sexta-feira, janeiro 28, 2011

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS

Os Borgs e a Comissão da Verdade
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/01/11

Por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a "ideologização" dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia



Sou um admirador das séries de "Star Trek". Suas edições refletem muito a história da humanidade. Os Borgs são um povo de humanos robotizados e respondem a um comando central único, que pretende ""assimilar" todos os povos do universo. Assimilar é fazer com que pensem rigorosamente como eles e obedeçam como uma só unidade. Senão, são mortos.
Os Borgs representam as ditaduras ideológicas, que não admitem contestação e que procuram dominar os povos, eliminando as oposições e as verdadeiras democracias. Se a 1ª Guerra Mundial foi um embate pela realocação de poderes na Europa, a 2ª Guerra já foi uma guerra entre as democracias e os regimes totalitários (alemão, italiano e russo, visto que, no início, Stálin apoiou Hitler na invasão à Polônia).
A vitória de princípios democráticos naquele conflito, que gerou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 10/12/1948, nem por isso eliminou essa luta permanente entre ideologias totalitárias, que não admitem contestação e que continuam poluindo a convivência das nações e das democracias.
Rawls, em dois de seus livros, "Uma Teoria da Justiça" e "Direito e Democracia", mostra que a democracia só pode ser vivida se as teorias políticas não forem abrangentes em demasia e possam conviver, em suas diversidades, com outras maneiras de pensar. Teorias abrangentes provocam a eliminação dos opositores ou a "assimilação", no estilo dos Borgs da "Star Trek", daqueles que vivem sob seu jugo.
Estamos no início de um novo governo, tendo a presidente sinalizado, mais de uma vez, que quer fazer um governo de união, mas com respeito aos opositores.
Não creio que a Comissão da Verdade venha auxiliar muito esse seu projeto, na medida em que, sobre relembrar fantasmas do passado e rememorar dolorosos momentos de história em que militares e guerrilheiros torturaram e mataram, tende a abrir feridas e a acirrar ânimos.
Como ex-conselheiro da seccional de São Paulo da OAB, durante seis anos no período de exceção, estou convencido de que com a arma da palavra fizemos muito mais pela redemocratização do que os guerrilheiros com suas armas, que, a meu ver, só atrasaram tal processo.
À evidência, sou favorável a que os historiadores -e não os políticos- examinem, pela perspectiva do tempo, o ocorrido naquele período, pois não são os políticos que contam a história, mas, sim, aqueles que se preparam para estudá-la e examinam-na sem preconceitos ou espírito de vingança.
Apoio, entretanto, o entendimento do ministro Nelson Jobim de que, se for instalada Comissão da Verdade, ela deve refletir o pensamento dos dois lados do conflito.
Tenho fundados receios de que uma pequena ala de radicais, a título de defender "direitos humanos" por um único e distorcido enfoque -e os vocábulos permitem uma flexibilização infinita para todos os gostos-, pretenderá "assimilar", à maneira dos Borgs na "Star Trek", todos os que não pensem da mesma maneira, transformando uma Comissão da Verdade em Comissão da Vingança.
Pessoalmente, como combati o regime de então -sofri em 1969, inclusive, pedido de confisco de meus bens e abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar), processos felizmente arquivados- e participei da Anistia Internacional, enquanto tinha um ramo no Brasil, por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a "ideologização" dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia, de 1979.
Que os historiadores imparciais -e não os ideólogos- contem a verdadeira história da época, pois são para isso os mais habilitados.

IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 75, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.

GOSTOSA

DORA KRAMER

Jogo de amarelinha
Dora Kramer 
O Estado de S.Paulo - 28/01/11

O que significa essa relação risonha e franca entre a presidente Dilma Rousseff e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab? Olhando de repente e considerando a iminente transferência dele do DEM para o PMDB, parece significar a transposição do prefeito da oposição para a situação.

Concluindo apressadamente a interpretação dos gestos, ver-se-ia neles o vislumbre de uma candidatura ao governo de São Paulo em 2014, com o apoio do PT, para tentar derrubar os 20 anos que na ocasião o PSDB estará completando de controle político do Estado.

Como ainda há muita água para rolar e muitos galos para cantar daqui até lá, pode ser tudo isso, nada disso ou parte disso.

É verdadeiro o interesse do PT em Gilberto Kassab, assim como é genuíno o conflito entre ele e o governador Geraldo Alckmin. É significativa também a redução do afã oposicionista do prefeito desde a eleição de Dilma e a derrota de José Serra.

Com a morte de Orestes Quércia, o PMDB de São Paulo tornou-se um feudo sem senhor. Por mais que o vice-presidente Michel Temer seja o sucessor, digamos, de direito de Quércia, seu cotidiano é agora nacional.

Portanto, a ideia de Kassab é assumir de fato o pedaço de forma a se livrar da subordinação ao PSDB e criar asas próprias. Se Serra tivesse sido eleito isso estaria resolvido. Como não foi, há que conquistar novas trincheiras.

Mas logo ao lado e no campo do maior aliado do governo federal? Pois é. Nada garante que o PMDB ao fazer um acordo com uma força política importante de São Paulo, onde já não tinha quase nada e para onde Kassab promete levar prefeitos, deputados e vereadores, usará isso a favor da atual aliança com o PT.

Pode ser que mais adiante use contra.

Convém prestar atenção nas relações estreitíssimas de Kassab com dois personagens: José Serra e Jorge Bornhausen, com os quais o prefeito vive dizendo que tem uma dívida eterna e, por ela, submete seus interesses às conveniências de ambos.

Algo se arma em São Paulo que ainda não é possível enxergar com clareza, até porque os artífices da obra, como convém a toda engenharia política que se preze, trabalham de olho no adversário, não revelam suas estratégias, dependem das circunstâncias e do andar das carruagens.

O jogo não é de via simples muito menos única: Kassab acumula, não divide forças para voar mais alto na política. Como candidato ao governo em 2014 com o apoio do PT?

Só se alguém puder acreditar em sã consciência e na posse do juízo perfeito que o PT abriria mão da chance de tirar São Paulo das mãos do PSDB justamente quando o partido estará em crise aguda de fadiga de material.

E o governo federal enquanto isso? Faz o seu papel: adula Geraldo Alckmin, agrada Antonio Anastasia, tenta neutralizar e dividir a oposição. Mais do que já está.

Recibo. José Sarney na presidência do Senado outra vez (a quarta) é confissão de suas excelências de que não há nada de melhor na Casa outrora nobre.

Reforma urbana. Jaime Lechinski escreve de Curitiba para, a propósito da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, lembrar (muito bem lembrado) o "drama das periferias urbanas, consequência das migrações rurais ocorridas a partir dos anos 60 e drasticamente aceleradas ao longo da década e meia seguinte".

Um processo desordenado, improvisado para o qual, na velocidade em que ocorreu, o Brasil não estava preparado. Isso é sabido.

Do que não se fala, e Lechinski aborda, é do tempo, dinheiro e energia gastos com a reforma agrária - "uma causa sem futuro" - em detrimento da atenção que seria devida à ocupação das periferias das grandes e médias cidades.

Sugere que políticos, intelectuais, movimentos sociais, governos que nunca levantaram essa bandeira passem a fazê-lo, a fim de conferir importância ao que de fato importa - o direito à vida - e de lidar com problemas reais no lugar de empregar dinheiro público em esforço inútil.

JOÃO MELLÃO NETO

Lula x FHC
João Mellão Neto 
O Estado de S.Paulo - 28/01/11

Quem foi melhor para o Brasil, FHC ou Lula? Creio que agora, com Dilma eleita e empossada, já se pode fazer uma avaliação isenta de paixões. Isso é importante porque as novas gerações só se recordam do governo Lula. O de FHC desenvolveu-se quando boa parte dos jovens atuais era criança. Eles não têm opinião formada sobre o que foi a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

FHC e Lula vivem trocando agulhadas. E - quem diria - já foram aliados, no passado. Foi nos anos 70, quando ambos, ombro a ombro, lutavam contra o regime militar.

Afastaram-se na década seguinte. Lula tratou de fundar o PT e o professor Cardoso, na condição de suplente de Franco Montoro, assumiu a senatoria quando este se elegeu governador. Alguns anos depois ajudou a tornar viável um novo partido, o PSDB, formado por dissidentes do PMDB. Por suas opções partidárias, ambos ficaram no sereno durante muito tempo. Mas suas apostas, no longo prazo, mostraram-se acertadas. Os dois, com elas, chegaram à Presidência da República.

E agora, desde os anos 90, tanto PT quanto PSDB são os dois principais partidos que disputam os corações e mentes da opinião pública. Ao menos da parcela que se acredita esclarecida.

FHC e Lula, cada um pôde reinar durante oito anos. Foram eleitos e reeleitos para o posto. Ambos lograram formar folgadas maiorias no Congresso. Fernando Henrique aproveitou-as para fazer profundas reformas na economia. Lula, que lhe sucedeu, fez o carro deslanchar e tratou de, sozinho, recolher os louros da retomada do desenvolvimento e também do soerguimento da autoestima dos brasileiros.

É difícil afirmar, de forma isenta, qual deles foi o mais importante para o Brasil. Em termos de mudanças, FHC foi o mais efetivo. Já quanto à popularidade, foi Lula quem se saiu melhor.

Embora Lula insista em afirmar que a História do Brasil teve início no dia em que o PT chegou ao poder, eu - que não nasci em 2003 - tenho uma visão mais crítica do processo. Venho seguindo o noticiário político e econômico desde que me tornei adulto. Pelas minhas contas, já pude acompanhar a trajetória de oito presidentes, dez governadores do Estado e 12 prefeitos da capital.

Dentre essas três dezenas de governantes, já houve de tudo: militares, civis, eleitos nas urnas, eleitos indiretamente, vices que assumiram, nomeados e também interinos. Houve quem morresse antes de tomar posse e quem fosse impedido em meio ao mandato. Alguns acreditavam falar com Deus; outros, ainda, deixavam Deus esperando na linha.

Alguns eram direitistas e outros, esquerdistas. E muitos eram, também, populistas. Governantes que cultuaram a fama de trabalhar demais, a maioria que se contentava em trabalhar o suficiente e ainda os que, manifestamente, não gostavam de trabalhar. Como diz o povo, houve gente que não era capaz de nada e gente que era capaz de tudo.

Eu fiz oposição a alguns e fui simpático a outros.

Quais foram os melhores? Com mais de três décadas de experiência, confesso que não sei dizer.

Presidentes, governadores e prefeitos, nenhum deles governou sozinho. Todos tiveram equipes qualificadas e assessores especializados. Deram-se melhor os que souberam evitar os áulicos, descobrir talentos, liderar equipes e garantir, politicamente, a sua governabilidade Mais de meio século atrás, o então prefeito Prestes Maia já reconhecia que "governa melhor um político cercado de técnicos do que um técnico cercado de políticos". E olhem que ele era um técnico.

Iniciei a minha carreira profissional, como jornalista, comentando economia e política no rádio e na TV. Pude constatar que todos os governantes, sem exceção, começaram suas administrações com inúmeros projetos, propostas, promessas e boas intenções. Ao término de seus mandatos, alguns anos depois, bastava contar as suas realizações para perceber que quase nenhuma de suas metas fora atingida. Ao menos não na forma que eles haviam previsto.

Os que lograram marcar presença não foram, necessariamente, os que intentavam criar um novo mundo. Foram aqueles que souberam captar o Zeitgeist - o espírito do tempo, ou da época, como se diz.

O fato é que numa gestão é preciso saber conciliar a sorte com a virtude. Bons jogadores não são apenas os que sempre recebem boas cartas. São também os que fazem o melhor com as cartas que têm.

Alguns lograram êxito. Outros se celebrizaram como exemplos a não serem seguidos.

Os governos de Lula e FHC foram, no meu entender, complementares. Quer no que se refere à retomada do desenvolvimento, quer nas políticas de combate à miséria, o mérito de Lula foi o de pavimentar as picadas que Fernando Henrique já havia aberto.

Se em 2009 a economia brasileira se saiu bem da crise, isso se deve em boa parte à robustez de nosso sistema financeiro. E este só é forte porque foi saneado e normatizado no governo anterior.

Quanto aos programas sociais, como o Bolsa-Família, foi no governo de Lula que se consolidou a ideia, mas foi no de Fernando Henrique que ela se tornou realidade.

O problema é que, atualmente, o que se percebe é que, de tudo o que foi feito, coube somente a Lula a colheita de resultados. O que sobrou para FHC foi apenas o sofrimento das consequências.

Nas últimas eleições, isso ficou patente: quase todo mundo pegou carona na popularidade de Lula e poucos foram os que se atreveram a falar bem de Fernando Henrique.

A nossa posteridade há de fazer justiça. O teste do tempo é implacável: destrói tanto modismos quanto reputações artificiais. E perante a História não basta ser popular para garantir uma vaga.

JORNALISTA, DEPUTADO ESTADUAL, FOI DEPUTADO FEDERAL, SECRETÁRIO E MINISTRO DE ESTADO

BANDIDOS

MÔNICA BERGAMO

PICASSO, LUMA E GALINHADA EM DÚPLEX NO MORUMBI
MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/01/11

Luma de Oliveira foi anunciada oficialmente a musa do Camarote Brahma na Sapucaí no Carnaval 2011 no jantar em homenagem ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), no apartamento do empresário José Victor Oliva, na noite de quarta. O anfitrião revelou que a "senhora Eike Batista" (na verdade, ex-mulher) ocupará o posto que foi de Paola Oliveira em 2010.

A eclética lista de convidados ia do ministro do Esporte, Orlando Silva (PC do B), ao tucano Paulo Renato Souza, ex-ministro e ex-secretário de Educação de SP. Definindo-se "judeu socialista", o dono do dúplex brincou com o ministro do Partido Comunista. "Orlando me convida para ser do partido, mas não dá tendo um Picasso em casa", contou, em frente a uma obra do pintor espanhol que enfeita uma das paredes da sala. "Mas defendo Picasso para todos."

No clima descontraído, Oliva chamou o chef Viko para apresentar o menu da noite. Destaque para a galinhada, prato preferido do anfitrião. "Não olha pra mim", rebateu, entre risos, Hortência, sua ex-mulher. "Sou caipira", concluiu o empresário.

Diretora de seleções femininas da Confederação Brasileira de Basquete, Hortência falou da dificuldade em preparar uma armadora para disputar a Olimpíada do Rio. "É impossível formar uma atleta em cinco anos", afirmou, para espanto de seu acompanhante, Paulo Renato. "Ele me disse para não falar isso", conta a ex-jogadora, disposta a trazer uma estrangeira para defender o Brasil. "A Rússia joga hoje com uma armadora americana naturalizada."

A proximidade de Hortência e Paulo Renato chamava a atenção. "Essa coisa de namoro é brincadeira do Zé [Victor]", disse ela à coluna. Os dois ficaram próximos o jantar inteiro e deixaram o dúplex do Morumbi à 1h. "Rainha, vamos embora", disse o ex-ministro de FHC.

A outra rainha da noite, Hebe Camargo, saudou o prefeito Eduardo Paes dizendo que pensava em se mudar para o Rio. "Estou cansada de São Paulo", brincou a apresentadora, a cara de Sampa. Já o prefeito carioca declarava-se "paulistéeeerrrimo!!!", invocando o fato de seu irmão morar na cidade. Hebe desembarca no Rio no Carnaval como destaque na Beija-Flor, que homenageará Roberto Carlos. "Ele agora só quer saber da Paula Fernandes [cantora]. Ela é jovem, linda e usa vestidinho curto."

Hebe anuncia: "Olha o Obama, que gracinha!" Obama, no caso, é Belchior, o ajudante de ordens do prefeito. "Até nos Estados Unidos me chamam de Obama", diz o sósia carioca do presidente americano. "Já deu o selinho na Hebe, Eduardo?", pergunta Orlando Silva. No final da noite, o ministro foi saudado pelo anfitrião com um brinde: "Para cima e para o alto, Orlando no Planalto!" No começo da noite, Oliva fez a mesma brincadeira com Paes. "Para cima e para o alto, Eduardo no Planalto!"

PROGNÓSTICO
José Dirceu vai debater os desafios do Brasil na gestão Dilma Rousseff em uma mesa-redonda, promovida pela Internews, em 1º de março. Abordará o tema com o diretor-executivo do Itaú Unibanco, Demosthenes Madureira de Pinho Neto, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, e o presidente do Ipea, Marcio Pochmann. Dirceu diz que vai doar o cachê, de R$ 6.000, a uma instituição beneficente.

PUXADINHO DO KASSAB
Subiu no telhado a proposta de se instalar a Coleção de Arte da Cidade na galeria Prestes Maia, no centro de SP. A Secretaria de Governo planeja ocupar o espaço com postos de serviços municipais para atendimento ao público. O prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) já manifestou o interesse de montar uma extensão de seu gabinete na galeria, inclusive com uma passagem ligando a sede da prefeitura ao local.

GINÁSTICA ARTÍSTICA
O Brasil vai promover em 2012 a primeira Olimpíada Cultural, parte da série de quatro previstas no calendário dos Jogos Olímpicos do Rio-2016. O presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, planeja realizar o evento artístico inaugural após a Olimpíada de Londres, que termina em 12 de agosto.

TRIANGULAÇÃO
O Palmeiras escolheu o Mallorca como adversário do amistoso em 29 de março na Espanha. Uma das justificativas é atingir o público alemão. Isso mesmo. Como há uma colônia alemã na região, espera "internacionalizar sua marca" com a eventual transmissão do jogo para o país de Beckenbauer.

ACABOU A FESTA
A Fundação Cacique Cobra Coral, entidade "esotérico-científica" que afirma controlar o clima, ameaça ir embora do Brasil. A médium Adelaide Scritori, que recebe o tal cacique, diz estudar proposta "irrecusável" de um grupo de agronegócio da Austrália para segurar tempestades por lá, com contrato de exclusividade, casa e comida. O índio místico dará a resposta após o Carnaval.

BALADA CERTA
Após desfilar no domingo, na SPFW, Gisele Bündchen deve jantar com a família no Buddha Bar, na Daslu. A assessoria da top já fez a reserva. De lá, ela segue para a festa da grife Colcci na boate Kiss & Fly, no mesmo local. Os atores americanos Ashton Kutcher e Demi Moore também estarão presentes.

CURTO-CIRCUITO

Elvis Costello fará show em São Paulo no dia 5 de abril, no Credicard Hall. Classificação não informada.

Francisco Madia dará palestra sobre tendências de marketing, hoje, no WTC.

A festa Sem Loção terá amanhã sua primeira edição no Rio. A partir das 23h, na praça Mauá. Classificação: 18 anos.

Alexandre Herchcovitch e a Schutz fazem festa para Lea T., amanhã, no Baretto.

O cardiologista Daniel Magnoni apresenta o projeto Obesidade Zero na terça, na Nutrition Week, em Vancouver, no Canadá.

O DJ Mario Fischetti se apresenta hoje no Café del Mare, no Guarujá. 18 anos.

com ELIANE TRINDADE (inteirna), DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

CELSO MING

Trabalho aquecido
Celso Ming 
O Estado de S.Paulo - 28/01/11

Se havia em novembro uma situação virtual de pleno emprego no Brasil, em dezembro ela foi reforçada. Como indicam os números do IBGE, o nível de desemprego caiu de 5,7% em novembro para 5,3% em dezembro, magnitude nunca antes observada.

Antes de prosseguir, convém eliminar eventuais dúvidas sobre o significado do pleno emprego. Não se pode vê-lo apenas como aquecimento excessivo do mercado de trabalho. O pleno emprego é condição fortemente desejada pelos administradores da economia. Pode-se dizer até que o principal objetivo da Política Econômica é criar empregos e boa qualidade de vida para a população em condições sustentáveis no longo prazo. Assim, se não dá para evitar um problema com que lidar, é melhor a situação de pleno emprego do que a de desemprego.

Essa é uma condição paradoxal do Brasil quando comparada com o que acontece no mundo rico. Lá a atividade econômica está em franca recuperação e, no entanto, o emprego de pessoal não consegue reagir. Tudo se passa nos Estados Unidos, como se o empresário tivesse descoberto nos dois últimos anos de crise que pode aumentar a produção de sua empresa sem ter de contratar mais gente. Basta para isso que invista alguma coisa mais em Tecnologia de Informação (controle eletrônico de estoques, controles online e internet).

Aqui no Brasil, a escassez de mão de obra permeia hoje toda a atividade econômica. Ontem, o gerente de Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, observou que não se pode aceitar sem questionamento o diagnóstico de pleno emprego, porque há as diferenças regionais. Ou seja, a falta da mão de obra que se vê no Sudeste não é a mesma do Nordeste. Mas esse critério não pode servir de base prática de análise. Não se eliminarão tão cedo no Brasil as diferenças entre as regiões. E, no entanto, as consequências econômicas do aquecimento excessivo do mercado de trabalho estão aí.

Para medir esse efeito, mais relevantes do que essas diferenças, é preciso levar em conta as necessidades setoriais. Onde a atividade econômica é importante no Brasil há hoje uma forte escassez de mão de obra, tanto de alta como de qualificação relativamente mais baixa. Falta engenheiro, piloto de avião, mecânico, mestre de obras, soldador, pedreiro, eletricista, pintor e, até mesmo, babá e empregada doméstica.

Na ata da última reunião do Copom ontem divulgada, o Banco Central fez referência à "estreita margem de ociosidade dos fatores de produção, especialmente, de mão de obra". E advertiu que essa situação conduz ao risco crescente de que os salários aumentem mais rapidamente do que a produtividade. Ou seja, o pleno emprego é fator que hoje concorre para acentuar a inflação já solta demais. E é nesse momento que mais se sente falta, nos grandes centros urbanos, de programas que se dediquem à recuperação e capacitação de pessoal.

Mas o antídoto para a inflação é conhecido: austeridade na condução das contas públicas e dinheiro mais apertado na economia.


CONFIRA

Ata ambígua
A ata do Copom ontem divulgada foi duramente fria na exposição dos problemas, mas amena no tom geral.

Meta ameaçada
Reconheceu que a incerteza aumentou, que a inflação foi longe demais e que ameaça a meta deste ano. A ata também foi muito clara quanto aos efeitos sobre os preços do excessivo aquecimento do mercado de trabalho (veja o texto ao lado).

A questão fiscal
Como das outras vezes, deixou claro que, para o combate à inflação, conta com a disciplina fiscal do governo federal. E admitiu veladamente que a força da política de juros depende da geração de superávits primários.

A solidão dos juros
Mas, também como das outras vezes, faltou a firmeza demonstrada por outros bancos centrais de que a autoridade monetária não pode ficar sozinha na guerra contra a inflação e de que, se é para cumprir a meta, a política fiscal do governo federal tem de ser mais consistente.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Nota só
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 28/01/11

Lula, Guido Mantega e Luiz Gonzaga Belluzzo se encontraram anteontem em SP. Os juros dominaram a conversa.

Alô embaixada!

Vik Muniz se imbuiu de missão espinhosa: ajudar Sebastião Carlos dos Santos, principal personagem do documentário Lixo Extraordinário indicado para o Oscar, a tirar visto americano. "Quando voamos em setembro do ano passado para o Canadá, participar do Festival de Toronto, tentamos levar Tião e não conseguimos", lamentou ontem à coluna o artista que teve seu trabalho enfocado no longa.

Como não há voo direto Brasil-Canadá era necessário visto para escala nos EUA. A papelada canadense o catador de lixo conseguiu.

Maktub

A primeira pessoa a telefonar para Muniz para cumprimentá-lo pela indicação foi Paulo Machline, também indicado ao Oscar há dez anos pelo documentário Uma História de Futebol, sobre a infância de Pelé. "Quando ele foi escolhido, fui eu que telefonei primeiro para azucrinar. Ele tinha feito um único filme e foi indicado. Baita sorte. Agora ele deu o troco".

Paulinho não ganhou o prêmio. Muniz levará? Detalhe: eles são amigos inseparáveis.

Missão 008

Antes de concordar com as novas normas para expedição de passaporte diplomático, Dilma consultou o Itamaraty para saber como ficaria a situação dos agentes do governo em missão secreta no exterior. O problema é a atual obrigação de divulgar nomes, função e destino das pessoas que recebem o privilégio.

Segundo experimentado diplomata, a Chancelaria não entendeu bem a pergunta.

Tête-à-tête

Antonio Patriota, das Relações Exteriores, bateu longo papo com Paulo Coelho ao chegar em Davos, ontem. Assunto? Literatura.

Todo ouvidos

Alexandre Padilha, da Saúde, será recebido hoje para café da manhã no Sírio-Libanês. Ponto para Roberto Kalil.

Olho no olho

Paulo Souza, o Paulo Preto, tem audiência marcada para dia 16 no Fórum da Lapa. Participam Eduardo Jorge, Evando Losacco e mais três jornalistas. Assunto? Publicação de acusação de ele ter desviado R$ 4 milhões da campanha de Serra.

Alegoria de estrelas

Fãs de Justin Timberlake podem celebrar. O cantor deve se esbaldar no Camarote da Brahma, onde também se espera Maradona e Will.I.Am, do Black Eyed Peas.

Ex-patrão

Ao chegar no jantar de José Victor Oliva, anteontem, Hebe Camargo se viu pendurada na parede.

Mais especificamente em quadro de Gustavo Rosa, que a mostra com Silvio Santos numa janela de avião. "Na época, ele ainda aceitava meus convites", brincou, caindo na gargalhada.

In loco

Buscando acelerar a preparação para a Copa em São Paulo, Orlando Silva está agendando encontro com Andrés Sanchez, do Corinthians. Hoje tem conversa marcada com Kassab e Alckmin.

Acelerador

Eike Batista disse sim. A OGX patrocinará Pedro, filho de Wanderley Nunes. Na Formula GP3.

Na frente

Fausto de Sanctis assumirá hoje como desembargador da 5ª Turma.

A obra Lisboa em Pessoa, de João Correia Filho, será lançada quinta. Na Cultura do Bourbon Shopping.

Acontece, segunda, o jantar de comemoração da parceria entre a Riachuelo e Cris Barros na casa de Flávio Gurgel Rocha e Anna Cláudia Klein.

A vernissage da mostra Bruma Espuma ao Amanhecer, de Marina Ayra, é dia 9. No Dconcept.

CLAUDIA SAFATLE

Acumulação de reservas está chegando ao fim
Claudia Safatle

VALOR ECONÔMICO
O processo de acumulação de reservas cambiais, que começou em 2004 e ganhou força a partir de 2006, está se esgotando. Para intervir no mercado de câmbio sem gerar pesados custos fiscais, o Banco Central (BC) voltou a fazer operações de "swap reverso" e anunciou esta semana, através da carta-circular 3.484, que vai operar por leilões também no mercado a termo.

Ou seja, a liquidação financeira de uma compra ou venda de dólares pela autoridade monetária só se dará no futuro. Como essa mesma operação poderá ser renegociada e rolada por prazo indefinido, o custo efetivo imediato da intervenção passa a ser mais modesto, representado pelo pagamento do cupom cambial até a data da liquidação.

No mercado a termo, cria-se um direito e uma obrigação correspondente, sem que o peso do diferencial de juros internos e externos sobre a esterilização das reservas recaia no orçamento do próprio exercício (conforme o prazo da operação). Pode-se, assim, diluir no tempo as despesas fiscais decorrentes da compra de moeda estrangeira.

BC cria novos instrumentos para intervir no câmbio

É claro que nem todas as intervenções serão feitas nesse mercado, e que alguma compra de reservas ocorrerá ao longo do ano. Mas o fato importante é que o BC está criando alternativas, cujos efeitos são menos onerosos ao Tesouro Nacional, conforme salientou uma fonte do governo.

O país dispõe, atualmente, de US$ 295,9 bilhões em caixa, montante mais do que suficiente para enfrentar eventuais crises externas que resultem em parada abrupta do ingresso de moeda estrangeira no país.

O custo de carregamento das reservas ocorre de duas formas: pelo diferencial entre juros internos e externos e pela valorização do real frente ao dólar. Como o país é credor em moeda estrangeira, a apreciação do real frente ao dólar resulta em prejuízos ao BC. No ano passado até novembro, a equalização cambial registrava prejuízo, para o BC, de R$ 31,8 bilhões (ou 0,9% do PIB).

Essa, no entanto, não é uma variável que só gera despesa. Em 2008, quando houve uma substancial depreciação do real, o Banco Central remeteu para o Tesouro Nacional um lucro espetacular de R$ 171,4 bilhões.

Não é trivial calcular o quanto a acumulação de reservas já custou à sociedade brasileira. Ao aumentar as reservas de US$ 85,83 bilhões, em 2006, para US$ 180,3 bilhões em 2007, estimou-se, no governo, que isso representaria aos cofres públicos um gasto de cerca de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Algo próximo a R$ 50 bilhões naquela época. Atualmente, avalia-se em mais de 1% do PIB a despesa para manter reservas de quase US$ 300 bilhões.

Dentre os países que detém os maiores volumes de reservas, o Brasil é o que tem o menor valor como proporção do PIB, em torno de 13%. Mas é, também, o que pratica as taxas de juros mais elevadas (Selic de 11,25% ao ano). Portanto, é o país que mais gasta para carregar esse seguro que, apesar de muito caro, mostrou-se crucial nos momentos mais difíceis da crise global.

Para enfrentar a crise econômica global de 2008, um caixa de US$ 200 bilhões se mostrou suficiente. É razoável supor, assim, que todos os dólares comprados pelo BC de lá para cá foram para evitar excessivas volatilidade e apreciação da taxa de câmbio, e não para aumentar a proteção das contas do balanço de pagamentos.

Outra mudança relevante na atuação do Banco Central, neste início de ano, foi a de não comprar todo o fluxo de moeda estrangeira. Até o dia 21, o ingresso de dólares havia sido de US$ 9,2 bilhões, mas a autoridade monetária adquiriu US$ 3,9 bilhões no mercado a vista e outros US$ 3,5 bilhões nos leilões de swap reverso. Como esses últimos representam atuação no mercado futuro, não há a entrega de dólares e, portanto, não geram custo fiscal adicional.

Ainda que a compra abaixo do fluxo tenha outras motivações, como dar espaço para que os bancos desmontem suas posições vendidas em moeda estrangeira, ela acaba também reduzindo a pressão sobre o aumento do gasto público decorrente da acumulação de reservas.

A busca por mecanismos de intervenção que não representem compra de reservas e, portanto, não onerem ainda mais a já debilitada situação da política fiscal não significa que a ajuda do Banco Central no cumprimento da meta de superávit primário este ano seja relevante. Mas representa uma constatação de que a relação custo-benefício da política de acumulação de reservas cambiais, conduzida com sucesso no governo anterior, está chegando ao fim.

Assim como também chega ao fim a grande contribuição que a apreciação do real frente ao dólar deu para o controle da inflação desde os primórdios do Plano Real.

SOLUÇÃO

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Bumerangue tucano
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SÃO PAULO - 28/01/11

Ainda sob impacto do movimento da bancada federal em favor de Sérgio Guerra (PE), aliados de José Serra se empenham para mantê-lo na disputa pela presidência do PSDB. Avaliam que o colégio eleitoral é incipiente, pois depende dos diretórios municipais e estaduais. Apostam ainda que a repercussão do caso fragiliza Guerra em vez de fortalecê-lo.
A reação do grupo de Serra ao documento subscrito pelos deputados foi calculada muito mais para forçar Geraldo Alckmin a se posicionar publicamente e instigar Aécio Neves. Para serristas, são duas as preocupações: garantir ao partido perfil claro de oposição e evitar a exclusão do ex-governador do debate para 2014.

Linha cruzada 

Serristas ficaram particularmente incomodados com o fato de Guerra telefonar antes da reunião da bancada para os governadores Alckmin, Teotônio Vilela (AL) e Beto Richa (PR), ignorando o candidato derrotado à Presidência.

Digitais 
Os mais entusiasmados patrocinadores da coleta de assinaturas de anteontem foram os deputados federais Rodrigo de Castro (MG), Carlos Sampaio (SP) e João Almeida (BA).

Flashback 
Defensores do movimento pró-Sérgio Guerra argumentam que foi Serra quem tomou a iniciativa de convidar o senador a permanecer no comando do PSDB. Isso teria ocorrido na casa do secretário paulista da Cultura, Andrea Matarazzo, na noite de 31 de outubro, após o segundo turno.

Na lida 
O PMDB tenta emplacar o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (BA) na presidência da Companhia Brasileira de Trens Urbanos. Hoje, o cargo é da cota do PP.

Barata voa 
O PMDB da Câmara nã oconseguiu se entender nem sobre qual cargo deve pleitear na Mesa Diretora. Na próxima segunda, a decisão entre a vice-presidência e a primeira-secretaria vai a voto na bancada.

Costura 
Dilma Rousseff pediu ontem ao vice Michel Temer (PMDB) que ajude a costurar com os partidos o reajuste do mínimo no valor pretendido pelo governo, por ora em R$ 545. Líderes peemedebistas, há algumas semanas, defenderam quantia mais parecida com a das centrais sindicais -R$ 580.

Mapa... 
A portaria do Ministério da Saúde publicada anteontem vai além de exigir da rede pública e privada a notificação de casos de violência doméstica e sexual. O texto obriga a comunicação ao sistema coordenado pela pasta de qualquer caso de violência atendido pela rede.

...da violência 
"Isso nos dará um painel bem mais fidedigno", diz Deborah Malta, que coordena pesquisa periódica do ministério sobre violência. As notificações, até então restritas a cerca de 25% das cidades, passam a ser obrigatórias a todo o país.

Regra
 
A MP a ser enviada ao Congresso reformulando o Estatuto das Cidades obriga todos os municípios brasileiros a fazer plano de ocupação do solo. Hoje mais da metade das cidades não tem.

Temporário...

Entre segunda e quarta, o governo paulista terá cinco "secretários-tampão". Deputados que ocupam cargos no Bandeirantes serão exonerados para a posse na Câmara. Depois, se licenciam e voltam.

....e improvisado 
Em secretarias com equipes incompletas, haverá até "interino-tampão". É o caso de Emanuel Fernandes (Planejamento), que, sem ter escolhido seu adjunto, nomeou Antonio Alwan para ocupar só por dois dias a função.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

Tiroteio
"Enquanto o PT consulta milhares de filiados para escolher seu presidente, o PSDB faz um abaixo-assinado. E depois eles falam em ser os guardiões da democracia."
DO DEPUTADO ANDRÉ VARGAS (PT-PR), sobre manifesto de deputados do PSDB pela recondução de Sérgio Guerra (PE) à presidência tucana.

Contraponto

Alô, Jetsons!
O secretário do Meio Ambiente de SP, Bruno Covas, 30, participou anteontem de jantar de "iniciação" com empresários e dirigentes de ONGs como Greenpeace, SOS Mata Atlântica e WWF. Ao descrever a evolução do ativismo sustentável, o ambientalista Paulo Nogueira Neto se empolgou e fez uma brincadeira com a idade do tucano, neto de Mario Covas.
-Quando começamos, cabíamos em uma kombi. Agora, o movimento ganhou longevidade. Com essa juventude na secretaria, chegaremos aos 1.000 anos...

ANGELA BITTENCOURT

Ata segue "script", mas inflação é perturbadora

Angela Bittencourt
VALOR ECONÔMICO - 28/01/11


O Banco Central (BC) viu um cenário pior para a inflação há uma semana e o Comitê de Política Monetária (Copom) retomou o ciclo de alta do juro básico. De lá para cá, o cenário só se agravou. Mas a ata do Copom, divulgada ontem, não atualiza o calendário e flagra o que foi considerado pelo colegiado do BC para tomar sua decisão sobre juro na data de cada reunião. A ata, que sugere a otimista possibilidade de a inflação desacelerar, foi neutra a respeito do futuro. Com tudo no "script", o documento não provocou a revisão nas projeções do mercado quanto à manutenção do aperto monetário em ritmo de 0,50 ponto percentual em março. E a curva de juros traçada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) reafirmou essa tendência.

O mercado está atento, porém, aos sinais persistentes de pressão inflacionária que hoje devem receber um reforço. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, nesta manhã, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de janeiro. E é esperada uma aceleração que deve confirmar a trajetória dos demais indicadores de preço divulgados nos últimos dias. Todos aceleraram. Todos superaram as expectativas.

BC renova aposta em medidas prudenciais e no ajuste fiscal

Pela ordem de apresentação dos índices pelos institutos de pesquisa, o IPC-S galgou 1,18% na terceira semana de janeiro; o IPCA-15 também de janeiro avançou 0,75%; e o IPC-Fipe subiu 1,03% na terceira leitura do mês. Olhando adiante, o Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima reavaliou suas projeções para a inflação oficial (IPCA) de janeiro e fevereiro e, nos dois casos, a perspectiva é de variações no patamar de 0,80%. Essas projeções são utilizadas para o cálculo de taxas de retorno das Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B) - títulos federais indexados ao IPCA.

O mercado e o BC estão alinhados num ponto: ambos sabem que as pressões inflacionárias são maiores no primeiro trimestre. Quanto à eficácia das medidas prudenciais, o mercado ainda revela dúvida. O BC não.

O BC reforça que as medidas macroprudenciais, tomadas no início de dezembro, têm papel complementar à alta do juro. E sua eficácia para conter a demanda foi confirmada nos dados de crédito divulgados pelo mesmo BC na quinta-feira. Sob qualquer leitura, os dados mostraram que as concessões caíram e os juros subiram. Essas informações jogaram por terra o questionamento da eficácia das medidas.

Se mais medidas macroprudenciais virão, o mercado não sabe e a ata não esclareceu. Primeiro, porque não é fórum para esse tipo de avaliação ainda que técnica. Segundo, porque os bancos centrais não anunciam decisões, mas tomam decisões que, inclusive, tendem a ser valorizadas pela variável "surpresa". Mas é fato que as medidas prudenciais não têm efeito simultâneo nas instituições e, portanto, não foram necessariamente esgotados.

Em dezembro foram lançadas duas medidas: aumento de recolhimento compulsório bancário e do requerimento de capital para operações de crédito à pessoa física com prazo acima de 24 meses. O compulsório bancário segue um cronograma rotineiro de recolhimentos ao BC, com as instituições formando dois grupos que devem fazer os recolhimentos em datas diferentes. Esses grupos (A e B) são constituídos por bancos de portes equivalentes para que os recolhimentos de moeda sejam balanceados. Quanto à ampliação do requerimento de capital, o cumprimento da regra estabelecida pelo BC leva em conta fatores que tendem a atingir os bancos em momentos e em graus diferentes. Por exemplo, a formação das carteiras de cada um que deve se adequar à regra e também o porte das instituições. Portanto, os efeitos das medidas, tomadas há praticamente dois meses, ainda poderão ser potencializados.

A política fiscal e sua contribuição para a política monetária está nesse contexto de impactos que estão por vir. O BC conta com a política fiscal para frear a demanda neste ano. Mas o mercado ainda tem dúvidas sobre o resultado, até porque essa variável não depende só do empenho do BC, mas do Ministério da Fazenda.

Quanto à inflação, é fato que a ata reafirma a preocupação com o cenário mais deteriorado sinalizada no Relatório de Inflação de dezembro. Mas é fato também que a ata insiste no curto prazo. Assinala a sazonalidade da inflação, lembra da concentração atípica de reajustes de preços administrados em início de ano e vê como "ainda ambígua" a influência do cenário internacional sobre a inflação doméstica.

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com prazos mais longos voltaram a subir ontem. Antes do ajuste de preços no pregão da BM&F, o DI janeiro de 2013 era cotado a 12,89%; o DI janeiro de 2014, a 12,85%; e o DI janeiro de 2015, a 12,78% ao ano. O dólar subiu 0,47%, a R$ 1,679 para venda. A inversão da tendência de baixa resultou de duas intervenções do BC no mercado à vista e à "compra" de aproximadamente US$ 500 milhões no mercado futuro - resultado da venda de contratos de swap reverso.

MARCOS SÁ CORRÊA

Um negócio insustentável
Marcos Sá Corrêa 
 O Estado de S.Paulo - 28/01/11

Antes de gerar o primeiro quilowatt, a usina hidrelétrica de Belo Monte, na bacia do Rio Xingu, no Pará, conseguiu incluir o Ministério do Meio Ambiente num negócio insustentável. Eletrocutou nesta semana mais um presidente do Ibama. Governo vai, governo vem, cada vez mais eles passam e ela fica.

Tragados por Belo Monte, os nomes passam pelo cargo tão depressa que mal dá tempo de aprendê-los. Geralmente saem de fininho, "exonerados a pedido" e condecorados por processos. Mas chegam com estardalhaço digno de plenipotenciários do patrimônio natural.

E é assim que o Brasil está inaugurando mais um presidente do Ibama. Quem? O catarinense Américo Ribeiro Tunes.

Como presidente substituto, Tunes nem precisou assinar a posse no Ibama. Assinou diretamente seu passaporte para a posteridade, assinando de cara a licença "parcial" de Belo Monte. Ela autoriza o desmatamento de 23 hectares na bacia do Rio Xingu para a instalação de um canteiro de obras que formalmente poderá ou não construir a hidrelétrica. Mas com isso deixou na poeira todos os recursos técnicos e judiciais que o projeto ainda não conseguiu responder.

O demissionário Abelardo Bayma, antecessor de Tunes, assinou a licença prévia de Belo Monte. O antecessor do antecessor, Roberto Messias Franco, desencalhou em 2009 os estudos de impacto da hidrelétrica. Em 2008, demitiu-se a ministra Marina Silva, ao entrar em rota de colisão com Belo Monte, depois de capitular diante das pressões para liberar as usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira. Mesmo sem eletricidade, Belo Monte dá choque.

Dure muito ou pouco essa interinidade de Tunes, ele tem um lugar na história da usina e da burocracia ambiental, juntando sua assinatura à estreia da "licença parcial", um truque que a rigor serve para testar encanador em reforma de banheiro. "Parcial", neste caso, quer dizer o quê?

Interesses insensatos. Se o termo for sincero, o País está entregue a interesses poderosos, sem dúvida, mas insensatos a ponto defenestrar presidentes do Ibama só para construir um canteiro de obra sem a menor garantia de fazer a obra. Ideia semelhante só passou por Brasília uma vez, há mais de 30 anos, por meio da cabeça prodigiosa do economista Mario Henrique Simonsen. Como ministro do governo João Figueiredo, ele propôs que o Brasil legalizasse o pagamento de comissões por obras que não se pretendia executar. Alegava que assim todos sairiam ganhando. A começar pelos brasileiros, que assim gastariam menos com empreitadas inúteis e perdulárias.

Simonsen estava brincando. Queria simplesmente dizer com isso que muita coisa no País só sai do papel porque alguém está de olho na porcentagem da intermediação. Mas a licença "parcial" de Belo Monte, a julgar pelo número de baixas que já causou, está falando a sério, mesmo sem esclarecer se aquilo custará menos de R$ 19 bilhões ou mais de R$ 30 bilhões e gerará 11 mil ou 4 mil megawatts.

Belo Monte é urgente porque o Palácio do Planalto está sentado sobre mais de 60 projetos de usinas, a maioria na Amazônia. Isso porque a região tem potencial sobrando? Não. Por enquanto, o que há são advertências no mínimo plausíveis, como a do engenheiro Enéas Salati, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável.

Salati está combinando com calma e cautela o que já se sabe sobre mudança climática com o que se conhece dos rios nas 12 grandes regiões hidrológicas do território brasileiro. Encara um horizonte de 2015 a 2100. Não tem pressa, porque não vai ganhar nem perder um tostão com obra nem desmatamento. Mas já tem dados para prever que a vazão média dos rios na Amazônia cairá de 30% a 40% até o fim do século. O Rio Tocantins tende a chegar lá com a metade do volume que tinha antes de 1990. É para lá que o governo está nos levando, custe o que custar.

GOSTOSA

WASHINGTON NOVAES

Pequeno, bonito e mais barato
Washington Novaes 
O Estado de S.Paulo - 28/01/11

Houve tempo em que se popularizou a expressão "small is beautiful" (o pequeno é bonito), que pretendia demonstrar, principalmente na área ambiental, que pequenas iniciativas, pequenas obras, eram um caminho mais fértil, mais barato, de benefícios sociais mais amplos. Hoje a expressão parece em desuso, ao mesmo tempo que se ampliam informações sobre megaobras (que custam fortunas) como solução para problemas sociais, ambientais e econômicos - quando, quase sempre, elas são desperdiçadoras de recursos e concentradoras de benefícios, principalmente nas megaempresas que as executam e influenciam as macropolíticas do País.

Talvez o exemplo mais claro, já comentado neste espaço, seja o da área de energia, em que quase só se planejam mega-hidrelétricas na Amazônia ao custo de dezenas de bilhões de reais, além de outras problemáticas para áreas indígenas e de preservação legal - sem discussão clara com a comunidade científica, que tem apontado outras possibilidades, poupadoras de recursos que poderiam ser destinados a áreas sociais muito carentes. Ainda agora, noticia-se também (Estado, 30/12) que o BNDES emprestará R$ 6,1 bilhões (56,8% do valor total) para construção da usina nuclear Angra 3. Na verdade, a obra já foi iniciada - embora a licença concedida estabelecesse a condicionante de se definir, antes, a destinação final dos resíduos nucleares altamente perigosos, e isso não ocorreu. Sem esquecer o que o cientista Carlos Nobre, coordenador da política nacional do clima, afirmou no programa Roda Viva, da TV Cultura, que esse projeto precisaria ser revisto com cuidado, diante da inconveniência de implantar usinas nucleares à beira-mar, com o processo já em andamento de elevação do nível do oceano. Mas segue-se em frente, como se nada tivesse sido dito. E ainda se planejam mais quatro usinas do mesmo tipo.

Não é muito diferente na área do saneamento, em que mais de 50% da população (mais de 107 milhões de pessoas) continuam sem rede coletora de esgotos, menos de 30% dos esgotos coletados são tratados e quase 40 milhões de pessoas não recebem água tratada em suas casas (Gesner de Oliveira, ex-presidente da Sabesp, 2011) - com graves consequências também na área de saúde, na qual as doenças veiculadas pela água são a principal causa de internações e consultas na rede pública; e na dos recursos hídricos, em que o despejo de esgotos sem tratamento é a principal causa de poluição. Mas nem se acena com qualquer possibilidade próxima de solução, pois se argumenta que para universalizar o atendimento na área serão necessários megainvestimentos de R$13,5 bilhões por ano durante 15 anos (Folha de S.Paulo, 7/1). Ou R$ 255 bilhões, segundo a Sabesp. E ainda é preciso lembrar que os investimentos pelo PAC nesse setor - de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões por ano - não têm chegado nem à metade do planejado.

Talvez seja a hora de relembrar, então, que, dada a urgência de soluções para a sociedade, o pequeno pode ser bonito - e muito mais rápido. Começando pelo saneamento. Brasília é hoje a capital com maior índice de coleta de esgotos, acima de 90%, graças ao sistema condominial, criado pelo pernambucano José Carlos Mello e introduzido na cidade no início da década de 90. Que, eliminando, nas quadras internas em áreas de expansão, a maior parte das caríssimas redes coletoras de grandes manilhas de concreto, conseguiu ali, com enorme economia, chegar bem perto da universalização. No Brasil já existem cerca de 5 milhões de pessoas beneficiárias do sistema, além de 1 milhão no Peru. Mas continua muito forte a resistência das empresas estatais a adotar esse caminho e restringir megaobras.

Não é a única solução de menor porte. A própria Agência Fapesp, junto com o Instituto de Geociências da USP, desenvolveu modelo eficiente de fossas sépticas para comunidades de menores recursos, capazes de degradar a matéria orgânica nos esgotos e dar tratamento adequado ao nitrogênio, que costuma permanecer durante décadas nas águas próximas das fossas convencionais (e 75% dos municípios paulistas já usam águas subterrâneas). Com a vantagem de que as fossas podem ser construídas por qualquer pedreiro, a custo baixíssimo (Agência Fapesp, 27/8/2010). No Paraná, onde 57,9% das cidades não dispõem de redes de coleta de esgotos (Ambiente Brasil, 27/12/2010), também se começam a instalar "estações de tratamento de esgotos por zona de raízes", um sistema em que plantas filtram o efluente antes de lançá-lo na natureza. Uma estação para tratar efluentes de uma casa pode ser feita em dois dias e custar R$ 500. Ou pouco mais, em pequenos conjuntos. Os coliformes fecais são reduzidos em 99%. Já há projetos maiores em andamento, como, em São José dos Pinhais (PR), uma estação para tratar os efluentes de 700 pessoas. A bióloga Tamara Van Kaick, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, atesta a eficiência do sistema.

Ainda na área do saneamento, é inacreditável que não se implantem sistemas para financiar a recuperação de redes de água, quando a perda média em nossas cidades é de 40% da água que sai das estações de tratamento e custa de cinco a sete vezes menos recuperar um litro de água que obter um litro "novo" com novas barragens, novas adutoras e novas estações de tratamento. Mas as prefeituras não conseguem recursos para entrar por esse caminho econômico.

Da mesma forma, dezenas de bilhões de reais vão para projetos como o da transposição das águas do Rio São Francisco e, em boa parte, para cidades com esses níveis de perda - enquanto é enorme a luta para conseguir mais recursos para construir cisternas de placas nas comunidades isoladas do Nordeste, capazes de abastecer de água uma família durante toda a estiagem. Cada uma delas custa cerca de R$ 1,3 mil, mas só foram instaladas 323 mil, quando se precisa de mais 1 milhão.

"Small is beautiful" - é preciso, mais que nunca, gritar pelas ruas.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Estou fazendo com grande sacrifício...”
JOSÉ SARNEY (PMDB-AP), AO CONFIRMAR SUA NOVA CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA DO SENADO

TEMER PEDE PESSUTI E GEDDEL NO 2º ESCALÃO 
O vice Michel Temer aproveitou a reunião com a presidente Dilma, nesta quarta, e pediu cargos de segundo escalão para acomodar dois amigos e aliados dele: o ex-ministro da Integração Geddel Vieira Lima e o ex-governador do Paraná Orlando Pessuti, que, a pedido de Temer, não disputou a reeleição para apoiar a candidatura de Osmar Dias (PDT). Dilma reagiu melhor a um eventual convite a Pessuti.

MELHOR SER EX 
Geddel prepara seu retorno à iniciativa privada, e por enquanto prefere a condição de ex-ministro a ocupar um cargo de expressão modesta.

MP DAS CIDADES 
Dilma e Temer discutiram também, ontem, a medida provisória que vai preencher lacunas do Estatuto das Cidades e prevenir desastres.

NOME FORTE 
O tucano Cícero Lucena (PB), que foi preso na operação Confraria, da Polícia Federal (2005), deve ser eleito primeiro-secretário do Senado.

PERGUNTAR NÃO DÁ APAGÃO 
Se na década de 1970 existissem Ibama, ecochatos e ecopicaretas, o Brasil teria hoje a hidrelétrica de Itaipu?

JORDÃO DEVE SUBSTITUIR BARBOZA NA INFRAERO 
O atual diretor de Operações, Márcio Jordão, deve substituir Murilo Marques Barboza na presidência da Infraero, estatal de infraestrutura aeroportuária, segundo fontes do Ministério da Defesa. Barboza está convidado a voltar à assessoria do ministro Nelson Jobim, ocupando um pequeno gabinete no anexo do ministério. Ex-superintendente da Infraero no aeroporto de Guarulhos (SP), Jordão tem perfil técnico.

MAIS ALGUNS DIAS 
A mudança na Infraero ocorrerá após a eleição da Mesa da Câmara dos Deputados, para poupar a estratégica Infraero do rateio
político.

ERA DOS PUXADINHOS 
Murilo Barboza faz uma gestão desastrosa na Infraero. Ele introduziu “puxadinhos” tão precários quanto milionários em grandes aeroportos.

ESCAFEDEU 
Desde que descobriram sua aposentadoria de ex-governador
(R$ 24,1 mil por mês), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) tomou chá de sumiço.

PREFERÊNCIA 
Silvio Berlusconi tem predileção por brasileiras. Na visita a São Paulo, em junho de 2010, ele recebeu seis garotas em festa privê na suíte presidencial do hotel Tivoli São Paulo Mofarrej. Incluindo um show particular de “pole dance” da dançarina Alexandra Valença, 28.

NOVELA 
Do escritor, novelista e ex-repórter policial Aguinaldo Silva, no Twitter: “Não dá pra mídia dar um tempo no Zé de Alencar, o ex-vice? Que coisa mais constrangedora, gente: parem de tocar pro homem subir!”. 

FALA MINHA LÍNGUA? 
Lula até arriscava o portunhol, mas a presidente Dilma Rousseff terá uma intérprete exclusiva de espanhol e italiano nas audiências e nas viagens internacionais: foi contratada pelo Itamaraty por R$ 60,4 mil. 

MULTA ABUSIVA 
A Anatel, sempre muito boazinha com operadoras de telefonia, multou abusivamente em
R$ 3 mil, no Piauí, três vizinhos que compartilhavam acesso à internet por uma rede wireless, para reduzir custos.

ERA PAPO FURADO 
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) está mais por fora do que aluno gazeteiro: o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, garante que jamais anunciou o fim da escola de tempo integral. Vai até reforçá-las.

CAIXINHA NO SOM 
A Justiça catarinense condenou o baterista e dois músicos do grupo irlandês U2 a pagarem R$ 800 mil ao empresário brasileiro Franco Bruni, diz o site spinner.com, por acusarem-no, em entrevista a um jornalão do Rio, de calote na turnê de 1998. Cabe recurso da sentença.

ADRIANA PRESA E... 
O Ministério Público do DF pediu a prisão de Adriana Villela, filha do casal assassinado em Brasília, “em decorrência das inúmeras injunções” que prejudicariam as investigações. Crime de “injunções”? 

...JÁ CONDENADA 
Condenar Adriana Villela virou questão de honra para o MP e a polícia do DF, que haviam encerrado o caso apontado-a autora, quando uma delegada estranha às investigações prendeu os assassinos confessos.

PENSANDO BEM... 
se o silêncio vale ouro, como diz o ditado, Lula só agora está enriquecendo. 

PODER SEM PUDOR
VOTO SECRETO 
Às vésperas de nova eleição para presidente da câmara, os deputados sempre questionam se o voto deve ser aberto ou secreto. Vale lembrar o humor de Apparício Torelly, o Barão de Itararé:
– O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.

BRAZIU: O PUTEIRO

SEXTA NOS JORNAIS

O Globo: Deputado ligado a Furnas ameaça PT com denúncias

Folha de S. Paulo: Reembolso de planos de saúde ao SUS encolhe

O Estado de S. Paulo: Desemprego é o mais baixo em 8 anos, mas inf1ação corrói renda

Jornal do Brasil: Meio ambiente vira caso de polícia

Correio Braziliense: Presa, de novo

Valor Econômico: Rombo no PanAmericano vai a R$ 4 bi e BTG faz oferta

Estado de Minas: Pedestres e motos causam maioria das mortes no anel