terça-feira, janeiro 11, 2011

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Na contramão 
Sonia Racy 

O Estado de S.Paulo - 11/01/2011

A nova Lei da Filantropia, que redefine o peso de procedimentos hospitalares para que instituições sejam consideradas filantrópicas, tem recebido críticas de peso.

Ricardo Brentani, presidente do Conselho da Fapesp e diretor do hospital A.C. Camargo, é um dos que a questionam. Ele diz que a nova lei, regulamentada no apagar das luzes do governo Lula, "privilegia a internação e despreza o tratamento ambulatorial, gerando custos muito maiores ao sistema".

Assim, segundo ele, a quimio e a radioterapia passam a valer quase nada no cálculo do volume de atendimentos feitos para o SUS. "É um bom caminho para a desorganização do atendimento de pacientes com câncer", explica.

Na contramão 2
Instituições filantrópicas têm, de acordo com a legislação, isenção de alguns impostos.

Queda de braço
O ano nem começou e a movimentação para 2012 já é intensa. Até o pequeno PSOL já vive uma disputa interna para saber quem será o candidato a prefeito da capital. Favorito, Ivan Valente, deputado federal, já conta com adversário interno: Carlos Giannazi, estadual.

Nanicos unidos
Como se já não bastasse a disputa contra o PMDB, a turma do PT na Câmara dos Deputados tem outro abacaxi. Levy Fidelix articula minibloco dos nanicos na Casa. Por suas contas, conseguiria 24 deputados. A ideia é reivindicar uma cadeira na mesa diretora.

Upgrade
Em sua primeira viagem internacional como ministro à Argentina, Antonio Patriota também estreou novo estilo gastronômico. Saiu o tradicional jantar de chá de camomila e torradas, menu típico de Celso Amorim. E entrou bife de chorizo com vinhos.

Passista
Ronnie Wood largou o rock para cair no sambão da mangueira no fim de semana. O Rolling Stone quer voltar ao Brasil no carnaval.

Pluma
O corpo de funcionários da Embraer em São Paulo está leve como um planador.

Depois que o Vigilantes do Peso se instalou na empresa, empregados emagrecerem juntos quase... uma tonelada em 2010.

Loura quente
Paris Hilton confirmou rasante na SPFW, que começa no fim do mês. Acaba de assinar contrato e vai desfilar para a Triton.

Fanhouse
O fã-clube Trouble, de Amy Winehouse, está com agenda intensa em três capitais -Rio, São Paulo e Recife- para trocar "vivências".

O curioso é que o grupo se identifica com um pedaço de papel onde se lê: "I"m trouble".

No, no, no
Miranda Kassin, cover de Amy, e seu marido, André Frateschi, decidiram: não tocarão nada do repertório dela no show de sábado. "Nada a ver, né? Vamos dividir o mesmo palco!", conta Frateschi, que vai centrar fogo na música negra dos anos 60.

Escândalo
Debora Duboc, a Olga de Passione, vai encarar Nelson Rodrigues. A atriz prepara-se para atuar em A Mulher Sem Pecado, projeto que marca o início das comemorações dos cem anos de nascimentos do autor pernambucano. Direção de Alexandre Reinecke.

Estrela
Cher reestreia show em Las Vegas hoje com casa lotada. Ecos da reaparição nos cinemas, em Burlesque.


Na frente
A Shell informa que foi feito acordo com a Cosan para criação de uma joint venture entre as duas empresas, cada uma com participação de 50%. A ideia é que produzam, distribuam e exportem etanol.

Otto sobe ao palco do SESC Vila Mariana. Sábado.

Cultura do Perfume _ Essência e Ciência é o novo curso de pós-graduação da Faculdade Santa Marcelina.
A partir do mês que vem.

"NÃO TEJO"

DORA KRAMER

O avesso do avesso 
 Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 11/01/2011 

Atenta aos códigos, no dia seguinte à eleição de Dilma Rousseff a capital federal já sabia que Antonio Palocci seria, depois da presidente, o poderoso de plantão.

A indicação para a chefia da Casa Civil apenas confirmou o entendimento anterior, mas o que consolidou a certeza de que Palocci é o eixo sobre o qual funcionará o governo foi o discurso dele de posse sinalizando discrição e comedimento no exercício do poder.

Quando ouviu Palocci dizer que não caberá a ele emitir "opinião sobre todas as coisas" nem dar muitas entrevistas muito menos fazer pronunciamentos, afirmando ser "apenas mais um" no time da presidente, Brasília logo entendeu que em torno dele gravitariam as questões mais importantes, os assuntos estratégicos, as soluções para crises, os temas mais delicados.

Um auxiliar de Dilma que na campanha até nem se deu muito bem com ele, mas agora é todo referências positivas, dá um exemplo sobre o tipo de função que exercerá sem dizer que exerce.

Se em algum momento mais à frente a crise com o PMDB se agravar ao ponto de pôr em risco algum interesse do governo, será Palocci o encarregado de advertir os companheiros de aliança sobre a conveniência de recuar. Lembrando-lhes que o partido pode não ter tido tudo o que quis, mas tem muito a perder, se for o caso.

Nada explícito nem rude de modo a demonstrar "quem manda". Este era o modelo de José Dirceu, que não só pretendeu ser o homem forte da administração e da política, como fazia absoluta questão de deixar isso muito claro.

Já derrubado pelo escândalo do mensalão, Dirceu saiu da Casa Civil anunciando que voltava à Câmara para, de lá, comandar o governo. Como deputado não conseguiu concluir o discurso de posse e foi cassado meses depois.

Desse tipo de conduta, que no governo é tido como o erro fatal de Dirceu, Palocci deve manter distância. Por uma questão de personalidade, de conveniência, mas também de necessidade.

Passou "raspando" pelo STF, que numa votação dividida não aceitou incluí-lo entre os réus do caso da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa e não pôde concorrer ao governo de São Paulo porque as pesquisas indicavam que politicamente essa conta ainda estava em aberto ao juízo do eleitor.

Portanto, Palocci precisa de tempo, condições objetivas e de um período para lustrar a imagem a fim de se credenciar a candidaturas futuras. Para isso é essencial que se mantenha longe de tiroteios e seja o mais discreto possível, a despeito da importância real de suas atribuições.

Na forma, será a antítese do poderoso de plantão, como convém a quem de fato tem a força.

Guerra de imagem. O PT está fazendo com o PMDB agora o que Lula tentou, sem sucesso, em 2003: joga com a má fama do partido para impedir o avanço dos pemedebistas no governo, certo de que ganha a batalha da comunicação junto à opinião pública.

Para todos os efeitos, a confusão em torno dos cargos seria um "bom combate" que o governo estaria fazendo em prol da melhoria de critérios de ocupação de espaços, contra o fisiologismo.

O plano é evidente e obviamente já detectado pelo PMDB, que, por isso, fez um recuo estratégico.

Seria uma boa jogada, não fosse um "pormaior": a falta de credibilidade do PT nessa área. Além de seguir aliado aos setores mais atrasados da política, o partido teve durante os oito anos de governo Lula tempo suficiente para se insurgir contra os desmandos que agora usa como justificativa para tirar postos estratégicos do parceiro, e não o fez.

Ao contrário. Quando teve oportunidade de enfraquecer politicamente o PMDB - por conta de escândalos envolvendo próceres como José Sarney e Renan Calheiros - preferiu reforçar o partido de olho na conveniência eleitoral de 2010.

A confiança demonstrada pelo PT ao entregar o lugar de vice na chapa presidencial não combina com as alegações desabonadoras que o próprio PT faz agora a respeito do PMDB.

Os petistas têm razão, mas não só avalizaram a conduta do parceiro ao aprovar a aliança em convenção nacional, como nada fazem de diferente que os autorize à crítica no quesito ético.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Segundo round 
 Renata Lo Prete 
Folha de S.Paulo - 11/01/2011

Kit contra a homofobia em gestação no Ministério da Educação está mobilizando lideranças evangélicas que, passados dez dias da posse de Dilma Rousseff, agem nos bastidores para barrar o envio do material às escolas do ensino médio. Integra o pacote, que será finalizado este ano, vídeo intitulado "Encontrando Bianca", sobre um adolescente homossexual.
O grupo evangélico que encabeça a reação afirma que desempenhou papel decisivo na eleição de Dilma e agora cobra nova fatura. Na reta final da disputa presidencial, eles pressionaram a petista a assumir compromisso de que não formularia políticas públicas sobre temas como casamento gay e aborto.

Propósito O Ministério afirma que o kit tem caráter didático e o objetivo de assegurar os direitos humanos de todas as pessoas no ambiente escolar. Além disso, diz que combater a homofobia é atribuição da pasta.

Curto circuito Cid Gomes (CE) e Eduardo Campos (PE) fecharam acordo informal segundo o qual o primeiro indicaria o secretário executivo da Integração Nacional, e o segundo, de Portos, os dois ministérios do PSB. Agora, o grupo de Cid acusa Campos de atropelar o pacto, com a nomeação de Alexandre Navarro na subchefia da Integração. O clima pesou.

Passarinho Dilma usou cerca de duas horas de seu domingo para fazer a sua foto oficial, que irá daqui em diante para as paredes das repartições públicas. A sessão de fotos ocorreu no Palácio da Alvorada, cenário da imagem oficial de Lula.

#psdbfeelings O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), usou ontem o Twitter para se defender das críticas de aliados sobre sua viagem para a Disney no início do governo Dilma. "Quem me conhece sabe a dedicação e o tempo que eu empenho para o desenvolvimento do PSDB. Estou usando 15 dias do meu recesso parlamentar para ficar com a família."

Encarnado Até a noite de ontem, quem tentava acessar o site pessoal do ex-governador Alberto Goldman (www.albertogoldman.com.br) era automaticamente direcionado para a página oficial do governo paulista, com a foto e a biografia do novo titular do Bandeirantes, Geraldo Alckmin.

Remendo O site da Câmara destacava ontem que tramitam na Casa dois projetos para impedir que suplentes assumam o "mandato de verão" na vaga dos que optaram pelo Executivo. Autor de uma delas, Flávio Dino (PC do B-MA) disse ao site considerar "desnecessária e inútil" a regra de dar aos suplentes o mandato de um mês -e em plenas férias legislativas.

Alô deputado Além do roteiro de viagens para pedir votos nos Estados, o petista Marco Maia (RS), candidato à Presidência da Câmara na eleição do dia 1º, começou a telefonar para os 218 deputados novatos.

SAC Assíduo no Twitter, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) recebeu o seguinte apelo ontem: "Meu BlackBerry está com problema na tela e eles não atendem minha reclamação. HELP!" Resposta: "Sinto, não é comigo!"

Defesa Após o Ministério Público pedir ao Supremo a inclusão no processo do mensalão da denúncia contra Roberto Jefferson relativa ao caso Maurício Marinho -seu indicado para a diretoria dos Correios, que foi filmado recebendo propina-, o advogado Luiz Francisco Barbosa pediu que fosse anexada a resposta do petebista, que argumenta não ser crime fazer indicação partidária.

tiroteio

"A Anac alardeou que esperava uma média de atrasos e cancelamentos nos níveis de 2009. É a "política Tiririca": "Pior do que tá num fica". Mas nem isso deu certo."

DO DEPUTADO FEDERAL LUIZ PAULO VELLOZO LUCAS (PSDB-ES), presidente do Instituto Teotonio Vilela, sobre os atrasos registrados nos aeroportos do país.

contraponto

Na escuta


O líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), anunciou no Twitter que começará a escrever no microblog sem a ajuda da assessoria:
- Treinando ainda. Como canta Martinho [da Vila]: "Devagar... devagarinho."
Ao responder à saudação de Eduardo Cunha (RJ), ponderou que seria bom avisar o "nosso governo".
Cunha brincou:
- O nosso governo vai saber rapidinho e ainda vai poder economizar muita fita (leia-se: grampo)!

GOSTOSA

CELSO MING

Guerra é guerra
Celso Ming 

O Estado de S.Paulo - 11/1/11

Ontem, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, falaram do mesmo animal e, no entanto, cada um tem dele um entendimento diferente.

O animal, no caso, é o forte afluxo de moeda estrangeira nos países emergentes, que outra coisa não é senão a manifestação do fenômeno que o ministro Mantega vem chamando, com enorme repercussão internacional, de guerra cambial.

Trichet advertiu ontem na Basileia, no encontro de presidentes de bancos centrais, para o problema da excessiva entrada de capitais nos países emergentes, como se os bancos centrais dos países ricos, inclusive o que ele próprio dirige, não tivessem nada a ver com essa aterrissagem de dólares e de euros. Ela só está acontecendo porque os bancos centrais dos Estados Unidos e da área do euro estão despejando quantidades recordes de moeda no mercado, alegadamente para irrigar economias estagnadas, ignorando que o resultado disso é a desestabilização denunciada pelo próprio Trichet.

E Mantega denunciou em entrevista ao Financial Times, de Londres, a forte entrada de capitais e o estrago que provoca na competitividade das empresas brasileiras, como se a política que ele próprio põe em prática não tivesse nada a ver com isso. O ministro ignora o fato de que boa parte dessa enxurrada só acontece porque o governo federal gasta demais, despeja recursos no mercado, cria renda e consumo acima da capacidade de oferta da economia. E esquece também o fato de que, por não cumprir sua parte na austeridade das finanças públicas, o Banco Central do Brasil não tem outra saída senão puxar a alavanca dos juros. E, assim, os capitais chegam (ou deixam de sair) para tirar proveito dos juros mais altos aqui dentro.

Mantega foi além. Avisou que vai denunciar no Grupo dos 20 (G-20) a manipulação cambial. E quer que a Organização Mundial do Comércio (OMC) defina manipulação cambial como forma velada de subsídio comercial o que, portanto, caracteriza jogo inadmissível no comércio exterior.

Não dá para saber o que o ministro Mantega define exatamente como "manipulação cambial". Ele provavelmente não está pensando apenas na política adotada pela China, que mantém o yuan, a moeda nacional, atrelado ao dólar. Está pensando também na operação de afrouxamento monetário quantitativo do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que está despejando US$ 75 bilhões por mês em moeda emitida na recompra de títulos do Tesouro americano.

Mantega está reforçando suas próprias denúncias sobre a tal guerra cambial. Só que fica muito difícil sustentar o argumento da manipulação cambial quando o Banco Central do Brasil e agora o Tesouro Nacional não param de intervir no câmbio e anunciam ainda mais medidas.

Ninguém está dizendo que o jogo do Brasil está errado. O que está sendo relembrado é que quem cospe para cima na cara lhe cai, como diz o ditado, a menos que a manipulação cambial defensiva seja aceitável enquanto a ativa, não.

Como em toda a guerra, nessa guerra cambial a primeira vítima é a verdade. No mais, nesse imenso diálogo de surdos, cada um fala o que lhe convém.

CONFIRA

Esquizofrenia
A política cambial do Brasil está ficando esquizofrênica. O Banco Central continua dizendo que não tem meta de câmbio. Reafirma que apenas atua no mercado com o objetivo de reduzir volatilidades.

Meta cambial
Ontem, o ministro Guido Mantega divulgou as novas atribuições do Fundo Soberano do Brasil. Ele agora vai atuar no mercado de derivativos (mercado futuro de moeda estrangeira) com o objetivo declarado de impedir nova valorização do real. E quem vai atuar em nome do Fundo é o Banco Central.

Contradição
Já estava difícil entender que o Ministério da Fazenda atue no câmbio com objetivos diferentes do Banco Central. Mas agora fica mais difícil entender que o Banco Central possa atuar de maneira contraditória. Vai continuar nas compras de dólares no mercado à vista apenas para impedir volatilidades. Mas, em nome do Fundo, vai atuar nos derivativos para defender um piso cambial.

RUBENS BARBOSA


Mais profissionalismo na política externa


Rubens Barbosa 

O Estado de S.Paulo - 11/1/11

Pronunciamentos da presidente Dilma Rousseff e do ministro Antonio Patriota reafirmaram que o Itamaraty deverá dar continuidade à política do governo anterior, mas prenunciam mudanças importantes de estilo e de ênfases. O tom dos discursos de posse foi positivo e indica que as ações brasileiras no exterior serão mais pragmáticas e menos ideológicas, menos protagônicas e mais cautelosas.

Tanto a presidente Dilma quanto o ministro Patriota têm perfil mais técnico. Patriota deve ser menos voluntarioso do que seu antecessor. Os compromissos externos continuarão a demandar tempo e esforço, mas a prioridade da política externa deverá ser menor diante da importância e da urgência da agenda interna social e econômica (combate à inflação, apreciação do câmbio e redução do custo Brasil para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros, entre muitos outros, como as reformas política e tributária prometidas pela presidente).

A defesa da soberania nacional e a crescente presença do Brasil no mundo continuam a estar na raiz da formulação e execução da política externa do novo governo. As principais prioridades nos próximos quatro anos permanecem sendo:

Respaldo dos processos de integração sul-americana e latino-americana (Mercosul, Unasul e Celac);

cooperação com os países do Sul (África, Oriente Médio e Ásia e acordos Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e Brics;

solidariedade aos países pobres e em desenvolvimento;

assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

O Brasil continuará defendendo a construção de um mundo multilateral e a democratização de organismos internacionais, como a ONU, o FMI e o Banco Mundial. Com o G-20, em coordenação com os Brics, será buscado um ambiente propício à sustentabilidade, à recuperação econômica e infenso à pressões protecionistas. A OMC não foi mencionada, em mudança significativa de ênfase, havendo apenas referência ao trabalho por resultados ambiciosos e equilibrados na Rodada Doha.

O novo chanceler, depois de ressaltar a preservação das conquistas dos últimos oito anos, fez referência expressa a quatro mudanças importantes na política externa:

Gestão inclusiva e integradora - A menção tem duplo significado: para o público interno é a revalorização da experiência da geração anterior de diplomatas, desprezada pelo governo passado, explicitada pela escolha do embaixador Ruy Nogueira como secretário-geral; sinaliza, por outro lado, uma influência menor de considerações ideológicas ao enfatizar o compromisso com os interesses permanentes do Estado brasileiro, e não com a plataforma de um partido político.

Busca de adaptações e reconsideração de certas ênfases, em função de desdobramentos internos e externos - Certamente por inspiração da presidente Dilma Rousseff, o ministro reconhece que excessos retóricos e ativismo pirotécnico são página virada. Sem tornar explícitas as mudanças, tudo indica que não serão repetidos os equívocos em relação ao apoio ao governo teocrático do Irã, à sua política nuclear e ao bloqueante silêncio no tocante à defesa dos direito humanos. Deverão ser reconsideradas as políticas em relação a Honduras e aos países desenvolvidos, em especial os EUA. A política externa, profissional, retorna ao seu leito natural em busca de um consenso, quebrado nos últimos oito anos.

Desaceleração do ritmo de crescimento da abertura de embaixadas - Reconhecimento de que a crescente projeção externa brasileira não depende de gestos em busca de prestígio e de que os objetivos da política externa não serão perseguidos a qualquer custo.

Parcerias tradicionais serão preservadas e ampliadas - A prioridade continuará a ser o Sul (a expressão Sul-Sul não foi mencionada em nenhum pronunciamento, nuance que deve ser notada), mas os países desenvolvidos, sobretudo os EUA e os da Europa, não serão tratados de maneira preconceituosa.

De forma pragmática, no discurso de Patriota foram mencionados apenas três países: a Argentina (pela parceria estratégica), a China e os EUA, sintomaticamente escolhidos para as primeiras viagens externas da presidente Dilma Rousseff.

Em relação aos EUA, não mais escutaremos ataques gratuitos ao país e a seu presidente e a visita a Washington, nos próximos meses, deverá abrir uma nova fase de entendimentos, baseados no respeito mútuo e na cooperação.

No tocante à China, dado o desequilíbrio nas relações bilaterais, espera-se que se abra um novo capítulo com a ampliação da cooperação, mas também com manifestações claras de descontentamento quanto à política cambial, à política de direitos humanos e às crescentes restrições comerciais.

Pela experiência profissional do novo ministro em organismos multilaterais, é possível antecipar uma ênfase maior da atuação do Itamaraty nos temas globais, como mudança de clima, meio ambiente e energia, direitos humanos e comércio exterior.

Tendo Marco Aurélio Garcia sido mantido, seria surpreendente se o fio condutor da política externa fosse alterado de forma pronunciada. Resta saber qual o grau de visibilidade e de influência na formulação e execução da política externa terá o assessor internacional da Presidência da República. Segundo se noticia, Marco Aurélio está ampliando o número de seus funcionários e suas áreas de atuação. A indicação do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães como a alta autoridade do Mercosul provavelmente terá tido a inspiração e o apoio do assessor internacional.

O aceno ao diálogo aberto e honesto feito pelo ministro Patriota deve ser aceito pelos que criticaram a política anterior. Democraticamente, contudo, a sociedade e a oposição deverão cobrar as prometidas adaptação e reconsideração dos excessos e equívocos cometidos pelo governo anterior.

EX-EMBAIXADOR EM WASHINGTON E EM LONDRES

MALUCO

XICO GRAZIANO

Segunda natureza
Xico Graziano 
O Estado de S.Paulo - 11/1/11

Boa notícia: animais silvestres, pássaros incluídos, estão reaparecendo por aí afora. Nestes tempos de crise ambiental, alegra a alma saber que a vida selvagem consegue se acomodar no mundo humano. Mostra que nem tudo está perdido.

Aos mais atentos surpreende verificar papagaios voando e fazendo algazarras na capital paulista. Sem sotaque interiorano. O verde de sua plumagem garante que os psitacídeos, incluindo os barulhentos periquitos, encontram alimento, e locais de reprodução, entre o asfalto da metrópole. No interior, maritaca começa a virar praga, danificando a fiação nos telhados domésticos.

O Centro de Estudos Ornitológicos indica existirem 462 espécies de aves habitando a selva paulistana de concreto. Ao contrário do que se imaginava, passarinhos nativos de todos os tipos, como rolinhas, sabiás, sanhaços, bentevis, sebinhos - também conhecidos pelo feio nome de "caga-sebo" -, trocam de vida e adotam a cidade, nidificando nas árvores das praças e nas frestas dos edifícios como se estivessem no mato que abrigou seus antepassados. Enxotam os exóticos, e chatos, pardais e se firmam na paisagem urbana. É fantástico.

Observadores de pássaros se encantam. E já perceberam o outro lado da moeda: pressentindo comida fácil, surgem os terríveis predadores. Gaviões carcarás, aqueles grandes, passaram a dominar certos edifícios de onde, qual no topo da montanha, capturam suas presas com voos certeiros no final da tarde. Aula de ecologia ao vivo nos céus poluídos da capital!

Além dos pássaros, quem virou notícia, mesmo, foi a onça parda. O felino amarronzado acaba de virar símbolo da biodiversidade paulistana, em concurso realizado via internet pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Também conhecida como suçuarana, ela caiu nas graças dos internautas, que a elegeram, à frente de outros 14 bichos candidatos à láurea, superando o simpático bentevi e o famoso sabiá-laranjeira, cantores da natureza.

Ao contrário dos pássaros, porém, que repovoam há tempos a paisagem urbana, nenhuma onça parda foi vista ainda andando pelas praças da cidade de São Paulo. Mas lá no interior, cuidado, pois crescentemente ela tem sido percebida nos capões de mato, nas pradarias ou entre laranjais e canaviais próximos de remanescentes de vegetação nativa, especialmente nas encostas de serra. Toca garantida.

Antigamente, a suçuarana desdobrava-se para abocanhar quatis, pacas, catetos, tatus, filhotes de capivara, entre outras guloseimas preferidas, fazendo funcionar a cadeia produtiva. Mas agora, na modernidade da agricultura entremeada com a preservação ambiental, ficou moleza se alimentar. Volta e meia, lá se vai uma galinha caipira ou um manso bezerro recém-nascido, virando comida, nas garras inusitadas que ressurgem. Azar do sitiante, sorte do meio ambiente.

Presente em todos os biomas brasileiros, dos mais quentes aos mais frios, a grande vantagem da onça parda reside em sua capacidade de adaptação aos diferentes ecossistemas e ambientes. Por isso é encontrada desde os pampas gaúchos até a caatinga nordestina. Fenômeno semelhante de ambientação ocorre com as aves, há tempo descrito por Dalgas Frisch, ornitólogo e escritor que primeiro estudou e divulgou o retorno dos pássaros a São Paulo.

É sabido que a devastação da natureza causa muitas tragédias, ameaçando de extinção os animais silvestres. Duas são as razões básicas: primeiro, a influência deletéria dos agentes contaminantes trazidos pela poluição, incluindo os agrotóxicos; segundo, a notória supressão dos hábitats naturais, que representam a moradia, e o almoço, da bicharada. O resultado aparece na lista dos animais ameaçados de extinção no Estado de São Paulo, que contém 436 espécies e subespécies, cerca de 17% do total de vertebrados conhecidos por aqui.

Atualizada em 2008, a listagem - elaborada sob a coordenação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo - trazia uma boa menção que, entretanto, permaneceu obscura na mídia. Tratava-se da preservação do mico-leão-preto, espécie de macaquinho existente apenas nos remanescentes paulistas da floresta atlântica entranhada lá no oeste, próximo do Rio Paraná. O encantador símio deixou de estar "criticamente em perigo" e, graças aos esforços de conservação, melhorou sua condição de sobrevivência para a categoria "em perigo". Quem quiser pode conferir lá no Parque Estadual Morro do Diabo, que, a despeito do nome feio, parece uma dádiva divina.

Outro dia, aguardando o embarque na balsa que leva à Ilhabela, fui saudado por um canário da terra, bem amarelinho, que, pousado na fiação elétrica, trinava alto seu canto. Desde minha meninice, vivenciada na Fazenda Santa Clementina, em Araras, eu me apaixono pelos passarinhos, com quem busco conversar em minha intimidade. Com eles primeiro aprendi que a natureza precisa e gosta de ser ajudada.

Muitas ações conservacionistas, bem executadas, reconstroem uma espécie de "segunda natureza", que, embora modificada, conduz a razoável harmonia entre a civilização e o meio ambiente. Os pássaros atestam isso. Pena que algumas espécies, mais delicadas, a exemplo do pintassilgo ou do curió, não sobrevivam nos jardins da Paulistânia. Que pena.

Manter espaços com florestas nativas ajuda a entender nossa origem. Soa impensável, porém, ao ser humano viver como no tempo das cavernas. Por outro lado, é insano imaginar que a supremacia, para não dizer arrogância, humana leve ao aniquilamento da biodiversidade. Há caminhos de convivência mútua.

Preste atenção ao canto dos pássaros. Misturados ao barulho urbano, eles rogam por simples gestos de generosidade. Quando, infelizmente, não disfarçam a sua tristeza aprisionados numa gaiola.

AGRÔNOMO, FOI SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO.

VINICIUS TORRES FREIRE

As guerras de Mantega e o G20
VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/1/11


Franceses têm posições semelhantes às do ministro a respeito de "coordenação" econômica mundial


OS FRANCESES parecem acreditar a sério que podem fazer alguma coisa em relação à confusão monetária e financeira mundial, velha de quase 40 anos, mas que se tornou mais intensa na década passada, chegou ao ponto da catástrofe em 2008 e desde então anda crítica.
A França agora ocupa a presidência do G20. Funcionários franceses falam a sério de "reforma do sistema monetário internacional", de um "acordo mundial a respeito de fluxos de capitais desestabilizadores" e na "regulamentação" dos mercados de commodities, que flutuam loucamente não apenas devido a ciclos de demanda "real" mas de manias financeiras também.
Comparado aos funcionários franceses, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixa de parecer, digamos, um otimista incorrigível ou voluntarista fantasioso, a depender do gosto do freguês.
Tal como Mantega, os franceses dizem que é necessário "reformar ou criar instituições" capazes de coordenar políticas econômicas e "limitar a desordem financeira" (fluxos de capitais alucinados e flutuações extremas das taxas de câmbio). Mas instituições que reflitam a "nova divisão do poder econômico" entre mundo desenvolvido e "emergentes". Dizem que esse é um acordo mais do que tácito entre União Europeia, Brasil, China e Índia.
Não haveria "guerra cambial" ou risco de "guerra comercial", como diz Mantega, nem a necessidade de acúmulos brutais de reservas em países emergentes se houvesse um acordo mundial que limitasse as variações excessivas de fluxos de capital, dizem os franceses.
Ainda neste mês, o governo francês deve anunciar as diretrizes de sua "proposta de acordo" global, para "relançar o G20". Na prática, o G20 teve alguma importância quando a crise de 2008 pegava fogo e todos os países, dos EUA à China, passando pelo Brasil, dispuseram-se a abafar diferenças em nome de um apelo publicitário à calma nas finanças do mundo. Desde então, o grupo e suas reuniões de cúpulas, como de hábito, são apenas um fórum no qual os países reafirmam civilizadamente suas diferenças e, no mais, EUA e China dão bananas diplomáticas aos apelos do resto do planeta.
No curto prazo, é certo que a "confusão monetária" mundial vai continuar. Ainda vai haver dinheiro "sobrando" no mundo até 2012, pelo menos, resultado de políticas monetárias frouxas nos EUA e Europa, além de deficit públicos ainda elevados nesses países. O dinheiro que sobra nesses lugares quase não encontra uso e/ou rentabilidade. Flui para os "emergentes", o que ajuda a provocar valorizações cambiais e/ ou excesso no crédito e na atividade econômica e, por fim, alguma inflação.
Americanos e europeus temem acabar com tais estímulos fiscais e monetários, pois tal atitude poderia provocar mais lentidão econômica ou mais estouros financeiros (como quebras de governos locais nos EUA, mais quebras de bancos e países na periferia europeia). Mas, em algum momento, os "mercados" vão se cansar do excesso. Os juros subirão. Haverá ainda confusão, mas então de sinal trocado: aperto monetário.
Enquanto isso, EUA e China aceitam as conversas sobre "coordenação econômica mundial" sem mexer um dedo nas suas políticas econômicas, que causam a descoordenação problemática e a confusão monetária mundial.

GOSTOSA

MARCO ANTONIO VILLA

Procura-se a oposição
MARCO ANTONIO VILLA

O GLOBO - 11/1/11

É rotineiro dizer que a propaganda é a alma do negócio. Na política, ela é ainda mais importante. No Brasil, a presidência Lula foi aquela que melhor compreendeu a necessidade de transformar qualquer ato do governo em propaganda. E mais: através da Secretaria de Comunicação Social, pagando entre mil e três mil reais mensais, obteve de 4.200 veículos de comunicação, quase todos no interior do país, apoio irrestrito ao governo. A veiculação da propaganda oficial foi o pretexto para a transferência dos recursos. Para os grandes centros, o caminho foi o "apoio cultural" a centenas de artistas através do Ministério da Cultura e, principalmente, dos bancos e empresas estatais (especialmente a Petrobras). Juntamente com os milhares de assessores incrustados na máquina estatal, a estrutura partidária do PT e, secundariamente, com o apoio dos outros partidos da base no Congresso Nacional, foi construída uma máquina de propaganda nunca vista no Brasil.

No passado tivemos o Departamento de Imprensa e Propaganda, durante o Estado Novo (1937-1945), ou a Assessoria Especial de Relações Públicas, notabilizada durante o governo Médici (1969-1974). Mesmo assim, havia uma oposição, tolerada ou não. Mas a Secom superou amplamente seus antecessores. Foi tão eficaz que até convenceu os opositores, que ficaram surpreendidos quando, no primeiro turno, 54% dos eleitores votaram contra o governo na eleição presidencial. Ou seja, a oposição estava mais convencida dos êxitos do governo do que os eleitores.

A euforia construída artificialmente pela propaganda dá a entender que vivemos uma expansão econômica em ritmo chinês. Entretanto, na média dos últimos 8 anos, o Brasil cresceu aproximadamente 1/3 do que a China, bem menos do que no quinquênio juscelinista (1956-1961) e menos ainda do que no "milagre econômico" (1968-1973). Se houve uma melhor distribuição de renda e enorme expansão do crédito, os indicadores sociais continuam muito ruins, e isto é o que mais importa.

Habilmente - mas extremamente nocivo para o futuro do país -, o governo fez uma opção preferencial: deixou de lado o enfrentamento dos graves problemas nacionais (que nem sempre redunda imediatamente em votos) e escolheu o distributivismo primitivo, das migalhas, para os setores mais pobres, deixando para o grande capital lucros nunca obtidos na história. Eleitoralmente foi um sucesso. Elegeu Dilma, uma desconhecida para a maioria dos seus eleitores 3 anos atrás.

Contudo, esta política não poderá ter vida longa. É produto de uma conjuntura econômica internacional favorável, da eficiência do setor primário (mas que em alguns setores já atingiu seu limite) e do aprofundamento de um modelo exportador que está desindustrializando o país. Destas combinações - e do oportunismo eleitoral do distributivismo primitivo - os grandes prejudicados serão o país e os mais pobres - que continuarão pobres ad aeternum. Sem a rápida melhora dos indicadores sociais, a situação de pobreza não vai ser alterada simplesmente pelos programas assistenciais. Somente políticas públicas que efetivamente enfrentem os péssimos indicadores de saúde, educação, habitação e saneamento básico é que poderão retirar milhões de brasileiros da miséria. Para isso é necessário haver ousadia, esforço, competência administrativa e um plano estratégico para o país, tudo que em oito anos Lula não fez - e que dificilmente Dilma fará.

O novo governo já nasceu velho. Administra o varejo. Faz a pequena política. Reforça o conservadorismo. Tem uma fórmula nefasta para vencer eleições. Deseja manter tudo como está. O importante é o poder. É através dele que é possível atender às burocracias partidárias, sindicais e das empresas estatais. Além de estabelecer uma aliança com o grande capital parasitário, lucrativa para ambos.

A oposição assiste a tudo calada. Nem sequer protesta. Está mais preocupada com possíveis candidatos para 2014, mas esqueceu de fazer política em 2011. Ela tem um compromisso histórico com o país. Deve romper com a inércia e não ficar assustada com a propaganda oficial. Deixar de lado - ao menos neste momento - os projetos personalistas. Não faltam bons quadros políticos. Pode elaborar um programa mínimo. Tem todas as condições para acompanhar as atividades do governo, denunciar e propor alternativas. Com uma base governamental ampla e sedenta de cargos, não faltarão oportunidades para explorar as contradições. A eleição do presidente da Câmara pode ser uma primeira oportunidade para a oposição começar a fazer política.

MARCO ANTONIO VILLA é historiador.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Preço de energia no mercado livre recua após chuvas
MARIA CRISTINA FRIAS

FOLHA DE SÃO PAULO - 11/1/11

O excesso de chuvas que marcou a última semana pressionou para baixo o preço da energia vendida no curto prazo entre grandes consumidores no mercado livre.
O PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que baliza todo o sistema, fechou em R$ 18,59/MWh na semana passada, segundo a CCEE (câmara de comercialização). A queda é de quase 70% ante a semana anterior.
O preço chega perto do piso estipulado para o ano pela CCEE, de R$ 12,08/MWh.
O mercado livre é formado por grandes indústrias que representam cerca de 25% do consumo no país.
A volatilidade que marcou o mercado no ano passado deve ser mantida em 2011, segundo Marcelo Parodi, da comercializadora Compass.
Ao longo de 2010, o PLD variou de cerca de R$ 12/ MWh a R$ 285/MWh em alguns submercados.
No fim do ano, recuou para baixo de R$ 100/MWh.
Como os reservatórios abriram o ano em níveis baixos, de cerca de 45%, uma única semana de chuvas copiosas impacta intensamente o PLD. Há um ano, os reservatórios tinham 70% de sua capacidade, diz Lúcio Reis, da Anace (associação de consumidores de energia).
"As incertezas se concentram mais no segundo semestre, pela dificuldade de prever as condições dos oceanos e seus efeitos atmosféricos", diz Parodi.
Com novas obras pelo país e o atual nível de chuvas, não há, porém, tendência de explosão no preço, afirma Paulo Pedrosa, presidente-executivo da Abrace (que reúne grandes consumidores).
"Mas a previsibilidade é baixa, pois o valor é muito vulnerável a variações", diz.

COQUETEL DE CAMARÃO
A Nutrimar, empresa cearense de frutos do mar e pescados, investe no aumento da produção e na distribuição dos produtos.
A companhia vai inaugurar até março dois centros de distribuição, um no Rio, que vai atender os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, e outro em Santa Catarina, para cobrir o Paraná e o Rio Grande do Sul.
"Vamos investir em tecnologia, em máquinas novas de embalagens e em frota especial própria para viabilizar a distribuição e a logística", diz Fabrício Ribeiro, sócio da Nutrimar.
Com investimentos que devem chegar a R$ 40 milhões neste ano, que incluem recursos próprios e financiamento do Banco do Nordeste, a empresa vai ampliar a produção de camarões, em 200 hectares de viveiros, para um total de 800 hectares.
"A produção vai aumentar em 40%, para 7.000 toneladas de camarões ao ano", diz Ribeiro.
A empresa acaba de lançar a rastreabilidade do camarão. "Com o código na etiqueta, é possível, no site da empresa, obter informações sobre a fazenda produtora, o técnico responsável, para quem foi vendido, qual foi a alimentação do animal, entre outras."
Até março, a Nutrimar vai lançar no mercado brasileiro o camarão orgânico, até então apenas exportado para Alemanha e Dubai. O orgânico não recebe ração, só alimentação natural, como algas e minicrustáceos.

Vinícolas e importadoras recebem 41 mi de selos de controle

A Receita Federal já entregou 40,9 milhões de unidades do selo de controle fiscal para as vinícolas brasileiras e empresas engarrafadoras e importadoras de vinho.
"Desde o dia 1º deste mês, todos os vinhos que saírem das vinícolas ou das importadoras precisam estar selados", diz o presidente da Uvibra (União Brasileira de Viticultura), Henrique Benedetti, membro do conselho deliberativo do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho).
O objetivo da medida, determinada pela Receita, é aumentar o controle no comércio, para evitar o contrabando e o descaminho.
O volume de selos distribuídos deve alcançar cerca de 250 milhões de unidades neste ano, segundo estimativa de Benedetti. Os atacadistas e varejistas têm prazo até 1º de janeiro de 2012 para comercializar, obrigatoriamente, vinhos com selos.
"Antes, ninguém sabia como identificar os vinhos contrabandeados, que somam mais de 15 milhões de litros ao ano no país. Agora, os produtos serão reconhecidos."
A implementação do selo não justifica aumento de preços, segundo Benedetti.
O valor da confecção do selo pode ser creditado do pagamento devido pelas empresas de PIS e Cofins.
O custo para as empresas é o da colocação, calculado em R$ 0,01 por garrafa.
"Não há justificativa plausível para o aumento de preço", diz Benedetti.

Comércio... A carteira de crédito do Banco do Brasil para micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo cresceu 85% no ano passado. Os financiamentos são voltados para exportação e importação.

...exterior As principais linhas utilizadas pelas companhias paulistas foram o ACC (Adiantamento sobre Contratos de Câmbio), o ACE (Adiantamento sobre Cambiais Entregues) e o Finimp (Financiamentos à Importação). Telona As cidades de São Caetano, Mauá e Cajamar, além de 34 comunidades carentes de São Paulo, receberão a partir de fevereiro o projeto "Cine na Rua". A iniciativa, do grupo H. Melillo, contará com o investimento de R$ 1,2 milhão da AES Eletropaulo.

Lotação máxima Os 3,5 milhões de pessoas que vão para o litoral paulista na alta temporada equivalem à ida à praia de todos os uruguaios ao mesmo tempo, afirma Gesner Oliveira, ex-presidente da Sabesp.

Pincel... Todos os segmentos da indústria de tintas devem registrar crescimento em 2011, segundo a Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas). A expectativa é que o setor registre alta da 6,7%, atingindo 1,45 bilhão de litros vendidos.

...e tinta O segmento imobiliário deve subir 7%. O automotivo original e o de repintura, 4% cada um. Em 2010, o crescimento das vendas foi de 10,3% e o volume vendido ficou em 1,359 bilhão de litros.

COMBUSTÍVEL ECONÔMICO EM SP
O preço do álcool e da gasolina vendidos no Estado de São Paulo durante o mês de dezembro foi o mais baixo do Brasil, de acordo com pesquisa do Ticket Car.
Os consumidores paulistas pagaram R$ 2,557 por litro de gasolina, ou R$ 0,21 abaixo da média nacional.
No caso do álcool, a diferença é ainda maior: R$ 0,37 por litro. O preço médio pago em São Paulo foi de R$ 1,641.
O Estado com o combustível mais caro foi o Acre, tanto a gasolina (R$ 3,054) como o álcool (R$ 2,363).
Mato Grosso foi o único local onde a gasolina ultrapassou a marca de R$ 3,00 por litro, além do Acre.
Em apenas oito Estados o álcool era mais econômico que a gasolina para o consumidor. Desses, só Bahia e Tocantins estão localizados nas regiões Norte e Nordeste.

Ponteiro... Após 22 anos em Miami, o presidente da LVMH Watch and Jewelery para Caribe e América Latina, Philippe Alluard, será o primeiro executivo na divisão Mediterrâneo e África.

...acertado O posto foi recém-criado em Madri. O sucessor de Alluard será Christian Weissbach, na TAG Heuer há 20 anos, com passagens pelas presidências da empresa na Europa e no Leste Asiático.


com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

10 DIAS

HÉLIO SCHWARTSMAN

Cruz credo
HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SÃO PAULO - 11/1/11


SÃO PAULO - Dilma Rousseff desceu do palanque e, ao que parece, se livrou da Bíblia e do crucifixo que adornavam seu gabinete. Fé é questão íntima e, se a mandatária não é religiosa, como sugere sua biografia, não há por que manter os adereços em seu escritório.
Passada a eleição e as tentativas de catequizar o processo político, é hora de voltar a discutir com serenidade os limites da separação entre Estado e igreja. Uma boa oportunidade para isso será o julgamento da Adin (ação direta de inconstitucionalidade) que o Ministério Público move contra o ensino religioso nas escolas públicas e, de quebra, contra a concordata com o Vaticano.
Na Adin, protocolada em agosto, a subprocuradora-geral Deborah Duprat sustenta que a única forma de conciliar o princípio constitucional da laicidade do Estado (art. 19) com a exigência das aulas de religião no ciclo fundamental (art. 210 da Carta e art. 33 da Lei de Diretrizes e Bases da educação) é vetando o ensino de caráter confessional e adotando uma abordagem histórico-antropológica. Todas as partes já se manifestaram, e o processo, que corre sob rito abreviado, está pronto para ser julgado.
Estou com Duprat, mas receio que o buraco seja mais embaixo. O ensino religioso às expensas do Estado é, até onde vai a lógica formal, sempre incompatível com o princípio da laicidade. É claro que a abordagem histórica é preferível à confessional, mas, vale lembrar, estamos falando de crianças de 6 a 15 anos. Desde 88, quando os constituintes, saldando seu dízimo para com a Igreja Católica, aprovaram o dispositivo, a ideia sempre foi doutrinar a garotada, não incutir-lhes noções de filosofia e antropologia -o que só seria feito com algum proveito a partir do ensino médio.
O melhor diagnóstico é o de Schopenhauer. Para ele, há na infância um período, entre os 6 e os 10 anos, durante o qual qualquer dogma bem inculcado, não importando quão extravagante ou absurdo, será mantido por toda a vida.

ANCELMO GÓIS

Fogueira das vaidades
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 11/1/11
A ministra Ana de Hollanda resolveu adiar a reunião que teria hoje com cineastas. O anúncio do encontro causou descontentamento em gente que se sentiu alijada.

Maestro...

Aliás, o maestro Wagner Tiso vai trabalhar com Ana. Cuidará do escritório do MinC no Rio.

Mato queimado
Num festival de reggae que sacudiu o Circo Voador, no Rio, no fim de semana, um funcionário da casa alertava à turma na fila de entrada para deixar o cigarro de maconha para outro dia. Dizia que estava “cheio de policiais à paisana lá dentro”. Teve gente que desistiu de entrar.

Passaporte vermelho
De Pelé, que, como os filhos de Lula, tem passaporte vermelho, em entrevista à “Contigo”:
— Prefiro usar o passaporte normal. Quando você usa o diplomático, tem de informar à embaixada, andar com seguranças. Então, é uma burocracia muito demorada.

Rio de brinquedo
A Toys’R’us, maior rede de lojas de brinquedos dos EUA, começa a vender em abril a linha do filme “Rio”, animação em 3D com a cidade como cenário.

Verão do leque

O principal acessório usado pelas mulheres ontem nos desfiles do Fashion Rio, na Marina da Glória, foi o... leque. Nove em cada dez moças usavam um. O que mais se ouvia era: “De onde é o seu?”

O fator Totó
A revelação, no capítulo de sexta, de que Totó (Tony Ramos) está vivo fez o site da novela “Passione” bater um recorde na TV Globo.
Foram 3 milhões de visitas, melhor resultado na internet de uma novela da emissora.

Pires na mão

A notícia de que o novo governo potiguar enfrenta sérios problemas de caixa preocupa o Comitê Organizador da Copa de 2014. O projeto de Natal, como o de São Paulo, atrasou. As obras já começaram em quase todos estados. Mas a licitação do estádio de Natal será dia 15 de fevereiro.

Segue...

A governadora Rosalba Ciarlini, que deve pedir ajuda a Dilma para sanear as finanças do estado, sondou, logo depois de eleita, a possibilidade de mudar o local do novo estádio.
Mas, a esta altura do campeonato, a Fifa não quer saber deste tipo de mudança.

‘Beautiful game’

O americano Spike Lee, que dirigiu no Brasil, em 1996, um clipe de Michael Jackson, pretende produzir no Rio o filmem“The beautiful game”, sobre futebol, para ser lançado no mundo antes da Copa de 2014.

O diretor pode ser brasileiro.
Começa hoje, no “RJ TV 1”, da TV Globo, a série “Artistas do espetáculo”, de Aydano André Motta, da turma da coluna.
Eliane Costa apresentou na FGV CPDoc a dissertação “Com quantos gi gabytes se faz uma jangada um barco que veleje”, sobre a gestão Gil no MinC diante das tecnologias digitais.

Maria Berbara lança “Renascimento Italiano: ensaios e traduções”, amanhã, às 19h, no Parque Lage.

A designer Andréa Drummond vai expor suas joias no Fashion Business.

Ci.Bistrot, no Leblon, está com cardápio de verão e café da manhã.

Hilton Abi-Rhian dirige o show “Pra todo mundo cantar!”, com Marcos Moran, no Bar Cariocando, amanhã.

Pega ladrão!

Sábado passado, bandidos cortaram a cerca elétrica do prédio 990 da Av. Prefeito Mendes de Moraes, em São Conrado,
no Rio, e invadiram o apartamento de Daniela Maia, filha de Cesar Maia, no 1º andar. Daniela não estava. Mas furtaram objetos.

Última homenagem

Amigos de Bernardo Collares, o montanhista que morreu quando escalava um monte na Patagônia, vão homenageálo
sábado agora, no Rio. A ideia é escalarem, ao mesmo tempo, o Pão de Açúcar, o Morro da Urca e o Morro da Babilônia, a partir das 7h. Depois, todos se reunirão na pracinha da Urca, às 15h.

Morar bem
O terreno onde ficava o centro gastronômico Loft, na Barra, no Rio, dará lugar a uma unidade do Ibmec.
Bom apetite
O Galeria Gourmet da Barra vai sair do Downtown. Procura outro espaço na região.

Estreia pelo Rio
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) almoça quinta com Cabral. Na pauta, UPPs.

Engarrafou o palco
A atriz Márcia Cabrita teve de improvisar, domingo, por quase uma hora para segurar a plateia da peça “Tango, bolero e cha cha cha”, no Teatro Clara Nunes.

Falou até da... perda “tardia” da virgindade, aos 20 anos. Tudo por causa do atraso do ator Miguel Rômulo, que estava
preso no trânsito, vindo da Barra.

GOSTOSA

RODRIGO CONSTANTINO

Para derrotar as máfias sindicais
RODRIGO CONSTANTINO

O GLOBO - 11/01/11

A informalidade é o ar rarefeito que indivíduos e empresas precisam respirar devido à asfixia causada pela hipertrofia estatal. Com tantos encargos incidindo sobre a folha de pagamento das empresas, dobrando o custo efetivo do trabalhador em relação ao seu salário, ninguém deveria estranhar o fato de que metade dos empregos está na ilegalidade no país. As tais "conquistas trabalhistas" celebradas pelos sindicatos representam, na prática, um problema grave para a competitividade nacional e, por conseguinte, para os próprios trabalhadores.

Em uma economia dinâmica, as empresas terão total interesse em pagar salários atrelados à produtividade do trabalhador. Caso isso não ocorra, o concorrente sempre poderá pagar um pouco mais e ainda assim obter bons lucros com a contratação do empregado. A melhor garantia de bons salários, portanto, não está na caneta mágica do governo, mas na elevada produtividade do trabalho e na livre concorrência entre empregadores. Trabalhadores de países com tais características possuem qualidade de vida bem melhor que a dos brasileiros, mesmo com nossas inúmeras regalias legais.

A enorme quantidade de direitos trabalhistas no Brasil nos remete àquela piada do sujeito que pede para a pizza ser cortada em vários pedaços, pois está com muita fome. A quantidade de pizza não aumenta, mas a sensação de que há mais comida disponível pode gerar uma doce ilusão no faminto. Da mesma forma, a quantidade de dinheiro que o empregador está disposto a pagar ao empregado não muda após tantos encargos, tais como férias e licenças remuneradas, 13º salário, vales para transporte e alimentação, contribuição para o Sistema S, FGTS e INSS.

O único efeito prático é que o salário será dividido em mais partes para abrigar todos estes direitos, com o agravante de que o empregado agora dispõe de menor grau de liberdade para escolher como gastar seu dinheiro. Outro efeito nefasto é que os trabalhadores com menor produtividade acabam sem emprego formal, tendo que buscar refúgio justamente na ilegalidade e ficando, portanto, sem nenhum dos direitos trabalhistas.

O austríaco Hayek, vencedor do Prêmio Nobel de economia, chegou a afirmar que "o poder sindical é essencialmente o poder de privar alguém de trabalhar pelos salários que estaria disposto a aceitar". O economista francês Guy Sorman também percebeu que muitas das conquistas sindicais não passavam de uma reserva de mercado para os já empregados e sindicalizados. Ele escreveu: "Os sindicatos só protegem os associados, que constituem sua clientela principal, não os desempregados, que não militam e nem são contribuintes."

Quando se entende melhor esta lógica econômica, fica claro por que deve ser aplaudida a meta da presidente Dilma de desonerar a folha de pagamento das empresas, reduzindo assim o custo do setor produtivo. Não há mágica quando se trata de melhorar a competitividade das empresas brasileiras: seus encargos devem ser reduzidos, e a produtividade do trabalho deve aumentar. Isso só será possível com melhor educação e treinamento técnico, não com decretos estatais. Foi o caminho que países como Chile e Coreia do Sul trilharam, com evidente sucesso. A alternativa é continuar sonhando com fantasias, acreditando que haverá mais comida se a pizza for cortada em mais pedaços.

A necessária reforma trabalhista esbarra, porém, em obstáculos criados pelos antigos aliados do partido da presidente. Os poderosos sindicatos, afinal, sempre fizeram parte do quadro de apoio do PT. Além disso, há a questão fiscal, pois os menores encargos podem significar menor receita tributária no primeiro momento, até que a base ampliada de trabalhadores formais compense a redução dos encargos. Para viabilizar a reforma, o governo deve adotar um programa de austeridade fiscal, reduzindo seus gastos de forma significativa. Economicamente, isso faz todo sentido, até porque houve grande inchaço da máquina estatal durante o governo Lula. Politicamente é que a coisa complica mais.

O governo Lula se mostrou totalmente incapaz de realizar a reforma trabalhista durante seus oito anos de mandato. O modelo sindical concebido ainda na era Vargas seguiu praticamente intocado. É chegada a hora de a presidente mostrar se fala realmente sério quando diz que pretende reduzir os encargos trabalhistas. Pelo bem da nossa competitividade econômica e, portanto, dos próprios trabalhadores, espera-se que seu governo consiga levar adiante este desafio. Seria uma derrota das máfias sindicais, mas uma vitória de todo o país.

RODRIGO CONSTANTINO é economista.

CLÁUDIO HUMBERTO

“A tecnologia dos nossos caças é melhor que as outras”
SENADOR REPUBLICANO JOHN MCCAIN, QUE VEIO AO BRASIL FAZER LOBBY PELO CAÇAS F-18

MRE NEGA PASSAPORTE DIPLOMÁTICO A SERVIDORES 
Passaportes diplomáticos concedidos a um filho, a um neto e a um enteado de Lula, como sinal da adulação mórbida do ex-chanceler Celso Amorim, são documentos negados a assistentes de chancelaria das embaixadas brasileiras. Servidores de carreira do Ministério das Relações Exteriores (MRE), eles servem inclusive em países de grande risco e instabilidade, mas sem a proteção do passaporte diplomático.

INTERESSE NACIONAL 
Para dar passaporte diplomático a assistentes de chancelaria, o MRE poderia alegar “interesse nacional”, como no caso dos filhos de Lula.

PROVISÓRIO 
O passaporte diplomático é de propriedade do governo e os servidores seriam obrigados a devolvê-lo ao concluírem o serviço no exterior.

PRAZO DE VALIDADE 
Filhos de diplomatas perdem direito a passaporte diplomático aos 24 anos de idade. O enteado de Lula, Marcos Cláudio, tem 39. O filho, 25.

BRIGA POR CARGOS 
O governador Marcelo Deda (PT) quer o presidente do Banco de Sergipe, Saumínio Nascimento, na presidência do Banco do Nordeste.

ROSSO QUERIA CULPAR AGNELO PELO MATAGAL NO DF 
O novo governo do DF descobriu um documento revelador do ex-governador Rogério Rosso, de 29 de outubro (último dia útil antes do segundo turno), quando já era dada como certa a derrota de sua candidata Weslian Roriz: no ofício, ele dispensou empresas que faziam poda de árvores e corte de grama. A idéia seria atribuir o aspecto maltratado de Brasília ao “desleixo” do governo Agnelo Queiroz (PT). 

O IMPONDERÁVEL 
Faltou combinar com as chuvas: foram tão intensas, em novembro e dezembro, que anteciparam o matagal que invadiu as ruas do DF.

COMEÇO DO CAOS 
Confirmada a eleição de Agnelo Queiroz para governador, o ofício de Rosso chegou às empresas em 2 de novembro, inaugurando o caos.

ALEGAÇÃO INVERÍDICA 
No ofício suspendendo os contratos para poda de árvores e corte de grama em todo DF, Rosso alegou uma lorota: “Falta de recursos”. 

PACTO NA CÂMARA 
Sandro Mabel (PR-GO) propôs ao deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) um pacto: quem perder a disputa para presidir a Câmara, apóia o outro. Para o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), uma aliança entre Mabel e Rebelo abriria as portas do inferno.

MADAME TEM SUAS MANIAS 
Que se cuidem os servidores do Senado responsáveis pelas viagens de suas excelências: Marta Suplicy (PT-SP) só viaja na primeira fila, reservada a cadeirantes, idosos e crianças desacompanhadas.

QUEM MANDA 
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) fez do chefe de gabinete Genildo Albuquerque, secretário de Comunicação Eletrônica. Advogado, entende de rádio e tevê tanto quanto de física nuclear:
nada. 

TOLA PROPOSTA 
José Eduardo Cardozo (Justiça) quer “discutir” a descriminalização do uso de drogas – hipocrisia que autoriza (e estimula) o consumo e proíbe a venda. Adoram essa tese os tolos, os viciados e os ex-usuários, que tentam justificar a opção consciente que fizeram do mundo das drogas.

GRUDADOS AO CARGO 
Nem só Lula tem dificuldades de largar a rapadura. No dia da posse de Dilma, o megalonanico ex-chanceler Celso Amorim se incluiu na fila de autoridades que receberam cumprimentos dos dignitários estrangeiros.

TRIVIAL SIMPLES 
Não foi a primeira, nem será a última: na recente nevasca europeia, passageiros de avião da TAM, impedido de pousar em Paris, foram humilhados no aeroporto de Madri, Espanha. E o Itamaraty, ó...

MAMMA MIA 
O enteado de Lula, Marcos Cláudio, 39, anunciou, raivoso, que vai devolver o passaporte diplomático e o comum, que “não viu nem usou”. Foi o último a saber: culpa da incansável mamma Marisa Letícia...

E NÓS PAGAMOS 
Foi de Nelson Jobim (Defesa) a ideia de nos fazer pagar as férias da família Lula na praia particular, no forte do Exército no Guarujá. Em retribuição à insistência de Lula, junto a Dilma, para mantê-lo no cargo.

PENSANDO BEM... 
Passaporte diplomático virou carteirinha de estudante.... 

PODER SEM PUDOR
A CALVA AVANÇA 
A bronca do deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) ocorreu logo após a derrota tucana na disputa presidencial de 2002, mas permanece atual. Para ele, o ex-governador paulista José Serra não é mesmo do ramo:
– Serra pensa que foi eleito presidente. Se ele não aprender a fazer política, vai perder o resto dos cabelos que tem.

INFLAÇÃO

TERÇA NOS JORNAIS

Globo: Governo propõe fim de prisão para pequenos traficantes

Folha: Governo de SP vai tentar negociar a Cesp com Dilma

Estadão: Procura por crédito bate recorde, mas deve cair

JB: Distância para punir

Correio: HBDF recebe ajuda extra de R$ 3 milhões

Valor: Poucas ações dão dividendo maior que a poupança

Estado de Minas: Parques de BH ganham R$ 50 milhões para a Copa

Jornal do Commercio: Rua do Hospício livre da bagunça

Zero Hora: Emergência pela estiagem se alastra na Metade Sul do RS