois um desses pacificadores chegou ao célebre deputado:

- O senhor precisa fazer as pazes com o "Nhenhenhém" e parar de mandá-lo sair do armário.

- Mas ele vive me chamado de ladrão! Quem tem razão?

- Os dois!

Deputado, com um amigo comum desses, a gente nem precisa mais ser inimigos.

Fato

Para Jandira Feghali servir de pacificadora, imaginem o tamanho da briga entre o secretário municipal Pedro Paulo e o senador Lindbergh Farias.

- Não tenho medo das máquinas municipal e estadual! - gritou o senador.

Pedro Paulo, de chofre:

- De máquina você entende. Ela te trouxe para cá.

Versão

Lindinho, que diz gostar muito do secretário, nega a segunda parte, a de que Pedro Paulo o tivesse acusado de ter usado a prefeitura de Nova Iguaçu:

- Se pensou, esqueceu de dizer.

Que medo!

Serra avisa que não vai deixar barato a candidatura de Aécio Neves à presidência do PSDB:

- Vou contestá-la!

Como se o partido estivesse podendo e esse tema fosse relevante para os destinos do país.

Eu só estou registrando essa ameaça porque estou sem assunto para fechar a coluna.

Cena

Com todo respeito, existe cena mais falsa do que a do "parabéns pra você", cantado para Tarso Genro no Palácio do Planalto?

Sincera mesmo foi a reação dele:

- Estou envaretado!

A arte da Dilma

Na inauguração do Museu de Arte do Rio (MAR), Dilma encantou-se com os quadros de propriedade do colecionador Sérgio Fadel, na casa de quem jantaria mais tarde.

- Que gentleman! Que fofo! Poucos fariam o que ele fez.

Alertada de que não eram doações, mas estavam ali apenas emprestados, a presidente mudou imediatamente o discurso:

- Que homem mais pão-duro! Ele não perde por esperar!

Durante o jantar, para a surpresa geral, Dilma falou:

- Fadel, estou encantada com a sua generosidade. Nem todos teriam esse gesto de doar aquelas raridades para o museu. Parabéns!

Com um sorriso pálido nos lábios, Fadel não teve outra alternativa, a não ser confirmar o discurso da presidente. E mal conseguiu gaguejar:

- Eu sabia que a senhora iria gostar!

Tudo azul

Eduardo Campos, anotou um assessor presidencial, foi o único a não bater palmas para Dilma quando a presidente anunciou mudanças na MP dos Portos.

E, na rápida conversa, Dilma dedicou-se a perguntar por " Dona Renata" (imitando o jeito de o marido referir-se à primeira-dama).

As duas fingem que são amigas. E o governador finge que acredita.

Pouco tempo

Na antessala da presidência do Senado, duas senhoras esperavam a vez de serem recebidas, quando viram entrar por outra porta Dom Orani Tempesta.

- Deve ter vindo ouvir confissão! - arriscou uma delas.

- Acho que não. Ele volta para o Rio ainda hoje - informou um senhor, com cara de assessor do bispo.

A variável paulista - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 09/03

Com desembarque em São Paulo marcado para o dia 25, Aécio Neves deve intensificar nas próximas semanas os acenos para José Serra, que ainda não confirmou presença na palestra do mineiro no congresso estadual do PSDB. "Serra vai estar conosco. Ele é detentor de um patrimônio extraordinário, e terá um papel fundamental em 2014", afirma o senador. Enquanto a ala serrista ainda hesita, Aécio dá como certo o aval de Geraldo Alckmin, além do já público apoio de FHC.

Bolo de rolo Em reuniões no interior paulista, o PPS começa a discutir a aproximação com o PSB de Eduardo Campos. As caravanas, que chegam neste fim de semana a Votuporanga e Ribeirão Preto, são lideradas por deputados da sigla, tradicional aliada do PSDB no Estado.

Na real O partido de Marina Silva lançará cartilha para os 6.000 ativistas cadastrados. Como a meta é atingir 500 mil assinaturas até outubro, um texto alerta: "Não perca tempo com ações secundárias. Nosso objetivo prioritário é coleta de assinaturas, e o tempo é curto. Tenha isso sempre em mente."

Esse cara... Dilma Rousseff e Lula se reuniram durante quatro horas em Caracas com o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz. Discutiram o cenário pós-Hugo Chávez e ofereceram ajuda ao futuro governo.

... sou eu Segundo interlocutores, Max, como é conhecido, será a principal ponte do governo brasileiro com Nicolás Maduro. Além de ter a simpatia do marqueteiro João Santana, o embaixador é amigo de José Dirceu.

Pela... Advogado de Duda Mendonça, Antonio Carlos de Almeida Castro contestou no STF (Supremo Tribunal Federal) parecer de Roberto Gurgel contrário à liberação de seus bens. O publicitário foi absolvido no mensalão, mas a corte só deve desbloquear seu patrimônio após a publicação do acórdão.

... ordem No texto, Kakay afirma que o procurador-geral da República, ao citar a possibilidade de mudança do julgamento para manter o bloqueio, "ousa atentar contra o direito à liberdade e contra uma declaração de inocência subscrita pela mais alta Corte de Justiça do país".

Antídoto 1 O tom do pronunciamento de Dilma ontem em rede nacional de TV foi calibrado à tensão do governo federal com a perspectiva de inflação acima da meta e corrosão do poder de compra dos salários em 2014.

Antídoto 2 A presidente havia dito a empresários que anunciaria a desoneração da cesta básica em maio, no Dia do Trabalho. O pico de preços do IPCA, contudo, levou o governo a antecipar a medida.

50 tons A petista trocou o vermelho, contestado pelo PSDB em representação ao Ministério Público, pelo cinza em seu figurino televisivo.

Continua lindo Ministros do governo apostam que o plenário do STF repetirá a divisão geográfica do Congresso ao analisar a polêmica dos royalties do petróleo. Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello, que têm laços com o Rio de Janeiro, são tidos como contrários à redistribuição dos recursos.

Escalação Fernando Haddad instalará seu "Conselhão" no dia 26, data em que pretende apresentar o repaginado Plano de Metas do mandato. O colegiado, composto por 100 integrantes, fará quatro plenárias anuais.

PIB Já o Conselhão de Geraldo Alckmin, com cinco câmaras temáticas, terá sua reunião inaugural na segunda-feira. Participarão 90 personalidades entre empresários -como Paulo Skaf e Marcelo Odebrecht- e sindicalistas. Na ocasião será lançado o Plano Paulista de Incentivo à Competitividade.

Tucanocídio Em clima nada amistoso, três tucanos disputam a vice-presidência da Assembleia paulista: Fernando Capez, Maria Lúcia Amary e Roberto Engler. A eleição ocorre na sexta-feira.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
"Devemos mudar o nome da Comissão de Direitos Humanos. O certo agora é chamá-la de Omissão. Caiu o 'C', de credibilidade."
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a eleição de Marco Feliciano (PSC), acusado de homofobia e racismo, para o colegiado da Câmara.

contraponto



Medida certa
José Eduardo Cardozo deixava o Senado após audiência quando foi abordado por jornalistas para uma entrevista coletiva. Em dado momento, um cinegrafista observou que o ministro da Justiça usava pulseira preta e quis saber se era luto pela morte de Hugo Chávez.

Cardozo, então, explicou:

-Não. Estou usando é para emagrecer mesmo! Ela marca e controla meus passos.

As armadilhas dos macropreços - PAULO R.HADDAD

 O Estado de S.Paulo - 09/03

O governo federal vai encontrar imensas dificuldades para realizar o seu objetivo de crescimento da economia em torno de 4% em 2013. Há, no horizonte de curto prazo, a convergência do processo de exaustão de três ciclos que impulsionaram a expansão de nossa economia após a consolidação da estabilidade monetária pós-Plano Real.

Em primeiro lugar, o bom desempenho dos preços e das quantidades de nossas exportações começou a se exaurir a partir da crise econômico-financeira que vem se prolongando desde 2008. Um novo ciclo de expansão da economia mundial poderá ocorrer apenas após 2015.

Em segundo lugar, os ganhos das reformas institucionais dos processos de privatização e de desregulamentação que ampliaram significativamente os investimentos, a produtividade e a eficiência microeconômica de muitas das antigas empresas estatais e de suas poderosas cadeias produtivas se estabilizaram, ainda que em patamares elevados. Mas as ambiguidades político-ideológicas da aliança interpartidária que governa o País fazem dos novos processos de privatizações, de concessões e de desregulamentações um campo de incertezas.

Finalmente, o ciclo das mudanças redistributivas da renda e da riqueza nacional, codificado na Constituição de 1988, está se exaurindo sob as restrições orçamentárias do governo federal, pressionado ainda mais para realocar as receitas adicionais na direção dos investimentos em infraestrutura econômica. A contribuição das políticas sociais compensatórias foi fundamental para impulsionar o mercado interno de algumas regiões do País, embaladas pelo crescimento real expressivo do salário mínimo.

O que fazer? Nestes momentos históricos em que tendem a se esgotar as fontes prevalecentes de crescimento sustentado, a sociedade brasileira sempre soube arquitetar politicamente grandes transformações, como ocorreu na primeira metade dos anos 50 com o presidente JK, no ciclo do milagre econômico dos anos de 1967 a 1975 ou no primeiro mandato do presidente FHC. Não me parece que a atual administração do governo federal esteja preparada para identificar, estruturar e implementar um processo de construção de um novo paradigma de desenvolvimento para o Brasil. Na verdade, a opção da atual equipe econômica é por uma abordagem incrementalista para enfrentar os problemas de baixo crescimento econômico, da persistência das desigualdades sociais e do uso predatório dos nossos ecossistemas.

Seguindo o incrementalismo sempre que um hiato é percebido pelos formuladores das políticas econômicas entre uma realidade observada e uma situação ideal, medidas são tomadas para preencher esse hiato. Ao se fechar um hiato, contudo, sempre se abrem outros; ao se resolver um problema, criam-se outros; e então estes passam, num momento seguinte, a ser percebidos como problemas, e tentativas são feitas com o objetivo de fechar os hiatos entre as situações ideais e a realidade nesses outros casos.

Esse processo pode se ramificar quase indefinidamente e há muitas situações em que ele se torna razoavelmente bem-sucedido (ao longo de um ciclo de expansão, por exemplo) como padrão de resolver os problemas das políticas econômicas. Mas nem sempre. É o caso da situação atual, em que a equipe econômica busca administrar as mazelas e os desencontros induzidos por suas ações entre os macropreços dos salários, do câmbio, da taxa de juros ou dos preços relativos de bens energéticos, resultando ora na aceleração da inflação ora na perda de competitividade dos bens exportáveis ou, até mesmo, na descapitalização de instituições e setores estratégicos da economia brasileira.

Assim, de intervenção ad hoc a intervenção ad hoc nos macropreços, formam-se armadilhas de efeitos inesperados que aguçam as incertezas para os agentes econômicos que desejam um mínimo de racionalidade e de previsibilidade nas suas decisões de médio e de longo prazos.

Colapso e caos - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 09/03

É preciso reconhecer: o Brasil está vivendo o caos na prestação dos serviços públicos e um colapso regulatório. Isso é resultado direto da falta de compreensão do que faz o Estado no seu papel de regulador. O governo desprezou as agências como se fosse "terceirização" dos seus poderes, tirou delas autonomia, nomeou apadrinhados, desvirtuou processos.

Hoje, as agências, seja em que área for - água, transporte aéreo de passageiro, energia elétrica, petróleo, telecomunicação -, alternam períodos longos de inação e omissão com fases de fúria arrecadatória. Multam as empresas e ameaçam. Mas o dinheiro acaba virando um novo imposto, que enche os cofres do governo e não resolve o problema de quem consome os serviços.

No domingo à noite, dia 24 de fevereiro, o aeroporto de Brasília viveu uma situação bizarra. Todo o sistema caiu. Os cartões de embarque foram preenchidos à mão. As televisões estavam apagadas e ninguém sabia onde era seu portão. Na sala de embarque, os passageiros tinham que conferir em cartazes pregados em cada portão os números dos voos. Nos dias seguintes, houve mais três quedas de energia no mesmo aeroporto.

No começo, era só equívoco ideológico. O PT achava que o PSDB quando criou novos marcos regulatórios para setores privatizados queria acabar com o Estado. O Estado moderno precisa ter agências que regulem setores. A não regulação é perigosa porque entrega às empresas o mercado como sesmaria. A regulação só governamental já criou muita distorção no passado.

As agências precisam ser independentes, não podem ter diretores nomeados pela chefe da regional paulista do gabinete da Presidência, com poderes que exorbitavam as suas funções. Há empresas privadas dividindo mercado com empresas públicas, autonomia e neutralidade das agências é fundamental.

Há momentos que a gente sente é que o país parou de funcionar. Falo de casos reais: uma conversa precisou de cinco ligações e mesmo assim terminou inconclusa. Uma empresa provedora de internet não consegue há dias explicar aos usuários - que pagam o maior preço para terem a maior velocidade - porque não entrega a mínima estabilidade de conexão. A luz acaba a qualquer chuva e demora tempo inexplicável para voltar. Quem nunca viveu situação kafkiana com as prestadoras de serviço tem muita sorte. A sucursal do GLOBO em São Paulo, ontem, antecipou fechamento porque corria risco de ficar sem luz depois do temporal que caiu à tarde. Só seria possível trabalhar enquanto houvesse diesel nos geradores do prédio. À noite, ainda não chegava energia da concessionária.

As empresas aéreas estão extorquindo viajantes. Trocar passagem mesmo que seja para voo em data futura tem custo tão alto quanto um novo bilhete. O passageiro é induzido a comprar outra passagem e pedir reembolso. As companhias só devolvem quando querem. Pode chegar a 90 dias. Pode levar um ano. Como se chama ficar com o dinheiro alheio sem autorização e sem remunerá-lo? Minha sugestão é que seja usada a palavra furto. Vende-se tarifa a um preço altíssimo para quem tem uma emergência, mas o consumidor pode ser surpreendido com o cancelamento do seu voo.

O Rio - mais de 40 graus - sofreu dias com falta de água em alguns bairros porque a estatal de água culpou a empresa de energia pelos picos de falta de luz que desorganizaram o fornecimento. E não apareceu governo que avisasse às duas litigantes que concessionário tem que prestar o serviço. E ponto final.

A nós consumidores cabe pagar as contas, e isso temos feito. Mas estamos todos fartos dos maus serviços e da completa omissão das agências reguladoras aparelhadas que viraram caixa registradoras do governo. Ou coisa pior. Esqueçamos Copa e Olimpíada, o problema é urgente: a incompetência está se espalhando como metástase pelos serviços públicos.


A inflação, o BC e os lírios do campo - ROLF KUNTZ

O ESTADÃO - 09/03

Olhai os lírios do campo. Essa bela exortação, a mais poética do Sermão da Montanha, bem poderia abrir a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando os dirigentes do Banco Central (BC) decidiram, de novo, depender da Providência, em vez de atacar a inflação. Nada altera esse fato, nem mesmo a nova linguagem da nota oficial distribuída na quarta-feira à noite. O comitê, segundo o comunicado, vai "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos".
Acompanhar os fatos para definir a política é seu papel, com ou sem a intenção - ou a esperança - de manter a taxa por um período prolongado. Os fatos foram acompanhados e nada se fez, por mais de um ano, para atenuar as pressões inflacioná- rias. Agora uma nova pergunta é inevitável: para tomar suas próximas decisões, o pessoal do Copom levará em conta as pressões efetivas, visíveis no dia a dia, ou olhará simplesmente os índices de preços administrados pela intervenção do governo? Sem essa intervenção, os indicadores acumulados até fevereiro já teriam estourado o limite superior da banda ou estariam muito perto disso. Não há sequer, nessa história, a contrapartida do crescimento econômico facilitado pela política monetária. A inflação elevada é pura perda.
Toda a política seguida a partir do fim de agosto de 2011 foi baseada em apostas erradas. Erros de previsão são paite do jogo. A insistência no erro é outra história. Pode ser uma demonstração de fé: em algum instante a intervenção divina resolverá os problemas. Nos mercados, a interpretação foi mais prosaica: a presidente da República mandou baixar os juros, sua ordem foi seguida e a autonomia operacional do BC foi pelo ralo.
Os erros das apostas são bem conhecidos. Primeiro, esperava- se uma acomodação dos preços agrícolas, num cenário de estagnação internacional. As cotações oscilaram, de fato, mas voltaram a subir, por mais de um motivo, e as pressões se intensificaram no segundo semestre de 2012. Esse fato foi reconhecido pelo BC. Segundo, a redução de juros foi justificada também com a expectativa de austeridade fiscal. Esse foi um ato de fé especialmente notável. Sem surpresa para as pessoas razoavelmente informadas, essa expectativa foi igualmente desmoraliza- da pelos fatos. Desmoralizada parece uma palavra perfeitamente justificável, quando se considera a escandalosa maquiagem das contas federais. Quem apostai- em gestão financeira mais cautelosa e responsável em 2013 também perderá, mas, neste caso, ninguém poderá sequer fingir surpresa.
Curiosamente, o pessoal do Copom há muito tempo identifica sinais de risco no mercado de mão de obra, com desemprego baixo e aumento constante da massa de rendimentos. Mas a expansão do crédito, visível a olho nu e comprovada oficialmente, mês a mês, em relatórios do próprio BC, tem merecido menor preocupação.
De toda forma, os responsáveis nominais pela política monetária agiram por longo tempo como se nada preocupante ocorresse nos mercados. Isso reforçou a suspeita, para dizer o mini - mo, de serem outros os responsáveis reais. Como pensar de outra forma, quando se apresenta o corte de juros como conquista política e quando o Executivo interfere repetidamente na formação de preços - da gasolina, da eletricidade e de tantos bens de consumo?
A mais recente façanha desse tipo foi a redução da conta de energia elétrica. Não se pode atribuir o barateamento da eletricidade a um aumento da oferta ou a uma elevação da produtividade do setor. Todo o efeito foi produzido por uma decisão fiscal tomada no Palácio do Planalto. O resultado começou a aparecer há algumas semanas e já foi bem visível no IPCA-15, divulgado em 22 de fevereiro, e no índice de Preços ao Consumidor da Fipe-USP, publicado nesta segunda-feira.
Com a redução da conta de energia, o IPC-Fipe subiu 0,22% em fevereiro. Teria subido praticamente o dobro, 043%, sem o efeito da eletricidade mais barata. A medida oficial de inflação, o IPCA, também foi afetada pelo corte da conta de eletricidade. O índice aumentou 0,60% no mês passado, bem menos que em janeiro (0,86%), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As contas de energia ficaram 15,17% menores em fevereiro, "refletindo boa parte da redução de 18% do valo das tarifas em vigor a partir de 24 de janeiro", segundo o relatório divulgado. Só essa redução tirou 048 ponto do IPCA Mesmo assim, a alta acumulada em 12 meses chegou a 6,31%, bem perto do limite superior da margem de tolerância.
Energia mais barata é um benefício para o consumidor, principalmente se for sustentável, mas política anti-inflacionária é assunto muito diferente. Desonerações, mesmo quando bem executadas, afetam os índices de forma temporária, porque deixam intactos os fatores de pressão (como o aumento do crédito e o gasto público excessivo, por exemplo).
A Fundação Getúlio Vargas já advertiu: está-se esgotando, nos indicadores, o efeito da redução da conta de energia. Isso já se nota no IPC-S, atualizado semanalmente e sempre relativo a um período de quatro semanas. Na primeira quadrissemana de março, o aumento geral foi de 0,52%. Havia ficado em 0,33% no fechamento de fevereiro. A deflação registrada no item "habitação", onde se inclui o custo da energia, diminuiu de 1,28% para o,58% entre os dois períodos. Outras desonerações (da cesta básica, por exemplo) poderão frear a alta dos índices, nos próximos meses, mas sempre de forma temporária e sem mudar as condições propícias à inflação. Alguns preços poderão cair, mas a tendência geral, sem outras ações, será mantida. O pessoal do BC sabe disso e seria injustiça imaginar o contrário. Resta ver se a próximas decisões serão baseadas nas condições efetivas do mercado, na evolução mais ou menos benigna de índices administrados ou, mais uma vez, na preferência pela contemplação dos lírios do campo.