segunda-feira, abril 25, 2011

FÁBIO GIAMBIAGI - Uma cidade global




Uma cidade global
FÁBIO GIAMBIAGI

O Globo - 25/04/2011

O que o Rio vai ser no futuro? Sabemos todos o que não queremos que seja: um lugar decadente como aquele em que nos tocou viver durante décadas de contínua degradação, com fuga de indústrias e de cérebros, sequestros, insegurança e instituições aviltadas. Sabemos todos também o que temos que fazer até 2016, ano das Olimpiadas. Há uma vasta lista de obras a executar, tarefas a cumprir e serviços a melhorar, nos diversos níveis de Governo.

A grande pergunta, porém, é: e depois? Passados os jogos, o.que o Rio vai querer ser depois de 2016? Por isso, com André Urani organizamos o livro "Rio .- A hora da virada", com o intuito de contribuir no sentido de organizar essa reflexão. Nele, no artigo em coautoria com Lucas Ferraz ("Uma Rio-Disney: pensando no pós2016"), defendemos a ideia de que o Rio deveria começar a planejar intensamente as ações para o pós-2016 e que, como ingrediente desse planejamento, deveria colocar no "radar" das ações de longo prazo a perspectiva de a cidade ser a sede de um parque da Disney a ser localizado na América do Sul (uma Rio Disney).

Há três fortes razões que justificam tal postulação: I) se o país não cometer muitos erros, a economia brasileira tem boas possibilidades de ter pela frente uma década de prosperidade; II) os grandes eventos esportivos de 2014 e 2016 representarão uma oportunidade ímpar de colocar o Brasil e o Rio na vitrine do mundo, catapultando o número de turistas que poderiam passar a visitar o país a partir de então; e Ill) é razoável defender o argumento de que, caso o Grupo Disney pretenda um dia dar continuidade à expansão associada à instalação de seus parques fora dos EUA - casos por exemplo da Euro disney de Paris e do parque em construção em Xangai - e decida colocar um pé na América do Sul, não parece haver melhor lugar do que o Rio para isso ocorrer, pela sua localização central no mapa, a marca do lugar e as consequências positivas que se espera ter da realização das Olimpíadas.

Em um empreendimento desse tipo, o espaço de tempo que separa o sonho inicial da sua concretização se mede em torno de uma década. Transformar uma ideia vaga em um projeto concreto, com planos e de estudos de viabilidade, toma entre um e dois anos; as negociações com o Grupo Disney implicariam, na melhor das hipóteses, entre dois e três anos; e é difícil imaginar que um parque desse porte seja construído em menos de cinco anos. Em outras palavras, estamos falando de algo que, se um dia virar realidade, estaria pronto para 2020 - ou depois. Porém, planejamento é isso: pensar dez anos à frente. O que o Rio vai ser depois de 2016 depende das iniciativas que forem tomadas até lá.

Caso contrário, teremos um miniboom por cinco anos, seguido apenas de boas lembranças.

A tentativa de trazer a Disney para o Rio deveria envolver uma estratégia mista, assemelhada à dos esforços para que a cidade fosse a sede das Olimpíadas e para fazer o Porto Maravilha. A iniciativa deveria estar associada, primeiro, a uma estratégia convincente de atração do Grupo para o Brasil; segundo, a uma campanha de marketing especializado junto aos responsáveis por esse tipo de decisão; e terceiro, à formação de uma equipe, por parte das autoridades, altamente profissional e com esse tipo de expertise para negociar, com profissionalismo e paciência, os termos da vinda do Grupo ao Brasil.

A vinda da Disney coroaria o projeto de fazer do Rio uma cidade com o status que têm Nova York, Paris, Londres ou Xangai, atraindo turistas do mundo inteiro. Tom Jobim disse há décadas que "o Brasil só será feliz quando for uma grande Ipanema". Aquele charme da "cidade que me seduz, mas onde falta água e não tem luz" se perdeu nos anos em que ganhou água e luz, mas degradou-se. Se queremos evitar que o brilho da marca se apague depois de 2016, o desafio é maiúsculo.

Sempre teremos a praia, mas no futuro o Rio tem que ser a cidade que tenha um pouco de tudo: museus, shoppings, Lapa, Maracanã, a simpatia do carioca, o centro de pesquisas da Petrobras - e uma Rio Disney. Temos que ser uma cidade global, para que o Rio seja para seus habitantes e os turistas o que Paris foi para Julio Cortázar: a representação de um estado de espírito.

Tom Jobim dizia: " O Brasil só será feliz quando for uma grande Ipanema"

EDITORIAL - O ESTADÃO - Emigrar para competir


Emigrar para competir
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 25/04/11

Em busca de competitividade, indústrias brasileiras estão fechando unidades no País e transferindo suas atividades para o exterior, por meio de investimentos em novas fábricas ou aquisição de empresas já em operação. Em parte desses casos, as indústrias não procuram mercados próximos de seus novos centros de produção, pois continuam a atender preferencialmente o mercado brasileiro. Mas, para competir internamente com os produtos importados, preferem produzir no exterior.

Escassez e custo muito alto de mão de obra, tributação excessiva, juros elevados, concorrência desleal, infraestrutura precária e cara e valorização do real estão entre os principais fatores apontados pelos dirigentes dessas empresas para reduzir ou encerrar as atividades no País e desenvolvê-las no exterior.

O caso relatado pelo Estado (18/04), da maior fabricante de calçados do País, a Vulcabrás, que decidiu comprar uma fábrica na Índia para ali produzir a parte do tênis de sua marca que mais emprega mão de obra, é o mais recente numa lista de empresas brasileiras que decidiram produzir no exterior. A empresa adquirida emprega mil trabalhadores e o plano da Vulcabrás é expandir o quadro de pessoal para 5 mil pessoas em 18 meses. Como a indústria trabalha também com empresas terceirizadas, é possível que, nesse período, sejam gerados até 8 mil empregos. Na unidade indiana, a Vulcabrás produzirá a parte superior do tênis, feita de tecido, couro e material sintético. Na fabricação de um tênis, essa é a parte que mais emprega mão de obra, cujo custo, para a fabricante, será bem menor na Índia, compensando o custo adicional do transporte desse componente até o Brasil, onde o produto será completado.

O governo brasileiro já adotou uma tarifa antidumping, de US$ 13,85 por par, contra o calçado proveniente da China, o maior concorrente do produto nacional, mas a medida não limitou a entrada do similar chinês no mercado doméstico, pois os exportadores daquele país adotaram a prática conhecida como "triangulação", de embarcar seus artigos em outros países - como Malásia, Vietnã e até Paraguai -, como se nesses tivessem sido fabricados. Essa também é uma prática condenada pelas regras internacionais, mas o processo de punição é demorado, daí a opção de indústrias brasileiras pela produção no exterior.

A balança comercial brasileira continua a registrar um superávit expressivo no comércio de bens tradicionais da indústria. Nos primeiros três meses do ano, esse segmento da indústria registrou superávit de US$ 8,5 bilhões. Mas o resultado deveu-se basicamente a duas categorias de produtos - alimentos, por causa do alto preço no mercado internacional e da alta eficiência da agroindústria brasileira, e produtos de madeira, papel e celulose. Nas categorias em que a competitividade é fortemente afetada pela mão de obra, como têxteis e calçados, pela primeira vez em mais de duas décadas a balança comercial no primeiro trimestre do ano registrou déficit, que alcançou US$ 342 milhões. Esse dado também explica a decisão das empresas do setor de produzir no exterior.

Uma empresa brasileira do ramo de cosméticos decidiu fazer parcerias com empresas do México, Colômbia e Argentina, como primeiro passo para estabelecer-se nesses países. O objetivo inicial é abastecer o mercado local, mas a empresa pode transformar essas unidades no exterior em base para sua expansão para outros países da América Latina. Outra empresa do setor de calçados, que chegou a operar 21 unidades industriais no Rio Grande do Sul, para produzir 4,5 milhões de pares por ano, com o trabalho de 3 mil pessoas, decidiu mudar-se para a Nicarágua, de onde continuará a exportar para os Estados Unidos, seu principal mercado. A empresa brasileira líder da América Latina na fabricação de índigo e brim anunciou recentemente o acordo com um grupo da Argentina para lá iniciar a produção de denim.

O fenômeno pode ser duradouro. Dirigentes das empresas que decidiram transferir a produção para o exterior consideram remota a reconquista pelo Brasil da produtividade que vem perdendo nos setores intensivos em mão de obra.

JAPA GOSTOSA

RICARDO VÉLEZ RODRIGUEZ - Jirau, Dilma e a herança maldita


Jirau, Dilma e a herança maldita
RICARDO VÉLEZ RODRIGUEZ
O Estado de S.Paulo - 25/04/11

Está a se efetivar o maior processo de entropia republicana da nossa História. O fenômeno poderia ser ilustrado com a frase, um tanto esquisita, do prefeito de São Paulo, quando falou da formação de novo partido, mais ou menos nos seguintes termos: não é uma organização nem de direita, nem de esquerda, nem de cima, nem de baixo. A frase do prefeito lembra a definição que do ser fazia o pré-socrático Heráclito de Éfeso: não é nem quente, nem frio, nem branco, nem preto, nem alto, nem baixo. Enquanto a definição heraclitiana ficou nas névoas da metafísica grega, o significado da afirmação de Gilberto Kassab é relativamente simples de ser desvendado: trata-se da ressurreição do velho "centrão", criado na era Sarney para fazer as delícias de políticos de carreira e burocratas de plantão, que não queriam largar o osso das benesses oficiais. Todo mundo com o governo, ninguém contra, que não somos de ferro!

Gravíssima situação que faz lembrar o pesadelo antevisto por Tocqueville para as democracias, efetivado pela onipotência da maioria, banida como desserviço à pátria a presença de qualquer oposição, mesmo que esta se traduza em singelos protestos veiculados pela mídia. É a síndrome chavista da "vontade geral" pura e simples, encarnada no líder e que impede que os cidadãos se expressem pela boca dos seus representantes. É a perversa tendência à anulação de qualquer signo de insatisfação da sociedade por meio da imprensa livre, protagonizada, ao longo da última década, pelo casal Kirchner, nesse tango de mau gosto de um passo para a frente e dois para trás, em que ficou enredada a democracia argentina.

Felizmente, as coisas não chegaram ainda, no Brasil, ao extremo da entropia total, dada a presença no Congresso Nacional de vozes que se erguem contra essa tendência. Mas que a força do rolo compressor oficial está em andamento, disso não há dúvida. O mostrengo mostrou as suas garras ao ensejo da recente visita do presidente americano ao Brasil, quando os policiais cariocas deram tratamento à margem da lei aos jovens que protestavam no centro do Rio, ou no atentado de que foi vítima conhecido blogueiro que se caracterizou por criticar as políticas do governo fluminense. Ensaios de intimidação e de prepotência que em nada ajudam a vida democrática e a defesa dos direitos humanos, tão badalada pela atual presidente.

Porém a sociedade brasileira, felizmente, é mais complexa do que imagina a vã sabedoria oficial. O episódio ocorrido semanas atrás no canteiro de obras da Hidrelétrica de Jirau e que se estendeu como rastilho de pólvora por outros cenários do PAC 2 está a revelar que os estrategistas do governo se esqueceram de combinar os projetos desenvolvimentistas com a própria sociedade. Pior ainda, com os trabalhadores dos canteiros. A insatisfação é clara e não poupou as lideranças peleguizadas ao redor da CUT. Estas ficaram em palpos de aranha para dar uma explicação à sociedade acerca dos violentos protestos dos operários nos canteiros administrados pelo PT e coligados. O rolo compressor não conseguiu abafar os reclamos trabalhistas. Nem conseguirá, com certeza, esconder as perdas que a economia do País terá com a indevida intervenção do governo na gestão da empresa Vale, que está sendo obrigada, com a defenestração do anterior presidente, a praticar políticas econômicas nada rentáveis e atentatórias aos interesses dos acionistas.

Caberia indagar, a esta altura dos acontecimentos, onde está a "herança maldita" de que tanto falava Lula ao longo dos seus dois mandatos-palanque. Hoje, certamente, essa herança não seria identificada com o "neoliberalismo" de Fernando Henrique Cardoso, que garantiu as privatizações (as quais desoneraram o Tesouro Nacional e aumentaram o ingresso de dinheiro nas arcas oficiais) e efetivou o saneamento das contas públicas com a promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A perversa herança é constituída, hoje, pelo reforço da tendência estatizante presente no coração do governo, pelas mãos do lulismo e do petismo, na versão castilhista, que, ensaiada na década passada nos pagos gaúchos, se tornou atuante em nível nacional, no atual momento, por força da identificação do núcleo duro do poder com essa tresloucada propensão. Porque a inflação está voltando, quase descontrolada, às prateleiras da economia não pela mão do saudoso controle dos gastos públicos, mas justamente turbinada pela megalomania lulista do "nunca antes na história deste país" e pelo carnaval de bolsas e subsídios oficiais pagos a eleitores pobres, ongueiros irresponsáveis, burocratas corruptos, companheiros e até a países "amigos", como se tem revelado na recente revisão dos preços da energia vendida ao Paraguai. Tanta gastança tem preço. E essa "herança maldita" afetará os bolsos de quem sempre sai perdendo na história do nosso republicanismo patrimonialista: o contribuinte.

A presidente Dilma regressou há dias da sua visita oficial à China. Tomara que a mandatária tenha aprendido as lições de realismo político do mandarinato e coloque definitivamente nos trilhos do bom senso as nossas relações internacionais, loucamente polarizadas, no ciclo lulista, pelo viés ideológico, que tudo deforma. O Brasil perdeu, no caminho dessa megalomania vácua e irresponsável, a oportunidade de conquistar, com o apoio dos grandes, a cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, bem como a liderança na Unesco e na Organização Mundial do Comércio.

A declaração final dos líderes do Bric na China, referindo-se à necessidade de renovação da ONU, foi vaga demais para as pretensões brasileiras. O Itamaraty precisa voltar ao seio da tradição do barão do Rio Branco, que fez os nossos diplomatas serem respeitados porque punham em prática políticas diuturnamente amadurecidas na análise estratégica do mundo e das necessidades do País.

DENIS LERRER ROSENFIELD - Bento XVI


Bento XVI
DENIS LERRER ROSENFIELD
O Estado de S.Paulo - 25/04/11

Acaba de ser publicado o último livro do papa Bento XVI, aliás, Joseph Ratzinger, intitulado Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém à Ressurreição. Sem dúvida, trata-se de uma grande obra de teologia, com extremo refinamento na análise filosófica, que o coloca na melhor tradição dos pensadores cristãos.

A sua obra, certamente de valor universal, tem também uma significação especial para o País, na medida em que se contrapõe a uma tendência ainda muito vigente na Igreja brasileira, a da Teologia da Libertação. Em perda de importância na Europa, continua atual na América Latina. É ela que dá forma às pastorais da Igreja, em particular à Comissão Pastoral da Terra (CPT), que criou o MST, e ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), além de alimentar sua cruzada contra a modernização do Código Florestal. Esse setor da Igreja se alinha, e deles participa ativamente, aos ditos movimentos sociais - organizações revolucionárias que procuram abolir o capitalismo e instaurar uma sociedade socialista no País. Posicionam-se, explicitamente, contra a economia de mercado, o direito de propriedade e o Estado de Direito.

Do ponto de vista doutrinário, elevam Che Guevara, por exemplo, à posição de um mártir ou santo da Igreja, pois seria um revolucionário como Jesus teria sido. A noção de revolucionário serve para alinhá-los numa mesma posição teológico-política, como se fizessem parte da mesma tradição. Não hesitam, nessa perspectiva, em justificar a violência, como ocorre em invasões de propriedades, com armas brancas (facões e foices), cárcere privado, destruição de maquinário e morte de animais.

Nesse contexto, cabe particularmente ressaltar a seguinte passagem do livro do papa: "A voga das teologias da revolução que, segundo a interpretação de um Jesus zelote, tinha procurado legitimar a violência como meio para instaurar um mundo melhor - o Reino - acalmou-se (nos últimos anos). As consequências terríveis de uma violência motivada religiosamente estão, de maneira radical, diante de nossos olhos. A violência não instaura o reino de Deus, o reino da humanidade. É, ao contrário, o instrumento preferido pelo Anticristo - mesmo com uma motivação religiosa idealista. Ela não serve à humanidade, mas à inumanidade".

Note-se, preliminarmente, que "zelote", a pessoa que pratica o "zelo" pela "Lei", religiosamente entendida, é o que não recua diante do emprego da violência para fazer valer os seus valores. A vontade que usa desse zelo é aquela que usa a força para impor suas próprias concepções. A justificativa de um mundo melhor se torna apenas um instrumento de legitimação do uso da força e da violência, como se, assim, tudo estivesse permitido. As leis do Estado são simplesmente desconsideradas.

Observador atento do mundo de hoje, e não apenas do mundo judeu e helenístico de Jesus, Bento XVI condena de forma radical a violência política e religiosamente motivada. Já nos anos 70 do século passado havia criticado fortemente a Teologia da Libertação, mostrando a incompatibilidade radical entre marxismo e cristianismo.

É bem verdade que, no País, a onda de teologias revolucionárias ainda não se acalmou. A CPT e o Cimi têm justificado o uso da força enquanto meio de imposição de seus próprios valores, tomando esses meios como necessários para a transformação social e política. Livros, textos e material didático são produzidos, segundo essa concepção, para crianças e jovens, moldando a sua cabeça, onde a mensagem cristã é substituída pela revolucionária. Che Guevara, em textos para jovens, torna-se o herdeiro dessa linha de pensamento, bem ele que zombava, com zelo, da religião.

Evitando qualquer ambiguidade, Bento XVI chega a dizer que teologias revolucionárias são instrumentos do "Anticristo", o que é uma condenação inapelável do ponto de vista religioso. A sua atração, no entanto, não deixa de ser exercida, precisamente pelo fato de utilizar uma mensagem "idealista", como quando o discurso revolucionário aparece travestido de palavras como "solidariedade", "fraternidade", "luta contra o lucro", "combate ao egoísmo", e assim por diante.

Em termos políticos, trata-se de uma forma de capturar a opinião pública com palavras que procuram suscitar simpatia à sua causa, que seria, na verdade, em termos teológicos, uma perversão da verdadeira mensagem crística. Se estivéssemos apenas diante da violência explícita, ela seria mais facilmente condenável. Como aparece revestida de valores idealistas, o perigo é muito maior, pois a sua máscara pode não ser reconhecida como mera máscara.

O discurso moralmente superior, desta maneira utilizado politicamente, torna-se uma ferramenta da prática revolucionária. Bento XVI se posiciona contra essa concepção e essa prática de falsos humanistas, que se colocam, assim, fora do verdadeiro cristianismo. "No justo sofredor, a lembrança dos discípulos reconheceu Jesus: o zelo pela Casa de Deus conduziu-o à Paixão, à Cruz. Trata-se da virada fundamental que Jesus fez no tema do zelo. Ele transformou em zelo pela Cruz o "zelo" que queria servir a Deus pela violência. Ele estabeleceu, então, definitivamente o critério do verdadeiro zelo - o zelo do amor que se dá".

O tema da justiça é objeto de uma releitura feita a partir do sofrimento do corpo do Cristo, que, com seu exemplo, mostra um outro caminho possível para a humanidade, absolvendo, mesmo, os que o condenavam. É o amor ao outro que toma o lugar da invasão e destruição do outro.

Logo, o grande desafio que se coloca para a Igreja brasileira e, em particular, para suas pastorais, como a CPT e o Cimi, vinculados à CNBB, é se seguirão as orientações teológicas papais ou se continuarão fundamentadas na concepção de um Jesus supostamente revolucionário. As palavras de Bento XVI são claras: "Jesus não vem como destruidor; ele não vem com a espada do revolucionário".

LUIZ FELIPE PONDÉ - A burca


A burca
LUIZ FELIPE PONDÉ 
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11

Você é contra ou a favor da lei francesa que proíbe o uso de burca e niqab em público? Eu sou a favor!


VOCÊ É contra ou a favor da nova lei francesa que proíbe o uso da burca e niqab (véu que só deixa os olhos de fora) em espaços públicos?
Alguns consideram essa lei parte da islamofobia. Outros, manipulação demagógica de Nicolas Sarkozy para ganhar votos da direita xenófoba. Outros ainda fazem "conta" de quantas muçulmanas usam burca ou niqab hoje na França, como se a questão fosse parada no tempo e não implicasse a mobilidade de hábitos privados e públicos que se dá ao longo do tempo e não numa estatística congelada.
Outros veem nesta lei um ato de intolerância com hábitos religiosos e opinam que as pessoas devem ter o direito a seus hábitos religiosos. Eu também acho que devemos ter direito a nossos hábitos religiosos, mas a coisa é mais complexa do que simplesmente "eu acredito em Jesus, você em Elvis, ela em ET, ele em Maomé, mas podemos ser amigos, tá?"
Outra coisa que me chama atenção é que muita gente, que é contra a lei porque a considera um preconceito contra o islamismo, não teria pruridos em defender a retirada do crucifixo dos prédios públicos ou mesmo de criticar duramente hábitos cristãos no ocidente. Qualquer um pode falar mal do cristianismo e do judaísmo porque pega bem, mas emitir qualquer juízo com relação às outras religiões fica parecendo preconceito.
De minha parte, sou a favor da lei francesa e acho que, sim, não se deve permitir o uso de burcas e niqab (e orações no meio da rua) em países que buscam o convívio secular como modo de vida legítima.
A "substância" que sustenta minha simpatia pela lei francesa vem de longe. Vem de Israel e da experiência razoável que tenho por conta de ter vivido naquele país por duas vezes e de ter ido lá desde 1980 inúmeras outras, além de conhecer muita gente de lá, e de parte dessa gente ser de profissionais da área acadêmica e intelectual.
Há um significativo crescimento da população ortodoxa em Israel nos últimos anos. Digo "ortodoxa" de maneira genérica para falar de pessoas que pressionam a sociedade como um todo no sentido de aceitar preceitos religiosos como leis e regras de conduta social. Ortodoxia aqui é sinônimo de radical.
A luta em Israel contra as pressões dos religiosos radicais sobre o cotidiano dos não religiosos (seculares) tem sido árdua. Sempre fui um fiel defensor de uma Israel secular, com todas as contradições que isso implica. Adoro Israel e não quero vê-la na pele de uma horrorosa teocracia.
Além do ódio que os árabes nutrem contra Israel (mesmo que ingênuos achem que não), há mais um agravante no caso israelense porque sua fundação como Estado judeu implica uma identidade que sempre resvala em crenças religiosas.
Não há nenhuma forma fácil de sustentar a identidade judaica ao longo dos séculos sem o amparo da crença religiosa como critério de convivência, de casamento e de criação dos filhos.
Sem a crença religiosa, qualquer "limite" imposto ao critério de escolha para uma "convivência judaica" resvala no risco de mera discriminação cultural ou racial.
E o que isto tem a ver com minha simpatia pela lei francesa? Tudo a ver.
Grande parte dos muçulmanos não pratica bem a separação entre religião e sociedade ou Estado, assim como "seus irmãos" ortodoxos em Israel. E esses caras não valorizam em nada a ideia de "tolerância". O que os mantém "quietos" é ser minoria.
O crescimento da população islâmica na França tem que ser pautado por um "limite prático" contra a invasão do espaço público por regras religiosas.
Recentemente, uma jovem muçulmana francesa, citada nesta Folha, criticou a lei porque "confundia coisas do governo com coisas de Alá". É uma prova cabal de que essa moça não sabe o que é secularismo e precisa aprender: não há "coisas de Alá" quando falamos de leis ou regras públicas na França.
Não se trata apenas de mal-estar com o crescimento do islamismo na Europa, se trata de mal-estar com a presença pública de formas do fundamentalismo religioso.
O problema não é a mulher sob a burca, mas o forte viés teocrático que cobre essa mulher com a burca.

MÔNICA BERGAMO - POSTO DE QUEROSENE


POSTO DE QUEROSENE
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) vai julgar nos próximos dias a determinação para que a Shell, que comprou a Cosan recentemente, venda a parte da empresa responsável pelo abastecimento de aeronaves no país. A Shell está pedindo que a decisão seja reconsiderada já que não haveria companhias aptas a adquirir os hidrantes que são usados no abastecimento em aeroportos brasileiros.

VAZIO

Segundo a Shell, qualquer empresa que adquirisse o negócio não conseguiria clientela por falta de experiência e tradição. Ocuparia espaço dos hidrantes sem usá-los, prejudicando a própria Shell e a BR, as duas empresas que dominam o mercado.

BRUNO LÁ
Um nome assombra o PT paulistano: Bruno Covas (PSDB-SP). Ele é considerado por boa parte da direção da legenda candidato duro de ser vencido numa eventual disputa pela Prefeitura de SP. Primeiro, pelo peso do sobrenome -hoje secretário de Meio Ambiente, Bruno é neto do ex-governador Mário Covas. Já foi testado nas urnas e tem o perfil "novo" que o ex-presidente Lula, por exemplo, acredita ser imprescindível na disputa eleitoral.

TABUADA
Caso o processo do mensalão fosse julgado hoje, os réus teriam cinco votos pela absolvição e quatro pela condenação. A conta é de um petista que responde ao processo. Os votos de dois ministros são considerados "incertos": Celso de Mello e Marco Aurélio Mello.

Eles seriam hoje os fiéis que poderiam fazer a balança da Justiça pender para um dos lados.

TRAVESSEIRO
O mesmo réu torce para que o julgamento só ocorra em 2013, quando seria maior a chance de absolvição dos investigados. Isso porque dois ministros considerados como votos certos pela condenação vão se aposentar no próximo ano: Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso. Ambos nasceram em 1942 e fazem 70 anos em 2012, quando serão obrigados a vestir o pijama.

SHOW DE PÉROLAS

Paula Toller se apresentou na festa de dez anos da joalheria Tiffany no Brasil; o empresário Carlos Jereissati Filho e a estilista Emanuelle Junqueira assistiram ao pocket show da cantora na loja do shopping Iguatemi.

EU VOLTEI

Fábio Assunção começa a ensaiar nesta semana a peça "Adultérios", de Woody Allen, com direção de Alexandre Reinecke.

No elenco, Carol Mariottini e Norival Rizzo. A estreia está prevista para julho, no Teatro das Artes, em SP.

CARIOCA

O Ministério da Cultura autorizou os produtores da peça "Trair e Coçar É Só Começar" a captarem R$ 2,1 milhão por meio da Lei Rouanet para temporada de três meses no Rio de Janeiro.

O espetáculo completou 25 anos em cartaz.

SAÚDE RUIM

José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina que está atuando na novela "Cordel Encantado", da TV Globo, diz que sua saúde continua "péssima". "Meu ócio é o estresse. Nem poderia estar fazendo novela", afirma. No ano passado, o diretor foi submetido a cirurgia cardíaca para colocar um marca-passo.

PAULISTA DA GEMA

A cantora carioca Mart'nália vem a São Paulo para se apresentar no no bar Pirajá, em Pinheiros, como parte do projeto Para Ver as Meninas. Será no dia 7 de maio, a partir do meio-dia. Cantará "Cabide" e "Ela É Minha Cara". "Beleza de Diamente", gravada no disco de Moacyr Luz, será interpretada pelos dois.

CURTO-CIRCUITO


O promotor José Carlos Blat faz palestra às 19h de hoje, na sede do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação de São Paulo (SEAC-SP), sobre o tema "Crimes contra a Ordem Tributária".

O cineasta Newton Cannito ministra o curso "Gêneros Cinematográficos e Criação Autoral", de hoje a sexta, no Centro Cultural b- arco.

Michel Maffesoli, professor de sociologia da Sorbonne, participa de seminário de "ecosofia", relação entre o homem, o ambiente e as redes digitais. Amanhã, às 14h, e na quarta, às 9h, no teatro Aliança Francesa.

A cantora Tiê recebe Criolo em sua casa para o show "Na Cozinha ou no Jardim", hoje, às 20h, que tem transmissão ao vivo pelo Twitter dela.

Carlos Ferreirinha dará palestra sobre o mercado do luxo no dia 3, no evento Bem na Moda, em Campinas.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

ENGANAÇÃO

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Empresa inicia contratações para centro no Rio de Janeiro
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11

A GE (General Eletric) já começou a contratar 200 engenheiros que trabalharão em seu novo centro de pesquisa no Rio de Janeiro, que ficará pronto no final de 2012.
O desenvolvimento de produtos será iniciado antes da abertura do centro, ainda neste ano, segundo o presidente da empresa para América Latina, Reinaldo Garcia.
"Os projetos serão voltados para os setores de aviação, mineração e extração do pré-sal", afirma Garcia, de Munique (Alemanha), onde fechou a estratégia da GE na região em 2011.
O investimento no centro de pesquisa está estimado em US$ 150 milhões (cerca de R$ 235,6 milhões), mas ainda pode crescer, diz o executivo.
Além das 200 vagas para engenheiros no Rio, a companhia decidiu contratar outras 800 pessoas no país até o final do ano. "Serão profissionais de pesquisa, marketing, vendas e trabalhadores para as fábricas."
A GE pretende investir US$ 550 milhões (cerca de R$ 864 milhões) no Brasil até o final do ano.

EM HARVARD
A Universidade Harvard indicou, pela primeira vez, uma brasileira para concorrer a uma vaga do conselho de ex-alunos que fazem o acompanhamento estratégico da instituição (Universities" Board of Overseers).
A diretora da consultoria Monitor no Brasil, Flavia Almeida, concorre ao lado de 30 candidatos para uma das cinco vagas do conselho.
"Como conselheira, pode-se incentivar a internacionalização do corpo docente e a colaboração da universidade com instituições de outros países", diz Almeida.
Apenas alunos já formados votam na eleição, que se encerra no fim de maio.

Deficit em eletrônicos deve atingir US$ 33 bi em 2011
O deficit da balança comercial do setor de eletrônicos no Brasil deve atingir US$ 33 bilhões ao final deste ano, segundo estimativas da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).
No ano passado, o saldo negativo chegou a US$ 27,2 bilhões, resultado de importações de mais de US$ 34 bilhões e apenas US$ 7,6 bilhões em vendas ao exterior.
Uma das maiores preocupações do setor, os componentes elétricos, tiveram importações de US$ 18,2 bilhões, ante exportações de menos de US$ 3 bilhões.
A chegada de uma gigante como a taiwanesa Foxconn dificilmente alteraria tal cenário, de acordo com o presidente da entidade, Humberto Barbato.
O crescimento da importação de utilidades domésticas também preocupa.

Informação... 
O Brasil gastará cerca de R$ 59,3 bilhões com tecnologia da informação em 2011, de acordo com pesquisa da VMware e do Instituto Sem Fronteiras. Foram ouvidas 1.140 empresas de grande e médio porte do país.

...tecnológica 

As companhias pretendem realizar investimentos 10% maiores em TI neste ano, na comparação com 2010, segundo o estudo. Das empresas participantes, 80% já virtualizaram alguma parte de seus servidores.

Conta... 
Brasil, China, Índia e Rússia são os quatro países do mundo em que ao menos 85% das pessoas entre 15 e 24 anos utilizam telefones pré-pagos, de acordo com levantamento da Nielsen. Os norte-americanos são os que menos usam o serviço, com adesão de apenas 24% dos jovens.

...do celular 
Os quatro emergentes também registram os maiores índices de usuários de pré-pagos entre pessoas com mais de 25 anos. No Brasil, 77% da população dessa faixa etária opta por esse plano de telefonia móvel.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

NATHAN BLANCHE - A volta do câmbio bandido


A volta do câmbio bandido
NATHAN BLANCHE

O Estado de S.Paulo - 25/04/11

Para os contemporâneos das décadas de 1970 e 1980 (a geração dos sem-moeda), chegam a ser cômicas as declarações de que vivemos uma guerra cambial e de que o real é vítima de ataques especulativos. São preocupantes as decisões de conter os influxos cambiais por meio de todos os tipos de controles. Nesta toada, podemos perder a grande oportunidade que têm as economias dos países emergentes pós-crise de 2008 para aproveitar a abundância de dólares e realizar investimentos necessários. Além de complicar o combate à inflação e de até prejudicá-lo.

A economia brasileira tem seu crescimento potencial limitado pela baixa capacidade de geração de poupança. Portanto, é inequívoca a dependência da captação de poupança externa. Em 2010, por exemplo, a economia do País cresceu 7,5%, com a absorção doméstica se expandindo em 10,3%. Contribuíram para isso o aumento da demanda pública e a capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a concessão de crédito subsidiado (obviamente, nada que ver com a eleição!).

Se não fosse o aumento do déficit em conta corrente, de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,3%, entre 2009 e 2010, com as importações aumentando 42% no mesmo período, a inflação teria ido para o espaço. Em 2010, a inflação atingiu 5,9%.

Para 2011 projetamos crescimento de 3,9% e ainda estamos na iminência de a inflação romper o teto superior da banda, seja porque a demanda continua aquecida, seja porque temos importantes choques de oferta.

Dados os comportamentos da inflação nos últimos meses e das expectativas de inflação, é provável que, mesmo com uma maior apreciação do câmbio, o Banco Central (BC) seja obrigado a elevar os juros ainda ao final deste ano, quando ficar claro que a inflação não convergirá para o centro da meta. Inclusive, o Banco Central cita em seu último Relatório de Inflação que "a estratégia de política monetária poderá eventualmente ser reavaliada".

A nova liderança do Banco Central pós Henrique Meirelles, em conjunto com o Ministério da Fazenda, vem sinalizando uma linha mais voltada à heterodoxia, intervencionista, utilizando todo tipo de instrumentos ditos macroprudenciais no lugar da tradicional política monetária. E cada vez mais se distanciando das expectativas de mercado.

Em relação à política cambial, fica evidenciada uma política de bandas cambiais ultrassujas (crawling peg) tentando estabelecer piso para a taxa de câmbio com fortes intervenções do Banco Central e da Fazenda, com esta impondo restrições à entrada de dólares.

As medidas sequenciais de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as captações externas, inclusive de médio prazo, somadas às declarações do Ministério da Fazenda e ao pré-aviso de que estas deverão continuar, resultaram numa avalanche de antecipações de entrada de dólares.

Já temos um influxo, neste início do ano, de US$ 35,6 bilhões, ante US$ 2,4 bilhões no mesmo período do ano passado e cerca de US$ 24,5 bilhões em todo o ano de 2010. As compras desses excedentes pelo Banco Central, elevando ainda mais as reservas internacionais, têm um custo estimado de R$ 54 bilhões este ano.

A experiência passada comprova que tais "paliativos", como o "IOFetismo" da política cambial, não terão êxito, porque o mercado encontrará suas "brechas" para atender à demanda.

O câmbio flutuante é um dos principais fatores para o equilíbrio macroeconômico. Com ele não se brinca. Ressalta-se que temos necessidades de financiamento do balanço de pagamentos estimadas em US$ 94,9 bilhões para este ano. Se continuarem os impeditivos como o IOF, a quarentena e a argentinização da política cambial, haverá grave piora do prêmio de risco país e desvalorização do câmbio, com impactos nefastos sobre uma inflação já alta.

A elasticidade do câmbio em relação à inflação é de 0,05. A mudança de patamar de R$ 1,70 para R$ 2,00 por dólar (17,6%) geraria um aumento na inflação de 0,9 ponto porcentual. Assim, a inflação passaria para algo como 7%. Por outro lado, o afrouxo do nível de intervenção no câmbio permitiria que a taxa fosse para algo como R$ 1,55 por dólar, o que faria o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar abaixo de 6%.

Quanto ao cenário internacional, no curto prazo, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve continuar com sua política de recuperação do nível de atividade, por meio da expansão da liquidez, inclusive exportando inflação para o mundo via commodities. Tal estratégia nos parece correta, uma vez que o seu PIB depende substancialmente do setor de serviços, e este segue com inflação bastante baixa para padrões históricos.

No caso brasileiro ocorre o inverso: em 12 meses, o IPCA cheio está em 6,3% e o setor de serviços está com alta de 8,5%.

Num contexto mundial como este, em que a alta das commodities deve continuar, nada mais sóbrio do que deixar o câmbio apreciar, na direção de compensar, em parte, essa alta de preços vinda de fora.

As mudanças adotadas e a nova sinergia entre Banco Central e Fazenda são um grande equívoco. Deixar o câmbio flutuar, adotar uma política fiscal responsável sem "mandrakismos" e elevar os juros para esfriar a demanda continuam sendo a receita certa para evitar a volta da inflação.

Tratar o câmbio como bandido na atual conjuntura é não entender seus efeitos nocivos sobre a inflação e a nossa dependência de poupança externa.

SÓCIO-DIRETOR DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA INTEGRADA

RENATA LO PRETE - PAINEL


Segundo round
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11

Ainda sob efeito da implosão da bancada na capital, o PSDB-SP mergulha em novo embate. A duas semanas da convenção, aliados de Geraldo Alckmin e José Serra disputam postos estratégicos no comando estadual do partido. O governador instalará na presidência o deputado Pedro Tobias, de sua confiança.
A briga é pela secretaria-geral, braço operacional da legenda. O deputado federal Vaz de Lima, ex-líder de Serra na Assembleia, postula a vaga. O estadual Mauro Bragato, ex-secretário de Alckmin, também colocou seu nome. César Gontijo, hoje no cargo, pleiteia a recondução. O impasse alimenta a tensão interna simultaneamente à escolha dos 70 delegados paulistas para a convenção nacional, prevista para 28 de maio.

Tira... 
Depois de derrubar a instalação das CPIs patrocinadas pela base de Alckmin na Assembleia, Antonio Mentor (PT) agora contestará na Justiça a retirada de três assinaturas do requerimento de abertura de comissão para investigar os pedágios.

...e põe 
Milton Leite (DEM), Gilmaci Santos (PRB) e Sebastião Santos (PRB) chegaram a subscrever o texto, mas recuaram a pedido do Bandeirantes. Para o petista, a manobra ocorreu depois que o documento foi protocolado, lido e anunciado em plenário, o que regimentalmente o sustentaria.

Independência 

O presidente da Câmara paulistana, José Police Neto, que acaba de deixar o PSDB, trabalha na montagem de rede parlamentar paralela à "Autoridade Metropolitana", recém-criada por Alckmin. Ele já se reuniu com vereadores de 33 cidades da Grande SP para construir uma agenda temática independente à do governo tucano.

Transbordou 

Enchente que parou Recife na semana passada foi o novo capítulo da briga entre o prefeito João da Costa (PT) e seu antecessor e ex-padrinho, João Paulo. Costa viajara para Madri e João Paulo foi antes que a oposição às emissoras de rádio para criticá-lo por abandonar a cidade no caos.

Fronteira 1 

Não bastasse a CPI proposta por Marcelo Crivella (PRB-RJ) para investigar crimes transfronteiriços, o governo de Dilma Rousseff será cobrado por aliados no Senado a redobrar atenção no patrulhamento das fronteiras. O recado sairá da Subcomissão de Políticas Sociais sobre álcool e drogas.

Fronteira 2 

Governistas usam retórica semelhante à dos tucanos na campanha. "É mais fácil não deixar a droga entrar do que ir atrás dos que estão traficando no país", sustenta o peemedebista Waldemir Moka (MS).

Nada a declarar 
Relatório final do presidente da subcomissão, Wellington Dias (PT-PI), pedirá o aumento dos impostos e a restrição da publicidade para bebidas alcoólicas. O petista foi ouvir Lula, de quem gostaria de apoio para a iniciativa. "Sou conservador neste tema, melhor não opinar", respondeu o ex-presidente.

Consultoria 
A direção do PT quer ouvir Dilma esta semana sobre a reforma política. A ideia é "blindar" o governo, dada a total falta de consenso na base aliada.

Aviso prévio 
Moreira Franco ameaçou, em conversa com o vice Michel Temer, deixar a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). O prometido "PAC" da pasta, com a incorporação do Conselhão e da política de saneamento, não saiu do papel. E ele acha que não sairá.

Passa boiada 
O ex-deputado André de Paula não será a única baixa do DEM de Pernambuco para o PSD. Os prefeitos "demos" no Estado farão o mesmo caminho.
com FABIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio
"Os ruralistas dizem que é preciso um novo Código para proteger os pequenos agricultores, mas na verdade eles querem mesmo é avançar sobre a Amazônia."
DO SENADOR JOÃO PEDRO (PT-AM), sobre as mudanças na proporção da Reserva Legal discutidas no projeto do novo Código Florestal.

contraponto

Falaram comigo?

O padre Haroldo Rahm, fundador da Instituição Padre Haroldo, participava de Audiência Pública na Subcomissão Temporária de Políticas Sociais sobre Dependentes Químicos no Senado. Durante a reunião, ouviu críticas direcionadas às comunidades terapêuticas, acusadas pelo representante da Associação Brasileira de Psiquiatria de agir "sem embasamento científico". Chamado a falar, o religioso retrucou:
-Ainda bem que sou um pouco surdo. Assim acabei poupado de escutar as bobagens que falaram...

MELCHIADES FILHO - Além das coincidências


Além das coincidências
MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11
BRASÍLIA - No início do ano, Aécio Neves despontava como o líder da oposição. Tinha o comando de seu partido, o PSDB, e do principal aliado, o DEM. Preparava a estreia no Senado e o anúncio do novo estilo de atuação do consórcio demotucano: crítico, mas disposto a colaborar com o Planalto. O tal pós-Lula.
No início do ano, Geraldo Alckmin dizia-se "reserva" no xadrez nacional -um jeito de se incluir no tabuleiro. Revigorado pela vitória no primeiro turno, assumia o governo do maior colégio eleitoral do país decidido a repaginar o PSDB paulista e a resgatar projetos e políticos escanteados pelo antecessor.
José Serra, por sua vez, estava liquidado. Pagava pelos erros da campanha presidencial -e pelos erros cometidos antes dela. Era descartado até para a direção do PSDB, um cargo praticamente decorativo.
Deu-se, então, a criação do PSD e a debandada de muitos democratas e alguns tucanos para essa sigla.
Agora, Aécio é líder de uma oposição reduzida e de um DEM em ruínas, na melhor hipótese com 50% da bancada que elegeu. A nova legenda roubou o discurso furta-cor: não é de esquerda, de direita nem de centro, muito pelo contrário.
Alckmin se desdobra para remendar a base de apoio. Foi abandonado pelo vice-governador e por metade de seus vereadores paulistanos. Não tem candidato forte à prefeitura da capital e vê-se pressionado a defender a fusão PSDB-DEM para que o PT não dispare como o maior partido do Estado.
E Serra? Embora alquebrado, ressurge como o nome em tese capaz de reaglutinar a oposição em São Paulo em 2012 e o único tucano ao qual o PSD declara voto em 2014.
Talvez seja exagero atribuir a ele tanta reviravolta. Talvez seja só coincidência, também, o novo partido nascer da ala serrista do DEM (Kassab, Kátia Abreu, Afif, Indio).
Mas alguém ainda acredita que Serra aceitará docilmente o ocaso que lhe impingiram e se recolherá às madrugadas no Twitter?

GOSTOSA

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - Síndrome de classe média


Síndrome de classe média
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 25/04/11
O rico não sabe que é rico. Um em cada cinco pobres não se acha pobre. Ambos sofrem da síndrome de classe média.
Apenas 1% dos que estão no topo da pirâmide social brasileira se reconhece abastado. Praticamente dois terços desses que estão na mais alta faixa de renda dizem que são classe média. O resto não aceita tal régua e se diz "trabalhador".
A camada intermediária incha em toda pesquisa que pede para o entrevistado dizer qual sua classe. Não é preciso ir à Sorbonne para entender o porquê.
Como não dá para calcular sua posição na escala social sem se comparar aos outros, seu lugar será sempre relativo. O mesmo 1,80 metro que garante a posição de pivô no time de basquete dos pigmeus, é insuficiente para ser armador na NBA.
Numa autoclassificação por renda, a maioria dos indivíduos olha para um lado e vê que há gente mais rica do que ele; olha para o outro e nota que há também mais pobres. Logo, seu lugar deve estar no meio.
Em pesquisa CNI/Ibope de 2008, 42% dos brasileiros se autoclassificam como classe média ("alta", "baixa" ou sem adjetivos) e 19% como classe trabalhadora/operária.
Ideologias à parte, os ditos trabalhadores/operários estão mais perto do extrato superior do que do terço que se considera na classe baixa/pobre. Comparando sua renda com a dos outros, pelo menos metade deles seria classe média.
Desde que a pesquisa foi feita, há quase três anos, mais pessoas emergiram economicamente. Mantido o crescimento do consumo, a classe média será ainda mais majoritária em 2014.
Como resultado, se um candidato for à TV e pedir o voto de quem é da classe média, ele terá boas chances de sair com mais eleitores do que inimigos. Há um inconveniente, porém: não será o único político fazendo esse apelo eleitoral.
PT e PSDB vêm buscando o voto da classe média há várias eleições. Descobriram que há diferentes classes nessa média: os emergentes, os decadentes e os estáveis; subdivididos em estudantes, estudados e sem estudo; em crentes, agnósticos e não praticantes; além de ricos, pobres e remediados.
Acertar o discurso para cada segmento é um problema, porque muitas vezes os interesses são contraditórios. Os ricos reclamam dos impostos altos, por exemplo, enquanto os pobres acham que eles são necessários para garantir saúde e educação. É natural: estes usam muito os serviços públicos, aqueles, pouco.
Os ricos têm dificuldades de se saberem ricos porque a dispersão da renda é maior na ponta mais afluente da escala. Proporcionalmente, a desigualdade é mais aguda entre os ricos do que entre os pobres.
Segundo a PNAD 2009, o rendimento do 1% mais rico é o triplo do que ganham os 4% do degrau imediatamente anterior. Ou seja: a não ser que seu nome seja Eike Batista, sempre haverá alguém ganhando muito mais do que você e será fácil de notar pelo modelo do carro, pelo tamanho da casa ou pela autonomia do jatinho.
Na frase entreouvida em um grupo de pesquisa qualitativa sobre a nova classe média: "Rico é quem tem lancha". Com barcos financiados em 48 prestações no cartão de crédito, já há quem diga que rico é quem tem vaga em marina.
Entre os ex-pobres, os signos da diferença social são mais prosaicos: um celular inteligente, uma conexão rápida à internet no computador de casa.
Como nota o pesquisador Maurício Moura, muitas novidades consumidas pelos emergentes implicam mais acesso à informação, o que os torna permeáveis, ou pelo menos acessíveis, ao discurso da oposição. Daí talvez Fernando Henrique Cardoso descartar "as massas carentes e pouco informadas".
Mas não basta ter acesso ao alvo. O discurso precisa acertar. Em propaganda recente, o PSDB reclama das filas nos aeroportos. São filas que incomodam o eleitor tradicional do partido, mas que foram formadas pelo afluxo de novos passageiros, os mesmos emergentes que os tucanos querem conquistar.
O PSDB tem mais um motivo para apurar o discurso. Dilma Rousseff está com aprovação superior ao seu porcentual de votos no 2.º turno de 2010. Logo, uma parcela dos eleitores de José Serra em 2010 aprova o governo da petista. Seriam eles de classe média? Podem não ser, mas acham que são. 

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Chalita, o PMDB carismático


Chalita, o PMDB carismático
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11
SÃO PAULO - Gabriel Chalita é o padre Marcelo da política. Carismático, representa a renovação conservadora dessa atividade de má reputação. Marcelo, o padre, exercita a religião como uma espécie de ginástica da alma; Chalita, o deputado, opera a política como uma extensão da autoajuda. Carolas, efusivos, sentimentais, são guias espirituais da nova era.
Com pouco mais de 40 anos, Chalita já publicou 54 livros -hummm... Geraldo Alckmin, de quem ele foi secretário da Educação e ainda é grande amigo, o confunde com um intelectual.
Apesar do sucesso, ou por causa dele (560 mil votos para deputado federal, só atrás de Tiririca), Chalita se tornou uma figura folclorizada nos meios letrados. José Serra, quando governador, contribuiu de forma decisiva para detonar o legado pedagógico do chalitismo.
Hoje no PSB, o ex-tucano acaba de ser convidado por Michel Temer para ingressar no PMDB com a promessa de ser candidato a prefeito em 2012. Não se deve confiar no PMDB, é certo. Chalita pode estar sendo recrutado para aumentar o poder de barganha da legenda com o PT -como já disse Bernardo Mello Franco nesta Folha.
É bem provável. Mas, mesmo que seja assim, como vice, como aliado, ou como candidato, Chalita estará roubando uma parte do eleitorado de classe média dos tucanos. Esse é o seu atrativo de mercado.
Até a morte de Quércia, no final do ano passado, o PMDB paulista estava atrelado a Serra. Sócio dos tucanos, o quercismo era uma espécie de enclave que resistia ao domínio de Temer e sua turma. O partido agora sinaliza que também em São Paulo está disposto a aprofundar os negócios com o PT.
Essa é a tendência. Mas Chalita é um personagem maleável o suficiente para se acomodar também com os tucanos, caso uma reviravolta na correlação de forças assim exija. Seu oportunismo é, por assim dizer, ecumênico. Espiritualmente, ele sempre pertenceu ao PMDB.

RUY CASTRO - De olho no céu


De olho no céu
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/04/11
RIO DE JANEIRO - A abertura de arquivos em Brasília revelou que a FAB (Força Aérea Brasileira) passou os últimos 60 anos analisando depoimentos de supostos contatos visuais de pessoas com ovnis (objetos voadores não identificados). No lote de 700 documentos, constam relatos sobre objetos "de grande luminosidade" que apareceram no céu, fizeram uma manobra imprevista e, talvez por timidez, desapareceram na maior velocidade.
Sinto inveja das pessoas que juram ter visto discos voadores porque, embora vivesse de olho no céu nos anos 50 -quando os discos saltavam diretamente das páginas de "O Cruzeiro" para a nossa imaginação -, nunca vi nada nem parecido. Foi uma época em que discos voadores abundavam no cinema, nos gibis e nas figurinhas dos chicletes de bola, mas, que raio, se mostravam para todo mundo, menos para mim.
Muito depois, conheci o repórter João Martins, que, em 1952, dera em "O Cruzeiro" o furo dos discos voadores sobre a Barra da Tijuca, fotografados à luz do dia por Ed Keffel.
Sempre que o via, eu puxava o assunto, esperando que ele se distraísse e revelasse que eram pires atirados para o alto, como de fato pareciam. Mas João Martins fazia cara de pôquer e nunca se traiu.
Nas décadas seguintes, tentei esquecer os discos voadores, mas eles continuaram aparecendo, embora apenas para pessoas especiais: Tim Maia, Rita Lee, Paulo Coelho, Raul Seixas, João Gilberto, Baby Consuelo, Xuxa, Wanderléa, o roqueiro Serguei, meu amigo Eduardo Dussek. E, outro dia, até o cantor Fiuk, tão novinho, já viu o seu.
Só não me martirizo ainda mais porque, além de mim, Millôr Fernandes, d. Paulo Evaristo Arns, Antonio Candido, Ferreira Gullar e Fernanda Montenegro até hoje também não viram. É verdade que, certa vez, FHC disse que viu um ovni. Mas o ovni não foi encontrado para confirmar.

CLAUDIO HUMBERTO



"O mercado financeiro faz terrorismo com o risco inflacionário" 
Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, protestando contra a alta da taxa de juros

Providência divina’ segura Mantega no cargo 
O governo usa uma expressão curiosa e pronunciada com ironia, para explicar a permanência do ministro Guido Mantega (Fazenda) no cargo: ""providência divina"". Autoridades com gabinetes no Planalto dizem ser ""justo"" que Mantega enfrente as dificuldades que ele mesmo criou, no governo Lula, ao autorizar a orgia de gastos que obrigou a presidente Dilma a cortar investimentos, até no PAC, e fez ressurgir a inflação.

Mero executor 
A presidenta resolveu manter Guido Mantega, ao menos por enquanto, até porque é ela quem agora dá as cartas. Dilma conhece economia.

Quem pariu Mateus... 
O governo não tem ""plano B"" ou um nome alternativo a Guido Mantega, Até porque a tarefa dele, agora, é arranjar o que desarranjou.

Agora é com ele 
Integrantes da cúpula do governo reconhecem que Guido Mantega ficou perdido desde que perdeu a tutela de Henrique Meirelles.

Palocci está fora 

Saudosistas dos tempos de Antonio Palocci no Ministério da Fazenda podem perder a esperança: ele está adorando ser chefe da Casa Civil.

Excessos da Lei ambiental promovem injustiças 
Um brasileiro pode ser preso por tirar uma minhoca da terra, segundo a lei 9.605/98 e o decreto n.º 6.514, de 2008, adverte o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), autor do projeto do novo Código Florestal. Em Planaltina (DF), o lavrador Josias dos Anjos foi cercado a tiros e preso pela Polícia Florestal ao raspar a casca de árvore medicinal perto de um córrego, para fazer chá para a mulher com doença de Chagas.

Um desastre 

O ex-ministro Miguel Reale Jr. classificou a lei ambiental de ""hedionda"": ""Se você escorrega e amassa a begônia do jardim do vizinho, é crime.

Top de linha 
O aspone para assuntos especiais aleatórios, Marco Aurélio Top-Top Garcia, foi promovido e ganhando mais: agora é Top-Top.2.

Mania de grandeza 

O Brasil tem complexo de Itu: com a Selic a 12% ao ano, recuperou o título de campeão mundial de juros.

Silêncio ensurdecedor 
Mineiros andam intrigados com o silêncio do governador tucano Antonio Anastasia sobre a incompatibilidade de Aécio Neves (PSDB-MG) com bafômetros. Não abriu a boca para defender o senador.

Simpatia é quase amor 
Antonio Anastasia caiu nas graças da presidenta Dilma, que tem a melhor impressão de suas qualidades como gestor. Quem conhece os dois identifica semelhanças, exceto pelo estilo ""mais polido"" do mineiro.

Ele é o cara 
O ministro João Otavio de Noronha conquistou a posição de um dos mais admirados juízes do nosso tempo, e consolida liderança natural no Superior Tribunal de Justiça. Ele é o cara, dizem nos tribunais.

Restos a pagar 

O Senado receberá a ministra Mirian Belchior (Planejamento) nesta terça para discutir os ""restos a pagar"" das emendas parlamentares. O governo Dilma quer que o prazo se encerre no dia 30 deste mês, mas a pressão é intensa para esticar o pagamento até o final do ano.

Deixa o homem descansar 
A caminho da aposentadoria, em novembro, o ministro Ubiratan Aguiar, do Tribunal de Contas da União, do TCU, não deve parar. Tem sido convidado a prestar assessorias a universidades brasileiras.

Pensando bem... 
...o remédio da alta dos juros acabará matando o paciente contribuinte.

PODER SEM PUDOR
Barbeiro cruel 


Seis meses depois de assumir o cargo de ministro do Planejamento do governo FHC, Antônio Kandir percebeu que ganhara muitos cabelos brancos. Impressionado, foi ao barbeiro. Imaginou que após o corte, os fios brancos diminuiriam. Ledo engano. No dia seguinte, o então secretário-executivo, seu amigo Martus Tavares, foi logo perguntando:
- Como é que seu barbeiro faz para cortar só os fios pretos? 

"DANÇOU"

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Agentes da ditadura criam rede de arapongas
- Folha: Empregos crescem na faixa acima dos 50 anos
- Estadão: Construtora atrasa obra e eleva custo de imóvel em SP
- Correio: Cinco dias para ficar de olhos bem abertos
- Valor: Plano de reativação da Telebras fica no papel
- Estado de Minas: Calvário na ida. Tormento na volta
- Jornal do Commercio: Sport e Santa numa boa
- Zero Hora: Tempestades expõem demora habitual para normalizar energia