sábado, outubro 01, 2011

RUTH DE AQUINO - A lingerie de Gisele


A lingerie de Gisele
RUTH DE AQUINO
REVISTA ÉPOCA
A ameaça de censura ao comercial com ela rodou o mundo. Só que, no anúncio, o objeto é o homem...

RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
Certo ou errado? Gisele Bündchen, de lingerie e salto alto, seduz seu homem (e os nossos também) no comercial de TV. A modelo dá más notícias para o marido. “Amor, mamãe vem morar com a gente.” “Estourei seu cartão de crédito.” “Bati com seu carro.” Gisele séria, de vestido comportado. E sensual, de calcinha e sutiã. “Você é brasileira, use seu charme”, diz a publicidade. A Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) do governo Dilma achou a mensagem “preconceituosa e discriminatória” e quer tirar Gisele do ar.
Desconfio que a Hope, marca da lingerie, tenha contratado as mulheres de Dilma para bombar a campanha. O anúncio com a modelo mais bem paga do planeta virou uma sensação. Em inglês, francês, italiano, espanhol. A ameaça de censura do governo rodou o mundo. Vídeos legendados em diversos idiomas mostram Gisele no duplo papel. A esposa recatada. E a gata provocante. Tudo para vender lingerie... para as mulheres.
Acho o anúncio divertido, leve, maroto. Não me senti ofendida. E olha que sou chefe de família, como 30% das brasileiras. Fico boba com a falta de humor e rebolado da tal secretaria do governo. A nota de repúdio ao Conar, conselho que regulamenta a publicidade, usa uma linguagem pesada como a burca. Inspire. “O anúncio reforça o estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual e ignora os grandes avanços alcançados para desconstruir práticas e pensamentos sexistas.” Expire. Conseguiu ler até o fim? Ah, falta explicar que o governo recebeu 15 – quinze! – queixas de telespectadores indignados com a publicidade. Uma multidão. Por isso, a ministra Iriny Lopes foi à luta contra a lingerie incorreta.
Que tal uma teoria inversa? O anúncio na verdade mostraria o homem como objeto de manipulação das mulheres e não o contrário. O homem é um tolo que cai de quatro para o poder da sedução feminina. Em vez de macho fulo de raiva com o cartão de crédito estourado, o carro batido e a vinda da sogra, o marido invisível se submete, dócil, ao charme de sua mulher.
Quem achou Gisele apelativa? Luana Piovani! A atriz, que vive semipelada no cinema, na televisão e no teatro, disse: “Sei lá, sou meio feminista”. “Não curto mulher de fio dental vendendo cerveja.” Depois de processar Dado Bolabella (ops, Dolabella) por ter levado uns tapas dele na boate, Luana vai ser mãe e acha que “representa as mulheres brasileiras”. Diz que só usa lingerie em festinhas para o marido e que “faz mulher-objeto, mas só na dramaturgia”. Senti uma pontinha de inveja da mulher invisível pela diva brejeira e simpática.
Fui saber a opinião do publicitário Armando Strozemberg, presidente da 3ª Câmara do Conar, do Rio de Janeiro. “Quando vi o comercial, fiz o seguinte exercício: eu colocaria um homem no lugar da Gisele? Nas mesmas duas situações? Claro que colocaria”, diz ele. “A sedução, no Brasil, é mútua. É coisa nossa. E o comercial é uma brincadeira que lida com esse universo. Não desmerece a mulher.”
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A ameaça de censura ao comercial com ela rodou o mundo. Só que, no anúncio, o objeto é o homem...  
Penso nas cenas de novela com atores sem camisa, mostrando o peitoral, de sunga, de cueca, tomando banhos demorados, ou mesmo de bundinha de fora. Uma exibição deliberada de músculos, barriga tanquinho e testosterona. As mulheres gostam e suspiram. E ninguém reclama que os homens sejam objetos sexuais – eles até gostam. Não gostam?
Não somos Giseles. Estamos longe disso. Mas cada uma de nós tem algo especial para seu homem – nem que seja o sorriso aberto, o olhar sugestivo, um colo ou... E vice-versa. Há 16 anos, eu fazia mestrado em Londres, não havia internet e, em vez de gastar palavreado em cartas para o namorado artista plástico no Brasil, eu mesma fiz uma série de fotos minhas de lingerie e salto alto. Enviava a ele pelo correio uma vez por semana, toda segunda-feira. Eram cartões-postais personalizados. Um “teaser”, na linguagem publicitária. Ele se dizia ansioso a cada novidade semanal do correio.
Quando contei isso a algumas amigas, me olharam incrédulas. E como ficava a imagem de jornalista séria e “meio feminista”? Por que fez isso, Ruth ? Para brincar, seduzir, surpreender e agradar ao namorado. Estamos juntos até hoje.

MERVAL PEREIRA - O STF e a sociedade



O STF e a sociedade
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 01/10/11


O Supremo Tribunal Federal (STF) tem pela frente pelo menos três julgamentos que o colocarão no centro das atenções da opinião pública: o que definirá o poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de punir e fiscalizar juízes, tema que provavelmente voltará à pauta na próxima quarta-feira; o da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa; e o do mensalão.


Os casos do CNJ e da Ficha Limpa têm semelhanças, já que são representações do anseio da sociedade por uma atuação ética e eficiente do Legislativo e do Judiciário. O caso do mensalão é o maior escândalo de corrupção política já ocorrido no país, que, segundo o procurador-geral da República, colocou em risco o próprio regime democrático brasileiro.


O que parecia ser uma tendência majoritária do Supremo contra a capacidade do CNJ de julgar e eventualmente punir juízes, independente da ação das corregedorias regionais, já não parece ser tão majoritária assim, diante da reação negativa da opinião pública, e procura-se uma saída para não esterilizar a ação do CNJ em benefício de um corporativismo que está na raiz da criação do próprio Conselho.


E está também na origem do desentendimento entre o ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo e do CNJ, e a corregedora Eliane Calmon, que em entrevista disse que havia bandidos protegidos pela toga.


As palavras fortes de Eliana Calmon surgiram como pretexto para fragilizar o CNJ, do qual ambos fazem parte, quando o fulcro da questão era outro.


Que há bandidos escondidos em todas as profissões, não resta dúvida, e os muitos processos que o CNJ já julgou, condenando juízes por tráfico de influência, desvio de verba pública, favorecimento a terceiros, e os diversos processos que envolvem até mesmo denúncias de venda de sentenças mostram que o Judiciário não é, e nem poderia ser, um poder infenso a esse tipo de ação, já que é formado por humanos, e não por super-homens acima do bem e do mal.


Caberia à maioria dos juízes honestos batalhar pela punição dos que, acobertados pela toga, agem como criminosos, com o agravante de que se utilizam dos poderes de magistrado para perpetrarem seus crimes.


A defesa da corporação está com os que querem um Conselho Nacional de Justiça mais ativo, refletindo os anseios da sociedade por mais justiça, mais rapidez nos processos, um Judiciário, enfim, que inspire confiança aos cidadãos.


Foi justamente esse sentimento que fez com que a ideia de um controle externo da magistratura prosperasse e fosse vitoriosa, depois de anos de negociação em que foi fundamental a atuação do então presidente do Supremo, ministro Nelson Jobim.


Sua composição revela justamente essa preocupação de espelhar a sociedade. Ele é presidido pelo presidente do Supremo e composto por um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); um ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST); um desembargador de Tribunal de Justiça; um juiz estadual, indicado pelo Supremo Tribunal Federal; um juiz de Tribunal Regional Federal (TRF), indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; um juiz federal, indicado pelo Superior Tribunal de Justiça; um juiz de Tribunal Regional do Trabalho; um membro do Ministério Público da União; um membro do Ministério Público estadual, escolhido pelo procurador-geral da República dentre os nomes indicados cada instituição estadual; dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; dois cidadãos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.


Ao contrário da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que impetrou a ação direta de inconstitucionalidade no Supremo contra a ação do CNJ, a Associação dos Juízes para a Democracia (AJD) soltou uma nota em que o juiz José Henrique Rodrigues Torres, presidente do Conselho Executivo, afirma, entre outras coisas, que "na cultura política brasileira há longa e nefasta tradição de impunidade dos agentes políticos do Estado, dentre os quais estão metidos a rol os membros do Poder Judiciário, notadamente os desembargadores dos tribunais estaduais e federais, e ministros dos superiores".


Ao mesmo tempo, o senador Demóstenes Torres, do DEM, apresentou uma emenda constitucional que garante ao Conselho Nacional de Justiça o direito de julgar e punir juízes.


Na verdade, essa emenda remete ao espírito da lei que criou o CNJ e seria dispensável se não fosse essa reação corporativa. O CNJ não foi criado como um órgão revisor, e tem amplos poderes para receber denúncias contra juízes, mesmo diretamente, sem a necessidade de que a reclamação passe pelos tribunais locais.


Os poderes são tão amplos que ele pode mesmo agir por conta própria, mesmo sem que haja uma denúncia de terceiros.


O que pode sem dúvida explicar essa reação da AMB é o número crescente de processos contra corregedores dos tribunais de Justiça, presidentes dos tribunais de Justiça do país, presidentes de tribunais regionais federais, desembargadores, enfim, a cúpula dos tribunais anda sob a vigilância do CNJ.


Um caso emblemático de como o corporativismo encontra sempre meios de proteger os seus está registrado num relatório do CNJ sobre o julgamento de punição administrativa de um juiz pelos desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Pernambuco.


Como não houve consenso sobre o tipo de pena, embora nenhum dos 13 desembargadores tenha votado pela absolvição do juiz (seis votaram pela pena de censura, cinco pela aposentadoria compulsória, e dois pela remoção compulsória), o tribunal optou pelo arquivamento do caso.


São casos assim que fazem com que o Poder Judiciário como um todo caia no descrédito da população, e a ação moralizadora de um Conselho Nacional de Justiça com plenos poderes é fundamental para a recuperação da credibilidade do Poder Judiciário, que continua sendo a garantia final da democracia.

A GISELE PIRATA


MIRIAM LEITÃO - Nova política velha



Nova política velha 
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 01/10/11

A política econômica mudou. Ela foi mudando devagar como aquela água que vai esquentando e o sapo não percebe. Começou discretamente em 2005; a crise de 2008-2009 foi entendida como licença para mudar; a disputa eleitoral ampliou o relaxamento fiscal e agora com as recentes guinadas já se pode dizer que não é a mesma política econômica dos últimos 18 anos.

O sistema de metas de inflação foi flexibilizado para se aceitar um pouco mais de inflação; o regime fiscal só fecha na meta quando há receitas extraordinárias ou truques contábeis; o fechamento comercial está no discurso supostamente nacionalista e nas medidas que se apresentam como defesa do emprego.

A política mantida desde 1994 deu ao país crescimento, inflação baixa, inclusão social, ampliação do mercado consumidor, e o grau de investimento. Mesmo adversários na arena política, o governo Fernando Henrique e o primeiro governo Lula foram complemento um do outro. No segundo, o governo começou a sair lentamente das premissas que mantiveram a estabilidade. Esse caminho é perigoso e velho. Na área comercial, a escolha de setores e os privilégios das montadoras são equívocos bem conhecidos do Brasil.

O economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão de Recursos, alinha os sintomas dessas mudanças.

- O IPI dos automóveis é uma volta à economia fechada que protege um setor empresarial com tarifas. O Plano Brasil Maior é um projeto típico dos anos 1970, em que o país protege e subsidia setores escolhidos pelo governo - diz Camargo, lembrando que a indústria automobilística no Brasil tem 70 anos e não consegue competir com a coreana, que tem 30 anos.

Até o mês passado se dizia que ninguém poderia competir com aquele câmbio. Bom, o dólar subiu 18% em setembro. A maior alta em nove anos para um único mês. Isso não só tornou mais absurda ainda a elevação do IPI como também acelerou as pressões inflacionárias.

Camargo admite que a situação do governo não é fácil. O contexto internacional está muito ruim e em algum momento teria que ser feita uma escolha entre inflação e crescimento, na opinião dele:

- Não é um momento simples. O que preocupa é essa tendência da política econômica de reverter a melhoria institucional que vem desde os anos 90. O ponto é que temos uma arrecadação tributária de 37% do PIB e o país tem déficit nominal de 2%. O Estado consome 39% do PIB e presta serviços péssimos.

Em 2005, quando a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, impediu a proposta de déficit nominal zero, por achar que era rudimentar, a política econômica estava começando a fazer a guinada para mais expansionismo fiscal. A chance era aquela, porque 2005, 2006, 2007 e 2008 até setembro foram anos bons, de crescimento, de mais arrecadação e o país poderia ter feito esforço maior para ajustar as contas, derrubar juros e perseguir metas menores de inflação.

Naquele momento a escolha foi não avançar em reformas, mudanças, aceitar a reprodução da mesma meta de inflação e continuar expandindo gastos. A crise de 2008-2009 produziu a escalada do intervencionismo estatal e a escolha de setores beneficiados pelo BNDES, que passou a ser financiado por recursos de endividamento. Tudo lembra fortemente a politica econômica do governo militar dos anos 1970.

Nos primeiros meses do governo Dilma o projeto de volta para o passado ganhou musculatura. A guinada da política monetária foi o momento em que todas as fichas caíram. É preciso derrubar mais os juros, e eles são a última fronteira da economia anormal que o Brasil teve até que a dupla Itamar Franco e Fernando Henrique mudaram o país. O problema é fazer isso tirando a âncora, como disse ontem em artigo magistral neste jornal o economista Rogério Werneck.

A inflação está acima da meta e muito provavelmente ficará acima no final do ano. As pressões inflacionárias do câmbio vão neutralizar qualquer pressão deflacionária que venha de fora por causa da crise. As matérias-primas que mais subiram no Brasil em setembro foram minério de ferro, soja e café. Isso apesar da crise internacional ter provocado uma enorme sangria nas bolsas do mundo inteiro. O índice Dow Jones perdeu 12% no trimestre, a maior queda desde 2009. A bolsa inglesa caiu 14,5%, a francesa e a alemã caíram 26%. O Ibovespa caiu 16%.

Tudo isso no entanto não derrubou os preços das commodities no Brasil, que é o argumento do Banco Central para justificar a queda dos juros mesmo com a inflação em alta. O índice CRB, que mede uma cesta de commodities, caiu 6,6% em dólares no mês de setembro, mas subiu 7,8% em reais. O dólar que estava cotado a R$1,59 no dia 31 de agosto ontem fechou em R$1,88. O fato é que na nova política econômica o governo aceita um pouco mais de inflação, no pressuposto de que isso garantirá algum crescimento, e amplia gastos com setores escolhidos que são também protegidos com política comercial. A ideia é que isso permitirá o desenvolvimento do mercado interno.

Como os últimos 17 anos mostraram, o mercado interno cresce, com ampliação da classe média, é com o trabalho incessante de manter a inflação baixa. É ela que corrói salários e mina a estrutura econômica do país.

JORGE MARANHÃO - Alô, alô, Marco Maia!



Alô, alô, Marco Maia! 
JORGE MARANHÃO


O GLOBO - 01/10/11

Como todos os cidadãos sensatos já constataram, depois da internet, não existe mais a comunicação em off. O mundo todo está in. Só não sabe disto a nossa ultrajante classe política que tenta se esconder nas práticas imorais das sessões-fantasma, do voto secreto, do voto simbólico, dos quóruns "regimentais", nas viagens às bases, das missões oficiais, diplomáticas, das simples gazetas e todo um arsenal de mazelas e embromações que abalam a credibilidade das instituições democráticas junto aos cidadãos pagadores de impostos.

Diz o presidente da Casa que vai apurar as denúncias documentadas pelo repórter Evandro Éboli com um simples celular. Cogita mesmo de anular a sessão da CCJ que aprovou 118 projetos em três minutos com apenas dois parlamentares presentes. E ajunta, para o espanto estarrecido dos cidadãos, que a nota oficial da assessoria de imprensa da Casa defendendo o fato não representa a sua opinião e que poderá anular a sessão. É o caso de se perguntar ao deputado Marco Maia se ele preside ou não a instituição e o que ele entende por moralidade como princípio maior da administração pública. Ou mesmo pela conduta exemplar que deve ser seguida pelos membros das instituições de estado para garantir a paz e a normalidade democrática da vida social. Pois tal desculpa esfarrapada afronta o senso comum do mais pacato cidadão! Ou a mãe de família que agora ouviu tamanha infâmia vai desculpar daqui por diante os filhos que resolverem gazetear as aulas? Ou os trabalhadores das empresas privadas vão poder alegar as mesmas desculpas para faltar com suas obrigações sem o devido desconto em seus ordenados?

Alô, alô, seu presidente! Anular a sessão não basta! É prejuízo em cima de prejuízo aos cofres da Viúva! Já não basta o privilégio acintoso de uma semana de trabalho de três dias que nenhum trabalhador tem? Já não são suficientes as mordomias de auxílios, jetons, verbas de gabinete, cotas de serviços e todos os penduricalhos aos subsídios dos nossos parlamentares que vários levantamentos que circulam na internet dão conta como os mais caros do mundo? É preciso restaurar o decoro de suas excelências, senhor presidente! É a sua grande oportunidade de dar um basta aos maus costumes da corporação parlamentar, mostrar a que veio e deixar o marco de sua nobre passagem pela Casa do povo. Sob o risco de que aumentem ainda mais o descrédito institucional do parlamento e a insegurança jurídica de toda a sociedade. Pois sua excelência bem sabe que a violência social é fruto direto da violação legal. E a cultura de impunidade, cinicamente confundida com a prerrogativa da imunidade parlamentar, só contribui para a desmoralização da ação política e das incipientes iniciativas da cidadania brasileira. Do jeito que está, senhor presidente, esta CCJ não é Comissão de Constituição e Justiça, senão de Cambalacho e Jeitinho!
JORGE MARANHÃO é diretor do Instituto de Cultura de Cidadania A Voz do Cidadão.

JOSÉ SIMÃO - Socuerro! O Brasil vai explodir!


Socuerro! O Brasil vai explodir!
JOSÉ SIMÃO 
FOLHA DE SP - 01/09/11

Tá assim: bueiros explodem no Rio, shopping explode em SP e Luan Santana explode nas paradas de sucesso


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E adorei o cara carregando uma faixa no Rock in Rio: "Edir Macedo, meu dízimo é do Metallica". E o visual da Ke$ha estava tipo "Pablo, qual é a música?".
E a manchete do Sensacionalista: "Justiça condena Claudia Leitte a devolver todos os presentes que recebeu no Dia do Cantor". Rarará!
E o Brasil está assim: bueiros explodem no Rio, shopping explode em São Paulo e Luan Santana explode nas paradas de sucesso. Desse jeito o Brasil vai acabar explodindo antes do fim do mundo. Brasil explode antes do fim do mundo!
E quem explode primeiro, o Center Norte ou o Ronaldo Fenômeno? O Ronaldo Fenômeno, porque emite muito mais gases.
E o Eramos6 revela que agora a gente escolhe shopping como água mineral: com gás ou sem gás. É proibido soltar pum no Center Norte! Senão: PUM! BUM!
E ontem foi dia de Gostosas in Rio: Ivete e Shakira. Ivetão Coxão Gostosão e Shakirão! A Shakira é gostosa até no telão! E rebola mais que minhoca em anzol. Vocês já viram liquidificador de padaria batendo vitamina de banana? É a Shakira no palco! Rarará!
Não tenho inveja nem da voz, nem da fama, nem da grana da Shakira. Tenho inveja da barriguinha da Shakira! Ela não precisa encolher a barriga na hora de transar! É o que uma amiga chama de barriguinha-ódio: você vê e fica com ódio!
Em 2012, vou lançar o Rock in Rio Pirata! Megaevento China-Paraguai. Com o apoio dos selos de CDs piratas, roqueiros covers e afônicos e guitarras da Galeria Pajé. Para quem não puder pagar o original!
E tenho uma teoria: a China não é pirata! Temos de fazer uma revisão histórica! A China não falsifica tudo, apenas compensa os royalties!
A China inventou o macarrão, a Itália leva a fama. A China inventou a pólvora e os Estados Unidos usaram e abusaram. A China inventou a seda e Paris brilha nas passarelas. Tão pagando royalties pra China? Não!
Então, por mais que a China falsifique, ainda está no prejuízo. Rarará! E esta: "Juiz nega pedido de prisão de pedófilo de Bauru". Como é o nome do juiz? Jaime Ferreira MENINO! Rarará!
E sabe como se chama o presidente do Conselho Europeu pra conter a crise? José Manuel DURÃO! Rarará! O euro está durão! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA


WALTER CENEVIVA - Lutas de uma corregedora


Lutas de uma corregedora
WALTER CENEVIVA
FOLHA DE SP - 01/10/11

Sempre fui a favor de um conselho disciplinar voltado para as condutas dos magistrados


A CORREGEDORA-GERAL ministra Eliana Calmon disse que há bandidos ocultos sob a toga de juízes.
Admitido que o leitor não trabalhe na área das profissões jurídicas, cabe explicar que a função de corregedor ou corregedora inclui o controle da atuação administrativa e financeira de órgão ou de pessoa do Judiciário, do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, além de outras indicadas no Estatuto da Magistratura. Fiscalizar, investigar, processar administrativamente e punir aqueles que saiam da linha de comportamento compatível com a dignidade da função.
O CNJ (Código Nacional da Justiça) é órgão federal, encarregado na forma do art. 103-B da Constituição de verificar e corrigir o andamento das mesmas funções em todo o território nacional. É presidido pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e, nas suas ausências e impedimentos, pelo Vice-Presidente da mesma corte. Embora referido no título dedicado ao Poder Judiciário, os demais membros do CNJ são nomeados pelo presidente da República, em face de indicações feitas na forma do mesmo art. 103-B.
Acrescente-se, por fim, que a Corregedoria Geral estará sempre a cargo do ministro do STJ, caso de Eliana Calmon. Sua missão é sumulada em três incisos do § 5º do 103 - B, compreendendo as funções executivas do CNJ, de inspeção e de correição geral, receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos serviços judiciários, além do exercício das funções executivas do CNJ. Tudo sem prejuízo de atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura.
Em face dessa colheita de elementos inseridos na Constituição da República pode-se compreender as preocupações da ministra Eliana Calmon quando afirmou a existência de bandidos sob a toga de magistrados. Claro que ela não se referiu à maioria dos juízes brasileiros, mas ao pequeno número daqueles que se comportaram mal.
Cada leitor comum que tenha lido a declaração por certo compreendeu seus limites que, mesmo antes dela dizer que referido número de magistrados, é menor que 40.
Aceita a explicação dada, o STF imediatamente paralisou as providências das quais se falou muito na última quarta feira. Passou-se a pensar nas etapas seguintes.
Tenho posição antiga a respeito e lealmente devo informar o leitor: sempre fui a favor de um conselho disciplinar voltado para as condutas dos magistrados, preservando a dignidade pela punição dos abusadores, depois de rigorosa verificação de suas condutas.
Assim, será possível dizer que essa verificação não vinha sendo feita com o rigor necessário.
Veja bem o leitor que o banditismo, com o sentido da violência, é quase nenhum. O banditismo da sentença negociada, do favorecimento indevido do afortunado em face do desprovido, do doce convencimento de que as vantagens oferecidas pelos poderosos não sacrificam a lisura de suas decisões, esse normalmente passa sem ser apurado. Nem mesmo quando evidente que o magistrado acusado tem padrão de vida superior ao que razoavelmente se pode aceitar com seus rendimentos.
Quando mais de uma pessoa confiável atribuir o mesmo mau comportamento a alguém, a corregedoria tem o dever de interferir. É sua missão.

MARTA SUPLICY - GISELE


GISELE
MARTA SUPLICY
FOLHA DE SP - 01/10/11

Por achar que o anúncio de lingerie com Gisele Bündchen é preconceituoso e discriminatório, a Secretaria de Políticas para as Mulheres pediu sua saída do ar. O Instituto Patrícia Galvão diz não passar de estratégia para criar constrangimento e a propaganda ser mais vista e falada, o que de fato já está acontecendo, como atesta esta coluna e outras.
De manhã, vi a foto de Gisele de biquíni. Minha reação imediata foi: "Que beleza!". Pose natural, solta, sutiã e calcinha normais. Poderia estar na praia que estaria mais vestida que qualquer outra. Logo percebi que se tratava de algo mais. Uma polêmica. Fui ver na internet.
Vi Gisele com shortinho de ir ao supermercado e ela diz: "Amor, estourei meu cartão de crédito". Carimbo de "Errado". Com lingerie azul básica, mas com Gisele dentro nada é básico, declara: "Amor, estourei meu cartão de crédito e o seu também". "Certo". O texto varia em três tons, pregando a sensualidade como arma.
Em off, ouve-se: "Você é brasileira, use seu charme".
A crítica refere-se ao reforço dado ao estereótipo que todos combatemos: exploração da subserviência ligada à sexualidade.
Muitas são as formas femininas de se posicionar no mundo machista, nas diferentes áreas de trabalho e no privado. Existem as "armas femininas", além da sensualidade, como a percepção mais sensível e perspicaz da vaidade, do medo, da intolerância que fazem frequentemente da mulher uma interlocutora mais hábil.
Por que ela não utilizaria, do jeito que as coisas são e enquanto durarem, uma das mil qualidades e possibilidades que tem?
Quão bom seria se, em vez de propagandas que põem uma âncora no nosso pé, não utilizassem a imagem de Gisele, que é uma mulher independente, para mostrar o mundo novo e engraçado que essas mulheres estão criando.
Gisele pode pagar seu cartão de crédito e de quantos maridos tiver. Com a criatividade do quilate da peça em debate e sem estereótipos machistas, poderiam vender até mais calcinhas e sutiãs. O que certamente ajudaria a reforçar, cada vez mais, de forma positiva, esse gigantesco mercado feminino de consumo.
Falta um olhar para essa nova mulher, falta ousadia, falta ajudar a chegar no século 21.
Continuando, mude a Gisele para um bonitão. Vejamos: talvez na primeira cena ele teria de vir de bermuda mal ajambrada, com um copo de cerveja e, nesse momento, apareceria "Errado".
Depois, ele apareceria como? Um bonitão, um cara de inteligente, de gentil/doce, de intelectual... Ih! A mulherada é bem mais complexa. Este novo comercial, no masculino, não daria certo. Preconceito?

CUEACA É PERMITIDO



FERNANDO DE BARROS E SILVA - Do malufismo à malufização


Do malufismo à malufização
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 01/09/11

SÃO PAULO - O STF abriu mais uma ação penal contra Paulo Maluf. Agora ele é réu com outras dez pessoas (mulher e filhos inclusos), acusado de lavar quase US$ 1 bilhão no exterior. O valor é superior ao PIB de Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, por exemplo. Maluf lembra mesmo um ditador africano.
Os indícios são de que a dinheirama foi desviada de obras públicas durante a gestão na prefeitura, de 1993 a 1996. Bem avaliado, Maluf tinha, àquela altura, pretensões de ser candidato à Presidência.
O fiasco da administração Celso Pitta, seu pupilo, e a derrota para Mário Covas, em 1998, marcam o ponto de inflexão em sua carreira. Em 2000, derrotado por Marta, ainda chegou ao segundo turno, sete mil votos à frente de Alckmin. Mas a sua trajetória já era declinante. Desde então, Maluf só consegue reinar nas eleições ao Legislativo, o que lhe dá imunidade parlamentar.
Há muitos anos essa figura autoritária da antiga direita está associada às páginas policiais. Grudou em Maluf o bordão pelo qual Adhemar de Barros ficou celebrizado.
Mas nem a atrofia do malufismo nem as acusações que pesam sobre o personagem são suficientes para fazer dele carta fora do baralho.
No governo Alckmin, o titular da CDHU -área propícia à prática do malufismo- foi indicado por ele. Maluf também mantém relações estreitas com expoentes do PT e negocia com o partido várias alianças em cidades do interior para 2012. Entre os políticos, o réu do STF ainda tem ótimo trânsito e goza de prestígio.
De alguma maneira, assistimos nos últimos anos à malufização do PSDB e do PT. Não significa que sejam todos iguais, mas que a distância entre eles diminuiu. Significa ainda que os partidos de quem se poderia esperar algum compromisso ético, feitas as contas, toleram e patrocinam qualquer negócio. A degradação moral dos "progressistas" e a avacalhação generalizada da política não são obra de Paulo Maluf.

MÔNICA BERGAMO - JUNTA TUDO



JUNTA TUDO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 01/10/11

O governo de SP planeja um programa para desburocratizar o processo de abertura de empresas. As medidas incluirão até a mudança da sede da Junta Comercial do Estado, hoje na Barra Funda, para um prédio no Centro no primeiro semestre de 2012.

CARIMBO VIRTUAL
O projeto contará com o apoio da Receita Federal e da Imprensa Oficial, que desenvolverá um sistema para preenchimento on-line do contrato social. Hoje, esse documento precisa ser protocolado fisicamente na Junta, que expede o Nire (número de registro de empresa). O proprietário então leva a papelada à Receita para tirar o CNPJ. A ideia é que tudo seja feito pela internet.

MÃOS À OBRA
A editora Saraiva, por meio do selo Benvirá, assinou contrato com o jornalista e escritor Fernando Morais para editar três obras dele nos próximos oito anos. A estreia será o livro sobre o ex-presidente Lula. Morais viajará com ele nos próximos meses pelo Brasil para finalizar sua pesquisa.

DOIS PONTOS
O conselheiro Marcelo Nobre, do CNJ (Conselho Nacional deJustiça), diz que a palavra "arrependimento" não é a correta para explicar sua posição em relação à nota divulgada pelo colegiado contra declarações de Eliana Calmon, corregedora do órgão. "Nós temos que separar os assuntos: uma coisa é a entrevista desastrosa da ministra. Não me arrependo em relação às críticas feitas na nota às declarações dela. A outra é a defesa das competências do CNJ. Defendo que ele continue recebendo diretamente reclamações dos cidadãos."

TEXTO FINAL
Nobre faz parte do grupo de seis conselheiros do CNJ que divulgará texto para esclarecer o apoio que deram à nota de Peluso contra as declarações de Eliana Calmon de que há "bandidos infiltrados" na magistratura.

DAMA DA LOTAÇÃO
A atriz Dira Paes usou o serviço de uma lotação VIP -com preço a partir de R$ 30- para conseguir deixar a Cidade do Rock às 5h da manhã. "É errado com o público os carros e táxis não poderem ter acesso aos portões. Na hora de ir embora, todo mundo já tá morto. E a gente ainda quer fazer uma Copa do Mundo!", dizia.

TE LIGUEI
Quando Stevie Wonder cantou "I Just Called to Say I Love You", muita gente na plateia do Rock in Rio levantou os celulares para gravar recados para outras pessoas.

CRAVOS
O ator português Paulo Rocha, o Guaracy de "Fina Estampa", da TV Globo, era um dos mais assediados no Rock in Rio anteontem. Na porta de um dos camarotes, as mulheres faziam fila para tirar uma foto com ele. Rocha garante que em sua terra natal o assédio é o mesmo. "A intensidade é igual aqui ou lá. Mas a situação aqui é atípica por causa do tamanho desse evento", disse.

OLHA EU
E em um dos espaços VIP da Cidade do Rock, outro ator da mesma novela tentava ser fotografado ao lado de Marco Pigossi (o Rafael da trama), seu colega de elenco. "Eu também estou na novela", dizia pra quem se aproximava com uma câmera.

ROCK VIP
Personalidades como os atores Marcelo Serrado, Fernanda Rodrigues, Paulo Rocha e Tania Khalill passaram pela área VIP do Rock in Rio, anteontem.

CURTO-CIRCUITO

Caetano Veloso e Maria Gadú cantam no dia 21, às 22h, no Via Funchal. Ingressos de R$ 150 a R$ 350. Classificação: 14 anos.

O livro "Lições da Cidade", organizado pelo vereador José Police Neto, será lançado hoje, das 11h às 14h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

O filme "Garrincha, Alegria do Povo" será exibido amanhã no ciclo "Cinema e Psicanálise", seguido de debate com Ruy Castro. Às 18h, na Cinemateca. Classificação: livre.

A loja de presentes Amoreira, no Alto de Pinheiros, promove hoje, das 10h às 18h, oficina de costura e desafio de futebol de botão para pais e filhos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

GUSTAVO LOYOLA - Não há motivos para pessimismo


Não há motivos para pessimismo
GUSTAVO LOYOLA
O ESTADÃO - 01/10/11

Fazer qualquer previsão sobre o desenlace da crise europeia não é tarefa fácil. Há diversas variáveis em jogo e não pode ser descartada a possibilidade de acidentes de percurso. Mas é possível traçar dois cenários para o problema europeu. No primeiro, o default se circunscreve à Grécia e a Comunidade Europeia consegue isolar os demais países e os sistemas bancários nacionais dos efeitos negativos do calote grego. No cenário alternativo, há default por parte de outros países, com fortes repercussões sobre os bancos europeus, principalmente se Itália e/ou Espanha forem atingidas.

Para que o primeiro cenário se materialize, é necessária a reestruturação ordenada da dívida da Grécia, com vistas a pôr seu endividamento numa trajetória sustentável, ao mesmo tempo que haveria a recapitalização dos bancos afetados. Para os demais países com dificuldades - Portugal, Irlanda, Espanha e Itália -, mas que ainda são solventes, haveria abundantes recursos comunitários para assegurar a liquidez necessária para rolar sua dívida, por meio do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF). Neste caso se estaria aplicando a recomendação de Walter Bagehot no seu célebre livro Lombard Street, segundo a qual é necessário prover liquidez ilimitada aos bancos solventes numa situação de crise financeira. O EFSF serviria de emprestador de última instância, cumprindo um papel que o Banco Central Europeu teria dificuldades estatutárias e conceituais para executar. Apesar das dificuldades políticas e técnicas de implementação das medidas, este é o cenário mais provável, até porque as alternativas são bem mais custosas.

De todo modo, não se deve descartar a possibilidade do cenário alternativo, em que haveria uma crise financeira de grande intensidade, causada pelo default desordenado de países soberanos. Este cenário derivaria da impossibilidade de os países europeus agirem tempestivamente, principalmente em razão de obstáculos políticos. Os líderes europeus seriam atropelados pelos mercados, gerando uma crise financeira aberta, cujo tratamento se daria por medidas isoladas dos países, com baixo grau de coordenação entre eles.

As consequências para o Brasil seriam bem distintas dependendo da ocorrência de cada um desses cenários. No primeiro caso, os efeitos sobre nossa economia se dariam primordialmente pelo canal de comércio, fruto de menor taxa de crescimento da economia mundial. Trata-se de cenário moderadamente desinflacionário que afetaria o crescimento do PIB, mas sem afastá-lo substancialmente de sua trajetória potencial. Neste caso, as preocupações domésticas do Banco Central (BC) estariam ainda mais focadas na inflação, pois a demanda continuaria relativamente aquecida e a inflação de serviços seguiria mostrando forte rigidez para baixo. Não ocorreria o cenário de crise aventado pelo Copom na última ata.

Por sua vez, no cenário de default desordenado, as consequências sobre a economia brasileira tenderiam a se assemelhar aos fatos observados em setembro de 2008, quando da quebra do Lehman Brothers. A propagação da crise para o Brasil viria fundamentalmente da retração da liquidez internacional, com efeitos sobre o crédito doméstico e sobre a confiança dos agentes econômicos. Neste caso, o cenário pessimista do BC se materializaria e estaria justificado o afrouxamento monetário preventivo. Novas ações da autoridade monetária, seja de baixa de juros ou de liberação de recolhimentos compulsórios, deveriam se seguir. Nesta hipótese, o ideal seria um "mix" de política econômica com emprego mais intensivo da política monetária e menor uso da política fiscal, diferentemente do observado em 2008-2009.

Embora neste último caso os efeitos sobre a economia brasileira sejam importantes, os fundamentos macroeconômicos e os instrumentos de política disponíveis dão razoável conforto de que os efeitos da crise serão passageiros, a exemplo do ocorrido em 2009. Em suma, mesmo num cenário mais difícil, não há motivos para pessimismo em relação ao Brasil, exceto se cometidas barbeiragens na condução da política econômica.

GOSTOSA


CELSO MING - A reboque dos fatos


A reboque dos fatos
CELSO MING 
O Estado de S.Paulo - 01/10/11

Duraram pouco os festejos pela aprovação, nos Parlamentos da Finlândia, da Alemanha e da Áustria, da nova versão ampliada do Fundo de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), destinado a prover mais recursos para o socorro aos bancos e aos Tesouros soberanos da área do euro. Ontem foi mais um dia de apreensão.

O EFSF está sendo reforçado, expandido de 250 bilhões de euros para 440 bilhões de euros. E será dotado de mais funções que, em princípio, o tornarão mais ágil. Mas essas alterações chegaram tarde e, mais que tudo, são insuficientes.

É fortemente provável, por exemplo, que a Grécia aplique um calote de uns 50% na sua dívida de 350 bilhões de euros. Embora amplamente esperada, essa decisão tem tudo para deflagrar nova onda de rejeição de títulos públicos dos países mais enfraquecidos: Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Se o EFSF assumir mais atribuições e se puser a recomprar alentada parcela de títulos que ficarão largados no mercado secundário, em alguns meses, as reservas terão ido embora. Nessas condições, a conta será empurrada para o Banco Central Europeu (BCE), que terá de emitir moeda para exercer seu papel de tomador de última instância. E, com um panorama desses, sabe-se lá o que será da inflação do euro e que corcovadas mais darão as cotações das moedas nos mercados de câmbio.

Um dos motivos pelos quais os políticos europeus estão sempre atrasados é a visão distorcida que têm do mercado financeiro. Tendem a tomá-lo como rede de abutres, sempre prontos para tirar proveito próprio, sobretudo, nos momentos de maior vulnerabilidade do sistema. Mas, se pensam assim, por que então se tornaram reféns dele?

O mercado financeiro tem lá suas peculiaridades. Faz parte da sua natureza que os detentores do capital sejam covardes. Fogem ao primeiro sinal de perigo e deixam de dar cobertura aos que antes acolhiam. Mas isso é mais antigo do que a Sé de Braga. O fato é que os governos gastaram os olhos da cara antes, durante e depois da crise, viram-se obrigados a recorrer aos empréstimos bancários para financiar suas despesas correntes e, assim, ficaram altamente dependentes dos seus credores.

Isso não é tudo. Os calotes, que agora parecem inevitáveis, provocarão rombos nos bancos. Como não podem quebrar, sob pena de provocar colapsos sistêmicos e queima de depósitos, poupanças e aplicações do público, os bancos a perigo precisarão, de novo, de socorro oficial. Seria grave erro castigá-los e reduzi-los a fumaça, como aconteceu com o Lehman Brothers.

Dirigentes, políticos e chefes de Estado têm mostrado visão curta. Estão mais empenhados em dourar a pílula e a fazer o jogo do contente do que em identificar problemas e proporcionar soluções adequadas. E estão sempre a reboque dos fatos e do que tem de ser feito.

A propósito, o ex-presidente Lula fez observação especialmente lúcida ontem, durante a conferência promovida pela revista inglesa The Economist: "Nos encontros do Grupo dos 20 (G-20), parece que não existem problemas. Só percebemos que existem pela imprensa".

RENATA LO PRETE - Ponto de combustão


Ponto de combustão
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 01/10/11

O anúncio de uma nova fábrica de automóveis no Rio, a ser feito hoje no Palácio do Planalto, colocará frente a frente Dilma Rousseff e Sérgio Cabral pela primeira vez desde a escalada de temperatura no debate sobre os royalties do petróleo. Nesse período, o governador tentou mais de uma vez resolver o assunto diretamente com a presidente. Mas ela tem repetido que atingiu seu limite na negociação, cabendo agora a Estados produtores e não produtores chegar a um acordo -do qual até o momento não há sinal. Ontem, Cabral disse a integrantes da bancada fluminense estar se preparando "para radicalizar".

Sem-tela 1 Enquanto Aloysio Nunes, excluído das inserções de TV do PSDB paulista, protestou no Twitter, José Serra, outro omitido, queixou-se à direção estadual. Para atendê-los, o partido propôs gravar material a ser veiculado nos próximos meses.

Sem-tela 2 Correligionários de Geraldo Alckmin lembravam ontem: quando ele estava sem mandato (e Serra no governo), também foi submetido a um longo jejum de propaganda partidária.

Pontes Ideli Salvatti (Relações Institucionais) articula encontro entre Dilma Rousseff, cuja relação com o alckmismo já está bem encaminhada, e o serrista Aloysio Nunes. O motivo alegado é o fato de o tucano ter assumido a relatoria da Comissão da Verdade no Senado.

Aviso 1 Insatisfeitos com a conduta do Palácio dos Bandeirantes no escândalo das emendas, deputados da base de Alckmin ameaçam aderir à CPI proposta pelo PT. Foram demovidos na reunião de líderes, mas ainda consideram a hipótese de assinar.

Aviso 2 Os parlamentares alegam que o governo, a quem cabe liberar e fiscalizar os recursos solicitados via Assembleia, tenta se eximir de responsabilidade por quaisquer irregularidades.

Não mexe Dilma determinou que nenhuma diretoria do BB seja transferida de Brasília para São Paulo, na contramão de especulações de que isso poderia ocorrer com áreas como a de marketing. A presidente ficou especialmente contrariada diante de relatos de que o pai da ideia seria Ricardo Berzoini.

É festa 1 Em reunião ontem com prefeitos do ABC, Ideli Salvatti, que já morou na região, confidenciou sentir falta de cachaça de cambuci, fruta típica da Serra do Mar. Sem demora, Luiz Marinho, de São Bernardo do Campo, providenciou garrafa para a ministra, que arregalou os olhos de satisfação.

É festa 2 Ideli aproveitou o compromisso em São Paulo e, em vez de seguir para Santa Catarina, sua base, fez conexão para o Rio, onde assistirá amanhã, ao lado do marido, aos shows de encerramento do Rock in Rio.

Aqui não Pressionados por Lula e pelo PT nacional a apoiar Manuela D"Ávila (PC do B) em Porto Alegre, a seção local do partido promoverá manifestação nesta segunda-feira, sob o lema é "Sou PT, quero votar 13".

Aqui sim De sua parte, o PC do B deixou claro a Lula: a presença do PT na chapa de Manuela é condição essencial para que os comunistas do Brasil entreguem seu modesto porém útil tempo de TV ao candidato petista em SP.

Quarentena Franklin Martins entregará nos próximos dias o primeiro volume de sua obra de história da política brasileira contada por meio da música, trabalho ao qual se dedica desde que deixou o governo.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Quem se dispõe a homenagear um assassino condenado três vezes na Itália deveria no mínimo convidar os parentes das vítimas para participar da cerimônia."

DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA PAULISTANA, FLORIANO PESARO, sobre a proposta, de autoria do colega Juscelino Gadelha (PSB), de concessão de título local de cidadania ao ex-terrorista Cesare Battisti,.

contraponto

Centro cirúrgico


Prestes a abrir, anteontem à noite, a reunião do PSDB em que seriam discutidas as regras das prévias para escolher o candidato do partido à prefeitura paulistana, o presidente estadual, Pedro Tobias, assustou os integrantes do diretório exclamando ao telefone:

-Eu ponho você na faca amanhã!

Atônitos com Tobias, que é médico, os tucanos foram tranquilizados por um assessor presente à mesa:

-Calma, pessoal! Ele está apenas marcando uma cirurgia no hospital em Bauru...

EDITORIAL FOLHA DE SP - Sobre distorções


Sobre distorções
EDITORIAL 
FOLHA DE SP - 01/10/11

Freio no gasto é crucial para corrigir anomalia dos juros altos, mas governo não pode dar chance ao retorno do descontrole de preços

As principais previsões do relatório trimestral do Banco Central sobre a inflação reafirmam o que já se intuía. Há uma chance razoável de estouro do teto de 6,5% da meta para a alta dos preços neste ano. Além disso, a piora da crise econômica nos países desenvolvidos vai dificultar que o país cresça 4%, como almeja o governo.

O aumento da inflação esperada para 2011, de 5,8% para 6,4%, reacendeu as críticas sobre a decisão, tomada pelo Banco Central no fim de agosto, de abater meio ponto percentual da taxa básica de juros, fixando-a em 12% ao ano. Já a previsão de crescimento menor reafirma o entendimento do BC de que o esfriamento da atividade econômica está em curso.

No encontro do FMI, há uma semana, o governo brasileiro demonstrou confiança sobre suas ações recentes. Disse aos investidores que sempre esteve certo -e antes dos outros- no prognóstico pessimista acerca da retomada econômica nas nações desenvolvidas. Enfatizou as "vantagens comparativas" da situação econômica brasileira nesse contexto.

O Brasil, de fato, tem munição para reagir, pois já desfez a maioria das medidas de estímulo emergencial tomadas após o ápice da crise, no final de 2008. O nível de poupança em moeda forte -as chamadas reservas internacionais- e do fundo de contingência para evitar corridas bancárias domésticas supera bastante os indicadores de três anos atrás.

Por fim, ainda há boa margem para cortar os juros básicos.

Como contrapartida para manter a inflação sob controle, membros da equipe econômica asseguraram, em sua passagem por Washington, que desta vez, à diferença do que foi feito em 2008, o governo não embarcará em uma aventura de gastos públicos.

A presidente Dilma Rousseff, discursando ontem em São Paulo, procurou reforçar e completar a mensagem de seus ministros. Numa crítica discreta a seu antecessor, asseverou que o Brasil não pode desperdiçar mais uma oportunidade -novamente oferecida por um quadro de desalento no mundo rico- de corrigir suas distorções macroeconômicas.

A presidente acerta no reparo à gestão Lula, se estiver se referindo ao descasamento entre uma política de gastos desenfreada, do lado fiscal, e uma atitude excessivamente conservadora do BC para baixar juros. Fazer diferente desta vez, portanto, requer uma inversão perfeita dos termos da equação: freio rigoroso nos gastos e impulso no corte de juros.

É importante, contudo, que o governo esteja atento para o comportamento da inflação -e preparado para abortar iniciativas que alimentem altas perigosas de preços. O Brasil não aceita corrigir a distorção dos juros exorbitantes se o custo for o retorno de outra distorção, a inflação descontrolada.

É PT, É LADRÃO


FERNANDO RODRIGUES - A ilusão do sistema perfeito


A ilusão do sistema perfeito
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 01/10/11

O Brasil teve poucos momentos de otimismo como o da volta à democracia depois de 21 anos de ditadura. Amadureceu a ideia de redigir uma nova Constituição. Depois, veio a frustração. A Carta de 1988 foi produzida por um Congresso Constituinte. Os deputados e senadores faziam leis e, ao mesmo tempo, escreviam a Constituição. Lobistas se esbaldaram. A corporação dos advogados é citada 23 vezes, um recorde e um despautério nunca corrigidos.

Logo depois de 1988, a Constituição passou a ser o Judas a ser malhado. Prolixo, com muitos direitos, poucos deveres e sem especificar de onde viriam os recursos, o texto passou a ser o culpado pelo baixo crescimento do país. Roberto Campos (1917-2001) brincava com um trecho do artigo 5º, que garante o “direito à vida”. Espirituoso, dizia: “Vou pedir um habeas corpus preventivo a Deus”.

Agora, o mais novo partido político brasileiro, o PSD, está propondo uma Assembleia Constituinte exclusiva. A sigla de Gilberto Kassab deseja jogar no lixo a Constituição de 1988. Um novo texto será redigido por pessoas escolhidas apenas para essa tarefa em 2014. Teriam um prazo de dois anos. Nascerá (sic) então um outro Brasil.

Devagar com o andor. A Carta atual é defeituosa, mas deu aos brasileiros o seu período mais longo de democracia e de estabilidade econômica em todos os 511 anos de história do país. Uma troca pura e simples por outra Constituição não garante a criação de um sistema perfeito – uma miragem.

É triste, mas no Congresso, quase sempre quando um deputado ou senador tem uma ideia, o Brasil piora. Mesmo representantes exclusivos não ficarão infensos aos lobbies. Será uma dispersão de energia sem chance de produzir algo melhor. Se deseja virar um partido de verdade, a primeira providência para o PSD é enterrar a ideia de convocar uma nova Constituinte.

CLAUDIO HUMBERTO

“O PSDB me ignorou”
SENADOR ALOYSIO NUNES (SP), SOBRE O PARTIDO TÊ-LO “ESQUECIDO” PARA O HORÁRIO DE TV

AMIGO DO BANCO FEZ LOBBY PARA “PRÊMIO” DO ITAÚ 
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) proibiu o Itaú de propagar que é o “mais sustentável do mundo”, título dado pelo International Finance Corporatin (IFC), do Banco Mundial. O idealizador do “prêmio” é o jornalista inglês John Barhan. Ele era editor da revista Latin Finance, em Miami, e, amigo do banco, sempre concedeu o prêmio para o Itaú. Assim que foi contratado pelo IFC ano passado, o Banco Mundial anunciou a honraria para o banco brasileiro.

NA CONTA 
John Barhan vendeu para o IFC a ideia do “prêmio” assim que foi contratado. Curiosamente, o Itaú foi o escolhido sem critérios claros.

LUPA NO EXTRATO 
O Conar descobriu o evidente lobby do inglês amigo do Itaú dentro do Banco Mundial e agora pode multar o banco brasileiro.

EMPURRÔMETRO" 
Com qualidade duvidosa de serviços e técnica do empurrômetro de produtos a clientes, só o Banco Mundial viu “banco sustentável”.

ASSALTO DA DÉCADA 
O Banco Mundial também não soube, provavelmente, que o Itaú tentou esconder o assalto a 170 cofres da agência na Av. Paulista.

FICHA-SUJA ASSINAVA SINDICÂNCIAS NA CODEPLAN 
Presidente demissionário da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Miguel de Lucena anulou ofício de sindicância recente que investigava um grupo por graves irregularidades. Quem assinou parecer inocentando os colegas foi um “ficha-suja” lá dentro, Guilherme Boechat Véo, acusado de irregularidades na prestação de contas da Codeplan em 2005 pelo Tribunal de Contas do DF. Nova sindicância foi instaurada.

ESTOU FORA 
Considerado linha dura, o ex-delegado Miguel Lucena não compactuou com muita coisa errada na Codeplan, corrigiu-as e se demitiu.

VISTA GROSSA 
A sindicância investigava dezenas de servidores na Codeplan desde o governo passado, de Rogério Rosso. Ele também já dirigiu o 
órgão. 

NINHO DO MAL 
A Codeplan foi o ninho das malfeitorias do mensalão do DEM. Foi lá que Durval Barbosa, o delator, começou suas operações político-financeiras.

QUARTETO VASCAÍNO 
Quatro vascaínos roxos se reuniram semana passada em Brasília: os presidentes Ophir Cavalcante (OAB Nacional) e Wadih Damous (OAB-RJ); o ministro Cesar Asfor Rocha, decano do STJ, e Cezar Britto, ex-presidente nacional da OAB. Convictos de que o Vasco será campeão.

TOMÁ LÁ, DÁ CÁ 
A empreiteira Odebrecht sabe investir: doou oficialmente R$ 200 mil para a campanha do governador Sérgio Cabral (PMDB), em 2010, e levou contrato de R$ 860 milhões na reforma do Maracanã.

FEIRA LIVRE 
Um desconhecido engravatado vagueia pelo Cafezinho da Câmara dos Deputados vendendo bugigangas eletrônicas. Atualmente oferece IPad 2 aos parlamentares a preços abaixo do mercado. Muito estranho.

DESCARRILANDO 
O deputado Weliton Prado (PT-MG) reuniu 220 assinaturas e lança 25 de outubro a Frente Parlamentar dos Sistemas Metroviário 
e Ferroviário Nacional. Mais do mesmo. Já existe a Mista do Setor Ferroviário.

BRASIL X EUA 
Segue muito mal a relação da Petrobras e do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) com o governo americano e petroleiras de Houston. Eles vão realizar no Rio a OTC, feira internacional do setor, e não convidaram o IBP, que realiza a Rio Oil & Gás. Empresários prometem boicotar.

NA MIRA 
Convidadas para a OTC, as diretoras Graça Foster (Petrobras) e Magda Chambriard (ANP), se arriscam a levar vaia do setor nacional. Seus nomes surgem como convidadas de honra do evento americano.

CAMPANHA JÁ COMEÇOU 
O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), tem levado vaias públicas de centenas de manifestantes ligados a sindicatos petistas. Ele rompeu com seu vice, o petista Robertinho Ferreira, que quer se lançar.

PERGUNTA COM RESPOSTA 
Ex-bancário, o petista Ricardo Berzoini mal esconde sua aprovação ao esvaziamento da sede do BB em Brasília. Diz que sempre se perguntou por que o banco “precisava ficar em Brasília”. É a lei, deputado.

PERGUNTAR NÃO OFENDE 
O secretário de Segurança do Rio vai propor revisão de cursos e patrimônio só para a Polícia Militar? 

PODER SEM PUDOR
VOTO DECLARADO 
Depois de elogiar a atuação de Osmar Serraglio à ocasião da CPI dos Correios, a então deputada Juíza Denise Frossard (PPS-RJ) confessou que votaria nele, se pudesse, para ministro do Supremo Tribunal Federal. Ao ouvir a declaração, o presidente Delcídio Amaral (PT-MS) provocou: 
– Vote em mim, também, no Mato Grosso do Sul! 
– Só se você votar em mim no Rio de Janeiro – devolveu a deputada. 
– Isto está virando compra de voto – encerrou, rindo, Arnaldo Faria de Sá.

SABADO NOS JORNAIS


O Globo: Chefe da PM surpreende e troca dez no comando

Folha de S. Paulo: Projeto permite segurança privada armada em ônibus

O Estado de S. Paulo: Dilma e Mantega sinalizam que juros podem voltar a cair

Correio Braziliense: Professor de direito mata aluna e entrega o corpo em delegacia

Zero Hora: Mudança na estratégia das detenções reduz lotação de presídios



Estado de Minas: Ensina-me a conviver




sexta-feira, setembro 30, 2011

CLÓVIS ROSSI - No hay gobierno? Soy a favor


No hay gobierno? Soy a favor
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 30/09/11

A Bélgica que a presidente Dilma Rousseff visita a partir de segunda-feira está completando 475 dias sem governo, todo um recorde mundial.

Sem governo é maneira de dizer: seus políticos não conseguiram se entender para formar um gabinete efetivo, depois das eleições de junho do ano passado. Em sendo assim, governo há, mas se trata de uma administração em funções apenas com poder de fogo limitado ao mínimo.

Não obstante, a Bélgica cresceu, no segundo trimestre do ano, mais que a formidável locomotiva chamada Alemanha. Para o conjunto do ano, a previsão é de crescimento de 2%, índice que se poderia chamar de chinês se se levar em conta a anemia econômica da Europa.

As más línguas (ou as boas, você decide) dizem até que o crescimento não é APESAR da ausência tão prolongada de um governo efetivo mas justamente POR CAUSA dela. Explico: como não há um governo com força suficiente para decretar um ajuste fiscal, ação que se tornou obsessiva nos parceiros europeus da Bélgica, não há, em consequência, esse freio à atividade econômica.

Pode ser, pode não ser. Mas, à primeira vista, o país não parece sentir a falta de governo. É verdade que houve, tempos atrás, manifestações públicas cobrando a formação de um gabinete efetivo. Há poucos dias, os oito principais partidos até chegaram a dois acordos em torno de temas que dividiam o mundo político entre os flamengos (holandeses) do Norte, mais ricos, e os valões fracófonos e mais pobres do Sul.

Mais pobres em termos belgo-europeus. Se os pobres brasileiros fossem pobres como os pobres belgas, que beleza, como diria Milton Leite, esse excelente locutor da Sportv.

Não vou entrar em detalhes sobre a divergência, mais antiga que a própria Bélgica e mais chata do que dizem ser o próprio país. Não concordo, diga-se. Um país que tem o volume de informações disponíveis em Bruxelas não consegue ser chato nem que se esforce, mas admito que essa é uma visão pessoal, de alguém absolutamente viciado em informação.

Além disso, com ou sem governo, a Grand Place continua a ser a mais bela praça do mundo, para o meu gosto. Nesta sexta-feira, estava até enfeitada por um mini-piquenique de alunos de primário exibindo o caráter multicultural do país, um negrinho de mãos dadas como uma loirinha, um indiano ao lado de uma branquinha. Não que a xenofobia que está abrindo caminho no mundo esteja ausente da Bélgica, mas o estrago, até agora, é limitado.

Como um país consegue funcionar sem governo? Simples: a administração é tocada por uma burocracia profissional, pouco afetada pelas trocas da superestrutura política. Muda uma camada fina na cúpula, o resto toca a vida, qualquer que seja o partido ou coligação que governe. Agora, por exemplo, discute-se a formação de um governo de unidade nacional formado pelos oito partidos que negociaram o acordo básica que emperrava as discussões.

Enquanto não sai o novo governo, o jornal "Le Soir", o mais importante do lado francófono, divertia-se discutindo o transcendental assunto da falta de um estacionamento para bicicletas no Parlamento. Emocionante, não?

ALON FEUERWERKER - Sempre há esperança

Sempre há esperança
ALON FEUERWERKER
CORREIO BRAZILIENSE - 30/09/11


Já que o governo Dilma parece tentado a romper com a herança maldita da submissão incondicional aos beneficiados pela ciranda financeira, não custa reacender, mais uma vez, a esperança de que possa ir além

Está certíssimo o Banco Central quando recusa ouvir os conselhos para manter os juros lá em cima num quadro internacional de desaceleração e que, segundo a autoridade monetária, deve caminhar para deflação.
E parabéns à presidente Dilma Rousseff por dar sustentação política ao BC nessa caminhada, contra as pressões por um aperto monetário nonsense, em cenário de grande ameaça ao crescimento econômico.
O Banco Central está fazendo agora o que deveria ter feito na passagem de 2008 para 2009.
Aproveitar a onda descendente e reduzir os juros. Para abrir espaço ao investimento e ao consumo privados. E para permitir que o governo faça política fiscal de maneira mais saudável. Gastando menos com juros.
Não tem lá grande efeito prático falar do passado, mas é bom que o BC ajude a colocar um ponto final naquela polêmica de três anos atrás. E este colunista fica em situação confortável, por ter defendido então o que o BC faz agora.
Sem, entretanto, tirar o mérito de quem exigia uma coisa três anos atrás e exige outra hoje, radicalmente oposta. Pois ninguém é dono da verdade. E a flexibilidade para mudar " para melhor " é qualidade, não defeito.
Ainda que o quadro hoje seja muitíssimo menos propício do que era depois da quebra de 2008, quando a demanda caiu a zero e os governos reagiram com uma inundação de liquidez.
Ao que o então BC reagiu, por sua vez, advertindo sobre a ameaça de inflação importada por causa da momentânea desvalorização do real.
Mas agir é sempre preferível a resmungar e o governo brasileiro desta vez está agindo.
O governo Dilma faz uma aposta corajosa.
Se lá na frente a inflação resistir, os de sempre vão colocar a culpa nos motivos de sempre. Vão exigir juros e mais juros.
Vão convenientemente esquecer da inflação dos preços administrados.
Vão esquecer, por exemplo, da indexação absurda nos contratos das concessionárias de serviços públicos, uma herança da privatização que até hoje ninguém teve peito para corrigir.
O PT está há uma década no poder, já ganhou três eleições falando mal da privatização. Mas mexer no vespeiro que é bom, nada.
Já que o governo Dilma parece tentado a romper com a herança maldita da submissão incondicional aos beneficiados pela ciranda financeira, não custa reacender a esperança de que possa ir além.
De que tome coragem para atacar as injustas e injustificadas relações de desigualdade entre os bancos e seus clientes. Injustiça que se traduz numa palavrinha inglesa: spread.
A diferença entre o que o banco paga de juros a quem poupa e o que cobra de quem lhe pede dinheiro emprestado.
Uma diferença que o Brasil calcula multiplicando por dez. O banco chega a cobrar pelo empréstimo dez vezes o que paga ao poupador. Se não for mais.
Isso sem contar as gordas tarifas.
Daí que nossos governantes possam passear pelo mundo cantarolando a saúde do sistema bancário brasileiro, quando na verdade somos todos vítimas de uma doença: a falta de crédito barato e de longo prazo para o cidadão comum.
O brasileiro que não tem amigos no governo e não tem acesso às diversas modalidades de juro subsidiado, especialmente no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Essa massa de gente paga duplamente o pato. Paga no spread abusivo cobrado pelos bancos. E paga nos impostos que o governo repassa ao BNDES para rodar a máquina.

Risco
Diante do sucesso aparente do PSD, os demais ensaiam contra-atacar com a aprovação de uma janela de infidelidade ampla, geral e irrestrita. Para evitar que os insatisfeitos migrem só para o partido do prefeito Gilberto Kassab.
Como desejo é legítimo, mas corre forte risco de cair no Supremo Tribunal Federal.
Onde há a dúvida sobre a legalidade de o Congresso suspender a vigência de norma constitucional, como a que deu base à decisão de 2007 sobre a relação entre os partidos e os mandatos.