quarta-feira, agosto 08, 2012

Reforma em eclipse? - MARIO CESAR FLORES


O Estado de S.Paulo - 08/08


Dentre as várias influências que prejudicam a ética e o funcionamento da política brasileira, chama particularmente a atenção do cidadão preocupado, no plano psicopolítico, o populismo, com sua vassalagem ao salvacionismo sebastianista, nutrido na fragilidade da consciência cívica do povo vulnerável à ilusão, em razão da instrução precária e da insegurança socioeconômica. O populismo não se prende a ideias, "namora" o conveniente ocasional, do marxismo ao liberalismo e à direita nacionalista. O ritual da eleição é enaltecido, mas a prática política é propensa ao voluntarismo protagônico do Executivo e ao controle da mídia (à Hugo Chávez...). Acomoda-se em qualquer partido e seus aiatolás, vistos como providenciais, cativam o povo usando retórica antiburguesa, embora comprometidos com o status quo.

O paradoxo comum às democracias - o sucesso eleitoral precisa de aceitação popular, mas, uma vez eleito o candidato, fazer o certo por vezes exige medidas impopulares, indutoras de tropeços eleitorais - está presente no cotidiano do populismo brasileiro: dada a proporção dos políticos que dão prioridade à eleição acima da qualidade do exercício funcional, secundária na aferição populista, é comum entre nós a prevalência do incorreto simpático sobre o correto antipático. Medidas positivas malvistas no curto prazo eleitoral são tolhidas até pela "base aliada" do governo. Exemplo: torpedear o fator previdenciário dá voto, já apoiar alternativa que reduza a ameaça da aposentadoria precoce ao modelo previdenciário prejudica o bom humor eleitoral.

E no plano organizacional, nosso mosaico surrealista de partidos doutrinária e programaticamente amorfos e de conluios oportunistas diferentes pelo Brasil afora, no descaso por ideários e projetos - na verdade, somatórios de lugares-comuns vazios, de sabor populista, inexpressivos como balizamento de fidelidade partidária e da coerência nos conluios de ocasião. O que dizer da notícia (Folha de S.Paulo, 22/6) DEM oficializa apoio à pré-candidatura do PT em São Luís? Projetos do PT e do DEM coincidem em São Luís, ou coincidem suas conveniências eleitorais locais? O que explica a aliança Lula-Maluf em São Paulo? A conjuntura eleitoral - é claro que facilitada pela "não incompatibilidade" de projetos... Nas pesquisas de opinião, os partidos (quase 30, muitos apenas legendas eleitorais) são baixo situados, mas os responsáveis pelo demérito seguem felizes na política.

Embora vazios de consistência, alguns partidos são eficazes no butim eleitoral, no loteamento do poder, pródigo de benesses em razão da nossa cultura estatista e patrimonial-clientelista. Ajustam-se flexivelmente na montagem da governabilidade e na máquina da administração dos recursos públicos - situação bem refletida nestas frases emblemáticas, proferidas por líderes partidários na montagem do governo federal no início de 2011 e publicadas na mídia: "A gente vale quanto pesa..." e "vamos pedir algo que condiga com a força que temos".

No quadro das deformações esboçadas, a reeleição nem sempre - ou raramente - é comprometida pela incompetência e pela improbidade. Para assegurá-la partidos e políticos no poder enfeitam o cenário com notícias eufóricas. Exemplos atuais: ascensão à sétima (ou sexta) economia mundial, o menos tumultuado trânsito (comparado com o europeu) pela crise pós-2008, projetos deslumbrantes no papel... E são menoscabados fatos que, como sempre ocorreu na História, unem política e vida real. Novamente exemplos atuais: desenvolvimento modesto; avanço lento dos pacotes redentoristas; cenário preocupante na educação, na saúde e na Previdência; o crédito como registro de cidadania no consumismo; despesas públicas correntes ameaçando a responsabilidade fiscal e a capacidade do Estado de cumprir suas atribuições; greves do serviço público agressivas à vida nacional e ao povo; e, chegando à tragédia, o desrespeito generalizado à lei, da licenciosidade trivial à violência e à criminalidade desvairadas. Especificamente na crise global, os gastos à Keynes em desafio à responsabilidade fiscal e o consumismo à revelia dos limites do mercado interno, propalados como virtude diante da austeridade europeia, têm mão dupla: ajudam no momento, mas, se não dimensionados criteriosamente, exigirão ações austeras mais tarde.

A transformação da euforia em realidade e dos fatos preocupantes - os citados e outros - em problemas superados depende de reformas que assegurem boa qualidade à política, influente em tudo (a revisão do padrão populista depende também da educação e da segurança socioeconômica do povo). É preciso estabelecer parâmetros que venham a configurar partidos consistentes, capazes de inspirar fidelidade e assegurar a governabilidade sem o custo dos conluios de hoje; que estimulem a participação política de cidadãos competentes e íntegros e desencorajem a atração do arrivismo pela política; que cobrem coerência das coalizões; e que deem lógica à suplência e à "sobra" das legendas. A correção dos rumos nacionais virá a reboque do upgrade político. Viveremos democraticamente modernização similar à autoritária revolucionária de 1930, que pôs fim à República Velha e seus vícios.

Mas a mudança não é segura. Instauradas com sensacionalismo no início de 2011, as comissões da reforma política da Câmara dos Deputados e do Senado aparentam ter entrado em eclipse e sugerem propensão um tanto à Lampedusa (O Leopardo) - algo mais ou menos como vamos mudar para que ao menos a essência continue parecida com a atual. Frase sintomática proferida no início dos trabalhos das comissões: "Não se mexerá nos partidos"... A ser assim, o Brasil continuará a desenvolver, mas aquém de seu potencial, em clima de desordem e violência, mal preparado para o papel que lhe cabe em sua região e para se fazer respeitado no mundo.

Direitos do Brasil - MATIAS SPEKTOR

FOLHA DE SP - 08/08


Chávez está mais amarrado e enfraquecido que nunca com a entrada no Mercosul; boa hora para o Brasil atuar



Nenhuma área de nossa política externa sofre tanto de confusão, dúvida e desunião quanto a dos direitos humanos.

Há dois extremos. De um lado, argumenta-se que diplomacia pró-direitos humanos é moda a ser resistida. Afinal, quem somos nós para impor condições a terceiros?

No outro extremo do espectro, ouve-se que a política externa na matéria deveria refletir a trajetória histórica de nosso povo: depois de tanto autoritarismo e desigualdade, ter uma diplomacia voltada para os direitos humanos seria uma obrigação moral.

Ontem, esta Folha deu vazão ao tema, mostrando diferentes opiniões a respeito da dura resposta brasileira aos questionamentos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre Belo Monte.

Em coluna de opinião, um diplomata lotado no Palácio do Planalto defendeu o governo. Descartou as críticas assim: se nossa diplomacia de direitos humanos é criticada pelo governo dos EUA e se a política americana de direitos humanos é hipócrita, então as críticas à postura brasileira são hipócritas.

Essa fórmula foi desenhada pelo regime militar em 1977. Em visita a Brasília, a primeira-dama americana trouxe uma lista com nomes de presos políticos da ditadura na esperança de que fossem soltos. O chanceler brasileiro, irado, entregou-lhe, em troca, uma lista de presidiários americanos que haviam sofrido violência no cárcere. Violação de direitos humanos tem em todo canto, não é? O que fazer, então?

O problema ganha relevo agora. A Venezuela, um de nossos principais parceiros regionais, padece de graves problemas de direitos humanos. O argumento tradicional -não fazer nada- faz algum sentido. Criticar o governo de Hugo Chávez frontalmente apenas criaria atrito, ressentimento e desconfiança, sem garantia de resultados.

Nesse caso, contudo, não fazer nada seria nefasto. O Brasil estaria contribuindo, na prática, para piorar a situação: afinal, Chávez utiliza a entrada de seu país no Mercosul como grande triunfo em seus embates internos.

O negócio é moldar a conduta brasileira com vistas a facilitar a realização de nossos interesses.

Na prática, isso significa contribuir para um ambiente político estável no longo prazo. Chávez não vai durar para sempre.

O Brasil pode ajudar a Venezuela a construir instituições decentes e representativas -temos experiência de sobra na transformação de uma sociedade com veio autoritário em democracia participativa.

O Judiciário brasileiro poderia estreitar laços com suas instituições irmãs na Venezuela. Hoje em dia não se faz quase nada nessa área.

O governo também poderia facilitar contato entre as duas sociedades civis. A OAB, por exemplo, tem inúmeras contribuições a fazer do lado de lá.

Não se trata de intervencionismo à brasileira, mas de uma contribuição autointeressada e realista.

O Brasil trouxe a Venezuela para dentro de seu principal projeto regional porque prefere ter Chávez na tenda cuspindo para fora a tê-lo fora da tenda cuspindo para dentro.

Agora ele está mais amarrado do que em qualquer momento do passado. Também está mais enfraquecido. É boa hora para atuar.

GOSTOSA


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


FOLHA DE SP - 08/08

Com aporte de R$ 250 mi, empresa constrói porto flutuante no Amazonas

O grupo pernambucano Dislub Equador trabalha no desenvolvimento de um porto flutuante no Norte do país que poderá operar durante todo o ano, inclusive no período de seca.

O cais do terminal privado subirá e descerá acompanhando o nível do rio Amazonas e será usado por navios com capacidade para até 80 mil toneladas de combustível.

"São 14 metros que o rio desce na época de seca, inviabilizando a navegação de embarcações carregadas", afirma Humberto Carrilho, sócio do grupo.

"Foi uma oportunidade de negócio que surgiu e que deve resolver um grave problema da região", acrescenta.

A empresa também irá expandir sua área de armazenagem de combustível com duas novas bases de estocagem, uma no Rio Grande do Norte e outra no Amazonas.

O grupo destinou R$ 280 milhões para o desenvolvimentos dos três projetos. A expectativa é que, quando concluídos, eles aumentem em 10% o faturamento da empresa, que foi de R$ 1,5 bilhão no ano passado.

A nova base da região Norte ficará em Itacoatiara (AM), mesma cidade onde o porto está sendo construído. Essa será a primeira base do grupo que prestará serviços a terceiros. A Petrobras deverá ser a principal cliente, de acordo com Carrilho.

O empreendimento terá capacidade para 160 milhões de litros. A partir de janeiro do próximo ano, tanques para 60 milhões de litros já deverão estar em operação.

A área de armazenamento do Rio Grande do Norte, que irá atender apenas o grupo, será em Guamaré e poderá receber até 13 milhões de litros. As obras devem ser concluídas em janeiro de 2013.

Hoje os tanques da empresa, distribuídos em seis bases no Norte e duas no Nordeste, somam 25 milhões de litros.

Cresce aluguel de condomínio industrial no Brasil

O preço de locação de condomínios industriais de luxo atingiu o valor mais alto dos últimos dois anos, segundo estudo da Colliers.

Ao final do segundo trimestre deste ano, o valor médio do aluguel do setor foi de R$ 19,70 por mês por metro quadrado.

"A tendência é que não suba mais daqui para frente, mas ainda é cedo para sabermos se vai cair ou estabilizar", diz Ricardo Betancourt, presidente da companhia.

Com a entrada de novas unidades no mercado nos últimos meses, a taxa de vacância no país subiu de 6%, ao final de 2011, para 6,8%, em junho deste ano.

"Esse índice deve subir mais um pouco para ficar entre 7% e 10%, que é um valor de equilíbrio para o mercado, sem exercer pressão sobre o preço", diz Betancourt.

No Estado de São Paulo, a taxa de vacância é de 7,8%.

Distrito Federal e Ceará têm os números mais elevados, de 32,1% e 30,7%, respectivamente, segundo o estudo. As taxas de Amazonas, Pará e Pernambuco estão em 0%.

ALEMANHA NO SALÃO

Pela primeira vez, o festival Oktoberfest será realizado também em São Paulo, nos moldes do evento que acontece em Blumenau.

Já são promovidas na cidade festas inspiradas no tema, mas para públicos menores.

O novo evento, que acontecerá no Anhembi, estima receber mais de 100 mil visitantes em três noites e dois dias de novembro, segundo a organizadora TedCom.

"Faremos uma estrutura cenográfica com aporte de R$ 8 milhões", diz Madelon Tedesco, diretora da empresa.

ESPERA NO TELEFONE
Metade das provedoras de call centers da América Latina admite que clientes consideram o serviço impreciso ou confuso, segundo a Amdocs, multinacional de tecnologia.

Para 78% das companhias do setor, a quantidade de ligações recebidas cairia se fossem usadas as tecnologias certas de autoatendimento.

O uso de call centers é a primeira opção do cliente para resolver problemas na opinião de 48% das empresas.

NÚMEROS

78% das empresas do setor dizem que diminuiriam o número de chamadas se usassem as tecnologias adequadas

88% das ligações têm o objetivo de buscar informações sobre pagamento ou uso de produto

55% admitem que mensagens proativas irritam os clientes

Taça A importação de vinhos do Chile cresceu 3% no primeiro semestre, segundo a associação do setor Wines of Chile. Em maio, exportaram ao Brasil cerca de 9,5 milhões de litros de vinho. O Chile tem 37,5% de participação de mercado, segundo a entidade.

Qualificação Quase 90% das empresas ouvidas pela Fundação Nacional da Qualidade têm dificuldade para contratar profissionais capacitados. Segundo a pesquisa, 92% afirmaram que investem em projetos para qualificar seus funcionários.

EM OBRAS

As vendas de asfalto no país voltaram a registrar alta em julho, para 259 mil toneladas, segundo o Sinicesp (sindicato de construção pesada).

Em junho, foram consumidas 221,5 mil toneladas.

"O país já consumiu um nível maior do produto no passado recente, quando até a importação foi necessária. Agora, volta a tendência de alta", diz Helcio Farias, do sindicato. O volume tem sido puxado por obras de prefeituras, em ano eleitoral, segundo Farias.

PORTA-JOIA

O designer de joias Ara Vartanian vai abrir a primeira loja da grife no Rio de Janeiro em novembro.

A marca, que já produzia peças únicas, passa a investir também em campanhas direcionadas a um único produto.

Entre as peças há uma pulseira que levou um ano para ser confeccionada e carrega 96 diamantes.

As peças variam de R$ 5.000 a R$ 120 mil.

A empresa também vai abrir um espaço na NK Store, em São Paulo. "Além das nossas peças, teremos as nossas outras duas linhas, de preços mais comerciais", afirma Vartanian.

Nova tentativa - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 08/08


Um tanto tardiamente, o governo Dilma pretende corrigir agora dois graves erros de foco de sua política econômica. Se vai dar certo ou não, depende de muita coisa.

Em agosto do ano passado, foi lançado o Plano Brasil Maior, complementado com outros pacotinhos, com o objetivo de criar políticas anticíclicas destinadas a dar melhores condições de resposta da economia à crise global e à paradeira que se esboçava no mercado interno.

O primeiro erro de foco foi seu viés excessivamente voltado para o consumo, dentro do pressuposto de que bastaria expandir um mercado de massas para que a produção viesse atrás. Por isso, o governo federal permitiu o aumento dos salários, acionou o crédito dos bancos comerciais e baixou alguns impostos que oneram bens de consumo. Deu errado, a indústria não acompanhou por incapacidade competitiva. Os custos, altos demais, seguraram os investimentos e o aumento de capacidade de produção.

O outro equívoco foi a política de favorecimento, com crédito do BNDES e com estímulos fiscais, de campeões previamente escolhidos: as montadoras de veículos, a indústria de aparelhos domésticos, o setor têxtil, os produtores de máquinas, de calçados, de materiais de construção e de móveis.

Ou seja, em vez de garantir competitividade para todo o setor produtivo, a opção foi turbinar ou a turma que grita mais ou os mais chegados.

Os resultados não entusiasmam. O setor produtivo se mantém prostrado, os contemplados entendem que as decisões de política econômica que os beneficiaram asseguraram só antecipação de compras. E o setor privado parou de investir porque a política voltada para a produção, baseada em critérios de preferência sempre aleatórios, criou mais incerteza do que um ambiente saudável para decisões de longo prazo.

Agora, o governo Dilma parece convencido de que a política voltada para o consumo está esgotada e que é necessário buscar o investimento. E também parece crer em que o custo Brasil ficou insuportável para o setor produtivo, altamente pressionado pela crise global, e que é preciso tratar de reduzi-lo. A política de desoneração da folha de pagamentos, ainda que sua execução tenha criado perigosas distorções, como a intensificação da tributação sobre o faturamento, foi o primeiro reconhecimento de que é preciso avançar nessa direção. O governo, então, pretende atacar também o custo excessivo da energia elétrica, o quarto mais alto do mundo, como apontam algumas avaliações.

O pacote em gestação pretende estimular em novas bases os investimentos em infraestrutura. Nessa empreitada, esbarra com duas limitações imediatas. A primeira é a falta de recursos. O BNDES vem se abastecendo de fundos diretamente no Tesouro e, com isso, consegue escapar ao crivo do Congresso, encarregado da fiscalização do uso das verbas orçamentárias. Mas, desde 2009, os ativos do BNDES saltaram 62% e sua capacidade de expansão se mostra saturada.

A segunda limitação é a ausência de regras confiáveis de jogo que consigam acionar o setor privado. Uma política montada em favorecimentos, reservas de mercado (às claras ou disfarçadas) e exigências excessivas de conteúdo local não é sustentável.

A política dos remendos - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 08/08


As dificuldades do governo para fechar o novo pacote de estímulos à indústria e o prejuízo da Petrobrás no segundo trimestre são páginas da mesma história. Sem novidades para apresentar aos industriais, a presidente Dilma Rousseff adiou um encontro com dirigentes de grandes empresas. O embaraço é facilmente explicável. É cada vez mais complicado encontrar espaço no Orçamento Geral da União para desonerações tributárias. Mantém-se a gastança e a indispensável reforma dos impostos e contribuições continua empurrada para o dia do Juízo Final. Quanto aos problemas da Petrobrás, são obviamente resultantes de um estilo de governo implantado há nove anos e caracterizado pela visão de curto prazo, pela baixa disposição de enfrentar problemas complexos, como os fiscais, e pela tentação permanente de politizar as decisões econômicas. A contenção dos preços da gasolina, os problemas na construção de refinarias e o lançamento oficial de um petroleiro sem condições de navegar - só ficaria pronto dois anos depois - são demonstrações desse estilo.

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, tem-se mostrado disposta a mudar a gestão da empresa, a enfrentar os problemas e até a exibir esqueletos guardados por vários anos, como os erros da política de preços, o irrealismo das metas e o mau planejamento das novas refinarias. Se persistir nessa atitude e for mantida no posto, forçará mudança pelo menos numa área da gestão federal. Talvez essa mudança contamine outras áreas da política econômica, mas, por enquanto, a maior parte desse quadro parece altamente improvável.

O País continua a uma boa distância de uma crise cambial, embora esses erros tenham afetado seriamente as contas externas. As exportações emperraram, as importações cresceram, o déficit em transações correntes aumenta de forma sensível e deverá continuar aumentando nos próximos anos. Está pouco acima de 2% do produto interno bruto (PIB), por enquanto, e poderá passar de 3% nos próximos cinco anos, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os sinais são ruins e o quadro é muito desfavorável à indústria brasileira, atropelada no País e no exterior por vários competidores mais dinâmicos. Apesar disso, as contas externas ainda parecem administráveis e, além disso, o Brasil tem uns US$ 380 bilhões de reservas cambiais, um respeitável colchão de segurança.

Essas reservas, o desemprego ainda baixo e o vigor do consumo são dados inegavelmente positivos, mas igualmente inegáveis são os sinais de deterioração econômica. A perspectiva é animadora pelo menos para os admiradores do calote argentino, da falsificação de estatísticas, do protecionismo, do racionamento de moeda estrangeira, da pressão contra a imprensa e do intervencionismo autoritário. Se continuar no rumo seguido até agora, o governo brasileiro acabará chegando lá e atendendo às aspirações de ilustres economistas defensores do "modelo" kirchnerista. Para isso, bastará a presidente Dilma Rousseff continuar favorecendo setores escolhidos, produzindo remendos tributários, brincando com o investimento público, sujeitando a Petrobrás e outras estatais a objetivos partidários, engessando o Orçamento e perpetuando uma administração de baixíssima qualidade.

O emperramento da indústria brasileira resulta principalmente desses fatores, porque a demanda interna se manteve robusta nos últimos anos e pouco foi afetada pela crise internacional. A estagnação na Europa, a recuperação muito lenta nos Estados Unidos e a perda de vigor de alguns grandes emergentes têm com certeza atrapalhado a economia brasileira. Piorou o mercado de commodities, a competição internacional ficou mais dura e a indústria brasileira está sujeita a pressões excepcionalmente severas. Até o comércio no interior do Mercosul se tornou mais difícil - mas isso se deve em parte à disposição do governo brasileiro de aceitar o protecionismo de seu principal parceiro regional. O retrocesso do Mercosul e a excessiva dependência do fornecimento de commodities à China também refletem a politização, no pior sentido, da estratégia econômica do governo.

A política de remendos tributários, de apoio financeiro a empresas e setores favoritos da corte e de estímulo ao consumo, sem atenção às condições estruturais de eficiência, chegou claramente ao limite. Se apenas ampliar a lista de indústrias beneficiadas com estímulos, o governo oferecerá mais do mesmo. Há uma diferença oceânica entre a mera multiplicação de ações pontuais e a adoção de medidas gerais para aumentar a produtividade geral da economia. Mantida a orientação seguida até agora, será cada vez mais difícil conciliar a concessão de estímulos com as restrições orçamentárias. É difícil apostar em mudança. Por enquanto, a maior parte do governo parece imune ao surto de racionalidade detectado na Petrobrás.

Jogo dos muitos erros - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 08/08


Num ano o governo não reajusta a gasolina porque tem eleição; no seguinte, porque a inflação subiu; no terceiro ano, porque tem eleição. Como a democracia veio para ficar, e nela vota-se com frequência, o governo deve deixar a economia fora disso. A importação de gasolina, em dólares, aumentou 374% no primeiro semestre, a Petrobras teve prejuízo, e o setor de etanol está desorganizado .

Os efeitos colaterais da decisão do governo de manter o preço artificial da gasolina estão se acumulando. Os dados da ANP mostram que de janeiro a junho foram gastos US$ 1,56 bi com a importação do produto, quase o mesmo valor importado em todo o ano de 2011. A exportação caiu 60% e foi de apenas US$ 48 milhões. Veja o gráfico. Aconteceu o mesmo com o óleo diesel: as exportações caíram 50% no primeiro semestre, enquanto as importações subiram 30%. A balança comercial do produto ficou negativa em US$ 3,5 bi. Em 2011, fechou no vermelho em US$ 7 bi .

Os números mostram a completa falta de sentido da política de combustíveis. A Petrobras compra lá fora por um preço mais alto do que vende aqui dentro, tem prejuízo e incentiva o consumo de combustível fóssil.

O mérito da presidente da Petrobras, Graça Foster, foi falar com sinceridade. José Sérgio Gabrielli sempre alegava que não iria repassar a volatilidade. Não era isso, tanto que os outros preços, como os de querosene de aviação e de gás para a indústria eram - e são - reajustados mensalmente. Graça admitiu que a defasagem no preço do diesel ainda está em 20,6%. Na gasolina, a diferença é de 18,1% .

O desequilíbrio no mercado de óleo diesel é antigo. As importações do produto já haviam disparado em 2006 e 2007 e só interromperam a trajetória de alta por causa da crise financeira de 2008, que levou a economia brasileira à recessão. Tanto o governo quanto a Petrobras tiveram tempo para mudar esse cenário.

Não mudaram e ainda entraram em outras decisões controversas, como a construção da refinaria Abreu e Lima, projetada para ser feita pela Petrobras e PDVSA e para processar petróleo venezuelano. A Petrobras banca tudo sozinha e o custo da obra deu um salto mortal: de US$ 4 bilhões para US$ 26 bi. Além disso, está atrasada .

O governo incentivou a compra de carro, segurou o preço do combustível e atrasou investimento em infraestrutura. Isso elevou a importação de gasolina e diesel, o que traz o prejuízo para a Petrobras. A indústria do etanol, sem horizontes, encolheu os investimentos. No ano passado, o país importou um bilhão de litros de álcool, e a ideia era que o Brasil virasse exportador .

Na mudança para o diesel com menos enxofre o governo errou também. Nos outros países o S50 substituiu o diesel velho. No Brasil, depois de adiar por vários anos a adoção do combustível menos poluente, a política foi manter os dois produtos. Como o novo custa 5% a 6% mais caro, toda a frota antiga usa o velho. Os postos de gasolina investiram na estrutura para o novo combustível - 2.800 postos estão com o produto - mas as vendas do S50 são de apenas 6% do total. As montadoras não estão conseguindo vender os novos modelos de caminhões e ônibus porque ninguém quer pagar mais pelo combustível tendo a opção do produto sujo e mais barato .

Poucas vezes se viu uma política que provoca tantos equívocos ao mesmo tempo .

México versus Brasil - CRISTIANO ROMERO


Valor Econômico - 08/08


Brasil e México há tempos se revezam no posto de maior economia da América Latina. Nos anos 90 do século passado, o PIB mexicano, apesar da grave crise financeira de 1994, cresceu de forma mais rápida e chegou a superar o brasileiro (em 37%, em 2002, se medido em dólar americano). Na primeira década do novo século, deu Brasil. Neste momento, a economia mexicana dá sinais de maior dinamismo, enquanto a brasileira começa a fraquejar.

Mais importante que descobrir o vencedor de um suposto campeonato entre países é identificar as razões que permitiram ao Brasil crescer de forma mais vigorosa no período mencionado e as que estão levando o México a acelerar seu ritmo de expansão. Depois de praticamente dobrar a velocidade de crescimento nos anos 2000, a economia brasileira voltou a crescer a taxas medíocres (2,7% em 2011 e provavelmente menos de 2% em 2012). A mexicana, após quase uma década de baixo crescimento, avançou 3,9% no ano passado e neste ano, segundo estimativa do FMI, deve expandir-se à taxa de 3,6%.

Economistas da Nomura Securities estimam que, sob as condições atuais, o México pode alcançar taxa média de crescimento anual de até 4,75% entre 2012 e 2022, enquanto o Brasil corre o risco de patinar, avançando, no mesmo período, a 3,25% ao ano, na melhor das hipóteses. Nesse ritmo, o PIB mexicano superaria o brasileiro dentro de dez anos.

No ritmo atual, México pode passar o Brasil em 2022

O recente sucesso brasileiro está relacionado ao boom dos preços de commodities deflagrado, em 2003, pelo rápido crescimento da China. Esse fenômeno fez o Brasil especializar-se na produção de commodities, realocando capital para essa área. O processo, na opinião de um grupo de analistas da Nomura liderado por Tony Volpon, provocou um impulso único na chamada Produtividade Total dos Fatores (PTF).

A estabilização da economia a partir de 1994 e as reformas econômicas realizadas naquela década, além da adoção do tripé metas para inflação-câmbio flutuante-disciplina fiscal, criaram as condições para a atração de capitais e a expansão do crédito doméstico, que saltou de 25% do PIB em 2005 para 50% do PIB agora. O maior acesso a crédito aumentou a demanda da população por bens e serviços, o que ajudou a incorporar milhões de pessoas ao mercado formal de trabalho e, assim, a reduzir o desemprego, que antes desse movimento estava em 13% nas regiões metropolitanas e hoje está em torno de 6%.

"A qualidade da força de trabalho também melhorou: o número de trabalhadores com educação terciária cresceu 7% ao ano, face a 5% uma década atrás, acrescentando outro impulso ao capital humano do Brasil", observa Volpon.

Nesse período de bonança do Brasil, o México passou a maior parte do tempo digerindo os efeitos das turbulências financeiras dos anos 90 e também da crise de 2007/2008, cujo epicentro foi nos Estados Unidos, economia com a qual tem ligação umbilical. Mesmo tendo avançado em reformas estruturais, promovido privatizações, assegurado independência a seu banco central e fechado inúmeros acordos de livre comércio, entre os quais o Nafta (com EUA e Canadá), a economia mexicana teve crescimento decepcionante.

A contribuição do capital humano ao PIB caiu de uma média anual de 1,1 ponto percentual no período 1992-2001 para 0,6% entre 2002 e 2010. Entre as razões, estão a emergência da China como potência exportadora de produtos industrializados, o baixo nível educacional do operário mexicano, um mercado de trabalho rígido, uma forte emigração para os EUA e a convivência com um enorme mercado de trabalho informal. Outros problemas são o controle estatal absoluto do setor de energia e a existência de oligopólios e monopólios nos setores privatizados (telecomunicações e cimento, por exemplo). A PTF caiu, no período, de 0,5% para 0,1%.

Os economistas da Nomura acreditam que a sorte do México está mudando em função basicamente de dois fatores: o desaquecimento do mercado imobiliário americano, que está forçando imigrantes mexicanos a retornarem a seu país, e o aumento dos custos de trabalho na China. Multinacionais industriais estão procurando o México em busca de custos menores. Isso ajudará a aumentar a PTF da economia, que vai se beneficiar também da maior contribuição da força de trabalho ao crescimento. Um outro fator favorável é o renascimento da indústria americana, à qual a indústria mexicana está integrada.

É importante observar que o avanço da PTF do México dependerá da aprovação, pelo Congresso, de algumas reformas. A equipe do candidato presidencial líder das pesquisas, Enrique Peña Nieto, tem defendido a desoneração da folha de pagamento. Os parlamentares discutem ainda mudanças que permitam maior flexibilidade no mercado de trabalho. Para analistas da Nomura, essas novidades podem elevar a contribuição da PTF ao crescimento em até dois pontos percentuais ao ano.

No caso do Brasil, os analistas preveem que a contribuição do capital humano e da PTF será limitada daqui em diante, ao contrário do que ocorreu no período entre 2002 e 2010. Ademais, o modelo de crescimento adotado pelo país tem privilegiado o setor de serviços, de menor produtividade. A taxa de desemprego já está em sua mínima histórica, deixando pouco espaço para a contribuição da força de trabalho.

"O surto de crescimento da PTF no Brasil não é duradouro porque, por natureza, o setor de commodities (a exceção é o setor petrolífero) não incorpora grandes inovações tecnológicas, ou pelo menos não no mesmo ritmo que o setor industrial. Portanto, depois de um rápido "take off" (decolagem), à medida que especializamos a nossa economia em commodities, com a indústria perdendo peso, nossa PTF cai e, portanto, também o nosso crescimento", diz Volpon, que divulgará estudo sobre o tema nesta quarta-feira.

No fundo, a análise da Nomura revela ceticismo quanto à eficácia de inúmeras medidas que o governo Dilma Rousseff vem adotando para reduzir os custos de produção e investimento no Brasil. Uma parte do que o México quer fazer, como a desoneração da folha, o governo brasileiro já fez para 15 setores e vai ampliar a lista. Brasília prepara também, entre outras medidas, concessões ao setor privado em todas as áreas de infraestrutura. São ações que, uma vez implementadas, terão efeito positivo na capacidade de crescimento da economia.

Brincadeira olímpica - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE S.PAULO - 08/08


SÃO PAULO - Em termos puramente racionais, é difícil encontrar algo mais estúpido do que um esporte olímpico. Não faz sentido que algumas pessoas dediquem suas vidas a ver quem atira mais longe um pedaço de pau ou a tentar superar, às vezes por milésimos de segundo, um desconhecido num percurso terrestre ou aquático que liga nada a lugar nenhum. Pior mesmo só entusiasmar-se à distância com esses eventos, como fazemos os torcedores.
Se é incoerente e todo mundo adora, estamos diante de um fenômeno que vale a pena investigar. Quem oferece pistas interessantes é o hoje quase esquecido historiador holandês Johan Huizinga (1872-1945). Para Huizinga, a ideia de jogo é central para a civilização. Em seu "Homo Ludens", o autor afirma que todas as atividades humanas, incluindo filosofia, guerra, arte, leis e linguagem, podem ser vistas como o resultado de um jogo, ou, para usarmos a terminologia técnica, "sub specie ludi" (a título de brincadeira).
A escrita alfabética surgiu porque um escriba com gosto por trocadilhos infames brincou com sons, significados e símbolos. A filosofia não é muito mais que um grande jogo de conceitos. O direito, então, é pura encenação. Na Inglaterra, advogados e juízes ainda usam perucas (por aqui só sobrou a toga), evidência de que o mundo das leis tem muito de teatro.
Huizinga define jogo como "atividade ou ocupação voluntária executada dentro de certos limites fixos de tempo e espaço, de acordo com regras livremente aceitas, mas absolutamente restritivas, que tenha seu fim em si mesma e que se faça acompanhar de um sentimento de tensão, alegria e da consciência de que ela difere da vida ordinária".
Paradoxalmente, é porque não serve para nada que o esporte provoca tanto fascínio. Ele nos lança num mundo de brincadeira, tão afastado das agruras do dia a dia que não precisamos nem nos curvar aos imperativos da razão.

ISIS PARA VERDE - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 08/08

A atriz Isis Valverde diz à revista "Boa Forma" deste mês que, antes de interpretar a sensual Suelen na novela "Avenida Brasil" (Globo), achava suas pernas "mais finas do que gostaria" e o "bumbum pequeno". Agora, aos 25 anos, alcançou as coxas almejadas praticando remo de pé em cima de prancha de surfe e caminhando com seus três cachorros de estimação. "Não gosto muito de ficar parada, porque me dá nervoso", ela afirma.

COM A MÃO NO BOLSO
O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ganhou ação contra a delegada Nilze Scapulatiello por dano moral. Em 2010, ela determinou sua prisão e o deixou pelado em uma cela, sem comunicação com família e advogados. A indenização é de R$ 30 mil.

FIRME E FORTE
Souza havia sido detido porque portava uma joia roubada, que alegou ser de um comerciante que tentava vendê-la. Na delegacia, ficou "sem vestes por tempo superior ao estritamente necessário para revista pessoal", diz o juiz. Ele foi representado pelo advogado Fernando Lottenberg. A delegada alegou que apenas agiu com "firmeza" e pode recorrer.

LINHA CRUZADA
Depois da prisão, o executivo ficou conhecido como "homem-bomba" por supostamente saber segredos do PSDB. Quando foi preso, ele tentou telefonar para o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, seu amigo pessoal.

LINHA DIRETA
Lula telefonou anteontem para José Dirceu em sua casa, em Vinhedo (SP). Elogiou o desempenho do advogado José Luis Oliveira Lima pela defesa oral do ex-ministro no caso do mensalão, no STF (Supremo Tribunal Federal).

AVENTURA
Dirceu não viu toda a defesa. Na hora, estava assistindo ao filme "As Aventuras de Tintim", de Steven Spielberg, segundo sua família. Como fica ansioso, ele receberia informes da namorada, Evanise Santos, e de assessores que acompanham tudo numa sala ao lado.

SERÁ?
Eles dizem que, no dia em que o procurador-geral, Roberto Gurgel, lia a denúncia que o aponta como chefe da quadrilha do mensalão, Dirceu dormiu numa rede.

TRAVESSEIRO
E um ministro do STF justifica a foto em que os colegas Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes aparecem dormindo bem no meio da exposição dos advogados dos réus do mensalão. "Já lemos centenas de documentos e ouvimos aquelas alegações centenas de vezes." Segundo o mesmo magistrado, a maioria deles já têm pronto o "esqueleto" de seu voto.

STRIP-VESTIBULAR
As feministas do grupo Femen, que protestam de topless, estão aplicando prova para admitir novas integrantes no Brasil. O teste acontecerá até hoje, no café Starbucks da alameda Santos, e tem perguntas como "o que é turismo sexual?" e "o que você acha do parto humanizado?". "É só para perceber se a menina é comprometida ou só quer sair na 'Playboy'", diz Sara Winter, líder do grupo no país.

STRIP-VESTIBULAR 2
Sara diz que uma terceira jovem acaba de ser aprovada no grupo em SP. Ao contrário das duas primeiras, ela foge do padrão "Playboy".

"Seu corpo é o que a indústria ocidental da beleza chamaria de 'plus size'."

DEU BOLO
A Editora Sextante servirá na Bienal do Livro um bolo de dois metros, reproduzindo capas de Augusto Cury.

O autor paulista já vendeu cerca de 10 milhões de exemplares de títulos como "Você É Insubstituível".

À CASA TORNA
O maestro John Neschling regeu anteontem a Orchestra della Svizzera Italiana. O concerto marcou o retorno do ex-diretor da Osesp à Sala São Paulo após três anos. Estavam lá Milú Villela, presidente do Itaú Cultural, o empresário Henri Slezynger e a mulher, Dora Rosset, o empresário Josef Kurc e Marta Katz Migliori.

OS IMPRESSIONISTAS ESTÃO CHEGANDO
Guy Cogeval, do Museu d'Orsay, veio a São Paulo para a exposição "Impressionismo: Paris e a Modernidade", no CCBB. Foram à abertura a arquiteta Virginia Fienga e a colecionadora Beatriz Pimenta Camargo.

CURTO-CIRCUITO

Fabio Brancatelli amplia a atuação da sua agência Bicofino, que passa a ser multidisciplinar. Ele terá como sócio Ike Levy.

Roberto Magalhães Gouveia comanda leilão de fotografias "vintage" em prol da ONG Childhood Brasil, que atua na área da infância. Hoje, às 19h, no Museu da Casa Brasileira.

Alexandre Birman inaugura sua nova loja de sapatos, no shopping Iguatemi, hoje, às 19h.

Luiza Setubal promove lançamento da nova coleção da LOOL no shopping JK Iguatemi, às 18h.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI, LÍGIA MESQUITA e OLÍVIA FLORÊNCIA

De acordo com o roteiro - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 08/08


Logo no primeiro dia da fase dedicada à defesa dos réus da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF) - o processo do mensalão -, os advogados dos principais acusados colocaram as cartas na mesa e muito provavelmente nenhuma grande novidade surgirá daqui para a frente, até o momento crucial em que os 11 ministros anunciarão seus veredictos. Até lá, certamente todos os defensores que desfilarão pela tribuna, seguindo o exemplo dos primeiros a se manifestar, devem bater na mesma tecla, que é a palavra de ordem lançada pelo ex-presidente Lula - depois de ter pedido desculpas para o povo brasileiro pelo "malfeito" do PT: o mensalão é uma farsa, nunca existiu. O que pode ter acontecido, já admitiu Arnaldo Malheiros, advogado de Delúbio Soares, é apenas a prática do crime de caixa 2 destinada a possibilitar o pagamento dos débitos que o PT contraiu na campanha eleitoral de 2002.

De fato, diante da denúncia de um sofisticado e atrevido esquema criminoso destinado a comprar apoio parlamentar ao governo petista, caixa 2 pode parecer coisa pouca. Mas não deixa de ser crime. Assim, mesmo antes do julgamento, o advogado de Delúbio Soares já admitiu que há pelo menos o praticante de um crime, no caso, prescrito, sentado no banco dos réus: seu constituído.

É curioso o raciocínio exposto pelo defensor do antigo tesoureiro do PT: "Delúbio é um homem que não se furta a responder por aquilo que fez. Ele fez caixa 2, isso ele não nega. Agora, ele não corrompeu ninguém". Não corrompeu ninguém? Na verdade, fez muito pior: ajudou a corromper o sistema eleitoral, comprometendo com isso a legitimidade da representação popular dele decorrente. Mas, considerando que esse crime foi praticado em seu benefício, os petistas não dão a ele a menor importância, a ponto de já terem reabilitado publicamente o criminoso confesso, readmitindo-o em suas fileiras depois de tê-lo expulsado, para salvar as aparência, no calor da explosão do escândalo.

O defensor de José Dirceu - réu apontado pela Procuradoria-Geral da República e pelas razões que todo o Brasil conhece como o principal responsável pelo esquema de compra de apoio parlamentar - comoveu seu próprio constituído pelo empenho com o qual procurou demonstrar à Suprema Corte que o então homem forte do governo Lula não era, na verdade, tão forte assim. Não tinha nem mesmo ingerência, acredite quem quiser, sobre o PT, apesar da assiduidade com que dirigentes partidários como o próprio Delúbio Soares frequentavam seu gabinete.

Já quem chefiava o partido, José Genoino, só carrega a "culpa", segundo o advogado Luiz Fernando Pacheco, de ter sido o presidente da legenda: "Ele não é réu pelo que fez ou deixou de fazer, mas é réu pelo que ele foi".

De tudo o que se ouviu no plenário do STF nas primeiras manifestações dos defensores dos 38 réus, a clara impressão que fica é a de que, se existe algum culpado por eventuais irregularidades praticadas pelo PT durante o primeiro mandato de Lula, esse culpado é o sistema político brasileiro. Esse mesmo sistema que os políticos não demonstram o menor interesse em reformar.

De qualquer modo, neste que tem sido considerado, com toda razão, um dos mais importantes julgamentos da história do STF, advogados, procurador-geral e ministros têm até agora cumprido o papel que deles se pode esperar. Não chega a ser surpreendente nem mesmo a decisão do ministro Dias Toffoli de não se considerar impedido de participar do julgamento, apesar de ter sido assessor de José Dirceu e advogado do PT - "qualificações" que o presidente Lula não ignorava quando o escolheu para integrar a Suprema Corte.

De acordo com a liderança lulopetista, a mídia já teria, por conta própria, "condenado" os réus do mensalão e com isso "contaminado" a opinião pública, criando uma forte pressão sobre os ministros e transformando este num julgamento "político". Se isso é verdade, se a opinião pública realmente já tomou partido nesse assunto, pode ser ruim para os petistas, mas é bom para o advento de uma onda de moralização das práticas políticas.

Isso não está nos autos, mas seria bom que fosse levado em consideração pela maioria dos ministros do Supremo.

De corpo presente - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 08/08



Inerte diante de depoentes silentes, condescendente ante o atraso no cruzamento de dados indicativos dos caminhos percorridos por uma organização mafiosa no aparelho de Estado e apática frente a ameaças contra um juiz e uma senadora, a CPI do Cachoeira está prestes a assinar seu atestado de óbito.

A retomada dos trabalhos ontem confirmou as piores expectativas sobre uma comissão de inquérito criada sob a égide torta da vingança: não há unidade de ação e o pensamento de parte de seus integrantes é que a maioria esteja interessada na dispersão intencional de propósitos.

A certa altura da sessão o deputado Miro Teixeira foi claro a respeito: "Há no ar uma suspeita de que existem movimentos feitos com o objetivo de não se chegar a lugar algum. A continuar assim é melhor acabar de vez com a CPI", disse, expressando a insatisfação de integrantes da comissão cujos objetivos independem de conveniências partidárias.

Houve reação explícita à concentração das ações da CPI nas mãos do relator Odair Cunha que, aliás, já se disse convencido de que o esquema Cachoeira não atuou para além das fronteiras da Região Centro-Oeste.

Isso a despeito de a construtora Delta, de quem já se descobriram repasses de mais de R$ 300 milhões a empresas fantasmas da organização, ter crescido a partir da atuação no governo do Rio de Janeiro e chegado a ser a maior contratada das obras do PAC.

A desconfiança sobre rumos e objetivos da CPI não é novidade, dada sua origem.

Mas, o que se viu ontem quando a comissão se absteve de questionar a mulher de Cachoeira, nem se diga sobre a tentativa de chantagear um juiz, mas sobre as ameaças denunciadas pela senadora Kátia Abreu a respeito de quem lady Cachoeira andou espalhando maledicências sobre as quais a senadora a confrontou diretamente, foi inusitado.

Em matéria de renúncia de prerrogativas, algo inédito até mesmo para um Parlamento habituado a se acovardar.

Linha auxiliar. Do lado de fora do Supremo, advogados atuam apelando a outras instâncias na tentativa de interditar a fruição do assunto mensalão na sociedade.

O grupo já pediu à Justiça Eleitoral que "fique atenta" à apresentação do tema no horário eleitoral, sugeriu manifestação judicial pela inconveniência do julgamento em ano de eleições, deu abrigo à ideia do PT de proibir o uso do termo "mensalão" e anuncia que representará contra a cartilha feita pelo Ministério Público para explicar o caso a crianças e adolescentes.

Os advogados alegam defesa dos interesses da sociedade.

Interesses que não contam com a mesma diligência quando são agredidos pela verdadeira celebração que os advogados fazem no STF do usufruto de "recursos não contabilizados" nas campanhas eleitorais.

Vinculante. Em caso de condenação de Marcos Valério, complica-se a situação do ex-senador Eduardo Azeredo no processo do mensalão mineiro (ainda sem data para julgamento), matriz do esquema montado pelo publicitário para arrecadar dinheiro para a campanha à reeleição de Azeredo ao governo de Minas e depois adotado pelo PT em âmbito nacional.

Faro fino. Bom para Fernando Haddad é que a maioria dos eleitores não está atenta a detalhes. Senão, seria o caso de se perguntarem porque deveriam apoiar o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo se a presidente Dilma e a senadora Marta não se sentem na obrigação de dar uma força ao correligionário.

Ilha. Demóstenes Torres confraternizando com advogados atuantes no julgamento em curso no STF ao pé no piano do Piantella é uma daquelas cenas que fazem a fama muitas vezes injusta, mas nem sempre, de Brasília.

O PT patrão - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 08/08


Ao endurecer com servidores em greve, o governo comprou briga com a ala sindical do PT, berço do partido. Coordenador do Ministério do Planejamento, César Brod pediu demissão após ser orientado a cortar o ponto de grevistas. Em carta, critica a gestão petista. "O PT patrão parece não ter aprendido com sua própria história. Apenas aprimora táticas de pressão psicológica e negociação questionável daqueles com os quais negociou na época em que a greve era sua", diz o texto.

Ideologia 
Para aliados do governo, Brod adotou "conduta ideológica'' na pasta. Titular do setor de inovações tecnológicas, ele pediu afastamento ao secretário Delfino Natal, que o indicou.

Outro lado O ministério diz que a paralisação é direito dos servidores, mas tem obrigação legal de descontar os dias dos funcionários que se ausentarem no trabalho.

Remoto 
Tão logo terminou o terceiro dia do julgamento do mensalão, advogados e assessores de José Dirceu fizeram reunião pelo Skype com o ex-ministro, recluso em Vinhedo (SP). Ele estava aliviado, segundo auxiliares. A despeito do otimismo atual, foi aconselhado a manter silêncio obsequioso.

Imprevisível Os primeiros dias da defesa animaram os advogados. Eles, que achavam que os 11 ministros estavam com o voto pronto, agora admitem que ainda estão formando convicção. A tônica é falar em resultado "aberto".

Tréplica 1 Interlocutores de Roberto Gurgel dizem que ele não se abala ante o revezamento de advogados alegando ausência de provas na acusação. "Nenhum ministro se impressiona com isso", garante um procurador.

Tréplica 2 Ministério Público considera irrelevante a questão do crime antecedente para provar existência da quadrilha. "Em crimes de corrupção isso não é importante", diz aliado de Gurgel.

Cada um... Contra a vontade do Planalto, peemedebistas do Senado garantem que o líder Renan Calheiros (AL) será candidato à presidência da Casa em 2013. Em conversas recentes, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) já sinalizou que só deixará a pasta se for ungido ao cargo no Senado.

... no seu quadrado O PMDB reage à interferência do Planalto na disputa e ironiza a ideia de que a eventual saída Lobão do ministério apeará o partido do setor elétrico. "Dilma já tirou tudo da gente. Só sobrou o Lobão", reclama um congressista.

Cantinho Sem vagas na Esplanada, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), descobriu um cargo na Caixa Econômica Federal em New Jersey (EUA) e tratou de indicar aliado para o posto.

Contestômetro 
Dada a largada na cobertura eleitoral da TV Globo, José Serra determinou que sua equipe questione prontamente adversários que usem números que considera "equivocados" sobre suas gestões na prefeitura e no governo paulista.

Câmera, ação Lula desmarcou seus compromissos previstos para hoje e amanhã. Deve iniciar as gravações para Fernando Haddad.

GPS Celso Russomanno encomendou pesquisa para nortear sua agenda a partir desta semana. De posse do mapa de intenções de voto, percorrerá áreas da capital onde tem maior intenção de voto. Só depois irá aos bairros de pior desempenho.

Visita à Folha Juergen Boos, presidente da Feira do Livro de Frankfurt, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Marifé Boix Garcia, vice-presidente.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"A CPI vive o drama daqueles que sabem para onde têm que ir, mas têm medo de embarcar em virtude do destino."

DO SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (PSOL-AP), que enxerga um "acordão" entre PT, PMDB e PSDB para congelar as investigações do esquema Cachoeira.

contraponto

O sono dos justos


A cena dos ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa quase dormindo no julgamento do mensalão é comum na história recente do STF. Paulo Brossard e Maurício Corrêa, que morreu em fevereiro deste ano, eram recorrentemente flagrados em longos cochilos.

No cafezinho, um ex-presidente da Corte lembrou de ocasião em que Brossard cochilava bem na hora do voto.

-Perguntei, ao microfone, como ele votaria.

Com a abordagem em voz alta, o ministro acordou, um pouco atônito e assustado, e respondeu, sem titubear:

-Voto com o relator!

O PIB e a felicidade - ELIANA CARDOSO


O ESTADÃO - 08/08
A presidente Dilma Rousseff causou controvérsia ao afirmar que se mede a Nação não pelo produto interno bruto (PIB), mas pela capacidade de proteção às crianças. Os críticos logo apontaram a forte correlação entre renda e situação infantil. O momento tornou infeliz o palpite fabricado para tampar a falta de resultados na seara do crescimento. Mas se a presidente tivesse o dom da oratória poderia ter trazido à tona temas importantes subjacentes à sua declaração.
Dilma poderia ter lembrado, como fez a revista britânica The Economist na mesma semana, que o PIB "mede tudo, exceto o que faz a vida valer a pena". A frase é de Bobby Kennedy. Retórica? Nem tanto. O PIB inclui a publicidade do cigarro, mas não subtrai a poluição do ar. Inclui a cachaça e as ambulâncias que recolhem as vítimas de motoristas bêbados, mas não subtrai as horas que perdemos em congestionamentos de automóveis. Inclui as fechaduras triplas com que trancamos as portas de nossas casas e os cadeados dos presídios. Soma a madeira da árvore derrubada, mas não subtraio desmatamento da Amazônia. Adiciona os rifles dos traficantes e os jogos de computador que glorificam a violência. Soma geladeiras, armas e carros blindados, mas não subtrai o cheiro dos lixões nem o aquecimento do planeta. O crescimento do PIB proporciona a ilusão da felicidade, enquanto o enriquecimento torna os homens mais aquisitivos e, portanto, cada vez mais insaciáveis e descontentes.

Por que o crescimento superou todos os outros objetivos de política econômica? A origem da ideologia do crescimento surge da década de 1960, com a necessidade de o mundo ocidental enfrentar a corrida armamentista. Países do sistema soviético pareciam crescer mais de pressa que os do sistema capitalista. E, capazes de suprimir o consumo privado, também podiam dedicar maior parcela da riqueza a gastos militares. Por outro lado, o crescimento econômico permitia aos países capitalistas melhorar a posição dos pobres sem aumentar os impostos dos ricos. Mas adiante, a ganância solaparia os valores comunitários, reduzindo ainda mais o bem-estar.

Diante dessa distorção, Blanchflower e Oswald, dois professores de Economia, usaram 100 mil respostas a questionários anuais entre 1972 e 1998 nos EUA e na Inglaterra. Os entrevistados responderam a perguntas como: "De um modo geral, você é feliz?". E outras também sobre rendimentos, emprego, casamento, religião, raça e sexo.Eles usaram as informações dos questionários em equações de felicidade. E confirmaram que minha tia-avó tem razão em duvidar que hoje a humanidade seja mais feliz do que há 50 anos.

Pelo menos no caso dos americanos e ingleses. De acordo com as respostas aos questionários, entre o começo da década de 1970 e o final da década de 1990 a felicidade dos norte-americanos diminuiu e a dos ingleses permaneceu a mesma, embora a renda dos EUA e da Inglaterra tenha crescido bastante no mesmo período.

Blanchflower e Oswald suspeitam que nos últimos 30 anos, apesar do aumento significativo de seus rendimentos, os norte-americanos tenham sofrido uma queda no sentimento de felicidade por causa do aumento do número de divórcios. Para um homem bem casado, a mulher vale em média 100 mil dólares de felicidade por ano. Separação e divórcio são fontes de depressão mais graves do que a morte da cara-metade.

Religião e educação superior aumentam o sentimento de bem-estar, ao passo que o desemprego é uma das principais fontes de depressão. Em média, um norte-americano precisaria receber US$ 60 mil por ano para anular o sentimento de infelicidade provocado pelo desemprego. E a curva da felicidade tem a forma de U em relação à idade. Os níveis de felicidade mais baixos estão associados com idades entre 35 e 45 anos. Depois dos 45 a felicidade volta a crescer.

Pesquisas recentes replicam a metodologia de Blanchflower e Oswald e confirmam muitos de seus resultados. Em parte, porque não é preciso ser um gênio nem dispor de bancos de dados para entender que as pessoas com saúde e emprego são mais felizes do que as doentes e desempregadas.

Na última semana de julho, o Office for National Statistics da Inglaterra publicou o primeiro relatório do bem-estar nacional, baseado em pesquisas que perguntam às pessoas o que sentem sobre sua própria vida. A iniciativa partiu de David Cameron, que denunciou as falhas da contabilidade nacional e pediu outra medida de felicidade além do PIB.

Para coletar dados, 165 mil pessoas foram convidadas a dar notas de 1 a 10 em respostas às seguintes perguntas: em geral, quão satisfeito você está hoje com sua vida? Até que ponto você sente que o que você faz vale a pena? Quão feliz você se sentiu ontem? Ontem você se sentiu ansioso?

As respostas mostraram britânicos felizes. Os que têm parceiros são mais felizes do que os solteiros, viúvos ou divorciados. Os donos de casa própria são mais felizes do que os locatários. Os que têm deficiência e saúde ruim são bem menos felizes e mais ansiosos do que os saudáveis. E confirmando pesquisas anteriores, pessoas de meia-idade também são menos felizes do que as mais jovens ou as mais velhas. Ao que parece, a crise da meia-idade não é mito.

Se a moda das pesquisas sobre felicidade se firmar entre os economistas,dentro de 30 anos teremos uma série temporal com observações suficientemente numerosas para rejeitar a hipótese de que o crescimento do PIB aumenta a felicidade. Então saberemos se a presidente Dilma tinha razão ou se deveria ter seguido as teorias convencionais que utilizam o PIB como referência para o sucesso nacional. Por enquanto, parece razoável admitir que medidas do PIB e da felicidade são imperfeitas e que o bom senso sugere combinar políticas de crescimento sustentável com estabilidade e objetivos sociais.

Mensalão! O Despertar dos Mortos! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 08/08



Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

Mensalão! O "Despertar dos Mortos"! ZUMBILÂNDIA! E a multidão de advogados? 150 advogados? É arrastão ou plataforma de metrô? Arrastão no mensalão!

O Zé Dirceu é um finado vivo! Sabe aqueles filmes de 007? Você dá um tiro, o cara cai, você pensa que ele tá morto, vira as costas e ele te puxa a perna! Rarará! E eu já disse que o grande culpado do mensalão é o Gabeira. Quem mandou ele trocar o embaixador americano pelo Zé Dirceu? Agora não pode reclamar! Rarará!

E o grande injustiçado do mensalão: Professor Luizinho. Que só pegou R$ 20 mil. Professor ganha mal em qualquer área. Até no mensalão! Professor só se ferra! Pior, diz que o mensalão ainda tá na fase oral! Freud explica!

O chargista Paulo Werner inventou três medalhas pras Olimpiadas do mensalão: pizza de ouro, pizza de prata e pizza de bronze! Defesa de Zé Dirceu alega que mensalão é aquele órgão sexual masculino que só comparece uma vez por mês: mensalão!

E adorei essa: "Mulher tranca marido no banheiro porque não quis lavar louça". Dá-lhe Dilma! Rarará! E o resumo das Olimpiadas: perdemos na vara e ganhamos na argola. A paixão nacional! Ganhar ouro em argola foi a coisa mais inusitada.

Só falta o Brasil ganhar ouro em pescaria, porrinha e tiro com rolha! Aquele tiro que fica preso no barbante! E eu quero ouro em esporte de rico: iatismo, hipismo e onanismo! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Ereções 2012! A Galera Medonha! Apelaram pra escatologia! Direto de Petrolina, Pernambuco: "Estrume". Vai dar merda!

E direto de Mirante da Serra, Rondônia: Cagado. Vai dar merda, de novo! Rarará! É hoje, é? Direto de Lopes da Laguna, MS: Ronaldo Porco! Merda, de novo! Rarará! Dúvida cruel: agora não sei se voto no Estrume, no Cagado ou no Porco! Pra onde eu transfiro o meu título? Rarará!

E a última do Debóchenes: "Demóstenes reaparece no Piantella e canta 'Let Me Try Again'". Mas "try" de trair? Let Me Trai Again! Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

A carnavalização do juízo - ELIO GASPARI


FOLHA DE S. PAULO - 08/08


No julgamento do mensalão, foi-se do ritual ao espetáculo e dele a um arriscado carnaval de agosto



QUEREM CARNAVALIZAR o julgamento do mensalão. O procurador-geral, Roberto Gurgel, viu-se acusado de "desonestidade intelectual" pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (pode me chamar de Kakay) numa peça de oratória produzida no piano-bar do restaurante Piantella. Na noite de segunda-feira, o advogado do comissário José Genoino pediu ao pianista que tocasse o tema de "O Poderoso Chefão".

Noutro pretório noturno, o bar do hotel Naoum, advogados de defesa dos 38 réus organizaram uma espécie de "bolão". Como votará a ministra Cármen Lúcia? "Essa condena até Papai Noel." Marco Aurélio Mello: "Subiu no muro".

Do outro lado da tribuna, o ministro Marco Aurélio Mello tornou-se uma espécie de comentarista olímpico do julgamento. Terminada a sessão, discute o processo.

Numa entrevista aos repórteres Fausto Macedo e Felipe Recondo, deu à "Ação Penal 470" uma nova dimensão: "Você acha que um sujeito safo como Lula não sabia?" A pergunta, solta, é uma simples e relevante insinuação. Num voto articulado, pronunciado na corte, seria muito mais. De qualquer forma, Nosso Guia não está acompanhando o caso, pois "tem mais o que fazer". Pena que não declare seu interesse pelo futuro de tão diletos companheiros. Sabia-se que Lula era um daqueles ursos que comem os donos, mas não se esperava que comesse José Dirceu desse jeito.

Não há notícia de formação de uma mesa de advogados no bar do Metropolitan Club de Washington para jogar conversa fora durante um julgamento na Corte Suprema. Também não há notícia de um Ministério Público que coloca na internet uma página infantil intitulada "Turminha do MPF", com uma espécie de "mensalão para jovens".

Há faíscas de vaidade no Supremo, mas há também aulas de rigor. A eloquência dos ministros Celso de Mello, Cármen Lúcia e Rosa Weber está no silêncio. Aliás, quem gosta de atribuir lances de vaidade às mulheres, deveria registrar que até hoje passaram três pelo Supremo. Todas demonstraram que "pavão" é um substantivo masculino. (Quem já ouviu falar em pavoa?)

O Supremo Tribunal Federal é chegado a rituais versalhescos. Seus ministros são acolitados por servidores chamados de "capinhas". Levam-lhes papéis, água e recados. Além disso, são encarregados de empurrar e puxar suas cadeiras, como se esse movimento banal precisasse de ajuda. Coisa de rei. (Um ministro conta que várias vezes quase foi ao chão.)

A tendência carnavalizadora faz bem ao espírito nacional. Instalada uma CPI com parlamentares safando seus aliados, surge uma "musa".

Reunida no Rio uma conferência internacional que vai acabar em nada, a cidade carnavaliza-se e o mundo alegra-se. (Durante a Rio+20, maloqueiros da Glória compraram cocares no Saara para filar as quentinhas que eram dadas aos índios que flechavam o BNDES.)

Se há um teatro para produzir nada, carnaval é o melhor remédio, mas esse não é o caso do julgamento do mensalão. Ele produzirá resultados duradouros para o Judiciário e, sobretudo, para o futuro das maracutaias da política nacional.

Se o julgamento ficar nos autos e naquilo que se diz na corte, algo de novo estará acontecendo no Brasil. Prova disso foram as sessões em que falaram a Procuradoria e os primeiros advogados de defesa. Bar é bar, tribunal é tribunal.

Nas mãos do STF o fim da censura a biografias - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 08/08


O artigo 20 do Código Civil assegura o direito à privacidade, preocupação legítima contra agressões à honra ou agravos à intimidade do cidadão. Mas, dependendo da maneira como é interpretado (ou aplicado), o dispositivo dá abrigo a interpretações judiciais que vão contra princípios consagrados pela Constituição — a liberdade de expressão, de imprensa e de acesso à informação — como direitos de toda a sociedade. São pressupostos que estão na base do estado democrático de direito.

O choque entre o que estipula o Código Civil e o que garante a Carta é visível na questão da censura à publicação de biografias não autorizadas. Provocada por biografados ou por seus parentes, a Justiça brasileira tem dado amparo a pedidos de proibição de obras que passam ao largo do intuito de denegrir imagens, retocar reputações ou ferir legados culturais.

Não se pode catalogar como exercício de leviandade a biografia de Garrincha, de Ruy Castro, envolvido numa batalha judicial com a família do craque, ou, liminarmente, censurar a publicação de biografias de Roberto Carlos (escrita por Paulo César de Araújo) e Guimarães Rosa (de autoria de Alaor Barbosa), apenas com o pressuposto de que se estaria trazendo à luz supostas inverdades ou fatos que desagradariam aos biografados. Como a legislação, a despeito de a Constituição consagrar a liberdade de expressão, não define explicitamente o limite entre a prerrogativa da privacidade e o direito à informação sobre pessoas públicas, e aJustiça não tem jurisprudência formada sobre o tema, abrem-se brechas para a censura.

Não se trata de defender a liberdade de informação como um direito abstrato. Uma vez tendo-se permitido avançar sobre a obra de autores de biografias, nada assegura que, por algum outro tipo de interpretação enviesada do Código Civil, não se venha a afrontar também a liberdade de imprensa — por exemplo, arguindo de jornais e revistas o direito de publicarem perfis de personalidades públicas. Por outro lado, se o espírito do artigo 20 é evitar danos à reputação, fica implícito que escrever sobre a vida de alguém não é licença para a irresponsabilidade. Autores de obras que produzam danos morais ou materiais podem ser objeto de ações penais na Justiça.

Um projeto do ex-deputado Antonio Palocci, propondo mudanças no Código Civil, permanece parado no Congresso. Mas, em boa hora, a Associação Nacional dos Editores de Livros arguiu no Supremo Tribunal Federal a incons-titucionalidade do artigo que dá abrigo a essas ações de censura. Depois de ter enterrado a Lei de Imprensa, também um instituto em desacordo com as regras da democracia, o STF tem agora a chance de acabar com esse dispositivo que empobrece a memória nacional. Que o faça o mais brevemente possível.

Lágrimas na pista - MARCELO COELHO

FOLHA DE SP - 08/08



omo choram esses atletas olímpicos! Dá para entender. Veja-se a coreana da esgrima, inconformada com sua desclassificação. Parecia alimentar-se das próprias lágrimas.

As favoritas no futebol feminino se dão mal: choram. O favorito na natação acaba com a medalha de bronze: chora de tristeza, chora de alegria depois.

Cair no chão na prova decisiva de toda uma vida --que ginasta não choraria depois disso?

Mas a questão talvez não se resuma à emoção daquele momento específico. O mais doloroso não é a derrota --que caiu, como uma flecha, exatamente no alvo, a saber, o momento exato, a hora exata, o dia exato. Também dói a consciência de se ver superado por alguém mais jovem; o campeão de Pequim já não está na mesma forma em Londres.

Tenta vencer, não os concorrentes, mas o tempo. E, na luta contra o cronômetro, está lutando também contra a contagem dos meses e dos anos.

Existe um belo texto sobre o atleta que começa a envelhecer; pelo que sei, não foi traduzido no Brasil. Está em "Les Olympiques", de Henry de Montherlant (1895-1972).

Homossexual "no armário" e direitista convicto, Montherlant adorava esportes, em especial futebol e corrida. Em "Les Olympiques", ele mistura textos em prosa, poemas e diálogos teatrais curtos.

Em geral, tudo gira em torno da relação de um futebolista mais velho (ele mesmo) com os aprendizes do juvenil. Suores, coxas brancas quando o short fica mais arregaçado, a "máscula intimidade" do vestiário, as coisas vão por aí.

Há espaço até para um poema sobre a chuteira usada. No meio disso, muita misoginia: por várias páginas, Montherlant desembesta o ódio pela mãe do seu pupilo preferido. Não é o homossexualismo, claro, que dá a esse livro um aspecto doentio. A morbidez nasce do mal-estar de Montherlant diante do seu próprio desejo; da tentativa de negá-lo, disfarçá-lo, desviá-lo para outros fins.

Entram aí, por exemplo, a nostalgia da camaradagem militar, o elogio da disciplina e da severidade, o horror ao carinho da família. Sobretudo, a ideia da "aceitação".

O verdadeiro esportista aceita a realidade, diz Montherlant. Aceita o técnico que dá instruções obviamente erradas. Aceita o juiz que, por dez vezes, marca faltas inexistentes. O jogo é a ordem, a regra, o inelutável.

Montherlant lembra a célebre frase de Goethe, para quem muitas injustiças são ainda preferíveis a uma única desordem.

Como tantas frases desse tipo, trata-se de uma abstração. A questão é saber quais injustiças e qual desordem, na prática, estão sendo postas na balança. O problema objetivo desaparece, entretanto, quando o que está em pauta é a personalidade de quem a pronuncia --e o quanto de ordem essa pessoa precisa para domar seu próprio tumulto.

Melhor deixar isso de lado e acompanhá-lo numa pista de corrida.

Uma jovem aristocrata, Mademoiselle de Plémeur, era recordista na sua modalidade. Aos 24 anos, já não consegue manter as mesmas marcas. Desiste; quer depois voltar aos treinos. A cada corrida, seu tempo aumenta em vez de diminuir.

"Ela cruzou por mim, a cabeça de lado, já trazendo em seu rosto o cansaço, a dor, um ser profundo que eu não conhecera até então."

Montherlant diz que poderia marcar com uma pedrinha na pista "o lugar exato em que sua força falhou, recusou-se a continuar; onde tudo se tornou apenas uma questão de vontade, de energia, de cólera; onde não era mais o seu corpo que corria mas sim a alma --uma alma sozinha, um sopro que seguia a pista como um fogo fátuo que segue o rio".

A experiência se transporta para outro texto, onde é o próprio narrador quem se vê ultrapassado na corrida por um rapaz mais jovem. Fica impossível alcançá-lo. É como se existisse "uma massa de ar comprimido a nos separar".

O que fugia à sua frente "era tudo o que existia em mim e que já fora quebrado, que adormecera e não despertaria de novo, que tinha florescido e não floresceria nunca mais". A autopiedade não convém, entretanto, a Montherlant. A derrota é feia, diz ele. O atleta, o vencedor, é egoísta e puro.

Num jogo de futebol improvisado, Montherlant jogou sem uniforme. Aconteceu-me, conta, de passar a bola a meus adversários. É a volúpia, dizia ele em 1938, de contribuir para a derrota do próprio time. Não por acaso ele gostou dos alemães, quando invadiram o seu país dois anos depois.

Como sempre, é bom tomar cuidado quando choramos demais as nossas derrotas.

CLAUDIO HUMBERTO

“Tinha que ser em carro-forte mesmo, e era ordem do patrão”
Leonardo Yarochewsky, advogado, sobre o transporte da dinheirama do mensalão

THOMAZ BASTOS INVENTOU TESE DO ‘CAIXA 2’ EM 2005

A ideia de admitir “caixa 2” para negar a existência do “mensalão” – dinheiro usado para comprar votos de parlamentares para aprovar projetos de interesse do governo – foi criada por Márcio Thomaz Bastos em 2005, à época ministro da Justiça do governo Lula. Segundo parlamentares que participaram da CPI dos Correios, o ex-ministro foi quem “segurou as pontas” no governo quando estourou o escândalo. 

TESE MAROTA

O crime de “caixa 2” já prescreveu, daí a tese adotada pela defesa de Delúbio Soares e Marcos Valério, no julgamento no STF.

SACANAGEM

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) critica a “banalização” do caixa 2: “Querem fazer parecer uma ‘sacanagenzinha’ menor”. 

DESCONFORTÁVEL 

Gerou desconforto ao vice-presidente Michel Temer a citação de seu nome por advogados de mensaleiros, no julgamento no Supremo.

MALHAÇÃO

Para Dilma, acompanhar o mensalão pode “prejudicar o trabalho dos ministros”. Pelo que mostraram até agora, Sessão da Tarde pode.

CONDENADA E SEM DIREITOS POLÍTICOS, MARTA RECORRE 

O Tribunal de Justiça de São Paulo julga, na próxima semana, o recurso da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e do empresário Valdemir Garreta, seu ex-secretário de Comunicação na prefeitura paulistana. A dupla foi condenada por improbidade administrativa e teve seus direitos políticos suspensos por três anos. Ex-secretário de Marta, Garreta é, hoje, sócio de três empresas de comunicação e de uma de negócios imobiliários.

DEVOLUÇÃO

O Ministério Público também recorre: quer de volta R$ 148,2 milhões gastos em promoção pessoal de Marta, em ônibus e veículos oficiais. 

PROPINA

Em outra ação, o Ministério Público acusa Valdemir Garreta de receber quase R$ 800 mil em propinas de fornecedores de merenda escolar.

SIGILOS QUEBRADOS

Em dezembro passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo chegou a determinar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Valdemir Garreta.

ROUBADA

No julgamento do mensalão, todo cuidado é pouco com um verbo que pode valer mais que mil imagens: “Delúbio [Soares] é um homem que não se furta a responder pelo que fez”, afirmou seu advogado. 

AFE, PALAVRA!

Para inocentá-la no mensalão, o advogado da publicitária Geiza Dias chamou-a de “mequetrefe”, que pode significar “João-ninguém” e traste, mas também mentiroso ou canalha.

VAPT-VUPT

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio extinguiu em meia hora o processo de fraude no concurso para juiz, em 2008, reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça: o subprocurador alegou “ilegitimidade”. 

OUTRA DO DELÚBIO

O Ministério Público de Goiás abriu inquérito contra o governador Marconi Perillo (PMDB) por improbidade administrativa, pela demora para demitir o professor ausente Delúbio Soares. 

LEIS ANULADAS

Para Luís Olímpio Ferraz Melo, advogado de Fortaleza, a condenação no mensalão abrirá caminho para anular, no Supremo, tudo o que tiver sido aprovado no Congresso. É a “Teoria americana dos frutos da árvore envenenada”: “contaminadas”, tais leis seriam ilegítimas. 

PRELIMINARES

O relator da CPI mista do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG) vai fazer relatórios preliminares para falar da organização criminosa, do dinheiro movimentado pelo esquema do bicheiro e dos políticos envolvidos.

ENTRE ABUTRES

Sem saber que o microfone estava ligado, o presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), desabafou ontem a Odair Cunha (PT-SP): “Esses são uns abutres!”. Vital não revela a quem se referia. 

ANTECIPAÇÃO DE VOTO

O jurista Erick Wilson Pereira explicou que, para antecipar seu voto no julgamento do mensalão antes de 3 de setembro, quando completa 70 anos e cai na “expulsória”, o ministro Cezar Peluso precisa esperar que o relator, Joaquim Barbosa, apresente o seu. Antes, nem pensar.

PENSANDO BEM...

...quando se trata de mensalão, muitos mentem e ninguém tem razão. 

PODER SEM PUDOR

MINISTRO NO JANTAR

ACM sempre viveu às turras com alguém. Era ministro do governo José Sarney e, claro, brigava com outros ministros. Um deles era o da Previdência, Renato Archer. Carta vez, os dois se encontraram na antessala do presidente, no Planalto, e ACM puxou conversa:

- Esta coisa de vida pública é difícil. Ainda outra dia tive que desmentir um jornal que publicou, imagine, que eu teria dito que naquele dia você não jantaria ministro. Imagine que eu ia dizer uma coisa desta!

Sempre calmo, Archer apenas sorriu e ironizou:

- Não se preocupe. Em qualquer hipótese eu não deixaria de jantar.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Petrobras no prejuízo – Preço da gasolina vai aumentar ainda este ano
Folha: Senado institui cotas para 50% das vagas nas federais
Estadão: ‘Quem aposta no desgaste se decepcionará’, diz Planalto
Valor: IPOs pós-crise dão maior retorno aos investidores
Estado de Minas: Caladão milionário
Zero Hora: Interior na mira de explosões em bancos
Correio Braziliense: Greve cresce e ameaça imobilizar a Esplanada
Jornal do Commercio: Anatel investiga a TIM