quinta-feira, dezembro 01, 2011

A crise na eurozona e a brasileira - ROBERTO MACEDO


O Estado de S.Paulo - 01/12/11


Nosso artigo de 17/11 (A eurozona em crise e seus impasses) tratou da primeira no seu epicentro e das dificuldades de ali solucioná-la. Depois, lá surgiu mais uma ideia, a de uma supervisão fiscal dos países em maior dificuldade, exercida por autoridade supranacional, para neles garantir ajustes fiscais efetivos, o que abriria espaço para o Banco Central Europeu (BCE) ter maior papel na crise, em particular adquirindo montantes maiores de suas dívidas. Argumenta-se que sem essa garantia a Alemanha não se disporia a aceitar esse papel ampliado do BCE. Mas, como outras, essa ideia ainda não avançou e a crise se agrava. Ficamos de examinar o impacto no Brasil, o que faremos a seguir.

Com a piora da crise na zona do euro em agosto, percebeu-se aqui uma redução mais forte da atividade econômica. Isso ficou evidente pelo boletim Focus do Banco Central (BC), que semanalmente mostra previsões de analistas do mercado financeiro. Na última edição de 2010, ele previa aumento de 4,5% do produto interno bruto (PIB) em 2011. No final de julho, esse número havia caído para 4%, mas desde então a queda se acelerou. No fim de agosto, para 3,8%; no último boletim, de 25/11, 3,1%. Ou seja, nos últimos quatro meses caiu quase o dobro do ocorrido nos primeiros sete do ano.

Por trás dessas quedas do ritmo de atividade econômica também esteve presente uma política do BC. Preocupado com o ainda forte crescimento da economia no início do ano e seu impacto sobre uma inflação, que se acelerava, o Banco Central conteve o crédito desde então, só o aliviando recentemente, quando percebeu que a crise na eurozona repercutiria negativamente no Brasil. De janeiro a julho, o BC também aumentou a taxa básica de juros, só revertendo o processo em agosto.

Há quem aponte também um papel contracionista da parte do governo federal, que em fevereiro anunciou um corte orçamentário, mas não de despesas efetivas, de R$ 50 bilhões. Esse corte, contudo, caiu para R$ 21 bilhões, segundo o jornal Valor (15/11, página A2).

Na realidade, a colaboração do governo federal em matéria de ajuste das contas públicas foi ínfima. De novo veio um forte aumento de arrecadação, que lhe permitiu manter a sua meta de superávit primário - receitas menos despesas exceto juros da dívida -, mesmo expandindo gastos. Com a desatenção da imprensa, esse superávit costuma ser divulgado como "poupança que o governo faz para pagar juros". Trata-se de mistificação, pois uma coisa que ele logo faz é esse pagamento, sem o que quebraria, e tal superávit é alcançado mais pelo aumento da arrecadação de impostos. Ou seja, quem poupa mesmo é o contribuinte, a sustentar um governo cada vez maior. Aliás, há a perspectiva de que a carga tributária venha a alcançar novo recorde este ano.

Assim, cabem regras mais adequadas de avaliação do setor público, que, entre outros aspectos, examinem a sua "poupança" relativamente à arrecadação e foquem também a proporção de despesas destinadas a investimentos, como em infraestrutura, relativamente a gastos de custeio. Estes continuam a revelar um governo incapaz de conter seu contínuo crescimento e que sacrifica investimentos no altar de suas (in)conveniências políticas, inclusive mantendo malcheirosa ceva de políticos e organizações não governamentais (ONGs) que polui o noticiário das ações ministeriais. Segundo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Valor, 28/11, A2), em 2011 o governo federal voltou a reduzir seus escassos investimentos.

Portanto, na desaceleração da nossa economia há claramente os efeitos combinados da política do BC, recentemente revertida, e da crise na eurozona. Estes últimos penetram aqui via expectativas de consumidores e empresários, que diante do noticiário negativo contraem consumo e investimentos. Ao mesmo tempo, surgem dificuldades nas exportações, como nos preços das commodities e no crédito a essa atividade. Se a crise "eurozônica" se agravar ainda mais, as duas últimas dificuldades se acentuarão, tal como na crise mundial que eclodiu em 2008. Do lado dos consumidores, é possível que para muitos deles a forte expansão do crédito nos últimos anos tenha atingido seu limite de endividamento, o que estaria adicionando outro elemento contracionista do lado da demanda.

Diante do medíocre crescimento que a economia revela, a presidente Dilma Rousseff recentemente exortou a população a consumir e os empresários a investir. Mas isso será inócuo, pois agentes econômicos não costumam pautar-se por discursos desse tipo. Em particular, consumidores preocupam-se mesmo é com suas finanças e com a perspectiva de desemprego, enquanto empresários não põem suas empresas em risco diante de dificuldades ligadas à crise ou por outras razões. Tome-se, por exemplo, o caso da Vale, que conterá seus planos de investimentos em 2012.

O que a presidente poderia realmente fazer para estimular a economia do País, e torná-la menos vulnerável ao vaivém da economia internacional, seria tomar medidas efetivas para ampliar poupanças e investimentos brasileiros, em particular do governo, e sem ampliar a carga tributária. Reduzi-la seria ótimo, mas ainda é um sonho.

A seriíssima carência de investimentos financiados com poupança própria marca outra crise, brasileira, crônica e sem solução, embora muito antiga. Quando se olha o cenário mundial, há países que crescem bem mais que o Brasil, como a China e a Índia, e também poupam e investem parcelas muito maiores de seu PIB do que aqui.

Sem isso é fiada essa conversa de que "país rico é país sem pobreza". O Brasil poderá até reduzir substancialmente esta última, mas continuará emergente, sem alcançar a superfície em que navegam nações efetivamente ricas, que aí estão porque no passado pouparam e investiram suficientemente para alcançá-la.

O ano do dragão - ROBERTO LUIS TROSTER



VALOR ECONÔMICO - 01/12/11

2012 será de mudanças, pois o quadro econômico e político exige adaptações
O ano de 2012 corresponde ao 4710 no calendário chinês e está associado à sua única criatura mítica, o dragão, considerado o rei dos animais e símbolo da sabedoria, força, saúde e da harmonia - é colocado em cima de portas para espantar demônios e atrair sorte. Algo oportuno para os períodos de transformações. Na China Antiga, dragões eram também usados como guardiões dos tesouros.
O ano que vem será de mudanças, menos pelos protestos em centenas de cidades no mundo, como o "ocupe Wall Street", a "Primavera Árabe" e as passeatas aqui, e mais pelo quadro econômico e político que exige adaptações. Quem não se adequar à nova realidade afundará. 2012 começará desalentador, com volatilidade, estresses e ritmo lento, mas ao longo do ano observar-se-á uma melhoria com uma retomada mais consistente da economia mundial.
A economia brasileira vai começar o período andando de lado, com o crescimento voltando no segundo trimestre
Coincidência ou não, o setor que mais exige ajustes e será o centro das atenções é o de guardiões do tesouro moderno: o financeiro. Antes da crise, os bancos eram considerados os propulsores da economia mundial; atualmente, são seu maior entrave. Há cinco desafios a serem superados: equacionar as dívidas soberanas, rolar os financiamentos do setor privado, começar a receber as dívidas contraídas, manterem-se solventes e, o mais importante, voltar a emprestar. Exigirá um esforço especial dos banqueiros e seus reguladores.
Na última década, na maioria dos países, com exceção da China, a política econômica esteve orientada pela demanda - com crédito bancário abundante e déficits fiscais generosos. Em 2012 tem que haver uma mudança de protótipo e a economia passará a ser conduzida pela oferta, com foco em mais eficiência e inovação. Keynes sai de cena e entra Schumpeter como ator principal. A capacidade de reinventar-se é que vai determinar o sucesso, ou fracasso, de cada país. Os casos mais dramáticos são os europeus e a Argentina.
No velho continente, o impasse entre os alemães que querem das nações mais endividadas um compromisso maior com o euro é complexo e tem dimensões econômicas, políticas, soberanas e culturais. Mas os problemas se resolvem, de uma forma - adequando-se que é o mais provável, ou de outra. É fato, a demora em superar a crise impõe um custo elevado, mas a união monetária sairá mais fortalecida e mais bem estruturada, com ou sem os gregos. Fazer com que políticos, economistas, banqueiros e eleitores cheguem a um único consenso é um trabalho hercúleo e demanda tempo, suor e imaginação.
A Argentina necessita reinventar-se urgentemente; seu "modelo" está esgotado. Lá se observa uma inflação crescente, investimento baixo, fuga de capitais e a capacidade fiscal do governo reduzida. Com bastante racionalidade econômica, alguma sorte e um pouco de financiamento externo ainda é possível fazer ajustes e evitar maiores problemas. Alguns passos foram dados. Um novo paradigma pode fazer o país hermano acontecer, caso contrário, a culpa cairá sobre a crise externa.
Os Estados Unidos já apresentam sinais indicando que o pior já passou. Os remédios aplicados estão começando a fazer efeito; números recentes de emprego, crédito, vendas e produção estão fracos mas positivos e apontando para uma recuperação. Observar-se-ão alguns estresses, mas é um quadro que dificulta a vida dos republicanos e melhora as chances de reeleição de Barack Obama.
A China continua como locomotiva do planeta e prepara-se para ser a maior economia do mundo em dois anos, mais precisamente em 2014, o ano do cavalo. Há décadas cresce com políticas de oferta, o aumento da demanda em outros países com crédito e gastos fiscais ajudou-a a expandir sua indústria e a acumular reservas. Atualmente, aparenta ter controlado as pressões inflacionárias e deve manter o ritmo de expansão no ano vindouro. Sua influência global deve aumentar e o yuan já começa ter um papel nas finanças internacionais, mais por conta da má gestão do euro e do dólar do que por méritos próprios.
O ritmo de atividade mundial começa mais devagar por conta da ressaca da crise e aos poucos aumenta, com um segundo semestre melhor que o primeiro. O cenário internacional anêmico não é totalmente desfavorável ao Brasil. No canal comercial, a demanda de commodities deve sustentar-se e o preço das suas importações deve arrefecer, as projeções mostram saldos comerciais melhores com a crise externa. No lado financeiro, as perspectivas de investimento externo são altas, e uma parte dos fluxos que entram estão canalizados para investimentos produtivos, contribuindo de forma favorável para o crescimento nacional.
A economia brasileira deve andar de lado no começo do ano, mais em razão do ciclo dos estoques do que por conta da crise. Com ou sem estímulos da demanda agregada, a retomada do crescimento acontece a partir do segundo trimestre. A oportunidade para o Brasil crescer a taxas mais altas estará presente com a janela demográfica, a demanda externa, o fluxo de investimentos estrangeiros e o pré-sal, que pode tornar o país o quinto maior produtor de petróleo do mundo em alguns anos.
Este é um exemplo emblemático, que mostra as duas opções de desenvolvimento para o Brasil com a descoberta de jazidas: o venezuelano e o norueguês. No vizinho, são privilegiadas as políticas para usufruir ao máximo as receitas do petróleo; no país do norte, a tônica são ações que sustentem o crescimento, investindo os recursos. Aqui há um amplo debate sobre a distribuição dos royalties, já seu uso é tratado como uma questão menor. Obviamente, a qualidade da condução política brasileira é melhor do que a do país ao lado, mas há espaço para aprimoramentos. O Brasil tem as condições para fazer acontecer. A questão é ajustar o modelo e evitar os erros que outros cometeram e não repetir a história nacional (leia-se ciclos da borracha, do ouro etc.).
No ano do dragão haverá mais crises políticas no Oriente Médio, em Cuba e na Venezuela, mas também uma consolidação do euro e Londres 2012. Haverá mais aquecimento global e Rio +20 para evitar que piore; observar-se-ão mais inovações e o começo de um novo ciclo de expansão. A economia mundial terá quatro pelotões com velocidades diferentes: os países na fase mais crítica de ajuste, como a Grécia, com números negativos; os desenvolvidos, como EUA e Japão, a taxas baixas; a América Latina num patamar mais elevado e a China e a Índia no pelotão de elite. A questão é fazer o Brasil subir ao pódio, sobram desejos. Feliz 2012 a todos!
Roberto Luis Troster, consultor e doutor em economia pela USP, foi economista chefe da Febraban e da ABBC e professor da USP, Mackenzie e PUC-SP.

GOSTOSA


Pisando na bola - ELIANE CANTANHÊDE



FOLHA DE SP - 01/12/11


BRASÍLIA - A sensação é a de que o Congresso está dividido. A maioria dos assessores só dá as caras para receber o seu (e o nosso) rico dinheirinho no fim do mês, e os que comparecem ao serviço vivem um clima de "1984", de George Orwell.

De um lado, a revelação de que o (por enquanto) ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi funcionário-fantasma da Câmara durante quase seis anos funcionou como casca de banana para o líder do PT, Cândido Vaccarezza, e reabriu a discussão sobre a bananeira toda.

Sem ter como defender o indefensável, Vaccarezza escorregou feio e disse que não tem nada demais em ser funcionário-fantasma, já que a maioria dos assessores de deputados "jamais pisou na Câmara". Como se sentem os funcionários que cumprem suas obrigações?

De outro lado, como vem mostrando o jornal "Correio Braziliense", o Senado vem desde 2004 transformando sua polícia legislativa numa força paralela com poderes inerentes à polícia polícia: de revista, busca, apreensão e detenção.

Os seguranças podem andar armados, estão ganhando sofisticadas maletas de rastreamento de grampos telefônicos e por um triz não passaram a ter o direito de acessar dados sobre o uso da internet por funcionários (daqueles que comparecem ao local de trabalho, claro).

A alegação dos gênios que criam o monstro é que o Senado é, nesse caso, meramente empregador e, por entendimento do TST, o empregador tem acesso aos e-mails corporativos.

Mas, para advogados e juristas, trata-se da quebra de sigilo de correspondência sem autorização judicial ou a velha "invasão de privacidade" própria de ditaduras e de regimes dos que se sentem deuses.

Aos assessores, portanto, sobra a alternativa: ou se submetem a quem está brincando de "Grande Irmão" ou desencarnam do serviço e viram fantasmas -como "a maioria", segundo o líder Vaccarezza.

O Brasil e as mudanças climáticas - CLAUDIO J. D. SALES


O Estado de S.Paulo - 01/12/11


Qual papel o Brasil deve assumir: líder ou seguidor?

Nesta e na próxima semanas, líderes do mundo estarão reunidos na Conferência das Partes (COP-17), na África do Sul, para mais uma rodada de discussões sobre mudanças climáticas. De acordo com os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aumento da concentração de CO2 na atmosfera poderá resultar em maiores e mais frequentes fenômenos climáticos extremos. Estudos científicos, ainda controversos, apontam alterações no clima da Terra em razão do aumento da concentração na atmosfera de gases de efeito estufa (GEEs) nos últimos 150 anos, resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) e da derrubada de florestas tropicais.

Neste contexto, muitos defendem que a redução das emissões de GEEs seria uma necessidade, em razão do alto preço que teríamos de pagar caso fossem confirmadas as hipóteses que correlacionam emissões e mudanças climáticas. O Protocolo de Kyoto é uma das iniciativas para promover essa redução. O primeiro período, que termina em 2012, define metas para que os países industrializados reduzam, em média, 5,2% das suas emissões contabilizadas em 1990. Mas, desde 2009, na COP-15 realizada em Copenhague, discute-se a prorrogação do protocolo e novas metas para um segundo período.

O mundo passou por mudanças recentemente. Talvez a principal, registrada em 2005, tenha sido a constatação de que países em desenvolvimento emitiam mais GEEs que os países industrializados. Em 1990 ocorria o inverso.

Tal inversão passou a colocar pressão sobre os países em desenvolvimento, que precisariam participar do esforço de redução das emissões. Isso incluiria o Brasil, que é o terceiro maior emissor de GEEs, com 5,1% das emissões globais contabilizadas em 2005.

Essa contribuição, porém, precisa ser cuidadosamente qualificada, porque temos um perfil de emissões muito diferente do perfil dos países com elevado desenvolvimento econômico e industrial. Aqui predominam emissões decorrentes da mudança do uso da terra (basicamente desmatamento/queimadas e agricultura), setores que correspondem a 80% das emissões nacionais. Nos países industrializados, a geração de energia elétrica é responsável por 29% das emissões de GEES. No Brasil, esse número cai para 1,2% e a previsão é de que não ultrapasse 3,2% em 2030.

Com perfil tão diferenciado, precisamos assumir a liderança do debate global e fugir da armadilha da adoção do modelo de redução de emissões que outros países precisam implementar.

O Brasil, por exemplo, necessita de novas usinas termoelétricas para aumentar a robustez operacional de nossa matriz elétrica. Afinal, nossa matriz, que já tem a virtude de ser predominantemente renovável, está sujeita à imprevisibilidade de chuvas e ventos. Além de ser saudável para a operação do sistema, a complementaridade entre fontes renováveis e termoelétricas contribui para diminuir a conta de luz paga pelo consumidor.

A discussão sobre GEEs deve ocorrer setor a setor. E, quando se dispõe de recursos limitados para a redução das emissões de GEEs, o esforço deve ser concentrado nos setores em que, com o menor investimento, podem ser obtidos os melhores resultados.

Portanto, as políticas públicas devem privilegiar o combate ao desmatamento ilegal, a melhoria tecnológica dos automóveis e combustíveis e a ampliação da participação de biocombustíveis no setor de transportes. Essas três políticas já reduziriam as emissões de gases de efeito estufa a níveis inferiores a 1990. Os detalhes que suportam essa conclusão estão num estudo inédito que o Instituto Acende Brasil lançará em breve. O Brasil, com base na sua posição de liderança global na geração de energia elétrica predominantemente renovável, precisa impor - aos grupos de pressão internacionais e locais - políticas que ataquem os reais responsáveis pelas mudanças climáticas.

As portas se fecham, mas ficam abertas - JOAQUIM FALCÃO



CORREIO BRAZILIENSE - 01/12/11
Há pouco, o presidente Calandra, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entrou com ação no Supremo Tribunal Federal para que os brasileiros não tivessem mais acesso direto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O STF colocou em pauta. A indignação social e midiática da Corregedoria-Geral de Justiça, dos advogados e da sociedade foi tamanha que o Supremo suspendeu o julgamento.

Até hoje não decidiu. Nem deve. Não deve decidir sobre pressão questões de natureza institucional, sobretudo sob pressão corporativa dos próprios magistrados. Tisna a imparcialidade. Mesmo assim, a AMB fez um imenso bem ao país. Pela primeira vez o brasileiro se apropriou do CNJ como se fosse algo seu. Fundamental para sua liberdade. A defesa do CNJ passou a ser causa nacional, defesa da democracia, julgamento justo a que todos têm direito.

Agora, bastou que Eliana Calmon anunciasse 62 processos em curso sobre enriquecimento ilícito de magistrados, para a AMB voltar ao CNJ, solicitar, sem nenhum processo administrativo, que sejam retirados do site as informações sobre os juízes que respondem a processos administrativos em tramitação nas corregedorias-gerais dos tribunais de Justiça dos estados, que lá estavam apenas com iniciais. Agora, nem mais iniciais querem. Por detrás dessa medida duas conclusões podem ser obtidas.

A primeira é óbvia. Quanto mais difícil e mais escondida a informação, maior será o estímulo da mídia, dos profissionais, das associações e da corregedoria em prol da transparência da democracia. Maior será o esforço de revelar o escondido. Maior será o sucesso. É ingenuidade histórica o controle manu militari ou ex auctoritate legis da informação. A praça da liberdade de informação é do povo, como o céu é do condor, diria Castro Alves.

A dificuldade, e não a rotina de obter a informações, fará com que ela já chegue ao público com indesejada dose de escândalo. Quem agrava a informação não é sua revelação. É o seu esconder. O que não é bom para ninguém. Nem para as instituições democráticas. Mas esse será o resultado inevitável dessa política de tentar fechar as inúmeras portas da caixa preta. Tentativa de sucesso efêmero, demolidor de credibilidades e legitimidades.

O presidente Calandra da AMB está pautando o Brasil. É como se ele dissesse: corram atrás dessas informações que elas são relevantes para a boa Justiça e para a opinião pública do Brasil. Correrão. Está cometendo erro histórico político. Quase suicida.

O acesso à informação sobre os magistrados é antes um direito da cidadania do que uma férrea proteção do magistrado. Antes de tomar uma decisão dificultando informações nos sites, o CNJ deveria ouvir os que defendem nesse caso a liberdade de informação. A Ordem dos Advogados do Brasil não foi consultada. A Associação Brasileira de Imprensa não foi consultada. A Associação Nacional de Jornais não foi consultada. As universidades não foram consultadas. Os institutos de Advocacia do Brasil não foram consultados. As associações de classe não foram consultadas. As ONGs que defendem a democracia não foram consultadas. A prudência decisória que caracteriza os líderes do Judiciário deveria levá-los a ouvir, ouvir, ouvir. E só depois decidir.

O fato é que há três anos na gestão Gilmar Mendes e Gilson Dipp (2008/2010) os dados sobre os processos administrativos julgados pelo CNJ eram disponíveis. Era possível saber quais haviam sido julgados. Também era possível ter acesso às decisões desses processos, em sua íntegra, com os votos de todos os conselheiros. Tinha-se acesso inclusive aos documentos. Dificilmente havia sessão secreta. Eram televisionadas.

Hoje, o Tribunal do Acre, por exemplo, segue essa linha e tudo revela. Informa nos motivos do processo administrativo questões como “acumulação indevida de cargos”, “possíveis crimes contra a dignidade sexual, tráfico de influência e formação de quadrilha”, “excedimento de prazo”.

O Tribunal de São Paulo quase nada revela. Dos 167 processos, 163 têm como motivos “apuração preliminar da conduta do magistrado” ou “prática, em tese, de infração administrativa”.

Parece existir crescente abuso do uso do segredo de justiça no caso dos magistrados. Não justifica segredo de justiça quando se reclama de lentidão do magistrado. Não justifica quando ele comete uma falta meramente disciplinar. Justifica-se apenas em denúncias que atingem sua privacidade. Ou no inquérito, como defende Peluso. Nos outros casos, não.

O CNJ, por pressão da presidência da AMB, vai fechando as portas da liberdade de informação. Mas que continuarão abertas, ensina a história. É só esperar com a paciência democrática. O CNJ antes de regular a matéria, deveria dar o exemplo como tem dado. O momento é este: liberar plenamente as informações como já o fez em passado recente. Salvo em raríssimas exceções.

Punhal amigo - RENATA LO PRETE



FOLHA DE SP - 01/12/11



Os percalços na tramitação da DRU e a decisão de José Sarney de pautar ontem a votação da emenda 29, que trata dos recursos para a saúde, sem comunicação prévia ao governo, colocaram a cúpula do PMDB no Senado em rota de colisão com Dilma Rousseff. O Planalto considera ter sido desafiado pelos peemedebistas, já que vários senadores foram avisados de que a presidente não queria associar os dois temas. "Foi uma facada nas costas", resumiu um auxiliar de Dilma.

Sobrou também para Romero Jucá (PMDB-RR). O governo reclama dos sinais contraditórios do líder nas negociações, que dificultariam o avanço da DRU na Casa.

Etiqueta Em privado, integrantes da Comissão de Ética Pública da Presidência afirmam que, além dos problemas nos convênios do Ministério do Trabalho, pesou na recomendação de afastamento de Carlos Lupi a conduta do pedetista diante das denúncias na pasta, considerada inadequada ao cargo.

Mobiliza Henrique Alves (PMDB-RN) começou a colher assinaturas dos líderes da Câmara para endossar ofício a ser encaminhado ao relator do Orçamento, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O texto pede a inclusão do aumento para o Judiciário em 2012. O documento dará argumento ao relator para pressionar o governo, até agora alérgico à ideia.

Show do milhão O ofício não mencionará valores. Nos bastidores, deputados falam em conceder R$ 230 mi à magistratura, R$ 70 mi ao Ministério Público e R$ 800 mi aos servidores do Judiciário.

Suprapartidário 1 O tucano Samuel Moreira, relator do projeto que expande a inspeção veicular para todo o Estado de São Paulo, barrou as 18 emendas ao texto enviado à Assembleia na gestão de José Serra. Entre elas, uma de autoria de Adriano Diogo e outra de Rui Falcão, ambos do PT, estipulando em até 20 anos o tempo de concessão, nos moldes do contrato questionado no Rio Grande Norte.

Suprapartidário 2 A defesa da inspeção no modelo adotado por Gilberto Kassab, alvo do Ministério Público paulista, já foi feita por políticos de várias legendas. No governo de Marta Suplicy (PT), o maior entusiasta era Adriano Diogo, então secretário de Meio Ambiente.

Tem volta Depois de assistir a comercial do PSDB que reprisa de forma irônica peça publicitária usada pelo PT, na campanha presidencial de 2002, para apontar corrupção no governo FHC, alguém filosofou no Twitter: "Quem com rato fere com rato será ferido. Vai faltar rato".

Lição de casa O PMDB coloca no ar a partir de amanhã inserções de TV nas quais resgatará a figura do "professor" Gabriel Chalita. O pré-candidato à prefeitura paulistana aparece em sala de aula, ensinando na lousa a "cuidar bem de São Paulo".

Haddad 2.0 O material foi concebido na esteira de pesquisa segundo a qual o eleitorado reconheceria Chalita como ex-secretário de Educação, mesma seara do nome escolhido pelo PT para a eleição de 2012.

Papo de boleiro Tão logo oficializado no Comitê Organizador da Copa, Ronaldo trocou figurinhas por telefone com Romário (PSB-RJ), crítico de Ricardo Teixeira.

Visita à Folha Paulo Oliveira, diretor do grupo Porto Editora, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Luís Miguel Martins, diretor internacional, Francisco Manoel de Mello Franco, diretor do instituto Antonio Houaiss, e João Rodrigo de Mello Franco, engenheiro do instituto.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Se o próprio Fernando Henrique Cardoso admite que o PSDB se meteu numa barafunda, quem somos nós para discordar do ex-presidente?"

DO DEPUTADO FEDERAL JOÃO PAULO CUNHA (PT-SP), sobre declaração feita em Buenos Aires por FHC. Segundo ele, "é mais fácil falar o futuro do euro" que do futuro de seu partido.

contraponto

Labirinto do poder

O governador de Sergipe, Marcelo Déda, deixava ontem o Palácio do Planalto, onde havia se encontrado com a presidente Dilma Rousseff. Na tentativa de chegar à garagem, o petista por mais de uma vez parou no andar errado. Depois de muito circular, ele obteve a inesperada ajuda de um fotógrafo que passava por ali:

-Está perdido, governador?

Déda imediatamente rebateu:

-Olhe, num palácio, você tem de saber mesmo onde é a entrada. Jamais a saída!

COPRUPÇAO



O "erro" de 2008 e o erro de 2011 - ALEXANDRE SCHWARTSMAN


VALOR ECONÔMICO - 01/12/11


A forte queda da atividade no final de 2008 ainda é vista por muitos como prova do "erro" do Banco Central (BC) à época. Segundo essa visão, a demora do BC para reduzir a taxa de juros teria impedido a recuperação mais rápida da economia, assim como uma queda ainda mais pronunciada da taxa real de juros. Essa é a justificativa para que agora o BC procure se antecipar à crise, promovendo uma redução expressiva da taxa real de juros, de cerca de 7% para algo como 4,5% ao ano, com o intuito de evitar a repetição do "erro de 2008".

Há, contudo, equívocos sérios em tal versão. A começar porque superestima - e muito - o papel da política monetária na contração do produto naquele momento. O gráfico mostra o desempenho da produção industrial brasileira juntamente com as estimativas do CPB (instituto de pesquisa do governo holandês) referentes à importação (quantum) e produção industrial globais, tomando como base os níveis observados no terceiro trimestre de 2008. Como se vê, a produção industrial brasileira seguiu muito de perto o desempenho do comércio e da produção mundiais. Isso indica que, mais do que a taxa de juros, foi o contágio da economia global que determinou a aguda retração da economia brasileira no final de 2008.

Obviamente, como sempre insisto, temos que considerar também o que poderia ter ocorrido caso o BC tivesse reduzido a Selic mais cedo, ainda no quarto trimestre de 2008. Parece razoável, dada a relação relativamente estável entre a taxa real de juros e o comportamento da demanda doméstica, que esta última teria reagido ainda mais cedo do que o fez, o que possivelmente teria levado a uma recuperação ainda mais rápida da produção.

Caso isso tivesse acontecido, porém, o comportamento do chamado "hiato do produto", a medida da ociosidade da economia relativamente a seu potencial, também teria sido distinto, assim como o da inflação.

Com efeito, minhas estimativas, combinação da taxa de desemprego e do nível de utilização de capacidade instalada da indústria, revelam que a utilização geral de recursos teria caído cerca de 2,5 pontos percentuais entre setembro de 2008 e março de 2009 (de 88,5% para 86%), movimento consistente com a queda expressiva da inflação em 2009, uma vez considerada a defasagem de cerca de dois trimestres. Tivesse, pois, a atividade se recuperado mais rápido que o observado, muito provavelmente a inflação, que ficou na meta em 2009, a teria superado.

Note-se, ademais, que também o comportamento das expectativas de inflação à época reforça essa noção. Embora tivessem inicialmente se deteriorado, refletindo os temores (meus inclusive) associados à desvalorização da moeda, as expectativas, ao se normalizaram no começo de 2009, ajudaram a criar o espaço para a redução não inflacionária da Selic. Nesse aspecto também o "timing" da reação foi correto, pois a perda de controle das expectativas implicaria - mesmo sob maior ociosidade - inflação superior à meta.

Se isso é verdade, não parece ter havido nenhum "erro" do BC na formulação da política monetária em 2008-09. Pelo contrário, a velocidade de recuperação da economia e o comportamento das expectativas se mostraram consistentes com a meta de inflação, sugerindo adequação da política monetária. Em particular, não há indicações que teria sido possível redução mais expressiva da Selic sem o comprometimento da meta.

Isto dito, a discussão sobre o que foi (e o que poderia ter sido) a política monetária há três anos nos oferece lições que parecem ter sido solenemente ignoradas no atual ciclo. Naquele momento partíamos de uma taxa de inflação pouco inferior ao teto da banda, mas sofrendo os efeitos de um colapso da economia global que levou a uma considerável expansão da ociosidade na economia, cujos reflexos se fizeram sentir sobre a taxa de inflação, com o auxílio luxuoso de expectativas em plena convergência para a meta.

Já ao início deste ciclo de afrouxamento monetário partimos de uma inflação superior ao teto da banda, sob expectativas de inflação ainda consideravelmente acima da meta (na verdade piores hoje do que eram quando da decisão inicial de redução de juros) e com indicações de ociosidade muito menos favoráveis do que as observadas há três anos, dado que as estimativas de utilização de recursos se encontram agora ainda ao redor de 89%-89,5%.

A despeito disso, as taxas reais de juros hoje se encontram em patamares inferiores aos observados em 2009, gerando um impulso ainda maior sobre a demanda doméstica. Sob tais circunstâncias, não me parece que uma crise que gere impacto "equivalente a um quarto do (...) observado durante a crise internacional de 2008/2009" seja suficiente para fazer a inflação retornar à meta em 2012. Só intervenção divina ou uma crise bem mais séria farão o serviço, sugerindo que ao Copom resta torcer pela piora da situação europeia, ou uma súbita onda de religiosidade.

Alexandre Schwartsman é doutor em Economia pela Universidade da Califórnia, Berkeley e ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC.

BCs ajudam mas não resolvem - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 01/12/11


As tensões econômicas aumentaram esta semana e os principais bancos centrais - é mangueira fina para apagar um incêndio que se alastra rapidamente - saíram ontem em socorro do mercado financeiro.

Os principais banco centrais do mundo vão oferecer empréstimo em dólares a juros reduzidos para aumentar a liquidez do sistema e atenuar a dificuldade que os bancos estão encontrando para financiar suas operações.

À primeira vista, parecia a chegada da cavalaria para libertar o forte cercado, mas logo se constatou que se tratava apenas de uma tropa ligeira. A mais pesada continuava estacionada em Bruxelas e Berlim, com o general alemão, de espada embainhada, dizendo "vamos esperar porque eles ainda aguentam ..."

O suspiro de alívio no mercado durou pouco. Ficou logo muito claro no mercado que a ação conjunta anunciada pelos bancos centrais, principalmente dos Estados Unidos, pode aumentar a liquidez, mas não resolve o problema da dívida soberana e dos déficits orçamentários que os governos da Eurozona discutem há quase três anos sem chegar a qualquer solução.

O comunicado emitido pelos seis bancos centrais (EUA, Reino Unido, Canadá, Japão, Suíça e Banco Central Europeu) foi muito claro: "O objetivo dessas ações é aliviar as tensões sobre o mercado financeiro e por esse meio mitigar os efeitos dessas tensões no fornecimento de crédito para as famílias e empresas e ajudar a promover a atividade econômica."E ponto final. Nada. Nem uma só palavra sobre a rolagem da dívida.

Na avaliação do mercado financeiro, os bancos centrais decidiram agir para evitar algo parecido como a crise financeira de 2008.

No fundo, diziam, não é que os bancos irão comprar títulos da Grécia, da Itália, da Espanha e até da Alemanha a juros razoáveis porque podem ter mais dólares em caixa. Quando muito, voltariam a emprestar ao setor privado, como pretende e deixa claro o comunicado dos bancos centrais, mas não para os governos endividados.

Se a revista britânica Economist comentou com muito realismo que "os bancos centrais providenciaram hidratante para um paciente de câncer; uma coisa útil de fazer, mas, em última instância, apenas ganha tempo.... A dinâmica subjacente da crise do débito soberano continua sem mudança."

E os analistas do mercado concordam. Atacam a margem do problema, mas deixam a sua essência intocada, como quem vai pagar ou rolar a dívida da Itália, da Espanha e da Grécia?

Resumindo, com a ação integrada dos bancos centrais, fica tudo como está, só não piora, por enquanto. E todos continuam esperando pela França, a Alemanha e o Banco Central Europeu para comprar esses papéis que só estão sendo colocados com valores reduzidos a juros de quase 8%. Os maiores na história da União Europeia.

E a reunião da Eurozona. Os ministros das Finanças da Eurozona estiveram reunidos esta semana em Bruxelas mas apresentaram apenas propostas vagas que não animaram os investidores.

Falam agora em criar um "co-fundo do fundo" financeiro, cujos títulos os países dos G-20 já se recusaram a comprar.

O Brasil foi categórico, só compramos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Tudo ficou adiado para o encontro dos presidentes do bloco marcado para o dia 9, mas sem muita esperança pois o governo da Alemanha continua vetando a criação do Eurobônus e quer que o BCE compre mais títulos dos países que estão endividados.

Desde março de 2008, ele já comprou 203 bilhões, mas, sob pressão do representante alemão no seu conselho, deu sinais de recuar nos últimos dias.

O BCE não compra, a Alemanha e a França não compram, o mercado também não, e quando muito, os bancos centrais oferecem dólares a juros baixos para quem quiser, mas isso não animou ninguém.

Restou nesta semana mais um alerta - outro do comissário de (ministro) de Assuntos Econômicos da UE, Olli Rehn, - "Estamos entrando em um período crítico de 10 dias para completar e concluir uma reação à crise da União Europeia", disse. Eles estão dizendo isso há muito tempo mas como não fizeram nada até agora, perderam a confiança dos investidores, com o novo "co-fundo"que inventaram esta semana.

Resumindo e sendo até um pouco grosseiro, ou alguém "engole" esses papéis assumindo, como os bancos europeus, perda de 50% do seu valor, ou a crise financeira da Eurozona poderá causa algo parecido com 2008. Há mais de 1 trilhão de dívida para rolar. E isso, por enquanto, sem contar a Espanha.

E o que resta? O FMI, dizia a Eurozona nesta semana. Com a ajuda dos países fora do bloco. Se não confiam em nós, que confiem no fundo...

Só que o FMI, em plena crise existencial neste momento, saiu por aí a pedir recursos - madame Christine Lagarde veio passar a bolsa até no Brasil e, acreditem, na América do Sul - nesta semana sem muito sucesso.

A posição dos G-20 não mudou, que os governos da Eurozona se entendam, que assumam a dívida mesmo que isso implique em imprimir euros, e depois voltem para conversar.

Só que até agora só não vieram o que aumenta a febre que começa a contaminar o sistema financeiro internacional socorrido agora pela fina mangueira dos bancos centrais... Ufa!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO



FOLHA DE SP - 01/12/11




Início da portabilidade acirra disputa entre bancos

Diante do início da portabilidade para contas-correntes do funcionalismo não federal, em janeiro, cresce a briga entre bancos por clientes.

As maiores folhas de pagamentos de servidores públicos são as de SP (1,2 milhão de contas), Minas (580 mil) e Rio (460 mil).

A vantagem da portabilidade bancária, que já é possível para funcionários de empresas privadas e servidores federais, é possibilitar a transferência de salário para outro banco, a partir de uma única ordem do correntista. Hoje, o servidor tem de transferir os recursos todo mês.

O Banco do Brasil tem a folha de pagamentos de 16 Estados. As últimas aquisições foram as de SP, estadual e municipal, feitas em 2009.

"Há dois anos, nos preparamos para isso. Pudemos investir em agências e em pessoal para poder fidelizar o cliente", diz o vice-presidente, Alexandre Abreu. Como aquisição mais recente, a folha do Rio é a que mais desperta cobiça. Veio para o Bradesco em maio, com a compra do Berj. Mas o banco só vai processá-la em janeiro.

O Bradesco informou "acreditar que poderá manter o relacionamento com os servidores a partir de uma prestação de serviços de qualidade e produtos que ofereçam benefícios".

O Itaú Unibanco já lançou uma grande campanha. "Oferecemos um pacote de tarifas que até isenta o cliente no primeiro ano, além de taxas especiais no consignado e outras facilidades", conta o vice-presidente da instituição, Zeca Rudge.

Outros grandes bancos afirmam ainda estudar sua estratégia para a área.

VENCIDO NO SUPERMERCADO

Os alimentos perecíveis são os produtos mais encontrados fora da data de validade, de acordo com levantamento da Apas (Associação Paulista de Supermercados).

Nos últimos 40 dias, 35,6% dos supermercados registraram ocorrências com esse tipo de mercadoria. Em seguida, aparecem itens de mercearia e padaria, com 24,7% e 4,1%, respectivamente.

No período, nenhum cliente encontrou produtos hortifrutigranjeiros que estivessem vencidos.

Em 43,8% dos estabelecimentos não houve nenhuma reclamação sobre artigos fora do prazo de validade.

Segundo a Apas, cerca de 82% dos supermercados participaram da pesquisa.

O levantamento foi feito como parte de uma campanha da entidade, em parceria com o Procon, que prevê a troca dos artigos que estavam fora da data de validade.

Brasileiros negociam US$ 122 mi em missão na África

A missão comercial brasileira para Moçambique, Angola e África do Sul, organizada pela Apex-Brasil, terminou ontem com a estimativa de que US$ 122 milhões sejam gerados em negócios nos próximos 12 meses.

Os contratos que devem ser fechados com África do Sul e Angola movimentarão os maiores valores, US$ 52 milhões e US$ 51 milhões, respectivamente. Com Moçambique, os negócios devem atingir US$ 19 milhões.

No total, 53 empresas dos setores de alimentos, bebidas, agronegócios, máquinas e construção civil participaram da rodada de negócios.

Algumas empresas abriram novos mercados no continente. A Lorenzetti, de filtros e chuveiros, por exemplo, deve efetivar negócios com empresários da Namíbia.

VALORES

US$ 52 milhões foram negociados entre empresários do Brasil e da África do Sul

US$ 51 milhões serão fechados em contratos com Angola

US$ 19 milhões serão comercializados com Moçambique

INTERCÂMBIO INCOMUM
A empresa especializada em intercâmbio STB abrirá duas filiais no exterior em 2012, uma na Ásia, provavelmente na Tailândia, e outra nos EUA, em Nova York.

"Escolhemos lugares onde há demanda de jovens que querem fazer intercâmbio educacional, mas também levamos em conta questões burocráticas", diz o presidente da companhia, José Carlos Hauer Santos Jr.

As unidades serão comandadas pelo novo vice-presidente da companhia, o holandês Peter de Jong.

A CI, do mesmo segmento, pretende investir em cursos para o mercado corporativo e para idosos, enquanto a IE, por sua vez, espera aumento da procura por programas específicos para o setor de óleo e gás.

LIVRE CONEXÃO

A Gol e a Webjet iniciam hoje a venda de passagens aéreas compartilhadas.

Com o acordo comercial, os passageiros de uma companhia poderão fazer conexão para os voos da outra empresa sem a necessidade de novo check-in, segundo Marcelo Bento, da Gol.

Mais... As vendas das redes de farmácias aumentaram 19,4% nos nove primeiros meses de 2011, ante mesmo período de 2010, de acordo com balanço da Abrafarma (associação do setor).

...bulas O faturamento total até setembro foi de R$ 14,9 bilhões. A comercialização de genéricos e de não medicamentos ultrapassou a média de crescimento, com 24,3% e 27,7%, respectivamente.

com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

Os deputados e seus fantasmas - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 01/12/11


A Casa que deveria representar os interesses do povo do Estado de São Paulo resistiu o quanto pode à obrigação de informar o destino que dá a boa parte do dinheiro que os contribuintes paulistas recolhem para sustentá-la. Durante 11 anos, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo brigou na Justiça para não ter de publicar a lista completa de seus servidores e os cargos por eles ocupados. Para o bem do serviço público e dos interesses da população, finalmente, em maio, seu último recurso foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e ela foi condenada a publicar a lista.

No entanto, mesmo sujeito à multa diária de R$ 1 mil, o Legislativo paulista não cumpriu o prazo que lhe foi dado para fazer a primeira publicação - depois, terá de publicar a lista com regularidade e, também, quando ela sofrer alterações. A população continua sem saber quantas e quais pessoas sustenta na Assembleia, com os impostos que paga. Deve haver motivos muito fortes para tão feroz resistência dos deputados em divulgar uma informação que, pelos princípios básicos da administração pública, como a moralidade e a publicidade dos atos, deveria ter sido sempre do conhecimento geral.

Uma clara indicação dos motivos que levam os deputados a esconder da população o que fazem com o dinheiro dela foi mostrada na reportagem de Fernando Gallo e Fabio Serapião publicada no Estado (27/11). Trata-se da existência de funcionários não concursados que recebem sem que precisem demonstrar o desempenho regular de uma função pública capaz de justificar a remuneração que recebem.

São os funcionários "fantasmas", nomeados por critérios políticos, que continuam a morar em suas cidades de origem, trabalham nas atividades que desenvolviam antes da nomeação, não batem ponto nem precisam assinar livro de presença, mal conhecem o prédio da Assembleia - informe-se, aos eventuais interessados, que fica no bairro do Ibirapuera -, mas recebem regularmente seus vencimentos, pagos pelo contribuinte.

A prática é generalizada e não é privilégio deste ou daquele partido. A reportagem identificou funcionários fantasmas lotados em gabinetes de deputados do DEM, do PSDB, do PTB, do PMDB, do PT, do PDT e do PV. Um exame atento da lista dos funcionários da Assembleia, quando ela for divulgada, muito provavelmente ampliará a lista de partidos.

A Mesa Diretora da Casa diz não ser responsável pela fiscalização do trabalho desse tipo de funcionário. "O controle de frequência é de responsabilidade das unidades administrativas", afirmou, em nota com que procurou apresentar ao jornal as razões da existência desse tipo de funcionário. Desse modo, transferiu a questão para os gabinetes dos deputados, as lideranças, as secretarias e os gabinetes dos integrantes da Mesa Diretora.

Procurados, os deputados que utilizam recursos públicos para sustentar pessoas por eles escolhidas valem-se de argumentos semelhantes para tentar justificar essa prática. O trabalho legislativo, alegam, não se limita às atividades internas - isto é, desenvolvidas na sede da Assembleia Legislativa -, mas envolve também muitas atividades externas, daí a ausência de seus "assessores" do local de trabalho natural.

"Ele fica na extensão de meu gabinete. Tenho escritório em Osasco", disse, por exemplo, o deputado Celso Giglio (PSDB), para justificar a contratação do gerente comercial Bruno Siniauskas como seu assessor em Osasco, onde tem sua principal base eleitoral. Funcionário de confiança da liderança do PT, Éverson Inforsato é diretor da Ferroviária, tradicional time de futebol da cidade onde mora, Araraquara, e da qual o deputado Edinho Silva foi prefeito.

A naturalidade com que os políticos tentam justificar o uso do dinheiro público para manter a estrutura eleitoral de seu interesse pessoal é o retrato de um grave desvio de interpretação de seu papel. Escritórios políticos de detentores de mandato eletivo não podem ser sustentados com recursos públicos. Os interessados devem fazê-lo com seu próprio dinheiro.

Um brinde ao amigo controle remoto - WAGNER VILARON


O Estado de S.Paulo - 01/12/11


Nada mais natural do que só se falar da final, ou melhor, da última rodada do Campeonato Brasileiro. Além de encerrar a edição mais equilibrada e, portanto, a mais emocionante da era dos pontos corridos, o último capítulo é marcado por uma série de clássicos que decide vaga na Libertadores, rebaixamento e, claro, o título. Então, vamos a ele.

Não vou me aventurar aqui em palpites - esta uma das primeiras lições aprendidas por quem trabalha ou já passou pela mídia impressa, pois fica registrado para sempre e só serve para alimentar os cornetas de plantão. E claro que acompanharei simultaneamente os clássicos do Pacaembu (Corinthians x Palmeiras) e do Engenhão (Vasco x Flamengo), que definirão o pentacampeão brasileiro. Só para lembrar, Corinthians e Vasco têm quatro títulos cada.

Também contarei com a ajuda do solene amigo controle remoto, amizade essa à qual só damos valor quando a maldita pilha acaba. Para não correr tal risco, substituirei, no sábado, as duas palitos, também conhecidas como AAA.

Com meu aliado em punho, darei pulos esporádicos a Sete Lagoas, palco daquele que pode ser o momento mais trágico do ano: o rebaixamento do Cruzeiro para a Série B. E com dois requintes de crueldade: a possibilidade de ser rebaixado em partida contra seu principal e eterno rival, o Atlético-MG, e diante de sua torcida. Segundo acordo feito entre os clubes, apenas torcedores da Raposa estarão no estádio.

Agora, um clássico que não tem sido muito badalado nacionalmente, mas que terá atenção especial de meu controle remoto é Atlético-PR x Coritiba, pois vale, e muito, para os dois. É verdade que Vasco x Flamengo também coloca em jogo grandes objetivos para ambos. Porém, até o mais otimista vascaíno tem consciência de que o título pode até vir, mas teria de driblar a lógica. Em outras palavras, o Vasco quer ganhar, lógico, mas não deixará de ter uma temporada vitoriosa se o pentacampeonato brasileiro não se concretizar.

No caso do embate paranaense é o típico roteiro que envolve ação, drama, tensão, tragédia, alegria, enfim, todo o tempero de um grande filme. De um lado o Coritiba, equipe que encantou o País, sobretudo com a ótima campanha no primeiro semestre que a levou ao vice-campeonato da Copa do Brasil. Mas o que adianta encantar, brilhar e não vencer? Para evitar isso, o Coxa, que hibernou na zona intermediária da classificação durante boa parte do Brasileiro, reagiu e entra em campo motivado para ficar com uma das vagas na Libertadores.

Mas do outro lado está o Atlético-PR. E, no caso do Furacão, esqueçam rivalidade e disposição de prejudicar o rival. Os rubro-negros entram para se salvar. A situação é tão complicada que, além de vencerem, precisam torcer contra Cruzeiro e Ceará. Desespero puro, terrível para a torcida atleticana, mas fantástico para o clássico. Ah, detalhe: a exemplo do que ocorre em Minas com o Cruzeiro, o Atlético-PR pode cair diante de sua torcida. O jogo é na Arena.

CLAUDIO HUMBERTO

“Vossa Excelência deixou o governo em maus lençóis”

Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) elogiando José Sarney por priorizar a Emenda 29

SEGURANÇAS DO SENADO INSINUAM VÍNCULO À PF

A segurança do Senado, constituída por servidores sem qualificação policial, tem raio de ação limitado ao espaço físico do Congresso, mas dispõe de cinco viaturas, quatro delas “caracterizadas” até com sirenes. E exibe coletes negros cuja inscrição, “Polícia Federal Legislativa”, denuncia a fantasia que custa caro ao contribuinte e insinua vinculo à Polícia Federal, que é muito admirada no País. A PF nega o vínculo.

SAI DO SEU BOLSO

Os carros transformados em “viaturas policiais” na segurança do Senado são camionetes Nissan X-Terra. Cada uma custa R$ 87 mil.

APENAS SEGURANÇAS

A “polícia” do Senado afirma que as viaturas são usadas para eventual “acompanhamento” na segurança pessoal de senadores.

ELES SE ACHAM

A assessoria do Senado nada informa sobre sua “polícia” “porque mexe com a segurança”. Eles se acham os xerifes da Esplanada.

PARECE POLÍCIA, MAS NÃO É

Além de portar armas letais e pistolas de choque, os seguranças do Senado têm até equipamentos para grampear telefones e e-mails.

BRASIL INVESTE EM AEROPORTOS DE... MOÇAMBIQUE

O governo federal apelou à privatização para salvar os aeroportos, mas esbanja nosso dinheiro na África: empréstimo de US$ 300 milhões renovará a frota da estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), além da infraestrutura aeroportuária do país, como o aeroporto de Nacala e a ampliação do porto de Beira. Deficitária, a LAM está na lista negra da União Europeia pela insegurança de suas aeronaves.

OLHO INGLÊS

A Petrobras ganhou do governo da Grã-Bretanha garantias para que bancos ingleses financiem a exploração no pré-sal.

“CREDILMA”

Os gastos do governo federal com cartões corporativos, em 2011, já superaram a marca de R$ 40 milhões.

ARAPONGAS GASTADORES

A Agência Brasileira de Inteligência é responsável por mais de 60% dos gastos sigilosos da Presidência da República com cartões corporativos.

FLAGRA DE GAZETEIRO

Para quem quer ser prefeito da cidade “que não para”, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) é muito folgado. Ontem, por volta das 17h, após registrar presença na Câmara, com a pauta cheia, ele flanava na praça de alimentação do shopping Iguatemi, a 25 km do seu local de trabalho.

MÃO BOBA NO SEU BOLSO

O Ministério da Cultura gastou R$ 165 mil só no aluguel de espaço num evento, em São Luís (MA), ontem, que discutiu “políticas públicas” (ou como avançar no bolso do contribuinte) para... terreiros de macumba.

DEPUTADA ROUBADA

A deputada Sandra Rosado (PDSB-RN) teve o carro roubado segunda-feira (21), por volta das 20 horas, no acesso ao Parkshopping, em Brasília. Seu motorista foi rendido por dois bandidos com arma apontada para a cabeça. Ela registrou a ocorrência, mas o carro ainda não apareceu.

ANIVERSÁRIO

O senador tucano Flexa Ribeiro (PA) pediu aplausos pelo aniversário de Romero Jucá (PMDB-RR). “São 35 anos, muito jovem”, brincou Gim Argelo (PTB-DF). Flexa tripudiou: “35 anos só como líder de governo...”

RASGAÇÃO DE SEDA

Diante de um elogio do tucano Aécio Neves (MG), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), agradeceu: “Aprendi com seu querido avô, Tancredo”. Aécio rasgou seda: “Por isso sua trajetória política é repleta de êxitos”.

OS SEM-ELEVADOR

O prédio da Câmara onde mora o deputado Romário (PSB-RJ), na 302 Sul, em Brasília, sem elevador de serviço há quinze dias, ontem ficou sem o social. Aos 45, Romário ainda é atleta, mas outro morador, João Lyra (PSD-AL), aos 80, enfrentou escadas para chegar ao 6º andar.

CAIXA-PRETA

Após tergiversar, o primeiro-ministro peruano Salomón Lerner garantiu que o partido do governo é que paga os salários de “Luis Favre”. E lembrou que o amigo dele, Lula, tem uma entidade privada. Humm...

ÁGUA VIVA

A atriz Sarah Cintra abre curta temporada hoje (1º), em Brasília, do monólogo Água Viva, de Clarice Lispector, que faria 91 anos em dezembro. No Teatro Goldoni, na 208 Sul. Vai até dia 11.

PENSANDO BEM...

...Só falta subornar os ratos para eles não abandonarem o navio. 

PODER SEM PUDOR

APELO NO AVIÃO


O saudoso Olavo Drummond, que foi ministro do Tribunal de Contas da União, era diretor da Vasp quando, em um voo, descobriu que o banqueiro Olavo Setúbal estava na classe econômica. Convidou-o a se transferir para a primeira classe.

– Paguei pela classe econômica – declinou Setúbal – e estou bem por aqui.

– Você tem que ir – apelou Drummond – Se o avião cair, todo mundo vai pensar que o Olavo que morreu na primeira classe era você e não eu...

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Comissão de Ética quer saída de Lupi, e Dilma pede calma

Folha de S. Paulo: Lupi acumulou cargos ilegalmente

Estadão: Comissão de Ética pede a Dilma que demita Lupi

Correio: Comissão da Presidência pede a demissão de Lupi

Valor: Crise do euro se agrava e BCs agem para dar liquidez a bancos europeus

Zero Hora: Como o La Niña vai ditar o verão gaúcho