sexta-feira, fevereiro 17, 2012
O caso raro do coronel Davis - MOISES NAÍM
FOLHA DE SP - 17/02/12
Militar não acredita que EUA sairão do Afeganistão em 2014, como prometeu o presidente Barack Obama
É provável que você nunca tenha ouvido falar de Daniel Davis. Ele é tenente-coronel do Exército dos Estados Unidos, trabalha no Pentágono e participou das duas guerras contra o Iraque e da guerra no Afeganistão. Regressou recentemente de sua última missão nesse país e escreveu um relatório que começa assim: "Em seus comunicados ao Congresso e ao povo americano, os militares de mais alto escalão distorceram a tal ponto os fatos sobre a situação real no Afeganistão que a verdade se tornou irreconhecível. Isso prejudicou a credibilidade dos EUA diante de aliados e inimigos, limitando gravemente nossa capacidade de conquistar uma solução política no Afeganistão. Já custou bilhões de dólares que, se a verdade tivesse sido conhecida, o Congresso jamais teria aprovado; essa conduta de nossos líderes militares vem prolongando a guerra. Mas o maior custo decorrente do logro são as dezenas de milhares de militares feridos, mutilados ou mortos cujo sacrifício resultou em pouco ou nenhum benefício ao país".
E esta é apenas a versão pública do relatório de Davis. Ele também produziu uma versão confidencial. Não satisfeito com isso, o coronel Davis publicou um artigo explosivo na "Armed Forces Journal", em que afirma: "Tenho sido testemunha da ausência de êxito em qualquer nível... Quantos mais terão que morrer em nome de uma missão que não está tendo êxito?".
Davis me disse que mais de 800 mil pessoas leram esse artigo. E foi apenas depois de toda essa atividade pública que ele informou a seus superiores. Quando o entrevistei, o fiz ver que essa é a conduta de alguém que parece não se importar com a possibilidade de ser expulso das Forças Armadas -ou até mesmo levado a julgamento. "Nada disso", Davis respondeu. "Esta é minha vida. Quero continuar nisto enquanto eu puder servir a meu país."
Que a guerra no Afeganistão esteja indo muito mal não constitui surpresa. A surpresa é que, segundo Davis, ela vai muito pior do que concluem os relatórios de militares americanos. Outra surpresa é que um oficial na ativa esteja infringindo todas as regras e denuncie seus superiores no Pentágono. E o mais surpreendente é que Davis ainda não tenha sido castigado.
Uma possibilidade é que o coronel goze da proteção de um grupo de generais dissidentes e seja, de certa forma, porta-voz desse grupo. Na conversa que teve comigo, Davis negou isso com veemência. A outra hipótese é que o Pentágono receie a possibilidade de uma represália aumentar mais ainda a visibilidade e influência do coronel. Finalmente, outra surpresa é que o coronel Davis me disse que não acredita que os EUA vão sair do Afeganistão em 2014, como prometeu o presidente Obama. Para Davis, a estratégia provavelmente será deixar fortes bastiões militares em alguns locais estratégicos do país. Segundo ele, as tropas deixadas nesses locais devem dedicar-se primordialmente a capturar -ou matar- os terroristas que usem o país como base. É uma maneira brutal de dizer que não existe esperança alguma de que apareça no Afeganistão uma nação pacífica, próspera e democrática.
Tradução de CLARA ALLAIN
Ideia maluca - LUIZ GARCIA
O GLOBO - 17/02/12
Um grupo de juristas que ajudam o Senado numa muito necessária reforma do Código Penal teve uma ideia absolutamente original. A originalidade costuma ser prova de imaginação criadora, algo que supostamente - ou quase sempre - deve ser estimulado em especialistas incumbidos de reformas.
Vejamos se há, neste episódio, razão para aplauso. A proposta é simples, pelo menos aparentemente: trata-se da criação de uma compensação para cidadãos condenados pela Justiça. Eles seriam beneficiados com uma redução de até um sexto de suas penas sempre que fossem vítimas de excessos ou abusos por parte de algum órgão da mídia. É uma ideia ainda em começo de carreira. Precisará ser aprovada pelos 16 especialistas - juízes, promotores e juristas diversos - e em seguida passar pelo Senado e pela Câmara antes de subir à sanção da presidente Dilma.
Há, portanto, bastante tempo e suficiente espaço para que seja abandonada. E precisa sê-lo. Na forma atual da proposta, os juízes poderão abrandar a pena sempre que o réu "sofrer violação dos direitos do nome e da imagem pelo abuso degradante dos meios de comunicação social". A existência do tal abuso degradante - algo mais vago do que isso é impossível - será decidida pelo juiz, por critérios obviamente pessoais e bastante subjetivos.
Se a ideia for adiante, podemos esperar duas consequências curiosas. Uma delas seria a adoção pela mídia de uma censura voluntária do noticiário, para não contribuir para livrar algum réu da pena merecida. A outra, mais original, e com certeza bem possível, seria um acusado remunerar jornalistas desonestos - que existem, sou obrigado a confessar, para surpresa de ninguém - para que baixassem o porrete na sua biografia. O dano para a reputação do réu esperto seria passageiro (como diz velho ditado, o jornal de ontem serve apenas para embrulhar o pão) e o espertalhão voltaria para casa mais cedo.
A novidade, registre-se com alívio, embora elogiada por alguns juristas, tem sido criticada por parlamentares e membros da comissão de reforma do Código Penal. É bastante provável que não sobreviva, mas é preciso olho vivo. De onde saiu essa proposta podem brotar outras, talvez não tão obviamente malucas.
Enfrentar a obsolescência das estruturas urbanas - WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 17/02/12
A rotina massacrante das metrópoles e das demais grandes cidades brasileiras já não chega a ser tema central das preocupações da sociedade, tal a sua frequência no noticiário do cotidiano, ao lado da ausência quase total de soluções. Acontecimentos recentes, como o desabamento parcial ou total de edifícios, explosões de bueiros e redes subterrâneas, entre outros, têm, entretanto, levado a cogitações e iniciativas mais que oportunas. Como a página em edição recente do caderno Aliás (5/12) deste jornal, em que o professor Vinicius M. Netto, da Universidade Federal Fluminense, entrevistado por Ivan Marsiglia, alerta, sob o título Cidades partidas, para o que considera sintomas de "um problema mais amplo e perturbador: a exaustão das estruturas e infraestruturas das metrópoles brasileiras".
Para o entrevistado, a dificuldade de entender os problemas de nossas cidades leva à ausência de planejamento estratégico e da mobilização de técnicos "em número e preparo suficientes". O Rio de Janeiro, nesse particular, já estaria mostrando esses "sinais de exaustão de suas estruturas e infraestruturas". E, o que é mais grave, essa degradação já afetaria todas as capitais brasileiras. Talvez um sinal claro esteja no desejo da Prefeitura paulistana de tornar obrigatórios vistoria e laudo técnico a cada cinco anos para edifícios não residenciais com mais de 500 metros quadrados (Estado, 7/2).
Preocupação semelhante parece estar levando a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, a programar para o início de maio próximo um seminário internacional - Metropolização Brasileira e os Desafios da Gestão Urbana - em que especialistas de vários ministérios discutirão com convidados de vários países os dramas das nossas grandes cidades e possíveis soluções. Para que questões como as da violência urbana, da insegurança coletiva, do transporte massacrante, da moradia precária, da ausência de serviços básicos deixem de ser apenas um item do noticiário rotineiro e consigam chegar ao plano das soluções efetivas.
O próprio setor imobiliário residencial analisa, em recente publicação - Condutas de Sustentabilidade (Secovi-SP) -, o peso desse segmento em várias áreas, como a demanda de 40% da energia total no mundo, o consumo de um terço dos recursos naturais planetários, a emissão de um terço dos gases que influenciam mudanças climáticas, 12% do consumo de água potável e 40% dos resíduos sólidos urbanos produzidos. E os 10% da mão de obra total empregados geram 10% do produto bruto mundial. Quando se fala em termos brasileiros, o setor responde por 16% do consumo de água, 9,4 toneladas de materiais por habitante/ano e 500 quilos de resíduos sólidos gerados por ano - ou 95 milhões de toneladas/ano totais. E com o emprego de 6,9 milhões de pessoas consome 10,8% da energia total e 22,3% da eletricidade. Números gigantescos, que aumentam a preocupação com as infraestruturas, que não param de crescer. Em São Paulo, por exemplo, as construtoras estimam em torno de 570 mil novos metros quadrados de escritórios classe A (cinco vezes mais que em 2011) o total para 2012, ou 28% de acréscimo.
Até quando suportaremos tal crescimento urbano?
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nossa taxa anual de natalidade já está abaixo da reposição (comparando com a de mortalidade). Mas ainda temos uma quantidade imensa de mulheres em idade fértil, que nasceram em outras décadas. E a expectativa de vida continua a subir. Por isso, só em 2010, mais 1,62 milhão de pessoas se acresceram à população brasileira, e esta chegou a 192,3 milhões. Nossas metrópoles não param de crescer - 11,3 milhões de habitantes em São Paulo, 6,4 milhões no Rio de Janeiro, 2,7 milhões em Salvador, 2,6 milhões em Brasília, 2,5 milhões em Fortaleza, 2,4 milhões em Belo Horizonte.
Mas se forem computadas as populações de regiões metropolitanas, São Paulo vai para 19,8 milhões; o Rio, para 11,7 milhões; Belo Horizonte, para 5,5 milhões; Porto Alegre, para 3,9 milhões; o Distrito Federal, para 3,8 milhões. As 15 maiores somarão 71,7 milhões de pessoas, ou 37,25% do total. Sem falar que o processo de metropolização, com repetição do modelo, avança a passos largos, seja no eixo São Paulo-Uberlândia, seja em outras regiões. Portanto, mesmo com as taxas de nascimento em decréscimo, ainda levaremos algumas décadas e teremos mais dezenas de milhões de pessoas antes de alcançar a estabilização.
Diante disso, como suportar o crescimento exponencial dos dramas do trânsito e das mortes que ele provoca (19 por 100 mil habitantes, ante 5 na Europa, por exemplo, menos ainda nos Estados Unidos)? Como admitir que até 2020 se calcule que haverá um crescimento de 62,3% na frota automotiva, e com a venda de motocicletas superando a de automóveis? Como pensar que o número de homicídios - que chegou a quase 50 mil em 2010 - continue a se elevar e já esteja em 137 por dia? E a tudo isso se vem somar a evidente obsolescência física das infraestruturas urbanas, que está levando setores importantes a reflexões aprofundadas.
Já há uns 30 anos o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão da respectiva convenção da ONU, vem alertando para o número crescente de desastres que levam à destruição de pontes, aterros, cabeceiras de pontes, etc., em rodovias, em razão do volume maior de chuvas e de sua concentração em menor número de horas - o que agrava a pressão sobre as estruturas. Essa pressão tem chegado às cidades e suas estruturas por causa da redução das calhas de rios, como se tem visto muito em várias regiões brasileiras. Agora começa a ficar evidente a obsolescência das próprias estruturas físicas urbanas, provocando acidentes até aqui impensáveis.
É indispensável que o poder público se associe às preocupações acadêmicas e dê consequência aos estudos, transforme-os em soluções urgentes.
O Inferno de Disney - FERNANDA TORRES
FOLHA DE SP - 17/02/12
Por doze anos recusei levar meu filho à Disney. Uma convicção estética inarredável orientava a minha negação. Nessas férias, porém, uma viagem ao México com escala em Miami amoleceu meu coração de mãe.
No dia 24 de janeiro do fatídico ano de 2012, abandonei os maias e a esplendorosa península do Yucatán para entrar em um avião rumo à Orlando. A temporada de cinco dias na Flórida foi comparável aos círculos de sofrimento de "A Divina Comédia", de Dante.
Como Deus ora pelos inocentes, meu rebento menor, de três, caiu com 39 graus de febre no aeroporto de Cancún. A milagrosa virose o deixou de molho nas primeiras 72 horas de aflição na América, enquanto eu e o maior adentrávamos as profundezas da terra onde os sonhos se tornam realidade.
O Limbo, primeiro círculo de penitência, se apresentou na forma de montanhas-russas colossais que comprimem os sentidos a forças G inimagináveis. Deixei meus neurônios serem prensados contra a parede do crânio em loopings cadenciados, até ser cuspida tal e qual um zumbi agastado, tomado por abobamento crônico.
As máquinas medievais de martírio causam náusea, vômito e enxaqueca.
Para os que preferem sofrer ao rés do chão, simuladores provocam a mesma sensação de abismo sem saírem do lugar em que estão.
Na sétima hora do dia, enquanto era sugada, no lugar da chupeta, por uma Maggie Simpson descomunal, eu já não falava e nem me mexia. Caí dura no resort de golfe, "wonder land" da terceira idade muito frequente na região.
A Flórida é o último refúgio dos que viveram até a aposentadoria.
Abri o olho e reneguei assistir a tormenta das baleias cativas nos tanques do Sea World. Atrás de motivos para ser castigada, fui arrastada às compras por um furacão chamado luxúria.
Usufruímos o céu nublado da Universal da tarde seguinte. O ar de quermesse do parque vazio, o clima ameno e o Harry Potter nos fizeram crer na alegria infantil dos americanos. Driblamos bem a comida intragável, servida em porções individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é dádiva quando se encara as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das lanchonetes. Orlando é a cidade campeã da obesidade mórbida; o Lago de Lama dos que sucumbiram à gula.
A última alvorada foi dedicada à Disney. O sol brilhou no sábado de inverno, atraindo a multidão bíblica que lotou os milhões de metros quadrados de hotéis, zoológicos e parques temáticos; interligados por rodovias, hidrovias e ferrovias futuristas.
A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas. É o ante-inferno dos indecisos que aguardam em caracóis indianos uma satisfação que nunca chega.
Você anseia para ter o direito de aguardar em pé, agarrada à democrática senha que só amplia a espera. A jornada se esvai em uma azucrinante administração de tickets. A condenação à eterna expectativa seria até suportável, não fosse o suplício sonoro.
Como vespas a picar os tímpanos, a voz aguda das musiquinhas enjoadas, os "cling", "cleng", "glom" das engenhocas de ferro e a proliferação de musicais da Broadway, encabeçados pelo grande show do castelo da Cinderela, são de perder a razão. E mesmo durante o safari, única esperança de silêncio ecológico, o timbre de buzina da guia aspirante à atriz vinha pinçar os nervos.
A comparação entre a delicadeza do Caribe mexicano e a artificialidade embalada em plástico de Orlando foi um choque e tanto.
Antes de partir, visitei o paraíso. Um pântano na zona rural povoado por crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt Disney adquiriu há décadas atrás.
Em paz, no meio da lagoa virgem, me perguntei o porquê da zona urbana daquele lugar manifestar um prazer masoquista tão arraigado.
Talvez seja culpa pelo excesso de ofertas nos supermercados, pela invenção do papel higiênico felpudo, do "super size" tudo, dos veículos alcoólatras e das cidades sem pedestres. A insustentável fartura social se penitencia tomando sustos em trem fantasmas mirabolantes.
Não é diversão, é dívida cristã. A Disney nasceu na Idade Média.
O passado condena - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 17/02/12
Um dos pontos mais importantes para a atividade política decidido ontem, na segunda sessão de votação da Lei da Ficha Limpa, que acabou sendo aprovada para entrar em vigor já nas eleições municipais deste ano, foi a possibilidade de impugnar-se candidaturas por fatos passados.
Da mesma maneira como a vigência da lei, esse seu detalhe fundamental foi aprovado por 7 votos a 4, alterando-se apenas dois votos: o ministro Dias Toffoli, que votou contra a lei, não viu inconstitucionalidade em relação à possibilidade de causas de inelegibilidade atribuídas a fatos anteriores à vigência da lei.
Já o ministro Marco Aurélio Mello, que votou a favor da lei, foi contra a utilização de fatos pretéritos como motivo para impugnação de candidaturas.
"Vamos consertar o Brasil, mas vamos consertá-lo daqui para a frente", disse o ministro. Na sua visão, aprovada como foi essa possibilidade, em vez de uma renovação normativa, temos "uma revolução".
Mesmo que Toffoli mude sua posição, pois ele se disse sensível a revê-la nesse aspecto, a maioria de 6 a 5 se imporá.
O ministro Cezar Peluso chegou a afirmar não conhecer "nem em regimes autoritários" a legislação atingir o passado. Ele foi irônico ao ser confrontado com o fato de que a maioria estava contra a sua posição:
"A lei assim perde o caráter prospectivo e geral, ganha caráter particular. Ela deixa de ser lei e passa a ser um confisco de cidadania." Por essas razões "e com o respeito à douta maioria, sempre mais sábia", Peluso registrou que há nessa decisão uma "retroatividade maligna".
O presidente do Supremo usou um argumento quase filosófico para reafirmar sua convicção: "Nessa situação, há supressão da responsabilidade ética, pois a pessoa não tem sequer a possibilidade de evitar a conduta censurada."
O ministro Ayres Britto em seu voto definiu que existem três valores consagrados: a democracia, o meio ambiente equilibrado e a moralidade da vida publica. "Valores que todo povo que se preze consagra na sua experiência histórica."
E por que a Constituição reage de forma tão severa à improbidade?, perguntou o ministro, para colocar o dedo na ferida: "Porque nossa reputação nesse campo não é boa. Permitam-me citar um trocadilho do padreAntônio Vieira: "Os governadores chegam pobres às Índias ricas (como o Brasil era chamado) e voltam ricos das Índias pobres"."
Ayres Britto defendeu a tese de que a Constituição mandou considerar a vida pregressa do candidato, "que não pode estar imersa em nebulosidade no plano ético", pois a palavra "candidatura" vem de "cândido", "limpo".
Para ele, a Lei da Ficha Limpa tem uma ambição de implantar no país "uma qualidade de vida política e acabar com uma cultura perniciosa".
O ministro Celso de Mello disse que a decisão, na realidade, "é o reconhecimento da possibilidade de o legislador imputar a situações pretéritas já consumadas a irradiação de novo efeito de Direito fundamental de participação política."
O ministro Luiz Fux rebateu: "O cidadão teria o direito adquirido de cometer o ilícito e ainda poder concorrer?". Ao quê, Ayres Britto aduziu: "A renúncia não pode significar blindagem."
Para ele, ao falar expressamente em "vida pregressa", a Constituição se referia ao passado. "Se a vida pregressa é pautada por esse namoro com o ilícito, é de se supor que vá aprofundar esse namoro no cargo público."
A certa altura do julgamento, o ministro Gilmar Mendes criou um embaraço ao dar um exemplo do que seria uma exorbitância da lei. "Fico com a preocupação de o legislador amanhã querer ampliar a lei e abarcar outros fatos do passado. Na semana passada, discutimos a Lei Maria da Penha, que tem um sentido próprio de afetar culturas. Imagine se todas as pessoas que se envolveram em espancamento de mulheres (que, embora lamentável, parece ser um esporte nacional) ficassem inelegíveis? O ato é torpe, mas razoável apanhar esse fato para refletir sobre efeitos futuros?"Acontece que a ministra Cármem Lúcia, justamente na discussão da Lei Maria da Penha, havia reafirmado que as mulheres, inclusive as ministras do Supremo, sofriam discriminação.
Mesmo criticando, chamar o espancamento de mulheres de "esporte nacional" não foi a melhor maneira de defender sua tese.
Os ministros criticaram duramente os políticos. Celso de Mello disse que a grande falha é imputável "não ao povo, mas aos partidos, que escolhem mal seus candidatos". Ayres Britto lembrou que a lei veio 16 anos depois da Emenda Constitucional Revisora número 4, que previa a análise da vida pregressa. "O Congresso estava em mora, não atendeu por conta própria o chamamento da Constituição. O povo cansado,desalentado, se organizou sob a liderança de mais de 70 organizações e criou a iniciativa popular."
O ministro Gilmar Mendes não se deixou intimidar pelas afirmações de que a vontade popular vai no sentido de aprovação da lei, afirmou: "Ao meu ver, é completamente equivocada a evocação de um desejo de uma maioria popular momentânea, a vontade do povo, para justificar o prejuízo de um princípio tão importante quanto a presunção de inocência." E ainda provocou: "Este é o mesmo povo que elege os chamados candidatos "ficha-suja". Qual vontade popular é a mais legítima?" Para o ministro Gilmar Mendes, a população passará a acreditar que a Lei da Ficha Limpa é solução porque não é muito difícil para a população acreditar no forte teor simbólico dessa lei. "Mas a função desta Corte é aplicar a Constituição, mesmo contra a opinião majoritária. E porque o problema continuará", frustrando as expectativas populares.
A coluna volta a ser publica na Quarta-Feira de Cinzas. Bom carnaval.
DE PEITO ABERTO - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 17/02/12
Uma boa parte do "high society" paulistano tirou a roupa para fazer fotos e postá-las em um blog em solidariedade a "uma amiga do peito e de peito" que teve "sua vida digital covardemente atacada e exposta". A jovem, que é relações públicas, teve o celular furtado numa festa. O ladrão encontrou no arquivo imagens em que ela estava nua e enviou para o Facebook da própria vítima.
CARETICE
Amigos como o arquiteto Felipe Diniz, a estilista Paula Raia e o produtor Pedro Igor Alcântara posaram nus e enviaram as imagens para o blog meusorrisodogato.blogspot.com. "Esse blog é feito por aqueles que compartilham da sensação de impotência, mas não se curvam à caretice desses tempos!", diz a página. "Ficamos indignados. Foi um protesto", afirma Diniz.
QUASE LÁ
A expectativa em torno da saída ou não de Ricardo Teixeira da CBF, ontem, tinha raízes no passado: em 2001, na época das CPIs que investigaram negócios do futebol, ele chegou a escrever carta de renúncia e enviar a jornalistas de sua confiança. Tudo já estava certo, mas, no dia do anúncio, Teixeira recuou.
BOM CONSELHO
Na época, pesou um conselho de José Sarney, cujo filho, Fernando Sarney, é também da CBF: Teixeira poderia até renunciar. Mas ninguém deve fazer hoje o que pode fazer em 15 dias. O cartola recuou. E acabou desistindo. Em 2002, a seleção brasileira foi pentacampeã e ele foi recebido no Palácio do Planalto por Fernando Henrique Cardoso.
EU QUERO SOSSEGO
A presidente Dilma Rousseff disse a Fátima Mendonça, primeira-dama da Bahia, que não queria nada especial durante a folga na base naval de Aratu, no Estado. "Quero é ficar com meus livros", disse Dilma, segundo Fátima.
CLIMA DE FESTA
A Webjet vendeu uma passagem a mais para um voo SP-Salvador na quarta antes do Carnaval. O passageiro que "sobrou" fez a tripulação dar risada: "Sabia que era classe econômica, mas não sabia que era de pé, não!".
DIA DE CABARÉ
O espetáculo "Cabaretfagia", baseado no conto "A Tristeza de Raimundo", do ator e diretor Gero Camilo, foi apresentado anteontem no Sesc Vila Mariana. A pianista Cida Moreira e os cantores Thiago Pethit e Rubi participaram da montagem. No repertório, canções de Brecht, Belchior, Criolo e James Brown.
FEIJUCA BOA
O empresário Ricardo Amaral realiza amanhã, no Jockey Club do Rio, mais uma edição da Feijoada do Amaral, evento que ele criou há 35 anos no sábado de Carnaval. Por lá já circularam celebridades e políticos. Em 1989, as atrizes Guilhermina Guinle e Alexia Dechamps e a modelo Luiza Brunet, grávida, foram ao evento. "O bom Carnaval tem que ter um mix com políticos, artistas, gente da sociedade, esportistas", diz Amaral.
LONGE DA ÁFRICA
Convidada por Sabrina Sato, rainha de bateria da Vila Isabel, para ser a Rainha Africana no desfile da escola, a top Gracie Carvalho declinou na última hora. Ela havia aceitado sair como destaque, no domingo, mas irá viajar para fazer uma campanha em Nova York.
TRISTONHO
Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte, participou da abertura da feira Arco, em Madri, nesta semana. Seu marido, Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal, ficou no Brasil para negociar a crise da instituição, que teve suas contas bloqueadas pelo Ministério da Cultura por irregularidades em gestões anteriores.
"Ele está muito triste. Imagina o escândalo se não tiver Bienal neste ano", diz ela.
QUEM PODE, PODE
Wagner Moura, que está em Berlim para fazer o filme "Praia do Futuro", grava nesta semana, na cidade, dois comerciais para a operadora de celular da qual é garoto-propaganda.
As campanhas serão feitas lá por causa de sua agenda.
DE GAIATO NO NAVIO
A festa Baile do Comandante aconteceu anteontem no clube Yacht, na Bela Vista. A modelo Marina Dias foi uma das DJs. O arquiteto Guto Requena circulou pela balada.
CURTO-CIRCUITO
A Trash 80's terá programação de Carnaval de hoje a terça. 18 anos.
Fernando Ferrer faz show hoje, a partir das 22h, no Azucar. 18 anos.
A Fifa, a FGV e o Cies lançam em 16 de março curso de gestão, marketing e direito no esporte, coordenado por Pedro Trengrouse, na Academia Brasileira de Letras.
Os Titãs farão sete apresentações em comemoração dos 30 anos do disco "Cabeça Dinossauro" entre os dias 8 e 17 de março. Às 21h30, no Sesc Belenzinho. 12 anos.
Uma boa parte do "high society" paulistano tirou a roupa para fazer fotos e postá-las em um blog em solidariedade a "uma amiga do peito e de peito" que teve "sua vida digital covardemente atacada e exposta". A jovem, que é relações públicas, teve o celular furtado numa festa. O ladrão encontrou no arquivo imagens em que ela estava nua e enviou para o Facebook da própria vítima.
CARETICE
Amigos como o arquiteto Felipe Diniz, a estilista Paula Raia e o produtor Pedro Igor Alcântara posaram nus e enviaram as imagens para o blog meusorrisodogato.blogspot.com. "Esse blog é feito por aqueles que compartilham da sensação de impotência, mas não se curvam à caretice desses tempos!", diz a página. "Ficamos indignados. Foi um protesto", afirma Diniz.
QUASE LÁ
A expectativa em torno da saída ou não de Ricardo Teixeira da CBF, ontem, tinha raízes no passado: em 2001, na época das CPIs que investigaram negócios do futebol, ele chegou a escrever carta de renúncia e enviar a jornalistas de sua confiança. Tudo já estava certo, mas, no dia do anúncio, Teixeira recuou.
BOM CONSELHO
Na época, pesou um conselho de José Sarney, cujo filho, Fernando Sarney, é também da CBF: Teixeira poderia até renunciar. Mas ninguém deve fazer hoje o que pode fazer em 15 dias. O cartola recuou. E acabou desistindo. Em 2002, a seleção brasileira foi pentacampeã e ele foi recebido no Palácio do Planalto por Fernando Henrique Cardoso.
EU QUERO SOSSEGO
A presidente Dilma Rousseff disse a Fátima Mendonça, primeira-dama da Bahia, que não queria nada especial durante a folga na base naval de Aratu, no Estado. "Quero é ficar com meus livros", disse Dilma, segundo Fátima.
CLIMA DE FESTA
A Webjet vendeu uma passagem a mais para um voo SP-Salvador na quarta antes do Carnaval. O passageiro que "sobrou" fez a tripulação dar risada: "Sabia que era classe econômica, mas não sabia que era de pé, não!".
DIA DE CABARÉ
O espetáculo "Cabaretfagia", baseado no conto "A Tristeza de Raimundo", do ator e diretor Gero Camilo, foi apresentado anteontem no Sesc Vila Mariana. A pianista Cida Moreira e os cantores Thiago Pethit e Rubi participaram da montagem. No repertório, canções de Brecht, Belchior, Criolo e James Brown.
FEIJUCA BOA
O empresário Ricardo Amaral realiza amanhã, no Jockey Club do Rio, mais uma edição da Feijoada do Amaral, evento que ele criou há 35 anos no sábado de Carnaval. Por lá já circularam celebridades e políticos. Em 1989, as atrizes Guilhermina Guinle e Alexia Dechamps e a modelo Luiza Brunet, grávida, foram ao evento. "O bom Carnaval tem que ter um mix com políticos, artistas, gente da sociedade, esportistas", diz Amaral.
LONGE DA ÁFRICA
Convidada por Sabrina Sato, rainha de bateria da Vila Isabel, para ser a Rainha Africana no desfile da escola, a top Gracie Carvalho declinou na última hora. Ela havia aceitado sair como destaque, no domingo, mas irá viajar para fazer uma campanha em Nova York.
TRISTONHO
Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte, participou da abertura da feira Arco, em Madri, nesta semana. Seu marido, Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal, ficou no Brasil para negociar a crise da instituição, que teve suas contas bloqueadas pelo Ministério da Cultura por irregularidades em gestões anteriores.
"Ele está muito triste. Imagina o escândalo se não tiver Bienal neste ano", diz ela.
QUEM PODE, PODE
Wagner Moura, que está em Berlim para fazer o filme "Praia do Futuro", grava nesta semana, na cidade, dois comerciais para a operadora de celular da qual é garoto-propaganda.
As campanhas serão feitas lá por causa de sua agenda.
DE GAIATO NO NAVIO
A festa Baile do Comandante aconteceu anteontem no clube Yacht, na Bela Vista. A modelo Marina Dias foi uma das DJs. O arquiteto Guto Requena circulou pela balada.
CURTO-CIRCUITO
A Trash 80's terá programação de Carnaval de hoje a terça. 18 anos.
Fernando Ferrer faz show hoje, a partir das 22h, no Azucar. 18 anos.
A Fifa, a FGV e o Cies lançam em 16 de março curso de gestão, marketing e direito no esporte, coordenado por Pedro Trengrouse, na Academia Brasileira de Letras.
Os Titãs farão sete apresentações em comemoração dos 30 anos do disco "Cabeça Dinossauro" entre os dias 8 e 17 de março. Às 21h30, no Sesc Belenzinho. 12 anos.
Dilema na Petrobras - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 17/02/12
Graça Foster, ao assumir direção da empresa, promete fidelidade incondicional a Dilma Rousseff; preços de derivados são primeiro teste
Na cerimônia de sua posse, a nova presidente da Petrobras prometeu "fidelidade incondicional" à presidente Dilma Rousseff.
A expressão é cabível numa conversa privada entre amigas de longa data; empregada em público, suscita preocupação quanto ao rigor que Graça Foster imprimirá à necessária distinção entre Dilma, seu partido (PT) e seu governo, de um lado, e de outro a União, acionista majoritária da Petrobras.
A executiva fez mais uma promessa, dirigida a outro público: a de buscar para a companhia um lucro maior que o de 2011. Foi um aceno aos numerosos acionistas minoritários, prejudicados pela evolução decepcionante que o preço das ações da Petrobras tem apresentado desde meados de 2010.
Dentre os fatores que explicam esse desempenho, claramente inferior à média dos demais papéis que compõem o índice da Bolsa de Valores de São Paulo, está a diminuição do lucro da empresa, de R$ 35 bilhões para R$ 33 bilhões, entre 2010 e 2011. E tal redução está associada, em grande parte, à política de preços da estatal.
Vários produtos têm gerado prejuízo para a Petrobras, sobretudo porque o custo de importá-los supera o preço de venda no mercado brasileiro. É o caso da gasolina e, de forma mais marcante, do diesel. Analistas estimam que em 2011 a companhia tenha sofrido prejuízo de quase R$ 2 bilhões nas operações de importação e venda de diesel -e de mais cerca de R$ 500 milhões com a gasolina.
Aumentar os preços cobrados por esses produtos nas refinarias melhoraria a rentabilidade da empresa e poderia reforçar sua capacidade de investir. Diante de outras limitações, como os prazos longos pedidos por fornecedores, já há algum tempo a Petrobras vem descumprindo suas metas de aumento da produção. Por outro lado, reajustes de combustíveis poderiam aumentar a inflação.
No que toca à gasolina, se a Petrobras determinar altas de preço nas refinarias, o governo pode mitigar o impacto sobre a inflação por meio de redução do valor de um tributo (a Cide) cobrado sobre cada litro vendido ao consumidor.
Esse expediente, no caso do diesel, teria efeito pequeno, porém, pois a parcela da Cide embutida no preço final é bem menor. Logo, seria mais substancial o impacto sobre a inflação de um realinhamento do preço do diesel.
Fica evidente que a política de preços da Petrobras envolve um conflito de interesses, entre os objetivos políticos do Planalto e a saúde da maior empresa do Brasil. Uma solução equilibrada parece incompatível com a atitude de alinhamento automático de Graça Foster com o governo de turno.
A anemia da indústria - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 17/02/12
Nunca um organismo oficial do governo brasileiro foi tão taxativo no diagnóstico como o Ipea: "A indústria brasileira enfrenta problemas sistêmicos de competitividade".
É o que vai à página 3 do último Conjuntura em Foco (veja o link: http://miud.in/1bPU). Quer dizer, o problema não é concorrência predatória da China, nem força demais dada ao agronegócio, nem descaso da política industrial. É falta de competitividade.
O estudo começa com o dimensionamento do tombo da indústria no comércio exterior. Entre 2005 e 2011, a participação de produtos manufaturados no total das exportações brasileiras despencou de 55,1% para 36,0%.
Esse resultado não tem propriamente a ver com o forte aumento das exportações de produtos primários, mas, sim, com o encolhimento de 14,4% do volume (quantum) exportado de manufaturados no período (veja o gráfico).
A avaliação do Ipea descarta sumariamente a alegação, tantas vezes repetida por dirigentes da Indústria, de que esse recuo é consequência da crise internacional, pelo encolhimento da demanda de produtos manufaturados. A perda de participação nas exportações começou bem antes, observa o Ipea. E, se houve impacto sobre encomendas da indústria nacional, a crise teve apenas "papel coadjuvante".
O Ipea busca explicação para o esvaziamento industrial na política cambial adversa e nos "problemas estruturais" conhecidos. E passa como gato sobre brasa sobre os tais "problemas estruturais", provavelmente para não expor o governo Dilma nas velhas e não resolvidas questões do custo Brasil. Vê como fatores de definhamento "a qualidade da infraestrutura, magnitude e composição da carga tributária, grau de qualificação da mão de obra e níveis de entraves burocráticos".
Os economistas do Ipea atêm suas críticas ao modelo dos governos FHC e Lula, a partir do Plano Real, e à "estratégia monetária de juros elevados e de câmbio valorizado como forma de manter a inflação em patamares considerados confortáveis para os investidores internacionais".
Ou seja, juro alto e câmbio baixo ajudaram a atrofiar a indústria, porque os governos usaram o câmbio achatado para abastecer uma população com poder aquisitivo em ascensão, ávida por consumo. Assim, importações crescentes de manufaturados (a preços relativamente baixos) agiram contra interesses imediatos da indústria e solaparam sua competitividade.
Mas o que fazer para reenergizar essa indústria cada vez mais anêmica? O Ipea propõe incentivar investimentos. E aí está a maior fragilidade do estudo. A indústria não fraquejou por falta de investimentos. Ela se dá por consequência da fraqueza anterior. Se o empresário não investiu o suficiente não foi por falta de empurrão do governo, mas porque o retorno (lucratividade) do investimento na transformação deixou de ser compensatório.
Ao contrário do que sugere o Ipea, a adoção de uma política de investimentos sem correção do problema de fundo (seja a excessiva valorização do real, seja o enorme custo Brasil) seria uma alocação inútil de esforços e de recursos.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 17/02/12
Alta do IPI não beneficia consumidor, afirma Volvo
Há apenas 45 dias de volta da França para o Brasil, Paulo Solti, o novo presidente da Volvo Cars Brasil e América Latina, diz que a matriz sueca estuda a possibilidade de produzir no Brasil, mas que, por ora, não há nada de concreto no horizonte.
"Não é fácil explicar para a Suécia o custo Brasil. Só para expor a carga tributária são dois meses", afirma Solti.
A Volvo absorveu cerca de 15% do aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os automóveis importados, segundo ele.Para Solti, o governo adotou a medida pensando apenas na balança comercial.
"Foi uma decisão técnica, mas o consumidor final não ganhou nada com ela", diz.
"Não resolveu o problema fundamental, o dos impostos. Estimular a abertura de concessionárias empregaria mais pessoas do que as cinco fábricas que eventualmente serão feitas no Brasil por causa da medida."
Segundo Solti, concessionárias chegam a empregar até cem pessoas por unidade.
"E 150 revendedores ao ano gerariam muito mais emprego", acrescenta. "O mercado cresce, tem gente querendo comprar e paga pela ineficiência do governo."
Em 2011, a Volvo, que importa os carros que comercializa no país, cresceu 140% no volume de vendas.
O segmento de luxo vende cerca de 45 mil unidades ao ano. Da Volvo, foram 5.211 em 2011, número que deve se repetir em 2012.
A partir de junho, a empresa passará a oferecer no Brasil o modelo V 60, cujo diferencial é a traseira. A frente do carro é a mesma do sedã S 60, de 2011. O preço dos quatro modelos no país varia de R$ 90 mil a R$ 250 mil.
NÚMEROS DA EMPRESA
2.168 carros Volvo foram vendidos no Brasil em 2010
5.211 automóveis da marca foram comercializados no país no ano passado
373.525 foi o número de carros vendidos em todo o mundo em 2010
449.255 automóveis foram vendidos em 2011 em todo o mundo
5 fábricas produzem os veículos da marca; estão na Suécia, na Bélgica, na China, na Tailândia e na Malásia
"O governo tomou a decisão [de elevar IPI sobre importados] pensando na balança comercial; 150 revendedores gerariam muito mais emprego do que cinco fábricas. E que tecnologia trouxeram para o país?"
ESCRITÓRIO CARIOCA
O volume de escritórios de luxo ocupados no Rio de Janeiro em 2011 superou a soma de todos os outros tipos de imóveis comerciais pela primeira vez, segundo a consultoria CB Richard Ellis.
A absorção bruta de escritórios considerados de classe A apresentou aumento de 50,5% em relação ao ano anterior e chegou a 172,2 mil metros quadrados.
No mesmo período, a ocupação dos outros imóveis teve alta de 3,4% e ficou em 133,6 mil metros quadrados, de acordo com o estudo.
Seis anos atrás, em 2006, a diferença entre os dois índices era de cerca de 82,6 mil metros quadrados.
Café... Os embarques de café atingiram 3,4% do total das exportações brasileiras e 9,2% do agronegócio do país em 2011, de acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
...encorpado Segundo Guilherme Braga, diretor-geral da entidade, nos últimos dez anos, o café brasileiro teve participação de 30% a 36% no mundo. Em 2011, o setor registrou R$ 8,7 bilhões de receita.
'Headhunter' A consultoria de recrutamento Hays acaba de abrir unidade no Chile, seu quarto escritório na América Latina. Na região, a empresa também está no Brasil, na Colômbia e no México.
Na rua Depois de chegar ao valor mais baixo dos últimos 17 anos, os casos de despejo por falta de pagamento em São Paulo cresceram 32,3% em janeiro, ante dezembro, segundo o grupo Hubert.
NEGÓCIOS NAS ARÁBIAS
A missão comercial para Arábia Saudita e Emirados Árabes, que reuniu 26 empresas brasileiras, deve gerar negócios de US$ 81,3 milhões nos próximos 12 meses, segundo a Apex-Brasil.
Os cinco dias de reuniões acabaram ontem. Entre as companhias que participaram estão Garoto, Vinícola Aurora, Eucatex e Dell Anno.
Representantes de cinco construtoras também foram a Dubai para discutir projetos de infraestrutura para as Copas do Mundo de 2014, no Brasil, e 2022, no Qatar.
CARTEIRA ASSINADA
O emprego formal no comércio varejista da região metropolitana de São Paulo subiu 5% em novembro de 2011, na comparação com o mesmo mês de 2010, segundo pesquisa da FecomercioSP, com base em dados do Ministério do Trabalho.
O ritmo de crescimento é inferior ao de novembro de 2010, que havia registrado um aumento de 7,3% na mesma base de comparação.
Em relação a outubro, o incremento foi de 14%.
O comércio ainda registra saldos positivos de contratação formal, segundo a entidade. O volume de admitidos no mês foi 52,3 mil. Foram demitidos 41,2 mil na região.
A rotatividade no comércio geral foi de 4,8%, segundo a FecomercioSP.
O segmentos de maior rotatividade foram lojas de vestuário, tecidos e calçados (7%), material de construção (4,5%), lojas de departamentos (3,8%), autopeças e acessórios (3,7%).
CANA CERTIFICADA
Um programa de certificação para produtores de cana-de-açúcar foi criado pela Raízen (joint venture entre Shell e Cosan) em parceria com a Bayer CropScience.
O projeto deve preparar os fornecedores para o processo de auditoria do grupo alemão TÜV Rheinland, que exige boas práticas agrícolas.
Apenas 14 produtores, todos da região de Piracicaba (SP), participarão da fase inicial do programa. A Raízen, porém, pretende enquadrar todos os seus fornecedores nos padrões de certificação global.
Alta do IPI não beneficia consumidor, afirma Volvo
Há apenas 45 dias de volta da França para o Brasil, Paulo Solti, o novo presidente da Volvo Cars Brasil e América Latina, diz que a matriz sueca estuda a possibilidade de produzir no Brasil, mas que, por ora, não há nada de concreto no horizonte.
"Não é fácil explicar para a Suécia o custo Brasil. Só para expor a carga tributária são dois meses", afirma Solti.
A Volvo absorveu cerca de 15% do aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os automóveis importados, segundo ele.Para Solti, o governo adotou a medida pensando apenas na balança comercial.
"Foi uma decisão técnica, mas o consumidor final não ganhou nada com ela", diz.
"Não resolveu o problema fundamental, o dos impostos. Estimular a abertura de concessionárias empregaria mais pessoas do que as cinco fábricas que eventualmente serão feitas no Brasil por causa da medida."
Segundo Solti, concessionárias chegam a empregar até cem pessoas por unidade.
"E 150 revendedores ao ano gerariam muito mais emprego", acrescenta. "O mercado cresce, tem gente querendo comprar e paga pela ineficiência do governo."
Em 2011, a Volvo, que importa os carros que comercializa no país, cresceu 140% no volume de vendas.
O segmento de luxo vende cerca de 45 mil unidades ao ano. Da Volvo, foram 5.211 em 2011, número que deve se repetir em 2012.
A partir de junho, a empresa passará a oferecer no Brasil o modelo V 60, cujo diferencial é a traseira. A frente do carro é a mesma do sedã S 60, de 2011. O preço dos quatro modelos no país varia de R$ 90 mil a R$ 250 mil.
NÚMEROS DA EMPRESA
2.168 carros Volvo foram vendidos no Brasil em 2010
5.211 automóveis da marca foram comercializados no país no ano passado
373.525 foi o número de carros vendidos em todo o mundo em 2010
449.255 automóveis foram vendidos em 2011 em todo o mundo
5 fábricas produzem os veículos da marca; estão na Suécia, na Bélgica, na China, na Tailândia e na Malásia
"O governo tomou a decisão [de elevar IPI sobre importados] pensando na balança comercial; 150 revendedores gerariam muito mais emprego do que cinco fábricas. E que tecnologia trouxeram para o país?"
ESCRITÓRIO CARIOCA
O volume de escritórios de luxo ocupados no Rio de Janeiro em 2011 superou a soma de todos os outros tipos de imóveis comerciais pela primeira vez, segundo a consultoria CB Richard Ellis.
A absorção bruta de escritórios considerados de classe A apresentou aumento de 50,5% em relação ao ano anterior e chegou a 172,2 mil metros quadrados.
No mesmo período, a ocupação dos outros imóveis teve alta de 3,4% e ficou em 133,6 mil metros quadrados, de acordo com o estudo.
Seis anos atrás, em 2006, a diferença entre os dois índices era de cerca de 82,6 mil metros quadrados.
Café... Os embarques de café atingiram 3,4% do total das exportações brasileiras e 9,2% do agronegócio do país em 2011, de acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
...encorpado Segundo Guilherme Braga, diretor-geral da entidade, nos últimos dez anos, o café brasileiro teve participação de 30% a 36% no mundo. Em 2011, o setor registrou R$ 8,7 bilhões de receita.
'Headhunter' A consultoria de recrutamento Hays acaba de abrir unidade no Chile, seu quarto escritório na América Latina. Na região, a empresa também está no Brasil, na Colômbia e no México.
Na rua Depois de chegar ao valor mais baixo dos últimos 17 anos, os casos de despejo por falta de pagamento em São Paulo cresceram 32,3% em janeiro, ante dezembro, segundo o grupo Hubert.
NEGÓCIOS NAS ARÁBIAS
A missão comercial para Arábia Saudita e Emirados Árabes, que reuniu 26 empresas brasileiras, deve gerar negócios de US$ 81,3 milhões nos próximos 12 meses, segundo a Apex-Brasil.
Os cinco dias de reuniões acabaram ontem. Entre as companhias que participaram estão Garoto, Vinícola Aurora, Eucatex e Dell Anno.
Representantes de cinco construtoras também foram a Dubai para discutir projetos de infraestrutura para as Copas do Mundo de 2014, no Brasil, e 2022, no Qatar.
CARTEIRA ASSINADA
O emprego formal no comércio varejista da região metropolitana de São Paulo subiu 5% em novembro de 2011, na comparação com o mesmo mês de 2010, segundo pesquisa da FecomercioSP, com base em dados do Ministério do Trabalho.
O ritmo de crescimento é inferior ao de novembro de 2010, que havia registrado um aumento de 7,3% na mesma base de comparação.
Em relação a outubro, o incremento foi de 14%.
O comércio ainda registra saldos positivos de contratação formal, segundo a entidade. O volume de admitidos no mês foi 52,3 mil. Foram demitidos 41,2 mil na região.
A rotatividade no comércio geral foi de 4,8%, segundo a FecomercioSP.
O segmentos de maior rotatividade foram lojas de vestuário, tecidos e calçados (7%), material de construção (4,5%), lojas de departamentos (3,8%), autopeças e acessórios (3,7%).
CANA CERTIFICADA
Um programa de certificação para produtores de cana-de-açúcar foi criado pela Raízen (joint venture entre Shell e Cosan) em parceria com a Bayer CropScience.
O projeto deve preparar os fornecedores para o processo de auditoria do grupo alemão TÜV Rheinland, que exige boas práticas agrícolas.
Apenas 14 produtores, todos da região de Piracicaba (SP), participarão da fase inicial do programa. A Raízen, porém, pretende enquadrar todos os seus fornecedores nos padrões de certificação global.
Dentro no círculo - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 17/02/12
O Brasil em 2011 cresceu menos do que o governo esperava, menos do que o mercado projetou no início do ano, menos que a Alemanha, que está no meio do redemoinho do euro. Ainda não é o número oficial, é apenas um cálculo feito pelo Banco Central, mas deu um resultado pífio: 2,79%. Há efeito estatístico, crise mundial e política de aperto monetário, nesse resultado. É uma forte queda para um país que terminou 2010 em 7,5%.
Na área externa, o ano passado foi pior do que se imaginava. Uma série de sustos e inesperados subverteram todas as previsões. A economia americana começava a retomar o crescimento quando foi abatida pela disparada do preço do petróleo, que ocorreu após a explosão no mundo árabe. A Europa, que nunca se recuperou da crise de 2008, passou por uma onda de desconfiança que afetou até países considerados centrais, como a Itália. Essa incerteza atingiu em cheio a economia brasileira.
Aqui, o país tinha contratado mais inflação quando o governo elevou muito os gastos e acelerou o ritmo de atividade para ajudar a eleger a presidente Dilma Rousseff. Não foi o único fator que a levou à vitória, mas sem dúvida o governo Lula, no seu último ano, cumpriu com intensidade o fenômeno que ocorre no ciclo eleitoral. Aumentou o gasto público para criar o clima de otimismo que o crescimento do PIB produz. O resultado foi o 7,5% de crescimento do PIB e uma forte pressão inflacionária que também pegou carona no ciclo de alta internacional das commodities.
O ano e o novo governo começaram com um forte aumento de inflação, que chegou a bater em 7,31%, em setembro. Para neutralizar esse efeito, o Banco Central elevou os juros, apertou o crédito e o Ministério da Fazenda começou a tirar alguns dos benefícios fiscais para setores. O crescimento em 12 meses foi caindo de 7,5% até terminar o ano no número ainda não conhecido, mas que deve ficar abaixo de 3%, como indicou ontem o Banco Central.
É bom lembrar que em 2010 houve um efeito estatístico favorável, porque os dados eram comparados com uma base baixa, já que em 2009 o país ficou estagnado. No ano passado, houve o oposto, a comparação foi feita com uma base alta. O ano mostrou também um desencontro entre os setores. A distância entre indústria e comércio ficou ainda maior, com o varejo em crescimento vigoroso e a indústria sentindo o efeito da importação estimulada pelo real valorizado.
Todos erraram no ano passado: governo e mercado. No início do ano, a aposta oficial era num crescimento em torno de 5%. O Boletim Focus, que traz a média das projeções de mercado, mostrava que se esperava 4,5%. A previsão do mercado era de uma inflação no ano de 5,34%. E ela foi 6,5%. O país teve menos PIB e mais inflação do que economistas e governo previam.
- O PIB desacelerou para que a inflação não estourasse o teto da meta - acha o economista Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil.
E é em parte isso mesmo. Houve no governo muito debate com acusações intramuros ao BC. Ele foi acusado de ter errado na dose dos juros, que chegaram a 12,5%, com alta de 3,75 pontos de julho de 2009 a julho de 2011. No terceiro trimestre, quando o PIB foi zero, a tensão foi maior. Por isso, o BC suspirou aliviado e até comemorou o fato de ter terminado em 6,5%, no teto máximo do intervalo de flutuação, mas permitindo que o governo dissesse que a meta não foi descumprida.
- Tivemos um PIB muito fraco no terceiro trimestre, mas que se recuperou um pouco no quarto. A desaceleração foi provocada por uma combinação de fatores: aperto monetário no início do ano, medidas macroprudenciais (aperto de crédito), piora nas perspectivas da Europa. Também tem que lembrar que em 2011 houve terremoto no Japão, revoltas no Norte da África, rebaixamento da classificação de risco dos Estados Unidos - resume o economista Alexandre Maia, da GAP Asset.
Pior do que um número pífio são as contradições que a conjuntura econômica está acumulando. A indústria já não conversa com a economia. O PIB cresce pouco, mas cresce. A indústria ficou praticamente estagnada no ano passado. A cada queda forte do dólar vários setores têm dificuldade de exportar, e alguns não aguentam competir aqui com o produto importado.
- Foi um ano em que a indústria sentiu mais. Ela estava com estoques muito elevados e teve que reduzir a produção para queimar estoques - diz o economista Alexandre Póvoa.
A balança comercial teve no ano passado um bom resultado porque a China sustentou os preços altos de commodities. Mas para este ano o governo nem quer fazer previsão de balança comercial. A Associação de Comércio Exterior (AEB) prevê forte queda do saldo comercial para o fechamento de 2012.
A economia está prisioneira desse dilema: se crescer um pouco mais, tem que derrubar o ritmo para manter a inflação controlada, em níveis altos. A meta de 4,5% já é alta para os padrões mundiais e nem isso tem se conseguido.
- A inflação de serviços passou todo o ano acima de 8%. Tem muita gente achando que o Banco Central teve sucesso na sua medida porque a inflação em 12 meses está em queda, mas estamos no terceiro ano seguido com taxas acima de 5% - diz Póvoa.
O país ficou dentro do círculo: se cresce um pouco mais, a inflação sobe; aí o Banco Central tem que subir os juros, que atraem mais capital externo de curto prazo. Isso derruba o dólar, que tem efeitos diretos na capacidade da indústria de sustentar o crescimento. A indústria pede medidas contra o produto importado, mas é ele que ajuda a impedir a alta da inflação. São esses círculos que precisam ser rompidos para que o país cresça de forma sustentada e com inflação sob controle.
O Brasil em 2011 cresceu menos do que o governo esperava, menos do que o mercado projetou no início do ano, menos que a Alemanha, que está no meio do redemoinho do euro. Ainda não é o número oficial, é apenas um cálculo feito pelo Banco Central, mas deu um resultado pífio: 2,79%. Há efeito estatístico, crise mundial e política de aperto monetário, nesse resultado. É uma forte queda para um país que terminou 2010 em 7,5%.
Na área externa, o ano passado foi pior do que se imaginava. Uma série de sustos e inesperados subverteram todas as previsões. A economia americana começava a retomar o crescimento quando foi abatida pela disparada do preço do petróleo, que ocorreu após a explosão no mundo árabe. A Europa, que nunca se recuperou da crise de 2008, passou por uma onda de desconfiança que afetou até países considerados centrais, como a Itália. Essa incerteza atingiu em cheio a economia brasileira.
Aqui, o país tinha contratado mais inflação quando o governo elevou muito os gastos e acelerou o ritmo de atividade para ajudar a eleger a presidente Dilma Rousseff. Não foi o único fator que a levou à vitória, mas sem dúvida o governo Lula, no seu último ano, cumpriu com intensidade o fenômeno que ocorre no ciclo eleitoral. Aumentou o gasto público para criar o clima de otimismo que o crescimento do PIB produz. O resultado foi o 7,5% de crescimento do PIB e uma forte pressão inflacionária que também pegou carona no ciclo de alta internacional das commodities.
O ano e o novo governo começaram com um forte aumento de inflação, que chegou a bater em 7,31%, em setembro. Para neutralizar esse efeito, o Banco Central elevou os juros, apertou o crédito e o Ministério da Fazenda começou a tirar alguns dos benefícios fiscais para setores. O crescimento em 12 meses foi caindo de 7,5% até terminar o ano no número ainda não conhecido, mas que deve ficar abaixo de 3%, como indicou ontem o Banco Central.
É bom lembrar que em 2010 houve um efeito estatístico favorável, porque os dados eram comparados com uma base baixa, já que em 2009 o país ficou estagnado. No ano passado, houve o oposto, a comparação foi feita com uma base alta. O ano mostrou também um desencontro entre os setores. A distância entre indústria e comércio ficou ainda maior, com o varejo em crescimento vigoroso e a indústria sentindo o efeito da importação estimulada pelo real valorizado.
Todos erraram no ano passado: governo e mercado. No início do ano, a aposta oficial era num crescimento em torno de 5%. O Boletim Focus, que traz a média das projeções de mercado, mostrava que se esperava 4,5%. A previsão do mercado era de uma inflação no ano de 5,34%. E ela foi 6,5%. O país teve menos PIB e mais inflação do que economistas e governo previam.
- O PIB desacelerou para que a inflação não estourasse o teto da meta - acha o economista Luis Otávio Leal, do banco ABC Brasil.
E é em parte isso mesmo. Houve no governo muito debate com acusações intramuros ao BC. Ele foi acusado de ter errado na dose dos juros, que chegaram a 12,5%, com alta de 3,75 pontos de julho de 2009 a julho de 2011. No terceiro trimestre, quando o PIB foi zero, a tensão foi maior. Por isso, o BC suspirou aliviado e até comemorou o fato de ter terminado em 6,5%, no teto máximo do intervalo de flutuação, mas permitindo que o governo dissesse que a meta não foi descumprida.
- Tivemos um PIB muito fraco no terceiro trimestre, mas que se recuperou um pouco no quarto. A desaceleração foi provocada por uma combinação de fatores: aperto monetário no início do ano, medidas macroprudenciais (aperto de crédito), piora nas perspectivas da Europa. Também tem que lembrar que em 2011 houve terremoto no Japão, revoltas no Norte da África, rebaixamento da classificação de risco dos Estados Unidos - resume o economista Alexandre Maia, da GAP Asset.
Pior do que um número pífio são as contradições que a conjuntura econômica está acumulando. A indústria já não conversa com a economia. O PIB cresce pouco, mas cresce. A indústria ficou praticamente estagnada no ano passado. A cada queda forte do dólar vários setores têm dificuldade de exportar, e alguns não aguentam competir aqui com o produto importado.
- Foi um ano em que a indústria sentiu mais. Ela estava com estoques muito elevados e teve que reduzir a produção para queimar estoques - diz o economista Alexandre Póvoa.
A balança comercial teve no ano passado um bom resultado porque a China sustentou os preços altos de commodities. Mas para este ano o governo nem quer fazer previsão de balança comercial. A Associação de Comércio Exterior (AEB) prevê forte queda do saldo comercial para o fechamento de 2012.
A economia está prisioneira desse dilema: se crescer um pouco mais, tem que derrubar o ritmo para manter a inflação controlada, em níveis altos. A meta de 4,5% já é alta para os padrões mundiais e nem isso tem se conseguido.
- A inflação de serviços passou todo o ano acima de 8%. Tem muita gente achando que o Banco Central teve sucesso na sua medida porque a inflação em 12 meses está em queda, mas estamos no terceiro ano seguido com taxas acima de 5% - diz Póvoa.
O país ficou dentro do círculo: se cresce um pouco mais, a inflação sobe; aí o Banco Central tem que subir os juros, que atraem mais capital externo de curto prazo. Isso derruba o dólar, que tem efeitos diretos na capacidade da indústria de sustentar o crescimento. A indústria pede medidas contra o produto importado, mas é ele que ajuda a impedir a alta da inflação. São esses círculos que precisam ser rompidos para que o país cresça de forma sustentada e com inflação sob controle.
Carnaval! É Proibido Pensar! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 17/02/12
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Corinthians: como estragar todas as piadas em apenas um segundo! O empate da vitória! Com o Corinthians tudo é engraçado. E o que deve ter de mano infartado!
Quem usar a palavra sofrimento tem que pagar direito autoral pra corintiano. A palavra sofrimento é de uso exclusivo de corintiano. Tão secando tanto o Corinthians que o Adriano vai emagrecer! Vai secar!
E OBA! É hoje! Grande Festa da Esculhambação Nacional! Carnaval! Tá Tudo Certo pra Dar Merda. Como diz aquele bloco do Rio. E de hoje em diante: É PROIBIDO PENSAR. A não ser que você vá passar o Carnaval jogando xadrez!
E os três pensamentos básicos pro Carnaval: 1) Transar com uma mulher só é trair todas as outras. 2) Se a Gretchen soltar um pum dentro dum saco de confete, é Carnaval o ano inteiro! 3) E faça sexo seguro. Segura aqui, ó!
E escola de samba devia ser assim: quanto mais celebridades, mais pontos perde! E eu nunca esqueço que o Marcius Melhem de "Os Caras de Pau" falou que puxador de escola de samba pensa que a gente é surdo: "Portela, o dia clareou, CLA-RE-OU". "Mangueira, mostra sua raça. A SU-A RA-ÇA!"
E, no Nordeste, se você ligar um liquidificador, sai todo mundo correndo atrás pensando que é trio elétrico. E baiano não sabe quando vai terminar o Carnaval porque não lembra mais quando começou. Eu lembro. Foi em 1500! Quando os portugueses gritaram: "Ivete à Vista".
E o sonho de um amigo meu é transar com pelada de carro alegórico: não fala nem reclama, só rebola e dá tchauzinho! Rarará!
E, pra quem vai viajar, um alerta sobre o estado das estradas: já tem buraco até no acostamento. Esperando a vez pra entrar na pista.
É tanta cratera que o pessoal não tá mais desviando dos buracos, tá desviando das estradas. Rarará! E sabe o que quer dizer BR? Abreviatura de buraco! Rarará!
Blocos 2012! Direto de Floripa: Bloco Baiacu de Alguém. Ainda bem que é de alguém! Rarará!
E direto de Minas: As Virgens do Formigueiro Quente. Nome de filme B! E tá certo: o Carnaval é um formigueiro quente.
E direto da Ilha do Governador: Encosta que Ele Cresce. E pro povo da melhor idade: Bloco da Rola Cansada! Belém do Pará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Que eu tô indo pra Bahia!
Petrobras: fantasia e realidade - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK
O Globo - 17/02/12
No artigo aqui publicado em 3/2, tratei das dificuldades que a Petrobras vem enfrentando, para cumprir a parte que lhe cabe no problemático modelo de exploração do pré-sal. Embora o artigo defendesse os melhores interesses da empresa, a Petrobras queixou-se, em carta ao jornal, de que a argumentação continha equívocos e fatos distorcidos, além de "viés negativo". Como de hábito, o artigo foi também publicado no "Estadão". Mas, curiosamente, a carta, publicada em 7/2, só foi enviada ao GLOBO.
O que dizia o artigo? Que a Petrobras está sobrecarregada pela tríplice exigência que lhe foi imposta no modelo: (a) manter o monopólio da operação dos campos do pré-sal; (b) ter participação de pelo menos 30% em cada consórcio que vier a explorar tais campos; e (c) levar adiante a "missão" de desenvolver a indústria de equipamentos para o setor petrolífero no país. E que essa última "missão", em particular, vem impondo enorme e indefensável ônus à empresa.
Na carta, a Petrobras passa ao largo do ponto principal do artigo e faz três alegações. A primeira é que o artigo "estabelecia confusão", ao relacionar a "política industrial de desenvolvimento da cadeia fornecedora do segmento de petróleo", mera "prerrogativa do governo", com a "oportunidade", concedida à empresa, de desempenhar papel tão proeminente no pré-sal. Não há confusão alguma. Quem melhor vinculou uma coisa à outra foi a própria Petrobras. Basta consultar, por exemplo, a imperdível entrevista publicada no "Estadão" de 9/9/2009, na qual o então diretor de Exploração e Produção da empresa explicava a lógica do modelo que ajudara a conceber (disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fornecedor-dita-ritmo-de-exploracao-do-pre-sal,431581,0.htm). A intenção, com todas as letras, era assegurar escala suficientemente grande à operação da Petrobras no pré-sal, para que ela pudesse levar adiante a "missão" de desenvolver a produção nacional de equipamentos. "Se uma empresa tiver de colocar duas, três plataformas, é uma coisa. Se tiver de pôr 20, é outra."
A segunda alegação é que não teria fundamento a ideia de que o governo estaria postergando licitações, tendo em vista que leilões para contratos de partilha só poderão ser feitos após decisão do Congresso sobre a questão dos royalties. Na verdade, tal indefinição não passa de desculpa momentaneamente conveniente. Nada permite supor que, uma vez definida a questão no Congresso, o governo estará pronto a deflagrar a licitação do pré-sal. É bom ter em conta que, no caso das concessões do pós-sal, que em nada dependem da decisão do Congresso, a última rodada de licitação foi feita em 2008. Como já deixou mais do que claro a atual presidente da Petrobras, a empresa, por enquanto, não tem interesse em que o governo promova novas licitações, por já dispor de "um cardápio espetacular" de áreas a explorar.
A terceira alegação da carta é preocupante. Refere-se à menção, no artigo, ao fato de ter sido a empresa capitalizada, em 2010, com R$ 75 bilhões de preciosos recursos do Tesouro. A Petrobras viu nessa afirmação um "erro" a ser corrigido. "A verdade dos fatos: na capitalização da Petrobras, a União aportou títulos da dívida pública. Em sequência, recebeu esses mesmos títulos como pagamento, pela Petrobras, do Contrato de Cessão Onerosa. Portanto, para a União, não houve saída de caixa."
O argumento é de um primitivismo estarrecedor. Pouco importa se houve ou não saída de caixa. A União dispunha de reservas de petróleo que, se tivessem sido licitadas, teriam gerado R$ 75 bilhões ao Tesouro, mais de 2,5 vezes o total de gastos do PAC em 2011. Recursos públicos que, num país de tantas carências, poderiam ter tido destino incomparavelmente mais nobre. Basta olhar em volta. É lamentável que a Petrobras não consiga entender quão preciosos, de fato, eram os recursos com que foi aquinhoada na capitalização de 2010. Uma noção clara do uso alternativo que poderiam ter tido ajudaria a Petrobras a ver com outros olhos, por exemplo, os custos do programa de favorecimento à produção local de equipamentos.
A ficha e o mensalão - RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 17/02/12
As sucessivas menções à opinião pública feitas por ministros no julgamento que validou a Lei da Ficha Limpa já nas eleições de 2012 levam observadores a se perguntar que tipo de armadilha estaria sendo montada para o exame do mensalão, maior caso diante do Supremo. Isso porque, na contramão do esperado pela referida opinião pública, acumulam-se os sinais de que Ricardo Lewandowski, encarregado de revisar o trabalho do relator, só completará a tarefa às vésperas do recesso. Se empurrado para o segundo semestre, o julgamento não terá a participação de Cezar Peluso, que se aposenta. Este é um dos sonhos dos mensaleiros.
No cravo Há quem tenha visto na atitude "sensível" de alguns ministros em relação à ficha uma espécie de vacina para a "insensibilidade" que tenderiam a adotar no julgamento do mensalão.
Na ferradura Mas outros consideram que não será fácil mudar tão radicalmente de figurino. Por fim, há ministros dispostos a se amotinar contra o calendário pretendido por Lewandowski.
Bem me quer A entrada de José Serra no xadrez eleitoral paulistano precipitou movimentos distintos no PT. Enquanto o grupo que defende a aliança de Fernando Haddad com Gilberto Kassab busca acelerar a formalização do acordo, ala petista refratária ao pacto concentra esforços na atração de novos aliados da base de Dilma.
Mal me quer Nesta operação, haddadistas se ocupam de eliminar os entraves para possível composição com PSB, PR e PC do B. Temem que o pré-candidato fique refém da articulação do prefeito paulistano. "Se o Kassab trair o Serra, por que não nos trairá também?", questiona um deles.
Vertical A cúpula do PSDB está decidida a sufocar as prévias paulistanas. Depois dos deputados estaduais, a bancada federal está próxima de fechar com Serra.
QG Com o comando municipal tucano empenhado em pavimentar o caminho para Serra, os quatro pré-candidatos buscam guarida no presidente estadual, Pedro Tobias. É na sede paulista da sigla que tentam, desde ontem, montar trincheira de resistência até 4 de março.
Direto ao ponto Em sua visita à Festa da Uva de Caxias do Sul (RS), ontem, Dilma Rousseff foi aplaudida sobretudo ao prometer salvaguardas para os viticultores em casos de dumping.
Assinatura Quem acompanha as seguidas aparições populares da presidente já percebeu: ela invariavelmente encerra seus discursos com a expressão "um beijo no coração de vocês".
Oremos Um dia após pedir perdão à bancada evangélica por declarações que diz não ter feito, Gilberto Carvalho viajou ontem para Roma. O ministro acompanhará amanhã o consistório no qual o arcebispo de Brasília, dom João de Aviz, será oficialmente nomeado cardeal.
Cabo eleitoral Chamou a atenção de senadores da oposição o esmero do segundo vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, em convencer as bancadas tucana e do DEM a aprovarem a recondução de Bernardo Figueiredo à direção da ANTT por mais dois anos.
Privatizando O Instituto Espaço Democrático, do PSD, marcou para 2 de março seminário sobre "privatizações e concessões". Os debatedores serão os senadores Delcídio Amaral (PT-MS), Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o anfitrião Henrique Meirelles.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"Com o corte anunciado nas emendas parlamentares, tendo a achar que a base governista votará sob forte ressaca depois do Carnaval."
DO DEPUTADO DANILO FORTES (PMDB-CE), sobre o fato de o bloqueio orçamentário do governo de Dilma Rousseff para 2012 ter atingido os R$ 20 bilhões relativos a despesas propostas por congressistas.
contraponto
O mundo dá voltas
Durante café da manhã com parlamentares do PP, o deputado Esperidião Amin (SC) concluía a leitura do noticiário sobre a sucessão paulistana, o que o levou a comentar com o colega Paulo Maluf (SP):
-Quero ver esta cena: você realizando um desejo de 16 anos atrás, dando as mãos para José Serra no palanque!
Maluf, que em 1996 tentou, mas não conseguiu obter o apoio do tucano no segundo turno, e agora tem tudo para endossar sua eventual candidatura, concordou:
-Amin, eu acho que você tem toda a razão...
As sucessivas menções à opinião pública feitas por ministros no julgamento que validou a Lei da Ficha Limpa já nas eleições de 2012 levam observadores a se perguntar que tipo de armadilha estaria sendo montada para o exame do mensalão, maior caso diante do Supremo. Isso porque, na contramão do esperado pela referida opinião pública, acumulam-se os sinais de que Ricardo Lewandowski, encarregado de revisar o trabalho do relator, só completará a tarefa às vésperas do recesso. Se empurrado para o segundo semestre, o julgamento não terá a participação de Cezar Peluso, que se aposenta. Este é um dos sonhos dos mensaleiros.
No cravo Há quem tenha visto na atitude "sensível" de alguns ministros em relação à ficha uma espécie de vacina para a "insensibilidade" que tenderiam a adotar no julgamento do mensalão.
Na ferradura Mas outros consideram que não será fácil mudar tão radicalmente de figurino. Por fim, há ministros dispostos a se amotinar contra o calendário pretendido por Lewandowski.
Bem me quer A entrada de José Serra no xadrez eleitoral paulistano precipitou movimentos distintos no PT. Enquanto o grupo que defende a aliança de Fernando Haddad com Gilberto Kassab busca acelerar a formalização do acordo, ala petista refratária ao pacto concentra esforços na atração de novos aliados da base de Dilma.
Mal me quer Nesta operação, haddadistas se ocupam de eliminar os entraves para possível composição com PSB, PR e PC do B. Temem que o pré-candidato fique refém da articulação do prefeito paulistano. "Se o Kassab trair o Serra, por que não nos trairá também?", questiona um deles.
Vertical A cúpula do PSDB está decidida a sufocar as prévias paulistanas. Depois dos deputados estaduais, a bancada federal está próxima de fechar com Serra.
QG Com o comando municipal tucano empenhado em pavimentar o caminho para Serra, os quatro pré-candidatos buscam guarida no presidente estadual, Pedro Tobias. É na sede paulista da sigla que tentam, desde ontem, montar trincheira de resistência até 4 de março.
Direto ao ponto Em sua visita à Festa da Uva de Caxias do Sul (RS), ontem, Dilma Rousseff foi aplaudida sobretudo ao prometer salvaguardas para os viticultores em casos de dumping.
Assinatura Quem acompanha as seguidas aparições populares da presidente já percebeu: ela invariavelmente encerra seus discursos com a expressão "um beijo no coração de vocês".
Oremos Um dia após pedir perdão à bancada evangélica por declarações que diz não ter feito, Gilberto Carvalho viajou ontem para Roma. O ministro acompanhará amanhã o consistório no qual o arcebispo de Brasília, dom João de Aviz, será oficialmente nomeado cardeal.
Cabo eleitoral Chamou a atenção de senadores da oposição o esmero do segundo vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, em convencer as bancadas tucana e do DEM a aprovarem a recondução de Bernardo Figueiredo à direção da ANTT por mais dois anos.
Privatizando O Instituto Espaço Democrático, do PSD, marcou para 2 de março seminário sobre "privatizações e concessões". Os debatedores serão os senadores Delcídio Amaral (PT-MS), Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o anfitrião Henrique Meirelles.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"Com o corte anunciado nas emendas parlamentares, tendo a achar que a base governista votará sob forte ressaca depois do Carnaval."
DO DEPUTADO DANILO FORTES (PMDB-CE), sobre o fato de o bloqueio orçamentário do governo de Dilma Rousseff para 2012 ter atingido os R$ 20 bilhões relativos a despesas propostas por congressistas.
contraponto
O mundo dá voltas
Durante café da manhã com parlamentares do PP, o deputado Esperidião Amin (SC) concluía a leitura do noticiário sobre a sucessão paulistana, o que o levou a comentar com o colega Paulo Maluf (SP):
-Quero ver esta cena: você realizando um desejo de 16 anos atrás, dando as mãos para José Serra no palanque!
Maluf, que em 1996 tentou, mas não conseguiu obter o apoio do tucano no segundo turno, e agora tem tudo para endossar sua eventual candidatura, concordou:
-Amin, eu acho que você tem toda a razão...
Discretas esperanças nas eleições - FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 17/02/12
O que têm que ver as eleições com segurança nas metrópoles brasileiras? Prefeitos e vereadores que delas emergem não têm como função específica garantir a segurança pública. Mas não podem dar as costas ao tema.
A experiência mais discutida na eleição presidencial foram as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), criadas no Rio. Sucesso entre os moradores, a imprensa e até no comércio imobiliário, que delas se beneficiou, essas unidades são, no conjunto, um cinturão no setor da cidade que abrigará a Copa do Mundo. Além dos benefícios para os moradores, o governo consegue demonstrar o domínio sobre o território, apoiado por quedas no índice de criminalidade.
Mas vistas de bairros mais remotos, áreas metropolitanas e cidades médias, as UPPs significaram mais perigo no cotidiano, porque os ocupantes dos morros foram dispersados. O índice de assassinatos na Baixada Fluminense é o dobro do registrado na capital. Essa diferença não nasceu agora, apenas revela onde é mais perigoso viver. É o tipo de realidade que o planejamento de eventos internacionais não pode encobrir. Seu objetivo é garantir os jogos, e não necessariamente a segurança conjunta.
Eleições municipais não mudam tal realidade, mas poderiam atenuar seu impacto. Prefeituras têm algo essencial: informação sobre inúmeras variáveis. Respeitada a privacidade, combinados e analisados, esses dados seriam uma ferramenta complementar para uma política de segurança. Uma rede de guardas municipais conectados pode dizer muito, a todo instante, do que se passa nas ruas. O risco continuará a existir, mas a informação pode trazer mais clareza sobre como é administrado e empurrado para a periferia. São os bairros mais distantes, de modo geral, que recebem outros riscos decorrentes dessa administração. Para lá vão os presídios, manicômios, aterros sanitários, traficantes e milícias.
Em muitas áreas da metrópole a insegurança está na própria moradia. O Brasil desenvolveu um modelo original. O capitalismo no seu curso espontâneo tende a empurrar as pessoas para áreas de risco. E os socialistas lutam ardentemente para que elas continuem lá, no perigo extremo.
A energia central está na construção de novas moradias. As cidades esperam muito de programas ambiciosos como o Minha Casa, Minha Vida. E às vezes não percebem a energia da própria comunidade, como a de Vieira, distrito de Teresópolis, que construiu dez casas, a R$ 10mil cada, por conta própria. Foi preciso que um grupo se cotizasse e buscasse mais recursos entre pessoas simpáticas à reconstrução. A única demanda ao governo foi que emprestasse uma de suas máquinas, locadas na região, para algumas horas de trabalho.
A possibilidade de renovação nas cidades não se limita ao uso de recursos inteligentes. Elas têm algo que governos estaduais e Brasília não conseguem com a mesma intensidade: o potencial de mobilização. Os dois fatores permitiram que algumas cidades obtivessem, na luta contra a corrupção, melhores resultados que o obtido no plano nacional.
Os candidatos poderão ser ultrapassados pela demanda que começa em reuniões de pequenos grupos em casas de família e se estende pela rede social. Muito possivelmente, ao lado de projetos mais amplos os moradores vão querer saber o que está previsto para sua área, que tipo de crescimento o bairro vai experimentar. Isso estimula, em certos casos, a dividir a cidade por áreas com projetos específicos de crescimento, respeitada sua vocação. Um plano desse tipo foi discutido no Rio em 2008. Adotado parcialmente pelo prefeito eleito, estimulou o crescimento de um polo de produtores de plantas ornamentais e flores em Barra de Guaratiba, que cresceu em torno do sítio de Burle Marx e agora se consolida.
Um projeto para a cidade não se faz só em ano de eleições. Até porque os candidatos, em níveis diferentes, têm conhecimentos limitados da cidade que vão governar. Embora dependa muito da discussão, depende também da existência de grupos que estudem o problema e, como urbanistas ou acadêmicos, já tenham formulado o esqueleto do plano.
Campanhas, sozinhas, não pensam a cidade adequadamente. Com alguma ajuda externa, um dos seus objetivos seria discernir em 2012 os interesses da Copa do Mundo e os da metrópole, no conjunto. Em muitas cidades as obras da Copa estarão em pleno curso, aumentando a sensação de desconforto. Apenas 17% da frota de ônibus do Rio, por exemplo, tem ar-condicionado. A Copa é no inverno, porém vivemos nas quatro estações e até hoje não surgiu uma lei obrigando o ar-condicionado em todos os ônibus. No caso do Rio essa inibição dos políticos tem suas raízes no jabaculê. Por meio de revoltas sucessivas e explosões de violência, os passageiros mostram descontentamento.
Embora o quadro não esteja definido, a eleição em São Paulo tende a ser uma grande atração nacional. As ideias, todavia, ainda não foram postas na mesa. Se depender do potencial do impulso externo às campanhas, a cidade pode oferecer inúmeros debates, entre eles o da sustentabilidade urbana. Como as duas forças em presença já governaram a cidade, parte da discussão entre elas será sobre quem fez melhor. Certamente a demanda vai transcender esse tópico, deslocando-se para o futuro imediato.
No carnaval sonha-se muito, para tudo acabar na quarta-feira. Em eleições, de certa forma, tudo pode começar na quarta-feira.
A fase até agora vivida foi a de discussão interna dos partidos e movimentos de coligações. Logo, decerto, começará outra, ressaltando alguns pecados dos candidatos e estimulando a declaração de seus princípios morais. Se tudo correr bem, no meio do ano a cidade estará no centro da cena, com o potencial de inspirar debates de interesse internacional: para onde vai a principal metrópole da sexta economia do mundo?
Mesmo quem não gosta de ler programas será tentado a dar uma olhada. Um bom debate nesse campo fortalece o trabalho do vencedor, não importa quem seja. Otimismo? Esperar o melhor pode ajudá-lo a acontecer.
Ficha Limpa e voto limpo - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 17/02/12
BRASÍLIA - Demorou, mas o processo de votação da Ficha Limpa pelo Supremo foi não só uma vitória da cidadania como uma lição de maturidade democrática do país.
A primeira vitória foi a derrota da aplicabilidade da lei na eleição de 2010. Parece incongruência, mas, pela Constituição, mudanças nas regras só valem se definidas mais de um ano antes das eleições. A lei foi sancionada em junho, o pleito seria em outubro. Logo, a história vai registrar que o Supremo optou pela legalidade, não pelo aplauso fácil.
Já a decisão de ontem vem na hora certa, com a argumentação certa e dá a chance ao país de cortar pela raiz uma das árvores da corrupção, responsável, por exemplo, pela queda de sete ministros em meses.
Se a ficha de vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governadores é limpa, os presidentes, a imprensa e as instituições vão precisar fazer menos "faxinas". A não ser que as candidaturas sejam limpas e os mandatos se tornem sujos -algo, aliás, muito comum.
Um dos principais debates entre os ministros nos dois últimos dias foi o confronto entre a exigência de moralidade -cerne da Lei da Ficha Limpa- e a presunção de inocência -um pilar da democracia.
A novata Rosa Weber ensinou: inelegibilidade (de político condenado por um colegiado ou que renunciou para fugir da cassação) não é pena. É instrumento para subordinar o político "à moralidade, à probidade, à honestidade e à boa-fé", sem ferir a presunção de inocência (antes do julgamento definitivo).
Apesar de ter votado tecnicamente contra a Ficha Limpa, Gilmar Mendes induziu a uma reflexão: os partidos e os eleitores é que devem exercer o "controle dos candidatos".
As duas coisas, porém, não se anulam; se somam. A Lei da Ficha Limpa é um avanço, mas há muito ainda a ser feito e depende também de você, eleitor e cidadão. O próximo passo é a eleição municipal. Vote limpo!
BRASÍLIA - Demorou, mas o processo de votação da Ficha Limpa pelo Supremo foi não só uma vitória da cidadania como uma lição de maturidade democrática do país.
A primeira vitória foi a derrota da aplicabilidade da lei na eleição de 2010. Parece incongruência, mas, pela Constituição, mudanças nas regras só valem se definidas mais de um ano antes das eleições. A lei foi sancionada em junho, o pleito seria em outubro. Logo, a história vai registrar que o Supremo optou pela legalidade, não pelo aplauso fácil.
Já a decisão de ontem vem na hora certa, com a argumentação certa e dá a chance ao país de cortar pela raiz uma das árvores da corrupção, responsável, por exemplo, pela queda de sete ministros em meses.
Se a ficha de vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governadores é limpa, os presidentes, a imprensa e as instituições vão precisar fazer menos "faxinas". A não ser que as candidaturas sejam limpas e os mandatos se tornem sujos -algo, aliás, muito comum.
Um dos principais debates entre os ministros nos dois últimos dias foi o confronto entre a exigência de moralidade -cerne da Lei da Ficha Limpa- e a presunção de inocência -um pilar da democracia.
A novata Rosa Weber ensinou: inelegibilidade (de político condenado por um colegiado ou que renunciou para fugir da cassação) não é pena. É instrumento para subordinar o político "à moralidade, à probidade, à honestidade e à boa-fé", sem ferir a presunção de inocência (antes do julgamento definitivo).
Apesar de ter votado tecnicamente contra a Ficha Limpa, Gilmar Mendes induziu a uma reflexão: os partidos e os eleitores é que devem exercer o "controle dos candidatos".
As duas coisas, porém, não se anulam; se somam. A Lei da Ficha Limpa é um avanço, mas há muito ainda a ser feito e depende também de você, eleitor e cidadão. O próximo passo é a eleição municipal. Vote limpo!
Desastre inevitável - GILLES LAPOUGE
O Estado de S.Paulo - 17/02/12
O primaz da Igreja Ortodoxa da Grécia, monsenhor Hieronymos, é magnífico em suas vestes de cerimônia, apoiado a um báculo que termina numa cruz e dois dragões com as línguas de prata, a longa barba branca espalhada sobre a batina preta. Esse personagem saído de um romance de Tolstoi, acaba de entrar em outro, o da crise grega. Com um olhar furioso, Msr. Hieronymos provocou uma verdadeira tempestade ao desancar o primeiro-ministro Papademos, e denunciar "as receitas mortais impostas a Atenas pela UE e pelo FMI".
Msr. Hieronymos tem muita coragem. De fato, apoiar inesperadamente o povo grego asfixiado pela crise, considerando que a Igreja Ortodoxa não paga impostos, ou muito pouco - em reconhecimento pelo papel por ela desempenhado no passado quando, em 1830, há dois séculos, permitiu que a Grécia saísse do Império Otomano -, não é uma posição confortável.
Esse formidável favor fiscal é ainda mais estranho neste momento, em que o povo grego, estrangulado pela crise, morre de fome. A Igreja Grega é a segunda maior proprietária de terras, tem milhares de terrenos, imóveis, praias, estacionamentos, hotéis, mas, para Msr. Hieronymos, esse patrimônio precisa ser protegido e "a Igreja não deve arcar com o peso dos erros políticos". Além disso, ela distribui diariamente 30 mil refeições (25% a mais do que no ano passado).
A tragédia grega abala as consciências também no restante da Europa.
Ver agonizar um dos membros da UE e impor ao povo grego remédios que poderiam derrubar um boi, é uma situação que começa a comover alguns países do bloco. Não todos, é claro. A desgraça grega perturba muito os países do Sul, um pouco a França, mas absolutamente não abala a Alemanha, a Finlândia e a Holanda.
O ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schaueble, declarou quarta-feira que não quer mais "financiar um poço sem fundo". O presidente da República grega, em geral muito calado, reagiu furiosamente: "Quem é Schaueble para insultar a Grécia?". O ministro grego de Finanças, Evangelos Venizelos, então, virou a mesa: "É preciso dizer a verdade: há muitos países europeus que não querem mais saber do nosso".
A crise grega levanta finalmente a questão essencial: a sobrevida da zona do euro, com uma questão preliminar: se a Grécia der o calote, e tiver de recorrer à sua antiga dracma, sua doença poderá envenenar o restante da zona do euro? Há duas respostas: os países do Norte e a Alemanha garantem que a Grécia poderá desaparecer sem nenhum perigo. Ao contrário, a zona do euro, livre desse país devastado, reencontrará o seu caminho. A resposta dos países do Sul é exatamente o oposto: se a Grécia recorrer ao calote, haverá um caos sem fim. Portugal, Espanha, talvez a Itália e até mesmo a França serão engolidos pelo redemoinho.
É por isso que a Europa não opta por uma estratégia comum. Na quarta-feira, deveria dar o sinal verde ao desbloqueio dos 130 bilhões previstos no segundo plano de ajuda, mas os ministros de Finanças do euro, depois de uma teleconferência de três horas, adiaram a decisão para segunda-feira, o mais tardar.
E, enquanto isso, a Grécia se esvai em sangue.
Quem está com a razão? O Norte e sua intransigência ou o Sul e sua indulgência? Tentando responder a esta pergunta, os intransigentes, do Norte, têm razão, evidentemente. O problema é que os indulgentes do Sul, também têm razão. A verdade é definitivamente muito simples: seja qual for, indulgência ou intransigência, as duas soluções se parecem: ambas levarão ao desastre. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA
CLAUDIO HUMBERTO
“Vai ser bom para retirar os picaretas e vigaristas da política”
Senador Pedro Taques (PDT-MT), sobre a vitória da Lei da Ficha Limpa no Supremo
LULA SEGURA MANTEGA, MAS DILMA QUER BARBOSA
A presidente Dilma Rousseff ainda não substituiu o ministro Guido Mantega pelo secretário-executivo Nelson Barbosa, no Ministério da Fazenda, para não afrontar o ex-presidente Lula. Os dois estão virtualmente rompidos, após áspera discussão sobre o escândalo de corrupção que derrubou o presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, amigo pessoal de Mantega, que o escolheu para o cargo.
ESTILOS PARECIDOS
Dilma confia em Nelson Barbosa, cujo estilo rude de administrar é comparável ao dela, mas Lula pediu para Mantega ser mantido.
HERANÇA IRRITANTE
Por considerar a Fazenda ministério-chave, Dilma detestou a “herança Mantega” imposta por Lula. O jeito manso de Mantega também a irrita.
PEGOU MAL
A situação de Guido Mantega se deteriorou com sua relutância em demitir o amigo Denucci, apesar da insistência de Nelson Barbosa.
EM FESTA
O PR acha que o “convite oficial” da ministra Ideli Salvatti para ficar na base aliada sinaliza que o ministro Paulo Passos (Transportes) vai cair.
MINISTRA DO TCU AINDA OCUPA IMÓVEL DA CÂMARA
Quase quatro meses após sua posse no Tribunal de Contas da União, a ministra Ana Arraes continua morando em apartamento funcional da Câmara dos Deputados, na Asa Norte, área valorizada de Brasília. A ministra deveria ter deixado o imóvel um mês depois de renunciar ao mandato de deputada federal, sob pena de multa diária de R$ 100. A Câmara fechou os olhos e ela promete devolver o imóvel em março.
MÁS RECORDAÇÕES
Ana Arraes disse a amigos que recusou o apartamento indicado pelo TCU porque a fez lembrar a cela onde esteve presa na ditadura.
UM LUXO SÓ
A ministra aguarda a liberação de um apartamento do Senado, de 250 metros quadrados, “filé” dos imóveis funcionais de Brasília.
IMOBILIÁRIA SENADO
O Senado é uma mãe. Cedeu quinze apartamentos a autoridades do Poder Judiciário, por isso há senadores instalados em hotéis.
BATOM NA CUECA
Após a assembleia de quarta (15), líderes do “pré-motim” da Polícia Militar do DF confraternizaram na casa de Eduardo Pedrosa, irmão da deputada Eliana Pedrosa, opositora do governo Agnelo Queiroz (PT).
IGREJA CONTRA ANGRA 3
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil enviou carta ao governo alemão pedindo a suspensão de fiança bilionária concedida pelo país às obras da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro.
LONGE DA FOLIA
O ministro Aldo Rebelo (Esporte) passará o carnaval em Brasília, longe da folia. Vai trabalhar no plano estratégico que entregará a Dilma, em março, para melhorar o desempenho do País nas Olimpíadas de 2016.
PRODUTO DE EXPORTAÇÃO
Marqueteiro de Lula e Dilma, João Santana desembarca em Angola acompanhado de numerosa equipe, para tocar a campanha de reeleição do presidente José Eduardo dos Santos.
RASGAÇÃO DE SEDA
O senador Gim Argello (PTB-DF) é so cortesia com o deputado Gabriel Chalita (PMDB), a quem apresenta como “o nosso prefeito de São Paulo”. O PTB está no páreo para indicar o vice na chapa de Chalita.
CAMPANHA NACIONALIZADA
O deputado Luiz Pitiman (DF) articula apoio nacional à campanha paulistana de Gabriel Chalita (PMDB). Recebeu, em jantar, o governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), e o senador Blairo Maggi e deputados Wellington Fagundes (MT) e Jaime Martins (MG), do PR.
PARA SEMPRE
A morte, em Curitiba, do ministro aposentado do STJ Milton Luiz Pereira, 79, parece haver encerrado uma longa e bela história de amor. Morreu apenas sete horas após o falecimento de d. Rizoleta, sua mulher.
FICA, FINO
Intelectuais brasileiros se mobilizam para que seja mantido em Brasília o jornalista Carlos Fino, adido de imprensa à embaixada de Portugal. No ano do Brasil em Portugal e vice-versa, a extinção da adidância desmente Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros.
PENSANDO BEM...
...Finalmente, a ficha caiu no Supremo. E limpa.
PODER SEM PUDOR
UM AVÔ ESPERTO
Paulo Maluf não entrega os pontos nem quando sofre uma derrota. Em 1990, após perder a disputa pelo governo de São Paulo, recebeu os repórteres que cobriram sua campanha para uma bem-humorada entrevista. Depois, propôs uma foto com todos. Uma repórter, conhecida militante do PT, ficou injuriada com o beijo que Maluf aplicou-lhe na bochecha. Ele brincou:
– O que é isso, minha filha? Eu sou apenas um vovô. Eu até já estou meio...
Parou no meio da frase, olhou para os lados e gargalhou, avisando:
– ...Não, não estou, não!
Senador Pedro Taques (PDT-MT), sobre a vitória da Lei da Ficha Limpa no Supremo
LULA SEGURA MANTEGA, MAS DILMA QUER BARBOSA
A presidente Dilma Rousseff ainda não substituiu o ministro Guido Mantega pelo secretário-executivo Nelson Barbosa, no Ministério da Fazenda, para não afrontar o ex-presidente Lula. Os dois estão virtualmente rompidos, após áspera discussão sobre o escândalo de corrupção que derrubou o presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, amigo pessoal de Mantega, que o escolheu para o cargo.
ESTILOS PARECIDOS
Dilma confia em Nelson Barbosa, cujo estilo rude de administrar é comparável ao dela, mas Lula pediu para Mantega ser mantido.
HERANÇA IRRITANTE
Por considerar a Fazenda ministério-chave, Dilma detestou a “herança Mantega” imposta por Lula. O jeito manso de Mantega também a irrita.
PEGOU MAL
A situação de Guido Mantega se deteriorou com sua relutância em demitir o amigo Denucci, apesar da insistência de Nelson Barbosa.
EM FESTA
O PR acha que o “convite oficial” da ministra Ideli Salvatti para ficar na base aliada sinaliza que o ministro Paulo Passos (Transportes) vai cair.
MINISTRA DO TCU AINDA OCUPA IMÓVEL DA CÂMARA
Quase quatro meses após sua posse no Tribunal de Contas da União, a ministra Ana Arraes continua morando em apartamento funcional da Câmara dos Deputados, na Asa Norte, área valorizada de Brasília. A ministra deveria ter deixado o imóvel um mês depois de renunciar ao mandato de deputada federal, sob pena de multa diária de R$ 100. A Câmara fechou os olhos e ela promete devolver o imóvel em março.
MÁS RECORDAÇÕES
Ana Arraes disse a amigos que recusou o apartamento indicado pelo TCU porque a fez lembrar a cela onde esteve presa na ditadura.
UM LUXO SÓ
A ministra aguarda a liberação de um apartamento do Senado, de 250 metros quadrados, “filé” dos imóveis funcionais de Brasília.
IMOBILIÁRIA SENADO
O Senado é uma mãe. Cedeu quinze apartamentos a autoridades do Poder Judiciário, por isso há senadores instalados em hotéis.
BATOM NA CUECA
Após a assembleia de quarta (15), líderes do “pré-motim” da Polícia Militar do DF confraternizaram na casa de Eduardo Pedrosa, irmão da deputada Eliana Pedrosa, opositora do governo Agnelo Queiroz (PT).
IGREJA CONTRA ANGRA 3
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil enviou carta ao governo alemão pedindo a suspensão de fiança bilionária concedida pelo país às obras da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro.
LONGE DA FOLIA
O ministro Aldo Rebelo (Esporte) passará o carnaval em Brasília, longe da folia. Vai trabalhar no plano estratégico que entregará a Dilma, em março, para melhorar o desempenho do País nas Olimpíadas de 2016.
PRODUTO DE EXPORTAÇÃO
Marqueteiro de Lula e Dilma, João Santana desembarca em Angola acompanhado de numerosa equipe, para tocar a campanha de reeleição do presidente José Eduardo dos Santos.
RASGAÇÃO DE SEDA
O senador Gim Argello (PTB-DF) é so cortesia com o deputado Gabriel Chalita (PMDB), a quem apresenta como “o nosso prefeito de São Paulo”. O PTB está no páreo para indicar o vice na chapa de Chalita.
CAMPANHA NACIONALIZADA
O deputado Luiz Pitiman (DF) articula apoio nacional à campanha paulistana de Gabriel Chalita (PMDB). Recebeu, em jantar, o governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), e o senador Blairo Maggi e deputados Wellington Fagundes (MT) e Jaime Martins (MG), do PR.
PARA SEMPRE
A morte, em Curitiba, do ministro aposentado do STJ Milton Luiz Pereira, 79, parece haver encerrado uma longa e bela história de amor. Morreu apenas sete horas após o falecimento de d. Rizoleta, sua mulher.
FICA, FINO
Intelectuais brasileiros se mobilizam para que seja mantido em Brasília o jornalista Carlos Fino, adido de imprensa à embaixada de Portugal. No ano do Brasil em Portugal e vice-versa, a extinção da adidância desmente Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros.
PENSANDO BEM...
...Finalmente, a ficha caiu no Supremo. E limpa.
PODER SEM PUDOR
UM AVÔ ESPERTO
Paulo Maluf não entrega os pontos nem quando sofre uma derrota. Em 1990, após perder a disputa pelo governo de São Paulo, recebeu os repórteres que cobriram sua campanha para uma bem-humorada entrevista. Depois, propôs uma foto com todos. Uma repórter, conhecida militante do PT, ficou injuriada com o beijo que Maluf aplicou-lhe na bochecha. Ele brincou:
– O que é isso, minha filha? Eu sou apenas um vovô. Eu até já estou meio...
Parou no meio da frase, olhou para os lados e gargalhou, avisando:
– ...Não, não estou, não!
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Candidato ficha-suja está fora da eleição municipal
- Folha: Lei da Ficha Limpa vale já para as eleições deste ano
- Estadão: Lei da Ficha Limpa passa no Supremo e já vale neste ano
- Correio: Ficha Limpa passa e bane Roriz até 2023
- Valor: Laboratórios pressionam EUA por sanções ao Brasil
- Zero Hora: Ficha Limpa intensifica combate à corrupção
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