domingo, maio 15, 2011

ANDREZA MATAIS e JOSÉ ERNESTO CREDENDIO - Palocci multiplicou por 20 patrimônio em quatro anos


  Palocci multiplicou por 20 patrimônio em quatro anos
ANDREZA MATAIS e JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11
Chefe da Casa Civil comprou apartamento de R$ 6,6 milhões antes de assumir

Imóvel foi registrado em nome de empresa que ministro criou para dar consultoria quando era deputado federal




Semanas antes de assumir o cargo mais importante do governo Dilma Rousseff, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) comprou um apartamento de luxo em São Paulo por R$ 6,6 milhões.
Um ano antes, Palocci adquiriu um escritório na cidade por R$ 882 mil. Os dois imóveis foram comprados por uma empresa da qual ele possui 99,9% do capital.
Em 2006, quando se elegeu deputado federal, Palocci declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio estimado em R$ 375 mil, em valores corrigidos pela inflação. Ele tinha uma casa, um terreno e três carros, entre outros bens.
Com o apartamento e o escritório, Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio nos quatro anos em que esteve na Câmara -período imediatamente posterior à sua passagem pelo Ministério da Fazenda, no governo Lula.
Nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado, Palocci recebeu em salários R$ 974 mil, brutos.
A quantia é insuficiente para pagar os dois imóveis que ele adquiriu. Os dois já foram quitados, de acordo com documentos aos quais a Folha teve acesso.
Procurado pela reportagem, Palocci disse que as compras foram feitas com recursos da sua empresa, a Projeto Administração de Imóveis. O ministro da Casa Civil não quis identificar seus clientes nem informou o faturamento da empresa.
Palocci abriu a Projeto com sua mulher, Margareth, no dia 21 de julho de 2006, duas semanas depois de encerrado o prazo que tinha para entregar sua relação de bens à Justiça Eleitoral. Por esse motivo, a empresa não apareceu na declaração.

CONSULTORIA
Segundo os registros da Junta Comercial, a Projeto foi criada como consultoria e virou administradora de imóveis dois dias antes de Palocci chegar à Casa Civil. O ministro disse que os dois imóveis que comprou são os únicos que a Projeto administra.
A empresa tem como sede o escritório que Palocci comprou antes do apartamento.
Ele foi adquirido em 11 de dezembro de 2009 e fica num prédio na região da avenida Paulista, uma das áreas mais valorizadas da capital.
O apartamento fica perto dali, nos Jardins, bairro nobre da zona sul. Ocupa um andar inteiro do edifício, tem quatro suítes e 502 metros quadrados de área útil, mais cinco vagas na garagem.
Palocci comprou o apartamento direto da construtora e pagou o imóvel em duas parcelas, uma de R$ 3,6 milhões e outra de R$ 3 milhões.
A propriedade foi registrada no nome de sua empresa em 16 de novembro de 2010.
Segundo vizinhos, Palocci mora atualmente no apartamento. Os moradores do prédio pagam taxa de condomínio de R$ 3.800 mensais.

"POUCOS BENS"
Ao assumir, todo ministro deve informar seus bens à Controladoria-Geral da União e ao Tribunal de Contas da União, além de autorizar o acesso às suas declarações de Imposto de Renda.
Palocci disse à Folha que encaminhou à Comissão de Ética da Presidência da República todas as informações sobre a Projeto e as propriedades que a empresa tem.
Na autobiografia "Sobre Formigas e Cigarras", lançada em 2007, Palocci se descreveu como um homem de "poucos bens" e manifestou "indignação" com "boatos" que circularam sobre suas finanças pessoais no passado.
Palocci deixou o cargo de ministro da Fazenda em março de 2006, depois de se envolver no escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que trabalhou numa casa que Palocci frequentava com amigos e lobistas em Brasília.
Em 2006, o ministro vivia numa casa em Ribeirão Preto, no interior paulista. Em sua declaração à Justiça Eleitoral, ele estimou em R$ 56 mil o valor da casa, que ainda pertence a Palocci. Corretores da cidade calculam que o imóvel vale R$ 550 mil hoje.

Colaborou ARARIPE CASTILHO, de Ribeirão Preto

OUTRO LADO

Rendimento de consultoria pagou imóveis, diz Palocci

Ministro afirma ter informado ao governo a existência da empresa e dos imóveis, mas evita identificar clientes

DE BRASÍLIA

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, disse que os dois imóveis registrados em nome da Projeto foram adquiridos com recursos que sua empresa recebeu no período em que atuou como consultoria, quando ele exercia o mandato de deputado.
Em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa, o ministro disse que informou a existência da empresa e das suas propriedades ao órgão de controle interno da Presidência da República.
"Tais informações foram registradas junto à Comissão de Ética Pública da Presidência quando da nomeação do ministro", afirma a nota.
Com o fim das atividades de consultoria, a atribuição da Projeto passou a ser "a administração dos dois imóveis registrados na Junta Comercial", diz a nota do ministro.
Segundo Palocci, a Projeto foi criada como "uma empresa de consultoria financeira e econômica" e "encerrou as suas atividades de consultoria em dezembro de 2010 - fato registrado na Junta Comercial de São Paulo".
Desde que assumiu o cargo no governo Dilma Rousseff, diz a nota, "o ministro não realiza qualquer atividade relacionada à empresa".
A assessoria de Palocci deixou sem resposta várias outras questões apresentadas pela Folha ao ministro.
A assessoria preferiu não indicar as empresas para as quais a Projeto deu consultoria, não informou quem era responsável pela prospecção de clientes, como era sua rotina e quais as atribuições que Palocci exercia na firma.
O ministro também não deu informações sobre o faturamento e os lucros obtidos pela Projeto nem quis discutir como conciliava suas atividades de deputado federal com a de consultor. Também não esclareceu por que mantém uma empresa para administrar somente dois imóveis.(ANDREZA MATAIS E JOSÉ ERNESTO CREDENDIO)

Funcionária diz não saber o que empresa faz

DE BRASÍLIA

A empresa que o ministro Antonio Palocci usou para registrar as duas propriedades que adquiriu nos últimos dois anos é hoje, no papel e segundo o próprio ministro, uma administradora de imóveis. Mas nem a única pessoa que atende o telefone diz saber a atividade do escritório.
A Folha foi duas vezes à sede da Projeto, na região da avenida Paulista, em São Paulo. Mas encontrou a sala fechada, sem placa na porta nem identificação na recepção do edifício onde fica.
A reportagem também telefonou para a empresa em duas oportunidades. Na primeira, uma funcionária que se identificou apenas como Rita disse que não saberia explicar o que a empresa faz nem o que fez no passado.
Na segunda vez, a mesma mulher disse que a empresa ""não faz administração de imóveis" e acrescentou: "No momento, a gente não está trabalhando com essa prestação de serviço". Indagada sobre qual seria então a atividade da empresa, ela afirmou que não poderia ajudar.
Em dezembro de 2006, poucos meses depois de abrir a empresa, Palocci registrou como sócio minoritário da Projeto o economista Lucas Martins Novaes, que dois anos antes havia se formado na USP. Ele tem menos de 1% do capital da empresa.
Apontado por pessoas que o conhecem como bom estatístico, Novaes faz atualmente um curso de pós-graduação na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, onde foi localizado pela Folha.
Contatado por e-mail e por telefone, ele disse que iria ligar de volta para a reportagem, o que não ocorreu até a conclusão desta edição.
De acordo com os registros da empresa na Junta Comercial, a Projeto tem capital de R$ 102 mil, sendo que Palocci possui R$ 101.960 e Lucas, R$ 40. A mulher de Palocci, Margareth, participou da fundação da Projeto em 2006 e afastou-se poucos meses depois. (AM e JEC)

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Vou ligar pro doutor Trotte!


Ueba! Vou ligar pro doutor Trotte! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
"Homem marca encontro pela internet e descobre que é a própria namorada." Em que lugar? ONTÁRIO! E sabe como se chama a advogada da Máfia da Merenda? Elisabeth QUEIJO! E aí um amigo foi ao banco e adivinha o nome da gerente? Famil GANÂNCIA! E este anúncio: "Emagreça já! Ligue para o dr. TROTTE". Ah, eu vou ligar: "Doutor Trotte, é o Ronaldo!" Rarará!
E uma amiga está indignada porque pegou ônibus na Consolação e, quando chegou na dr. Arnaldo, uma barata subiu na perna dela. Isso que se chama passagem MAIS barata! E um amigo meu apelidou o pingolim dele de "juros": sobe à toa!
E as últimas do Bin Laden! Casa Branca libera foto do Bin Laden morto: um chinelão Rider boiando no mar! Mas a melhor é esta: "Sogra de Bin Laden morre ao saber da morte do genro". Isso prova que ele não foi pro Paraíso! E a casa do Bin Laden ficava no bairro Bilal Town! Então ele se escondia na casa do caraca! E o nome do novo líder da Al Qaeda? Ayman Al Zahiri! COMO? Minha língua não dá pra isso. Não basta o Ahmadinejad? Por que esse povo não muda o nome pra Zé?
E diz que o PSDB e o DEM morreram. Então joga os dois no mar! E aí Iemanjá devolve: "Já não basta aquele monte de sidra Cereser?". E a divisão dos Estados? Eu gostei do Maranhão do Sul e do Maranhão do Norte. Contanto que o Sarney continue mandando nos dois!
E o grande babado da semana: "Governo de São Paulo desiste de metrô Higienópolis após protestos de moradores". Dizem que o metrô traz drogados, mendigos, essa gente diferenciada. Gente diferenciada? Tucanaram os pobres! Rarará! Muda o nome do bairro pra República dos Brioches!
E uma amiga pobre: "Adorei o título gente diferenciada. Posso dar tchau tipo miss?". E uma baiana: "Então manda a estação pra Salvador, que não tem nenhuma".
E uma amiga mora em Higienópolis, mas é a favor do metrô. Vai pedir asilo político em Brasilândia. Capital da gente diferenciada! Reviravoltas. Manchete do Twitteiro: "Extra! Moradores de Higienópolis aprovam estação de metrô com quatro suítes, sauna, espaço fitness e seis vagas". Sensacionalista: "Moradores de Higienópolis só aceitam metrô se tiver ligação com a estação Broadway/5th Avenue".
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

A GRAMÁTICA DE LULA ADOTADA PELO MEC

ELIO GASPARI - É preciso vigiar quem anda de ônibus


É preciso vigiar quem anda de ônibus
ELIO GASPARI

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11

Cinco ministros avançaram na Viúva, mas comissariado está de olho nos servidores que usam transporte público


DESDE DEZEMBRO, quando Dilma Rousseff fechou a composição do seu ministério, cinco de seus titulares cobraram indevidamente cerca de R$ 50 mil à Viúva. Num caso, conta de motel; noutros, diárias. Nesse valoroso cenário, o Ministério do Planejamento recauchutou uma medida provisória do tucanato e foi em cima do andar de baixo. O aparelho da doutora Miriam Belchior baixou a Orientação Normativa nº 4, regulamentando o uso do auxílio-transporte dado aos 500 mil servidores da União.
Em 1998, o tucanato substituiu os vales-transporte dos servidores por um auxílio em dinheiro. Foi um aumento salarial disfarçado numa barafunda de normas que, se fossem cumpridas, azucrinariam a vida do servidor que anda de ônibus. Na vida real, refrescam o orçamento de quem tem carro, engana a Viúva e embolsa o dinheiro.
Em tese, o auxílio-transporte só pode ser usado para os trajetos de ida e volta de casa para o serviço. Se o sujeito veio de carona, mas quer pegar um ônibus para ir almoçar, não pode. (Artigo 3º da Orientação Normativa, herdado da MP do tucanato.)
O servidor precisa registrar seu endereço no comissariado e o benefício só pode ser usado no percurso para o serviço. Se a funcionária levou o filho à escola antes do horário de trabalho e, de lá, quer tomar um ônibus, azar o dela. (Parágrafo 1º do artigo 6º, também herdado do tucanato.)
O auxílio não podia ser usado em ônibus especiais. Agora pode, mas o suspeito deverá apresentar o comprovante da viagem, competindo "aos órgãos e entidades apreciar a veracidade dos documentos apresentados". Criou-se o tabelionato de passagens. (Parágrafos 2º, 3º e 4º do artigo 5º.)
Podendo simplificar a barafunda tucana, o governo complicou-a. Até 31 de dezembro, os servidores públicos federais deverão atualizar seus cadastros, informando endereços e percursos.
O auxílio em dinheiro (R$ 150 mensais, por baixo) é um convite à fraude. Cerca de 25 milhões de brasileiros recebem algum vale-transporte, sem tabelionato nem cadastro de trajetos. Um empresário com décadas de serviço atrás do balcão e mais de 5.000 empregados ensina: "Dou o vale e o trabalhador faz com ele o que bem entende. Se o diretor de recursos humanos me trouxer uma proposta dessas, está na rua".
A Orientação Normativa nº 4 e a medida provisória 2.165-36, de 2001, disputam um lugar na galeria das pérolas da burocracia. Nela brilha uma portaria de 1975, que legislou sobre as "especificações para a padronização, classificação e comercialização interna do pepino".
Ela informava que os pepinos se dividem em grupos, classes e tipos. Os pepinos longos do grupo 1 deveriam ter "comprimento de 200 a 250 milímetros com diâmetro transversal mínimo de 40 milímetros". Mais: "Comprimento [é a] medida tomada no eixo que vai da base da inserção do pedúnculo ao ápice do fruto".

CLÍNICA LULA

O comissariado do Planalto precisa definir uma voz para tratar dos assuntos relacionados com a saúde de Dilma Rousseff.
Pode ser a dela, a do médico, até mesmo a de um porta-voz.
Uma coisa é certa, quando Lula assume a cadeira de clínica geral da República, a credibilidade dos prognósticos confunde-se com a dele.

ELETRODOMÉ$TICO
Para o estoque de conhecimentos de quem acompanha a batalha interna da Receita Federal contra auditores corruptos.
Na casa de um servidor sob investigação havia uma máquina de contar dinheiro.

SAMBA POLÍTICO
O cantor Neguinho da Beija-Flor, puxador de samba da escola, deverá se filiar ao PC do B. No passo seguinte, é provável que seja candidato a prefeito de Nova Iguaçu.
Se isso acontecer e ele for eleito, a família Sessin/Abraão dominará cerca de 1 milhão de habitantes da Baixada Fluminense. Ela já tem a prefeitura de Nilópolis, com Simão Sessin, mais uma cadeira na Câmara e outra na Assembleia. Tudo isso e mais a presidência de honra da Beija-Flor, com o patriarca Anisio Abraão. A escola acumula 12 títulos de campeã do Carnaval, e ele, duas passagens pela cadeia.

ANARCOPETISMO
De uma víbora, ao ver a decomposição da base do governo na Câmara durante o vota-não-vota do Código Florestal:
"O presidente da Casa, Marco Maia, se entende com José Dirceu e Rui Falcão, que não se entendem com o líder do governo, Cândido Vaccarezza, que se entende com Antonio Palocci e Dilma Rousseff".
Todos petistas.

QUE CAPELA?

Há parafusos soltos nos melhores gabinetes do Planalto. Durante alguns dias circulou entre os sábios do pedaço que chegara ao governo um pleito absurdo de uma universidade que pedia dinheiro "para restaurar uma capela".
Era a Federal do Rio, pedindo ajuda para a reconstrução da capela de sua reitoria, a São Pedro de Alcântara, construída na metade do século 19 e destruída por um incêndio em março.

SOBRE A CHINA
Sai na terça-feira "On China" ("Sobre a China"), o novo livro do ex-secretário de Estado Henry Kissinger.
Quem já leu gostou. Para quem espera um livro que lhe permita entender o fenômeno chinês, pode ser um prato cheio.
O e-book poderá ser baixado por US$ 19,80.

O LEITOR ESCLARECE
O deputado Abelardo (e não Alberto, como foi publicado aqui) Camarinha (PSB-SP), ex-prefeito de Marília, está listado como o parlamentar recordista em processos no STF. São seis ações penais e sete inquéritos.
Ele esclarece que duas ações penais foram arquivadas. Foi arquivado também o inquérito em que era acusado de crimes de incêndio e formação de quadrilha.

DE QUEM É O 'ORGULHO VERDE'?
Está no ar um site intitulado "Orgulho Verde". Radical defensor do meio ambiente, não identifica seus responsáveis e está hospedado num provedor americano. É tão radical que dá o que pensar.
Diz o seguinte sobre a Amazônia: "Se internacionalizássemos toda a região e criássemos uma espécie de Conselho Internacional composto por instituições ambientais mundiais e presidido por ONGs como a World Wildlife Fund e o Greenpeace, que são referência em preservação ambiental e têm competência o bastante para cuidar disso, certamente reverteríamos este quadro".
É direito de todos dizer o que bem entendem, mas convém identificar-se. O Greenpeace esclarece: "Não temos nada a ver com esse "Orgulho Verde" e muito menos com a tese de internacionalização da Amazônia".

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Saudades de 2008
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11

Prefeitos que saíram da marcha em Brasília com as mãos mais vazias do que nos anos Lula projetam dificuldades para se reeleger ou emplacar seus candidatos em 2012. Alegam que o aperto fiscal ordenado por Dilma Rousseff atingiu em cheio as administrações. Muitos estão com as avaliações despencando.
Diante da incerteza macroeconômica e da perspectiva de reajuste de 13% no salário mínimo em janeiro, fruto de política aprovada pelo Congresso, os prefeitos temem chegar à campanha ainda mais sobrecarregados. E já reconhecem que a taxa de reeleição de 2008, de quase 70%, dificilmente se repetirá.
Vem cá Às voltas com a organização do PSD, Gilberto Kassab teve longa e recente conversa com Lula. Falaram sobre a sucessão paulistana e a conveniência de manter as "portas abertas".

Te contei? 
Cada qual com seu projeto, o prefeito e o ex-presidente têm um ponto em comum: ambos procuram alertar seus interlocutores de que Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB na capital, "é Alckmin".

Sem refresco 1 
Enroscado com o Código Florestal na Câmara, o governo não tem motivo para esperar mais tranquilidade quando o projeto chegar ao Senado. Além da presidente da CNA, Kátia Abreu (PSD-TO), há ali muita gente com base eleitoral sensível às questões da produção agropecuária.

Sem refresco 2 
Na bancada do PT, é o caso de Delcídio Amaral (MS) e de Gleisi Hoffmann (PR). Escolhido para relatar a matéria na CCJ do Senado, Luiz Henrique (PMDB-SC) tem posição inequívoca pró-ruralistas.

Controle total 
A viagem à China ainda inspira Dilma. Na sexta-feira, a presidente disse ao governador Eduardo Campos (PSB-PE) ter ficado impressionada com a disciplina e a organização de seus anfitriões. "Você fala com um e, quando vai falar com outro, este já sabe tudo!".

Sombra 1 
Geraldo Alckmin já formata o "governo paralelo" que irá propor à direção nacional do PSDB na convenção do dia 28. O tucano encomendou a Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington e Londres, estudo sobre os principais eixos do projeto, inspirado no britânico "shadow cabinet".

Sombra 2 

O gabinete seria constituído por técnicos encarregados de acompanhar com lupa as ações do Planalto em infraestrutura, desenvolvimento social, política externa, previdência, saúde e educação. A equipe produziria notas periódicas, sugerindo soluções e subsidiando as bancadas tucanas.

Sombra 3 
O modelo, ainda sem respaldo da cúpula tucana, serviria para orientar os rumos do que Barbosa chama de "oposição leal, sem denuncismo". A montagem do gabinete também serviria para Alckmin -que, como governador, evita confronto com Dilma- expor as fragilidades do Planalto.

Oração verde 
O governo paulista fechou acordo com a Regional Sul-1 da CNBB para divulgar folhetos nas igrejas e entidades católicas com dicas de sustentabilidade, tema da Campanha da Fraternidade. A distribuição começa na Semana do Meio Ambiente, em junho.

Tesourada
Relator da subcomissão sobre a reforma administrativa do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES) vai recomendar a extinção de 200 dos 400 cargos da polícia da Casa. Ele também defenderá o corte de 25% dos cargos comissionados. O peemedebista apresentará seu relatório na terça.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Em oito anos na Presidência, Lula não deu nenhum centavo ao metrô de São Paulo. Agora, sem mandato, resolve cantar de galo."
DO TUCANO EDSON APARECIDO, secretário de Desenvolvimento Metropolitano do governo Alckmin, sobre as críticas do ex-presidente à mudança, endossada por moradores de Higienópolis, da estação que seria feita na avenida Angélica

contraponto

Tinindo de novo

Ao encontrar José Sarney no Senado, dias atrás, Gabriel Chalita contou-lhe da recente viagem que fez ao Vaticano, em companhia de Michel Temer, para assistir à cerimônia de beatificação de João Paulo 2º.
O deputado, que no próximo 4 de julho trocará o PSB pelo PMDB de Sarney e Temer, aproveitou para comentar que muitos jovens e acadêmicos prometem acompanhá-lo e ingressar na sigla.
-Renovação no PMDB? Pois então é o segundo milagre de João Paulo 2º!- comemorou Sarney.

MEC E O PADRÃO LULA

RUBENS RICUPERO - A volta da igualdade


A volta da igualdade
RUBENS RICUPERO
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11

Só ela poderá restituir às sociedades ocidentais os valores afogados no naufrágio das finanças globais

O debate político sobre a igualdade está se reatualizando em quase toda a parte menos no Brasil. A causa principal é a perversidade da crise financeira. Desde 1980, com a cumplicidade dos governos Reagan e Thatcher, os financistas elevaram a desigualdade a níveis estratosféricos nos EUA e na Inglaterra.

Quando a crise desabou, os banqueiros saíram mais ricos do que nunca e cobraram das vítimas a conta da destruição.

Não admira que, abandonadas pelos governos que deveriam defendê-las, as massas desempregadas e empobrecidas engrossem a direita delirante nos Estados Unidos e xenófoba na Europa.

Talvez o único efeito benéfico dessa colossal injustiça seja o renascimento do debate sobre a igualdade. Livros e estudos originais alimentam a discussão e fornecem base para arrependimentos que se multiplicam entre os socialistas europeus. O exemplo mais espetacular foi o do New Labour, de Tony Blair, que acaba de suprimir o New do seu endereço eletrônico.

Repudia, desse modo, a indiferença diante da desigualdade, uma das marcas da chamada ‘revolução’ de Blair. Um dos coautores do manifesto ideológico do então líder trabalhista chegou a declarar em 1998 que o partido se sentia à vontade com a ideia de que alguns sejam imundamente (‘filthy’) ricos, desde que paguem impostos!

Na tentativa de reencontrar o compasso moral e readquirir a razão de existir, os partidos progressistas passaram a tomar a sério a possibilidade de recuperar a paixão pela igualdade. Apanágio dos escandinavos e mito criador, essa paixão e somente ela poderá restituir às sociedades ocidentais o senso dos valores afogado no naufrágio das finanças globais.

Tenciono examinar em alguns artigos as obras que merecem divulgação entre nós, mas antes gostaria de registrar a estranha ausência de tendência similar no Brasil. Não é que nos tenhamos tornado alheios à desigualdade brasileira que tanto nos angustiou e envergonhou até data recente.

O motivo será até de boa índole: estonteados pela glorificação dos incipientes resultados colhidos na redução da pobreza e da desigualdade, muitos são levados a crer que o problema está resolvido ou em vias de solução.

Cabe, portanto, precisar melhor as coisas. Os ganhos são reais, significativos e visíveis: redução da pobreza absoluta de 34% e da extrema em 50% em menos de 15 anos.

O problema é que se parte de tão baixo _o critério da pobreza absoluta é menos da metade do salário mínimo e o da extrema, menos de um quarto_ que as conquistas são muito insuficientes. O mesmo ocorre com a desigualdade, com declínio médio anual de 1,2%, o que coloca o Brasil entre os 16 países de maior redução. Nesse ritmo, no entanto, levaremos mais de 25 anos para chegar ao índice dos americanos!

No aniversário da Abolição não se pode deixar de sentir alegria com a notícia de que os auto-declarados pretos avançaram 43% na renda e os pardos 48,5% na década passada, contra 20% dos brancos, segundo o estudo ‘Desigualdade de Renda na Década’ da FGV (www.fgv.br/cps/dd).

Não é razão, porém, para alimentar a auto-complacência, pois muito resta a fazer como indica o debate mundial que pretendo cobrir nesta série.

CELSO MING - Derrubar os juros


Derrubar os juros
CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 15/05/11

Não basta denunciar os "juros escorchantes" que prevalecem no Brasil. É preciso apontar para uma saída.

Em artigo publicado na edição de quarta-feira (dia 11/5) no Estadão, o economista Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real, apresentou sugestões "para trazer os juros brasileiros para níveis civilizados".

Ele parte do princípio de que os juros estão onde estão em consequência do passado hiperinflacionário e caloteiro da economia brasileira e da excessiva indexação de preços, salários e valores (exagero na aplicação de correção monetária).

Além de um ajuste das contas públicas para valer, que derrube a dívida pública do País para o patamar dos 20% do PIB, Bacha sugere que um bom pedaço do passivo do Tesouro seja emitido com garantia das reservas internacionais.

Ele pede providências complementares: meta de inflação de 3% ao ano, a ser alcançada até 2020; liberação de aplicações financeiras de residentes no Brasil no exterior; e o desmonte dos créditos direcionados (BNDES, crédito hipotecário e rural).

São propostas que precisam ser levadas a sério. Bacha acredita que somente a redução à metade da dívida pública, hoje de 40% do PIB (veja o gráfico), seria capaz de derrubar os juros básicos (Selic) também à metade. Mesmo se ficasse faltando alguma coisa para tudo isso, já seria uma vitória.

O uso de reservas internacionais para lastrear a dívida pública aumentaria a credibilidade e, por si só, deveria ser tentado. Mas, atenção: uma decisão desse tipo exigiria caução (bloqueio) das reservas. Ou seja, elas já não poderiam ficar disponíveis, como estão hoje, e, nessas condições, já não funcionariam como reservas à vista.

Mas há um obstáculo ainda maior. Ao câmbio de hoje, a dívida do setor público corresponde a mais de US$ 1 trilhão e as reservas externas são de pouco mais de um terço desse valor. Levando-se em conta que convém mantê-las totalmente líquidas em pelo menos US$ 200 bilhões (volume que foi suficiente para transformar os vagalhões da grande crise em apenas uma marolinha), já se vê que o Brasil não dispõe de volumes suficientes para apresentar as garantias sugeridas.

É também duvidoso que a liberação de aplicações financeiras no exterior conseguisse, por si só, derrubar os juros. Mas, é claro, essa sugestão não pretende aumentar o fluxo de dólares do Brasil para o exterior. Enquanto os juros aqui dentro permanecerem na lua, onde estão agora, a tendência é que os capitais invistam no País e não a de que os capitais brasileiros procurem o mercado externo. A ideia é apenas manter aberta a porta de saída para reforçar a confiança.

No entanto, Bacha tem razão ao afirmar que o crédito direcionado tira mordedura da política de juros. Nada menos que 30% do volume de crédito no Brasil é obrigatoriamente dirigido ou aos clientes do BNDES, ou ao setor imobiliário, ou ao agronegócio. Não há como deixarem de ser feitos pelos bancos, quaisquer que sejam os juros do Banco Central.

Ora, um dos objetivos mais importantes da política de juros é agir sobre os canais de crédito. Se os financiamentos são feitos de qualquer maneira, chova ou faça sol, porque a lei ou a regulamentação assim determina, a política monetária do Banco Central perde eficácia e tem de ser reforçada com juros redobrados.

A limitação dessa sugestão é a de que ainda não existe no Brasil nem um mercado de capitais desenvolvido que capaz de substituir a ação do BNDES nem um forte mercado de títulos hipotecários que seja capaz de dispensar os financiamentos dirigidos da rede bancária.

Mas isso apenas está dizendo o quanto da velha ordem financeira ainda tem de ser demolida por aqui. Se o Brasil quer ter juros baixos, terá de pensar em saídas como essas sugeridas por Bacha. Não serão nem fáceis nem de custo baixo e isso já se sabe há muito.

GOSTOSA

ELIANE CANTANHÊDE - Nordeste cresce e aparece


Nordeste cresce e aparece
ELIANE CANTANHÊDE 
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11
BRASÍLIA - A Telecom Italia fechou as portas na Alemanha, na Espanha e na Turquia, assim como no Chile, na Venezuela, no Peru, na Bolívia e em Cuba. Mas, em vez de sair ou de reduzir seus negócios no Brasil, só faz aumentá-los. Com um detalhe: 40% dos novos investimentos até 2013, de R$ 8,5 bi, vão para Norte e Nordeste.
Não é um fato isolado. Há meio século, Juscelino Kubitschek inaugurou Brasília no Planalto Central pensando na integração física, política e econômica do país. O Nordeste, porém, manteve os estigmas, o flagelo da seca e os paus-de-arara rumo ao "sul maravilha".
Isso está mudando. Norte e Nordeste não escapam do ciclo virtuoso nacional de quase 20 anos. Com taxas de crescimento superiores à média, tornam-se mercados apetitosos e atraem investimentos.
A impressão é que o mundo está descobrindo um Brasil para além de Rio e São Paulo e mirando o Nordeste. Quem conversar com um, dois, três embaixadores, se prepare. Todos vão comentar o crescimento sobretudo nordestino e fazer mil e uma perguntas sobre a região.
O da Itália acaba de voltar do Pará e do Maranhão. O da Coreia do Sul, de uma maratona com empresários do seu país ao Nordeste. E, segundo o da Alemanha, boa parte dos 60 executivos que vieram com o presidente Christian Wulff tinham como foco projetos de infraestrutura no Nordeste.
Além disso, a Embaixada dos EUA teve ação decisiva para a abertura de voos entre capitais nordestinas e norte-americanas. E não só por causa do trânsito de turistas.
Se algum desavisado chegar a Fortaleza, Recife, João Pessoa... pode repetir o vexame de Lula na Namíbia: "Tão limpinho, nem parece o Brasil!". Isso é só um reflexo.
Atacada a desigualdade regional, é hora de aprofundar o combate estruturante à desigualdade social. Esta continua uma vergonha, não do Norte e do Nordeste, mas nacional. A luta continua!

JANIO DE FREITAS - Os dois fenômenos


Os dois fenômenos
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11
Kassab é mesmo o político mais importante de São Paulo; como é possível que seja ele o relevo do Estado?


NEGÁ-LO, OU FINGIR que não percebe, não alteram a evidência: com a elevação de Lula a político acima de limites estaduais, Gilberto Kassab, senhoras e senhores, é mesmo o político mais importante de São Paulo. Não será isso um apelo bastante forte para os paulistas ilustrados e os nem tanto se entregarem, afinal, à reflexão que devem há tanto tempo, sobre si mesmos e sua relação com o Estado e o país?
Nem uma só frase sua, nem uma só ideia sua o nome dessa eminência política, com tantos anos de trânsito na vida pública, traz à lembrança. E não é em algum lugar subalterno que Kassab se sobrepõe aos circunstantes. É no Estado das grandes universidades, do poder financeiro e econômico, da imprensa predominante em influência nacional. Como é possível que seja ele o relevo?
Políticos tirados de uma cartola são comuns. O berço malufista em que Kassab surgiu foi o mesmo de onde saiu Celso Pitta, o que explica a união das duas crias até que o segundo sucumbisse à desgraça política. Mas Kassab encontrou outra cartola, mais surpreendente: a de José Serra. Nem com tal ajuda, ainda retribuída por serviços variados, o Kassab prefeito foi além de suas marcas físicas - a peculiaridade da aparência e do timbre de voz.
Não. Teve uma diferenciação no território político, sim. Ficou aí, mesmo inerte e insignificante, mesmo para nada. E à volta os outros foram minguando, ou aturdindo-se, ou errando em cada passo. Os que ainda falam às vezes, falam sem eco. Quem ainda ambiciona, refugia-se no ressentimento e na perplexidade. E o mundo de pujanças que é São Paulo não foi capaz de fazer brotar nada que se mostrasse, na planície árida de um só tronco em pé, apesar de si mesmo.
Gilberto Kassab, sem contraste e sem cerimônia, pode fazer o que quiser. Por mais despropositado que seja. Cria uma representação sua na Inglaterra para ilustrar-se, na preparação da Olimpíada de Londres, para a Olimpíada que será no Rio. Só desmando debochado com os paulistanos, mais um sem reação, ou algum aviso aos cariocas? Nomeia para más particularidades paulistanas conselheiros que nelas não padecem. A respeito, parece-lhe bastante dizer que o faz "em homenagem" a Marco Maciel, atitude que a Maluf custou pesado processo, por também homenagear a seleção brasileira com dinheiro impróprio.
Bem à sua imagem, Kassab lança o tal PSD, partido sem razão de ser e sem uma só ideia definida ainda que alheia. Não é, de fato, partido político. É uma oportunidade para kassabs de diversos calibres e semelhantes propósitos. Não há como concordar, porém, com a ampla opinião de que o PSD não terá maior consequência. As adesões que recebeu na Câmara aproximam-se já de 50 deputados, uma numerosa bancada capaz ainda de crescer, e no Senado incluem já dois parlamentares com probabilidade de mais dois.
O que Kassab traz com seu partido é mais um bando do toma-lá-dá-cá. Com isso, um fator de maior degradação da vida política em suas instâncias institucionais e maiores desvios da atividade parlamentar. Como e por que esse é o realce da política de São Paulo e sua única oferta ao país, eis um fenômeno no melhor sentido da palavra. Em nível semelhante, só a apatia paulista diante dele e da realidade decadente que o produz.

PADRÃO MEC

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


BB e BNDES terão linha de US$ 200 mi para exportação
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11

O Banco do Brasil e o BNDES anunciam nos próximos dias uma linha de US$ 200 milhões para financiar exportações brasileiras.
De início, a linha beneficiará importadores de produtos brasileiros na Argentina, no Chile e no Paraguai.
Aldemir Bendine, presidente do BB, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES, quase assinaram o contrato na semana passada.
O Banco do Brasil, via agências externas, poderá financiar importadores de maquinários brasileiros, com prazo de pagamento de até cinco anos. Produtores brasileiros receberão antecipadamente por vendas externas, sem riscos de ordem comercial e política.
A concessão de linha de crédito a bancos no exterior deverá dar agilidade operacional ao financiamento às exportações brasileiras no setor, uma demanda de exportadores. O segmento de bens de capital enfrenta aumento da concorrência internacional em operações de médio e longo prazos.
A iniciativa beneficiará principalmente produtores de máquinas e implementos agrícolas, máquinas industriais, ônibus, caminhões, máquinas rodoviárias, geradores, transformadores e equipamentos de telecomunicações do país.
O contrato será o primeiro de "crédito do comprador" do BNDES Exim Automático.
O BB em Nova York figura como tomador do financiamento e assume o risco da operação. Os desembolsos serão realizados pelo BNDES em reais para exportadores no Brasil. Não haverá envio de recursos do BNDES para o exterior nessas operações.

CATRACA ALTERNATIVA
Os ônibus a etanol começam a rodar em São Paulo nas próximas semanas.
O Grupo Metropolitana, que tem concessão da prefeitura, renovou 50 dos 340 veículos de sua frota na cidade.
Os novos carros são produzidos pela Scania. O fabricante estima que, se toda a frota de ônibus do município fosse trocada por unidades a etanol, mais de 1 milhão de toneladas de CO2 por ano deixariam de ser liberadas.
"A redução corresponde a 90% das emissões atuais da cidade originárias desse transporte público", de acordo com a montadora.
"Foram investidos R$ 20 milhões e os veículos são financiados pelo BNDES", diz Niege Chaves, presidente da Metropolitana.

LINGUAGEM LABIAL
Fernanda Calvet, a nova diretora da Clinique no Brasil, assume, com novidades, a marca de produtos conhecidos por serem desenvolvidos por dermatologistas. A grife do grupo americano Estee Lauder trará ao Brasil hidratante labial em seis cores (R$ 81). Lançado nos EUA há um mês, sumiu das prateleiras em duas semanas. "É como um batom, mas o hidratante ajuda a fixar mais a cor nos lábios", diz Calvet. Até o final do ano, serão ao menos 15 lançamentos. "Brasileiras preferem cremes de textura leve; 52% têm pele mista ou oleosa mista." A grife estreia no dia 25 um site de e-commerce.

O QUE ESTOU LENDO

Ives Gandra Martins, jurista e advogado tributarista
Reprodução

O jurista dedica-se à leitura do segundo volume do livro "História da Filosofia", de Guilhermo Fraile (Ed. BAC, Madri, 1988). "O autor analisa a filosofia judaica, a escolástica, mas principalmente a filosofia muçulmana, a partir da plêiade de seus filósofos, centrando-se, com maior ênfase, em Alfarabi, Avicena e Averróes, autores que influenciaram decididamente a filosofia ocidental do século 12." "É notável verificar o nível de conhecimento da filosofia grega, que formatou as obras -eram todos humanistas de imensa cultura- e como as reflexões aplainaram o caminho para a filosofia moderna, a partir de visão universal."

PREVENTIVO
"Doe um dia para uma pessoa muito importante: você." Esse é o mote da campanha que a Secretaria de Estado da Saúde e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira lançam depois de amanhã.
O objetivo é mobilizar a população e incentivar as empresas a orientarem seus funcionários para a realização de exames preventivos contra o câncer.
"Muitos não fazem exames por falta de hábito ou medo do resultado. Com o envelhecimento da população, é importante conscientizar", diz o secretário Giovanni Guido Cerri. A campanha é realizada em parceria com a Folha e a agência África, e apoio da Federação das Associações Comerciais de SP.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

CLÓVIS ROSSI - Inguinorança


Inguinorança
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/05/11
SÃO PAULO - Não, leitor, o título acima não está errado, segundo os padrões educacionais agora adotados pelo mal chamado Ministério de Educação. Você deve ter visto que o MEC deu aval a um livro que se diz didático no qual se ensina que falar "os livro" pode.
Não pode, não, está errado, é ignorância, pura ignorância, má formação educacional, preguiça do educador em corrigir erros. Afinal, é muito mais difícil ensinar o certo do que aceitar o errado com o qual o aluno chega à escola.
Em tese, os professores são pagos -mal pagos, é verdade- para ensinar o certo. Mas, se aceitam o errado, como agora avaliza o MEC, o baixo salário está justificado. O professor perde a razão de reclamar porque não está cumprindo o seu papel, não está trabalhando direito e quem não trabalha direito não merece boa paga.
Os autores do crime linguístico aprovado pelo MEC usam um argumento delinquencial para dar licença para o assassinato da língua: dizem que quem usa "os livro" precisa ficar atento porque "corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico".
Absurdo total. Não se trata de preconceito linguístico. Trata-se, pura e simplesmente, de respeitar normas que custaram anos de evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras.
Os autores do livro criminoso poderiam usar outro exemplo: "Posso matar um desafeto? Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito jurídico".
Tal como matar alguém viola uma norma, matar o idioma viola outra. Condenar uma e outra violação está longe de ser preconceito. É um critério civilizatório.
Que professores prefiram a preguiça ao ensino, já é péssimo. Que o MEC os premie, é crime.

GOSTOSA

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO


Silogismos sujos
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 15/05/11

Silogismo, nos diz o dicionário, é uma dedução pela qual duas premissas levam a uma terceira, ou a uma conclusão lógica. Por exemplo: todo homem é mortal, eu sou homem, logo tchau. O dicionário enumera vários tipos de silogismos mas não inclui o que se pode chamar de silogismo aético – ou a dedução lógica que leva a uma conclusão imoral, ou pervertida. Exemplo: se não fosse a influência da cultura negra a civilização ocidental seria muito mais sem graça – para não falar em sem ritmo e sem colorido – do que é, logo foi bom existirem a escravatura e a diáspora forçada de negros da África. Outro exemplo, ainda pior: é inimaginável a cultura americana sem a contribuição de intelectuais e artistas judeus expulsos da Europa pelo fascismo, foram os nazistas que os expulsaram, logo o fascismo não foi tão ruim assim. (Ninguém faz esse tipo de dedução a sério mas há algo de silogismo sujo na defesa que se ouve de governos fortes, ou da ordem como a principal virtude de uma sociedade, mesmo com o sacrifício de direitos e liberdades. Há um silogismo sujo à espreita sempre que se procura justificar os excessos de um regime repressivo com supostas realizações do regime, em repetidas tentativas de reescrever ou absolver o passado. Como no Brasil).
A diáspora africana nos deu o samba, o jazz e todos os ritmos caribenhos, certo. O fascismo, o comunismo e outros ismos persecutórios mandaram grandes cabeças e talentos para as Américas. Basta lembrar o caso dos Estados Unidos, onde gente como Saul Steinberg, Billy Wilder e Vladimir Nabokov, para citar poucos, não teria tido a experiência do exílio e da realização artística no desterro se não tivesse que fugir de Hitler, de Mussolini e dos bolcheviques. Mas em vez da racionalização amoral de um silogismo sujo para conter este paradoxo, deve-se pensar nele como efeito colateral da grande desarrumação da História. A História é explosiva, as explosões acabam com qualquer ideia de lógica ou simetria, logo vá entender. 

CLÁUDIO HUMBERTO



“Ela está melhor do que eu”
GOVERNADOR DE PERNAMBUCO, EDUARDO CAMPOS (PSB), SOBRE A SAÚDE DA PRESIDENTE DILMA

APENAS ONZE SENADORES TÊM 100% DE PRESENÇA 
Apenas onze dos 81 senadores registraram 100% de presença na Casa nos primeiros meses de sessões deliberativas em 2011. Da oposição, só Flexa Ribeiro (PSDB-PA) ficou na lista dos mais assíduos do Senado. Entre os mais faltosos da Casa, estão os senadores Garibaldi Alves (RN) e João Alberto (MA), ambos do PMDB, com 12 faltas. Cristovam Buarque (PDT-DF) tem 11 faltas e Mário Couto (PSDB), 10.

ABSURDO 
Nos últimos quatro anos, somente duas sessões ordinárias do Senado reservadas a votação reuniram todos os 81 parlamentares da Casa.

ASSIM NÃO DÁ 
Nem sequer uma das reuniões para examinar propostas de emenda à Constituição ou projetos de lei conseguiu juntar todos os senadores.

A LEI PROÍBE 
A Constituição prevê a perda de mandato do parlamentar que faltar a um terço das sessões deliberativas. Nunca ninguém foi cassado.

BOLINHA DE SABÃO 
A Caixa nega “bolha imobiliária”, mas grandes construtoras estão às voltas com maus resultados nas Bolsas e inadimplência de clientes.

CINCO BRASILEIROS ESTÃO PRESOS EM MADRI 
Ao menos cinco brasileiros estão presos em uma pequena sala para estrangeiros no Aeroporto de Madri-Barajas, na Espanha. Eles terão de esperar até terça-feira, sem seu pertences pessoais e sem um local para dormir, para serem repatriados. Uma vendedora brasileira, Érica Cruz de Sá, que estava viajando a turismo com as duas filhas de 10 e 12 anos, foi deixada “apenas com a roupa do corpo”, conta.

PRESO BRASILEIRO 
O vendedor Paulo Henrique Miranda disse ter levado a passagem de volta, dinheiro e cartões de crédito, mas de nada adiantou e foi detido.

ATÉ ESCALA 
O empresário baiano José de Jesus Silva, 49, contou a esta coluna que fazia uma escala para a Itália, mas foi barrado e está detido em Madri.

AEROPORTO OU PENITENCIÁRIA? 
Outro brasileiro relatou que na última sexta um grupo de dez brasileiros que estavam detidos no aeroporto foram repatriados após cinco dias.

CADEIRA DE BALANÇO 
O governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) está na fila dos onze colegas pendurados com recurso no Supremo: ele é acusado de abuso do poder políticos e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

AO PORTADOR 
Da Coréia do Sul, que visitou esta semana, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) mandou devolver as diárias irregulares que havia recebido em viagem no fim de semana a Curitiba, sua cidade natal.

LONA E CIRCO 
A Infraero abriu licitação para o Marechal Cunha Lima, em São Luís (MA) virar aeroporto internacional. Em março, o terminal ameaçava desabar. Por enquanto, a estatal vai alugar por R$ 1,3 milhão, sem licitação, tendas “climatizadas” para embarque e desembarque.

CAVERNA ELETRÔNICA 
Depois da “novela” de Bin Laden, o mundo agora será invadido por mensagens de outro “morto-vivo”: o ditador da Líbia, Muammar Kadafi começou a enviar mensagens de lugar “incerto e não sabido”.

VERDÃO AMARELOU 
A WTorre, que foi obrigada a parar as obras da Arena Palestra, novo estádio do Palmeiras, tentou passar a obra para uma concorrente. A OAS foi sondada sobre a possibilidade de assumir o pepino, mas a empreiteira baiana refugou: acha o projeto megalomaníaco.

PÉ NO JATO 
O 17º Fórum de São Paulo, na Nicarágua, semana que vem, considera Lula “convidado de honra”. Os três seguranças são por nossa conta. Irá depois ao Panamá, com outros três. Vai ensinar como abrir um canal...

MINISTRO FASHION 
A presidente Dilma não engoliu o modelito do ministro Orlando Silva (Esporte) durante a visita do times do Sesi, campeão da Liga Nacional de Vôlei, ao Palácio do Planalto. De calça jeans desbotada e paletó tenue de ville, Silva confia demais na força do padrinho Lula...

NO SAPATINHO 
O grupo Grendene, que se mudou de Melissa e tudo para a China, está na mira do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, que quer investigar o empréstimo de R$ 3 bilhões do BNDES, os incentivos fiscais que não impediram o fechamento de três fábricas no Estado.

PENSANDO BEM... 
...na falta do trem-bala, o carioca já tem o metrô-bala. 

PODER SEM PUDOR
AVE, MEMÓRIA 
O governador gaúcho Tarso Genro (PT) é conhecido nos meios políticos de sua terra como “o peremptório”. Fica furioso com o apelido, adquirido após declarar “peremptoriamente” que não deixaria a prefeitura de Porto Alegre para concorrer ao governo estadual.
Concorreu. Perdeu “peremptória” e inapelavelmente uma vez. Só venceu em 2010.

CAIXA ELETRÔNICO

DOMINGO NOS JORNAIS

O Globo: Congresso abdica do poder e deixa de votar 30 mil leis

Folha de S. Paulo: Palocci multiplica seu patrimônio por 20 em 4 anos

O Estado de S. Paulo: BNDES já liberou R$ 1,9 bi para Copa

Correio Braziliense: Brasília mais cara que Nova York ou Paris

Estado de Minas: Como conviver com a inflação

Jornal do Commercio: No calor das multidões

Zero Hora: Estudo mostra onde a reforma agrária vinga