FOLHA DE SP - 16/03/12
Os governos do Brasil e do México abriram negociação para facilitar o turismo de chineses nos países da América Latina. Discutem a criação de um visto único na região, que permita a circulação livre entre as duas nações e também na Argentina e no Chile.
AVENTURA
O ministro Gastão Vieira, do Turismo, se reuniu com sua colega mexicana, Glória Guevara, para discutirem o assunto. O potencial do turismo chinês é considerado enorme, já que é a maior população do mundo. O governo brasileiro acredita que os chineses não gostam de praia, mas poderiam se interessar por turismo ecológico e de aventura.
DATA MARCADA
Dilma Rousseff já está abrindo espaço na agenda para receber Spike Lee no final de abril. O cineasta americano virá ao Brasil para fazer um documentário sobre a ascensão do país.
LISTA
Continuam circulando no próprio Palácio do Planalto nomes para uma eventual substituição de Ana de Hollanda no Ministério da Cultura. Ela já chegou a incluir o economista, escritor e filósofo Eduardo Gianetti da Fonseca, nome que Dilma Rousseff aprecia. Mas a ideia não evoluiu.
CABO ELEITORAL
E o ator Dan Stulbach, apresentador da festa de 25 anos do Itaú Cultural, anteontem, citou o diretor do Sesc-SP, Danilo Miranda, na plateia e emendou: "Se ministro da Cultura tivesse voto direto, ele teria o meu".
SEGURA O OSSO
Se antes Renan Calheiros (PMDB-AL) tinha muitos pedidos de cargos para apresentar ao governo, ele agora tem que cuidar de defender os que ainda mantém. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) intensificou os pedidos para que Dilma Rousseff tire seu desafeto, o também cearense Sérgio Machado, da Transpetro. Ele é afilhado do alagoano.
SANDUÍCHE
O ex-nadador Fernando Scherer fará campanha publicitária mundial do McDonald's para a Olimpíada de Londres.
45 DO SEGUNDO TEMPO
Rodrigo Santoro, protagonista e produtor-associado de "Heleno", que estreia no dia 30 no Brasil, conta que o filme já foi vendido para os Estados Unidos. "Depois que participamos do Festival de Miami, fechamos com a distribuidora Screen Media para o segundo semestre. Estamos muito felizes", diz. O longa de José Henrique Fonseca fala sobre a vida de Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo nos anos 40, que morreu aos 39 de sífilis.
BOLA ROLANDO
O ex-Pink Floyd Roger Waters pediu para ter no camarim, durante sua turnê brasileira, uma TV com canal pago de esportes para que ele possa assistir a jogos de futebol da Inglaterra. O roqueiro se apresentará em Porto Alegre (25/3), no Rio (29/3) e em São Paulo (1º/4 e 3/4).
CAMA E MESA
E o cantor italiano Zucchero, que se apresenta no dia 26 em São Paulo, no teatro Bradesco, pediu carpaccio de peixe-espada no camarim. No hotel, pediu lençóis e cobertores de algodão egípcio. Quer ainda ser atendido por uma massagista profissional -mulher- na hora da passagem de som.
TOMO GUARANÁ
O cantor Milton Nascimento, que se dizia viciado em Coca-Cola Zero, resolveu parar de beber o refrigerante de tanto que as pessoas ao seu redor pediam. Acabou trocando por outro: Guaraná Zero. Ele é diabético. Já Caetano Veloso, que só bebia Coca-Cola, agora toma chá gelado.
BODAS DE PRATA
Pedro Moreira Salles, Roberto e Alfredo Setubal, do Itaú Unibanco, fizeram festa para comemorar os 25 anos do Itaú Cultural, presidido por Milú Villela. A socióloga Neca Setubal também esteve no evento, no Auditório Ibirapuera.
SONETO
O compositor José Miguel Wisnik, a agente literária Lucia Riff e o poeta Eucanaã Ferraz foram à festa de lançamento das novas edições de livros de Carlos Drummond de Andrade da Companhia das Letras. Pedro Drummond, neto do poeta, estava no evento, anteontem, no Sesc Vila Mariana.
CURTO-CIRCUITO
A festa Javali estreia hoje, às 23h, na praça Almeida Junior, 86, na Liberdade. Classificação: 18 anos.
Os ingressos para o evento Fronteiras do Pensamento já estão à venda nas lojas da Livraria da Vila.
A marca Tania Bulhões Home lançará coleção de louças inspirada na blogueira Lala Rudge.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
sexta-feira, março 16, 2012
Um BC na mão e uma ideia na cabeça - CLAUDIA SAFATLE
Valor Econômico - 16/03/12
Numa transparência jamais vista, o Comitê de Política Monetária (Copom) escreveu na ata da sua última reunião, divulgada ontem, que vislumbra um cenário onde a taxa Selic se desloca para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos (8,75%) e se estabiliza nesse patamar. Não marcou valor da taxa nem prazo, mas ficou claro para os interessados que a Selic cairá para 9% na próxima reunião do comitê, nos dias 17 e 18 de abril, com um corte de mais 0,75 ponto percentual. E pode permanecer em 9% ao ano por algum tempo. O piso de 8,75% ao ano durou de 22 de julho de 2009 a 28 de abril de 2010.
Com isso, o Copom mais uma vez inovou e surpreendeu: foi claríssimo no seu objetivo e mais conservador do que o mercado supunha. Não fixou exatamente um piso para a Selic, mas disse "vou até aqui e paro por um tempo". O mercado, sem maiores informações no comunicado da reunião do dia 7 de março e descrente dos compromissos do Banco Central com a meta de inflação, havia extrapolado a queda dos juros. A taxa mínima para negócios com vencimento em janeiro de 2013 chegou a 8,62% no dia 9. Ontem, subiu para 8,93%. As mensagens da ata pretenderam colocar ordem nas expectativas.
Com a economia fraca desde meados de 2011 - situação que persiste no primeiro trimestre deste ano - e as projeções de um crescimento bastante moderado - em torno de 3% - para este ano, o orçamento para desbastar os juros ficou amplo: 350 pontos desde a Selic de 12,5% de julho de 2011, se se confirmar mais uma queda de 0,75 ponto percentual.
Fontes oficiais citam projeções de crescimento anualizado de 2,6% ao fim do primeiro trimestre e de 3,1% no ano, em linha com alguns prognósticos de bancos estrangeiros para o Brasil. Mas há um esforço do restante do governo para chegar ao segundo semestre com expansão, na margem, de 5%. Isso permitiria acomodar o Produto Interno Bruto (PIB) em 4,5% no próximo ano.
Nesse aspecto, os parágrafos 29 e 30 da ata são elucidativos e consolidam a visão de que são as questões domésticas e não somente as incertezas externas que movem o Copom. Neles o comitê reitera que a desaceleração da economia foi maior do que se antecipava; que houve postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia e que o processo de desalavancagem dos bancos e famílias prosseguirá; e acrescenta que aumentaram os sinais favoráveis para a queda da inflação, dado que os índices de preços estão vindo aquém do esperado.
Passa a considerar, também, a possibilidade de uma convergência mais célere do IPCA para o centro da meta. "O Comitê nota também que, no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012, e são decrescentes os riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta".
Mas, numa avaliação que se contrapõe à manutenção dos juros por um longo período estáveis em 9%, a ata diz que para 2013 tanto no cenário de referência quanto no de mercado, as projeções de inflação estão acima da meta.
Para 2013, "a projeção de inflação se elevou no cenário de referência e se mostra relativamente estável no de mercado, nos dois casos posicionada acima do valor central da meta". Por enquanto, o Copom está olhando 2012 e não fixou prazo para a estabilidade da taxa Selic. Os modelos são o retrato de uma realidade dinâmica e, portanto, os prognósticos para 2013 também podem melhorar. E é bom lembrar, nesse caso, que se a inflação ameaçar subir, o Banco Central tem todo o arsenal de medidas macroprudenciais, já testado e aprovado, para acionar.
A ata deixa explícito, ainda, que os dois votos contrários à aceleração da queda para 0,75 ponto percentual dos juros na última reunião não significaram uma divergência em relação ao orçamento de corte. O desacordo foi em torno da sua redistribuição temporal. Os dois diretores votaram pela manutenção do cronograma original, que seria, portanto, de três cortes de 0,50.
Ao mesmo tempo que o mercado decifrava a ata do Copom, o Ministério da Fazenda discutia, ontem, com setores da indústria a ampliação da desoneração da folha de salários. O ministro Guido Mantega esteve com representantes da indústria têxtil, de móveis, aeroespacial e autopeças, para conversar sobre a redução da alíquota do imposto sobre faturamento em decisão a ser tomada até o fim deste mês. Hoje a alíquota para os poucos setores abarcados pela medida é de 1,5 a 2% e deve cair para 1%. Os empresários disseram ao ministro que isso aliado a uma taxa de câmbio de R$ 1,80 vai fazer toda diferença para a competitividade da indústria.
Os incentivos fiscais acenados pelo ministro a um segmento da economia que está estagnado pode trazer algum reforço para o nível de atividade este ano. O que se pretende, no governo, é fazer com que os empresários retomem seus projetos de investimentos e que este passe a ter maior peso no crescimento econômico, atualmente muito dependente sobretudo no consumo das famílias.
Não há risco, avaliam os economistas oficiais, de um acúmulo de medidas pró crescimento com efeito no segundo semestre que possam representar novos riscos inflacionários.
Se a atividade econômica se move devagar e abaixo do produto potencial ainda hoje, é legítimo supor que o aperto monetário do início do ano passado foi mais intenso do que foi então percebido. Os juros começaram a cair em agosto do e parte das medidas macroprudenciais foram desativadas no fim de 2011, mas a economia ainda não reagiu provavelmente por essa razão. Talvez a forma adequada de se olhar o Copom não seja pelo rótulo de" dovish" ou "hawkish" em relação aos Copom do passado mais recente, mas sim "diferente".
Houve uma conjunção dos astros domésticos e externos que está permitindo ao Banco Central lidar com a questão dos juros de forma aparentemente ousada, mas ontem na ata ficou claro que é uma ousadia com limites.
Os banco centrais do mundo estão mesmo diferentes.
Os ricos comunistas chineses - MOISÉS NAÍM
FOLHA DE SP - 16/03/12
Assembleia Popular Nacional da China tem homens milionários, segundo a revista "Forbes"
Há poucos dias a revista "Forbes" publicou sua lista das pessoas mais ricas do mundo, como faz todos os anos. Por acaso, a publicação coincidiu com outro evento anual que ocorria nas antípodas da sede da "Forbes" em Nova York.
Era a reunião da Assembleia Popular Nacional da China, que é formalmente o órgão supremo do Estado chinês e representa o Legislativo do país.
Surpreendentemente, esses dois fatos estão interligados. A lista dos delegados da Assembleia chinesa inclui quase todas as pessoas mais ricas daquele país.
Com seus 2.987 delegados, a Assembleia chinesa constitui o Parlamento mais numeroso do mundo, e suas reuniões, no Grande Palácio do Povo, na legendária praça Tienanmen, sempre rendem notícias.
Não pelas decisões que ali se tomam, já que esse organismo não tem, na prática, poder algum. É uma entidade simbólica. E se reúne simultaneamente com outra entidade que também tem muito nome e pouco poder: a Conferência Consultiva Política do Povo.
A importância dessas reuniões anuais se deve ao fato de que os verdadeiros líderes do país utilizam seus discursos para transmitir suas prioridades e preocupações à população e ao mundo.
Na reunião desta semana, por exemplo, o premiê Wen Jiabao assinalou que a China precisa empreender reformas urgentes. Ele reconheceu que a desigualdade e a corrupção são problemas crônicos e que o crescimento econômico de seu país será mais lento, de agora em diante, do que vinha sendo.
O que isso tem a ver com a lista dos mais ricos publicada pela "Forbes"? De acordo com a Bloomberg, em 2011 o patrimônio pessoal dos 70 delegados mais ricos da Assembleia Popular Nacional da China chegou a US$ 90 bilhões -aumento de US$ 11,5 bilhões sobre 2010.
Os delegados da Conferência Consultiva Política do Povo são ainda mais ricos: o patrimônio pessoal de cada um deles chega a US$ 1,5 bilhão (14% mais do que era no ano passado). Para ter ideia das proporções, basta saber que a renda média por habitante na China é de apenas US$ 4.200 ao ano.
A presença dos super-ricos chineses nesses órgãos do Estado começou com uma decisão deliciosamente irônica: uma década atrás o secretário do Partido Comunista na época, Jiang Zemin, abriu aos "capitalistas" de seu país a possibilidade de filiação ao partido.
Embora muitos dos ricos tenham ingressado no partido, também é fato que muitos dos membros do partido se tornaram muito ricos. Rupert Hoogewerf, que publica a "Hurun", uma lista anual dos mil chineses mais endinheirados, declarou à jornalista Louisa Lim: "É uma situação como a do ovo e da galinha. Eles são politicamente poderosos porque são ricos ou são ricos em decorrência de sua influência política?".
Examinando as origens das maiores fortunas do mundo, fica evidente que muitas delas cresceram ao amparo (ou mais que isso) do governo. Em muitos países, o Estado, e não o mercado, é o caminho para obter riquezas inimagináveis. E nisso a China não é diferente.
Assembleia Popular Nacional da China tem homens milionários, segundo a revista "Forbes"
Há poucos dias a revista "Forbes" publicou sua lista das pessoas mais ricas do mundo, como faz todos os anos. Por acaso, a publicação coincidiu com outro evento anual que ocorria nas antípodas da sede da "Forbes" em Nova York.
Era a reunião da Assembleia Popular Nacional da China, que é formalmente o órgão supremo do Estado chinês e representa o Legislativo do país.
Surpreendentemente, esses dois fatos estão interligados. A lista dos delegados da Assembleia chinesa inclui quase todas as pessoas mais ricas daquele país.
Com seus 2.987 delegados, a Assembleia chinesa constitui o Parlamento mais numeroso do mundo, e suas reuniões, no Grande Palácio do Povo, na legendária praça Tienanmen, sempre rendem notícias.
Não pelas decisões que ali se tomam, já que esse organismo não tem, na prática, poder algum. É uma entidade simbólica. E se reúne simultaneamente com outra entidade que também tem muito nome e pouco poder: a Conferência Consultiva Política do Povo.
A importância dessas reuniões anuais se deve ao fato de que os verdadeiros líderes do país utilizam seus discursos para transmitir suas prioridades e preocupações à população e ao mundo.
Na reunião desta semana, por exemplo, o premiê Wen Jiabao assinalou que a China precisa empreender reformas urgentes. Ele reconheceu que a desigualdade e a corrupção são problemas crônicos e que o crescimento econômico de seu país será mais lento, de agora em diante, do que vinha sendo.
O que isso tem a ver com a lista dos mais ricos publicada pela "Forbes"? De acordo com a Bloomberg, em 2011 o patrimônio pessoal dos 70 delegados mais ricos da Assembleia Popular Nacional da China chegou a US$ 90 bilhões -aumento de US$ 11,5 bilhões sobre 2010.
Os delegados da Conferência Consultiva Política do Povo são ainda mais ricos: o patrimônio pessoal de cada um deles chega a US$ 1,5 bilhão (14% mais do que era no ano passado). Para ter ideia das proporções, basta saber que a renda média por habitante na China é de apenas US$ 4.200 ao ano.
A presença dos super-ricos chineses nesses órgãos do Estado começou com uma decisão deliciosamente irônica: uma década atrás o secretário do Partido Comunista na época, Jiang Zemin, abriu aos "capitalistas" de seu país a possibilidade de filiação ao partido.
Embora muitos dos ricos tenham ingressado no partido, também é fato que muitos dos membros do partido se tornaram muito ricos. Rupert Hoogewerf, que publica a "Hurun", uma lista anual dos mil chineses mais endinheirados, declarou à jornalista Louisa Lim: "É uma situação como a do ovo e da galinha. Eles são politicamente poderosos porque são ricos ou são ricos em decorrência de sua influência política?".
Examinando as origens das maiores fortunas do mundo, fica evidente que muitas delas cresceram ao amparo (ou mais que isso) do governo. Em muitos países, o Estado, e não o mercado, é o caminho para obter riquezas inimagináveis. E nisso a China não é diferente.
Batendo cabeça - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 16/03/12
O ministro Aldo Rebelo (Esporte), em reunião na Casa Civil anteontem à noite, sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios na Copa, perguntou: "Vocês vão desmoralizar quantas pessoas? Inclusive quem pôs vocês todos aqui?", citando o ex-presidente Lula. Foi assim que terminou a confusão criada pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Ivo Correa, na tarde daquele dia, num encontro com líderes aliados na Câmara.
As assinaturas que podem ser rasgadas
O memorando "Garantia Número 8", que trata da venda de bebidas alcoólicas nos estádios na Copa, foi rubricado pelo ex-presidente Lula e pelos ex-ministros Tarso Genro, Orlando Silva, Miguel Jorge, Sérgio Rezende e Gilberto Gil. Mesmo ciente disso, e de que apesar da divisão no governo tinha prevalecido a posição pela liberação, a ministra Ideli terminou sua fala para os líderes dizendo que "o assunto agora é da Câmara". Em seguida veio Ivo Correa e garantiu: "Não há compromisso do Brasil com a Fifa para vender bebida nos estádios". Foi assim que começou a confusão. Na semana que vem ela vai ter novos ingredientes.
"De tanto falar em bebida, o governo ficou de pileque” — Otavio Leite, deputado federal (PSDB-RJ)
TERCEIRIZAR O ACORDO. A despeito do relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT-SP), ter dito que seu relatório vai liberar a bebida alcoólica na Copa, o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), não considera o assunto encerrado. "Defendo que o tema não conste do texto da lei. O Estatuto do Torcedor diz que é proibido entrar com bebida nos estádios, não diz que é proibido vender", diz Tatto, que quer remeter o cumprimento do acordo do governo federal com a FIFA para os governos estaduais.
Xadrez
O candidato do Planalto à presidência do Senado é o ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Como ele é do grupo do atual presidente, José Sarney (PMDB-AP), o governo aposta num racha entre ele e o líder Renan Calheiros (PMDB-AL).
Grito de guerra
A bancada do PR na Câmara se reúne terça-feira para decidir se acompanha os senadores do partido e também vai para a oposição. "Vamos tentar diagnosticar também qual é o problema do governo com o PR", diz uma liderança.
20 anos depois: o mea-culpa
Na despedida do líder Romero Jucá (PMDB-RR), em plenário, o senador Fernando Collor (PTB-AL) fez um paralelo entre o momento vivido pela presidente Dilma com sua base parlamentar e seu processo de impeachment: "O resultado desse afastamento meu, então presidente, do Legislativo brasileiro redundou no meu impeachment. A classe política carece única e exclusivamente, e isso só vim a perceber depois, lamentavelmente, de consideração e atenção".
Linha cruzada
O ex-líder Romero Jucá (PMDB-RR) conta que combinou com a ministra Ideli Salvatti o envio, para a Comissão de Assuntos Econômicos, do projeto que multa empresas que não pagarem o mesmo salário para homens e mulheres.
Genioso
Na audiência no Senado, na última terça-feira, o ministro Guido Mantega reclamou quando os flashes dos fotógrafos flagraram os cochichos do ex-líder Romero Jucá com o novo Eduardo Braga: "Parece que está havendo duas sessões aqui".
O SECRETÁRIO-EXECUTIVO do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, trabalhou contra o projeto que garante salários iguais para homens e mulheres no exercício da mesma função.
CAIU A FICHA. O Brasil quer ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Desde 1990, o Oriente Médio é tema de 70% de suas resoluções. O Itamaraty não tem nenhum especialista na região.
O PRESIDENTE do PT, Rui Falcão, a prefeita Luizianne Lins, e seu candidato a prefeito, Elmano Freitas, ajustaram os ponteiros anteontem em Brasília.
As assinaturas que podem ser rasgadas
O memorando "Garantia Número 8", que trata da venda de bebidas alcoólicas nos estádios na Copa, foi rubricado pelo ex-presidente Lula e pelos ex-ministros Tarso Genro, Orlando Silva, Miguel Jorge, Sérgio Rezende e Gilberto Gil. Mesmo ciente disso, e de que apesar da divisão no governo tinha prevalecido a posição pela liberação, a ministra Ideli terminou sua fala para os líderes dizendo que "o assunto agora é da Câmara". Em seguida veio Ivo Correa e garantiu: "Não há compromisso do Brasil com a Fifa para vender bebida nos estádios". Foi assim que começou a confusão. Na semana que vem ela vai ter novos ingredientes.
"De tanto falar em bebida, o governo ficou de pileque” — Otavio Leite, deputado federal (PSDB-RJ)
TERCEIRIZAR O ACORDO. A despeito do relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT-SP), ter dito que seu relatório vai liberar a bebida alcoólica na Copa, o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), não considera o assunto encerrado. "Defendo que o tema não conste do texto da lei. O Estatuto do Torcedor diz que é proibido entrar com bebida nos estádios, não diz que é proibido vender", diz Tatto, que quer remeter o cumprimento do acordo do governo federal com a FIFA para os governos estaduais.
Xadrez
O candidato do Planalto à presidência do Senado é o ministro Edison Lobão (Minas e Energia). Como ele é do grupo do atual presidente, José Sarney (PMDB-AP), o governo aposta num racha entre ele e o líder Renan Calheiros (PMDB-AL).
Grito de guerra
A bancada do PR na Câmara se reúne terça-feira para decidir se acompanha os senadores do partido e também vai para a oposição. "Vamos tentar diagnosticar também qual é o problema do governo com o PR", diz uma liderança.
20 anos depois: o mea-culpa
Na despedida do líder Romero Jucá (PMDB-RR), em plenário, o senador Fernando Collor (PTB-AL) fez um paralelo entre o momento vivido pela presidente Dilma com sua base parlamentar e seu processo de impeachment: "O resultado desse afastamento meu, então presidente, do Legislativo brasileiro redundou no meu impeachment. A classe política carece única e exclusivamente, e isso só vim a perceber depois, lamentavelmente, de consideração e atenção".
Linha cruzada
O ex-líder Romero Jucá (PMDB-RR) conta que combinou com a ministra Ideli Salvatti o envio, para a Comissão de Assuntos Econômicos, do projeto que multa empresas que não pagarem o mesmo salário para homens e mulheres.
Genioso
Na audiência no Senado, na última terça-feira, o ministro Guido Mantega reclamou quando os flashes dos fotógrafos flagraram os cochichos do ex-líder Romero Jucá com o novo Eduardo Braga: "Parece que está havendo duas sessões aqui".
O SECRETÁRIO-EXECUTIVO do Ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira, trabalhou contra o projeto que garante salários iguais para homens e mulheres no exercício da mesma função.
CAIU A FICHA. O Brasil quer ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Desde 1990, o Oriente Médio é tema de 70% de suas resoluções. O Itamaraty não tem nenhum especialista na região.
O PRESIDENTE do PT, Rui Falcão, a prefeita Luizianne Lins, e seu candidato a prefeito, Elmano Freitas, ajustaram os ponteiros anteontem em Brasília.
Antes aliada que mal acompanhada - MARIA CRISTINA FERNANDES
Valor Econômico16/03/12
Foi numa outra campanha municipal que o PT pavimentou o caminho para sua maior crise desde que apeou-se no poder. Foi o arremedo de solução encontrado ali para a coalizão de governo que agora faz água.
A história é conhecida. Para compensar a ausência do PMDB os petistas amealharam pequenas legendas para lhes dar sustentação.
Foi nesse momento que o pequeno PL ganhou o Ministério dos Transportes. Se a Esplanada reproduzisse o mapa do Brasil, a Pasta seria São Paulo. Concentra quase um terço dos investimentos da União, proporção equivalente ao que os paulistas produzem da riqueza nacional.
Corria o ano de 2004 e, feito o loteamento, era chegada a hora de os partidos renovarem a fonte de seu poder com as eleições municipais. Quanto mais prefeitos o partido faz, maiores as chances de aumentar suas bancadas parlamentares.
É o momento em que os partidos medem forças. Sempre foi assim. Até a gestão Fernando Henrique Cardoso os governos estaduais tinham mais liberdade para fomentar prefeitos aliados. Fechada a torneira do dinheiro fácil dos bancos estaduais, cresceu a dependência das prefeituras em relação aos cofres federais. À pauta de votação no Congresso some-se o tempo de TV como moeda de troca dos aliados.
No governo Luiz Inácio Lula da Silva o apetite da base ampliada pelos cofres federais detonou o combinado e marcou a entrada oficial do PMDB na coalizão. O partido avançaria até chegar à vice da presidente Dilma Rousseff, mas os antigos aliados petistas não desembarcariam.
A pretexto de não se fazer refém do PMDB, o governo manteve pequenas e médias legendas em sua órbita.
Formou-se um governo de superlativos. A coalizão mais ampla da história dá sustentação à gestão de maior volatilidade ministerial. Tudo isso é mantido pela mais alta popularidade que um presidente já desfrutou em seu primeiro ano de governo.
Essa popularidade é sustentada em grande parte pelas demonstrações públicas de uma presidente que não transige com o malfeito.
Um dos primeiros ministérios atingidos pela faxina foi o dos Transportes que permanecia nas mãos do PL, agora renomeado para PR.
O partido ruma para rivalizar com o PMDB como o partido que mais tempo encabeça os Transportes. O domínio pemedebista se deu no governo Fernando Henrique Cardoso. O partido fez da Pasta seu principal bastião de resistência à dominância pefelista na coalizão.
Foi de posse dos Transportes que o PR sobreviveu ao mensalão e chegou ao governo como uma legenda de médio porte. É a sexta bancada da Câmara e a quarta do Senado. Na equação montada por Lula e herdada por Dilma, o governo não apenas não se viu livre do pemedebismo como arrumou mais aprendizes da política como chantagem.
A presidente resolveu experimentar nos Transportes os limites de sua relação com o PR e com a própria base. Quando o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) caiu, e o secretário-executivo de perfil técnico, mas filiado ao partido, assumiu, abriu-se uma brecha para limpar a Pasta de algumas nomeações políticas.
Algumas de suas autarquias foram profissionalizadas e tiveram contratos revistos. Muitos dos feudos do PR ainda resistem na Pasta mas a diretiva parece ser a de uma ocupação paulatina do gerenciamento por metas.
Amplie-se a dificuldade do partido de se adequar às diretrizes da presidente-gerente para o resto da base e está aí o tamanho da encrenca. Os aliados tanto entenderam o jogo dos Transportes que escolheram a recondução do diretor de uma agência reguladora da área para medir forças com a presidente.
É natural que a opinião pública fique ao lado de Dilma. Quem não ficaria depois de ouvir o que o líder do PR no Senado, Blairo Maggi (MT), disse à Raquel Ulhôa, do Valor, sobre o rompimento de sua bancada com o governo: "Não vou fazer o comunicado oficial da tribuna hoje. Vou fazer amanhã ou depois. Temos tempo. Mas a possibilidade é pequena. O partido não abre mão de voltar ao Ministério dos Transportes". Com um aliado desses, dá pra entender por que a presidente chora tanto em público.
A atual conjuntura do Judiciário também joga água no moinho de Dilma. O novo presidente do Supremo Tribunal Federal é um dos maiores entusiastas da Lei da Ficha Limpa, a corregedora do Conselho Nacional de Justiça mostrou que nem sempre a conciliação é a melhor saída e até o cerco da Justiça Eleitoral o parece estar mais estreito. É sintomático que o PT lidere uma iniciativa de 18 partidos contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de apenas conceder registro a candidato cujas contas de campanhas pregressas já tenham sido aprovadas.
Veio do novo líder do governo no Senado, Eduardo Barga (PMDB-AM) uma pista da saída institucional para o clima de insatisfação que domina a relação da presidente com sua base. Não é liberando emendas, disse, que se resolve essa crise, mas trazendo os partidos para participar da elaboração dos programas dos ministérios. Acertados os programas, as emendas seriam uma simples consequência.
Dito assim, fica até bonito. O gerenciamento é técnico, mas as metas são políticas e, por integrarem um governo de coalizão, pactuadas com os partidos. A questão é como se conciliam as vontades de 19 legendas politicamente tão distintas, num ano das disputas mais heterogêneas do calendário eleitoral, com as diretrizes de uma presidente obstinada pela boa gerência e, em cuja indiscutível trajetória política, falta um capítulo de experiência parlamentar.
Some-se a isso a crença do partido da presidente de que na eleição paulistana joga-se o destino da República.
Não é por culpa de Dilma que o pré-candidato petista Fernando Haddad ainda não fechou uma única aliança em São Paulo.
Mas Haddad só e a presidente tão mal acompanhada parecem trilhar a mesma dificuldade - a de encontrar os parceiros com os quais é possível traçar planos e firmar compromissos em nome de objetivos comuns. E não se diga que a laringe de Lula tem alguma coisa a ver com isso. Aos 32 anos de idade e há dez no Planalto, o PT já poderia ter aprendido.
Pintados para a guerra - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK
O Globo - 16/03/12
Findo o carnaval, o ano, afinal, teve início. E, ao governo, boas novas não trouxe. De certas notícias, já se sabia. Dos 5% de crescimento do PIB, prometidos com grande alarde, só foi possível entregar pouco mais da metade: 2,7%. E, ainda assim, a inflação por pouco não ultrapassa o teto de tolerância da meta. De outras, só agora se soube. A indústria de transformação mostrou crescimento próximo de zero em 2011. E, em janeiro, a produção industrial sofreu queda de 2,1%.
Tal conjunção de más notícias foi o que bastou para que se formasse em Brasília quadro propício a reações impensadas. A começar pela retórica bombástica - mais apropriada a operações militares ou de mobilização da defesa civil - que passou a pautar o discurso econômico do governo: "guerra cambial", "arsenal ilimitado" e "tsunami monetário". Em meio à coreografia guerreira, o que na verdade se vê é uma equipe econômica atarantada - pressionada pelo Planalto e assediada por lobbies de todo tipo - pronta a prometer, a torto e a direito, todo o ativismo que a situação vier a exigir. Não surpreende que, nesse ambiente, tenha ressurgido no País um festival de ideias estapafúrdias, que vão do fechamento da economia à taxação de exportações.
Mais do que nunca, o que a situação exige é reação serena da política econômica, pautada por análise objetiva dos fatos. Tudo indica que, na esteira dos estímulos à demanda já desencadeados, a economia deverá chegar ao quarto trimestre crescendo a uma taxa anualizada perfeitamente aceitável. Estímulos adicionais servirão apenas para tornar ainda mais árdua a tarefa de manter a inflação sob controle em 2013. Mas é improvável que, com a insegurança de que foi tomado, o governo consiga evitar o excesso de ativismo.
O que, sim, complica em muito a situação é a enorme dificuldade que vem enfrentando a indústria para absorver o choque de realidade a que vem sendo submetida, ao contemplar a real extensão de sua perda de competitividade. É claro que uma taxa de câmbio mais depreciada ajudaria. O problema, contudo, é que, ao longo dos anos, a indústria se habituou a desprezar outros fatores cruciais que vinham erodindo sua competitividade.
Não é de hoje que boa parte da indústria vem apostando na ideia de que tudo, ou quase tudo, poderia ser resolvido pelo lado do câmbio. Mesmo que não voltassem os "bons tempos" de uma taxa de câmbio típica de economia com séria restrição externa, o governo, se devidamente pressionado, poderia perfeitamente assegurar um câmbio bem mais depreciado. Viável era. Ou, pelo menos, era essa a fantasia. E, enquanto insistia em falar grosso contra a política cambial, grande parte da indústria se permitia falar bem mais fino contra o crescimento descontrolado de gastos correntes do governo, a carência de investimentos públicos e a elevação sem fim da carga tributária.
Só agora a indústria começa a se dar conta das dificuldades de manter a competitividade em uma economia cada vez mais sobretaxada, em que os três níveis de governo já extraem 36% do PIB em tributos e, nem de longe, conseguem desempenhar como deveriam os papéis que lhes cabem na oferta de serviços públicos e na expansão da infraestrutura. No setor serviços, o aumento persistente de Custo Brasil tem sido repassado aos preços sem maiores dificuldades. Na indústria, contudo, exposta à concorrência externa, o aumento de Custo Brasil vem, pouco a pouco, estrangulando a competitividade.
Dissipada a miragem da depreciação cambial fácil, parte da indústria agora se agarra à triste bandeira da escalada protecionista. O que, para o país, seria um colossal retrocesso. As dificuldades da indústria têm de ser superadas sem que a economia se torne ainda mais fechada do que já é. E, para isso, claro, vai ser preciso bem mais do que a nova aspersão de paliativos que o governo contempla. Mas, para viabilizar esforço de mais fôlego e menos imediatista nessa linha, é fundamental que a indústria mude o discurso e, pelo menos, passe a bater nas teclas certas.
Ueba! Adriano no Flamengoró! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 16/03/12
E o Imposto de Renda? Imposto de Renda, declaro que te amo! Assim, de repente, alivia pra mim!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! "Ventos obrigam mudanças na cobertura do Itaquerão." Itaquerão não tem cobertura, tem laje! Rarará! Cobertura tem o São Paulo! Duplex e com espaço gourmet! Tão construindo o estádio onde o vento faz a curva!
E o Corinthians não devia ter jogado com o Cruz Azul. Devia ter jogado com a Cruz Vermelha! Rarará!
E um cara de Campo Grande escreveu no meu Twitter: se o Adriano for pro Flamengo, o clube vai mudar de nome de "Clube de Regatas" pra "Clube de Ressacas" Flamengo. Ou então FlamenGORÓ! Rarará!
E o Imposto de Renda? Imposto de Renda, declaro que te amo! Assim, de repente, alivia pra mim!
E a Dilma se declarou dependente do PMDB! E eu vou declarar uma torradeira, um celular "chingling" rachado e um chinelo do Mickey!
E do jeito que eu pago impostos, todos são meus dependentes: Dilma, Tiririca, Kassab, Alckmin e Romário!
E do jeito que eu pago juros, os bancos também são meus dependentes: Bradesco, Santander e Itaú!
E um leitor me perguntou: "Sogra declaro como dependente ou ônus?". Declara como carma! Declara como assombração! Rarará!
E esta: "Situação em 31/12/2011: bêbado!" Rarará! Ou como declarou um amigo: "situação em 31/12/2011: crítica!" Credo! Deus Me Livre! Virgem Santa! Rarará!
E adoro as orientações sobre Imposto de Renda. "Quem deve declarar? Os brasileiros que vivem de renda." Ou seja, os quatro de sempre! "Qual modelo escolher?" Posso escolher a Gisele? Rarará. Assim eu pago bonito! "O que pode deduzir?" BEBIDA! Só de fogo pra pagar esse imposto! Só nos resta nos embriagar! Rarará.
É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é lúdico! Esse pronome "se" é tão inútil que um cara de Carapicuíba botou um acento: "MONTA-SÉ MÓVEIS".
E esta placa na Liberdade escrita em japonês: "Não aceito cheque, o senhor bravo. Eu aceito cheque, cheque volta, eu bravo. Melhor o senhor bravo". Rarará.
O Adriano vai jogar sumô no Flamengo. Com o Ronaldinho Gaúcho! Ele dá uma barrigada e leva uma dentada. Já imaginou se levar uma dentada do Ronaldinho Gaúcho? Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Parada técnica - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 16/03/12
O recado mais importante da Ata do Copom, divulgada ontem, é que os juros básicos (Selic), hoje nos 9,75% ao ano, cairão para 9,00% ao ano e devem permanecer nesse patamar por algum tempo. Indicação tão precisa é inédita na história do Copom.
Faltou dizer em quanto tempo se consuma o processo. Como o Banco Central mostra pressa, aparentemente para garantir avanço do PIB em 2012, esses 9,00% podem vir em abril.
As principais justificativas para a maior derrubada dos juros em março foram: melhora da situação da economia brasileira; consumo crescendo moderadamente; aumento da confiança; e crise externa relativamente controlada. Isso posto, pergunta crucial busca saber por que o Banco Central vai parar de baixar os juros quando estiverem nos 9,00% ao ano. Se tudo vai bem, não seria recomendável aproveitar a boa situação para derrubá-los mais? Terça-feira, perante a Comissão de Economia e Finanças do Senado, o ministro Mantega avisou que a Selic convergiria para o nível da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), cobrada pelo BNDES, hoje, em 6,0% ao ano. Teria o ministro se metido no que não é de sua conta?
Uma das hipóteses para explicar a parada nos 9,00% é política. Abaixo desse nível, será preciso diminuir o rendimento tabelado da caderneta de poupança, que passaria a remunerar mais do que os fundos de renda fixa e os títulos do Tesouro. E o governo não quer ser acusado de "confisco" na poupança popular às vésperas das eleições municipais deste ano.
Outra possibilidade é que, antes de cortar ainda mais a Selic, é necessária parada técnica para avaliar os efeitos dos cortes acumulados dos juros básicos desde agosto, quando estavam em 12,50% ao ano.
Prevalece a impressão já apontada por esta Coluna em outra oportunidade: há descasamento entre as justificativas para o corte dos juros tais como expostas pelo Banco Central e a execução da política monetária. Variam de reunião para reunião do Copom.
Mais três observações: primeira, o Banco Central enalteceu na Ata os efeitos benéficos do aumento da apropriação de poupança externa. Ou seja, a forte entrada de capitais parece desejável, ao contrário do sugerido pela retórica do "tsunami financeiro" da presidente Dilma e ao pretendido pelas restrições do Ministério da Fazenda ao afluxo de recursos externos.
Segunda, como na ata anterior, o Banco Central advertiu quanto ao risco para a inflação provocada pela "concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade". Mas, em termos práticos, o que poderia fazer para evitar o problema a não ser desacelerar a atividade econômica seja pelos juros mais altos, seja pelas tais medidas prudenciais?
Terceiro ponto, se o nível da Selic vai pousar na casa dos 9,00% ao ano e, como se pode deduzir das apostas do Banco Central, se a inflação ficar nos 5,0% ao ano, o juro real cairá para a altura dos 4,00% ao ano. Será suficiente para entregar a inflação na meta ou o sistema de metas de inflação ficou mais flexível?
Gota d'água - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 16/03/12
A presidente Dilma Rousseff já avisou a ministros próximos que Ricardo Oliveira será exonerado da vice-presidência de Governo do Banco do Brasil e que vai atuar para apear Ricardo Flores do comando da Previ.
O Planalto responsabiliza a dupla por alimentar a guerra entre o BB e o fundo de pensão. Eles foram alertados no auge da crise pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) de que seriam demitidos se a troca de acusações prosseguisse. A divulgação de que Flores comprou uma casa com parte dos recursos em dinheiro vivo fez o governo concluir que o recado foi ignorado.
O presidente do BB, Aldemir Bendine, será mantido.
Viva voz Na reunião em que foi alterada a Lei Geral da Copa, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) assegurou ao líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), por telefone, que o governo não havia se comprometido com a Fifa a permitir a venda de bebida alcoólica nos estádios.
Tim-tim 1 O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez comemoração regada a uísque na residência oficial na noite em que Chinaglia foi nomeado à liderança. Petistas viram no gesto uma forma de tripudiar sobre Cândido Vaccarezza, desafeto de Maia, que perdeu o cargo.
Tim-tim 2 A assessoria de Maia nega a provocação e diz que a festa era pela chegada de Paulo Ferreira, também do PT gaúcho, ao Congresso.
Novo round O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), sugeriu em almoço da Frente Parlamentar da Agricultura que a votação do Código Florestal ficasse para 2 de julho, depois da Rio+20. A proposta foi debatida e recusada por 13 votos a 1.
Saldo devedor Nomeado com a missão de ampliar a base governista no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) corre o risco não só de perder os sete votos do PR como de não entregar os dos rebeldes peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Roberto Requião (PR).
Concorrência Em tempo de crise na base aliada, as trupes do "CQC" e do "Pânico", ambos na Bandeirantes, terão companhia no Congresso. O "Casseta & Planeta", que voltará ao ar na Globo, pediu e já obteve autorização para gravar na Câmara.
Popstar Correligionários de Marta Suplicy justificam a ausência da senadora dos eventos de pré-campanha de Fernando Haddad: "Se ela entrar hoje, atrapalha mais que ajuda. Já pensou numa visita à periferia? Ofusca o candidato", diz um martista.
Eu? Imagina! Em conversas com haddadistas, Marta nega ter estimulado qualquer tratativa de substituição de candidatura e se diz "100% focada" no Senado.
Amor bandido Do líder petista na Câmara, Jilmar Tatto, sobre a perspectiva de Haddad perder o apoio do PR, em crise com o governo: "O PR vem conosco. Eles são mais generosos com a gente do que nós somos com eles".
Oremos 1 A retomada da distribuição dos panfletos da Igreja Católica contra Dilma Rousseff já tem data marcada: será na próxima quarta, dia 21, em ato público na praça da Sé. Os impressos foram apreendidos em 2010 e liberados agora pela Justiça.
Oremos 2 Quem pilota o evento é d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos que pregou boicote à então candidata do PT. O grupo irá ainda ao Fórum João Mendes para repudiar o anteprojeto de reforma do Código Penal, que amplia as hipóteses de aborto legal.
Linha vermelha As panes de trens e metrô tiram o sono de Geraldo Alckmin. O tema remete o tucano à tensão eleitoral de 2010. Anteontem, em reunião sobre investimentos nas empresas do setor, o governador ignorou a pauta. Só quis saber da apuração das falhas que afetaram 165 mil passageiros.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
O governo deve ter se empolgado com a onda do MMA. No melhor estilo Anderson Silva, resolveu acertar as contas com o Congresso, os partidos e os militares ao mesmo tempo.
DO CIENTISTA POLÍTICO RUBENS FIGUEIREDO, sobre a crise entre o Planalto
e a base aliada e a reação do governo ao manifesto de oficiais da reserva contestando a autoridade de Dilma e do ministro Celso Amorim (Defesa).
contraponto
Que dureza!
Ricardo Tripoli (PSDB-SP) conversava anteontem com dois congressistas do Rio e de Minas quando um deles quis saber qual era a temperatura das prévias tucanas. Tripoli, que se negou a desistir da disputa, resumiu:
-Comecei enfrentando Bruno Covas, José Aníbal e Andrea Matarazzo. Agora disputo com José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab. Que tal?
A presidente Dilma Rousseff já avisou a ministros próximos que Ricardo Oliveira será exonerado da vice-presidência de Governo do Banco do Brasil e que vai atuar para apear Ricardo Flores do comando da Previ.
O Planalto responsabiliza a dupla por alimentar a guerra entre o BB e o fundo de pensão. Eles foram alertados no auge da crise pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) de que seriam demitidos se a troca de acusações prosseguisse. A divulgação de que Flores comprou uma casa com parte dos recursos em dinheiro vivo fez o governo concluir que o recado foi ignorado.
O presidente do BB, Aldemir Bendine, será mantido.
Viva voz Na reunião em que foi alterada a Lei Geral da Copa, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) assegurou ao líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), por telefone, que o governo não havia se comprometido com a Fifa a permitir a venda de bebida alcoólica nos estádios.
Tim-tim 1 O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez comemoração regada a uísque na residência oficial na noite em que Chinaglia foi nomeado à liderança. Petistas viram no gesto uma forma de tripudiar sobre Cândido Vaccarezza, desafeto de Maia, que perdeu o cargo.
Tim-tim 2 A assessoria de Maia nega a provocação e diz que a festa era pela chegada de Paulo Ferreira, também do PT gaúcho, ao Congresso.
Novo round O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), sugeriu em almoço da Frente Parlamentar da Agricultura que a votação do Código Florestal ficasse para 2 de julho, depois da Rio+20. A proposta foi debatida e recusada por 13 votos a 1.
Saldo devedor Nomeado com a missão de ampliar a base governista no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM) corre o risco não só de perder os sete votos do PR como de não entregar os dos rebeldes peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Roberto Requião (PR).
Concorrência Em tempo de crise na base aliada, as trupes do "CQC" e do "Pânico", ambos na Bandeirantes, terão companhia no Congresso. O "Casseta & Planeta", que voltará ao ar na Globo, pediu e já obteve autorização para gravar na Câmara.
Popstar Correligionários de Marta Suplicy justificam a ausência da senadora dos eventos de pré-campanha de Fernando Haddad: "Se ela entrar hoje, atrapalha mais que ajuda. Já pensou numa visita à periferia? Ofusca o candidato", diz um martista.
Eu? Imagina! Em conversas com haddadistas, Marta nega ter estimulado qualquer tratativa de substituição de candidatura e se diz "100% focada" no Senado.
Amor bandido Do líder petista na Câmara, Jilmar Tatto, sobre a perspectiva de Haddad perder o apoio do PR, em crise com o governo: "O PR vem conosco. Eles são mais generosos com a gente do que nós somos com eles".
Oremos 1 A retomada da distribuição dos panfletos da Igreja Católica contra Dilma Rousseff já tem data marcada: será na próxima quarta, dia 21, em ato público na praça da Sé. Os impressos foram apreendidos em 2010 e liberados agora pela Justiça.
Oremos 2 Quem pilota o evento é d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos que pregou boicote à então candidata do PT. O grupo irá ainda ao Fórum João Mendes para repudiar o anteprojeto de reforma do Código Penal, que amplia as hipóteses de aborto legal.
Linha vermelha As panes de trens e metrô tiram o sono de Geraldo Alckmin. O tema remete o tucano à tensão eleitoral de 2010. Anteontem, em reunião sobre investimentos nas empresas do setor, o governador ignorou a pauta. Só quis saber da apuração das falhas que afetaram 165 mil passageiros.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
O governo deve ter se empolgado com a onda do MMA. No melhor estilo Anderson Silva, resolveu acertar as contas com o Congresso, os partidos e os militares ao mesmo tempo.
DO CIENTISTA POLÍTICO RUBENS FIGUEIREDO, sobre a crise entre o Planalto
e a base aliada e a reação do governo ao manifesto de oficiais da reserva contestando a autoridade de Dilma e do ministro Celso Amorim (Defesa).
contraponto
Que dureza!
Ricardo Tripoli (PSDB-SP) conversava anteontem com dois congressistas do Rio e de Minas quando um deles quis saber qual era a temperatura das prévias tucanas. Tripoli, que se negou a desistir da disputa, resumiu:
-Comecei enfrentando Bruno Covas, José Aníbal e Andrea Matarazzo. Agora disputo com José Serra, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab. Que tal?
Já vi esse filme antes - BARBARA GANCIA
FOLHA DE SP - 16/03/12
No meu documentário, Spike Lee tenta descobrir como Eike Batista conseguiu tanta vantagem com a Petrobras
O CINEASTA Spike Lee está preparando um documentário sobre o Brasil. Ele deve se chamar "Go Brazil Go!" e irá nos mostrar neste momento particular de glória. Uau, que bacana!
Sou fã da cruzada antirracista de Spike Lee. Apesar de não comungar com muitas de suas neuroses, concordo que, a cada dez vezes que o negro norte-americano for confrontado com autoridades, ao menos em, bem, dez ele correrá o risco de passar por algum tipo de dissabor.
Quando li a notícia de que Spike Lee viria filmar no Brasil, logo pensei: "Imagine se ele consegue fazer sobre o Brasil uma análise tão relevante quanto "Quando os Diques se Romperam", seu documentário sobre a passagem do furacão Katrina por Nova Orleans?".
Ao documentar o comportamento das autoridades locais da Lousiana e federais do então governo Bush (mas poderia ser de outro governo federal), Lee expôs os séculos de maus-tratos a que foram submetidos os negros de seu país.
Mostrou não ter sido obra do destino que aqueles que foram deixados para trás para morrer na enchente eram pobres e pretos. E aqui no Brasil, será que Spike Lee também vai filmar as injustiças de nossos pretos e enjeitados?
Então ele pode abrir com o clube de comédia em que o humorista -ou sei lá como se define o "wannabe" de Danilo Gentili que estava no palco- chamou o tecladista de "macaco" e prosseguir para o breu de uma rua da Cohab Adventista de onde Mano Brown, em meio ao ruído de sirenes de carro de polícia, surgiria entoando um de seus hinos fantásticos. Do som dos Racionais MC"s passaria então para a batida forte da caixa de som de uma Land Rover que estaria entrando no valet parking do recém-inaugurado shopping JK, na porção mais elegante de São Paulo.
Seria Spike Lee e o contraste "bling" com farofa. O que será que as plateias de Vancouver e Estrasburgo iriam achar disso? E corta para uma cena aérea, também noturna, da baía da Guanabara. Agora, estamos sobrevoando a Rocinha, os tetos dos casebres vão passando rente à câmera e um narrador conversa com uma moradora que perdeu marido, pai, mãe e três filhos para a guerra contra o tráfico. Ela já usou de tudo, agora está no crack e grávida. E deve para os traficas espantados pela pacificação. Sinuca.
Agilidade na edição, caímos de paraquedas no edifício Chopin, em Copacabana. Spike Lee está na sala com Narcisa e ela pergunta: "Do you like samba?". Ele faz cara de mau. No seu filme, não tem mulata rebolando e sorrindo para o príncipe Harry, não tem favela gentil, não tem menino que foi "cristianizado" por ONG e que agora joga capoeira para canalizar a raiva de ter se ferrado no Brasil.
"Fuck Mangueira, I want to see Eike!", Spike pede à Narcisa que o leve ao magnata. Ele não está interessado em saber se a Copa vai ser bem organizada ou se a Olimpíada vai deixar legado. Quer mais é descobrir como Eike Batista conseguiu fazer negócios tão vantajosos com a Petrobras. E por que ninguém se escandaliza com isso.
"Em seguida, você me leva para conhecer a Amazônia, que eu quero ver de perto a questão do desmatamento e entender porque vocês insistem em exportar carne a preço de banana." Spike agora fala um português irretocável e, demonstrando grande intimidade com sua interlocutora, conclui: "Mas, Narcisa, se a gente pudesse não ir de helicóptero, eu agradeceria".
No meu documentário, Spike Lee tenta descobrir como Eike Batista conseguiu tanta vantagem com a Petrobras
O CINEASTA Spike Lee está preparando um documentário sobre o Brasil. Ele deve se chamar "Go Brazil Go!" e irá nos mostrar neste momento particular de glória. Uau, que bacana!
Sou fã da cruzada antirracista de Spike Lee. Apesar de não comungar com muitas de suas neuroses, concordo que, a cada dez vezes que o negro norte-americano for confrontado com autoridades, ao menos em, bem, dez ele correrá o risco de passar por algum tipo de dissabor.
Quando li a notícia de que Spike Lee viria filmar no Brasil, logo pensei: "Imagine se ele consegue fazer sobre o Brasil uma análise tão relevante quanto "Quando os Diques se Romperam", seu documentário sobre a passagem do furacão Katrina por Nova Orleans?".
Ao documentar o comportamento das autoridades locais da Lousiana e federais do então governo Bush (mas poderia ser de outro governo federal), Lee expôs os séculos de maus-tratos a que foram submetidos os negros de seu país.
Mostrou não ter sido obra do destino que aqueles que foram deixados para trás para morrer na enchente eram pobres e pretos. E aqui no Brasil, será que Spike Lee também vai filmar as injustiças de nossos pretos e enjeitados?
Então ele pode abrir com o clube de comédia em que o humorista -ou sei lá como se define o "wannabe" de Danilo Gentili que estava no palco- chamou o tecladista de "macaco" e prosseguir para o breu de uma rua da Cohab Adventista de onde Mano Brown, em meio ao ruído de sirenes de carro de polícia, surgiria entoando um de seus hinos fantásticos. Do som dos Racionais MC"s passaria então para a batida forte da caixa de som de uma Land Rover que estaria entrando no valet parking do recém-inaugurado shopping JK, na porção mais elegante de São Paulo.
Seria Spike Lee e o contraste "bling" com farofa. O que será que as plateias de Vancouver e Estrasburgo iriam achar disso? E corta para uma cena aérea, também noturna, da baía da Guanabara. Agora, estamos sobrevoando a Rocinha, os tetos dos casebres vão passando rente à câmera e um narrador conversa com uma moradora que perdeu marido, pai, mãe e três filhos para a guerra contra o tráfico. Ela já usou de tudo, agora está no crack e grávida. E deve para os traficas espantados pela pacificação. Sinuca.
Agilidade na edição, caímos de paraquedas no edifício Chopin, em Copacabana. Spike Lee está na sala com Narcisa e ela pergunta: "Do you like samba?". Ele faz cara de mau. No seu filme, não tem mulata rebolando e sorrindo para o príncipe Harry, não tem favela gentil, não tem menino que foi "cristianizado" por ONG e que agora joga capoeira para canalizar a raiva de ter se ferrado no Brasil.
"Fuck Mangueira, I want to see Eike!", Spike pede à Narcisa que o leve ao magnata. Ele não está interessado em saber se a Copa vai ser bem organizada ou se a Olimpíada vai deixar legado. Quer mais é descobrir como Eike Batista conseguiu fazer negócios tão vantajosos com a Petrobras. E por que ninguém se escandaliza com isso.
"Em seguida, você me leva para conhecer a Amazônia, que eu quero ver de perto a questão do desmatamento e entender porque vocês insistem em exportar carne a preço de banana." Spike agora fala um português irretocável e, demonstrando grande intimidade com sua interlocutora, conclui: "Mas, Narcisa, se a gente pudesse não ir de helicóptero, eu agradeceria".
Política e naufrágio - FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 16/03/12
Um traço essencial do naufrágio no mar é a perda da linha do horizonte. Nesse sentido, a política brasileira naufragou, pois seus principais movimentos não apontam para lugar algum, exceto a luta por espaço no governo.
O ex-ministro José Dirceu afirmou que coexistem unidade e luta na base do governo. Numa visão consensual na esquerda, esses elementos existem em qualquer estrutura política e, para alguns, até na matéria física. Mesmo adotando a visão de unidade e luta para explicar o que se passa no governo, não se consegue explicar o sentido dessas lutas.
Em outros momentos históricos os confrontos se davam em torno de ideias e os protagonistas tratavam de difundi-las para ganhar apoio. A simpatia popular era vista como essencial para definir o vencedor. Com o naufrágio da política, as lutas tornaram-se subterrâneas, quase clandestinas. A imprensa, que no passado difundia as ideias dos atores, hoje se conforma em descrever seus movimentos e analisar os resultados.
O PMDB usa uma simples votação para mandar seu recado à presidente. Não está satisfeito. A cobertura da imprensa torna-se uma forma mais ampla de transmissão do recado. O governo entra em cena dizendo-se preocupado com a tensão na sua base aliada e promete fazer tudo para atenuá-la. Com esse movimento passa um recado ampliado à base. Políticos competem entre si, via recados, mas nunca fica claro o que cada parte quer.
Por trás de tudo, nada mais que cargos, poder e dinheiro. Os rumos do País não interessam nem estiveram na mesa de debates. Ninguém ascende ao governo porque teve ideias específicas, ninguém sai porque discordou politicamente dele. Ao sair um ministro, entra outro do mesmo partido para reafirmar que a mudança das peças não altera o rígido jogo de xadrez. E la nave và, mas para onde, se não há mais horizonte?
São poucos os discursos interessantes, quase nenhum projeto, ainda que polêmico, emerge desse barco afundado. A imprensa sumiu do plenário, vai pouco às comissões: não acontece quase nada lá. Há sempre uma ou outra gafe, uma intervenção pitoresca, mas isso acaba repercutindo logo; é fácil recuperar as imagens nas gravações oficiais.
Grande parte da energia é gasta nos bares e nos corredores, onde circulam queixas, ameaças e recados. Ficamos sabendo que Sarney tem o Ministério de Minas e Energia, que Renan Calheiros luta desesperadamente para não perder o cargo na Transpetro, onde colocou um aliado. É possível fazer um amplo mapa de quem domina o quê, quem é padrinho de quem. Não e possível saber que conjunto de ideias está em jogo, porque simplesmente não há conjunto, só uma ideia fixa de ocupar espaços rentáveis.
A política fechou-se nela mesma, despojou-se de suas características históricas e virou uma corporação que cuida dos próprios interesses. Sua única vulnerabilidade é o intenso trabalho investigativo da imprensa, que revela os episódios de corrupção e desata um drama cujo andamento todos conhecemos. Caíram tantos ministros por corrupção que o governo derrubou um por incompetência para transmitir diversidade.
Num amplo debate internacional sobre os rumos da política (Making Things Public, Atmospheres of Democracy), o editor dos ensaios, Bruno Latour, usa os astrólogos para definir certos momentos históricos: algumas conjunções dos planetas são tão negativas que o melhor é ficar em casa até que os céus mandem mensagem mais animadora. Ele se pergunta se o presente político não é tão desolador a ponto de termos de esperar a passagem dos líderes e todos os atores que se movem no palco para voltarmos a nos interessar pela cena política.
Não, não e não, como diria Amy Winehouse. A cena política demora mais a mudar se nos desinteressamos. É necessário ficar o mais próximo que o estômago possa tolerar. As coisas não mudam rapidamente sem luta, não o tipo de luta interna no governo, mas a que tenta levar adiante algumas ideias que parecem corretas a seus defensores.
É uma ilusão achar também que as coisas não mudam de maneira alguma, que isso só acontecerá quando o Sargento Garcia prender o Zorro, conforme a frase de Andrés Sánchez. Há 15 dias, eu combatia essa visão de imobilidade expressa pelo ex-presidente do Corinthians, que previa longa vida para Ricardo Teixeira na presidência da CBF. Pois bem, Teixeira caiu.
O futebol brasileiro, ao contrário da economia, está em decadência e foi claramente superado pelo avanço tático e pelo profissionalismo de alguns países europeu. Ninguém vivia no futebol a euforia de progresso. E ninguém acreditava que tantas denúncias de corrupção fossem infundadas, com Teixeira movendo, às pressas, sua fortuna para Miami.
Resta saber se, como na fórmula política mais ampla, Teixeira se fará suceder por alguém do mesmo partido. O movimento inicial vai nessa direção. José Maria Marin parece ser não só do partido de Teixeira, como representar sua ala mais radical: foi filmado furtando a medalha de premiação de um torneio sub-20.
O Brasil viveu uma boa fase, com crescimento e distribuição de renda. Isso não significa ausência de desafios. Uma luta centrada em cargos e dinheiro não é resposta adequada a eles.
Imagens do futebol povoam o imaginário político brasileiro. A queda de Teixeira da CBF é também uma lição da História. O Brasil conquistou a hegemonia no esporte somando sua capacidade técnica com um nível de preparação física europeu. O futebol girou muito em torno do dinheiro. Sua base econômica foi a exportação de jogadores. Envolvidos na luta por poder e dinheiro, os cartolas nem perceberem o mundo mudando, as táticas evoluindo, o profissionalismo se impondo.
Entre a frase de Andrés Sánchez e a queda de Ricardo Teixeira se passaram três semanas. O Sargento Garcia prendeu o Zorro. As coisas mudam e sua dinâmica acabará sacudindo uma vida política naufragada na ausência de horizonte.
O pequeno mundo acabará sendo implodido por ondas eleitorais. Quando se der o momento.
Capitalismo versão 2012 - THOMAS FRIEDMAN
O ESTADÃO - 16/03/12
Se não notarem que seus 200 anos de êxito decorrem do equilíbrio,EUA verão seu modelo renascer em outra parte
David Rothkopf, diretor executivo e editor- geral da revista Foreign Policy, acaba de publicar um brilhante livro intitulado Power, Inc., sobre a épica rivalidade entre as grandes empresas e o governo que, de muitas formas, trata do que deveria estarem jogo nas eleições de 2012 nos EUA - não a "contracepção", embora a palavra comece com C, mas sim o futuro do capitalismo e da possibilidade de esse capitalismo surgir não nos EUA, mas em alguma outra parte do mundo.
Rothkopf afirma que, enquanto na maior parte do século 20 travou se no cenário mundial o grande conflito entre capitalismo e comunismo - vencido pelo capitalismo -, a grande disputa do século 21 se dará sobre a versão do capitalismo que predominará, aquela que se mostrará mais eficiente para promover crescimento e se tornará a mais emulada.
"Será o capitalismo de Pequim, de características chinesas?", pergunta Rothkopf. "Será o capitalismo que favorece o desenvolvimento democrático, da Índia e do Brasil? Será o capitalismo europeu da rede de proteção? Ou será o capitalismo americano?" É uma questão interessante, que provoca outras: que tipo de capitalismo temos hoje nos EUA e o que permitirá que ele prospere no século 21? Segundo a concepção de Rothkopf, da qual compartilho, o que os outros mais admiraram e tentaram imitar do capitalismo americano é precisamente o que nós ignoramos. O sucesso dos EUA,durante mais de 200 anos,deve use em grande parte à sua saudável e equilibrada parceria entre o público e o privado-graças à qual o governo ofereceu as instituições, as normas, as redes de segurança, a educação, a pesquisa e a infraestrutura para dotar o setor privado do poder de inovar, investir e assumir os riscos que promovem o crescimento e os empregos.
Quando o setor privado se sobrepõe ao setor público,temos a crise imobiliária de 2008. Quando o setor público se sobrepõe ao privado, entram em cena regulamentações que asfixiam a economia.
Portanto, é preciso um equilíbrio e por isso devemos deixar de lado a caricatura de "argumento segundo o qual a escolha se dá entre governo total ou mercado total", afirma Rothkopf. A lição que tiramos da história, acrescenta, é que o capitalismo tem mais condições de prosperar quando existe esse equilíbrio e"quando perdemos o equilíbrio temos problemas".
Por esse motivo, a eleição ideal de 2012 seria aquela que oferecesse ao eleitorado as versões conservadora e liberal das grandes negociações fundamentais - o equilíbrio básico do qual os EUA precisam para criar um capitalismo que seja adequado a este século.
O primeiro é um grande pacto que permita resolver a questão do déficit estrutural de longo prazo introduzindo gradativamente, por meio da reforma fiscal, aumento de impostos equivalente a US$ 1 para cada US$ 3 e cortes para dotações orçamentárias e para a defesa, nos próximos dez anos.
Se o Partido Republicano continuar defendendo a posição de que não deve haver aumentos de impostos, teremos um impasse. O capitalismo não pode funcionar sem redes de segurança socio econômica ou sem prudência fiscal e nós precisamos de ambos num equilíbrio sustentado. Como parte disso, precisaremos de um grande pacto para não acabarmos numa guerra civil entre gerações. Precisamos de um equilíbrio adequado entre os gastos do governo com asilos e creches - para os seis primeiros meses de vida e para os últimos seis.
Outro importante pacto de que precisamos é aquele entre a comunidade ambiental e a indústria do petróleo e gás no que se refere a como empreender imediatamente duas tarefas: a exploração segura das riquezas em gás natural recém-descobertas nos EUA e a construção de uma ponte para a economia de energia de baixo carbono, com ênfase na eficiência em matéria de energia.
Outro importante pacto de que precisamos é o que diz respeito à infraestrutura.
Temos um déficit de mais de US$ 2 trilhões em pontes, estradas,aeroportos, portos e conexão de internet. Precisamos de um pacto que permita ao governo associar-se ao setor privado a fim de desencadear investimentos privados em infraestrutura que sirvam ao público e ofereçam aos investidores retornos adequados.
Nos campos da educação e da saúde, precisamos de importantes pactos para chegar a uma melhor alocação dos recursos entre remediar e prevenir.
Em ambos os campos, gastamos mais do que qualquer outro país do mundo- sem, no entanto, obter resultados melhores.
Desperdiçamos muito dinheiro tratando pessoas que têm doenças contra as quais deveria haver programas de prevenção e repetindo aos estudantes universitários o que eles deveriam ter aprendido no ensino médio.
O capitalismo moderno exige trabalhadores especializados e trabalhadores que possam contar com a portabilidade dos seus planos de saúde, o que permite que se transfiram para qualquer tipo de emprego.
Também precisamos de um importante acordo entre empregadores, empregados e o governo, como ocorre na Alemanha - onde o Estado fornece os incentivos para os empregadores contratarem, treinarem e reciclarem a mão de obra. Mas não poderá existir nenhum desses pactos sem um debate público mais detalhado.
O "grande elemento que está faltando" na política americana hoje, disse-me recentemente Bill Gates em uma entrevista, "é a compreensão tecnocrática dos fatos, onde as coisas estão funcionando e onde não estão". Portanto,o debate deveria ter base em dados e não em ideologia.
O capitalismo e os sistemas políticos - como as companhias - precisam evoluir constantemente para se manterem vitais. As pessoas observam como evoluímos e se nossa versão do capitalismo democrático pode continuar prosperando. Há muitas coisas em jogo. Se os americanos "continuarem tratando a política como um reality show encenado com escasso talento teatral", afirma Rothkopf, "aumentarão a probabilidade de que o próximo capítulo da atual história do capitalismo seja escrito em algum outro lugar". /TRADUÇÃODE ANNA CAPOVILLA
Se não notarem que seus 200 anos de êxito decorrem do equilíbrio,EUA verão seu modelo renascer em outra parte
David Rothkopf, diretor executivo e editor- geral da revista Foreign Policy, acaba de publicar um brilhante livro intitulado Power, Inc., sobre a épica rivalidade entre as grandes empresas e o governo que, de muitas formas, trata do que deveria estarem jogo nas eleições de 2012 nos EUA - não a "contracepção", embora a palavra comece com C, mas sim o futuro do capitalismo e da possibilidade de esse capitalismo surgir não nos EUA, mas em alguma outra parte do mundo.
Rothkopf afirma que, enquanto na maior parte do século 20 travou se no cenário mundial o grande conflito entre capitalismo e comunismo - vencido pelo capitalismo -, a grande disputa do século 21 se dará sobre a versão do capitalismo que predominará, aquela que se mostrará mais eficiente para promover crescimento e se tornará a mais emulada.
"Será o capitalismo de Pequim, de características chinesas?", pergunta Rothkopf. "Será o capitalismo que favorece o desenvolvimento democrático, da Índia e do Brasil? Será o capitalismo europeu da rede de proteção? Ou será o capitalismo americano?" É uma questão interessante, que provoca outras: que tipo de capitalismo temos hoje nos EUA e o que permitirá que ele prospere no século 21? Segundo a concepção de Rothkopf, da qual compartilho, o que os outros mais admiraram e tentaram imitar do capitalismo americano é precisamente o que nós ignoramos. O sucesso dos EUA,durante mais de 200 anos,deve use em grande parte à sua saudável e equilibrada parceria entre o público e o privado-graças à qual o governo ofereceu as instituições, as normas, as redes de segurança, a educação, a pesquisa e a infraestrutura para dotar o setor privado do poder de inovar, investir e assumir os riscos que promovem o crescimento e os empregos.
Quando o setor privado se sobrepõe ao setor público,temos a crise imobiliária de 2008. Quando o setor público se sobrepõe ao privado, entram em cena regulamentações que asfixiam a economia.
Portanto, é preciso um equilíbrio e por isso devemos deixar de lado a caricatura de "argumento segundo o qual a escolha se dá entre governo total ou mercado total", afirma Rothkopf. A lição que tiramos da história, acrescenta, é que o capitalismo tem mais condições de prosperar quando existe esse equilíbrio e"quando perdemos o equilíbrio temos problemas".
Por esse motivo, a eleição ideal de 2012 seria aquela que oferecesse ao eleitorado as versões conservadora e liberal das grandes negociações fundamentais - o equilíbrio básico do qual os EUA precisam para criar um capitalismo que seja adequado a este século.
O primeiro é um grande pacto que permita resolver a questão do déficit estrutural de longo prazo introduzindo gradativamente, por meio da reforma fiscal, aumento de impostos equivalente a US$ 1 para cada US$ 3 e cortes para dotações orçamentárias e para a defesa, nos próximos dez anos.
Se o Partido Republicano continuar defendendo a posição de que não deve haver aumentos de impostos, teremos um impasse. O capitalismo não pode funcionar sem redes de segurança socio econômica ou sem prudência fiscal e nós precisamos de ambos num equilíbrio sustentado. Como parte disso, precisaremos de um grande pacto para não acabarmos numa guerra civil entre gerações. Precisamos de um equilíbrio adequado entre os gastos do governo com asilos e creches - para os seis primeiros meses de vida e para os últimos seis.
Outro importante pacto de que precisamos é aquele entre a comunidade ambiental e a indústria do petróleo e gás no que se refere a como empreender imediatamente duas tarefas: a exploração segura das riquezas em gás natural recém-descobertas nos EUA e a construção de uma ponte para a economia de energia de baixo carbono, com ênfase na eficiência em matéria de energia.
Outro importante pacto de que precisamos é o que diz respeito à infraestrutura.
Temos um déficit de mais de US$ 2 trilhões em pontes, estradas,aeroportos, portos e conexão de internet. Precisamos de um pacto que permita ao governo associar-se ao setor privado a fim de desencadear investimentos privados em infraestrutura que sirvam ao público e ofereçam aos investidores retornos adequados.
Nos campos da educação e da saúde, precisamos de importantes pactos para chegar a uma melhor alocação dos recursos entre remediar e prevenir.
Em ambos os campos, gastamos mais do que qualquer outro país do mundo- sem, no entanto, obter resultados melhores.
Desperdiçamos muito dinheiro tratando pessoas que têm doenças contra as quais deveria haver programas de prevenção e repetindo aos estudantes universitários o que eles deveriam ter aprendido no ensino médio.
O capitalismo moderno exige trabalhadores especializados e trabalhadores que possam contar com a portabilidade dos seus planos de saúde, o que permite que se transfiram para qualquer tipo de emprego.
Também precisamos de um importante acordo entre empregadores, empregados e o governo, como ocorre na Alemanha - onde o Estado fornece os incentivos para os empregadores contratarem, treinarem e reciclarem a mão de obra. Mas não poderá existir nenhum desses pactos sem um debate público mais detalhado.
O "grande elemento que está faltando" na política americana hoje, disse-me recentemente Bill Gates em uma entrevista, "é a compreensão tecnocrática dos fatos, onde as coisas estão funcionando e onde não estão". Portanto,o debate deveria ter base em dados e não em ideologia.
O capitalismo e os sistemas políticos - como as companhias - precisam evoluir constantemente para se manterem vitais. As pessoas observam como evoluímos e se nossa versão do capitalismo democrático pode continuar prosperando. Há muitas coisas em jogo. Se os americanos "continuarem tratando a política como um reality show encenado com escasso talento teatral", afirma Rothkopf, "aumentarão a probabilidade de que o próximo capítulo da atual história do capitalismo seja escrito em algum outro lugar". /TRADUÇÃODE ANNA CAPOVILLA
Lei Geral da Copa explicita fracasso da articulação política da presidente
O Estado de S. Paulo - 16/03/12
Novo líder na Câmara fechou acordo e, horas depois, governo admitiu equívoco e teve de recuar
Denise Madueño e Tânia Monteiro
BRASÍLIA - A fragilidade do diálogo do governo com o Congresso e os descompassos da articulação política da presidente Dilma Rousseff ficaram ainda mais evidentes nos debates que antecederam a tentativa de votação da Lei Geral da Copa. Bastaram 12 horas para a recauchutada articulação política do Planalto entrar em curto com a base e promover um vaivém em relação à proposta de liberação de venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos da Copa de 2014.
Na noite de quarta-feira, comandado pelo Palácio, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), novo líder na Câmara, bancou a decisão de que o governo vetaria a liberação de bebidas. Um comando que na manhã de quinta-feira, 15, já se tornara letra morta e escancarou uma séria de trapalhadas que começou na Presidência e se estendeu ao Congresso.
O núcleo da confusão envolveu a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e os novos líderes, que buscam um acordo em torno do projeto de Lei Geral da Copa.
As duas ministras garantiram aos líderes da base que o governo não assumira o compromisso com a Fifa de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, vetada pelo Estatuto do Torcedor. A posição destoou do que já havia sido negociado antes, quando o projeto estava na comissão especial. “Ficamos perplexos com a nova situação”, resumiu o relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT-SP).
O novo líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fechou um acordo com a base para retirar o artigo do projeto que permitia a bebida. Horas depois, uma reunião de emergência na Casa Civil reverteu a orientação. “Só chamando neurologista, um psicólogo para entender o que aconteceu”, reagiu o relator.
O ministro Aldo Rebelo confirmou o compromisso brasileiro com a Fifa. Perante o novo entendimento, o relator confirmou, na quinta-feira, que manterá no texto a permissão para a venda de bebidas. “Foi uma trapalhada”, disse, após ter ouvido a ministra Gleisi admitir que fora “induzida” ao erro por assessores.
Fracasso. O Planalto reconheceu que não passou pelo primeiro teste de sua liderança com a questão da votação da Lei Geral da Copa. “A Casa Civil entendeu tudo errado, achou que poderia mudar este artigo da lei e isso não é possível porque a venda de bebidas faz parte do acerto da Fifa com o Brasil”, disse ao Estado um interlocutor de Dilma.
O episódio se soma ao tropeço do início da semana, quando a presidente destituiu os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), surpreendendo toda a base.
Logo cedo, Dilma mandou o erro ser imediatamente corrigido. “Contrato é contrato, tem de ser respeitado. Não há o que negociar nisso. A venda de bebidas estava explícita e o Brasil concordou”, disse outro interlocutor.
A presidente rechaçou ainda a existência de crise na base. “Crise, que crise?”, desabafou, em conversa com auxiliares, acrescentando que ela tem o direito de mudar os líderes para oxigenar a relação com o Congresso.
Na quinta à tarde, Aldo, em nota, esclareceu que “não existem nem existirão restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios”. Nesse vaivém, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), admitiu a dificuldade de liquidar a votação do projeto na próxima semana.
Novo líder na Câmara fechou acordo e, horas depois, governo admitiu equívoco e teve de recuar
Denise Madueño e Tânia Monteiro
BRASÍLIA - A fragilidade do diálogo do governo com o Congresso e os descompassos da articulação política da presidente Dilma Rousseff ficaram ainda mais evidentes nos debates que antecederam a tentativa de votação da Lei Geral da Copa. Bastaram 12 horas para a recauchutada articulação política do Planalto entrar em curto com a base e promover um vaivém em relação à proposta de liberação de venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos da Copa de 2014.
Na noite de quarta-feira, comandado pelo Palácio, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), novo líder na Câmara, bancou a decisão de que o governo vetaria a liberação de bebidas. Um comando que na manhã de quinta-feira, 15, já se tornara letra morta e escancarou uma séria de trapalhadas que começou na Presidência e se estendeu ao Congresso.
O núcleo da confusão envolveu a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e os novos líderes, que buscam um acordo em torno do projeto de Lei Geral da Copa.
As duas ministras garantiram aos líderes da base que o governo não assumira o compromisso com a Fifa de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, vetada pelo Estatuto do Torcedor. A posição destoou do que já havia sido negociado antes, quando o projeto estava na comissão especial. “Ficamos perplexos com a nova situação”, resumiu o relator do projeto, deputado Vicente Cândido (PT-SP).
O novo líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fechou um acordo com a base para retirar o artigo do projeto que permitia a bebida. Horas depois, uma reunião de emergência na Casa Civil reverteu a orientação. “Só chamando neurologista, um psicólogo para entender o que aconteceu”, reagiu o relator.
O ministro Aldo Rebelo confirmou o compromisso brasileiro com a Fifa. Perante o novo entendimento, o relator confirmou, na quinta-feira, que manterá no texto a permissão para a venda de bebidas. “Foi uma trapalhada”, disse, após ter ouvido a ministra Gleisi admitir que fora “induzida” ao erro por assessores.
Fracasso. O Planalto reconheceu que não passou pelo primeiro teste de sua liderança com a questão da votação da Lei Geral da Copa. “A Casa Civil entendeu tudo errado, achou que poderia mudar este artigo da lei e isso não é possível porque a venda de bebidas faz parte do acerto da Fifa com o Brasil”, disse ao Estado um interlocutor de Dilma.
O episódio se soma ao tropeço do início da semana, quando a presidente destituiu os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), surpreendendo toda a base.
Logo cedo, Dilma mandou o erro ser imediatamente corrigido. “Contrato é contrato, tem de ser respeitado. Não há o que negociar nisso. A venda de bebidas estava explícita e o Brasil concordou”, disse outro interlocutor.
A presidente rechaçou ainda a existência de crise na base. “Crise, que crise?”, desabafou, em conversa com auxiliares, acrescentando que ela tem o direito de mudar os líderes para oxigenar a relação com o Congresso.
Na quinta à tarde, Aldo, em nota, esclareceu que “não existem nem existirão restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios”. Nesse vaivém, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), admitiu a dificuldade de liquidar a votação do projeto na próxima semana.
Politicamente correto - NANI
http://www.nanihumor.com/
O politicamente correto é a censura que não ousa dizer o nome.
Antigamente medir as palavras era um termo que se usava para você não melindrar as pessoas. A gente media, se fosse o caso, e todos ficavam felizes. Hoje jogaram um inseticida no dicionário e mataram milhares de palavras. O Politicamente Correto inventou o palavricídio. Matam palavras como se matam baratas. Essa palavra não pode mais, essa palavra é ofensiva e vamos te processar e ganhar dinheiro às suas custas. É a indústria do processo.
Não posso falar aleijado, tenho que falar cadeirante. Não tinham palavra melhor? Cadeirante. Parece um cara que não pode ver uma cadeira que vai lá e se senta. Dá idéia de preguiçoso. Cairia bem num filme policial. “Tira essa bunda gorda daí e vamos prender o bandido, seu cadeirante”. Ou numa repartição pública: ele é um funcionário cadeirante, o paletó dele está na cadeira e ele voando por aí.
O meu medo é que essas novas ordens gramaticais se tornem retroativas e alcancem as grandes músicas do nosso cancioneiro.
Imagine como seria a música do Jorge Bem:
“A banda do José afrodescente no diminutivo – no sentido carinhoso, não depreciativo – chegou/ para animar a festa/ Zambá, zambé, zambi,zambó, zambu... Esse esse esse é o José Afrodescendentinho...”
Não dá.
Afrodescendente do cabelo antes da chapinha/ qualé o pente que te penteia?/ qualé o pente que te penteia?
Sucesso da Elis Regina:
“Hoje cedo, na rua do Ouvidor/ quantos calcasianos eu vi/ Eu quero um afrodescente de cor... Ô Deus afrodescente... do Congo, ou daqui...”
A música Amélia do Ataulfo Alves e Mario Lago, depois da lei Maria da Penha, foi colocada numa cápsula do tempo e explodida no espaço. Lembram? Amélia achava bonito não ter o que comer. Esse trecho deveria ser o hino das anorexas ou bulímicas.
Favela também não pode. Hoje tem que dizer comunidade. Gente, comunidade não dá samba. Imaginem músicas recicladas.
“A comunidade não tem vez/ e o que ela fez/já foi demais/ mas olhem bem vocês/ quando derem vez a comunidade toda a cidade vai cantar, vai cantar...”
Parece propaganda do Governo.
“Tristeza, mora na comunidade/ às vezes ela sai por aí...”
“Eu sou o samba/ a voz da comunidade sou eu mesmo sim, senhor...”
É por isso que reclamam que os bons sambam morreram. Claro. (Disse claro, mas não estou discriminando os escuros e os pardos)
O politicamente correto é a censura que não ousa dizer o nome.
Antigamente medir as palavras era um termo que se usava para você não melindrar as pessoas. A gente media, se fosse o caso, e todos ficavam felizes. Hoje jogaram um inseticida no dicionário e mataram milhares de palavras. O Politicamente Correto inventou o palavricídio. Matam palavras como se matam baratas. Essa palavra não pode mais, essa palavra é ofensiva e vamos te processar e ganhar dinheiro às suas custas. É a indústria do processo.
Não posso falar aleijado, tenho que falar cadeirante. Não tinham palavra melhor? Cadeirante. Parece um cara que não pode ver uma cadeira que vai lá e se senta. Dá idéia de preguiçoso. Cairia bem num filme policial. “Tira essa bunda gorda daí e vamos prender o bandido, seu cadeirante”. Ou numa repartição pública: ele é um funcionário cadeirante, o paletó dele está na cadeira e ele voando por aí.
O meu medo é que essas novas ordens gramaticais se tornem retroativas e alcancem as grandes músicas do nosso cancioneiro.
Imagine como seria a música do Jorge Bem:
“A banda do José afrodescente no diminutivo – no sentido carinhoso, não depreciativo – chegou/ para animar a festa/ Zambá, zambé, zambi,zambó, zambu... Esse esse esse é o José Afrodescendentinho...”
Não dá.
Afrodescendente do cabelo antes da chapinha/ qualé o pente que te penteia?/ qualé o pente que te penteia?
Sucesso da Elis Regina:
“Hoje cedo, na rua do Ouvidor/ quantos calcasianos eu vi/ Eu quero um afrodescente de cor... Ô Deus afrodescente... do Congo, ou daqui...”
A música Amélia do Ataulfo Alves e Mario Lago, depois da lei Maria da Penha, foi colocada numa cápsula do tempo e explodida no espaço. Lembram? Amélia achava bonito não ter o que comer. Esse trecho deveria ser o hino das anorexas ou bulímicas.
Favela também não pode. Hoje tem que dizer comunidade. Gente, comunidade não dá samba. Imaginem músicas recicladas.
“A comunidade não tem vez/ e o que ela fez/já foi demais/ mas olhem bem vocês/ quando derem vez a comunidade toda a cidade vai cantar, vai cantar...”
Parece propaganda do Governo.
“Tristeza, mora na comunidade/ às vezes ela sai por aí...”
“Eu sou o samba/ a voz da comunidade sou eu mesmo sim, senhor...”
É por isso que reclamam que os bons sambam morreram. Claro. (Disse claro, mas não estou discriminando os escuros e os pardos)
Chicote atrás da porta - DORA KRAMER
O Estado de S. Paulo - 16/03/12
A boa notícia para o governo é que a turbulência com os partidos aliados logo passa. A má é que em breve estará de volta.
Tomemos o exemplo do PR: foi para a oposição no ano passado depois da queda de seu correligionário Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, voltou a ser governista e há 48 horas é de novo oposicionista. Por tempo indeterminado. Até que, segundo o senador Blairo Maggi, o Planalto entenda “que o PR é importante para a governabilidade”. Ou seja, devolva a pasta dos Transportes ao partido. Providência de resto inevitável, mais dia menos dia.
De idas e vindas tem sido marcada a trajetória de Dilma com sua base de apoio, cuja primeira crise de nervos explodiu antes mesmo da eleição: em agosto de 2010, a candidata oficial subindo firme nas pesquisas, o PMDB já reivindicava a divisão “meio a meio” do poder com o PT. Acalmou-se e voltou à carga logo depois da posse. Mais precisamente na primeira semana de janeiro de 2011. Cobrava participação igualitária nas decisões de governo invocando a condição de “sócio da vitória”.
Logo adiante, em maio, desabou de novo o temporal. Resultado de uma conjunção malsã de planetas: derrota na votação do Código Florestal na Câmara, reação às cartilhas anti-homofóbicas do Ministério da Educação, o escândalo que acabou com a saída do ministro Antonio Palocci da Casa Civil e consequente troca de comando no esquema de articulação política. Reclamação geral.
Dada a dimensão da trombada, o ex-presidente Lula baixou em Brasília para organizar a tropa, mas o fez de maneira tão explícita que evidenciou as falhas da presidente no setor.
Em seguida, começaram a surgir denúncias sobre a conduta de ministros e a presidente foi obrigada a providenciar uma dita faxina que não resultou em mudança de paradigma no tocante ao loteamento, mas deixou muito clara a diferença entre os critérios aplicados às demissões de uns e preservação de outros.
À falta de arte, aprofundaram-se as contrariedades ao ponto de hoje incluírem boa parte do PT, que já começa a sinalizar disposição de, quando 2014 se aproximar, buscar alternativa a mais quatro anos de convivência com o sobressalto do chicote atrás da porta.
Capatazia – As insatisfações com as maneiras da presidente Dilma Rousseff não se limitam aos partidos. Estendem-se ao empresariado. Principalmente aos empresários integrantes da comitiva em viagens presidenciais. Reclamam que Dilma não conversa. Não troca impressões: simplesmente impõe suas posições não raro com acentuado desdém pelas razões de outrem.
Em família – No momento parece mais fácil o grupo do PMDB preterido por Dilma no Senado atrair o senador Eduardo Braga que o novo líder do governo na Casa conquistar adesões entre os independentes para o “lado” do Planalto. A liderança é temporária. Como mesmo informou a presidente, agora em sistema de “rodízio” e, portanto, perecível, dependente de humores. Já a convivência interna no partido é duradoura. Essencial para o exercício do mandato presente e a sobrevivência no futuro.
Tomemos o exemplo do PR: foi para a oposição no ano passado depois da queda de seu correligionário Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes, voltou a ser governista e há 48 horas é de novo oposicionista. Por tempo indeterminado. Até que, segundo o senador Blairo Maggi, o Planalto entenda “que o PR é importante para a governabilidade”. Ou seja, devolva a pasta dos Transportes ao partido. Providência de resto inevitável, mais dia menos dia.
De idas e vindas tem sido marcada a trajetória de Dilma com sua base de apoio, cuja primeira crise de nervos explodiu antes mesmo da eleição: em agosto de 2010, a candidata oficial subindo firme nas pesquisas, o PMDB já reivindicava a divisão “meio a meio” do poder com o PT. Acalmou-se e voltou à carga logo depois da posse. Mais precisamente na primeira semana de janeiro de 2011. Cobrava participação igualitária nas decisões de governo invocando a condição de “sócio da vitória”.
Logo adiante, em maio, desabou de novo o temporal. Resultado de uma conjunção malsã de planetas: derrota na votação do Código Florestal na Câmara, reação às cartilhas anti-homofóbicas do Ministério da Educação, o escândalo que acabou com a saída do ministro Antonio Palocci da Casa Civil e consequente troca de comando no esquema de articulação política. Reclamação geral.
Dada a dimensão da trombada, o ex-presidente Lula baixou em Brasília para organizar a tropa, mas o fez de maneira tão explícita que evidenciou as falhas da presidente no setor.
Em seguida, começaram a surgir denúncias sobre a conduta de ministros e a presidente foi obrigada a providenciar uma dita faxina que não resultou em mudança de paradigma no tocante ao loteamento, mas deixou muito clara a diferença entre os critérios aplicados às demissões de uns e preservação de outros.
À falta de arte, aprofundaram-se as contrariedades ao ponto de hoje incluírem boa parte do PT, que já começa a sinalizar disposição de, quando 2014 se aproximar, buscar alternativa a mais quatro anos de convivência com o sobressalto do chicote atrás da porta.
Capatazia – As insatisfações com as maneiras da presidente Dilma Rousseff não se limitam aos partidos. Estendem-se ao empresariado. Principalmente aos empresários integrantes da comitiva em viagens presidenciais. Reclamam que Dilma não conversa. Não troca impressões: simplesmente impõe suas posições não raro com acentuado desdém pelas razões de outrem.
Em família – No momento parece mais fácil o grupo do PMDB preterido por Dilma no Senado atrair o senador Eduardo Braga que o novo líder do governo na Casa conquistar adesões entre os independentes para o “lado” do Planalto. A liderança é temporária. Como mesmo informou a presidente, agora em sistema de “rodízio” e, portanto, perecível, dependente de humores. Já a convivência interna no partido é duradoura. Essencial para o exercício do mandato presente e a sobrevivência no futuro.
Do virtual ao real - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 16/03/12
Cassada pela Justiça, medida do Procon-SP que suspendeu vendas on-line serviu mais para atrair atenção do que para proteger o consumidor
Na tela do computador, tudo funciona bem. O consumidor pode comparar preços, analisar o produto e pagar com segurança sem ter de se deslocar até a loja ou perder tempo ao telefone.
Ao que tudo indica, é quando se passa do mundo virtual para o real que surge a maior parte dos problemas no comércio eletrônico. O número de reclamações sobre produtos não entregues ou atrasos no seu recebimento cresce a cada ano e acabou por suscitar drástica intervenção do Procon-SP.
O órgão de defesa do consumidor, ligado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado, suspendeu por 72 horas o funcionamento de três portais de vendas on-line: Americanas, Submarino e Shoptime. São controlados por uma só empresa, a B2W, que concentra 20% das compras por internet no país.
A medida foi tomada na véspera da data em que se comemora o Dia do Consumidor. Se se tratava de uma demonstração de força do Procon, feita -vá lá o termo- para consumo da plateia, cabe assinalar que não teve pleno sucesso.
A iniciativa, sem dúvida draconiana, foi suspensa por liminar judicial no mesmo dia. Argumentos jurídicos à parte, é o caso de perguntar se tal suspensão, com os temporários incômodos que provoca ao próprio internauta, era a forma mais adequada de protegê-lo.
Não seria suficiente instrumento punitivo a aplicação da já considerável multa de R$ 1,744 milhão à reincidente B2W, segunda colocada na lista das empresas com maior quantidade de reclamações no Estado de São Paulo?
É verdade que, do ponto de vista do público, a paciência tem limites. Leve-se em conta que reclamar ao Procon ainda não é a primeira atitude de grande parte do público brasileiro quando se vê prejudicado. É comum que tolere atrasos na entrega, como se fosse circunstância normal da vida, só registrando sua queixa quando o fenômeno se repete.
Problemas desse tipo, de todo modo, têm crescido em intensidade. Na comparação com o ano anterior, em 2011 cresceu 180% o número de reclamações contra a B2W.
A empresa assinala que também o volume das compras pela internet cresceu acima do esperado, acarretando dificuldades logísticas para seus serviços.
Acrescentem-se, nas grandes cidades do país, os fatores de sempre: um trânsito ingovernável e a baixa qualificação dos serviços terceirizados ocultam-se sob as promessas de eficiência e facilidade anunciadas na internet.
É o país real em conflito com o ambiente virtual. Desse confronto sai usualmente prejudicado o consumidor. A menos, claro, que se intensifiquem iniciativas de fiscalização e punição -algo a ser realizado cotidianamente, e não tanto por arroubos com data marcada, nos quais obter repercussão parece ser o objetivo preponderante.
Cassada pela Justiça, medida do Procon-SP que suspendeu vendas on-line serviu mais para atrair atenção do que para proteger o consumidor
Na tela do computador, tudo funciona bem. O consumidor pode comparar preços, analisar o produto e pagar com segurança sem ter de se deslocar até a loja ou perder tempo ao telefone.
Ao que tudo indica, é quando se passa do mundo virtual para o real que surge a maior parte dos problemas no comércio eletrônico. O número de reclamações sobre produtos não entregues ou atrasos no seu recebimento cresce a cada ano e acabou por suscitar drástica intervenção do Procon-SP.
O órgão de defesa do consumidor, ligado à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado, suspendeu por 72 horas o funcionamento de três portais de vendas on-line: Americanas, Submarino e Shoptime. São controlados por uma só empresa, a B2W, que concentra 20% das compras por internet no país.
A medida foi tomada na véspera da data em que se comemora o Dia do Consumidor. Se se tratava de uma demonstração de força do Procon, feita -vá lá o termo- para consumo da plateia, cabe assinalar que não teve pleno sucesso.
A iniciativa, sem dúvida draconiana, foi suspensa por liminar judicial no mesmo dia. Argumentos jurídicos à parte, é o caso de perguntar se tal suspensão, com os temporários incômodos que provoca ao próprio internauta, era a forma mais adequada de protegê-lo.
Não seria suficiente instrumento punitivo a aplicação da já considerável multa de R$ 1,744 milhão à reincidente B2W, segunda colocada na lista das empresas com maior quantidade de reclamações no Estado de São Paulo?
É verdade que, do ponto de vista do público, a paciência tem limites. Leve-se em conta que reclamar ao Procon ainda não é a primeira atitude de grande parte do público brasileiro quando se vê prejudicado. É comum que tolere atrasos na entrega, como se fosse circunstância normal da vida, só registrando sua queixa quando o fenômeno se repete.
Problemas desse tipo, de todo modo, têm crescido em intensidade. Na comparação com o ano anterior, em 2011 cresceu 180% o número de reclamações contra a B2W.
A empresa assinala que também o volume das compras pela internet cresceu acima do esperado, acarretando dificuldades logísticas para seus serviços.
Acrescentem-se, nas grandes cidades do país, os fatores de sempre: um trânsito ingovernável e a baixa qualificação dos serviços terceirizados ocultam-se sob as promessas de eficiência e facilidade anunciadas na internet.
É o país real em conflito com o ambiente virtual. Desse confronto sai usualmente prejudicado o consumidor. A menos, claro, que se intensifiquem iniciativas de fiscalização e punição -algo a ser realizado cotidianamente, e não tanto por arroubos com data marcada, nos quais obter repercussão parece ser o objetivo preponderante.
O Brasil ficou mal na foto - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADÃO - 16/03/12
No entanto, a presidente Dilma Rousseff aproveitou uma viagem à Alemanha para reclamar da política do Banco Central Europeu e recomendar mais investimentos públicos - como se o seu governo estivesse aplicando montanhas de recursos em estradas, portos, centrais elétricas e outras obras.
As bravatas da presidente e de seus principais ministros ficam ainda mais ostensivas - e indefensáveis - quando se examinam os dados sobre o desempenho do G-20 divulgados nesta semana pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
No ano passado, as economias do G-20, as maiores do mundo, cresceram em média 2,8%, pouco mais que a brasileira (2,7%). Aquela média foi obviamente elevada pelo excelente desempenho da China (9,2%) e da Índia (7,3%), mas isso explica só em parte o resultado geral melhor que o do Brasil. Pelo menos uma economia da zona do euro cresceu mais que a brasileira. Foi a alemã, com expansão de 3%. Também exibiram crescimento maior que o do Brasil a Indonésia (6,5%), a Coreia (3,6%), o México (3,9%), a Arábia Saudita (6,8%) e a África do Sul (3,1%). O resultado final da Turquia, também membro do grupo, ainda não foi publicado, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 8,5% maior que o de igual período do ano anterior.
A OCDE publicou também outros indicadores de desempenho dos países- membros do G-20. A inflação média em 2011 chegou a 6,6% no Brasil.
Só três países tiveram desempenho pior nesse quesito: Argentina, com taxa oficial de 9,5% e taxa real provavelmente acima de 20%, Índia (8,9%) e Rússia (8,4%). Em todos os demais, incluídos alguns com crescimento acelerado, os preços aumentaram menos intensamente - 5,4% na China e na Indonésia, por exemplo.
Na Alemanha, a alta de preços ficou em 2,3%, taxa muito maior que a de 2010, mas sem risco de descontrole.
O levantamento da OCDE inclui também a expansão dos investimentos produtivos, isto é, da formação bruta de capital fixo. Isso engloba os valores aplicados em máquinas, equipamentos, construções de fábricas, de moradias e de outros edifícios e, naturalmente, em obras de infraestrutura.
O desempenho do Brasil foi ruim também sob esse aspecto. No ano passado, o total investido pelo setor público e pelo setor privado brasileiros foi 4,7% maior que em 2010. O governo apresentou esse resultado como altamente positivo, embora o investimento ainda tenha correspondido a 19,3% do PIB, proporção muito inferior à observada em outras economias.
O contraste é indisfarçável. No ano passado, o investimento aumentou 7,2% na Austrália, 6,9% no Canadá, 6,4% na Alemanha (a presidente Dilma Rousseff não devia saber disso), 8,8% na Indonésia e 5,7% na Holanda, mas esses números mostram apenas uma parte do quadro. Se a comparação envolvesse também as taxas de investimento, isto é, a porcentagem do PIB correspondente à formação de capital fixo, a desvantagem brasileira seria bem mais ostensiva.
Obaixo nível de investimento limita fortemente as possibilidades brasileiras de expansão econômica. O investimento do setor público depende principalmente da Petrobrás. O desempenho das outras estatais é, no melhor dos casos, medíocre. Os programas e projetos inscritos no Orçamento- Geral da União e financiados diretamente pelo Tesouro são executados muito lentamente. Apesar disso, a tributação brasileira é muito mais pesada que a dos outros emergentes e de boa parte dos países desenvolvidos. Essa é uma das limitações ao investimento privado.
Mas é muito mais simples, para as autoridades federais, protestar contra a expansão monetária na Europa e nos Estados Unidos e atribuir aos outros os males do Brasil. Governar seriamente dá um trabalho terrível.
CLAUDIO HUMBERTO
“Não precisamos de ministério para apoiar nossa presidente”
Deputado André Figueiredo, líder do PDT, contando lorota para ganhar ministério
REJEITOU TRANSPORTES POR SER INVESTIGADO
Além de ser dono de empresa fornecedora do ministério, o senador Blairo Maggi (PR-MT) teve outros motivos para rejeitar, duas vezes, o convite de Dilma para ser ministro dos Transportes. Ele é investigado pelo MP de Mato Grosso
por supostas irregularidades, quando governador, em repasse à construtora Encomind Engenharia: dos R$ 112,6 milhões pagos,
R$ 80 mi seriam juros por atraso na quitação de obras de governos anteriores.
PAGAMENTOS ESTRANHOS
Outras cinco empresas, como a Andrade Gutierrez, receberam por serviços prestados em governos anteriores a órgãos extintos.
MAQUINÁRIO SUSPEITO
Blairo também é alvo do MP por suposta participação no ‘Escândalo dos Maquinários’, que teria desviado R$ 44 milhões em 2009.
DEPURAÇÃO APARENTE
Dilma Rousseff está determinada a se livrar de políticos que tenham fama de fisiológicos. Mas só eles. Os fisiológicos dissimulados serão poupados.
OLHO NO RETROVISOR
Clama o bom senso que, no encontro desta sexta, Dilma, Joseph Blatter (Fifa) e o rei Pelé evitem falar em “pontapé inicial da Copa”...
TUCANO NO TSE DEIXA O PT EM ESTADO DE ALERTA
Há apreensão entre petistas diante da iminente nomeação de um filiado ao PSDB, Alcides Diniz da Silva, para o cargo de diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral. Em ano eleitoral, caberá a ele coordenar a apuração eletrônica. Diniz foi prefeito de Vazante (MG), quando filiado ao PFL, e diretor do Superior Tribunal de Justiça quando pagamentos indevidos de R$ 12 milhões a servidores puseram o TCU na sua cola.
INQUÉRITO SUSPENSO
O Conselho Nacional de Justiça suspendeu o inquérito instaurado pelo então presidente do STJ, ministro Cesar Asfor Rocha, no caso Diniz.
PRESIDENTE TOROCA
O treinador alagoano Walter Pitombo Laranjeiras, o “Toroca”, assumirá em setembro a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei.
CLÉSIO É DO PMDB
O PMDB vai prestigiar fortemente a filiação do senador Clésio Andrade (MG) ao partido, na próxima segunda-feira (19), em Belo Horizonte.
IBM NA CALADA
A IBM tenta vender por R$ 20 milhões ao governo do DF uma “sala de situação”, para momentos de emergência, semelhante à que existe no Rio de Janeiro. Quer dispensa de licitação por “notória especialização”, mas é lorota: não há exclusividade de conhecimento nesta área.
ELE SÓ QUER CONFUNDIR
Autor da CPI para investigar Carlinhos Cachoeira, Protógenes Queiroz (PCdoB) diz que o bicheiro quer mesmo é “confundir a opinião pública”. Carlinhos disse ter tratado de assuntos “nada republicanos” com ele.
VERBA INDECOROSA
Os pobres (de espírito público, claro) deputados estaduais piauienses, que ganhavam R$ 50 mil mensais de verba de gabinete, agora são campeões nacionais na safadeza: terão R$ 80 mil cada, contra R$ 23 mil dos paulistas e R$ 60 mil em Brasília. O MP recorreu à Justiça.
ESTOQUE NO FIM
Ao comentar a candidatura de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP), foi cruel: “O Lula não pode querer eleger postes todo o tempo. O estoque acabou”.
SEM TEMPO A PERDER
Candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita encontrou a governadora potiguar Rosalba Ciarlini, em Brasília, e foi logo emendando: “Preciso de sua ajuda para obter o apoio do DEM”.
A BRASILEIRA DA VOLKS
Pivô do maior escândalo sexual na cúpula da Volkswagen alemã, em 2005, a brasileira Adriana B., 47, será julgada em Berlim terça (27) por receber “mimos” de quase US$ 400 mil do ex-chefão da empresa, Klaus Volkert, em rede de prostituição. Ele foi condenado em 2008.
TIRIRICA SEM CHANCES
Terceiro mais votado em São Paulo, o deputado Paulo Maluf (PP) acredita que, apesar dos mais de um milhão de votos, Tiririca (PR) não tem chance na disputa a prefeito: “O povo só brinca com o Legislativo”.
NA PISTA DO FOGO
A perícia ainda não saiu, mas a Marinha já diz que dados preliminares indicam que o incêndio na base na Antártida começou nos geradores a diesel: o motogerador de etanol “não estava em operação”.
ATÉ DAQUI A POUCO
Virou piada em Brasília o rompimento do PR seguido da “disposição de negociar”. Agora, PR quer dizer “Pronto Retorno”.
PODER SEM PUDOR
LATINDO POR VOTOS
Na campanha de Tancredo Neves ao governo de Minas Gerais, em 1982, o deputado Ronan Tito espalmava a mão e perguntava que número era aquele. O povão respondia “cachorro!”, numa alusão ao jogo do bicho.
– Pois Tancredo será o cachorro que vai expulsar os ladrões do Palácio da Liberdade! – exclamava.
A estratégia de gosto duvidoso preocupava os amigos de Tancredo, que provocaram uma reunião sobre o assunto.
O vice Hélio Garcia discordou:
– Se for para ganhar a eleição, tem até que latir...
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REJEITOU TRANSPORTES POR SER INVESTIGADO
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R$ 80 mi seriam juros por atraso na quitação de obras de governos anteriores.
PAGAMENTOS ESTRANHOS
Outras cinco empresas, como a Andrade Gutierrez, receberam por serviços prestados em governos anteriores a órgãos extintos.
MAQUINÁRIO SUSPEITO
Blairo também é alvo do MP por suposta participação no ‘Escândalo dos Maquinários’, que teria desviado R$ 44 milhões em 2009.
DEPURAÇÃO APARENTE
Dilma Rousseff está determinada a se livrar de políticos que tenham fama de fisiológicos. Mas só eles. Os fisiológicos dissimulados serão poupados.
OLHO NO RETROVISOR
Clama o bom senso que, no encontro desta sexta, Dilma, Joseph Blatter (Fifa) e o rei Pelé evitem falar em “pontapé inicial da Copa”...
TUCANO NO TSE DEIXA O PT EM ESTADO DE ALERTA
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INQUÉRITO SUSPENSO
O Conselho Nacional de Justiça suspendeu o inquérito instaurado pelo então presidente do STJ, ministro Cesar Asfor Rocha, no caso Diniz.
PRESIDENTE TOROCA
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CLÉSIO É DO PMDB
O PMDB vai prestigiar fortemente a filiação do senador Clésio Andrade (MG) ao partido, na próxima segunda-feira (19), em Belo Horizonte.
IBM NA CALADA
A IBM tenta vender por R$ 20 milhões ao governo do DF uma “sala de situação”, para momentos de emergência, semelhante à que existe no Rio de Janeiro. Quer dispensa de licitação por “notória especialização”, mas é lorota: não há exclusividade de conhecimento nesta área.
ELE SÓ QUER CONFUNDIR
Autor da CPI para investigar Carlinhos Cachoeira, Protógenes Queiroz (PCdoB) diz que o bicheiro quer mesmo é “confundir a opinião pública”. Carlinhos disse ter tratado de assuntos “nada republicanos” com ele.
VERBA INDECOROSA
Os pobres (de espírito público, claro) deputados estaduais piauienses, que ganhavam R$ 50 mil mensais de verba de gabinete, agora são campeões nacionais na safadeza: terão R$ 80 mil cada, contra R$ 23 mil dos paulistas e R$ 60 mil em Brasília. O MP recorreu à Justiça.
ESTOQUE NO FIM
Ao comentar a candidatura de Fernando Haddad (PT) a prefeito de São Paulo, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP), foi cruel: “O Lula não pode querer eleger postes todo o tempo. O estoque acabou”.
SEM TEMPO A PERDER
Candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita encontrou a governadora potiguar Rosalba Ciarlini, em Brasília, e foi logo emendando: “Preciso de sua ajuda para obter o apoio do DEM”.
A BRASILEIRA DA VOLKS
Pivô do maior escândalo sexual na cúpula da Volkswagen alemã, em 2005, a brasileira Adriana B., 47, será julgada em Berlim terça (27) por receber “mimos” de quase US$ 400 mil do ex-chefão da empresa, Klaus Volkert, em rede de prostituição. Ele foi condenado em 2008.
TIRIRICA SEM CHANCES
Terceiro mais votado em São Paulo, o deputado Paulo Maluf (PP) acredita que, apesar dos mais de um milhão de votos, Tiririca (PR) não tem chance na disputa a prefeito: “O povo só brinca com o Legislativo”.
NA PISTA DO FOGO
A perícia ainda não saiu, mas a Marinha já diz que dados preliminares indicam que o incêndio na base na Antártida começou nos geradores a diesel: o motogerador de etanol “não estava em operação”.
ATÉ DAQUI A POUCO
Virou piada em Brasília o rompimento do PR seguido da “disposição de negociar”. Agora, PR quer dizer “Pronto Retorno”.
PODER SEM PUDOR
LATINDO POR VOTOS
Na campanha de Tancredo Neves ao governo de Minas Gerais, em 1982, o deputado Ronan Tito espalmava a mão e perguntava que número era aquele. O povão respondia “cachorro!”, numa alusão ao jogo do bicho.
– Pois Tancredo será o cachorro que vai expulsar os ladrões do Palácio da Liberdade! – exclamava.
A estratégia de gosto duvidoso preocupava os amigos de Tancredo, que provocaram uma reunião sobre o assunto.
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