FOLHA DE SP - 15/11
A ideia de progresso 'natural' é falsa. Na história, nada é garantido: tudo é, sempre, conquistado
ASSISTI A "Lincoln", o novo filme de Spielberg, no dia da estreia, na sexta-feira passada, numa lotadíssima sessão da tarde, em Manhattan. No Brasil, "Lincoln" chegará só no fim de janeiro.
O filme, que é uma obra-prima imperdível, se concentra sobre o esforço político de Lincoln para que a Câmara dos Representantes ratificasse, em 1865, a 13ª emenda da constituição dos EUA -a que aboliu a escravatura no país.
A escravatura era a aposta central da guerra, que durava havia quatro anos, entre o Norte e o Sul escravocrata. Mas, mesmo no Norte, nem todos eram abolicionistas, e muitos temiam que os negros liberados se tornassem um dia cidadãos e, pasme, pudessem votar.
Ninguém, naquela sala de cinema, na sexta passada, podia evitar de pensar que, três dias antes, o país reelegera seu primeiro presidente negro. Em menos de 150 anos, foi um progresso e tanto.
Falo de progresso só porque essa mudança promove valores nos quais aposto: quando eles avançam, acho que a gente progride. Não acredito na ideia de uma evolução "natural" da civilização (nota para os amigos filósofos: concordo com Voltaire, não com Condorcet, ainda menos com Saint-Simon).
Lembro-me de discussões intermináveis, no fim dos anos 1960, com Nicola, um jovem salernitano que fazia uma pós-graduação em geologia do petróleo em Genebra e que era decididamente anticomunista. A cada almoço, eu e meu amigo Enzo tentávamos convencer Nicola de que o futuro do socialismo seria radioso. Não funcionava.
Um dia, achei um escrito (filosoficamente duvidoso, mas de uma procedência que pareceu confiável a Nicola) segundo o qual, radioso o não, o futuro socialista era inelutável, previsto pelo marxismo "científico". Nicola acreditava na ciência, era ingênuo, e o texto o abalou. Não sei se ele se converteu, mas sumiu do restaurante universitário durante um tempo, e a gente se perdeu de vista.
Bom, Nicola, é um pouco tarde, mas talvez você esteja trabalhando numa plataforma do pré-sal e leia este jornal (o mundo é pequeno, mesmo). Nesse caso, aceite minhas desculpas: o marxismo "científico" é uma ideia calhorda, e o comunismo nunca foi inelutável. Já naquela época, aliás, eu sabia que nada acontece na história sem o engajamento subjetivo dos atores (por isso preferia, por exemplo, Henri Lefebvre a Louis Althusser -e por isso continuo gostando de Alain Badiou, porque ele nunca deixou de pensar que, sem engajamento dos sujeitos, não acontece nada, não há progresso algum).
Tudo isso parece óbvio? Vamos devagar: o sonho comunista pode estar morto, mas nossa (cômoda) crença num progresso "natural" e garantido continua bem viva.
Por exemplo, na semana passada, na eleição americana, junto com a vitória de Obama, aconteceu a derrota de dois candidatos a senador cuja oposição à legalização do aborto (mesmo em caso de estupro) era de um machismo e de uma estupidez ultrajantes. Na mesma eleição, houve também Estados que aprovaram o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Nasci e cresci numa Itália em que a desigualdade de fato e de direito era sinistra, e o amparo era pouco. Nesse mundo, as mulheres estavam longe de ter direitos comparáveis aos dos homens, não existia divórcio, qualquer aborto era criminoso, o consumidor de droga era igualado ao traficante, e a homossexualidade era uma vergonha que era melhor esconder.
Para que essas realidades mudassem, lutei -ou seja, junto com muitos outros, votei, escrevi, desfilei, militei. Mesmo assim, tenho a estranha impressão de que fomos carregados por uma espécie de movimento "natural", ao qual era possível resistir, mas que sempre ganharia no fim -um progresso na direção do grande ideal cristão: a maior liberdade possível dos indivíduos sem renunciar à solidariedade.
Essa impressão de progresso "natural" é falsa e perigosa. Na história, nada é garantido: tudo é, sempre, conquistado.
O que nos separa de outros mundos possíveis (e horríveis) não é a inelutabilidade do progresso, mas a obstinação de pequenos grandes gestos. Entre nós e as trevas, há o corpo ferido de Malala Yousafzai, 14, baleada na cabeça pelo Talibã paquistanês porque promovia o "secularismo' (ou seja, queria ir para a escola e pensar com a sua cabeça).
Ou, a coragem da catarinense Isadora Faber, 13, que continua seu "Diário de Classe" on-line, embora hostilizada por professores, por administradores e talvez por um pintor negligente (Folha, 11 de novembro).
quinta-feira, novembro 15, 2012
O buraco na cerca - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 15/11
Conhecedora da habilidade do senador Aécio Neves (PSDB-MG) em angariar potenciais aliados e dos movimentos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em direção a 2014, a presidente Dilma Rousseff se dedica a cercar o seu terreno. Na semana passada, foram o PMDB e o PSB. Nos últimos dias, recebeu o PSD de Gilberto Kassab e o PP capitaneado pelo senador Francisco Dornelles, primo de Aécio. Quando a presidente voltar da viagem à Europa, será a vez do bloco PTB, PR, PSC e PPL, que reúne 14 senadores.
Esses encontros têm sido marcados por conversas recheadas de análises econômicas, políticas e acenos para o futuro. No fundo, os parlamentares não têm mais dúvidas de que o objetivo é um só: evitar que Aécio comece a “pescar” desde já alguns partidos entre aqueles que fazem parte do portfólio governista. E, de quebra, tirar de Eduardo Campos qualquer razão para buscar um voo solo em 2014.
Quem participa dos eventos, diz encontrar uma Dilma muito mais solta, leve no trato político. Em comparação com a rodada de encontros do ano passado, os parlamentares e comandantes partidários consideram que ela está bem melhor agora. Mais segura nessa seara. Portanto, em termos de partidos, por enquanto, ela segurou muitos aliados. Se segurar os eleitores via aprovação do seu governo, muitos consideram que a largada para a campanha reeleitoral estará pavimentada.
Enquanto isso, na porta do Planalto…
O problema, entretanto, não é esse. Esta semana, ao mesmo tempo em que concluiu as conversas com os maiores partidos da base e “incluiu” o PSD de Kassab, Dilma deixou um buraco na cerca. Os prefeitos que vieram a Brasília em busca de verba para quitar as contas deste ano saíram de mãos abanando e com promessas que, como me disse um deles, “não tapam nem o buraco do dente”. Não houve acenos para compensar a perda de receita com a redução do IPI. Apenas o anúncio da liberação de R$ 1,5 bilhão até o final do ano para obras em andamento. O resultado foi a porta do Palácio do Planalto apinhada de prefeitos, muito sentados no chão. A grande maioria não conseguiu sequer entrar no Planalto e teve que se contar com as fotos na portaria.
Atualmente, esses prefeitos, muitos deles reeleitos, não poderão fazer muita coisa. O mais urgente é fechar o ano sem deixar as contas no vermelho. Mas, na próxima campanha, a conversa será outra. Com os prefeitos insatisfeitos, a presidente dificilmente terá muita gente trabalhando em prol da sua campanha “na ponta”, ou seja, no corpo a corpo com o eleitor. É aí que o bicho vai pegar. Os prefeitos, Dilma não conquistou.
E na sede do PT…
A nota que a Executiva do partido lançou ontem sobre o julgamento da Ação Penal 470 foi mais veemente do que imaginavam seus próprios integrantes. Até então, o partido não havia se pronunciado de forma tão contundente a respeito do caso. Soa como uma declaração de guerra ao Supremo Tribunal Federal (STF). Até então, o PT dizia que o mensalão tinha CPF e que o partido não tinha relação com o caso. Agora, com a dosimetria das penas conhecida, o partido dá uma guinada e diz, oficialmente, o que era ouvido apenas aqui e ali. Lula agiu para que essa nota fosse feita. Afinal, se 2014 começou, os petistas não querem deixar o julgamento como mais um “buraco na cerca”, capaz de fazer escoar os votos. Nesse quesito, já bastam os prefeitos e os percalços nas obras de infraestrutura.
Por falar em infraestrutura…
O governo está com dificuldades de conseguir quórum para votar a Lei Orçamentária de 2013 na Comissão Mista de Orçamento. Se continuar assim, mais uma vez, essa lei importantíssima será votada a toque de caixa pelos congressistas, naquela briga sem fim por recursos para as emendas dos políticos. Como sempre, não teremos uma análise profunda dos projetos inscritos na lei, tampouco seu cumprimento à risca pelo Poder Executivo. No fundo, o que se vê, é o Congresso fazendo de conta que aprecia todo o Orçamento e o governo fazendo de conta que cumpre o que sai do Parlamento. É pena.
Conhecedora da habilidade do senador Aécio Neves (PSDB-MG) em angariar potenciais aliados e dos movimentos do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em direção a 2014, a presidente Dilma Rousseff se dedica a cercar o seu terreno. Na semana passada, foram o PMDB e o PSB. Nos últimos dias, recebeu o PSD de Gilberto Kassab e o PP capitaneado pelo senador Francisco Dornelles, primo de Aécio. Quando a presidente voltar da viagem à Europa, será a vez do bloco PTB, PR, PSC e PPL, que reúne 14 senadores.
Esses encontros têm sido marcados por conversas recheadas de análises econômicas, políticas e acenos para o futuro. No fundo, os parlamentares não têm mais dúvidas de que o objetivo é um só: evitar que Aécio comece a “pescar” desde já alguns partidos entre aqueles que fazem parte do portfólio governista. E, de quebra, tirar de Eduardo Campos qualquer razão para buscar um voo solo em 2014.
Quem participa dos eventos, diz encontrar uma Dilma muito mais solta, leve no trato político. Em comparação com a rodada de encontros do ano passado, os parlamentares e comandantes partidários consideram que ela está bem melhor agora. Mais segura nessa seara. Portanto, em termos de partidos, por enquanto, ela segurou muitos aliados. Se segurar os eleitores via aprovação do seu governo, muitos consideram que a largada para a campanha reeleitoral estará pavimentada.
Enquanto isso, na porta do Planalto…
O problema, entretanto, não é esse. Esta semana, ao mesmo tempo em que concluiu as conversas com os maiores partidos da base e “incluiu” o PSD de Kassab, Dilma deixou um buraco na cerca. Os prefeitos que vieram a Brasília em busca de verba para quitar as contas deste ano saíram de mãos abanando e com promessas que, como me disse um deles, “não tapam nem o buraco do dente”. Não houve acenos para compensar a perda de receita com a redução do IPI. Apenas o anúncio da liberação de R$ 1,5 bilhão até o final do ano para obras em andamento. O resultado foi a porta do Palácio do Planalto apinhada de prefeitos, muito sentados no chão. A grande maioria não conseguiu sequer entrar no Planalto e teve que se contar com as fotos na portaria.
Atualmente, esses prefeitos, muitos deles reeleitos, não poderão fazer muita coisa. O mais urgente é fechar o ano sem deixar as contas no vermelho. Mas, na próxima campanha, a conversa será outra. Com os prefeitos insatisfeitos, a presidente dificilmente terá muita gente trabalhando em prol da sua campanha “na ponta”, ou seja, no corpo a corpo com o eleitor. É aí que o bicho vai pegar. Os prefeitos, Dilma não conquistou.
E na sede do PT…
A nota que a Executiva do partido lançou ontem sobre o julgamento da Ação Penal 470 foi mais veemente do que imaginavam seus próprios integrantes. Até então, o partido não havia se pronunciado de forma tão contundente a respeito do caso. Soa como uma declaração de guerra ao Supremo Tribunal Federal (STF). Até então, o PT dizia que o mensalão tinha CPF e que o partido não tinha relação com o caso. Agora, com a dosimetria das penas conhecida, o partido dá uma guinada e diz, oficialmente, o que era ouvido apenas aqui e ali. Lula agiu para que essa nota fosse feita. Afinal, se 2014 começou, os petistas não querem deixar o julgamento como mais um “buraco na cerca”, capaz de fazer escoar os votos. Nesse quesito, já bastam os prefeitos e os percalços nas obras de infraestrutura.
Por falar em infraestrutura…
O governo está com dificuldades de conseguir quórum para votar a Lei Orçamentária de 2013 na Comissão Mista de Orçamento. Se continuar assim, mais uma vez, essa lei importantíssima será votada a toque de caixa pelos congressistas, naquela briga sem fim por recursos para as emendas dos políticos. Como sempre, não teremos uma análise profunda dos projetos inscritos na lei, tampouco seu cumprimento à risca pelo Poder Executivo. No fundo, o que se vê, é o Congresso fazendo de conta que aprecia todo o Orçamento e o governo fazendo de conta que cumpre o que sai do Parlamento. É pena.
O Poder dos Poderes - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 15/11
Nenhum dos Poderes goza de mais conforto e maior luxo, nos níveis superiores, do que o Judiciário
EM SEU primeiro ato de despedida, o ministro Ayres Britto transmitiu sobre o Judiciário a opinião de um Poder que se distingue, nos três Poderes, pelos sacrifícios com que se dedica à sua missão sem, por isso, receber o reconhecimento e, muito pior, a compensação pecuniária:
"O Poder Judiciário é o mais cobrado, o mais exigido e o menos perdoado", resumiu o presidente do Supremo Tribunal Federal. Logo iria pedir a inclusão de aumento do Judiciário no Orçamento de 2013.
A visão desde as alturas é muito especial, sobretudo quando se trata da pirâmide humana -seja composta por motivo de posses, de cultura, profissionais e outros. De fora do cume, não se percebe outro Poder mais "cobrado" do que o Executivo, tanto em seu nível federal, como no estadual e no municipal.
Ao Executivo segue-se o Legislativo, cujo conceito rasteiro sobre os políticos e os partidos diz o suficiente a respeito do seu Poder e das benesses de que desfrutam. Já o Judiciário é aquele Poder do qual é comum os cidadãos esperarem uma definição por 10, 20, até 30 anos. Há pouco houve menções a uma causa com meio século de hospedagem nos recantos do Judiciário. Uma ação trabalhista pode durar cinco e mais anos. Sobre o Supremo mesmo, há dias foi noticiado que se aproximam das três mil as ações que esperam, em suspenso, os acórdãos devidos pelo STF. Os vencedores não sabem quando sairão.
O volume de trabalho nos juizados é grande, sim, e não é incomum que julgadores correspondam à dedicação necessária. Mas, como ministra-corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon teve a eficiência e a coragem de expor realidades clamorosas (há quanto tempo esse ruim adjetivo estava sumido, desgastado por tantas aplicações cabíveis) de todos os tipos e no Judiciário pelo país afora.
Essas realidades só existem em razão de um fator: o Judiciário não é "exigido" em nada e por ninguém. Nem pode sê-lo. O povo e os outros dois Poderes não têm como exigir-lhe coisa alguma -assim o regime o exige. Nem sequer pode influir em sua composição: para a primeira e a segunda instâncias há concurso e, também para a segunda e as últimas, há a escolha e o lobby.
O "menos perdoado"? Se nada é "cobrado", nada é ou pode ser "exigido" -a despeito do que todos sentem e o próprio Conselho Nacional de Justiça reconhece-, o perdão é, na prática, absoluto. E até premiado. Nenhum dos Poderes goza de mais conforto e maior luxo, nos seus níveis superiores, do que o Judiciário.
Os três Poderes estão em dívida enorme com o país. Todos muito aquém, nos seus respectivos níveis, do que lhes caberia em reciprocidade mínima pelo que recebem graças ao sistema tributário injusto. Mantido por ação conjunta dos três.
DE JUSTIÇA
O ministro Gilmar Mendes cometeu uma injustiça com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Acusou-o, na sessão de ontem do STF, de afinal referir-se ao estado medieval das cadeias brasileiras. Há muitos e antigos registros de críticas combativas, e muito mais fortes do que a recente, feitas por Cardozo aos sistemas prisional e policial.
De Gilmar Mendes só constam críticas ao sistema prisional a partir de sua chegada ao Conselho Nacional de Justiça, quando providenciou uma varredura que encontrou mais de 20 mil presos com sentenças extintas.
Nenhum dos Poderes goza de mais conforto e maior luxo, nos níveis superiores, do que o Judiciário
EM SEU primeiro ato de despedida, o ministro Ayres Britto transmitiu sobre o Judiciário a opinião de um Poder que se distingue, nos três Poderes, pelos sacrifícios com que se dedica à sua missão sem, por isso, receber o reconhecimento e, muito pior, a compensação pecuniária:
"O Poder Judiciário é o mais cobrado, o mais exigido e o menos perdoado", resumiu o presidente do Supremo Tribunal Federal. Logo iria pedir a inclusão de aumento do Judiciário no Orçamento de 2013.
A visão desde as alturas é muito especial, sobretudo quando se trata da pirâmide humana -seja composta por motivo de posses, de cultura, profissionais e outros. De fora do cume, não se percebe outro Poder mais "cobrado" do que o Executivo, tanto em seu nível federal, como no estadual e no municipal.
Ao Executivo segue-se o Legislativo, cujo conceito rasteiro sobre os políticos e os partidos diz o suficiente a respeito do seu Poder e das benesses de que desfrutam. Já o Judiciário é aquele Poder do qual é comum os cidadãos esperarem uma definição por 10, 20, até 30 anos. Há pouco houve menções a uma causa com meio século de hospedagem nos recantos do Judiciário. Uma ação trabalhista pode durar cinco e mais anos. Sobre o Supremo mesmo, há dias foi noticiado que se aproximam das três mil as ações que esperam, em suspenso, os acórdãos devidos pelo STF. Os vencedores não sabem quando sairão.
O volume de trabalho nos juizados é grande, sim, e não é incomum que julgadores correspondam à dedicação necessária. Mas, como ministra-corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon teve a eficiência e a coragem de expor realidades clamorosas (há quanto tempo esse ruim adjetivo estava sumido, desgastado por tantas aplicações cabíveis) de todos os tipos e no Judiciário pelo país afora.
Essas realidades só existem em razão de um fator: o Judiciário não é "exigido" em nada e por ninguém. Nem pode sê-lo. O povo e os outros dois Poderes não têm como exigir-lhe coisa alguma -assim o regime o exige. Nem sequer pode influir em sua composição: para a primeira e a segunda instâncias há concurso e, também para a segunda e as últimas, há a escolha e o lobby.
O "menos perdoado"? Se nada é "cobrado", nada é ou pode ser "exigido" -a despeito do que todos sentem e o próprio Conselho Nacional de Justiça reconhece-, o perdão é, na prática, absoluto. E até premiado. Nenhum dos Poderes goza de mais conforto e maior luxo, nos seus níveis superiores, do que o Judiciário.
Os três Poderes estão em dívida enorme com o país. Todos muito aquém, nos seus respectivos níveis, do que lhes caberia em reciprocidade mínima pelo que recebem graças ao sistema tributário injusto. Mantido por ação conjunta dos três.
DE JUSTIÇA
O ministro Gilmar Mendes cometeu uma injustiça com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Acusou-o, na sessão de ontem do STF, de afinal referir-se ao estado medieval das cadeias brasileiras. Há muitos e antigos registros de críticas combativas, e muito mais fortes do que a recente, feitas por Cardozo aos sistemas prisional e policial.
De Gilmar Mendes só constam críticas ao sistema prisional a partir de sua chegada ao Conselho Nacional de Justiça, quando providenciou uma varredura que encontrou mais de 20 mil presos com sentenças extintas.
Medo Severino - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 15/11
Por que Kassab disse "não"
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, tem dito que não quer ministério no governo Dilma antes das eleições de 2014, pois considera que não há neste momento uma pasta que seja compatível com a importância e o peso que o partido passou a ter no cenário nacional. Dizem que o Ministério das Micro e Pequenas Empresas não está à altura do PSD. Além disso, a avaliação é que, até ele existir e se estruturar, já terá passado a eleição. Ou seja, não terá um acervo de realizações que possa ajudar na eleição dos candidatos do partido à Câmara e ao Senado. O partido só integraria o governo Dilma desde já se lhe oferecessem uma pasta de porte como Cidades ou Transportes.
“Nós somos um partido da primeira divisão e não há um ministério da primeira divisão disponível”
Saulo Queiroz Secretário-geral do PSD
Piada de Salão Verde
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), passou os últimos dias ouvindo gracinhas sobre a Lei dos Royalties. Como ele assume de hoje até sábado a Presidência da República, deputados criaram a campanha "Sanciona, Marco".
Nos bastidores
A criação do Banco do Sul, banco de fomento dos países da Unasul, só depende da aprovação da Câmara brasileira. A previsão é que isso ocorra em dezembro. Pelo seu peso regional, o Brasil deve indicar o primeiro presidente da instituição. No Itamaraty, circula o nome da ex-presidente da CEF Maria Fernanda Ramos Coelho.
A luta por espaço
É feroz a disputa entre os senadores Wellington Dias (PI) e Jorge Viana (AC) pela liderança do PT no Senado. E muito tenso o embate na Câmara pela vice-presidência da Mesa entre os deputados André Vargas (PT-PR) e Paulo Teixeira (PT-SP).
Batendo cabeça
Faltou entendimento entre os prefeitos recebidos pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para tratar das reivindicações dos municípios. Quando a ministra disse que o governo estava disposto a renegociar as dívidas com o INSS, o grupo das associações de prefeitos aceitou prontamente; enquanto o liderado pela Confederação Nacional dos Municípios recusou.
Manter a tropa unida
Os aliados do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), só vão tratar de sua sucessão depois da eleição do presidente do Senado. Não querem correr o risco de divisão. Há dois candidatos: Romero Jucá (RR) e Eunício Oliveira (CE).
Carlos Araújo, sim
A Juventude Socialista do PDT de Porto Alegre defende o retorno do ex-marido da presidente Dilma ao partido. Sobre a Juventude do Rio, diz que ela se omitiu quando o prefeito Amazonino Mendes entrou no partido para fins eleitoreiros.
O EX-LÍDER Cândido Vaccarezza (PT-SP) integra o núcleo de operações da campanha de Henrique Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara.
Vil metal e vil prisão - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 15/11
BRASÍLIA - Enquanto eram os PPP (pobres, pretos e prostitutas) jogados desde sempre nas cadeias, estava tudo muito bem. Bastou o Supremo decretar dez anos e dez meses de prisão para José Dirceu para todo mundo acordar e discutir a realidade penitenciária brasileira.
Se o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classifica as prisões do país como "medievais" e prefere a morte a ficar preso no Brasil, o que a sociedade e principalmente os próprios condenados podem dizer?
Com a autoridade de quem atuou efetivamente para melhorar esse estado de coisas, retirando das prisões milhares de presos ilegais à época em que presidiu o STF e o CNJ, Gilmar Mendes concordou com a crítica de Cardozo, mas ironizou: "Lamento que ele fale só agora".
Depois da pena de Dirceu à prisão, também entrou em pauta no Supremo o debate sobre penas pecuniárias versus privação de liberdade. Ou seja, multas em vez de prisão.
Estridente, Dias Toffoli disse que o intuito dos crimes (do mensalão) era financeiro, e não atentar contra a democracia ou partir para a violência, e resumiu: "Era o vil metal. Que se pague então com o vil metal".
E houve uma inversão. Antes, o revisor Ricardo Lewandowski abria o debate e Toffoli o acompanhava. Ontem, Toffoli puxou a questão e Lewandowski foi o primeiro a aderir à tese, com uma ressalva: desde que de acordo com as posses do réu.
Soou como uma tentativa de negociação típica de advogados, não de juízes: já que estão condenados, que paguem em dinheiro, não em dias na cadeia. Tudo, menos levar réus tão ilustres para a prisão?
A dinâmica do julgamento, porém, segue a lei e a tradição: uma coisa não elimina a outra. Condenados devem pagar com o bolso e, dependendo do caso, com a liberdade.
Que a condenação de poderosos não seja em vão nem só vingança. Além de resgatar a Justiça, que possa também tornar mais justas as prisões medievais dos brasileiros comuns.
BRASÍLIA - Enquanto eram os PPP (pobres, pretos e prostitutas) jogados desde sempre nas cadeias, estava tudo muito bem. Bastou o Supremo decretar dez anos e dez meses de prisão para José Dirceu para todo mundo acordar e discutir a realidade penitenciária brasileira.
Se o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, classifica as prisões do país como "medievais" e prefere a morte a ficar preso no Brasil, o que a sociedade e principalmente os próprios condenados podem dizer?
Com a autoridade de quem atuou efetivamente para melhorar esse estado de coisas, retirando das prisões milhares de presos ilegais à época em que presidiu o STF e o CNJ, Gilmar Mendes concordou com a crítica de Cardozo, mas ironizou: "Lamento que ele fale só agora".
Depois da pena de Dirceu à prisão, também entrou em pauta no Supremo o debate sobre penas pecuniárias versus privação de liberdade. Ou seja, multas em vez de prisão.
Estridente, Dias Toffoli disse que o intuito dos crimes (do mensalão) era financeiro, e não atentar contra a democracia ou partir para a violência, e resumiu: "Era o vil metal. Que se pague então com o vil metal".
E houve uma inversão. Antes, o revisor Ricardo Lewandowski abria o debate e Toffoli o acompanhava. Ontem, Toffoli puxou a questão e Lewandowski foi o primeiro a aderir à tese, com uma ressalva: desde que de acordo com as posses do réu.
Soou como uma tentativa de negociação típica de advogados, não de juízes: já que estão condenados, que paguem em dinheiro, não em dias na cadeia. Tudo, menos levar réus tão ilustres para a prisão?
A dinâmica do julgamento, porém, segue a lei e a tradição: uma coisa não elimina a outra. Condenados devem pagar com o bolso e, dependendo do caso, com a liberdade.
Que a condenação de poderosos não seja em vão nem só vingança. Além de resgatar a Justiça, que possa também tornar mais justas as prisões medievais dos brasileiros comuns.
Viagem ao desespero da Espanha - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 15/11
A crise econômica leva muita gente a pensar que o país corre o risco de se tornar Terceiro Mundo
CÁDIZ - A Espanha que a presidente Dilma Rousseff visitará a partir de amanhã é um país desesperado.
Pegue-se qualquer estatística, e o desespero se explica. Tome-se, por exemplo, o desemprego, situação que é a que mais leva ao desespero: está em 25,8%, recorde na União Europeia, superior até aos 25,4% da falida Grécia.
Pior: aumentará para 26,6% em 2013, ano em que a Comissão Europeia prevê outra retração da economia, de 1,4%, idêntica à deste ano. Mas não são as estatísticas as que mais adequadamente captam o estado de espírito da Espanha.
A desilusão aparece com contundência, por exemplo, em livro que foi lançado anteontem. Chama-se "Espanha, Destino Terceiro Mundo", escrito pelo jornalista Ramón Muñoz, que, nas páginas de "El País", cansou-se de mostrar a gravidade da crise. O título é um colossal exagero. Os latino-americanos, que de Terceiro Mundo entendemos bem mais que os espanhóis, sabemos que a Espanha está a anos-luz de tão triste destino.
O livro é acima de tudo um grito de frustração ante "o brusco fim de um destino que acreditávamos eterno", como diz "El País", ao apresentar o volume.
O destino que parecia eterno foram os 16 anos ininterruptos de crescimento, de 1993 até 2009, quando se instalou a recessão global que, na Espanha, foi mais contundente pela explosão da bolha imobiliária.
E, atenção, a crise espanhola nada tem a ver com os abusos com dinheiro público que ajudaram os países do Terceiro Mundo a cavarem um buraco ainda mais fundo do que aquele em que já estavam, nos anos 1980, pedaço dos 1990.
O governo da Espanha, com conservadores ou com socialistas, dava lucro (arrecadava mais do que gastava) até a véspera da crise da construção civil -ou do "ladrillo" (tijolo), como eles preferem.
Posto de outra forma: é uma crise de Primeiro Mundo, como a norte-americana, em que a banca, irresponsavelmente, financia imóveis para quem pode e para quem não pode pagar, como se a bicicleta do crescimento nunca fosse parar de rodar. Parou, em 2008, e todo o mundo caiu do selim.
De lá para cá, 172 mil famílias perderam suas casas por não poderem pagar a hipoteca e outras 178 mil estão pendentes de "desahucio" (despejo), a palavra que Dilma mais ouvirá na Espanha, se puder ler jornais, ouvir rádio ou ver TV (pronuncia-se "deçáusio", presidente).
O que tornou exponencial o desespero foi o suicídio de Amaya Egaña, ex-vereadora de Barrakaldo, no País Basco, 53 anos, que atirou-se do quarto andar do prédio em que morava enquanto subiam para despejá-la os oficiais de Justiça e a Guarda Civil.
É uma situação dolorosa, mais ainda para um país que só fez aproximar-se de seus pares mais ricos da Europa desde que se livrou da ditadura de Francisco Franco, morto em 1975 e sepultado como regime em 1977, esta sim terceiro-mundista.
Mas, se Ramón Muñoz me perdoa, despejo não é coisa de Terceiro Mundo pela simples e boa razão de que, neste, poucos têm recursos para comprar imóvel, mesmo financiado.
A crise econômica leva muita gente a pensar que o país corre o risco de se tornar Terceiro Mundo
CÁDIZ - A Espanha que a presidente Dilma Rousseff visitará a partir de amanhã é um país desesperado.
Pegue-se qualquer estatística, e o desespero se explica. Tome-se, por exemplo, o desemprego, situação que é a que mais leva ao desespero: está em 25,8%, recorde na União Europeia, superior até aos 25,4% da falida Grécia.
Pior: aumentará para 26,6% em 2013, ano em que a Comissão Europeia prevê outra retração da economia, de 1,4%, idêntica à deste ano. Mas não são as estatísticas as que mais adequadamente captam o estado de espírito da Espanha.
A desilusão aparece com contundência, por exemplo, em livro que foi lançado anteontem. Chama-se "Espanha, Destino Terceiro Mundo", escrito pelo jornalista Ramón Muñoz, que, nas páginas de "El País", cansou-se de mostrar a gravidade da crise. O título é um colossal exagero. Os latino-americanos, que de Terceiro Mundo entendemos bem mais que os espanhóis, sabemos que a Espanha está a anos-luz de tão triste destino.
O livro é acima de tudo um grito de frustração ante "o brusco fim de um destino que acreditávamos eterno", como diz "El País", ao apresentar o volume.
O destino que parecia eterno foram os 16 anos ininterruptos de crescimento, de 1993 até 2009, quando se instalou a recessão global que, na Espanha, foi mais contundente pela explosão da bolha imobiliária.
E, atenção, a crise espanhola nada tem a ver com os abusos com dinheiro público que ajudaram os países do Terceiro Mundo a cavarem um buraco ainda mais fundo do que aquele em que já estavam, nos anos 1980, pedaço dos 1990.
O governo da Espanha, com conservadores ou com socialistas, dava lucro (arrecadava mais do que gastava) até a véspera da crise da construção civil -ou do "ladrillo" (tijolo), como eles preferem.
Posto de outra forma: é uma crise de Primeiro Mundo, como a norte-americana, em que a banca, irresponsavelmente, financia imóveis para quem pode e para quem não pode pagar, como se a bicicleta do crescimento nunca fosse parar de rodar. Parou, em 2008, e todo o mundo caiu do selim.
De lá para cá, 172 mil famílias perderam suas casas por não poderem pagar a hipoteca e outras 178 mil estão pendentes de "desahucio" (despejo), a palavra que Dilma mais ouvirá na Espanha, se puder ler jornais, ouvir rádio ou ver TV (pronuncia-se "deçáusio", presidente).
O que tornou exponencial o desespero foi o suicídio de Amaya Egaña, ex-vereadora de Barrakaldo, no País Basco, 53 anos, que atirou-se do quarto andar do prédio em que morava enquanto subiam para despejá-la os oficiais de Justiça e a Guarda Civil.
É uma situação dolorosa, mais ainda para um país que só fez aproximar-se de seus pares mais ricos da Europa desde que se livrou da ditadura de Francisco Franco, morto em 1975 e sepultado como regime em 1977, esta sim terceiro-mundista.
Mas, se Ramón Muñoz me perdoa, despejo não é coisa de Terceiro Mundo pela simples e boa razão de que, neste, poucos têm recursos para comprar imóvel, mesmo financiado.
PIB em banho-maria - MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 15/11
COM ALVARO GRIBEL E VALÉRIA MANIERO
Com a divulgação do IBC-Br de setembro, ontem, todos os indicadores que servem para calcular o PIB do terceiro trimestre ficaram disponíveis para os economistas. O dado oficial ainda será divulgado pelo IBGE, mas as contas mostram que o período foi o mais forte em mais de um ano. Ainda assim, 2012 será fraco, porque o primeiro semestre foi muito ruim.
Depois de cinco altas seguidas, o índice de atividade do Banco Central, o IBC-Br, caiu 0,5% em setembro. Mas no terceiro trimestre, subiu 1,2%. Desde o começo de 2011 um aumento tão forte assim não acontecia. A economia brasileira, aos poucos, parece estar deixando o pior momento para trás.
São vários os indicadores que mostram que o nível de atividade esquentou do segundo para o terceiro trimestre (vejam no gráfico). A produção industrial subiu 1%. O varejo vendeu 2,3% a mais, na mesma comparação. O fluxo de caminhões nas estradas ficou 3% maior, enquanto a expedição de papelão ondulado - a embalagem das embalagens - cresceu 2,6%. Dos indicadores que servem para antecipar o resultado do PIB, só caiu o do consumo de energia, mas pouco.
O economista Armando Castelar, do Ibre/FGV, acha que o terceiro trimestre será o melhor do ano, mas vê essa recuperação com cautela. Houve muita antecipação de compra de veículos no período, porque o IPI reduzido tinha prazo para acabar; além disso, um problema crônico não foi resolvido: a falta de investimentos.
- O investimento deve fechar o ano com queda de 3%. O consumo também desacelerou. O segundo semestre está sendo melhor, mas porque o primeiro foi muito ruim - afirmou.
Sérgio Vale, da MB Associados, também aponta o investimento baixo como uma das causas para o PIB fraco em 2012, de apenas 1,3%, pela sua projeção. As exportações não estão ajudando, por causa da retração da demanda mundial. A boa notícia é que os dois economistas estimam mais crescimento no ano que vem, entre 3% e 3,5%.
Novos capítulos do drama europeu
As atenções, hoje, estão voltadas para o resultado do PIB da zona do euro do terceiro trimestre, especialmente para o da Alemanha que, segundo as previsões, deve desacelerar pela segunda vez seguida, ficando em 0,1%. A principal economia da Europa está sentindo os efeitos da crise dos vizinhos. Foi ela, aliás, que puxou para baixo o dado da produção industrial da região, que caiu 2,5% em setembro. Os empresários não investem, porque não veem, na prática, o que as autoridades europeias dizem nas reuniões: que farão tudo o que for possível para resolver a crise. A coleção de más notícias só aumenta: a recessão na Grécia e em Portugal se aprofundou entre julho e setembro; e várias cidades europeias pararam ontem numa onda de protestos e greves contra os cortes de gastos e o alto desemprego.
DE VOLTA AO VERMELHO. Com a queda de 2,1%, ontem, o índice Ibovespa retornou ao negativo no ano.
Mais um recuo - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 15/11
A prévia do PIB medida pelo Banco Central por meio do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) acusou forte retração em setembro: 0,52% em relação a agosto (veja o gráfico).
Não faz sentido a alegação de que essa derrapada surpreendente foi gerada pela falta de quatro dias úteis em setembro. O calendário deste ano já estava previsto desde a sua instituição, pelo papa Gregório XIII, em 1582.
Tem mais a ver com a irregularidade da produção industrial, que oscila de acordo com os estímulos temperamentais do governo. Em agosto, por exemplo, deveriam terminar as isenções de IPI para veículos e aparelhos domésticos, depois renovadas até dezembro. O consumidor antecipou as compras em agosto e as reduziu em seguida. Mas isso não explica muito.
A baixa reação da indústria é fato sobejamente comentado, não precisa ser repisado. Dá para dizer que os números bastante negativos de setembro não devem se repetir tão cedo. Mas ainda não dá para garantir a robustez do sistema produtivo com que conta o governo nos meses seguintes e, principalmente, em 2013.
Este ano acaba com nível de incerteza maior do que em 2011. O Banco Central recita o mantra de que a convergência para a meta de inflação, de 4,5%, será obtida em qualquer momento de 2013, "ainda que de forma não linear". Mas há dúvidas de que essa aposta se cumpra.
O mercado de trabalho vai na contramão da redução de custos de produção. Mesmo que o próximo reajuste do salário mínimo não seja de 14,1%, como em 2012, a falta de mão de obra deve elevar a remuneração do trabalho. Se, neste ano, o PIB cresce menos de 1,5% e há pleno emprego, é inevitável que, com avanço do PIB acima da reposição demográfica do mercado de trabalho, esse fator se acentue.
Também jogam contra o controle da inflação a necessidade de reajustes dos preços dos combustíveis e a tendência à alta da cotação do dólar (desvalorização do real) - veja o Confira. O Banco Central reconhece, ainda, que a política fiscal do governo é expansionista. Ou seja, despesas públicas sobem acima do PIB - um dos fatores que contribuíram para a atual esticada dos preços. O governo promete que, em 2013, cumprirá sem os truques conhecidos a meta do superávit primário de 3,1% do PIB. É o mesmo que foi dito tantas vezes ao longo do ano.
Enfim, o próprio Banco Central deixou de ancorar as expectativas. Nenhuma instituição de peso projeta a convergência da inflação para a meta em 2013. A pesquisa Focus, que ausculta semanalmente cerca de 100 instituições, aponta projeção média de 5,4% no ano que vem.
Além de terem desarrumado a casa, as mexidas no tripé da economia (câmbio flutuante, meta de inflação e superávit primário de 3,1% do PIB) agravaram a incerteza. O Banco Central e o ministro Guido Mantega descarregam a maior parte da responsabilidade pelo baixo avanço e pela inflação acima da planejada na piora da crise externa e nas políticas perdulárias dos grandes bancos centrais. É desculpa sem pé nem cabeça. Rússia, México, Chile, Indonésia, Coreia do Sul e África do Sul são emergentes que terão avanço do PIB superior ao do País e inflação menor. E, no entanto, a crise atinge a todos. Alguns com mais virulência do que o Brasil.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 15/11
Cai taxa de ocupação dos hotéis do país e preços das diárias sobem
Enquanto a taxa de ocupação nos hotéis do país caiu 3,4% no primeiro semestre do ano, ante o mesmo período de 2011, o preço das diárias subiu, segundo levantamento do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil).
A elevação foi de 17,6%, e a média da diária no semestre ficou em R$ 232,70.
A baixa na ocupação não é consequência da alta dos preços, de acordo com o presidente da entidade, Roberto Rotter. Ela é decorrente do maior número de apartamentos disponíveis e da crise internacional, diz.
A maior queda foi registrada na região Norte, onde a taxa diminuiu 9% e fechou o semestre em 56,92%.
"Houve uma redução em regiões que quase não tinham meios de hospedagens, principalmente em algumas cidades secundárias e no Norte do país", afirma.
Na mesma região, as diárias aumentaram 9,7%. No Sudeste, a variação no preço foi de 20,3%, enquanto a queda na taxa de ocupação foi de apenas 3,4%.
"Se fizermos uma análise histórica, os preços estão recuperando as perdas ocorridas nos últimos dez anos."
A receita por apartamento disponível no país também aumentou no período (13,6%). O Sudeste foi, novamente, a região com maior crescimento (16,1%). No Norte, houve retração de 0,2%.
Foram analisadas informações de 386 hotéis.
CLUBE DE PRAIA
O Taikô, empreendimento que reúne restaurante, bar e boate no balneário de luxo Jurerê Internacional, em Florianópolis, negocia a abertura de duas unidades fora do país -uma em Miami (Estados Unidos) e outra na região do Algarve (Portugal).
"A ideia é aproveitar que o Brasil está na moda e fazer de uma marca criada no país uma referência internacional", diz Leandro Adegas, sócio da casa. A previsão é que as unidades sejam inauguradas em 2013.
Adegas fechou neste ano parceria para a instalação de três unidades fora de Santa Catarina -duas no Espírito Santo e uma em Brasília.
No Distrito Federal, o restaurante ficará à beira do lago Paranoá, mantendo o modelo de clube de praia da marca.
Cada nova unidade receberá R$ 3 milhões em investimentos. A de Florianópolis está em reforma, que demandará aporte de R$ 1,5 milhão.
3 novas unidades estão em instalação no país -em Guarapari (ES), Vitória e Brasília
2 empreendimentos estão em negociação no exterior -em Miami (EUA) e na região do Algarve (Portugal)
R$ 3 milhões é o aporte em cada nova casa
R$ 1,5 milhão será investido na reforma da unidade de Florianópolis
35% das pessoas que costumam passar o Réveillon na casa de Florianópolis são do Estado de São Paulo
FINANCIAMENTO REGIONAL
Os municípios do interior do Estado de São Paulo captaram 69% dos recursos da agência de fomento Desenvolve SP até outubro deste ano, segundo a entidade.
No mesmo período de 2011, cerca de 55% dos recursos haviam sido destinados a cidades de fora da região metropolitana de São Paulo.
A maior parcela dos investimentos está concentrada na indústria, com 52% do total. No ano passado, o segmento teve um repasse de 63%.
Em seguida vem o setor de serviços, que passou de 14% para 22%, conforme o estudo.
Até o final do último mês, R$ 350 milhões tinham sido financiados para projetos de expansão e modernização de pequenas e médias empresas de todo o Estado.
Brinde A vinícola gaúcha Salton espera comercializar 8,8 milhões de garrafas de espumantes e frisantes para as festas de final de ano.
Na massa O presidente da associação do setor de massas no país, Claudio Zanão, assumirá a presidência da entidade internacional do segmento.
COM QUE MALA
Do clássico ao despojado, há muitos estilos de executivos. O que os une é o movimento: nos negócios, para pegar o voo ou correr para a academia. As malas são sempre necessárias. A seguir, algumas opções, boa parte já da estação outono/inverno 2012/2013 do hemisfério Norte.
Bolsa da Goyard, modelo "unissex", em cinza, R$ 8.600
Mala (R$7.790) e bolsa (R$4.260) em couro Saffiano, da Prada
Modelo da Coach, R$ 1.398
Bolsa de lona da Lacoste, R$ 429
Mala que vira mochila da Jansport, R$ 299
Mala de couro de crocodilo da Cartier; a grife não divulga o preço
Em couro com alças removíveis da carioca Mr. Cat, R$ 1.199,80
O desprezo ao sigilo fiscal - FRANCISCO DORNELLES
O GLOBO - 15/11
Brasil deveria não ratificar o acordo com os Estados Unidos em curso no Senado e negociar outro mecanismo de troca de informações sobre tributos
A Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal analisa acordo entre o Brasil e os Estados Unidos para o intercâmbio de informações relativas a tributos. A troca de informações em matéria fiscal entre o Brasil e outros países é prática consolidada. O Acordo com os Estados Unidos, entretanto, desconsidera garantias e princípios da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional.
Dispositivo específico desse acordo estabelece que as informações eventualmente requeridas por autoridade fiscal dos Estados Unidos sejam prestadas pela Receita Federal do Brasil mesmo que este órgão não as use para efeitos tributários ou que não estejam vinculadas a condutas ilegais pelas leis brasileiras. Assim, informações sobre o contribuinte brasileiro que não são exigidas pelo Fisco do Brasil poderiam ser fornecidas ao Fisco estadunidense.
O desprezo à instituição do sigilo, tanto fiscal como bancário, é patente no texto do acordo. As autoridades estadunidenses podem até solicitar às brasileiras informações personalíssimas de contribuintes que estejam em posse de instituições privadas brasileiras, ignorando o fato de que mesmo o Ministério Público depende de autorização judicial para ter franqueado seu acesso a esse tipo de informação.
Entretanto, um acordo de intercâmbio de informações fiscais com os Estados Unidos torna-se, no momento, necessário. Com a aprovação de legislação naquele país, que tem por objetivo combater a evasão fiscal, instituições financeiras domiciliadas no exterior, inclusive no Brasil, são obrigadas a prestar diretamente ao Fisco estadunidense informações que, em alguns casos, não podem ser atendidas em decorrência da nossa legislação interna. O não atendimento, entretanto, sujeita essas instituições a níveis altíssimos de tributação naquele país.
Há, contudo, alternativa para solucionar o impasse. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos são signatários de convenção de natureza tributária no âmbito da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE). Trata-se de instrumento ao abrigo do qual seria possível estabelecer procedimentos de troca de informações fiscais sem, entretanto, agredir princípios constitucionais do nosso país.
O Brasil deveria, pois, não ratificar o acordo em curso no Senado e negociar acordo de troca de informações fiscais com os Estados Unidos ao abrigo da convenção da OCDE, o que aliás tem sido o caminho seguido pelos governos das maiores economias da Europa.
Brasil deveria não ratificar o acordo com os Estados Unidos em curso no Senado e negociar outro mecanismo de troca de informações sobre tributos
A Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal analisa acordo entre o Brasil e os Estados Unidos para o intercâmbio de informações relativas a tributos. A troca de informações em matéria fiscal entre o Brasil e outros países é prática consolidada. O Acordo com os Estados Unidos, entretanto, desconsidera garantias e princípios da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional.
Dispositivo específico desse acordo estabelece que as informações eventualmente requeridas por autoridade fiscal dos Estados Unidos sejam prestadas pela Receita Federal do Brasil mesmo que este órgão não as use para efeitos tributários ou que não estejam vinculadas a condutas ilegais pelas leis brasileiras. Assim, informações sobre o contribuinte brasileiro que não são exigidas pelo Fisco do Brasil poderiam ser fornecidas ao Fisco estadunidense.
O desprezo à instituição do sigilo, tanto fiscal como bancário, é patente no texto do acordo. As autoridades estadunidenses podem até solicitar às brasileiras informações personalíssimas de contribuintes que estejam em posse de instituições privadas brasileiras, ignorando o fato de que mesmo o Ministério Público depende de autorização judicial para ter franqueado seu acesso a esse tipo de informação.
Entretanto, um acordo de intercâmbio de informações fiscais com os Estados Unidos torna-se, no momento, necessário. Com a aprovação de legislação naquele país, que tem por objetivo combater a evasão fiscal, instituições financeiras domiciliadas no exterior, inclusive no Brasil, são obrigadas a prestar diretamente ao Fisco estadunidense informações que, em alguns casos, não podem ser atendidas em decorrência da nossa legislação interna. O não atendimento, entretanto, sujeita essas instituições a níveis altíssimos de tributação naquele país.
Há, contudo, alternativa para solucionar o impasse. Tanto o Brasil quanto os Estados Unidos são signatários de convenção de natureza tributária no âmbito da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE). Trata-se de instrumento ao abrigo do qual seria possível estabelecer procedimentos de troca de informações fiscais sem, entretanto, agredir princípios constitucionais do nosso país.
O Brasil deveria, pois, não ratificar o acordo em curso no Senado e negociar acordo de troca de informações fiscais com os Estados Unidos ao abrigo da convenção da OCDE, o que aliás tem sido o caminho seguido pelos governos das maiores economias da Europa.
Gaza na mira - GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 15/11
Mais uma vez, Israel acertou o alvo com sua violência, eficácia e precisão habituais: um ataque aéreo na Faixa de Gaza matou o líder militar do Hamas, Ahmed Jabari. Foi um golpe certeiro. Para avaliarmos sua dimensão, vejamos a situação da Palestina em relação a Israel. Ou "das Palestinas", porque não há apenas uma, mas duas - a da Cisjordânia, moderada, e a da Faixa de Gaza, nas mãos radicais do Hamas desde 2007.
Foi ali que Israel realizou uma incursão que matou Jabari. Esse homem de 52 anos era o líder do braço militar do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam. É claro que, oficialmente, Jabari era apenas o número 2 da facção armada em Gaza. Ele tinha um superior: Mohamed Deif, que, aleijado em razão de uma série de enfermidades provocadas pelas feridas que lhe foram infligidas pelo Exército israelense, não pode exercer suas funções. Jabari era, portanto, o verdadeiro líder militar.
Ele era um personagem respeitado. Foi o arquiteto do golpe com o qual o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, há cinco anos. Nunca era visto em público, pois sabia que era visado pelos soldados de Israel. Fez uma única aparição em pleno dia, em 2011, quando dirigiu a troca do soldado israelense Gilad Shalit, prisioneiro do Hamas, por mil militantes palestinos detidos em Israel.
A execução de um líder tão prestigioso enfureceu o Hamas. Nos termos apocalípticos que o caracterizam, o Hamas declarou que Israel "reabriu as portas do inferno". Os israelenses replicaram concisamente, avisando os militantes que, "se continuarem a promover o terrorismo, também morrerão".
A execução de Jabari foi precedida por uma escalada dos riscos. Há oito dias, a violência de ambos os lados se multiplicou na fronteira entre os dois territórios. No sábado, quatro soldados israelenses foram feridos ao longo da linha de demarcação por foguetes disparados de Gaza. O ritmo dos incidentes aumentou: 6 palestinos foram mortos e outros 35 ficaram feridos. A execução do líder militar inscreve-se nessa sequência de violência.
Será preciso invocar elementos políticos? Há duas observações a fazer: por um lado, dentro de 15 dias, a ONU examinará um pedido apresentado pela Autoridade Palestina para que lhe seja destinada uma cadeira na Assembleia-Geral como Estado observador. É preciso lembrar também que, há alguns dias, a Faixa de Gaza recebeu, pela primeira vez, a visita oficial de um importante líder árabe: o xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, emir do Catar, país riquíssimo, que compra em todos os países do mundo palácios e clubes de futebol e enviou a Gaza um cheque de US$ 400 milhões.
Seu gesto surpreendeu. O Catar, país complicado, ambíguo, que mantém boas relações com o Ocidente, mas bota lenha na fogueira do islamismo, alardeava, portanto, em plena luz do dia, sua escolha entre as duas Palestinas. Desdenhando a Autoridade Palestina do moderado Mahmoud Abbas, na Cisjordânia, o Catar tomou o partido da Palestina radical do Hamas, em Gaza.
Águas de janeiro - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 15/11
Alertado sobre a alta probabilidade de enchentes logo no período que sucederá sua posse, Fernando Haddad enviou extenso ofício à prefeitura cobrando dados detalhados dos serviços de microdrenagem e limpeza de bocas de lobo e piscinões. O prefeito eleito também quer conhecer os planos preventivos para áreas de risco. A equipe de transição fará varredura dos contratos em vigor para providenciar eventuais prorrogações que evitem a interrupção de serviços do setor em janeiro.
Meteorologia Na conversa de ontem com Haddad, Dilma Rousseff advertiu: "Aproveite agora, antes da posse: todo mundo te cumprimenta e ninguém te cobra. Quando assumir você nunca mais vai dormir quando ouvir barulho de chuva".
Linha direta As tratativas sobre ações emergenciais contra enchentes serão feitas entre a equipe de transição e o atual secretário das subprefeituras, Ronaldo Camargo.
Cláusula pétrea O petista pediu aos deputados escalados para seu secretariado que abdiquem da reeleição em 2014. A regra incomodou Vicente Cândido, convidado a assumir o braço esportivo da nova gestão. Ele deseja presidir a CCJ da Câmara.
Mais uma Haddad bateu o martelo com sua equipe para a criação da 32ª subprefeitura, a de Sapopemba, na zona sudeste de São Paulo. O projeto de lei seguirá para a Câmara em janeiro.
Estica e puxa O prefeito eleito diz a interlocutores que manterá 27 secretarias no organograma municipal. As pastas que serão criadas (Mulher e Igualdade Racial) substituirão outras duas do atual desenho do governo.
Bancada Com a escolha de Sidney Beraldo para o TCE-SP, a composição do colegiado, um dos redutos do PMDB quercista, passa a ser majoritariamente ligada aos tucanos. Quatro dos sete conselheiros do órgão foram indicados pelas gestões de Mario Covas e Geraldo Alckmin.
In loco O governador cogita desistir da viagem a Paris, prevista para a semana que vem, em razão da crise na segurança. Secretários de seu núcleo político também foram orientados a cancelar agendas internacionais.
Antiácido Na conversa que teve com Lula ontem, em São Paulo, Dilma relatou os encontros com representantes de PMDB, PSB, PP e PSD. Concordaram que o saldo foi ótimo, mas que os próximos passos de Eduardo Campos (PSB) são uma incógnita.
No muro No jantar com o PP, a presidente obteve compromisso de apoio no Congresso, mas não ouviu juras sobre 2014. A sigla é comandada por Francisco Dornelles, que é tio de Aécio Neves, possível oponente da petista.
Dosimetria Em seu discurso de despedida, Carlos Ayres Britto destacou o apoio do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos a seu ingresso no STF. Um advogado do mensalão, na plateia, brincou com os colegas: "Agora sim, temos um culpado. Falta definir a pena".
Penetras Apesar da convivência quase diária há três meses, os advogados do caso não receberam convite para a posse de Joaquim Barbosa na presidência do Supremo, que será na semana que vem.
Data venia A possibilidade de que a renovação de concessões do setor elétrico vá parar na Justiça ganha força. Representantes de um escritório de advocacia que atua para a Cemig acompanharam in loco audiência pública ontem sobre a MP 579.
Visita à Folha José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, visitou ontem a Folha.
com FÁBIO ZAMBELI e BRENO COSTA
tiroteio
"Só quando seus amigos do PT estão prestes a ser presos o ministro percebeu que o sistema carcerário é ruim? E o que fará quanto a isso?"
DE ANDREA MATARAZZO (PSDB), vereador eleito, sobre José Eduardo Cardozo (Justiça) ter dito que preferia morrer a cumprir pena num presídio brasileiro.
contraponto
Controle de tráfego aéreo
Em almoço com José Anibal, secretário de Energia de São Paulo, e Marcus Pestana (PSDB-MG), Arnaldo Jardim (PPS-SP), demonstrou empolgação com a eventual candidatura presidencial de Eduardo Campos (PSB-PE).
Em seguida, durante sessão da comissão especial da MP do setor elétrico, Jardim se sentou ao lado do também presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG).
-Aécio, o Arnaldo está querendo viajar de São Paulo a Pernambuco sem passar por Minas -, disse Pestana.
- O problema é que esse voo pode ser desviado para Brasília e acabar no colo da Dilma -, respondeu Aécio.
Causa própria - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 15/11
Receosos de precisar dividir com mais gente o dinheiro do fundo partidário e o tempo de televisão no horário político, os grandes partidos se movimentam para mudar a Constituição em causa própria.
Querem aprovar ainda no primeiro semestre de 2013 uma emenda constitucional proibindo novas legendas de ter acesso àqueles benefícios antes da eleição seguinte à sua criação.
A razão está nos ensaios para o surgimento de novas agremiações depois que o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral deram ao PSD autorização para receber parcela do fundo e parte do horário de televisão na proporção da bancada de 47 deputados do partido.
A rigor a legenda não teria esse direito. As legislações ordinárias são explícitas: o dinheiro e o espaço nos meios de comunicação devem ser distribuídos conforme o número de deputados eleitos no pleito anterior.
Como o PSD foi criado depois das eleições de 2010 e não formou sua bancada a partir do resultado das urnas, mas mediante a adesão de deputados que abandonaram as legendas pelas quais foram eleitos, estaria claramente fora da regra.
Mas prevaleceu em ambos os tribunais o entendimento de que deveria ser levada em conta a "realidade" em detrimento da letra fria da lei.
E qual a realidade? Quando em 2007 o Supremo decidiu que a troca de partido teria como consequência a perda de mandatos, deixou aberta a exceção para quem se filiasse a uma nova legenda. Se a Justiça mesmo autorizara a infidelidade partidária nesse caso, não teria como negar a reivindicação do PSD.
Em suma: em tese, o Judiciário instituiu um fator de ordenação no quadro partidário e, na prática, acabou estimulando a proliferação de partidos. Há vários na fila.
O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, por exemplo, está em fase de montagem do Partido da Solidariedade com mais de 20 deputados já em vista.
As bancadas com representação na Câmara que até a decisão em favor do PSD estavam satisfeitas com a brecha aberta pelo STF para contornar a imposição de fidelidade, decidiram levantar uma barreira à entrada de novos candidatos ao reparte das verbas do fundo e no espaço para eles gratuito no rádio e na televisão.
Tempo e dinheiros estes, finitos: quando chega um novo sócio os antigos perdem cada qual um pouco do quinhão.
Apesar do argumento institucional - restrição às legendas de aluguel - a preocupação central é pragmática. Basta ver que um dos mais empenhados em passar o cadeado na porta arrombada é justamente Gilberto Kassab, o mentor do PSD.
Falência. A realidade sem dúvida alguma corrobora a declaração do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as condições degradantes dos presídios brasileiros - "preferiria morrer a cumprir pena".
Mas o senso de responsabilidade convidaria a algo além da mera constatação de que o sistema prisional está em situação falimentar.
O quadro é dantesco e conhecido: déficit brutal de vagas, cadeias entulhadas de gente, indiferença à legislação que permitiria ao Estado prender menos e "melhor", rejeição da sociedade aos gastos com a construção de presídios e o consequente desinteresse dos governadores em resolver o problema, falta de dinheiro em face da dimensão dos investimentos necessários, além dos gargalos que interditam a distribuição de recursos federais.
Por mais que a segurança pública seja atribuição dos Estados, a formulação da política nacional cabe ao governo federal. Quando o ministro faz seu desabafo, não leva em conta que seu partido está prestes a completar 10 anos no poder e já teve tempo suficiente para ao menos iniciar um processo de mudança de uma situação que requer mais prognósticos que diagnósticos.
Receosos de precisar dividir com mais gente o dinheiro do fundo partidário e o tempo de televisão no horário político, os grandes partidos se movimentam para mudar a Constituição em causa própria.
Querem aprovar ainda no primeiro semestre de 2013 uma emenda constitucional proibindo novas legendas de ter acesso àqueles benefícios antes da eleição seguinte à sua criação.
A razão está nos ensaios para o surgimento de novas agremiações depois que o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral deram ao PSD autorização para receber parcela do fundo e parte do horário de televisão na proporção da bancada de 47 deputados do partido.
A rigor a legenda não teria esse direito. As legislações ordinárias são explícitas: o dinheiro e o espaço nos meios de comunicação devem ser distribuídos conforme o número de deputados eleitos no pleito anterior.
Como o PSD foi criado depois das eleições de 2010 e não formou sua bancada a partir do resultado das urnas, mas mediante a adesão de deputados que abandonaram as legendas pelas quais foram eleitos, estaria claramente fora da regra.
Mas prevaleceu em ambos os tribunais o entendimento de que deveria ser levada em conta a "realidade" em detrimento da letra fria da lei.
E qual a realidade? Quando em 2007 o Supremo decidiu que a troca de partido teria como consequência a perda de mandatos, deixou aberta a exceção para quem se filiasse a uma nova legenda. Se a Justiça mesmo autorizara a infidelidade partidária nesse caso, não teria como negar a reivindicação do PSD.
Em suma: em tese, o Judiciário instituiu um fator de ordenação no quadro partidário e, na prática, acabou estimulando a proliferação de partidos. Há vários na fila.
O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, por exemplo, está em fase de montagem do Partido da Solidariedade com mais de 20 deputados já em vista.
As bancadas com representação na Câmara que até a decisão em favor do PSD estavam satisfeitas com a brecha aberta pelo STF para contornar a imposição de fidelidade, decidiram levantar uma barreira à entrada de novos candidatos ao reparte das verbas do fundo e no espaço para eles gratuito no rádio e na televisão.
Tempo e dinheiros estes, finitos: quando chega um novo sócio os antigos perdem cada qual um pouco do quinhão.
Apesar do argumento institucional - restrição às legendas de aluguel - a preocupação central é pragmática. Basta ver que um dos mais empenhados em passar o cadeado na porta arrombada é justamente Gilberto Kassab, o mentor do PSD.
Falência. A realidade sem dúvida alguma corrobora a declaração do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as condições degradantes dos presídios brasileiros - "preferiria morrer a cumprir pena".
Mas o senso de responsabilidade convidaria a algo além da mera constatação de que o sistema prisional está em situação falimentar.
O quadro é dantesco e conhecido: déficit brutal de vagas, cadeias entulhadas de gente, indiferença à legislação que permitiria ao Estado prender menos e "melhor", rejeição da sociedade aos gastos com a construção de presídios e o consequente desinteresse dos governadores em resolver o problema, falta de dinheiro em face da dimensão dos investimentos necessários, além dos gargalos que interditam a distribuição de recursos federais.
Por mais que a segurança pública seja atribuição dos Estados, a formulação da política nacional cabe ao governo federal. Quando o ministro faz seu desabafo, não leva em conta que seu partido está prestes a completar 10 anos no poder e já teve tempo suficiente para ao menos iniciar um processo de mudança de uma situação que requer mais prognósticos que diagnósticos.
A defesa de uma internet livre e aberta - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 15/11
Permitir que provedores cobrem tarifas diferenciadas em função do porte do usuário significará erguer barreiras à entrada de novos concorrentes na rede
A possibilidade de computadores de qualquer porte se interconectarem numa rede planetária levou a limites extraordinários a ideia de uma efetiva comunidade mundial, em que todos podem se comunicar. O conceito teórico da “aldeia global” virou realidade, e isso aqueceu a antiga chama do sonho de liberdade de expressão que acompanha a Humanidade através dos tempos. Mas, passada a primeira fase de euforia com a internet, constata-se que os predicados de uma rede mundial “livre e aberta” não estão garantidos por si só; é preciso preservá-los, sem se descuidar de direitos fundamentais como os de propriedade e privacidade.
Esta luta se trava em grande parte no campo legislativo, e não só no Brasil. No momento, por exemplo, discute-se, em fase de aprovação final na Câmara, para ser remetido ao Senado, o projeto do Marco Civil da Internet, relatado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ). Um ponto crítico no encaminhamento do projeto já foi bem resolvido, com a aceitação por Molon das ponderações contra a revogação do dispositivo legal que permite ao dono de qualquer obra notificar extrajudicialmente sites, blogs, o que seja, que não respeitem o direito autoral.
Mas falta resolver outro, o da chamada “neutralidade da rede”. O conceito é simples: o provedor tem de oferecer as mesmas condições de tráfego a todos os usuários. Não pode discriminá-los, sejam grande corporações ou internautas particulares. O princípio é de fácil entendimento, mas, em torno dele, travam-se duras batalhas entre lobbies, em que as empresas de telecomunicações, os provedores do serviço de internet, são as grandes interessadas em acabar com esta neutralidade, para ampliar o seu já alto faturamento na cobrança de tarifas mais elevadas de grandes usuários. Exemplos: agregadores de conteúdo (Google etc), redes sociais (Facebook), sites de grupos de mídia, e assim por diante.
Quem pode pagar, que pague. O conceito também é simples — mas este é equivocado. Afinal, investe contra uma internet “livre e aberta”, porque, no mundo sem esta neutralidade, só trafegarão na rede, sem dificuldades, os produtos digitais das grandes corporações. Há, ainda, o risco de provedores verticalizados beneficiarem os próprios sites e ainda prejudicarem concorrentes. O tema é muito sério. Nos Estados Unidos, a agência reguladora da área, a Federal Communications Commission (FCC) legislou favoravelmente à neutralidade e passou a ter sua autoridade contestada na Justiça por provedores. Na Europa, a tendência regulatória é a mesma. Está em questão até mesmo a característica de a internet ser um espaço livre para empreendedores. O fim da neutralidade funcionará, também, como uma barreira à entrada de novos competidores.
O Marco mantém a neutralidade da rede. Discute-se sobre quem deve regulamentar a lei: a Anatel e/ou o Executivo. Melhor continuar com a tramitação do projeto no Congresso e deixar este assunto para depois. O importante é que a regulamentação não altere o espírito da lei.
Permitir que provedores cobrem tarifas diferenciadas em função do porte do usuário significará erguer barreiras à entrada de novos concorrentes na rede
A possibilidade de computadores de qualquer porte se interconectarem numa rede planetária levou a limites extraordinários a ideia de uma efetiva comunidade mundial, em que todos podem se comunicar. O conceito teórico da “aldeia global” virou realidade, e isso aqueceu a antiga chama do sonho de liberdade de expressão que acompanha a Humanidade através dos tempos. Mas, passada a primeira fase de euforia com a internet, constata-se que os predicados de uma rede mundial “livre e aberta” não estão garantidos por si só; é preciso preservá-los, sem se descuidar de direitos fundamentais como os de propriedade e privacidade.
Esta luta se trava em grande parte no campo legislativo, e não só no Brasil. No momento, por exemplo, discute-se, em fase de aprovação final na Câmara, para ser remetido ao Senado, o projeto do Marco Civil da Internet, relatado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ). Um ponto crítico no encaminhamento do projeto já foi bem resolvido, com a aceitação por Molon das ponderações contra a revogação do dispositivo legal que permite ao dono de qualquer obra notificar extrajudicialmente sites, blogs, o que seja, que não respeitem o direito autoral.
Mas falta resolver outro, o da chamada “neutralidade da rede”. O conceito é simples: o provedor tem de oferecer as mesmas condições de tráfego a todos os usuários. Não pode discriminá-los, sejam grande corporações ou internautas particulares. O princípio é de fácil entendimento, mas, em torno dele, travam-se duras batalhas entre lobbies, em que as empresas de telecomunicações, os provedores do serviço de internet, são as grandes interessadas em acabar com esta neutralidade, para ampliar o seu já alto faturamento na cobrança de tarifas mais elevadas de grandes usuários. Exemplos: agregadores de conteúdo (Google etc), redes sociais (Facebook), sites de grupos de mídia, e assim por diante.
Quem pode pagar, que pague. O conceito também é simples — mas este é equivocado. Afinal, investe contra uma internet “livre e aberta”, porque, no mundo sem esta neutralidade, só trafegarão na rede, sem dificuldades, os produtos digitais das grandes corporações. Há, ainda, o risco de provedores verticalizados beneficiarem os próprios sites e ainda prejudicarem concorrentes. O tema é muito sério. Nos Estados Unidos, a agência reguladora da área, a Federal Communications Commission (FCC) legislou favoravelmente à neutralidade e passou a ter sua autoridade contestada na Justiça por provedores. Na Europa, a tendência regulatória é a mesma. Está em questão até mesmo a característica de a internet ser um espaço livre para empreendedores. O fim da neutralidade funcionará, também, como uma barreira à entrada de novos competidores.
O Marco mantém a neutralidade da rede. Discute-se sobre quem deve regulamentar a lei: a Anatel e/ou o Executivo. Melhor continuar com a tramitação do projeto no Congresso e deixar este assunto para depois. O importante é que a regulamentação não altere o espírito da lei.
O Dnit, depois da crise - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 15/11
Com o anúncio de que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) encerrará o ano com licitações em andamento no valor de R$ 20 bilhões para obras de reforma, ampliação ou duplicação de 37 mil quilômetros de rodovias, seu diretor-geral, general Jorge Fraxe, pretende demonstrar que ficou para trás a crise que mantinha o órgão praticamente paralisado há mais de um ano. Do total de obras previstas, 31 mil quilômetros já tiveram seus editais lançados, para contratos de até cinco anos de duração.
Transferido do comando da Divisão de Obras do Exército para sanear o Dnit e recuperar sua capacidade técnica, Fraxe rebate as críticas de baixa execução orçamentária do órgão, mas reconhece que os resultados de sua gestão demoraram para aparecer. "Assumimos o Dnit em crise", argumentou. "Nenhum diretor passou para a gente o que estava fazendo. Encontramos cadeiras vazias e precisamos recuperar todo o acervo de memória e de gestão." Em meados do ano passado, denúncias de cobrança de propinas no Ministério dos Transportes levaram à destituição da diretoria do Dnit e à substituição do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Na troca da direção no Dnit, porém, como explica seu diretor-geral, não houve nada que se comparasse a uma transição. Os que saíram nada disseram a seus sucessores sobre a situação dos projetos e contratos em andamento.
Ao anunciar o total das licitações lançadas até agora e das que serão lançadas até o fim do ano, Fraxe mostrou uma pilha de volumes de mais de 1 metro de altura, todos referentes a um único projeto de engenharia, que precisou ser inteiramente reavaliado pela nova administração do Dnit para retirar a obra do papel. Por causa de situações como essa, a revisão dos projetos paralisados por causa do escândalo das propinas foi lenta, justificou.
Em parte, a piora da qualidade da malha rodoviária nacional constatada em 2012 pela pesquisa anual da Confederação Nacional do Transporte (CNT) - a porcentagem da malha de 95,7 mil quilômetros considerada em estado regular, ruim ou péssimo passou de 57,3% em 2011 para 62,7% neste ano - talvez se deva à paralisia do Dnit.
Os gastos com rodovias previstos no Orçamento deste ano totalizam R$ 13,627 bilhões, mas, até o mês passado, apenas R$ 6,581 bilhões, ou 48,3%, tinham sido gastos, de acordo com o Ipea. Até o fim do ano, segundo informação da direção do Dnit, deverão ser gastos R$ 11 bilhões, valor comparável ao total gasto em 2010, ou seja, antes do surgimento da crise que afetou dramaticamente o desempenho do órgão.
No que se refere ao controle da execução orçamentária e dos contratos de obras, Fraxe anunciou a entrada em operação de um sistema em tempo real de monitoramento, que está sendo chamado de Boletim Eletrônico de Medição (BEM), por meio do qual qualquer cidadão poderá acompanhar o estágio das obras e dos pagamentos realizados. O sistema já alcança 107 projetos que integram o PAC.
Se confirmados, o saneamento administrativo e financeiro do Dnit e a recuperação de sua capacidade operacional contribuirão para reduzir os imensos problemas de infraestrutura que retardam o crescimento do País e reduzem a competitividade de nossos produtos. Estima-se que cerca de 60% de toda a carga movimentada no País seja transportada por caminhões. Mas a malha pavimentada é insuficiente e está em mau estado.
Nos últimos meses, o governo anunciou programas de infraestrutura que mostram que o assunto começa a ser tratado com mais atenção e de maneira articulada. Um desses programas, o de investimentos em logística, anunciado em agosto pela presidente Dilma Rousseff, prevê a concessão de 7,5 mil quilômetros de rodovias e de 10 mil quilômetros de ferrovias federais à iniciativa privada.
É preciso que esses projetos saiam do papel, sobretudo os de concessão à iniciativa privada - que, como mostram as rodovias privatizadas em São Paulo, consideradas as melhores do País, atende melhor às necessidades do usuário que o setor público.
PIB sonolento - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 15/11
Passada a letargia do primeiro semestre, parece confirmar-se o prognóstico de lenta recuperação do PIB neste final de ano, até o ritmo de 3,5% anualizados, que, espera-se, poderá se manter em 2013.
Os dados da indústria e das vendas no varejo apontam melhora desde o terceiro trimestre, sobretudo no setor de automóveis.
Seria um erro, porém, considerar o dinamismo setorial um indicativo forte do restante da economia. Um fator importante para o crescimento anda fraco: o crédito ao consumidor está estagnado, e a capacidade de endividamento das famílias parece chegar ao fim.
Os estímulos ao consumo, úteis como medida pontual para sustar a desaceleração, não têm, contudo, restaurado o funcionamento da máquina produtiva. As evidências indicam que, agora, o gargalo está na capacidade de produção.
Custos crescentes dificultam o investimento privado. A inflação salarial de 10% ao ano, fruto de um mercado de trabalho apertado, está bastante acima dos ganhos de produtividade e explica em parte o decepcionante desempenho da indústria. A produção de bens de capital teve queda de 12,4% de janeiro a setembro deste ano, na comparação com 2011.
Os indicadores de confiança empresarial até têm melhorado, mas nada muito animador. Sem a retomada forte do investimento, dificilmente o PIB superará, de forma sustentável, os 3,5% esperados.
A combinação de escassez de mão de obra e consumo pressionado resulta em mais inflação. Não há perda de controle, mas um crescimento do PIB de 2% ao ano (média de 2011 e 2012) e uma inflação de 6% começam a compor o cenário mais temido: a economia patina, mas os preços sobem.
No curto prazo, a queda recente dos preços agrícolas e a expectativa de redução nas tarifas de eletricidade permitem projetar inflação na marca de 5,5% ao ano.
Não se pode descartar, porém, uma escalada para cerca de 6,5%, teto da meta de inflação. Se isso ocorrer, com o PIB em 3,5%, o governo terá mais dificuldade para manter a economia em ordem.
A melhor forma de minimizar tal risco é insistir em medidas que reduzam os custos e aumentem a produtividade. O governo dá sinais de que atenta para esses imperativos, ao reduzir preços de energia e desonerar a folha de pagamento em alguns setores, mas os resultados ainda tardarão. O clima não melhorará tão cedo a ponto de despertar o espírito animal dos empresários da hibernação.
Passada a letargia do primeiro semestre, parece confirmar-se o prognóstico de lenta recuperação do PIB neste final de ano, até o ritmo de 3,5% anualizados, que, espera-se, poderá se manter em 2013.
Os dados da indústria e das vendas no varejo apontam melhora desde o terceiro trimestre, sobretudo no setor de automóveis.
Seria um erro, porém, considerar o dinamismo setorial um indicativo forte do restante da economia. Um fator importante para o crescimento anda fraco: o crédito ao consumidor está estagnado, e a capacidade de endividamento das famílias parece chegar ao fim.
Os estímulos ao consumo, úteis como medida pontual para sustar a desaceleração, não têm, contudo, restaurado o funcionamento da máquina produtiva. As evidências indicam que, agora, o gargalo está na capacidade de produção.
Custos crescentes dificultam o investimento privado. A inflação salarial de 10% ao ano, fruto de um mercado de trabalho apertado, está bastante acima dos ganhos de produtividade e explica em parte o decepcionante desempenho da indústria. A produção de bens de capital teve queda de 12,4% de janeiro a setembro deste ano, na comparação com 2011.
Os indicadores de confiança empresarial até têm melhorado, mas nada muito animador. Sem a retomada forte do investimento, dificilmente o PIB superará, de forma sustentável, os 3,5% esperados.
A combinação de escassez de mão de obra e consumo pressionado resulta em mais inflação. Não há perda de controle, mas um crescimento do PIB de 2% ao ano (média de 2011 e 2012) e uma inflação de 6% começam a compor o cenário mais temido: a economia patina, mas os preços sobem.
No curto prazo, a queda recente dos preços agrícolas e a expectativa de redução nas tarifas de eletricidade permitem projetar inflação na marca de 5,5% ao ano.
Não se pode descartar, porém, uma escalada para cerca de 6,5%, teto da meta de inflação. Se isso ocorrer, com o PIB em 3,5%, o governo terá mais dificuldade para manter a economia em ordem.
A melhor forma de minimizar tal risco é insistir em medidas que reduzam os custos e aumentem a produtividade. O governo dá sinais de que atenta para esses imperativos, ao reduzir preços de energia e desonerar a folha de pagamento em alguns setores, mas os resultados ainda tardarão. O clima não melhorará tão cedo a ponto de despertar o espírito animal dos empresários da hibernação.
O abismo da insensatez - ALBERTO TAMER
O Estado de S.Paulo - 15/11
Com abismo fiscal ou não nos Estados Unidos, há um outro abismo talvez mais grave, é o da insensatez nos governos da zona do euro que, com suas políticas de corte de gastos, aumentam o risco de provocar uma nova recessão ao redor do mundo.
É o alerta do FMI que, no momento, ainda alimenta alguma esperança de que outros países ainda se sustentem. Mas a previsão feita na semana passada é que aumentaram os riscos de que a economia mundial cresça menos de 2% em 2013. Antes, o FMI previa 3,6%, mas com a contaminação em algumas economias emergentes e a recessão na zona do euro aumentaram em 20% as chances de um crescimento inferior a 2%.
Nunca, desde a crise de 2008, os técnicos do Fundo foram tão pessimistas. E têm motivos para isso. Mesmo se desfeito agora, os efeitos do abismo fiscal serão substanciais. Há pouca esperança de que as medidas que terminam no dia 31 de dezembro sejam prorrogadas sem alterações deformantes. Os republicanos disseram, após a derrota, que estão abertos para negociar, mas não concordam com pontos fundamentais como aumento dos impostos sobre rendimentos anuais acima de US$ 250 mil. Barack Obama fez novos apelos, diz que nada pede além do retorno do imposto aos níveis que estavam no governo Clinton - um governo em que os déficits foram zerados e a economia manteve um ritmo surpreendente de crescimento e solidez fiscal.
Insensatez. E isso porque além do abismo fiscal nos Estados Unidos, há outro mais sério, é o da insensatez que se instala na zona do euro, e leva as principais economias à recessão. Neste caso, não é risco, a ameaça é real. A insensatez da austeridade imediata ao custo do crescimento, de corte de gastos, investimentos, elevação de impostos enquanto a demanda recua, a produção industrial cai e o desemprego aumenta.
De novo! Nos últimos dias, a União Europeia se aprofundou ainda mais nesse abismo. A Comissão Europeia cortou 50 bilhões do seu orçamento e a Alemanha aprovou corte geral de gastos em 3,1% e redução do déficit orçamentário de 18,8 bilhões para 17 bilhões. E isso no momento em que a economia registra forte desaceleração. Nesta semana, a Comissão Europeia também reduziu a previsão de crescimento alemão no próximo ano de 1,7% para 0,8% com sinais de retração maior provocada pela desaceleração nos EUA, na China e, principalmente, nos 17 países da zona do euro - seus principais mercados. Se a Alemanha recuar ainda mais, "a situação dos países da região corre o risco de se tornar insustentável", alerta o FMI.
Ao todo, nos EUA e na Europa, deixariam de entrar na economia mais de US$ 1 trilhão sem contar os recursos que os bancos e os investidores estão retendo. Os emergentes ainda poderiam ajudar, menos, porém, do que o FMI previa há alguns meses. "O potencial da produção tanto nas economias avançadas quanto nas emergentes foi superestimado", diz o Fundo.
Novo conceito de déficit. Os alertas do Fundo e as análises apresentadas pelos ministros na reunião do G-20, nos dias 4 e 5, levantaram uma nova questão. E se os outros países, até agora menos atingidos, adotarem políticas fiscais semelhantes para aumentar reservas, conter e se prevenir contra crises futuras? E se eles, os emergentes, também começarem a cortar gastos e investimentos? Não foi isso o que se viu na China, há alguns meses, e até mesmo no Brasil, aceitando um crescimento menor? Parece que ambos - os únicos citados pela diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, como em crescimento, reviram suas políticas nos dois últimos meses. E a outra metade do PIB mundial que não se somam aos 50% dos Estados Unidos e da União Europeia?
O G-20 e, indiretamente, alguns analistas do Fundo, levantaram na reunião do México a ideia de que as principais economias do mundo vão se conceder mais margem de manobra para atingirem as próprias metas de redução de déficit orçamentário, em vez de arriscar agravar a desaceleração econômica em muitos países, segundo o comunicado dos ministros de Finanças do G-20. Não é especulação, estava lá, textualmente, no relatório final. "Vamos garantir que o ritmo de consolidação fiscal seja apropriado para dar suporte ao crescimento." Como? Usando um novo conceito de déficit fiscal deduzindo, por exemplo, os efeitos da recessão.... Será que eles estão recomendando que os países emergentes gastem mais e economizem menos? É tema mais do que polêmico que levantaram no México.
Fugindo da cadeia - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 15/11
É meio vergonhoso para o PT, há dez anos no poder, que a situação desumana de nosso sistema penitenciário vire tema de debate só agora que líderes petistas estão sendo condenados a penas que implicam necessariamente regime fechado.
Chega a ser patético que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final das contas responsável pelo monitoramento das condições em que as penas são cumpridas, diga em público que preferiria morrer caso fosse condenado a muitos anos de prisão. Dois anos no cargo, e o ministro só se mobiliza para pôr a situação das prisões brasileiras em discussão no momento em que companheiros seus de partido são condenados a sentir na própria pele as situações degradantes a que presos comuns estão expostos há muitos e muitos anos, os dez últimos sob o comando do PT.
Também o ministro revisor Ricardo Lewandowski apressou-se a anunciar que muito provavelmente o ex-presidente do PT José Genoino vai cumprir sua pena em prisão domiciliar porque não há vagas nos estabelecimentos penais apropriados para reclusões em regime semiaberto. Para culminar, vem Dias Toffoli defender que as condenações restritivas da liberdade sejam trocadas por penas alternativas e multas em dinheiro. Tudo parece compor um quadro conspiratório para tentar evitar que os condenados pelo mensalão acabem indo para a cadeia, última barreira a ser superada para que a impunidade que vigora para crimes cometidos por poderosos e ricos deixe de ser a regra.
Dias Toffolli, para justificar sua tentativa de tirar da cadeia os petistas condenados, defendeu a tese de que eram meros assaltantes dos cofres públicos, sem objetivos políticos: “Os réus cometeram desvios com intuito financeiro, não atentaram contra a democracia, que é mais sólida que tudo isso! Era o vil metal. Que se pague com o vil metal.”
Luiz Fux chegou a lembrar que apenas o Congresso pode mudar o Código Penal, que no momento estipula penas restritivas de liberdade para o tipo de crime que está sendo julgado. Gilmar Mendes, que, quando foi presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), comandou mutirão nacional para regularizar a situação de condenados em situação irregular nas cadeias depois de cumpridas as penas, lamentou que o ministro da Justiça tivesse falado só agora, “já que esse tema é conhecido desde sempre e é muito sério”. Ele não esqueceu a culpa da própria Justiça, que “não consegue julgar no tempo adequado estas questões”, mas ressaltou que “há uma grande responsabilidade de todos os governos se aí não há recursos para fazer presídios”.
O decano do Supremo, Celso de Mello, foi objetivo sobre “a grande a responsabilidade do Ministério da Justiça”, lembrando que um dos órgãos mais expressivos na estrutura penitenciária é o Departamento Penitenciário Nacional, ao qual cabe acompanhar as normas de execução penal em todo o território nacional, fiscalizar periodicamente o sistema prisional.
“O que temos visto no sistema prisional brasileiro é um depósito de presos, pessoas abandonadas à própria sorte por irresponsabilidade do poder público. É importante que o ministro tenha feito essa observação de maneira muito cândida, mas é preciso que o poder público exerça a parte executiva, sob pena de se frustrar a finalidade para a qual a pena foi concebida”, ressaltou Celso de Mello.
Para o decano da Corte, a prática da lei de execução penal “tornou-se um exercício irresponsável de ficção jurídica, uma vez que o Estado mantém-se desinteressado desta fase delicadíssima de implantação das sanções penais proclamadas pelo Poder Judiciário”
E lembrou que um artigo da lei de execução penal determina que a pena deve ser cumprida em um local com dormitório, aparelho sanitário e lavatório, salubridade do ambiente, área mínima de seis metros quadrados. E o que se tem em realidade é um “inferno carcerário”.
Querer evitar a prisão de políticos poderosos e banqueiros pretextando a péssima situação de nosso sistema carcerário é debochar da opinião pública, menosprezar os que já estão vivendo essa situação degradante e não encarar um problema gravíssimo que exige política de governo em vez de uma esdrúxula campanha.
É meio vergonhoso para o PT, há dez anos no poder, que a situação desumana de nosso sistema penitenciário vire tema de debate só agora que líderes petistas estão sendo condenados a penas que implicam necessariamente regime fechado.
Chega a ser patético que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no final das contas responsável pelo monitoramento das condições em que as penas são cumpridas, diga em público que preferiria morrer caso fosse condenado a muitos anos de prisão. Dois anos no cargo, e o ministro só se mobiliza para pôr a situação das prisões brasileiras em discussão no momento em que companheiros seus de partido são condenados a sentir na própria pele as situações degradantes a que presos comuns estão expostos há muitos e muitos anos, os dez últimos sob o comando do PT.
Também o ministro revisor Ricardo Lewandowski apressou-se a anunciar que muito provavelmente o ex-presidente do PT José Genoino vai cumprir sua pena em prisão domiciliar porque não há vagas nos estabelecimentos penais apropriados para reclusões em regime semiaberto. Para culminar, vem Dias Toffoli defender que as condenações restritivas da liberdade sejam trocadas por penas alternativas e multas em dinheiro. Tudo parece compor um quadro conspiratório para tentar evitar que os condenados pelo mensalão acabem indo para a cadeia, última barreira a ser superada para que a impunidade que vigora para crimes cometidos por poderosos e ricos deixe de ser a regra.
Dias Toffolli, para justificar sua tentativa de tirar da cadeia os petistas condenados, defendeu a tese de que eram meros assaltantes dos cofres públicos, sem objetivos políticos: “Os réus cometeram desvios com intuito financeiro, não atentaram contra a democracia, que é mais sólida que tudo isso! Era o vil metal. Que se pague com o vil metal.”
Luiz Fux chegou a lembrar que apenas o Congresso pode mudar o Código Penal, que no momento estipula penas restritivas de liberdade para o tipo de crime que está sendo julgado. Gilmar Mendes, que, quando foi presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), comandou mutirão nacional para regularizar a situação de condenados em situação irregular nas cadeias depois de cumpridas as penas, lamentou que o ministro da Justiça tivesse falado só agora, “já que esse tema é conhecido desde sempre e é muito sério”. Ele não esqueceu a culpa da própria Justiça, que “não consegue julgar no tempo adequado estas questões”, mas ressaltou que “há uma grande responsabilidade de todos os governos se aí não há recursos para fazer presídios”.
O decano do Supremo, Celso de Mello, foi objetivo sobre “a grande a responsabilidade do Ministério da Justiça”, lembrando que um dos órgãos mais expressivos na estrutura penitenciária é o Departamento Penitenciário Nacional, ao qual cabe acompanhar as normas de execução penal em todo o território nacional, fiscalizar periodicamente o sistema prisional.
“O que temos visto no sistema prisional brasileiro é um depósito de presos, pessoas abandonadas à própria sorte por irresponsabilidade do poder público. É importante que o ministro tenha feito essa observação de maneira muito cândida, mas é preciso que o poder público exerça a parte executiva, sob pena de se frustrar a finalidade para a qual a pena foi concebida”, ressaltou Celso de Mello.
Para o decano da Corte, a prática da lei de execução penal “tornou-se um exercício irresponsável de ficção jurídica, uma vez que o Estado mantém-se desinteressado desta fase delicadíssima de implantação das sanções penais proclamadas pelo Poder Judiciário”
E lembrou que um artigo da lei de execução penal determina que a pena deve ser cumprida em um local com dormitório, aparelho sanitário e lavatório, salubridade do ambiente, área mínima de seis metros quadrados. E o que se tem em realidade é um “inferno carcerário”.
Querer evitar a prisão de políticos poderosos e banqueiros pretextando a péssima situação de nosso sistema carcerário é debochar da opinião pública, menosprezar os que já estão vivendo essa situação degradante e não encarar um problema gravíssimo que exige política de governo em vez de uma esdrúxula campanha.
Hu aqui e Lula lá, na China - ROBERTO MACEDO
O Estado de S.Paulo - 15/11
Depois de dez anos no poder, o presidente da China, Hu Jintao, está de saída. Por aqui, Lula ficou num período que coincidiu com os primeiros oito desses dez. Não sei se já o fez, mas Lula deveria agradecer a Hu pela grande ajuda que recebeu dele, do Partido Comunista (PC) chinês e da China, quando governou. Sob Lula, e como nunca antes neste país, o PC chinês e seus líderes fizeram mais pelo Brasil do que qualquer dos nossos partidos políticos e suas lideranças.
Quem segue meus artigos sabe que defendo a tese de que as duas principais forças que impulsionaram o crescimento do Brasil no período 2004-2008 e em 2010 foram a expansão da economia mundial e a do crédito doméstico. Na primeira expansão a China teve enorme papel, pois o forte crescimento de sua economia levou a um vigoroso aumento de suas importações, em particular beneficiando o Brasil. Com isso nosso país pôde expandir sensivelmente suas exportações de commodities agrícolas e minerais, e a preços muito maiores. E não só para a China, mas também desses e de outros produtos para vários países, como a Argentina, que também se beneficiaram da maior demanda chinesa, e viram crescer suas economias a taxas mais elevadas.
Sobre a influência econômica chinesa no Brasil recorro também à notícia na Folha de S.Paulo do último domingo intitulada PIB do Brasil fica mais atrelado ao ritmo chinês, baseada em estudo da Pimco, uma grande administradora internacional de fundos de investimentos. Segundo ele, entre 2005 e 2007 cada 1% de aumento do PIB chinês levava a apenas 0,1% de aumento do brasileiro. Mas esse número teria aumentado muito nos anos seguintes e alcançado 2,4% entre o segundo trimestre de 2011 e o mesmo período de 2012.
Na mesma matéria, o governo brasileiro nega que a dependência da China seja grande, afirmando que as exportações do Brasil representam apenas 12% do PIB, e já vi dados de que as destinadas àquele país correspondem só a 2% do mesmo PIB.
Entendo que os dois primeiros números da Pimco subestimam a importância da influência econômica chinesa no Brasil, que os dois últimos carecem de reexame e que não se pode avaliar tal importância apenas pelos números de exportação brasileira para a China. Não sei de estudos que tenham examinado a questão com maior amplitude e o rigor metodológico de que carece. Uma análise desse tipo deveria averiguar tal influência nas várias formas em que aqui se manifesta, e levando em conta a interação de todas no contexto de um processo. Em particular, ela não se deu somente pela demanda chinesa por nossas exportações, mas também, como já dito, por seu impacto nas exportações de outros países para a China, efeito esse que neles gerou renda e ainda ampliou suas importações do Brasil.
Aqui, entre outros aspectos, deveriam ser contados os efeitos multiplicadores de todas essas exportações ampliadas, que geraram demanda interna, impostos para o governo e, também como nunca antes neste país, forte expansão de nossas reservas de moeda forte, que robusteceram Brasil ante crises externas. Com elas escapamos de efeitos mais fortes da crise do biênio 2008-2009, que, embora mais acentuada que outras passadas, não teve os efeitos desastrosos de então, de forte desvalorização do real, aumento da inflação e da dívida pública dolarizada, seguidos de medidas econômicas recessivas.
E mais: sem os ventos favoráveis da China e da economia mundial, e os impostos adicionais que trouxeram, Lula teria enfrentado enormes dificuldades para ampliar os gastos sociais de que tanto se gaba, mas cujo efeito sobre a expansão econômica ocorrida em seu período tem sido exagerado. O Bolsa-Família, por exemplo, tem uma dimensão perto de apenas 0,5% do PIB e a expansão dos benefícios do INSS, decorrentes do aumento do salário mínimo, alcançou cerca de 3% do PIB.
Em comparação, a outra fonte de estímulo já citada, a expansão do crédito, chegou perto de 25% do PIB. Mas as condições básicas para que ocorresse foram criadas no governo FHC, que com o Plano Real estabilizou a moeda nacional e levou a taxas de juros mais baixas, dois movimentos fundamentais nessa expansão. Neste caso, Lula teria de agradecer a seu antecessor, o que seria pedir muito.
Mas se Lula fosse convidado para uma visita à China, agora com mais tempo na sua condição de ex-mandatário, sua estadia seria oportuna e poderia ser proveitosa para aquele país. Em que pese seu imenso prestígio econômico, a China é sabidamente frágil na proteção social dada pelo governo, em particular na previdência e na assistência social, com o que as pessoas dependem fortemente do apoio de suas próprias famílias. Pelo que li, ainda predomina o primitivo sistema, que chamo de "bolsa da família", em que carentes, idosos e doentes se sustentam com recursos dela. E Lula é pós-graduado em gastar dinheiro público em programas sociais, com bolsas e desembolsos de todo tipo.
De nossa parte, alguém deveria, em reciprocidade, convidar o presidente Hu Jintao a vir ao Brasil, para ensinar aos nossos governantes como aumentar nossa taxa de investimentos. Ou seja, aquela proporção do PIB que não é consumida, mas destinada à ampliação da capacidade produtiva do país, na forma de fábricas, metrôs, estradas, aeroportos, escolas, hospitais, fazendas e tudo mais que possa produzir mais bens e serviços. Neste caso, a China, que investe mais de 40% do seu PIB, ganha de lavada do Brasil, cuja medíocre taxa está em torno de apenas 18%.
Por essa razão a China cresce muito e o Brasil cresce pouco. Aqui é preciso martelar isso à exaustão, para que definitivamente aprendamos o que deveria ser óbvio. Isto é, que a preponderância de incentivos ao consumo não leva pessoas, famílias e países pelo caminho da prosperidade.
Feriado! Vou catar piolho na praia! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 15/11
No Brasil tudo se resolve levantando a espada! Levantou a espada, proclama qualquer coisa!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E levanta a espada! Hoje é Proclamação da República! Deodoro da Fonseca levanta a espada! Dom Pedro 1º levanta a espada! No Brasil tudo se resolve levantando a espada! Levantou a espada, proclama qualquer coisa!
E a temperatura caiu tanto em São Paulo que, se der toque de recolher, o povo agradece! E São Paulo e Santa Catarina deviam juntar os ônibus incendiados e fazer uma viação: Viação São João! Ao ponto!
E eu tenho uma amiga tão carente que se apaixona até por telemarketing! E eu tenho uma tia tão chata que quem inventa desculpa pra desligar são eles!
E quem devia ter anunciado a sentença do Dirceu era aquele do Carnaval do Rio. "José Dirceu: DEEEEEZZZZ!" E adorei a charge do Vasqs: "Cansado de ouvir tanta barbosidowski, o ministro Levantowski e saiu sem pedir datavenowski".
E ontem em São Paulo foi o dia das quatro marchas: parado, paralisado, ponto morto e puto da vida. E mais duas: ré e revoltado! E em BH é: paradim, guarradim, fica quietim e num mexe nem um tiquim!
Brasileiro reclama tanto que hoje devia ser Reclamação da República! Proclamaram a República, mas no Brasil tudo é rei: Rei Pelé, Rei Roberto Carlos, Rei do Gado, Rei do Bacalhau, Rainha do Bumbum, Rainha dos Baixinhos. Em São Paulo tem uma padaria chamada Rainha da Traição! Esse levou um corno de rei!
E sabe por que proclamaram a República? Pra gente votar no Collor, no Romário, no Maluf e na Mulher Pera! Proclamaram a República. Mas esqueceram de avisar o FHC. Que tá sempre com aquela cara de rei no exílio!
E monarquia mesmo é a monarquia britânica. Que depois que caiu na gandaia virou putarquia. Putarquia britânica! Monarquia é na Espanha, em que o rei ainda caça elefante. Aliás, o rei Juan Carlos Caçador de Elefante esteve em Brasília e sabe o que a Dilma disse? "Eu sou gorda, mas não sou elefante". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasileiro é Cordial! Olha essa placa: "Seu ladranzinho puga de bunda, se eu te pego vou te escrachar, seu cuzão". O Brasileiro é Fofo! Olha essa placa em Salvador: "Servimos almoço popular e higiênico para pessoas simples". Fofos!
E sabe o que eu vou fazer nesse feriadão? Catar piolho na praia! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
No Brasil tudo se resolve levantando a espada! Levantou a espada, proclama qualquer coisa!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E levanta a espada! Hoje é Proclamação da República! Deodoro da Fonseca levanta a espada! Dom Pedro 1º levanta a espada! No Brasil tudo se resolve levantando a espada! Levantou a espada, proclama qualquer coisa!
E a temperatura caiu tanto em São Paulo que, se der toque de recolher, o povo agradece! E São Paulo e Santa Catarina deviam juntar os ônibus incendiados e fazer uma viação: Viação São João! Ao ponto!
E eu tenho uma amiga tão carente que se apaixona até por telemarketing! E eu tenho uma tia tão chata que quem inventa desculpa pra desligar são eles!
E quem devia ter anunciado a sentença do Dirceu era aquele do Carnaval do Rio. "José Dirceu: DEEEEEZZZZ!" E adorei a charge do Vasqs: "Cansado de ouvir tanta barbosidowski, o ministro Levantowski e saiu sem pedir datavenowski".
E ontem em São Paulo foi o dia das quatro marchas: parado, paralisado, ponto morto e puto da vida. E mais duas: ré e revoltado! E em BH é: paradim, guarradim, fica quietim e num mexe nem um tiquim!
Brasileiro reclama tanto que hoje devia ser Reclamação da República! Proclamaram a República, mas no Brasil tudo é rei: Rei Pelé, Rei Roberto Carlos, Rei do Gado, Rei do Bacalhau, Rainha do Bumbum, Rainha dos Baixinhos. Em São Paulo tem uma padaria chamada Rainha da Traição! Esse levou um corno de rei!
E sabe por que proclamaram a República? Pra gente votar no Collor, no Romário, no Maluf e na Mulher Pera! Proclamaram a República. Mas esqueceram de avisar o FHC. Que tá sempre com aquela cara de rei no exílio!
E monarquia mesmo é a monarquia britânica. Que depois que caiu na gandaia virou putarquia. Putarquia britânica! Monarquia é na Espanha, em que o rei ainda caça elefante. Aliás, o rei Juan Carlos Caçador de Elefante esteve em Brasília e sabe o que a Dilma disse? "Eu sou gorda, mas não sou elefante". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasileiro é Cordial! Olha essa placa: "Seu ladranzinho puga de bunda, se eu te pego vou te escrachar, seu cuzão". O Brasileiro é Fofo! Olha essa placa em Salvador: "Servimos almoço popular e higiênico para pessoas simples". Fofos!
E sabe o que eu vou fazer nesse feriadão? Catar piolho na praia! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Se fosse um filme - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
O GLOBO - 15/11
Confesso que foi com um certo sadismo que fiz questão de acompanhar a confirmação da vitória do Barack Obama na rede de televisão Fox, que chama seu próprio noticiário de “justo e equilibrado” mas é escancaradamente de direita, e fez campanha contra o Baraca desde o seu primeiro dia como candidato a presidente, na eleição anterior. A Fox até que foi justa e equilibrada ao anunciar antes da rival CNN que os números asseguravam a vitória do democrata, mas lutou contra a realidade até o último minuto. A cena mais cômica da resistência à derrota eu perdi: Karl Rove, um dos cérebros do partido republicano, estrategista e eminência nada parda do governo Bush, transformado em comentarista político da rede, recusou-se a aceitar os cálculos dos próprios tabuladores da Fox e foi protagonista do grande vexame da noite, exigindo que as contas fossem refeitas, até ser convencido de que não havia mesmo mais esperança.
Se as eleições americanas fossem um filme do Frank Capra o enredo seria simples e cativante: mais uma vez políticos sem escrúpulos e os lóbis do dinheiro eram derrotados pelo homem comum, no caso minorias que não se deixaram levar por campanhas milionárias e mesmo com muito menos recursos reelegeram o candidato da solidariedade e da justiça. O filme poderia terminar com o Karl Rove – que além de tudo tem o físico para o papel de “gato gordo” – vociferando contra o resultado. Mas o Frank Capra já morreu e não fazem mais filmes como os dele. Romney mobilizou uma quantidade fabulosa de dinheiro, mas parece que o Obama mobilizou ainda mais. Desde que a justiça americana permitiu que empresas doassem dinheiro para campanhas eleitorais como se fossem pessoas físicas, sem limites, o que havia de disponível para gastar ultrapassava qualquer divisão entre dinheiro bom e ruim, ou nosso e deles. Nunca se gastou tanto numa eleição americana como nesta, e as campanhas foram sujas de lado a lado. Mas o vexame do Karl Rove compensou tudo o que os democratas gastaram.
No dia seguinte, na Fox, um figurão do partido republicano – sim, o Karl Rove de novo, sem nenhum sinal aparente de ter sentido o golpe – analisava a derrota do Romney e recomendava ao seu partido o óbvio, que tentasse conquistar as minorias que deram a vitória ao Baraca. Ele deve continuar como comentarista do “justo e equilibrado”. No filme imaginário do Frank Capra ele talvez terminasse com uma banca de frutas.
Confesso que foi com um certo sadismo que fiz questão de acompanhar a confirmação da vitória do Barack Obama na rede de televisão Fox, que chama seu próprio noticiário de “justo e equilibrado” mas é escancaradamente de direita, e fez campanha contra o Baraca desde o seu primeiro dia como candidato a presidente, na eleição anterior. A Fox até que foi justa e equilibrada ao anunciar antes da rival CNN que os números asseguravam a vitória do democrata, mas lutou contra a realidade até o último minuto. A cena mais cômica da resistência à derrota eu perdi: Karl Rove, um dos cérebros do partido republicano, estrategista e eminência nada parda do governo Bush, transformado em comentarista político da rede, recusou-se a aceitar os cálculos dos próprios tabuladores da Fox e foi protagonista do grande vexame da noite, exigindo que as contas fossem refeitas, até ser convencido de que não havia mesmo mais esperança.
Se as eleições americanas fossem um filme do Frank Capra o enredo seria simples e cativante: mais uma vez políticos sem escrúpulos e os lóbis do dinheiro eram derrotados pelo homem comum, no caso minorias que não se deixaram levar por campanhas milionárias e mesmo com muito menos recursos reelegeram o candidato da solidariedade e da justiça. O filme poderia terminar com o Karl Rove – que além de tudo tem o físico para o papel de “gato gordo” – vociferando contra o resultado. Mas o Frank Capra já morreu e não fazem mais filmes como os dele. Romney mobilizou uma quantidade fabulosa de dinheiro, mas parece que o Obama mobilizou ainda mais. Desde que a justiça americana permitiu que empresas doassem dinheiro para campanhas eleitorais como se fossem pessoas físicas, sem limites, o que havia de disponível para gastar ultrapassava qualquer divisão entre dinheiro bom e ruim, ou nosso e deles. Nunca se gastou tanto numa eleição americana como nesta, e as campanhas foram sujas de lado a lado. Mas o vexame do Karl Rove compensou tudo o que os democratas gastaram.
No dia seguinte, na Fox, um figurão do partido republicano – sim, o Karl Rove de novo, sem nenhum sinal aparente de ter sentido o golpe – analisava a derrota do Romney e recomendava ao seu partido o óbvio, que tentasse conquistar as minorias que deram a vitória ao Baraca. Ele deve continuar como comentarista do “justo e equilibrado”. No filme imaginário do Frank Capra ele talvez terminasse com uma banca de frutas.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Lamento que o ministro tenha falado nisso só agora”
Ministro Gilmar Mendes (STF) sobre a crítica do ministro da Justiça aos presídios
MINISTRO RECLAMA, MAS INVESTIU POUCO EM PRESÍDIOS
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) provocou grande polêmica ao declarar que prefere morrer a cumprir pena de prisão nos “presídios medievais brasileiros”, mas bem que poderia aproveitar para explicar porque em 2012 o governo Dilma mobilizou apenas R$ 20,9 mil dos R$ 27,6 milhões previstos pelo Orçamento para construir o quinto presídio federal de segurança máxima. Usou apenas 0,001% dos recursos.
APENAS A METADE
Dos R$ 238 milhões para presídios estaduais, o Ministério da Justiça só empenhou (não gastou, ecessariamente) R$119 milhões, em 2012.
MAIS VAGAS
Por sua assessoria, o ministro da Justiça celebra gastos de R$ 270 milhões, em 2011, para “novas vagas” em vinte projetos estaduais.
CONTINGENCIADO
O Fundo Penitenciário (Fupen), do Ministério da Justiça, acumulou R$ 1,3 bilhão desde sua criação, há 18 anos. Dinheiro jamais utilizado.
FONTE SEGURA
O Fupen foi criado pela Lei Complementar 79, de 1994, e reserva 3% das loterias federais para investimentos no sistema penitenciário.
ARGENTINOS REVOLTADOS BLOQUEIAM CHECK-IN DA GOL
A GOL provocou grande revolta em dezenas de passageiros argentinos que aguardavam embarque para Córdoba, ontem, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O embarque, previsto para o meio-dia, foi cancelado subitamente, sem qualquer explicação, provocando grande revolta. Os argentinos, revoltados com a falta de consideração e de explicações, bloquearam os postos de check-in da companhia aérea.
ASSIM CAMINHA...
A marcha dos acontecimentos do mensalão inverteu a prática petista: Lula não vai falar mais do julgamento e Zé Dirceu falará o tempo todo.
ARTICULAÇÕES
O PSC se reunirá nos próximos dias 24 e 25 em congresso em Salvador para discutir cenário político e as articulações para 2014.
JERICOLÂNDIA
Com a lei de exibição obrigatória, só falta agora o governo federal criar imposto de publicação dos impostos nas notas fiscais.
CRIATIVIDADE
O jornal ABC (Espanha) deu manchete criativa sobre a condenação dos mensaleiros: “Presos na ditadura voltam à cadeia por corrupção”. O Le Monde (França) exibiu José Dirceu com uniforme de presidiário.
TARSO EM LOJA DE CRISTAIS
O gaúcho Tarso Genro (PT) vai bancar com dinheiro público o “Fórum Social Mundial Palestina Livre”, dia 28, constrangendo a diplomacia brasileira. O evento antissemita prega boicote e protestos contra Israel.
MENOS MAL
Os pobres condenados no mensalão não deixarão a família na pior: até José Genoino, no regime semiaberto, terá direito ao auxílio-reclusão de R$ 915 da Previdência para dependentes, e será reajustado em 2013.
REGIME FECHADO
Do comunista Protógenes Queiroz (SP) sobre as denúncias de que o PCdoB desviou recursos públicos do Programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes: “Me sinto numa prisão em regime fechado”.
‘SEVERINO’ NERVOSO
O nano-presidente da Câmara ficou nervoso com a revelação das dificuldades para o registro fotográfico de seu encontro com o ministro Joaquim Barbosa. Com passagem marcada para retornar ao baixo clero, Marco Maia é chamado pelos colegas de “Severino dos pampas”.
OUTROS TEMPOS
Candidato a líder do DEM, Pauderney Avelino (AM) defende uma escolha sem disputas: “O partido já não tem os 44 deputados de antes. Estamos menores e precisamos no unir”, adverte.
ROLETA BRASILIENSE
Em alta velocidade, um VW Space Fox placa JHU 3431, do Ministério da Cultura, fez “roleta russa”, ontem, em Brasília. Entrou na contramão para acessar a via principal que liga a Avenida das Nações à L2 Sul.
BOI DE PIRANHA
Pedetistas desconfiam que o ministro Brizola Neto (Trabalho) esteja usando o deputado Zé Silva (MG) para desgastar André Figueiredo (CE). O verdadeiro candidato do ministro a líder seria João Dado (SP).
PENSANDO BEM...
...tem pinta de “caixa 2 do B” essa vaquinha dos “companheiros” para pagar a multa dos condenados no mensalão.
PODER SEM PUDOR
COISA DIFÍCIL DE ENCONTRAR
O senador César Cals fazia campanha quando, esfomeado, parou num arruado próximo a Milhã, no Sertão do Ceará. Na bodega, pediu o que era possível naquele lugar: ovo caipira, bode seco, cuscuz e Q-suco. A numerosa comitiva tirou a barriga da miséria, mas, na hora da conta, o bodegueiro cobrou preço de restaurante cinco estrelas. Cals ironizou:
- Muito caro, meu velho. Ovo por aqui é difícil de encontrar?
- Ovo inté que é fácil, dotô. Difícil mesmo é senadô...
Ministro Gilmar Mendes (STF) sobre a crítica do ministro da Justiça aos presídios
MINISTRO RECLAMA, MAS INVESTIU POUCO EM PRESÍDIOS
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) provocou grande polêmica ao declarar que prefere morrer a cumprir pena de prisão nos “presídios medievais brasileiros”, mas bem que poderia aproveitar para explicar porque em 2012 o governo Dilma mobilizou apenas R$ 20,9 mil dos R$ 27,6 milhões previstos pelo Orçamento para construir o quinto presídio federal de segurança máxima. Usou apenas 0,001% dos recursos.
APENAS A METADE
Dos R$ 238 milhões para presídios estaduais, o Ministério da Justiça só empenhou (não gastou, ecessariamente) R$119 milhões, em 2012.
MAIS VAGAS
Por sua assessoria, o ministro da Justiça celebra gastos de R$ 270 milhões, em 2011, para “novas vagas” em vinte projetos estaduais.
CONTINGENCIADO
O Fundo Penitenciário (Fupen), do Ministério da Justiça, acumulou R$ 1,3 bilhão desde sua criação, há 18 anos. Dinheiro jamais utilizado.
FONTE SEGURA
O Fupen foi criado pela Lei Complementar 79, de 1994, e reserva 3% das loterias federais para investimentos no sistema penitenciário.
ARGENTINOS REVOLTADOS BLOQUEIAM CHECK-IN DA GOL
A GOL provocou grande revolta em dezenas de passageiros argentinos que aguardavam embarque para Córdoba, ontem, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. O embarque, previsto para o meio-dia, foi cancelado subitamente, sem qualquer explicação, provocando grande revolta. Os argentinos, revoltados com a falta de consideração e de explicações, bloquearam os postos de check-in da companhia aérea.
ASSIM CAMINHA...
A marcha dos acontecimentos do mensalão inverteu a prática petista: Lula não vai falar mais do julgamento e Zé Dirceu falará o tempo todo.
ARTICULAÇÕES
O PSC se reunirá nos próximos dias 24 e 25 em congresso em Salvador para discutir cenário político e as articulações para 2014.
JERICOLÂNDIA
Com a lei de exibição obrigatória, só falta agora o governo federal criar imposto de publicação dos impostos nas notas fiscais.
CRIATIVIDADE
O jornal ABC (Espanha) deu manchete criativa sobre a condenação dos mensaleiros: “Presos na ditadura voltam à cadeia por corrupção”. O Le Monde (França) exibiu José Dirceu com uniforme de presidiário.
TARSO EM LOJA DE CRISTAIS
O gaúcho Tarso Genro (PT) vai bancar com dinheiro público o “Fórum Social Mundial Palestina Livre”, dia 28, constrangendo a diplomacia brasileira. O evento antissemita prega boicote e protestos contra Israel.
MENOS MAL
Os pobres condenados no mensalão não deixarão a família na pior: até José Genoino, no regime semiaberto, terá direito ao auxílio-reclusão de R$ 915 da Previdência para dependentes, e será reajustado em 2013.
REGIME FECHADO
Do comunista Protógenes Queiroz (SP) sobre as denúncias de que o PCdoB desviou recursos públicos do Programa Segundo Tempo, do Ministério dos Esportes: “Me sinto numa prisão em regime fechado”.
‘SEVERINO’ NERVOSO
O nano-presidente da Câmara ficou nervoso com a revelação das dificuldades para o registro fotográfico de seu encontro com o ministro Joaquim Barbosa. Com passagem marcada para retornar ao baixo clero, Marco Maia é chamado pelos colegas de “Severino dos pampas”.
OUTROS TEMPOS
Candidato a líder do DEM, Pauderney Avelino (AM) defende uma escolha sem disputas: “O partido já não tem os 44 deputados de antes. Estamos menores e precisamos no unir”, adverte.
ROLETA BRASILIENSE
Em alta velocidade, um VW Space Fox placa JHU 3431, do Ministério da Cultura, fez “roleta russa”, ontem, em Brasília. Entrou na contramão para acessar a via principal que liga a Avenida das Nações à L2 Sul.
BOI DE PIRANHA
Pedetistas desconfiam que o ministro Brizola Neto (Trabalho) esteja usando o deputado Zé Silva (MG) para desgastar André Figueiredo (CE). O verdadeiro candidato do ministro a líder seria João Dado (SP).
PENSANDO BEM...
...tem pinta de “caixa 2 do B” essa vaquinha dos “companheiros” para pagar a multa dos condenados no mensalão.
PODER SEM PUDOR
COISA DIFÍCIL DE ENCONTRAR
O senador César Cals fazia campanha quando, esfomeado, parou num arruado próximo a Milhã, no Sertão do Ceará. Na bodega, pediu o que era possível naquele lugar: ovo caipira, bode seco, cuscuz e Q-suco. A numerosa comitiva tirou a barriga da miséria, mas, na hora da conta, o bodegueiro cobrou preço de restaurante cinco estrelas. Cals ironizou:
- Muito caro, meu velho. Ovo por aqui é difícil de encontrar?
- Ovo inté que é fácil, dotô. Difícil mesmo é senadô...
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