quarta-feira, fevereiro 16, 2011

ILIMAR FRANCO

A posição de Paes
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 16/02/11

Vai ser quente a reunião hoje com a presidente Dilma Rousseff para tratar das Olimpíadas de 2016. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, diz que “o governo importou o modelo de Londres” sem considerar que a Inglaterra é um Estado unitário, e o Brasil, uma federação. Sua avaliação é que “a Autoridade Pública Olímpica não vai funcionar” e que “o governo federal tem que ter um braço
executivo (seja uma empresa ou um ministério)”. 

Fica combinado assim
Sobre a organização para as Olimpíadas de 2016, a assessoria do ministro Orlando Silva (Esporte) reagiu, dizendo que a criação da empresa Brasil 2016 não é ideia dele, mas do ministro Paulo Bernardo (Comunicações). No Congresso, os políticos dizem que o Palácio do Planalto age insuflado pelo PT, que não se conforma que um aliado, de um pequeno partido, coordene investimentos
em infraestrutura de cerca de R$ 30 bilhões. O novelo será desfeito hoje em reunião que contará também com o governador Sérgio Cabral (RJ). A disposição do governo federal é enquadrar o prefeito Eduardo Paes, e este, a despeito de suas opiniões, diz: “Vou acatar o que a presidente Dilma deliberar.” 

TCU QUER MAIS PODER. Com 120 engenheiros no seu quadro de funcionários, o TCU vai fazer concurso este ano para contratar mais 60 engenheiros. O presidente do Tribunal, Benjamin Zymler, diz que com esse reforço a fiscalização vai começar a avaliar também “a qualidade das obras públicas no país”. Hoje, a investigação do tribunal se limita a verificar se a obra respeita a legislação vigente e se os preços praticados são os de mercado.

Na hora do lanche
Antonio Palocci é o mais assíduo nos almoços da presidente Dilma Rousseff. Ela come nos dias úteis no Planalto e acaba fazendo uma reunião. Sentam à mesa também Gilberto Carvalho, Helena Chagas e José Eduardo Cardozo.

Redes sociais
Foi criada ontem uma comissão no Palácio do Planalto para criar um mecanismo de interação permanente da Presidência da República com a sociedade via internet. A proposta tem que estar pronta e testada após o carnaval.

Congresso de fora
Na votação do salário mínimo, o PPS vai tentar retirar hoje do texto do projeto o artigo que estabelece que os próximos reajustes serão estabelecidos por decreto pelo Poder Executivo. O partido afirma que a medida é inconstitucional e ameaça recorrer ao STF. “A política salarial é de iniciativa do Executivo, mas é feita por projeto de lei a ser discutido pelo Congresso”, afirma o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP).

Dissidente
A bancada do PT na Câmara terá um dissidente na votação do mínimo: Eudes Xavier (CE). Sobre eventual punição, um integrante da tendência Construindo um Novo Brasil, majoritária no partido, responde: “Ele será tratado a pão e água.”

Na onda
O PSDB do Senado se reuniu ontem e enquadrou o senador Aécio Neves (MG), que vinha defendendo R$ 560 para o mínimo. Ele foi convencido de que pega mal não votar nos R$ 600 defendidos por José Serra na eleição presidencial.

● CHAMOU A ATENÇÃO de um assessor da presidente Dilma a ausência da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) em debate sobre o mínimo, com a tucana Marisa Serrano (MS), em rádio de audiência nacional. 
● A SENADORA Ana Amélia (PP-RS) está pautando o petista Paulo Paim (PT-RS) no mínimo. Ele tem dito que não pode votar num valor menor que o dela. 
● O PSOL quer um reajuste do salário mínimo para R$ 700. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) sentencia: “É o único partido que mantém a sua coerência na defesa de um aumento significativo para o mínimo.”

ALEXANDRE SCHWARTSMAN

Muito pouco; muito tarde
ALEXANDRE SCHWARTSMAN
folha de são paulo - 16/02/11
A família em dificuldade quebraria se seu "corte de despesas" implicasse mais gastos, como o do governo

NA SEMANA PASSADA o governo federal anunciou um ajuste fiscal, marcado pela promessa de corte de R$ 50 bilhões em despesas. Parece muito, mas precisamos saber a) se é suficiente e b) se vai acontecer.
A resposta é infelizmente negativa nos dois casos (um desperdício, já que a negativa à segunda pergunta torna a primeira irrelevante, mas, mesmo assim, é importante compreender o porquê) e os motivos para isso devem ficar claros nos próximos parágrafos.
Comecemos por entender o que é realmente o corte anunciado. Uma mente menos afeita à particular forma de apresentação das contas públicas poderia interpretar que, da mesma forma que uma família em dificuldades financeiras reduz seu nível de gasto, o governo estaria disposto a diminuir suas despesas. Não é esse, porém, o caso.
De fato, o corte de R$ 50 bilhões aplica-se às despesas previstas no Orçamento da União para 2011, R$ 769 bilhões, e, posto em prática, traria o gasto federal neste ano para R$ 719 bilhões.
No entanto, como a despesa observada em 2010 ficou ao redor de R$ 657 bilhões, tal "corte" de despesas representa, na verdade, um aumento de R$ 62 bilhões no gasto público federal relativamente ao ano passado.
A família em dificuldades iria certamente à falência caso seu "corte de despesas" implicasse, como no caso do governo federal, aumento de quase 10% nos seus gastos.
Isso dito, como o crescimento do PIB nominal (o crescimento da economia acrescido da inflação) deve ficar em torno de 11%, a despesa federal, medida como proporção do PIB, deve sofrer queda modesta, de 17,9% para 17,7% do PIB.
Será que a redução do gasto, de 0,2 ponto percentual do PIB, será bastante para que o governo possa cumprir sua promessa e gerar um superavit primário de 3% do PIB neste ano? Novamente, à primeira vista, poderia parecer que sim. Visto que o superavit primário em 2010 atingiu 2,8% do PIB, 0,2 ponto do PIB a mais já traria o resultado fiscal para a meta.
Entretanto, como mostrei na minha última coluna, boa parte desse número resulta da criatividade contábil do governo, em particular a operação em torno da capitalização da Petrobras, que permitiu ao Tesouro registrar ganho de quase 1% do PIB, o qual, de resto, não se repetirá neste ano.
Assim, o governo deveria produzir um ajuste fiscal muito superior ao anunciado, caso realmente pretenda atingir a meta fiscal.
Tendo concluído que o corte é insuficiente para atingir a meta que o próprio governo definiu, precisamos saber ainda se ele é possível à luz dos constrangimentos naturais associados à rigidez orçamentária, até mesmo para determinar se há alguma possibilidade de aprofundamento do ajuste que possa nos trazer mais próximos à meta.
Contudo, dos R$ 769 bilhões orçados para 2011, cerca de R$ 550 bilhões representam despesas obrigatórias, com destaque para a folha de pagamento e as aposentadorias, de modo que o universo sujeito a cortes limita-se a cerca de R$ 220 bilhões, o chamado gasto discricionário.
Ainda assim, esse grupo compreende gastos sociais (o Bolsa Família, por exemplo), educação, saúde e os investimentos do PAC, que, segundo o compromisso oficial, seriam preservados dos cortes orçamentários (diga-se, aliás, que restrições legais também impedem a redução dos gastos com saúde relativamente ao PIB).
Caso tais promessas sejam honradas, mesmo a exequibilidade do corte fica ameaçada, pois este recairia sobre um conjunto que, dependendo das estimativas, equivaleria a entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões.
A triste verdade é que, se a política fiscal fosse mesmo "anticíclica", o ajuste deveria ter começado provavelmente ao final de 2009, quando se tornou claro que a recuperação econômica já estava devidamente enraizada.
Agora, depois da farra dos últimos anos, e novos gastos de R$ 85 bilhões em 2010, o ajuste não é só pequeno; é principalmente tardio.

*ALEXANDRE SCHWARTSMAN , 48, é economista-chefe do Grupo Santander Brasil, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. 

GOSTOSA

ANTONIO DELFIM NETTO

Davos e nós
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SÃO PAULO - 16/02/11
O conhecimento dos ensinamentos da "escola" neoclássica é necessário, mas não suficiente para a formulação adequada da política econômica que tenta maximizar o emprego e o PIB com o controle da inflação e do balanço em conta corrente. Por maior que seja a resistência de seus seguidores para aceitar a ideia, deveria ser claro que ela, sub-repticiamente, envolve a crença em leis "naturais".
De vez em quando, entretanto, nos momentos mais eufóricos, os neoclássicos baixam a guarda e revelam o fato.
Agora mesmo, em Davos, um dos seus mais representativos defensores, o Institute of International Finance (IIF), um "think-tank" localizado em Washington (financiado pelo sistema financeiro internacional), declarou por seu porta-voz que o Brasil "deveria abandonar a ideia de controlar o real e permitir a evolução natural do seu valor".
E completou: "Se existem pressões naturais dos fundamentos econômicos elevando o valor do real, todo esforço para controlá-lo será custoso e inútil". Ao final, ele disse que deveríamos "deixar o real encontrar naturalmente um valor de mercado mais realista e focar outras coisas, como a política fiscal".
O primeiro conselho é naturalmente duvidoso porque não há relação estável entre "fundamentos" e taxa de câmbio. O segundo faz sentido.
Entretanto por motivos não naturais. Devemos praticar um controle nos gastos de custeio e realizar uma enérgica mudança no financiamento da dívida pública para levar o juro real do Brasil, a um prazo adequado, ao nível internacional. Esse é o ponto. Não há nenhuma lei natural que garanta que somos um caso teratológico (produzido por qualquer "gene": inflação no passado, insegurança jurídica, planos fracassados etc.) que exige, naturalmente, a maior taxa de juro real do mundo.
Os mercados de bens e serviços são diferentes dos financeiros, onde se determina a taxa cambial. Nos primeiros, enfrentam-se dois grupos antagônicos (compradores e vendedores distintos) e o equilíbrio é produzido por suas forças relativas. No segundo, quando o valor de um ativo se eleva, sua demanda necessariamente não cai.
Pode (como ocorre frequentemente) elevar-se porque cada agente é, alternadamente, comprador ou vendedor. É isso o que ocorreu com a moeda (taxa de câmbio) após as espetaculares "inovações" financeiras e a informática transformaram-na numa "mercadoria" comprada e vendida diariamente num mercado que é 20 vezes maior do que o de bens e serviços transacionados externamente.
É mais do que evidente que a concorrência financeira não limita a flutuação da taxa de câmbio.

*Antônio Delfim Netto, economista e político brasileiro.

MÍRIAM LEITÃO

Erros caros
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 16/02/11
Com um belo monte de equívocos, o Brasil está entrando num trem-bala para duas encrencas. As duas maiores obras são buracos sem fundo do ponto de vista fiscal, e quanto mais afundam, mais o governo se envolve. A Bertin, que é uma das empresas de Belo Monte, está em crise financeira; o governo tenta pôr os Correios para turbinar o trem-bala. Os dois projetos têm isso em comum: estão errados.

Há montes de argumentos contra as duas obras. A ferrovia é o caminho certo para o Brasil, mas o trem-bala consumirá dinheiro demais, impedindo inclusive o progresso ferroviário inadiável do país. Energia limpa é o caminho certo para o Brasil, mas a hidrelétrica de Belo Monte vai consumir dinheiro demais numa obra cujo projeto não foi avaliado adequadamente do ponto de vista econômico, fiscal, ambiental e climático. Confesso não entender por que um país com poucos recursos para investir escolhe dois projetos faraônicos num tempo em que há tanto a fazer.

O custo do trem-bala já foi revisto três vezes e está agora em R$35 bi. Ninguém do setor realmente acredita que ficará nisso. Pode ser muito mais, até porque no trem-bala 50% do projeto são túneis e pontes. Mas imaginemos que seja este o preço final. De acordo com o diretor-executivo da Associação Nacional de Transporte Ferroviário (ANTF), Rodrigo Vilaça, se em vez de trem-bala fosse feito um trem de alta velocidade convencional, que levasse três horas o trajeto, ao invés de uma hora, o custo seria reduzido a um terço:

- Quanto mais rápido andar o trem, menor capacidade terá de fazer curvas. O trajeto precisa ser praticamente em linha reta, o que encarece a obra pela geografia montanhosa da região.

O especialista em logística Paulo Fernando Fleury concorda. Acha que o Brasil tem inúmeros bons e necessários projetos na área ferroviária, com custos individuais em torno de R$4 bi a R$5 bi. É uma diferença descomunal com o custo do trem-bala. Fleury também considera que a entrada dos Correios não resolve o problema:

- O projeto é de um trem de passageiros. Como será feito o embarque e desembarque dos malotes e cargas dos Correios? Os passageiros vão ficar esperando o trem carregar e descarregar?

A entrada dos Correios no trem-bala tem mais a ver com o mesmo defeito que há em Belo Monte: pôr mais e mais governo através de estatais, para assim dar conforto aos investidores e fazer com que eles se animem. Mesmo assim, o leilão foi adiado para 29 de abril e ainda não há certeza de que haverá mais de um consórcio.

A ANTF estima que a economia brasileira demande, hoje, 50 mil quilômetros de ferrovias. Temos 28 mil. Nem quando todos os projetos previstos pelo Governo Federal saírem do papel, em 2023, chegaremos a esse número. O trem-bala vai consumir sozinho metade de que será investido no setor nos próximos anos. Ou seja, há uma clara distorção de prioridades, num contexto de urgência para ampliação da rede. Para se ter uma ideia, o crescimento do volume transportado em 2010 chegou a 19,1%: 471,1 milhões de toneladas de carga, contra 395,5 milhões em 2009. A maior parte disso são commodities que o Brasil exporta: minério de ferro, soja, milho, petroquímicos, mas também produtos para construção civil, impulsionados pelo crescimento da economia.

As ferrovias correspondem a apenas 25% de nossa matriz de transporte. O trem-bala não mudará isso porque fará transporte apenas de passageiros, e a uma distância curta, de cerca de 500 quilômetros, ligando Rio, São Paulo e Campinas. A discrepância com outros países de dimensão continental é enorme. A Rússia tem 81% de sua matriz em ferrovias. O Canadá, 46%; Austrália, 43%; EUA, 43%; e China, 37%. Estamos na lanterna e atrasados. Para piorar, 80% da malha ferroviária nacional têm mais de um século, segundo a ANTF.

O "Valor Econômico" trouxe na segunda-feira a assustadora notícia de que a Bertin está inadimplente em R$450 milhões em garantias que tinha que depositar, porque vários empreendimentos nos quais entrou estão atrasados. O grupo criava boi. Passou de uma hora para outra ao setor de infraestrutura e assumiu proporções gigantes, empurrado pelas licitações que ganhou para construir termelétricas e rodovias. E esse é o grupo-chave do consórcio que ganhou a licitação para construir Belo Monte. As garantias que tem que depositar são de nove termelétricas atrasadas. Segundo reportagem de Josette Goulart, do "Valor", "algumas medidas para contornar o problema do atraso no depósito de garantias estão sendo estudadas pela empresa e órgãos governamentais." O que têm órgãos governamentais com a dificuldade de uma empresa privada? Pode ter certeza que o final da história será mais subsídio e ajuda do governo, além do que o grupo já recebeu. No mercado, comenta-se que o BNDES procura comprador para o grupo Bertin para sair da encalacrada que o governo entrou ao organizar o consórcio na véspera do leilão de Belo Monte.

O trem-bala tem um belo monte de subsídios: R$20 bilhões de empréstimos do BNDES a juros baixos, de R$5 bilhões de doação do governo para o caso de o movimento de passageiros não ser o que foi projetado, e o Tesouro é que vai dar garantia para o empréstimo do BNDES. O governo também criará uma estatal, ao custo de R$3,4 bilhões, a Etav, Empresa do Trem de Alta Velocidade. O consultor Marcos Mendes, do Centro de Estudos do Senado, que fez o estudo mostrando todos esses subsídios embutidos, disse à imprensa que o governo é que está bancando esse projeto bilionário sem estudar os benefícios.

Os riscos são enormes nos dois projetos. No DNA de ambos, há a mesma insensata teimosia, a mesma derrama de dinheiro público, o mesmo voluntarismo estatizante. O Brasil precisa de energia renovável e de mais ferrovias, mas resolveu apostar as suas fichas nos projetos errados e caros. Onde o governo está com a cabeça?

BRAZIU: O PUTEIRO

BRAZIU: O PUTEIRO

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Ronaldo, empresário
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAULO - 16/02/11

Os sócios de Ronaldo na 9INE, parceira com a inglesa WPP, estão lotando a agenda do agora ex-jogador. Além de reuniões internas, ele foi escalado para receber em sua casa amanhã, para jantar, o primeiro contratado da sua empresa de marketing esportivo: Anderson Silva. O segundo? O Fenômeno negocia acordo com Neymar. Há quem jure tê-lo ouvido dizer, quando conheceu Martin Sorrell, da WPP: "Um dia vou fazer o mesmo".

O empresário 2
Quem conhece Ronaldo acredita que ele não será comentarista de TV. Recusou convite da Globo na Copa de 2010. Entretanto, vale lembrar: por não ser mais jogador profissional, não teria constrangimento em analisar seus ex-colegas. O ex-atacante, hoje milionário, se atrai mais pelo desafio do que pelo dinheiro.

Impugnação

Torcedores do Palmeiras estão indignados. Foi eleito na semana passada, para o conselho vitalício do clube, um homem acusado de estelionato, lavagem de dinheiro e contrabando de madeiras - denúncia pela qual chegou a ser preso em 2008. Ficha corrida é fator impeditivo para integrar o conselho.

Sonegação
A Fazenda paulista comemora o primeiro resultado de um sistema para controle na área de papel. De agosto até agora, 20 mil toneladas de papel imune não bateram com o declarado pelas empresas. Essas autuações podem chegar a R$ 100 milhões.
Este tipo de papel é isento de ICMS, desde que utilizado para impressão de jornais, livros e revistas.

WallyMario Testino está mergulhado em missão ingrata: a caça de Lula. Quer clicar o ex -presidente para a Vogue.

Ponto para o verde
Percalços na vida da turma que quer fazer porto e ferrovia entre Ilhéus e Itacaré. O Ibama emitiu parecer técnico contrário, sexta-feira. Exige mudanças na localização do empreendimento orçado em R$ 6 bilhões. E sugere que o núcleo de Mata Atlântica se transforme em Unidade de Conservação.

Ponto 2
A empreitada é da Bahia Mineração, pertencente a grupo empresarial do Cazaquistão. Que começou ali depois de comprar mina de Daniel Dantas em Caetité. Os ambientalistas dizem que o dinheiro para construir o empreendimento, vem direto do... Tesouro Nacional, a fundo perdido. Sai do meu, do seu e do nosso.

Hey, Jude
Fernando Meirelles conseguiu. Jude Law aceitou fazer parte do novo longa 360°. Filmado em Londres, Paris, Viena e Bratislava, dará trabalho aos atores: eles terão que se expressar em... sete línguas diferentes.

Vozeirão
Ao passar para visitar José Alencar no Sírio-Libanês, segunda, Alexandre Padilha assistiu cena inédita. Examinado por médicos, o ex-vice quase consegue sair da UTI se não fosse o veto de Roberto Kalil. Para a surpresa dos presentes, retrucou cantando... Apesar de Você.

Caixa-forte
A casa de Edemar Cid Ferreira, no Morumbi, acaba de ser fechada para visitação. Ninguém mais pode espiar a mansão do ex-banqueiro. Rubens Tilkian, advogado, conseguiu proibir na Justiça até a entrada de membros da Pinacoteca, interessados em conhecer o acervo de obras de arte.

Na frente


Celso Kamura está encantado com algumas atitudes de Dilma. "Ela é extremamente profissional", contou o hairstylist à coluna. A presidente remarcou a hora de cortar os cabelos para simplesmente não atrapalhar sua agenda. Kamura estava mergulhado na SPFW.

Marina Silva tem encontro com Antanas Mockus, candidato verde que chegou ao segundo turno nas eleições da Colômbia. Hoje.

Luisa Duarte e Adriano Pedrosa assinam duas curadorias na Arco -Feira de Arte Contemporânea de Madri, uma das mais importantes do mundo. O evento abre hoje.

José Eduardo Cardozo aceitou. Participa do Fórum de Comandatuba, organizado por João Doria.

Acontece hoje a inauguração do bar Seu Miagui, dos sócios Bruno Dias, Pierre Greco e Pedro Sabie. No Itaim.

A mostra Ocupação Haroldo de Campos abre hoje, em dois endereços: Itaú Cultural e Casa das Rosas.

Antonia Leite Barbosa lança a Agenda Carioca. Amanhã, na Farm da Vila Madalena.

Luiza Setúbal lança coleção de inverno da LOOL. Amanhã, no Iguatemi.

Imagine como Ronaldo acordou hoje sabendo que nunca mais será obrigado a treinar. Só se quiser...

MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE

Dado mostra descompasso entre oferta e demanda no país

MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE
FOLHA DE SÃO PAULO - 16/02/11


AUSÊNCIA DE SINTONIA TEM SIDO A PRINCIPAL CAUSA DA ALTA INFLACIONÁRIA E DO ROMBO NAS CONTAS EXTERNAS




A Pesquisa Mensal do Comércio divulgada pelo IBGE mostrou que, em dezembro, o volume de vendas no varejo ficou estagnado, apesar do crescimento vigoroso de quase 11% registrado em 2010. Diante da desaceleração constatada entre novembro e dezembro, os menos atentos aos detalhes da divulgação poderiam até achar que a demanda começou, no mês passado, a dar os primeiros sinais de desaceleração.
No entanto, uma leitura mais minuciosa dos dados mostra um quadro bem diferente, compatível com a visão de que há um assustador descompasso entre a demanda e a oferta. Essa ausência de sintonia tem sido a principal causa da alta inflacionária recente e do crescente rombo nas contas externas, com o forte aumento das importações, refletindo a dinâmica do consumo brasileiro. O resultado de dezembro refletiu a queda de 0,3% nas vendas dos hiper e supermercados, dos produtos alimentícios, bebidas e fumo, que têm um peso de cerca de 40% na pesquisa do IBGE.
A redução nesses segmentos não é surpreendente, uma vez que está associada à rápida e intensa elevação dos preços dos alimentos que vem castigando a economia brasileira nos últimos meses.
O comportamento das vendas em outros segmentos mostra nitidamente a força da demanda interna. Tecidos, vestuário e calçados cresceram 3,4% no mês; no comércio varejista ampliado, veículos e motos aumentaram as vendas em 4,7% em dezembro, enquanto as vendas de material de construção apresentaram uma variação positiva de 3,2% no mês.
A dissonância entre os dados de consumo revelados nos detalhes da PMC e o indicador da produção industrial, que em dezembro sofreu retração de 0,7%, não deixa dúvidas em relação ao quadro de descompasso entre demanda e oferta.
Com o aumento da renda -apesar da aceleração inflacionária- resultante das taxas de desemprego historicamente baixas, o consumo das famílias tem crescido além da capacidade de atendê-lo internamente. A consequência é a crescente necessidade de desviar o consumo para fora do país, como se observa nos volumes das importações de bens duráveis e não duráveis, que alcançaram os maiores patamares nas respectivas séries.
Está mais do que na hora de puxar o freio da economia brasileira, pois o quadro atual não é sustentável, como revela a alta generalizada dos preços e a piora das expectativas de inflação.
O governo tem dado sinais de que pretende enfrentar o problema. Falta agora alinhar o discurso com a gravidade da situação.

MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE é economista, professora da PUC-RJ e diretora do IEPE/Casa das Garças

GOSTOSA

FERNANDO RODRIGUES

Métodos e costumes
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 16/02/11
Brasília - Dilma Rousseff completou ontem um mês e meio como presidente. Está fazendo bom ou mau governo? Essa é a pergunta mais ouvida em Brasília. Não há métrica capaz de aferir com precisão a qualidade do mandato da petista em tão pouco tempo -exceto, é claro, para alguns bolsões da mídia, uma espécie de PMDB do jornalismo, aquela turma propensa à adesão imediata e "con gusto".
Se uma maneira de julgar o governo é o relacionamento entre a presidente e o Congresso, pouca coisa ainda mudou. A possível votação de hoje para definir o valor do salário mínimo foi (e está sendo) precedida pelos mecanismos de sempre. Uma combinação nefanda de chantagem e baixo fisiologismo. Foi assim com sucessivos ocupantes do Planalto pós-ditadura -Sarney, Collor, Itamar, FHC e Lula.
Emendas ao Orçamento propostas por deputados e senadores e nomeações para cargos políticos só serão consubstanciadas depois da votação do salário mínimo. Os que ajudarem a aprovar os R$ 545 terão a devida recompensa. Aos demais, a amargura da "realpolitik".
Pode-se argumentar, com razão, que Dilma evita por enquanto dar espaço para uma certa banda podre dos seus aliados -do PT ao PMDB. Sobre a concessão de emendas e cargos em troca de votos, é também um fato que a presidente não tem muita escolha. Os métodos e os costumes são esses mesmos. Seria ocioso (e ingênuo) tentar fazer de outra forma com apenas um mês e meio de mandato.
Tudo considerado, é cedo para julgar Dilma. O estilo circunspecto é um alívio para quem não tolerava mais ouvir "ad nauseam" as alegorias retóricas de Lula. Mas essa é apenas a forma. Não garante o sucesso de uma administração.
Nos próximos meses, Dilma terá a chance de mostrar se alterou de maneira real certos maus costumes na política brasileira. Por enquanto, como na votação de hoje, tem dançado conforme a música.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Um dia em política é uma eternidade”
MINISTRO LUIZ SERGIO, INSINUANDO QUE EM 24 HORAS O PDT APOIARÁ MÍNIMO DE R$ 545

VOTAÇÃO DO MÍNIMO SERÁ UM TESTE DE FIDELIDADE 
O projeto que estabelece o salário mínimo em R$ 545 mensais será usado pela presidente Dilma Rousseff para verificar, afinal, o tamanho do apoio parlamentar ao seu governo. Ela proibiu os articuladores políticos, sob a coordenação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), de ceder a pressões por cargos ou para liberar emendas. “Vamos ver com quem o governo pode contar no Congresso”, disse a um senador.

CORPO-A-CORPO 
O vice Michel Temer arrumou um pretexto para entrar no corpo-a-corpo pelo mínimo de R$ 545: fará palestrana CCJ da Câmara, nesta quarta.

FATURA LIQUIDADA 
O governo dispõe de “gordura” para ceder um pouco mais, na definição do valor do salário mínimo, mas não vê necessidade de “queimá-la”.

MUSA 
É notável a semelhança do pintor Romero Britto – que presenteou a presidente com um retrato – com a própria retratada...

ÚLTIMO A SABER 
Nelson Jobim (Defesa) nem sabia que seu ministério fora duramente atingido pelos cortes no Orçamento, revelados ontem nesta coluna.

LÍDER CONTINUA BRIGANDO, AGORA COM SEU PMDB 
O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), entrou em 2011 com a faca nos dentes. Ele se estranhou com Dilma pela partilha de cargos, reclamou (foi o único) quando a presidenta livrou a estatal Furnas de Eduardo Cunha (RJ), e agora irrita o PMDB: de olho na sua candidatura a presidente da Casa, daqui a dois anos, cedeu ao PP a comissão de Minas e Energia, uma das três do PMDB.

MAGOOU 
O deputado José Priante (PMDB-PA), que queria presidir a comissão de Minas e Energia, anda chateado com o líder de sua bancada.

ESPELHO MEU 
Jornalão paulista publicou ontem o que os nossos leitores já sabiam: o ex-ministro Helio Costa é pretendido para um cargo de direção na TIM.

RIO DE QUÊ?
Assim como culpou os prefeitos pela tragédia na região Serrana, Sergio Cabral age como se a operação PF não tenha sido contra sua polícia.

SETE MESES DE ESPERA 
Completou sete meses segunda-feira (14) o “pedido de vista” do ministro Aroldo Cedraz, impedindo o Tribunal de Contas da União de homologar parecer de seu órgão técnico, com o objetivo de evitar a privatização os portos na marra, como querem poderosas empresas. 

OMISSÃO SUSPEITA 
Diante da suspeita omissão da Agência de Transportes Aquaviários (Antaq) de cumprir a legislação vigente e impedir a privatização forçada dos portos, a Federação Nacional dos Portuários recorreu ao TCU.

EXAME COM LUPA 
Diante do descalabro que encontrou, o secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa, pediu a ajuda de quatro auditores para examinar com lupa cada contrato e cada novo edital. Isso retarda o processo, mas afasta o risco de maracatuaias.

FARRA NO AR 
O Ministério Público do DF apurou que só a emissora de rádio de um ex-deputado faturou R$ 7 milhões nos oito meses do governo Rogério Rosso, no Distrito Federal. A farra anual consumia R$ 200 milhões.

OUTRA MORTE 
Réu por homicídio doloso de Maria de Cristina da Silva há três anos, em Brasília, o cirurgião Lucas Seixas Doca Jr. foi acusado ontem, na Justiça, de fraudar o prontuário de Fernanda Wendling, professora do UniCeub, morta em 2006. Também é acusado de demorar a socorrê-la.

E CADEIA, NADA? 
Miguel Lucena, presidente da Codeplan, órgão de pesquisa do governo do DF, acabou com uma mamata: cinco servidores ganhavam R$ 9 mil por mês, há oito anos, para receber chamadas de bip ou torpedo de celular, para o caso de serem chamados ao trabalho com urgência. 

LIGAÇÕES DE DECAT 
Citado como amigo de José Sarney, o novo presidente de Furnas, Flávio Decat, é mais ligado ao senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG), em cujo governo dirigiu a estatal Cemig. Mas a principal 
ligação de Decat é mesmo à presidenta Dilma, de quem tem confiança total.

QUE MUBARAK? 
Os norte-coreanos não souberam dos protestos e da queda do ditador Hosni Mubarak. O jornal sul-coreno JoongAngllbo diz que a única prestadora de serviço de celular da ditadura de Kim Jong-il é... Egípcia. 

PENSANDO BEM...
... Se o rei Ronaldo está “morto” para o futebol, então viva o gordo! 

PODER SEM PUDOR
O GENERAL INCONFIÁVEL 
Após deixar a presidência, Ernesto Geisel soube que sua própria segurança estivera envolvida em conspiração para matá-lo. O general que extinguiu o AI-5 reagiu com bom humor, assim como o general Golbery do Couto e Silva. O então chefe da Casa Civil contou a Elio Gaspari, em A Ditadura Encurralada (Cia das Letras, SP, 525 pp, R$ 56), por que jamais confiou no chefe da segurança de Geisel, tenente-coronel Germano Arnoldi Pedrozo:
– ... Ele, depois de um dia de trabalho, ia para casa e ficava meia hora plantando bananeira, numa posição de ioga. Eu não confio em gente que faz essas coisas.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Estoque de endereços de internet será estendido
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 16/02/11

Próxima do esgotamento, a capacidade de "endereços" disponíveis de internet começa a entrar em fase de reposição pelos provedores de acesso à rede.
Todo computador ligado à internet tem uma identidade chamada IP (Internet Protocol), que o identifica na rede. A versão desse protocolo que existe atualmente é o IPv4, que suportava 4 bilhões de endereços no mundo.
A Iana, instituição global que administra a distribuição de protocolos, anunciou que o estoque geral desse IPv4 chegou ao fim. Restam agora estoques locais.
"O Brasil ainda tem sobrevida até 2012. Alguns países não têm", diz Ari Falarini, diretor da Telefônica, que está em teste para implantar em sua rede um novo grupo de protocolos de endereços chamado IPv6. A instalação ocorrerá em dois anos.
Com o IPv6, no mundo todo, a quantidade de endereços chegará ao número 34 seguido de 37 zeros.
A NET diz que testa o IPv6 desde 2008 e seu equipamento está compatível para recebê-lo. A Embratel também. "Cada empresa escolhe uma solução de rede. A Oi decidirá nos próximos meses", diz Mauro Fukuda, da Oi.
"Algumas empresas menores já implementaram. As maiores vinham aproveitando trocas de equipamentos por outras razões nos últimos anos para introduzir novas máquinas já com suporte para IPv6 e aproveitar os investimentos", diz Antônio Moreiras, do NIC.br, que distribui IPs no Brasil.

BOLA CHEIA
A aposentadoria do atacante Ronaldo, que atuava no Corinthians, dá o que pensar sobre o marketing esportivo no Brasil.
"A saída de um atleta é um risco que existe, mas as marcas não devem temer a perda de suas estrelas", diz César Gualdani, sócio-diretor da consultoria Sport+Markt.
"Ao patrocinar um jogador ou um time, o foco é a torcida, e isso não morre nem perde valor", afirma.
Em 2010, os patrocínios de times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro chegaram a 105 milhões, de acordo a consultoria.
Para estampar sua marca na frente da camisa de grandes times nacionais, uma empresa não desembolsa menos de R$ 5 milhões.
O Flamengo negocia um novo contrato e espera receber cerca de R$ 30 milhões. Em 2010, o Corinthians recebeu 22 milhões.
Entre os maiores patrocinadores nacionais estão o banco BMG, a Fiat e a Hypermarcas, que no ano passado destinou R$ 50 milhões para sete times do país.

LIXO ENERGÉTICO
A aprovação da nova regulamentação de resíduos sólidos no Brasil começa a atrair empresas estrangeiras do setor de limpeza e tratamento de lixo.
A alemã Fisia Babcock, fornecedora de tecnologias de geração de energia a partir da queima de lixo, fechou acordo com a Enfil Controle Ambiental, empresa nacional especializada em tratamento de água e ar para indústrias.
Por meio da parceria, serão instaladas plantas para cogeração de energia a partir de resíduos, principalmente domésticos.
"Uma planta de incineração de 500 toneladas por dia, que atende população de 600 mil pessoas, poderá gerar energia para cerca de 20 mil casas", diz Franco Tarabini Jr., sócio e diretor da Enfil Controle Ambiental, que estima em 15 os projetos a serem fechados nos próximos cinco anos.
A empresa, que faturou R$ 380 milhões em 2010, deve ter incremento de 30% a partir de 2012, de acordo com Tarabini.

ÓLEO INDIANO

Os negócios entre o Brasil e a Índia no setor de óleo e gás atingiram US$ 2,5 bilhões no ano passado, ou 32,5% do total comercializado entre os dois países.
As compras de petróleo bruto pelo mercado indiano somaram US$ 1,2 bilhão e representaram 32% das exportações do Brasil para o país.
Os outros produtos mais exportados foram açúcar e minérios de cobre. Somados, o valor deles ficou em US$ 1,1 bilhão, inferior ao total relacionado com o petróleo.
Já a Índia vendeu US$ 1,7 bilhão em óleo diesel para o Brasil, o equivalente a 40,8% do total adquirido pelo país.
Nas duas posições seguintes aparecem materiais para a indústria têxtil, mas eles não atingem 8% das importações brasileiras.
Em março, executivos das três maiores empresas de óleo e gás da Índia - Bharat Petroleum, Hindustan Petroleum e Oil India - participarão de evento organizado pela Confederação das Indústrias Indianas, em São Paulo.

DE SAÍDA
O vice-presidente de varejo do Itaú, Geraldo Carbone, e o diretor de operações da rede de agências, João Jacó, deixaram o banco.
Os dois atuaram na linha de frente da fusão das antigas redes de agências do Itaú e do Unibanco, concluída em outubro do ano passado.
No lugar de Carbone, assume Marco Bonomi, vice-presidente responsável pela Itaucred, a unidade que cuida dos financiamentos imobiliários e de automóveis, que agora devem ficar mais próximo da gestão da rede de agências.
Geraldo Carbone entrou no Itaú em 2006, vindo do BankBoston, onde foi presidente da filial brasileira. Desde a compra do Boston, Carbone ocupava uma cadeira no conselho de administração do banco.

Seminário 

As medidas adotadas pelo Banco Central durante a crise mundial de 2008 serão discutidas hoje, na FGV de São Paulo, pelo economista da universidade norte-americana de Columbia Guilherme Martins.

Cruzeiros... 
A Royal Caribbean acaba de assinar um contrato para a construção de duas embarcações para cruzeiros. Cada um deles terá 158 mil toneladas e capacidade para 4.100 hóspedes.

BLOCOS NAVAIS
A Usiminas negocia com a Transpetro (subsidiária da Petrobras que transporta petróleo e derivados) o fornecimento de painéis e blocos navais. A ampliação no fornecimento foi um dos pontos discutidos pelos presidentes da Usiminas, Wilson Brumer, e da Transpetro, Sérgio Machado, em reunião na sexta-feira passada.

Doenças... 
A farmacêutica Nycomed Brasil importará da Alemanha um novo medicamento contra doenças pulmonares, cujo mercado mundial deve movimentar US$ 18 bilhões neste ano, de acordo com a empresa.

... pulmonares 
A companhia, que tem fábrica em Jaguariúna, interior de São Paulo, pretende dobrar sua receita nos próximos cinco anos. No ano passado, o faturamento da Nycomed Brasil foi de R$ 633,6 milhões.

Visita 
O presidente do Uruguai, José Mujica, terá encontro com empresários na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no dia 14 de março.

Proteção 
O primeiro antivírus fabricado totalmente no Brasil será lançado neste mês. A iniciativa é da empresa AVware.

Pós... 
De olho nos estudantes brasileiros de pós-graduação, a portuguesa Católica Global School of Law, nomeou João Mattamouros como representante no país.

...em 
Direito Parceira da FGV, a escola está no ranking das melhores do "Financial Times".

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION, ANDRÉA MACIEL, TONI SCIARRETTA e MARIANA BARBOSA

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Chefe de Polícia afastado deve ser indiciado por vazamento
- Folha: Dilma e Obama assinarão tratados de cooperação
- Estadão: Governo diz ter 300 votos para aprovar mínimo hoje
- Correio: [R$ 545,00]: Pressão máxima no salário mínimo
- Valor: França recua ante o Brasil para evitar racha no G-20
- Estado de Minas: O Mineirão vai bem, obrigado. Já Confins...
- Jornal do Commercio: Governador afasta oito PMs sob suspeita
- Zero Hora: Votação do mínimo testa hoje a força de Dilma no Congresso

terça-feira, fevereiro 15, 2011

BENJAMIN STEINBRUCH

A batalha dos alimentos
BENJAMIN STEINBRUCH
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/02/11

As duas graves insurreições que eclodiram no norte da África recentemente, na Tunísia e no Egito, têm a ver com problemas políticos, naturalmente, porque ocorreram por conta de descontentamentos com governos que perderam sua representatividade popular depois de longos anos no poder.

Mais do que isso, porém, segundo os analistas internacionais, essas revoltas foram construídas por populações jovens atingidas ao mesmo tempo pela falta de oportunidades de trabalho e pelo forte aumento dos preços dos alimentos. Revoltas populares de menor vulto se deram também em países como Marrocos, Argélia, Iêmen e Jordânia, sempre tendo como pano de fundo os preços dos alimentos.

O Brasil é um dos países beneficiados por esse movimento de preços, porque é grande produtor e exportador agrícola. Mas, embora beneficie o Brasil, não se pode negar que o problema do custo da alimentação é crucial para o mundo de hoje e exige atitudes corajosas por parte das autoridades mundiais. Essas intervenções, porém, não podem ser conduzidas para colocar a conta nos ombros dos produtores de alimentos.

A reação europeia, por exemplo, tem sido muito forte. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, na presidência do G-20, está defendendo a criação de um mecanismo para evitar a volatilidade dos preços das commodities, com a formação de estoques reguladores de alimentos.

A sugestão é boa, desde que não introduza artificialidades no mercado e seja voltada a evitar ações especulativas no comércio global de alimentos. Mas ela merece uma pergunta e uma ressalva. A pergunta: por que nunca partiu do Primeiro Mundo a ideia de criar estoques reguladores durante os longos anos em que os preços das commodities agrícolas estavam em baixa?

A ressalva: a alta dos alimentos advém da escassez e do extraordinário aumento da demanda de alimentos no mundo, muito acima da oferta. Além disso, decorre de um movimento cíclico na produção mundial, bastante influenciado pelas condições climáticas. Nessas condições, não havendo excesso de produção, é muito difícil pensar em formar estoques reguladores.

Em 2008, quando os alimentos também haviam subido bastante, um funcionário da ONU disse que os culpados pela alta eram os produtores de biocombustíveis e os responsabilizou pela fome no mundo. Chamei, então, essa afirmação de ‘despautério', porque havia fatores muito mais importantes que explicavam e ainda explicam a elevação dos preços dos alimentos.

O primeiro aspecto, atualmente, é a quebra das safras mundiais de grãos, fator muito mais importante do que a ação dos especuladores na formação de preços. O volume de produção se torna ainda mais insuficiente quando se observa a crescente população mundial e a ascensão dos milhões de cidadãos de países emergentes à condição de consumidores na cadeia alimentar global.

O segundo aspecto tem a ver com a distorção provocada pelos bilionários subsídios oferecidos pelos EUA e por países da Europa, em especial a França, para produtores ineficientes de alimentos.

Esses doadores de subsídios forjam, há décadas, a formação de preços irreais que impedem países pobres de desenvolver culturas que poderiam colaborar para o aumento da oferta mundial de alimentos e para a redução de preços.

Para países paupérrimos da África, esses subsídios representam uma concorrência desleal criminosa, porque sufocam qualquer tentativa de desenvolver produções agrícolas locais.

Mas o continente depende de políticas globais de ajuda técnica e financeira, além das mudanças no sistema de subsídios à agricultura do Primeiro Mundo, que não podem ser bruscas para não provocar um colapso produtivo.
Alimentação será o tema do ano no G-20, uma batalha que começa nesta semana, em Paris, e termina na reunião de chefes de Estado, em outubro. O Brasil não pode se omitir.

VINICIUS TORRES FREIRE

A oposição se desmancha
VINICIUS TORRES FREIRE 
FOLHA SÃO PAULO - 15/02/11

Individualismo rudimentar e mudança climática na política brasileira ameaçam existência de PSDB e de DEM

A AGONIA dos partidos de oposição é evidente desde 2010. Há tempos doentes de dengue programática e anorexia social, partidos como PSDB e DEM parecem agora ter se entregue à autoamputação.
Gilberto Kassab, prefeito de SP, pode causar hemorragia de um terço dos quadros do seu DEM, a caminho que está de algum outro partido, qualquer partido que lhe dê a legenda para o governo paulista em 2014 e boas relações com o petismo.
Caso se confirme a migração de Kassab, o DEM será um partido nanico, mas sem nacos de poder que alimentam os nanicos agregados ao petismo no poder.
José Serra talvez apenas ameace cortar braços e pernas de PSDB, dada a disputa que trava com Geraldo Alckmin e Aécio Neves, mas o fato mesmo de que sugira a cisão ilustra o baixo nível da discórdia tucana.
O desarranjo da oposição ficara evidente na derrota inglória de 2010, quando o PSDB fizera uma campanha desnorteada, sem programa, sem apelo ou base social e que descambava ora para a demagogia, ora populista ora direitista.
A desorientação tornou-se manifesta na conversa fiada da “refundação tucana”. Aécio e Alckmin passaram a procurar um verniz partidário mais adequado aos novos tempos de hegemonia petista. Deram de falar sobre a importância de “políticas sociais”, de se “aproximar” do “povo” e de sindicatos. Deram de pregar “oposição responsável” a Dilma, “cooperação” com o governo federal. Tudo isso é também um outro modo de fritar Serra, desafeto radical do petismo.
O motivo mais imediato da crise é o fato de que a coligação sudestina de PSDB-DEM tem quatro candidatos (Aécio, Alckmin, Serra e Kassab) para dois cargos em 2014 (governo paulista e presidente). Mas há mais. Kassab pensa em se bandear para um partido associado ao governo petista. Alckmin, como já se disse, é diplomático com Dilma Rousseff, e há mesmo setores do alckmismo ideológico que já se agregaram ao governismo, como Gabriel Chalita.
Há uma mudança climática na política, em parte resultado do sucesso do petismo-lulismo, do “desenvolvimentismo” e as várias derrotas ideológicas, políticas, eleitorais e morais de ideias ligadas à “modernização tucana”. Tais reveses erodiram a base ideológica do tucanato e encolheram ainda mais sua base social-eleitoral.
Há os defeitos intrínsecos da oposição. O PSDB era o partido de certa elite sulista, escovada em universidades americanas, gente mais ilustrada da finança, da grande empresa e parte da universidade “modernizante” e de representantes mais “modernos” de elites regionais.
Os quadros ideológicos se foram, para ganhar a vida no mercado. A base social organizada jamais existiu. A grande finança aceita conviver com o PT, desde que não barbarizem demais o Banco Central e as contas públicas. A grande empresa foi cativada com subsídios. Os quadros políticos restantes do PSDB, sem projeto coletivo, se matam em nome de suas carreiras individuais. O DEM era um resquício de eras passadas, apenas.
Se a mudança é duradoura, não se sabe. Mas o sucesso acidental ou não do petismo ameaça explodir os partidos de oposição. Caso a agonia termine em mortes, estaremos diante da maior mudança partidária em quase um quarto de século.

VLADIMIR SAFATLE

O século 21 começa

VLADIMIR SAFATLE 

FOLHA DE SÃO PAULO - 15/02/11

No início do século 19, Napoleão enviou tropas à colônia do Haiti. O objetivo era retomar o poder da mão de escravos rebelados comandados por Toussaint Louverture e, com isso, reinstaurar a escravidão. Num estudo clássico, Cyril James conta o momento em que os soldados franceses, imbuídos dos ideais da Revolução Francesa, ouvem a "Marselhesa" ser cantada por seus oponentes, os negros.
Desnorteados, os franceses se perguntam como era afinal possível ouvir suas próprias vozes vindas do outro lado da batalha. Afinal, contra quem eles estavam lutando, a não ser contra seus próprios ideais? Aquela experiência foi decisiva para quebrar-lhes o espírito de combate. A derrota foi uma consequência natural.
Esse pequeno fato histórico nos ensina o que acontece quando uma ideia encontra seu próprio tempo. Ela demonstra que estava presente em vários lugares, à espera do melhor momento para dizer claramente seu nome.
Quando os franceses ouvem suas próprias músicas vindas do campo inimigo eles, no fundo, descobrem que não são os verdadeiros autores de tais músicas. Quem as compôs foi uma ideia que usa os povos para se expressar. Quando isso fica evidente, então um momento histórico se abre impulsionado pela efetivação de exigências de universalidade.
Por isso, talvez seja o caso de dizer que, enfim, assistimos o começo do século 21.
Um fato como o 11 de setembro nunca poderia servir de marco para uma época, já que ele era um contra-acontecimento que serviu apenas para realimentar os piores preconceitos, medos e arcaísmos que deveriam ter sido há muito ultrapassados. Durante esses dez últimos anos, vivemos em um tempo morto e suspenso.
O verdadeiro fato que tem a força de inaugurar uma nova época são as revoltas no mundo árabe. O desespero de alguns analistas em lê-las através de esquemas e dicotomias velhos de mais de 30 anos, em tentar ressuscitar o fantasma da fracassada revolução iraniana, apenas demonstra como eles não estão preparados para enxergar o novo.
Como disse bem o sociólogo Olivier Roy, o que estamos vendo nesses países é a subida em cena de uma "geração pós-islâmica", que, tal como os escravos haitianos, se deixaram mobilizar por valores que precisavam, há muito, se deslocar para outros campos a fim de mostrar sua verdadeira força.
Que 84% dos jovens egípcios digam querer "democracia" é uma prova de novidade que só o preconceito xenófobo de alguns é incapaz de enxergar.
É claro que tais revoltas ainda estão longe da democracia liberal. Melhor assim. Já está na hora de livrarmos a democracia de suas amarras vindas do liberalismo. Talvez essa se transforme em uma das grandes tarefas deste século 21 que enfim começa.

JOSÉ SIMÃO

Ueba! FICA RONALDO! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 15/02/11

Ronaldo não consegue mais jogar. É que ainda não inventaram Viagra pra bola. Só pra duas. Rarará
!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Campanha FICA RONALDO! Como bola oficial do Timão! Rarará!
Olha o site Manourbano: "Campanha Fica no Curinthia Bola Oficial. Aviso pros torcedores: vai passando dés reau pa manter o nosso hídolo em campo nem que seje como bola. A grana será usada no rango pra manter a bola cheia e pra pagá as despesa na buate Bananas".
E adorei porque o Ronalducho anunciou a aposentadoria na hora do almoço: 12h40! A folha de pagamento do Corinthians vai emagrecer uns 120 quilos.
A cozinha vai se aposentar junto! Dispensa o Ronaldo e dispensa a dispensa. Com a aposentadoria do Ronaldo: A DISPENSA ESTÁ DISPENSADA!
E o Mubarak, hein? Sabe o que Bial gritou pro Mubarak? "Com 99% dos votos, vem oprimir aqui fora, Mubarak!".
E sabe como o Mubarak ficou milionário? Deu o golpe da pirâmide. Rarará! "Como o senhor conseguiu US$ 70 bilhões?" "Ah, dando o golpe da pirâmide."
E o Sensacionalista fez uma observação: "Antigamente o Egito só era lembrado em samba-enredo!". Agora é lembrado pela juventude.
Sensacional, um país famoso pelas múmias ficou famoso pela juventude. Rarará!
E adorei esta declaração do Neymar: "Eu não sabia que tinha fama até no Peru". Rarará! O Peru não é um país, é um trocadilho. Já pedi pra eles trocarem o nome do país pra Perereca! Pra gente variar no trocadilho!
E adorei a frase do Ronaldo: "Penso numa jogada, mas não consigo mais executá-la". Faz tempo! É o problema de todo aposentado: pensa num coisa, mas não consegue executar. E ainda não inventaram Viagra pra bola. Só pra duas.
O Brasileiro é cordial! Mais uma do Gervásio! Placa em empresa de São Bernardo: "Se eu ouvir alguém aqui falando mal do meu time querido, vou fazer esse filhote de cruzamento do Neto com o Casagrande engolir a bandeira da Argentina, com mastro e ouvindo tango. Conto com todos. Assinado: Gervásio".
E já tem leitor reclamando que o Gervásio já encheu o saco. Mas é um sucesso. Já virou até bloco em São Bernardo: Corre que o Gervásio Vem Aí! Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.