segunda-feira, janeiro 21, 2013

Radiografia da imprensa - CARLOS ALBERTO DI FRANCO

O Estado de S.Paulo - 21/01


A virada do calendário é sempre um convite à reflexão. Muitos leitores, aturdidos com a extensão do lodaçal que se vislumbra nos escândalos reiteradamente denunciados pela imprensa, me pedem um balanço do desempenho da mídia. Todos são capazes de intuir que a informação tem sido a pedra de toque da tentativa de moralização dos nossos costumes políticos.

Perguntam-me alguns, em seminários, debates e e-mails, se o jornalismo de denúncia não estaria extrapolando as suas funções e assumindo tarefas reservadas à polícia e ao Poder Judiciário. Outros, ao contrário, preocupados com reiterados precedentes de impunidade, gostariam de ver repórteres transformados em juízes ou travestidos de policiais.

Um balanço sereno, no entanto, indica um saldo favorável ao esforço investigativo dos meios de comunicação. O despertar da consciência da urgente necessidade de uma revisão profunda da legislação brasileira, responsável maior pelo clima de imoralidade nos negócios públicos, representa um serviço inestimável prestado pelo jornalismo deste país. Basta pensar na ruptura da impunidade inaugurada com o julgamento do mensalão e na esperança despertada com a Lei da Ficha Limpa.

A imprensa não tem ficado no simples registro dos delitos. De fato, vai às raízes dos problemas. Alguns poderosos desta República, não obstante o mar de cinismo e de mentira em que navegam, não têm conseguido impor seu projeto autoritário de poder. A democracia funciona. E a imprensa, fundamento básico dos sistemas de liberdade, não tem dado trégua aos caciques de plantão.

A exposição da chaga, embora desagradável, é sempre um dever ético. Não se constrói um país num pântano. Impõe-se o empenho de drenagem moral. E só um jornalismo de denúncia, comprometido com a verdade, evitará que tudo acabe num jogo de aparência. Sabemos que há muito espaço vazio nas prisões do colarinho-branco. É preciso avançar, e muito, no jornalismo de buldogues. Os meios de comunicação existem para incomodar. Um jornalismo cor-de-rosa é socialmente irrelevante. A imprensa, sem precipitação e injustos prejulgamentos, está desempenhando importante papel na recuperação da ética na vida pública.

O jornalismo de qualidade, numa rigorosa prestação de serviço, pode ir ainda mais longe. Resgato hoje, neste espaço opinativo, uma sugestão editorial que venho defendendo há anos. Não seria má ideia inaugurar o Placar da Corrupção. Mensalmente, por exemplo, a imprensa exporia um quadro claro e didático dos principais escândalos: o que aconteceu com os protagonistas da delinquência, as ações concretas ou as omissões dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Não se trata de transformar jornais numa espécie de contrapoder, mas numa instância de uma sociedade frequentemente abandonada por muitas de suas autoridades.

Inauguremos, também, o Mapa das Promessas. É muito fácil. Basta recorrer aos arquivos e bancos de dados. Os políticos, pródigos em soluções de palanque, não costumam perder o sono com o rotineiro descumprimento da palavra empenhada. Afinal, para muitos deles, infelizmente, a política é a arte do engodo. Além disso, contam com a amnésia coletiva. Cabe ao jornalismo assumir o papel de memória da cidadania.

O jornalismo público não pode ser pautado pelas assessorias dos governantes ou candidatos, mas pelo interesse do cidadão. Precisamos falar do futuro, dos projetos e dos planos de governo. Mas devemos também falar do passado, das coerências e das ambiguidades. E, sobretudo, não podemos sucumbir às estratégias do marketing político que ameaçam transformar coberturas jornalísticas num show de chavões demagógicos e num triste espetáculo de inconsistência. O marketing político trata de vender uma imagem bem produzida. Cabe a nós, jornalistas, rasgar a embalagem e mostrar o produto real. Com suas virtudes e seus defeitos. É assim que se edifica a democracia.

Precisamos, no entanto, examinar com lupa a qualidade do nosso trabalho. De algum tempo para cá, setores da mídia manifestam preocupante ambiguidade ética. O que é sensacionalismo barato numa publicação popular é informação de comportamento nas respeitáveis páginas de alguns veículos da chamada grande imprensa. Biografias não autorizadas (ou difamação politicamente correta) e síndrome do boato compõem um retrato de corpo inteiro da indigência editorial. Best-sellers de ocasião, apoiados no marketing da leviandade e sustentados pela repercussão da mídia, ganham status de seriedade. O que interessa não é a informação. O que importa é chocar. Ao tentar disputar espaço com o mundo do entretenimento, alguns setores da imprensa estão entrando num perigoso processo de autofagia. Esquecem que a frivolidade não é a melhor companheira para a viagem da qualidade. Pode até atrair num primeiro momento, mas depois, não duvidemos, termina sofrendo arranhões irreparáveis no seu prestígio.

O leitor que confia na integridade dos jornais é o mesmo que em inúmeras pesquisas qualitativas nos envia alguns recados: quer menos frivolidade e mais profundidade. Não podemos sucumbir às regras ditadas pelo mundo do espetáculo. Não podemos perder a capacidade de sonhar e a coragem de investir em pautas criativas. Existe espaço, e muito, para o jornalismo de qualidade. Basta cuidar do conteúdo.

O Brasil depende da qualidade técnica e ética da sua imprensa. Não cabem, portanto, atitudes amadorísticas. A opinião pública espera que a mídia, apoiada no crescente aprimoramento dos seus recursos humanos e nas balizas éticas, prossiga no seu ânimo investigativo.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 21/01


Fábrica da Kalunga deixará capital paulista
A Kalunga vai fechar sua fábrica localizada no bairro da Mooca, na capital paulista, e abrirá uma nova planta no município de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo.

O projeto faz parte de um investimento de aproximadamente R$ 100 milhões, que inclui um centro de distribuição anexo.

"Gostaríamos de inaugurar neste ano, mas acho mais provável que o centro esteja funcionando em 2014", diz Paulo Garcia, sócio da rede.

O carro-chefe continuará sendo a produção de cadernos, mas estão previstos outros itens de papelaria.

No mesmo local, o centro de distribuição atenderá tanto a operação de comércio eletrônico como o abastecimento dos lojistas.

"Teremos tudo em um mesmo local. Isso gera economia em expedição e transporte, principalmente", acrescenta Garcia.

Recursos adicionais serão destinadas à abertura de 20 lojas em cidades como Uberaba (MG), Cabo Frio (RJ), Vila Velha (ES), Goiânia (GO), Campos de Goytacazes (RJ), Salvador (BA), Recife (PE), Rio de Janeiro, São Paulo capital e interior, além de Curitiba (PR) e Londrina (PR).

"O investimento das novas lojas será de R$ 25 milhões, podendo chegar a R$ 50 milhões se contabilizarmos o valor dos estoques. São cidades com mercado em expansão", afirma o executivo.

Salário Real
O Brasil será o segundo país das Américas com maior aumento real dos salários em 2013, segundo pesquisa da ECA International, especializada em gestão de funcionários. O país terá aumento de 2,6% nos salários neste ano, descontada a inflação.

No continente, o único à frente do Brasil é a Argentina (14,8%). Pelo estudo, o vizinho brasileiro terá o maior crescimento real entre os 65 países pesquisados.

O cálculo é a diferença entre a alta nominal dos salários e a inflação oficial dos países; de 10,8% na Argentina. O estudo pondera que a inflação no país pode ser de 25% por cálculos independentes.

Executivos na... 
O varejo está entre os setores que mais deverão aquecer o mercado de contratações neste ano, de acordo com análise da empresa especializada em recrutamento Fesa.

...gôndola 
Entre as principais demandas estarão os profissionais das áreas comercial, marketing e planejamento, segundo a empresa. Em 2012, as áreas de vendas, finanças e cadeia de suprimentos foram responsáveis por mais de 60% das posições realizadas pela Fesa para o varejo.

Novos... 
A rede de franquias Supersan, especializada em controle de qualidade de ar, irá abrir sua primeira unidade no exterior, em Angola. A unidade começa a operar em fevereiro.

...ares 
A companhia escolheu Angola para começar sua internacionalização por causa do idioma e da semelhança ao mercado brasileiro. Há planos para entrar em outros países de língua portuguesa, como Moçambique e Portugal. No Brasil, a empresa tem hoje 63 unidades.

MÁQUINA DE PAPEL
A Cenibra, empresa de celulose controlada pela Japan Brazil Paper, vai elevar em 75% os investimentos previstos para 2013. Os US$ 80 milhões investidos nos últimos anos pela empresa aumentarão para US$ 140 milhões.

Segundo o diretor-presidente da Cenibra, Paulo Brant, os novos valores serão usados para tornar a colheita das árvores totalmente mecanizada até o final do ano. Hoje 35% da madeira é colhida manualmente com a ajuda de serras elétricas.

Serão adquiridas 50 máquinas a um preço de

US$ 600 mil cada. As unidades vão fazer a colheita em áreas montanhosas de 54 municípios do Leste de Minas Gerais, onde a empresa atua. O restante dos recursos será usado para contratações e cursos para o uso das máquinas, além da renovação da floresta de eucaliptos.

A meta, segundo ele, é reduzir os custos de produção frente aos concorrentes, que já fazem todo o processo de colheita por máquinas.

"Nossa alternativa é essa, já que o preço da celulose no mercado está estagnado há dez anos, e sem tendência de melhora, devido a grandes empreendimentos lançados nos últimos meses. Aumento de produção nessas circunstâncias é arriscado", afirma Brant.

Protestos... 
Foram protestados 62,5 mil títulos em dezembro, segundo levantamento feito pelo instituto de estudos de protestos da seção São Paulo com os dez tabeliães da capital paulista. A queda foi de 4,6 % em relação a novembro.

...em baixa 
As duplicatas caíram para cerca de 45,6 mil em dezembro, ante um total de 47,5 mil registrado em novembro. As promissórias, por sua vez, atingiram 3.700 ante 4.100 no mês anterior, segundo a pesquisa.

Compra... 
As vendas no comércio eletrônico subiram 29% em 2012, com movimento de R$ 24,12 bilhões, segundo a ABComm (associação do setor). Também são consideradas as vendas de conteúdo digital, como e-books.

...no mouse 
Os setores que possuem público-alvo feminino são os que registraram o maior crescimento nas vendas, como as categorias de roupas, acessórios, cosméticos e eletrodomésticos, aponta o levantamento.

A política dos curativos - JOSÉ ANÍBAL


BRASIL ECONÔMICO - 21/01

As desconfianças em relação à capacidade do setor elétrico de prover o abastecimento de energia com segurança ajudam a explicar por que a expectativa de investimento do setor produtivo, revelado pela pesquisa da CNI na semana passada, é a mais baixa em quatro anos. Perigo de desabastecimento, atrasos em obras de infraestrutura  descapitalização recente das empresas do setor, tudo colabora para que o tal instinto animal dos empresários siga hibernado.

Temos buscado oferecer contribuições e alternativas para o enfrentamento deste momento negativo. Afinal, os brasileiros precisam do crescimento econômico para consolidar suas conquistas sociais. No entanto, a falta de interlocução do governo federal e sua insistência em políticas equivocadas seguem ali mentando as projeções mais pessimistas quanto ao ambiente econômico do setor energético.

O governo federal perdeu também uma excelente oportunidade de cobrar contrapartidas do setor industrial

Ninguém consegue explicar por que as bioenergias de cana permanecem sem uma política setorial estratégica. Com regras de mercado justas e estáveis, linhas de crédito adequadas e aperfeiçoamentos no modelo de leilões de energia, o setor sucroenergético poderia desanuviar a pressão sobre o mercado interno de combustíveis automotivos e contribuir decisivamente para a segurança energética no período de baixa nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Falta estimular a oferta.

O governo federal perdeu também uma excelente oportunidade de cobrar contrapartidas do setor industrial, maior consumi dor de energia e, teoricamente, principal beneficiário da MP 579. O governo poderia ter condicionado a proposta à garantias de investimento e manutenção de empregos, mas também fixa do metas de ganho em eficiência energética. O setor desperdiça 30% dos custos com energia. Para produzir um dólar, gastamos duas vezes mais energia do que a indústria britânica.

Ainda assim, mesmo com prejuízos crescentes na balança de combustíveis, pressões inflacionárias e riscos de desabasteci mento, a inflexibilidade do atual planejamento energético segue intocada. Como todos os apertos momentâneos são atribuídos a quimeras irrepetíveis, e como todos os problemas atuais já estarão solucionados no futuro, tem se a impressão, a julgar pelo discurso oficial, que tudo vai as mil maravilhas no setor, como se a hesitação dos investidores fosse mera questão de mau humor.

Há uma extensa agenda para o setor a ser implementada. No entanto, a imagem transmitida pelos órgãos da área energética do governo federal é de que não há verdadeiramente um plano ou uma linha de raciocínio clara, mas movimentos táticos quase sempre reativos e atrasados, a mercê da urgência do momento. Aos entes federativos e associações setoriais, que poderiam enriquecer sobremaneira o planejamento do setor, resta observar de longe esta política de curativos do governo federal. Sabe se lá onde ela ainda vai nos levar.

Brincando com fogo - MARCELO DE PAIVA ABREU


O ESTADÃO - 21/01

A inflação persistente, que ronda o limite superior do regime de metas, começa a ser encarada com naturalidade.Embora esse regime, com todas as suas limitações,tenha assegurado que a inflação fosse mantida razoavelmente sob controle, tornam-se frequentes os comentários de analistas pretensamente "desenvolvimentistas" alegando que ele foi abandonado nas economias desenvolvidas. A sugestão é que, mais uma vez, em nome do crescimento e em meio à crescente permissividade fiscal, o controle da inflação seja flexibilizado. A dificuldade em aprender com o passado é chocante.

Quase 20 anos depois de a inflação em 12 meses ter beirado 5.000%, tal imprudência parece despropositada. O livro de Miriam Leitão, Saga Brasileira - A longa luta de um povo por sua moeda (Record, 2011), alcançou sucesso estrondoso de crítica e de público ao combinar a análise do processo decisório que marcou as sucessivas tentativas de estabilização, entre o início da década de 1980 e o Plano Real, como relato rico e detalhado das agruras da população coma inflação e as tentativas de contê-la até 1993-1994. De fato, o livro supre uma surpreendente lacuna na produção literária brasileira. A despeito do longo processo inflacionário que se acelerou a partir de 1980, não há registro de produção literária significativa que resgate o impacto desse processo sobre o cotidiano dos brasileiros. Ao que tudo indica, por enquanto, a vontade de exorcizar a longa experiência tem impedido tais reminiscências.

É interessante buscar comparações com outros países onde as experiências inflacionárias foram significativas. O caso da Alemanha é paradigmático: a atração de combinar as reminiscências da hiperinflação com a humilhação da ocupação da Renânia serviu de pano de fundo para obras influentes,com enredos centrados em 1923.

Hans Fallada, em Lobo entre lobos (Melville House, 2010), registra como Wolfgang Pagel e Petra Ledig, massacrados pela crise de 1923 em Berlim, encontram redenção na vida rural pós inflação. Muitos trechos terão eco em leitores brasileiros com memória longa e menos entorpecida: "Os salários vão ser pagos no fim do mês, dentro de uma semana. Qual será a cotação do dólar? Vai ser suficiente para comprar comida para a quinzena? Para dez dias? Três dias? Depressa mulher, eis mais 10 mil marcos. Compre alguma coisa- um quilo de batatas, abotoaduras, o disco Sim, não temos bananas ou uma corda para nos enforcarmos - não interessa o quê. Mas seja rápida, não perca um segundo".

No último capítulo do livro, intitulado O milagre do Rentenmark, que marcou o fim da inflação, o parentesco com o Plano Real é óbvio: "Para começar, as pessoas olhavam para as novas notas algo estupefatas. Havia apenas o dígito um, ou dois, ou o número dez; se havia dois zeros depois do número, então era uma nota de valor muito alto. Estranho, para quem se havia acostumado a contar milhões e bilhões... e desses números baixos, dessas moedas e notas de baixa denominação, surgia algo mágico. As pessoas começavam a calcular e, subitamente, percebiam que suas contas fechavam. Agora o dinheiro não iria mais fugir deles".

Mais cáustico é Erich Remarque, em O obelisco negro (Civilização Brasileira, 1957), que, depois de mais de 30 anos, reviveu o ano de 1923 na sua cidade natal. O herói, Ludwig Bodmer, trabalha numa empresa, propriedade dos irmãos Kroll, que vende monumentos funerários. Um dos irmãos tem dificuldade em entender os efeitos da inflação. Georg Kroll, o irmão esperto, é autor de frase lapidar ao insistir em que "vivemos numa época em que vender empobrece", ao criticar o irmão iludido por lucros imaginários, por não saber deflacionar preços nominais. Ludwig e Georg o sabem, e buscam sobreviver com o uso de expedientes como comprar carnês de refeição baratos no início de 1923 e usá-los todo o ano. Malandragem aparentada ao congelamento da correção monetária cobrada nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social( BNDES) no início dos anos 1980...

Depois de grandes esforços, Ludwige Georg conseguem convencer o veterano suboficial Knopf,especialista na classificação e ingestão de Schnapps, a comprar um túmulo.Como fim da inflação, Knopf enlouquece: "Exijo 8 trilhões, grasna". Ludwig responde: "Senhor Knopf,o senhor ainda não acordou de um sonho que durou muito tempo. A inflação acabou.Há 15 dias poderíamos ter pago 8 trilhões pelo monumento tumular pelo qual havia pago 8 bilhões. Hoje, vale 8 marcos". Knopf se indigna: "Canalhas, fizeram de propósito... acabaram com a inflação. Para me roubar. Mas não vou vender. Espero a próxima inflação". Diálogo pedagógico.

Na ânsia de garantir algum crescimento e na esteira de desempenho medíocre da economia, o governo brasileiro, de olho nas eleições do ano que vem, ficará tentado a ter ainda maior leniência com a política fiscal e a inflação.É algo que poderá resultar na pior combinação possível: crescimento ainda medíocre e abandono do compromisso de longo prazo com a estabilização. Será oneroso, se for preciso tudo isso para caracterizaras limitações da atual política econômica.Como em medicina, o ideal é que se comprove que o tratamento é equivocado antes que se agrave o estado do paciente.

Prioridades de fato - VINICIUS MOTA

FOLHA DE SP - 21/01


SÃO PAULO - O maior Estado de Bem-Estar Social possível com renda per capita abaixo de US$ 15 mil ao ano seguiu seu curso na primeira metade do governo Rousseff. O gasto federal elevou sua participação no PIB -e cresceu mais na educação, na saúde e na assistência.

A redemocratização do país, a partir de meados da década de 1980, estabeleceu progressivamente as regras desse jogo.

Atenuar a desigualdade norteou uma série de decisões de gasto e arrecadação do poder público. Da Carta de 1988 (gestão Sarney) à aplicação da lei de assistência (Collor). Do impulso no salário mínimo aos programas de transferência direta de renda, sob FHC, Lula e Dilma.

Criou-se um colchão ao mesmo tempo universal e precário. Efetivo ao impedir a desagregação do tecido social, clássico alimento de aventuras autoritárias. Eficaz, também, ao favorecer a reversão da própria desigualdade, no bojo da recuperação do mercado de trabalho, desde a segunda metade da década passada.

Mas essa rede de proteção social é limitada pela nossa renda apenas média. Os serviços públicos são ruins, apesar de custeados com uma fatia da produção nacional bem maior que a dos outros países no mesmo estágio de desenvolvimento.

Há pouca discordância sobre a necessidade de mudar o padrão do gasto e da arrecadação do poder público, a fim de que o país fique mais competitivo e possa elevar mais depressa seu nível de renda. A despesa pública tem de crescer menos que o PIB, e a fatia do Orçamento destinada à infraestrutura precisa aumentar.

A dificuldade é como modificar um arranjo que, além da inércia favorável, possui histórico de eficácia eleitoral. A chave está em compreender que o mercado de trabalho tende a sustentar níveis recordes de emprego mesmo se a economia continuar crescendo em ritmo medíocre.

Ainda assim, Dilma vai arriscar?

Cresce o suspense em torno de 2014 - RENATO JANINE RIBEIRO


Valor Econômico - 21/01


No começo do ano, há poucas semanas, parecia certa uma tranquila reeleição de Dilma Rousseff em 2014. O candidato do PSDB seria Aécio Neves, que concorreria não tanto para vencer, mas para marcar posição com vistas a 2018 - renovando também as lideranças do partido de oposição, após três derrotas sucessivas de grandes nomes seus, ambos paulistas. Esse roteiro continua provável, mas já não é tão certo. As chances de Dilma e Aécio diminuíram.

Dilma se enfraqueceu porque os problemas na economia - vale dizer, no crescimento econômico - começam a preocupar. A economia é o segredo do sucesso dos governantes, numa época em que a confiança dos eleitores neles se reduz ao crédito que se pode ter na compra de bens a prazo, o que por sua vez resulta da irrigação de dinheiro, do aumento da produção e da inclusão social. Essas condições podem ser fruto da competência do governante - de sua "virtù", como diria Maquiavel - mas também podem decorrer de uma conjuntura de sorte, que o pensador florentino chamava de "fortuna". Lula mostrou "virtù" não se apavorando ante a crise mundial de 2008, não reagindo (como fariam os tucanos) com um forte aumento da taxa de juros - mas também se beneficiou de um quadro afortunado, porque não enfrentou a série de crises mundiais que se abateu sobre seu antecessor FHC.

Aécio se enfraqueceu porque, segundo a "Folha de S. Paulo", Serra radicaliza na sua intenção de disputar, mais uma vez, as eleições presidenciais: ele até deixaria o PSDB, se não lhe derem a candidatura. Essa notícia mostra um partido potencialmente dividido, porque Aécio teria ainda menos razões para retirar o nome em favor de quem já foi duas vezes derrotado no pleito presidencial. Com isso se enfraquecem Serra, Aécio, o partido.

A economia é o terreno movediço da fortuna

Dilma estaria fraca, o que é muito curioso, não por seu desempenho na política, mas na economia. Ora, é sabido que ela gosta da economia; que prefere uma visão técnica, gerencial, das questões a uma visão política. Política aparece para Dilma em seu pior sentido: o do toma-lá-dá-cá, o da construção da governabilidade mediante concessões. Aliás, é dessa mesma forma que a maior parte da população vê a política; talvez a popularidade presidencial se deva a essa coincidência do seu modo de ser com o da maioria do povo. Presidenta e povo convergem numa certa repulsa aos políticos. "Política", aqui, é a submissão do melhor e mesmo do bom ao possível. Quem tem valores fortes geralmente sente repugnância por isso. Parece ser o caso dela. E, mesmo assim, neste momento Dilma está melhor no quadro político do que no econômico. Não tem um rival forte à sua direita, a oposição de esquerda é microscópica e a causa ecológica muito fraca, dois anos apenas depois da avalanche de votos em Marina Silva.

Já a economia é a praia de Dilma Rousseff. A presidenta representa uma visão que, curiosamente, está perto do modo que, anos atrás, era a marca registrada de José Serra, na oposição interna ao governo FHC: o ideal de uma economia desenvolvimentista, pondo a regulação do Estado e o apetite dos atores privados a serviço de uma estratégia que aumente o crescimento e reduza a pobreza. (Não por acaso, jogo com o título do best-seller de 1975, que projetou o Cebrap de FHC e Serra, "São Paulo: crescimento e pobreza"). Não por acaso, me ocorreu escrever este artigo depois de ler uma entrevista do economista de esquerda Carlos Lessa, que foi professor de Dilma mas também padrinho de casamento de José Serra, e declara ter votado no candidato tucano.

Em suma, Dilma vê a economia não como fim em si, mas como o melhor instrumento técnico para fazer uma política que só é chamada de esquerdista porque, em nosso país, o mero propósito de construir uma nação de classe média soa radical - e talvez seja mesmo. Ora, é essa agenda que poderia ser comum ao maior número possível de pessoas, que poderia ser o ponto de encontro dos "homens de boa vontade", superando as pautas político-partidárias de interesses mesquinhos - essa agenda das pessoas que "pensam no Brasil", para usar uma expressão do então presidente Fernando Henrique Cardoso, numa crítica a uma sentença do Supremo Tribunal Federal - que está em risco. E está em risco porque a economia é uma caixa-preta.

Fala-se tanto em competência a respeito da economia mas, na verdade, ela é o movediço terreno da fortuna. Não se diz que os mercados "estão nervosos"? Nervosismo é o contrário da racionalidade. Daí que, apesar do cabedal de simpatia e da vantagem política em que está Dilma, com o PIB baixo as coisas se tenham tornado delicadas para ela. Não há melhor sinal disso do que a possível crise no abastecimento de energia. Esqueçam o sinônimo "luz" e pensem no sentido forte da palavra "energia": é isso que pode nos faltar. Simbolismo forte, não é? E pode faltar caso faltem chuvas, que não dependem de nenhum político, mas da sorte. Se Dilma se enfraqueceu, foi devido a golpes da fortuna.

E Serra? Seu jogo é arriscado. Fernando Henrique, que apoia Aécio, e Alckmin, que não apoia ninguém, parecem cansados de avalizar suas pretensões presidenciais. O pior para Serra será assumir o rótulo de ingrato, em relação aos correligionários, de desleal ao partido e de egoísta na aspiração ao Planalto. Com isso, ele pode tirar votos de Aécio, mas dificilmente conseguirá a candidatura tucana e, se a obtiver, sofrerá um intenso fogo amigo. Por hábil que seja Serra, que movimenta o xadrez político como poucos - dotado que é de muita "virtù" -, ele pode estar batendo no teto. Hoje, Dilma ainda vence Aécio, mas os dois enfraquecidos.


Mágicas fiscais e orçamentos da União - GIL CASTELLO BRANCO


O ESTADÃO - 21/01

O filósofo Marco Túlio Cícero disse, 55 anos antes de Cristo, que"o orçamento nacional deve ser equilibrado e as dívidas públicas devem ser reduzidas...". O pensamento volta à tona por ocasião do fechamento, meio Mandrake,das contas públicas de 2012. Para quem não se recorda, Mandrake, o mágico, é um personagem de história em quadrinhos que os tentava uma capa vermelha e se valia de uma técnica de hipnose instantânea. Quando preciso, transformava ameaças em flores.

No caso da política fiscal brasileira, o truque é outro. Quando conveniente,o governo faz dinheiro aparecer. De forma simplificada, o Tesouro se endivida, envia o dinheiro para os bancos públicos e,depois,extrai deles recursos antecipados, justificando serem dividendos de balanços que nem sequer foram fechados. Os recursos são registrados como arrecadação e o governo passa a ilusão de que "cumpriu a meta" que havia estabelecido para o superávit primário. Algo como uma "corrente da felicidade" em que a dívida é empurrada para terceiros.

De fato, acompanhar a execução fiscal e orçamentária da União está se tornando mais difícil a cadadia. Em 2013,por exemplo, são, no mínimo, "três orçamentos". O primeiro é o Orçamento-Geral da União (OGU), que ninguém sabe exatamente quando será aprovado no Congresso Nacional. O segundo é proveniente dos R$ 42,5 bilhões de uma medida provisória editada no apagar das luzes do ano passado. E o terceiro resulta de aproximadamente R$ 175 bilhões de restos a pagar.

Quanto ao OGU, é otimista a expectativa de que seja aprovado nos primeiros dias de fevereiro. Afinal,assim que o Legislativo reiniciar suas atividades, haverá eleições internas. Além disso, serão retomadas as discussões sobre os 3 mil vetos, a distribuição dos royalties e a cassação, pelo Supremo Tribunal Federal, dos mandatos dos três deputados condenados no mensalão.Independentemente da data de aprovação, a verdade é que houve grande retrocesso na transparência do Orçamento de 2013,pela redução do detalhamento das informações e o "esvaziamento do significado das ações orçamentárias", já que os títulos perderam" conteúdo e força descritiva", como concluiu nota técnica conjuntadas consultorias de orçamento da Câmara e do Senado.

Também é notório que diversas iniciativas governamentais,como Brasil sem Miséria, Brasil Carinhoso, Mais Educação,Saúde da Família, Rede Cegonha,Brasil Sorridente, entre outros"nomes fantasia", não estão discriminadas no Orçamento, o que impede o seu acompanhamento pela sociedade.

O "segundo orçamento" decorre da Medida Provisória 598, publicada no Diário Oficial da União em 27/12/2012, que abriu créditos extraordinários de R$ 42,5 bilhões. Na prática, remanejou recursos, anulando e criando dotações, principalmente nas estatais, atropelando as prerrogativas do Legislativo - a quem compete aprovar o Orçamento.O curioso é que o artigo 167 da Constituição Federal restringe a abertura de crédito extraordinário a despesas imprevisíveis e urgentes, como as de correntes de guerra, comoção interna ou calamidade. Convenhamos, não é o caso.

O terceiro orçamento a ser monitorado é o dos R$ 175 bilhões de "restos a pagar". A situação chega a ser esdrúxula. Em 2012,considerados os investimentos da administração direta da União (excluídas as estatais), os valores pagos como Orçamento do exercício somaram R$ 21,6 bilhões, enquanto os restos a pagar pagos totalizaram R$ 25,3 bilhões. Assim,o total desembolsado em 2012 (Orçamento do ano + restos a pagar pagos) foi de R$ 46,9 bilhões.Paradoxalmente, teremos cerca de R$ 71,8 bilhões de restos a pagar de investimentos inscritos/reinscritos para 2013.

A estimativa é de que sejam também transferidos para 2013 cerca de R$ 77 bilhões de restos a pagar de "outras despesas correntes" e aproximadamente R$ 23 bilhões de "inversões financeiras".O "estoque" global de restos a pagar só não chegará aos R$ 200 bilhões porque o governo, nos primeiros dias deste ano,anulou empenhos, sobretudo de "outras despesas correntes",reduzindo a bolada de anos anteriores transferida para 2013.Se já não bastasse a"contabilidade criativa", há, ainda, a "contabilidade retroativa".

Desta forma,o Orçamento é administrado pelo retrovisor.O Legislativo a provará o de 2013, mas o Executivo tocará, prioritariamente, as pendências de anos anteriores. Como não há dinheiro suficiente para ambos, os gestores continuarão a viver a "escolha de Sofia". Se for muito urgente, quitamos restos a pagar. Se for politicamente interessante, tocam as novas iniciativas.

Com essas práticas o governo fere diversos princípios orçamentários clássicos, como os da prévia autorização, anualidade, clareza, especificação e publicidade. Esse conjunto de proposições orientadoras deve balizar os processos orçamentários com o objetivo de dar-lhes estabilidade e consistência, sobretudo no que se refere à sua transparência e ao seu controle pelo Legislativo e pelas demais instituições da sociedade.

Diante desta "babelorçamentária" e de tantas maquiagens, o governo corre o risco de transformar em pó a credibilidade da execução orçamentária e da política fiscal. Como aconselhava Cícero há 2 mil anos, as contas públicas precisam ser equilibradas e o endividamento, contido.De preferência, sem mágicas e abracadabras.

2010: o ano que ainda não terminou - LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS


Valor Econômico - 21/01



Como o chamado ano civil é apenas uma referência temporal criada artificialmente pelo homem, muitas vezes passamos de um ano ao outro sem que haja uma descontinuidade real em acontecimentos importantes que dominam a vida de todos nós. O jornalista Zuenir Ventura escreveu um livro, no já longínquo ano de 1968, - que marcou muito a minha geração - no qual explora essa ideia de não descontinuidade. Para mim, é o que acontece agora na economia mundial. A mera passagem de 2012 para 2013 não mudou em nada o processo de normalização que vem ocorrendo já há algum tempo.

Radicalizando o conceito usado por Zuenir Ventura em seu livro, cheguei ao título desta coluna de hoje. Tomando a dinâmica das principais economias do mundo como referência temporal, esta imagem é totalmente válida. Foi em 2010 que os governos das economias mais importantes saíram de um estado catatônico e passaram a agir para evitar o pior. Um pouco mais tarde, foram os bancos centrais que deixaram de lado verdadeiros tabus ideológicos e começaram a modificar sua ação com o objetivo de aumentar o poder de fogo das políticas fiscais - heterodoxas e expansionistas - que estavam sendo executadas pelos governos. A partir de 2011 essa conjugação de ações acabou por criar um processo de normalização em várias economias importantes do mundo.

A liderança clara desse processo veio do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e de seu corajoso presidente. Posteriormente, ao longo dos anos seguintes, vários outros bancos centrais foram deixando de lado conceitos ortodoxos sobre sua função e se juntaram ao Fed. O último deles foi o Banco Central Europeu (BCE), já na parte final de 2012, com seu agressivo programa de compra de bônus soberanos dos países mais frágeis da zona do euro. Foi essa verdadeira bazooka - para usar uma expressão a gosto do mercado financeiro - que reverteu de forma muito forte os riscos de ruptura na Europa e devolveu ao euro seu status anterior de moeda forte e confiável.

Uma coisa é certa: um novo modelo de ação na política monetária deve surgir nos próximos anos

Embora a crise deva terminar mais adiante, a importância destes anos para o estudo e entendimento das coisas da economia vai continuar por muitas décadas. Ainda que hoje os debates sobre essas lições estejam restritos a espaços menores na mídia mundial, não tenho dúvida que ao longo dos próximos anos eles ocuparão o centro das reflexões na academia e na imprensa. Um dos itens mais importantes desta agenda será a forma como os bancos centrais deverão conduzir a política monetária em seus espaços nacionais. Trago hoje ao leitor uma primeira reflexão interessante nesse sentido. Em uma das últimas edições do "Financial Times", a colunista Gillian Tett publica uma coluna - que ela denominou independência do Banco Central do governo pode não ser sempre uma boa coisa - com algumas ideias desenvolvidas por um ex-funcionário qualificado do Banco da Reserva Federal de Nova York em parceria com um ex alto executivo da maior administradora de investimentos (Pimco).

A ideia central dessas reflexões é a de que, da mesma forma que a crise financeira está obrigando a uma revisão profunda sobre as regras que governam os mercados financeiros, com a crise da economia teremos que repensar a forma de agir dos Bancos Centrais, principalmente em relação à sua independência operacional. Não se trata de questionar os objetivos de controle da inflação, mas sim de modular suas ações tendo em vista a política fiscal dos governos e, principalmente, ao ciclo de crédito que prevalece na economia a cada momento. Para tanto criam um gráfico, dividido em quatro quadrantes, fazendo variar a política fiscal e a forma como o setor privado se coloca em relação à expansão de seu endividamento. Em cada um deles a ação do Banco Central deve seguir objetivos diferentes.

Por exemplo, quando a política fiscal é expansionista e o setor privado está em fase de aumento de seu endividamento, os BCs tem que seguir obrigatoriamente uma política de contração de crédito. Aqui a independência em relação aos governos centrais deve ser exercida na sua plenitude. No caso oposto, quando a política fiscal é contracionista e o setor privado está reduzindo sua alavancagem financeira - como foi o caso entre 2011 e 2012 nos Estados Unidos - a autoridade monetária precisa agir no sentido de expandir a liquidez e o crédito ao setor privado. Mais ainda, nas situações extremas, como viveu a Europa na primeira metade do ano passado, é obrigação dos BCs chegar a situações limite como as políticas de compra de ativos financeiros para evitar um colapso dos mercados de crédito e títulos. Nestes casos, a independência operacional dos Bancos Centrais deve ficar de lado, e as várias políticas devem ser sincronizadas com outras autoridades. Nas situações intermediárias, a política monetária a ser seguida pela autoridade monetária deve ser construída a partir de avaliações ad hoc de seus dirigentes e técnicos.

Mas, segundo o autor destas reflexões, uma coisa é certa: um novo modelo de ação na política monetária deve surgir nos próximos anos, e a independência sem qualificações não fará parte dele. Por mais que estas observações possam chocar os monetaristas mais radicais elas certamente vão se incorporar aos manuais de operação dos Bancos Centrais pelo mundo a fora.


Atos falhos - GUSTAVO PATU

FOLHA DE SP - 21/01


BRASÍLIA - Detalhes da retórica das autoridades podem ser presságios de estratégias do governo, suas motivações e sua solidez.

O ministro Guido Mantega tem repetido que o governo conseguiu reduzir sua principal despesa, o pagamento de juros da dívida pública, o que finalmente permitirá a tão demandada redução da carga de impostos do país, sem riscos para a solidez fiscal. Seus auxiliares acrescentam que, com os credores tranquilos e a economia andando devagar, não faz mais sentido promover tanto aperto nas contas do Tesouro.

Tudo parece muito razoável, mas, começando do começo, os juros da dívida pública não são a principal despesa do governo federal.

Há mais de uma década, o posto, com folga, é da Previdência Social, e o quadro de pessoal disputa a segunda colocação; se considerados também os governos estaduais e municipais, o custo dos servidores ativos e aposentados é muito maior que o dos encargos financeiros.

Truques e brechas já embelezavam os resultados orçamentários no final de 2009, quando a revista britânica "The Economist" publicou a célebre capa de louvação ao Brasil, marco da lua de mel entre o país e o mercado global. As manobras chegaram ao ápice no ano seguinte, mas a repercussão negativa se limitou a um pequeno grupo de analistas locais.

A relativa impunidade de antes provavelmente encorajou a embrulhada promovida para fechar a contabilidade do ano passado. A Fazenda se saiu com o argumento de que nada foi feito de irregular -como se o cumprimento das metas fiscais não passasse de formalidade legal.

Em sinal de que a desoneração tributária pode ser radicalizada, propôs-se reduzir os rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal, pela qual queda de receita deve ser compensada por corte de despesa. O artigo foi incluído em um projeto sobre outro tema e enviado a um Congresso em recesso. E ninguém falou.

Faltam os olímpicos - PAULO GUEDES

O GLOBO - 21/01


Experiente jornalista alerta deputados e senadores quanto à escolha de suas novas elites dirigentes, uma articulação de forças titânicas no Congresso.


A coluna de Elio Gaspari deste fim de semana é uma advertência a senadores e deputados quanto às novas elites dirigentes do PMDB e do PT no Congresso. "A cúpula do Parlamento tem algo como 20 posições de destaque. Sempre houve casos esparsos em que foram escolhidos parlamentares com mais prontuário que biografia. Mas nunca se chegou ao que se está armando agora.” Gaspari menciona as escolhas de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado, Henrique Alves (PMDB-RN) para a presidência da Câmara, André Vargas (PT-PR) para a vice-presidência da Câmara, José Guimarães (PT-CE) para a liderança do partido na Câmara, bem como Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Sandro Mabel (PMDB-GO), que disputam a liderança da bancada do PMDB na Câmara. O experiente jornalista descreve também os malfeitos associados a cada um deles, incluindo os 100 mil dólares encontrados na cueca de um assessor.

A mitologia grega nos conta de uma guerra dos deuses no início dos tempos. As narrativas primeiras da civilização ocidental estão no poema "Teogonia” de Hesíodo, no século VII a.C. Mais parece o mito de origem do Congresso de uma democracia emergente. "No início, era o caos. Amais completa desordem e a mais total escuridão dominavam. As forças primitivas da desordem foram desencadeadas e, para construir um mundo viável, é preciso dominá-las e civilizá-las. Pois os primeiros deuses, em vez de cheios de sabedoria, eram mal-educados e tomados por paixões brutais, travando guerras terríveis entre si” relata Luc Ferry, em "A sabedoria dos mitos gregos” (2008).

"Violentos ao extremo, nasceram nas profundezas da Terra e conservam traços de sua origem. Seres titânicos, pela força extraordinária, trazem desordem e destruição, mais do que ordem e progresso. Apenas a geração seguinte, com Zeus à frente dos deuses olímpicos, acabará se impondo contra as forças do caos. Este é o ponto crucial na mitologia: é sempre a justiça que acaba vencendo, pois apenas uma ordem justa é viável’^ registra o filósofo francês. Ao contrário do Supremo Tribunal Federal, que exibiu lideranças à altura dos nossos desafios de aperfeiçoamento institucional, o Congresso continua nos devendo uma forma decente de fazer política. Temos os titânicos, faltam-nos os olímpicos.

Road show - FÁBIO ZAMBELI - PAINEL


FOLHA DE SP - 21/01


Instado a acelerar projetos de visibilidade do governo paulista até 2014, Guilherme Afif (PSD) viaja a Londres no domingo com a missão de captar R$ 42 bilhões de fundos de investimento que operam na Europa para tirar do papel oito PPPs, entre elas a da linha 6 do metrô e as que preveem a construção de três presídios e quatro hospitais. A comitiva liderada pelo vice-governador terá cinco gigantes da construção civil no Brasil, além de dirigentes do BTG e do Banco Mundial.

Capital... Em dois dias de eventos na sede da City, o principal centro financeiro londrino, Afif apresentará os projetos e ouvirá propostas dos grupos interessados. O roteiro consta na agenda oficial do governo britânico, parceiro da expedição.

... de risco A caravana inaugura ofensiva de Geraldo Alckmin, pré-candidato à reeleição em 2014, com o objetivo de angariar recursos no mercado de capitais europeu diante da margem estreita para investimentos diretos.

Olheiro 1 Em sua primeira viagem após deixar a prefeitura, Gilberto Kassab inspeciona instalações e equipamentos públicos de duas das cidades que disputam com São Paulo a sede da feira mundial Expo 2020.

Olheiro 2 O ex-prefeito esteve em Dubai (Emirados Árabes) e visita na quarta-feira Esmirra (Turquia), oponentes mais competitivas da candidatura paulistana. Kassab prepara relatório com informações colhidas "in loco" sobre as duas cidades e entregará o material a Fernando Haddad (PT) e secretários.

Afinidades O petista Luiz Marinho será o primeiro prefeito a ser recebido por Dilma Rousseff em agenda oficial no Planalto em 2013. Pedirá hoje à presidente ajuda federal para programa de urbanização de favelas em São Bernardo do Campo. A cidade é uma das campeãs em repasses do PAC.

#tamojunto Recebido ontem por plateia dividida entre vaias e aplausos em sua primeira participação num congresso da UNE como ministro, Aloizio Mercadante (Educação) lembrou logo no início do discurso sua trajetória no movimento estudantil e elogiou a criação da comissão da verdade da entidade.

Aí, não Em almoço com deputados da bancada fluminense, Henrique Alves (PMDB-RN) contou que, nos anos 90, foi liderado pelo então deputado Tarcísio Delgado e que, se o pai de seu adversário, Julio Delgado (PSB-MG), estivesse na Câmara, votaria nele para presidente.

Meu garoto No mesmo dia, a provocação chegou a Tarcísio, que rebateu em seu blog: "Julio é jovem, competente e compromissado com os princípios morais e éticos que recebeu do berço".

Dobradinha O PT ampliará a sinergia entre o Instituto Lula e a Fundação Perseu Abramo, agora presidida por Márcio Pochmann, para lastrear com dados estatísticos a agenda de defesa do legado de 10 anos do partido no comando da Presidência.

Lista... Embora a eleição do novo presidente ocorra apenas em dezembro, três candidatos deflagraram, nos bastidores do TJ-SP, a corrida pela sucessão de Ivan Sartori.

... tríplice Estão no páreo os desembargadores Walter de Almeida Guilherme, Sérgio Guerrieri Rezende e Hamilton Elliot Akel, que encabeçam a lista de antiguidade.

Onde pega Sartori, que postula indicação para o STF, tem poucas chances. Conselheiros de Dilma consideram que pesa contra ele o fato de ter assumido, em nota oficial, a responsabilidade pela desocupação do Pinheirinho.

TIROTEIO
"Como sempre teve uma queda por grandes obras, Maluf quer uma combinação perfeita: atuar na habitação de ponta a ponta."
DO DEPUTADO IVAN VALENTE (PSOL-SP), sobre a pressão de Paulo Maluf (PP-SP) para controlar a Habitação nos governos federal, municipal e estadual.

CONTRAPONTO


O infiltrado


Em visita ao Palácio dos Bandeirantes, na quinta-feira passada, Henrique Alves (PMDB-RN), Michel Temer e Gabriel Chalita aguardavam o início da reunião com Geraldo Alckmin, quando um dos presentes quis saber se poderia iniciar a reunião. O governador disse:

-Falta o Julio. Cadê o Julio?

Assustado, já que seu rival na briga pela presidência da Câmara é Julio Delgado (PSB-MG), Alves perguntou:

-Como assim? O Julio?

Percebendo a confusão, o tucano esclareceu:

-É o Julio Semeghini, meu secretário de Planejamento!

Chegou a conta de 2005 - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 21/01


A política, assim como a vida e a arte, é feita de ciclos. E, sendo assim, com os petistas não seria diferente. Desde 2005, quando abalroado pelo escândalo do mensalão, o partido mantém seu tônus muscular à base de anabolizantes e tudo o que foi feito ali para a travessia dos últimos anos do primeiro governo de Lula cobra seu preço agora, neste recém-chegado 2013, com todos os auxiliares cobrando a conta do que consideram a participação deles nessa longevidade petista.

É daquele período o acordo com o PMDB de Michel Temer, Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, antes mais afeitos à parceira com o PSDB. Dentro do PMDB, a ponte para esse grupo foi feita com uma ajuda do então deputado Eunício Oliveira, atualmente, prestes a assumir a Liderança do partido no Senado.

É bem verdade que Michel e Geddel obtiveram os louros primeiro. Michel virou vice-presidente de Dilma. Geddel, ministro da Integração Nacional. Só perdeu o cargo porque escolheu ser candidato a governador da Bahia, enfrentando Jaques Wagner, um dos queridos de Lula. Lascou-se na eleição. Hoje, no plano local, está mais próximo do DEM e bem distante do PT baiano. Mas não está longe de Dilma no plano nacional.

Dentro do PMDB, Henrique Alves terá seus louros agora, caso obtenha a presidência da Câmara. Renan Calheiros, outro ajudante daquela temporada de 2005, conquistará a presidência do Senado e Temer continuará na vice de Dilma, caso ela seja candidata à reeleição, como tudo indica.

Ocorre que há uma conta semelhante a ser quitada com outros partidos. Isso porque, ao mesmo tempo em que atraiu o PMDB, Lula incensou Eduardo Campos, do PSB. Fez dele ministro. Eduardo, junto com o PCdoB de Aldo Rebelo, e com o então líder do PMDB, Eunício Oliveira, que à época assumiu o Ministério das Comunicações, formaram um tripé político importantíssimo. Ajudaram a manter o governo Lula vivo no campo político.

Paralelamente, Lula repaginou a então ministra Dilma Rousseff e fez dela sua sucessora entregando-lhe parte de seu capital político. Isso, obviamente, não estava nos planos do PT, que só aceitou Dilma por falta de opções.

Tudo isso agora vem sendo cobrado ao mesmo tempo. O PMDB não quer perder espaço. Eduardo deseja espaço. E o PT, por sua vez, quer alguém, digamos... mais orgânico. Por isso, cobra uma movimentação maior de Lula. E Dilma que durma com todo esse barulho. Ela não tem o engenho político de Lula. Também não é o zero à esquerda que alguns imaginavam, mas não tem como pagar todas as faturas políticas que salvaram Lula e o próprio PT em 2005.

A principal dessas contas. Dilma parece predisposta a manter: o acordo com o PMDB. Daí, o fato de ter desencorajado qualquer candidatura alternativa do PT à presidência da Câmara. Mas quanto ao PSB, a bruxa está solta. O Planalto simplesmente não tem como atender o partido de Eduardo Campos. Daí, a série de movimentos dele em busca de espaço que veremos logo ali na frente. Em princípio é mesmo uma candidatura alternativa ao PT e ao PSDB rumo à Presidência da República.

Enquanto isso, no PT...

O problema maior da presidente é seu próprio partido. Alguns integrantes da legenda têm procurado Lula insistentemente para que ele se movimente mais no sentido de solidificar uma candidatura e não apenas no sentido de tentar confundir o adversário. Daí, essas reuniões surrerais do ex-presidente com o secretariado de Fernando Haddad. E também a que deve manter em breve com os ministros de Dilma.

Uma candidatura de Lula hoje seria tão surreal quanto as reuniões dele com secretários de governo. Isso porque seria um mar de explicações sobre o mensalão e outras denúncias, capítulos que a parte do PT mais ligada à presidente Dilma considera página virada.

Tudo isso agora vem sendo cobrado ao mesmo tempo. O PMDB não quer perder espaço. Eduardo deseja espaço. E o PT, por sua vez, quer alguém, digamos... mais orgânico. Por isso, cobra uma movimentação maior de Lula.

Custos do mau planejamento - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADÃO - 21/01


Por falhas de planejamento, ineficiência de estatais e crônica incapacidade do governo de reagir com presteza aos problemas, empreendimentos privados que deveriam ser vitais para regularizar o fornecimento de energia elétrica – sobretudo em períodos de incertezas sobre a geração hidrelétrica, como o atual – não produzem o resultado desejado e ainda impõem ônus financeiros aos consumidores. Chegou-se à situação absurda na qual, quanto maior o êxito desses empreendimentos, maiores as perdas para o País em termos energéticos e maiores os custos para a população.

É o que mostra a situação dos parques eólicos concluídos desde meados do ano passado e dos que serão concluídos em 2013. No Rio Grande do Norte e na Bahia estão prontos 26 parques, com potência instalada de 622 megawatts (MW) e há outros seis em fase de conclusão no Ceará, com potência de 186 MW. Mas nada se produz, porque não há como transmitir a energia para os centros consumidores.

O problema ficará ainda mais grave ao longo de 2013. Está prevista a conclusão, neste ano, de mais 50 projetos de geração eólica, com potência de 1,4 mil MW. Isso representa 16% da capacidade instalada prevista para entrar em operação em 2013, de 9 mil MW (incluindo todas as formas de geração). Também essa energia não será gerada pelos parques eólicos porque, como a que podia estar sendo gerada desde o ano passado, não tem como ser levada aos consumidores.

O descasamento dos cronogramas das obras das usinas geradoras e das linhas de transmissão, já notório no sistema hidrelétrico – a Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, ficou pronta para operar cinco meses antes do prazo, mas sua produção não chega aos centros de consumo, porque as linhas de transmissão só ficarão prontas neste ano -, é particularmente grave no caso da energia eólica.

Por todas as suas vantagens ambientais – utiliza fonte renovável, não polui e tem pouquíssimo impacto sobre o meio ambiente -, a energia eólica vem sendo apontada como a mais adequada para o abastecimento no futuro e sua utilização tem crescido no mundo. No Brasil, empresas nacionais e estrangeiras têm feito grandes investimentos no setor, e os resultados só não são mais notáveis porque parte do que se produz, ou se poderia produzir, não tem como chegar aos centros de consumo.

Neste período em que os reservatórios das usinas hidrelétricas estão com o nível muito baixo, forçando a utilização das usinas termoelétricas – de custo operacional bem mais alto e impacto ambiental maior do que o de outras fontes -, a energia gerada pelas eólicas do Nordeste, se já contasse com as linhas de transmissão, seria muito bem-vinda pelos gestores do sistema elétrico nacional e, sobretudo, pelos consumidores.

Ironicamente, a potência das eólicas paradas é equivalente à da usina termoelétrica de Uruguaiana, de 639 MW, que o governo às pressas tenta recolocar em operação – estava desativada desde abril de 2009 – para compensar a redução das operações das hidrelétricas devido ao baixo nível dos reservatórios. Também por ironia, a tentativa do governo de acionar essa termoelétrica esbarra em sua incompetência: por problemas de planejamento e de burocracia, não está conseguindo fazer chegar o combustível à usina – o gás natural liquefeito procedente da Argentina.

O que impede o pleno funcionamento das eólicas também é mau planejamento. Um programa adequadamente planejado decerto não resultaria no descompasso entre a obra de geração e a de transmissão. A empresa que venceu a licitação das linhas de transmissão alega questões ambientais e de proteção do patrimônio para justificar o atraso. Como previsível, trata-se de uma estatal, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), controlada pela Eletrobrás. Algumas linhas estão com seu cronograma atrasado em 6 meses; outros, em até 17 meses.

Contratualmente, as empresas geradoras são remuneradas desde o momento em que estão aptas a gerar energia, independentemente de ela estar sendo gerada ou não. Assim, paga-se por uma energia que não chega ao consumo. E neste ano se pagará mais, pois mais energia deixará de ser transmitida.

Questão de confiança - AÉCIO NEVES

FOLHA DE SP - 21/01


É longa a lista de variáveis apontadas pela pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para explicar o desânimo dos empresários brasileiros em fazer novos investimentos.

Entre os problemas citados estão o custo do crédito, dificuldades para obter financiamento, o apagão de mão de obra, burocracia excessiva e infraestrutura precária.

A essas dificuldades somam-se questões que ficaram evidentes após a pesquisa, feita em 2012, como a apreensão diante da oferta de energia e a elevação da inflação no país. O levantamento ouviu 584 grandes, médias e pequenas empresas.

No debate que se trava sobre o presente e o futuro da economia, um ponto é consensual até mesmo entre agentes governamentais: sem aumentar a taxa de investimentos será difícil fugir dos pibinhos dos últimos anos.

Convencer empresas e empresários a ampliar investimentos na produção que gera empregos e riqueza ao país pressupõe uma relação de confiança entre governantes e governados. E isso, infelizmente, parece faltar neste momento.

A pesquisa mostra o desânimo das empresas ao revelar que o percentual daquelas que pretendem ampliar suas atividades este ano é o menor dos últimos quatro anos.

Repete-se o mesmo cenário de 2012, quando o número de empresas que realizaram investimentos foi o menor desde 2009. No ano, diz a pesquisa, só 50,2% das empresas efetivaram os investimentos planejados, 45,5% o fizeram parcialmente e 4,2% adiaram ou cancelaram projetos.

O problema mais citado foi a incerteza econômica gerada por problemas internos e externos, evidenciando a impotência do governo diante da crise internacional e sua incapacidade em solucionar travas internas.

A falta de credibilidade do governo está contribuindo também para afastar investidores externos. Consultorias e organismos internacionais

-como a norte-americana Securities and Exchange Commission- indicam que fundos internacionais estão substituindo o Brasil em seus portfólios por outros países.

Algumas das causas da fuga dos investidores estrangeiros coincidem com as que provocam o recuo das empresas nacionais -o excessivo intervencionismo e a insegurança gerada por recentes decisões do governo.

Medidas de desoneração fiscal, como as anunciadas na última semana, são necessárias e bem-vindas, mas precisam ser acompanhadas da austeridade fiscal que tem faltado até agora, comprometendo o equilíbrio das contas públicas.

Igualmente importante é que sejam duradouras. Medidas temporárias, pontuais e paliativas, como as que têm caracterizado a atual política econômica, contribuem para propagar incertezas.

Fim da overdose? - GEORGE VIDOR


O GLOBO - 21/01

Para patamar de juros mais baixos ser mantido pelo Banco Central inflação precisará cair este ano em relação a 2012

Inflação acima de 5% não é resultado para se comemorar. Mas é alentador que, de 2011 para 2012, a variação anual do IPCA - o índice de preços que baliza as metas de inflação - tenha diminuído de 6,5% para 5,8% simultaneamente a ajustes importantes nas taxas de juros e no câmbio. A redução dos juros era temida por sermos todos gatos escaldados pela inflação aguda anterior ao lançamento do real. Por muito tempo a única terapia admitida para segurar a inflação foi trocá-la por dívida pública, com uma overdose de taxa de juros. Felizmente em algum momento cresceu a desconfiança em relação a essa overdose, e em 2012 a crise internacional criou a oportunidade para se tentar o ajuste, embora a reação inicial do mercado financeiro tenha sido desfavorável e cética. Ainda é cedo para se saber se o país conseguiu se livrar da armadilha dos juros excessivamente altos. Este ano, a inflação terá de ser inferior aos 5,8% de 2012 (mesmo ficando acima do centro da meta, de 4,5%) para que o novo patamar de juros seja mantido.

O outro ajuste, o do câmbio, foi igualmente importante porque a valorização do real frente ao dólar era vista como condição necessária para a inflação permanecer sob controle no Brasil. A outra face da moeda era que, com a média dos salários em alta, o trabalho no Brasil estava encarecendo muito em relação ao resto do mundo. Com uma cotação de R$ 1,60 saía mais barato para os brasileiros comprar enxoval de bebê em Miami. E tal valorização foi alimentada por um fluxo de capitais financeiros de curto prazo atraídos pela overdose das taxas de juros no Brasil. Se ao menos tivesse resultado de um aumento espetacular das exportações ou de uma invasão de investimentos industriais, agropecuários ou de infraestrutura, vá lá.

Mesmo com a queda dos juros e a valorização no real o Brasil continua a ter fluxo cambial positivo: sobram cerca de US$ 20 bilhões anuais, que em parte são absorvidos pelas reservas já acumuladas em outras moedas, mas a um ritmo que não obriga o Banco Central a emitir em contrapartida tantos reais para a compra de dólares no mercado, o que o forçava depois a retirá-los de circulação pela venda de títulos públicos, em um processo complicado que afetava as demais operações do sistema financeiro. Como as reservas são contabilizadas como crédito, o total de títulos (dívida bruta) cresce, mas não o endividamento líquido, indicador mais relevante para se avaliar a solvência do setor público.

A inflação resiste acima de 5% porque nesse patamar o fenômeno em parte se realimenta. Quando as tarifas de ônibus sobem, categorias profissionais mais organizadas reivindicam reajustes salariais para compensar a perda de poder aquisitivo, mas se não todo, um percentual do aumento acaba sendo também transferido para os preços de produtos e serviços. Estancar esse processo sem desemprego ou quebra de empresas depende de um ganho de produtividade na economia.

Mudaram o alvo

As ações judiciais que atrasam obras no setor elétrico têm agora como alvo as linhas de transmissão. A argumentação contra as hidrelétricas se esgotou e o próprio judiciário parou de acatar esse tipo de ação, até porque os departamentos jurídicos das empresas que investem em usinas aprenderam a se defender, e nos lugares próximos às usinas sempre há quem defenda os empreendimentos. Já no caso das linhas de transmissão, ministério público federal e os estaduais usam uma tática de guerrilha, tentando embargar, por exemplo, a construção de trechos. Sem a interligação obviamente as linhas não podem funcionar. É comum o trecho embargado passar por áreas isoladas e assim ninguém fica sabendo que a obra está parada. Sem defensores ou repercussão na mídia da paralisação da obra, politicamente fica mais fácil atacar o setor elétrico por esse lado.

O único efeito prático dessa sucessão de embargos é retardar a conclusão da obra. Como em economia não há almoço grátis, os atrasos encarecem o custo da energia, e quem paga a conta é o consumidor.

E tome imposto

A propósito das autuações a companhias de petróleo por não recolhimento de impostos referentes a equipamentos importados na fase em que os campos ainda estão sendo preparados para a produção, a Secretaria estadual de Fazenda do Rio afirma que no plano administrativo não existe mais dúvida sobre a tributação. Já há muitos recursos revistos na última instância administrativa e todos foram favoráveis ao fisco. Os equipamentos são isentos na fase exploratória, mas não na produção. A dúvida das empresas se refere à etapa intermediária e por isso várias foram autuadas.

Petistas e tucanos de ponta - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO


O Estado de S.Paulo - 21/01


Na batalha por corações e mentes, o PT perdeu a ponta da pirâmide econômica e o PSDB está cada vez mais dependente dela. Essa reviravolta numa parte pequena mas influente da sociedade brasileira ajuda a espalhar fagulhas entre os dois partidos.

Pela primeira vez, há mais brasileiros com renda superior a 10 salários mínimos que se dizem tucanos do que petistas: 23% a 13%, segundo o Ibope. Não é nada trivial. Parece ter chegado ao fim uma supremacia de 15 anos do PT no segmento onde se concentram, por exemplo, leitores de jornais e revistas.

A virada começou no auge da simpatia pelo PT, quando o então presidente Lula batia recordes de aprovação e a economia crescia num ritmo mais chinês que europeu.

Em março de 2010, o PT atingiu seu pico de popularidade. Um em cada três brasileiros declarava simpatia pelo partido. Mas entre os eleitores mais ricos o petismo estava decadente havia anos. Desde junho de 2001, quando 35% do topo da pirâmide se disseram simpatizantes, o PT vinha com viés de baixa nesse extrato.

O movimento custou a ser percebido porque o sobe e desce dos índices mascarava as tendências de longo prazo. Ao mesmo tempo, a perda dos eleitores com renda mais alta era compensada pelo crescimento do PT na base da pirâmide.

Quando Dilma Rousseff assumiu sua candidatura à Presidência, no começo de 2010, a penetração petista na elite econômica já estava reduzida a 22%. Ao fim da campanha eleitoral, sete meses depois, a taxa havia caído para 16%. Hoje é de 13%. Apesar disso, a perda de simpatia do PT nada tem a ver com Dilma.

O declínio nessa ponta vem dos câmbios da direção partidária que desembocaram, em 2005, no escândalo do mensalão. O desgaste é cumulativo. A cada disputa eleitoral os adversários tiram a casca da ferida e o PT sangra novamente. Foi assim em 2010 e em 2012 - com a ajuda do julgamento do mensalão pelo STF.

Os ex-petistas do topo da pirâmide se espalharam. Muitos se desencantaram com a política e viraram sem-partido, outros migraram para pequenas legendas e alguns até tucanaram.

Só a partir de 2010 o PSDB cresce entre quem tem renda superior a 10 salários mínimos - e apenas entre eles. Em menos de 3 anos, a preferência tucana pulou de 7% para 23% nessa elite, que passou a ter um peso muito maior entre os simpatizantes do partido. Ou seja, o PSDB percorreu o caminho do PT no sentido oposto.

Em 2004, o professor David Samuels, da Universidade de Minnesota, escrevia que os petistas eram diferentes dos outros brasileiros: "São mais instruídos e politicamente conscientes do que a média. (…) Acreditam que a participação do indivíduo na política pode fazer diferença". Se houve tal diferenciação, ela se diluiu.

O petismo perdeu influência justamente nas camadas citadas por Samuels. Ao mesmo tempo, absorveu lulistas - eleitores pragmáticos, cativados pela inclusão social via consumo. O resultado é que o petismo mudou. Com uma base menos rica, mais nordestina e, principalmente, mais numerosa, colecionou vitórias nas urnas. Mas, depende cada vez mais do vaivém da economia.

Tinha de acontecer - PAULO BROSSARD

ZERO HORA - 21/01


As medidas adotadas, por serem transitórias, não podiam durar sempre



O governo está enfrentando algumas dificuldades, e outras estão em gestação, e não me refiro ao problema da energia elétrica; algumas não começaram com o atual governo, mas este aceitou-os sem reduzi-las; não ignoro que medidas nesse sentido podem não ser fáceis, e não é de hoje que a administração seja afeita a um empirismo teimoso e pervicaz para consagrar uma espécie de círculo vicioso econômico, a elevada carga fiscal é uma delas e cada vez mais pesada; diga-se de passagem que o governo tem gasto muito, mas, na generalizada opinião dos competentes, no que não é fundamental. Suponho ter dito o suficiente e para resumir lembro que tudo veio à tona quando se tornou pública a denominada "desindustrialização" da indústria metalúrgica; soou então o alarme e com ele a promessa de correção; confesso ignorar se concretizada. Não demorou muito, e fenômenos semelhantes sucederam-se com a indústria automobilística, envolvendo significativo segmento industrial, talvez o mais importante; sem demora, o setor de objetos domésticos deu sinal de sua carência. Medidas adotadas eram de curta duração; aliviavam, mas não removiam o mal; com uma espécie de aspirina, servia para baixar a febre, mas permanecia intocada a neoplasia. Por fim, as medidas adotadas, por serem transitórias, não podiam durar sempre, e as agruras retornavam à medida em que a situação anterior voltava.
Mas, como diz a sabedoria popular que o inferno está cheio de boas intenções, há fatos antes apenas previstos e agora de tal grandeza que se tornou inegável.
No penúltimo dia do ano findo, um dos grandes jornais do país, O Estado de São Paulo, em duas páginas, cuidou de dois assuntos distintos, mas interligados e ambos de suma gravidade: a insolvência de pessoas que foram levadas a adquirir inclusive veículos em 60, 70 e até 80 prestações mensais; sob a impressão de justificada ascensão social, começavam a entrar numa espiral que as conduziria à desgraça; a outra aludia ao leilão de 200 mil carros dos quais, com uma ou duas prestações pagas mais nada, de expressão de status social tomavam o caminho do leilão. Os números são impressionantes e, a meu juízo, se devem à propaganda enganosa promovida pelo governo; a demonstrá-lo basta dizer que, para atingir o seu plano, instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Federal compraram uma metade do Banco Votorantim, e outra do Panamericano, este quebrado por sinal, coisa que não foi vista pelo Banco Central, nem pelos compradores. O mesmo jornal na mesma edição noticiou que "sem pagamento, 200 mil carros serão leiloados", e acrescentava "se o Brasil alcançou o quarto lugar na lista de maiores mercados de veículos do mundo. Seus consumidores penam para poder pagar prestações". Os dados são alarmantes e suas consequências gigantescas, frutos da incúria senão da cegueira dos promotores desse fantástico carnaval e que se converteu num grave, gravíssimo problema social, como diria José Dias, o personagem de Machado de Assis, que não sabia manifestar-se senão mediante superlativos. Em 2010, se a inadimplência era de mais de R$ 23 bilhões, em 2012 passava de R$ 44 bilhões, à conta de bancos, financeiras e cartões de crédito.
Há outros dados também ilustrativos, mas parece-me bastante o que ficou dito.
E há quem se admire que o PIB no ano passado não tenha chegado a 1%... quando apregoavam atingiria 4%!

Chavismo sem Chávez? - RUBENS RICUPERO

FOLHA DE SP - 21/01


Socialdemocracia do século 19 na Europa e populismo na América Latina têm o mesmo papel histórico


O chavismo resistirá à morte de Chávez? Analistas europeus e americanos tendem a achar que não, ao passo que na América Latina os comentaristas se inclinam pela permanência. Por que a diferença? A resposta se encontra na divergência de experiências com líderes carismáticos.

O problema desses líderes, dizia Max Weber, reside em que o carisma é pessoal e não se transmite. Alguns populistas em países avançados chegaram a conquistar quase 14% em eleições (o ex-governador de Alabama George Wallace) ou como Poujade ou Le Pen ameaçaram transtornar o equilíbrio político da França. Em nenhum caso, porém, alcançaram o poder e depois de pouco tempo se evaporaram.

Já Vargas no Brasil, Perón na Argentina e Haya de La Torre no Peru continuaram a pairar sobre a política décadas após a morte. O caso brasileiro talvez seja único.

Aqui a eficácia eleitoral do partido fundado pelo antigo chefe, o PTB e suas ramificações, só se esgotou quando um líder popular mais novo como Lula ofuscou o brilho dos herdeiros diretos.

Na Argentina, onde nunca surgiu um sucessor à altura de Perón, sua herança se revelou tão avassaladora que hoje praticamente nenhum partido ou grupo pode aspirar ao poder se não se proclamar peronista, ao menos de boca.

Na América Latina, como já se observou, o populismo desempenhou o mesmo papel histórico encarnado na Europa do século 19 pela socialdemocracia: o de servir de canal para a ascensão das massas populares surgidas da urbanização e da industrialização.

A lealdade a movimentos como o peronismo não é muito diferente da fidelidade que os assalariados europeus demonstraram até data recente pelos partidos socialistas que os representavam.

Seria, portanto, arriscado subestimar o potencial de sobrevida do chavismo mesmo sem Chávez. Isso não quer dizer que os sucessores não venham a enfrentar derrotas por faltar o carisma, o gênio tático do fundador ou por efeito da desorganização da economia. Os altos preços do petróleo possibilitaram ao chavismo beneficiar as maiorias; a incompetência e o desperdício, no entanto, esticaram a corda até perto da ruptura.

A afirmação de um novo ator social e político sempre provoca desestabilização, pois se faz à custa de posições e privilégios de outros. Seu caráter mais ou menos violento ou penoso depende da capacidade desses outros em acomodarem o inevitável. Na Venezuela, o processo tem sido mais polarizado e radicalizado que no Brasil, mas no fundo o desafio é o mesmo.

Nada pode deter por muito tempo os setores emergentes que aspiram por reconhecimento da própria dignidade e melhoria tangível nas condições de vida.

Mais determinante do que as pessoas dos líderes e seus carismas, é a necessidade histórica e a base social que sustentam tais movimentos. Getúlio, Goulart, Brizola, Lula passam, da mesma forma que Perón, Evita, Chávez: o que permanece é uma exigência de ascensão dos que eles bem ou mal representam.

Pode-se não gostar desses líderes, mas se os novos atores populares se identificam com eles e não com os partidos que antes governavam, de quem é a culpa, das maiorias ou dos partidos que não souberam canalizar suas aspirações?

Respeitem Dilma! - RICARDO NOBLAT

O GLOBO - 21/01


Que partido dispõe de um candidato reserva com iguais ou maiores chances do que o titular de se eleger presidente da República? Dilma não será candidata a um segundo mandato se não quiser - e quer. Ou então se a saúde lhe reservar uma surpresa (bata na madeira e isole). Ou se a economia chegar mal das pernas ao final do governo. Ou... Em qualquer hipótese, Lula está pronto para entrar em campo

PARA ENTRAR em campo é o modo de dizer. Lula nunca saiu de campo. Antes de sair formalmente, consultou três governadores de estado, um deles do PT, sobre a ideia de patrocinar uma emenda à Constituição que lhe permitisse disputar o terceiro mandato presidencial consecutivo. Foi aconselhado a não fazê-lo. Enfrentaria forte oposição. Por que não descansar e voltar revigorado quatro anos depois? 

DE RESTO, E se a emenda aprovada fosse declarada inconstitucional pela Justiça? Colisão entre poderes da República não costuma resultar em boa coisa.
Lula seria acusado de caudilhismo. O continente parira um novo Hugo Chávez! Com a diferença de que Lula sequer serviu ao Exército. Chávez não. Foi oficial paraquedista. E golpista antes de se eleger presidente pelo voto popular.

É PURA LENDA a história de que Dilma aceitou ser candidata mediante o compromisso de governar um único mandato. Ela e Lula jamais conversaram a respeito. Se Lula insinuar que quer voltar, Dilma não oferecerá resistência. Mas só a custa de um motivo extraordinário é que a troca de nomes soaria razoável aqui fora. Afinal, não foi Lula que apontou Dilma como melhor gestora do que ele?

A INDICAÇÃO DE DILMA para presidente atendeu à necessidade de Lula de contar com um candidato de sua inteira confiança. Que não lhe fizesse sombra. E que se dispusesse a atender às suas vontades. Quanto mais fraco fosse como candidato, mais a glória, em caso de triunfo, pertenceria a Lula. Em caso de derrota...
Lula ainda não operava milagres. Agora, opera.

LULA ENXERGOU outra vantagem na escolha de Dilma: seu sexo. No início de 2006, enfraquecido com o escândalo do mensalão, Lula falou pela primeira vez em lançar Dilma como candidata. Foi durante uma visita ao Recife. "Que tal concorrermos à próxima eleição com uma mulher? Nunca uma mulher disputou a Presidência da República no Brasil", argumentou.
Ninguém deu bola.

MARQUETEIRO POR intuição, fixou-se no nome de Dilma antes mesmo de se reeleger. Uma vez reeleito, passou a carregá-la por toda parte. No primeiro semestre de 2009 não fez uma só viagem dentro do Brasil sem Dilma a tiracolo. A mulher era maravilhosa. A mulher era "mais homem" do que muitos homens. A mulher era trabalhadora incansável. Era isso, aquilo e aquilo outro. Em 2010, "o cara" era a mulher.

E ENTÃO, COMPANHEIRO? Enquanto a mulher lhe foi útil não havia ninguém melhor do que ela. Agora que você descansou, mesmo contra sua vontade, planeja dar uma rasteira na mulher pedindo de volta a cadeira que ela mal esquentou? Você usou a mulher como quis. E pretende continuar usando? (Cadê Rosemary? Foi esse o chefe bom, carinhoso e humano que você conheceu?) 

POR ORA, além de Lula, apenas torcem pelo retorno dele: o PT, os demais partidos (salvo os da oposição e o PSB de Eduardo Campos), os banqueiros e empresários das mais diversas áreas - esses, insatisfeitos com a política econômica do ministro Guido Mantega, da Fazenda. Quem torce para que Dilma concorra a um segundo mandato? A oposição e o PSB.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO


Empreiteira fatura com viagens de Lula à Etiópia


A viagem do ex-presidente Lula à Etiópia para uma conferência em março coincide com o anúncio do financiamento de cerca de US$ 1 bilhão para a empreiteira Andrade Gutierrez construir quase 500 quilômetros de ferrovias num dos países mais miseráveis e corruptos do planeta. Lula foi à Etiópia com delegação brasileira em novembro para reafirmar seu compromisso de “combate à fome” na África.

Gulosos

É a primeira vez, diz a imprensa local, que o Brasil, ao contrário da China, financia tal projeto na Etiópia, com a Andrade Gutierrez.

Dito e feito

Quando presidente, Lula ironizou críticas à economia brasileira: “Se eu fosse estrangeiro com 30 centavos, preferiria investir na Etiópia.”

Caros amigos

Após sair do governo, Lula intermediou conflito de empreiteira brasileira com indígenas na Bolívia, viajando em jatinho “cedido” por ela.

Olha ela aí

As fábricas comem mosca: uma máscara da sumida ex-assessora Rose Noronha venderia tanto quanto a do ministro Joaquim Barbosa.

Calote pode impedir o governo de viajar de avião

O governo federal poderá ficar sem viajar em voos de carreira. Com a virada do ano, férias e recesso, o que provoca a redução de servidores, as agências de viagens deixaram de receber o que lhes é devido por diversos órgãos públicos contratantes. Isso poderá provocar o corte de crédito das agências nas empresas aéreas, que as pressiona. Por essa razão, é iminente o bloqueio de emissão de passagens para o governo.

Pendura

Órgãos do poder executivo chegaram ao final de 2012 com calotes superiores a R$ 30 milhões junto às respectivas agências de viagens.

Romaria

Confrontada com os “avanços” de pré-campanha de Lula, Dilma vai privilegiar viagens internas em 2012, à moda do “companheiro” ex.

Bidu

O teste do “jeitinho brasileiro” do ministro Mantega (Fazenda) será aumentar a gasolina para salvar a Petrobras, sem elevar a inflação.

Chapa quente

O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) reuniu o secretariado, dias atrás, e mostrou números alarmantes. Se as eleições fossem hoje, ele teria só 23% dos votos. O grande vilão é a insegurança pública. Ele pediu que todos fossem às ruas e à mídia para divulgar seus feitos.

Ouro de tolo

O Rio é a sétima cidade mais poluída do mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde para a revista britânica Economist. Medan, na Indonésia, lidera o ranking. Pobre baía da Guanabara...

Recondução certa

Após retirar o PP das páginas policiais, o senador Francisco Dornelles (RJ) deverá ser reeleito presidente do partido em reunião marcada para maio. O segundo nome mais forte seria do senador Ciro Nogueira (PI).

Cid Air

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), tem coragem de mamar em onça. Após o escândalo do seu primeiro governo, alugando jatinho no qual levou até a sogra para passear no exterior, ele decidiu comprar dois helicópteros (US$ 9 milhões cada) e um jatão de US$ 36 milhões.

Despejo

A Inframérica, que substituiu a Infraero na gestão do aeroporto de Brasília, quer distância dos funcionários da estatal, e pediu que fossem removidos. Serão transferidos para um prédio no Setor Comercial Sul.

Nem em casa

O deputado Antônio Andrade (PMDB-MG) calcula que o conterrâneo Júlio Delgado (PSB) terá no máximo 15 votos, de 53 da bancada, para presidir a Câmara: “Os partidos da Mesa Diretora estão com Henrique”.

Olho da rua

Autuado pela PF por trabalho ilegal no aeroporto do Galeão (RJ), o sargento americano Cody Tallent tem três dias para deixar o país. Trabalhou um mês nas barbas da Infraero e da Receita Federal.

Jogo de cena

A oposição chia com os passaportes diplomáticos para pastores evangélicos, um deles com passagem pela cadeia. Basta um requerimento ao Itamaraty obrigando a divulgação da lista completa.

Oração do dia

“Lula é meu pastor e passaporte diplomático não me faltará”.

Poder sem pudor

As razões de Figueiredo

O empresário Ciro Batelli, veterano batalhador pela legalização do jogo no Brasil, certa vez encontrou o então presidente João Figueiredo no hotel Cad’Oro, em São Paulo. O general colocou o braço sobre o seu ombro para dar uma explicação e fazer uma confissão:
- Tenho te visto dando dignidade ao que defendes. Não sou contra cassinos. Os milicos não ganham tanto quanto dizem, por isso nunca entrei num cassino. Sou contra por comodidade. Se aprovar, vou ter que dar 419 cassinos para os 419 f.d.p. da Câmara dos Deputados! Por isso sou contra.
Atualmente a Câmara tem 513 Deputados.

SEGUNDA NOS JORNAIS


Globo: Para aumentar o pibinho: Governo cobra de bancos ampliação do crédito
Folha: Assembleia de SP aprova menos leis e barra CPIs
Estadão: Obama toma posse e busca acordo contra crise fiscal
Correio: Prefeituras do entorno exportam o caos para o DF
Valor: Importação de produtos sobretaxados já caiu 16%
Estado de Minas: O perigo do sol
Brasil Econômico: Usina do Madeira aciona turbina, mas energia não chega ao Sudeste