quinta-feira, setembro 29, 2011

CONTARDO CALLIGARIS - Aproveitar a vida e suas dores


Aproveitar a vida e suas dores
CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SP - 29/09/11

"Com frequência, em conversas e entrevistas, alguém me pergunta o que penso da felicidade -obviamente, na esperança de que eu espinafre esse "ideal dominante" de nossos tempos.
Na verdade, não sei se a felicidade é mesmo um ideal dominante.
Claro, o casal e a família felizes são estereótipos triviais: "Com esta margarina ou com este carro sua vida se abrirá num sorriso de 'folder' ou de comercial". Mas ninguém leva isso a sério, nem os que declaram que tudo o que querem é ser felizes.
Se alguém levasse a busca da felicidade a sério, ele se drogaria, e não com remédios ou substâncias de efeito incerto e insuficiente: só crack ou heroína -tiros certeiros.
O que resta é a felicidade como tentação, como uma vontade de cair fora, compreensível quando a vida nos castiga muito. Fora isso, minha aspiração dominante não é a de ser feliz: quero viver o que der e vier, comédias, tangos e também tragédias -quanto mais plenamente possível, sem covardia.
Meu ideal de vida é a variedade e a intensidade das experiências, sejam elas alegres ou penosas.
Há indivíduos que pedem para ser medicados preventivamente, de maneira a evitar a dor de um luto iminente. É o contrário do que eu valorizo; penso como Roland Barthes: "Luto. Impossibilidade -indignidade- de confiar a uma droga -sob pretexto de depressão- o sofrimento, como se ele fosse uma doença, uma 'possessão' -uma alienação (algo que nos torna estrangeiros)- enquanto ele é um bem essencial, íntimo...".
O trecho está na pág. 159 de "Diário de Luto", que acaba de ser publicado em português (WMF Martins Fontes, excelente tradução de Leyla Perrone-Moisés).
São as fichas nas quais Barthes registrou sua dor entre outubro de 1977 (a morte da mãe) e setembro de 1979 (poucos meses antes de ele mesmo sofrer um atropelamento cujas consequências seriam fatais).
Logo nestes dias, um amigo meu, Paulo V., está perdendo seu pai. Ele me escreve, consternado, que "nada sobrará" do pai: uma cadeira vazia, gavetas de roupas e papéis e que mais? A lembrança se perderá com a vida do filho, que não lhe deu netos e de quem também nada sobrará. A resposta que encontro, para meu amigo, é uma questão: por que uma vida não se bastaria, mesmo que não sobre nada e, a médio prazo, ninguém se lembre?
Barthes se pergunta se ele estaria escrevendo "para combater a dilaceração do esquecimento na medida que ele se anuncia como absoluto. O -em breve- 'nenhum rastro', em parte alguma, em ninguém" (pág. 110). Mas suas anotações não são um monumento fúnebre para a mãe.
Para Barthes, escrever é o jeito de abraçar a experiência, de vivê-la plenamente. Ele se revolta contra as distrações e as explicações consolatórias dos amigos; recusa as teorias que lhe prometeriam um bom decurso de seu luto ("Não dizer luto. É psicanalítico demais. Não estou de luto. Estou triste") e foge, embora a contragosto, das crenças que apaziguariam a dor ("que barbárie não acreditar nas almas -na imortalidade das almas! Que verdade imbecil é o materialismo!").
Enfim, Barthes chega quase a recear que o luto acabe, como se, além da mãe adorada, ele temesse perder também, aos poucos, sua experiência dessa perda.
Meses depois da morte dos meus pais, havia momentos em que eu lamentava que meus afetos e pensamentos voltassem "ao normal", como se minha vida fosse mais pobre sem aquela dor. E havia outros em que, de repente, um detalhe me fisgava, até às lágrimas. Esses momentos eu acolhia com alegria.
Como Barthes anota, a dor do luto pode deixar de ser o afeto dominante, mas ela sempre volta, com a mesma força: "O luto não se desgasta porque não é contínuo" (pág. 92).
Falando em "detalhes" que fisgam, as anotações de Barthes reabriram a ferida de quando ele morreu, mais de 30 anos atrás.
De que sinto mais falta? Do timbre de sua voz e de duas coisas que, de uma certa forma, faziam parte do timbre de sua voz.
Sinto falta de seu gosto pela inconsistência das ideias e dos saberes ("proporcionalmente à consistência desse sistema, sinto-me excluído dele", pág. 73).
E sinto falta de sua coragem para falar a partir da singularidade de sua experiência, sem a menor pretensão de erigi-la numa generalidade que valha para os outros.
Em suma, sinto falta dele, mas não é só que eu sinto falta dele, é que ele, ainda hoje, faz falta."

GOSTOSA


JOSÉ BOTAFOGO GONÇALVES - No ritmo do tango


No ritmo do tango
JOSÉ BOTAFOGO GONÇALVES
O Globo - 29/09/2011

O recente pacote de medidas adotado pelo Governo brasileiro para conter as importações crescentes de veículos asiáticos parece ter sido inspirado, na sua filosofia, mais em Buenos Aires do que em Brasília, por motivos que a seguir são expostos.

As autoridades econômicas brasileiras justificaram o pacote alegando a necessidade de proteger a criação de empregos no Brasil, pressupondo que cada carro importado gere empregos no exterior, e cada carro exportado gere empregos no Brasil.

Com tal objetivo, as autoridades econômicas adotaram dois instrumentos, a saber, o aumento do custo de importação e o aumento do índice de nacionalização do veículo. Segundo tal raciocínio, o real valorizado nada tem a ver com as condições macroeconômicas brasileiras, mas sim é o resultado de manipulações cambiais provocadas por forças ocultas (talvez os países desenvolvidos; talvez a China) com o objetivo de desindustrializar o país através da prática de concorrência desleal.

O castigo fiscal não se aplicará se a empresa importadora garantir um índice de nacionalização de 65% associado a mais investimento em inovação tecnológica.

A Argentina vem, a décadas, praticando esse tipo de política, só que no caso portenho o alvo eram as exportações industriais brasileiras.

As desvalorizações cambiais brasileiras, especialmente a de 1999, eram de caráter competitivo e visavam a desindustrializar a Argentina para puro benefício das empresas paulistas. As restrições às importações brasileiras se justificavam como corretivas da competição desleal, seja via taxa de cambio, seja via financiamentos "subsidiados" do BNDES.

Hoje, num curioso passe de mágica, o Governo brasileiro optou por adotar, como antídoto à crescente importação de veículos asiáticos, o mesmo princípio ativo do velho protecionismo comercial que "los hermanos" sistematicamente nos aplicam nos últimos anos.

A inspiração portenha não para aí. Dizem os jornais que as autoridades fazendárias querem propor, em escala mundial, via OMC, um sistema de "gatilho cambial", que seria disparado cada vez que as cotações de uma moeda nacional ultrapassassem limites razoáveis de uma banda de flutuações.

O "gatilho cambial" esteve presente na pauta das discussões bilaterais argentino-brasileiras desde os tempos do ministro Domingo Cavallo, nos anos 90, o genial formulador da paridade cambial argentina, de triste e melancólica memória.

Mesmo após a eclosão da crise argentina em 2002 e o fim da paridade cambial, a ideia da adoção de um mecanismo de compensação tarifária pelas continuadas desvalorizações brasileiras continuava presente nas conversas bilaterais. O Plano Real, o controle da inflação e a valorização do real em nada arrefeceram o fervor protecionista argentino.

A lição a tirar-se deste "surto" protecionista brasileiro é clara: no mundo globalizado de hoje, o que se almeja são o aumento da produtividade e o consequente incremento da competitividade no nível mundial.

O aumento de impostos de importação, ou o aumento de impostos internos, ou o aumento dos índices de nacionalização de elos da cadeia produtiva, têm aritmeticamente o efeito oposto ao desejado, que é o de aumentar a competitividade da indústria nacional. Os ganhos de curto prazo, via proteção fiscal, são largamente neutralizados pelo aumento da ineficácia competitiva do produto industrial.

Vamos defender o emprego dos brasileiros? Sim, para tanto, vamos reduzir o Custo Brasil para podermos exportar mais produtos industriais, em vez de brigar com os importadores e consumidores brasileiros de veículos asiáticos.

MÔNICA BERGAMO - VIROU MAIONESE


VIROU MAIONESE
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 29/09/11

Uma pesquisa feita com 600 pacientes do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia mostra que mesmo pessoas que têm pressão alta, sobrepeso, colesterol alto e diabetes e deveriam se informar bem sobre os alimentos não leem os rótulos dos produtos industrializados: só 30% têm esse hábito. Revela também que mesmo os que buscam dados não sabem identificar corretamente as substâncias.

SOPA...
A maionese, por exemplo, aparece em terceiro lugar no ranking de produtos apontados pelos consumidores como nocivos à saúde -atrás de bolachas e manteiga: 80% acham que ela tem elevada quantidade de colesterol e de gordura saturada. Segundo o médico Daniel Magnoni, coordenador do trabalho, a versão industrializada não tem colesterol e possui substâncias saudáveis como Ômega 3 e gordura poli-insaturada.

... DE LETRINHAS
Magnoni afirma que os entrevistados confundem o tipo de gordura que podem consumir -acreditam, por exemplo, que a gordura saturada faz bem. Para o médico, a solução é adotar linguagem mais fácil nos rótulos.

RECEITA DE BOLO
O site do deputado Paulinho da Força (PDT-SP) publica hoje texto de José Dirceu (PT-SP) defendendo o projeto de reforma política do petista Henrique Fontana. Defende o financiamento público de campanha e voto proporcional misto (no candidato e em uma lista do partido).

BARBEADOR Os apresentadores Bento Ribeiro e Marcelo Adnet brincam de se depilar em campanha do VMB, prêmio da MTV que será no dia 20 de outubro; Adnet comandará o evento no palco, e Bento, na internet

EM NOME DELES
Os artistas americanos Tom Sachs e Jeff Koons foram à abertura da mostra "Em Nome dos Artistas", anteontem, na Bienal.

PALAVRAS DE VALOR
Os atores Du Moscovis e Letícia Colin estrearam a peça infantil
"O Menino que Vendia Palavras", no Teatro Frei Caneca, em São Paulo.

VERDE-AMARELO
Torcedores do Palmeiras vão distribuir 20 mil dentaduras de papelão com sorrisos amarelos no próximo jogo do time, no sábado. É um protesto contra os incentivos governamentais que serão dados à construção do Itaquerão, enquanto a arena do Palmeiras será feita só com recursos privados. "O torcedor é cidadão e eleitor. Exija igualdade de incentivos para construir o seu estádio", diz o texto da ação.

TE QUERO VERDE
Uma rede de hotéis e duas empresas de estacionamento procuraram a WTorre, que está construindo o estádio do Palmeiras, para prospectar terrenos nas proximidades da arena. Queriam ter empreendimentos vizinhos do campo. Os altos preços dos lotes na região -os donos de pequenas residências estariam até pedindo R$ 1 milhão por elas- desestimularam as conversas.

FESTA NO BARCO
Um dos destaques da feira São Paulo Boat Show, que acontece em outubro na cidade, é uma lancha brasileira de R$ 900 mil.

A embarcação tem três camarotes para até seis pessoas cada um.

ESPECIALISTAS
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai participar, sem cachê, de um seminário da Fundação Estudar, no dia 3, no Insper.

Também foram convidados para o debate personalidades conhecidas da Universidade Yale, dos EUA, como o segundo reitor Peter Salovey, criador do conceito de inteligência emocional.

CURTO-CIRCUITO

Frei Betto lança hoje, às 19h, o livro "Minas do Ouro", no Sesc Vila Mariana.

Amir Slama desfila coleção para convidadas da São Paulo Accueil, hoje, na loja da Oscar Freire.

O filme "Meu País" terá pré-estreia para convidados hoje, às 21h, no Cinemark do Iguatemi. 12 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

RIBAMAR OLIVEIRA - A receita extra para 2012 já está elevada


A receita extra para 2012 já está elevada
RIBAMAR OLIVEIRA
VALOR ECONÔMICO - 29/09/11


Com o desaquecimento em curso da economia mundial, é muito pouco provável que o preço médio do petróleo Brent fique em USS$ 111,64 por barril no próximo ano, como está projetado na proposta orçamentária para 2012 encaminhada pelo governo ao Congresso. Os contratos do Brent para dezembro foram negociados ontem em US$ 102,56 o barril, em queda. É improvável também que a economia brasileira cresça 5%, que a taxa Selic fique, em média, em 12,45% e que a oscilação da taxa de câmbio seja de apenas 1,97%.

A grade de parâmetros utilizada para a elaboração da proposta orçamentária - definida no dia 21 de julho pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda - ainda não refletiu o agravamento da crise internacional, que o Comitê de Política Monetária (Copom) utilizou como o principal argumento para reduzir a taxa de juro, em sua última reunião.

O cenário externo apresentado pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, terça-feira, mostra a possibilidade de recessão na Europa no quarto trimestre deste ano e nos Estados Unidos, no primeiro trimestre do ano que vem.

O mundo enfrentará problemas econômicos sérios nos próximos meses e, acertadamente, o governo está chamando a atenção para eles. Nesse cenário, não é razoável falar em crescimento de 5% da economia brasileira em 2012, quando, este ano, o próprio governo já admite que a expansão não chegará a 4%.

No dia 21 de novembro, o governo deverá encaminhar ao Congresso a sua nova grade de parâmetros econômicos. Com base nos novos elementos, os parlamentares definirão as projeções das receitas orçamentárias para 2012. Alguns podem achar que isso é pouco relevante, pois os senadores e deputados costumam inflar as receitas para acomodar as suas emendas ao Orçamento. É bom lembrar que em outubro de 2008, no auge da crise financeira internacional, os parlamentares aceitaram rever as previsões que já tinham feito para as receitas em 2009, deixando-as abaixo da proposta inicial encaminhada pelo governo.

O fato é que as projeções das receitas para 2012, que constam da proposta orçamentária, não parecem adequadas, pois foram elaboradas com base em um cenário econômico improvável. Em novembro, o quadro internacional estará, certamente, mais definido e será possível avaliar com um pouco mais de precisão o comportamento das principais variáveis econômicas para o próximo ano. De qualquer maneira, é provável que a receita da União em 2012 cresça menos do que o projetado inicialmente pelo governo.

A proposta orçamentária para 2012 prevê um superávit primário do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) de apenas R$ 71,4 bilhões, pois a presidente Dilma Rousseff aceitou descontar R$ 25,6 bilhões da meta fiscal original de R$ 97 bilhões. O desconto foi por conta dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Portanto, se quiser obter a "meta cheia" de R$ 97 bilhões de superávit, o governo terá que contingenciar a sua própria proposta em R$ 25,6 bilhões. Ou, então, descobrir uma maneira de elevar a arrecadação.

O problema será obter mais esta receita extra, pois a projeção de R$ 707,8 bilhões para a receita administrada pela Secretaria da Receita Federal (RFB) em 2012, além de ter sido elaborada com os parâmetros de uma economia em forte expansão, incorporou uma estimativa de "receitas extraordinárias" de R$ 18 bilhões, de acordo com as informações complementares à proposta orçamentária, que foram encaminhadas pelo governo ao Congresso há alguns dias. Os R$ 18 bilhões são as chamadas receitas imprevistas, que resultam de decisões judiciais, de antecipações de pagamentos de tributos etc.

A proposta orçamentária para 2011 foi elaborada com a previsão de R$ 31 bilhões em receitas extras. Essa estimativa foi, no decreto de contingenciamento de março, reduzida para R$ 12,5 bilhões. Somente em junho e julho deste ano, no entanto, a arrecadação atípica da RFB foi de R$ 14,8 bilhões, que decorreu de antecipações de pagamentos feitos por empresas por conta do chamado Refis da Crise e do pagamento da Vale, no montante de R$ 5,8 bilhões, referentes a débitos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Houve nova arrecadação atípica em agosto de R$ 2,8 bilhões.

É provável, portanto, que a previsão de receita extra para 2012 esteja próxima daquela que ocorrerá este ano. Isto indicaria que não há uma margem de expansão dessa arrecadação atípica, que resolva os problemas orçamentários de 2012. A menos, claro, que o governo decida fazer aquilo que adiou este ano: uma nova rodada de licitação de áreas do pré-sal.

No fim do ano passado, os parlamentares tentaram incluir, no Orçamento de 2011, uma receita de R$ 20 bilhões proveniente da licitação do pré-sal. Chegaram a discutir essa questão com o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima. Mas o governo terminou convencendo os parlamentares de que não iria fazer essa licitação este ano. Nada impede que isso seja feito em 2012, principalmente se for aprovada a lei que define a partilha do royalties entre a União, os Estados e os municípios. Com esses R$ 20 bilhões do pré-sal, os técnicos acreditam que o governo cumprirá a "meta cheia" de superávit.

INVESTIGAÇÃO NO BRAZIU 3



RENATA LO PRETE - Livre concorrência


Livre concorrência
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 29/09/11

O potencial de atração do recém-criado PSD ressuscitou, nos bastidores da Câmara, uma articulação para aprovar uma janela de troca partidária. O objetivo é quebrar a reserva de mercado da infidelidade estabelecida pela sigla de Gilberto Kassab.
Quem quiser ser candidato em 2012 precisa se filiar até 7 de outubro. Mas detentores de mandato que não concorrerão têm 30 dias para aderir ao novo partido sem risco de cassação. "Quanto mais deputados migrarem para o PSD, mais chances temos de votar a janela", resume um padrinho da iniciativa. O tema foi discutido em reunião com PT e PMDB sobre reforma política.
Ninguém... Estão no radar do PSD os deputados Danrlei (PTB-RS), Átila Lins (PMDB-AM), Wladimir Costa (PMDB-PA), Mandetta (DEM-MS), Alexandre Leite (DEM-SP) e Heuler Cruvinel (DEM-GO). No Senado, há tratativas com Jayme Campos (DEM-MT), Blairo Maggi (PR-MT) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

...é de ninguém O DEM tenta manter ao menos 27 deputados. A cúpula do PSD, porém, não vê a menor chance de a sigla de origem de Kassab conservar mais de 20.

Validade Ainda que ACM Neto (BA) negue peremptoriamente, quem conhece bem o líder afirma que ele não fica no DEM depois de 2012.

Tenho dito A sigla de Kassab votará a favor do projeto que prorroga a DRU, prioridade maior de Dilma no Congresso. "Não faria sentido eu, que apoiei a medida em outros governos, ser contra agora", diz o prefeito.

Fui Inviabilizado com a cúpula de seu atual partido, o deputado Sandro Mabel (PR-GO) desembarcará no PMDB.

Bicadas 1 Em clima belicoso, o PSDB-SP começa hoje a regulamentar as prévias que definirão seu candidato à prefeitura paulistana. Os postulantes divergem quanto ao colégio eleitoral. Diante do impasse, a direção estadual deve aprovar apenas diretrizes gerais do processo.

Bicadas 2 Andrea Matarazzo, Bruno Covas e Ricardo Tripoli defendem que votem todos os filiados da capital, cerca de 20 mil. Influente na Executiva, José Aníbal quer limitar a participação a delegados e dirigentes.

Em chamas 1 O impasse em torno dos royalties do petróleo só cresce no Senado. Os Estados produtores, Rio à frente, prometem liderar obstrução na próxima terça para que não seja votado texto sobre a matéria que conta com a boa vontade do Planalto.

Em chamas 2 Os senadores estão incomodados com a distância da encrenca mantida pela presidente. Recentemente, um aliado ligou para Dilma pedindo que ela recebesse os Estados produtores. "Este assunto está com o Mantega e o Lobão", esquivou-se a petista.

Memória Edinho Araújo (PMDB-SP), relator da Comissão da Verdade, iniciou sua trajetória política na Arena, partido de sustentação da ditadura militar. Elegeu-se prefeito de Santa Fé do Sul (SP) pela sigla em 1976.

Hits Durante sessão na qual o Conselho de Ética da Câmara arquivou a denúncia de quebra de decoro contra Valdemar da Costa Neto (PR-SP), Guilherme Mussi (PV-SP) fez pouco de Ivan Valente (PSOL-SP), que pretendia questionar o vereador paulistano Agnaldo Timóteo sobre o a propina na Feira da Madrugada: "Se você quer tanto ouvi-lo, empresto o CD".

Novela Em negociação liderada por Campos Machado, o PTB paulistano tenta a filiação da atriz Luíza Thomé.
com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

Tiroteio
"Geraldo Alckmin age como um fariseu. Para o público, prega transparência. Na prática, nunca permitiu mecanismos de controle das emendas parlamentares."
DO DEPUTADO SIMÃO PEDRO (PT), sobre a promessa do governador paulista de divulgar os autores das indicações ao Orçamento, feita depois da denúncia de suposta venda de emendas na Assembleia Legislativa.

Contraponto

É você!


Durante votação do projeto que cria a Comissão da Verdade, na semana passada, Chico Alencar (PSOL-RJ) comemorava ao microfone do plenário da Câmara a unanimidade simbólica -nenhum partido foi, como um todo, contrário à proposta:
-Sem nenhum voto contrário declarado, presidente!
Jair Bolsonaro (PP-RJ) reagiu no estilo habitual:
-Nada disso, palhaço! Sei da sua intenção, palhaço!
Antes de Tiririca (PR-SP) achar que era o alvo dos gritos, Marco Maia (PT-RS) mandou desligar os microfones.

CLÁUDIO DELL’ORTO - Questão de competência


Questão de competência
CLÁUDIO DELL’ORTO
O GLOBO - 29/09/11 

A grande conquista da modernidade, a partir de lutas que remontam ao “Bill of Rights” que foi imposto contra a tirania de João Sem Terra, na Inglaterra do século XIII, foi a despersonalização do exercício do poder. O estado social-democrático de direito, adotado pelo povo brasileiro através da Assembleia Constituinte que encerrou seus trabalhos em 1988, fundamenta-se em princípio fundamental que reconhece ser o povo a fonte material de todo poder. Tal poder se acomoda em normas que se extraem da própria Constituição e das leis. A organização estatal, portanto, exige respeito às normas jurídicas filtradas a partir do texto da Constituição da República.

Nenhum órgão ou autoridade republicana possui autorização para descumprir os comandos inseridos na própria Constituição, sob pena de perder sua legitimidade. A Associação dos Magistrados Brasileiros, ao afirmar perante o Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da resolução 135 do CNJ, que estabeleceu regras para o processo disciplinar em face de magistrados, está defendendo o interesse republicano. A sociedade teria maior sensação de insegurança caso um magistrado fosse punido pelo Conselho Nacional de Justiça e individualmente questionasse judicialmente a nulidade da sanção que lhe fosse aplicada e obtivesse, no caso individualizado, a vitória.

Restaria a impressão de que havia um magistrado culpado por desvio comportamental que teria obtido uma benesse judicial, ou seja, seria lançada sobre o próprio Judiciário a pecha de corporativista ao fazer cumprir, no caso concreto, a Constituição. Necessário, portanto, o exame prévio da constitucionalidade da própria resolução e dos limites da atuação do CNJ para que não sejam aplicadas sanções nulas.

Quando a AMB afirma perante o Supremo que o CNJ não pode definir regras para o sancionamento de magistrados, porque tal competência é exclusiva do Congresso Nacional através de lei complementar, está defendendo toda a sociedade contra eventual usurpação de competências, mesmo que realizada com a melhor das intenções. Maior tranquilidade terá o povo brasileiro quando os comandos constitucionais forem observados por todas as esferas de poder estatal, principalmente pelo CNJ, que é um órgão com competências definidas na Constituição Federal.

A Constituição adota como cláusula pétrea o pacto federativo para os três poderes estatais. Os poderes judiciários dos estados membros da federação brasilleira não perderam o dever de controlar administrativamente a atuação dos seus membros, cabendo, nos termos da Constituição Federal, a atuação subsidiária do CNJ.

Pensar ao contrário poderia inviabilizar a atuação do próprio Conselho Nacional de Justiça que passaria a centralizar todas as eventuais reclamações em face dos mais de quinze mil magistrados de todo o Brasil. As associações de magistrados estão interessadas na melhor qualificação de seus membros para que possam solucionar os conflitos de interesses e pacificar as relações sociais da maneira mais rápida e eficiente.

CLÁUDIO DELL’ORTO é desembargador do Tribunal de Justiça do Rio e secretário de Direitos e Prerrogativas da Associação dos Magistrados Brasileiros.

JOSÉ SIMÃO - PSD! Partido Social dos Defuntos!


PSD! Partido Social dos Defuntos! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 29/09/11

Kassab diz que o partido é de centro. Só se for de centro espírita. Até morto eles filiaram nesse PSD!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E adorei a manchete do jornal "Expresso de Natal": "Secretaria de Agricultura de Cerro Corá recebe Reto Escavadeira". Reto Escavadeira? Vão escavar o fiofó de quem lá em Natal? Rarará!
E o Brasil acorda com um partido novo, ops, novelho! "Justiça aprova o PSD, novo partido do Kassab".
Kassab, vulgo Seu Barriga. Ele não parece o Seu Barriga do Chaves? Kassab diz que o partido é de centro.
Só se for de centro espírita. Até morto eles filiaram nesse PSD! PSD é o Partido Social dos Defuntos.
Rarará! Eu nunca vi tanto defunto em pé! PSD quer dizer Partido Sem Direção! E como todo partido é criado para repartir, devia se chamar repartido. O Repartido do Kassab!
E esse Center Norte vazando gás metano? Vai ter uma explosão de vendas. Center Norte vaza gás e promove explosão de vendas! Rarará!
E a rodada de manchetes dos sites de humor. Manchete do Sensacionalista: "Fila pra comprar sanduíche para o Rock in Rio 2013 já começou". Piauí Herald: "Roberto Medina pede na ONU que se reconheça a Cidade do Rock como Estado independente". E o Eramos6: "Palmeiras pede à ONU que reconheça seu estado de calamidade". Rarará! ONU reconhece o Estado de Calamidade do Palmeiras! É mole? É mole, mas sobe!E a Grécia?! Acabou o churrasco grego. Por isso que o povo tá tão revoltado. Acabou a carne pro churrasco grego.
E pra tentar sair da crise, eles vão criar uma coisa inédita: lançar um novo imposto imobiliário. Imposto imobiliário? Já sei, IPTU na Acrópole! A Acrópole vai ter que pagar IPTU! Devia ser o IPG, Imposto Presente de Grego!
E o nome do primeiro-ministro da Grécia? Papandreou. Eu acho que ele papandreou a grana toda! O dinheiro acabou, nós papandreamos a Grécia. Rarará!
E eu já disse que eles não se entendem porque só falam grego. Imagine o primeiro-ministro pro povo: "Nós vamos criar mais um imposto, entenderam ou eu estou falando grego?". Rarará! Velhas ideias para velhos problemas. Num país em ruínas e famoso pelas ruínas, eles aumentam o IPTU! Vão pagar por coluna! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

GOSTOSA


LOURDES SOLA - O BC e a subversão dos fatos-a mais longa marcha


O BC e a subversão dos fatos-a mais longa marcha
LOURDES SOLA
O ESTADÃO - 29/09/11

Volta à cena um velho espectro que mercados e analistas julgavam exorcizado desde 1999

Os Fatos são Subversivos é o título de um livro de Garton Ash, um dos mais lúcidos "historiadores do presente". É um chamado à responsabilidade histórica dos formuladores de políticas públicas que se valem de conjunturas de grande incerteza para fazer valer suas prioridades. "Os fatos são subversivos (...) porque subvertem os argumentos dos líderes democráticos eleitos tanto quanto dos ditadores (...), porque subvertem as mentiras, as meias-verdades e os mitos de todos aqueles de fala fácil".

O argumento reporta- se a um contexto de incerteza ainda mais extremo do que o atual cenário econômico.

Mira as mentiras e meias-verdades oficiais que levaram o povo e o Congresso americanos a legitimar a invasão do Iraque e à guerra no Afeganistão em resposta ao 11 de Setembro.

Sem esses recursos, retóricos, mas nada inofensivos, a História mundial teria sido outra.

O que dá um sentido trágico a essa constatação é a impossibilidade de reverter o que foi consumado com apoio em meias-verdades e mitos.

Restam dois recursos corretivos: as lições de História que os fatos propiciam e a oportunidade para uma correção de rumos. Mesmo assim, há uma boa dose de otimismo na constatação de Garton Ash, porque ancorada num suposto forte: a vigência de instituições democráticas e de uma mídia investigativa, graças às quais cedo ou tarde os fatos virão à luz. No essencial, tem razão, pois toda tentativa de impedir que os fatos venham à tona traz à luz também um déficit democrático. Que as decisões da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ilustram.

Ao subtrair da agenda pública a disparidade entre a taxa oficial e a taxa efetiva da inflação, com medidas legais restritivas à autonomia de consultores e jornalistas, lança luz sobre a subordinação do Judiciário ao Executivo - e sobre indícios anteriores de regressão autoritária.

No novo contexto de incerteza global voltam a entrarem pauta entre emergentes temas correlatos, como inflação, disciplina fiscal e monetária, papel do mercado interno e crescimento. No Brasil volta à cena um velho espectro - a questão da autonomia do Banco Central (BC) - que os mercados e os analistas julgavam exorcizado desde 1999, graças ao mandato (informal) para exercer sua autoridade no marco de um conjunto de regras e normas, caracterizado como regime de metas de inflação. O debate que se seguiu à redução abrupta da taxa de juros inter bancária dá o que pensar. Há convergência entre analistas quanto aos rumos da política econômica: substituição do regime de metas de inflação por metas ad hoc para a taxa de juros,adoção de uma banda oculta para as variações na taxa de câmbio. Dá o que pensar, também, sobre o modo de fazer política do governo.Por um lado, há elementos que reforçam o contraste entre a nossa trajetória e a da Argentina.

O presidente do BC, o ministro da Fazenda e assessores informais do governo vieram a público legitimar tecnicamente as medidas mencionadas - sob o escrutínio dos seus pares.Com isso atestam a vigência (tênue) de um requisito democrático: a prestação de contas pelos de cisore se a chance de responsabilização futura por suas apostas. Isso compõe o quadro de credibilidade econômica acumulada ao longo dos últimos anos, graças à qual foi afastada a possibilidade de reproduzirmos o padrão errático da Argentina - o "efeito vodca".

Há duas questões intrigantes a respeito.Em que momento de finidor se consolidou a divergência de rumos entre os dois países? Além disso,o argumento sobre a função subversivados fatos pressupõe que, uma vez revelados, a capacidade para elaborá los está dada e bem distribuída.

Seria assim sempre?A resposta à primeira questão é simples: os momentos definidores foram as decisões políticas tomadas em duas encruzilhadas,em resposta aos choques externos de 1999 e 2002-2003. Respectivamente, a adoção do tripé regime de metas de inflação-flutuação cambial superávit primário e a opção pela continuidade em 2002-2003 e nos anos seguintes. Esse rumo é posto em causa pelo governo, de forma concertada e pouco transparente.

Baseia-se na aposta numa crise sistêmica internacional de flacionária,que estaria a exigir políticas fiscal e monetária expansivas aqui e agora. É uma questão em aberto, mas não se esgota nisso. Vale a pena refletir também nos termos de Garton Ash. Na hipótese de que o horizonte de crescimento dos emergentes seja menos negro do que o suposto, quais as chances de que uma nova onda inflacionária em 2012-2013 tenha um efeito subversivo sobre os mitos, as ideologias e meias-verdades de curso oficial? Há razões para ceticismo, estruturais e históricas. As democracias de massa, num mundo globalizado,caracterizam-se pela existência de um hiato entre a democratização das informações, por um lado, e a capacidade de elaborá- las adequadamente, por outro. A experiência da inflação e das flutuações no poder de compra internacional da moeda é imediata, brindada por indicadores diários nos jornais televisivos. Dependemos da intermediação de vários atores sociais para elaborar o que significam - incluídos os que detêm o saber especializado, os ideólogos, os legisladores.

A experiência histórica também justifica o ceticismo. Uma das características da trajetória econômica brasileira é a opção pelo que caracterizo como "fuga para a frente". Diante da falsa disjuntiva estabilidade ou crescimento, reapresentada em encruzilhadas históricas como 1956-1957, ou quando dos choques do petróleo no governo Geisel, ou no Plano Cruzado, recriase um impulso inexorável: por políticas expansionistas, ponto.

Hoje enfrentamos um teste de estresse.

Mas se explica a resistência à institucionalização da autonomia do Banco Central.

É histórica, mas contou com a cumplicidade dos mercados para os quais essa é uma questão residual - até evidência em contrário.

PH.D. EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA UNIVERSIDADE DE OXFORD, PROFESSORA APOSENTADA DA USP, É MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS

MARCIA PELTIER - Mais civis em campo


Mais civis em campo
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 29/09/11

José Ricardo Botelho, titular da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos do Ministério da Justiça, foi recebido pelo ministro Moreira Franco, terça-feira. Em pauta, o aumento da participação da pasta da Justiça na organização da segurança da Copa do Mundo e Olimpíadas. O alarme do Ministério da Justiça soou diante da constatação de que os militares, através do Ministério da Defesa, é quem vão se responsabilizar por toda a segurança da Rio+20, no próximo ano.

Dia cheio 

O pleno do STJ, ou seja, a totalidade dos 33 ministros, se reunirá – fato raro – por duas vezes, hoje. Pela manhã, os ministros concluem diagnóstico que será enviado ao presidente do STF, Cezar Peluso, sobre proposta do ministro Marco Aurélio Mello que sugere dobrar o número de componentes do STJ para aumentar a agilidade dessa corte.

Segunda etapa 

À tarde, escolhem a lista tríplice, formada por integrantes dos tribunais regionais federais, para que a presidente Dilma decida quem vai entrar na vaga do ministro Aldir Passarinho Jr.

Samba e rock 
Os músicos da banda Guns N' Roses, atração mais esperada do próximo domingo no Rock in Rio, deverão conhecer a quadra da escola de samba da Mocidade. Se der tempo, querem ir de van fretada até Padre Miguel para conhecer o Rio que não está nos guias turísticos. Está sendo estudado um grand finale do Rock in Rio, no Palco Mundo, juntando os roqueiros e a bateria da escola. Aliás, apesar de bem mais gorducho e com voz bem menos potente, Axl Rose ainda tem a animação dos velhos tempos: ele e a banda querem festa em algum lugar alternativo, após a apresentação, para no máximo 200 pessoas.

Fazendo a porta 

A montanha russa do Rock in Rio, trazida de Curitiba pela Chilli Beans, deve ser a única no mundo que tem host – ou se preferirem palavras afins, relações-públicas ou door. Quem dá as boas-vindas aos roqueiros e se preocupa em mandá-los tirar bonés e mochilas, para que os acessórios não caiam durante o passeio nas alturas, é Bell Bilys, baiano de 37 anos que veio para o Rio, há cinco, para trabalhar no extinto Atlântico. Bell, que não se importa de estar sendo apelidado pela galera de Michael Jackson ou Ray Charles, está achando tudo super astral e não viu nenhuma violência até agora.

Bocas nervosas 

Nos três primeiros dias do Rock in Rio, a Casa da Empada vendeu mais de 18 mil unidades, que acabaram logo nas três primeiras horas do evento. A meta é aumentar o estoque e triplicar esse número de hoje a domingo. Uma outra grande rede de alimentação, também instalada na Cidade do Rock, chegou a solicitar um número maior de pontos de venda, prevendo a grande demanda, mas não teve sua ideia atendida pela organização do evento.

Para sentir e cheirar 
O cinema 6D será apresentada pela primeira vez, no Rio, durante a 4ª Brasil Game Show, de 7 a 9 de outubro, no Centro de Convenções SulAmérica. Utilizada em grandes estúdios internacionais, a nova e múltipla experiência sensorial será apresentada aos visitantes da feira. Cadeiras especiais vão permitir sentir os aromas e perceber os movimentos da tela de acordo com a imagem projetada. Ainda não é viável implantar esse serviço no país por conta do alto custo.

Branquinha de qualidade 

Produtor de cachaça desde 1999, quando se retirou do TCU, o ex-ministro e porta-voz da presidência no governo João Figueiredo, Carlos Átila, acaba de apresentar aos amigos o mais novo produto de seu alambique. Trata-se de uma bebida extra premium, envelhecida por cinco anos em tonéis de carvalho. A marca, curiosamente, se chama Doministro. Átila milita para que a legislação faça a distinção entre cachaça e aguardente. Segundo ele, só o destilado produzido artesanalmente poderia ser classificado como cachaça.

Em dose dupla 

Até esta semana 21 beldades já se inscreveram na Riotur para o posto de rainha do próximo carnaval e 23 rapazes para o título de Rei Momo. A semifinal para rainha será dia 7, a de Momo dia 11 e a final dos dois concursos dia 28 de outubro, tudo na Cidade do Samba, com portões abertos ao público. Pela primeira vez na história da competição, irmãs gêmeas, duas belas mulatas, disputam o prêmio de R$ 20 mil.

Rede móvel 
Quase dobrou o número de brasileiros que navegam na internet por meio de seus celulares nos últimos meses. Segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações, a alta chegou a 90% de janeiro até o fim de agosto, somando mais de 32 milhões de acessos.

Livre Acesso

Uma delegação de parlamentares do Quênia, país que em agosto passado teve promulgada nova Constituição, visita, hoje, Brasília para tomarem conhecimento da participação pública no processo democrático brasileiro. Os africanos serão recebidos por Marivaldo Pereira, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça.

O arquiteto Chico Vartulli comemora, hoje, aniversário na área vip do Rock in Rio, com bolo do bufê Aquim oferecido para os amigos presentes no espaço organizado por Ruy e Ana Medina.

Além de receberem informações turísticas, os visitantes do estande da Riotur no Rock in Rio aproveitam para dar uma descansada no sofá e ainda tirar fotos com os três painéis de paisagens cariocas - Parque Lage, Cristo Redentor e Praia de Ipanema – ao fundo. A foto revelada é brinde da Kodak. 

A Câmara do Comércio França Brasil realiza hoje, pela manhã, no centro de convenções do Sofitel, o 1º Seminário Desenvolvimento Sustentável na Amazônia Brasileira – Oportunidades de Negócios e de Investimentos.

O cantor, compositor e guitarrista Kiko Zambianchi é a atração de hoje do Espaço MPB no shopping Città America, às 18h30, com entrada franca.

Até domingo, o francês Laurent Dauzou, famoso professor de Iyengar Yoga, estará em Paraty com o grupo Yogastral, participando do Paraty SPA Days.

A Lunetterie reinaugura a loja do Fashion Mall com coquetel, sábado e domingo, assinado pelas chefs Marisol Terlizzi e Michele Arslanian, do Tasting Banquet.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

MIRIAM LEITÃO - Petrobras no vale


Petrobras no vale
MIRIAM LEITÃO 
O GLOBO - 29/09/11

Um ano após a capitalização, as ações da Petrobras ainda não decolaram. Pelo contrário, acumulam perda em dólares de 33% no período, enquanto o preço do petróleo do tipo brent subiu 39%. Os analistas culpam a interferência política na gestão da empresa. Por não poder mexer nos preços da gasolina, a companhia já deixou de arrecadar R$ 1,28 bilhão.

Com a inflação acima do teto da meta, o governo impede a alta do combustível. O consumidor acha que já está caro demais, e subiu mesmo por causa do álcool. A Petrobras não pode repassar para a gasolina o preço do petróleo, o custo da importação nem a alta do dólar, mas eleva os outros combustíveis. O consumo está aumentando com as vendas recordes de carros e o País está subsidiando combustível fóssil. Em 2010, a empresa importava 7 mil barris de gasolina por dia. Este ano, 30 mil.

Pelas contas do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), o prejuízo é de R$ 1,28 bi nos últimos 12 meses. Mas a tendência é que esse número fique maior com a desvalorização do real. A diferença entre o que a empresa paga para importar e o que pode cobrar das distribuidoras fica entre 15% e 20%.

Os analistas afirmam que o peso das decisões do Planalto sobre a gestão da companhia ficou mais evidente. Eles apostavam que, passado o período de incertezas, as ações recuperariam o valor. Isso não aconteceu.

"Influência política sempre existiu na Petrobras. Mas na capitalização isso ficou muito mais explícito. A companhia pagou caro à União pelo barril de petróleo do pré-sal", afirma Marcus Pereira, da Votorantim Corretora.

Os números ilustram essa percepção do mercado. No primeiro cenário, o preço do petróleo sobe, em dólares, as ações da Petrobras caem. O segundo cenário mostra que os papéis da empresa e da OGX do empresário Eike Batista estão entre os piores resultados do setor, no mundo.

"Os grandes investidores deixaram de olhar para o papel com bons olhos", diz Marcus Sequeira, analista do Deutsche Bank.

O ex-diretor da Petrobras Wagner Freire cita outros dois problemas: a mudança de regime de concessão para o de partilha, na exploração do pré-sal, e a obrigatoriedade de contratação de 65% de conteúdo nacional para a produção e exploração de petróleo. "O conteúdo nacional a 65% encarece preços e diminui a concorrência. Se a Petrobras não cumpre, acaba sendo multada. Fora isso, mexeram num modelo de exploração que vinha dando certo e agora a incerteza é muito grande. A exploração do pré-sal continua sendo muito complicada. A Petrobras ficou sobrecarregada", afirma Freire.

A parceria com a venezuelana PDVSA para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é outro projeto político. A petrolífera de Hugo Chávez ainda não deu garantias de que financiará 40% da obra e a Petrobras está sendo obrigada a tocar sozinha o projeto. O custo dessa refinaria é mais alto porque ela foi projetada com dois sistemas, um para o petróleo brasileiro, mais pesado, e outro para o petróleo venezuelano, mais leve.

Diante de um plano de investimentos que supera os US$ 200 bilhões nos próximos cinco anos e tendo que abrir mão de receitas por interferências do seu maior acionista, a União, os investidores acham que investir na Petrobras só é um bom negócio se a perspectiva de retorno for no longo prazo. A favor da companhia estão 16 bilhões de barris de petróleo em reservas comprovadas, montante que poderá triplicar com a exploração do pré-sal.

"A Petrobras tem uma boa perspectiva de retorno, mas num período muito longo, num prazo entre 5 e 10 anos. Para o pequeno investidor, a dica é esperar. Ainda não é o momento de comprar ações da empresa, há opções melhores", afirma Marco Antonio Ozeki, da corretora Coinvalores.

INVESTIGAÇÃO NO BRAZIU 2



ALBERTO TAMER - Crise lá fora não assusta


Crise lá fora não assusta
ALBERTO TAMER
O ESTADÃO - 29/09/11

Não havia ontem sinais mais firmes de que a Eurozona está decidida a adotar medidas ousadas para superar a crise que já dura 20 meses.

Falava-se em um "novo plano", o que aliviou um pouco as tensões, mas apenas por algumas horas. Ninguém se dispõem a assumir prejuízos.

Nem os governos,nem o Banco Central Europeu e nem o FMI que, já disse, tem apenas US$ 384 bilhões de reservas, quase nada diante da necessidade de socorro estimado em mais de US$ 2 trilhões.

A impressão nesta semana era de que a crise externa pode piorar antes de ser superada.

É esse o cenário que não deve se alterar nos próximos meses ou mesmo em 2012. A Europa acordou e diz que vai agir para enfrentar a crise na Eurozona.Foi isso o que os ministros das Finanças sinalizaram ontem, após terem sido pressionados pelo FMI e pelo secretário de Tesouro dos EUA na semana passada.

Crise que se arrasta. As soluções já foram mais do que apontadas pelo FMI-capitalização e liquidez no sistema financeiro europeu - e continuam em promessas que se adiam.Hoje,os ministérios estarão reunidos, mas já se fala que as discussões finais ficariam para outro encontro,marcado para 13 e 14 de outubro e isso dependendo da aprovação ainda duvidosa dos respectivos parlamentos.

Ontem, parecia distante a emissão de euro bonds para assimilar a dívida dos países da Eurozona.

"Não há saída simples e tranquila para o problema da dívida da Eurozona. O debate se volta agora de quanto deve ser o aumento do fundo de reservas e o que estamos vendo é uma perspectiva mais positiva", afirmou ontem o estrategista-chefe do HSBC,Peter Sulivan,menos pessimista, mas cauteloso.

Brasil se antecipou. O Brasil já previa isso e se antecipou a um agravamento das tensões externas, que se acentuam com a inacreditável indecisão na Europa e a dificuldade do governo americano em implementar um plano de crescimento econômico. O presidente do Banco Central esteve na Comissão de Assuntos Econômicos, do Senado, e foi muito claro em sua exposição. A situação externa se deteriorou nos últimos dias, mas não surpreendeu porque os sinais de agravamento dos problemas da economia global eram evidentes.

As maiores economias,inclusive a da China, vão desacelerar mais este ano e não se espera que isso se altere nos primeiros meses do próximo ano.

Esse cenário já constava na última ata do Copom, o que levou o Copom a reduzir o juro básico no dia 31 de agosto. Pode-se dizer que foi uma espécie de" administração de expectativas", que está dando certo.Mas tem a inflação...

Equem tem medo dela?O Banco Central Europeu entrou em "crise existencial" quando os preços aumentaram 2,5%. Uma tragédia! Antes a estagnação atual e a recessão do que a inflação acima da meta de 2% fixada pelo banco.

O Brasil preferiu administrá-la.

Reconhece os riscos,mas decidiu que a prioridade é não crescermenosqueos0,8% do último trimestre, afastando o risco de recessão. Mesmo assim, o PIB brasileiro não para de recuar e o governo terá de fazer um grande esforço para que chegue a 3,7%.

O presidente do BC destinou uma boa parte da sua exposição aos senadores para dizer que a inflação não está fora de controle.

Há chance de que não supere a meta de 6,5% este ano, apesar de estarem7,3% em doze meses, já que deve recuar 1 ponto porcentual nos próximos meses.

O presidente do BC comentou os resultados dos últimos meses. De maio a setembro, o aumento médio dos preços medidos pelo IPCA do IBGE foi de 0,34%. É menor que a média de0, 77% no período de setembro de 2010 a abril de 2011. As pressões inflacionárias internas e externas são menores porque a economia brasileira está crescendo menos e o mundo vai continuar a desacelerar.

A inflação pode bater no tetode6,5% este ano,mas tende a recuar em 2012, mesmo não contando mais com o auxilio de um dólar desvalorizado.

Pode haver novos desafios, um aumento excessivo, mas pouco provável das commodities nesse cenário mundial recessivo.

Mas, para a equipe econômica e a maioria dos analistas, a inflação não fugiu do controle e não é, no momento, o maior risco.

E isso mesmo que passe do teto por alguns meses. Um IPCA de uns pontos porcentuais de 6,5% não é uma tragédia.

Tragédia é o que eles estão vivendo lá fora.

CELSO MING - O roto e o rasgado


O roto e o rasgado
CELSO MING
O ESTADÃO - 29/09/11

Buscar culpados em vez de soluções é prática milenar do ser humano. E é o que se repete agora com a sucessão de recriminações que tomam o noticiário sobre a crise mundial.

Autoridades tanto dos Estados Unidos como da área do euros e dedicam agora a um bate-boca aflitivo que se propõe a descarregar mutuamente sobre o outro lado a culpa pela falta de soluções para a crise.

Em meados de setembro, por exemplo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner, desembarcou na Polônia para um encontro sem precedentes com as autoridades da União Europeia. Lá, desfilou um rosário de queixas sobre a maneira como os líderes do bloco vinham conduzindo a busca de uma saída.

Condenou a adoção de políticas de austeridade, todas recessivas. Em vez delas, então, que os governos da área adotassem políticas de gastança pública- reclamou.No fim da semana passada, durante a assembleia do Fundo Monetário Internacional,em Washington, Geithner redobrou a dose de recriminações e cobrou urgência.

Segunda-feira,foi a vez de o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, reclamar de que "a crise europeia está assustando o mundo". Ele também condenou a lentidão na adoção de políticas destinadas a superar a crise.

As autoridades do outro lado do Atlântico foram bem mais rápidas no gatilho quando se tratou de revidar ao tiroteio.

O primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, importante liderança da União Europeia, disparou: "Nem os desempregados gregos nem os trabalhadores irlandeses quebraram o Lehman Brothers". E acrescentou que as encrencas enfrentadas por Grécia,Irlandae Portugal não se devem à sua participação na zona do euro.

O ministro das Finanças da Alemanha, o durão Wolfgang Schäuble, revidou com outra advertência: "É sempre melhor dar conselhos do que tomar decisões".

E a vice-presidente da Espanha, Elena Salgado,lembrou naTVE(principal emissora do país) que o governo dos Estados Unidos não estava em condições de fazer cobranças assim, por ter fica do paralisado(pela facção republicana do Tea Party) quando da aprovação de propostas para aumentar o teto do endividamento e foi forçado a ceder diante da oposição.

As autoridades se recriminam mutuamente, como fica claro. Mas a cada César o que é de cada César. Os dois lados fizeram e seguem perpetrando lambanças.

As soluções não vêm porque a vontade política em colocá-las em marcha não consegue vencer as resistências.

Até agora, por exemplo, o governo dos Estados Unidos não deu um passo sequer para reduzir as dívidas hipotecárias do consumidor americano - principal razão da paralisia da economia. E, por enquanto,as autoridades da área do euro se mexem apenas para ganhar tempo, não para construir um atalho que tire os Estados quebrados da encalacrada em que estão metidos.

Pela lógica do processo, o problemão sobrará para os grandes bancos centrais.

Serão eles chamados a socorrer, com ilimitadas emissões de moeda, a rede bancária avariada pela sucessão de calotes soberanos que vêm aí. E já se sabe: também serão os bancos centrais os principais alvos dos ataques dos dois lados do Atlântico, se mais adiante a inflação mostrar a cara.

Inolvidable Ontem, o diário madrilenho El Pais noticiou o sucesso do ex-presidente Lula entre os grandes grupos econômicos locais: "Lula, a estrela convidada das empresas espanholas". Ele está sendo a atração, hoje, em Londres, patrocinada pelo Banco Santander, em comemoração ao Dia do Investidor. Em meados de outubro, será a vez da Endesa.

E, há alguns meses, aconteceu com a Telefónica e com o BBVA.

É o povão consumindo Também ontem, a presidente Dilma Rousseff creditou às façanhas do governo Lula o fortalecimento do mercado interno, que garantiu a melhor resistência da economia contra a crise global. É inegável que a administração Lula ajudou a fortalecer o mercado interno. Mas nunca é demais lembrar: foi a partir do Plano Real, que derrubou a inflação, que o poder aquisitivo do povão deixou de ser corroído.

A explicação esperada O Banco Central divulga hoje o Relatório Trimestral de Inflação. No foco: as explicações sobre a desinflação a ser provocada pela crise externa.

DORA KRAMER - O 28º elemento


O 28º elemento
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 29/09/11

Além do fato de agora não serem mais 27 e sim 28 as legendas que compõem o quadro partidário brasileiro, a entrada do PSD em cena não acrescenta grande coisa ao cenário.

Arigor,naquilo que é fundamental, não influi nem contribui. E o que é fundamental? A modernização do nosso sistema de representação,parado no tempo, arcaico, carcomido de vícios e deformações.

O partido surge já com presença significativa no Congresso (50 deputados federais), dois senadores,dois governadores e seis vices.

É possível que venha a desempenhar- se razoavelmente bem nas eleições municipais de 2012, visto que seus espertos e experientes arquitetos engendraram uma fórmula quase infalível de sucesso rápido: no plano nacional imprimem uma feição independente de viés governista e,no regional,apresentam- se como sublegenda de praticamente todos os governadores.

O PSD se compôs de tal forma que possa se apresentar como a segunda opção dos partidos já consolidados nos Estados.

Não dispõe de doutrina definida, como convém a quem não se propõe a construir, mas a acomodar interesses hoje insatisfeitos, e tem como marca de origem o senso de oportunidade: uma vez minguado o DEM, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, precisou encontrar uma maneira de garantir a continuidade de sua carreira até então engatada na trajetória ascendente de José Serra, tal como se configurava até a derrota em 2010.

Até aí, nada demais, interesse legítimo.

Do prefeito e de todos os outros que se dispuseram e se dispõem à empreitada.

A legitimidade do propósito, porém, não lhe confere o dom da representação de quaisquer transformações nem um lugar ao sol do novo .

O partido é,como diz o lugar-comum, mais do mesmo. Um discurso tímido, cauteloso mesmo, típico de quem não tem outra pretensão a não ser a de se inserir como mais um ator de peso no espetáculo em cartaz.

Mas, para que não se diga que o PSD não tem nada a propor, o partido propôs logo no dia seguinte à oficialização de seu registro pelo Tribunal Superior Eleitoral, a formação de uma Assembleia Constituinte revisora a ser eleita em 2014 sob o nome de Câmara Revisional exclusiva que trabalharia por dois anos.

A justificativa genericamente óbvia: considerando que a Constituição de 1988 já recebeu 73 emendas e se encontra em constante processo de revisão, que se eleja uma assembleia para fazer de uma vez todas as modificações necessárias preservadas as atuais cláusulas pétreas a fim de se chegar a um texto constitucional garantidor dos princípios gerais basilares que não cometa o equívoco de querer constitucionalizar a vida das pessoas .

O objetivo é nebuloso. Para que mesmo uma Constituinte neste momento? Não houve ruptura da ordem institucional nem alteração de regime como o que justificou a Constituinte na passagem do regime totalitário para a democracia, na década dos 80.

Qual o sentido de ter dois Congressos funcionando paralelamente por dois anos se não estamos dando conta de as segurar o funcionamento de um só dentro do parâmetro fundamental da República que é a independência dos Poderes? Sede boa-fé,o PSD fez uma proposta inócua, apenas para criar um fato de repercussão no ato de sua fundação.

Senão na posse de intenções transparentes, o PSD propõe a abertura de um caminho mais fácil para que os donos do poder façam alterações institucionais que lhes interessam e não conseguem fazer no Congresso por causada exigência do quór um de três quintos.

O PSD tem todo o direito de não se dispor à discussão de fundo sobre o que realmente anda mal,mas não pode esperar aplausos quando se presta ao patrocínio de atalhos erráticos.

Pedra na cruz. A corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, nada mais fez além de uma constatação quando falou nos bandidos que se escondem atrás da toga .

Assim como os há no Executivo,no Legislativo, na imprensa, nas Forças Armadas, nas igrejas, nas empresas, nas escolas, na vida, enfim, os há no Judiciário.

Seus críticos perdem excelente oportunidade de se aliar ao bom combate em prol da excelência da magistratura.

GOSTOSA


LUIZ FERNANDO VERISSIMO - O som da época


O som da época
LUIZ FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 29/09/11

Desconfio que ainda nos lembraremos destes anos como a época em que vivemos com o acompanhamento dos alarmes de carro. Os alarmes de carro são a trilha sonora do nosso tempo: o som da
paranoia justificada.
O alarme é o grito da nossa propriedade de que alguém está querendo tirá-la de nós. É o som mais desesperado que um ser humano pode produzir – a palavra “Socorro!” –, mecanizado, padronizado e a todo volume. É “Socorro!” acrescentado ao vocabulário das coisas, como a buzina, a campainha, a música de elevador, o “ping” que avisa que o assado está pronto e todos os “pings” do computador. Também é um som típico porque tenta compensar a carência mais típica da época, a de segurança. Os carros pedem socorro porque a sua defesa natural – polícia por perto, boas fechaduras ou respeito de todo o mundo pelo que é dos outros – não funciona mais. Só lhes resta gritar.
Também é o som da época porque é o som da intimidação. Sua função principal é espantar e substituir todas as outras formas de dissuasão pelo simples terror do barulho. O som da época em que os decibéis substituíram a razão. Como os ouvidos são, de todos os canais dos sentidos, os mais difíceis de proteger, foram os escolhidos pela insensibilidade moderna para atacar nosso cérebro e apressar nossa imbecilização. Pois são tempos
literalmente do barulho.
O alarme contra roubo de carro também é próprio da época porque frequentemente não funciona. Ou funciona quando não deve.
Ouvem-se tantos alarmes a qualquer hora do dia ou da noite porque, talvez influenciados pela paranoia generalizada, eles disparam sozinhos. Basta alguém se aproximar do carro com uma cara suspeita e eles começam a berrar.
Decididamente, o som do nosso tempo.
TCHAU
Outubro é um bom mês para férias. Você pode escolher o hemisfério em que vai passá-las, o Sul ou o Norte, e estará escolhendo entre uma primavera que ainda não tirou os sapatos para entrar no verão e um outono que ainda não botou o casacão para enfrentar o frio. Seja onde for, vou tirar férias. E não adianta trocarem a fechadura, no dia 3 de novembro eu volto.

RICARDO MELO - Cabide partidário


 Cabide partidário
RICARDO MELO
FOLHA DE SP - 29/09/11

SÃO PAULO - O PSD representa o triunfo de políticos cujo objetivo maior é estar no governo, qualquer governo. A finalidade, os brasileiros a conhecem. Para quem não a conhece, os sucessivos escândalos se encarregam de esclarecer.

Nesse sentido, o partido faz jus à condição de costela do DEM, herdeiro, por sua vez, do PFL, legenda insuperável em parasitar o poder.

Já na primeira reunião, Gilberto Kassab, chefe da sigla, foi direto ao ponto. "Estamos abertos a alianças com qualquer um; o que irá nortear as nossas alianças são nossos princípios e nossa conduta."

Quais são eles? "O PSD não fará oposição pela oposição. Faremos política para ajudar o Brasil." Hum.

Vai exigir definição dos que querem mudar de sigla? "Não teria sentido, seria incoerência para um partido que quer inovar impor ao parlamentar mudanças em sua conduta", diz o prefeito de SP (sim, ele ainda é).

Em bom kassabês, cabe quem quiser. O importante é atrair uma enxurrada de parlamentares, venham de onde vierem, para ganhar peso e vender caro as barganhas pela frente. Em troca, exigem-se compromissos do mesmo quilate das promessas feitas a quem, vivo ou morto, chancelou a criação do PSD.

Após declarar que seu partido não era de esquerda, nem de direita, nem de centro, Kassab ensaiou um ajuste retórico. Ontem acordou "centrista", jeito fashion de afirmar que é tudo e nada ao mesmo tempo.

Providenciou também a ideia de uma Constituinte em 2014. Esta convenceu tanto quanto as vitrines das tinturarias que ocultavam em seu interior atividades inconfessáveis.

Mas o PSD tem seu mérito. A maneira como surgiu, a forma escancarada como expõe seus objetivos e a indigência programática alertam para a mediocridade do ambiente político atual. Ninguém se iluda, contudo, quanto à sua suposta assepsia ideológica. É mais um "partido de resultados" -a favor do quê, todos estão cansados de sabê-lo.

ANTONIO CÉSAR SIQUEIRA - A arrogância da defesa do CNJ


A arrogância da defesa do CNJ
ANTONIO CÉSAR SIQUEIRA
FOLHA DE SP - 29/09/11

Ao acusar a magistratura de convivência com "bandidos de toga", a corregedora imputa a toda a classe a pecha que caberia a poucos


A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, afirmou em entrevista publicada anteontem que o exame dos limites de atuação do Conselho Nacional de Justiça, a cargo do Supremo Tribunal Federal, seria "o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga".
Disse ainda: "Sabe o dia que eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ".
Além dessas declarações, a corregedora vem demonstrando a sua contrariedade com a atuação do STF quando esse suspende os efeitos de decisões do CNJ ou as anula.
Pois bem. Ao acusar genericamente a magistratura nacional de convivência com "bandidos de toga", imputa a toda uma classe, que merece o respeito da população, a pecha que caberia apenas a muito poucos. Também se esquece que identificar essas exceções -e investigá-las- faz parte de suas atribuições na corregedoria do CNJ.
Mas não. A arrogância de se achar acima do bem e do mal, sem respeito ao próprio STF, arvorando-se em único modelo de moralidade, faz com que essas ações se mostrem desastradas e inoperantes.
Todas as liminares concedidas pelo STF contra decisões do conselho, sob a firme e sóbria liderança do ministro Cezar Peluso, tiveram como base a inobservância de uma ou mais garantias constitucionais: ampla defesa, devido processo legal, contraditório ou justa causa.
Essas garantias, que todos os brasileiros conhecem e cultuam, foram insculpidas na Constituição de 1988 exatamente para evitar o arbítrio e as condenações de exceção -tão comuns nos tempos da ditadura-, que são, obrigatoriamente, aplicáveis a todos os processos penais ou administrativos punitivos.
São essas simples e importantes garantias que, na opinião da corregedora, o STF, como guardião da Constituição, vem teimando em aplicar, deitando por terra as condenações sumárias do CNJ.
Que bom que seja assim. A democracia agradece.
A magistratura brasileira jamais compactuará com desvios funcionais, mas os juízes, como todos os cidadãos, têm o direito sagrado de ser processados com observância dos preceitos constitucionais.
Porém, vemos que as falhas na atuação não param por aí.
Ao afirmar, usando comparação de incrível mau gosto, que não vai inspecionar o tribunal de São Paulo por ele ser refratário às normas do CNJ, a corregedora declara, de público, que não vai cumprir seu dever legal: ou bem não há nada de errado e a inspeção é desnecessária, ou ela não está fazendo aquilo que deveria fazer.
Enfim, arrogância, no desrespeito ao STF, e descaso com suas atribuições demonstram que a corregedora faria um grande favor à nação brasileira se adotasse como lema de sua atuação o juramento que fez ao entrar para a magistratura: "Cumprir e fazer cumprir a Constituição e as leis, pugnando pelo prestígio da Justiça".
ANTONIO CÉSAR SIQUEIRA, desembargador, é presidente da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro.

INVESTIGAÇÃO NO BRAZIU



ELIANE CANTANHÊDE - Pecadões e pecadilhos


Pecadões e pecadilhos
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 29/09/11

BRASÍLIA - Tentando amaciar a crise no Judiciário, o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello classificou de "pecadilho" o fato de a corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, dizer que há "bandidos escondidos atrás das togas". Mais diretamente: que há juízes bandidos.
O "pecadilho" aponta para pecadões e para o lado mais dramático de todo esse enredo: o corporativismo do Judiciário, que resiste a conviver com o conselho, criado para investigar a Justiça e os juízes.
Tudo começa com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) da AMB, a Associação dos Magistrados Brasileiros, para que o conselho passe a ser mero ratificador das decisões das corregedorias regionais, onde velhos camaradas se autoinvestigam e o corporativismo pode se embolar com a impunidade.
Assim, a coisa já começou mal e só evolui para pior. Baiana arretada,Eliana Calmon não tem papas na língua e disse o que cidadãos, juízes, ministros do Supremo e principalmente os próprios "escondidos atrás das togas" estão carecas de saber: há juízes bons e juízes ruins. O problema é que a verdade dói.
Doeu nos integrantes do próprio conselho, que classificaram as declarações da ministra-corregedora de "levianas", capazes de atingir todo o Judiciário e todos os juízes de Norte a Sul. E doeu no fígado do presidente do Supremo, Cezar Peluso, que comandou a, digamos assim, reação corporativa.
Segundo Calmon, o Tribunal de Justiça de São Paulo só vai se deixar ser investigado "no dia em que o sargento Garcia prender o Zorro". Pois não é que a origem de Peluso é justamente o TJ-SP?
Com todo o respeito, esse tribunal é sabidamente hermético e os números do CNJ estão do lado da ministra: desde 2005, quando criado, o conselho já condenou 49 juízes. Boa coisa certamente não andavam fazendo escondidos atrás das togas.

CLAUDIO HUMBERTO

“Brasil não é presa fácil para a crise”
PRESIDENTA DILMA, REAFIRMANDO QUE O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA ENFRENTAR DIAS DIFÍCEIS

NOVA LEI DA INTERNET DIFICULTA COMBATE À PEDOFILIA 
O projeto de lei 2126/2011 enviado ao Congresso pela Casa Civil da Presidência da República é uma mãe para as empresas de internet e uma dor de cabeça para a polícia. O artigo 11, o mais polêmico, determina que o provedor deve guardar os dados de conexão “pelo prazo de um ano”, tempo considerado curto em se tratando de cerco a crimes cibernéticos como o de pedofilia, o maior mal da rede.

CONEXÃO DE RISCO 
Há deputados loucos para estabelecer controle da internet, a pretexto de evitar os supostos “crimes contra a honra”.

OLHO NOS “POSTS” 
O artigo 14 do projeto prevê punição dos sites por “danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros”, ou sejam, seus leitores.

GAVETA VIRTUAL 
A Lei de Crimes Cibernéticos foi esquecida no Congresso. Aprovada no Senado, dorme numa gaveta da Câmara. Foi protocolada há 11 anos.

AÍ TEM COISA 
Chama a atenção o aumento de policiais federais em Brasília, nos últimos dias, gerando expectativa de uma iminente grande operação.

MINISTRA PAGA O PREÇO DE NÃO TEMER A CORAGEM 
A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, paga preço alto por não ter medo de ter coragem. Como corregedora nacional de Justiça, sabe o que diz, por isso advertiu para a infiltração de bandidos na magistratura. Não generalizou, muito pelo contrário. Em vez de virar alvo de corporativismo anacrônico, ela merecia a proteção 
de sua entidade de classe e a solidariedade do Conselho Nacional de Justiça.

RECORDAR É SOBREVIVER 
A igualmente valente juíza Patrícia Acioly foi assassinada no Rio de Janeiro após colegas superiores lhe negarem apoio e até proteção.

NÃO É NOVIDADE 
Investigações revelaram que a organização criminosa PCC financiava meliantes para fazerem concurso para a polícia, MP e até a Justiça.

DESCALABROS 
Ex-corregedor nacional de Justiça, o ministro Gilson Dipp lembrou na OAB: “Não fosse o CNJ, não seriam descobertos tantos descalabros”.

BB PARTIDARIZADO 
Os presidentes dos três principais partidos de oposição atacaram a mudança parcial do Banco do Brasil para São Paulo, revelada nesta coluna, como forma de fortalecer o PT na campanha municipal de 2012. Para o senador Agripino Maia (DEM), “é crime de lesa-Pátria”.

ENTIDADE “PRIVADA” 
O presidente do PSDB, Sergio Guerra (PE), diz que a mudança do BB faz parte da “tentativa de derrotar” os candidatos tucanos em São Paulo. Roberto Freire, do PPS, ironizou: “O governo acha que o BB é uma entidade privada dele. Já fizeram isso com a Petrobras”.

TEMPERANÇA 
Ana Arraes revelou a esta coluna que contava só com 180 votos na disputa pela vaga do TCU. Não por pessimismo, mas pela lição de vida do pai, Miguel Arraes: “A ilusão do voto é pior que a ilusão do amor”.

VAI DAR CONFUSÃO 
As demais redes estão em pé-de-guerra com a informação de suposto contrato da Globo com o governo do DF, na gestão Arruda, para usar como estúdio a área do antigo restaurante panorâmico da Torre de TV.

ENTÃO TÁ 
Em artigo para o site do deputado Paulinho (PDT-SP), sobre a Reforma Política, publicado nesta quinta, o ex-ministro José Dirceu defende um modelo que reduza o espaço à corrupção e barreiras ao “caixa dois”.

XODÓ 
Apontado como um dos principais articuladores nas discussões sobre o novo Código Florestal, o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) é o novo xodó das equipes de articulação política do Palácio do Planalto.

ECONOMIA 
O Senado quer reduzir gastos com impressionantes 16 milhões de cópias ao mês, 533 mil/dia, monitorando copiadoras. Desconfia o que todo mundo sabe: a maior parte é dispensável ou particulares.

LEILÃO EM BH 
A galeria de arte Erol Flynn realizará nesta quinta em Belo Horizonte um importante Leilão de obras de dezenas de grandes artistas, entre os quais Cândido Portinari, Alfredo Volpi, Di Cavalcanti e Anita Malfati.

PAOLA PARA CRIANÇAS 
O filme Professora muito maluquinha, estrelado por Paola Oliveira, estreia nesta sexta às 17h30 no Festival de Cinema de Brasília. É dirigido por André Alves Pinto, sobrinho de Ziraldo, autor da obra. 

PODER SEM PUDOR
POLÍTICO DESCALCIFICADO 
Falecido há alguns anos, o deputado pernambucano Ricardo Fiúza adorava contar a história de um conterrâneo que certa vez, num comício, ouviu um bêbado provocar: “Você é um descalcificado!”. O político ridicularizou o homem:
– Não discuto com ignorantes da sua laia: o certo é “desclassificado”!
Para quê! Era o que o bêbado provocador queria ouvir, para responder:
– No seu caso é “descalcificado” mesmo. É corno há dois anos e até hoje não nasceu o chifre!

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: No país da impunidade - STF em crise não consegue decidir sobre punição a juízes

Folha: Cúpula da Justiça nos Estados tem 35 investigados

Estadão: Sob pressão, STF mantém poder de investigação do CNJ

Correio: Governo esvazia Banco do Brasil em Brasília

- Valor: Novo Dnit deve ter menos funções e mais controles

Estado de Minas: Explode oferta de emprego em BH

Jornal do Commercio: Apreensão gigante de remédios no Estado

Zero Hora: Desempenho de aluno contará para promoção de professor