terça-feira, outubro 30, 2012
O STF, a lei e a política no Brasil - LOURDES SOLA
O ESTADÃO - 30\10
O julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) suscita uma unanimidade perturbadora quanto ao alcance histórico das decisões tomadas até aqui. O que se entende por alcance histórico, porém, varia muito, o que não surpreende. Os aspectos a explorar são muitos e dependem do foco do analista. Conforme se privilegiem as dimensões político-eleitoral ou institucional, a legal-constitucional, ou se adote uma perspectiva histórica fundamentalista do tipo "nunca antes neste país", ter-se-ão apostas distintas sobre o impacto das decisões do STF. Por certo, há muito em comum entre os que compartilhamos a percepção de que elas marcam um daqueles pontos de virada que geram um impulso transformador dos mores políticos e, sobretudo, das expectativas em que se baseiam os cálculos políticos. Um de seus efeitos subversivos é a reversão das expectativas gêmeas que poluíram as discussões anteriores: a da impunidade e a do ceticismo entre os indignados.
Isto posto, qual o foco privilegiado aqui? Como situar o Rubicão que atravessamos pela mão dos membros do STF e com apoio nas análises que a mídia propicia? Atenho-me a um par de aspectos em registro de médio e de longo prazos. Descarto o foco político-eleitoral pelo repúdio ao que a campanha em São Paulo conteve de cinismo de ambos os lados: de um, o argumento de que a voz das urnas equivale a uma absolvição, com o que se deslegitima o ordenamento jurídico; de outro, a tentativa de estender a um partido como o PT - cujos representatividade e compromisso com avanços sociais é inquestionável - uma condenação que todos os atores do sistema de Justiça circunscrevem a alguns de seus membros.
O alcance histórico das decisões do STF é também "geográfico", pela relevância geopolítica. Valho-me do olhar de um cientista político americano, Douglas Chalmers, que ainda nos anos de chumbo se empenhou em entender como nossa formação histórica afetava o modo de fazer política na região. Atenho-me exclusivamente à relação com a lei. Numa intuição profética, destacava "uma característica estrutural dominante" no século 20, que consistiria na instabilidade inerente tanto aos regimes autoritários quanto democráticos. Diz ele: "A razão está na percepção generalizada de que as instituições são um meio instrumental e tentativo para resolver conflitos". É a percepção de que "os conflitos se resolvem pelo choque de forças, quer dizer, politicamente, e não por referência a um conjunto fixo e estabelecido de procedimentos". Trocando em miúdos, a força da lei, quando se exerce, é sempre passível de contestação nesse tipo de Estado que Chalmers caracterizava como "o Estado politizado", por contraposição ao Estado institucionalizado.
É fácil explorar outras especificidades derivadas dessa. Por um lado, a falta de credibilidade do Estado enquanto lei, ou seja, o ceticismo quanto à sua capacidade de fazer valer o ordenamento jurídico previamente acordado. Por outro, a tendência a redefinir a lei ao sabor das resultantes dos embates políticos. Isso explica, a meu ver, seja a dificuldade de aceitar como final a intermediação do sistema de Justiça pelas partes em conflito, seja a tentação de redefinir continuamente o ordenamento jurídico. Basta lembrar as crises de sucessão durante nosso regime autoritário, ou a contínua redefinição do sistema partidário em resposta à eleições tuteladas, para situar a nossa versão de Estado politizado. Pouco que ver com o Estado autoritário institucionalizado da Espanha ou do Chile. Nos anos de chumbo, porém, a constatação dessa instabilidade congênita soava como música aos ouvidos de uma democrata.
Mas até que ponto o insight de Chalmers vale para os dias de hoje? Cabe como luva à Venezuela de Chávez, à Argentina dos Kirchners, ao Equador de Correa. Mas não se aplica ao Brasil, ao menos não nos mesmos termos (apesar da "insegurança jurídica" detectada pelos economistas). Nosso avanço se deve a um processo cumulativo de institucionalização, cuja peça central foi a Constituição de 1988 e o consequente apoderamento dos atores do sistema de Justiça, notadamente os do Ministério Público. Se é verdade que culmina hoje com a reafirmação do Estado como lei pelos membros do STF, vale lembrar que foram subsidiados pelos juízes de instrução e pelos dois procuradores-gerais que analisaram as denúncias pertinentes. As decisões do STF, portanto, aproximam-nos mais do Chile e nos distanciam dos outros vizinhos. Seu alcance potencial, no entanto, deverá ser testado, em dois registros. Um: o Estado de Direito é uma construção política coletiva e, como toda construção, pode ser fragilizado. Entre nós, está exposto à vocação restauradora que busca sobrepor legitimidade política, êxito econômico e popularidade ao império da lei. Dois: valendo para todos, depende da reiteração desse princípio, na prática, e quando cabível pelo sistema de Justiça.
É possível detectar outros desdobramentos desse impulso transformador. Minha aposta é que nos próximos anos os profissionais da Justiça deverão (re)conquistar um espaço privilegiado enquanto atores políticos. Similar ao dos economistas, na esteira das democratizações marcadas pela crise econômica e por megainflações. O espaço reservado na mídia ao debate político centrado na economia foi e é uma das características distintivas da nossa democratização, pela quantidade e pelo vigor. Entra em cena agora o debate político centrado na Justiça e o aprendizado que isso exige de nós, leigos. E dos próprios especialistas obrigados a renunciar ao aconchego de seu dialeto. A exposição pública é essencial: pela exemplaridade da argumentação cerrada, da tolerância pelo contraditório, pela contestação da defesa e pelas tensões entre os ministros relator e revisor. Contribui para a redução de um dos hiatos que caracterizam a nossa (e toda) democracia: entre o acesso instantâneo às informações e a capacidade dos cidadãos leigos de elaborá-las.
Companheiro Kassab - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 30\10
Em franca aproximação com o PT e comandando a formação de maioria na Câmara para seu sucessor, Gilberto Kassab deixará pacote de obras na educação para Fernando Haddad inaugurar na largada do novo mandato. Pelos cálculos do prefeito, pelo menos 130 escolas poderão ser entregues pelo petista no primeiro semestre, além do mobiliário urbano. Kassab também diz a interlocutores que Haddad assumirá o cargo com pelo menos R$ 2 bilhões em caixa para investimentos.
Papai Noel Ainda empenhado em diminuir sua rejeição na reta final de governo, o prefeito também pretende concluir 30 escolas, a reforma da marquise do Ibirapuera e o terminal intermodal de Pinheiros antes do Natal.
Teflon Petistas desconfiam do voluntarismo de Kassab e interpretam o gesto do prefeito como um pedido de proteção na transição que começa hoje. Em vão: contratos e pagamentos previstos para 2013 devem ser revisados.
Voo solo Auxiliares de Dilma Rousseff dizem que o PSD pode levar a nova pasta de Micro e Pequenas Empresas. Emissários do partido, no entanto, manifestam interesse na Aviação Civil.
13 ou 45? Piada entre petistas durante ligação do prefeito para parabenizar o petista eleito, ainda na noite de domingo: "Kassab está tão à vontade que só falta confessar que votou no Haddad".
Águas turvas A aproximação do PRB com Geraldo Alckmin deixou o ministro Marcelo Crivella (Pesca) na linha de tiro. O Planalto reprova o alinhamento do partido ligado à Igreja Universal com o PSDB, com vistas a 2014.
Bolsa de apostas O reitor da Unifesp, Walter Albertoni, está entre os cotados para assumir pasta no governo de Haddad. Petistas citam Saúde ou Educação como seu possível destino. Albertoni participou da propaganda de TV do ex-ministro.
Ou vai... Além de avaliar o resultado do PSDB no segundo turno, Lula combinou em conversa com Dilma Rousseff que procurará em breve o governador Eduardo Campos (PSB) para uma conversa, nas palavras de auxiliares, "de pai para filho''.
... ou racha Os petistas querem saber do governador qual o seu plano para 2014. Dilma está disposta a ampliar o espaço do PSB no governo. Só não negocia o posto de vice, que será de Michel Temer.
PSB do G Dilma telefonou para Cid Gomes para dar os parabéns pela vitória em Fortaleza. Com Campos ela só falou depois que ele ligou, e combinaram de se encontrar na semana que vem.
Bandeira branca Passada a beligerância da campanha, Rui Falcão (PT) e Roberto Amaral (PSB) trataram ontem da primeira agenda conjunta no pós-eleição: vão selar as pazes discutindo os pontos da reforma política.
Protesto Diante da indicação do secretário Sidney Beraldo (Casa Civil) para o TCE-SP, Campos Machado (PTB), mentor da candidatura de Jorge Caruso (PMDB) ao tribunal, entregou seu cargo ontem no Conselho de Defesa das Prerrogativas Parlamentares da Assembleia paulista.
Acima... Hostilizado por uma eleitora e um mesário na seção eleitoral onde vota, na zona sul de São Paulo, o revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, avalia que o episódio foi fruto de um julgamento marcado para coincidir com as eleições municipais e da insatisfação com o resultado das urnas.
... do tom "Fora da arena eleitoreira só tenho recebido elogios de juristas, cidadãos e estudantes de todo Brasil", assegura o ministro do STF.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
É o preconceito e a visão totalitária do velho coronelismo, achar que o pobre só sabe pensar quando vota a seu favor.
DE JILMAR TATTO (SP), líder do PT na Câmara, sobre José Agripino (DEM) dizer que o povo pobre de Salvador mostrou que sabe pensar ao eleger ACM Neto.
contraponto
Intriga da oposição
Durante a campanha eleitoral, Gustavo Fruet (PDT) foi diversas vezes questionado por jornalistas se não era constrangedora a aliança com o PT após ter sido algoz do partido no mensalão. Certa vez, o então candidato à Prefeitura de Curitiba respondeu que não, tanto é que contava com a "senadora" Gleisi Hoffmann ao seu lado.
Foi então que uma jornalista o corrigiu:
-Candidato, ela é ministra da Casa Civil!
Ao perceber a gafe, Fruet brincou:
-Esse pessoal da imprensa nacional vem aqui só para me confundir!
Prevaleceu a intuição de Lula - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 30\10
E, afinal, manteve-se o padrão nesta cidade onde, em sete eleições sob o regime democrático, apenas um prefeito (Paulo Maluf) conseguiu fazer o seu sucessor (Celso Pitta) e apenas um (Gilberto Kassab) conseguiu se reeleger. Nas suas avaliações, o ex-presidente Lula há de ter levado em conta esse retrospecto, quando decidiu transformar a disputa pela Prefeitura paulistana no teste de vida ou morte para a sua obsessão de tirar do PSDB a liderança política no Estado onde também o PT tem as suas raízes. Mas, ao impor ao partido a candidatura do ministro da Educação Fernando Haddad, como fizera em 2010 com outra novata em eleições, Dilma Rousseff, ele decerto intuiu que não bastaria dar uma nova chance à ex-prefeita Marta Suplicy, derrotada em duas eleições consecutivas e ávida pela desforra, para que a tradição da alternância se confirmasse por inércia. Esse foi o seu primeiro achado. O segundo consistiu na escolha do "poste" da vez.
Jovem, professor universitário, de classe média, bons modos e boa estampa, que poderia passar perfeitamente bem por um tucano de carteirinha, Haddad tinha o perfil certo para ser aceito por uma parcela eventualmente decisiva do eleitorado antipetista majoritário no centro expandido da capital. Lula aprendeu com o passado que esse devia ser o público-alvo da campanha, para trazer os votos que as zonas sul e leste fiéis não poderiam suprir por si sós. Faltou prever que uma figura familiar nessas extensões tivesse a esperteza de ocupar o lugar reservado para o nome do PT, de quem muito poucos tinham ouvido falar. Mas a inesperada ascensão de Celso Russomanno se converteu em queda livre quando, escoltado por Lula e Dilma, Haddad mostrou os seus documentos no horário eleitoral - enquanto o adversário insistia na proposta desastrosa, pronta para ser demolida, de fixar as tarifas de ônibus por distância percorrida.
Restabelecida a arraigada polarização PT-PSDB, Serra "se enforcou na própria corda", como diria, no habitual tom azedo, Marta Suplicy. Ele carregou campanha acima o peso de ter largado a Prefeitura aos 15 meses de mandato e a servidão da grande impopularidade do seu vice e sucessor, Kassab. Além disso, ignorou que os eleitores não gostam em geral de candidatos agressivos e atacou Haddad com as armas do "kit-gay" e do mensalão - as duas negaram fogo. Deu no que deu: em proporção, o tucano perdeu nos redutos do PT mais do que ganhou nas suas zonas de conforto. Em sete dessas, aliás, a maioria preferiu o oponente. O mesmo se deu nas sete regiões indefinidas, ou pendulares. Em suma, eleitores não petistas e até antipetistas ou se abstiveram, votaram em branco e anularam o voto (cerca de 30% do total) ou preferiram Haddad, ajudando a fazer de Lula o grande vencedor singular do ciclo eleitoral deste ano.
Em âmbito nacional, o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos roubou a cena, aumentando em 42% - para 441 - o estoque de municípios conquistados. Kassab, apesar do naufrágio em São Paulo, também fez boa figura na estreia eleitoral do seu PSD, com 497 vitórias, quase sempre em cidades pequenas. O segundo turno, de todo modo, manteve nos seus postos a elite do sistema partidário. Embora a taxa de reeleição tenha despencado para 55% nas capitais e 11 siglas tenham conseguido eleger prefeitos nessas 26 praças, apenas 4 partidos governarão a partir de janeiro 60% dos 140,6 milhões de eleitores brasileiros. São eles, pela ordem, PT, PMDB, PSDB e PSB. As mesmas quatro legendas (com o PMDB e o PSB trocando de lugar) controlarão os 83 municípios com mais de 200 mil eleitores, onde pode haver dois turnos.
O quadro é semelhante no conjunto dos 5.556 municípios do País. Pouco mais da metade deles (51%) será administrada ou pelo PMDB (1.027 prefeitos), ou pelo PSDB (702), ou pelo PT (635), ou pelo PSD (com os já citados 497). Mas o PMDB é tipicamente o partido das cidades médias para menos. À parte o PSB, o PT foi o partido que revelou a mais firme trajetória de alta, com um ganho de 14%. O êxito de Haddad em São Paulo tornou a consagrar a liderança de Lula, compensando as derrotas que sofreu em outros embates do segundo turno que fez questão de travar ostensivamente. Ainda assim, o PT só levou 16 das 83 maiores prefeituras do País.
Um muro - VLADIMIR SAFATLE
FOLHA DE SP - 30\10
Em seu discurso da vitória na eleição para prefeito de São Paulo, Fernando Haddad lembrou dos muros da desigualdade a que a cidade está submetida. Este tema dos "muros" merece, de fato, ser mais discutido, pois eles conseguem se perpetuar ao longo das sucessivas administrações que passam pela prefeitura.
Um dos muros mais impressionantes de São Paulo é aquele que isola seus intelectuais do debate sobre os rumos da maior megalópole do hemisfério Sul.
Na cidade de São Paulo encontra-se, por exemplo, a mais importante universidade da América Latina, responsável por algo em torno de 25% das pesquisas acadêmicas desenvolvidas no país. Só para se ter uma ideia desse peso proporcional, a mais importante universidade dos Estados Unidos (Harvard) responde por apenas 3% da pesquisa realizada nas universidades norte-americanas.
A cidade, no entanto, costuma não ouvir sua maior universidade quando procura por ideias e soluções para seus problemas. Ela despreza parte significativa de sua inteligência e não sabe utilizar a força crítica de seus acadêmicos a seu favor.
As inúmeras pesquisas desenvolvidas pela universidade sobre política cultural, planejamento urbano, impacto de medidas de segurança, problemas em práticas educacionais e políticas de direitos humanos são vistas pelos poderes públicos com desconfiança, já que nem sempre elas são laudatórias.
Um novo momento da política brasileira passa necessariamente pela definição de relações entre administradores que devem resolver problemas públicos complexos e intelectuais independentes que marcaram sua atuação profissional pela procura em aprimorar sua capacidade crítica.
Muitos temem que isso seja uma forma insidiosa de "cooptação". Melhor seria lembrar que todos os países que realizaram verdadeiro desenvolvimento social só o conseguiram quando tiveram figuras públicas dispostas a escutar o que seus intelectuais e artistas tinham a dizer -mesmo que essas falas nem sempre fossem música para os ouvidos dos que estão do outro lado. Há uma escuta do dissenso que deve ser aprendida.
No momento em que o poder público volta a enxergar os muros da cidade, a universidade pode ser um importante ator de transformação social.
Se parte significativa da inteligência nacional está em São Paulo, é burrice continuar ignorando-a a fim de repetir os erros de sempre.
Colocando-se para além dos partidos e das filiações partidárias, ela sempre teve um poder de transformação menosprezado. Não há por que dar sequência a esse menosprezo.
O novo-velho - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 30\10
A figura que melhor representa o atual estágio de nossa política partidária, até porque, mesmo responsável direto pela maior derrota de seu aliado PSDB, pode se considerar “vitorioso” nesta eleição, é o prefeito Gilberto Kassab. As características mais enraizadas, a esperteza mais óbvia, todas as ambiguidades de nossa política que afugentam o eleitor das urnas em nível nunca antes registrado estão reunidas em Kassab e em seu novo-velho PSD, partido que não é “nem de centro nem de direita nem de esquerda”
Para se ter uma ideia de como o prefeito paulistano é capaz de uma política pragmática, basta ver que ele é um dos principais articuladores no Congresso da aprovação de uma lei que impede novos partidos que venham a ser criados de ter tempo de TV e fundo partidário. A ideia é desestimular a criação de novos partidos, e Kassab está realmente preocupado com a possibilidade de novas legendas pipocarem no cenário político.
Mas ele não foi o criador de um dos mais recentes partidos? Claro, mas agora, após ter ameaçado disputar até no STF o direito a tempo de propaganda eleitoral e dinheiro, ele quer fechar a torneira. E tem razão. Ao todo são 30 partidos legalmente reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral. Depois do PSD, foram criados mais dois: Partido Pátria Livre (que já tem até um senador) e Partido Ecológico Nacional. Na fila do TSE há vários outros: Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada do Brasil (PSPTP); Aliança Renovadora Nacional (Arena); Partido Nacionalista Democrático (PND); União Democrática Nacional (UDN); Partido Pirata do Brasil (Piratas); e Partido Federalista.
Com taxa de rejeição altíssima, mesmo assim Kassab foi assediado por petistas e tucanos, na suposição de que a máquina municipal teria serventia em uma disputa que se mostrava difícil.
Lula farejou com precisão em São Paulo para onde o vento soprava e obteve sua grande vitória pessoal, coisa que não ocorreu no resto do país, onde sofreu derrotas pessoais importantes em Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Manaus, Campinas, Belo Horizonte. Em São Paulo, porém, Lula acertou a mão na escolha de um candidato que vestiu o PT com roupagem nova, longe do mensalão, embora tenha arriscado muito com o apoio de Maluf e pudesse ter levado para seu candidato toda a rejeição do prefeito caso o PSDB não tivesse convencido Serra a se candidatar.
A “lealdade” a quem o levou ao poder fez Kassab abandonar o namoro com o PT. Mas a “lealdade” era apenas local, e o PSD passou a fazer acordos políticos com os petistas e o Planalto em diversas disputas municipais, como em Belo Horizonte, a pedido da presidente Dilma, ou no interior paulista.
Na eleição para prefeito de São Carlos, o PSD de Kassab apoiou Osvaldo Barba, do PT, que não conseguiu a reeleição. Mas o PT registrou a boa-vontade. Em Ribeirão Preto, foi a vez de o PT apoiar a reeleição de Dárcy Vera, do PSD.
Na capital mineira, teve que fazer uma intervenção no diretório local do PSD, que pendia para um acordo com o prefeito Marcio Lacerda, do PSB.
A situação ambígua desse apoio de Kassab a Serra a nível local e ao Planalto a nível nacional provocou situações estranhas, como estar no palanque do derrotado e já aparecer como uma das forças de apoio a Haddad mesmo antes que as urnas decretassem a derrota de seu “padrinho”. Foi o alvo preferencial das críticas da campanha petista e passa a ser aliado importante na grande aliança governista.
Com a força que sua legenda ganhou — além de ser hoje a quarta maior bancada no Congresso, o PSD elegeu 494 prefeitos —, Kassab tornou-se figura importante no jogo político de Brasília, para onde se muda ao fim de seu mandato para articular seu papel na disputa presidencial de 2014. Um ministério aguarda o PSD. Nesse caso terá outro problema de “lealdade” para gerir caso o governador Eduardo Campos resolva mesmo sair do campo governista para ser candidato à sucessão de Dilma. Como se sabe, o PSD de Kassab foi uma construção conjunta com o PSB de Campos, e os dois partidos chegaram a pensar em uma fusão logo no início.
Mas esse é doce problema que será resolvido a seu tempo, mesmo porque nada indica que Campos, também dentro do espírito pragmático que norteia nossa política, vá decidir logo que rumo tomará. Até 2014 há muito tempo para negociar.
A figura que melhor representa o atual estágio de nossa política partidária, até porque, mesmo responsável direto pela maior derrota de seu aliado PSDB, pode se considerar “vitorioso” nesta eleição, é o prefeito Gilberto Kassab. As características mais enraizadas, a esperteza mais óbvia, todas as ambiguidades de nossa política que afugentam o eleitor das urnas em nível nunca antes registrado estão reunidas em Kassab e em seu novo-velho PSD, partido que não é “nem de centro nem de direita nem de esquerda”
Para se ter uma ideia de como o prefeito paulistano é capaz de uma política pragmática, basta ver que ele é um dos principais articuladores no Congresso da aprovação de uma lei que impede novos partidos que venham a ser criados de ter tempo de TV e fundo partidário. A ideia é desestimular a criação de novos partidos, e Kassab está realmente preocupado com a possibilidade de novas legendas pipocarem no cenário político.
Mas ele não foi o criador de um dos mais recentes partidos? Claro, mas agora, após ter ameaçado disputar até no STF o direito a tempo de propaganda eleitoral e dinheiro, ele quer fechar a torneira. E tem razão. Ao todo são 30 partidos legalmente reconhecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral. Depois do PSD, foram criados mais dois: Partido Pátria Livre (que já tem até um senador) e Partido Ecológico Nacional. Na fila do TSE há vários outros: Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada do Brasil (PSPTP); Aliança Renovadora Nacional (Arena); Partido Nacionalista Democrático (PND); União Democrática Nacional (UDN); Partido Pirata do Brasil (Piratas); e Partido Federalista.
Com taxa de rejeição altíssima, mesmo assim Kassab foi assediado por petistas e tucanos, na suposição de que a máquina municipal teria serventia em uma disputa que se mostrava difícil.
Lula farejou com precisão em São Paulo para onde o vento soprava e obteve sua grande vitória pessoal, coisa que não ocorreu no resto do país, onde sofreu derrotas pessoais importantes em Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Manaus, Campinas, Belo Horizonte. Em São Paulo, porém, Lula acertou a mão na escolha de um candidato que vestiu o PT com roupagem nova, longe do mensalão, embora tenha arriscado muito com o apoio de Maluf e pudesse ter levado para seu candidato toda a rejeição do prefeito caso o PSDB não tivesse convencido Serra a se candidatar.
A “lealdade” a quem o levou ao poder fez Kassab abandonar o namoro com o PT. Mas a “lealdade” era apenas local, e o PSD passou a fazer acordos políticos com os petistas e o Planalto em diversas disputas municipais, como em Belo Horizonte, a pedido da presidente Dilma, ou no interior paulista.
Na eleição para prefeito de São Carlos, o PSD de Kassab apoiou Osvaldo Barba, do PT, que não conseguiu a reeleição. Mas o PT registrou a boa-vontade. Em Ribeirão Preto, foi a vez de o PT apoiar a reeleição de Dárcy Vera, do PSD.
Na capital mineira, teve que fazer uma intervenção no diretório local do PSD, que pendia para um acordo com o prefeito Marcio Lacerda, do PSB.
A situação ambígua desse apoio de Kassab a Serra a nível local e ao Planalto a nível nacional provocou situações estranhas, como estar no palanque do derrotado e já aparecer como uma das forças de apoio a Haddad mesmo antes que as urnas decretassem a derrota de seu “padrinho”. Foi o alvo preferencial das críticas da campanha petista e passa a ser aliado importante na grande aliança governista.
Com a força que sua legenda ganhou — além de ser hoje a quarta maior bancada no Congresso, o PSD elegeu 494 prefeitos —, Kassab tornou-se figura importante no jogo político de Brasília, para onde se muda ao fim de seu mandato para articular seu papel na disputa presidencial de 2014. Um ministério aguarda o PSD. Nesse caso terá outro problema de “lealdade” para gerir caso o governador Eduardo Campos resolva mesmo sair do campo governista para ser candidato à sucessão de Dilma. Como se sabe, o PSD de Kassab foi uma construção conjunta com o PSB de Campos, e os dois partidos chegaram a pensar em uma fusão logo no início.
Mas esse é doce problema que será resolvido a seu tempo, mesmo porque nada indica que Campos, também dentro do espírito pragmático que norteia nossa política, vá decidir logo que rumo tomará. Até 2014 há muito tempo para negociar.
CAEM AS MÁSCARAS - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 30\10
Nada de Joaquim Barbosa ou outros ministros do STF. A única máscara de Carnaval ligada ao mensalão à venda na rua 25 de março é a do ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema. Há duas versões: com olho roxo ou sem.
PRÓXIMA ESQUINA
A primeira saia justa da administração Fernando Haddad (PT-SP) pode ocorrer já no primeiro mês de seu mandato. Em janeiro, ele pode ter que tocar adiante processo para recuperar U$ 22 milhões que teriam sido desviados da administração paulistana para contas ligadas a familiares de Paulo Maluf no exterior.
PARA VALER
O caso corre em Jersey e a prefeitura, que move a ação, aguarda para os próximos dias a sentença final da Justiça da ilha. Caso ela reconheça as acusações e decida pela devolução dos recursos, a equipe de Haddad terá que acionar o STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que a sentença seja reconhecida e executada no Brasil.
FESTA
Maluf, que apoiou e ontem foi à celebração de Haddad num hotel em SP, nega ter conta no exterior. Diz que nem ele nem o filho Flávio Maluf são réus em processo na ilha de Jersey e que a prefeitura não seria parte legítima na questão. Isso porque as obras citadas na ação foram feitas pela Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), e não diretamente pela administração.
PARABÉNS
Depois de José Serra e Gilberto Kassab, o governador Geraldo Alckmin telefonou para Haddad ainda no domingo para felicitá-lo.
BOA SORTEO prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, também ligou para Haddad.
ÁGUA FRESCA
E o prefeito eleito deve tirar folga no feriado de finados. Quer passar quatro dias com a família em uma praia.
AGORA NO TEATRO
A apresentadora do "Metrópolis" (Cultura) e cineasta Marina Person estreia como atriz de teatro no festival Satyrianas, neste fim de semana, no Espaço dos Satyros, em SP. Ela atuará em "PacWoman", com direção de Fernanda D'Umbra e texto de Caco Galhardo. Em janeiro, Marina fez o curso de introdução ao método do ator CPTzinho, de Antunes Filho.
EU CHEGO LÁ
ACM Neto (DEM-BA), prefeito eleito de Salvador, tem um sonho: ser presidente da República. Foi o que ele disse à Folha em 1999, quando dava os primeiros passos na carreira. "Esse tem que ser o sonho de todo o político." O avô apoiava. "Ele compactua. Se você perguntar isso, ele vai responder a mesma coisa. Que o sonho de todo o político é ser presidente."
SÓ DEUS
Neto, que sai da eleição como político de maior destaque e aposta futura do DEM, declarava já então sua vocação. "A política é apaixonante. A política é um caminho irreversível. A gente sabe que entrou e não para. Só para quando Deus quiser."
ADIÓS, CARMINHA
A modelo inglesa Twiggy, conhecida nos anos 60 por seu cabelo curto com franja lisa na lateral, inspirou o novo visual de Adriana Esteves. "Queríamos aquela risca do lado, com a parte da frente bem lisa", diz o cabeleireiro Marcos Proença. "A Adriana queria continuar loira. Fizemos um tom mais escuro na raiz e luzes largas. Depois, cortamos uns 4 cm dos fios."
MEU BUMBA
O ator Paulo Betti, torcedor do São Bento de Sorocaba (SP), tenta ajudar seu time do coração. Ele entregou a Luciano Huck uma carta do clube pedindo ao apresentador que reforme o ônibus que viaja com os jogadores em seu quadro "Lata Velha".
PRETA, PRETINHA
Preta Gil participará do novo DVD de Wanessa Camargo, que será gravado em SP em novembro. Antes, faz show de lançamento de seu novo CD, "Sou Como Sou", na The Week, nesta sexta.
DIA DE PRINCESA
A socialite e blogueira Lalá Rudge se casou com o empresário Luigi Cardoso na sexta, na igreja Nossa Senhora do Brasil. Sandro Barros fez o vestido da noiva. As modelos Fernanda Motta e Johanna Stein Birman, a empresária Marcella Tranchesi e a blogueira Thássia Naves foram à cerimônia.
PONTO DE FUGA
Rodrigo Moura é o curador da mostra "Planos de Fuga", que tem fotografias de Mauro Restiffe, entre outros trabalhos. A fotógrafa Claudia Andujar e o artista plástico Cildo Meireles foram ao Centro Cultural Banco do Brasil no fim de semana para a abertura.
CURTO-CIRCUITO
Dom Fernando Antônio Figueiredo, da diocese de Santo Amaro, dá palestra no teatro CIEE. Às 8h30.
Alceu Valença faz show no prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura, hoje, no auditório Ibirapuera.
Alessandra Ambrósio é convidada da Colcci Party, hoje, no club Provocateur.
A vice-prefeita de SP, Alda Marco Antonio, abre exposição sobre a participação italiana na organização operária e sindical do Brasil. Amanhã, na Embaixada do Brasil em Roma.
Estado de graça - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 30\10
Dizem que a vitória cura todas as feridas. Mesmo não sendo uma verdade absoluta, certo é que ameniza os espíritos.
Na noite de domingo, logo após a confirmação do resultado em São Paulo, o PT estava em estado de graça. Dos petistas habitualmente belicosos, como o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, aos mais apaziguadores, como o deputado Arlindo Chinaglia e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, todos pregavam bom senso e moderação.
Falando aberta e francamente nos erros crassos que levaram a derrotas do partido, reconhecendo a "aspiração legítima" do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à disputa presidencial de 2014 e defendendo "respeito" às decisões do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.
Aparentemente essa prudência se deve ao "relax" decorrente da eleição de Fernando Haddad. Mas é possível também que tenha a ver com o balanço objetivo de perdas e ganhos, no qual o PT não fica tão bem quanto apregoa.
O equilíbrio partidário observado no primeiro turno foi confirmado com o seguinte resultado final: o comando nas 26 capitais onde há prefeitura (o Distrito Federal não tem prefeito) está distribuído entre 11 partidos.
Isso quer dizer que há 11 legendas fortes e representativas? Não, significa que nesse sistema partidário fragmentado e frágil as condições locais - empatia do candidato, alianças, rumo da campanha etc. - prevalecem sobre a identificação do eleitor com esse ou aquele partido.
Outro dado a ser considerado: o ex-presidente Lula concentrou esforços em 17 cidades País afora, ganhando em oito delas e perdendo em nove. São Paulo, evidentemente, desequilibra, mas o cômputo geral desidrata a mistificação sobre o poder de Lula na condução da vontade do eleitor.
Ganha onde pode e faz as coisas certas. Onde quem acerta é o adversário, Lula e PT enfrentam as mesmas adversidades que qualquer outro partido ou político quando o eleitorado resolve dar o próprio jeito.
Os petistas contam com muitas vantagens - objetivos claros, boa dose de unidade e comando -, mas nelas não se inclui uma ligação direta, automática, permanente e, sobretudo, segura entre a presença do ex-presidente, a força do governo federal e o voto na urna.
De onde provavelmente a preocupação das lideranças de não se deixar inebriar excessivamente pelo êxito paulistano.
Arlindo Chinaglia, por exemplo, diz com todas as letras que insucessos fragorosos como os registrados em Recife e Porto Alegre devem-se exclusivamente a erros de cálculo do partido.
Essa "pegada" pós-eleitoral mais leve não pode ser vista como desistência do PT de se manifestar contra as condenações.
Já no decorrer desta semana, o partido apresentará publicamente a própria "leitura" de que houve uma grande injustiça e, quando for concluído o processo, ficará ao lado dos réus que decidam recorrer ao simbolismo de apelos a organismos internacionais.
Mas, se prevalecer o estado de espírito da noite da conquista da joia da coroa, nada de mobilizações de caráter institucionalmente desabonador em relação à Corte suprema.
"O eleitor separou o julgamento da eleição. O partido deve saber também fazer essa separação, compreendendo que vitória eleitoral não é salvo-conduto", analisava o prefeito de Osasco.
Marco Aurélio Garcia cobrava o mesmo rigor na apreciação do processo do "mensalão mineiro", cujo protagonista é o tucano Eduardo Azeredo, e reclamava do "clima de viva emoção" agora em torno do STF.
É de se notar, porém, o tom de passo adiante quando fala em "nova linhagem do PT" e defende uma reforma política "que nos previna desse tipo de acontecimento".
Emerge da eleição um discurso ameno, pragmático, para se contrapor ao ânimo radical que até "fala" ao coração de militância, mas não conquista a cabeça da maioria do público.
Dizem que a vitória cura todas as feridas. Mesmo não sendo uma verdade absoluta, certo é que ameniza os espíritos.
Na noite de domingo, logo após a confirmação do resultado em São Paulo, o PT estava em estado de graça. Dos petistas habitualmente belicosos, como o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, aos mais apaziguadores, como o deputado Arlindo Chinaglia e o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, todos pregavam bom senso e moderação.
Falando aberta e francamente nos erros crassos que levaram a derrotas do partido, reconhecendo a "aspiração legítima" do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, à disputa presidencial de 2014 e defendendo "respeito" às decisões do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.
Aparentemente essa prudência se deve ao "relax" decorrente da eleição de Fernando Haddad. Mas é possível também que tenha a ver com o balanço objetivo de perdas e ganhos, no qual o PT não fica tão bem quanto apregoa.
O equilíbrio partidário observado no primeiro turno foi confirmado com o seguinte resultado final: o comando nas 26 capitais onde há prefeitura (o Distrito Federal não tem prefeito) está distribuído entre 11 partidos.
Isso quer dizer que há 11 legendas fortes e representativas? Não, significa que nesse sistema partidário fragmentado e frágil as condições locais - empatia do candidato, alianças, rumo da campanha etc. - prevalecem sobre a identificação do eleitor com esse ou aquele partido.
Outro dado a ser considerado: o ex-presidente Lula concentrou esforços em 17 cidades País afora, ganhando em oito delas e perdendo em nove. São Paulo, evidentemente, desequilibra, mas o cômputo geral desidrata a mistificação sobre o poder de Lula na condução da vontade do eleitor.
Ganha onde pode e faz as coisas certas. Onde quem acerta é o adversário, Lula e PT enfrentam as mesmas adversidades que qualquer outro partido ou político quando o eleitorado resolve dar o próprio jeito.
Os petistas contam com muitas vantagens - objetivos claros, boa dose de unidade e comando -, mas nelas não se inclui uma ligação direta, automática, permanente e, sobretudo, segura entre a presença do ex-presidente, a força do governo federal e o voto na urna.
De onde provavelmente a preocupação das lideranças de não se deixar inebriar excessivamente pelo êxito paulistano.
Arlindo Chinaglia, por exemplo, diz com todas as letras que insucessos fragorosos como os registrados em Recife e Porto Alegre devem-se exclusivamente a erros de cálculo do partido.
Essa "pegada" pós-eleitoral mais leve não pode ser vista como desistência do PT de se manifestar contra as condenações.
Já no decorrer desta semana, o partido apresentará publicamente a própria "leitura" de que houve uma grande injustiça e, quando for concluído o processo, ficará ao lado dos réus que decidam recorrer ao simbolismo de apelos a organismos internacionais.
Mas, se prevalecer o estado de espírito da noite da conquista da joia da coroa, nada de mobilizações de caráter institucionalmente desabonador em relação à Corte suprema.
"O eleitor separou o julgamento da eleição. O partido deve saber também fazer essa separação, compreendendo que vitória eleitoral não é salvo-conduto", analisava o prefeito de Osasco.
Marco Aurélio Garcia cobrava o mesmo rigor na apreciação do processo do "mensalão mineiro", cujo protagonista é o tucano Eduardo Azeredo, e reclamava do "clima de viva emoção" agora em torno do STF.
É de se notar, porém, o tom de passo adiante quando fala em "nova linhagem do PT" e defende uma reforma política "que nos previna desse tipo de acontecimento".
Emerge da eleição um discurso ameno, pragmático, para se contrapor ao ânimo radical que até "fala" ao coração de militância, mas não conquista a cabeça da maioria do público.
Rota de colisão? - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 30\10
Todos querem os louros do PSB
Os tucanos mineiros costumam assumir para si a vitória do PSB em Belo Horizonte. Os tucanos paulistas dizem que foram decisivos nos êxitos socialistas em São José do Rio Preto, Marília e Campinas. A oposição quer descolar o PSB do governo Dilma e tem interesse na candidatura presidencial do governador Eduardo Campos (PE). Já o Planalto trabalha para manter os socialistas debaixo das asas do governo petista. Por isso, assessores da presidente levantaram que, das 442 prefeituras conquistadas pelo PSB, cerca de 300 foram no âmbito de atuação do Ministério da Integração Nacional. Ou seja, o PSB cresceu, mas debaixo das asas do governo Dilma.
“Acabou se cristalizando a ideia de que o Serra, eleito, poderia vir a abandonar a prefeitura (...), foi o grande fator que explicaria o nosso insucesso eleitoral”
Aloysio Nunes Ferreira
Senador (PSDB-SP)
Novo ministério
Com uma ajuda da Câmara, o Planalto vai, enfim, criar o Ministério das Micro e Pequenas Empresas. A presidente resolveu desengavetá-lo e pediu apoio dos aliados para aprovar sua criação até o fim do ano. Entrará na minirreforma de Dilma.
Isolado
Contrato assinado pelo governador Agnelo Queiroz com uma empresa de Cingapura para projetar o desenvolvimento de Brasília, para os próximos 50 anos, sem que ninguém soubesse, provocou o rompimento com oito dos 11 parlamentares do Distrito Federal. Eles se recusaram a se reunir para tratar de um fato consumado.
Reforma política. Que reforma?
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), quer votar em dezembro alguns itens da reforma política. Há um único acordo: a coincidência das eleições em um ano. Financiamento público, todos querem, mas não atrelado ao voto em lista.
Quem tem a força?
Dos 37,1 milhões de habitantes para os quais o PT passará a governar a partir de janeiro de 2013, 20,4 milhões estão nas 83 maiores cidades do país. Nestes grandes centros urbanos, onde vota o eleitorado mais dinâmico e informado, ps petistas são seguidos pelo PSB, governando para 10,6 milhões e seguido do PMDB, com 9,7 milhões. Só depois vem a oposição: o PSDB com 9,4 milhões.
Quem levou a melhor
No confronto direto entre PT e PSB nas capitais, o partido do governador Eduardo Campos (PE) venceu. Eles se enfrentaram em cinco. O PSB ganhou em Fortaleza, Recife, Belo Horizonte e Cuiabá. O PT só levou em João Pessoa.
Intriga nos bastidores
Petistas que articulam a garantia do acordo entre Planalto e PMDB para eleger o deputado Henrique Alves (PMDB-RN) presidente da Câmara dizem que é forte a reação à hegemonia do PMDB. Sobretudo entre os próprios petistas.
A BANCADA FLUMINENSE debate hoje a lei dos Royalties. O coordenador, Hugo Leal (PSC) quer obstruir até a votação do Fundo de Participação dos Estados.
Nelson Rodrigues e o mensalão - ARNALDO JABOR
O Estado de S.Paulo - 30\10
Depois de muito tempo, falei ontem com Nelson Rodrigues no velho telefone preto que ele atende lá no céu, entre nuvens de algodão e estrelas de purpurina. Ele riu ao telefone:
- Você só me liga quando está em crise? A crise é tua ou do País?
- Nelson, eu sou parte dos detritos da nação...
- Não faz frase, rapaz, olha a pose... Este momento do País é maravilhoso: o Brasil está assumindo a própria miséria, a própria lepra... Os brasileiros deviam se agachar no meio-fio e beber dessa sagrada lama que apareceu, com o 'negão' bisneto de escravos abolindo a corrupção... Ali está a salvação. Finalmente, os marxistas de galinheiro estão aparecendo no relatório do STF. É impressionante ver as trapalhadas que fizeram; achavam que ninguém estava vendo. Eles são parte dos cretinos fundamentais que infestam o País e se escondem sob a capa da 'revolução'. Antigamente, o cretino se escondia pelos cantos, envergonhado da própria sombra; hoje, se você subir num caixotinho de querosene "Jacaré" e falar "meu povo", eles formam uma multidão de Fla x Flus. Você pegue o Prestes, por exemplo; ele só fez errar na vida. Tudo que ele quis deu zebra, de 1935 até o fim... No entanto, quem falar mal do Prestes leva um dedo na cara: "Não admito, ouviu?!" Durante 30 anos organizaram um partido e chamaram os intelectuais, que fizeram um carnaval danado, transformando o Lula num "Padim Ciço". Mas, quando chegaram ao poder, debaixo de papel picado, resolveram se suicidar como as virgens do meu tempo: ateando fogo às vestes. Daí, a verdade inapelável: os comunistas odeiam governar; só querem 'tomar' o poder para entrar nas boquinhas, com a mentira de serem 'socialistas'. Eles acham a democracia uma vigarice burguesa para enganar as massas.
- Mas... Nelson... o proletariado sob o capitalismo...
- Para com isso, rapaz; o Homem é capitalista... Existe mercado desde o tempo dos macacos disputando minhocas no buraco... Só os cegos acreditam na "utopia" e só os profetas enxergam o óbvio. O óbvio é um Pão de Açúcar que ninguém vê. E o óbvio é que os petistas queriam fazer a "revolução" com o mensalão, ali na cara do Lula. Mas, foram mexer com a única coisa proibida: com o canalha brasileiro. O canalha é um patrimônio da nacionalidade. Desde Tomé de Souza que roubam sem parar. Pois os canalhas estavam quietos, metendo as mãos nas cumbucas do Estado, quando de repente apareceu o Zé Dirceu, achando que ia passar-lhes a perna. Os canalhas olharam maravilhados aquela burrice dos petistas e sacaram na hora: "Esses comunas acham que a gente é babaca? É tudo mané!..." Dirceu prometia grana, mas não pagava na hora, humilhando a gangue aliada. Eles piscavam cinicamente uns para os outros, contendo o riso e preparando o bote: "Perfeitamente, camarada Dirceu..."
- Você acha o que do Dirceu?
- Ele me fascina. Eu o conheci em 67, por aí... Ele vivia atracado em postes, como vira-latas... Explico: o Dirceu não podia ver um poste que ele trepava em cima e escrachava o capitalismo. Você sabe que os comunas tratam o capitalismo como uma pessoa: "Hoje o capitalismo acordou de mau humor, o capitalismo tem de morrer!!!" Eles falam no tal do "neoliberalismo" como se os grandes empresários de cartola tivessem resolvido: "Vamos fundar este neoliberalismo para acabar com aqueles trouxas!" Acham que a IBM, a Coca-Cola e a GM estão dando gargalhadas de bruxa de peça infantil. A velha esquerda não entendeu até hoje a grande lição de Marx: quem manda são as mercadorias, quem manda é a salsicha. Ninguém controla o Mercado. Aliás, o Marx está ali numa nuvem, exalando cava depressão.
Bem, como eu ia dizendo, o Dirceu vivia trepado em postes, falando da "utopia", que ninguém sabia o que era. Alguns sujeitos rosnavam: "Quem é essa tal de Utopia? É a mulher dele?" Pois um dia o nosso Dirceu encontrou o Lula. Foi uma festa. O Lula era o "robô" perfeito para os petistas intelectuais: operário, foice e martelo, barba e sem dedo - tinha tudo para se tornar um símbolo de santidade, um messias da USP, onde as professoras se estapeavam para pegar um autógrafo do "proletário". Os bolchevistas, desempregados desde 68, se deram bem quando Lula chegou ao poder: "Vamos desapropriar a grana desse Estado burguês para conquistar nossos objetivos populares". Aí, apareceu o Dirceu esfregando as mãos: "Oba!... Deixa comigo, Lula!" E virou 'primeiro-ministro'. O Lula achou ótimo porque estava em fremente lua de mel consigo mesmo, segredando para dona Marisa: "Ei, mãezinha, quem diria nós aqui, hein...?" E nem ligava: "Deixa que o Dirceu resolve!" E ia beijar rainhas e reis, lambido pelos grã-finos internacionais.
Foi aí que surgiu o Jefferson, denunciando o comandante da "revolução corrupta". Jefferson saiu da mentira para a verdade e o Dirceu da "verdade" para a mentira. Um é o espelho invertido do outro. O Jefferson e Dirceu são a essência do Teatro: protagonista e antagonista. A maior peça do teatro brasileiro foi o duelo dos dois na Câmara. O País parou como no Brasil x Uruguai.
Os dois juntos levantaram a cortina do erro brasileiro. O Jefferson, que tinha passado a vida escondido na própria gordura, se esgueirando por estatais e fundos de pensão, descobriu a deliciosa alegria do sucesso. Ninguém foi mais feliz que o Jefferson naqueles dias, espojando-se na verdade, regozijando-se no papel de herói ao avesso, abrindo o alçapão de ratos...
E Dirceu se deu bem também, apesar da condenação no STF. Ele ficou livre de sua 'revolução' fracassada, finalmente no ansiado martírio, o único sossego dos paranoicos.
Jefferson fez o maior tratado de sociologia política da vida nacional e Dirceu fez uma revolução inesperada - queria um socialismo stalinista e acabou fortalecendo a democracia.
- Mas, Nelson, qual será o futuro disso tudo?
- Não há mais futuro, rapaz... Mas, garanto que um dia Jeff e Zé terão uma estátua em bronze - os dois sob os braços de uma grande deusa nua: a República celebrando seus heróis. Rapaz, isso é o óbvio: Dirceu e Jefferson salvaram o Brasil!
E desligou.
Uma reforma tributária possível - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 30\10
Especialistas propõem um período de transição de oito anos para simplificação, unificação e redução das alíquotas de ICMS nas transações entre estados
A sonhada reforma tributária, mais do que necessária para que a economia brasileira passe a ter uma estrutura de impostos compatível com a de países concorrentes, não consegue avançar por força do conflito de interesses entre os entes federativos. O temor de perdas de um estado para outro levou a um impasse que, no fim das contas, prejudica o país como um todo.
Não sendo possível uma reforma ampla, estão em curso iniciativas para que as mudanças sejam feitas por partes. Não é o ideal, mas se forem executadas algumas das etapas que contribuam para remoção de obstáculos ao investimento, é melhor do que a situação de impasse.
Neste sentido, o Senado foi buscar a opinião de 13 notórios especialistas, que reuniram suas propostas e recomendações em um estudo que será de grande contribuição às futuras decisões dos parlamentares na tentativa de se constituir um novo pacto federativo. E já como um primeiro passo, o Senado deve se preparar para definir regras que possam acabar com a guerra fiscal entre os estados. Essa é uma questão específica sobre o qual o impasse terá de ser superado de alguma maneira, por força de decisões do Supremo Tribunal Federal que derrubaram incentivos fiscais e isenções concedidas por várias unidades da Federação.
A proposta dos especialistas contempla um período de transição de oito anos e estabelece condições para que os estados menos desenvolvidos possam conceder incentivos fiscais. E o mais importante é que, ao longo desse período, as alíquotas de ICMS nas operações interestaduais serão unificadas e reduzidas para percentuais mais adequados para a realidade da economia globalizada.
As mudanças exigirão a aprovação de uma lei completar e até de uma emenda constitucional, o que exigirá a aprovação por maioria qualificada de três quintos no Congresso. Por isso, as mudanças precisarão de apoio político de grande parte dos governadores e das bancadas estaduais.
Esta semana, a comissão dos especialistas deverá encaminhar ao Congresso o conteúdo do estudo, cujas propostas principais já foram antecipadas. Mesmo que aprovadas por partes, é preciso que as mudanças na estrutura tributária mantenham coerência em relação ao conjunto das finanças públicas. Não se trata de um jogo de ganhadores e perdedores, mas de um processo em que todos se beneficiam no médio e longo prazos pela simplificação e redução da carga excessiva de impostos que hoje recai sobre a produção.
Embora os problemas principais dessa estrutura estejam na esfera de estados e municípios, a concentração de receita tributária nos cofres da União obriga o governo federal a desempenhar papel relevante na busca de soluções. A partir do Senado, a presidente Dilma e sua equipe podem negociar o apoio político necessário para que essas imprescindíveis reformas finalmente se concretizem.
Especialistas propõem um período de transição de oito anos para simplificação, unificação e redução das alíquotas de ICMS nas transações entre estados
A sonhada reforma tributária, mais do que necessária para que a economia brasileira passe a ter uma estrutura de impostos compatível com a de países concorrentes, não consegue avançar por força do conflito de interesses entre os entes federativos. O temor de perdas de um estado para outro levou a um impasse que, no fim das contas, prejudica o país como um todo.
Não sendo possível uma reforma ampla, estão em curso iniciativas para que as mudanças sejam feitas por partes. Não é o ideal, mas se forem executadas algumas das etapas que contribuam para remoção de obstáculos ao investimento, é melhor do que a situação de impasse.
Neste sentido, o Senado foi buscar a opinião de 13 notórios especialistas, que reuniram suas propostas e recomendações em um estudo que será de grande contribuição às futuras decisões dos parlamentares na tentativa de se constituir um novo pacto federativo. E já como um primeiro passo, o Senado deve se preparar para definir regras que possam acabar com a guerra fiscal entre os estados. Essa é uma questão específica sobre o qual o impasse terá de ser superado de alguma maneira, por força de decisões do Supremo Tribunal Federal que derrubaram incentivos fiscais e isenções concedidas por várias unidades da Federação.
A proposta dos especialistas contempla um período de transição de oito anos e estabelece condições para que os estados menos desenvolvidos possam conceder incentivos fiscais. E o mais importante é que, ao longo desse período, as alíquotas de ICMS nas operações interestaduais serão unificadas e reduzidas para percentuais mais adequados para a realidade da economia globalizada.
As mudanças exigirão a aprovação de uma lei completar e até de uma emenda constitucional, o que exigirá a aprovação por maioria qualificada de três quintos no Congresso. Por isso, as mudanças precisarão de apoio político de grande parte dos governadores e das bancadas estaduais.
Esta semana, a comissão dos especialistas deverá encaminhar ao Congresso o conteúdo do estudo, cujas propostas principais já foram antecipadas. Mesmo que aprovadas por partes, é preciso que as mudanças na estrutura tributária mantenham coerência em relação ao conjunto das finanças públicas. Não se trata de um jogo de ganhadores e perdedores, mas de um processo em que todos se beneficiam no médio e longo prazos pela simplificação e redução da carga excessiva de impostos que hoje recai sobre a produção.
Embora os problemas principais dessa estrutura estejam na esfera de estados e municípios, a concentração de receita tributária nos cofres da União obriga o governo federal a desempenhar papel relevante na busca de soluções. A partir do Senado, a presidente Dilma e sua equipe podem negociar o apoio político necessário para que essas imprescindíveis reformas finalmente se concretizem.
Uma cidade que é um país - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 30\10
A eleição de Fernando Haddad para prefeito em São Paulo representa o segundo sucesso de um projeto do ex-presidente Lula: lançar novos quadros políticos no país. Os partidos precisam de renovação, e o PSDB deveria fazer o mesmo, como bem lembrou o ex-presidente Fernando Henrique. A cidade de São Paulo e seus gigantescos problemas precisam muito que ele dê certo no cargo.
Haddad deixou a desejar como ministro da Educação. Cada problema que teve na execução dos testes de avaliação pode ter uma boa explicação; todos juntos mostram falha evidente de gestão. Lembra os casos de apagão. Cada um é um raio, um incêndio em subestação, um acaso; juntos mostram que há problemas graves de manutenção e de operação da rede interligada.
Se fossem só os vazamentos das provas do Enem, poderia até ser aceitável. O problema é que houve pouco avanço nos indicadores educacionais e, em alguns casos, retrocesso. Os dados da última Pnad mostraram piora em indicadores como os do ensino médio, onde houve aumento da evasão e uma queda do percentual de jovens na escola. Isso é completamente inconcebível.
A cidade de São Paulo é um país. Grande, difícil de governar, com sua força e seus descaminhos. Tem graves dificuldades de mobilidade urbana, agravadas pela política econômica de uma nota só: incentivar a compra de automóvel.
Haddad, como Dilma, foi chamado de poste. Convenhamos: ninguém se elege no Brasil só porque um líder, por mais popular que seja, indica, aposta ou faz campanha. Para confirmar isso, basta ver que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma tiveram derrotas em outras cidades, mesmo se esforçando pela vitória. Haddad não seria prefeito sem a decisão de Lula de indicá-lo, impô-lo ao partido e fazer campanha para ele. Mas se ele não tivesse acertado - e os adversários, errado - não seria eleito em São Paulo.
Nesta trajetória, que o levou dos 3% de intenção de votos no começo da campanha aos 55% de votos no segundo turno, provavelmente aprendeu mais do que em qualquer curso que fizesse sobre como governar São Paulo. E essa é a vantagem da democracia e do voto direto.
Tomara que não cometa muitos erros ao governar, porque São Paulo, pelo seu gigantismo, não comporta o aprendizado via tentativa e erro. Tomara também que o governo federal não erre ao tratar os assuntos da cidade.
Um deles é a gigantesca dívida municipal, de R$ 72 bilhões, quase duas vezes o orçamento anual da cidade. Nos últimos dois anos, a arrecadação não tem conseguido chegar ao projetado porque na indústria é que está o impacto maior do baixo crescimento.
A dívida de São Paulo tem crescido muito. E os administradores, de qualquer partido, têm pedido uma mudança do indexador ou redução dos juros. Outras cidades pagam menos, mas, em grande parte, porque trabalharam para isso.
A dívida foi renegociada na gestão Maluf-Pitta. Na época, o município tomou a decisão equivocada de aceitar juros de 9%. Foram oferecido a todos os entes federados endividados juros de 6%, caso dessem um pagamento inicial de 20% através de receitas de privatização. Maluf, hoje aliado de Haddad, foi parte do endividamento e era o orientador do prefeito que cometeu esse erro. Vários estados e cidades preferiram quitar uma parte e ter a dívida mais barata. Recentemente, o município do Rio tomou empréstimos externos para reduzir o custo da dívida. Seria lamentável se a administração Haddad fosse tratada de maneira diferente de outras. O problema existe, a solução tem que ser para todos, e não um acerto entre Haddad e Dilma.
A eleição de Fernando Haddad para prefeito em São Paulo representa o segundo sucesso de um projeto do ex-presidente Lula: lançar novos quadros políticos no país. Os partidos precisam de renovação, e o PSDB deveria fazer o mesmo, como bem lembrou o ex-presidente Fernando Henrique. A cidade de São Paulo e seus gigantescos problemas precisam muito que ele dê certo no cargo.
Haddad deixou a desejar como ministro da Educação. Cada problema que teve na execução dos testes de avaliação pode ter uma boa explicação; todos juntos mostram falha evidente de gestão. Lembra os casos de apagão. Cada um é um raio, um incêndio em subestação, um acaso; juntos mostram que há problemas graves de manutenção e de operação da rede interligada.
Se fossem só os vazamentos das provas do Enem, poderia até ser aceitável. O problema é que houve pouco avanço nos indicadores educacionais e, em alguns casos, retrocesso. Os dados da última Pnad mostraram piora em indicadores como os do ensino médio, onde houve aumento da evasão e uma queda do percentual de jovens na escola. Isso é completamente inconcebível.
A cidade de São Paulo é um país. Grande, difícil de governar, com sua força e seus descaminhos. Tem graves dificuldades de mobilidade urbana, agravadas pela política econômica de uma nota só: incentivar a compra de automóvel.
Haddad, como Dilma, foi chamado de poste. Convenhamos: ninguém se elege no Brasil só porque um líder, por mais popular que seja, indica, aposta ou faz campanha. Para confirmar isso, basta ver que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma tiveram derrotas em outras cidades, mesmo se esforçando pela vitória. Haddad não seria prefeito sem a decisão de Lula de indicá-lo, impô-lo ao partido e fazer campanha para ele. Mas se ele não tivesse acertado - e os adversários, errado - não seria eleito em São Paulo.
Nesta trajetória, que o levou dos 3% de intenção de votos no começo da campanha aos 55% de votos no segundo turno, provavelmente aprendeu mais do que em qualquer curso que fizesse sobre como governar São Paulo. E essa é a vantagem da democracia e do voto direto.
Tomara que não cometa muitos erros ao governar, porque São Paulo, pelo seu gigantismo, não comporta o aprendizado via tentativa e erro. Tomara também que o governo federal não erre ao tratar os assuntos da cidade.
Um deles é a gigantesca dívida municipal, de R$ 72 bilhões, quase duas vezes o orçamento anual da cidade. Nos últimos dois anos, a arrecadação não tem conseguido chegar ao projetado porque na indústria é que está o impacto maior do baixo crescimento.
A dívida de São Paulo tem crescido muito. E os administradores, de qualquer partido, têm pedido uma mudança do indexador ou redução dos juros. Outras cidades pagam menos, mas, em grande parte, porque trabalharam para isso.
A dívida foi renegociada na gestão Maluf-Pitta. Na época, o município tomou a decisão equivocada de aceitar juros de 9%. Foram oferecido a todos os entes federados endividados juros de 6%, caso dessem um pagamento inicial de 20% através de receitas de privatização. Maluf, hoje aliado de Haddad, foi parte do endividamento e era o orientador do prefeito que cometeu esse erro. Vários estados e cidades preferiram quitar uma parte e ter a dívida mais barata. Recentemente, o município do Rio tomou empréstimos externos para reduzir o custo da dívida. Seria lamentável se a administração Haddad fosse tratada de maneira diferente de outras. O problema existe, a solução tem que ser para todos, e não um acerto entre Haddad e Dilma.
Meio cheio ou meio vazio? - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 30\10
Depois de amargar prejuízos de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre deste ano, a Petrobrás apresentou no período seguinte lucros insatisfatórios, de R$ 5,6 bilhões - 12,1% mais baixos do que no terceiro trimestre de 2011.
A diretoria tentou dar ao resultado o tratamento de "copo meio cheio", o de que os problemas vão sendo superados. Mas os analistas entendem que o desempenho da Petrobrás continua decepcionante e, por isso, preferem ver a situação como de "copo meio vazio".
A partir da recomposição da diretoria em abril deste ano, esperava-se a correção dos problemas. A presidente, Graça Foster, determinou a remoção de importantes esqueletos dos armários, especialmente o reconhecimento de 41 poços secos ou subcomerciais cujos custos foram definitivamente lançados como despesas sem retorno, não como investimento. A partir daí, Graça se pôs em campanha destinada a recuperar a confiança na empresa. Ela própria sugeria que o prejuízo do segundo trimestre havia sido um ponto fora da curva e convidava o investidor a voltar a apostar suas fichas na empresa.
Os resultados do terceiro trimestre foram medíocres por velhas e novas razões. A produção de petróleo na Bacia de Campos está em flagrante declínio. O novo diretor de produção, José Miranda Formigli, reconhece "problemas de ineficiência", embora pondere que esteja trabalhando para revertê-los.
Entre as razões da queda da produção de 4,4%, em setembro ante agosto - a pior desde abril de 2008 -, aponta para "paralisações além do previsto", que atribui a más condições meteorológicas na execução de serviços de manutenção das plataformas P-53 e P-57 - como se imponderáveis tivessem de ser desconsiderados das equações de governança.
Além dos aumentos de custos, o diretor Financeiro, Almir Barbassa, admitiu ontem que a empresa não está conseguindo se desfazer de ativos no exterior, de US$ 14,8 bilhões, operação que se destina a recompor a capacidade de investimento. Aparentemente, os eventuais pretendentes identificaram as fragilidades da Petrobrás e preferem esperar até que as premências de caixa se encarreguem de colocar as prendas na bacia das almas. Desse modo, os desinvestimentos que deveriam concentrar-se em 2012 agora vão sendo postergados para até o final de 2014.
Entre os principais causadores dos problemas de caixa está o desalinhamento dos preços ao consumidor em relação aos praticados no mercado internacional. Como não consegue processar aqui todo o volume de combustíveis, a Petrobrás se vê obrigada a vender parte deles no mercado interno a preços mais baixos do que os que paga aos fornecedores externos.
Em junho, a diretoria condicionou o cumprimento do programa de investimentos de US$ 236,5 bilhões em 4 anos ao reajuste de pelo menos 15% dos preços internos. Os últimos repasses, de 7,83% (para a gasolina) e de 6,00% (para o diesel), entre junho e julho, apenas com redução de impostos, não mudaram significativamente as coisas. O governo Dilma pratica em relação aos combustíveis a mesma política populista da presidente da Argentina, Cristina Kirchner: comprime os preços à custa da capacidade de investimento da Petrobrás.
O maior problema não é sequer o adiamento dos reajustes. É a falta de critérios para definição dos preços. Eles são ou não são o que der na telha de quem ocupa o cargo de ministro da Fazenda.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 30\10
RECORDE EM AEROPORTOS
Nunca houve setembro tão intenso em aeroportos do país. Segundo o Ministério do Turismo, com base na Infraero, foram 7,2 milhões de desembarques domésticos, 7,57% a mais que o antigo recorde (setembro de 2011). Neste ano, foram 64 mil desembarques, 8,4% acima de 2011.
FORÇA DO FURACÃO
Com o fechamento da Bolsa em Nova York ontem e hoje, o primeiro efeito esperado é a redução do volume de transações.
Ainda está sob avaliação a possibilidade de abertura do mercado amanhã.
Qual será o impacto da redução de negócios sobre determinadas ações de empresas brasileiras já é mais difícil de estimar, de acordo com analistas.
Poderá até "ajudar" alguns papéis cujo resultado veio abaixo do esperado.
"Sem a presença de estrangeiros no mercado, o papel 'apanha' menos do que poderia", diz Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp.
"Por outro lado, depois que a Bolsa reabrir pode acontecer que o mau humor acumulado em dois ou três dias sem negociações se manifeste todo em único pregão", afirma Simino.
SUDESTE REVESTIDO
A Portobello, empresa catarinense de revestimento cerâmico, está com um projeto de expansão que inclui a abertura de 60 lojas até 2016. Dessas, 20 devem ser inauguradas no próximo ano.
A empresa contratou a consultoria McKinsey para auxiliar o crescimento da rede de franquias no país.
"Nossos focos são São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, tanto o interior como as capitais. São regiões onde a marca ainda pode crescer bastante", diz Guilherme Siriani, coordenador de expansão da Portobello Shop.
Hoje a companhia tem cerca de 110 lojas. A meta é fechar o ano com 120.
Cada nova unidade deverá receber aporte de R$ 450 mil. As inaugurações previstas para os quatro próximos anos devem movimentar, assim, cerca de R$ 27 milhões.
DECORAÇÃO PARA O BOLSO
A empresa de shoppings Kochen Associados, que tem atuação com empreendimentos voltados para o mercado de decoração, vai abrir em São Paulo um outlet de lojas de móveis de luxo no ano que vem.
Com investimentos de mais de R$ 80 milhões, o CasaOutlet, que ficará localizado na Régis Bittencourt, vai reunir, além de lojas de móveis, produtos de acabamento como metais sanitários, puxadores, tecidos, papel de parede e designers, de acordo com Arnaldo Kochen, presidente da Kochen Associados.
"Só estarão presentes marcas de alto padrão nacionais e estrangeiras", afirma o executivo
Os descontos oferecidos pelas lojas deverão variar de 30% a 70%, de acordo com a empresa.
Anexo ao empreendimento haverá um prédio de escritórios e um hotel.
CARTÃO PRÉ-PAGO
Os pré-pagos são a nova fronteira do mercado de cartões no país, segundo profissionais do setor.
"Esse segmento vem para substituir o papel. Muitas pessoas ainda não têm conta corrente e, por isso, a possibilidade de crescimento é grande", afirma Raul Moreira, diretor de cartões do Banco do Brasil.
O banco Bonsucesso lança hoje a sua versão com a bandeira Mastercard, que será comercializada inicialmente em cerca de 10 mil pontos de venda na região Sudeste. Não será preciso que o usuário tenha conta em banco.
A operadora de viagens Marsans Brasil, por sua vez, lançou neste mês sua alternativa para compras em moeda estrangeira. A empresa oferece o produto, que tem a bandeira Visa, ao lado de pacotes de viagem.
A companhia espera emitir de 1.200 a 1.500 cartões por mês, segundo Salazar Junior, diretor da operadora.
Os cartões internacionais são usados principalmente em lojas de roupas e de departamento, seguidas por eletrônicos, hospedagem e restaurantes, de acordo com levantamento do Itaú.
26.706 cartões pré-pagos foram emitidos pelo Banco do Brasil para pessoas físicas
10 mil pontos de venda comercializarão os cartões do Bonsucesso na região Sudeste
EXPANSÃO NA COLHER
Após ser adquirida pela BFFC no primeiro semestre, a Yoggi, rede de frozen iogurte, vai se expandir pelo país. Com aproximadamente 50 unidades, a empresa pretende alcançar 150 pontos até o fim de 2013, segundo Alexandre Tenenbaum, fundador e diretor-executivo da marca.
A ideia é que mais de 40 pontos sejam concentrados no Estado de São Paulo.
A empresa coloca em prática um projeto piloto de lojas compactas, que deve impulsionar a expansão.
"Esse novo modelo tem performance em vendas 30% acima da média", afirma.
"O custo de implantação é menor. E, como são operações pequenas, são instaladas em pontos de alto fluxo."
Além da Yoggi, a BFFC tem em seu portfólio as marcas próprias Bob's e In Bocca al Lupo Café, a gestão no Brasil da rede Doggis e a operação de franquia das marcas Pizza Hut na grande São Paulo e KFC nas praças do Rio de Janeiro e São Paulo.
150
é o número de pontos que a empresa pretende alcançar no país até o fim de 2013
Sentimento...
A expectativa econômica na Alemanha melhorou de forma discreta em outubro, segundo a GfK.
...alemão
O indicador (que varia de -100 a 100) passou de -17,2, em setembro, para -15,8 pontos. Houve, ainda, alta de seis pontos na expectativa de renda.
Lapidação...
O Centro Paula Souza, vinculado ao governo do Estado de São Paulo, fechou parceria com o Sindijoias (sindicato da indústria de joalheria).
...profissional
Juntas, as entidades formarão profissionais para o setor.
A dança do tripé - JOSÉ PAULO KUPFER
O Estado de S.Paulo - 30\10
O "talk of the town" do momento, na economia brasileira, é o abandono ou não do tripé da política econômica - metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal. Dia sim, outro também, economistas se dispõem a criticar o governo - e, sobretudo, o Banco Central (BC), responsável direto por duas das três pernas - pelo relaxamento em relação aos "três pilares".
Implantado em 1999, com a mudança do regime cambial, o tripé, em sua jovem existência, provou-se, como a democracia em relação aos regimes políticos, o modelo de sustentação econômica ideal, na falta de outro melhor. Mesmo quando aplicado, nos primeiros anos, de modo supostamente mais "puro", não foi capaz de evitar o colapso externo de 2002 - nem garantir números macroeconômicos isentos de fragilidades.
Ao longo de uma experiência de quase 14 anos, só a perna fiscal ficou mais perto do centro dos objetivos para ela traçados. Os outros dois pilares operaram em intervalos mais flexíveis. O centro da meta de inflação, por exemplo, só foi alcançado em três oportunidades - 2000, 2006 e 2009. E a flutuação cambial nunca deixou de ser mais ou menos suja, o que é comprovado pela acelerada acumulação de reservas no período. Num sistema puro de câmbio flutuante, por definição, não há necessidade de acumular reservas internacionais.
Com esse quadro em mente, fica parecendo que a reivindicação dos que reclamam do abandono do tripé é uma espécie de nostalgia daquilo que nunca foi. O tripé jamais dançou o samba de uma nota só que agora muitos estão pedindo. Além disso, as críticas parecem se chocar com as recomendações mais respeitáveis à atuação de bancos centrais, nesses tempos atuais de profunda e transformadora crise global.
Produzido pelo Comitê para Política Econômica Internacional e Reforma, um documento intitulado Rethinking Central Banking (Repensando a ação dos bancos centrais, em tradução livre), publicado em setembro de 2011, é um ótimo resumo do novo ambiente econômico global. O documento desmonta verdades estabelecidas e propõe aos bancos centrais adotar um rol de ações antes geralmente repelidas.
O comitê reúne experts de alto nível, por iniciativa da Brookings Institution, secular e poderoso "think tank" americano. São ex-presidentes de bancos centrais, ex-funcionários de organismos multilaterais, acadêmicos de prestígio e destacados especialistas de mercado. Para dar uma ideia do seu alto nível, basta mencionar que do grupo fazem parte o brasileiro Arminio Fraga, os professores Kenneth Rogoff, Barry Eichengreen, Dani Rodrik e Raghuram Rajan, além de Mohamed El-Erian, da gigante global de investimentos Pimco.
À luz do que a crise vem ensinando, o comitê recomenda revisar o modo convencional de pensar as políticas econômicas. Faz menção especial às interações entre o sistema de metas de inflação e câmbio flutuante, observando que esse conhecimento se estabeleceu como definitivo sem considerar que sua disseminação se deu numa quadra excepcionalmente benigna na economia mundial - de meados dos anos 90 a meados de 2000.
O documento também sugere "não ser mais viável" manter ativa a ideia, aceita por muito tempo, de que cada instrumento de política econômica só pode atender a um único objetivo. Nesse sentido, os especialistas do comitê entendem que as funções dos bancos centrais são agora mais amplas, com especial atenção para o objetivo da estabilidade financeira. Em seu nome, inclusive, se for o caso e por um tempo, desvios em relação às metas de inflação são inconvenientes que devem ser aceitos.
Outra diferença relevante em relação às teorias estabelecidas, diversas vezes anotada no documento, é a de que os impactos de políticas locais sobre outras economias são reais e importantes, a ponto de poder levar os bancos centrais, especialmente nos países emergentes, a reagir a eles. Qualquer semelhança com ações defensivas em relação aos afrouxamentos monetários nos EUA e na Europa não é mera coincidência.
É possível verificar que o nosso BC, bem longe de tirar "inovações" da cartola, está, de fato, adotando várias das novas linhas de ação recomendadas. Mas pode-se verificar também que, de acordo com essas novas orientações, o BC brasileiro tem falhado, sobretudo em relação à comunicação. Se o mundo mudou e as ações também mudaram, o desafio da comunicação é explicar, com a máxima transparência, o que mudou e por que mudou.
O lobo e o cordeiro - CARLOS HEITOR CONY
FOLHA DE SÃO PAULO - 30\10
RIO DE JANEIRO - Aos 11 anos, obrigaram-me a decorar uma fábula de Esopo, reescrita em latim por Fedro. Até hoje a sei de cor: "Ad rivum eundem lupus et agnus...". O lobo e o cordeiro vieram ao mesmo rio. O lobo quis comer o cordeiro que estava sujando a água que pretendia beber.
O cordeiro se defende: "Estou bebendo abaixo do trecho onde você bebia, como posso sujar a sua água?". O lobo deu a sentença final: "Ano passado, seu pai sujou a água que eu bebia!". E comeu o cordeiro.
Pensei nisso quando ouvi uma douta ministra do STF, a propósito de um dos réus do mensalão, dizer que não estava julgando a história, mas o fato. Com isso, condenou -e outros juízes fizeram o mesmo- alguns personagens que, no passado, se destacaram na luta contra a ditadura.
Sem entrar no mérito da questão, acho que a juíza julgou certo, desconhecendo o passado dos réus e julgando apenas os delitos cometidos e denunciados por quem de direito. Evitou usar a razão histórica do lobo que acusou o pai do cordeiro de ter sujado a água que bebia. Adotou o argumento às avessas, não lembrou o passado para julgar o presente.
Além da dupla Esopo-Fedro, recorro a autor mais recente, William Shakespeare, e a uma das cenas mais famosas de sua peça "Júlio César". Após o discurso de Marco Antônio -que citei em crônica da semana passada-, o povo, revoltado contra o assassinato de César, promove a caça às bruxas que haviam feito parte da conspiração. Pegam um tal de Cina, que se explica: "Não sou conspirador, sou Cina, o poeta!".
O povo não o perdoa: "Então morra por seus maus versos!".
Outro argumento histórico, igual ao do lobo da fábula e que a ministra do STF não quis aplicar no caso dos dois Zés, o Dirceu e o Genoino. Justiça ou acerto de contas?
RIO DE JANEIRO - Aos 11 anos, obrigaram-me a decorar uma fábula de Esopo, reescrita em latim por Fedro. Até hoje a sei de cor: "Ad rivum eundem lupus et agnus...". O lobo e o cordeiro vieram ao mesmo rio. O lobo quis comer o cordeiro que estava sujando a água que pretendia beber.
O cordeiro se defende: "Estou bebendo abaixo do trecho onde você bebia, como posso sujar a sua água?". O lobo deu a sentença final: "Ano passado, seu pai sujou a água que eu bebia!". E comeu o cordeiro.
Pensei nisso quando ouvi uma douta ministra do STF, a propósito de um dos réus do mensalão, dizer que não estava julgando a história, mas o fato. Com isso, condenou -e outros juízes fizeram o mesmo- alguns personagens que, no passado, se destacaram na luta contra a ditadura.
Sem entrar no mérito da questão, acho que a juíza julgou certo, desconhecendo o passado dos réus e julgando apenas os delitos cometidos e denunciados por quem de direito. Evitou usar a razão histórica do lobo que acusou o pai do cordeiro de ter sujado a água que bebia. Adotou o argumento às avessas, não lembrou o passado para julgar o presente.
Além da dupla Esopo-Fedro, recorro a autor mais recente, William Shakespeare, e a uma das cenas mais famosas de sua peça "Júlio César". Após o discurso de Marco Antônio -que citei em crônica da semana passada-, o povo, revoltado contra o assassinato de César, promove a caça às bruxas que haviam feito parte da conspiração. Pegam um tal de Cina, que se explica: "Não sou conspirador, sou Cina, o poeta!".
O povo não o perdoa: "Então morra por seus maus versos!".
Outro argumento histórico, igual ao do lobo da fábula e que a ministra do STF não quis aplicar no caso dos dois Zés, o Dirceu e o Genoino. Justiça ou acerto de contas?
O mundo macunaímico da política - FERNANDO LUÍS SCHÜLER
O GLOBO - 30\10
Na língua do mercado financeiro, o custo eleitoral do mensalão já está ‘precificado’, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante. O PT é um intrigante caso de resiliência política
Tenho dificuldades para imaginar que outro partido, que não o PT, teria a capacidade de atravessar praticamente incólume a um julgamento como o que estamos assistindo, já em seus momentos finais, no STF. Por ampla maioria, a Suprema Corte do país, com sete de seus onze ministros indicados pelos presidentes Lula e Dilma, condenou a cúpula histórica do partido, nos termos que todos conhecemos. O processo já vai ingressando no terreno da história. Na linguagem do mercado financeiro, seu custo eleitoral já está precificado, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante.
Trata-se de um intrigante caso de resiliência política. Na antevéspera do julgamento, havia a expectativa de que ele funcionasse como um divisor de águas, uma espécie de redenção ética da vida publica brasileira. Ledo engano. No fim do processo eleitoral, no mundo real da política (e independentemente do gosto partidário de cada um), tudo indica que quem estará comemorando o “troco”, nas eleições, é José Dirceu, ainda que as máscaras mais vendidas no carnaval sejam as de Joaquim Barbosa.
Muita tinta ainda vai se gastar para explicar este fenômeno. Um bom ponto de partida é compreender uma distinção elementar entre o mundo da política e o mundo jurídico. No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos. É a mesma lógica simples que guia a vida das pessoas, dia a dia, quando educam os seus filhos, pagam suas contas e devolvem o troco dado a mais na padaria. Ocorre que, por muitas razões, as pessoas não transferem este modelo de raciocínio para o mundo da política. Expressão maior desta dicotomia é o argumento que, em ultima instância, sustentou a defesa dos réus do mensalão: a tese segundo a qual não havia, efetivamente, nenhum criminoso entre os acusados, visto que nenhum roubara para fins pessoais, e sim meramente políticos.
O PT tem mostrado dominar à perfeição a arte de lidar neste mundo fluido da política. E o faz com duas vantagens cruciais: aparece como protagonista de uma historia contada e recontada, em nossa cultura política, segundo a qual a “esquerda” é ética e democrática, enquanto a “direita” é corrupta e autoritária. E esta, num argumento circular, define-se pelo ato de opor-se ao próprio partido. A segunda vantagem é a competência para colocar em marcha uma gigantesca operação gramsciana: um exército de intelectuais, professores, jornalistas e ativistas de todos os tipos, em geral no controle de organizações sindicais, comunitárias, estudantis e afins, reverberando os argumentos que interessam ao partido a cada momento, em uma apaixonada “guerra de posições” pela hegemonia política.
Não há dúvidas de que o julgamento do mensalão pertence à história da República. E só a ela. A desconstrução do mundo macunaímico da política, que o STF, sob a batuta de Joaquim Barbosa, produziu, simplesmente pela afirmação de fatos e valores amplamente compartilhados, não terá, ao que parece, qualquer efeito educativo perceptível em nossa vida pública, ao menos no curto prazo. Quem sabe suas lições sejam digeridas, muito lentamente, no futuro, pelos historiadores de ofício, e sirvam de aprendizado para uma nova compreensão ética da vida republicana.
Na língua do mercado financeiro, o custo eleitoral do mensalão já está ‘precificado’, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante. O PT é um intrigante caso de resiliência política
Tenho dificuldades para imaginar que outro partido, que não o PT, teria a capacidade de atravessar praticamente incólume a um julgamento como o que estamos assistindo, já em seus momentos finais, no STF. Por ampla maioria, a Suprema Corte do país, com sete de seus onze ministros indicados pelos presidentes Lula e Dilma, condenou a cúpula histórica do partido, nos termos que todos conhecemos. O processo já vai ingressando no terreno da história. Na linguagem do mercado financeiro, seu custo eleitoral já está precificado, e parece ter sido, no fim das contas, irrelevante.
Trata-se de um intrigante caso de resiliência política. Na antevéspera do julgamento, havia a expectativa de que ele funcionasse como um divisor de águas, uma espécie de redenção ética da vida publica brasileira. Ledo engano. No fim do processo eleitoral, no mundo real da política (e independentemente do gosto partidário de cada um), tudo indica que quem estará comemorando o “troco”, nas eleições, é José Dirceu, ainda que as máscaras mais vendidas no carnaval sejam as de Joaquim Barbosa.
Muita tinta ainda vai se gastar para explicar este fenômeno. Um bom ponto de partida é compreender uma distinção elementar entre o mundo da política e o mundo jurídico. No mundo jurídico, faz todo sentido a lógica brutal enunciada por Joaquim Barbosa, segundo a qual roubo é roubo, ladrão é ladrão, fatos são fatos. É a mesma lógica simples que guia a vida das pessoas, dia a dia, quando educam os seus filhos, pagam suas contas e devolvem o troco dado a mais na padaria. Ocorre que, por muitas razões, as pessoas não transferem este modelo de raciocínio para o mundo da política. Expressão maior desta dicotomia é o argumento que, em ultima instância, sustentou a defesa dos réus do mensalão: a tese segundo a qual não havia, efetivamente, nenhum criminoso entre os acusados, visto que nenhum roubara para fins pessoais, e sim meramente políticos.
O PT tem mostrado dominar à perfeição a arte de lidar neste mundo fluido da política. E o faz com duas vantagens cruciais: aparece como protagonista de uma historia contada e recontada, em nossa cultura política, segundo a qual a “esquerda” é ética e democrática, enquanto a “direita” é corrupta e autoritária. E esta, num argumento circular, define-se pelo ato de opor-se ao próprio partido. A segunda vantagem é a competência para colocar em marcha uma gigantesca operação gramsciana: um exército de intelectuais, professores, jornalistas e ativistas de todos os tipos, em geral no controle de organizações sindicais, comunitárias, estudantis e afins, reverberando os argumentos que interessam ao partido a cada momento, em uma apaixonada “guerra de posições” pela hegemonia política.
Não há dúvidas de que o julgamento do mensalão pertence à história da República. E só a ela. A desconstrução do mundo macunaímico da política, que o STF, sob a batuta de Joaquim Barbosa, produziu, simplesmente pela afirmação de fatos e valores amplamente compartilhados, não terá, ao que parece, qualquer efeito educativo perceptível em nossa vida pública, ao menos no curto prazo. Quem sabe suas lições sejam digeridas, muito lentamente, no futuro, pelos historiadores de ofício, e sirvam de aprendizado para uma nova compreensão ética da vida republicana.
Partidos municipais - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 30\10
Pode-se dizer que estas foram as eleições mais fisiológicas, ao menos no pós-ditadura
O agravamento extremado da perda de identidade e sentido dos partidos é, provavelmente, a característica destas eleições municipais.
Já se tornara comum a deformação expressa nas alianças estaduais de partidos que se contrapunham em outros Estados. A deformação mais do que se ampliou nos municípios: foi agora a conduta partidária marcante no país todo. Conduta levada até ao cúmulo de partidos se combatendo com ferocidade em municípios vizinhos de onde mantinham alianças.
Ou seja, nenhum dos partidos, nos municípios, esteve sujeito a mais do que à sua política provincial, desconectado não só da linha partidária nacional, mas até da linha praticada no Estado.
A variedade de partidos vitoriosos nas capitais e grandes cidades chamou mais atenção. Sua influência para a nova distribuição das forças políticas é, de fato, muito importante. Mas, em pista paralela, a barafunda das parcerias municipais estará produzindo reflexos nas assembleias e governos estaduais, por certo com casos de emaranhados difíceis para os governadores. E ainda, dado serem os municípios as bases dos deputados federais, com reflexos nas bancadas mais numerosas da Câmara.
A ideia de fragmentação partidária, decorrente sobretudo das múltiplas siglas vitoriosas nas capitais, é generosa ou otimista. Com o PSB aliado nacional do PT e adversário naquele ou no outro Estado, e assim em numerosas e variadas combinações e descombinações, fazia-se a estadualização dos partidos. Uma volta à República Velha, com os partidos de âmbito estadual. As eleições de agora consagraram a municipalização dos partidos: mais do que fragmentá-los, é retirar-lhes a identidade e o sentido pretendido no sistema partidário brasileiro.
Pode-se dizer que estas foram as eleições mais fisiológicas, ao menos no pós-ditadura. O interesse grupal libertou-se das últimas restrições conceituais e convencionais.
Nessa terra desmatada emerge uma ressalva: a linha oficial do PSOL é não fazer acordos eleitorais. Há, porém, uma corrente discordante, desde a chegada ao segundo turno do seu candidato em Belém, o vencido ex-prefeito Edmilson Rodrigues.
OUTROS SINAIS
A vitória de ACM Neto em Salvador, que foi também a derrota do governador Jaques Wagner, é insuficiente para dar algum oxigênio ao DEM. Não chega a afligir a direita, porque o PSD entra no jogo: seu desempenho, ainda que não seja de impressionar, é bastante para atrair-lhe nova leva de trânsfugas. Seu líder enrustido, José Serra, vai precisar disso, seja qual for o significado do "vamos em frente" de sua fala de derrotado. Se bem que fala dotada de alto teor fantasioso.
A campanha "limpa" que Serra ali se atribuiu foi a responsável pela mediocrização da disputa paulistana. Campanha "propositiva", mas só apresentado o seu "programa" a meio já da disputa de segundo turno. E sem sequer uma linha que os meios de comunicação pudessem elevar a manchetes.
O desempenho geral do PSDB, talvez melhor do que o próprio partido esperasse, foi importante como advertência ao PT vitorioso a despeito do julgamento no STF, e da exploração eleitoral dessa desvantagem sua. Mas, contraditoriamente, o PSDB sai da eleição com o pior problema: a necessidade de refazer-se enquanto há tempo.
Pode-se dizer que estas foram as eleições mais fisiológicas, ao menos no pós-ditadura
O agravamento extremado da perda de identidade e sentido dos partidos é, provavelmente, a característica destas eleições municipais.
Já se tornara comum a deformação expressa nas alianças estaduais de partidos que se contrapunham em outros Estados. A deformação mais do que se ampliou nos municípios: foi agora a conduta partidária marcante no país todo. Conduta levada até ao cúmulo de partidos se combatendo com ferocidade em municípios vizinhos de onde mantinham alianças.
Ou seja, nenhum dos partidos, nos municípios, esteve sujeito a mais do que à sua política provincial, desconectado não só da linha partidária nacional, mas até da linha praticada no Estado.
A variedade de partidos vitoriosos nas capitais e grandes cidades chamou mais atenção. Sua influência para a nova distribuição das forças políticas é, de fato, muito importante. Mas, em pista paralela, a barafunda das parcerias municipais estará produzindo reflexos nas assembleias e governos estaduais, por certo com casos de emaranhados difíceis para os governadores. E ainda, dado serem os municípios as bases dos deputados federais, com reflexos nas bancadas mais numerosas da Câmara.
A ideia de fragmentação partidária, decorrente sobretudo das múltiplas siglas vitoriosas nas capitais, é generosa ou otimista. Com o PSB aliado nacional do PT e adversário naquele ou no outro Estado, e assim em numerosas e variadas combinações e descombinações, fazia-se a estadualização dos partidos. Uma volta à República Velha, com os partidos de âmbito estadual. As eleições de agora consagraram a municipalização dos partidos: mais do que fragmentá-los, é retirar-lhes a identidade e o sentido pretendido no sistema partidário brasileiro.
Pode-se dizer que estas foram as eleições mais fisiológicas, ao menos no pós-ditadura. O interesse grupal libertou-se das últimas restrições conceituais e convencionais.
Nessa terra desmatada emerge uma ressalva: a linha oficial do PSOL é não fazer acordos eleitorais. Há, porém, uma corrente discordante, desde a chegada ao segundo turno do seu candidato em Belém, o vencido ex-prefeito Edmilson Rodrigues.
OUTROS SINAIS
A vitória de ACM Neto em Salvador, que foi também a derrota do governador Jaques Wagner, é insuficiente para dar algum oxigênio ao DEM. Não chega a afligir a direita, porque o PSD entra no jogo: seu desempenho, ainda que não seja de impressionar, é bastante para atrair-lhe nova leva de trânsfugas. Seu líder enrustido, José Serra, vai precisar disso, seja qual for o significado do "vamos em frente" de sua fala de derrotado. Se bem que fala dotada de alto teor fantasioso.
A campanha "limpa" que Serra ali se atribuiu foi a responsável pela mediocrização da disputa paulistana. Campanha "propositiva", mas só apresentado o seu "programa" a meio já da disputa de segundo turno. E sem sequer uma linha que os meios de comunicação pudessem elevar a manchetes.
O desempenho geral do PSDB, talvez melhor do que o próprio partido esperasse, foi importante como advertência ao PT vitorioso a despeito do julgamento no STF, e da exploração eleitoral dessa desvantagem sua. Mas, contraditoriamente, o PSDB sai da eleição com o pior problema: a necessidade de refazer-se enquanto há tempo.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Somos a menor oposição na História do País”
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) em “mea culpa” de uma oposição “morna e insossa”
MANGUINHOS: DESAPROPRIAÇÃO É APENAS FACTOIDE
É uma enorme lorota publicitária, que não resistirá a ação na Justiça, a “desapropriação”, no Rio, dos 500 mil metros quadrados da refinaria de Manguinhos “para construir moradias”, como trombeteou o governador Sergio Cabral. A avaliação é de juristas. Brigar com empresários em nome de suposta “causa social” rende dividendos políticos, sobretudo em período eleitoral. A área é da União, por isso o governo estadual não pode torná-la “de utilidade pública para efeito de desapropriação”.
NEM PENSAR
A área de Manguinhos é contaminada e as regras do Programa Minha Casa, Minha Vida vetam a construção de casas em terrenos assim.
LONGO TRABALHO
Resíduos de petróleo foram enterrados por décadas, em Manguinhos. Especialistas estimam em 15 anos o prazo para descontaminar a área.
BOM DIREITO
Durante uma audiência, um ministro do SFT ironizou a truculência na desapropriação: “Isso foi feito na Venezuela ou na Coreia do Norte?”.
DINHEIRODUTO
Também podem estar por trás da desapropriação interessados no duto que liga Manguinhos à região portuária do Rio, avaliado em R$ 1 bilhão.
OPORTUNISMO
Última no PT a apoiar Fernando Haddad, Marta Suplicy foi a primeira a aparecer na vitória para posar de “papagaio de pirata” do novo prefeito.
CANDIDATO PIRATA
Pré-candidato em 2014, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que se faz de maluquete, foi outro papagaio de pirata de Haddad na TV.
ALVO
Fernando Haddad mostrou ter espírito, ao se ironizar como “poste”: agora é aguentar firme trombada de caminhão e xixi de cachorro.
POSTE APAGÃO
Ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Jr. reagiu assim à ironia do ex-presidente sobre os candidatos que inventou: “De poste em poste, o apagão vai se instalando”.
PIU, PIU
Fernando Haddad prometeu, como tantos, “trabalhar 365 dias, quatro anos e 24h”. O falecido Brizola (PDT-RJ) prometeu “trabalhar com os passarinhos”. Durou um mês e entrou para o anedotário político.
CAI O CONSUMO DE BEBIDAS ENTRE ADOLESCENTES
O Programa Jovens de Responsa, da AmBev, que cria estratégias de prevenção ao consumo de álcool por menores, divulga nesta quarta (31), num seminário em São Paulo, um levantando mostrando a redução de 67% para 46% da proporção dos jovens que já compraram bebidas. Também houve a queda de 30% para 21% no consumo entre 14 e 15 anos, e no consumo geral em bares, festas e casa de amigos.
LEILÃO NA JUSTIÇA
O leilão da virgindade da brasileira Catarina Migliori pode parar em tribunal internacional: o subprocurador-geral João Pedro Bandeira de Mello Filho suspeita de “tráfico humano”. Ele disse ao jornal britânico Daily Mail que pediu investigação e possível deportação da jovem.
ESFIHA FRIA
Foi uma “lenha” conter o “companheiro” Paulo Maluf no discurso da vitória de Haddad: o “brimo”, como se sabe, atribuiu parte da vitória do petista a seus redutos paulistanos e queria fazer o “V” da vitória na TV.
TERRENOS NA LUA
A queda de 69,5% no valor da petrolífera OGX faz prosperar a sensação, certamente injusta, de que algumas empresas do bilionário Eike Batista podem explorar, no máximo, loteamentos lunares.
ENGANAÇÃO
“Autenticidade” para enrolar turista trouxa: estes dias, no Riode Janeiro, uns vinte índios saíram de um ônibus de turismo, placa (CGR 7349) de Cristalina (GO), e, dirigidos por uma mulher branca, foram filmados dançando, como nos filmes de faroeste, numa “aldeia” ao lado do Maracanã.
SACO DE DINHEIRO
Dezembro próximo terá cinco sábados, cinco domingos e cinco segundas. Isto, conforme os matemáticos, somente ocorre a cada 824 anos. Os chineses chamam este acontecimento de “saco do dinheiro”.
PONTE PARA MARTE
Com o sobrepreço de R$ 74 milhões (32%) na construção da ponte entre Xambioá (TO) e São Geraldo do Araguaia (PA), daria para fazer outra, estima o Tribunal de Contas da União, que mandou anular tudo.
NÃO DÁ IDEIA
Maldade ontem no Twitter, sobre a vitória de Fernando Haddad em São Paulo: “Maluf será o novo secretário de Finanças”.
PODER SEM PUDOR
BOMBINHA DE NADA
Corria o sombrio 1º de abril de 1964 quando um homem simples, carregando uma caixa, dirigia-se à Rua do Príncipe, onde ficava o então IV Exército, no Recife. Um soldado armado de fuzil gritou "alto!". Assustado, o homem passou a gritar, enquanto era preso:
- É uma d'água! É uma d'água!
O engano seria desfeito horas depois, quando um capitão o interrogou:
- Afinal, o que é "uma d'água"?
- Meu capitão, eu sou encanador e estou levando uma bomba d'água na caixa. Se eu dissesse que era uma bomba d'água, os seus soldados iam me trazer aqui vivo para conversar com o senhor?
Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) em “mea culpa” de uma oposição “morna e insossa”
MANGUINHOS: DESAPROPRIAÇÃO É APENAS FACTOIDE
É uma enorme lorota publicitária, que não resistirá a ação na Justiça, a “desapropriação”, no Rio, dos 500 mil metros quadrados da refinaria de Manguinhos “para construir moradias”, como trombeteou o governador Sergio Cabral. A avaliação é de juristas. Brigar com empresários em nome de suposta “causa social” rende dividendos políticos, sobretudo em período eleitoral. A área é da União, por isso o governo estadual não pode torná-la “de utilidade pública para efeito de desapropriação”.
NEM PENSAR
A área de Manguinhos é contaminada e as regras do Programa Minha Casa, Minha Vida vetam a construção de casas em terrenos assim.
LONGO TRABALHO
Resíduos de petróleo foram enterrados por décadas, em Manguinhos. Especialistas estimam em 15 anos o prazo para descontaminar a área.
BOM DIREITO
Durante uma audiência, um ministro do SFT ironizou a truculência na desapropriação: “Isso foi feito na Venezuela ou na Coreia do Norte?”.
DINHEIRODUTO
Também podem estar por trás da desapropriação interessados no duto que liga Manguinhos à região portuária do Rio, avaliado em R$ 1 bilhão.
OPORTUNISMO
Última no PT a apoiar Fernando Haddad, Marta Suplicy foi a primeira a aparecer na vitória para posar de “papagaio de pirata” do novo prefeito.
CANDIDATO PIRATA
Pré-candidato em 2014, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que se faz de maluquete, foi outro papagaio de pirata de Haddad na TV.
ALVO
Fernando Haddad mostrou ter espírito, ao se ironizar como “poste”: agora é aguentar firme trombada de caminhão e xixi de cachorro.
POSTE APAGÃO
Ex-secretário nacional de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Jr. reagiu assim à ironia do ex-presidente sobre os candidatos que inventou: “De poste em poste, o apagão vai se instalando”.
PIU, PIU
Fernando Haddad prometeu, como tantos, “trabalhar 365 dias, quatro anos e 24h”. O falecido Brizola (PDT-RJ) prometeu “trabalhar com os passarinhos”. Durou um mês e entrou para o anedotário político.
CAI O CONSUMO DE BEBIDAS ENTRE ADOLESCENTES
O Programa Jovens de Responsa, da AmBev, que cria estratégias de prevenção ao consumo de álcool por menores, divulga nesta quarta (31), num seminário em São Paulo, um levantando mostrando a redução de 67% para 46% da proporção dos jovens que já compraram bebidas. Também houve a queda de 30% para 21% no consumo entre 14 e 15 anos, e no consumo geral em bares, festas e casa de amigos.
LEILÃO NA JUSTIÇA
O leilão da virgindade da brasileira Catarina Migliori pode parar em tribunal internacional: o subprocurador-geral João Pedro Bandeira de Mello Filho suspeita de “tráfico humano”. Ele disse ao jornal britânico Daily Mail que pediu investigação e possível deportação da jovem.
ESFIHA FRIA
Foi uma “lenha” conter o “companheiro” Paulo Maluf no discurso da vitória de Haddad: o “brimo”, como se sabe, atribuiu parte da vitória do petista a seus redutos paulistanos e queria fazer o “V” da vitória na TV.
TERRENOS NA LUA
A queda de 69,5% no valor da petrolífera OGX faz prosperar a sensação, certamente injusta, de que algumas empresas do bilionário Eike Batista podem explorar, no máximo, loteamentos lunares.
ENGANAÇÃO
“Autenticidade” para enrolar turista trouxa: estes dias, no Riode Janeiro, uns vinte índios saíram de um ônibus de turismo, placa (CGR 7349) de Cristalina (GO), e, dirigidos por uma mulher branca, foram filmados dançando, como nos filmes de faroeste, numa “aldeia” ao lado do Maracanã.
SACO DE DINHEIRO
Dezembro próximo terá cinco sábados, cinco domingos e cinco segundas. Isto, conforme os matemáticos, somente ocorre a cada 824 anos. Os chineses chamam este acontecimento de “saco do dinheiro”.
PONTE PARA MARTE
Com o sobrepreço de R$ 74 milhões (32%) na construção da ponte entre Xambioá (TO) e São Geraldo do Araguaia (PA), daria para fazer outra, estima o Tribunal de Contas da União, que mandou anular tudo.
NÃO DÁ IDEIA
Maldade ontem no Twitter, sobre a vitória de Fernando Haddad em São Paulo: “Maluf será o novo secretário de Finanças”.
PODER SEM PUDOR
BOMBINHA DE NADA
Corria o sombrio 1º de abril de 1964 quando um homem simples, carregando uma caixa, dirigia-se à Rua do Príncipe, onde ficava o então IV Exército, no Recife. Um soldado armado de fuzil gritou "alto!". Assustado, o homem passou a gritar, enquanto era preso:
- É uma d'água! É uma d'água!
O engano seria desfeito horas depois, quando um capitão o interrogou:
- Afinal, o que é "uma d'água"?
- Meu capitão, eu sou encanador e estou levando uma bomba d'água na caixa. Se eu dissesse que era uma bomba d'água, os seus soldados iam me trazer aqui vivo para conversar com o senhor?
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: O recado das urnas – Norte-Nordeste derrota PT e reanima oposição
- Folha: Onda de mudança marca a eleição nas grandes cidades
- Estadão: Haddad planeja aprovar reformas já no 1º semestre
- Correio: O dia em que Sandy parou Nova York
- Valor: Plano prevê investimentos de R$ 43 bilhões em portos
- Estado de Minas: Hora de (voltar a) trabalhar
- Zero Hora: Mais roubos de carro e menos homicídios no RS
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