quarta-feira, maio 04, 2011

MÔNICA BERGAMO - HAJA AMOR


HAJA AMOR
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11

O ator Ângelo Antônio conheceu o cineasta Jorge Durán por indicação do amigo Caio Blat. Do encontro surgiu um convite para participar do longa "Não se Pode Viver sem Amor", que estreia na sexta. "O amor é algo intrínseco à vida", diz ele, que também está no filme "Amor?", de João Jardim, em cartaz. Agora, o mineiro se prepara para filmar "Entre Vales e Montanhas", de Philippe Barcinski.

BRINDE NACIONAL

A importação de vinhos caiu 13% no primeiro trimestre do ano, quando comparada ao mesmo período de 2010. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil comprou 9,6 milhões de litros da mercadoria, num total de R$ 59 milhões.

TÃO PERTO, TÃO LONGE
Os vinhos importados do Mercosul puxam a queda, de 27% para o Chile e de 23% para a Argentina. O Instituto Brasileiro do Vinho afirma que o anúncio da Receita Federal de que implantaria o selo fiscal para controlar a atividade fez com que importadores estocassem o produto no ano passado.

DUAS PEÇAS

Gisele Bündchen volta ao Brasil na próxima semana. Ela desfilará no dia 12 de calcinha e sutiã para 500 convidados em um evento promovido pela grife Hope, em SP.

BILHETE ÚNICO

A Secretaria da Justiça de SP multará o Metrô em R$ 87 mil por discriminação contra um transexual. Em fevereiro de 2010, a vítima apresentou um laudo médico na bilheteria da estação Marechal Deodoro para comprar bilhetes especiais. Um funcionário recusou o documento porque nele constava um nome de mulher. A Defensoria Pública, que denunciou o caso, vai recorrer para que a multa seja de R$ 175 mil.

EM BLOCO

O DEM, que tem vários integrantes que participaram dos governos militares, deve apoiar a Comissão da Verdade que o governo quer criar para investigar violações aos direitos humanos na ditadura. O líder ACM Neto (DEM-BA) afirma que os deputados votarão a favor. E que já foi iniciado um debate entre os senadores. "Até o fim da semana decidiremos por uma posição comum. A tendência é apoiar. A gente vê o projeto com simpatia."

BALANÇA

Os sete filhos do ex-governador Franco Montoro (1916-1999) se reuniram no domingo para decidir se a família deixa ou não o PSDB. As conversas não foram conclusivas, mas a maioria prefere permanecer na legenda.

BRAÇOS ABERTOS

Geraldo Alckmin acionou mensageiros para conversar com o ex-deputado Ricardo Montoro, o primeiro a manifestar desconforto na legenda. O grupo do governador de São Paulo quer que Montoro participe do diretório estadual do partido.

ALÍVIO

Depois de um mês de março fraco, em que a criação de empregos com carteira assinada despencou, abril deve apresentar números mais animadores. Os primeiros dados sobre o mercado de trabalho em várias regiões do país começaram a ser enviados para o governo no começo da semana. De acordo com o ministro Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, os números estão acima daqueles verificados no levantamento do mês passado.

NOTA MUSICAL
O maestro Júlio Medaglia senta-se hoje com o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT-SP), para fechar o projeto da Filarmônica Vera Cruz. Medaglia quer que a prefeitura banque R$ 4 milhões. Outros R$ 4 milhões seriam captados na iniciativa privada. Ele já acertou a vinda de 14 músicos estrangeiros, sendo cinco deles do balé Bolshoi. Outros 54 brasileiros farão parte do corpo.

MAPA

O Instituto da Cidadania Brasil, do jornalista Paulo Saab, tem sido confundido com o Instituto Cidadania de Lula. Dezenas de telefonemas estão congestionando suas linhas.

E jornalistas vão à sua sede para cobrir eventos com o ex-presidente.

BELEZA PÕE A MESA
O Índice Nacional de Satisfação do Consumidor, que será divulgado hoje pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), mostra que, em abril, o setor melhor avaliado pelo consumidor foi o de higiene e beleza, com 83,6% de aprovação.

PALCO É PARA DANÇAR

A comédia "Seis Aulas de Dança em Seis Semanas" estreou no Teatro Renaissance com presença dos atores Denise Fraga, Odilon Wagner e Lucinha Lins e do diretor Luiz Villaça, entre outros.

MARCELO DA MATA

O músico Marcelo Jeneci convidou as cantoras Vanessa da Mata e Laura Lavieri para emprestar suas vozes ao show baseado no CD "Feito pra Acabar", que apresentou no Auditório Ibirapuera no fim de semana; no palco, Jeneci toca sanfona e reco-reco.

CURTO-CIRCUITO


As inscrições para o treinamento de serviços de turismo voltado ao público GLS realizado pela São Paulo Convention & Visitors Bureau terminam hoje.

O vereador Gilberto Natalini promove hoje homenagem aos 150 anos da unificação da Itália na Câmara de São Paulo.

A Galeria Mezanino comemora cinco anos com a coletiva "Retratos & Autorretratos II", que abre hoje.

A Família Schürmann faz a palestra "Navegando com Sucesso" hoje, das 8h às 10h, no teatro do hotel Sheraton São Paulo WTC.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

GOSTOSA

RODRIGO LARA MESQUITA - O Código Florestal na hora do voto


O Código Florestal na hora do voto
RODRIGO LARA MESQUITA
O Estado de S.Paulo - 04/05/11

Nesta semana o Congresso Nacional deve votar um novo Código Florestal. O atual foi editado em 1965, em pleno regime militar. O Brasil tinha menos 110 milhões de habitantes, a população rural ainda era maior do que a urbana, que se concentrava na franja atlântica. Nos últimos 15 anos, milhares de mudanças geradas no âmbito do Poder Executivo e introduzidas na legislação o transformaram numa espécie de Código Ambiental, desvinculado do Brasil real.

Boa parte dessas alterações resultou de pressão internacional, quando do anúncio de números do desmatamento da Amazônia elaborados no Ministério do Meio Ambiente. A maioria foi editada sem discussão com os legisladores, com a comunidade científica e muito menos com os principais atingidos: os agricultores. Preocupações legítimas com o desmatamento da Amazônia deram lugar a medidas de âmbito nacional, desconsiderando os biomas e a história de ocupação das terras.

Esses decretos, medidas provisórias e resoluções ambientais do Executivo colocaram na ilegalidade praticamente 100% dos pequenos e médios agricultores, geraram imensa insegurança jurídica e comprometeram a competitividade da agricultura. Isso obrigou a Presidência a editar e reeditar medidas provisórias para limitar os danos desse imbróglio jurídico. Já os instrumentos efetivos de gestão e ordenamento territorial, como o zoneamento ecológico-econômico, previstos na Constituição federal de 1989, nunca foram efetivados.

Em agosto de 2009, o Poder Legislativo decidiu enfim legislar nesse tema. Criou uma comissão para atualizar o Código Florestal e nomeou como seu relator o deputado Aldo Rebelo, do PC do B. Foram quase dois anos de debates e negociações, com mais de cem audiências públicas realizadas em todo o Brasil. O projeto de lei foi aprovado na Comissão Especial da Câmara em julho de 2010.

É surpreendente como esse projeto, disponível na internet desde 2010, parece não ter sido lido pela maioria de seus críticos. Na mídia social foram propostas campanhas pautadas em temas genéricos como "não aceite mudanças no Código Florestal" ou ainda "o novo Código vai aumentar o desmatamento". Seus propositores, em vez de criar alternativas concretas, propor novos artigos para resolver problemas reais, limitaram-se um copy paste de chavões antirreforma do Código, sem nenhuma reflexão informada. Até o sr. Bono da banda U2 transmitiu recomendações sobre o Código Florestal à presidente Dilma.

Desde 2010, a ministra do Meio Ambiente prometeu um projeto alternativo, outro Código Florestal. Seu projeto nunca apareceu. Outros transformaram o debate sobre a reserva legal num simplista afrontamento entre ambientalistas e ruralistas, entre mocinhos e bandidos, sem dar-se conta do interesse nacional em jogo: o dispositivo da reserva legal incide pesadamente sobre os pequenos agricultores.

Nas Regiões Sul, Sudeste e Nordeste, a reserva legal é de 20% das propriedades, sejam elas de 5 ou de 5 mil hectares; estejam em áreas planas ou de relevo, em várzeas ou na caatinga. Segundo o IBGE, dos 4.367.902 imóveis de agricultura familiar, mais de 82% não possui nenhuma área de preservação permanente ou de reserva legal. Nos pequenos, toda a terra é utilizada para a sobrevivência da família.

Por que tanta desinformação sobre questões ambientais relativas ao uso das terras no Brasil? Talvez porque esse seja um debate urbano, conduzido por pessoas distantes das realidades rurais, que desconhecem a vida dos agricultores, o alvo principal das alterações introduzidas no Código Florestal. Sem noção do alcance territorial e socioeconômico da legislação ambiental atual, os ambientalistas, às vezes verdadeiros urbanoides, com a participação ativa de organizações não governamentais estrangeiras, pouco contribuíram para o conhecimento dos problemas e a busca de soluções. Levantaram muito mais bandeiras de marketing do que uma necessária discussão substantiva.

A situação ambiental é muito mais crítica nas cidades do que no campo. Graças à agricultura, o País tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo: 47,3% de fontes renováveis, ante uma média mundial de 18,6% e de 7,2% nos países ricos. A agricultura fornece 30,5% da energia do Brasil. A cana-de-açúcar hoje garante 18,3%, ultrapassando a contribuição das hidrelétricas (15,2%). As florestas energéticas (lenha e carvão) garantem 10,3%. A agricultura é mais uma solução do que um problema ambiental.

O Brasil reduziu em 80% o desmatamento na Amazônia. Projetar a ideia de que a agricultura desmata o Brasil é uma falácia. Entre 1995 e 2006, segundo o IBGE, a agricultura teve uma redução líquida de área de 23,7 milhões de hectares. Mesmo assim, cresce anualmente a produção e diminui o preço da cesta básica, graças aos ganhos de produtividade da agricultura.

O Brasil é o país com mais áreas protegidas do mundo: 2,4 milhões de quilômetros quadrados, 28% do seu território. Em segundo lugar vem a China, com 17% de seu território, e em terceiro lugar, a Rússia, com cerca de 8% do seu território. Precisamos de mais parques nacionais ou deveríamos cuidar melhor das áreas protegidas existentes?

O relator do Código Florestal participou de dezenas de debates com ONGs, mídia, sindicatos, federações, partidos, etc. E buscou conciliar a contribuição de entidades, grupos de trabalho interministeriais e da Câmara de Conciliação. Consenso total é impossível. O projeto final aponta caminhos para um novo equilíbrio entre a preservação ambiental e o fortalecimento da agricultura. Nunca um projeto de lei foi tão debatido com a sociedade na história do Congresso!

No final das contas, as leis são apoiadas pela sociedade - elas não controlam a sociedade. São dinâmicas, evoluem com ela. As estruturas legais têm de apoiar as estruturas sociais. Agora é a hora do voto.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Após recuar no início do ano, roubo de cobre dispara em março no Brasil
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11

As seguidas quedas no roubo de fios, cabos e semimanufaturados de cobre, que a indústria vinha registrando nos últimos meses, se reverteu, e muito, no mês de março no Brasil.
O prejuízo do setor ultrapassou R$ 1,03 milhão. Em fevereiro a indústria perdera menos de R$ 100 mil com assaltos a carregamentos do produto, segundo o Sindicel (Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos de São Paulo).
Em volume, foram levadas mais de 54 toneladas em março, ante apenas cinco no mês anterior. O aumento é justificado, em parte, pela alta no valor do metal.
"O que há é que os preços continuam altos, acima de US$ 9.300 por tonelada, sendo atrativo ao roubo", afirma Sérgio Aredes, presidente da entidade.
As oscilações do preço internacional, entretanto, foram muito baixas nos três primeiros meses do ano, de acordo com o Sindicel.
A disparada do crime, portanto, deve estar mais ligada a um "relaxamento das medidas de segurança usuais em função de urgência na entrega dos produtos", de acordo com Aredes.
"Numa situação de relaxamento, os criminosos estão alertas e se aproveitam para assaltar", diz.

ASA BRANCA
A TAM fechou parceria com a empresa de transporte rodoviário nordestina Princesa do Agreste, para oferecer passagens combinadas de ônibus e de avião.
A companhia opera em 29 cidades de três Estados do Nordeste, Ceará, Pernambuco e Piauí. A TAM já havia feito em março outro acordo com a Pássaro Marron, que atua em SP e Minas.
"Queremos facilitar o acesso às viagens de avião para classes emergentes e ampliar destinos. Na Europa, é comum chegar de avião e pegar trem para cidades pequenas. Aqui a capilaridade está na malha rodoviária", diz Manoela Amaro, da TAM.
A parceria começa no dia 9, mas só do lado da TAM.
"A Princesa do Agreste ainda faz ajustes para vender também o trecho aéreo."

CLASSE ECONÔMICA
A demanda de passageiros por transporte aéreo deve crescer 9,8% neste ano no país, segundo a Lafis.
O parcelamento das passagens, as promoções e a expansão dos destinos são os principais motivos para o aquecimento da demanda.
"A classe C representa dois terços dos passageiros", diz Felipe Souza, da Lafis.
Nos voos domésticos, a demanda deve subir 10,8%. A procura por voos internacionais deve crescer 7,1%.

DISTRIBUIÇÃO SEM QUÍMICA
Mais da metade (60%) dos produtores e consumidores industriais do setor químico estão insatisfeitos com o serviço das distribuidoras em parte do território nacional.
A informação é de estudo da Associquim (Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos) e do Sincoquim (Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo).
"É um setor que se desenvolveu muito rápido no Brasil, então precisamos melhorar o atendimento em regiões onde não havia indústrias, como o Nordeste", diz o presidente da Associquim, Rubens Medrano.
Os principais problemas são a garantia para a estocagem de produtos, a assistência técnica e o cumprimento do prazo de entrega.
A logística e o armazenamento das distribuidoras, por outro lado, são considerados bons ou ótimos para 60% das 160 empresas que responderam à pesquisa.

PONTUAL

A grife suíça de relógios Parmigiani Fleurier planeja abrir sua primeira unidade no Brasil, ainda sem data definida de inauguração.
Estão sendo estudados pontos em São Paulo, segundo seu presidente, Jean-Marc Jacot.
O plano segue a linha de expansão da empresa para mercados emergentes. "Há um potencial crescente por produtos de luxo no Brasil", diz Jacot, que anunciou parceria com a CBF.

Coração... 
O gasto médio com presentes no Dia das Mães deve chegar a R$ 80, segundo a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), que prevê crescimento de 6% nas vendas.

...de mãe 
Os segmentos que devem se destacar são vestuário e calçados, em primeiro lugar, perfumaria, em segundo, e joias e semijoias, em terceiro, segundo a CNDL.

Resíduo... 
A nova legislação brasileira sobre tratamento de resíduos sólidos ainda é genérica e deve ser detalhada, segundo 39% dos empresários entrevistados pela Amcham.

...sólido 
Parte dos entrevistados indica que a política tem exigências que implicarão em altos custos (40%) e sugere que ela deveria ser objeto de uma política de incentivo do governo federal (44%).

Acessibilidade 
Os caixas eletrônicos preparados para atender pessoas com deficiência representam 56% do total em funcionamento no Brasil, segundo a Febraban.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION

UM BOQUETE DOLORIDO

LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA - Em defesa dos Estados


Em defesa dos Estados
LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA
O Estado de S.Paulo 04/05/11

Não há nenhum brasileiro de bom senso que não esteja assustado com a perda de competitividade de vários setores da indústria nacional. Não há nenhum brasileiro dotado do mínimo de patriotismo que não esteja preocupado com os fortes indícios de desindustrialização, seja pela opção de comprar produtos no estrangeiro, em vez de produzi-los aqui; seja pela decisão de construir novas fábricas no exterior. Nos dois casos, estamos gerando empregos lá fora.

Estão atribuindo aos Estados essa queda da competitividade nacional. Logo eles, que, juntamente com os municípios, são o elo mais fraco. Não são eles que regulam o câmbio nem as taxas de juros sufocantes que desfavorecem as exportações. Não são eles os responsáveis pela mais alta carga fiscal dentre os países emergentes, que inibe as vendas ao exterior. Não são eles os responsáveis pelos inadiáveis investimentos na infraestrutura dos portos, aeroportos, energia, ferrovias, hidrovias e rodovias federais.

Por outro lado, muitos Estados vêm investindo fortemente na geração do conhecimento, disseminando centros de pesquisa e incubadoras de empresas tecnológicas, conscientes de que a inovação é o fator fundamental para que o sistema produtivo brasileiro tenha uma relação competitiva no comércio multilateral.

Hoje, Brasília concentra dois terços de tudo o que é arrecadado no País, enquanto os Estados e municípios ficam com apenas um terço e sem espaço de manobra. Já os países que invadem o nosso mercado têm, ao contrário, uma estrutura de gestão descentralizada, que lhes permite o dinamismo das forças locais. Não têm os braços e as pernas amarrados, como nós.

Com a criação de impostos mascarados de contribuições, do tipo PIS, Cofins, etc., a União deixou de compartilhar esses tributos com Estados e municípios. Assim, caiu de 71% para 45% a participação desses entes federados no bolo dos impostos federais.

Na verdade, os Estados estão oprimidos por uma dívida com a União que lhes exaure a capacidade de custeio e investimentos. Vou citar o caso de Santa Catarina, que é semelhante aos demais. Em 2000, quando foi negociada a dívida, o Estado devia R$ 4,2 bilhões. Pagou R$ 6 bilhões e ainda está devendo R$ 10,2 bilhões! Qualquer semelhança com o fracassado sistema do antigo Banco Nacional da Habitação (BNH) não é mera coincidência...

Fazendo cortesia com o chapéu alheio, o governo federal, no período autoritário de 1964, isentou as exportações do ICMS. Reinstaurada a democracia, foi criada a compensação da chamada Lei Kandir. Era para devolver aos Estados metade dos valores que foram sonegados. Mas, em média, os Estados não têm recebido por volta de 10%.

A União criou, corretamente, a Lei de Responsabilidade Fiscal para Estados e municípios. Essa lei tem sido a grande responsável pelo controle das contas públicas estaduais e municipais. Mas, infelizmente, não controla os gastos federais, nos quais estão dois terços das despesas e está - exatamente por isso - a causa maior da sufocante taxa de juros e da carga fiscal.

Na busca por conter a invasão de produtos estrangeiros, o governo federal, por intermédio de seu líder, senador Romero Jucá, quer zerar o ICMS (que é a tábua de salvação dos Estados) nas transações interestaduais de produtos importados não industrializados.

O governo central acerta na decisão de conter a enxurrada de produtos supérfluos e outros que a cadeia nacional é capaz de produzir aqui. Mas erra no alvo, pois pode fazê-lo aumentando a alíquota de seus tributos sobre a importação, ou impondo barreiras, como o fazem os nossos competidores.

Os incentivos concedidos pelos Estados, de forma descentralizada e autônoma, buscam o desenvolvimento regional, com o mesmo espírito das políticas federais adotadas para o desenvolvimento do Norte, do Centro-Oeste e do Nordeste, desde a criação do BNDES e da Sudene (ave, Rômulo de Almeida e Celso Furtado!). Ou da isenção concedida a São Paulo para a indústria automobilística.

Dessa política estadual se vem beneficiando o País como um todo, pois todos os Estados que a adotaram têm vivido surtos de crescimento. E não é simplesmente por causa dessas vantagens fiscais (menores, já que Estados e municípios, como eu já disse, ficam com apenas um terço do que é arrecadado no País) que esses entes federados atraíram novas empresas. Para se instalarem em algum lugar elas o fazem muito mais pela lógica das forças locacionais: portos, corredores de transportes, energia, mão de obra, mercado, etc.

Alguns dizem, equivocadamente, que políticas estaduais de competitividade - o que, pejorativamente, se chama de "guerra fiscal" - têm reduzido o crescimento dos Estados que as praticam. Não conheço nenhum caso em que, ao contrário, não tenham contribuído decisivamente para aumentar a dinâmica das economias locais.

Vejamos o quadro de Santa Catarina: em apenas oito anos a economia dobrou! De um PIB de R$ 55 bilhões, em 2002, avançamos para R$ 120 bilhões, em 2010! Nesse mesmo período, a arrecadação catarinense deu um pulo: de R$ 4,76 bilhões, em 2002, para R$ 13,32 bilhões, em 2010! De uma exportação de US$ 4 bilhões, em 2002, saltamos para US$ 7 bilhões, em 2010!

A busca dos Estados por alternativas de desenvolvimento não é contrária aos interesses nacionais, nem mesmo que as olhemos isoladamente. Ao contrário, os Estados estão dando o melhor exemplo do que o Brasil precisa: redução de impostos e mais investimento. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para cada real de toda renúncia fiscal são gerados, no médio prazo, outros cinco para dentro da economia!

É preciso aprofundar esse debate, sem parcialismo nem interesses localizados. Façamo-lo na defesa do supremo interesse nacional!

SENADOR (PMDB-SC)

ANTONIO PRATA - Congregação Panteísta do Agora Mesmo


Congregação Panteísta do Agora Mesmo
ANTONIO PRATA
FOLHA DE SÃO PAULO - 05/04/11

"Por três décadas fui ateu e feliz. Nos últimos anos, contudo, além de uma dorzinha na lombar, comecei a sentir falta de uma religião: algo ou alguém a quem agradecer, nos dias de sol; ou contra quem blasfemar, diante das inevitáveis goteiras da vida.
Não encontrando entre os sistemas religiosos disponíveis algum que me agradasse, resolvi criar minha própria doutrina. Chama-se Congregação Panteísta do Agora Mesmo.
A CPAM não acredita em qualquer entidade ou força superior. Eu, você, a floração das cerejeiras, o vizinho que acertou na loteria: tudo fruto do acaso, sem comando ou metafísica.
Ora, se nada tem sentido ou propósito, o que ganha o leitor ao converter-se à Congregação Panteísta do Agora Mesmo? Muito! Pois minha religião sem Deus visa melhorar nossas vidas justamente pela divinização do terreno, pela devoção eterna ao tangível, pelo consciente alumbramento com o telúrico.
A CPAM nasceu da compreensão de que a felicidade não é um problema filosófico ou psicológico, mas matemático. Veja: se passarmos a vida perseguindo o grande, as glórias, o topo, a conta não fecha. Afinal, mesmo se atingidos esses áureos objetivos, a explosão de alegria por eles proporcionada dura pouco, não cobrindo nem de perto os custos da busca. A solução é apostar tudo nas pequenas felicidades, olhando apenas o presente, e a CPAM nada mais é do que um sistema destinado a organizar a fruição do comezinho.
Como toda religião precisa de rituais e termos estranhos, logo tratei de criar alguns. O espaço é curto, de modo que mencionarei apenas dois. "Blada", a manifestação do Bem, "Kruma", a do Mal, e os ritos correspondentes.
Digamos que você sentisse fome e, por acaso, encontrasse na cozinha sua fruta predileta, uma manga. Eis uma "Blada", uma pequena alegria que deve ser reconhecida e celebrada com um breve fechar de olhos, um suspiro e a pronúncia, em alto e bom som: "Blada!". Suponhamos que três "Bladas" se sucedam: você sente fome e acha a manga; recebe pelo correio o comprovante de um pagamento, vai ver um filme e encontra uma vaga bem em frente ao cinema: trata-se de uma "Tripleblada". Você deve comemorá-la fechando os olhos por dez segundos, mentalizando os três acontecimentos e repetindo: "Obrigado, oh nada, por me enviar uma Tripleblada!".
Já os pequenos infortúnios que, se acumulados, podem arruinar nosso dia, como dar uma topada, acabar a luz na hora do jogo, pedir uma empada de camarão e ouvir que só tem de palmito, são os "Krumas". Caso amargue um "Triplekruma", o fiel deve fechar os olhos e repetir, por dez segundos: "Causa alguma, causa alguma; a infelicidade é apenas um Triplekruma".
Acredito que, enaltecendo as pequenas alegrias e minimizando os percalços de todo dia, a Congregação Panteísta do Agora Mesmo poderá fazer mais por seu seguidor do que muitas religiões instituídas. E, se o fiel vier com problemas maiores, como a razão de existirmos ou a angústia com a morte, daremos a ele a sugestão de Fernando Pessoa: come chocolates, meu caro, que não há metafísica senão chocolates, e as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come chocolates!"

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ABRAM SZAJMAN - Tirania fiscal


Tirania fiscal
ABRAM SZAJMAN

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11

A miríade de exigências burocráticas dissemina a insegurança legal e favorece as grandes empresas em detrimento das pequenas

Apesar de vivermos hoje em uma democracia com estabilidade política e macroeconômica, subsistem no Brasil bolsões autoritários que infelicitam a vida de quem trabalha e produz, obstruindo a rota do crescimento sustentável.
A proliferação de regras confusas, contraditórias e que mudam a toda hora para reger a vida das pessoas e das empresas gerou outra forma de opressão: a burocracia do Estado. A partir da promulgação da Constituição Federal, em 1988, alguma coisa entre 4 e 5 milhões de normas foram editadas pela União, por Estados e por municípios, na razão de quase mil por dia útil.
Desde o processo de uso do solo, de responsabilidade municipal, até o licenciamento ambiental de uma usina hidrelétrica, o que pode ou não ser feito depende da interpretação, no mais das vezes subjetiva, que o burocrata faz em relação ao cipoal legal, que regula também questões tributárias e trabalhistas.
Essa situação dá margem a todo tipo de corrupção, arbitrariedade ou mesmo equívocos por parte de uma fiscalização que prioriza multar em vez de orientar.
Quando, ao custo de muito tempo e dinheiro, uma empresa obtém na Justiça uma licença negada ou a anulação de uma autuação indevida, não há qualquer penalidade que possa levar funcionários a retificar, no futuro, o comportamento errático anterior.
A miríade de exigências burocráticas dissemina a insegurança legal e favorece grandes empresas em detrimento de pequenas e micros, que não dispõem das custosas estruturas internas e de especializações jurídicas para se defenderem. A proteção do meio ambiente e das receitas públicas requer um Estado forte, com agentes preparados para agir sem dar margens à subjetividade. Com regras claras para o licenciamento ambiental, por exemplo, a segurança jurídica ampara tanto o licenciado como o licenciador. Além de destravar e impulsionar a atividade empresarial no país, esse conceito evoca, como benefício adicional, o fim da prática infame de criar dificuldades para vender facilidades.
Para melhorar a eficiência da produção e da nossa competitividade, é preciso que as regras sejam poucas, simples e estáveis.
Os enormes custos das empresas, não apenas com a elevada carga tributária, mas, sobretudo, com o oneroso aparato necessário para apurar, escriturar, pagar tributos e cumprir as obrigações legais, seriam certamente reduzidos se órgãos e servidores públicos estivessem sujeitos a prazos e punições, como ocorre com os contribuintes.
Se enfrentar e desmantelar a tirania fiscal e burocrática que oprime a cidadania e obstaculiza o progresso, a presidente Dilma poderá ser a governante que não apenas acabará com a miséria mas também colocará o Brasil, definitivamente, no rol das nações desenvolvidas.

ELIO GASPARI - Obama fez o gol que Carter tomou


Obama fez o gol que Carter tomou
ELIO GASPARI 
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11

Teria sido melhor para os EUA e para Bin Laden se ele tivesse morrido numa caverna de Tora Bora


OS DOIS HOMENS mais procurados nos últimos cem anos foram Osama Bin Laden e Adolf Eichmann. O gerente dos campos de extermínio nazistas foi achado na Argentina por um cego, e o chefe da Al Qaeda escondia-se no Paquistão numa fortaleza que só um cego não via.
Convertendo o cenário para o Brasil, Bin Laden vivia em Resende, na serra fluminense, a 500 metros da Academia Militar das Agulhas Negras. Sua casa era oito vezes maior que as propriedades da vizinhança e estava cercada por um muro de 4 metros de altura. Afora essa excentricidade, um vizinho mais curioso poderia ter percebido que ela não produzia lixo. Se procurasse identificar o morador, saberia que a propriedade não tinha telefone nem cabo de internet.
É preciso muita boa vontade para se acreditar que Bin Laden não dispunha de algum tipo de proteção do poderoso aparelho de segurança paquistanês. Tanto para ele como para o governo americano, teria sido muito melhor se tivesse morrido numa caverna de Tora Bora.
O terrorista preservaria a aura de ascetismo, e os americanos ficariam livres da embaraçosa exposição dos militares paquistaneses como um aliado corrupto e traiçoeiro.
Eles formam uma casta equipada com algumas dezenas de bombas atômicas.
Serão necessárias algumas semanas para que se saiba exatamente como os quatro helicópteros americanos chegaram a Abbottabad e o que sucedeu dentro da casa.
A cabeça do terrorista valia US$ 27 milhões em prêmios. Em menos de 48 horas, derreteram-se as histórias segundo as quais Bin Laden estava armado e usou as mulheres como escudos. Houve tiroteio com guarda-costas? O governo americano levou meses para reconhecer que Che Guevara foi executado por militares bolivianos com o beneplácito da CIA. De qualquer forma, jogando-se o corpo de Bin Laden no mar, queimou-se o arquivo.
Como 24% dos americanos acreditam que Obama é um muçulmano enrustido e 7% acham que Elvis Presley está vivo, será natural que milhões de pessoas vejam nessa história mais uma lorota do Grande Satã.
A operação que matou "Gerônimo" entrará para a galeria da audácia militar. Vai-se saber como operava o agente que campanava a propriedade em Abbottabad e registrou a chegada do Suzuki branco do pombo-correio.
(No início dos anos 90, um agente da CIA vigiou um sujeito em Cartum, no Sudão. Ele só veio a saber que era o terrorista Carlos, o "Chacal", quando capturaram-no.)
Obama presidiu com absoluto sucesso uma operação que, em ponto bem menor, assemelha-se ao desastre que marcou a humilhação do poderio americano. Em 1979, a milícia iraniana ocupou a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e aprisionou seus 52 funcionários. Um ano depois, o presidente Jimmy Carter autorizou uma ambiciosa operação militar. Seis helicópteros deveriam baixar nos jardins da embaixada e um comando libertaria os reféns.
Deu tudo errado. Pegaram até tempestade de areia, um helicóptero explodiu e a tropa regressou, para glória do aiatolá Khomeini. Meses depois, Carter perdeu a reeleição para Ronald Reagan e o Partido Democrata ralou 12 anos de amargura. O que deu errado para Carter deu certo para Obama.

CELSO MING - Distorções na gasolina


Distorções na gasolina
CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 04/05/11

Apenas em abril, os preços da gasolina ao consumidor subiram, em São Paulo, 6,62% e os do álcool hidratado, 10,36%. É o que apontam os levantamentos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo.

São números que atropelam, em apenas quatro dias úteis, as projeções oficiais do Banco Central registradas na última ata do Copom. Lá está escrito que, ao longo de 2011, os preços da gasolina subiriam só 2,2%.

E ontem, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois de reafirmar que a alta das commodities é fruto de especulação, admitiu que "a Petrobrás terá de elevar os preços da gasolina". Observe-se que, se dependesse apenas da Petrobrás, os preços dos combustíveis já teriam subido. Quem vem barrando esse reajuste é o governo.

Embora os preços do petróleo tipo Brent tivessem saltado de US$ 67 por barril em junho de 2009 para US$ 123 em 2011, nesse mesmo período os preços da gasolina na refinaria para os distribuidores não foram alterados nem um centavo sequer. Continuam em R$ 1,10 por litro. A alta dos combustíveis é resultado apenas do esticão dos preços do etanol, tanto do etanol anidro (que vai na mistura com a gasolina na proporção de 25%) como do etanol hidratado (que vai nos motores a álcool ou nos motores flex).

Esta Coluna tratou no último domingo das distorções da política do etanol, um tema que ainda precisa de aprofundamento, que fica para outra ocasião. Mas a própria política dos combustíveis é eivada de distorções e de falta de critérios. Não há uma regra clara sobre quando os preços devem subir ou baixar. Os ajustes são, em grande parte, frutos da arbitrariedade de quem está no comando.

Essa política (ou a falta de uma política) gera pelo menos três distorções. A primeira delas é a de que esse tabelamento arbitrário dos preços da gasolina tende a afogar o etanol, que, nas condições atuais, enfrenta aumentos significativos de custos e já não consegue competir com a gasolina, cujos preços permanecem estancados. Ou seja, o consumidor que conta com carros flex (cerca de 40% da frota nacional) deixa de se abastecer com etanol e passa para a gasolina, o que, por sua vez, pressiona a demanda de derivados de petróleo.

Essa política asfixia também o caixa da Petrobrás, que está obrigada a fazer enormes investimentos para desenvolver as áreas do pré-sal (de US$ 224 bilhões até 2014) e não consegue tirar esses recursos do seu faturamento.

Uma terceira distorção dessa política é a de que também não há critério objetivo para que o governo altere a proporção dos impostos embutidos nos preços dos combustíveis ao consumidor. Ontem, o ministro Mantega admitiu que, para reduzir o impacto do reajuste da gasolina sobre o bolso do consumidor, o governo terá de derrubar a proporção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), hoje de R$ 0,23 por litro, no mesmo dia em que a Petrobrás tiver de reajustar os preços dos combustíveis. Ou seja, a arrecadação de R$ 10 bilhões (previstos para este ano) pela Cide poderia, em princípio, ser dispensada. Mas nem mesmo para que a Cide funcione adequadamente como tributo regulatório há regras claras.

GOSTOSA

VICTOR JOSÉ FACCIONI - Reforma ou perfumaria?


 Reforma ou perfumaria?
VICTOR JOSÉ FACCIONI

O GLOBO - 04/05/11

Do noticiário nacional, sobre a reforma política, pode-se deduzir que líderes de partidos aliados e de oposição apostam que o Congresso vai restringir a reforma política à perfumaria, o que ao meu ver não deixa de ser lamentável, se não, imperdoável.

Dívida, aliás, que o Congresso Nacional contraiu com a nação, ainda na Constituinte, e repetiu na "simulada" revisão constitucional, o que lamento duplamente registrar, pois fui constituinte e estive na revisão de 1994, na qual quase nada decidiu do ponto de vista institucional. A despeito do muito de bom para a democracia que a Constituinte produziu, o sistema eleitoral proporcional e o sistema partidário gerado pouco têm significado de aprimoramento.

Daí por que creio oportuno recolocar propostas alternativas ao parlamentarismo do primeiro turno, e ao sistema eleitoral, numa modalidade que permita um presidencialismo capaz de conviver com a medida provisória, já que rejeitam o parlamentarismo. Refiro-me ao presidencialismo com poder moderador, no Brasil proposto ainda em 1933, por Borges de Medeiros, que, exilado do Rio Grande do Sul, por Getúlio Vargas, foi para Olinda/Recife, em Pernambuco, onde editou livro com tal denominação. Presidencialismo na atualidade, adotado por França e Portugal. Também entendo dever-se-ia adotar o sistema eleitoral distrital misto, mas não o modelo alemão, e sim o modelo Milton Campos.

Se não vejamos - uma síntese do que se vislumbra seria o mínimo e adequado para reanimar nosso sistema político, e fortalecer nossa incipiente democracia.

1. Voto distrital misto, modelo Milton Campos: quando era deputado, cheguei a reapresentar projeto de emenda constitucional (PEC nº 89/91) e que foi arquivado. Mas, creio, seria mais adequado que o modelo alemão, ou mesmo o distritão. No modelo Milton Campos, o Estado dividiria as eleições parlamentares por distritos, em número equivalente à metade das vagas, e para cada distrito seria eleito o candidato mais votado, sendo que os menos votados se classificariam com os votos obtidos no distrito para as vagas proporcionais, como hoje, que cada partido vier a conquistar no estado.

Com a campanha restrita a cada distrito eleitoral, o candidato ficaria mais próximo do eleitor, e mais transparentes suas ações de campanha, o custo e a prestação de contas, e o exercício do mandato. Sua atividade parlamentar, depois de eleito, também ficaria mais transparente perante os eleitores do distrito que o elegeu.

2. Presidencialismo com poder moderador: no presidencialismo puro, que virou "imperial", a medida provisória debilitou o Legislativo, que urge se revitalizar para o bem da própria democracia. Para isso, teríamos o presidencialismo com poder moderador, adotado por Portugal e França, e que já antes lembrei, aqui proposto por Borges de Medeiros, ainda em 1933. Neste regime, o presidente da República, eleito pelo voto direto do povo, não acumularia a chefia de Estado com a chefia de governo, mas teria uma tríplice e decisiva missão: compor o governo, seu ministério. Desde o primeiro-ministro para a chefia de governo, passível de demissão pelo parlamento ou pelo próprio presidente: exercer o comando supremo das Forças Armadas e da segurança da nação: e, em nome da nação, comandar e promover a política externa. Diferente do parlamentarismo de Raul Pilla na eleição direta do presidente, e na amplitude de suas funções.

Estas duas propostas contemplam o fortalecimento dos partidos, e principalmente do próprio sistema político-democrático nacional, melhorando o sistema eleitoral e resolvendo o esvaziamento do Legislativo, com a medida provisória no presidencialismo, quando ela é do parlamentarismo, ao qual se vincula para sua eficácia democrática, mas pode conviver com o presidencialismo que propomos. E ainda assegura melhor viabilização do financiamento público de campanha. Penso tratar-se o mínimo de uma urgente e importante reforma política, numa grandiosa tarefa que urge ser equacionada, e, sem a qual, creio impossível conseguir-se a tão reclamada reforma tributária.

FERNANDO DE BARROS E SILVA - De Obama a Bush


De Obama a Bush
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11

SÃO PAULO - Façamos um exercício: qual seria a reação caso fosse George W. Bush, e não Barack Obama, quem tivesse autorizado a operação que matou Osama bin Laden? É provável que dentro dos EUA a aprovação festiva à "vingança" fosse a mesma, mas a condescendência da opinião pública internacional seria certamente menor.
Os americanos invadiram a casa do terrorista em outro país, executaram-no e depois atiraram o corpo no mar. Simples assim. Talvez só contra Bin Laden esse roteiro, obviamente premeditado, fosse possível. Seria, de fato, arriscado e politicamente complicado submetê-lo a um julgamento internacional. Mas contra quem mais o teatro da legalidade poderia ser suprimido?
É muito irônico que Obama saia das cordas e respire mais aliviado de olho em 2012 pendurado na agenda de Bush da "guerra ao terror". A despeito das diferenças brutais entre o democrata de Harvard e o vaqueiro republicano, a mise-en-scène de Obama no seu "Dia D" foi típica da era Bush. Basta citar a divulgação das suas imagens na Sala de Controle da Casa Branca, cercado de assessores, acompanhando on-line a operação no Paquistão.
Ao inflamar o patriotismo e tocar o coração conservador da América, beneficiando-se disso, Obama paradoxalmente reabilita parte do legado histórico do bushismo. Não a letra da "doutrina", mas o espírito da guerra contra o inimigo externo. Agora "o show tem que continuar".
Há uma segunda ironia. Síria e Líbia faziam parte do que Bush decidiu batizar de "Eixo do Mal". São regimes que hoje estão caindo de podre. Não, como pregavam os falcões, por uma ação imposta de fora para dentro, mas de forma endógena, pela revolta das ruas.
Seria uma reabilitação de Bush? Não exatamente, quando se pensa nos crimes de Guantánamo ou no desastre no Iraque. Mas é fato que seu governo identificou em Muammar Gaddafi e Bashar Assad dois tiranos sanguinários que contavam com dose excessiva de tolerância.

BRAZIU: O PUTEIRO

ANTONIO DELFIM NETO - Incertezas


 Incertezas
ANTONIO DELFIM NETO
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11
Uma boa parte das divergências de diagnóstico entre os economistas brasileiros refere-se às incertezas sobre como distinguir, inequivocamente, se estamos diante de um excesso de demanda sobre a oferta global, corrigível pelo corte da demanda (aumento da taxa de juros real), ou se estamos diante, por exemplo, de desajustes setoriais que podem ser produzidos: 1º) Pelo excesso do uso de regulação;
2º) Por excesso de proteção;
3º) Por modificações na estrutura do mercado de trabalho superáveis apenas com o tempo e através de alterações nos preços relativos.
Estes não podem ser corrigidos apenas pela manobra da taxa de juros. Precisam de forte apoio de medidas que deem aos agentes econômicos os incentivos adequados para ajustarem-se.
Os primeiros devem ser corrigidos pela redução da interferência do poder público que, frequentemente, aumenta os riscos dos investimentos privados. Os segundos devem ser tratados com reduções tarifárias. Os terceiros, com rápido e substancial esforço de qualificação da mão de obra.
Desequilíbrios setoriais podem ocorrer sem que sejam "prova" irrefutável da existência de profunda divergência entre a oferta e a procura globais ou de um nível de desemprego incompatível com a estabilidade monetária.
São condições em que se exigiriam cortes da demanda pública (despesas) e da demanda privada (aumento da taxa de juros real).
Tentar corrigi-los apenas com o uso desses instrumentos resultará em enorme e desnecessário custo social.
Por exemplo: o tumulto que tem acompanhado o problema dos aeroportos é sinal inequívoco de excesso de demanda global? Ou é apenas o efeito da falta de investimento privado no setor, consequência de um perverso mecanismo de intervenção estatal?
Tal intervenção foi surpreendida pela modificação da estrutura da demanda gerada por um aumento de renda não compensado por uma modificação de preços relativos entre o transporte rodoviário e o aéreo, ambos sujeitos a "subsídios".
Deve ser corrigido por uma redução do bem-estar geral com aumento da taxa de juros real? Ou com medidas que o liberem do excesso de regulação e deem confiança ao investidor privado para estimular a oferta?
Em princípio, o Banco Central só tem um instrumento, a taxa de juros de curto prazo, com que ele espera manobrar a de longo prazo e controlar o consumo e o investimento.
O mundo é mais complicado do que parece. Há sérias dúvidas de que o BC possa fazê-lo sem o suporte da política fiscal e de medidas monetárias não convencionais.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Verdes de manobra
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11

Embora o governo de Dilma Rousseff esteja longe de compartilhar das opiniões de Marina Silva e das ONGs que a acompanharam ao Planalto sobre o Código Florestal, ninguém contestou a versão de que Antonio Palocci (Casa Civil) estaria "cem por cento em desacordo" com o texto de Aldo Rebelo (PC do B-SP).
O objetivo do silêncio foi sinalizar para o relator o descontentamento do governo com três pontos específicos: a) dubiedade na escolha de palavras (não está escrito, por exemplo, que é obrigatório preservar 30 metros ao lado de "cada margem" de um rio); b) delegação da fiscalização aos municípios; c) insistência em liberar as propriedades de até quatro módulos fiscais da obrigação de manter reserva legal.

Desfile 

Não foi por acaso que Palocci recebeu, junto com a ex-candidata do PV à Presidência, nada menos do que 14 representantes de entidades ambientalistas.

Calendário 
Na contramão das aparências, porém, até o início da noite o Planalto não jogava o jogo dos verdes -nem o da bancada do PT- em uma questão central: preferia que a votação, marcada para hoje, não sofresse novo adiamento.

Tempo real 
Durante as quase duas horas que os ministros explicavam suas posições sobre o código à bancada do PT, assessores mantinham linha direta com o Planalto, que ouvia o relato de Aldo Rebelo. Izabella Teixeira (Meio Ambiente) chegou a sair da sala para atender Palocci ao telefone.

Agronegócio 
Ao deixar a reunião, Izabella brincou: "Depois do código, vou virar produtora rural. Tudo o que se come neste país eu agora já sei onde se planta".

Mistério 
Observadores experientes do Congresso estão intrigados com a (até aqui) silenciosa reação da base aliada à solução bastante draconiana definida pelo governo para a questão dos "restos a pagar".

Caminho suave
O líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), distribui na Câmara cartilha em que enumera vantagens do Regime Diferenciado de Contratação para Copa e Olimpíada e pede celeridade na votação da MP 521, relativa ao tema. O texto diz que a aprovação da medida servirá para aumentar o investimento estrangeiro nas obras desses eventos.

Mal me quer 
Sem deixar de se declarar muito entusiasmada com os desafios de seu mandato de senadora, Marta Suplicy enumerou, em apresentação ontem à bancada estadual do PT-SP, os elementos que a favoreceriam na disputa interna pela candidatura petista à prefeitura da capital em 2012.

Bem me quer 
Lembrando das obras que deixou na cidade, a ex-prefeita defendeu que o partido escolha o candidato com base em pesquisas. E citou Dilma como exemplo de que taxas de rejeição podem ser reduzidas no decorrer da campanha.

Sabatina 
O ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), outro pré-candidato a prefeito, encerra na próxima terça-feira o ciclo de reuniões com a bancada.

No automático 
O PT paulista proporá resolução contrária à realização de prévias como mecanismo de escolha de candidatos a prefeito em cidades administradas pelo partido em que há possibilidade de reeleição.

Povão 1 
Geraldo Alckmin (PSDB) vai implantar um núcleo de formação de técnicos para a área social no campus da USP Leste. Denominada Escola de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, a unidade teve sua grade curricular concebida pelo Centro Paula Souza.

Povão 2 

No curso, agentes do governo paulista e das prefeituras aprenderão, entre outros ofícios, a elaborar projetos e mapear indicadores de vulnerabilidade. A ideia é incorporar os formandos ao gerenciamento dos programas de transferência de renda do Bandeirantes.

com FÁBIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio


"Obama eliminou Bin Laden, mas vejo que ele reencarnou no Brasil na figura de quem vai assumir o PSDB de São Paulo."
DO VEREADOR PAULISTANO GILBERTO NATALINI, recém-desligado do PSDB, sobre artigo em que o deputado estadual Pedro Tobias defende a "purificação" dos tucanos locais e prevê "novas dissidências" no partido.

contraponto

Forest Fashion Week

Ao final da apresentação, anteontem, do texto reformado do novo Código Florestal, um repórter perguntou se Aldo Rebelo estava descontente por ter feito algumas concessões aos ambientalistas durante as negociações para a votação do texto.
-Descontente eu estou é com a cor desta camisa!- brincou o relator, apontando para a peça verde que vestia.

GOSTOSA

FERNANDO RODRIGUES - Capitalismo à brasileira


Capitalismo à brasileira
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/05/11 

A franqueza do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ajudou ontem a ilustrar o estágio mesozoico em que se encontra o regime de livre mercado no Brasil.
Convidado pelo Senado para falar sobre a economia e a influência do governo na Vale, Mantega explicou que o ex-presidente Lula irritou-se com a mineradora no ano passado por dois motivos.

Primeiro, porque a Vale ‘tinha prometido fazer projetos siderúrgicos no Pará, e não fez’ _no período pós-crise econômica mundial. Outra razão foram as mais de 1.000 demissões na empresa. Aí, o ministro Mantega rasgou a fantasia:

‘O presidente Lula, com justa razão, se manifestou democraticamente. Veja, ele não tomou nenhuma atitude. Poderia ter retaliado a Vale. A Vale é uma concessão, né? Poderia ter aumentado impostos. Não fez nada disso. Apenas ele utilizou o chamado “jus esperniandi’ (...) Não vejo uma situação mais democrática do que essa’.

Como assim Lula ‘poderia ter retaliado’? Como assim ‘poderia ter aumentado impostos’? Na cabeça de Mantega, o presidente da República tem a incumbência e o encargo para tomar tais atitudes ao se irritar com uma empresa.

O ‘sincerocídio’ do ministro chegou ao grau máximo quando decidiu elucubrar sobre o controle acionário da mineradora: ‘Não vejo nenhuma interferência na Vale. Agora, não nos esqueçamos que a Vale tem 60% de Previ e BNDES, que participam da administração’.

Para o ministro da Fazenda, o fundo de pensão Previ é uma extensão do governo. Mas não é ou não deveria ser. Pertence aos funcionários do Banco do Brasil.

Por que Mantega foi tão franco ao revelar seu pendor estatizante e intervencionista? Porque o ambiente no governo enseja esse capitalismo à brasileira. E se o ministro está assim, à vontade, é lícito supor que a presidente concorda com tudo.

CLÁUDIO HUMBERTO



“Isso não é um partido, é um balcão de negociação”
TASSO JEREISSATI, EX-SENADOR TUCANO, DIRIGINDO SUA CÓLERA AO PSD DE GILBERTO KASSAB

JOSÉ DIRCEU ADMITE CONCORRER À PRESIDÊNCIA 
Revelou-se na África o desejo secreto do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, réu no processo do mensalão: disputar a presidência da República, “dependendo das circunstâncias”, como admitiu a um jornal de Angola, após palestra no King’s Brazil Institute, do prestigiado King’ College, em Londres, há dias. Ainda revelou sua possível “plataforma”: Saúde e Segurança, inovação tecnológica e meio ambiente. 

DE LEVE 
José Dirceu considera esses temas “os grandes desafios do Brasil nos próximos anos”, defendendo o meio ambiente “sem fundamentalismos”. 

DEU BRANCO 
Após palestra sobre “atualidade brasileira”, Dirceu disse que o racismo no Brasil é “assunto sério” e assumiu que o PT é “partido de brancos”.

TESOURO DA JUVENTUDE 
Dirceu repetiu que só pensa em “provar a inocência” no escândalo do mensalão e acha que o Brasil mudou e o PT precisa “rejuvenescer”.

VÍRUS NO AR 
Contra gripe Dilma está imunizada. Mas ainda faltam vacinas contra a inflação, Rui Falcão, Delúbio e lulistas que tentam controlar o governo. 

DECISÃO DO TCU PODE QUEBRAR O GOVERNO DO DF 
Além da herança maldita, o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), enfrenta mais uma aflição: o risco de ver seu governo inviabilizado, caso o Tribunal de Contas da União o condene a pagar o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), reclamado pelo governo federal, sobre transferências constitucionais. Se o TCU decidir 
contra o DF, o governo Agnelo terá de pagar R$ 7 bilhões. Tecnicamente, pode quebrar.

GRAU DE RECURSO 
O TCU decidiu em favor do DF, mas o governo federal recorreu. Agnelo se envolve pessoalmente na defesa do seu governo, junto ao tribunal.

NEGATIVADO 
Agnelo Queiroz recebeu o governo do DF negativado, inadimplente em cinquenta convênios com o governo federal. Regularizou treze.

TREZE ANOS 
Esta coluna celebra treze anos de publicação ininterrupta, iniciada em maio de 1998.

CONDENADO AFRICANO... 
A Justiça americana condenou a 10 anos de prisão Ahmed Muhammed Dhakane, 25, somali acusado pelo FBI de operar uma rede de tráfico de pessoas em São Paulo para ações terroristas de islâmicos nos EUA. 

...TERRORISTA EM SP 
O “recrutamento” era num hotel, entre 2006 e 2008. Dhakane diz que subornava agentes brasileiros no aeroporto para despachar “clientes”. O esquema envolvia a empresa informal al-Barakat (“A bênção”) de transferência de dinheiro de “refugiados somalis”. 

PENDURADA NA BROCHA 
Petista não é solidário nem na desgraça (a menos que se chame Delúbio Soares, claro): ninguém saiu em defesa de Luiziane Lins, de Fortaleza, a prefeita mais mal avaliada pelos munícipes em todo o País.

ENGARRAFAMENTO 
Falta de infraestrutura, como terminais, impediu o desembarque de 850 navios nos dezessete maiores portos brasileiros, em 2010, contra 457, em 2009, diz o site especializado portstrategy.com. Demora demais. 

COBRADOR 
“Sobrevivente” do DEM, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, lembrou que a Docas do Rio deve R$ 200 milhões, mas vai receber R$ 24 milhões mensais da prefeitura pelo aluguel do “porto maravilha” por 25 anos. 

A MARCA DO PMDB 
O PMDB promove nesta quinta, das 9h às 13h, na Câmara, seu 1º Workshop Internacional “O Poder da Nossa Marca”, com os cientistas políticos Pete Giangreco, que atuou na campanha de Barack Obama, e Mark McKinnon, arquiteto da eleição de George W. Bush.

É SOPA 
O adoentado “companheiro” José Eduardo Dutra já está curtindo a “aposentadoria” da presidência do PT: postou no Twitter, há dias, que “estava no Centro Cultural Banco do Brasil e tomando sopa”. 

O CARTEIRO CHEGOU 
O diretor regional dos Correios no Rio, Omar de Assis Moreira, nega maus resultados e diz que está no cargo “há três meses”. Ele tomou posse em janeiro, após exercer a mesma função entre 2005 e 2006.

PENSANDO BEM...
...Mahmud Ahmadinejad, porralouca do Irã, deveria botar as ralas barbas de molho. 

PODER SEM PUDOR
SOCORRO, SEVERINO 
O mulherio promoveu certa vez, na Câmara, um ato de desagravo à deputada Luci Choinacki (PT-SC), que, em sessão da CPMI da Terra, teria sido “agredida de forma machista” pelo deputado Alberto Fraga (DF). Vestindo rosa e lilás, elas entraram no plenário para pedir providências ao então presidente, Severino Cavalcanti. Vendo a deputada Maria do Rosário (PT-RS), o deputado Zarattini (PT-SP) tentou ser gentil e se deu mal:
– Quero ceder meu espaço à nobre companheira Maria do Socorro.
– Socorro é o que nós viemos pedir, deputado – retrucou ela, na bucha.

PEIXE-BOMBA

QUARTA NOS JORNAIS

O Globo: Até EUA pressionam Obama a mostrar Bin Laden morto

Folha de S. Paulo: Bin Laden não estava armado ao ser morto

O Estado de S. Paulo: Dilma quer tirar 16 milhões da miséria

Correio Braziliense: Casa de Bin Laden põe guerra sob suspeita

Valor Econômico: Inflação e mão de obra preocupam executivos

Estado de Minas: Aumenta a pressão...

Zero Hora: Operação surpreendeu Bin Laden desarmado