domingo, julho 17, 2011

TUTTY VASQUES - Que vexame!


Que vexame!
TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 17/07/11

É cedo ainda para bater o martelo, mas o fracasso absoluto do leilão do trem-bala brasileiro é, no mínimo, forte candidato a Mico do Ano 2011 na área de negócios. O desinteresse total pelo processo de licitação da obra - ninguém apresentou proposta de execução do projeto - só não leva o prêmio por antecipação por causa da concorrência acirrada da frustrada fusão Pão de Açúcar-Carrefour. Páreo duro! Dois megaprojetos com voo de galinha raramente decolam juntos no noticiário econômico.

Na categoria "sociedade", a lua de mel do príncipe Albert de Mônaco e o fim de semana de Sérgio Cabral em Trancoso são, por enquanto, os acontecimentos que, em matéria de anticlímax, sobressaem entre tantas notícias sobre o que deu muito errado no primeiro semestre.
Na esfera do showbiz, o show de Amy Winehouse na Sérvia foi quase tão desagradável quanto a entrevista de Fábio Jr. na Playboy. O cantor brasileiro leva sobre a concorrente britânica a vantagem de ter se exibido daquele jeito patético sem precisar, para isso, ingerir uma só gota de álcool. Corre por fora nessa categoria o verso em louvor às "mulheres sem orifício", de Chico Buarque.
Ainda incertos entre os lances mais desastrados do futebol em 2011, o frango de Rogério Ceni, o corte de cabelo de Daniel Alves, a contratação de Seedorf pelo Corinthians e a implosão do estádio Mané Garrincha vão ter que aguardar o resultado de hoje à tarde entre Brasil x Paraguai, em jogo eliminatório pela Copa América.
No mais, assim como no Grammy a categoria World Music agrupa candidatos de matizes variadas, o Mico do Ano abre espaço este ano para a disputa direta entre eventos tão distintos quanto a caçada da Otan a Muamar Kadafi, o teste do bafômetro de Aécio Neves, o "autorretrato" que Van Gogh pintou do irmão. E, last but not least, o estupro da camareira em Nova York também tem uma sequência de equívocos invejável.
Não me engana
Só um detalhe soa estranho na notícia de que o príncipe Albert de Mônaco passou a lua de mel na África do Sul em hotel afastado 16 quilômetros do leito nupcial: a justificativa de que ela descobriu que ele a traiu com outra mulher antes do casamento. Francamente, o buraco é mais embaixo, né não?
Pelas costas
O curador da Flip, Manuel da Costa Pinto, e o cineasta judeu Claude Lanzmann esperaram a Festa Literária de Paraty acabar para trocar insultos a distância. É "nazista" pra cá, "estúpido" pra lá... O tipo de embate intelectual que faz falta ao vivo na Flip.
Posição social
Tem coisa melhor que ser ex-mulher de ex-banqueiro? A de Edemar Cid Ferreira ganha pensão de R$ 30 mil. Problema dele, né não?
Mal comparando
Com a criação do Sudão do Sul - 193ª nação do mundo -, o Brasil ficou à frente de mais um país no ranking dos mais pobres do mundo. Essas coisas a oposição não vê - ô, raça!
De braços dados
Roberto Jefferson está convencido de que, se José Dirceu for condenado, os dois terão o mesmo destino. Ou seja, o STF poderá, enfim, juntar o inútil ao desagradável.
Espiadinha
Fosse o News of the World brasileiro, a esta altura já saberíamos que tintura o Edison Lobão usa no cabelo. Bastava, para isso, espionar a troca de e-mails dele com o senador Eunício Oliveira. O ministro, como se sabe, repassou sua fórmula secreta ao tesoureiro do PMDB.
Luto em festa
Todo político devia refletir a respeito antes de escolher seu suplente: Zezé Perrella não esperou nem a missa de sétimo dia de Itamar para matar uma leitoa em comemoração à sua efetivação na vaga do falecido no Senado!
Só pensa naquilo
Jair Bolsonaro não quer provocar nenhum incidente internacional, mas comentou com amigos que acha muito estranho o mistério sobre o sexo do bebê que Carla Bruni e Nicolas Sarkozy estão esperando. "Aí tem!" 

HERANÇA DO PT

CELSO MING - De volta a Versalhes


De volta a Versalhes
CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 17/07/11

A enorme vacilação e frequência com que erram na escolha de prioridades sugere que os governos dos países da área do euro não entenderam que a sociedade do bem-estar social não voltará tão cedo a ser o que era.

Não é mais possível nem sustentar a vida boa com a expropriação de riquezas que se viu nos tempos colonialistas, como aconteceu logo depois da Revolução Industrial, nem com as receitas das exportações para o resto do mundo, como ao longo do século 20.

Os tempos são de rápida e radical redivisão internacional do trabalho, que implica a criação de empregos na Ásia e em certos países emergentes do Ocidente. A contrapartida é o desemprego crescente na Europa - e também nos Estados Unidos - que os programas de seguro social não conseguem mais financiar.

Os dirigentes políticos já apontaram o indicador para uma lista enorme de responsáveis pela crise: os bancos, a especulação financeira, o mercado de derivativos, as agências de classificação de risco, a política cambial da China, a inoperância dos organismos reguladores e, até mesmo, os imigrantes. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, por exemplo, já não sabe mais quem apedrejar.

Logo se viu que, ao contrário do que tanto se disse, o mercado financeiro e os demonizados mecanismos neoliberais foram as instituições que ainda deram sobrevida ao atual modelo consumista e empregador de gente nos países ricos.

Não fossem os generosos financiamentos proporcionados pelas instituições financeiras e a fartura de liquidez despejada pelos bancos centrais - que acionaram a contrapartida da crise da dívida -, a festa teria acabado há mais tempo. Sem os bancos, não há como garantir a sobrevivência da maior parte das economias líderes: mal com eles, pior sem eles. Entre perplexidades e medo, os chefes de Estado vão tomando consciência de que não é apenas a saúde fiscal das economias que dirigem que está em jogo; é preciso garantir, também, o equilíbrio patrimonial dos seus bancos. Depois da catástrofe provocada pelo naufrágio do Lehman Brothers, em 2008, nenhum governo se arrisca mais a deixar afundar um banco de certo porte.

Enquanto isso, os indignados da Europa acampam nas praças públicas e organizam barulhentas e, às vezes, demolidoras manifestações de rua, incapazes de definir uma única proposta alternativa ao que está aí.

Já sentiram na carne que diploma universitário e título de doutor já não garantem o futuro. Mas ainda não se deram conta de que a inexorável transferência do centro produtivo do mundo para a Ásia e para os países emergentes conjugada com o maior emprego de Tecnologia da Informação, produz consequências: tirou o financiamento do modelo de vida de que vinham usufruindo.

As dívidas soberanas de um punhado de países estão ficando impagáveis e da lista não podem ser sumariamente excluídos os Estados Unidos. Elas impõem sobre as sociedades uma carga insuportável, como a que o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha depois de 1919. O que vem em seguida é uma incógnita. O risco é o de que a falta de opções produza desordens. Quando sobrevêm as desordens, as sociedades procuram um führer. E quando os führers entram em cena, a primeira vítima é a democracia.

CONFIRA

Titanic


Ao discursar sexta-feira no Senado da Itália em favor do projeto do governo de um plano de austeridade, o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, comparou a área do euro ao Titanic pouco antes do pior: "A Europa tem um encontro com seu destino. A salvação não chega pelas finanças, mas pela política, que não pode cometer erros. É como o Titanic: não se salvam nem os passageiros da primeira classe". E concluiu: "A dívida pública é um monstro do passado, mas, se não a controlarmos, devorará nosso futuro".

Ele entendeu

Tremonti é das poucas autoridades que entenderam o que está em jogo.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Milonga
SONIA RACY
O ESTADÃO - 17/07/11

Cristina Kirchner, ao visitar o Brasil em agosto, encontrará título protestado em nome da embaixada da Argentina no Brasil. Faltou pagar a terceira parcela de R$ 114.697,93. Referente à rescisão do contrato da construção da chancelaria com a MTD Engenharia, segundo Marta Valente, do Tozzini Freire. A assessoria da embaixada diz desconhecer o assunto.

Shukran


E quem vem se encontrar com Antonio Patriota, esta semana, é Faisal Al Mekdad, ministro da Síria. Para agradecer o apoio do Brasil.

Sacolão

Se Haddad for escolhido pelo PT para disputar a Prefeitura de SP, Lula prometeu ao ministro: vai trabalhar pelo apoio de todos os partidos da base. Foi quinta, em encontro da UNE.

Hors d"oeuvre

Lula vai bater um prato de "beef bourgoin" no jantar da Fiesp, amanhã, em sua homenagem. Leia-se picadinho.

Sem preconceito

O Instituto de Pesos e Medidas receberá agora denúncias de consumidores por... discriminação racial. As queixas serão encaminhadas para a Secretaria da Justiça.

No limite

Referência no tratamento de câncer, o A.C. Camargo está operando no limite. O que torna inviável receber pessoas como Hugo Chávez. Explica o hospital que seria necessário interditar um andar inteiro.

E na busca por espaço, o ACC constrói torre com 120 leitos. Inauguração? Fim do ano.

Responsabilidade social

Lu Alckmin planeja ir até a Sabesp no mês que vem distribuir agradecimentos aos funcionários. É que a empresa liderou as arrecadações para a Campanha do Agasalho: cerca de 2,5 milhões de peças.

Izabella Teixeira disse sim. Comanda palestra magna do Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável, no WTC, em São Paulo, dia 4.

A Save The Children e a Sony uniram esforços. Realizam jogo amistoso de beach soccer entre as seleções de Brasil e Japão, em Copacabana, no dia 30. Em prol das crianças japonesas que ainda sofrem por causa do terremoto ocorrido em março.

A Vicunha doou tecidos a ONGs que desenvolvem projetos sociais na Grande São Paulo. As instituições beneficiadas foram Florescer, Movimento de Mulheres, Projeto Arrastão, Fênix e Templo Guaracy do Brasil.

Na rota dos ciclistas do Tour do Rio (RJ) serão plantadas 200 árvores como forma de compensação ambiental. Iniciativa da Conexão, organizadora do evento. Alunos da rede pública estadual farão o plantio. O evento ocorre entre os dias 27 e 31.

O Oi Futuro transmitirá imagens da mostra Era uma vez..., com obras produzidas na escola francesa Le Fresnoy, para espaços culturais de três comunidades: Vidigal, Cidade de Deus e Complexo da Maré. Dia 9, no Rio.

David Byrne participou terça-feira do fórum Cidades, Bicicletas e o Futuro da Mobilidade, promovido pelo ITDP. O evento itinerante ocorrerá em nove cidades da América Latina.

GOSTOSAS

DORA KRAMER - O bolo dos noivos


O bolo dos noivos
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 17/07/11

“O PT deixará que o parceiro impere absoluto no Congresso? Claro que não, mas mais claro ainda é que o PMDB não abrirá mão.”

O ensurdecedor silêncio do vice-presidente Michel Temer, durante a semana da crise nos Transportes, foi ouvido com desconforto no Palácio do Planalto.

Ficou a sensação de que foi proposital, que o vice prefere manter distância das bolas divididas para não atrapalhar os planos do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves, cujo propósito primordial é se eleger presidente da Câmara em 2013.

Em nome desse objetivo, Alves faz qualquer coisa para agradar ao PT: até submeter-se à tola celebração da parceria entre os dois partidos com bolo e bonequinhos de Dilma e Temer presidindo os confeitos.

A impressão do Planalto sobre o mutismo do vice não é infundada. Mas digamos que seja incompleta.

O panorama visto sob a ótica do PMDB inclui outros fatores.

Apartado das decisões de governo a respeito das quais é no máximo comunicado, mas nunca chamado a debater, Temer na verdade não teria o que dizer sobre a confusão com o PR.

Em boa medida porque, se é mantido a distância, não detém todas as informações e tampouco sabe de onde a presidente Dilma Rousseff parte e aonde quer chegar.

Por exemplo, quando faz demissões a conta-gotas no Ministério dos Transportes e sempre pautadas não por um roteiro previamente delineado pelo governo, mas a reboque de denúncias da imprensa.

Outro aspecto que leva Temer a recolher-se à condição de coadjuvante silente diante do enrosco é a situação de seu partido, onde começa a vicejar a semente da discórdia.

Há insatisfação no Senado que resulta na tentativa de um grupo de peemedebistas de quebrar a hegemonia da trinca José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá na interlocução com o governo e impedir que Renan venha a suceder a Sarney na presidência da Casa.

Há o grupo, ainda amplamente majoritário, que segue Henrique Alves na tarefa de manter as aparências para não provocar abalos no acordo sobre a troca de comando na Câmara, mas há também duas boas dezenas de insatisfeitos na bancada de 80 deputados do PMDB.

Gente que está enxergando crise à frente e, por isso, vendo a necessidade de as divergências serem tratadas com seriedade. De forma a impedir o acúmulo de passivos que venham a explodir mais adiante.

Com alguma força nas eleições municipais, que em muitas cidades colocarão em campos opostos os dois principais sustentáculos partidários do governo.

Com a intensidade de um terremoto na eleição para as presidências da Câmara e do Senado. É cedo para falar disso? A julgar pelo potencial de eventual estrago, já se faz tarde.

Pelo seguinte: PMDB e PT acertaram que este presidiria a Câmara agora e aquele a partir de 2013. O acerto, contudo, não inclui o Senado, onde o PMDB tem a maior bancada.

O PT deixará que o parceiro impere absoluto no Congresso? Claro que não, mas mais claro ainda é que o PMDB não abrirá mão. Está, portanto, montado desde já o cenário do esfaqueamento.

Briga de foice esta que se não for tratada na base da relativa franqueza, com as divergências sendo resolvidas à luz da maturidade - o que não inclui convescotes ao redor de um bolo de noivos -, tem tudo para degenerar em “bolo” no sentido de crise.

E aí vai ser preciso bem mais que fazer “uma social” de vez em quando com senadores e deputados oferecendo-lhes coquetéis, jantares e os chamados “afagos”.

Além de não adiantar nada cria a falsa impressão de que o contraditório se resolve com agradinhos.

Vai ser necessário arbitragem por parte do fiador da aliança. Dilma ou Lula, a depender da disposição da presidente de transferir ou não o poder a ela conferido na eleição.

Seja como for, a bem do bom senso conviria à presidente, ao vice e companhia deixar de lado a hipocrisia e encarar a vida em uma coalizão como ela de fato é.

EM ABERTO
Luiz Inácio da Silva já falou de tudo um pouco desde que deixou a Presidência. Só não disse ainda como pretende “desmontar a farsa do mensalão”, conforme anunciado.

Chance não faltou de rebater ponto por ponto a peça de acusação recentemente apresentada pelo procurador-geral da República.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Saindo da retranca
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON (interino)
FOLHA DE SP - 17/07/11

Resolvida a equação financeira do Itaquerão, o comitê paulista da Copa-2014 pretende rever a conduta até agora discreta ante o evento. O governador Geraldo Alckmin vai reforçar a equipe com dedicação exclusiva à preparação, hoje só com cinco membros -Minas Gerais, por exemplo, tem 41.
Em outra frente, tentará engajar secretarias na "atmosfera" da competição com medidas como a inclusão de disciplina sobre o evento na grade das escolas e o incremento do roteiro cultural internacional. Já no dia 30, o governador vai ao Rio acompanhar o sorteio das Eliminatórias e fazer "boca de urna" pela escolha do estádio do Corinthians para a partida inaugural.
Vestiário A deputados aliados que reclamaram não haver saído um tostão das emendas de 2011, Ideli Salvatti (Relações Institucionais) disse que chamará o colega Guido Mantega (Fazenda) para fazer uma preleção aos congressistas. Falará, sobretudo, da necessidade de precaução devido à crise na Europa e nos EUA.

Na onda
Henrique Eduardo Alves (RN), que para desgosto de peemedebistas como Geddel Vieira Lima levou um bolo de casamento para celebrar a aliança entre PT e PMDB, é afeito a símbolos. No passado, já mandou um bambolê para que Dilma tivesse "jogo de cintura" na política. Agora, cogitou enviar prancha para ela "surfar" no clima de entendimento entre aliados. Dessa vez, porém, recuou após ouvir alguns conselhos.

Autoridade 
Lourimar Rabelo, chefe de gabinete do líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), é chamado por deputados que frequentam a atual sala do petista de "514" -referência ao fato de a Casa possuir 513 parlamentares.

Compras 
A Câmara lançou edital para comprar seis poltronas giratórias de couro ao preço médio estimado de R$ 4.300 a unidade. Elas serão colocadas na sala de reuniões da presidência.

Voto sustentável 
O Movimento Nossa São Paulo, de Oded Grajew, prepara campanha para orientar eleitores a escolherem, em 2012, políticos que assumam compromissos com as causas sustentáveis e os valores éticos. O material na TV será estrelado pela atriz Beatriz Segall e pelo ex-jogador Raí.

Mutirão caipira 
Em nova tentativa de expansão pelo interior paulista com vistas a 2012, o PSDB-SP vai montar 47 coordenadorias regionais, com autonomia para deliberações locais. Os tucanos vão eleger os 22 representantes de cada núcleo no dia 13 de agosto.

Oremos 

Paulo Skaf recebe hoje o presidente da CNBB, d. Raymundo Damasceno Assis, para almoço em Pindamonhangaba. A inserção no eleitorado católico é um dos trunfos de seu adversário não declarado pela candidatura do PMDB à Prefeitura de São Paulo em 2012, Gabriel Chalita.

Popular pelo protesto no YouTube contra os baixos salários dos professores, a potiguar Amanda Gurgel protagonizará o programa de TV do PSTU que vai ao ar na quinta. Vai comparar a baixa remuneração da categoria com a evolução patrimonial do ex-ministro Antonio Palocci.

Escolado 
Gustavo Fruet, que anunciou a saída do PSDB na quarta, disse a aliados que temia repetir na disputa à Prefeitura de Curitiba, em 2012, a mesma situação dos tucanos na eleição paulistana de 2008 -a de ter candidato, mas com o governador do partido apoiando na prática um adversário.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"O governo da presidente Dilma só tem seis meses, mas os sinais de desgaste já mostram envelhecimento precoce."
DO DEPUTADO PAULO ABI-ACKEL (PSDB-MG), sobre as suspeitas de irregularidade que fizeram a presidente mudar os titulares de quatro pastas e afastar dirigentes e servidores dos Transportes.

contraponto

Nas alturas


Na abertura do 6º Salão de Turismo, quarta-feira, em São Paulo, o ministro Pedro Novais foi a estrela do evento e passou parte da solenidade ao lado do prefeito Gilberto Kassab e de Orlando Silva (Esporte), ambos bem mais altos do que ele.
Vendo a cena, um assessor brincou:
-No próximo salão, precisamos providenciar equipamento novo para a infraestrutura do turismo brasileiro: um banquinho...

BRINCANDO DE JUSTIÇA

MÍRIAM LEITÃO - Olhos em Berlim


Olhos em Berlim
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 17/07/11

Um economista brasileiro que tem bons contatos no alto comando das finanças mundiais passou um dia ligando para autoridades europeias e se assustou com a falta de noção deles sobre a dimensão da crise. Tudo está tão louco no mundo atual que há dúvidas sobre a sobrevivência do euro e mesmo assim a moeda se valorizou este ano 5,4% em relação ao dólar. Há explicação?

O mundo hoje é cheio de contradições. A Alemanha está se fortalecendo cada vez mais num continente que naufraga. Ela vai crescer este ano 3%, no ano passado cresceu 3,5%, segundo o FMI, que classifica o desempenho alemão de "impressionante", o mesmo Fundo que lembra que a Itália há dez anos cresce menos que o continente. A Alemanha está criando emprego, aumentando o produto industrial, controlando contas públicas. O país conseguiu retomar o crescimento interno e manter exportações altas, mesmo num cenário de encolhimento de grandes economias. Outras economias do continente se afundam em recessão, déficit, dívida e desemprego.

O mundo atual desafia o entendimento de qualquer um. A Itália, que fez o mercado tremer na semana passada, tem uma classificação de risco que é, pela Fitch, cinco níveis acima do nível do Brasil. O Brasil tem metade da dívida/PIB da Itália e menos da metade do déficit. Nossa tendência é de queda da dívida, e a deles é de alta. Faz sentido essa classificação? Perguntei isso ao diretor da agência no Brasil, Rafael Guedes, na GloboNews. Ele disse que o custo da dívida é mais alto no Brasil. Sim, o Brasil tem juros altos; não, não há lógica nesta classificação de risco. Obviamente.

Uma pessoa me fez uma pergunta simples e procedente no Twitter: como o euro pode subir se a crise é europeia? Ele subiu tanto quanto o real. Valorização da moeda não é atestado de saúde, mas os economistas concordam que é contraditório. A queda do dólar em relação a várias moedas faz sentido; os EUA estão em crise, e o Banco Central jogou muito dólar na economia nas últimas duas rodadas de expansão monetária. Mas e o euro? O economista José Alfredo Lamy, da Cenário Investimentos, admite que é difícil de entender: "A dinâmica do mercado tem uma lógica confusa. Se o risco é iminente, o euro sofre; se o problema é postergado, continua-se apostando na moeda. Uma das razões é que os juros europeus subiram duas vezes este ano. Os americanos, continuam zerados. "

O economista José Júlio Senna, da MCM Consultores, também aponta esse mesmo motivo: "Os juros sobem, o investidor olha para o curto prazo e pensa em como ganhar dinheiro. Isso aumenta a rentabilidade para quem aposta no euro. Ele compra a moeda e investe em países que estão saudáveis."

Alexandre Maia, da Gap Asset, acha que a explicação está na força da Alemanha: "A Alemanha é que está melhor entre os países desenvolvidos. Se você comparar a situação dela com Estados Unidos, França, Inglaterra vai perceber que ela está muito bem, com crescimento maior e dívida e déficit menores. Então, no fim das contas, a Alemanha acaba sendo a garantia para o euro."

Senna acha que a ideia em si de criar uma federação de países com a mesma moeda, apesar de terem níveis de desenvolvimento, indicadores e parâmetros diferentes, nunca fez sentido. Mas agora o euro já existe e o Banco Central Europeu (BCE) tem de conduzir uma política monetária que afeta a todos, apesar da situação desigual entre eles. Olha só a confusão: o BCE sobe os juros para evitar a inflação em alguns países, mas o faz quando a maioria das economias da região está em recessão. Isso valoriza o euro. O que piora a situação. Se ao menos o euro se desvalorizasse, eles poderiam aumentar a capacidade de exportar.

Enquanto a Europa fica imersa nessas contradições, o transatlântico se aproxima do iceberg. A Grécia terá uma moratória. Aquela dívida é impagável. Outros países a seguirão. Os bancos passaram por uma auditoria, os "testes de stress", e oito foram reprovados: não sobreviveriam se o pior cenário ocorresse. Mas o fato é que o pior cenário previsto nos testes já foi superado pela realidade. O que acontece numa zona monetária quando os países começam a dar calote?

Uma possibilidade é alguns países saírem do euro e voltarem a ter suas próprias moedas. Esses países terão mais crise, mais incapacidade de pagar suas dívidas. Outra possibilidade é aprofundar o compromisso com a moeda comum. A União Europeia, sob o comando da Alemanha, terá de garantir a dívida desses países periféricos. Mas novas regras de austeridade terão de ser impostas para evitar sucessivos salvamentos. Isso levará a corte de privilégios, vantagens, empregos públicos. Se o país em questão não aceitar? A UE, leia-se Alemanha, teria de intervir nesse país, impondo remédios amargos. Seus eleitores podem não estar dispostos a perder soberania nacional. A alternativa é implodir a Zona do Euro. Impensável. Os países não teriam coragem de puxar o pino da granada e destruir o edifício que vem sendo construído no continente.

A Alemanha está se recuperando mais rapidamente pelas suas virtudes. Fez um ajuste das contas públicas, até porque entrou no euro depois de ter passado pelo choque de unir suas duas partes. Os outros países tinham mais tolerância com o descontrole do gasto público. Os juros baixos que todos passaram a ter, por causa da união monetária, incentivou a formação de bolhas. Agora a conta chegou.

A Alemanha já recuperou tudo o que perdeu na crise em termos de produto, já está na frente do nível pré-crise em empregos. É o único país de onde pode vir o socorro para o continente. Portanto: olhos em Berlim.

ELIO GASPARI - Dilma roda o mesmo filme de Lula

Dilma roda o mesmo filme de Lula
ELIO GASPARI
O GLOBO - 17/07/11

O PT acredita que pode se manter no poder com uma cultura de escândalos e intimidações


O PRIMEIRO GRANDE escândalo do governo Lula estourou em fevereiro de 2004, 13 meses depois de sua posse. Custou o cargo a Waldomiro Diniz, subchefe da Casa Civil de José Dirceu. Ele fora filmado num achaque ao tempo em que dirigia as loterias do Rio de Janeiro. Até o dia em que deixou o Planalto, em janeiro passado, Nosso Guia foi perseguido por escândalos que se sucederam em intervalos regulares.
O governo Dilma Rousseff foi mais veloz. Seu primeiro escândalo estourou cinco meses depois da posse e custou o cargo ao chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Um mês depois, Dilma perdeu o ministro dos Transportes e o diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit. (Em julho de 2003, quanto Lula tinha sete meses de Palácio, o mesmo Dnit deu-lhe uma pequena crise, com o ex-diretor financeiro acusando o ministro Anderson Adauto de favorecer a empreiteira Queiroz Galvão e sendo acusado de embolsar propinas.)
Deixando-se de lado o varejão da roubalheira, onde ficam contratos de serviços, de publicidade, ou despesas com cartões de crédito, mordomias e viagens, a crônica de nove anos incompletos de governo petista revelam que há nele uma engrenagem blindada, metódica e articulada de corrupção. Não há novos escândalos, há apenas novas erupções, beneficiadas por uma rotina em que uma crise só se exaure quando é substituída por outra, na qual estão personagens que passaram despercebidos na anterior.
O centro dessa rede fica no Palácio do Planalto, ora na Casa Civil, ora na coordenação política e sempre na coleta e repasse de doações. Quando Waldomiro Diniz foi apanhado, pouca gente sabia quem era Delúbio Soares. (Em janeiro de 2003, o tesoureiro do PT organizou uma festa numa fazenda de Buriti Alegre. Entre os convidados estava o deputado Valdemar Costa Neto, do PR, atual marquês do Ministério dos Transportes.)
Desde fevereiro de 2004 sabia-se que Delúbio pagava mesadas a deputados do PTB. Entre a crise de Waldomiro Diniz e a seguinte, com o vídeo de um pagamento de propina a um diretor dos Correios, passaram-se 15 meses. Bastaram mais quatro meses para que daí surgisse a palavra que mudaria a história do PT e do comissário José Dirceu: "mensalão".
O novo escândalo expôs o loteamento, pelo Planalto, de cargos nos Correios, Banco do Brasil, Instituto de Resseguros do Brasil, Furnas, bem como a manipulação, pela Casa Civil, dos fundos de pensão de estatais. Nos governos anteriores aconteceram episódios semelhantes, mas não tiveram a articulação e a blindagem conquistada pelo comissariado. Trinta e dois parlamentares acusados de ter participado do "mensalão" e de roubalheiras nas verbas da saúde tiveram um crescimento patrimonial de 32% entre 2002 e 2006.
O "mensalão" ainda não saíra no noticiário quando puxaram-se as pontas da administração do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na Prefeitura de Ribeirão Preto. Era mais do mesmo. Negociando contratos de loterias na Caixa Econômica, Waldomiro Diniz propusera a empresários o serviço da consultoria de Rogério Buratti, ex-secretário de governo de Ribeirão, ex-sócio do chefe de gabinete do ministro da Fazenda. Incriminado por Buratti, Palocci agonizou durante um ano. Trazido de volta ao Planalto por Dilma, aguentou 23 dias de crise e saiu de cena sem contar quem eram os clientes que o tornaram milionário.
Burattis, Waldomiros, Delúbios, Erenices e até mesmo Pagots foram peças acessórias de uma máquina. Isso pode ser entendido quando se vê como saíram de cena. Delúbio, reintegrado recentemente à família petista, ensinou: "Faz parte da minha integridade não delatar ninguém". Na semana passada, o doutor Luiz Antonio Pagot fechou suas oito horas de silencioso depoimento com uma frase: "Sou um leal companheiro".
O escandaloso enriquecimento de Palocci foi substituído pelas propinas do Ministério dos Transportes. Como acontece desde o caso de Waldomiro Diniz, será esquecido, diante do próximo.

COME-SE E BEBE-SE

Há breves episódios que contam tudo. Faz pouco tempo, o deputado Eduardo Cunha (PMDB -RJ) casou a filha com uma festa para mil convidados nos salões do Copacabana Palace. Na terça-feira a base aliada do governo organizou dois eventos.
Num, as lideranças do PMDB e do PT comeram um bolo (horrível) de nozes simbolizando o amor que os une. Noutro, o PR manifestou seu desconforto com a faxina na área dos transportes recusando-se a comparecer a um almoço de próceres governistas. No dia seguinte foram todos ao Alvorada, para um coquetel com a doutora Dilma.
Manuel Bandeira sabia de tudo:
"Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo."

A CONTA DA BASE
De uma víbora:
"O Planalto pode resolver todos os problemas de contabilidade de sua base, mas não vai fazê-lo.
Para resolver, basta dizer ao sujeito que está pedindo cem que se contente com dez. Ele dirá que não aceita e ameaçará romper com o governo. Uma semana depois estará de volta, aceitando os dez. Se o governo oferecer cinco ele fecha negócio. Para que esse mecanismo funcione, o cidadão jamais poderá argumentar que a banda petista recebeu os cem que pedia em outro balcão. Como esse argumento continuará de pé, o Planalto irá de crise em crise. Não se esqueça que ninguém do PR ou do PMDB defendeu a entrada do BNDES no negócio do Pão de Açúcar/Carrefour."

AVATAR

Pelo andar da carruagem, o Palácio do Planalto começou a ficar pequeno para Dilma Rousseff e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Se o problema fosse só esse, a solução seria simples, mas Carvalho é um avatar, de Lula.

PARTIR PARA CIMA
O repórter Ilimar Franco narrou uma cena ocorrida na sala da Câmara em que depunha Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit, depositário de esperanças e segredos de petistas e empreiteiros. O líder do PT, Paulo Teixeira, aproximou-se do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) e disse-lhe: "Vê lá o que você vai falar aí. Não vai vir com essa história de mensalão de novo, se não a gente vai partir pra cima de você".

MADAME NATASHA

Natasha tem carinho pelo uso do idioma a serviço das boas maneiras. A senhora incomoda-se quando vê mensagens eletrônicas de pessoas que não conhece, encerrando o texto com um seco "aguardo retorno", ou numa versão mais radical, "aguardo pronto retorno". Ela acredita que o "aguardo" pode ser usado em relações hierárquicas e funcionais. Fora daí, conviria usar o velho e bom "agradeço o retorno".

OS PAPÉIS DE 1961
A morte do almirante Faria Lima, que passou pelo governo do Rio e pela presidência da Petrobras como exemplo de honorabilidade, poderá liberar um tesouro.
Em 1961, quando o país esteve à beira da guerra civil, durante a crise resultante da renúncia do presidente Jânio Quadros, Faria Lima era subchefe do Gabinete Militar. Na ocasião, o vice-presidente João Goulart estava no exterior e os ministros militares não queriam empossá-lo.
Foi montada uma operação que grampeou os telefonemas dados a Jango por aliados como Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. As degravações dessas conversas foram conservadas pelo almirante. Em 1986 ele contou que ainda as guardava consigo, mas não os mostrava: "É coisa para meus netos".

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Clubes devem faturar 20% mais com patrocínio em 2011
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 17/07/11

As receitas dos clubes de futebol do Brasil e da CBF com patrocínio e publicidade devem chegar a R$ 679 milhões neste ano, com alta de 20% sobre o ano passado.
A projeção é da consultoria BDO RCS, que divulga nesta semana relatório com o balanço fechado de 2010.
No ano passado, porém, o ritmo de crescimento foi maior, de 30%.
"Em 2010, o crescimento foi impulsionado pela evolução acima da média de alguns clubes como Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG", diz Amir Somoggi, diretor da área de esporte da BDO RCS.
O Corinthians foi o que mais faturou com patrocínio e publicidade, com R$ 47,3 milhões, seguido pelo Flamengo, com R$ 44,2 milhões.
O Atlético-MG foi o que teve a maior alta (536%). O São Paulo, a maior queda (-43%).
Esses recursos ganham cada cada vez mais importância para os clubes. "A fatia no total do faturamento deve atingir 19% neste ano, ante 9% em 2003", diz Somoggi.
Sozinha, a CBF deve representar 34% do total da receita neste ano. A participação, porém, tem diminuído. Em 2003, era de 53%.
"Apesar de a CBF ter abrangência mundial, os clubes brasileiros estão em exposição de segunda a segunda. É mais intenso que a CBF."
O que pode impedir avanço maior da receita é a falta de novos "players", segundo Cesar Gualdani, sócio-diretor da consultoria Sport+Markt.
"Os atuais patrocinadores não mudaram muito. São ações diversificadas de um patrocinador em vários clubes e fatiamento de espaços."
Na Europa, as receitas de patrocínio e licenciamento têm participação maior. "As ações são mais desenvolvidas. A fatia na receita total chega a 35%", diz Gualdani.

DESTINO SP
A cidade de São Paulo foi a mais procurada como destino final de voos para a segunda quinzena deste mês no Brasil, segundo pesquisa do buscador de viagens Mundi.
A capital paulista foi a escolhida por 14% dos clientes do portal, que costuma ter 10 milhões de acessos por mês.
É a primeira vez que o Rio de Janeiro não ocupa a liderança em buscas desde 2009.
A cidade fluminense teve 10% da procura e ficou na segunda colocação no estudo.
"O fato de ser inverno contribui para o aumento da procura por São Paulo, que não deve ficar na liderança por muito tempo", diz o gerente da companhia Thiago Flores.
O alto fluxo de pessoas para a cidade de Campos do Jordão (SP) durante o mês de julho também influenciou na busca por voos para São Paulo, de acordo com Flores.
Com a queda de temperatura nesta época do ano, as primeiras cidades nordestinas que aparecem no levantamento são Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Recife (PE), com 7%, 6% e 6% do total, respectivamente.

TABULEIRO FARMACÊUTICO
A disputa que a AstraZeneca travou na Justiça contra a venda de genéricos anticolesterol que levam rosuvastatina na fórmula fez a indústria de genéricos perder milhões, segundo a Pró Genéricos (associação do setor).
A introdução de genéricos no mercado segue, mês a mês, uma proporção de crescimento de vendas semelhantes, segundo Odnir Finotti, presidente da entidade.
"Qualquer genérico novo no mercado vende x no primeiro mês, 3x no segundo, 5x no terceiro e 6x no quarto", diz. Mas a rosuvastatina teve a tendência interrompida.
"No primeiro mês, as vendas foram de x, no segundo, 3x, no terceiro, com o ataque, caiu para x", diz Finotti.
A AstraZeneca já acionou os laboratórios Germed, Torrent e EMS e a Anvisa. Obteve e perdeu diversas liminares, o que provocou oscilações na oferta de produtos nas farmácias. A AstraZeneca informa que "continua convicta de que seus direitos de exclusividade de comercialização são válidos até 2020".

TIJOLO COM TIJOLO
A Eleva Brasil, empresa especializada em aluguel de equipamentos para elevação de carga em obras, que operava principalmente com empilhadeiras, acelera neste ano os investimentos em máquinas de maior alcance, chamadas manipuladores telescópicos, responsáveis pela logística nos canteiros.
"Com o aumento do custo da mão de obra, da demanda por construções e da velocidade no setor, a mecanização é uma alternativa", afirma Guilherme Bueno, sócio da empresa.
O equipamento torna o canteiro menos dependente de mão de obra, de acordo com o empresário.
A Eleva, que trabalhava com cerca de 20 empilhadeiras, pretende fechar 2011 com 25 manipuladores para atender, principalmente, a demanda de obras do Minha Casa, Minha Vida, de acordo com Bueno.
Entre os principais clientes da empresa estão OAS, PDG Realty, Racional Engenharia e outros.

NO CANTEIRO
Mais de 33 mil trabalhadores com carteira assinada foram contratados pela construção civil em maio no país, de acordo com levantamento do SindusCon-SP.
O número representa crescimento de 1,15% ante abril.
Nos cinco primeiros meses de 2011, foram registrados mais 159 mil, alta de 5,62%. Com as contratações, o emprego no setor aproxima-se de 3 milhões de trabalhadores. "A indústria continua aquecida e está executando o que foi contratado em empreendimentos residenciais e comerciais e obras do Minha Casa, Minha Vida e do PAC", diz Sergio Watanabe, presidente do SindusCon-SP.
O nível de emprego subiu nas regiões Centro-Oeste (2,1%), Sul (1,77%), Sudeste (1,18%) e Nordeste (0,76%), mas caiu no Norte (-0,56%), segundo a entidade. No Estado de São Paulo a construção contratou 5.600 no mês.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, e VITOR SION

ELIANE CANTANHÊDE - Passos: dois pra lá, dois pra cá

Passos: dois pra lá, dois pra cá
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 17/07/11

Afinal, qual é a do ministro Paulo Sérgio Passos? 

Passos foi saudado como um técnico, um funcionário de carreira preocupado e ocupado com a moralização dos Transportes, além do simpático detalhe de ser casado com a cantora Rosa Passos, muito querida em Brasília. Mas as dúvidas começam a incomodar.

Passos se filiou ao PR em 2006, mas agora quase tampa o nariz diante do partido. A filiação foi um mero ato oportunista, para lhe garantir espaço nos Transportes, feudo dos “republicanos”?

Como secretário-executivo, era o segundo homem na hierarquia. Em tese, tudo passava por seu gabinete. Dá para se dizer chocado ou surpreso com o que acontecia e acontece por lá, sob suas barbas?

Também ocupou duas vezes a vaga de ministro, quando o titular Alfredo Nascimento saiu para disputar eleições em 2006 e em 2010. O grosso das liberações e dos desvios não costumam ocorrer justamente em anos eleitorais?

Os leitores estão aflitos, uns, e curiosos, outros. Questionam, como o meu colega Ricardo Melo no quadrado aí de cima: se não viu e não sabia, Passos é incompetente; se viu e sabia, é conivente?

Para a cúpula do PR, atingida em cheio pelas denúncias que não param de jorrar dos Transportes e de empresas de filhos e mulheres do seu alto escalão, o problema de Passos não é incompetência nem conivência. É jogo duplo?

Ele caiu nas graças do PR por se filiar ao partido e participar passivamente das tramoias durante todos esses anos. Agora cai nas graças de Dilma por ser informante sobre a bandalheira?

Diz a lenda — e a prática — que quem serve a dois senhores acaba se queimando com ambos. O PR acendeu o fósforo, alertando que Passos pode usar a vassoura à vontade, mas só para varrer a sujeira para debaixo do tapete. Dilma, porém, exige faxina mesmo. Se Passos não fizer, o varrido vai ser ele.

BRAZIU: O PUTEIRO

CLÁUDIO HUMBERTO

"Já temos nossos gângsteres aqui, não precisamos importar mais"

Deputado Marcelo Ramos (PSB-AM), explicando a rejeição do título de
cidadão amazonense a Ricardo Teixeira, presidente da CBF


Negócio na Petrobras tira o sono do governo
A presidente Dilma ficou impressionada com informações recebidas sobre a desenvoltura do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RS) na área internacional da Petrobras, ainda que já tenha dito que nada mais a surpreenderia, envolvendo o parlamentar. Ela foi avisada de aquisições da estatal na Tanzânia e no Gabão capazes de tirar-lhe o sono. Dilma ordenou apuração dos fatos e exigiu rigor nas próximos aquisições.

Corrida

O PMDB de Minas percebeu a crise e já tenta indicar um substituto para o atual diretor internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada.

Esqueletos

O Brasil quer importar "cérebros" do exterior para o desenvolvimento tecnológico. Já não basta ser brasileiro o genial cérebro do mensalão?

Fim do mundo

Abalado pelos grampos ilegais, o bilionário australiano Rupert Murdoch faria o maior sucesso aqui com o "News of the end of the world".

Homem certo

Tem gente querendo arranjar algo para Lula fazer, em vez de passar o dia dizendo asneiras. Talvez fiscal das obras do estádio do Corinthians.

TCU na pauta

O líder do PMDB e futuro presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (RN), reforçou com seu apoio a candidatura da líder do PSB, deputada Ana Arraes (PE), para a vaga do ministro Ubiratan Aguiar no Tribunal de Contas da União. Campeã de votos em 2010, a mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tem a torcida da presidente Dilma Rousseff, mas a decisão será do plenário da Câmara.

Nos esqueçam

Quinze deputados do PT que assinaram apoio a Sérgio Carneiro (PT-BA) no TCU, depois juraram apoiar o líder do PTB Jovair Arantes (GO).

UNE amestrada

A mãe Petrobras pagou tudo no congresso da UNE em Goiânia, que teve Lula, cujo governo calou a entidade com grana. Pública, claro.

Na rodovia

Só se fala de quem recebeu no Dnit. Mas a pergunta se recusa a calar: e de quem Pagot?

O retorno

O deputado João Paulo (PE) não descarta trocar o PT pelo PSB, para disputar a prefeitura de Recife. Ele contou vantagem no cafezinho da Câmara: pesquisas dariam a ele mais de 50% das intenções de votos.

Pardon

A França também tem um Enem básico: a prova de Geografia de conclusão do ensino médio mostrou unidos Japão, Itália e Brasil. Nosso país virou uma ilha, pouco maior que a península italiana.

PODER SEM PUDOR

Secretária traiçoeira

Importante jornalista do Rio, diretor de jornal, descobriu de forma curiosa o caráter de um político que julgava seu amigo: o deputado Júlio Lopes (PP-RJ). O parlamentar ligou para ele, mas o celular não atendia. Distraído, Lopes não desligou e nem percebeu que sua ligação caíra na secretária eletrônica. E passou a fazer comentários sobre o jornalista, a quem chamou de "muito nervoso" e até de "veado". Perplexo, o jornalista carioca ligou para o deputado, disse-lhe desaforos e se demitiu de sua "amizade", para sempre.

DOMINGO NOS JORNAIS

Globo: UPAs de lata no Rio custam mais caro do que hospitais

Folha: 8 em cada 10 têm oferta para mudar de emprego

Estadão: Estoques crescem e levam indústrias a antecipar férias

Correio: A queda do império americano...

Zero Hora: Fraudes gaúchas - Cofres públicos esperam R$ 578 milhões desviados