quarta-feira, agosto 15, 2012

PRINCIPESCO - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 15/08

Claude Troisgros estava entre os chefs de jantar beneficente, a R$ 2.500 por casal, em prol do hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba. Luana Piovani, que interpretou o personagem do livro de mesmo nome no teatro, apresentou o evento anteontem, no Hyatt. Flávia Kurtz representou o pai, Pelé, que apoia a entidade. Também estava lá Beatriz Pantaleão, da Fundação Gol de Letra.

TCHAU, USP!
A Universidade de São Paulo está realizando pesquisa com ex-alunos que abandonaram seus cursos de graduação antes de se formar. Os índices de evasão são considerados preocupantes. Um levantamento parcial mostra até agora que, em várias faculdades, ele é bem mais alto que os 15% constatados em 2006. Na USP Leste, que já divulgou os dados, chegou a 37% em 2011.

DE VOLTA
O resultado final será divulgado em dois meses. E será "o primeiro que investiga as razões da evasão com mais profundidade e detalhamento", segundo a Pró-reitoria de Graduação. Uma das hipóteses levantadas, e apresentada aos ex-alunos, é a de que estudantes beneficiados por políticas públicas como a do ProUni optem por uma faculdade privada mesmo depois de ingressar na USP.

COTA
A USP pergunta também aos ex-alunos, em questionários enviados por e-mail, se eles foram beneficiados por políticas de cotas em outras universidades.

NA JANELA
O PT discute a hipótese de Dilma Rousseff gravar ao menos uma fala, ainda que discreta, para o programa eleitoral de Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de SP, que vai ao ar no fim do mês. O marqueteiro da campanha, João Santana, que está na Venezuela, deve discutir o assunto com ela quando voltar de viagem.

NA JANELA 2
A ideia inicial dele era poupar Dilma para o segundo turno da campanha, apresentando antes Haddad como "candidato do Lula". O PT acha importante, no entanto, um gesto político que mostre para "a militância" e outros partidos que a presidente apoia o ex na tarefa de eleger Haddad.

TRISTE
O estado emocional de José Genoino, réu no processo do mensalão, preocupa seus amigos mais próximos.

Quase sempre trancado em casa, o ex-deputado está deprimido e muito ansioso com o resultado.

I LOVE YOU
Zilu e Zezé Di Camargo jantaram juntos anteontem na casa deles em Alphaville, em SP. Zilu falava inglês para mostrar o que aprendeu em sua temporada em Miami. O cantor anunciou recentemente a separação da mulher. Ela ainda não se pronunciou. Os dois continuam morando na mesma casa.

BENHÊ
E ontem Zilu e Zezé continuavam chamando um ao outro de "bem".

FRISA FRIA
Frequentadores da Sala São Paulo planejam abaixo-assinado contra o pouco uso do camarote da Secretaria Estadual da Cultura. Em recentes concertos com lotação esgotada, o espaço do órgão estava vazio. O secretário Marcelo Araujo diz que conversará com a Osesp para pôr à venda esses assentos vagos.

MERITÍSSIMAS
Cresceu a presença de mulheres nos tribunais trabalhistas. As juízas são maioria em oito das 24 regiões judiciais -o recorde é SP, com 62% de quórum feminino, e a pior média é em Alagoas, onde elas são só 34%. Quando se fala de desembargadoras, a diferença é mais drástica: não há nenhuma em Mato Grosso do Sul, e 64% de mulheres na 11ª região, que representa Roraima e Amazonas. O levantamento está no recém-lançado "Anuário da Justiça do Trabalho 2012".

PRIMAVERA ÁRABE
A mostra "Pulso Iraniano", que levou 13 mil pessoas ao Oi Futuro no Rio, em 2011, abre em setembro no Sesc Vila Mariana, em SP. São 70 fotos e 32 vídeos de artistas contemporâneos do Irã.

SUCURSAL GLOBAL
A maquiadora Juliana Rakoza e os atores globais Daniel Rocha, Débora Nascimento e Nathalia Dill foram ao restaurante Chez MIS, em SP, para evento de grife de acessórios.

A MODA TÁ NA MODA
Os estilistas Lino Villaventura e Gloria Coelho foram à Faap neste fim de semana para a abertura da mostra "Moda no Brasil". A presidente do conselho curador da fundação, Celita Procópio de Carvalho, também esteve lá.

CURTO-CIRCUITO

João Batista de Andrade será o novo presidente do Memorial da América Latina de São Paulo.

Gilles Lipovetsky participa hoje da Conferência Internacional sobre Luxo, no MuBE. No dia, Claudio Diniz lança o livro "O Mercado do Luxo no Brasil".

Bazinho Ferraz, da XYZ Live, recebe neste fim de semana o Prêmio Lide de marketing empresarial.

O estilista Sandro Barros apresenta hoje sua coleção de verão, "African Elegance", em seu ateliê, nos Jardins, às 16h.

A Orquestra Jovem do Estado desembarca hoje na Alemanha para dois concertos no festival MDR Musiksommer.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI e LÍGIA MESQUITA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 15/08


Greve ameaça estoques de genéricos, diz entidade

Os estoques das fábricas de medicamentos genéricos desceram a níveis preocupantes devido à greve da Anvisa, segundo a Pró Genéricos (associação do setor).

Cerca de 90% dos remédios da categoria vendidos no Brasil são produzidos no próprio país, porém, o receio de desabastecimento recai sobre a matéria prima.

De acordo com a entidade, aproximadamente 70% dos insumos são importados.

"As unidades produtivas começam a se ressentir. Todos os nossos associados externaram preocupação", afirma Telma Salles, presidente da entidade.

"Mesmo quando uma greve termina, os reflexos dela ainda se prolongam", diz.

Separadamente, as empresas não divulgam informações sobre seus estoques por questões estratégicas.

Os níveis usados como margem de segurança são diferentes em cada companhia.

"Se a greve permanecer por mais um mês, deve haver problemas de desabastecimento", afirma a executiva.

O risco é de fechamento de fábricas, segundo o Sindusfarma (sindicato do setor).

"Muitas empresas estavam operando com liminar", afirma Salles.

Entre os produtos mais vendidos na categoria estão os de uso contínuo.

A Anvisa informou ontem que a maior parte dos servidores do órgão já retomaram as atividades e que "em breve" as inspeções para liberação de produtos da área de saúde e medicamentos "estarão normalizadas".

A agência, por meio de sua assessoria de imprensa, não precisou, no entanto, um prazo para que o serviço seja regularizado.

"Quando uma greve termina, os reflexos dela ainda se prolongam"

TELMA SALLES

presidente da Pró Genéricos

QUALIFICAÇÃO INTERNA

Os empregadores ingleses e americanos acham que precisam ajudar na redução do índice de desemprego de seus países, de acordo com pesquisa feita pela EIU (Economist Intelligence Unit).

Entre os entrevistados, 63% acreditam que suas companhias precisam oferecer mais treinamento para qualificar os que procuram emprego. Apenas 30%, porém, disseram que a empresa aumentou o investimento em qualificação nos últimos dois anos. Quase 20% afirmaram que os aportes diminuíram.

Para 75% dos ouvidos, os trabalhadores deveriam procurar treinamento sozinhos. Quase metade (45%) disse que é o governo que deve trabalhar com organizações privadas para oferecer os cursos.

Uma mesma parcela (45%) afirmou que as companhias precisam trabalhar com instituições de ensino para aumentar as chances de os desempregados conseguirem uma vaga.

Voo... O Prime Fraction Club, clube de compartilhamento de bens de luxo como aviões, helicópteros, barcos e carros, terá em sua frota mais uma aeronave, o Legacy 500. O jato tem previsão de entrega e início de operação em 2014.

...mais alto O investimento da empresa na aquisição da aeronave é da ordem de US$ 20 milhões. Com o novo ativo, a companhia passa a ter um avião com capacidade para realizar voos intercontinentais e levar até nove passageiros, além da tripulação.

Painéis... A Rede Elemidia, de mídia digital, que atua com instalação de painéis em locais de espera como elevadores, se expandirá este ano.

...tecnológicos Com foco no interior, serão investidos R$ 6 milhões na rede, além do aporte dos franqueados. A empresa está em 55 municípios no Brasil e na Argentina.

Fabril A cearense Delfa, que produz bojos para sutiãs e biquínis, vai construir uma fábrica em Itamaraju, na Bahia, que deve operar em 2013.

POUCA TINTA

O PIB da indústria gráfica diminuiu 0,6% no primeiro semestre deste ano, ante igual período de 2011, segundo a Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica).

"É um setor que tem grande correlação com a situação econômica do país", diz o presidente da associação, Fabio Arruda Mortara.

O segmento de livros é o que mais preocupa as gráficas. "O crescimento da importação do produto nos últimos 18 meses reduziu o nível de emprego."

No primeiro quadrimestre de 2001, US$ 41,6 milhões em livros foram importados. No mesmo período deste ano, foram US$ 47,6 milhões.

Entre junho de 2011 e junho de 2012, 1.287 vagas foram fechadas (1,2% do total).

Estados Unidos e China são os principais exportadores.

O apagador de incêndios - MÍRIAM LEITÃO

O GLOBO - 15/08



O Fundo Garantidor de Crédito (FGC), no fundo, virou isso: um apagador de incêndios. Ontem, ele anunciou como pretende resolver o caso do banco Cruzeiro do Sul, que, como sempre acontece nestes casos, tem um rombo maior do que o calculado inicialmente. Um detalhe a ter em mente: esse banco tinha 499 convênios com órgãos públicos de crédito consignado e mentia sobre seus ativos.

Essa já pode ser chamada de crise bancária. Não é sistêmica, não tem a dimensão da que o Brasil enfrentou nos anos 1990, mas são cinco bancos e uma financeira quebrados. Os bancos Schahin, Morada, Panamericano e Cruzeiro do Sul sofreram intervenção. A financeira Oboé e o banco Morada foram liquidados.

O FGC anunciou ontem a engenharia financeira da tentativa de solução. Ele, Fundo, pagará uma parte da conta. Os credores, outra.

A alternativa, dizem os gestores do FGC, era os credores internos e externos do banco perderem tudo.

O Cruzeiro do Sul inventava carteiras que não existiam. Fingia ter equilíbrio financeiro. Entrou forte no mercado de consignado e fez quase 500 convênios com prefeituras, estados e órgãos federais para oferecer essa modalidade a funcionários.

Também com base no falso equilíbrio, lançou títulos no exterior.

Captou exatos R$ 3,3 bilhões. Internamente, captou de correntistas e pequenos poupadores R$ 700 milhões e de fundos de pensão e investidores maiores R$ 2,2 bi. Quando o BC entrou fez a intervenção usando o instrumento do Raet (Regime de Administração Especial Temporária). Achava que ele tinha um rombo de R$ 1,2 bi, mas tem R$ 2,2 bi de patrimônio líquido negativo.

O Fundo decidiu que vai honrar tudo que é obrigado: conta corrente e aplicação têm direito a receber até R$ 70 mil, e os Depósitos Garantidos, os DPGE, têm cobertura até R$ 20 milhões.

O que exceder a esse valor, ele recompra com deságio de 49%. Fez a mesma oferta ao credor externo. Então em cada R$ 100 emprestados ao Cruzeiro do Sul o que está se pedindo aos credores é que aceitem R$ 51. Mas só para quem tiver mais do que os valores citados (R$ 70 mil em conta corrente e R$ 20 milhões em DPGE).

Se houver grande adesão à proposta, o banco será colocado à venda, com exigências. Uma é a de que o comprador capitalize a instituição em R$ 700 milhões, pelo menos, e tenha porte para suportar a operação.

E o que acontecerá com administradores e controladores? Se o banco fosse liquidado, eles ficariam com bens indisponíveis e cobririam com esses bens o prejuízo que acarretaram. Mas se a solução for "de mercado", e o banco foi vendido, então liberam-se os bens e os responsáveis pela falcatrua escapam ilesos.

No Proer há quem esteja com os bens indisponíveis até hoje, respondendo na Justiça e correndo o risco de execução das dívidas por parte do BC. Com a nova safra de intervenções via Fundo Garantidor de Crédito, criam-se soluções que são supostamente de mercado, mas que na prática são bancadas com dinheiro do público.

Antes que alguém argumente que FGC é uma instituição privada e que o dinheiro é dos bancos, eu explico: não é dinheiro público, mas também não é privado. Os bancos repassam aos seus clientes o que eles recolhem ao Fundo. Portanto, é o seu, o meu, o nosso que está neste fundo.

O FGC argumenta que os donos e administradores continuarão respondendo às investigações de BC, Polícia Federal, CVM. Tomara, porque do contrário vai se estabelecer o chamado moral hazard, ou seja, desmoralização. Pode-se quebrar o banco e ir cuidar da vida porque o FGC arcará com a maior parte da perda, resolver tudo e vender o banco.

O pior caso foi o Panamericano. Ele também fabricou ativos e fraudou. Mas o FGC absorveu mais de R$ 4 bi de perdas e o vendeu para o BTG Pactual por uma pequena fração. Os donos e administradores nada devem. Ficou por isso mesmo.

No Panamericano foi o golpe perfeito. Como um pouco antes de se descobrir o rombo a Caixa entrou de sócia, decidiu-se apagar o incêndio rapidamente antes que tivesse que ser cumprida a lei. Imagina a Caixa sendo executada?

A grande dúvida é: até onde vai o poder de fogo do apagador de incêndios?

Novela! Vítima Vilã x Vilã Vítima! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 15/08

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Tem coisas que só acontecem na Bahia ! Eu estava no aeroporto de Salvador quando a mulher anunciou pelo alto-falante: "Atenção passageiros do voo 6696, portão número.. Qual o número, Rosângela?". "Três!". "Portão três." BINGO! Rarará! E uma predestinada direto da Bahia , especialista em reprodução humana: Genevieve Coelho! Rarará!

E o mensalão? O mensonão, o mensoneca! Não tô entendendo nada, advogado de defesa acusa e promotor defende!

Vou chamar a Lucianta Gimenez pra me explicar! Tá pior que filme iraniano dublado em curdo!

E o chargista ZedaSilva ensina como acordar os tiozinhos do Supremo: batendo dois pratos de bateria. TUM! Existe figura mais macabra que esse Roberto Jefferson? Medo! Com aquela cara de carcereiro aposentado!

E o Zé Dirceu também é filho da Mãe Lucinda? Tem o mesmo sotaque! Aliás, como o Zé Dirceu conseguiu ficar 20 anos na clandestinidade com aquele sotaque? Acho que ficou 20 anos mudo! Diz que o Zé Dirceu é filho do Stálin com o Mazzaropi. Rarará! E adoro a agência do Marcos Velório: SMPB! Surgiu em Minas e Pegou o Brasil! Rarará!

E hoje tem jogo da selecinha? Pensei que eles estivessem de quarentena! De vergonha! Selecinha Pipoca de Micro-ondas: três minutos de aquecimento e PIPOCA! Brasil x Suécia! Estádio Rasunda! Estádio piada pronta: Rasunda! A rainha da Suécia é brasileira! Vai torcer pra quem?

E depois dessa Olimpipoca, só consultando esta especialista: "Maria de La Fuente! Psicologia e Sofrologia!". Especialista em sofrimento! Em corintianos! Rarará!

E a "Avenida Brasil"? A Vítima Vilã x A Vilã Vítima! E a Carminha já tá ficando com voz de Pato Donald. QUAK! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

Ereções 2012! A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! Em Monteiro, na Paraíba , tem o candidato Titela. Com o bombástico slogan: "Nem sobrecu, nem moela, é Titela!" Rarará! E eu vou mudar meu titulo pra Guapimirim pra votar no Dorme Sujo! Ou então pra Jardinópolis: Duardinho Três Pernas! Propaganda enganosa. Procon nele!

Votem em mim! Prometo criar a Bolsa Proteína: toda mulher terá direito a um Homem-Filé! Viva o PGN! Partido da Genitália Nacional. Nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colirio alucinógeno!

Fatos novos - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 15/08


A representação do procurador-regional da República Manoel do Socorro Tavares Pastana contra o ex-presidente Lula, imputando-lhe crime de responsabilidade por uma suposta atuação beneficiando o banco BMG no crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS, tem inconsistências de datas que dificilmente permitirão ao juiz Paulo Cezar Lopes, da 13^ Vara Federal, receber a denúncia.

A ação de improbidade administrativa contra o ex-presidente e o ex-ministro da Previdência Amir Lando tem sentido apenas se a acusação for de utilização da máquina pública "para realizar promoção pessoal”!

A segunda parte, que se refere a "favorecer o Banco BMG’,’ é bastante fraca, já que, na época em que as mais de dez milhões de cartas foram enviadas aos segurados do INSS incentivando-os a tomar créditos consignados, vários bancos operavam no setor e não apenas o BMG. Tanto que a procuradora da República no Distrito Federal Luciana Loureiro, que propôs a ação, admite que não reuniu provas que atestassem "categoricamente” o vínculo entre o suposto auxílio ao BMG e o mensalão.

Mas a ação tem também indícios claros de que o BMG foi beneficiado pela burocracia federal, o que pode indicar favorecimento em troca dos empréstimos — que a acusação diz serem fictícios — dados pelo banco mineiro ao PT e ao lobista Marcos Valério. O relatório de auditoria do TCU de 29/9/ 2005, por exemplo, acusa o BMG de ter sido a instituição financeira cujo processo no INSS correu de forma mais célere. Teriam sido cinco dias entre a publicação do decreto que abria a exploração do crédito consignado para todas as instituições financeiras e a sua manifestação de interesse, e outros oito dias para a celebração do convênio com o INSS, quando um processo desses leva em média dois meses.

Essa agilidade teria permitido, segundo a denúncia, que o BMG fosse a única instituição não pagadora de benefício previdenciário a atuar sozinha no mercado de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas por quase dois meses.

Seja como for, Luiz Francisco Barbosa, o advogado de Roberto Jefferson, pôs uma situação nova diante dos ministros do STF ao insistir na inclusão do ex-presidente Lula como réu do mensalão, coisa que sabe não ser possível a esta altura do processo.

Diante da profusão de evidências de que foi montado grande esquema para desviar dinheiro para o PT e os partidos aliados do governo, é preciso determinar quem tinha o comando da ação, o "domínio final do fato” na definição jurídica, pois, está evidente, esquema dessa magnitude não se organiza no improviso entre um tesoureiro petista e um publicitário, mesmo que fosse apenas uso de caixa dois eleitoral.

Essa tese do caixa dois, aliás, está se tornando inútil diante da evidência de que correu pelo valerioduto muito dinheiro público.

A Procuradoria Geral da República preferiu não atribuir ao ex-presidente Lula o comando final da ação, acusando o ex-ministro José Dirceu de ser o "chefe da quadrilha’! Essa decisão estaria avalizada pelas reações do ex-presidente relatadas pelo próprio Roberto Jefferson.

O próprio ex-presidente, ao pedir desculpas pelo PT ao povo e dizer-se "traído’,’ corrobora com a versão de que não sabia o que estava acontecendo entre as quatro paredes do gabinete do "capitão do time” Dirceu. Nesse caso, teria de torcer para que o Supremo decida pela culpabilidade de Dirceu, para que a cadeia de comando pare por aí, sem o atingir. Seria um "pateta” na definição do advogado de Jefferson, mas não um "chefe de quadrilha’.

Se os ministros do Supremo chegarem à conclusão de que houve realmente o mensalão, mas isentarem Dirceu da acusação de "chefe da quadrilha’, quem tinha o "controle final do fato’ passaria a ser o próprio Lula, no fim da cadeia de comando, como quer a acusação do advogado de Roberto Jef-ferson.

Mas, se, ao contrário de suas primeiras reações, o ex-presidente Lula seguir insistindo que o mensa-lão foi farsa montada pela oposição para atingi-lo, derrubando-o da Presidência, ficará em maus lençóis caso o STF decida que o mensalão existiu.

Sua única saída seria a maioria da Corte absolver os réus, assumindo a tese de que não houve men-salão. Tese que, depois da sequência de apresentação das defesas dos réus, está muito fragilizada.

O esgotamento do WikiLeaks - FERNANDO RODRIGUES


FOLHA DE S.PAULO - 15/08


BRASÍLIA - O governo do Equador está reticente. Deve decidir nesta semana se concede ou não asilo político ao ciberativista Julian Assange, o criador do site WikiLeaks.
O caso ainda vai se arrastar. Se obtiver o asilo, Assange dependerá de um salvo-conduto do Reino Unido para ir até o aeroporto, pois está refugiado na embaixada equatoriana em Londres. É um desfecho melancólico para o voluntarismo quase épico mostrado pelo grupo liderado pelo australiano.
Nada impede que amanhã os seguidores de Assange apareçam com um novo lote de documentos secretos e abalem vários países. Mas a probabilidade é pequena.
O WikiLeaks foi uma ideia certa e no lugar exato. Neste início de século 21, muita gente trabalha para governos ou grandes corporações e tem acesso facilitado a informações secretas. No passado, era arriscado vazar tais dados. Seriam milhares de fotocópias. Agora, milhões de páginas cabem em um pen drive.
A melhor fonte de Assange teria sido o recruta norte-americano Bradley Manning. Aos 22 anos e baseado em Bagdá, ele teria copiado 250 mil telegramas da diplomacia dos EUA. Tudo foi parar no WikiLeaks.
A partir daí, Assange assistiu aos EUA sufocarem as finanças do WikiLeaks. Para piorar, o australiano se envolveu em um caso obscuro de abuso sexual de duas mulheres na Suécia. Está preso no Reino Unido. Já Manning possivelmente passará o resto de seus dias detido em algum presídio militar.
As fontes do WikiLeaks secaram. Os meios de comunicação tradicionais aprenderam o caminho. Vários já usam sistemas on-line, recebem dados e preservam as fontes. A vida segue. Diferentemente do que alguns disseram, o WikiLeaks não mudou para sempre a forma de fazer jornalismo. Assange ajudou a iluminar mais um caminho. OK. Mas é possível andar nessa estrada sem precisar de asilo no Equador.

POLÍCIA CONTINUA SENDO VAGABUNDA

COMO RECONHECER UM VAGABUNDO?

PELO USO DA FARDA DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL!

XINGAMENTOS NÃO ADIANTA, CONTINUAM SENDO  V A G A B U N D O S

NÃO ESTAVA BÊBADO, MEU CARRO É NOVO, NÃO TINHA FUMADO, NEM FUI MULTADO.
AGORA,  PARAR UMA ESTRADA POR MAIS DE 4 HS PARA FUDER O CIDADÃO, ISSO É COISA DE VAGABUNDO. 
O PRF TAMBÉM CONHECIDO PELO ALCUNHA DE BOLEIROS, COM UMA ARMA NA CINTURA, ABUSA DA SUA AUTORIDADE CONTRA O CIDADÃO INDEFESO. 

SÃO MOLEQUES VAGABUNDOS


Quem diria? - ANTONIO PRATA

FOLHA DE SP - 15/08

O segundo choque, depois da descoberta da inteligência, é que as formigas são extremamente preguiçosas

Primeiro aparece bem pequeno no canto dos jornais, como piada, mas rapidamente vêm as supostas comprovações e em poucos dias a notícia toma as manchetes: "Formigas são forma de vida inteligente, afirmam cientistas húngaros".
De início você não acredita, mas também não acreditou quando alguém te ligou certa manhã, 11 anos atrás, avisando que os árabes estavam atacando os Estados Unidos, "Os árabes não existem!", você disse, irritado e com sono, até que ligou a televisão e lá estavam as Torres Gêmeas desabando.
Superado o reflexo de ceticismo, portanto, você aceita, como acaba aceitando tudo na vida, um pé na bunda, a morte, a guerra: as formigas são uma forma de vida inteligente. Possuem linguagem, escrita, filosofia, ciência, arte. Nunca haviam dado bandeira porque não estavam afim de papo, mas um grupo dissidente de saúvas africanas marchou até a Hungria, invadiu o laboratório de um proeminente entomólogo e, sobre a bancada, alinhando seus próprios corpos, a primeira mensagem interespécies foi escrita: "Egyszerű!", que significa "calma", em húngaro. É dessa maneira que, daí pra frente, elas passam a se comunicar conosco.
O segundo grande choque, depois da descoberta da inteligência, é que as formigas não são os seres esforçados e trabalhadores do nosso senso comum, mas animais extremamente preguiçosos. Poderiam construir colmeias e produzir mel, se quisessem, poderiam fazer telescópios, hidroelétricas, colisores de hádrons, mas preferem esperar algum bicho cair duro ou alguma migalha ser derrubada da mesa e levar o botim para suas modestas moradas, onde se fartam de comer e beber e depois, empanturradas, cantam e dançam antigos sucessos de seu cancioneiro.
Em poucos meses, vivemos uma "febre de formigas": orquestras tocam músicas compostas por formigas, autores transcrevem mitos das formigas, filósofos participam de debates com formigas, hordas de seres humanos vão morar no mato, alimentando-se de restos e cantando e dançando antigos sucessos do cancioneiro formigal.
Até que, um ano após a primeira notícia, um ex-aluno de Yale vem a público e desmascara a farsa. As pesquisas eram forjadas, as saúvas eram eletrônicas, tudo não passou de um golpe de humoristas infiltrados em 15 das melhores universidades do mundo, uma pegadinha, um happening global destinado a mostrar as brechas do mundo acadêmico e do "star system".
Talvez por isso ninguém dê crédito quando, seis anos mais tarde, uma bióloga romena afirma que as águas-vivas emitem e recebem ondas de rádio vindas do espaço, através de seus tentáculos. Apesar do escárnio, a romena segue suas pesquisas em Bucareste e vai publicando os resultados num blog, com muitos acessos e nenhuma credibilidade. Não é de se admirar, portanto, que as enormes medusas metálicas que escurecem os céus do planeta numa manhã de domingo nos peguem desprevenidos, levando apenas três minutos e 34 segundos para engolir 99,9% da humanidade.
Os poucos sobreviventes da hecatombe passam a viver em buracos, alimentando-se de restos e fingindo não entender nada do que está se passando, enquanto, nos mares e nos continentes, as águas-vivas vindas do espaço constroem sua gelatinosa civilização.

PTB procura novo presidente - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 15/08

A sucessão de Roberto Jefferson no comando do PTB já está no horizonte do partido. Ele foi o único a se manter como dirigente após o escândalo do mensalão. Recentemente reconduzido, para não ser prejudicado no julgamento no STF, seus aliados dizem que ele pedirá para sair se for condenado. Estão cotados o vice Flávio Martinez (PR) e o secretário-geral Campos Machado (SP).

PMDB não dá apoio ao PT
Durante mais de uma hora, na noite de segunda-feira, líderes e dirigentes do PT tentaram convencer o comando do PMDB na Câmara a apoiar requerimento de convocação na CPI do Caso Cachoeira do diretor da revista "Veja" em Brasília, Policarpo Junior. O encontro foi realizado na casa do líder petista Jilmar Tatto (SP) e consta que o mais enfático na defesa da proposta foi o deputado Emiliano José (PT-BA). Os deputados do PMDB, a despeito da pressão, recusaram-se a dar apoio à iniciativa, alegando que não há fatos que indiquem que a relação extrapolou o contato entre jornalista e fonte. Os petistas não se conformaram e avisaram que voltarão à carga.

"Na Justiça do Trabalho existe concurso para juiz. Façamos a Justiça Eleitoral para valer! Quem quiser ser juiz eleitoral deve fazer concurso" Mozarildo Cavalcanti Senador (PTB-RR)

Com dias contados
O PT e o PMDB, com aval do relator Odair Cunha (PT-MG), decidiram que a CPI do Cachoeira termina em outubro. Festejam os ganhos: o STJ não anulou as provas da Operação Monte Carlo e abriu processo contra o governador Marconi Perillo; Demóstenes Torres foi cassado; e o contraventor Carlos Cachoeira está preso.

Projeto de anistia na surdina
Tramita silenciosamente na Câmara projeto de lei que anistia todos os deputados envolvidos no mensalão e que tiveram o mandato cassado. Os beneficiados: José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE).

Disputa de paternidade
Autor de um projeto de isenção à cesta básica, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) aposta que a presidente Dilma vai sancionar a emenda com esse objetivo, incluída pelo PSDB, na Medida Provisória 563, do programa Brasil Maior.

Na Câmara: tudo pela Educação
A bancada da Educação deu um drible no governo. O deputado Izalci (PR-DF) coletou 300 assinaturas para votar em plenário o novo Plano Nacional de Educação. Na comissão, foi aprovado artigo que destina 10% do PIB para gastos no setor. O governo quer manter 7,5% do PIB, mas seu requerimento teve apenas 80 assinaturas. Como no Código Florestal, derrota à vista.

"Ah, ah! Uh, uh! O código é meu"
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), surpreendeu ao baixar portaria dando prazo para a Comissão do Código Penal votar até 4 de outubro o relatório final. Sarney quer aprovar o novo código antes de deixar o comando da Casa.

Reaproximação regada a emendas
O líder do PR, deputado Lincol Portela (MG), telefonou para o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para dizer que o partido vai parar de criar dificuldades até o fim do ano nas votações de interesse do governo na Câmara.

O RELATÓRIO da CPI do Cachoeira vai incluir na organização criminosa do contraventor metade do secretariado do governador Marconi Perillo.

De última hora - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 15/08


Inicialmente excluídos da festa programada para anunciar hoje o pacote de concessões de obras federais que pode chegar a R$ 120 bilhões, os governadores receberam ontem telefonemas da ministra Miriam Belchior (Planejamento) convidando-os a participar do anúncio. Além de encorpar a plateia de Dilma Rousseff, os Estados querem incluir projetos no portfólio de obras em parceria com a iniciativa privada. Miriam acenou com a possibilidade, numa segunda etapa.

Copyright Uma ideia que os Estados vão levar ao governo é desonerar as obras de saneamento da cobrança de PIS e Cofins, promessa feita por José Serra (PSDB) na campanha presidencial de 2010.

Devagar O projeto do TAV, o trem de alta velocidade, menina dos olhos da presidente, deverá ficar de fora da primeira leva de pacotes, anunciados hoje. O custo da obra ainda é um fator que afasta o interesse do empresariado em tirá-la do papel.

PowerPoint Ao apresentar as obras, Dilma exibirá aos empresários e políticos convidados um mapa pormenorizado de todos os modais envolvidos e o efeito pontual das medidas no escoamento da produção industrial.

Setor vip A presidente desistiu de promover reunião com o empresariado após o anúncio do plano hoje. O grupo de investidores apenas assistirá à exposição da presidente e dos ministros, no segundo andar do palácio.

Burocracia O Planalto vai criar um grupo executivo interministerial para acompanhar as obras e projetos da Olimpíada-2016. Os termos são discutidos entre os ministérios da Casa Civil e do Esporte. O grupo funcionará como o da Copa e fará a ponte com a Autoridade Olímpica.

Piquete Os sindicalistas da União das Carreiras Típicas de Estado (UCE) avaliam que o governo dirá, na sexta-feira, que não há dinheiro para reajustes. Por isso, agendaram nova reunião para segunda-feira e vão fazer a proposta de endurecer as greves.

Igual O MEC nega que tenha favorecido o Rio na divulgação dos dados do Ideb. Diz o ministério que São Paulo recebeu os dados da Prova Brasil e do Censo há um mês.

Serão Relator do mensalão, Joaquim Barbosa tem dito aos colegas nos corredores do STF que se preparem, pois quer começar a leitura do relatório hoje até as 21h.

Solidário Advogado de Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, Antonio Carlos de Almeida Castro dirá hoje que o mensalão não existiu por "lealdade" aos colegas. Para sua sustentação, "pouco importa se existiu ou não" compra de votos no Congresso. O foco é negar lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Sobrenome Sem apoio de Marta Suplicy, Fernando Haddad resolveu cortejar o ex-marido da senadora. O petista se refere a Eduardo Suplicy como o "pai" do Bolsa- Família, fruto do projeto da Renda Básica da Cidadania.

Tô fora Bebetto Haddad, que acaba de deixar a Secretaria de Esportes de Gilberto Kassab, se defiliou ontem do PMDB paulistano. Será incorporado ao QG de José Serra.

Visitas à Folha Eduardo Campos, governador de Pernambuco, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Evaldo Costa, secretário de Comunicação, e Marco Sabino, assessor de imprensa.

Jorge Carlos Machado Curi, primeiro vice-presidente da Associação Médica Brasileira, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de José Luiz Bonamigo Filho, segundo tesoureiro, e Chico Damaso, assessor de imprensa.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"A infraestrutura federal no Espírito Santo é da década de 70. Temos o pior aeroporto do Brasil e um porto público deficiente."

DO GOVERNADOR RENATO CASAGRANDE (PSB), que diz esperar que o plano nacional de logística, a ser anunciado hoje, inclua concessões no seu Estado.

contraponto

Licença para beijar

Os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão, medalhistas no boxe nos Jogos Olímpicos de Londres, estiveram ontem com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Acompanhados do irmão mais novo, Estivam, e das namoradas, exibiam as medalhas de prata e de bronze. Quando Dilma se curvou para cumprimentá-los, Esquiva não hesitou e tascou um beijo demorado em seu rosto. Surpresa, a presidente se voltou para o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, que estavam aos risos, e apontou para as namoradas dos boxeadores:

-Eu só aceito o beijo com a licença delas!

Para Manuel Diégues Jr. - ROBERTO DaMATTA


O Estado de S.Paulo - 15/08


Ofereço esta crônica a Manuel Diégues Jr. como uma prova de afeto e testemunho da importância da sua vida e do seu trabalho para as Ciências Sociais do Brasil. Estava programado para tomar parte na comemoração do centenário de Manuel Diégues Jr. na Academia Brasileira de Letras, mas um imprevisto me impede de estar fisicamente nessa homenagem de modo que a escrita, como símbolo do espírito, torna-me presente, ao lado das minhas desculpas, neste tributo. Homenagem que faço com ternura pelos inúmeros laços que me ligam à família e especialmente ao Cacá (com quem fiz um programa de televisão) e a Madalena, que foi minha orientanda nos velhos tempos de Museu Nacional.


* * *

Sou da geração que estudou os clássicos da Antropologia Cultural em aulas e conferências pronunciadas por alguns praticantes que se tornaram, eles próprios, clássicos. Gente como Florestan Fernandes, Thales de Azevedo, Gilberto Freyre, Luís de Castro Faria, Darcy Ribeiro, Roberto Cardoso de Oliveira, David Maybury-Lewis, Otávio Ianni, Ruth Cardoso, Oracy Nogueira, Eunice Durham, Fernando Henrique Cardoso. Cito os que balizaram direta (como foi o caso de Roberto Cardoso de Oliveira, de David Maybury-Lewis e de Luís de Castro Faria) ou indiretamente (como foi o caso de Fernando Henrique Cardoso) a minha vida profissional e os meus ideais intelectuais. Todos fazem parte, com o nosso homenageado, de uma vasta tapeçaria humana feita de fios de vida e de vidas que são fios nos quais somos reconhecidos porque nela fomos nutridos e amparados.

* * *

Conheci Manuel Diégues Jr. primeiramente pelo seu livro clássico Etnias e Culturas no Brasil. Depois, ao tentar compreender nossa sociedade do meu próprio ponto de vista, li O Engenho de Açúcar no Nordeste, ficando impressionado com a sua riqueza e virtude sociológica. Um pouco além, quando tentei escrever sobre a figura de Nossa Senhora como intercessora - situada entre o divino e o humano -, algo que, no meu entender, caracterizava o feminino na sociedade brasileira e, talvez, no mundo ibérico, analisei o ensaio de Diégues sobre O Culto de Nossa Senhora na Tradição Popular, publicado naRevista Brasileira de Folclore, em 1968. Fiquei impressionado com a amplitude dessa sociologia e, ao mesmo tempo, com o profundo desinteresse que então se demonstrava pela temática simbólica, como era o caso do carnaval, da comida, do jogo do bicho, do futebol, da hierarquia, do personalismo - aí está o mensalão inconcebível em outras terras - e de outras instituições que constituem o mel e o fel da nossa identidade coletiva.

Foi nesse momento que o conheci pessoalmente como diretor do Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais da Unesco e foi nesse espaço dirigido por Diégues que o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional foi acolhido num momento de crise.

Ao conhecê-lo, esperava encontrar um diretor marcado por posicionamentos e pontos de vista autoritários e irredutíveis (como era comum naquela pobre década e ainda faz parte do papel neste nosso Brasil) mas, pelo contrário, encontrei um tranquilíssimo professor e administrador, mais interessado em saber de livros e pesquisa do que de radicalismos.

* * *

A contribuição de Manuel Diégues Jr. foi tão ampla e democrática como o seu espírito. Por isso ele pôde ser colunista, professor, etnólogo dos engenhos nordestinos, administrador eficiente e autor de um livro permanente: Etnias e Culturas no Brasil. Obra a ser revista em função de um ponto que jamais foi bem entendido no que toca a nossa visão de nós mesmos: a nossa imensa capacidade de equilibrar fatores locais os mais variados e unir polos e papéis sociais que toda a sociologia clássica sempre tomou como opostos e mutuamente exclusivos. Tanto que, em muitas teorias eles seriam os deflagradores de transformações radicais que mudariam definitivamente o curso da História. No Brasil, entretanto, e sobretudo no Brasil de Manuel Diégues Jr. , discípulo de Gilberto Freyre, o Brasil - com todos os seus contrastes e iniquidades sociais e regionais - seria um marco civilizatório original e, quem sabe, senão novo, pelo menos inovador.

Eu vou deixar falar o próprio Manuel Diégues Jr. e espero que vocês possam ouvir novamente a sua voz sempre alagoana e serena: "Na realidade" - diz ele no livro citado - "esse é o quadro de nossos dias; o do pluralismo étnico e cultural que encontra suas raízes em fatores, os mais diversos, vindos do passado; e associando-se, intercomunicando-se, para oferecer esse resultado do Brasil moderno. Nesse passado encontram-se as fontes de onde brotaram as águas que fizeram esse admirável mar de unidade, oferecendo condições para o pluralismo de nossos dias."

Eis o Diégues que foi um pluralista cultural antes do seu tempo e um antirradical no tempo em que a moda era ser intolerante. Louvo-o pelo seu espírito aberto e faço-me presente na comemoração do centenário do seu nascimento com a lembrança de sua personalidade honesta e tranquila. De toda uma vida voltada para o Brasil que compreendeu e amou até mesmo e principalmente por suas contradições. Talvez por isso não tenha recebido o reconhecimento de justiça. Mas assim é a vida e a morte.

A torcida brasileira - ARTUR XEXÉO


O GLOBO - 15/08
Igual a todo brasileiro, eu também fiquei grudado na televisão, no sábado passado, acompanhando a acachapante vitória das meninas do vôlei sobre a seleção americana.
Fiquei empolgado quando percebi que a maioria da torcida que estava no estádio era brasileira e tinha vontade de repetir em casa as vaias que esta torcida dirigia às jogadoras americanas cada vez que uma delas ia para o saque. O.k., eu também vaiei uma ou duas vezes. Fiquei emocionado com a alegria das brasileiras na hora da entrega de medalhas.

Quase chorei com a descontração das meninas no pódio. O.k., chorei um pouquinho. E só me dei conta de que talvez o mundo não visse aquele comportamento da mesma maneira quando li, no dia seguinte, o artigo do jornalista americano Reid Fordgrave, no site da Fox Sports.

Ele admite a superioridade brasileira sobre a seleção americana. Diz que "o Brasil apoia o voleibol profissional como nenhum outro país" (Nota do colunista: será?) e que "o jogo foi dominado pelas brasileiras". As coisas só começam a piorar quando ele analisa o comportamento da torcida durante a partida e do time das brasileiras no pódio. Justamente o que havia me emocionado.

"Eu nunca desprezei tanto um time olímpico", escreveu. "Durante a partida, a torcida brasileira vaiou todos os serviços das americanas.

Foi a primeira vez que vi algum atleta ser vaiado nos Jogos de Londres. Os integrantes da torcida assobiavam e corriam de cima pra baixo nas escadas da arquibancada, enrolados na bandeira brasileira. Quando as japonesas e as americanas recebiam as medalhas de bronze e prata, respectivamente, as medalhistas de ouro do Brasil dançavam e pulavam.

Elas batucavam no pódio. Quando as americanas viviam seu momento, as brasileiras acenavam para a torcida e imitavam a corrida em câmera lenta de "Carruagens de fogo"." O jornalista não estava nos elogiando. E deixou isso claro: "Isso foi falta de classe, falta de espírito esportivo, um comportamento contrário ao espírito olímpico - e, talvez, uma prévia do que o mundo vai ver durante os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro." Depois de entrevistar algumas jogadoras americanas, acostumadas com a torcida e a comemoração brasileiras, o jornalista tentou ser mais compreensivo: "Não leia isso como uma crítica à famosa exuberância brasileira", acrescentou. "Eles são conhecidos pela caipirinha (Nota do colunista: na verdade, o jornalista escreveu "caiparinha") e pelo carnaval, pelo samba e pelas festas nas praias que duram a noite toda (Nota do colunista: !!!??!). Eles são conhecidos por se divertirem e levarem a vida como ela deve ser levada.

"Em vez de uma acusação, leia isso como um aviso, de que as Olimpíadas do Rio de 2016 terão um sabor muito diferente do das cordiais Olimpíadas de Londres, quando os britânicos enlouqueciam com as vitórias de seus conterrâneos, mas se mantinham bem educados com os outros países. Minha raiva inicial estava errada.

Isso foi uma lição." E Reid Fordgrave conclui: "As Olimpíadas, afinal, são sobre estar lado a lado e conviver com diferenças culturais por duas semanas. Nós não nos vestimos todos da mesma maneira. Nós não falamos todos da mesma maneira. E nós não celebramos nosso país ou comemoramos a vitória da mesma maneira. O que é uma coisa que vamos aprender de novo em 2016." Embora concorde com Fordgrave sobre as diferenças culturais - e quem não concorda? - , não consegui deixar de me sentir envergonhado.

Aceitar diferenças é mais fácil quando a diferença é dos outros. Quando nós somos os diferentes, tudo fica mais difícil.

Os quase dez minutos de apresentação brasileira na cerimônia de encerramento das Olimpíadas foram um espanto: mulatas sambando de biquíni, Seu Jorge fantasiado de malandro da Lapa, capoeira, maracatu e índios! Nada diferente do que os shows para turistas ingênuos têm mostrado por aqui ou do samba-exportação que costuma viajar pela Europa. Para surpreender o mundo, os organizadores da festa vão ter que rebolar bem mais do que Alessandra Ambrósio no Estádio Olímpico.

Não sei se chega a ser uma fita banana, mas alguns leitores, inspirados pela coluna de domingo passado, me enviaram algumas combinações que não dão certo. Foi o caso de Victor Hugo Cecatto: "Sou gaúcho, e, na época da minha infância, nos anos 1970, não existia manga no Sul. Então, para a gente, o que "matava" era "melancia com leite"! " Cantinho da talidomida. A contribuição é do leitor Antonio Domingos Ferreira: "Apenas um adendo a um assunto que você já considerou encerrado: Há cerca de três ou quatro anos, fiz uso, entre outras drogas, da talidomida para um problema de zumbido auditivo. Não surtiu o efeito desejado, mas não causou qualquer efeito colateral. "

Avise o Zé Linguiça - MARCELO COELHO


FOLHA DE SP - 15/08

Caixa dois, como se sabe, tornou-se a pedra de toque para absolver o 'núcleo político' do mensalão


COM CASOS semelhantes, advogados de estilos bem diferentes se apresentaram ontem no STF. Afável, como quem descansa o cotovelo na mesa do magistrado, João dos Santos Gomes Filho defendia o antigo líder do PT na Câmara, Paulo Rocha.

Ele não podia ser mais oposto a Pierpaolo Bottini, o advogado do Professor Luizinho, também deputado petista na época do mensalão.

Bottini é todo gume de navalha enquanto Gomes Filho é afago e emoliência. Magro, jovem, examina o caso cirurgicamente, com uma objetividade que só depois de um tempo se percebe incluir um sofisticado senso da ironia.

Aos fatos, diz Bottini. O petista José Nilson dos Santos, vulgo "Zé Linguiça", acumulava sua atuação de militante ao cargo de assessor de Luizinho na Câmara. Um dia, foi a ao Banco Rural (em São Paulo, não em Brasília, como diz a acusação) e sacou R$ 20 mil. Identificou-se, assinou os documentos, e usou o dinheiro para pagar um designer gráfico, que faria camisetas para candidatos a vereador em 2004.

Nilson perguntara a Luizinho, em meados de 2003, se o PT teria dinheiro para as eleições municipais de 2004. Passaram-se os meses, e Delúbio Soares deu o recado para Luizinho: "avise o Zé Linguiça que o dinheiro chegou."

Só um recado, nada mais: disso acusam Luizinho. Tudo foi feito às claras, em nome próprio, para pagamento de um serviço legal, por pessoa que nem mesmo era Luizinho.

"Se se trata de lavagem de dinheiro, é a mais solene, é a mais pública lavagem de dinheiro de toda a história da lavagem de dinheiro", arremata Bottini, sem abrandar nunca o foco inflexível do olhar.

Antes, João Gomes Filho perdera-se em reminiscências, poemas e simpatias. Começou homenageando o senso jurídico de Marco Aurélio Mello, ao conceder habeas corpus a alguém acusado de traficar 80 quilos de cocaína.

Veio a mesura às duas ministras da corte: estávamos na véspera da data litúrgica da Assunção de Maria.

Lavagem de dinheiro? Rocha, acusado apenas desse crime, não recorreria aos serviços de sua própria secretária para retirar dinheiro do Banco Rural.

Os recursos eram para pagar dívidas contraídas pelo diretório do PT no Pará, de que Paulo Rocha era presidente. Informado por Delúbio, Rocha retirou-os e pagou o que devia. Teria ele o dever jurídico de não pagar as dívidas, por saber que vinham de caixa dois?

Caixa dois, como se sabe, tornou-se a pedra de toque para absolver o "núcleo político" do mensalão. Parafraseando Bottini, nunca um caixa dois foi tão solene, aberto e oficial como este do PT.

Itaipu é uma encrenca fabricada - ELIO GASPARI

O GLOBO - 15/08



As colinas de Golan envenenam as relações de Israel com a Síria e a Jordânia, mas foi o Padre Eterno quem as colocou lá. A hidrelétrica de Itaipu virou um espinho nas relações do Brasil com o Paraguai, mas foi produzida pela megalomania da ditadura militar.

A velha história de "maior do mundo", "Brasil grande", "Ame-o ou Deixe-o". Se os generais tivessem dado atenção ao embaixador Guimarães Rosa, que chefiava a divisão de fronteiras do Itamaraty, não teriam reconhecido que o Paraguai tinha soberania sobre a outra margem do rio Paraná .

Em 1966, ele sustentava que se criara uma disputa fronteiriça na qual a ditadura-irmã do general Alfredo Stroessner apresentava argumentações "desastradas, falseadas e declaradas sem pejo".

Na sua mesa do Itamaraty, com uma cumbuca cheia de lápis de cor, Guimarães Rosa era capaz de mostrar exatamente onde ficaria a tão sonhada hidrelétrica, objeto do desejo dos paraguaios.

Se tivessem ouvido o engenheiro Octávio Marcondes Ferraz (1896-1990), presidente da Eletrobras e construtor de Paulo Afonso, não teriam compartilhado a hidrelétrica com o Paraguai, nem afogado as cataratas de Sete Quedas.

Ele defendia a construção de uma série de pequenas barragens dentro do território brasileiro. Partiu-se para a maior hidrelétrica do mundo. Uma metade da energia ficaria com o Brasil, e a outra, com o Paraguai. Como ele não tinha o que fazer com ela, venderia sua parte para o Brasil. Marcondes Ferraz bateu em todas as portas, nada. Brincava-se de geopolítica, acreditando-se que o tratado assinado por Stroessner seria eterno.

Em 2006, o governo paraguaio forçou uma revisão marota do acordo. No ano seguinte, o companheiro Fernando Lugo fez campanha defendendo um novo ajuste e ameaçou levar o Brasil à Corte de Haia. Acertou-se com Lula, mas o problema continuou do mesmo tamanho.

Depois da estudantada de julho da doutora Dilma, suspendendo o Paraguai do Mercosul para abraçar o companheiro Hugo Chávez, o presidente Federico Branco reabriu a questão. Fez isso em termos vagos, dizendo que não pretende "ceder" a energia de seu país. Como ele não cede coisa alguma, pouco haveria a discutir.

Em vez de tratar a questão na suavidade das negociações diplomáticas, os companheiros partiram para cima. Trataram-no como um demagogo. Era o que ele queria, a mobilização política de seu país.

Atualmente, o Paraguai só consome 8% da energia produzida por Itaipu. Cada quilowatt da hidrelétrica é essencial para a economia brasileira. Do outro lado do Equador, há duas grandes nações de olho nessa energia barata. A China, porque precisa, já andou namorando projetos no Paraguai. Os Estados Unidos, porque finalmente ganharam uma oportunidade para colocar um pé no país.

Há quase 50 anos, Guimarães Rosa procurou, sem sucesso, apontar os perigos de um debate irracional. Se dependesse dele, talvez a hidrelétrica estivesse em outro lugar. Prevaleceram falsos argumentos geopolíticos, sonhos de marquetagem, e a encrenca está aí.

Se a doutora Dilma tirar o Paraguai da agenda pública do seu governo, poderá negociar numa posição mais confortável do que aquela em que se meteram os militares.

O choque necessário - ROLF KUNTZ


 Estado de S.Paulo - 15/08


Safra recorde no Brasil é prenúncio de grandes perdas em estradas esburacadas, longas filas de caminhões na vizinhança dos portos e dezenas de navios parados ao largo, durante dias, por falta de espaço para atracar. O grande espetáculo da ineficiência geral da economia brasileira é composto de muitos quadros. O da logística emperrada é apenas um dos mais coloridos, mais vistosos e mais impressionantes para a maior parte do público. O esforço do governo para atrair capitais privados para construção e reformas de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos será com certeza muito bem recebido pelos cidadãos razoavelmente informados. Formadores de opinião anteciparam-se e aplaudiram a promessa de uma nova política de licitações e de mais esforços para redução do famigerado custo Brasil - sinais de um choque de capitalismo, segundo a revista Veja. Uma avaliação mais otimista poderia mencionar um choque de eficiência, se houvesse um bom motivo para esperar uma reviravolta na política econômica e, de modo geral, na ação do governo.

Pode haver algum anticapitalismo no PT. Mas isso explica apenas em parte a negligência governamental, desde a primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em relação a problemas estruturais da economia. Temas como eficiência, produtividade e parcimônia no uso de recursos públicos nunca foram valorizados na cartilha seguida a partir de 2003. A ampliação dos quadros federais e a generosa concessão de aumentos jamais foram vinculados a metas administrativas.

O empreguismo e a política salarial serviram à consolidação do poder pessoal do presidente Lula e aos interesses de seus companheiros mais próximos. Ao resistir, agora, às cobranças do funcionalismo, a presidente Dilma Rousseff afrontou a cultura de confortável ocupação do poder implantada por seu antecessor. As centrais sindicais, nutridas com imposto e convertidas em apêndices do Executivo, reagiram da forma previsível, apoiando a greve e os desmandos da parcela mais favorecida dos assalariados brasileiros.

Ao atribuir precedência aos problemas dos trabalhadores sem estabilidade - os do setor empresarial -, a presidente ressaltou um dos contrastes entre o pessoal do setor público e os demais empregados. À estabilidade o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acrescentou o privilégio de grandes aumentos - mais que o dobro da inflação - e a fixação de salários maiores que os do setor privado. O inchaço dos quadros complementou o loteamento e o aparelhamento do comando e dos núcleos técnicos da máquina pública. Basta isso, ou pouco mais, para explicar a incapacidade de elaborar e de executar projetos, uma incompetência mal disfarçada pela inclusão dos financiamentos habitacionais nas contas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Nem a imagem da Petrobrás, responsável por cerca de 90% dos investimentos das estatais, ficou intacta, quando a nova presidente da empresa, Graça Foster, expôs a situação da companhia. Descumprimento de metas, maus projetos e subsídio ineficiente ao consumo da gasolina foram alguns dos problemas escancarados. Além de privar a empresa de recursos para seu enorme programa de investimentos, a política de preços afetou a produção de cana e de etanol, como foi reconhecido, explicitamente, no balanço semestral da agroindústria recém-divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao interferir na administração da Petrobrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou uma das maiores companhias de petróleo do mundo em instrumento de suas ambições políticas, confirmando, mais uma vez, seu desprezo pela eficiência - e, nesse caso, também pelos compromissos de uma companhia de capital aberto.

O governo promete, agora, ir além das ações de curto alcance, como os tradicionais remendos tributários, e tomar medidas para elevar o potencial de crescimento. Investimentos em logística e redução dos preços da eletricidade entram nessa categoria. Somados a outras medidas, poderão tornar a produção brasileira mais competitiva. Problemas de competitividade têm relação com infraestrutura, custo de investimentos, tecnologia, tributação e qualidade da mão de obra, para citar só alguns dos fatores principais. Não se reduzem a entraves conjunturais, nem se resolvem com estímulo ao consumo e mero expansionismo fiscal.

Para cumprir essa promessa, a presidente Dilma Rousseff terá de renegar algo mais que o legado de seu antecessor. Ela mesma apoiou a politização e, afinal, a desmoralização das agências reguladoras. Ela manteve, depois de Lula, as pressões para interferir na administração da Vale. Ela mesma embarcou, seguindo o desastroso exemplo argentino, na aventura do protecionismo como remédio para a ineficiência. Se estiver mesmo comprometida com a mudança, terá de avançar muito em seu esforço.

Uma luz no fim do túnel - EDUARDO EUGENIO GOUVÊA VIEIRA


FOLHA DE SP - 15/08

A energia segue muito cara. Só cortar encargo não basta. Pagar menos às geradoras, em geral estatais, é urgente. Os contratos estão vencendo, agora é a hora

É aguardado o anúncio pela presidenta Dilma de medidas para reduzir a conta de luz dos brasileiros. A oportunidade é única para que se debata um dos maiores entraves à competitividade industrial -o elevado custo da energia elétrica.

Estudo realizado pelo sistema Firjan revela que um corte de 10% a 20%, como o governo tem indicado, será insuficiente.

É hora de ousadia para que se promova uma redução de pelo menos 35%. Só assim o custo médio da energia para a indústria, de R$ 329 por megawatt-hora, cairá para perto da média de R$ 204 das dez maiores economias do mundo.

A mera redução ou eliminação de encargos setoriais e da PIS/Cofins, cobrados na conta de luz, conforme sinalizado pelo governo federal, não será suficiente para baixar o preço ao patamar dos países mais competitivos. É preciso que o corte avance sobre os custos de geração, transmissão e distribuição (GTD), que respondem por metade da fatura.

Dessa fatia, 94% correspondem à geração, o que permite concluir que o caminho para uma redução mais significativa passa necessariamente pela diminuição do valor pago às geradoras de energia -em especial às que administram usinas hidrelétricas.

Ainda segundo estudos do sistema Firjan, considerados apenas os R$ 165 por megawatt-hora, em média, que a indústria brasileira paga referentes a GTD, nossa tarifa é mais cara do que o valor cheio cobrado às indústrias localizadas em importantes concorrentes como China, Estados Unidos e Argentina.

Em outras palavras, somos pouco competitivos já na largada.

Temos a nosso favor, na empreitada, o calendário de vencimento dos contratos das empresas de geração -estatais, em sua maioria - com o Estado brasileiro. Até 2020, vencerão 105 contratos com geradoras.

Sabemos que -de longe- o maior custo de produção de uma geradora hidrelétrica decorre da amortização e depreciação dos vultosos investimentos realizados em sua construção. Metade da capacidade de geração representada por esses contratos advém de usinas erguidas há mais de 50 anos, cujos investimentos necessários à construção já foram há muito amortizados por todos os brasileiros.

É a oportunidade para que novos contratos sejam estabelecidos com base nos custos reais de geração, excluído o peso da amortização já concluída, mas ainda cobrada na conta de luz.

Caso o governo tome todas as decisões a seu alcance, o custo da energia elétrica poderá cair mais de 35% para a indústria. O número não foi obtido por mágica, adivinhação ou tentativa e erro. Chegou-se a ele depois de estudos exaustivos.

Como política energética, o governo deve estimular a geração de eletricidade a preços competitivos. Deve-se atentar, especialmente, para a correta análise da relação custo-benefício das usinas a fio d"água, dado o elevado custo da complementação da matriz de energia elétrica por usinas térmicas. Ainda há muito potencial hídrico a ser aproveitado no país.

A redução no preço da energia consumida no processo produtivo, desde que significativa, permitirá à indústria recuperar parte da competitividade corroída pelo custo Brasil. Ajudará o setor, desta forma, a ganhar espaço no cenário mundial.

Uma indústria fortalecida contribui de forma mais relevante para o crescimento da economia. Significa, no fim das contas, mais empregos, mais renda e mais riqueza para todos. Finalmente, vê-se uma luz no fim do túnel em debate tão importante para a sociedade brasileira.

É a paradeira - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 15/08


A esta altura, certo apego a conceitos técnicos é irrelevante. A área do euro está em recessão. Ou seja, é uma economia que, em vez de crescer, vai encolhendo.

A definição convencionada - e pouco convincente - é a de que a recessão acontece quando uma economia sofre um retrocesso (crescimento negativo) durante dois trimestres consecutivos. Dá para dizer que este já é o caso da área do euro, cujo PIB conjunto caiu 0,3% no quarto trimestre de 2011; teve avanço zero no primeiro deste ano; e diminuição de 0,2% no segundo.

Uma economia pode mostrar números ainda mais negativos do que esses do bloco do euro. Mas, se a perspectiva é de solução de problemas e de recuperação iminente, não há esse grau de recessão em que a área do euro segue prostrada, sem nenhuma possibilidade de saída a médio prazo.

Desta vez, 9 dos 17 países que compartilham a moeda única perderam renda nacional. A Alemanha conseguiu crescer 0,3%, no entanto, apesar de sua densidade econômica, não contrabalançou o mau desempenho dos demais.

O presidente da França, François Hollande, fez uma cruzada pelo crescimento econômico por ocasião da campanha eleitoral. E tem tomado algumas iniciativas com o objetivo de substituir o ajuste baseado na contração das despesas públicas, mas sem grandes progressos. A França vem de três trimestres consecutivos de crescimento rigorosamente zero.

Há sobre a mesa algumas propostas para enfrentar a paradeira com menos ortodoxia. Mas elas esbarram em três enormes obstáculos. O primeiro deles é a falta de recursos, uma vez que boa parte dos sócios do euro se mantém fortemente endividada. A ideia de dar mais prazo para o ajuste fiscal, para que haja menos sacrifício e menos desemprego, implicaria a aceitação de um déficit fiscal mais alto e, portanto, maior disposição dos investidores de seguir proporcionando cobertura financeira.

A segunda barreira é a falta de solução para o problema do euro. Aumenta a probabilidade de fragmentação da união. Se alguns países abandonarem a moeda comum, provocarão um pandemônio financeiro, dado que devem em euros. É uma ameaça que mantém os investidores arredios.

A terceira grande obstrução é a Alemanha, que não arreda pé de seu receituário de austeridade, sacrifícios e reformas de difícil aplicação. Pode-se argumentar que prosseguir com esse tratamento duro exigirá um mínimo de coesão política, algo difícil de obter em países acostumados com o bem-bom do Estado do bem-estar social. Caso o fator político seja essencial e, como tal, tenha de prevalecer, leve-se também em consideração que não dá para eliminar a Alemanha da equação política.

A prostração do euro é agora a principal razão pela qual a economia dos Estados Unidos também continua emperrada, como afirma o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner. E, se a área do euro e os Estados Unidos estão parados, o resto do mundo também está. É uma crise e tanto, que provoca muito mais do que simples marolinhas na economia brasileira.

Pedagogia mensaleira - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 15/08


Tentativa da defesa de envolver Lula no julgamento do STF se resume a artifício retórico contra a acusação e não terá efeito prático


Em meio à maratona de alegações de defesa dos réus do mensalão, que deve terminar hoje, o advogado do deputado federal cassado Roberto Jefferson deu sua contribuição para acentuar o aspecto pedagógico do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. À sua maneira arrevesada, mas deu.

Luiz Francisco Corrêa Barbosa fez uma das sustentações mais agressivas até aqui perante os 11 ministros do STF, talvez para contrastar seu discurso com os de várias estrelas de primeira grandeza criminalística que o precederam. Com o propósito de alvejar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Barbosa sustentou que Lula não só sabia do mensalão (o que Jefferson negou em 2005, na entrevista à Folha que deflagrou o escândalo) como o teria ordenado. Ao centrar sua denúncia em José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil de Lula, Gurgel estaria dando a entender que o ex-presidente é "pateta", quando em realidade é "safo" (no linguajar que tomou emprestado do ministro do STF Marco Aurélio Mello, em outra referência a Lula).

É fato notório que no epicentro do juízo sobre o mensalão estão as práticas do PT e a própria reputação política do ex-presidente. De um ponto de vista formal, no entanto, Lula não é réu. Todas as tentativas de arrolá-lo como tal foram rechaçadas pelo STF. Sua ausência, portanto, não decorre só da decisão do procurador-geral de excluí-lo da denúncia (por cálculo ou carência de provas).

O advogado de defesa cumpre seu papel de desqualificar o que bem entender na acusação, e pode-se escusar-lhe o recurso à mera verossimilhança do envolvimento de Lula. No juízo penal, contudo, condenar demanda fatos, o que Barbosa não apresentou.

Mesmo num processo de alta octanagem política, como o do mensalão, o papel do juiz -e em especial de um colegiado como o do Supremo- é distanciar-se tanto quanto conseguir das convicções pessoais ou de suas inclinações ideológicas. A decisão que proferir deve apoiar-se primariamente em provas, pois é esse lastro que diferencia a verdadeira Justiça de um tribunal de exceção.

Assim encarado o julgamento do mensalão, resulta pouco esclarecedor analisá-lo sob o prisma da polarização PT x PSDB, que tanto estreita o debate político nacional.

Dificilmente o primeiro sairá dele sem chamuscar-se e ver em cinzas a fantasia de vestal, o que lhe poderá acarretar, aqui e ali, algum dano em eleições. Quem concluir que será uma vitória tucana, e não um passo a mais na longa marcha contra a corrupção, estará extraindo a lição errada do julgamento.

CLAUDIO HUMBERTO

“Se o dinheiro foi lavado, já chegou limpo no diretório do PT”
João dos Santos Gomes Filho, advogado do ex-deputado e réu Paulo Rocha (PT-PA)

O MENSALÃO: STF DEFINE QUE CEZAR PELUSO VAI VOTAR

Os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiriam que o colega Cezar Peluso terá tempo para apresentar seu voto no julgamento do mensalão, antes de sua aposentadoria em 3 de setembro próximo, ao completar 70 anos. Além da possibilidade de antecipá-lo após a leitura do voto do relator, Peluso poderá fazê-lo a qualquer tempo, mediante autorização do presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto.

QUEM AUTORIZA

O artigo 135, parágrafo 1º do Regimento Interno do STF, prevê o voto antecipado de ministro “se o presidente [do STF] autorizar”.

PRECEDENTES

Há precedentes no STF: na decisão sobre direito de greve do servidor, houve antecipação de voto do ministro Celso de Mello.

CASOS HISTÓRICOS

Também anteciparam votos, na história recente do STF, os ministros já aposentados Ellen Gracie, Célio Borja e Sepúlveda Pertence.

MANOBRAS À VISTA

Defensores de mensaleiros querem protelar sessões para inviabilizar o voto de Cezar Peluso, juiz considerado rigoroso em suas sentenças.

BARBOSA QUERIA SESSÃO NA SEXTA, E FOI VOTO VENCIDO 

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, propôs aos colegas que o Supremo Tribunal Federal realizasse sessão nesta sexta-feira, a fim de que ele desse continuidade à leitura do seu voto, de mais de mil páginas, que será iniciada na véspera ou talvez nesta quarta. Mas o ministro revisor do processo, Ricardo Lewandowski, ficou contra, alegando compromisso anterior, e a sessão não se confirmou.

FARTURA

A Câmara de Goiânia está na mira do Ministério Público de Goiás: cada vereador tem 26 assessores, fora os estagiários “não contabilizados” .

MANDANDO BEM

A CPI do Cachoeira desistiu de criar sub-relatorias porque concluiu que o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), tem dado conta do recado.

SÃO PAULO NO ROTEIRO

Candidato a prefeito, Gabriel Chalita (PMDB) quer chamar Woody Allen para filmar em São Paulo, como em NY, Londres, Paris, Roma etc.

TÔ FORA

A deputada Érica Kokay (PT-DF) abriu dissidência na base de apoio do governador Agnelo Queiroz. Em reunião com uma dezena de próceres petistas, como o presidente do partido no DF, deputado Roberto Policarpo, ela pregou aviso: “Agnelo não terá meu apoio na reeleição”.

PATTON CABOCLO

O jornalista Carlos Chagas chamou Joaquim Barbosa de “[George S.] Patton caboclo”, alusão ao general herói da 2ª Guerra, que libertou do jugo alemão 12 mil cidades e povoados europeus. O ministro adorou.

CAÇA FANTASMAS

Em entrevista a uma TV da internet, o ex-ministro Franklin Martins (Comunicação) jurou em meio a uma crise de tosse que “a imprensa vai pagar um preço alto” pela cobertura do mensalão. 

FREELANCER

A rede terrorista Al Qaeda procura homens-bomba na internet para “trabalho temporário”, segundo o jornal israelense Yedoth Ahronoth. 

A contratação é por e-mail e o pagamento garantido ainda em vida.

APOSTA NO DESGASTE

Braço sindical do PT, a CUT também entrou no Supremo com ação de inconstitucionalidade contra “práticas antisindicais” do governo Dilma contra os servidores públicos. Hoje, tem nova marcha na Esplanada.

PARAÍSO AFRICANO

Tão generoso em doar nosso dinheiro à África, o Brasil também abriga a grana da pilhagem dos ditadores: cerca de US$ 1,27 bilhão do falecido presidente da Guiné, general Lansana Conte, num banco brasileiro, foram bloqueados por herdeiros da “lavanderia”, diz a imprensa local. 

VOLTA, DAC

Detonaram o DAC, um órgão técnico, para criar a Agência Nacional de Aviação Civil, grande reserva de incompetência. Pilotos da aviação civil dão outro significado à sigla Anac: “Além de Não Ajudar, Complica”.

CANELA MORDIDA

A defesa do ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP) no mensalão atribuiu a um tal “Zé Linguiça” os saque de R$ 20 mil do valerioduto. Era ele quem corria atrás do rabo, ops, de Delúbio Soares.

PENSANDO BEM...

...é Lula quem precisa agora de “nervos de aço”. 

PODER SEM PUDOR

O MENTIROSO OFICIAL


Pedro Rattes era prefeito de Manacapuru (AM) quando encontrou Arquimedes, mentiroso oficial da cidade, e resolveu jogar conversa fora:

- Conta uma mentira aí, Arquimedes...

- Posso, não, seu Pedro - esquivou-se. Hoje, eu estou triste; vou ao enterro do seu Arnaldo, dono da mercearia.

Rattes ficou envergonhado, pediu desculpas. Mas não demorou descobrir que o comerciante estava vivo e saudável. Pediu explicações a Arquimedes:

- Mas, que sacanagem! Você disse que seu Arnaldo havia morrido...

- Ué, o senhor não pediu para eu contar uma mentira?

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Funcionalismo sindical – Greves: comércio exterior perdeu dois anos em oito
Folha: Novos dados ruins fazem MEC mudar ensino médio
Estadão: Educação avança no País, mas aluno aprende pouco
Correio: Negociação emperra, servidor radicaliza
Valor: “Tempestade perfeita” atinge balanços
Estado de Minas: O preço da comodidade
Zero Hora: Estudo do MEC – RS tem pior resultado em educação no sul do Brasil