O GLOBO - 11/01
GOVERNO ESQUECE EFICIENCIA ENERGETICA
País lançou plano para o setor em 2011, mas medidas não avançaram. Só indústria consome 40% da energia
Nas ações do governo para lidar com restrições na oferta de energia, em razão do nível baixo dos reservatórios das hidrelétricas nos últimos meses, faltou referência a programas de eficiência. Autoridades já falaram da esperança de chuva ao acionamento permanente do parque termelétrico. Trataram de acelerar obras de linhões de transmissão e antecipar a entrada em operação de usinas eólicas e da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira. Nada sobre medidas que podem aumentar a oferta de eletricidade, reduzir custos e elevar a competitividade da economia. O país publicou em 2011 o Plano Nacional de Eficiência Energética. Para 2013, a previsão é economizar 2.919 GWh. É a quantidade fornecida por uma usina com 700 MW de capacidade de geração, algo comparável a Angra 1, no Rio, com 640 MW. A produção atenderia a 1,675 milhão de residências, calculou um técnico do setor. Sozinha, a indústria responde por 40% do consumo de energia do país. São aproximadamente 15 GWh, segundo as contas da EPE. Mais da metade da demanda industrial é para movimentar sistemas motrizes. Uma ação de apoio à eficiência energética dos motores cairia bem agora.
35 GWh DE ECONOMIA DE ENERGIA
Foi o resultado do Procel Indústria, de 2002, quando foi criado, a 2011. É a quantidade de energia consumida no Brasil por um mês. Um plano de eficiência em motores industriais se paga em 15 meses.
É recorde
Bateu recorde histórico a arrecadação da Procuradoria do Município do Rio na dívida ativa, em 2012. Foram R$ 780 milhões, alta de 65% sobre os R$ 475 milhões do ano anterior. O resultado tem a ver com a cobrança aos grandes devedores.
Expansão
A GVT, de telefonia, TV por assinatura e internet, vai investir R$ 150 milhões na ampliação da rede no Estado do Rio este ano. A Zona Oeste da capital e a Baixada Fluminense estão entre as áreas prioritárias.
Concentrado
Os dez maiores fornecedores de material esportivo, caso de Adidas, Nike e Puma, ficaram com mais da metade (57,1%) dos contratos com times de futebol em 2012, mostra estudo da Jambo Sport Business. Outras 139 marcas atenderam a apenas 24,6% das equipes.
Seguros 1
A seguradora Mongeral Aegon cresceu 25% ao ano nos últimos oito anos. Em 2013, planeja avançar 30%. Uma das estratégias é o investimento em marketing esportivo. Vai gastar
R$ 2 milhões até 2014.
Seguros 2
Estudantes de MBA da Harvard Business School vieram ao Brasil conhecer operações da Liberty Seguros. Passaram a semana em imersão sobre o mercado segurador local.
Pré-sal
A Usiminas vendeu 400 toneladas de chapas CLC para a TenarisConfab. O destino é a produção de tubos para o pré-sal. A siderúrgica investiu R$ 539 milhões só para criá-las. As peças foram usadas no fim de 2012 na maior coluna da exploração petrolífera do país. Tem 1.650 metros; 50 deles no pré-sal.
Resíduos
O programa Jogue Limpo, do Sindicom, recebeu aporte de R$ 9 milhões de fabricantes e distribuidoras de óleo
lubrificante em 2012. O setor foi o 1º a assinar acordo com o Ministério do Meio Ambiente na Lei de Resíduos Sólidos.
É a tal logística reversa.
Economia
A fabricação do amaciante Comfort concentrado rendeu à Unilever economia de 22,2 milhões de litros de água por ano. É quantidade capaz de abastecer 2.040 lares no Brasil durante um mês.
É carnaval 1
A Cidade do Samba vai sediar um leilão de cavalos, dias 18 e 19. Serão 25 lotes de embriões e 35 animais, todos da raça
Mangalarga Marchador, enredo da Beija-Flor em 2013. Os lances largam de R$ 20 mil.
É carnaval 2
A bateria da Mangueira vai desfilar com tênis da Nike, nas cores verde e rosa.
A Grendene criou modelo especial de sandália Ipanema para os 15 anos do Expresso 2222, camarote de Gil no carnaval de Salvador.
PAINÉIS DA FOLIA
Nestlé (foto) e Bradesco, habituais patrocinadores do carnaval carioca, já instalaram seus painéis publicitários na Marquês de Sapucaí. Cada peça, produção da gráfica Stamppa, tem 1.308 metros quadrados. Custaram R$ 500 mil e são consideradas as maiores do Brasil. Após a folia, a lona do painel da Nestlé será reciclada, em parceria com a Tem Quem Queira.
A ONG fabrica bolsas e acessórios.
CERVEJA E CHURRASCO
Pelo quinto ano consecutivo, o sambista Neguinho da Beija-Flor será o interprete do jingle da campanha de carnaval dos supermercados Mundial. O filme estreia domingo em TVs, rádios e jornais. Criação da agência Unlike, foi gravado em um bar na Lapa, capital da boemia carioca. Durante a folia, a rede quer elevar a venda de bebidas em 15%. Com o calorão na cidade, aposta nas cervejas. No setor de açougue, base dos churrascos, estima aumento de 10% sobre o ano passado.
sexta-feira, janeiro 11, 2013
QUANTA SAÚDE - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 11/01
FIRMA QUE CUIDA
Para Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS, o balanço anual deve seguir o mesmo ritmo, com crescimento no total de beneficiários em 2012 entre 2,5% e 3%. Os planos coletivos empresariais apresentaram alta ainda maior: 5,3% em setembro de 2012 ante o mesmo mês de 2011.
FECHANDO O CERCO
O governador Geraldo Alckmin assina hoje termos de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça de SP, o Ministério Público e a OAB que vão viabilizar a internação compulsória de dependentes químicos. As parcerias preveem, entre outras medidas, a construção do anexo do Tribunal de Justiça no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, em regime de plantão, e promotores e advogados voluntários.
NÃO PAGO
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) reitera que "não ajuda de forma alguma financeiramente" o italiano Cesare Battisti no aluguel de um apartamento nos Jardins, onde o ex-ativista agora vive. "Apenas falei que eu o conhecia para a corretora de imóveis. O Cesare deverá viver de seus próprios proventos como escritor e de um futuro trabalho", diz.
TOSSE
E Suplicy está internado no Sírio-Libanês para tratar uma pneumonia. A previsão de alta era hoje. O senador havia passado alguns dias no hospital no final do ano
ADAPTAÇÃO PLENA
Nelson Motta, autor do romance que originou "O Canto da Sereia" diz estar "extasiado" com o resultado. "Gostei mais da minissérie [da Globo] do que do livro."
ADAPTAÇÃO PLENA 2
Ele diz que ligações entre política e axé são ficção, mas admite que o personagem do governador baiano tem inspiração óbvia. "É claro que tem coisas de ACM e de outros desses. É um arquétipo", afirma. "Imagina a ligação de uma megaestrela, tipo a Ivete Sangalo, com um político desses. Se houvesse isso, seria nitroglicerina pura. Deus me livre!"
O PULO DA SEREIA
Motta mandou e-mail à protagonista, a atriz Isis Valverde, dizendo que ela foi corajosa de aceitar o papel. "Já passa para outro patamar, de protagonista."
ECONOMIA
Está faltando papel higiênico no Ministério da Fazenda. Banheiros de vários andares também estão sem toalha papel e sabonete -funcionários têm levado de casa os itens de higiene pessoal.
SEM EMBARGO
Fernando Morais lança no dia 29 versão cubana de "Os Últimos Soldados da Guerra Fria". O livro conta a história dos cinco agentes de Cuba que espionavam organizações de extrema-direita nos EUA. Presos pelo FBI, cumprem penas que chegam a prisão perpétua. O autor participa de debate com presidente da Assembleia Nacional cubana, Ricardo Alarcón.
'TODO MUNDO NAMOROU'
Débora Falabella, 33, diz que penou com o assédio da mídia no fim da novela "Avenida Brasil", após começar a namorar Murilo Benício, 41. "Passei por coisas que achei tão absurdas e, ao mesmo tempo, dava uma vergonha... Tão ridículos", diz à "Rolling Stone". Ela conta não ligar para um rótulo de Benício: o de se apaixonar por colegas de elenco. "Não sou uma idiota, tenho confiança em quem sou. É muito chata essa associação. Problema de cada um. Eu também namorei, todo mundo namorou todo mundo na vida."
É FESTA OU DESFILE?
A festa Lux encheu o clube Yacht de modelos, anteontem: estavam na pista Marta Bez, Camila Lemes e Thelma Alves. A maquiadora Sandra Alves e a estilista Aline Quevem também foram à balada, comandada pelo DJ Johnny Luxo, na Bela Vista.
LUA CHEIA DE ARTE
O multiartista francês Vincent Moon veio ao Brasil para a inauguração de mostra com vídeos seus no Sesc Pompeia. O produtor cultural Cosmo Brown e a cantora Dona Inah foram à abertura, na terça. A exposição, gratuita, fica em cartaz até 27 de janeiro.
CURTO-CIRCUITO
A comédia "Amigas, Pero No Mucho", com direção de José Possi Neto, volta hoje ao teatro Renaissance, nos Jardins. 14 anos.
Pedro Lourenço realiza liquidação com até 80% de desconto em sua loja na rua dos Cariris.
O projeto Peep Classic - Ésquilo reestreia hoje, às 20h30, no Club Noir. Classificação: 16 anos.
A peça "Batalha de Arroz num Ringue para Dois", com Nívea Stelmann, estreia hoje no teatro das Artes. 12 anos.
A marca Uma promove saldo até 10 de fevereiro.
O deputado estadual Fernando Capez (PSDB) conversa com PMDB e PSB para eventual troca de sigla.
O risco sem Chávez - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 11/01
Enquanto a oposição no Brasil debate a legalidade da posse do vice na Venezuela, o governo Dilma está preocupado em saber "como será o governo Chávez sem (Hugo) Chávez" O grande temor no Ministério das Relações Exteriores não é com a ruptura democrática, mas com a volta da linha de governos passados, quando a Venezuela dava as costas para a América Latina e o Brasil.
De olho em São Paulo
Os especialistas em marketing político e eleitoral estão com os olhos voltados para São Paulo. Neste ano, haverá um confronto de imagens entre o recém-empossado prefeito da capital, o petista Fernando Haddad, e o governador Geraldo Alckmin, que está iniciando o 17º ano de reinado tucano. Setores até então aliados do PSDB, como o ex-prefeito Gilberto Kassab, fizeram a opção por distanciar-se desse projeto. Eles avaliam que há "fadiga de material" depois de quase duas décadas no poder e que os paulistas querem sangue novo. Na equipe de Kassab se diz, claramente, que a eleição de Haddad foi um aviso de que a tendência dos eleitores é pela renovação e que o PSD deve subir e surfar nessa onda.
"Vamos trabalhar para fazer um acordo de votação cronológica dos vetos presidenciais"
José Guimarães
Líder do PT na Câmara dos Deputados (CE)
Costura conhecida
Sobre o PMDB abrir mão de sua segunda vaga na Mesa, o candidato a presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN), diz: "Isso já é tradicional. Foi assim com Arlindo Chinaglia (PT), Michel Temer (PMDB) e Marco Maia (PT)."
Dizem por aí
O ministro do STF Celso de Mello está avisando aos colegas do Supremo e a amigos que deixará o órgão no primeiro trimestre deste ano. Ainda longe da aposentadoria compulsória (ele tem 67 anos), tem dito que está cansado, com problemas de saúde e precisando de um tempo para si. Mello é o mais antigo ministro do STF. Está no cargo desde 1989.
A corrida ao Supremo
Pelo menos quatro ministros do STJ estão em campanha para serem escolhidos pela presidente Dilma para o STF. Chegaram ao governo pedidos por Nancy Andrighi, Luis Felipe Salomão, João Otávio de Noronha e Benedito Gonçalves.
Sem munição para o "bico"
Veto da presidente Dilma ao uso de arma fora do horário de trabalho pélos 70 mil agentes penitenciários gerou polêmica, mas ela não volta atrás. O governo trabalha pelo desarmamento e pesou na decisão o fato de que os agentes folgam três dias a cada dia trabalhado. Nesse período, muitos fazem "bico" como seguranças privados e usariam arma do Estado para outros fins.
Uma no cravo, outra na ferradura
Tradicional aliado dos tucanos, o presidente do PTB em São Paulo, Campos Machado, enviou carta ao presidente do PT, Rui Falcão, protestando contra a inclusão do ex-presidente Lula "como investigado no processo do mensalão"
Em busca do dinheiro roubado
A despeito da agenda negativa em que a AGIJ se meteu no final do ano passado, a instituição conseguiu reaver R$ 32,6 bilhões aos cofres públicos. Esse é o resultado do trabalho de combate à corrupção realizado durante 2012.
CANDIDATO A PRESIDIR A CÂMARA Júlio Delgado (PSB-MG) esteve com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e o governador tucano Beto Richa (PR).
Enquanto a oposição no Brasil debate a legalidade da posse do vice na Venezuela, o governo Dilma está preocupado em saber "como será o governo Chávez sem (Hugo) Chávez" O grande temor no Ministério das Relações Exteriores não é com a ruptura democrática, mas com a volta da linha de governos passados, quando a Venezuela dava as costas para a América Latina e o Brasil.
De olho em São Paulo
Os especialistas em marketing político e eleitoral estão com os olhos voltados para São Paulo. Neste ano, haverá um confronto de imagens entre o recém-empossado prefeito da capital, o petista Fernando Haddad, e o governador Geraldo Alckmin, que está iniciando o 17º ano de reinado tucano. Setores até então aliados do PSDB, como o ex-prefeito Gilberto Kassab, fizeram a opção por distanciar-se desse projeto. Eles avaliam que há "fadiga de material" depois de quase duas décadas no poder e que os paulistas querem sangue novo. Na equipe de Kassab se diz, claramente, que a eleição de Haddad foi um aviso de que a tendência dos eleitores é pela renovação e que o PSD deve subir e surfar nessa onda.
"Vamos trabalhar para fazer um acordo de votação cronológica dos vetos presidenciais"
José Guimarães
Líder do PT na Câmara dos Deputados (CE)
Costura conhecida
Sobre o PMDB abrir mão de sua segunda vaga na Mesa, o candidato a presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB-RN), diz: "Isso já é tradicional. Foi assim com Arlindo Chinaglia (PT), Michel Temer (PMDB) e Marco Maia (PT)."
Dizem por aí
O ministro do STF Celso de Mello está avisando aos colegas do Supremo e a amigos que deixará o órgão no primeiro trimestre deste ano. Ainda longe da aposentadoria compulsória (ele tem 67 anos), tem dito que está cansado, com problemas de saúde e precisando de um tempo para si. Mello é o mais antigo ministro do STF. Está no cargo desde 1989.
A corrida ao Supremo
Pelo menos quatro ministros do STJ estão em campanha para serem escolhidos pela presidente Dilma para o STF. Chegaram ao governo pedidos por Nancy Andrighi, Luis Felipe Salomão, João Otávio de Noronha e Benedito Gonçalves.
Sem munição para o "bico"
Veto da presidente Dilma ao uso de arma fora do horário de trabalho pélos 70 mil agentes penitenciários gerou polêmica, mas ela não volta atrás. O governo trabalha pelo desarmamento e pesou na decisão o fato de que os agentes folgam três dias a cada dia trabalhado. Nesse período, muitos fazem "bico" como seguranças privados e usariam arma do Estado para outros fins.
Uma no cravo, outra na ferradura
Tradicional aliado dos tucanos, o presidente do PTB em São Paulo, Campos Machado, enviou carta ao presidente do PT, Rui Falcão, protestando contra a inclusão do ex-presidente Lula "como investigado no processo do mensalão"
Em busca do dinheiro roubado
A despeito da agenda negativa em que a AGIJ se meteu no final do ano passado, a instituição conseguiu reaver R$ 32,6 bilhões aos cofres públicos. Esse é o resultado do trabalho de combate à corrupção realizado durante 2012.
CANDIDATO A PRESIDIR A CÂMARA Júlio Delgado (PSB-MG) esteve com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e o governador tucano Beto Richa (PR).
Terceiro tempo - FÁBIO ZAMBELI - PAINEL
FOLHA DE SP - 11/01
Debruçados sobre os elementos que consideram frágeis nos votos dos ministros, advogados de personagens do mensalão finalizam os extensos embargos que protocolarão no STF tão logo seja publicado o acórdão do julgamento, o que deve ocorrer em fevereiro. A defesa de José Genoino questionará as razões pelas quais o deputado petista foi condenado seis vezes por corrupção ativa, enquanto, segundo alega, a acusação sustentou apenas quatro vezes o crime continuado.
Eu avisei Durante o julgamento, o defensor do petista, Luiz Fernando Pacheco, fez a ressalva em memorial endereçado à ministra Rosa Weber, que levantou o tema. O plenário, contudo, consolidou a condenação que ele espera rever, diminuindo a pena, estipulada em seis anos.
Prova dos nove A apreciação dos embargos de declaração e infringentes será o primeiro teste para Teori Zavascki, que não votou no julgamento, e para o substituto de Ayres Britto, a ser indicado por Dilma Rousseff.
Petit comité O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ofereceu anteontem almoço ao ex-ministro José Dirceu. O encontro, que ocorreu na casa do peemedebista, foi reservado.
Daqui... Após sua condenação consumada, João Paulo Cunha (PT-SP) usou em dezembro R$ 10 mil de sua verba de gabinete para contratar empresa especializada em marketing nas redes sociais.
... não saio A contratação da MPI Digital, que já havia sido usada nos meses que antecederam o julgamento do mensalão, está registrada sob a rubrica "divulgação da atividade parlamentar''.
Pé na porta Do candidato à presidência da Câmara Júlio Delgado (PSB-MG), sobre a eleição de Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos, para o TCU em 2011: "Henrique Alves diz que ajudou a elegê-la, mas o PMDB rifou a candidatura de Átila Lins para despejar votos em Aldo Rebelo".
Sacolinha Roberto Cláudio (PSB) irá hoje ao MEC. O novo prefeito de Fortaleza apelará a Aloizio Mercadante na tentativa de reaver R$ 10 milhões em repasses federais que o município perdeu por falha na prestação de contas.
PowerPoint Dilma deve iniciar na próxima semana rodada de reuniões interministeriais. Cobrará o cumprimento das metas de execução dos programas por pasta. Como ala expressiva da Esplanada estava em férias, ministros anteciparam retorno e correm contra o tempo para preparar os relatórios.
Oremos Ex-secretário de Gilberto Kassab, Marcos Cintra deixou o PSD. O economista, entusiasta do Imposto Único, acertou ontem ingresso no PRB. Assumirá a presidência paulista do partido ligado à Igreja Universal.
Quem paga... Presidentes dos comitês estadual e municipal da Copa, o secretário Júlio Semeghini (Planejamento) e a vice-prefeita Nádia Campeão sentam hoje à mesa pela primeira vez para tratar da agenda conjunta de São Paulo para o Mundial.
... a conta? Além de dissecar os preparativos para a inspeção da Fifa, prevista para o dia 25, os auxiliares de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad discutirão as responsabilidades do governo paulista e da prefeitura sobre o chamado "overlay" (estrutura temporária) do evento, que consumiria R$ 50 milhões.
#tamojunto Dirigentes do Instituto Lula querem negociar com sem-teto que invadiram área no centro paulistano doada para a construção do Memorial da Cidadania. A ideia é contemplar os movimentos sociais de moradia em seção do novo espaço.
com ANDRÉIA SADI e DANIELA LIMA
tiroteio
"A possibilidade da perda de uma vida fulmina a resolução do governo proibindo socorro às vítimas por parte de policiais."
DO DEPUTADO CAMPOS MACHADO (PTB), sobre a determinação da Secretaria de Segurança de São Paulo proibindo a PM de socorrer feridos.
contraponto
Apagão verbal
Em meio à crise no setor energético, jornalistas aguardavam com ansiedade o pronunciamento do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), anteontem, após reunião com representantes do setor em Brasília.
Foi quando a assessoria da pasta decidiu que seriam feitas apenas oito perguntas a Lobão na entrevista coletiva. E resolveu ainda que a escolha seria feita por sorteio. Houve reclamação generalizada. Um dos presentes disse:
- Já foi decretado o racionamento, gente!
Ante a perplexidade de todos, concluiu:
- Calma, por ora, racionamento apenas de perguntas.
Debruçados sobre os elementos que consideram frágeis nos votos dos ministros, advogados de personagens do mensalão finalizam os extensos embargos que protocolarão no STF tão logo seja publicado o acórdão do julgamento, o que deve ocorrer em fevereiro. A defesa de José Genoino questionará as razões pelas quais o deputado petista foi condenado seis vezes por corrupção ativa, enquanto, segundo alega, a acusação sustentou apenas quatro vezes o crime continuado.
Eu avisei Durante o julgamento, o defensor do petista, Luiz Fernando Pacheco, fez a ressalva em memorial endereçado à ministra Rosa Weber, que levantou o tema. O plenário, contudo, consolidou a condenação que ele espera rever, diminuindo a pena, estipulada em seis anos.
Prova dos nove A apreciação dos embargos de declaração e infringentes será o primeiro teste para Teori Zavascki, que não votou no julgamento, e para o substituto de Ayres Britto, a ser indicado por Dilma Rousseff.
Petit comité O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ofereceu anteontem almoço ao ex-ministro José Dirceu. O encontro, que ocorreu na casa do peemedebista, foi reservado.
Daqui... Após sua condenação consumada, João Paulo Cunha (PT-SP) usou em dezembro R$ 10 mil de sua verba de gabinete para contratar empresa especializada em marketing nas redes sociais.
... não saio A contratação da MPI Digital, que já havia sido usada nos meses que antecederam o julgamento do mensalão, está registrada sob a rubrica "divulgação da atividade parlamentar''.
Pé na porta Do candidato à presidência da Câmara Júlio Delgado (PSB-MG), sobre a eleição de Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos, para o TCU em 2011: "Henrique Alves diz que ajudou a elegê-la, mas o PMDB rifou a candidatura de Átila Lins para despejar votos em Aldo Rebelo".
Sacolinha Roberto Cláudio (PSB) irá hoje ao MEC. O novo prefeito de Fortaleza apelará a Aloizio Mercadante na tentativa de reaver R$ 10 milhões em repasses federais que o município perdeu por falha na prestação de contas.
PowerPoint Dilma deve iniciar na próxima semana rodada de reuniões interministeriais. Cobrará o cumprimento das metas de execução dos programas por pasta. Como ala expressiva da Esplanada estava em férias, ministros anteciparam retorno e correm contra o tempo para preparar os relatórios.
Oremos Ex-secretário de Gilberto Kassab, Marcos Cintra deixou o PSD. O economista, entusiasta do Imposto Único, acertou ontem ingresso no PRB. Assumirá a presidência paulista do partido ligado à Igreja Universal.
Quem paga... Presidentes dos comitês estadual e municipal da Copa, o secretário Júlio Semeghini (Planejamento) e a vice-prefeita Nádia Campeão sentam hoje à mesa pela primeira vez para tratar da agenda conjunta de São Paulo para o Mundial.
... a conta? Além de dissecar os preparativos para a inspeção da Fifa, prevista para o dia 25, os auxiliares de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad discutirão as responsabilidades do governo paulista e da prefeitura sobre o chamado "overlay" (estrutura temporária) do evento, que consumiria R$ 50 milhões.
#tamojunto Dirigentes do Instituto Lula querem negociar com sem-teto que invadiram área no centro paulistano doada para a construção do Memorial da Cidadania. A ideia é contemplar os movimentos sociais de moradia em seção do novo espaço.
com ANDRÉIA SADI e DANIELA LIMA
tiroteio
"A possibilidade da perda de uma vida fulmina a resolução do governo proibindo socorro às vítimas por parte de policiais."
DO DEPUTADO CAMPOS MACHADO (PTB), sobre a determinação da Secretaria de Segurança de São Paulo proibindo a PM de socorrer feridos.
contraponto
Apagão verbal
Em meio à crise no setor energético, jornalistas aguardavam com ansiedade o pronunciamento do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), anteontem, após reunião com representantes do setor em Brasília.
Foi quando a assessoria da pasta decidiu que seriam feitas apenas oito perguntas a Lobão na entrevista coletiva. E resolveu ainda que a escolha seria feita por sorteio. Houve reclamação generalizada. Um dos presentes disse:
- Já foi decretado o racionamento, gente!
Ante a perplexidade de todos, concluiu:
- Calma, por ora, racionamento apenas de perguntas.
As arenas de Eduardo - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 11/01
Os sinais que vêm do PSB indicam que o partido levará 2013 a confundir o meio político. E para isso usará várias arenas. A corrida pela Presidência da Câmara dos Deputados será a primeira. “A candidatura de Júlio é a do partido. Não tem mais recuo”. Quem me disse isso ontem foi o vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, ainda em férias no litoral cearense. Será a primeira prova de fogo do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que, pressionado pela sua bancada, deixou Júlio Delgado correr ao ponto de não ter mais como puxar o freio. Agora, se der certo, o presidente do partido colherá os louros. Se der errado, poderá sempre dizer que não queria a candidatura — como, de fato, mencionou nos bastidores no ano passado — mas os deputados insistiram.
A bússola de Eduardo, primeiramente, estava voltada para Henrique Eduardo Alves, do PMDB. Em 2012, ouvia-se em Pernambuco que ele não estimularia a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) porque contou com a discreta ajuda de Henrique Alves para eleger Ana Arraes ministra do Tribunal de Contas da União (TCU). Henrique jamais admitiu essa ajuda porque o PMDB tinha candidato à vaga, o deputado Átila Lins (AM). Mas, no próprio PSB, ouvia-se essa história. Esta semana, Campos, conversou por telefone com Júlio. Ao terminar a chamada, o deputado estava pra lá de estimulado a concorrer contra Henrique Alves. Ontem, por exemplo, esteve com o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e com o governador Beto Richa (PSDB).
Eduardo telefonou para dizer que o tema Presidência da Câmara não entrou no almoço com a presidente Dilma Rousseff e o governador da Bahia, Jaques Wagner. No final da conversa, os dois socialistas tratavam dos ventos da renovação que marcaram as eleições municipais. É essa onda que Delgado e a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) tentam formar entre os seus pares. Juntos, calculam ter algo em torno de 200 votos dos 513. Ainda que Henrique Eduardo Alves saia vitorioso, se conseguirem levar a eleição a um segundo turno terão mostrado que o grupo majoritário do PMDB não reina absoluto na Casa. E enfraquecer o PMDB interessa aos socialistas.
O governador pernambucano tem lutado como um leão para cavar espaços políticos. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, tem feito isso com habilidade ímpar. Como líder do partido, o neto de Miguel Arraes virou ministro de Lula. Saiu para conquistar o governo do estado. Agora, entretanto, percebe que tem um muro a sua frente: a aliança PT-PMDB. Aquela história de vice numa chapa com os petistas — ele mesmo já disse que ninguém é candidato a vice — está ocupada pelo PMDB, ou seja, não é por aí que Campos conseguirá a preferência para concorrer em 2018. E, como a bancada do PSB é pequena, não tem como obter o apoio do governo para conquistar a Presidência da Câmara. Tampouco força suficiente para que os petistas rasguem o acordo com o PMDB, especialmente num cenário econômico desfavorável.
Essas variáveis indicam que Campos bateu no teto de onde pode chegar ao lado do PT, um partido “casado” com o PMDB. Nesse sentido, ou busca outro caminho ou vai, aos poucos, cavando mais espaço. Ou as duas coisas. Na atual fase da política, um PMDB fraco ajuda em qualquer opção, seja uma candidatura solo em 2014, seja a permanência do PSB ao lado de Dilma.
Se o deputado socialista for bem sucedido, ou sair com uma votação expressiva ainda que perca, Eduardo ganha mais pontos e usará parte do tempo de 2013 a discutir o caminho do PSB com os governadores do Espírito Santo, Renato Casagrande, e do Ceará, Cid Gomes, que inclusive anunciou o apoio à presidente Dilma Rousseff. A depender das variáveis econômicas, tentará convencê-los de que o caminho mais seguro é uma candidatura à Presidência que sirva de anteparo para evitar que os partidos descontentes com o governo Dilma, caso do PDT, do PTB e do PR, abracem a candidatura do senador Aécio Neves, do PSDB. Se acertar internamente, buscará os descontentes com Dilma e o PT.
Enquanto isso, na Câmara…
O duro será convencer os peemedebistas de que essa investida do PSB contra o PMDB não conta com um empurrãozinho do Planalto ou do PT, depois do almoço de Campos com Dilma e Wagner na Bahia. Da mesma forma que Eduardo Campos telefonou para Júlio Delgado dizendo que não tratou da sucessão da Câmara, talvez seja a hora de Dilma pegar o telefone e avisar Henrique Alves que não tem nada a ver com isso. Tudo o que ela não precisa, no momento, é o PMDB pintado para guerra. Afinal, chuvas no Rio e reservatórios secando já são problemas suficientes para a largada de 2013.
A preservação da ciência e tecnologia - HELENA NADER
FOLHA DE SP - 11/01
O crescimento salutar do setor de ciência e tecnologia enfrenta ameaças de retrocesso oriundas de interesses político-partidários
O Brasil conta hoje com um complexo constituído por instituições dedicadas ao desenvolvimento científico e tecnológico, que pode ser considerado como modelo para os países da América Latina, onde o país se destaca como maior produtor de trabalhos científicos.
Em pouco mais de seis décadas, fomos capazes de estabelecer um sistema altamente sinérgico, no qual universidades, institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento, agências de fomento, secretarias e ministérios trabalham em conjunto, estabelecem parcerias, interagem com seus congêneres internacionais e produzem conhecimento científico reconhecido internacionalmente.
O elevado grau de organização do sistema possibilitou que o Brasil atingisse a 13ª posição no ranking da produção científica mundial, uma conquista que carrega em si todo o potencial para ser superada, mas que também corre risco de ser derrubada.
Durante os últimos anos, o crescimento salutar do setor de ciência e tecnologia no Brasil tem enfrentado ameaças de retrocesso oriundas, sobretudo, de interesses político-partidários. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), como exemplo, desde sua criação em 1985, já sofreu revezes que o rebaixaram a Secretaria de Estado, ou a fusões com outros ministérios.
O contingenciamento de orçamentos pré-aprovados ou a redução das fontes de financiamento, como os fundos setoriais, também ocorrem com uma frequência perigosa para o setor, que requer planejamento e execução de longo prazo. Portanto, requer visão e ação de política de Estado.
Em todos esses momentos, a comunidade científica brasileira mobilizou-se e, apesar dos obstáculos, tem logrado assistir à preservação da estrutura e à evolução das instituições de pesquisa e das agências de financiamento.
O sistema desenvolveu-se de forma orgânica, evoluiu seguindo as tendências internacionais e as demandas socioeconômicas internas. No pós-guerra, como aconteceu em outros países, a ciência e a tecnologia passaram a integrar definitivamente a agenda governamental, com a criação de instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ambos na década de 1950.
A Capes é uma fundação do Ministério da Educação que se dedica a investir na formação de professores e pesquisadores e na aprovação e avaliação de cursos de pós-graduação stricto sensu. O CNPq, subordinado ao MCTI, desempenha a tarefa de financiar projetos de pesquisa científica e tecnológica, garantir a participação de pesquisadores brasileiros em eventos científicos internacionais, promover a difusão da ciência na sociedade e manter o cadastro atualizado da produção científica nacional por meio da Plataforma Lattes.
Com a criação do programa Ciência sem Fronteiras, que tem possibilitado a ida de centenas de estudantes universitários brasileiros a universidades conceituadas de outros países, a Capes e o CNPq assumiram a missão de administrar esse novo desafio.
A Capes e o CNPq são partes vitais do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Partes que interagem entre si e se complementam. No entanto, nos últimos dois anos, assistimos a uma queda preocupante no orçamento do CNPq, assim como no orçamento global do MCTI. Uma queda que não se justifica, dada a importância das ações desenvolvidas por ambos.
Esperamos que as próximas ações governamentais e político-partidárias não representem nova ameaça à estruturação das bases da ciência e tecnologia, pois sua preservação é essencial para o desenvolvimento sustentável do país.
O crescimento salutar do setor de ciência e tecnologia enfrenta ameaças de retrocesso oriundas de interesses político-partidários
O Brasil conta hoje com um complexo constituído por instituições dedicadas ao desenvolvimento científico e tecnológico, que pode ser considerado como modelo para os países da América Latina, onde o país se destaca como maior produtor de trabalhos científicos.
Em pouco mais de seis décadas, fomos capazes de estabelecer um sistema altamente sinérgico, no qual universidades, institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento, agências de fomento, secretarias e ministérios trabalham em conjunto, estabelecem parcerias, interagem com seus congêneres internacionais e produzem conhecimento científico reconhecido internacionalmente.
O elevado grau de organização do sistema possibilitou que o Brasil atingisse a 13ª posição no ranking da produção científica mundial, uma conquista que carrega em si todo o potencial para ser superada, mas que também corre risco de ser derrubada.
Durante os últimos anos, o crescimento salutar do setor de ciência e tecnologia no Brasil tem enfrentado ameaças de retrocesso oriundas, sobretudo, de interesses político-partidários. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), como exemplo, desde sua criação em 1985, já sofreu revezes que o rebaixaram a Secretaria de Estado, ou a fusões com outros ministérios.
O contingenciamento de orçamentos pré-aprovados ou a redução das fontes de financiamento, como os fundos setoriais, também ocorrem com uma frequência perigosa para o setor, que requer planejamento e execução de longo prazo. Portanto, requer visão e ação de política de Estado.
Em todos esses momentos, a comunidade científica brasileira mobilizou-se e, apesar dos obstáculos, tem logrado assistir à preservação da estrutura e à evolução das instituições de pesquisa e das agências de financiamento.
O sistema desenvolveu-se de forma orgânica, evoluiu seguindo as tendências internacionais e as demandas socioeconômicas internas. No pós-guerra, como aconteceu em outros países, a ciência e a tecnologia passaram a integrar definitivamente a agenda governamental, com a criação de instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ambos na década de 1950.
A Capes é uma fundação do Ministério da Educação que se dedica a investir na formação de professores e pesquisadores e na aprovação e avaliação de cursos de pós-graduação stricto sensu. O CNPq, subordinado ao MCTI, desempenha a tarefa de financiar projetos de pesquisa científica e tecnológica, garantir a participação de pesquisadores brasileiros em eventos científicos internacionais, promover a difusão da ciência na sociedade e manter o cadastro atualizado da produção científica nacional por meio da Plataforma Lattes.
Com a criação do programa Ciência sem Fronteiras, que tem possibilitado a ida de centenas de estudantes universitários brasileiros a universidades conceituadas de outros países, a Capes e o CNPq assumiram a missão de administrar esse novo desafio.
A Capes e o CNPq são partes vitais do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Partes que interagem entre si e se complementam. No entanto, nos últimos dois anos, assistimos a uma queda preocupante no orçamento do CNPq, assim como no orçamento global do MCTI. Uma queda que não se justifica, dada a importância das ações desenvolvidas por ambos.
Esperamos que as próximas ações governamentais e político-partidárias não representem nova ameaça à estruturação das bases da ciência e tecnologia, pois sua preservação é essencial para o desenvolvimento sustentável do país.
Dirceu estrebucha - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 11/01
Mais uma vez o ex-ministro José Dirceu, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão, estrebucha e tenta, a partir de uma declaração do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vender para a opinião pública a ideia de que foi condenado sem provas e que é inocente. Típica manobra política, pois, no campo jurídico, seu comentário não tem a menor importância nem valor para embargos infringentes, que são os únicos recursos que ainda restam a seus advogados. Mesmo assim, só poderá fazê-lo quanto à condenação de formação de quadrilha, onde teve quatro votos absolutórios, mínimo exigido para recorrer. Quanto à corrupção ativa, foi condenado por 8 a 2.
Gurgel, em entrevista à "Folha" voltou a comentar as provas contra Dirceu, que um dia classificou de "torrenciais’,’ e explicou que elas não são diretas. "Em nenhum momento nós apresentamos ele passando recibo sobre uma determinada quantia ou uma ordem escrita dele para que tal pagamento fosse feito ao partido 'X' com a finalidade de angariar apoio ao governo. Nós apresentamos uma prova que evidenciava que ele estava, sim, no topo dessa organização criminosa.” Estava repetindo o que dissera no julgamento, quando apresentou José Dirceu como o homem que detinha o "controle final do fato", o poder de parar a ação ou autorizar sua concretização. Foram apresentadas testemunhas de que ele é quem realmente mandava no PT então, como relembrou Gurgel na entrevista de ontem: depoimentos de políticos que diziam que qualquer acordo feito com Delúbio Soares ou José Genoino só era válido depois que o comunicavam a Dirceu por telefone;a reunião em Lisboa entre a Portugal Telecom, Valério e um representante do PTB que foi organizada por ele; indícios claros da relação de Dirceu com os bancos Rural e BMG, desde encontros com a então presidente do Rural, Kátia Rabello, até o emprego dado à sua ex-mulher no BMG e empréstimo para compra de apartamento.
O então presidente do STF, Ayres Britto, já naquela ocasião rebatendo as críticas, teve o cuidado de explicitar com bastante clareza o método que estava sendo utilizado durante o julgamento:"(...) Prova direta, válida e obtida em juízo. Prova indireta ou indiciária ou circunstancial, colhida em inquéritos policiais, parlamentares e em processos administrativos abertos e concluídos em outros poderes públicos, como Instituto Nacional de Criminalística e o Banco Central da República”^...) "Provas circunstanciais indiretas, porém, conectadas com as provas diretas. Seja como for, provas que foram paulatinamente conectadas, operando o órgão do Ministério Público pelo mais rigoroso método de indução, que não é outro senão o itinerário mental que vai do particular para o geral. Ou do infragmentado para o fragmentado.”
Quando Dirceu foi condenado a dez anos e dez meses, o relator Joaquim Barbosa deixou claro que coube ao petista "selecionar os alvos da propina. Simultaneamente, realizou reuniões com os parlamentares corrompidos e enviou-os a Delúbio e Valério. Viabilizou reuniões com instituições financeiras que proporcionaram as vultosas quantias. Essas mesmas instituições beneficiaram sua ex-esposa.” Barbosa ressaltou que "o acusado era detentor de uma das mais importantes funções da República. Ele conspurcou a função e tomou decisões-chave para sucesso do empreendimento criminoso. A gravidade da prática delituosa foi elevadíssima’! Para o relator, "o crime de corrupção ativa tem como consequência um efeito gravíssimo na democracia. Os motivos, porém, são graves. As provas revelam que o crime foi praticado porque o governo não tinha maioria na Câmara. Ele o fez pela compra de votos de presidentes de legendas de porte médio. São motivos que ferem os princípios republicanos’!
Todos esses argumentos, na época do julgamento, foram registrados aqui na coluna, e não há nenhuma novidade na fala do procurador-geral que justifique uma retomada do assunto. Apenas mais uma tentativa de desqualificar o Supremo Tribunal Federal por parte de um réu condenado.
Mais uma vez o ex-ministro José Dirceu, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão, estrebucha e tenta, a partir de uma declaração do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vender para a opinião pública a ideia de que foi condenado sem provas e que é inocente. Típica manobra política, pois, no campo jurídico, seu comentário não tem a menor importância nem valor para embargos infringentes, que são os únicos recursos que ainda restam a seus advogados. Mesmo assim, só poderá fazê-lo quanto à condenação de formação de quadrilha, onde teve quatro votos absolutórios, mínimo exigido para recorrer. Quanto à corrupção ativa, foi condenado por 8 a 2.
Gurgel, em entrevista à "Folha" voltou a comentar as provas contra Dirceu, que um dia classificou de "torrenciais’,’ e explicou que elas não são diretas. "Em nenhum momento nós apresentamos ele passando recibo sobre uma determinada quantia ou uma ordem escrita dele para que tal pagamento fosse feito ao partido 'X' com a finalidade de angariar apoio ao governo. Nós apresentamos uma prova que evidenciava que ele estava, sim, no topo dessa organização criminosa.” Estava repetindo o que dissera no julgamento, quando apresentou José Dirceu como o homem que detinha o "controle final do fato", o poder de parar a ação ou autorizar sua concretização. Foram apresentadas testemunhas de que ele é quem realmente mandava no PT então, como relembrou Gurgel na entrevista de ontem: depoimentos de políticos que diziam que qualquer acordo feito com Delúbio Soares ou José Genoino só era válido depois que o comunicavam a Dirceu por telefone;a reunião em Lisboa entre a Portugal Telecom, Valério e um representante do PTB que foi organizada por ele; indícios claros da relação de Dirceu com os bancos Rural e BMG, desde encontros com a então presidente do Rural, Kátia Rabello, até o emprego dado à sua ex-mulher no BMG e empréstimo para compra de apartamento.
O então presidente do STF, Ayres Britto, já naquela ocasião rebatendo as críticas, teve o cuidado de explicitar com bastante clareza o método que estava sendo utilizado durante o julgamento:"(...) Prova direta, válida e obtida em juízo. Prova indireta ou indiciária ou circunstancial, colhida em inquéritos policiais, parlamentares e em processos administrativos abertos e concluídos em outros poderes públicos, como Instituto Nacional de Criminalística e o Banco Central da República”^...) "Provas circunstanciais indiretas, porém, conectadas com as provas diretas. Seja como for, provas que foram paulatinamente conectadas, operando o órgão do Ministério Público pelo mais rigoroso método de indução, que não é outro senão o itinerário mental que vai do particular para o geral. Ou do infragmentado para o fragmentado.”
Quando Dirceu foi condenado a dez anos e dez meses, o relator Joaquim Barbosa deixou claro que coube ao petista "selecionar os alvos da propina. Simultaneamente, realizou reuniões com os parlamentares corrompidos e enviou-os a Delúbio e Valério. Viabilizou reuniões com instituições financeiras que proporcionaram as vultosas quantias. Essas mesmas instituições beneficiaram sua ex-esposa.” Barbosa ressaltou que "o acusado era detentor de uma das mais importantes funções da República. Ele conspurcou a função e tomou decisões-chave para sucesso do empreendimento criminoso. A gravidade da prática delituosa foi elevadíssima’! Para o relator, "o crime de corrupção ativa tem como consequência um efeito gravíssimo na democracia. Os motivos, porém, são graves. As provas revelam que o crime foi praticado porque o governo não tinha maioria na Câmara. Ele o fez pela compra de votos de presidentes de legendas de porte médio. São motivos que ferem os princípios republicanos’!
Todos esses argumentos, na época do julgamento, foram registrados aqui na coluna, e não há nenhuma novidade na fala do procurador-geral que justifique uma retomada do assunto. Apenas mais uma tentativa de desqualificar o Supremo Tribunal Federal por parte de um réu condenado.
"Pibão" ou "pibinho", sós, não resolvem - WASHINGTON NOVAES
O ESTADÃO - 11/01
O noticiário das últimas semanas anda prenhe de notícias sobre "mágicas contábeis" outras invenções para fazer o "pibinho" de 2012 se transformar num "pibão" em 2013 e deixar todos os brasileiros contentes - como se crescimento do produto interno bruto (PIB), apenas, significasse avanço e/ou justiça social e o País não continuasse com uma das piores concentrações de renda no mundo, alguns milhões de pessoas vivendo na miséria, cerca de 40 milhões de pessoas em famílias que, para escapar a esse patamar dramático, recebem Bolsa-Família. Também não faltam notícias sobre incentivos fiscais e isenções de impostos para alguns setores alavancarem esse crescimento do PIB - como se esses caminhos, ótimos para fabricantes e consumidores de certos bens (veículos, principalmente), não significassem menos receita para o poder público atender às necessidades da maior parte da população.
Que poderá o crescimento do PIB significar, por exemplo, como solução para os gigantescos problemas das nossas cidades, principalmente das metrópoles? Que quererá dizer no enfrentamento das mudanças climáticas, dos eventos extremos nas cidades impermeabilizadas, na prevenção de desastres desse tipo gerados inclusive pelas ilhas urbanas de calor? Como se traduzirá em descongestionamento das cidades, que certamente enfrentarão mais engarrafamentos com mais veículos, e ainda estimulados por políticas fiscais? E na área da segurança pública, o grande destaque da comunicação de massa? Ou na solução dos inacreditáveis problemas do Legislativo, que deixa se acumularem, sem exame, mais de 3 mil medidas provisórias e vetos presidenciais, como se se tratasse de matérias de nenhuma importância?
Crescimento do PIB, apenas, não leva a soluções para questões dessa ordem. Ainda por ocasião da Rio+20, no final do ano passado, a Universidade da ONU, aliada a outras instituições, apresentou o seu I ndice de Riqueza Inclusiva, no Inclusive Wealth Report - para essas instituições, um caminho mais seguro para enfrentar as grandes
questões que nos aguardam até 2050, como a necessidade de aumento de 50% na produção de alimentos, 45% na de energia, mais 30% na disponibilidade de água. Mas como chegar aí, se os recursos naturais e seus serviços no mundo estão diminuindo? Então, é preciso definir novos caminhos de medição, que inclua três ângulos, social, ambiental e econômico, agregando também índices como alfabetização e mortalidade à equação da renda. Porque, diz o relatório, "progressos na equação econômica total não se traduzem necessariamente em progressos no bem-estar humano; avanços no emprego e renda de pessoas são conseqüências possíveis, mas não automáticas do crescimento econômico".
O "desprezo ao capital natural", diz o texto, é muito grave. Porque sua perda implica, além de bens naturais, segurança ambiental, qualidade de vida, relações sociais, entretenimento, até "aspirações espirituais" - porque aí se inclui, além do capital natural, o capital humano que gera o crescimento econômico. E a perda do capital natural tem conseqüências dramáticas. Numa avaliação que o relatório fez do período 1980-1998, o crescimento econômico espetacular da China caiu para menos de um vigésimo se considerada a perda de capital natural, e não apenas a economia. O do Brasil também, que baixa de mais de 40% para menos de 20%.
Então.já passou da hora de enfrentar, com as novas administrações, a questão de macropolíticas para os grandes aglomerados urbanos, principalmente regiões metropolitanas como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e outras. Entrelaçar as políticas de transporte, segurança, drenagem, desimpermeabilização do solo e tantas outras. E, ao mesmo tempo, cada município ter suas micropolíticas específicas para cada região. Não é possível continuar desprezando estudos como o de professores da Universidade de São Paulo (USP), que propuseram esses caminhos, a divisão da região
metropolitana em dezenas de subprefeituras, com a eleição simultânea em cada uma de conselhos de cidadãos, encarregados de formular os programas, os recursos financeiros, os métodos de fiscalização. A Câmara paulistana criou as subprefeituras e os cargos, não os conselhos.
Mais recentemente, 40 especialistas da USP e 81 técnicos mostraram que a"São Paulo dos sonhos" pode tornar-se realidade, com a destinação, até 2040, de R$ 314 bilhões para as áreas de transportes coletivos, habitação, despoluição de rios, etc. Por que não? Por que insistir em ações isoladas? Um exemplo é a despoluição do Rio Tietê, onde já se gastaram bilhões de reais e tudo tem de recomeçar - mas não resolverá se não incluir áreas de nascentes e cabeceiras de rios, fora do Município; ou as dezenas de afluentes do Tietê sob o solo asfaltado carreando sedimentos desde a origem, sem que se julgue possível fazer qualquer intervenção sob o asfalto.
Da mesma forma, não se resolverá o problema de chuvas torrenciais e inundações urbanas sem enfrentar o problema das "ilhas de calor", que as atraem. Há anos, especialistas em clima já mostraram que o Município de São Paulo ainda tem um terço de sua área coberto pela biodiversidade - na Serra do Mar, na Cantareira. Mas são áreas isoladas, onde a temperatura fica até mais de 5 graus Celsius abaixo da temperatura registrada nas áreas de maior ocupação industrial e maior trânsito - como a Mooca, por exemplo (já se registraram diferenças de até mais de 10 graus). E essas ilhas de calor atraem os "eventos extremos" - com a agravante de que ali chove mais durante a semana e menos nos fins de semana; nas áreas de biodiversidade e nascentes acontece o contrário.
Então, já passou da hora de conceber estratégias em que o PIB esteja presente, mas não seja a panaceia - insuficiente e ineficaz, no final.
P. S. - No artigo da semana passada escrevi que o poeta e psicanalista Hélio Pellegrino morreu em 1985, quando o correto é 1988. Peço desculpas.
Guerras secretas - RASHEED ABOUALSAMH
O GLOBO - 11/01
Com Johnn Brennan chefiando a CIA, vamos assistir à multiplicação dos assassinatos por controle remoto
Os Estados Unidos estão conduzindo uma guerra escondida contra militantes islâmicos usando aviões armados de pequeno porte, teleguiados e sem pilotos, chamado de drones em inglês, para matar pessoas que eles suspeitam de conspirar contra os EUA.
Adotada pela administração de George W. Bush em 2004, após os ataques da al-Qaeda de 11 de setembro de 2001, em Nova York, a frota cresceu rapidamente em numero depois que Barack Obama foi eleito presidente em 2008. Esse programa de assassinatos planejados não foi publicamente reconhecido, e é controlado pela Central de Inteligência Americana, a CIA.
Por ser controlado por um dos braços clandestinos do governo americano, esse programa de assassinatos à longa distancia nunca teve muita publicidade, e tem se desenrolado num clima de sigilo e muita fumaça. Por isso, a tarefa de seguir o numero de ataques de drones pelos EUA no Afeganistão, no Iêmen e na Somália, e os números de vitimas, ficou a cargo de jornalistas independentes nos EUA e Inglaterra.
Conforme o site americano The Long War Journal, de 2002 até 2012 foram lançados 57 ataques aéreos contra alvos no Iêmen, matando 299 militantes e 82 civis. Mas o campeão em números absolutos foi o Paquistão, por causa da ocupação do vizinho Afeganistão por tropas americanas e europeias desde 2002, que viu 331 ataques aéreos americanos de 2004 ate o dia 9 de janeiro 2013.
As mortes no Paquistão também foram surpreendentes: 2.474 militantes do Talibã ou al-Qaeda e 153 civis, de 2006 até janeiro de 2013, segundo estima o Long War Journal. Na maioria das vezes, nos ataques contra alvos no Paquistão, os americanos defenderam suas ações como preventivas, alegando que esses militantes estavam planejando ataques contra tropas americanas no Afeganistão.
No Iêmen os ataques americanos foram dirigidos contra membros da al-Qaeda da Península Árabe, sediada naquele país, e que tem planejado ataques contra alvos americanos, como o do nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que ia explodir um voo para Detroit, nos EUA, no Natal de 2009, e um complô de mandar bombas para os EUA escondidas em pacotes em 2010.
O problema é que nenhum dos acusados tem a chance de se defender, como poderia fazer num tribunal de justiça. Ha também o fato de inocentes serem mortos. O mísseis são lançados, deve-se notar, por operadores americanos a milhares de quilômetros de distância, vendo o alvo do ataque por câmeras fixadas nos drones, que mandam de volta imagens nem sempre nítidas.
O site britânico Bureau of Investigative Journalism e o jornal “Sunday Times” fizeram uma reportagem conjunta em 2012 em que concluíram que a CIA estava deliberadamente alvejando equipes de resgate e funerais de vítimas de ataques prévios americanos, com novos mísseis lançados por drones no Paquistão. Relataram que entre 282 e 535 civis foram mortos por drones nos primeiros três anos do primeiro mandato de Obama, incluindo mais de 60 crianças. Depois de uma investigação de três meses, também concluíram que pelo menos 50 civis foram mortos quando ajudavam vítimas de um ataque.
No Iêmen, Obama enfrentou críticas duras depois de autorizar um ataque de drone em setembro 2011 que matou o cidadão americano Anwar al-Awlaki considerado terrorista da al-Qaeda. Foi a primeira vez que um presidente americano admitiu publicamente que tinha autorizado o assassinato de outro cidadão americano, sem dar a ele a chance de se defender num tribunal.
Duas semanas depois, o filho de 16 anos de Anwar, Abdulrahman, também um cidadão americano, foi morto por um míssil americano no Iêmen. Em dezembro 2012, Christiane Amanpour, da rede CNN, entrevistou o avô do garoto, Nasser al-Awlaki, que perguntou: “Por que mataram meu neto, um garoto inocente que somente estava procurando seu pai?”
No Paquistão, os ataques dos drones têm gerado muita raiva contra os EUA entre a população em geral e dirigentes do governo, que sentem que sua soberania está sendo violada. Não surpreendente, uma sondagem de opinião pública no Paquistão revelou que 83% dos paquistaneses não gostam dos EUA. Nos EUA, outra sondagem revelou que mais de 80% dos americanos apoiam os ataques de drones.
A causa desse apoio popular americano se deve em parte a John Brennan, o atual candidato de Obama para chefiar a CIA, e o idealizador do aumento de uso de drones na guerra contra o terror desde o inicio do primeiro mandato de Obama. Até o ano passado, segundo o Bureau of Investigative Journalism, Brennan insistia que não havia nenhuma morte de civis inocentes em ataques de drones. Isso se devia ao fato que o governo americano considera como combatente inimigo qualquer homem de idade apta para o servico militar (15 a 60 anos) que esteja numa zona de ataque — e assim um alvo legítimo. Lógica arrogante e falsa.
O apoio doméstico a esse programa de assassinato à distância é talvez compreensível tendo em conta o choque que americanos sentiram depois dos ataques de 11 de setembro. Mas será que eles realmente apoiariam esses assassinatos se soubessem dos inocentes civis mortos, considerados como “danos colaterais”? O Conselho de Direitos Humanos da ONU pensa diferente, e já disse que vai investigar a morte de civis por drones americanos.
Os EUA continuam sendo um superpoder que acha que pode ir atrás de terroristas em qualquer lugar do mundo, mesmo fora de campos de batalha, e matá-los. O problema com isso é que tira o direito de um acusado se defender, e mata inocentes. Isso pode dar satisfação momentânea aos americanos, mas no longo prazo vai gerar mais ódio contra os Estados Unidos. Lamentavelmente, com Brennan chefiando a CIA, vamos ver ainda muito mais mortes por drones americanos.
Com Johnn Brennan chefiando a CIA, vamos assistir à multiplicação dos assassinatos por controle remoto
Os Estados Unidos estão conduzindo uma guerra escondida contra militantes islâmicos usando aviões armados de pequeno porte, teleguiados e sem pilotos, chamado de drones em inglês, para matar pessoas que eles suspeitam de conspirar contra os EUA.
Adotada pela administração de George W. Bush em 2004, após os ataques da al-Qaeda de 11 de setembro de 2001, em Nova York, a frota cresceu rapidamente em numero depois que Barack Obama foi eleito presidente em 2008. Esse programa de assassinatos planejados não foi publicamente reconhecido, e é controlado pela Central de Inteligência Americana, a CIA.
Por ser controlado por um dos braços clandestinos do governo americano, esse programa de assassinatos à longa distancia nunca teve muita publicidade, e tem se desenrolado num clima de sigilo e muita fumaça. Por isso, a tarefa de seguir o numero de ataques de drones pelos EUA no Afeganistão, no Iêmen e na Somália, e os números de vitimas, ficou a cargo de jornalistas independentes nos EUA e Inglaterra.
Conforme o site americano The Long War Journal, de 2002 até 2012 foram lançados 57 ataques aéreos contra alvos no Iêmen, matando 299 militantes e 82 civis. Mas o campeão em números absolutos foi o Paquistão, por causa da ocupação do vizinho Afeganistão por tropas americanas e europeias desde 2002, que viu 331 ataques aéreos americanos de 2004 ate o dia 9 de janeiro 2013.
As mortes no Paquistão também foram surpreendentes: 2.474 militantes do Talibã ou al-Qaeda e 153 civis, de 2006 até janeiro de 2013, segundo estima o Long War Journal. Na maioria das vezes, nos ataques contra alvos no Paquistão, os americanos defenderam suas ações como preventivas, alegando que esses militantes estavam planejando ataques contra tropas americanas no Afeganistão.
No Iêmen os ataques americanos foram dirigidos contra membros da al-Qaeda da Península Árabe, sediada naquele país, e que tem planejado ataques contra alvos americanos, como o do nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que ia explodir um voo para Detroit, nos EUA, no Natal de 2009, e um complô de mandar bombas para os EUA escondidas em pacotes em 2010.
O problema é que nenhum dos acusados tem a chance de se defender, como poderia fazer num tribunal de justiça. Ha também o fato de inocentes serem mortos. O mísseis são lançados, deve-se notar, por operadores americanos a milhares de quilômetros de distância, vendo o alvo do ataque por câmeras fixadas nos drones, que mandam de volta imagens nem sempre nítidas.
O site britânico Bureau of Investigative Journalism e o jornal “Sunday Times” fizeram uma reportagem conjunta em 2012 em que concluíram que a CIA estava deliberadamente alvejando equipes de resgate e funerais de vítimas de ataques prévios americanos, com novos mísseis lançados por drones no Paquistão. Relataram que entre 282 e 535 civis foram mortos por drones nos primeiros três anos do primeiro mandato de Obama, incluindo mais de 60 crianças. Depois de uma investigação de três meses, também concluíram que pelo menos 50 civis foram mortos quando ajudavam vítimas de um ataque.
No Iêmen, Obama enfrentou críticas duras depois de autorizar um ataque de drone em setembro 2011 que matou o cidadão americano Anwar al-Awlaki considerado terrorista da al-Qaeda. Foi a primeira vez que um presidente americano admitiu publicamente que tinha autorizado o assassinato de outro cidadão americano, sem dar a ele a chance de se defender num tribunal.
Duas semanas depois, o filho de 16 anos de Anwar, Abdulrahman, também um cidadão americano, foi morto por um míssil americano no Iêmen. Em dezembro 2012, Christiane Amanpour, da rede CNN, entrevistou o avô do garoto, Nasser al-Awlaki, que perguntou: “Por que mataram meu neto, um garoto inocente que somente estava procurando seu pai?”
No Paquistão, os ataques dos drones têm gerado muita raiva contra os EUA entre a população em geral e dirigentes do governo, que sentem que sua soberania está sendo violada. Não surpreendente, uma sondagem de opinião pública no Paquistão revelou que 83% dos paquistaneses não gostam dos EUA. Nos EUA, outra sondagem revelou que mais de 80% dos americanos apoiam os ataques de drones.
A causa desse apoio popular americano se deve em parte a John Brennan, o atual candidato de Obama para chefiar a CIA, e o idealizador do aumento de uso de drones na guerra contra o terror desde o inicio do primeiro mandato de Obama. Até o ano passado, segundo o Bureau of Investigative Journalism, Brennan insistia que não havia nenhuma morte de civis inocentes em ataques de drones. Isso se devia ao fato que o governo americano considera como combatente inimigo qualquer homem de idade apta para o servico militar (15 a 60 anos) que esteja numa zona de ataque — e assim um alvo legítimo. Lógica arrogante e falsa.
O apoio doméstico a esse programa de assassinato à distância é talvez compreensível tendo em conta o choque que americanos sentiram depois dos ataques de 11 de setembro. Mas será que eles realmente apoiariam esses assassinatos se soubessem dos inocentes civis mortos, considerados como “danos colaterais”? O Conselho de Direitos Humanos da ONU pensa diferente, e já disse que vai investigar a morte de civis por drones americanos.
Os EUA continuam sendo um superpoder que acha que pode ir atrás de terroristas em qualquer lugar do mundo, mesmo fora de campos de batalha, e matá-los. O problema com isso é que tira o direito de um acusado se defender, e mata inocentes. Isso pode dar satisfação momentânea aos americanos, mas no longo prazo vai gerar mais ódio contra os Estados Unidos. Lamentavelmente, com Brennan chefiando a CIA, vamos ver ainda muito mais mortes por drones americanos.
Passou da conta - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 11/01
A inflação de 2012 ultrapassou as expectativas mais pessimistas. Foi de 5,84%, nível acima das projeções do Banco Central - organismo encarregado de empurrar a inflação para dentro da meta de 4,5%, com mais dois pontos porcentuais de tolerância.
Os números de dezembro também decepcionaram: inflação de 0,79%. Mais preocupante do que o tamanho da estocada é a maneira como a alta se espalha. Nada menos que 70,7% dos itens que compõem a cesta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acusaram aumento de preços em dezembro. É uma situação clara de demanda mais forte do que a oferta de bens e serviços na economia. Nessas condições, o ajuste se dá por meio da aceleração de preços.
Ao longo de todo o ano passado, o Banco Central prometeu inflação mais baixa: 4,4%, em março; 4,7%, em junho; 5,2%, em setembro; e 5,7%, em dezembro. Contava com mais empenho do governo na administração das contas públicas. Também durante todo o ano de 2012, o Banco Central avisou que um dos principais pressupostos para o controle dos preços num cenário de juros básicos (Selic) bem mais baixos seria o cumprimento da meta de austeridade orçamentária, de superávit primário (de 3,1% do PIB). No entanto, agora se sabe, provavelmente o governo não terá observado nem um superávit de 2,5% do PIB. (Superávit primário é o pedaço da arrecadação separado para pagar a dívida.)
Tudo se passou como se a presidente Dilma Rousseff tivesse convocado o Banco Central para a derrubada dos juros: "Pode saltar daí de cima que garanto a rede de proteção fiscal aqui embaixo". O Banco Central cumpriu a sua parte. Mas, depois do mergulho, não encontrou o equipamento combinado... e sofreu importantes escoriações.
Não foram convincentes as declarações feitas ontem, logo após a divulgação dos números oficiais, pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Em vez de reconhecer que o governo (e não só o Banco Central) falhou na entrega dos resultados a que se comprometera, preferiu dizer que, afinal, a inflação do último ano ficou abaixo do teto da meta e foi inferior à de 2011.
Tombini insistiu, ainda, em que a inflação manterá sua trajetória declinante em 2013 - mesmo sabendo que, desta vez, o governo não garante o cumprimento do superávit primário (cheio) de 3,1% do PIB; e que terá de enfrentar o custo crescente da mão de obra, a redução das renúncias tributárias (queda de impostos sobre veículos e aparelhos domésticos, por exemplo) e nova deterioração das expectativas.
Independentemente de tudo isso, três coisas estão claras: (1) quem, em última análise, comanda a política monetária (política de juros) é a presidente Dilma, não o Banco Central; (2) a atual prioridade do governo é garantir mais crescimento econômico e não o bom comportamento da inflação: e (3) apenas um descarrilamento dos preços levará o governo a puxar pelos juros.
Ficam duas dúvidas. A primeira é até que ponto o governo acionará as tais medidas macroprudenciais (maiores exigências na área do crédito, por exemplo) para compensar as deficiências das duas políticas de controle dos preços - monetária e fiscal. A segunda dúvida está em saber qual será o reajuste dos combustíveis que o governo está disposto a autorizar em 2013.
Apagão de competência - ROBERTO FREIRE
BRASIL ECONÔMICO - 11/01
Dias depois de a presidente Dilma Rousseff qualificar como "ridícula" a possibilidade do Brasil enfrentar um racionamento de energia, em mais uma das bravatas típicas da gestão petista, o apagão no setor elétrico está na ordem do dia. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico mostram que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional são muito próximos aos registrados em 2000 e 2001, quando houve o racionamento. No domingo, por exemplo, os reservatórios estavam com 28,54% da capacidade nas bacias do Sudeste e do Centro-Oeste (regiões que produzem 70% da energia do país), ante 28,86% de dezembro. O índice atual é apenas meio ponto percentual acima da curva de aversão ao risco, de 28%.No fim de 2000, pouco antes do racionamento, o nível das bacias era praticamente igual ao registrado hoje. No Nordeste, o panorama não é menos preocupante. Os reservatórios da região fecharam 2012 em 32,2%, abaixo do limite mínimo de segurança para o abastecimento do mercado (34%).
A incompetência do governo do PT é tanta que, ironicamente, o crescimento raquítico do PIB em 2012, de 1%, fez com que a situação atual não fosse ainda mais grave. Se as previsões do ministro da Fazenda, Guido Mantega, tivessem se confirmado e a economia brasileira apresentasse expansão de 4%, o consumo da indústria seria bem mais expressivo e haveria um enorme risco de falta de energia imediatamente. Como o governo Dilma não tem capacidade gerencial para enfrentar o problema, o jeito é apelar a São Pedro, mesmo para aqueles que não acreditam em deuses e santos, e torcer para que as chuvas de verão deem uma ajudinha. Entretanto, a previsão para as próximas semanas não é alvissareira: o volume de água estimado para cair sobre os rios do Sudeste e do Centro-Oeste é de 72% da média histórica, com 57% para a região Norte e 31% no Nordeste.
A promessa da presidente de reduzir em 20% a tarifa de energia também não deve ser cumprida graças à inoperância do governo do PT. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia (Abradee), em outubro e novembro o país gastou R$ 1,3 bilhão para manter a operação das térmicas, o que significa um impacto de 1% ao mês nas tarifas do consumidor. O acionamento das térmicas por um tempo maior poderá aumentar a conta de energia paga pelo cidadão em até 14%. Os brasileiros continuam pagando caro pela falta de planejamento dos governos Lula e Dilma, cujos resultados mais visíveis são o sucateamento da infraestrutura e os apagões em setores cruciais como o elétrico.
Vale lembrar que, além da estagnação econômica na atual gestão, o Brasil cresceu menos do que poderia durante os oito anos sob Lula, com índices medíocres se comparados aos Brics e demais países da América do Sul. A exceção é 2010, quando o PIB teve forte expansão, mas em comparação a uma base deprimida, pois em 2009 houve retração em meio à crise financeira internacional.
Enquanto Dilma ironiza a hipótese de racionamento, a população se assusta. Se ainda não estamos completamente às escuras, é inegável que o Brasil vem sofrendo, há pelo menos uma década, com um escandaloso apagão de competência no governo federal.
Voo de tucano ou de galinha? - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 11/01
BRASÍLIA - Se Dilma Rousseff está debaixo de críticas e de problemas na economia, começou o ano pré-eleitoral bem melhor na política do que a oposição.
Enquanto ela se reunia na Bahia com Eduardo Campos para consolidar a união da sua base aliada, segurando o PSB e ratificando o PMDB, a oposição está aos cacos, e o PSDB, sob ataque especulativo.
Além de a cúpula do DEM se reunir na mesma Bahia e acertar que não "vai correr o risco dos outros" -ou seja, não quer afundar na canoa tucana-, o PSDB pode perder quadros para o novo partido de Marina Silva e o casamento entre José Serra e Aécio Neves está por um fio. Não cabem os dois tucanos no mesmo poleiro.
Criar um novo partido é um velho sonho de Serra, que desmentiu por desmentir quando publicamos essa notícia há alguns anos na Folha. O problema é para onde correr. Ruim no PSDB, pior sem ele.
Quem topa uma aventura partidária com Serra? Dá tempo para ter tudo pronto em outubro de 2014? E os 44% de votos em 2010 foram dele, do PSDB ou em boa parte de quem simplesmente não queria o PT? E o plano B? O PPS dá para o gasto?
O ambiente ainda é nebuloso e daqui às eleições há uma eternidade política, mas as pesquisas iluminam claramente a reeleição de Dilma ou a volta de Lula, e não é rachados, sem o apoio praticamente incondicional do DEM e ameaçados de perder aliados para Marina, que Aécio e Serra vão reverter a expectativa. Ao contrário.
O PIB baixo, os jeitinhos contábeis, as críticas ao estilo Dilma e as incertezas na vital e emblemática área de energia contam contra Dilma, mas ela tem o que mostrar. E os adversários? Vão buscar FHC de 15, 17 anos atrás?
A oposição tropeça na política e desaba na incapacidade de contrapor qualquer coisa convincente ao que está aí. De Dilma, há o que debater e criticar, para o bem e para o mal. Dos opositores, nem isso. Aliás, nem se sabe quem exatamente são.
BRASÍLIA - Se Dilma Rousseff está debaixo de críticas e de problemas na economia, começou o ano pré-eleitoral bem melhor na política do que a oposição.
Enquanto ela se reunia na Bahia com Eduardo Campos para consolidar a união da sua base aliada, segurando o PSB e ratificando o PMDB, a oposição está aos cacos, e o PSDB, sob ataque especulativo.
Além de a cúpula do DEM se reunir na mesma Bahia e acertar que não "vai correr o risco dos outros" -ou seja, não quer afundar na canoa tucana-, o PSDB pode perder quadros para o novo partido de Marina Silva e o casamento entre José Serra e Aécio Neves está por um fio. Não cabem os dois tucanos no mesmo poleiro.
Criar um novo partido é um velho sonho de Serra, que desmentiu por desmentir quando publicamos essa notícia há alguns anos na Folha. O problema é para onde correr. Ruim no PSDB, pior sem ele.
Quem topa uma aventura partidária com Serra? Dá tempo para ter tudo pronto em outubro de 2014? E os 44% de votos em 2010 foram dele, do PSDB ou em boa parte de quem simplesmente não queria o PT? E o plano B? O PPS dá para o gasto?
O ambiente ainda é nebuloso e daqui às eleições há uma eternidade política, mas as pesquisas iluminam claramente a reeleição de Dilma ou a volta de Lula, e não é rachados, sem o apoio praticamente incondicional do DEM e ameaçados de perder aliados para Marina, que Aécio e Serra vão reverter a expectativa. Ao contrário.
O PIB baixo, os jeitinhos contábeis, as críticas ao estilo Dilma e as incertezas na vital e emblemática área de energia contam contra Dilma, mas ela tem o que mostrar. E os adversários? Vão buscar FHC de 15, 17 anos atrás?
A oposição tropeça na política e desaba na incapacidade de contrapor qualquer coisa convincente ao que está aí. De Dilma, há o que debater e criticar, para o bem e para o mal. Dos opositores, nem isso. Aliás, nem se sabe quem exatamente são.
Saudades de 2012 - ANA LUIZA ARCHER E ALTAMIR TOJAL
O GLOBO - 11/01
O Brasil colecionou importantes vitórias para a democracia no ano passado. Houve o reconhecimento dos poderes do Conselho Nacional de Justiça para fiscalizar o Judiciário, a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a vigência da Lei do Acesso à Informação e o julgamento do Mensalão. Houve também frustrações como a pizza do Cachoeira, a desmontagem da Comissão de Ética da Presidência e a crescente submissão do Congresso Nacional ao Executivo.
As vitórias de 2012 tiveram o empurrão dos brasileiros que fizeram a diferença atuando nas redes sociais e nas ruas, denunciando a relação direta da corrupção com a injustiça social, a degradação dos serviços públicos e a ameaça à democracia. Mas o bom resultado para a cidadania acuou personagens poderosos. A aliança de oligarquias conservadoras, políticos corruptos, empresários desonestos e mentes totalitárias não tem interesse na justiça e na democracia. É uma máquina gigantesca apoiada pela propaganda e pelo silêncio e cumplicidade de beneficiários de verbas, patrocínios e bolsas.
Com exceção de setores da imprensa, da Justiça e do Ministério Público, tudo parece dominado por esse sistema de poder. A visão crítica na sociedade foi enfraquecida e aumentou a desconfiança pela política. A corrupção tem efeito devastador: quanto mais cresce, mais desencanta o eleitor e enfraquece a cidadania.
O ano de 2013 começa com José Genoino, condenado pelo Supremo, assumindo vaga de deputado e xingando jornalistas de "torturadores modernos’! Se o ex-presidente do PT está sendo torturado é por sua própria consciência. Chega também a notícia de que Renan Calheiros volta à presidência do Senado. Escárnio! Há a "ameaça" de condenados do Mensalão e acusados do Rosegate de desmoralizar o STF e impor o controle da mídia, que em bom português quer dizer censura à imprensa. E está na agenda do Congresso Nacional a PEC 37, ou Lei da Impunidade, que retira do Ministério Público o poder de investigar.
É preciso consolidar as vitórias de 2012 e evitar retrocessos. Hoje predomina no país um forte sentimento de repulsa à corrupção e à impunidade, mas ainda é grande o ceticismo quanto danças nessa realidade. Mesmo o cumprimento das sentenças do Mensalão parece quimera.
No ano novo dos nossos sonhos, Genoino e os outros deputados mensaleiros renunciarão aos mandatos. O Senado não aceitará a volta de Calheiros. As penas do Mensalão serão cumpridas. A presidente Dilma fará faxina de auxiliares corruptos antes de os escândalos serem publicados na imprensa. E indicará um novo ministro para o Supremo tão independente como Joaquim Barbosa. O PT fará autocrítica e abandonará projetos totalitários, como o controle da mídia. E o Congresso derrubará a Lei da Impunidade.
O jogo ficou mais pesado. Campanhas na internet e ações nas ruas ajudam, mas não bastam. Vemos, neste começo de 2013, apostas da oposição no enfraquecimento da economia e na divisão do campo político no poder, com vistas à eleição de 2014. Mas não vemos políticos e entidades importantes mobilizando a população para a defesa da democracia. Sem isso, corremos o risco de ter saudade do ano velho.
O Brasil colecionou importantes vitórias para a democracia no ano passado. Houve o reconhecimento dos poderes do Conselho Nacional de Justiça para fiscalizar o Judiciário, a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a vigência da Lei do Acesso à Informação e o julgamento do Mensalão. Houve também frustrações como a pizza do Cachoeira, a desmontagem da Comissão de Ética da Presidência e a crescente submissão do Congresso Nacional ao Executivo.
As vitórias de 2012 tiveram o empurrão dos brasileiros que fizeram a diferença atuando nas redes sociais e nas ruas, denunciando a relação direta da corrupção com a injustiça social, a degradação dos serviços públicos e a ameaça à democracia. Mas o bom resultado para a cidadania acuou personagens poderosos. A aliança de oligarquias conservadoras, políticos corruptos, empresários desonestos e mentes totalitárias não tem interesse na justiça e na democracia. É uma máquina gigantesca apoiada pela propaganda e pelo silêncio e cumplicidade de beneficiários de verbas, patrocínios e bolsas.
Com exceção de setores da imprensa, da Justiça e do Ministério Público, tudo parece dominado por esse sistema de poder. A visão crítica na sociedade foi enfraquecida e aumentou a desconfiança pela política. A corrupção tem efeito devastador: quanto mais cresce, mais desencanta o eleitor e enfraquece a cidadania.
O ano de 2013 começa com José Genoino, condenado pelo Supremo, assumindo vaga de deputado e xingando jornalistas de "torturadores modernos’! Se o ex-presidente do PT está sendo torturado é por sua própria consciência. Chega também a notícia de que Renan Calheiros volta à presidência do Senado. Escárnio! Há a "ameaça" de condenados do Mensalão e acusados do Rosegate de desmoralizar o STF e impor o controle da mídia, que em bom português quer dizer censura à imprensa. E está na agenda do Congresso Nacional a PEC 37, ou Lei da Impunidade, que retira do Ministério Público o poder de investigar.
É preciso consolidar as vitórias de 2012 e evitar retrocessos. Hoje predomina no país um forte sentimento de repulsa à corrupção e à impunidade, mas ainda é grande o ceticismo quanto danças nessa realidade. Mesmo o cumprimento das sentenças do Mensalão parece quimera.
No ano novo dos nossos sonhos, Genoino e os outros deputados mensaleiros renunciarão aos mandatos. O Senado não aceitará a volta de Calheiros. As penas do Mensalão serão cumpridas. A presidente Dilma fará faxina de auxiliares corruptos antes de os escândalos serem publicados na imprensa. E indicará um novo ministro para o Supremo tão independente como Joaquim Barbosa. O PT fará autocrítica e abandonará projetos totalitários, como o controle da mídia. E o Congresso derrubará a Lei da Impunidade.
O jogo ficou mais pesado. Campanhas na internet e ações nas ruas ajudam, mas não bastam. Vemos, neste começo de 2013, apostas da oposição no enfraquecimento da economia e na divisão do campo político no poder, com vistas à eleição de 2014. Mas não vemos políticos e entidades importantes mobilizando a população para a defesa da democracia. Sem isso, corremos o risco de ter saudade do ano velho.
Sugestões para as agências reguladoras - PAULO GODOY
O ESTADÃO - 11/01
O Brasil passa por um momento extremamente importante, no qual há necessidade e perspectiva de aceleração nos investimentos em infraestrutura. Essa jornada exigirá eficiência das agências reguladoras do setor, já que elas detêm competências essenciais, como conduzir processos de aperfeiçoamentos regulatórios e de concessão.
Os casos mais recentes - a prorrogação antecipada dos contratos de concessão de eletricidade mediante redução das tarifas, novas normas de competição e de melhoria da qualidade nas telecomunicações e os programas de investimentos em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias - deixam claro o quanto é importante haver no Brasil entes reguladores independentes, autônomos, eficientes e transparentes, com capacidade de agir de forma equilibrada diante das transformações por que o País passa na economia.
O Brasil tem uma história relativamente recente com as agências reguladoras independentes. Por aqui elas funcionam desde o fim dos anos 1990, quando o Estado brasileiro começou a eliminar monopólios estatais longevos e ineficientes nos setores de infraestrutura e permitiu o retorno do capital privado para investir, operar e manter ativos e serviços. As agências reguladoras também acabaram forçando a melhoria na gestão das empresas estatais, que agora convivem num ambiente competitivo com as companhias privadas.
As agências, entre outras responsabilidades, têm de arbitrar conflitos e decidir diversos assuntos considerando os direitos e deveres de três partes envolvidas na prestação de um serviço regulado: empresas, poder concedente e consumidores. Por isso precisam estar estruturadas, com técnicos em quantidade suficiente, treinamento atualizado e condições adequadas para regular fiscalizar e arbitrar. Orçamento, processos adequados e governança são pilares essenciais.
Algumas melhorias foram feitas nos anos recentes, como a instituição de agendas regulató- rias (pelas quais as agências indicam assuntos que serão alvo da atenção do regulador) e da análise de impacto regulatório (pela qual o regulador tenta antecipar reflexos das decisões para reduzir possíveis conseqüências negativas). Considerando o cená- rioem que as agências reguladoras se inserem, os desafios que estão diante delas e os avanços instituídos nos últimos anos, ainda há espaço para alguns aperfeiçoamentos. Três podem ser considerados.
Critáios objetivos para qualificação dos diretores. As agências reguladoras precisam contar com corpo diretivo com elevadas qualificações. No entanto, as normas atuais que regem a qualificação de executivos para compor as diretorias não trazem critérios objetivos de seleção. Ao avaliar leis, decretos e resoluções que disciplinam as nomeações, consta apenas que os candidatos precisam ser brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e "elevado conceito no campo de sua especialidade". Fica claro que há espaço para a adoção de critérios de qualificação mais objetivos, como período comprovado de experiência no setor de atuação da agência, qual é a área de qualificação acadêmica necessária e se o cargo exige complemento de pós-graduação, entre outros.
Equilíbrio na composição das diretorias. Atualmente, os integrantes das diretorias das agências reguladoras são indicados pelo Poder Executivo e, posteriormente, sabatinados e aprovados pelo Congresso Nacional. Seria salutar que as indicações pudessem ser feitas também por representantes dos agentes de mercado e dos usuários, respeitando critérios de qualificação objetivos. Dessa forma as diretorias contariam com integrantes oriundos de indicações das três partes envolvidas - usuário (ou consumidor), poder concedente (ou governos) e agentes econômicos (ou concessionários) - para reforçar o caráter de independência e transparência na tomada de decisões. Esse tipo de composição já se verifica em outras instituições públicas com perfis técnicos similares. No setor elétrico, diretorias ou conselhos do Operador Nacional do Sistema (ONS) e da Câmara de Compen- sação de energia elétrica (CCEE) são formados por profissionais indicados pelos diferentes grupos envolvidos.
Mecanismos para evitar vacâncias excessivas na diretoria. Entre o término do mandado de um diretor e o início do mandado do substituto, muitas vezes o tempo é enorme. Diretorias incompletas podem resultar em excesso de trabalho para os diretores remanescentes, em atraso na tomada de decisão de processos importantes ou em menor apuro nas análises e nos julgamentos. A vacância nas diretorias das agências reguladoras de infraestrutura já foi muito maior no passado, foi reduzida nos anos mais recentes.mas ainda assim é indesejável. Em algumas agências a regra até prevê mecanismos para minimizar o problema - como promover temporariamente algum profissional das superintendências ou de outros escalões -, mas é certo que o legislador pode corrigir tais falhas com algum mecanismo mais eficiente.
Essas sugestões visam somente a conferir mais eficiência e transparência aos processos e decisões das agências reguladoras num momento em que o Brasil vive a perspectiva de aumentar os investimentos em infraestrutura, o que demandará mais ações regulatórias, fiscalizadoras e gerenciais dessas instituições. Com diretorias mais equilibradas, completas e formadas por profissionais cada vez mais capacitados, há uma tendência natural de esses órgãos funcionarem com mais apuro e eficácia.
Mais de 15 anos depois do surgimento das primeiras agências reguladoras nos setores de infraestrutura no Brasil, seria importante avaliar, de forma criteriosa e sem ideologia, alguns aspectos do seu funcionamento. As agências, já bastante demandadas, tendem a ser ainda mais exigidas conforme os investimentos e a economia do País crescem.
Apenas uma fração - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 11/01
Procurador-geral afirma que esquema do mensalão era muito mais amplo e que a denúncia incluiu somente o que era possível provar
Foram 53 sessões ao longo de quatro meses. Mais de 250 horas de julgamento. Um processo que acumulou pelo menos 50 mil páginas, sem contar os votos dos ministros, e resultou na condenação de 25 dos 37 réus.
Diante de cifras dessa magnitude, é espantosa a afirmação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o esquema do mensalão era sem dúvida "ainda muito mais amplo do que aquilo que constou da denúncia".
O assombro não se justifica só pelo fato de que essa ponta de iceberg já tenha dado ensejo ao maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações reunidas pela Procuradoria-Geral da República, o mensalão mobilizou R$ 141 milhões em dois anos, esquema alimentado por verbas públicas com a finalidade de comprar o apoio de parlamentares durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
É perturbador imaginar que o volume de recursos públicos desviados seja "muito mais amplo", mesmo que Gurgel evite dizer que fração do total o montante conhecido representava. Não é menos sinistra a perspectiva de que mais congressistas tenham sido corrompidos. E tudo isso ficou impune.
Com certa resignação, o atual procurador-geral reconhece que constou da denúncia apenas "o que foi possível provar, com elementos razoáveis". Mas a estratégia adotada por seu antecessor, Antonio Fernando Souza, mostrou-se "corretíssima", avalia Gurgel.
Não é difícil intuir que, não tivesse sido limitado o escopo da investigação, talvez o julgamento jamais chegasse a um fim. O próprio presidente do STF e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, admitiu ter duvidado de que a corte conseguiria concluir a ação penal.
O êxito, porém, apenas será completo se o julgamento se transformar num verdadeiro divisor de águas na repressão aos crimes de colarinho-branco. O processo do mensalão restará diminuído se permanecer como um caso à parte na longa história de impunidade que acompanha a corrupção no Brasil.
Tem razão Gurgel, pois, ao cobrar a "efetividade" do julgamento. O desafio mais premente diz respeito à cassação dos deputados federais condenados pelo esquema. Ainda que em tese seja possível discordar da interpretação dada pelo STF à Constituição, daí não decorre que uma decisão da corte possa ser desrespeitada.
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), presta enorme desserviço ao insistir na divergência com o Judiciário, tanto com relação à competência para cassar deputados quanto no que tange a eventual nova investigação sobre Lula. Melhor faria ao país se reconhecesse que, nesses dois casos, tem de ser da Justiça a última palavra.
Procurador-geral afirma que esquema do mensalão era muito mais amplo e que a denúncia incluiu somente o que era possível provar
Foram 53 sessões ao longo de quatro meses. Mais de 250 horas de julgamento. Um processo que acumulou pelo menos 50 mil páginas, sem contar os votos dos ministros, e resultou na condenação de 25 dos 37 réus.
Diante de cifras dessa magnitude, é espantosa a afirmação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o esquema do mensalão era sem dúvida "ainda muito mais amplo do que aquilo que constou da denúncia".
O assombro não se justifica só pelo fato de que essa ponta de iceberg já tenha dado ensejo ao maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações reunidas pela Procuradoria-Geral da República, o mensalão mobilizou R$ 141 milhões em dois anos, esquema alimentado por verbas públicas com a finalidade de comprar o apoio de parlamentares durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
É perturbador imaginar que o volume de recursos públicos desviados seja "muito mais amplo", mesmo que Gurgel evite dizer que fração do total o montante conhecido representava. Não é menos sinistra a perspectiva de que mais congressistas tenham sido corrompidos. E tudo isso ficou impune.
Com certa resignação, o atual procurador-geral reconhece que constou da denúncia apenas "o que foi possível provar, com elementos razoáveis". Mas a estratégia adotada por seu antecessor, Antonio Fernando Souza, mostrou-se "corretíssima", avalia Gurgel.
Não é difícil intuir que, não tivesse sido limitado o escopo da investigação, talvez o julgamento jamais chegasse a um fim. O próprio presidente do STF e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, admitiu ter duvidado de que a corte conseguiria concluir a ação penal.
O êxito, porém, apenas será completo se o julgamento se transformar num verdadeiro divisor de águas na repressão aos crimes de colarinho-branco. O processo do mensalão restará diminuído se permanecer como um caso à parte na longa história de impunidade que acompanha a corrupção no Brasil.
Tem razão Gurgel, pois, ao cobrar a "efetividade" do julgamento. O desafio mais premente diz respeito à cassação dos deputados federais condenados pelo esquema. Ainda que em tese seja possível discordar da interpretação dada pelo STF à Constituição, daí não decorre que uma decisão da corte possa ser desrespeitada.
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), presta enorme desserviço ao insistir na divergência com o Judiciário, tanto com relação à competência para cassar deputados quanto no que tange a eventual nova investigação sobre Lula. Melhor faria ao país se reconhecesse que, nesses dois casos, tem de ser da Justiça a última palavra.
Inflação, estagnação e teimosia - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 11/01
O Brasil completou mais um ano com inflação bem acima da meta e crescimento econômico pífio - desempenho muito pior que o da maior parte dos emergentes e até inferior ao de alguns países desenvolvidos ainda em crise. O principal padrão de referência da política oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,84% e poderia ter subido mais, sem a redução temporária do IPI sobre carros.
O indicador mais restrito, o INPC, referente aos gastos de famílias com ganho mensal de até cinco salários mínimos, aumentou 6,2%. Ruim para todos os trabalhadores, a evolução dos preços foi particularmente cruel, portanto, para os grupos de baixa renda. Mas o discurso-padrão do governo exclui o reconhecimento dos fracassos. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, festejou o resultado melhor (de fato, menos ruim) que o de 2011, quando o IPCA se elevou 6,5%, e garantiu para 2013 uma nova redução.
Não deixou, no entanto, de tentar uma explicação mal-ajambrada para os 5,84%. No segundo semestre, segundo ele, houve choques de preços agrícolas, "entre outros fatores". Mas a perspectiva de um mercado agrícola mais acomodado havia sido, desde agosto de 2011, um de seus principais argumentos para justificar o corte dos juros. Mais do que nunca está claro: o corte de juros foi mais uma ação determinada pelo voluntarismo da presidente Dilma Rousseff.
Quanto aos preços dos alimentos, realmente impulsionaram a inflação, mas o fator mais importante foi o descompasso entre a demanda de consumo e a capacidade de oferta da economia. Houve aceleração de aumentos em seis dos nove grandes componentes do IPCA, em dezembro, e a variação do conjunto, no mês, foi a maior desde o fim de 2004.
Chegou a 70,7% a parcela de itens com aumento de preços, de acordo com o indicador de difusão calculado pelo banco Besi Brasil. Isso confirmou a tendência observada em todo o ano, de generalização dos aumentos pelo contágio. O crédito abundante, o aumento da massa de rendimentos, o gasto público e os incentivos mal dirigidos explicam esse fenômeno. Nenhuma faísca - no caso, a alta dos preços agrícolas - provoca um grande incêndio sem farto material combustível e sem oxigênio.
O fato mais grave é a combinação desastrosa de inflação alta e crescimento baixo. Desde 2005 a meta de inflação é de 4,5%, bem mais alta que a da maior parte dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A partir de 2006 a margem de tolerância diminuiu de 2,5 pontos porcentuais para 2, mas continuou muito ampla. Outros países cresceram muito mais com alta de preços muito menor.
No ano passado, até novembro, os preços ao consumidor subiram em média 1,9% nos 34 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada majoritariamente por economias desenvolvidas e algumas em desenvolvimento. No México, o IPC aumentou 4,2% nesse período, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 3,3% maior que um ano antes - mais que o triplo do resultado brasileiro.
O contraste entre o Brasil e outros latino-americanos é notável. No Chile, a inflação até novembro ficou em 2,1%, com provável expansão econômica de 5,2% em todo o ano. Na Colômbia, o número final da inflação foi 2,44%, mas o PIB deve ter aumentado cerca de 4%. No Peru, o produto deve ter aumentado uns 6%, talvez pouco mais, mas os preços ao consumidor, até novembro, haviam subido 2,7%. No Equador, a alta de preços está estimada em 4,2%. Os números da produção não estão atualizados, mas o desempenho foi certamente muito melhor que o do Brasil. No segundo trimestre, o PIB foi 5,2% maior que o de um ano antes.
Na China, a inflação até novembro ficou em 2%, mas o produto, no terceiro trimestre, foi 7,4% maior que o de um ano antes. Índia e Rússia tiveram taxas inflacionárias mais altas que a brasileira, mas com expansão econômica bem maior.
No Brasil, tudo indica mais um ano com aumentos de preços além da meta, alimentados pelo crédito fácil e pela gastança pública, e sem nenhum benefício para o crescimento econômico.
Consuma-se a farsa chavista - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 11/01
Chavismo atropela Constituição, ignora data da posse e prolonga mandato do caudilho. E governo brasileiro dá apoio por simpatia ideológica
O chavismo confirmou o que se temia: um golpe de estado para manter Hugo Chávez no poder, com ele em situação incerta, provavelmente gravíssima, num hospital em Cuba. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) venezuelano, aparelhado pelo caudilho, decidiu que a posse para um novo mandato, que deveria ter acontecido ontem, é mesmo “mero formalismo”, e poderá ser feita no futuro. Embora se saiba que só um milagre permitirá a Chávez voltar a Caracas para a “formalidade”.
Criou-se uma situação esdrúxula. Chávez não governa por estar incapacitado. Nicolás Maduro, vice-presidente e indicado pelo caudilho como seu substituto, hoje não tem mandato: o vice na Venezuela é nomeado pelo presidente, como um ministro; Maduro não foi eleito nem reconduzido ao cargo. A Constituição determina que, na ausência do presidente eleito, assuma o presidente da Assembleia Nacional (congresso), Diosdado Cabello. Mas isto não acontecerá.
A farsa chavista é prorrogar o mandato de Chávez — embutido nele a continuação de Maduro na vice-presidência —, fazendo letra morta da Constituição. Regimes autoritários que tentam manter uma aparência democrática, como o da Venezuela, mostram nessas horas sua verdadeira face. A ditadura militar brasileira, que mantinha certos ritos “democráticos”, como o rodízio de generais no poder, também teve vários momentos reveladores, como quando Costa e Silva caiu doente; seu substituto constitucional era o vice-presidente, o civil Pedro Aleixo. Mas, como ele não era “confiável”, tinha, inclusive, sido contrário à edição ao AI-5, que dava poderes extraordinários ao presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais, os militares não permitiram sua posse e criaram uma junta para governar o país. O regime militar mostrava sua face.
É o que fizeram os dirigentes chavistas: um “politburo” composto por Maduro, o presidente do congresso, Diosdado Cabello, próceres do PSUV (o partido chavista) e comandantes militares fieis ao movimento bolivariano. São eles que vão “governar” no mandato estendido de Chávez, em afronta aberta à lei maior do país.
Não é só o chavismo que mostra sua essência. Ao expressar confiança no desenvolvimento da democracia venezuelana, no dizer de Maduro, e ao felicitar-lhe pela decisão favorável da Justiça desse país, a presidente Dilma Rousseff deixa claro que o Brasil usa dois pesos e duas medidas: o impeachment do presidente Fernando Lugo, do Paraguai, foi considerado um golpe pelo Brasil — e por Mercosul e Unasul — e resultou na suspensão do Paraguai dos dois organismos, por conta da cláusula democrática que constam de seus estatutos. Já o escancarado golpe em Caracas recebe apoio. O Brasil acaba de se nivelar por baixo no continente.
Chavismo atropela Constituição, ignora data da posse e prolonga mandato do caudilho. E governo brasileiro dá apoio por simpatia ideológica
O chavismo confirmou o que se temia: um golpe de estado para manter Hugo Chávez no poder, com ele em situação incerta, provavelmente gravíssima, num hospital em Cuba. O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) venezuelano, aparelhado pelo caudilho, decidiu que a posse para um novo mandato, que deveria ter acontecido ontem, é mesmo “mero formalismo”, e poderá ser feita no futuro. Embora se saiba que só um milagre permitirá a Chávez voltar a Caracas para a “formalidade”.
Criou-se uma situação esdrúxula. Chávez não governa por estar incapacitado. Nicolás Maduro, vice-presidente e indicado pelo caudilho como seu substituto, hoje não tem mandato: o vice na Venezuela é nomeado pelo presidente, como um ministro; Maduro não foi eleito nem reconduzido ao cargo. A Constituição determina que, na ausência do presidente eleito, assuma o presidente da Assembleia Nacional (congresso), Diosdado Cabello. Mas isto não acontecerá.
A farsa chavista é prorrogar o mandato de Chávez — embutido nele a continuação de Maduro na vice-presidência —, fazendo letra morta da Constituição. Regimes autoritários que tentam manter uma aparência democrática, como o da Venezuela, mostram nessas horas sua verdadeira face. A ditadura militar brasileira, que mantinha certos ritos “democráticos”, como o rodízio de generais no poder, também teve vários momentos reveladores, como quando Costa e Silva caiu doente; seu substituto constitucional era o vice-presidente, o civil Pedro Aleixo. Mas, como ele não era “confiável”, tinha, inclusive, sido contrário à edição ao AI-5, que dava poderes extraordinários ao presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais, os militares não permitiram sua posse e criaram uma junta para governar o país. O regime militar mostrava sua face.
É o que fizeram os dirigentes chavistas: um “politburo” composto por Maduro, o presidente do congresso, Diosdado Cabello, próceres do PSUV (o partido chavista) e comandantes militares fieis ao movimento bolivariano. São eles que vão “governar” no mandato estendido de Chávez, em afronta aberta à lei maior do país.
Não é só o chavismo que mostra sua essência. Ao expressar confiança no desenvolvimento da democracia venezuelana, no dizer de Maduro, e ao felicitar-lhe pela decisão favorável da Justiça desse país, a presidente Dilma Rousseff deixa claro que o Brasil usa dois pesos e duas medidas: o impeachment do presidente Fernando Lugo, do Paraguai, foi considerado um golpe pelo Brasil — e por Mercosul e Unasul — e resultou na suspensão do Paraguai dos dois organismos, por conta da cláusula democrática que constam de seus estatutos. Já o escancarado golpe em Caracas recebe apoio. O Brasil acaba de se nivelar por baixo no continente.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“O que constou da denúncia foi o que foi possível provar”
Roberto Gurgel, procurador geral da República, garante que mensalão foi muito maior
TERRORISTA SERÁ ASSESSOR INTERNACIONAL DA CUT
Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas acertou todos os detalhes com o advogado do terrorista italiano Cesare Battisti, Luiz Eduardo Greenhalgh, para empregá-lo como assessor internacional da Central. Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Battisti assumirá o cargo por falar inglês, espanhol, português, francês e italiano e “ter vasto conhecimento” sobre temas de interesse da CUT.
SÓ NO BRASIL
Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos, Battisti traduzirá conversas e documentos para a CUT, enquanto escreve livros.
PIOR QUE TÁ, FICA
A CUT ignora que só vai piorar as relações diplomáticas do Brasil com a Itália. Deverá anunciar nos próximos dias o mais novo funcionário.
NEGÓCIOS À PARTE
Suplicy nega ser fiador do apartamento de Battisti no luxuoso bairro de Jardins (SP), e diz que também não o ajudará nas contas do aluguel.
AMIGO CEGO
Segundo Suplicy, sua única participação no aluguel do imóvel foi contar à proprietária sobre a vida dele: “Sei que não cometeu aqueles crimes”.
CÂMARA: CANDIDATOS TÊM ESPERANÇA DE 2º TURNO
Em campanha pela presidência da Câmara, os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Rose de Freitas (PMDB-ES) tem espalhado pesquisa informal, realizada na última semana de trabalhos legislativos, que revela que, de 401 deputados ouvidos, o líder do PMDB, Henrique Alves, teria voto de 160. Se os dados estiverem corretos, Júlio, com 90 votos, e Rose, com 70, levariam as eleições a segundo turno.
INDECISOS
Segundo dados da pesquisa, encomendada por Júlio Delgado, cerca de 81 deputados ainda estariam indecisos sobre seu candidato.
O FAVORITO
Deputados do PMDB garantem que a pesquisa é enviesada. Na bancada, o cálculo é que Henrique Alves terá mais de 300 votos.
CABOS ELEITORAIS
Izalci (PSDB-DF) e Roberto de Lucena (PV-SP) estão ávidos na campanha de Rose. Buscam votos e fazem lobby junto a outras siglas.
MANOBRA
Após o governo cancelar R$ 18,6 bilhões em empenhos, os ‘restos a pagar que serão inscritos e reinscritos em 2013 somam R$ 178,1 bilhões. No segundo dia do ano, de acordo com levantamento do Contas Abertas, estavam pendentes cerca de R$ 200 bilhões.
EMBOLADO
Candidato a líder do PMDB, Osmar Terra (RS) diz já ter fechado apoio do Rio Grande do Sul e Santa Catarina: “Querem polarizar entre Mabel e Eduardo Cunha, mas aqui ninguém tem menos ou mais de 30 votos”.
NOVA ESQUERDA
O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), afirmou que só aceita debater a criação de novo grupo de esquerda com Marina Silva (ex-PV) e José Serra (PSDB), um sem partido e o outro com destino incerto.
‘FACELIFT’
A liderança do PT na Câmara dos Deputados foi totalmente reformada para receber os deputados em 2013. Tiraram até as cortinas, mantendo as duas colunas vermelhas para melhorar a visibilidade na rampa.
QUEM, EU?
O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) nega ser o preferido a líder do governo na Câmara em lugar de Arlindo Chinaglia (PT-SP). “É fofoca. O líder é o Arlindo e eu apoio a permanência dele”. Anrã.
DE OLHO...
Defensor de ‘pequenos traficantes’, o ex-secretário de Políticas sobre Drogas Pedro Abromovay defende o projeto de Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) que prevê que não concursados, como ele, ocupem cadeiras no órgão.
... NOS CARGOS
Abramovay também já teve a esposa contemplada com cargo na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, comandada à época por Beto Vasconcelos, a quem é creditado o texto do projeto de Adams.
ALÔ, ANATEL
Cliente da TIM telefonou para a Central de Atendimentos da operadora e levou 59 minutos para contestar cobrança indevida, e solicitar o código de barras da fatura que corresponde ao seu número.
FAVOR NÃO CONFUNDIR...
... prostituta que aprende a falar inglês com especialista em sexo oral.
PODER SEM PUDOR
LIÇÃO DE AUTORIDADE
Depois de demitir o general linha-dura Sílvio Frota do Ministério do Exército, em 1977, Ernesto Geisel o substituiu pelo general Belfort Bethlem. Na posse, fizeram fila para cumprimentar o novo ministro. Obsequiosos, os presidentes da Câmara e do Senado, Marco Maciel e Petrônio Portella, já se preparavam para engrossar o cordão.
- Fiquem onde estão! - ordenou o general Geisel, em tom de reprimenda.
Em seguida, chamou o novo ministro e determinou:
- Agora cumprimentem os presidentes do Poder Legislativo!
O general Bethlem obedeceu, tinha juízo. Maciel e Portella também.
Roberto Gurgel, procurador geral da República, garante que mensalão foi muito maior
TERRORISTA SERÁ ASSESSOR INTERNACIONAL DA CUT
Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas acertou todos os detalhes com o advogado do terrorista italiano Cesare Battisti, Luiz Eduardo Greenhalgh, para empregá-lo como assessor internacional da Central. Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Battisti assumirá o cargo por falar inglês, espanhol, português, francês e italiano e “ter vasto conhecimento” sobre temas de interesse da CUT.
SÓ NO BRASIL
Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos, Battisti traduzirá conversas e documentos para a CUT, enquanto escreve livros.
PIOR QUE TÁ, FICA
A CUT ignora que só vai piorar as relações diplomáticas do Brasil com a Itália. Deverá anunciar nos próximos dias o mais novo funcionário.
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Suplicy nega ser fiador do apartamento de Battisti no luxuoso bairro de Jardins (SP), e diz que também não o ajudará nas contas do aluguel.
AMIGO CEGO
Segundo Suplicy, sua única participação no aluguel do imóvel foi contar à proprietária sobre a vida dele: “Sei que não cometeu aqueles crimes”.
CÂMARA: CANDIDATOS TÊM ESPERANÇA DE 2º TURNO
Em campanha pela presidência da Câmara, os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Rose de Freitas (PMDB-ES) tem espalhado pesquisa informal, realizada na última semana de trabalhos legislativos, que revela que, de 401 deputados ouvidos, o líder do PMDB, Henrique Alves, teria voto de 160. Se os dados estiverem corretos, Júlio, com 90 votos, e Rose, com 70, levariam as eleições a segundo turno.
INDECISOS
Segundo dados da pesquisa, encomendada por Júlio Delgado, cerca de 81 deputados ainda estariam indecisos sobre seu candidato.
O FAVORITO
Deputados do PMDB garantem que a pesquisa é enviesada. Na bancada, o cálculo é que Henrique Alves terá mais de 300 votos.
CABOS ELEITORAIS
Izalci (PSDB-DF) e Roberto de Lucena (PV-SP) estão ávidos na campanha de Rose. Buscam votos e fazem lobby junto a outras siglas.
MANOBRA
Após o governo cancelar R$ 18,6 bilhões em empenhos, os ‘restos a pagar que serão inscritos e reinscritos em 2013 somam R$ 178,1 bilhões. No segundo dia do ano, de acordo com levantamento do Contas Abertas, estavam pendentes cerca de R$ 200 bilhões.
EMBOLADO
Candidato a líder do PMDB, Osmar Terra (RS) diz já ter fechado apoio do Rio Grande do Sul e Santa Catarina: “Querem polarizar entre Mabel e Eduardo Cunha, mas aqui ninguém tem menos ou mais de 30 votos”.
NOVA ESQUERDA
O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), afirmou que só aceita debater a criação de novo grupo de esquerda com Marina Silva (ex-PV) e José Serra (PSDB), um sem partido e o outro com destino incerto.
‘FACELIFT’
A liderança do PT na Câmara dos Deputados foi totalmente reformada para receber os deputados em 2013. Tiraram até as cortinas, mantendo as duas colunas vermelhas para melhorar a visibilidade na rampa.
QUEM, EU?
O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) nega ser o preferido a líder do governo na Câmara em lugar de Arlindo Chinaglia (PT-SP). “É fofoca. O líder é o Arlindo e eu apoio a permanência dele”. Anrã.
DE OLHO...
Defensor de ‘pequenos traficantes’, o ex-secretário de Políticas sobre Drogas Pedro Abromovay defende o projeto de Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União) que prevê que não concursados, como ele, ocupem cadeiras no órgão.
... NOS CARGOS
Abramovay também já teve a esposa contemplada com cargo na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, comandada à época por Beto Vasconcelos, a quem é creditado o texto do projeto de Adams.
ALÔ, ANATEL
Cliente da TIM telefonou para a Central de Atendimentos da operadora e levou 59 minutos para contestar cobrança indevida, e solicitar o código de barras da fatura que corresponde ao seu número.
FAVOR NÃO CONFUNDIR...
... prostituta que aprende a falar inglês com especialista em sexo oral.
PODER SEM PUDOR
LIÇÃO DE AUTORIDADE
Depois de demitir o general linha-dura Sílvio Frota do Ministério do Exército, em 1977, Ernesto Geisel o substituiu pelo general Belfort Bethlem. Na posse, fizeram fila para cumprimentar o novo ministro. Obsequiosos, os presidentes da Câmara e do Senado, Marco Maciel e Petrônio Portella, já se preparavam para engrossar o cordão.
- Fiquem onde estão! - ordenou o general Geisel, em tom de reprimenda.
Em seguida, chamou o novo ministro e determinou:
- Agora cumprimentem os presidentes do Poder Legislativo!
O general Bethlem obedeceu, tinha juízo. Maciel e Portella também.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Suspensa venda de 225 planos de saúde
- Folha: Governo suspende venda de 225 planos de saúde
- Estadão: Inflação fica em 5,84% e deve iniciar ano sob pressão
- Correio: Filmado, checado, farejado…
- Valor: Ano começa aquecido para as captações de empresas
- Estado de Minas: Intervenção em planos de saúde atinge 57 mil em MG
- Zero Hora: Brasileiro gastou mais com despesas pessoais em 2012
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