sábado, outubro 22, 2011

ANCELMO GOIS - Menino do Rio



Menino do Rio
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 22/10/11

Sérgio Cabral ofereceu um jantar ao tucano Aécio Neves, quinta, para agradecer o apoio do mineiro, que liderou um grupo de 16 senadores da oposição contra a proposta que tungou os royalties do Rio.

A VERDADE É QUE... 
Até agora, o PSDB de Aécio tem ajudado mais o Rio nessa questão que o PT de Dilma.

BOTA-FORA 
Do ministro Orlando Silva, ontem, ao telefone, para um interlocutor próximo, de brincadeira:
— Você vai ao meu bota-fora?

BAIRRO ENCANTADO 
Eike Sempre Ele Batista tenta destravar o imbróglio legal da natimorta Terra Encantada, na Barra, no Rio.
A ideia é construir ali um bairro... com esquinas.

TÔ VIVO 
Ontem, um boato acordou Martinho da Vila em sua fazenda, em Duas Barras, RJ. Espalharam que o sambista boa gente havia morrido. O nosso Martinho respondia assim aos telefonemas:
— Estou vivinho da Vila.

LIVROS 
Isa Pessoa deixou a diretoria editorial da Objetiva.

FALTAM 964 DIAS 
Joseph Blatter, presidente da Fifa, vem ao Brasil em novembro para conversar com Dilma sobre a Copa de 2014.

A VOLTA DE SÔNIA 
Sônia Braga, nossa atriz, voltará ao cinema ano que vem, no longa “A casa dos budas ditosos”, baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro.
A direção será de Roberto Talma. O roteiro, de Ubaldo e Geraldinho Carneiro.

DISCRIMINAR É CRIME 
O TRF do Rio assegurou a uma candidata ao estágio de adaptação de oficiais temporários da Aeronáutica o direito de prosseguir na seleção. 
É que ela havia sido excluída por ter uma tatuagem na nuca.

MAS... 
O desembargador federal Frederico Gueiros disse que “o critério adotado pela Aeronáutica é preconceituoso, discriminatório e desprovido de razoabilidade”.

RACISMO TAMBÉM É... 
A 5ª Câmara Cível do Rio determinou que a C&A indenize em R$ 8 mil por danos morais Ana Paula de Oliveira. 
Ao tentar fazer o cartão da empresa, Ana teria sido xingada assim por uma funcionária: “Tira essa crioula daqui, tira essa macaca daqui.”

CHAME O ZORRO 
O publicitário Josias Castro estava parado quinta num engarrafamento no viaduto de Pilares, no Rio, quando apareceu um homem montado num cavalo e assaltou alguns motoristas. 
Sem descer do cavalo. O trânsito começou a andar, e o gatuno bateu em retirada.

NAS ASAS DA PANAIR 
Hoje, brasileiros velhos de guerra que trabalharam na finada Panair, a voadora que foi fechada pela ditadura militar e faria agora 82 anos, vão se reunir no Clube da Aeronáutica, no Rio, de 12h às 16h.
Lembrarão os velhos tempos e celebrarão com um almoço.

BIBLIOTECA CEGA 
Não é a primeira vez que acontece.
Quinta, um deficiente visual foi barrado na Biblioteca Nacional, no Rio, porque estava com seu cão-guia.

MARCELO RUBENS PAIVA - O eixo



O eixo  
MARCELO RUBENS PAIVA
O ESTADÃO - 22/10/11


Suas mãos embrulhadas em luvas de borracha limpam obsessivamente todos os cantos do banheiro. Ele passa escova na privada numa velocidade que deixaria qualquer observador tonto.

Na sala, esfrega panos nos vidros. São limpos, como se tivessem acabado de sair da fábrica, e a cidade fosse a menos poluída do mundo.

Passa aspirador. Espanador nos livros. Organiza as almofadas do sofá. Lava a louça e as enxuga com flanela.

É uma faxina completa, rito diário de quem trabalha em casa, vive só e não consegue organizar os pensamentos se um grão de poeira estiver no meio do caminho.

Lava as mãos gastando dez minutos e meio sabonete. E ainda as esfrega com álcool gel antisséptico.

O interfone toca. Ele atende e manda subir. Livra-se do avental, dá uma ajeitada no cabelo e coloca um jazzinho neutro, nada experimental, nem bebop, nem fusion.

Toca a campainha. Ele abre. Ela entra aflita, como sempre.

"Parei na vaga de idoso que tem na frente do seu prédio. Não tinha vagas", ela diz.

Beijam-se burocraticamente com a porta ainda aberta. Ele tranca. Ela joga as coisas pelo caminho. Ele recolhe e as coloca num cabideiro. Ela despeja a bolsa sobre o sofá e encontra um cigarro amassado no fundo. Ele prontamente pega um isqueiro, acende e fica segurando o cinzeiro, para quando ela precisar.

"Ele deu de controlar as minhas contas. Examina cada ligação do celular e reclama se tem alguma longa demais. 'Usa o Skype.' Reclama quando chega uma multa, critica o meu jeito de dirigir, fazer baliza, meus caminhos. 'Esta rua é a mais congestionada. Vai pela faixa da direita'. Imagina quando souber que voltei a fumar?"

Ela dá três tragadas rápidas. Enfim o agarra e o empurra até o sofá. Pula em cima dele, já sentado. Apaga o cigarro. Abre a barguilha dele, levanta a saia e se encaixa. Tira anel, pulseiras e colares. Joga-os displicentemente na mesa de centro. E fala, enquanto transam no sofá mesmo.

"Não suporto mais aquela arrogância, me examina quando saio, me avalia quando cozinho, testa minha inteligência, perguntando: 'Como é mesmo o nome do presidente da ONU?' Vivo tensa, como numa aula em que o professor faz prova oral. Ai, como é bom... Todo metódico para dormir, acordar, é uma pedra que tem respostas para tudo, nunca chora em velórios, sente-se superior a todos. Ai, assim eu gozo... Sempre me aparece com novidades: 'Olha esta gravação rara de Callas. Viu o novo aplicativo que instalei? Leu o blog do fulano?' Detesto ópera, detesto telejornais, detesto a ONU, a OEA, blogs, e ele insiste: 'Viu o que o fulano escreveu? Você concorda com ele?' Ai, para, não para, ai, gostoso, gostoso, gostoso, ai..."

Ela goza. Joga a cabeça sobre o ombro dele. Respira fundo. Sussurra no ouvido dele:

"Delícia..."

"Eu estava com saudades", ele diz.

"É?"

"É."

"Eu também."

"Você também?"

"É."

"Estava nada."

"Claro que estava. Não deu pra notar?"

"É, deu."

Sorriem. Beijam-se. Ela se levanta rapidamente, ajeita a saia e vai ao banheiro. Pergunta lá de dentro:

"Quer me ver quarta? Se não der, mande uma mensagem. Anônima. Que a aula foi cancelada."

Volta ajeitando os cabelos. Recoloca anel e pulseiras. Checa o celular.

"Por que você sempre tira a aliança?", ele pergunta.

"Eu tiro, é? Não tinha reparado..."

"Você namoraria comigo?"

"Está querendo namorar agora?"

"Tenho pensado nisso."

"O que aconteceu com o solteirão mais convicto da cidade?"

"Se cansou."

"Que nada. Você só quer se aproveitar de mim."

"Quero cuidar de você."

"Você não me aguentaria."

"Não?"

"Está falando isso só pra me agradar."

"Fica mais. Vamos passar a tarde juntos."

"Você é tão doce. Me sinto bem aqui. Me sinto leve..."

Ela se senta de novo no colo dele. Abraça. Volta a se excitar. Tira anel e pulseiras, joga-os na mesa de centro. Enquanto ela fala, transam novamente:

"Mas não posso! Ele é importante pra mim, é o meu eixo. Existem aqueles momentos em que ele se ausenta, está na minha frente, mas não está, parece viajar pra Marte, e tudo em sua volta ganha um tom leitoso. Mas eu gosto dele. Vejo seu olhar me atravessar. Isso dura dias, semanas, aquela quietude dos pensamentos, e sei lá se sonha ou se tem pesadelos, o mistério do homem que vive comigo. Eu amo ele. Ai, que gostoso... Minha vocação é tratar, mas como se não se vê a doença? Quero desvendar ele. Quero parar o mundo para ele respirar um pouco. Quero ele pra mim! Ai... O que eu estava dizendo? Ele é meu! Meu homem, meu amor. Ai, tá gostoso... Ai, gostoso, gostoso, gostoso..."

E goza novamente. Aliviada. Esgotada. Beijam-se. De repente, fica aflita e se ergue.

"Multam aqui na sua rua?"

Recoloca anel, pulseiras. Vai para o banheiro. Ele continua sentado.

"Você é tão gostoso. Que música é essa?"

Ele não responde. Ela volta, pega a sua bolsa, checa novamente o celular. Dá um beijo rápido de despedida.

"Não esquece os colares", ele diz.

Ela sorri e os joga na bolsa. Abre a porta, chama o elevador e pergunta:

"Então, quarta?"

Nunca mais se viram. Não respondeu às mensagens dele, aos e-mails, não ligou. A palavra "namorar" contaminou a relação de anos. Também, pedir uma mulher casada em namoro...

PEDRO DA MOTTA VEIGA E SANDRA POLÔNIA RIOS - O pouco "verde" nas políticas industriais


O pouco "verde" nas políticas industriais
 PEDRO DA MOTTA VEIGA E SANDRA POLÔNIA RIOS
O ESTADÃO - 22/10/11

O tema da "economia verde" vem ganhando destaque na agenda de política doméstica e internacional. É um dos eixos da Conferência Rio + 20, que será realizada em junho de 2012. Mas, com as enormes dificuldades para avançar na esfera da negociação internacional, o aprofundamento dos esforços de enfrentamento da mudança climática e de transição para uma economia de baixo carbono parece depender cada vez mais das políticas domésticas das potências climáticas, entre as quais o Brasil.

Como se sabe, o Brasil apresentou compromisso voluntário de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na COP-15, em Copenhague (dezembro de 2009), e vem empreendendo esforços para avançar no cumprimento dessa meta, principalmente por meio de ações para minimizar os desmatamentos na Amazônia. Se os esforços brasileiros de mitigação são palpáveis, menos óbvias são as iniciativas de apoio à transição para uma economia de baixo carbono e ao aproveitamento de oportunidades a ela associadas.

Até hoje, a articulação, no País, entre as agendas de competitividade industrial e de economia de baixo carbono parece não ter entrado no radar de agentes públicos e privados. Há uma desconexão entre as agendas de mitigação da mudança climática - centrada no tema do desmatamento - e de transição para uma economia verde como estratégia de desenvolvimento e de consolidação de novas vantagens comparativas.

Assim, não há um conjunto coerente de políticas para modificar a trajetória de evolução da economia numa direção menos intensiva em carbono, bem como para gerenciar a transição entre modelos técnico-produtivos e promover fontes de crescimento verde.

Mais do que isso, o sistema de incentivos econômicos vigente no Brasil apresenta tendências contraditórias quando avaliado à luz desse objetivo. A prioridade absoluta na área de política industrial é, hoje, o incremento quantitativo dos investimentos, da produção doméstica e de seu conteúdo nacional. Diante desse objetivo, as preocupações com a transição para a economia verde não parecem ter influência relevante sobre a política industrial e de inovação. Também a política de atração de investimento estrangeiro direto, crescentemente preocupada com o conteúdo nacional e o aporte tecnológico das inversões,não internalizou as preocupações ambientais e climáticas como condicionalidade para a concessão de incentivos.

A nova política industrial, lançada em agosto/2011, prevê o estabelecimento de mecanismos de apoio (supostamente financeiro, por meio do BNDES) ao desenvolvimento tecnológico e comercialização de bens de capital com selo de Eficiência energética do Inmetro e para linhas de equipamentos dedicados à redução de emissão de GEEs. Porém a mesma política define incentivos fiscais significativos para o setor automobilístico, condicionados a projetos de investimentos e inovação, mas não faz referência a condicionantes "climáticos".

As ainda mais recentes medidas de proteção à indústria automobilística nacional reforçam a constatação de que as preocupações ambientais e climáticas ainda não chegaram de fato à política industrial brasileira. Entre as condicionalidades impostas para que os fabricantes de automóveis no País tenham acesso aos benefícios de redução de IPI não há nenhuma menção à redução de emissões, Eficiência energética ou qualquer outra exigência que se possa classificar na agenda de economia verde. Todas as condicionalidades se referem a conteúdo nacional ou investimento sem inovação e pesquisa e desenvolvimento no País. Mesmo neste último caso, não se estabelece conexão entre inovação, tecnologia e preocupações ambientais.

Há, decerto, iniciativas inovadoras, especialmente no âmbito do BNDES e de suas linhas de financiamento, que - mais além das condicionalidades socioambientais exigidas das empresas - conferem tratamento relativamente favorável a investimentos ambientais. Mas tais iniciativas são ainda pontuais e amplamente minoritárias no âmbito das políticas industriais brasileiras.

PEDRO DA MOTTA VEIGA E SANDRA POLÔNIA RIOS: SÃO DIRETORES DO CENTRO DE ESTUDOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CINDES)

HÉLIO SCHWARTSMAN - A maldição da abundância


HÉLIO SCHWARTSMAN 
A maldição da abundância
FOLHA DE SP - 22/10/11

SÃO PAULO - Compreensivelmente, o secretário da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, Renato Villela, não gostou da coluna "A doença fluminense" (18/10) e pôs-se a rebatê-la no artigo "O Rio vai bem, obrigado" ("Tendências/Debates", ontem).

Se tivesse lido o texto com um pouco mais de atenção -e um pouco menos de paranoia-, teria visto que não "desqualifiquei a posição do Rio na defesa de suas receitas constitucionais". O que afirmei é que o Estado está gastando mal os recursos do petróleo. Escrevi também que, no caso de uma nova repartição, nada indica que as demais unidades federativas vão fazer melhor uso dos valores.

As informações de Villela confirmam o diagnóstico. Dois terços do dinheiro recebido em 2011 foram para a Previdência estadual. Faria sentido alocar os royalties nesse sistema se ele constituísse um fundo de pensão, com investimentos de longo prazo, cujos rendimentos poderiam ser usados para financiar as aposentadorias (como ocorre na Noruega).

Uma vez que não é esse o caso da maioria dos Estados brasileiros, a transferência só libera recursos que teriam de ser empregados nessa rubrica para serem gastos em outras áreas, notadamente as despesas correntes.

Em suma, não há garantia de que o dinheiro extra vá beneficiar as próximas gerações. Ao contrário, não é desprezível o risco de que, quando o óleo se esgotar, nossos filhos e netos herdem uma máquina pública fiscalmente inviável. Estariam, assim, pior do que na hipótese de o petróleo nunca ter sido descoberto.
O mau uso não é exclusividade das autoridades estaduais. A boa reportagem de Pablo Nogueira, publicada na revista "Unesp Ciência" de fevereiro de 2010, reuniu vários estudos acadêmicos sobre as cidades do Rio que mais arrecadam com royalties. A conclusão é que a abundância não se traduziu em qualidade de vida para os habitantes. O efeito mais notável da bonança orçamentária foi a multiplicação de funcionários.

ILIMAR FRANCO - Orlando fica


Orlando fica
ILIMAR FRANCO 
O GLOBO - 22/10/11

Nem o ministro Orlando Silva (Esporte) pediu demissão nem a presidente Dilma o demitiu. Para subsidiar sua posição, a presidente recebeu ontem um relatório da CGU sobre as denúncias e providências na pasta. Pesaram no desfecho o apoio determinado do PCdoB e o fato de Orlando ser ministro de governo há cinco anos. Assessores da presidente justificaram a decisão dizendo que Dilma não vai tomar decisões a reboque da mídia.

A conversa entre Temer e Orlando

O vice Michel Temer conversou, por telefone, com o ministro Orlando Silva (Esporte) na quinta-feira. O vice foi solidário, mas ponderou: "O Wagner Rossi (ex-Agricultura) tinha convicção de lutar, mas, quando a mídia começou a falar da mulher e dos filhos, ele não aguentou e pediu para sair. O Pedro Novais (ex-Turismo) tinha a mesma disposição, mas, quando a mídia falou de sua mulher, ele decidiu sair." Depois de ouvi-lo, o ministro rebateu: "Mas comigo, não. Vou lutar até o fim". Orlando tem o apoio de seu partido, o PCdoB, para se manter no cargo, e, no caso de sua demissão, quem deve assumir esse ônus é a presidente Dilma.

AS RAZÕES. Fala Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência): "O ministro Orlando Silva (na foto) demonstrou que a acusação central (receber dinheiro) não se sustenta. Ele foi em cima de tudo que era errado, mesmo contra o cara (João Dias). O ministério não parou os processos, e ele (João Dias) se rebelou por causa disso. O ministro cumpriu o seu papel, não pestanejou. O resto é espuma e tentativa de linchamento." 

"Não houve, não haverá e não há prova contra mim” — Orlando Silva, ministro do Esporte, frase repetida como um mantra na audiência com a presidente Dilma 

PMDB dobra ministro do Turismo
Na noite de quinta-feira, numa reunião no Planalto, o ministro Gastão Vieira (Turismo) desistiu de manter Suzana Dieckmann na Secretaria de Turismo. O ministro mudou depois de ser pressionado pelo vice Michel Temer e pelos ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral). Para o cargo, ele vai nomear Fábio Rios, indicado pelo PMDB da Bahia. Mas Suzana será assessora especial e vai comandar o programa de formação de mão de obra para a Copa.

Jogo de corpo
O ministro Guido Mantega (Fazenda) esclarece que, no debate dos royalties, sua atuação se restringiu à defesa dos pontos de vista da União. Diz que não participou da decisão sobre a redistribuição dos royalties entre os estados.

Contra a maré
A bancada do Rio no Congresso fez uma avaliação e concluiu que a correlação de forças na Câmara, no debate dos royalties, é ainda pior para os interesses do estado do que foi no Senado. Os parlamentares apostam na decisão do STF.

CONVERSA AZEDA. Após audiência com a presidente Dilma, ontem, o governador Sérgio Cabral disse que está mantida a passeata do dia 10 de novembro, na Avenida Rio Branco, pelos royalties do petróleo.

REVOLTA. Já tem deputado do Rio falando em ir para a oposição, por causa dos royalties: "Eu não tenho problema nenhum, se esse projeto passar, vou para a oposição", disse o deputado Deley (PSC-RJ).

PARA POSTERGAR a decisão da Câmara sobre royalties, o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) está sugerindo a criação de uma comissão especial. Isso evitaria uma votação direta em plenário.

REGINA ALVAREZ - Risco líbio


Risco líbio 
REGINA ALVAREZ 
O GLOBO - 22/10/11

Com a morte do ditador Muamar Kadafi e a esperada reconstrução da Líbia, uma discussão oportuna é o impacto desse processo no mercado mundial de petróleo e de que forma o Brasil pode ser afetado. O especialista em energia Adriano Pires, do CBIE, considera que a nova Líbia tem um potencial enorme de influência nesse mercado, enquanto o Brasil se movimenta na contramão, com risco de perda de espaço e de investidores.

É preciso olhar, não para o que a Líbia representa hoje no mercado de petróleo, mas para o que pode representar a curto prazo, recomenda. Em 2010, a Líbia produziu 1,8 milhão de barris por dia, volume bem próximo da produção do Brasil, de dois milhões de barris/dia, mas o país árabe tem reservas comprovadas de 46,4 bilhões de barris de petróleo, que correspondem a 3,4% das reservas no mundo. Já o Brasil tem 16 bilhões, pois nessa conta não entra o pré-sal.

O novo governo deve utilizar suas reservas naturais no esforço de reconstrução do país. Pires lembra que o setor de petróleo líbio, mesmo durante a ditadura de Kadafi, já vinha experimentando uma relativa abertura ao capital estrangeiro, e a tendência é que essa abertura seja ampliada.

Com o fim do conflito armado, o país árabe torna-se um forte concorrente na corrida pelos investimentos no setor de petróleo, e esse fato pode, sim, afetar o Brasil. Por aqui, o que estamos vendo são grandes mudanças e muitos pontos de interrogação no marco regulatório do setor, que começaram no lançamento do pré-sal e se acentuaram com a briga federativa pelos royalties. Este seguramente não é o melhor ambiente para atrair investimentos, embora o Brasil ainda continue muito atraente.

Um outro complicador, segundo o especialista, é o cancelamento dos leilões para aquisição de novos campos de petróleo. O Ministério de Minas e energia cancelou o leilão previsto para novembro por conta da briga dos royalties no Congresso. E com isso criou, na prática, um mercado secundário. Quem quiser comprar um campo de petróleo tem de adquirir de alguma empresa disposta a vendê-lo.

- O Brasil ainda é muito atraente em função das reservas do pré-sal, mas desde 2007 o risco regulatório cresceu muito, e isso afasta o investidor. Se outros países abrem o mercado, como se espera que aconteça na Líbia, existe sim a possibilidade de os investidores migrarem para esses países.

Derrota temida

A equipe econômica está mobilizada para evitar mais uma derrota, desta vez no Congresso. O temor é que a confusão dos royalties acabe atrapalhando a votação das duas MPs que tratam da nova política industrial. Se não forem aprovadas até o começo de dezembro, as MPs perdem a validade e o Plano Brasil Maior vai para o espaço. Entre as medidas, uma das mais importantes é a desoneração da folha de pagamento de setores exportadores seriamente afetados pelo câmbio, como têxteis e calçados.

Derrota anunciada

A enxurrada de liminares concedidas pela Justiça, em primeira instância, às empresas que recorreram da cobrança do IPI sobre carros importados já indicava a derrota do governo, confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O decreto que aumentou a alíquota em 30 pontos percentuais não observou o prazo de 90 dias para a vigência do imposto, assegurado no artigo 150 da Constituição. Embora a decisão de elevar o IPI dos carros sem a noventena tenha sido gestada e bancada pelo Ministério da Fazenda, a área jurídica da pasta não conseguiu reunir argumentos para defender a medida. A derrota era esperada.

Emprego e renda

A desaceleração da economia, tão temida pelo governo, ainda não se reflete no mercado de trabalho, que continua sendo um fator de pressão na curva da inflação. O economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio, prevê que a taxa de desemprego, de 6%, deve continuar caindo nos próximos meses, ainda que mais lentamente no que no primeiro semestre. Ele observa que a indústria está contratando menos, mas o setor de serviços permanece aquecido e absorvendo mão de obra.

A economista Fernanda Consorte, do Santander, destaca que a redução no ritmo de criação de vagas apontada pelo Caged não chegou à Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. E, assim, é cedo pra dizer que a geração de empregos está desacelerando.

- Considerando os reajustes dos últimos meses para grandes categorias, o rendimento deve continuar forte, e o mercado de trabalho fortalecido pressiona a inflação - ressalta.

No dia 27, o IBGE divulga a taxa de desemprego de setembro. A conferir.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Enxaqueca
SONIA RACY
O ESTADÃO - 22/10/11 


Carlos Cardoso, promotor que investiga declarações de Roque Barbieri sobre a venda de emendas parlamentares, oficiou ontem a Secretaria da Fazenda, Barros Munhoz, presidente da Assembleia Legislativa, e o Conselho de Ética da Casa.

Exige o envio de todas as emendas parlamentares relacionadas ao orçamento entre 2007 e 2011. Sobre elas, quer as seguintes informações: autores, valores, destino, identificação dos convênios e prestação de contas. E deu prazo: 45 dias.

Isolados Tanto Fernando Pimentel como Gleisi Hoffmann souberam da medida do IPI dos automóveis pela mídia. Só a Fazenda sabia, porque foi ela que fez.

Prevenido O que está por trás da tentativa de adiar as prévias do PSDB para fevereiro? Entre os tucanos, comenta-se que Alckmin ainda tem esperança de que Serra seja candidato à Prefeitura e que a base aliada esteja unida na próxima eleição. Além disso, haveria tempo, também, para Bruno Covas se reabilitar.

Conhecedor José Olympio Pereira escolheu ontem, em Paris, com mais cinco jurados, os vencedores do Prêmio Marcel Duchamp, mais importante das artes francesas. Passou o dia concentrado no concurso, montado pelo Centre George Pompidou e pela Adiaf. É a primeira vez, em dez anos de premiação, que um brasileiro participa da eleição.

Fala, juventude Em sua primeira colaboração como embaixador da Unesco, Nizan Guanaes e sua DM9 DDB criaram o microfone Voz da Juventude, em fórum que acabou ontem, em Paris. A ação funcionará nos mesmos moldes do revezamento da tocha olímpica, com personalidades transportando o microfone por diversas cidades do mundo. Serão dois anos coletando depoimentos de jovens, a serem analisados em 2013.

Fama injusta Mulheres, escondam as carteiras. De acordo com o ProScore – Bureau de Informação e Análise de Crédito, são eles os gastões. E investem mal. Já elas compram mais, mas os produtos são mais baratos e têm alta utilidade. Como se não bastasse, os homens lideram o ranking de cheques devolvidos (56% do total). A pesquisa reúne dados dos últimos cinco anos no Brasil.

Na telona Samuel Klein vai ganhar um filme para chamar de seu. Cinebiografia do empresário, sobrevivente dos campos de concentração na Segunda Guerra, está em fase de roteirização pela produtora Migdal Filmes. O ator para interpretá-lo ainda não foi escolhido.

Na telona 2Também em fase de produção está um documentário sobre Cássia Eller, a ser dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. Trará imagens de arquivo da cantora e entrevistas com os principais personagens de sua vida.

Hino em louvor
A partir de agora, Pelé será homenageado toda vez que prestigiar os jogos do Santos na Vila Belmiro. Por decisão unânime do Conselho Deliberativo, em reunião na terça-feira, o Rei do Futebol será devidamente saudado comum samba especialmente composto pelo santista Ricardo Peres, acompanhado de clipe com suas grandes jogadas no telão do estádio.

Nem vem Publicamente brigados, Ricardo Teixeira não trocou uma palavra com Joseph Blatter, anteontem, em Zurique, durante anúncio das cidades-sede da Copa.

O suíço ameaça pedir à justiça local a divulgação de documentos que comprovariam corrupção por parte do brasileiro nos anos 90. Objetivo? Minar eventual candidatura de Teixeira à presidência da Fifa.

Nem vem 2 Fonte da coluna na Federação acredita, porém, que tudo não passa de jogo de cena. Os tais documentos poderiam comprometer também João Havelange, de quem Blatter foi braço-direito durante 17 anos.

Nem vem 3 Depois do evento, Blatter e cia. passaram batidos pela zona mista,onde deveriam falar com a imprensa internacional. Só abriram exceção para a Globo.

Na frente Aécio Neves estará, segunda-feira, em São Paulo. Vem especialmente para a pré-estreia do filme Tancredo – a Travessia. No Espaço Unibanco Pompeia.

Dr. Nuno Osório palestra sobre novidades em tratamento de flacidez facial no Congresso Mundial de Dermatologia. Que acontece até segunda-feira, em Portugal.

É domingo, no Centro Cultural Rio Verde, o evento multicultural Conexão França.Com show do grupo Suite e palestra sobre Claude Monet.

Julia Bacha mostra seu filme Budrus, terça, no Centro da Cultura Judaica. Seguido de debate.

Miguel Nicolelis e Contar-do Calligaris debatem segunda, na sede do Private Brokers, da Coelho da Fonseca. Evento promovido pela Trip.

Raul Doria, Clovis Mello, José Ortali, Wal Tamagno e Cris Vida comemoram. É que a Cine conquistou o prêmio de Produtora do Ano no Festival Brasileiro de Publicidade.

Silvana Tinelli pilota jantar em torno de Jorge Welsh em sua residência. Terça.

Comentário no Twitter, anteontem: “A blogosfera está geisearrudando o Rafa Bastos!” O comediante permanece no trending topics por causa do imbróglio com Wanessa Camargo.

MARGRIT SCHMIDT - O tempo da política


O tempo da política
MARGRIT SCHMIDT
JORNAL DE BRASÍLIA - 22/10/11

Até o momento do fechamento da coluna, o ministro Orlando Silva não havia entregue o boné para a presidente Dilma, mas sua saída é dada como certa. Tornou-se insustentável diante da fartura de notícias divulgadas durante a semana. A saída de Orlando é considerada uma questão de tempo pelo Palácio do Planalto. Acusado pelo policial militar João Dias Ferreira de coordenar um esquema de desvio de verbas do programa Segundo Tempo, o ministro do Esporte enfrenta forte desgaste político e deve deixar o governo em breve. O PCdoB, porém, exige que o PT dê a ele a oportunidade de se defender, já que não admite sair da Esplanada com a pecha de corrupto.

Orlando Silva esteve na Câmara e no Senado onde repetiu exaustivamente que está sendo vítima de um linchamento moral detonado por "um bandido e desqualificado", o PM Dias Ferreira. "Eu estou vivendo um verdadeiro linchamento moral e vou até o fim para lavar a minha honra", disse o praticamente ex-ministro do PCdoB. Na reunião do comando comunista, dirigentes do partido não pouparam críticas ao PT, acusado de estar por trás do inferno astral de Orlando, de olho no milionário orçamento da Copa de 2014, e decidiram partir para o enfrentamento contra petistas e a imprensa.

"Estamos enfrentando um tribunal de ex-ceção, que julga e condena sem provas", re-clamou o presidente do PCdoB, Renato Rebelo. Entre uma e outra reunião, uma comissão liderada pelo ex-deputado Aldo Arantes, secretário de Meio Ambiente do partido, foi procurar o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que havia se posicionado pela destituição do ministro do Esporte. Parece choro de per-dedores, e é.

Desqualificar o acusador é um argumento tão frágil quanto cínico para os participantes das quadrilhas federais, conforme a caracterização da Procuradoria Geral da República ao acusar os operadores do mensalão de 2005. O PT e seus aliados, em particular o PCdoB, não têm moral para falar mal de gente suspeita de crime e corrupção. Se tivessem vergonha na cara, o petista mensaleiro Joáo Paulo Cunha não seria o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Até por uma questão de isonomia, o direito de presunção de inocência deveria ser estendido para o PM acusador.



PRAXE BRASILEIRA

Sobre o alegado "linchamento moral que julga e condena sem provas", é preciso dizer que não se aplica muito bem na política. Aos políticos é dada a mesma condição da mulher de César. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto, sob a pena de ser linchado em praça pública antes do devido processo legal. A opinião pública, um dos vetores da política, costuma ter mais pressa do que os tribunais. Não substituem, é claro, os tribunais, mas vez por outra se antecipa e lá se vai mais um político desleixado catar coquinho no asfalto. Depois de perder o lugar, o defenestrado tem todo o tempo do mundo para contratar advogados e fazer sua defesa no decorrer das investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e nos tribunais superiores. Com a vantagem que, no Brasil, dificilmente vai cumprir pena naprisão, nem multa, quando muito perde direito de concorrer a cargo eletivo e tem seus direitos polítcos cassados por alguns anos.

E a urgência do tempo político não pode ser desculpa para cercear a liberdade de expressão como os defensores do ministro Orlando Silva estão a propagar em sites e em entrevistas. Ou será que não estamos todos vendo o que estamos vendo? O dinheiro público sendo desviado largamente das suas finalidades para encher mochilas e caixas de sapato suspeitas. Nesse caso, as imagens não apareceram, mas os números do Tribunal de Contas estão aí para confirmar o que todo mundo comenta em Brasília desde o governo passado: o Ministério do Esporte é usado pelo PCdoB como um feudo para servir aos interesses partidários dos co-munistas. O PM que toruxe a história à tona não filmou ou gravou, tampouco está sob o regime de delação premiada. Os fatos, porém, são tão contundentes que nem precisava. E mais uma vez é preciso dizer. Ou o ministro foi cúmplice ou foi relapso. Não há como mantê-lo no posto, portanto. Para o interesse público, o tempo "ruge" e a Copa vem aí.

MÔNICA BERGAMO - ÁGUA FRESCA

ÁGUA FRESCA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 22/10/11

Neymar vai descansar. O astro do Santos deve tirar pelo menos uma semana de folga em novembro, no intervalo dos jogos da reta final do Campeonato Brasileiro. O clube discute as datas e a necessidade de dar um "refresco" ao atleta: entre janeiro e setembro, num total de 270 dias, ele passou 208 na concentração, segundo cálculos do staff do Peixe.

PAPO CABEÇA
A assessoria de Neymar confirma a possibilidade de folgas para que ele "relaxe, jogue pingue-pongue com os amigos" e deixe a cabeça longe da bola, do campo, do gol. Seria mais um descanso para "a cuca" do que para o corpo, já que, fisicamente, o craque tem mostrado que aguenta o tranco.

SEDE
Falta combinar com Neymar: "Querem me dar folga, mas eu não quero, não. Eu não preciso. Eu quero é jogar", disse ele anteontem à coluna, enquanto se arrumava para uma sessão de fotos publicitárias (ver ao lado).

REGIME
No ensaio, para a Lupo, o jogador posou só de cuecas e meias. Neymar é tão magro que o "make-up artist" Junior Mendes fez maquiagem especial na barriga do craque: com sombras marrons e pretas, desenhou músculos e sombras para dar formato "tanquinho" ao corpo do jogador.

HORA EXTRA
Durante o ensaio, um fotógrafo contratado pela empresa esteve à beira de um ataque de nervos. Entre sua equipe circulava que, em caso de estouro do prazo combinado com Neymar, a Lupo teria que pagar R$ 70 mil de hora extra ao jogador. É o preço de 60 minutos de seu precioso tempo.

ENTENDE?
O Rei Pelé também ganhará um "Programa do Jô" inteiro dedicado a ele, igual ao do cantor Roberto Carlos.

O ex-jogador gravará a entrevista no dia 7 de novembro. A exibição será no dia 11 do mesmo mês.

REDE TUCANA
O PSDB da capital, que lança hoje a rede social Sua Metrópole, discutirá temas da cidade com os quatro pré-candidatos tucanos à Prefeitura de SP. Seus perfis estarão em destaque na página principal do novo site.

VITRINE
O evento, no Teatro Faap, contará com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que fará palestra sobre "metrópole sustentável".

O partido sonha trazer o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani para discutir, num próximo encontro, segurança e sua política de tolerância zero.

SÉTIMA ARTE
Renata de Almeida promoveu cerimônia de abertura da 35ª Mostra Internacional de Cinema de SP, anteontem, no Auditório Ibirapuera, com homenagem a Leon Cakoff. Passaram por lá os cineastas Cao Hamburger, Toniko Melo, Toni Venturi e Laís Bodanzky.

AO VIVO
O desembargador Fausto De Sanctis e o juiz Sergio Moro, que se notabilizaram em varas de combate aos crimes do colarinho branco, foram convidados para falar sobre corrupção na Câmara dos Deputados. A audiência, marcada para o dia 25, terá transmissão on-line.

AGRADECIMENTOS
E no dia 5 de dezembro De Sanctis recebe o Diploma de Gratidão da Cidade de SP e a Medalha Anchieta, na Câmara Municipal.

PADRINHOS
"Construção", de Carolina Sá, será exibido pela primeira vez hoje, na Mostra de Cinema de SP. A diretora é ex-modelo e ex-VJ da MTV. A atriz Patricia Pillar e o cineasta Walter Salles são produtores-associados do documentário, que mostra imagens do Rio nos anos 70 feitas em super-8 pelo arquiteto Marcos de Vasconcellos, pai de Carolina.

AO LUAR
"Amarcord", de Federico Fellini, terá projeção na área externa do Auditório Ibirapuera no dia 30, às 20h, como parte da Mostra.

CURTO-CIRCUITO
Ricardo Viveiros lança amanhã "O Poeta e o Passarinho", na Livraria da Vila do Cidade Jardim.

O bistrô St. Honoré faz jantar harmonizado terça.

Rafael Cossi lança hoje "Corpo em Obra" no Centro Cultural B_arco. 14h.

A banda Crônica Urbana toca hoje na festa Carroussell. Classificação: 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

OPHIR CAVALCANTE - O problema é estrutural, não virtual


O problema é estrutural, não virtual
 OPHIR CAVALCANTE
FOLHA DE SP - 22/10/11


O inciso IX do Artigo 93 da Constituição Federal dispõe que "todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos", sendo desnecessário transcrever neste espaço o teor completo de uma oração que traz, na forma e no conteúdo, uma verdade universal: outorga-se à sociedade o direito de acompanhar e conhecer os ritos da Justiça, a quem não se admite, nem de longe, a ideia de subterfúgios.

Por mais coroada de justificativas que esteja a resolução do Tribunal de Justiça de São Paulo de tomar decisões a partir de um plenário virtual, ela escamoteia as deficiências estruturais crônicas que, se por um lado transformaram o Poder Judiciário num mastodonte paquidérmico, pesado e lento, por outro atormentam a vida dos pobres mortais jurisdicionados.

Ajuizar uma ação judicial nos tribunais é uma prova de paciência, e confirma que o simples acesso à Justiça, garantia do regime democrático, ainda é um sonho.

Estamos falando daqueles que, bem ou mal, ainda procuram a Justiça, pois uma ampla maioria desiste no meio do caminho. Para promovermos o efetivo acesso dos cidadãos, ainda precisamos de uma revolução -sem armas, é verdade, mas uma revolução de vontade, acima de tudo de vontade política.

Contudo, típico de quem não consegue se livrar do problema no qual se enredou é buscar a saída rápida, que nem sempre se revela a melhor. Não é de hoje que setores do Judiciário buscam bodes expiatórios para o problema da morosidade.

A culpa está nos advogados, dizem uns, que inventaram essa história de defesa; ou no cidadão, afirmam outros, que descobriram seus direitos e resolveu reclamá-los.

Desde que é possível um advogado peticionar pela internet de qualquer lugar do país, por que não usar dessa tecnologia para pular etapas e dar um jeitinho nos processos encalhados? Não é tão simples assim.

A tecnologia transformou nossos hábitos e nosso modo de tratar o mundo, mas não é panaceia para tudo. Até porque se há um benefício nesses avanços, é justamente o acesso à informação, elevada a bem imanente do sistema democrático, e não o contrário.

Nesse sentido, a Ordem dos Advogados do Brasil tem contribuído com os tribunais, emitindo milhares de certificados digitais e estimulando a realização de cursos de capacitação para que todos tenham acesso aos processos eletrônicos.

Isso é uma coisa; outra, bem diferente, é deixar-se levar por caminhos desconhecidos que essa mesma tecnologia possa oferecer.

Nossa Constituição, de 1988, foi escrita sob o preceito de que não teremos mais tribunais julgando sigilosamente o destino de pessoas, salvo naqueles excepcionalíssimos casos previstos na legislação.

Trata-se, pois, de uma iniciativa que benefício nenhum agrega, nem ao tribunal e muito menos a quem esteja sendo julgado, servindo apenas para lançar mais sombras de dúvidas e insegurança sobre quem devia se esforçar para manter seus ambientes iluminados.

Dúvida porque embora se busque usar as ferramentas tecnológicas para apressar os passos, sabe-se que por trás delas estão homens com toda a sua falibilidade e sagacidade, sobre as quais temos razões de sobra para desconfiar.

Insegurança porque fere a norma constitucional, não permitindo a plena defesa de quem esteja sendo acusado e impedindo que a sociedade exerça, ainda que de uma forma indireta, certo controle sobre o Judiciário, o menos transparente dos Poderes.

O problema da Justiça não está nos recursos, mas nos hábitos e na estrutura, esses, sim, a merecer uma reconstrução para justificar o custo do Poder Judiciário.
OPHIR CAVALCANTE é presidente nacional da Ordem do Advogados do Brasil (OAB)

JOSÉ RENATO NALINI - Deixem a Justiça evoluir


Deixem a Justiça evoluir
 JOSÉ RENATO NALINI
FOLHA DE SP - 22/10/11

Só pode ser contra a resolução do Tribunal de Justiça de São Paulo que autoriza o julgamento virtual de recursos repetitivos quem não conhece -ou não interessa conhecer- como são decididas essas causas.

O demandismo desenfreado é um fenômeno que para alguns significa índice democrático: afinal, todos litigam e a Constituição Federal promete que haverá um juiz em cada esquina, pronto a decidir todo e qualquer tipo de conflito.

Até questiúnculas que poderiam ser resolvidas após conversa franca e paciência dos contendores para ouvir a parte contrária.

O excesso de ações judiciais é prejudicial para todos.

Converte o Judiciário numa função ineficiente, ineficaz e inefetiva. Desilude o sequioso de justiça e aumenta a sensação de que nada de sério funciona no Brasil.

Os julgadores mais sensíveis com a situação desconfortável tiveram de adotar técnicas de aceleração do julgamento, até mesmo porque -servos do pacto federativo- querem assegurar às partes a duração razoável do processo, que é um direito fundamental.

Diante de temas reiteradamente levados à sua apreciação, elaboram o seu voto, mantendo a orientação predominante na turma julgadora e o remetem -por via eletrônica- ao revisor ou segundo juiz. Este, acordando com o primeiro, o encaminha também por intranet ao terceiro. Isso se faz nos gabinetes, após detido exame dos autos. Completa-se o julgamento sem a necessidade do ritual que apenas ratifica o anteriormente decidido.

Não se pense inexistir divergência. Mas esta, em Câmaras julgadoras formadas por julgadores experientes, é resolvida antes da sessão. Raríssimas as vezes em que a sustentação oral -feita após o relatório lido aos presentes em sessão pública- vai alterar o entendimento dos desembargadores.

Quem quer alterar a jurisprudência cuidará de elaborar boas razões e de oferecer memoriais objetivos, concisos, focados nos pontos controvertidos. Ninguém será insensível a uma abordagem nova, desde que argumentos ponderáveis venham a ser oferecidos.

O Tribunal de Justiça de São Paulo é -com certeza- a maior corte judiciária do mundo. Precisa adotar estratégias de fazer frente ao exagerado acúmulo de processos. Valer-se de tecnologia que é utilizada sem resistência pelo sistema financeiro, pelo comércio, pela interação que é hoje arma obrigatória de participação da cidadania em todos os temas de interesse coletivo.

O objetivo do Tribunal de Justiça não é apenas assumir o princípio republicano da eficiência, obrigatório a toda prestação estatal. É contribuir para mostrar à população que temas já pacificados não precisam ser submetidos ao dispendioso, complexo e quantas vezes ininteligível sistema judicial.

Talvez com isso os profissionais da área jurídica assumam o compromisso de levar a sério as alternativas de resolução de conflito que possam vir a reduzir a litigiosidade sem a intervenção heterônoma do Poder Judiciário.

É preciso conscientizar toda a comunidade do direito, a mais resistente a aceitar as novas tecnologias, irreversíveis e que podem facilitar o convívio entre as pessoas, a converter o Judiciário num serviço público ágil e eficiente.

A própria Justiça mostrou-se durante muito tempo infensa às inovações. Quando ela dá um passo, ainda tímido como o do Tribunal de Justiça de São Paulo, é preciso confiar que foi resultado de estudos e de meditação. Confiram a ela um voto de confiança. Não somem com os seus detratores e com aqueles que parecem tirar proveito da disfunção da Justiça, até torná-la inócua e descartável.
JOSÉ RENATO NALINI é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e integrante do Órgão Especial que aprovou a resolução do julgamento virtual dos processos repetitivos.

LUIZ WERNECK VIANNA - O pêndulo, a centralização e a República


O pêndulo, a centralização e a República
LUIZ WERNECK VIANNA
O Estado de S.Paulo - 22/10/11

Seria de supor que algumas correntes liberais brasileiras, ao menos as de "casco duro" - para se utilizar de uma expressão jocosa introduzida pelo ex-presidente Lula em nosso vocabulário político -, manifestassem alguma relação de empatia com a posição firmada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), uma vez que no cerne da controvérsia sobre que papel deve desempenhar o Conselho Nacional de Justiça no controle do exercício da magistratura está a antinomia centralização/descentralização, que, desde o Império, acompanha a nossa História.

No caso, uma vetusta tradição liberal, cuja mais incisiva formulação se tornou clássica com a publicação de A Província, em 1870, de Tavares Bastos, uma denúncia dos males da centralização administrativa, que ainda ecoa no não menos clássico da nossa bibliografia liberal Os Donos do Poder (1958), de Raimundo Faoro, denúncia que, a partir de outros porta-vozes, vai ressurgir nas lutas contra o autoritarismo político do regime militar e encontrar tradução nas demandas municipalistas dos movimentos políticos e sociais apresentadas ao legislador constituinte de 1988.

A Carta de 1988, redigida num tempo em que ainda se ouviam as vozes de Tancredo Neves e de Ulysses Guimarães - "as pessoas vivem nos municípios e não na União" -, além de fazer girar o pêndulo em favor da descentralização, combinava a democracia representativa com a de participação e abrigava, em nome da justiça social, postulações de direito material, protegidas constitucionalmente por alguns instrumentos criados com essa finalidade. A igualdade, pela primeira vez em nossa História, encontrava estatuto próprio como um ideal coletivo a ser perseguido por políticas de Estado.

A igualdade tem suas urgências e os recursos para atendê-las eram e são escassos. Nada de surpreendente, portanto, que os tempos subsequentes à promulgação da Carta de 88, que nos trouxe de volta a descentralização, depois de décadas de vigência do princípio que lhe era oposto, comecem a assistir, agora num cenário de democracia política institucionalizada, ao movimento do pêndulo em direção à centralização administrativa, diante de uma sociedade cada vez mais enredada nas agências estatais e dependente delas.

Tais efeitos perversos da afirmação da agenda da igualdade não são incomuns, constatados por dois dos maiores fundadores da teoria social moderna, Tocqueville e Marx, que, malgrado a radical diferença existente entre eles, convergiram no diagnóstico - o primeiro, em O Antigo Regime e a Revolução, o segundo, em O 18 Brumário de Luis Bonaparte - de que a asfixiante centralização que tomou conta da sociedade francesa após a Revolução de 1789 - a revolução da igualdade - era um dos seus frutos negativos. Para ambos, porém, a centralização não é filha, em linha direta, da igualdade, mas da falta de República e da livre vida associativa que lhe é própria. Sem ela as postulações por igualdade são interpretadas pelo Estado que as concede à sua discrição e a partir de um cálculo em que suas conveniências são levadas em alta conta, entre as quais a de sua política de legitimação.

A revolução democrática brasileira, que tomou forma na Carta de 88, resultou da articulação de uma ampla coalizão política, que, em suas lutas por liberdades civis e públicas, abriu passagem para a emergência de uma vigorosa movimentação dos setores subalternos em torno dos seus interesses, logo que começaram a se emancipar dos controles coercitivos a que estavam sujeitos. Tal movimentação persistiu ao longo do processo de transição para a democracia e da sua subsequente institucionalização, mantendo a esfera pública sob pressão, inclusive em suas manifestações eleitorais, no sentido de reforçar as postulações por direito material que procediam de várias regiões da vida social.

Com a escora dos fundamentos constitucionais igualitários, essas pressões se fizeram irresistíveis. Diante da escassez de recursos da Federação e dos imperativos de urgência reclamados pela sociedade, mesmo que na ausência de um plano definido, inicia-se, então, um novo giro em favor das tendências centralizadoras. Seu carro-chefe será o das agências públicas de âmbito nacional, como o Sistema Único de Saúde (SUS), decididamente uma política igualitária de largo alcance, que se torna um paradigma dominante em termos de outras políticas sociais, como no caso das políticas de educação e de segurança, para não falar das políticas assistenciais do tipo do programa Bolsa-Família, todas com baixa ou nenhuma participação ativa da sociedade.

De modo quase invisível à percepção imediata, tem-se instalado uma estatolatria doce, justificada e legitimada por sua destinação social. Nessa batida, sem sequer se mencionarem os graves problemas tributários, a Federação cede espaços à União e a sociedade abdica de sua autonomia em favor do Estado. A tendência à centralização torna-se universal e não poupa nenhuma região da vida social: há problemas de segurança, chamem-se as Forças Armadas, embora o Haiti não seja aqui; há corrupção no Judiciário, apele-se ao Conselho Nacional de Justiça, passando por cima das Corregedorias dos tribunais, tidas de antemão como suspicazes, e sem que sequer se esbocem tentativas de mobilização das corporações profissionais dos operadores do Direito e de setores da sociedade a fim de exigirem exemplar correição.

A República democrática tem seus custos sociais e políticos e um dos mais elementares deles é o de criar e preservar as condições para a auto-organização do social, com a sociedade e suas instituições empenhadas na solução dos seus problemas e desafios, forma com que nem sempre se chega mais rapidamente ao objetivo, mas, como o demonstra sobejamente a nossa já longa experiência republicana, é muito melhor e mais segura.

JOSÉ SIMÃO - Copa 2014! Dilma demite o Galvão!



Copa 2014! Dilma demite o Galvão! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 22/10/11

E agora o Kagadafi tá jogando truco com Bin Laden, Saddam e Pinochet! Camarote VIP do inferno!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Dúvida do dia: o que sai antes, o gol do Adriano ou o Itaquerão? E diz que o Itaquerão tem de ser maior que o Maracanã. Para caber o Ronaldo! E o Itaquerão é o estádio com mais apelidos do Brasil: Gambazão, Diferenciadão, Malocão, Faixa de Gaza e Arena Mãos ao Alto! E, em vez de Fielzão, ATEUZÃO! Porque ninguém acredita que vai sair!
E vocês viram o Alckmin pulando de alegria? E o Enrolando Rolando Roubando Orlando Silva? Cara de bola murcha!
E adorei o chargista Nani: só no Brasil que ONG sem fins lucrativos faz milionários. Milionários sem fins lucrativos. Rarará!
E a Dilma voltou com cara de sapato apertado. A Dilma vai dar um carrinho por trás nesse ministro.
Duvida? Olha a manchete do Piauí Herald: "Dilma tira poderes do Mano e assume a seleção". E que também vai demitir o Galvão. E essa manchete: "Crise nos esportes: começa o jogo de empurra". Nova modalidade do Pan: jogo de empurra!
E o Kagadafi? Que parecia o Cauby de porre. Aliás, uma mulher gritou quando viu o Kadafi na televisão: mataram o Benito de Paula. Acharam o Kagadafi num buraco! Igual ao Saddam. Ô povo pra gostar de buraco! E pra que tiraram do buraco? Não era mais fácil fechar a tampa? Mete concreto. Rarará!
E duas reflexões: nem sempre quando você sai do buraco sua vida melhora. E nem sempre aquele que te tira do buraco é teu amigo! E como diz uma amiga minha: "Eu vou ter que chamar a Otan pra acharem o meu buraco". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E agora o Kagadafi tá jogando truco com o Bin Laden, Saddam e Pinochet! Camarote VIP do inferno! Tem que ter pulseirinha. Só falta o Bush! Rarará!
E pior que ditador é filho de ditador. Vide os filhos do Saddam e os filhos do Kadafi! E eu já disse que quero ficar com todos aqueles caftans exóticos. A Alcione também! E um amigo meu quer ficar com o harém de loiras ucranianas!
E adorei a charge do Ed Carlos com os rebeldes líbios : "É Kadafi, Gaddafi, Gadhafi, Khadafi?". "Eu disse pra você: pergunte antes, atire depois." Rarará!
E o Pan com ovo? O melhor ouro do Pan: as meninas do vôlei. Cubalançou! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

RENATA LO PRETE - PAINEL


O dia seguinte
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 22/10/11

Com o Ministério do Esporte na berlinda, o Planalto tenta dar aparência de normalidade aos projetos da Copa. Na segunda-feira, a Casa Civil lança edital da ampliação do aeroporto de João Pessoa, o primeiro no modelo do Regime Diferenciado de Contratações. Ainda no decorrer da semana sairão mais duas licitações via RDC -a mais robusta refere-se ao sistema de transporte de bagagens do Galeão.

Buscando mostrar à Fifa que a crise política não contaminou a organização do Mundial, o governo também explorará balanço oficial que mostra canteiros operando dentro do prazo em 9 dos 12 estádios selecionados.

Vermelhos À diferença do que ocorreu quando PR e PMDB caminharam para o cadafalso ministerial, o Planalto passou a temer seriamente que o PC do B concretize a ameaça de jogar histórias e nomes no ventilador se Orlando Silva perder o cargo.

Restos a pagar Os mais próximos não se cansam de lembrar que, em 2010, Orlando tinha uma "eleição garantida" para a Câmara quando, "a pedido de Lula", resolveu ficar no ministério.

Recado Na conversa de ontem, Dilma disse ao ministro que estava lhe dando voto de confiança. No governo, houve quem entendesse assim: em caso de novo revés, a presidente dará à pasta o destino que achar melhor, a despeito da grita do PC do B.

Anteparo O advogado de Orlando Silva, Antônio Carlos de Almeida Castro, esteve na quinta com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedindo que não oficializasse o pedido de abertura de inquérito no STF antes de ouvir sua defesa. Gurgel ignorou a sugestão.

Café com leite Roteiro de destinos turísticos preparado pela Embratur para a Copa localiza no Estado de São Paulo os municípios mineiros de Extrema, Monte Verde, Camanducaia, Cambuí e Córrego do Bom Jesus.

Agora vai? Depois de oficializado o Itaquerão como sede da abertura da Copa, o comitê paulista será vitaminado. A ideia do Bandeirantes é agregar funcionários das secretarias envolvidas nos preparativos numa estrutura que será chefiada pelo assessor especial do governador, Fábio Lepique, e terá na coordenação executiva Raquel Verdenacci.

Casa nova Ainda não está definido se a equipe será instalada no organograma da Companhia Paulista de Turismo, como se estudava inicialmente. O que já se sabe é que as atividades do Mundial de 2014 serão centralizadas em prédio recém-adquirido pelo governo na rua Boa Vista, centro bancário paulistano.

Ruído O governo paulista estranhou o comentário do secretário paulistano de Articulação para a Copa, Gilmar Tadeu (PC do B), enumerando como "foco" da nova fase de preparação da capital para a competição as obras viárias do entorno do estádio, que nunca foram objeto de discussão direta com o assessor de Gilberto Kassab.

Hoje só amanhã Fernando Haddad avisou ao PT que, excepcionalmente neste fim de semana, não participará das caravanas na capital paulista. O ministro vai monitorar de Brasília a realização do Enem, cujo sucesso é considerado vital para sua pré-candidatura a prefeito.

Ensaio A possível aliança PSD-PSDB para a eleição paulistana terá seu primeiro teste na disputa pela presidência da Câmara de SP. Tucanos discutem apoio à reeleição de José Police Neto, da nova sigla de Kassab.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Roseana estatiza a fundação em memória de seu pai para guardar a catacumba, os cueiros e os penicos do senador, oficializando o Maranhão como capitania hereditária."

DO DEPUTADO FEDERAL DOMINGOS DUTRA (PT-MA), adversário histórico do clã Sarney, sobre a iniciativa da governadora de estatizar a instituição com o acervo do ex-presidente da República.

contraponto

Para ontem


Reunidos com Cândido Vaccarezza (PT-SP), parlamentares do Rio cobravam um encontro com Dilma, na próxima semana, para tratar da questão dos royalties.

-Já aconteceu com o Lula, que nos recebeu num caso de emergência- argumentou Anthony Garotinho (PR-RJ).

O líder do governo na Câmara tentou se esquivar:

-Olha, dificilmente poderão ir todos... E, convenhamos, não é caso de emergência....

A bancada respondeu em uníssono:

-É sim!

ROBERTO RODRIGUES - Inovar para competir

Inovar para competir 
ROBERTO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 22/10/11

Cada pesquisador do nosso agro merece uma medalha. Hoje, competimos com produtores do mundo todo

Tenho insistido muito neste espaço em valorizar a tecnologia como principal fator responsável pelo extraordinário salto da produtividade e da competitividade sustentável da agropecuária brasileira.

E é mundialmente reconhecido o papel da EMBRAPA nesse processo. De fato, essa notável instituição ainda é muito jovem -nem completou 40 anos- para os avanços obtidos -a conquista do cerrado se insere no rol dos mais relevantes. Com efeito, até a década de 1970 os produtores rurais diziam: "Cerrado, só dado ou herdado!".

Eles sabiam como era fraca a terra de lá e, muito antes da EMBRAPA, o Instituto Agronômico de Campinas, a Esalq de Piracicaba e instituições de pesquisa paulistas e de outros Estados vinham estudando formas de domar aquela natureza hostil à agricultura.

Mas, vitimada pelo célebre erro de Pero Vaz de Caminha ("Nesta terra, em se plantando tudo dá"), a sociedade em geral acha que a maior moleza no Brasil é ser agricultor. Não é. Nunca foi.

É verdade que as chamadas terras roxas de Ribeirão Preto, de Jaú e do norte do Paraná ou o massapé de Campinas e de Piracicaba vinham sendo cultivados com grande êxito graças aos trabalhos de pesquisa e extensão rural de órgãos públicos paulistas.

Mas o solo do cerrado, essa imensa área que representa a nossa maior fronteira agrícola, é o tal latossolo, com coloração que vai do vermelho ao amarelo, profundo, bem drenado, muito pobre em nutrientes essenciais (cálcio, magnésio, potássio) e matéria orgânica, tem grande acidez e toxidez por alumínio, de modo que, sem tecnologia adequada e corretivos e fertilizantes, não produz nada!

Bem diferente, por exemplo, do pampa argentino, planícies férteis conhecidas como os melhores solos do mundo, que precisam de menos da metade dos adubos de que precisamos.

Por outro lado, grande parte do nosso cerrado, da metade do Centro-Oeste para cima, tem um clima chamado de tropical sazonal, que se caracteriza por um limitado período de chuvas durante o verão e um inverno sequíssimo, que não permite duas culturas anuais.

Pois foram essas dificuldades naturais aparentemente insuperáveis que nossos cientistas venceram, trazendo para cá tecnologias desenvolvidas em países do hemisfério Norte e tropicalizando-as, seja com variedades adaptadas à nossa edafoclimatologia, seja com tratos culturais modificados, seja com fertilização diferente e até com a irrigação apropriada. Os solos drenados do cerrado não retêm a umidade, de modo que secam rapidamente. E sua acidez inibe qualquer cultivo.

Tudo isso foi enfrentado e dominado pela tecnologia. Cada pesquisador do nosso agro merece uma medalha!

Hoje, competimos com produtores do mundo todo, e, mesmo com o pesado custo Brasil, avançamos no mercado internacional. Só em relação às exportações, saímos de US$ 21 bilhões em 2000 para mais de US$ 74 bilhões no ano passado. E com um saldo muito maior que o saldo do país todo, salvando com isso até nossas reservas em dólares.

E novas tecnologias vêm chegando: a integração lavoura-pecuária, verdadeira revolução tropical, por exemplo, permite em toda região de inverno seco duas culturas anuais: grãos e carnes. Um verdadeiro ovo de Colombo.

A biotecnologia, a nanotecnologia, as novas máquinas agrícolas que reduzem perdas, os defensivos com moléculas muito menos agressivas, as sementes mais resistentes e rústicas, a irrigação, as biorrefinarias e um sem-número de outros temas que nos colocam na vanguarda do conhecimento científico no agro são garantia de contínua competitividade com sustentabilidade, mesmo se se confirmarem as previsões mais pessimistas quanto ao aquecimento global: a gente se adaptará!

Por isso, é absolutamente fundamental oferecer aos nossos institutos de pesquisa -IAC, IB, IZ, Pesca, Universidades, EMBRAPA- e de extensão -a Cati- os recursos indispensáveis para continuarem servindo ao país.

EDITORIAL FOLHA DE SP - Além da faxina


Além da faxina
EDITORIAL 
FOLHA DE SP - 22/10/11

Atual safra de escândalos deve dar impulso a reforma mais profunda, com redução do número de ministérios e de cargos de confiança

A celeuma em torno do novo escândalo ministerial segue roteiro conhecido. Após o vaivém de acusações e desmentidos, o titular do Esporte deixará o posto, no desfecho quase certo, ou ganhará alguma sobrevida à custa da perda de prestígio e poder decisório.

Tampouco será surpresa se outras pastas passarem por processos semelhantes, assim como já ocorreu, só neste ano, na Casa Civil, nos Transportes, na Agricultura, no Turismo e, caso isolado de sobrevida do ministro, nas Cidades.

A banalização dos episódios -que é a banalização mesma do cargo de ministro- reflete, mais do que escolhas infelizes, deficiências e retrocessos na gestão pública acumulados nos últimos anos.

Evidencia, por isso, a necessidade de reformas mais amplas que as costumeiras trocas de nomes.

Das distorções a serem atacadas, a excessiva quantidade de pastas é apenas o ponto de partida mais óbvio: são 24 ministérios e mais 14 cargos com status de ministro (está no Congresso a criação do 15º, com a Secretaria da Microempresa).

Nessa conta estão estruturas de pouca relevância administrativa que foram expandidas, a partir da década passada, para alojar aliados ou, pior, para conduzir programas em benefício de partidos.

A pletora ministerial ocasiona sobreposição de tarefas, orientações conflitantes e lentidão decisória. A própria coordenação de ações que envolvem diferentes órgãos é ora atribuída à Casa Civil, ora ao Planejamento.

Mas o inchaço não se limita ao primeiro escalão. O Executivo federal conta hoje com cerca de 22 mil cargos de livre nomeação, 4.000 além do patamar de dez anos atrás e algo como o dobro do disponível, por exemplo, no serviço público norte-americano.

Sem critérios transparentes de preenchimento, as vagas misturam objetivos tão diferentes como acomodar nomeações partidárias, atrair especialistas do setor privado e permitir a ascensão funcional de servidores de carreira.

Esse contingente pode ser reduzido e profissionalizado com a destinação da maior parte dos postos, em especial nos níveis hierárquicos mais baixos, a funcionários submetidos regularmente a processos internos de seleção e avaliação.

Quanto aos cargos mais elevados de comando e assessoria, deve-se dar ao menos conhecimento público de suas atribuições e de qualificações mínimas exigidas de seus ocupantes.

Providências como essas não são panaceia e estão sujeitas a óbvios constrangimentos políticos. Todavia passos nessa direção serão muito mais proveitosos do que "faxinas" eventuais movidas pelo alarido do noticiário.

FERNANDO RODRIGUES - A anomalia das microssiglas


A anomalia das microssiglas
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 22/10/11

BRASÍLIA - O Brasil tem 29 partidos políticos. Todos são bancados pelo dinheiro de quem paga impostos. É natural, numa democracia, a sociedade assumir tal tipo de custo.

Mas o modelo brasileiro é anômalo. Sofre de democratismo. Diferentes são tratados como iguais. Quando acabou a ditadura militar, nos anos 80, optou-se corretamente por facilitar a criação de novas siglas. Afinal, o sistema partidário estava dilapidado. Que florescessem as mil flores. Só que passaram-se perto de três décadas e a leniência continua. Grupelhos quase sem voto seguem com seus espaços, mesmo sem ter expressão nas urnas.

Esse é o caso do PC do B, partido envolvido no atual escândalo do Ministério do Esporte. Trata-se de uma microssigla. Tem 15 deputados e 2 senadores. Quando aparece na TV e no rádio (espaço bancado com dinheiro público), tem a mesma visibilidade oferecida ao PT, PMDB ou PSDB, siglas muito maiores e com mais representatividade popular.

Foi assim nesta semana. O PC do B apareceu por dez minutos em rede nacional de rádio e TV. Atrasou telenovelas, jornais e transmissões esportivas. O tema da propaganda foi a defesa de Orlando Silva, encrencado por causa de acusações de traficâncias no Esporte.

Orlando Silva e o PC do B têm o direito de se defenderem. Os partidos devem ter espaço público para expressar seus pensamentos. Só não há como enxergar justiça no oferecimento de um tratamento VIP a quem não recebeu apoio equivalente nas urnas.

Partidos como o PC do B distorcem a realidade da política. Até Dilma Rousseff teve de dar declarações simpáticas à legenda. Essas siglas são linhas auxiliares das grandes agremiações durante eleições.

Sanguessugas de dinheiro público, não têm chance de chegar ao poder e sobrevivem porque ninguém no Congresso tem coragem de acabar com essa disfuncionalidade.

CLAUDIO HUMBERTO

“O tempo vai passar, o amanhã vai chegar”
ORLANDO SILVA, ALIVIADO APÓS DORMIR E ACORDAR MINISTRO DO ESPORTE, NESTA SEXTA

DEPUTADO ACUSA A IRMàE CUNHADO DE CHANTAGEM 
Uma briga de tradicional família da Bahia por espólio milionário deixou em apuros o deputado federal João Bacelar (PR). Ele acusa a irmã, Lilian, e o cunhado, André Dumet, de chantagem, exigindo já os 12% a que ela tem direito de herança do pai. Segundo Bacelar, Lilian passou a exigir 30% do espólio como forma de silenciar sobre o destino de recursos de suas emendas parlamentares para a própria construtora. 

FANTASMA 
O advogado de João Bacelar também admite “ilações” sobre o fato de a mãe do parlamentar ser funcionária fantasma do seu gabinete. 

SEM POLÍCIA 
O deputado não denunciou a alegada chantagem à polícia. Preferiu contar tudo ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) na segunda.

LÁ E CÁ 
Em processo no STF, Bacelar é acusado de agressão. Na Justiça baiana, a irmã é ré por ter sacado R$ 580 mil com uma liminar falsa. 

TÔ FORA 
O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles manda dizer que não tem o mínimo interesse no cargo de ministro do Esporte.

BH: AGÊNCIA DE PREFEITO É A MESMA DA CÂMARA 
Empresa que participou da vitoriosa campanha do prefeito Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte, a agência de propaganda Perfil não só venceu a licitação para cuidar de R$ 25 milhões da prefeitura, em 2009. Acaba de abocanhar a conta da Câmara Municipal, para divulgar suas realizações. Por critérios carregados de suspeitas, a Câmara desqualificou nove empresas de uma canetada, favorecendo a Perfil.

DO PEITO 
A Perfil não se manifestou. A empresa é do publicitário Cacá Moreno, amigão e guru marqueteiro do prefeito. E agora, dos vereadores.

MUITA CALMA 
A assessora da Câmara, à beira de um ataque de nervos, disse que a licitação está em fase de recursos, que ainda não apareceram.

NEM PRECISAVA 
A Câmara é a mesma onde um vereador se filmava de cueca no gabinete, cujo vídeo ganhou o mundo. Nem precisava de propaganda.

HÁ JUSTIÇA NO BRASIL 
O ministro Celso de Mello (STF) negou habeas corpus a Tiago Mattos, que ajudou a matar João Hélio, 5 anos, em 2007, no Rio. Um carro arrastou o menino por quilômetros. O corpo foi desfeito em pedaços.

A DONA DA BOLA 
A Fifa lavou, passou e arrancou a vassoura da presidente Dilma, jogando Orlando Silva no “lixo”, antes mesmo da esperada demissão do ministro do Esporte. 

APRENDIZADO 
Em sua defesa no Twitter, o ministro Orlando Silva avisou que está lendo a biografia de Nelson Mandela – “uma aula de resistência e combatividade”. E de probidade administrativa, faltou acrescentar.

DE JUIZ A MINISTRO? 
Cotado para o Ministério do Esporte, o palmeirense Aldo Rebelo (PCdoB-SP) promovia peladas noturnas entre parlamentares e membros do governo, quando presidia a Câmara. Atuava como juiz.

CREDIBILIDADE ZERO 
Sérgio Cabral disse que Dilma “levou um susto” com números citados pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) na lei, aprovada no Senado, que redistribui as receitas de royalties. Na última vez que falou por ela, anunciando o ministro da Saúde, ele foi desmentido pelos fatos.

FLOR NO LODO 
Dilma teve atitude digna se recusando a celebrar a morte de Gaddafi, como alguns governantes que se cevaram dos petrodólares da Líbia. Nem mesmo o linchamento de tirano terrorista deveria ser festejada.

PATÉTICA ARMAÇÃO 
Ricardo Teixeira tirou Porto Alegre da Copa das Confederações só de birra, para mostrar a Dilma que é ele quem manda. E armou com Cid Gomes, que nem queria tanto, para levar jogos da Copa para o Ceará.

PSD X PRTB 
Levy Fidelix, do PRTB, acusa Gilberto Kassab (PSD) de perseguição. Foi multado em R$ 10 mil pela prefeitura por placa suspeita de irregular na fachada da sede do partido. Fidelix azucrinou a criação do PSD.

PENSANDO BEM... 
...Gaddafi entrou literalmente pelo cano. 

PODER SEM PUDOR
SANTA PACIÊNCIA 
O amigo lobista do ex-ministro Antônio Palocci, Vladimir Poleto, jurava na CPI dos Correios que não disse o que de fato afirmara a imprensa, revelando as vísceras do mensalão, quando o senador bobão Eduardo Suplicy (PT-SP) passou a defender o depoente. Heráclito Fortes (DEM-PI) não aguentou, provocando gargalhadas:
– Heloisa Helena é do PSOL e o senador Suplicy é do PCÉU. Ele acredita em milagre!

SABADO NOS JORNAIS



- Globo: Lula manda PCdoB resirtir e Dilma mantém ministro


- Folha: Esporte cobrou 10% de propina, afirma pastor


- Estadão: Mulher de Orlando levou verba pública


- Correio: Dilma segura ministro "demitido" pela Fifa


- Estado de Minas: A Corrida ao carro novo


- Jornal do Commercio: Ministério da Saúde promete barrar lixo


- Zero Hora: Rejeitado pela Fifa, Orlando Silva ganha sobrevida de Dilma