sexta-feira, novembro 04, 2011

WASHINGTON NOVAES - O Código Florestal no mundo da escassez



O Código Florestal no mundo da escassez
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S. Paulo - 04/11/2011

Aproxima-se a hora de votações decisivas no Senado do controvertido projeto de lei sobre um novo Código Florestal. E aumentam as preocupações, tantos são os pontos problemáticos que vêm sendo apontados por instituições respeitáveis como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciência, o Ministério Público Federal, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Museu da Amazônia, os comitês de bacias hidrográficas e numerosas entidades que trabalham na área, entre elas o Instituto SocioAmbiental e a SOS Mata Atlântica.

Não faltam motivos para preocupações graves. Entre eles, a possibilidade de transferir licenciamentos ambientais para as esferas estadual e municipal, mais suscetíveis a pressões políticas e econômicas; a anistia para ocupações ilegais, até 2008, de áreas de proteção permanente (reconhecidas desde 1998 como crime ambiental); a redução de 30 para 15 metros das áreas obrigatórias de preservação às margens de rios com até 10 metros de largura (a proposta atinge mais de 50% da malha hídrica, segundo a SBPC); a isenção da obrigação de recompor a reserva legal desmatada em todas as propriedades com até 4 módulos fiscais (estas são cerca de 4,8 milhões num total de 5,2 milhões; em alguns lugares o módulo pode chegar a 400 hectares); a possibilidade de recompor com espécies exóticas, e não do próprio bioma desmatado; nova definição para "topo de morro" que pode reduzir em 90% o que é considerado área de preservação permanente.

São apenas alguns exemplos. Há muitos. Para que se tenha ideia da abrangência dos problemas: o professor Ennio Candotti (ex-presidente da SBPC), outros cientistas e o Museu da Amazônia lembram que naquele bioma há uma grande variedade de áreas úmidas, áreas alagadas, de diferentes qualidades (pretas, claras, brancas), baixios ao longo de igarapés, áreas úmidas de estuários etc.; cerca de 30% da Amazônia pode ser incluída entre as áreas úmidas e cada tipo exige uma regulamentação específica, não a regra proposta no projeto. No Pantanal, são 160 mil quilômetros quadrados.

Mas não bastassem todas essas questões, recentes portarias ministeriais (Estado, 29/10) e do Ministério do Meio Ambiente mudaram - para facilitar - os procedimentos obrigatórios para licenciamento de obras de infraestrutura e logística, com o argumento de que há 55 mil quilômetros de rodovias, 35 portos e 12 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia sem licenciamento - como se o problema estivesse nos órgãos ambientais, e não nos empreendedores/construtores.

E tudo isso ocorre no momento em que as últimas estatísticas dizem que o desmatamento na Amazônia permanece em níveis inaceitáveis: em sete meses deste ano foram mais de 1.800 km2, número quase idêntico ao de igual período do ano passado (Folha de S.Paulo, 1.º/11). E no momento em que se reduz a área de vários parques nacionais na Amazônia para facilitar a construção de hidrelétricas questionáveis (já discutidas várias vezes neste espaço). Esquecendo a advertência do consagrado biólogo Thomas Lovejoy: o desmatamento no bioma já chegou a 18%; se for a 20%, poderá atingir o turning point irreversível, com consequências muito graves na temperatura e nos recursos hídricos, ali e estendidas para quase todo o País. É uma advertência reforçada por estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Escritório Meteorológico do Hadley Centre, da Grã-Bretanha. Já o professor Gerd Sparovek, da USP (Estado, 26/10), adverte: o passivo com o desmatamento no País já é de 870 mil km2.

E ainda se pode perguntar: mesmo admitindo a hipótese otimista de o Congresso rejeitar todas as mudanças indesejáveis - hipótese difícil, dado o desejo de grande parte dos congressistas de "agradar" ao eleitorado ruralista e a parte do amazônico (que vê no desmatamento oportunidade de empregos e renda) -, mudará o quadro, lembrando que o Ministério do Meio Ambiente (e, por decorrência, o Ibama) tem apenas cerca de 0,5% do Orçamento da União? Não esquecendo que o Ibama só tem conseguido receber cerca de 1% das multas que aplica a desmatadores.

Estamos numa encruzilhada histórica, reforçada pelo fato de a população do planeta ter chegado a 7 bilhões de pessoas e caminhar para pelo menos 9 bilhões neste século - o que exigirá o aumento da oferta de alimentos em 70%, quando o desperdício, hoje, nos países industrializados chega a um terço dos produtos postos à disposição; quando nas discussões do ano passado na Convenção da Diversidade Biológica se demonstrou que o mundo perda entre US$ 2,5 trilhões e US$ 4,5 trilhões anuais com a "destruição de ecossistemas vitais"; quando a "pegada ecológica" da humanidade, medida pela ONU, indica que estamos consumindo mais de 30% além do que a biosfera planetária pode repor.

Nesta hora, em que o até ex-ministro Delfim Netto, que admite nunca haver se preocupado antes com a questão, manifesta (no livro O que os Economistas Pensam da Sustentabilidade, de Ricardo Arnt) seu desassossego com a escassez de recursos naturais no mundo e a possibilidade de esgotamento, é preciso mudar nossas visões. Admitir que tudo terá de mudar - matrizes energética, de transportes, de construção, de urbanização, nível de uso de terra, água, minérios, tudo. Relembrar o que diz há décadas o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud): se todas as pessoas tiverem o nível de consumo do mundo industrializado, precisaremos de mais dois ou três planetas para supri-lo.

A atual crise econômico-financeira está mostrando o quanto nos descolamos da realidade, com um giro financeiro anual (em torno de US$ 600 trilhões) dez vezes maior que todo o produto bruto no mundo no mesmo espaço de tempo (pouco mais de US$ 60 trilhões). Se não nos dermos conta dessa insustentabilidade, razão terá o índio Marcos Terena quando diz: "Vocês (os não índios) são uma cultura que não deu certo".

GOSTOSA


EDITORIAL FOLHA DE SP - Fantasia minoritária


 Fantasia minoritária
EDITORIAL 
FOLHA DE SP - 04/11/11

Presença de policiais militares no campus da USP é necessária e não ameaça em nada a liberdade de ensino e de pesquisa

Se, em alguma região ou bairro específico da cidade, registram-se vários casos de assalto, estupro e homicídio, não parece disparatada a conclusão de que é preciso aumentar o policiamento no local.

Frequentado por milhares de estudantes, com atividades que se prolongam pela noite, e permeando-se de áreas ermas e descampadas, o campus da Universidade de São Paulo não tem por que constituir exceção a esse raciocínio.

A presença de policiais militares na USP, para manter condições mínimas de segurança, serve, entretanto, de pretexto para atos pseudorrevolucionários de uma ínfima minoria de estudantes.

Ligados a grupelhos situados na mais extrema franja da esquerda universitária, cerca de 200 alunos ocuparam, primeiramente, a sede da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. A façanha teve pouco impacto. Depois de quatro horas de debate, numa assembleia a que compareceram aproximadamente mil pessoas, decidiu-se suspender a ocupação.

Mesmo assim, um grupo de 50 estudantes -pode-se dizer que a minoria de uma minoria- resolveu dar um passo além, invadindo a reitoria da universidade.

Diante dessa provocação evidente, na qual nem sequer as instâncias e organizações representativas dos próprios estudantes foram respeitadas, tomou-se a única atitude correta: pedir, judicialmente, a reintegração de posse do local, desalojando os ocupantes -pela força, se necessário.

Por timidez, excesso de suscetibilidade ideológica ou mera confusão, ainda há quem associe a presença da PM no campus com os traumas advindos da ditadura.

Uma coisa, entretanto, era o emprego de forças policiais para prender professores e estudantes suspeitos de fazer oposição a um regime antidemocrático. Totalmente diversas são ações de policiamento que em nada impedem a liberdade de cátedra, o ensino, a pesquisa e a própria realização de atos políticos dentro do campus.

Identificada abstratamente com "a repressão", segundo o antigo vocabulário da oposição ao regime militar, a PM hoje está na USP não para reprimir estudantes, e sim estupradores, ladrões e assassinos.

Vale assinalar, num rodapé tão curioso quanto deprimente, que o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (Andes-SN) quis rememorar a antiga terminologia -e condenou, na internet, a "repreensão da PM" aos estudantes da USP...

"Repressão" ou "repreensão", não é disso que se trata, e não é a presença da PM que ameaça as atividades universitárias. Quem agride a democracia, o ensino e a pesquisa na USP é a paranoica minoria que invadiu a reitoria, no intuito de provocar um confronto que só atende às suas pueris fantasias de contestação.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Mão única
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 04/11/11

Embora seja visível o ressentimento de Marta Suplicy (PT-SP) diante da maneira pela qual se viu obrigada a abdicar da disputa pela Prefeitura de São Paulo, correligionários não acreditam que isso venha prejudicar a campanha de Fernando Haddad. Não restaria alternativa a Marta: o PT sair vitorioso da eleição é o melhor dos cenários para o partido, independentemente do candidato; a hipótese de Haddad triunfar sem o empenho da senadora seria ruinosa para ela.
Por fim, mesmo aliados admitem que o "martismo" não tem mais o mesmo vigor. E que só haveria estrago de fato se ela, magoada, deixasse a sigla.

Melhor idade 1 No bloco dos adversários do PT em São Paulo, há quem duvide seriamente do mantra suprapartidário segundo o qual a vitória na capital estaria destinada a uma "cara nova". Segundo esses céticos, nada melhor do que um nome "com experiência", de preferência respaldado em ampla aliança, para derrotar o ministro Fernando Haddad (Educação).

Melhor idade 2 Na seara de Geraldo Alckmin, esse pensamento se traduz na esperança de que José Serra ainda possa ser convencido a concorrer. No entorno de Gilberto Kassab, o figurino é preenchido por Guilherme Afif.

Cada um por si Os deputados petistas Cândido Vaccarezza, João Paulo Cunha e José Mentor, "os três mosqueteiros" da finada campanha da ex-prefeita, agora enviam recados para deixar claro que não vão se comportar como "viúvos da Marta".

Boletim De Zapatero a Hu Jintao, de Medvedev a Jacob Zuma, todos os chefes de Estado e de governo que estiveram com Dilma Rousseff em Cannes indagaram sobre a saúde de Lula.

Cortesia Sem visitas há três dias, o ex-presidente recebe hoje à tarde em seu apartamento o prefeito Luiz Marinho e a ministra Miriam Belchior (Planejamento).

Te espero lá Dilma aproveitou a cúpula do G20 para convidar os colegas a participar do Rio+20, encontro global sobre meio ambiente marcado para janeiro.

Aquecimento Antes da sabatina a que será submetido na Câmara, Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, deve se reunir na segunda-feira com o relator da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT-SP), em São Paulo. No mesmo dia, deputados que lideram o motim contra itens polêmicos do projeto visitarão o Itaquerão e Cumbica.

Protocolo Do novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B-SP), sobre Valcke ter dito, em entrevista, que "o Brasil não vai vencer a Fifa", referindo-se aos pontos controversos da lei como a meia-entrada e a venda de bebida alcoólica em estádios: "Não queremos confronto com a Fifa, mas também não queremos submissão".

Antídoto Para reduzir a pressão de prefeitos no "governo itinerante" de Campinas, marcado para o dia 11, Geraldo Alckmin anuncia hoje medidas que vão de ações judiciais contra concessionárias à criação de fundo para absorver cobrança extra de pedágio. O pacote atinge as praças de Jaguariúna, Indaiatuba e Itatiba, hostis ao tucano na campanha.

Outro lado Altemir Gregolin (PT) diz que, embora atue como consultor, não presta serviços ao Ministério da Pesca, que já ocupou. Afirma ainda se declarar agradecido a Dilma não por contratos obtidos, e sim pelo "apoio à criação" da pasta e pelo "reconhecimento ao meu trabalho no governo".

tiroteio
"Ao dizer que Marta é 'importante no Senado', a presidente Dilma resolveu dois problemas de uma só vez: tirou-a da eleição em SP e se livrou de lhe oferecer um ministério."
DO DEPUTADO VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP), sobre os termos da conversa entre a presidente e a senadora, que ontem anunciou a decisão de não disputar a vaga do PT na sucessão de Gilberto Kassab.

contraponto
Não é comigo

No recém-lançado "Dissenso de Washington", livro de memórias sobre seu período como embaixador na capital americana, Rubens Barbosa conta que no primeiro encontro FHC-Bush, em março de 2001, o brasileiro pediu apoio à aprovação de empréstimo do FMI para a Argentina. O anfitrião não gostou da ideia.
Ao encerrar a troca de informações sobre a situação de diversos países na América Latina, FHC introduziu o assunto Paraguai, e Bush retrucou, com ar malicioso:
-O Paraguai é com você. É problema seu, não meu.

IGNÁCIO LOYOLA BRANDÃO - Sabendo francês podemos ser mais felizes


Sabendo francês podemos ser mais felizes
IGNÁCIO LOYOLA BRANDÃO
O Estado de S.Paulo - 04/11/11

Não me considerem esnobe, exibido. Mascarado, como se dizia na minha infância. Não usam mais a palavra? Tão atual. O que há de gente mascarada no mundo. Vou dizer o óbvio. Para desfrutar melhor Paris, a Provence celebrada, e outros, sabendo francês, os prazeres multiplicam-se por cem, o desfrute por duzentos, a alegria por quinhentos. Mesmo que você tenha ido apenas para fazer compras, como a maioria dos brasileiros, que pedem descontos em português mesmo e em altos brados (ou em brado retumbante), vale a pena aprender francês.



O parisiense muda quando você se dirige a ele na sua língua, ainda que precariamente, como eu. Quem não gosta de uma pessoa que chega e você percebe o esforço que ela faz para se expressar em sua língua natal? Assim, vale a pena aprender francês para poder caminhar à vontade em Paris deixando-se envolver por ela, sabendo um pouco mais.

Claro, o francês não é importante apenas por isso. Mas já é um enorme handicap. Há as revistas, os milhares de livros traduzidos do mundo inteiro, o cinema, a música, até a facilidade nas compras. Só poder ler a gigantesca coleção La Pléiade (projeto de uma vida) no original é uma bênção, raras vezes igualada. Ou os fólios, delicados, sensuais? Hoje estamos aprendendo apenas o que o mercado chama de línguas úteis, como o inglês, o japonês, o mandarim. Mandarim? (Eu lá quero falar chinês?) Para vencermos na vida? Nos tornarmos empreendedores? Sermos alguém? Mas o que é ser alguém? Tudo tem de ter aplicação prática? Se é assim, acabemos com o ensino brasileiro, ele não leva a nada, do jeito que está estruturado.

Há na nossa vida algo que é preciso preencher. Uma necessidade interior de espírito, contemplação do mundo, da vida, avaliação das coisas. Encarar a existência como algo que precisa de alimento. Foram eliminando as línguas de todos os cursos, a não ser alguns muito especializados. Tive no ginásio português, inglês, francês, latim e espanhol e posso dizer que isso me ajudou. Mas vieram deletando tudo, como se diz. E o francês se foi por meio de ministros que só pensam em política. O atual quer a Prefeitura de São Paulo, imaginem. Nem administrou direito o Enem.

A primeira palavra que aprendi em francês foi: nous. Estava no primeiro ano do ginásio. Tínhamos aulas de francês desde o primeiro dia com mademoiselle Fanny, uma graça de pessoa. Perguntamos: "Por que a senhora começou com o nous, que significa nós, e não com o je, que quer dizer eu?" Ela sacudiu o dedo: "O nous somos todos, é o coletivo, a classe. O je é muito individualista." Esses eram os professores que tínhamos. Jamais dona Fanny falou em português na aula. Nos virávamos para saber o que ela queria dizer. Ela sabia conduzir a lição, de maneira que descobríamos os significados e as pronúncias às vezes sutis do francês, língua tão poética, sensível, cheia de nuances, e ao mesmo tempo incisiva. Dificuldades terríveis para diferenciar Anne (Ana) de âne (asno). A professora insistia, queria a perfeição. Nesta minha idade, penso, dia desses entrar para a Aliança Francesa a fim de aperfeiçoar minha precariedade.

Donna Fanny ainda está lá em Araraquara. Até algum tempo atrás, quando eu a encontrava na rua, ela me dizia, como sempre disse ao entrar na classe:

- Bonjour, mon enfant!

- Bonjour, madame.

- Mademoiselle, mademoiselle...

Ria, afetuosa. Aos 14 anos estávamos lendo Alexandre Dumas no original. Não era fácil, mas a gente acabava gostando, se imaginava na França. Também Victor Hugo, Lamartine, Chateaubriand, depois Balzac, Flaubert, Stendhal. Hoje chegaríamos a Le Clézio, Houellebecq, Jonathan Littell, Georges Perec. Aos 16 tivemos acesso a Jaques Prévert, que deslumbramento! A poesia entrava em nós por meio de Aragon, Paul Valéry, Verlaine, e, claro Rimbaud e Baudelaire, o maldito. Também Céline, complicado, Camus, os romances de Sartre, um pouco de Proust (eu mantinha a tradução do Quintana do lado). Toda semana, nos anos 50, havia um filme francês no cinema. Fanny insistia para que fôssemos. Não era exigir muito, sabíamos que algumas estrelas francesas como Martine Carol, Claudine Dupuis e Françoise Arnoul mostravam os peitinhos, era um avanço na nossa vida sexual. Mas havia Arlety, Edwige Feuillère, Maria Casarés, soberbas. E Gerard Philippe, jamais substituído. Hoje minhas paixões são Juliette Binoche, Irene Jacob, Marion Cotillard. Por outro lado, descobrimos os filmes de Marcel Carné, de René Clair, André Cayatte, Jean Delannoy, Robert Bresson, clássicos. Depois, digerimos toda nouvelle vague, que mudou a linguagem do cinema.

Nós, que aprendemos francês, tivemos sempre algo mais dentro de nós. De coisas pequenas e grandes. Não estou aqui para fazer lista e apenas para insistir numa coisa muito simples: sabendo francês, sempre me senti um pouco mais feliz na vida. Uma delas foi ouvir, recentemente, do garçom de um bistrô; "Monsieur, vous êtes du quartier?" (O senhor é do bairro?) Que, como Eros Grau diz em um livrinho delicioso sobre Paris, é um sinal de que você está sendo aceito. Coisa nada fácil para um estrangeiro. Que volte o francês às escolas!

CELSO MING - O preço do abandono


O preço do abandono
 CELSO MING 
O ESTADÃO - 04/11/11

A Grécia nunca esteve tão perto como agora de abandonar a área do euro, admitiu nesta quinta-feira até mesmo seu primeiro-ministro, George Papandreou.

Se o referendo for mesmo convocado e das urnas vier um não ao pacote de socorro, não sobrará a opção de arrancar ainda mais concessões. A Grécia terá de sair do bloco, alertam o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

É um rumo já fartamente avaliado pelo próprio governo grego e por analistas. Em entrevista ao Estadão, Kenneth Rogoff, dos mais respeitados economistas do mundo, avisou ser altamente provável que, mais cedo ou mais tarde, a Grécia tenha mesmo de abandonar o barco.

Uma corrente cada vez mais forte na Grécia também pensa assim - embora 60% da população descarte uma saída desse tipo. Mas, enfim, se sacrifícios pedidos aos gregos para continuar na comunidade do euro são tão insuportáveis, qual seria o preço de eventual retirada?

O descarte do euro implicaria a volta da dracma, a um câmbio fortemente desvalorizado. Se não fosse para relançar uma moeda substancialmente desvalorizada, melhor seria ficar. Uma dracma valendo cerca de 50% do euro, por exemplo, ajudaria a dar competitividade aos produtos de exportação, o que, em princípio, colaboraria para reativar a economia e o emprego.

Também não haveria sentido largar o euro sem a aplicação de enorme calote sobre a dívida, como fez a Argentina em 2001. Sem um passivo para lidar, a vida econômica poderia ser retomada em outras bases, sem espremer tanto o povo grego, com redução de salários e aposentadorias e aumento de impostos.

Mas essa não é a medalha inteira. O calote fecharia as portas do crédito por anos. A Grécia enfrentaria despesas públicas sem ajuda externa, só com o que arrecadasse. O precedente da Argentina não serve de parâmetro, por se tratar de grande exportador de commodities (grãos e carne), com fartas receitas em moeda estrangeira. O PIB grego equivale a só 80% do argentino, sem uma economia pujante. As maiores receitas provêm do turismo, da indústria naval e algo da agricultura.

A atual dívida grega está denominada em euros, nada menos que 350 bilhões. Um bom pedaço desse crédito está com os bancos do país. O calote provocaria a quebra imediata de vários deles.

A população tem seus depósitos e aplicações financeiras em euros nos bancos gregos. Teria de trocá-los por dracmas. Mas é improvável que tenha à sua disposição os resgates que fossem buscar na rede bancária. Como também foi na Argentina, em 2002, quando se abandonou o plano de conversibilidade, autoridades gregas terão de organizar um corralito, isto é, racionar a devolução de depósitos.

Mais ainda, a dracma desvalorizada provocaria a derrubada de salários e aposentadorias em euros. Dependentes das importações do resto da Europa, gregos enfrentariam considerável alta do custo de vida.

Alguém poderia alegar que, sem mais uma grande dívida, não haveria mais despesas financeiras. Não é verdade. O governo da Grécia nunca pagou suas dívidas. Rolou vencimentos e incorporou juros ao principal. Mesmo assim, enfrenta rombo orçamentário (déficit equivalente a 9% do PIB, ou 19,2 bilhões de euros por ano). Viver sem crédito e só de arrecadação exigiria sacrifícios provavelmente maiores.

É sobre a perspectiva de uma paisagem assim que o eleitor grego teria de decidir se engole ou não o pacote da área do euro.

CONFIRA

Primeira surpresa. A primeira reunião do Banco Central Europeu comandada por seu novo presidente, Mario Draghi, produziu uma surpresa: um corte de 0,25 ponto porcentual ao ano nos juros básicos, agora baixados para 1,25% ao ano. Embora a inflação na Europa esteja em alta (para cerca de 3% ao ano) e isso tenha sido levado em conta por Draghi, a decisão foi derrubar os juros para enfrentar uma conjuntura de crescimento do desemprego e marasmo econômico.

Pombo romano. É cedo para dizer que o romano Draghi se proponha a ser mais pombo (mais latino?) e menos falcão (menos alemão?) na condução da política monetária (política de juros) da área do euro. Mas a decisão de estreia reforça essa aposta.

Blindar a Itália. Não há muito o que os líderes da Europa possam fazer pela Grécia. A bola está com eles e o que será, será. A prioridade agora é evitar que a contaminação das finanças da Itália seja irreversível.

MARIA CRISTINA FERNANDES - O dono da voz


O dono da voz
MARIA CRISTINA FERNANDES
Valor Econômico - 04/11/2011

Com uma voz mais rouca e fraca que a habitual, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva surgiu de preto no quarto do hospital Sírio-Libanês em vídeo divulgado na terça-feira pelo instituto que leva seu nome (www.icidadania.org). Ao lado da mulher, agradeceu, durante dois minutos, as mensagens de solidariedade que vem recebendo.

Desde que foi anunciado, no sábado, que o ex-presidente tem um tumor maligno na laringe a reação popular adquiriu vários matizes. A grande maioria, e não é preciso uma pesquisa de opinião para constatá-lo, solidarizou-se com Lula. Uma parcela pequena, mas ruidosa, de brasileiros exorcizou a pequenez de sua própria índole e a incivilidade de suas convicções com regojizo estridente.

É à luz da solidariedade de milhões com o maior líder popular da história brasileira que sua fala merece ser revisitada. Difícil imaginar que Lula pudesse vir a se despir da política mesmo num momento de fragilidade física e emocional. Se o apego à política lhe aumenta o apetite pela vida, é de se esperar até que seus médicos acolham o efeito terapêutico de uma relação estreitada entre o líder e o povo que governou.

"Temos que lutar; foi para isso que vim à terra"

O vídeo, no entanto, extrapolou o agradecimento. Mostrou que está em curso, capitaneada pelo próprio enfermo, a sacralização do mito. Lula se disse portador de uma missão na terra: "Nenhum ser humano pode se deixar vencer por uma dor ou por um câncer. Temos que lutar. Foi para isso que vim à terra. Para lutar e para melhorar a vida de todo mundo".

A autoridade moral de quem enfrenta um tratamento de câncer decorre com naturalidade. Em Lula, a biografia lhe autoriza em acréscimo dizer que não será a primeira nem a última batalha de sua vida, muitas das quais travadas nos corredores de hospitais públicos.

O ex-presidente incorporou de tal maneira a autoridade moral da enfermidade que, no vídeo, era o telespectador que parecia estar sob tratamento. Olhando sério para a câmera, disse: "Preste atenção numa coisa, sem perseverança, sem muita persistência e sem muita garra a gente não consegue nada".

Lula foi além. Naquele momento, depois de suas primeiras 24 horas de quimioterapia, levantou-se para pedir que os brasileiros apoiem e ajudem a presidente Dilma Rousseff: "É inexorável que o Brasil se transforme num grande país".

Estava ali para agradecer e foi da gratidão como moeda política que tratou. Em seu primeiro pronunciamento depois da notícia do câncer, o líder enfermo e redentor pede apoio à sucessora que elegeu. Se alguma dúvida havia sobre o compromisso entre criador e criatura, a doença o torna cada vez mais indissolúvel.

Ao final da gravação, Lula dirige-se aos petistas: "Tô doido para falar uns companheiros e companheiras mais fortes. Até a primeira assembleia, até o primeiro comício, até o primeiro ato público".

Antes de ter o tumor diagnosticado, Lula vinha operando ativamente na montagem dos palanques municipais governistas. Como se sabe agora, poucas horas antes de gravar a mensagem havia incumbido Dilma de negociar a desistência da pré-candidatura da senadora Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo.

A postulação de Marta vinha sendo desidratada há muito tempo. Com base em pesquisas que demonstravam um teto para a prefeita no eleitorado paulistano, seus ex-secretários municipais já tinham abandonado seu barco e os petistas que permaneciam ao seu lado pareciam estar ali com a missão de barganhar espaço na campanha do ministro da Educação, Fernando Haddad.

Não estava, portanto, descartada a possibilidade de desistência, a despeito do tumor de Lula. Mas a doença revestiu o pedido, feito 48 horas depois do diagnóstico do presidente, de outros significados. O primeiro é de que não há como o partido se recusar a atender ao seu líder enfermo. O outro é revelado pela escolha da mensageira.

Lula não incumbiu um dirigente do PT, nem José Dirceu, eterno herói da militância petista, para negociar com Marta, mas a própria presidente da República.

Além da possibilidade de a senadora petista poder vir a ser incorporada no primeiro escalão do governo, a missão de Dilma revela, para quem, no PT, ainda não havia percebido, que a presidente é, de fato e de direito, sua sucessora. É um recado claro e direto para os petistas de São Paulo, generais de brigada da luta interna.

No meio médico de São Paulo há pouca discordância sobre as chances de cura do ex-presidente, ainda que grassem divergências sobre eventuais impactos sobre sua voz decorrentes da decisão de se adiar a cirurgia com o recurso à quimio e à radioterapia.

É com essas indefinições que Lula joga ao se reposicionar, dentro e fora do PT, em função da doença.

A decisão de tornar público o câncer marca notável diferença em relação aos subterfúgios do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao lidar com o seu e usá-lo para se perpetuar no poder.

Lula já deu demonstrações suficientes de apego à democracia para ser comparado com Chávez. Já transferiu a faixa, mas ainda é o dono da voz. Ninguém se comunica melhor que ele. Mas o risco, ainda que remoto, de que esse poder de comunicação venha a ser afetado, não autoriza a mistificação.

Não dá para esperar que Lula deixe de fazer política enquanto durar seu tratamento. O ex-presidente teria tudo para sair da doença como o cabo eleitoral de uma grande campanha nacional pela melhoria da saúde pública brasileira. Seria a melhor resposta à vilania do "Lula no SUS", além de retribuição à altura da solidariedade popular.

Enquanto presidente, Lula não investiu na saúde pública como deveria, como tampouco o fizeram todos os que o antecederam e que também continuam a se tratar nos melhores hospitais do país. A oportunidade que se abre para sua liderança é que, curado pelo Sírio-Libanês, Lula ponha sua voz a serviço do SUS.

MÔNICA BERGAMO - LOTAÇÃO ESGOTADA


LOTAÇÃO ESGOTADA
MÔNICA BERGAMO 
FOLHA DE SP - 04/11/11

A JHSF prepara nova expansão do condomínio Cidade Jardim, na marginal Pinheiros. Quer erguer mais duas torres de escritórios no lugar, ao lado do shopping. O empreendimento já tem seis prédios.

PÉ FORA
Setores do PT temiam ontem que Marta Suplicy se licenciasse do partido ou até mesmo deixasse a legenda.
Sem perspectiva de se candidatar para cargos majoritários, ela poderia optar por outro caminho político.

PÉ FORA 2

O teatro montado para que Dilma Rousseff fizesse um "apelo" para que Marta permanecesse no Senado foi considerado um desastre por alguns dirigentes. A assessoria da presidente não teria sido enfática o suficiente, deixando claro que a senadora foi pura e simplesmente afastada por Lula da disputa.

PELO BRAÇO

Amigos próximos de Lula dizem que a ex-primeira-dama Marisa Letícia exagerou na dor de cabeça que sentiu no sábado apenas para convencer o marido a ir para o hospital Sírio-Libanês.

Dona Marisa faz acompanhamento neurológico há tempos, com o médico Milberto Scaff, professor titular de neurologia da USP. Ela tem um pequeno aneurisma que precisa ser controlado.

BALADINHA

O ator americano John Malkovich decidiu comemorar a estreia paulistana de seu espetáculo, "The Infernal Comedy - Confissões de um Serial Killer", hoje, logo após a apresentação no Theatro Municipal. Ele reunirá um grupo de amigos no Bar Secreto. Theodoro Cochrane, filho de Marilia Gabriela, será um dos DJs.

BANQUETE
Milena Toscano, a Vanessa de "Fina Estampa", se diz "solteira e feliz" na "Status" deste mês. "Não é na night, na balada, que você vai encontrar o homem de sua vida." A atriz, que afirma ser boa cozinheira, diz que, para conquistá-la, o parceiro deve ser um "Cordon Bleu", em referência à escola de gastronomia francesa.

BOAS PARCERIAS
A atriz Denise Fraga, a roteirista Carolina Kotscho e o fotógrafo Walter Carvalho foram, anteontem, à exibição de "Mundo Invisível", produzido por Leon Cakoff, Renata de Almeida, Caio Gullane e outros. Entre os diretores do filme, estão Maria de Medeiros e Atom Egoyan, que foi à sessão, no Unibanco Frei Caneca, com a mulher, Arsinée Khanjian.

BENDITA DOSE
Veva e Guto Quintella lançaram a Edição Única 2011 da Cachaça da Tulha no bar Ilha das Flores. O rótulo é criação do artista plástico Juarez Fagundes. Yaya Quintella e Chico Lima participaram do evento.

GAMBI DISCO

A festa Gambiarra, uma das mais famosas de SP, lança no próximo dia 14, na The Week, seu primeiro CD pela gravadora Warner.

A seleção feita pelo DJ Miro Rizzo tem sucessos que vão de "Coisinha do Pai", de Jorge Aragão, a "Prefixo de Verão", da Banda Mel.

ROCK NACIONAL, BEBÊ

Mais um musical à vista: "Rock 80" será baseado nas canções brasileiras que fizeram sucesso nos anos 80.

O projeto conseguiu autorização para captar R$ 6,5 milhões via Lei Rouanet.

DRAG QUEENS

E o ator André Torquato vai interpretar Felícia, uma das drag queens do musical "Priscilla - A Rainha do Deserto", que a GEO Eventos deve montar no Brasil no próximo ano.

Simone Gutierrez, de "Hairspray", também estará no elenco.

1,2,3 ENSAIO!

A banda Strokes, do vocalista Julian Casablancas, quer um miniestúdio em seu camarim no Planeta Terra para poder ensaiar antes do show. Eles se apresentam amanhã no Playcenter. É a primeira vez em cinco anos de festival que um grupo faz esse pedido.

VISÃO DE MUNDO

Zeca Camargo falará hoje sobre "Uma Visão do Brasil em 2022" em um encontro da revista "The Economist", no hotel Unique. Usará experiência de suas viagens internacionais para apontar perspectivas e avaliar como está a imagem do país no exterior, especialmente entre os jovens. O apresentador acaba de chegar de Nova York.

QUATRO MÃOS

A artista plástica Mônica Nador está montando exposição na galeria Luciana Brito sobre seu trabalho no Jardim Miriam, o Jamac. As intervenções nas ruas do bairro feitas por ela e pelos moradores serão transpostas para as paredes e fachadas da galeria na mostra "Cubo Cor", que abre no dia 19.

CURTO-CIRCUITO
A Fundação Dorina Nowill faz liquidação em seu bazar na Vila Clementino.

Steve Ross se apresenta no Club A nos dias 11 e 12, às 21h. 18 anos.

O clube Mokaï abre filial em Guarulhos no dia 25.

A festa Garotas do Roque acontece hoje no Container, na rua Bela Cintra, às 23h. Classificação: 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

DORA KRAMER - Governadores em ação


Governadores em ação
DORA KRAMER 
O Estado de S.Paulo

Governadores de Estados não produtores de petróleo, politicamente próximos ao governo e que estiveram incumbidos de negociar a nova partilha de royalties de forma a amenizar as perdas dos produtores, notadamente o Rio de Janeiro, se ainda não procuraram vão procurar a presidente Dilma Rousseff para aconselhá-la a não vetar o texto que for aprovado pela Câmara.

Na análise deles, o governador do Rio, Sérgio Cabral, faz uma aposta arriscada quando investe na pressão para que Dilma faça como o então presidente Lula e vete o projeto.

Primeiro, porque transfere todo o problema para a presidente - "põe a bomba no colo dela" é a expressão usada - e, segundo, porque deixa Dilma na desconfortável situação de se contrapor pela segunda vez em um ano a uma decisão majoritária do Legislativo.

Esses governadores acham que Sérgio Cabral investe no impasse, esquecendo-se de que - bem ou mal colocada a questão - há os eleitores de outros 24 Estados (ao lado do Rio estão São Paulo e Espírito Santo) com os quais a presidente, os senadores e os deputados não pretendem comprar briga.

A ideia, na semana anterior à eclosão do escândalo no Ministério do Esporte, era procurar a presidente e aconselhá-la a ter "extrema cautela" na condução do problema e de forma alguma repetir o gesto de Lula.

Se o veto dele seria derrubado caso fosse votado (para evitar foi apresentado um novo projeto no Senado), o dela teria o mesmo destino. Um desgaste.

Os governadores reconhecem que as perdas do Rio serão realmente grandes, mas eles atribuem a responsabilidade à opção feita pelo governador Sérgio Cabral, que preferiu radicalizar, ignorando tentativas de acordo sem ceder nada a não ser que a União "assinasse o cheque" do prejuízo.

Confiou na força de Lula e agora na pressão das ruas (há uma manifestação marcada para o próximo dia 10 no centro do Rio). O mais provável é que a história acabe no Supremo, pois os governadores apontam: quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lava as mãos e diz que o governo já cedeu o que tinha de ceder, fala obviamente por delegação da presidente.

O resultado, até os "não produtores" reconhecem, é o pior possível: o Rio perde muito e os que ganham poderão contar com uma fonte de receita fácil para gastar à vontade, sem vinculação de destinação específica.

No mínimo, uma desvirtuação de propósitos.

Linha justa. 
Depois de o Supremo Tribunal Federal decidir que é crime dirigir embriagado, mesmo que não haja vítima, falta encontrar um jeito de enquadrar as pessoas que se recusam a fazer o teste do bafômetro escorando-se no princípio legal de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si.

A esse respeito Eugênio Bucci e Maria Paula Dallari Bucci assinaram artigo ontem no Estado em que apresentam argumento irretocável: "Se prevalecesse (sempre) esse hiperindividualismo, estaríamos até hoje sem cinto de segurança, pois não caberia interferir na liberdade dos passageiros dentro de seus automóveis e também não haveria obrigação do uso de capacetes para os motociclistas, pois cada um seria dono do direito de esborrachar a sua cabeça onde bem entendesse".

Assim como nesses casos e no da proibição do fumo, o que está em jogo é a vida dos outros. Um bem maior que o direito individual ao que quer que seja.

Inabalável. 
No que depender da opinião de José Serra sobre Fernando Haddad, a pressão dos tucanos paulistas para que ele venha a se candidatar à prefeitura da capital não abalará a decisão do ex-governador de se guardar para quando 2014 chegar.

Há dez dias Serra comentou com um dos pré-candidatos do PSDB que achava Marta Suplicy um osso eleitoral bem mais duro de roer.

Centralismo. Primeiro com Dilma e agora com Fernando Haddad, Lula vem mostrando com quantos paus se faz uma democracia interna no PT.

JOSÉ SIMÃO - Socuerro! O grego virou churrasco!


Socuerro! O grego virou churrasco!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 04/11/11
 

E eu já disse que a Grécia quebrou de tanto prato que eles quebraram. A economia ficou um caco!


Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O esculhambador-geral da República!
Um passinho à frente, por favor! O mundo já tem sete bilhões! E ninguém me toca há meses! Como disse uma amiga minha: "o mundo tem sete bilhões e ninguém me toca há meses!".
O mundo tem sete bilhões. E eu entrei num supermercado na Bahia e todas as caixas estavam grávidas. Rarará! O mundo tem sete bilhões. E o Papa ainda é contra a camisinha. Se o Papa é contra a camisinha, ele que não use!
O mundo tem sete bilhões porque não obedeceram aquela placa do Sesi: "Planejamento familiar, entrada pelos fundos". Rarará! O mundo tem sete bilhões. E todos tomam o metrô na Estação Sé?!
E o G20? Geme 20! Todo mundo gemendo: estourei o cartão, estourei o cartão! E a Grécia? Acabou a carne para o churrasco grego. Ao contrário: o grego virou churrasco!
E olha o que um cara escreveu no meu Twitter: "Estou adotando mulheres gregas em crise, faixa etária de 18 a 19 anos, entrar em contato pelo Twitter".
O último cara que teve essa ideia de adotar uma grega causou uma guerra que durou dez anos! Agora é apelar para os deuses. Pro Teseu, deus do tesão. E pro Zorba, deus da cueca. A Europa quer deixar os gregos de cueca!
E não se fala em zona do euro porque o euro tá uma zona. O euro transformou a Europa numa zona. O euro e o Berlusconi. Rarará! Boa notícia: devido à crise, Berlusconi adia seu CD de canções de amor! Amore Bunga Bunga. Eu e o euro, canções euróticas!
E a Dilma tá lá, firme, continua andando como caubói. Tiraram o cavalo e ela não percebeu! E todo mundo quer dinheiro emprestado do Brasil. Vão bater a carteira da Dilma!
E eu já disse que a Grécia quebrou de tanto prato que eles quebraram. A economia ficou um caco! E o Sarkozy tem de pagar a Venus de Milo que tá lá no Louvre! E a Angela Merkel tem de pagar o templo de Pergamon que foi parar em Berlim. Com aquelas estátuas. Umas bibas bombadas com o pingolim de fora!
Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno
Eu sou do tempo do camarão com arroz à grega!

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS - Anatomia do poder e a crise mundial


Anatomia do poder e a crise mundial 
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS 
O Estado de S.Paulo - 04/11/11

A crise mundial é uma crise de poder, protagonizada pelos burocratas e políticos que comandam o mundo. Não é uma crise da sociedade, que não é livre na escolha dos burocratas e pensa ser livre na escolha dos políticos, mas, de rigor, apenas vota naqueles por eles mesmos selecionados, limitando o "cardápio" democrático.

Os burocratas, em parte concursados e em parte de livre indicação dos detentores do poder, buscam, de início, sua segurança pessoal, seu principal objetivo. A prestação de serviços públicos é um corolário não rigorosamente necessário e, decididamente, não o principal.

Dividem-se, os que integram a burocracia, em idealistas, conformados e corruptos.

Os primeiros - mais escassos -, uma vez no serviço público, pretendem servir, idealizam soluções, procuram melhorar a qualidade do que fazem e são, não poucas vezes, hostilizados, ostensiva ou silentemente, pelos demais.

Os conformados, como procuraram a própria segurança de vida, cumprem acomodadamente a sua função, sem maior dedicação, sempre contando com as benesses dos privilégios oficiais.

Já os corruptos - que não são poucos - buscam o enriquecimento, a qualquer custo, vendendo favores, às vezes até por "concussão", que é a imposição da ilicitude à sociedade, sem que esta dela se possa defender.

Os burocratas são, no mundo inteiro, uma classe em permanente expansão, criando funções, cargos, exigências, o que torna a máquina estatal cada vez mais pesada para a sociedade. Grande parte da crise mundial decorre dessa multiplicação burocrática, que transforma o Estado em carga tão onerosa sobre o povo que este mal pode sustentá-lo com seu trabalho e seus tributos.

Os políticos, por outro lado, também são divididos em três classes semelhantes.

Os estadistas - que são poucos - idealizam um futuro melhor para a nação, mesmo à custa de seu sacrifício pessoal.

Os que querem o poder pelo poder, acostumando-se à ilicitude dos meios como prática que, embora não desejada, a ela não se furtam para sobreviver.

E, finalmente, os que têm na política a maior fonte de enriquecimento, todos os seus atos políticos tendo um custo, quase sempre sob o pretexto de que os recursos se destinam a seu partido, mas que, na verdade, em grande parte vão para seu próprio bolso.

Não sem razão, em fins do século 19 Adolfo Wagner, no seu livro sobre economia política, mostrava que as despesas públicas tendem sempre a crescer. O próprio Orçamento de 2011 da União ofertou pouco mais de R$ 10 bilhões ao Bolsa-Família e pouco menos de R$ 200 bilhões para a mão de obra ativa e inativa da União!

Neste quadro, há de se compreender que, no Brasil e nos países desenvolvidos, a carga tributária é alta, pois determinada pela carga política e burocrática. A diferença é que, apesar de a carga brasileira ser semelhante à dos países mais desenvolvidos e bem maior que a de Estados Unidos, Japão, China, Índia e Rússia, os serviços públicos aqui prestados são muito piores. Vale dizer, a sociedade sustenta, com seus tributos, mais os privilégios dos detentores do poder do que o Estado prestador de serviços.

Ora, a crise financeira mundial - que é, fundamentalmente, uma crise da insensatez de todos os governos, por não controlarem o nível de sua dívida pública - tem nesse componente do custo burocrático e político um de seus mais agudos fatores, todos os governos devendo parcela considerável à sociedade poupadora, correspondente a elevados porcentuais do produto interno bruto (PIB), como nos Estados Unidos (quase 100%), na Itália (130%) e na maioria dos países, muito acima de 50%.

Acontece que o mercado financeiro não vive da moeda, mas da confiança de que a moeda aplicada em crédito será adimplida pelo devedor. Quando o devedor é um país, o dinheiro emprestado é quase todo aplicado, bem ou mal. Suas reservas são sempre inferiores ao seu endividamento global. A confiança de que, se exigido, poderá honrar os créditos tisnados é que mantém o sistema. Quebrando-se, todavia, a confiança, quebra-se o sistema, interligado por força da velocidade de circulação da moeda e do crédito, em que os ativos financeiros existentes são consideravelmente superiores ao PIB mundial.

Neste quadro, a falência de confiabilidade da Grécia está levando ao desequilíbrio do sistema, pois se percebe que a Irlanda, Portugal, a Espanha, a Itália e, talvez, até a França têm problemas que se podem agravar, tornando o "calote" oficial um desastre universal, principalmente se algum dos países em crise não aceitar a contenção de despesas, por manifestação plebiscitária, provocando o abandono do euro. A busca por imposição de perdas ao sistema financeiro, sem torná-lo inviável, é o único recurso para solucionar a crise de imediato, com o menor abalo possível na vida econômica e social dos povos, mormente quando esta atingir os países emergentes e menos desenvolvidos, que evoluíram no boom de 2003 a 2008 - evolução que, embora o presidente Lula tenha atribuído a seu governo, a verdade é que o País cresceu menos que os demais grandes emergentes, beneficiários daquela expansão.

Neste quadro, o desinchaço das máquinas burocráticas, a única forma de serem superadas as crises, é uma imposição mundial e, no Brasil, algo difícil de ocorrer, porque atingiria burocratas e políticos, os grandes beneficiários desse inchaço.

Só mesmo com uma pressão, à evidência, sem as violências e selvagerias da primavera árabe, mas do povo sobre os governantes, por suas instituições privadas mais respeitáveis, poderia, a meu ver, começar a revisão do quadro, em que a eficiência e a moralidade se tornariam os únicos atributos exigidos para os que pretendam exercer o poder.

ELIANE CANTANHÊDE - O mundo dá voltas


O mundo dá voltas 
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 04/10/11

BRASÍLIA - O mundo efetivamente dá voltas. Houve um tempo longínquo em que o Brasil era um oásis para portugueses que não tinham onde cair mortos. Houve um tempo, até recente, em que Portugal foi um oásis para os brasileiros sem perspectiva -de renda e de vida. E eis que, com a crise econômica internacional, a direção da migração volta a se inverter. E traz problemas.

Nos anos de crescimento europeu, os dentistas brasileiros emigravam para Portugal, onde sofriam restrições e perseguições. Agora, com o crescimento brasileiro (apesar da queda nas previsões) e a crise na Europa, são os engenheiros, arquitetos, advogados e pilotos portugueses que sofrem constrangimentos, principalmente de ordem legal, mas também de ordem corporativa, para trabalhar em suas áreas no Brasil.

Esse foi um dos temas da conversa entre Dilma e o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, numa passagem-relâmpago dele por Brasília. E já há uma comissão dos dois governos tratando da questão, que interessa a centenas, talvez milhares, de profissionais de nível superior. Portugal, que já exportou garçons e faxineiras para Alemanha, Suíça e Áustria, hoje espanta mão de obra qualificada para o Brasil, um porto razoavelmente seguro.

Levantamento do Ministério da Justiça, publicado por "O Globo", mostra que o número de estrangeiros estudando, trabalhando ou acompanhando seus parceiros superou, pela primeira vez em 20 anos, o de brasileiros que foram viver no exterior.

Ou seja: em vez de só os brasileiros tentarem uma vida melhor no Primeiro Mundo, cidadãos dos países ricos e também (ou principalmente) da América Latina, da África e da Ásia fazem o caminho inverso.

Convém discutir seriamente a questão da mobilidade nesses tempos de globalização. Hoje, eles é que precisam entrar aqui. Amanhã, somos nós que precisaremos entrar lá de novo. Nunca se sabe...

REGINA ALVAREZ - Vai ou racha


Vai ou racha
REGINA ALVAREZ
O GLOBO - 04/11/11

Ontem foi mais um dia tenso na Europa por conta do fator Grécia como entrave a uma saída para a crise da zona do euro, mas ficaram mais claras as posições e os temores de cada um dos lados. O primeiro-ministro grego, George Papandreou, recuou em relação ao referendo e disse que o único jeito de a Grécia continuar na zona do euro é aderindo aos termos do plano de socorro aprovado na semana passada.

Reconheceu, portanto, que não existe uma terceira via: ou a Grécia aceita o plano ou abandona o bloco, exatamente na linha dos discursos inflamados de Nicolas Sarkozy e Angela Merkel no dia anterior.

A decisão do primeiro-ministro de convocar um referendo popular para aprovar o plano de socorro, que traz embutido um rigoroso programa de ajuste, esgarçou as relações dos gregos com os demais líderes europeus. E colocou na mesa a possibilidade concreta de a Grécia abandonar a zona do euro. Mas no fundo ninguém deseja que isso aconteça, porque os dois lados sairiam perdendo.

Para a Grécia, não tem saída possível sem dor, mas deixar o bloco pode acarretar prejuízos ainda maiores do que permanecer e adotar o remédio amargo do ajuste, com corte nos gastos, perda de emprego e renda.

A conseqüência imediata da saída, na visão de especialistas, seria um calote generalizado da dívida grega. O país passaria a adotar a dracma como moeda e não teria como honrar as dívidas em euro.

— A percepção é que terão um default generalizado e desordenado. Com isso, o temor sobre bancos aumenta, assim como as dúvidas em relação a outros países, principalmente a Itália — observa o economista Roberto Padovani, da Votorantim Corretora.

A economista Monica de Bolle, da Consultoria Galanto, compara a situação da Grécia fora da zona do euro com a da Argentina, quando desvalorizou a moeda. A população empobreceu, mas o nosso vizinho ainda conseguiu tirar vantagem da desvalorização, aumentando as exportações para a Europa, que estava em boa fase de crescimento. A Grécia nem teria essa vantagem, pois exporta a maior parte dos produtos para a zona do euro, que agora está em declínio completo.

— Os gregos estão se questionando se tem sentido se manterem no euro, mas a saída seria muito dolorosa — destaca.

Se para a Grécia tudo indica que o menos pior é permanecer na zona do euro, o mesmo vale para os demais países do bloco.

— Se a Grécia sair do euro e afundar, as chances de carregar a Itália são muito grandes, e aí a crise será de proporções sem precedentes — prevê.

Contágio não se controla, ressalta. E o calote desordenado da dívida grega afetaria profundamente os bancos franceses, atingindo em cheio o bloco europeu.

Na visão da economista, por trás desse ultimato dado à Grécia pelos líderes Sarkozy e Merkel existe um enorme temor que o país deixe o bloco em um momento tão delicado, causando todo esse estrago.

Sem noção
Da Europa, onde vive um período sabático, o professor Antônio Buainain, do Instituto de Economia da Unicamp, observa a reação da população à crise. Ele conta haver um descompasso entre as manchetes dos jornais e o que escuta nas ruas de motoristas de táxi, jovens na universidade e colegas de profissão. Buainain — que está na Espanha, mas já passou por Itália e Portugal — diz que não sente temor em relação aos efeitos da crise da Grécia, mas um forte descontentamento com os governos e com as medidas tomadas para combater a crise.

— O que as pessoas cobram é a continuidade da situação que alcançaram com base no endividamento, no gasto público mal dirigido, na construção de infraestrutura que não eleva a produtividade da economia.

Bola da vez
O gráfico abaixo dá o tom da desconfiança do mercado em relação à Itália, o que coloca o país na posição de bola da vez no caso de a Grécia afundar na crise. A dívida elevada e a incerteza política que dificulta o ajuste fiscal só aumentam o temor do mercado, que cobra um preço cada vez mais alto pela rolagem da dívida italiana

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Trabalho formal pode custar 133% mais
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 04/11/11

Um dos setores que concentram grande parte das denúncias de trabalho degradante, o varejo têxtil levantou dados que apontam um custo do trabalhador formal às confecções mais que o dobro de um informal. Estudo encomendado pela ABVTEX (associação do varejo) à Fipe mostra que nas confecções da região metropolitana de São Paulo, o custo do salário para o empregador formal, por funcionário, chega a ser 133,22% mais. "O estudo empírico diz que se pode chegar a esse acréscimo para empresas que usam o regime de lucro real", diz Gabriela Borger, da Fipe.

O levantamento também aponta que trabalhadores informais têm ganho líquido de 9,2% a 27,3% a mais que os funcionários registrados. O ganho dos informais é aliado à quantidade de peças produzidas, ao contrário dos formais, cujo salário é fixo. É também esse tipo de operário, porém, que costuma aparecer em casos de trabalho análogo à escravidão. "Na remuneração por peça, eles recebem mais, por isso trabalham mais", diz José Guzzardi, da ABVTEX. "É uma análise simplista. O informal não tem férias, 13°. É explorado. Não há como comparar o profissional liberal que opta por ser autônomo com isso", diz a procuradora Catarina Von Zuben, do MPT da 15ª região.

Os limites de faturamento para o Simples e o lucro presumido estimulam pulverização em micro e pequenas confecções e podem propagar informalidade, diz a entidade.

TEMPO PERDIDO
As empresas de internet e de TV a cabo são as que mais fazem os brasileiros esperarem em casa para ser atendidos, de acordo com levantamento Zogby/Ibope. Entre as pessoas que disseram já ter aguardado por algum tipo de serviço, 66% relacionaram o problema com companhias de banda larga e 48%, de TV paga.

"O resultado é parecido com o de outros países, como EUA e Alemanha. As companhias desse setor não têm a tecnologia necessária para avisar o horário em que chegarão", diz Yuval Brisker, fundador da TOA Technologies, que encomendou o estudo. O número de clientes que indicariam a empresa para amigos cai de 45% para 9% com o atraso de 15 minutos ante o horário combinado. A impontualidade de mais de uma hora na chegada dos funcionários que realizariam o serviço representa 95% de insatisfação na clientela. Além do Brasil, onde foram ouvidas mil pessoas, a pesquisa também foi realizada na Alemanha, nos EUA e no Reino Unido.

ÍNDICE ENERGÉTICO
A plataforma eletrônica de negociação de energia elétrica Brix vai lançar o Índice Brix Convencional PLD + Prêmio, que a partir do dia 10 será calculado diariamente. Será divulgado o valor do prêmio praticado nos contratos negociados entre agentes do ambiente de contratação livre no mercado spot. O mercado livre representa os grandes consumidores de energia. O prêmio é um componente do preço que se soma ao PLD (preço técnico) e resulta no preço real da energia. O número não era facilmente conhecido até então e deve trazer mais transparência às negociações, segundo a empresa. "O prêmio pode variar. Em setembro, chegou a superar o próprio PLD", diz Marcelo Mello, CEO da Brix. O índice calcula a média ponderada das operações negociadas na plataforma diariamente com vencimento no mês, para o submercado Sudeste/Centro-Oeste.

TREM FRANCÊS
Uma comitiva de 22 empresários e políticos da região de Lille, norte da França, chega amanhã a São Paulo para avaliar as possibilidades de negócio com o Brasil. Os franceses dessa região, responsáveis por 60% da produção da indústria ferroviária do país europeu, pretendem investir no setor de transporte. "Nossa prioridade é o Rio de Janeiro", diz Luc Doublet, presidente internacional da câmara comercial de Norte-Pas-de-Calais.

Competitividade Representantes dos trabalhadores do setor químico se reúnem hoje pela manhã em Brasília com a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) para discutir medidas contra a desindustrialização.

MAIS BRITÂNICOS
A Burberry coloca mais gás em suas vendas no Brasil no ano que vem. A grife britânica já fechou a abertura de mais duas lojas no país: a primeira será inaugurada em abril, no Shopping Iguatemi JK, em São Paulo, e a segunda unidade, em novembro, no Shopping Village Mall, no Rio de Janeiro. Há dois meses, a Burberry se estabeleceu no Brasil com um novo escritório, nos padrões de Londres, e trouxe para o país um time de profissionais responsáveis pela gestão da marca na América Latina, segundo a empresa. Com duas lojas abertas no Brasil, no Shopping Iguatemi São Paulo e no Shopping Iguatemi Brasília, a empresa abre no próximo domingo a sua terceira butique, desta vez no Shopping Pátio Higienópolis, de SP. Será a primeira unidade a vender a linha infantil da grife do Reino Unido.

LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Crescimento menor com Dilma


Crescimento menor com Dilma
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
folha de sp - 04/11/11

O crédito na economia, que cresceu a dois dígitos em 2007/8, vai crescer de forma mais lenta daqui por diante


Pretendia hoje refletir sobre a situação na Europa, depois da aprovação do novo pacote de medidas para enfrentar a crise na zona do euro. Estava relativamente otimista, pois as decisões tomadas superaram as expectativas dos analistas. Como sou adepto da teoria de que para enfrentar um problema estrutural que depende de consenso político é preciso fatiá-lo e resolvê-lo ao longo do tempo, estava confiante.

Mas a decisão do primeiro-ministro grego de levar a questão da adesão ao pacote a uma consulta popular voltou a tornar instável o futuro imediato do euro e a pressionar os governos por uma nova rodada de medidas. A ameaça grega recolocou a Itália na berlinda, provocando nova rodada de aumento no risco político associado a seus títulos soberanos de crédito. Por sorte, essa nova rodada de pânico nos mercados acontece quando os governantes do G20 estão reunidos em Cannes para um de seus encontros formais periódicos.

Talvez seja boa oportunidade para chegar a um entendimento para trazer novos recursos, externos à Europa, para aumentar o poder de fogo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Mas as decisões do G20 e do Parlamento grego só serão conhecidas depois de ter escrito minha coluna.

Por isso, aproveito para tratar de outra questão que tem dominado o debate econômico no Brasil nos últimos dias: o enfraquecimento mais acelerado da economia, principalmente no segmento da indústria. Segundo projeções da equipe de economistas da Quest, ela não vai crescer em 2011. O crescimento do PIB também deve apresentar resultados mais modestos neste ano.

A desaceleração da economia está sendo maior do que eu esperava. E não se pode jogar a culpa na crise externa, pois seus efeitos no Brasil ainda são muito pequenos e contraditórios. Por exemplo, em relação à inflação, o cenário externo tem tido efeitos benignos via preços das commodities. Por isso, alguns fatores internos, menos conhecidos, devem estar afetando nossa economia.

Uma primeira hipótese que venho trabalhando há alguns meses é a de que forças expansionistas temporárias, que atuaram no segundo mandato de Lula, estão perdendo força.

Um exemplo é o crescimento do crédito, que chegou a dois dígitos em 2007/8 e hoje está na faixa de 6,8%. Em 2007, o total de crédito na economia estava muito abaixo dos padrões internacionais; hoje, principalmente no financiamento de bens duráveis, já está em níveis compatíveis ao de economias mais avançadas e vai crescer bem mais lentamente daqui por diante.

Outro exemplo do esgotamento do crescimento do consumo via crédito pode ser encontrado na chamada classe média emergente. Esses brasileiros que, ao longo dos últimos anos, passaram a ter acesso ao crédito via bancos ou grandes varejistas, já enfrentam problemas para honrar seus compromissos, mesmo com os salários crescendo a taxas reais de cerca de 3% ao ano. Como não temos a incorporação de novos membros das classes de renda mais baixa por total falta de qualificação profissional, esse impulso no consumo tende a desaparecer.

Finalmente, a concorrência das importações também joga a favor de um crescimento mais modesto. Nos anos passados, mais importações representaram válvula de escape contra a inflação via maior oferta de bens; hoje, afetam também o crescimento da indústria.

A tabela ao lado mostra os sinais claros de crescimento mais fraco sob Dilma quando comparado com o segundo mandato de seu criador.

MOISÉS NAÍM - Latino-americanização da Europa


Latino-americanização da Europa
MOISÉS NAÍM
FOLHA DE SP - 04/11/11

Qualquer sugestão de que havia lições a tirar de crises na América Latina era rejeitada pelos europeus


Algumas semanas atrás, participei de uma reunião em Bruxelas que coincidiu com a cúpula em que líderes europeus traçaram o plano para estabilizar o velho continente. Também por coincidência, muitas das delegações à cúpula estavam hospedadas no hotel em que minha reunião -que não era ligada à cúpula- estava tendo lugar.
Inevitavelmente, ao final do dia ou durante o café da manhã, vários colegas e eu conversávamos informalmente com amigos que trabalham nas equipes técnicas que dão apoio às negociações de alto nível.
As histórias, a ansiedade e a exaustão deles (trabalhavam sem parar havia vários meses) trouxeram de volta muitas memórias: numa carreira anterior, eu estive envolvido em um processo semelhante em meu próprio país, a Venezuela, e depois trabalhei no Banco Mundial e estive próximo de negociações semelhantes em outros países.
Em Bruxelas, fiquei fascinado com as semelhanças entre a crise europeia e as que testemunhei no passado. Mas fiquei ainda mais surpreso ao constatar que as autoridades europeias ignoravam as experiências de outros países com crises.
Qualquer sugestão de que poderia haver lições úteis a tirar das crises de dívida latino-americanas era rejeitada educadamente, mas com firmeza. "A Europa é diferente" foi a reação automática deles. "Temos o euro; nossas economias e sistemas financeiros são diferentes, assim como nossa política e cultura."
Isso tudo é verdade. Mas há outras realidades que também são verdade. Entre 1980 e 2003, a América Latina sofreu 38 crises econômicas, e a região -suas autoridades, os reguladores e, sim, até mesmo o público e os políticos- aprendeu com esses episódios dolorosos.
Talvez a lição principal seja o que eu chamo "o poder do pacote". O "pacote" é um conjunto abrangente, maciço, digno de crédito e sustentável de medidas, que não oferece só cortes e austeridade, mas também crescimento, redes de segurança social, reformas estruturais, empregos e esperança para o futuro.
Decisões econômicas fragmentadas, tomadas em partes e frequentemente contraditórias não funcionam. Elas são muito tentadoras, porque criam a ilusão de uma solução que evita as medidas mais impopulares. Mas, mais cedo do que tarde, a realidade teima em mostrar que as medidas parciais não estão funcionando, que se desperdiçaram tempo e dinheiro e que outra coisa se faz necessária.
E essa outra coisa é o pacote abrangente, que inclui remédios fortes para todos os males que afetam a economia: dívida demais, gastos governamentais demais, bancos insuficientemente capitalizados, supervisão ineficiente, políticas fiscal e monetária não coordenadas, baixa competitividade internacional e regras que inibem o investimento e a geração de empregos.
Quando críticos descrevem a crise europeia como sendo "semelhante à latino-americana", pensam na América Latina que sofreu as crises, não na que sabe como evitá-las.
Hoje, a maioria dos países latino-americanos tem economias em crescimento e bancos sólidos. O que desejamos para a Europa é que suas economias comecem a assemelhar-se mais às da nova América Latina e menos às da velha Europa.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não tem por que ir para enfrentamento, iria estraçalhar a militância”
SENADORA MARTA SUPLICY (PT), AO ACATAR ORDEM DE DILMA DE SAIR DA DISPUTA EM SP

ACIDENTES DE TRÂNSITO MATAM MAIS NO PARÁ 
Os brasileiros morrem cada vez mais em acidentes de trânsito, e o Pará lidera, proporcionalmente, o ranking da tragédia: entre 2009 e 2010, cresceram 29%, saltando de 1.044 para 1.351 os casos de morte em acidentes com transportes. O levantamento é do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. No total, 40.610 pessoas morreram assim em 2010. Em 2009, foram 37.594.

RANKING DA MACA 
Também lideram o ranking de mortos em acidentes de trânsito o Ceará (27% a mais), Amazonas (26%), Bahia e Rondônia (ambos 21%).

ALERTA VERMELHO 
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) tem se mostrado muito preocupado com a crescente venda de motos em todo o Brasil.

CIDADE DAS MOTOS 
Em Araripina (PE), há 13 mil motos para 80 mil habitantes – uma para cada 6 pessoas. Média de 120 acidentes por mês, com até 4 mortes.

PERIGO NA PISTA 
Pelos dados preliminares do governo, há suspeita de que metade dos condutores de motocicletas no País não têm habilitação.

RECEITA DE OLHO NO ITAÚ 
O lucro de R$ 10,9 bilhões anunciado pelo Itaú Unibanco foi uma conquista e tanto. Mas uma avaliação cuidadosa dos números indica que o balanço sofreu grande ginástica tributária. O volume de impostos pagos no ano caiu 64% – em dinheiro, R$ 2,5 bilhões (queda de R$ 3,9 bi para R$ 1,4 bi). Não fosse isso, o lucro ficaria bem distante do que foi celebrado. A Receita sabe disso e acompanha com olhos de lince.

SACOLEIROS CHIQUES 
Ônibus de turismo de compra de Blumenau (SC) e região, com destino a São Paulo, são acompanhados por dois carros com seguranças.

GASTANÇA 
O deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) gastou bem acima da média, em março, na conta de sua verba de representação: R$ 61 mil.

INTERVALO 
Que não se perca pelo nome o novo presidente da EBC, também conhecida como TV do Lula, ou TV Traço: Nelson Breve.

DIAMANTE NEGRO 
Pelé será garoto-propaganda da empresa europeia Iris-Gem, que transforma mecha de cabelo em diamante, por meio de sofisticada manipulação da queratina. O jornal português Expresso diz que o ex-craque dará o diamante à mãe, dona Celeste. Mas ela já o fez.

TUCANOS REPROVADOS 
Acostumados a realçar as gestões de seus líderes em Minas Gerais, os tucanos não esperavam por essa. O TRE reprovou suas contas de 2007. O PSDB ficará dois meses sem os repasses do fundo partidário.

DESMEMORIADOS 
A maconha deve afetar a memória da turma que ocupa prédios da USP contra a vigilância da PM, ignorando dois jovens mortos no campus. Edison Tsung Chi Hsueh, por “afogamento mecânico”, em 1999, durante trote. E Felipe Paiva, assassinado em maio no estacionamento.

CAVACO VEM AÍ 
O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, participará do jantar comemorativo, na Hípica Paulista, em São Paulo, pelos 99 anos da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, no próximo dia 27.

CUIDADO COM ELE 
O site Decolar.com oferece opções de voos que não existem, demora 48 horas para confirmar a compra e depois informa que o cartão de crédito foi “recusado”. Até descobrir isso, o otário perde a viagem.

COISA DE PELEGOS 
A Cia Energética de Pernambuco (Celpe) informa que a terceirização de mão de obra não atrapalha os serviços nem o abastecimento de energia. Pelo contrário. A tentativa de demitir terceirizados é insistente proposta dos sindicatos interessados em engrossar suas
fileiras.

JEITINHO BOLIVIANO 
Diz a imprensa local que o cocaceleiro Evo Morales busca alternativa para a rodovia Cochabamba-Beni, evitando “área ambiental”, como exigem os indígenas. Terá que honrar os US$ 332 milhões do BNDES.

PISTA LIVRE 
O Senado perdeu o caminho da economia. Os carros Renault Fluence, comprados para substituir os Marea da Fiat, além de mais caros, fazem só 7km/litro. O Marea fazia 10km/litro, e a manutenção é mais barata.

DIAGNÓSTICO 
Do presidente do Inca, dr. Luiz Santini: “Se Lula viesse se tratar aqui, a primeira piada seria: ‘Olha lá, já começou furando a fila’”. 

PODER SEM PUDOR
FONTES SECRETAS 
O então ministro da Justiça Tarso Genro assumira a presidência do PT, logo após o escândalo do mensalão, e era entrevistado, na Rádio CBN, quando o âncora Estevão Damásio resolveu testar o bom humor do político gaúcho:
– Como o PT fará, agora, para arrecadar recursos para suas campanhas?
A reação de Genro foi de surpresa:
– Isto é pergunta que se faça?
Depois, ambos caíram na gargalhada.

SEXTA NOS JORNAIS


Globo: Grécia decide hoje o seu futuro na União Europeia

Folha: Grego recua de consulta; Obama cobra 'corta-fogo’

Estadão: Ultimato faz premiê grego desistir de referendo

Correio: STF bate o martelo: Beber e dirigir é crime

Valor: Resposta do FMI à crise pode atingir US$ 1 trilhão

Jornal do Commercio: Estado vai reforçar línguas estrangeiras

Zero Hora: Dilma propõe solução global com Bolsa-Família financiada por CPMF