quarta-feira, setembro 05, 2012

Os três trancos da doutora Dilma - ELIO GASPARI

O GLOBO - 05/09

A ANS, a Anatel e a Aneel mostraram a virtude da boa regra capitalista: quem não tem competência não se estabelece


Nos últimos meses o governo da doutora Dilma tomou três medidas que podem resultar numa inédita contribuição ao desenvolvimento do capitalismo brasileiro e ao bem-estar da população. A Agência Nacional de Saúde Suplementar fechou o guichê de vendas de 267 planos de saúde de 37 operadoras de medicina privada, a Anatel suspendeu planos de vendas de três das quatro maiores concessionárias de telefonia celular e a Agência Nacional de Energia Elétrica interveio em oito distribuidoras que vendem eletricidade em seis estados.

Saúde, telefonia e eletricidade são coisas que afetam o cotidiano de todos os brasileiros. Os problemas das empresas tinham a mesma raiz: vendiam serviços que não estavam habilitadas para prestar. As operadoras de medicina privada venderam coberturas que matematicamente não ficavam de pé, as teles expandiram suas vendas sem investir na infraestrutura e, em março, as elétricas deviam R$ 5,7 bilhões.

O tranco dado pelo governo nessas empresas é bem-vindo por dois motivos. Com ele o Estado impede que a infraestrutura das telecomunicações e da distribuição de energia seja sucateada, reabrindo-se um velho caderno dos ciclos da privataria nacional. O concessionário, com o beneplácito do Estado, degrada os serviços, a população reclama e, aos poucos, ressurge o fantasma da estatização. (No século passado, a Light foi estatizada a pedido dos seus controladores, com argumentos técnicos y otras cositas más.) Feita a estatização, a Viúva recupera parcialmente a empresa, administra-a mal e, quando a economia entra numa fase de vacas magras, ressurge a bandeira da privatização. No setor ferroviário, por exemplo, a dança do estatiza-privatiza fez com que a malha trocasse de dono quatro vezes em um século.

Quando o Estado cumpre seu papel, fiscalizando o cumprimento dos contratos, as concessionárias de maus serviços sofrem no bolso. Depois do tranco, as ações das teles punidas caíram na Bolsa e operadoras de planos de saúde começaram a buscar sócios ou compradores. Concessionária bem administrada vale muito, mal administrada, vale nada.

As iniciativas da Anatel e da Aneel, ainda que tardias e limitadas, terão o efeito de um freio de arrumação. Elas lidam com empresas cujas obrigações não podem ser transferidas para a Viúva, pois o Estado não opera teles nem concorre com as distribuidoras de energia. No caso dos planos de saúde o problema é mais complexo, pois uma operadora pode se organizar vendendo um plano barato (e inviável) sonhando com a transferência de seus clientes para a rede do SUS. Apropriando-se da rede pública, vivem no melhor do mundos: o cliente paga, elas embolsam e a conta vai para a Viúva, que fica com o tratamento do freguês. Com isso, as operadoras sérias são punidas num mercado poluído por concorrentes desleais.

Os três trancos da doutora Dilma ajudam o mercado, protegem a patuleia e fortalecem o Estado. Falta acrescentar a esse prato um gostinho de jiló, punindo as ilegalidades que estão na origem dessas malfeitorias. Se os agentes econômicos começarem a temer agências reguladoras e juízes que comem berinjela crua, o capitalismo brasileiro entrará numa nova fase.

Barreira de contenção - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 05/09


O esforço de Lula para desconstruir a imagem de Celso Russomanno como "candidato dos pobres" nas novas inserções de TV de Fernando Haddad deve-se ao avanço do líder na disputa sobre o eleitorado com baixa renda, baixa escolaridade e que aprova gestões do PT, atestado pelo novo Datafolha. De olho no segundo turno, o ex-presidente quer desidratar Russomanno nos setores em que Haddad tem potencial de crescimento associado à sua popularidade e à de Dilma Rousseff.

Bumbo O pronunciamento que Dilma fará em rede nacional amanhã, em comemoração ao 7 de Setembro, pretende dar o mote para que candidatos do PT usem o governo em suas campanhas. Na fala, em tom ufanista, a presidente destaca a redução do valor da conta de luz.

Tô chegando Dilma avisou a líderes do PMDB e do PRB que vai participar de eventos públicos da campanha de Haddad a partir do dia 15. Nas conversas, disse atender a um apelo de Lula.

Pode vir quente A campanha de José Serra comemorou o ingresso de Marta Suplicy na ofensiva pró-Haddad, em especial quando a ex-prefeita usou o Twitter para defender as contas de sua gestão. Na TV, o tucano exibirá extrato bancário da prefeitura em 1º de janeiro de 2005, com R$ 16 mil em caixa.

Tudo novo O slogan de campanha de Haddad contagiou o time do petista. No debate de segunda-feira, sua mulher, Ana Estela, e o marqueteiro João Santana ostentavam etiquetas na bolsa e no sapato recém-comprados.

Lanterna Aliados de Geraldo Alckmin começam temer os efeitos colaterais da performance de Serra, a mais discreta entre candidatos apoiados por governadores do Sudeste. Em Belo Horizonte, Rio e Vitória (ES), os nomes de Antonio Anastasia (PSDB), Sérgio Cabral (PMDB) e Renato Casagrande (PSB) estão na dianteira.

Premonição Dois dias antes da publicação do polêmico artigo de FHC, Lula criticou o tucano em Belo Horizonte. O ex-presidente disse que Patrus Ananias (PT), quando prefeito (93-96), não recebia dinheiro do governo federal: "FHC não liberava dinheiro para ninguém".

No vermelho A indefinição sobre o segundo turno em São Paulo dificultou ainda mais a coleta de recursos para as campanhas. Doadores mais generosos das três candidaturas à frente nas pesquisas optaram por aguardar a cristalização do cenário antes de abrir os cofres. Com isso, fornecedores estão faturando serviços e materiais para até 30 dias.

Como dantes Parlamentares ligados a João Paulo Cunha têm dito nos bastidores que o deputado federal "perdeu a vida por R$ 50 mil'', enquanto campanhas do partido continuam arrecadando por meio de caixa 2.

Classe... Com a aposentadoria de Cezar Peluso, a ministra Cármen Lúcia quer ocupar a vaga do ex-ministro na segunda turma do Supremo Tribunal Federal.

... nova Ministros reclamam que o trabalho na primeira turma é mais lento, devido, entre outras razões, ao fato de Marco Aurélio Mello não aceitar julgamento em lista e promover longos debates sobre os processos.

Faixa... A comunidade árabe de São Paulo avisou a petistas graúdos que abraçou a candidatura de Ali Mazloum para uma vaga no STF.

... de Gaza A articulação para ter um ministro de ascendência árabe no Supremo cresce desde que Luiz Fux, primeiro judeu da história da corte, foi nomeado pela presidente no ano passado.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Seguindo a escola de Maluf, Haddad batiza projetos com nomes de efeito. Esqueceu que o Fura-Fila e o PAS infernizaram São Paulo?"

DO CANDIDATO DO PSOL EM SÃO PAULO, CARLOS GIANNAZI, sobre o Bilhete Único Mensal e o "Hora Certa", que estão na vitrine da campanha petista.

contraponto

É o amor

Aloizio Mercadante se preparava para entrevista coletiva no Planalto em que anunciaria sanção da lei que reserva metade das vagas em universidades federais para alunos de escolas públicas. Depois de ajeitar-se, mirou as câmeras e estufou o peito para começar a falar. Naquele instante, o celular de uma repórter, que era utilizado como gravador, começou a tocar.

O ministro da Educação retirava o aparelho do púlpito, quando viu no visor do telefone a foto do marido da jornalista, identificado como "amor". Então, perguntou:

-A coletiva é minha e quem rouba a cena é este cara?

O agronegócio e o interesse nacional - FÁBIO ULCHOA COELHO


O ESTADÃO - 05/09


Todo brasileiro minimamente bem informado sabe da importância do agronegócio para a nossa economia. Mas, chamado a definir essa atividade, talvez não consiga ir além de vagas referências à produção rural. O agronegócio, contudo, é algo bem mais extenso e complexo. Ultrapassa os limites do campo. Aliás, muitos dos profissionais da área trabalham à frente de computadores, em escritórios com ar-condicionado, nos modernos prédios de grandes centros urbanos, e talvez nunca tenham sujado as botas numa fazenda. A adequada proteção do interesse nacional em relação ao agronegócio, em razão da significativa importância da atividade para a economia brasileira, pressupõe sua definição com clareza.

Para entender o que vem a ser o agronegócio convém partir daquela clássica, e bastante conhecida, divisão da economia em três setores: primário (agricultura, pecuária e outras atividades extrativistas), secundário (indústria e comércio atacadista) e terciário (varejo e serviços). O agronegócio simplesmente não se encaixa nessa classificação, por ser uma atividade que "atravessa" os três setores, unindo atividades agrícolas, industriais e de serviços.

O agronegócio é o exemplo mais acabado do que os economistas chamam de "rede negocial", conceito baseado em estudos desenvolvidos desde os anos 1950 na Universidade Harvard (production chain) e na ciência econômica francesa (filières). Consiste num articulado conjunto de contratos, operações financeiras e negócios ligado à produção agrícola.

O agronegócio não se limita, assim, especificamente à plantação e ao cultivo das commodities agrícolas (cana, soja, milho, trigo, café, etc.), embora essa atividade esteja no centro da rede agronegocial. Também a integram a produção e comercialização de sementes, adubos e demais insumos, distribuição, armazenamento, logística, transporte, financiamento, conferência de qualidade e outros serviços, bem como o aproveitamento de resíduos de valor econômico. É, na verdade, a interligação racional de todas essas atividades econômicas que compõe o agronegócio, e não cada uma delas em separado.

Para ilustrar como se dá essa interligação, considerem-se dois empresários da rede: um agricultor que planta soja e uma companhia trading. O primeiro entende tudo sobre a produção de soja. Conhece as técnicas de plantio, os meios apropriados para a prevenção de pragas, a melhor época para a colheita, etc. Mas, embora entenda tudo sobre produção de soja, não tem conhecimento suficiente para acompanhar com facilidade as oscilações do preço do produto no comércio internacional nem para se proteger de eventuais quedas na cotação, que podem comprometer todo o seu esforço empresarial. Já os operadores da companhia trading entendem tudo sobre o mercado internacional de soja, acompanham as cotações do produto e sabem acionar sofisticadas medidas de proteção contra as oscilações dos preços. Em geral, trabalham de olho nos mercados de produtos variados, mas talvez não consigam, numa viagem ao campo, distinguir a plantação de soja da de cana-de-açúcar. E nem precisam, para bem desenvolver seus trabalhos, desse conhecimento. Devem é estar bem familiarizados com os instrumentos financeiros pelos quais investidores do mundo todo chamam para si o risco das oscilações dos preços das commodities agrícolas.

O agronegócio é a rede em que se encontram o produtor rural (que sabe plantar e colher soja, mas não compreende nem quer expor-se aos riscos da variação dos preços) e a trading (cuja expertise é o mercado internacional de commodities agrícolas e os instrumentos financeiros que podem poupar os produtores rurais das oscilações dos preços). Cada um cuidando do que sabe fazer melhor contribui para a plena eficiência da integração racional da rede de negócios.

Pois bem, o interesse nacional volta-se para a proteção da própria rede agronegocial, isto é, dessa integração racional de atividades econômicas, que acabam se tornando bastante interdependentes. À economia brasileira interessa a plena eficiência dessa integração. Cada uma das atividades do agronegócio, quando isoladamente considerada, não tem, nem de longe, a mesma relevância para o País que a rede de contratos e operações tomada como um conjunto integrado.

A lei deve proteger o interesse nacional na integração do agronegócio. A distribuição de riscos entre os diversos empresários que atuam na rede, estabelecida pelos contratos que celebram, deve ser preservada para que a atividade continue crescendo e contribuindo para o desenvolvimento da economia brasileira.

Em outros termos, e de modo bastante concreto, quando dois empresários da rede agronegocial se desentendem relativamente ao contrato que celebraram, a lei deve determinar ao juiz que resolva o impasse desconsiderando os interesses individuais deles e adotando a decisão que corresponda ao interesse nacional, de todos os brasileiros, isto é, que assegure a preservação da própria cadeia integrada de negócios.

Como as atividades do agronegócio, por definição, se tornam interdependentes, cada empresário, compondo um elo da imensa cadeia econômica, deve cumprir as obrigações contratadas para que não se comprometam a existência e a consistência da própria rede. À economia brasileira interessa a integridade da integração. O Direito Comercial deve, em nome da proteção do interesse nacional, prover os meios para tanto.

Na verdade, o interesse na preservação da cadeia agronegocial é, a rigor, transnacional, extrapola o âmbito do nosso país. Projeções apontam que a segurança alimentar de toda a humanidade depende muito do regular desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Quando a lei assegurar a proteção da cadeia, acima dos interesses individuais dos empresários que a compõem, estará tutelando também os direitos dos povos de todo o mundo e das gerações futuras.

CLAUDIO HUMBERTO


Não estamos fazendo a eleição para Papa do Brasil
Celso Russomanno (PRB),sobre marca de candidato da Universal à prefeitura de SP



Dilma rebate FHC



Em meio ao tiroteio com a base aliada e alvo da antipatia da facção majoritária do PT – que sonha com o retorno do ex-presidente Lula ao poder –, a presidenta Dilma Rousseff busca conquistar espaço dentro do partido para disputar a reeleição em 2014. Na avaliação de petistas, o gesto de Dilma de rebater as críticas de FHC à “herança pesada” deixada por Lula seria uma tentativa de ganhar confiança interna. 

PT vibrou

Em nota, Dilma elogiou seu antecessor, a quem chamou de “exemplo de estadista”, e fez críticas duras a gestão do ex-presidente FHC.

Mal na fita

Para o ex-ministro Roberto Brant, quem ficou mal na história foi Lula: “Ele é uma impostura moral, desorientado, tem de ser desconstruído”.
Desconfiança
O estilo nada sutil de Dilma gera suspeitas de que, assim como atacou FHC por ‘lulistas’, teria revelado bronca para agradar ambientalistas. 

De propósito

Para políticos próximos, Dilma – controladora como é – não deixaria escapar à vista bilhete reclamando do acordo sobre Código Florestal. 

Campanha de Serra

Segue ladeira abaixo a campanha do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, e suas escolhas justificam o drama atual, a menos de um mês da eleição. Serra é acusado de escolher meia dúzia de candidatos a vereador elitistas para prestigiar, provocando a debandada da maioria, sobretudo nas zonas sul e leste. Quase todos passaram a apoiar Celso Russomano (PRB), líder nas pesquisas.

Má escolha

Outro alvo de críticas a Serra é seu vice, Alexandre Schineider (PSD), que não tem votos e somou sua rejeição a do prefeito Gilberto Kassab.

Desconstrução

Em segundo nas pesquisas, com viés de baixa, Serra adotou a mesma estratégia Haddad (PT): desconstruir Russomano no horário gratuito.

Sonho petista

Em má situação na maioria das capitais, o PT voltou a sonha com um segundo turno em São Paulo, com Serra em terceiro.

Um luxo só

No material apreendido na casa do bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal, estão fotos de festa em lancha offshore Acqua com dois motores possantes, cabine de proa, em Paranaguá, Paraná. 

Cassino Brasil

Mesmo com Carlos Cachoeira em cana, cassinos que seriam ligados a ele continuaram funcionando normalmente nas ruas 5, 8 e 10 de Vicente Pires, a poucos quilômetros da Praça dos Três Poderes.

Governo vendedor

Além dos impostos não recolhidos, a indústria automobilística deveria pagar uma gorda comissão ao governo Dilma pela venda de 405 mil veículos em agosto, às custas de brutal endividamento da clientela.

Assim não dá
Estão muito desgastadas as relações de Alfredo Gastal, chefe do Iphan do DF, com o governo Agnelo Queiroz (PT). Pressionado a fazer concessões na preservação de Brasília, ele até já ameaça se demitir. 

Tiroteio

O senador Pedro Taques (PDT-MT) classificou como “empáfia, falta de respeito, arrogância” as críticas do ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. ao anteprojeto do Código Penal, elaborado por juristas do Senado.

Boeing, 80

A ex-embaixadora americana Donna Kirnak, que preside a Boeing, no dia 14 celebra os 80 anos da empresa no País tentando repetir – com os caças F-18 – o feito de 1932, quando entregou à FAB caças F4B-4.

Danos morais

O Tribunal de Justiça do DF condenou a Sara Nossa Terra a indenizar em R$ 6 mil Jefferson Leite Silva, que teve uma música incluída em um CDs da igreja, sem autorização. A decisão está em fase de execução.

Desculpa esfarrapada

Membros da CPI do Cachoeira decidiram retomar os trabalhos apenas depois do primeiro turno das eleições, com a justificativa marota de que precisam de tempo “para analisar o material novo que chegou”. Ahã... 

Pensando bem...

...definida por seu advogado como uma “bailarina”, Kátia Tabelo, dona do Banco Rural, deve finalmente dançar no Supremo Tribunal Federal.

QUARTA NOS JORNAIS


- Globo: Candidatos sub judice – TSE terá um mês para julgar 14 mil
- Folha: Eleições 2012 – Russomanno abre frente de 14 pontos sobre Serra em SP
- Estadão: Governo eleva imposto de importação de 100 itens
- Valor: Poupança atrai alta renda na transição dos investimentos
- Estado de Minas: Crimes de trânsito vão dobrar em BH
- Zero Hora: Uma Porto Alegre que só existe nas promessas

terça-feira, setembro 04, 2012

Chifre de Ahmadinejad - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 04/09

A prefeitura entregou discretamente à população este
monumento em São Cristóvão, réplica das colunas de Persépolis, doado pelo governo do Irã.
O próprio Mahmoud Ahmadinejad queria inaugurá-lo na Rio+20. Mas Eduardo Paes inventou um atraso nas obras para não pôr cereja no bolo do ditador.

Aliás...
Por causa dessas orelhas dos grifos, que lembram chifres de touros, já tem gaiato apelidando o lugar de "Praça Tufão”; o personagem da novela "Avenida Brasil".
O monumento fica a duas quadras da Vila Mimosa, shopping da saliência, onde Carminha poderia... deixa pra lá.

A favor do Rio
Dilma aderiu à campanha para que a Fifa marque um jogo do Brasil nas quartas de final da Copa de 14 no Maracanã, e não só na final, caso a seleção de Neymar chegue lá.

Quem vem
O presidente eleito do México, Enrique Pena Nieto, visita Dilma no final do mês.

Calma, gente!
A promotora Christiane Monnerat, a mesma que cuidou do "suposto estupro” no "BBB 12’,’ instaurou procedimento sobre a personagem Adelaide, em "Zorra Total’,’ interpretada por Rodrigo SantAnna.
Investiga queixas de alguns telespectadores de eventual procedimento racista da personagem.

GUERRA CONTRA VÂNDALOS

O Chafariz da Glória, tombado pelo Iphan, está um brinco. Repare só na foto. Será reinaugurado hoje, com direito a voltar a ter água nas suas bicas e ganhar nova iluminação. Mas o melhor da história vem agora: o secretário Carlos Roberto Osorio promete, vamos torcer, vamos cobrar, que, a partir de agora, vai tornar difícil a vida de pichadores, vândalos e moradores de rua, que usam até chafarizes como moradia. A Cedae, dona do imóvel vazio, vai transferir a propriedade para a prefeitura, que promete ocupar o lugar com uma equipe fixa da própria Secretaria de Conservação.
A equipe vai cuidar exatamente da conservação dos 35 mil imóveis históricos do Rio. Aliás, o Chafariz da Glória, construído em 1742, é, de todos os monumentos cariocas, o mais atacado pelos vândalos da cidade, até mais do que a estátua de bronze de Drummond, em Copacabana, cujos óculos são surrupiados muitas vezes. •

Fator Dilma

Passou meio despercebido. Em até cinco anos as mulheres terão o direito de cursar a Academia Militar das Agulhas Negras, do Exército, que permitirá o ingresso feminino na parte bélica da força.
A medida foi possível graças ao decreto assinado pela presidente Dilma há algumas semanas.

País do Bolsa Família

A O2, de Fernando Meirelles, produz para o canal por assinatura Nat Geo a série "Ponto de vista’,’ sobre temas como economia sustentável e crack.
O diretor do episódio sobre educação é o português Miguel Gonçalves Mendes.

Segue...

Em Heliópolis, a favela paulistana, Mendes constatou que a maior motivação dos pais para manter os filhos na escola é... o Bolsa Família.
É que o programa, como se sabe, só beneficia lares onde as crianças estudam.

Fora da lei
A prefeitura do Rio impediu ontem que uma antena da Oi fosse instalada na calçada da Avenida General Olyntho Pillar, em frente ao Condomínio Mandala, na Barra, no Rio.
Não tinha autorização.

Saíra-de-sete-cores

Este belíssimo saíra-de-sete-cores, fotografado por Luiz Cláudio Marigo na cidade fluminense de Resende, é uma das centenas de ilustrações do livro "Biomas brasileiros, retratos de um país plural’,’ que será lançado amanhã no meu, seu, nosso Jardim Botânico.
É o resultado da parceria da ONG Conservação Internacional com a Casa da Palavra.

Segue...

O livro, que tem direção editorial de Ana Cecilia Martins e Martha Ribas, é dedicado ao jornalista e ambientalista Marcos Sá Corrêa.

Corredor do Fórum

A 14? Câmara Cível do Rio condenou o plano de saúde Semeg a indenizar em R$ 4 mil uma paciente com obesidade mórbida.
A seguradora é acusada de se recusar a custear uma cirurgia de redução de estômago.

Cédulas só antigasMárcio Fortes, presidente da Autoridade Pública Olímpica, ontem, foi pegar o metrô na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, e pôs uma nota de R$ 10.
A máquina rejeitou. Ele foi até o guichê e descobriu que as máquinas não estão prontas para receber as novas notas.

Revista do Rádio
Duas das mais tradicionais emissoras de rádio do Rio estão de mudança: a Tupi deixa o belo prédio de Oscar Niemeyer na Rua do Livramento e vai para São Cristóvão.
Já a Nacional sai do prédio de "A Noite” o primeiro arranha-céu carioca, na Praça Mauá, e, por uns tempos, vai funcionar na sede da antiga TVE, na Lapa.

Dilma marca o campo - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 04/09

“Não aposte jamais em brigas entre Lula e Dilma. Ela é sincera e, quando gosta de alguém, protege”. Ouvi essa frase de Carlos Araújo, ex-marido de Dilma, quando ela era candidata a presidente da República, em 2010. Ontem, foi um desses dias em que a frase de Carlos Araújo tomou vida. A forma como Dilma respondeu ao artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, numa firme defesa da herança que recebeu de seu antecessor e padrinho político, soou como um alerta a todos que tentam afastá-la de Lula. E também marca o que vem por aí, dentro da estratégia petista de tentar ressaltar os aspectos positivos do governo ex-presidente como contraponto ao que está todos os dias nos jornais e na tevê a respeito do julgamento do mensalão.

Pra quem não leu o artigo de Fernando Henrique Cardoso, publicado nos jornais de domingo, vale lembrar que o ex-presidente se referiu ao governo Lula como uma herança maldita recebida por Dilma. Ele citou a queda de ministros em série e a troca de comando na Petrobras, decidida pela atual presidente da República, como exemplos de que a administração de Lula não foi lá essas coisas. A resposta de Dilma veio logo. Começou a ser definida ainda no domingo, no Alvorada.

Em, menos de 200 palavras, ela citou o que considera os aspectos positivos do governo Lula, mencionou o crescimento do período, a economia “robusta”, as reservas cambiais recordes e a inclusão de 40 milhões de brasileiros no mercado de consumo (A íntegra está disponível na internet em vários sites, inclusive no blog que mantenho no www.correiobraziliense.com.br). Sinceramente, Fernando Henrique deve ter sentido até uma pontinha de inveja por não ter tido um candidato do PSDB que defendesse seu legado nas três últimas eleições como Dilma defendeu o de Lula. (Aliás, vale lembrar, foi a própria Dilma quem ajudou no resgaste da gestão de Fernando Henrique Cardoso, quando enviou ao ex-presidente tucano uma carta pelos 80 anos e fez questão de convidá-lo para o almoço de recepção ao presidente Barack Obama, logo no início do governo. Lula, por sinal, não gostou e nem sequer apareceu ao evento no Itamaraty).

Por falar em legado…

Não dá para esquecer também que Dilma fez parte do governo que recebeu. Portanto, se houve erros administrativos, ela pode ter sido corresponsável por eles. Mas a carta de ontem vai além de querer defender a própria pele. Quando ministra, Dilma foi o que restou a Lula como candidata quando sucumbiram os principais nomes cogitados dentro do PT para sucedê-lo. Uns caíram pelo mensalão, outros por motivos diferentes, também nada nobres. Agora, entre os petistas, há quem considere que, mais uma vez, sobrou apenas a presidente. Com a antiga cúpula do PT— aquela que ajudou Lula a ascender ao poder — respondendo no Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção e por aí vai, Dilma é o que o ex-presidente tem hoje de mais contundente para ressaltar os aspectos positivos de sua administração e defendê-lo. Por isso, a nota oficial de ontem.

A missão de Dilma nesse doloroso processo mensaleiro pelo qual passa o PT é delimitar os campos em relação ao futuro. Como uma empresa separa ativos e passivos quando é colocada à venda, Dilma hoje separa a parte boa do governo Lula — os avanços sociais e econômicos do período — da parte que o PT adoraria esquecer: o mensalão. Nesse sentido, como ela não teve relação com o episódio que desaguou na Ação Penal 470, cabe a ela vender a parte boa ao eleitor e delimitar ainda os terrenos no que se refere aos demais partidos. Por isso, daqui por diante, ela não hesitará em deixar claro de que lado ela está hoje e estará sempre. Ela é parte da história do governo Lula e dissociá-la dos erros e acertos da administração, especialmente, no setor de energia, o qual ela comandou, não funciona. E a cada dia que passar, nós veremos que os laços entre Dilma e Lula não são frágeis. Ela, como bem me disse Carlos Araújo, não só gosta de Lula, como o protege.

O tigre e a anta - GIL CASTELO BRANCO


O Globo - 04/09


O economista e diplomata Roberto Campos costumava dizer: "Com o atraso das reformas estruturais e das privatizações, o Brasil está longe de realizar seu potencial. Poderia tornar-se um tigre e se comporta como uma anta."

Nesse sentido, foi ótimo a primeira parte do PAC das concessões ter minimizado o Fla x Flu político/ideológico em que se transformou o debate sobre as privatizações na terra de Macunaíma. A primeira parte do Programa de Investimentos em Logística (PIL) pretende viabilizar investimentos de R$ 42,5 bilhões em 5,7 mil quilômetros de rodovias, enquanto outros R$ 91 bilhões serão aplicados na reforma e construção de 10 mil quilômetros de ferrovias. Diante da dramática situação desses modais, parece um prato cheio. Na realidade, porém, o valor total de R$ 133,5 bilhões é tímido, e o prazo para a execução dessas obras é extremamente longo - até 2037!

A título de comparação, só os investimentos das empresas estatais brasileiras em 2013 serão de R$ 110,6 bilhões, comparáveis, portanto, ao montante a ser obtido junto aos investidores privados nos próximos 25 anos. Também é possível situar o PIL em relação à incompetência governamental. Nos últimos 11 anos, o governo federal deixou de investir aproximadamente R$ 50 bilhões em rodovias e ferrovias. O valor decorre da simples diferença entre os orçamentos anuais autorizados e as aplicações efetivamente realizadas pelos órgãos responsáveis.

No Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), por exemplo, a soma das dotações autorizadas de 2001 a 2011, em valores constantes, é de R$ 100,7 bilhões. No entanto, os investimentos no período atingiram somente R$ 59,7 bilhões. Os R$ 41 bilhões que não saíram do papel correspondem, literalmente, ao custo dos buracos das estradas brasileiras. Estudo realizado em 2011 pela Confederação Nacional do Transporte estimou que seriam necessários cerca de R$ 40 bilhões para recompor a malha rodoviária, cuja metade é considerada de qualidade regular, ruim ou péssima. A Valec, responsável pela construção e exploração da infraestrutura ferroviária do país, seguiu o mesmo rumo. Deixou de aplicar R$ 3,5 bilhões, de 2001 até dezembro de 2011, concretizando apenas 70% do que estava autorizado pelo Congresso Nacional.

Os recursos não aplicados pelo Ministério dos Transportes ao longo desses onze anos representam praticamente o dobro dos R$ 23,5 bilhões que o Programa de Investimentos em Logística pretende ver aplicados, já nos próximos cinco anos, nas rodovias concedidas.

A precária execução dos orçamentos é consequência, em grande parte, dos ajustes fiscais mal executados há vários governos. Sob pressão, as autoridades costumam ser tolerantes com o aumento das despesas correntes (pessoal e serviços de terceiros, dentre outras) em detrimento dos investimentos em infraestrutura. Além disso, no Brasil, existem diversos entraves para a execução das obras, como as formalidades exigidas nas licitações, as dificuldades para a obtenção das licenças ambientais e as paralisações sugeridas pelo TCU em função de frequentes irregularidades nas obras. Nos próximos dias deverá ser anunciada a segunda parte do Programa de Concessões abrangendo os portos e os aeroportos, tão sucateados quanto as rodovias e ferrovias. Em relação aos portos, seja qual for o desenho adotado, será necessário enfrentar a falta de coordenação entre os órgãos públicos instalados nos terminais, o loteamento político das empresas e o corporativismo dos funcionários. Isso para não se falar do atraso tecnológico, administrativo e operacional, fatos que, somados, colocam os portos brasileiros entre os 13 piores do mundo, em ranking de quase 150 países, divulgado, em 2011, pelo Fórum Econômico Mundial.

Quanto aos aeroportos, diferentemente das concessões anteriormente efetuadas, em que foram vencedoras empresas consideradas de menor porte, a nova modelagem pretende dar poderes à Infraero Participações (Infrapar), que ficaria encarregada de buscar novos sócios entre operadoras de grandes aeroportos internacionais. Resta saber se haverá interesse de grupos estrangeiros em se associar ao filhote da malfadada Infraero.

Sejam quais forem os modelos, a economia brasileira precisa de investimentos. A logística é, cada vez mais, um ônus pesado para a competitividade da produção. A frase cunhada por Roberto Campos há décadas permanece, em parte, atual. Já não se fazem tigres como antigamente, mas o Brasil precisa, de imediato, deixar de se comportar como uma anta.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 04/09


Operadoras tentam ocultar e dividir antenas
Pressionadas para reduzir o impacto visual de suas antenas, as operadoras de celular tentam mostrar soluções.

O sindicato do setor Sinditelebrasil apresentou à prefeitura do Rio um projeto para disfarçar os equipamentos.

O piloto, que deve ser instalado na orla de Copacabana neste ano, segundo Eduardo Levy, diretor da entidade, vai esconder as antenas atrás de placas de trânsito, nos quiosques ou disfarçá-las em postes de luz. Algumas estruturas serão menores.

"Estamos trabalhando com arquitetos para verificar pontos geográficos", diz Levy.

Segundo as empresas, o trabalho ainda está em negociação na prefeitura, que não comentou sobre o assunto.

Outros aspectos como eventuais danos à saúde e o barulho são rebatidos pelo executivo do Sinditelebrasil.

"Mecanicamente, é impossível que a frequência emitida faça barulho. Quanto à saúde, não prejudica. Ninguém tem medo de telefone e internet sem fio. Para ter sinal de celular de qualidade, precisa de antena", diz.

O compartilhamento, outra saída buscada pelas empresas, já está evoluído, segundo Eduardo Tude, da Teleco, consultoria do setor.

Na Vivo, 77,6% de suas 12.693 antenas ativas no país têm uso compartilhado com outras operadoras, segundo o diretor Leonardo Capdeville.

A Tim trabalha com cerca de 12 mil estações. Cerca de 5.000 são de outras empresas. De suas 7.000 restantes, 35% têm ao menos um parceiro. A Anatel não comentou.

IDENTIDADE NACIONAL

Elisabeth Ponsolle des Portes, presidente do Comité Colbert, entidade que reúne instituições culturais e empresas de luxo francesas, está no Brasil para se reunir com os irmãos Campana e estudar o mercado do país.

A dupla de designers, que será premiada pela entidade, contribui para o desenvolvimento da identidade e de um conceito de luxo brasileiro, segundo Portes.

"Eles trazem os valores de uma confecção artesanal, do desenvolvimento sustentável e contribuem para a visibilidade do país", afirma.

As empresas ligadas ao Comité Colbert, como Hermès e Chanel, movimentam € 31 bilhões ao ano.

Os brasileiros são responsáveis por cerca de 2% do total. Grande parte é consumida fora do país. "Os impostos daqui são muito altos."

Brasil quer banco de preços de remédio nas Américas

O Brasil vai propor um banco de preços de medicamentos e insumos de saúde comum às Américas.

Em seminário internacional em Brasília hoje, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, vai apresentar a ideia a representantes de Uruguai, Argentina, Colômbia, Peru e Costa Rica.

A pesquisa de preço servirá para balizar o processo de licitação, além de aprimorar a negociação com fornecedores e a eficiência no sistema de saúde.

Segundo o ministério brasileiro da Saúde, a Organização Panamericana de Saúde (OPAs) vai propor a outros países das Américas que sigam o modelo brasileiro.

O país disponibiliza na internet os custos dos remédios adquiridos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o banco comum na América Latina, o preço pago pelo governo argentino, por exemplo, para alguns medicamentos, pode ser conferido pelos outros países.

Trem para... A CNI levou à presidente Dilma Rousseff um estudo que mostra as ferrovias como o principal gargalo do Sul do país. Seria necessário um aporte de R$ 38,5 bilhões, segundo a entidade.

... Brasília O volume de investimentos representa mais da metade do total necessário para toda a infraestrutura logística da região Sul do país, de acordo com o levantamento feito pela CNI.

MERCADO DA BELEZA

As especificidades da pele brasileira estão no foco das pesquisas de produtos da L'Óreal, segundo Brigitte Lieberman, diretora mundial da divisão de cosméticos para tratamento (como medicamentos e protetores solares) da empresa.

"As brasileiras gastam muito tempo e dinheiro para prevenir os efeitos do tempo. Por isso, desenvolvemos produtos e texturas que se adequem à sua complexidade. Alguns deles produzimos no Brasil", diz Lieberman.

O país é o terceiro maior mercado consumidor da empresa, atrás apenas da França e da Alemanha.

"O faturamento no Brasil cresceu 28% em 2011 e triplicou em três anos. Esperamos que isso ocorra novamente em cinco anos", completa.

COMPRAS NO SALÃO DE BELEZA

O salão de beleza ainda é um estabelecimento pouco explorado para comercialização de produtos do setor, de acordo com pesquisa da Gouvêa de Souza encomendada pela Beauty Fair.

Enquanto 83,3% dos entrevistados afirmam que frequentam salões, apenas 21,5% dizem que fazem compras no local.

Segundo o levantamento, 81,5% dos ouvidos adquirem produtos sempre da mesma marca e 80% deles compram sempre na mesma loja.

Merecer o voto - LUIZ GARCIA


O Globo - 04/09


Para cidadãos comuns, que não nasceram em berço dourado, funciona uma lei não escrita que todos conhecem e ninguém desobedece: só o trabalho garante comida na mesa e as crianças no colégio. Pois o jornal de domingo descobriu uma exceção: no Poder Legislativo, não é bem assim.

No mundo especial habitado por deputados estaduais e federais, o exercício do mandato não acontece em tempo integral durante as sessões legislativas. Pelo menos, em ano eleitoral. Precisamente quando os políticos precisam sair em busca de eleitores para convencê-los que merecem os seus votos, e partem em campanha sem cumprir a obrigação elementar de se licenciarem dos mandatos, estão dando prova inequívoca de que não os merecem.

Um levantamento de dois repórteres paulistas (Silvia Amorim e Gustavo Uribe) mostrou que a grande maioria dos deputados federais e estaduais que são candidatos a prefeito ou vice-prefeito nas eleições deste ano dedica tempo integral à busca de votos. Ao todo, 258 deles estão em campanha sem se licenciarem, o que representa 88% do total dos deputados candidatos.

A legislação obviamente não impede a reeleição - mas, pelo visto, este ano a grande maioria dos políticos que buscam novos mandatos parece não se incomodar em dar essa prova pública de que não a merece.

Nenhum deputado ouvido pelo jornal desmentiu a prática da gazeta. Um deles, de Santa Catarina, que faltou a três das cinco sessões legislativas de agosto, chegou a elogiar a troca do trabalho legislativo pela campanha eleitoral. "Isso é o exercício da democracia", disse ele, esquecendo o óbvio: nada impede a reeleição de legisladores, desde que a campanha por um novo mandato não paralise um dos três poderes que formam a base do regime democrático.

Deputados podem se licenciar, sendo substituídos por suplentes - o que não prejudicaria necessariamente nem a reeleição nem o funcionamento de um dos poderes do sistema democrático. Ou podem fazer campanha fora do horário do funcionamento do Legislativo.

Dá mais trabalho, é claro, mas tem duas vantagens óbvias: não prejudica o funcionamento do sistema democrático e fornece ao eleitor uma prova visível de que o candidato à reeleição merece seu voto.

Infelizmente, não se tem notícia de que nenhuma dessas duas soluções esteja sendo praticada, do Oiapoque ao Chuí.

Em parte, o eleitor é também responsável por isso. Não daria muito trabalho verificar se o seu escolhido para novo mandato no Legislativo está sendo candidato sem nítido prejuízo para o funcionamento do sistema político - ou está trabalhando em tempo integral na busca de uma reeleição que não merece.

Se os políticos perceberem que a sua dedicação ao exercício do mandato está sendo acompanhada e avaliada pelos cidadãos, logo descobrirão formas e maneiras de dividir o seu tempo entre a política e o exercício do mandato sem prejuízo para as duas atividades. Seu instinto de sobrevivência garantirá um final feliz para aquilo que é hoje uma situação inadmissível no que se refere ao interesse público.

Em teste - SONIA RACY


O ESTADÃO - 04/09


O Ministério da Saúde decide, até o fim do ano, se inclui na rede do SUS novo tratamento para um dos tipos mais agressivos e letais de câncer de pele: o melanoma cutâneo.

A chamada “quimioterapia adjuvante” usa o Interferona – que, aplicado por injeção, ajuda o organismo a reagir à doença.

Outro lado

Alberto Toron recebeu ontem pela manhã, em sua casa, João Paulo Cunha.

Abatido, estava inconformado com a leitura feita por membros do STF sobre as três notas fiscais sequenciais emitidas envolvendo os R$ 50 mil que recebeu. “Se fosse falcatrua, teria emitido uma só”, reclamou.

Toron fará novos memoriais para enviar aos ministros.

New boss
O UBS está conversando com Allan Libman para ser seu presidente no Brasil.

New boss 2
Antonio Romualdo Pereira será o novo chefão da Goldman Sachs no Brasil.

Papai, titia…
Enquanto Haddad exibe mulher e filhos na propaganda eleitoral, Serra fez adesivos “45” com desenhos do pai, da mãe, da avó e até do cachorro.

De olho no voto da família.

Jogo jogado
A Lei Pelé pode, mais uma vez, revolucionar o esporte. Está na Câmara projeto que prevê levar as conquistas dos jogadores de futebol a atletas de todas as modalidades.

Atualmente, quem não é boleiro precisa recorrer à Justiça para ser reconhecido como profissional e ter direitos trabalhistas e previdenciários.

Espectadores
Parte do comitê organizador da Copa de 2014 esteve domingo no Pacaembu. Para ver o jogo entre Corinthians e Atlético MG. Ao lado de Ronaldo, Walter de Gregorio, da Fifa, assistiu à vitória do campeão da Libertadores.

Esta semana, a federação faz mais uma visita ao Itaquerão.

Touchdown
E quem está de olho grande no novo estádio do Timão é a equipe de futebol americano do Corinthians.

O marketing do clube acha possível, a partir de 2014, encher os 48 mil lugares da arena nos jogos dos Steamrollers.

Tipo exportação
Alunos do Laboratório Inhotim vão expor em Londres, em novo espaço da Tate Gallery para estudantes. As instituições assinaram acordo para tanto.

Marte X Vênus
Grosseria com o garçom. Esta é a atitude masculina que mais decepciona as mulheres. Segundo pesquisa da agência Lunch 42, especializada em namoro, 37% delas odeiam esse comportamento.

Em seguida vêm não se oferecer para pagar a conta (20%) e não telefonar no dia seguinte (8%).

Marte X Vênus 2

Entre os homens, as maiores decepções ocorrem quando a mulher assume funções como escolher o vinho ou pagar a conta (27%) e quando depende financeiramente do ex-marido (25%).

A agência ouviu 650 clientes de SP e Rio de Janeiro.

Na frente
Elisa Bracher e Fábio Miguez estreiam mostra amanhã, na Galeria Transversal. Ao lado de Ester Grinspum e Claudio Mubarac.

Patrick Charpenel palestra no Auditório Ibirapuera. Hoje. Apoio da Montblanc.

E Roberto Livianu comanda o seminário Controle da Corrupção. Hoje, no Caesar Business Paulista.

Jantar de gala, hoje, no Bandeirantes para celebrar o Momento Itália-Brasil. Pilotado pelo embaixador italiano Gherardo La Francesca.

As festas em Sampa estão lotadas de looks Débora – personagem deNathalia Dillna novelaAvenida Brasil.

OUVIRAM DO IPIRANGA - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 04/09

Murilo Rosa e Deborah Secco interpretaram Dom Pedro e Leopoldina em montagem de "Grito do Ipiranga", anteontem, em São Paulo. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foram ao parque da Independência. A psicóloga Daniela Borba e seu filho, Benjamin Borba Galvao, também estavam na montagem.

gente grande
A cantora sertaneja Paula Fernandes, campeã de vendas de CDs em 2011, ganhou o primeiro round da disputa para rescindir seu contrato com a Talismã, empresa do cantor Leonardo que gerencia sua carreira desde 2008. A decisão é liminar e ainda pode ser revertida.

GENTE GRANDE 2
Paula foi autorizada pela Justiça a marcar os próprios shows e a escolher as campanhas publicitárias nas quais se engajará. Como o contrato dela com a produtora vence só em 11 de novembro, ela terá que depositar em juízo até lá 30% do valor de cada apresentação e 20% de cada comercial até que a Justiça dê a palavra final sobre a questão. A Talismã disse não ter sido notificada.

TEM SHOW HOJE?
"Paula Fernandes não está recebendo a agenda dela, nem sabe que shows fará a partir de setembro", diz seu advogado, José de Araujo Novaes Neto. Ele afirma ainda que o desentendimento está fazendo a cantora, que vendeu 1,5 milhão de CDs em 2011, perder apresentações.

VOTO DE FÉ
Emissários de Celso Russomanno (PRB-SP) negociam o apoio da igreja Renascer para o candidato.

No sábado, o vice de sua chapa, Luiz Flávio Borges D'Urso, e o presidente do PTB-SP, Campos Machado, encontraram-se com a bispa Sonia e o apóstolo Estevam Hernandes, dirigentes da agremiação, no ginásio do Ibirapuera. A igreja realizou lá sua "Ceia de Oficiais".

CANJA DE OURO
Convidados de Ricardo Lewandowski para o casamento da filha do ministro, Livia, no sábado, se espantaram com os preços do hotel Fasano na Fazenda Boa Vista, em SP, local da festa. Hospedados lá, comeram no dia seguinte frango com polenta, sem vinho, disponível no bufê. A conta saiu por R$ 400 para uma mesa de três pessoas.

RSVP
E dois ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram ao casamento da filha do ministro Lewandowski: Marco Aurélio Mello e José Antonio Dias Toffoli.

FAÇA A CONTA
Já há agitação em torno da vaga que Claudio Alvarenga abrirá no TCE (Tribunal de Contas do Estado) no final de outubro, quando se aposenta. Entre os que já prospectam terreno, os deputados federais tucanos Vaz de Lima, Carlos Sampaio e Vanderlei Macris e os estaduais Jorge Caruso (PMDB) e Maria Lúcia Amary (PSDB).

ELVIS NÃO ACABOU
A turnê "Elvis in Concert", que terá três shows em outubro no ginásio do Ibirapuera, ganhou apresentação extra, no Via Funchal, em 13 de outubro.

CONVIDADO ESPECIAL
Chico Buarque decidia ontem as músicas que tocará no show em prol da candidatura de Marcelo Freixo (PSOL-RJ) a prefeito do Rio. O show, com ingressos a R$ 360, é de Caetano Veloso ­-Chico terá apenas participação especial, como convidado do baiano.

É BAIÃO
E Gilberto Gil gravou a música tema de "Gonzaga - De Pai para Filho", cinebiografia de Luiz Gonzaga, dirigida por Breno Silveira.

TARIFAS HERMANAS
A Argentina busca maneiras de diminuir as tarifas dos hotéis. Representantes do Ministério do Turismo do país vizinho contataram o governo brasileiro para se informar sobre as negociações em torno da desoneração da folha de pagamento de funcionários e tarifas energéticas para a hotelaria. As medidas constam no plano Brasil Maior, lançado em abril para aumentar a competitividade em alguns setores.

SEMANA DE OITO ANOS

O empresário André Almada comemora nesta semana os oito anos da sua boate, The Week, em SP. "O público está deixando de ser só gay. Queremos trazer todos à casa." Almada abre outra balada no centro neste ano e cogita lançar outra em Miami, além da que já existe no Rio.

CURTO-CIRCUITO

A Ricardo Viveiros & Associados faz coquetel para comemorar seus 25 anos, com homenagem ao poeta Paulo Bomfim. Hoje, às 18h30, no espaço CIEE.

A 30ª Bienal de SP tem abertura para convidados no Ibirapuera, às 18h.

O projeto Pivô inaugura a mostra "Da Próxima Vez Eu Fazia Tudo Diferente". Hoje, às 21h, no Copan.

O Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta reabre suas portas hoje, às 20h, com "A Luz do Tom", de Nelson Pereira dos Santos.

"Uma Vida Inteira", curta com Alice Braga e Bruno Autran, será exibido na Reserva Cultural hoje, às 21h.

O rapper norte-americano Coolio, do hit "Gangsta's Paradise", toca hoje no clube Royal. 18 anos.

Não, Obama, você não pode - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 04/09


O presidente evitou o desastre, mas passou longe, muito longe, da revolução que seu slogan insinuava

Barack Hussein Obama seduziu a América e uma parte do mundo a partir um slogan ("Yes we can") que é bobinho. Poder, tudo pode. O problema é fazer.

Quatro anos depois, às vésperas de Obama ser de novo entronizado como candidato, vê-se que o presidente pôde pouco, ainda mais se se levar em conta o grau de expectativas que despertou, não só com a retórica sedutora, mas, principalmente, pelo fato de ser o primeiro negro a chegar à Casa Branca.

Obama continua ligeiramente favorito, dizem as pesquisas, mas o entusiasmo que cercou a sua campanha de 2008 esfumou-se, a ponto de ter a vitória ameaçada até por um candidato opaco como Mitt Romney.

Há uma certa crueldade nesse fato, porque a gestão Obama esteve longe de ser um desastre. Ao contrário, ele evitou o desastre que ameaçava tragar a América (e o mundo) quando se elegeu. Basta ler o tenebroso retrato desse momento traçado por uma revista ("The Economist") que simpatiza pouco ou nada com o ativismo estatal que foi instrumental para evitar o abismo.

"Jamais, desde 1933, um presidente americano havia prestado juramento em um ambiente econômico tão sombrio como aquele em que Obama pôs sua mão esquerda sobre a Bíblia em janeiro de 2009.

O sistema bancário estava perto do colapso, duas grandes fabricantes de carros deslizavam para a bancarrota; e o emprego, o mercado imobiliário e a produção apontavam para baixo". Sinistro, não? Mas a tragédia foi evitada, em grande medida, porque o gerenciamento da crise pelo presidente "foi impressionante". Tão impressionante que a revista cita um estudo que mostra que os pacotes de estímulo lançados por Obama criaram ou salvaram 3,4 milhões de empregos.

A crueldade se dá por dois lados: Obama pode ter salvado milhões de empregos, mas, mesmo assim, nos seus quatro anos de gestão, o desemprego subiu de 7,2% para 8,3% -ou 1,7 milhão de desempregados a mais. Os empregos perdidos vão na conta de Obama; os salvos, não.

Segundo lado: evitar o desastre pela via do ativismo estatal custou uma catarata de dinheiro público, o que elevou em US$ 5,4 trilhões a dívida pública. Não adianta a liberal "Economist" reconhecer que, "quando os lares, as firmas e os governos locais e estaduais estão cortando seu débitos, o governo federal teria tornado pior a recessão se fizesse o mesmo".

Sensata, mas inútil constatação. A histórica "Estadofobia" do americano, anabolizada pela ascensão dos ultrafóbicos do Tea Party, transformou Obama em um irremediável perdulário com o dinheiro alheio, em vez do homem que brecou a recessão.

A crueldade, inerente à política, não é em todo o caso o único problema a dificultar a reeleição do presidente. Obama prometeu ou, ao menos, insinuou com o seu "we can" que podia tudo.

Não podia, não pôde.

A revolução que a cor de sua pele e a sua bela retórica prometiam mal saiu do lugar. Pior: os americanos abaixo da linha de pobreza passaram de 39,8 milhões para 46,2 milhões. Em vez de revolução, involução.

Lama no caminhãozinho - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 04/09


TERMINOU O período de férias no Hemisfério Norte. A agenda do tumulto já está lotada. Voltam aos palcos os dramas grego e português. Espanha e Itália esperam de pires na mão as decisões de amanhã do Banco Central Europeu. Há rumores de que a China ensaia um espetáculo inédito, a ópera do Pibinho, que no caso deles é crescer menos de 7,5%.

Notícias de um mundo distante da pastosa tranquilidade brasileira? Não, não. Isso tudo é má notícia de interesse imediato para nós, que carregamos o lastro de nossos problemas autóctones e o vento contrário que sopra do resto do mundo.

Os tecnocratas da finança pública e privada do mundo voltam aos seus escritórios com energia renovada para estrangular ainda mais Grécia e Portugal, como se isso fosse ainda humanamente possível. Humanamente, não é.

Portugal não vai atingir suas metas de redução de deficit-dívida públicos, pois afunda na recessão e, pois, pois, arrecada menos. Vai ter de pedir água.

A Grécia talvez atinja suas metas, cortando pela metade os benefícios sociais dos velhos e, talvez aumentando a semana de trabalho de cinco para seis dias, como querem os representantes dos seus credores (União Europeia, BC Europeu e FMI).

Vai dar tumulto. Tumulto na finança mundial assusta todo mundo, inclusive empresário brasileiro, já ressabiado com o crescimento miúdo do último ano e meio.

Para piorar, agosto foi um desgosto em termos de crescimento. Na Europa, a produção industrial provavelmente encolheu pelo 13º mês consecutivo.

Na China, nossa maior cliente, a indústria encolheu pela primeira vez desde 2011. As exportações chinesas, que cresciam a 20% no ano passado, crescem ora a menos de 8%. Os estoques de aço, ferro, carvão e cimento, matéria-prima da infraestrutura, aumentam. Não por acaso, nossas exportações de ferro despencam em preço e quantidade.

Os chineses estão em transição, mudando de governo e, dizem eles, de modelo de crescimento. De 2005 a 2011, cresceram cerca de 11% ao ano, em média, mesmo com o tombinho do crescimento de "apenas" 8,7% em 2009, ano de recessão feia no mundo.

Para este ano, a meta deles é crescimento de 7,5%. Por ora, está por aí, mas há risco de que a meta não seja atingida. Os líderes chineses não se movem, porém, pelo menos até agora ou até o desemprego começar a aumentar.

Parece que os chineses querem mesmo desacelerar. Isto é, reduzir investimentos em infraestrutura, responsáveis por mais de metade do crescimento do PIB; querem exportar menos, consumir mais. "Mudar o modelo", dizem.

Mas parte da freada se deve à anemia do consumo no resto do mundo, sentida em toda a Ásia exportadora -as exportações coreanas estão despencando.

Controlada ou não, contida ou destrambelhada, a freada chinesa nos afeta, assim como a todos os produtores de commodities. Os australianos, por exemplo, cheios de ferro e carvão, estão nervosíssimos com a mudança chinesa, e temem recessão para eles mesmos em 2013.

Nós deveríamos estar mais nervosos também. Europa no pantanal, EUA indefinidos e devagar e China desacelerando, tudo isso é muita lama para o nosso caminhãozinho.

Quem tem medo do Face? - PEDRO DORIA


O GLOBO - 04/09

O novo livro de Andrew Keen sugere que as redes ameaçam nossa privacidade. Verdade. Mas é ameaça difícil de cumprir

Andrew Keen esteve no Brasil, semana passada, para divulgar seu novo livro, #vertigemdigital, publicado pela Zahar. Ele é um dos mais conhecidos algozes da internet. Em seu primeiro livro, O Culto do Amador, também publicado pela Zahar, Keen defendia que a cultura contra o trabalho de profissionais que existia na rede poderia causar danos graves à sociedade. Seu inimigo do momento são as redes sociais. A tese que defende é a de que estamos abrindo mão de nossa privacidade sem sequer nos darmos conta das consequências que virão.

Privacidade é daquelas coisas que, intuitivamente, nos parecem importantes. Mas todos temos dificuldade de explicar por quê. Não bastasse, privacidade é coisa fluida. Quando um finlandês pergunta ao outro qual seu salário, ele ouve uma resposta de pronto. Ninguém vê motivo para ser discreto. Numa praia árabe, as áreas entre homens e mulheres são separadas por paredes, e mesmo na ala feminina elas se cobrem todas. Alemães vão à sauna mista nus sem que qualquer conotação sexual exista. Os mesmos alemães se insurgiram quando o Google decidiu publicar, no Street View do seu sistema de mapas, fotos das ruas que incluem, naturalmente, as fachadas das casas. Foto da casa vista da rua, por lá, é coisa privada.

O que é privado e o que é público varia de cultura para cultura, mas em todas existe privacidade. Charles Fried, um jurista de origem tcheca que foi advogado-geral dos EUA durante o governo de Ronald Reagan, tem talvez a melhor definição. Privacidade é o que define nossas relações. Os graus de intimidade que temos com as pessoas. Com aqueles mais próximos de nós, compartilhamos detalhes os mais íntimos. A partir daí, vamos impondo discretas barreiras entre nós e amigos de escola, colegas de trabalho, parceiros de pelada. Nossa capacidade de gerenciar a informação sobre nós que os outros têm define como convivemos em sociedade. Privacidade é importante por isso. Porque, se nossa vida é um livro aberto, nada nos protege do mundo lá fora.

Não é que Keen estivesse errado em sua crítica ao culto do amador, no primeiro livro. Estava certo. Mas, se a ameaça existiu, ela se desfez com o próprio avanço tecnológico. Música não era cobrada, com a loja iTunes da Apple artistas voltaram a receber pela venda de suas obras. Livros eletrônicos revelam uns poucos novos autores profissionais e a massa amadora continua no vácuo, quase nunca sendo lida. Inúmeras revistas tradicionais estão vendendo, e bem, edições eletrônicas para o tablet, caso da americana "New Yorker" e da britânica "The Economist". A ameaça de um mundo no qual produção profissional deixaria de ser remunerada num mar de amadorismo não parece que vai se concretizar.

Não é que Keen esteja errado quando aponta o risco da ausência de privacidade. Seu argumento é bem construído. Como ele próprio diz, estar ausente do Facebook não é uma opção para um número grande de pessoas. Quando todos seus amigos estão na rede social, sua ausência é um afastamento dos laços sociais. Quanto mais jovem o usuário, maior a pressão.

Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, não é o único no Vale do Silício que repete o mantra: a privacidade acabou, só você que não viu. Só que não é totalmente verdade, e Zuckerberg é a prova disso. Quando decidiu se casar, ninguém soube até o dia em que ele próprio achou por bem tornar público. Busque na internet: de que músicas ele gosta? De que livros? Em que restaurante costuma jantar? Com que amigos bebe cerveja ou vinho quando é sábado?

A maioria dos empresários do Vale do Silício são pessoas reservadas. Talvez seja fácil encontrar suas casas, quase todas em Palo Alto, no Google Maps. Vez por outra sai por aí a foto de um deixando o Whole Foods com uma sacola de verduras frescas. Mas a turma de Hollywood, uns quilômetros ao Sul, parece ser mais evidência de que a privacidade está em risco do que os inventores das novas tecnologias. E, no caso de Hollywood, aquela privacidade está sob ameaça desde que há cinema.

Há riscos sim, e concretos, para nossa privacidade. O mais provável, no entanto, é que privacidade será redefinida. Como? Excelente pergunta.

Batalhas verbais - JOÃO PEREIRA COUTINHO


FOLHA DE SP - 04/09

Primeira lição: não existem grandes escritores que não sejam grandes leitores também

NO DIA em que terminei de escrever a minha tese de doutorado, enviei o manuscrito para um colega. E pedi uma opinião sincera.

Três dias volvidos, ele respondeu: "Você vai ser fuzilado pela banca".

O problema estava na qualidade do texto. A tese estava bem escrita. Pior: bem escrita e totalmente compreensível.

Eu tinha cometido uma heresia nas ciências sociais: escrever uma tese de doutorado com o propósito honesto de ser lido e compreendido. Sugestão dele para evitar o desastre: reescrever o texto e transformar cada parágrafo em paralelepípedo.

Lembro essa história agora por dois motivos. Primeiro, porque Barton Swaim escreve na "Weekly Standard" sobre a qualidade da prosa acadêmica. Qualidade atroz, entenda-se. Por que motivo a Faunauniversitária faz um esforço tão tortuoso para ser tortuosa?

Swaim arrisca três hipóteses. Para começar, as humanidades vivem o complexo de inferioridade que as atormenta desde o século 18, quando as ciências naturais deram o seu salto cosmológico. A impenetrabilidade dos textos humanísticos é uma forma de simular "profundidade".

Depois, existe o problema das influências. Das más influências. O aluno escreve mal porque o supervisor e os seus pares escrevem pior. E porque as revistas da especialidade só publicam esses horrores.

Por fim, a hipótese mais provável: a obscuridade obscurece. Quando nada temos de relevante para dizer, só há uma forma de esconder o vazio: com a babugem das palavras.

Admito que essas hipóteses sejam válidas. Mas se lembro o meu calvário acadêmico é por outra razão: a Morgan Library de Nova York dedica exposição ao escritor Winston Churchill até 23 de setembro. E foi Churchill quem me infetou com o vírus da clareza e da legibilidade.

Sim, eu sei: quando falamos de Churchill, surge a imagem clichê do velho premiê inglês com o seu charuto. O prêmio Nobel da Literatura que ele recebeu em 1953 é visto apenas como prêmio político, uma homenagem ao herói da 2ª Guerra.

Lamento discordar. Churchill merece o Nobel da Literatura como ninguém. Ele é o único escritor do século 20 que mudou o século com a força das palavras. Basta ler os seus livros e discursos para entender a proeza. Uma proeza que, obviamente, começa por ser o resultado de uma vida inteira de leitura.

Primeira lição: não existem grandes escritores que não sejam grandes leitores também. E Churchill era um grande leitor. Biografias apressadas dirão que o rapaz foi aluno relapso e uma nulidade em francês ou matemática.

Essas biografias esquecem-se de acrescentar o resto: a paixão pela História. Ainda na juventude, e nas primeiras campanhas militares, foram os volumes de Macaulay sobre a história de Inglaterra ou a monumental obra de Edward Gibbon sobre a Roma Antiga que acompanharam e formaram o soldado (e jornalista) Winston.

Ler esses primeiros textos de Churchill é sentir, em cada frase, a cadência e a elegância dos mestres da língua inglesa.

Mas Macaulay ou Gibbon não lhe forneceram só os instrumentos técnicos do "métier". Legaram-lhe, sobretudo, uma visão poderosa e inspiradora sobre a grandeza da civilização ocidental -uma grandeza ancorada na liberdade individual e na dignidade da pessoa humana.

Armado com tais certezas, Churchill teve a oportunidade de as testar. Primeiro, na denúncia solitária da Alemanha nazista na década de 1930. E, depois, no confronto direto com Hitler, fazendo com que os ingleses acreditassem no inacreditável: a possibilidade de resistir -e vencer.

Hoje, quando olhamos para trás, dizemos que a Inglaterra ganhou a guerra com o apoio americano e o incomensurável sacrifício soviético. Verdade.

Mas os ingleses ganharam a guerra porque acreditaram também nas palavras de Churchill. Palavras simples sobre a importância da liberdade, da honra e do sacrifício.

Como disse Isaiah Berlin em retrato magistral, a proeza maior de Churchill não foi política ou militar. Foi ter recrutado a língua e a história inglesas para a frente de combate. Elas foram tão importantes como as armas. Brindo a ele.

E, mais modestamente, brindo a mim, que derrotei a banca sem mudar uma vírgula. Cada um trava as batalhas que merece.