segunda-feira, setembro 06, 2010

ANCELMO GÓIS

Vigia de praia
ANCELMO GÓIS

O GLOBO - 06/09/10 

Lula, na última viagem a Recife, brincou com o governador Eduardo Campos, que deve continuar morando nos próximos quatro anos no Palácio Campo das Princesas: — Será que você não me arranjaria um emprego, depois que eu sair do governo, de vigia de tubarão na Praia de Boa Viagem? 

Mas... 

Lula não faz o tipo de quem vai ficar quieto, curtindo o sol debaixo do coqueiro, a partir de janeiro. 

Dia seguinte 

Aliás, o clima no Palácio do Planalto, atualmente, é de quem fala de igual para igual com Deus. Um ministro palaciano foi taxativo: — Uma coisa é certa quando Lula deixar a presidência: o preço de uma palestra dele será, pelo menos, o dobro do que cobra FH. 

Os valores... 

No olimpo fala-se em algo entre US$ 100 mil e US$ 150 mil por palestra. 

Mas se ganhar um Nobel da Paz, explicou esse ministro, o valor vai crescer. 

É. Pode ser. 

Tá podendo 

Dilma Rousseff também não aceitou convite para participar de um debate na OAB. 

Caso médico 

José Mariano Beltrame, o secretário de Segurança do Rio, coleciona três hérnias na coluna. 

Grande estreia 

A estimativa é de que o filme “Nosso Lar”, inspirado no livro de Chico Xavier, tenha atraído no seu primeiro fim de semana uns 550 mil espectadores. 

Duas vezes e meia o público que assistiu a “Lula, o filho do Brasil” na estreia. 

Cadeirinha já! 

Para quem acha bobagem a lei da cadeirinha para meninos e meninas (eu apoio), nos carros brasileiros. 

Segundo números do DPVAT (o seguro do trânsito), no primeiro semestre de 2010, acidentes com crianças de até 10 anos geraram 450 indenizações. 

Segue... 

Os pequenos morreram ou ficaram inválidos em acidentes de trânsito no país. 

O especialista 

De um vendedor outro dia na Feira do Paraguai, em Brasília, a uma mulher que relutava, por causa do preço, em comprar uma câmera: — Você não pode economizar na máquina, ainda mais com essa bolsa legítima Louis Vuitton. 

E então... 

A moça perguntou como ele sabia que a bolsa dela não era pirata. Ele mostrou reportagem na qual aparece como fornecedor de bolsas piratas das dondocas de Brasília, e sentenciou: — De pirataria eu entendo. 

Faz sentido. 

Grande família 

Quarta agora, na Travessa de Ipanema, será lançado o livro “5XFavela, agora por nós mesmos”. 

Editado pela Cobogó, de Isabel Diegues e Márcia Fortes, o livro reproduz cenas do filme, fotos de trabalho, troca de e-mails entre os realizadores, etc. 

Rapidinho 

O Ministério Público diz que a PF entregou à Justiça, um dia depois de prender oito pessoas por contrabando e sonegação, o relatório do inquérito sem depoimentos dos detidos e sem comunicar ao próprio MP. 

O procurador José Maria Panoeiro determinou que a Federal ouça todos os presos e analise o material antes de concluir o inquérito. 

Diário de Justiça 

O TJ do Rio negou o mandado de segurança impetrado pelo ex-fiscal de renda Roberto Ottati, acusado de participar de esquema de facilitação de entrada de combustível no Rio. 

Em sua casa policiais apreenderam dois sacos com R$ 400 mil em espécie. 

Não é só maravilha 

A área da Saúde, incluindo a Rua do Livramento, onde vai ser a sede do Comitê Organizador Rio 2016, está mal cuidada. 

Há muito lixo nas ruas. 

Queda do muro 

O projeto de construção de um centro comercial na área do Jockey Club prevê a derrubada daquele muro horroroso na Rua Jardim Botânico, que seria substituído por uma grade. 

Legal. Mas até lá, que tal uma mão de tinta no feioso? 

ZONA FRANCA 

> A designer Ana França foi responsável pelos cartazes dos filmes “Nosso Lar” e “Chico Xavier”. 

> Sergio da Costa e Silva é o organizador das apresentações em Portugal e Espanha dos músicos Pablo Lapidusa, Leo Gandelman e Maria Teresa Madeira. 

> A Comissão de Direito Constitucional do IAB debaterá na quarta-feira a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, examinando o parecer do exministro do STF Célio Borja. 

ENQUANTO A UPP não chega à Rocinha, outras boas notícias beneficiam a comunidade. A Secretaria estadual de Obras conclui agora em novembro as obras de reurbanização da Rua 4. Veja, nas imagens, como ficará a antiga viela com 60 centímetros de largura, agora transformada num novo caminho, de até 12 metros de largura, com status de símbolo da ordem. A nova Rua 4 servirá como alternativa à Estrada da Gávea, hoje asfixiada num caos de gente, carros e motos. Começará na altura do número 427 da Estrada da Gávea, no meio da comunidade, até a Lagoa-Barra, próximo ao Túnel Zuzu Angel, numa extensão de 650 metros. A mais famosa favela carioca merece a melhoria — além de paz, muita paz 

MAITÊ PROENÇA, a linda atriz que brilha como a Stela de “Passione”, brinca de saxofonista durante um show de jazz, no Astoria, no Leblon 

JULIANA PAES, musa grávida da coluna, posa com Alice Braga, na participação especial que gravou para o “Superbonita transforma” que vai ao ar dia 17no GNT 

PONTO FINAL 

Sobre fraudes na Receita, Mantega diz que 'vazamentos sempre ocorreram' 

Será que o ministro aderiu ao “Ilegal, e daí?” Tomara que não. Com todo o respeito. 

SERRA PRESIDENTE

CLAUDIO SALM

O lulismo é um produtivismo
CLAUDIO SALM
O GLOBO - 06/09/10


O produtivismo designa a exaltação da produção pela produção. Não tem compromissos com a promoção da cidadania nem com a preservação do meio ambiente. Costumase associar o produtivismo ao capitalismo que, na falta de resistências, subordina tudo aos interesses mercantis, ao lucro. No entanto, o produtivismo marcou também o stalinismo. Na década de 1930, Stalin consagrou o sthakanovismo como a forma ideal de organizar o trabalho na URSS, forma essa que nada mais era que o taylorismo com emulação patriótica. A experiência soviética, como se sabe, foi uma história de desastres ecológicos em nome da produção.

Em recente visita ao Brasil, Daniel Cohn-Bendit rotulou o lulismo de "ideologia produtivista". Nada melhor que a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte para ilustrar o ponto. A concepção do projeto bate de frente com a nossa melhor tradição no planejamento do setor energético. Líderes como Getúlio Vargas, Lucas Nogueira Garcez e Juscelino Kubitschek sempre privilegiaram o cuidado com as bacias hidrográficas, fator desconsiderado no caso de Belo Monte que, entre outros estragos irreversíveis, irá secar a Volta Grande do Xingu na região de Altamira.

Só não dá para dizer que nunca antes na história deste país o meio ambiente foi tão agredido, porque os erros cometidos pelo regime militar, como a hidrelétrica de Balbina, também foram enormes. Apesar da importância que adquiriu a consciência ecológica, o mesmo modelo serve hoje de inspiração para a ocupação econômica da Amazônia. Nada justifica o crime ambiental e social de Belo Monte. Irá favorecer os suspeitos de sempre, bem como as mineradoras, que serão as maiores consumidoras da energia subsidiada. Ninguém pode ser contra maior aproveitamento do imenso potencial hidrelétrico da Amazônia. Mas não se pode desconhecer que existem alternativas mais econômicas e menos devastadoras para a produção de energia elétrica nas bacias amazônicas.

Engenheiros da maior competência que detêm esses conhecimentos não são ouvidos. Como não foram ouvidos, no caso de Belo Monte, os ambientalistas e as populações que serão diretamente atingidas. Lula, quando esteve em Altamira, recusouse a recebê-los e as audiências públicas não passaram de uma farsa, contrariando a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário.

Aos que se opõem à obra só resta assistir ao processo autoritário que nos empurra Belo Monte goela abaixo.

Autoritarismo? Não é assim, diriam os representantes das grandes empreiteiras. Afinal, o principal instrumento institucional para a construção da usina de Belo Monte é um Decreto Legislativo do Senado (No788, de 2005), quando seu presidente era Renan Calheiros.

Encontramos evidências da ideologia produtivista até mesmo nas políticas sociais. O gasto público social vem aumentando no Brasil, como em toda a América Latina, desde o início dessa década, o que é bom.

Tais gastos deveriam ser avaliados pelos benefícios sociais que podem provocar. O que vemos, porém, é a ênfase dada aos impactos positivos do gasto social sobre a economia, um keynesianismo vulgar e conceitualmente equivocado, lugar comum no discurso sindicalista em épocas de dissídio coletivo.

Ora, que o maior gasto - público ou privado, social ou qualquer outro - ajuda a estimular uma economia em recessão é hoje uma banalidade.

Desse ponto de vista, jogar dinheiro de um helicóptero sobre comunidades carentes teria o mesmo efeito, ou até maior, com menores custos administrativos.

O argumento serviria, no máximo, para defender a expansão dos gastos correntes do governo diante das advertências dos que se preocupam com as contas públicas e com o crescente déficit nas contas externas. Não vemos um debate sério a respeito, mas a tentativa de desqualificar os que chamam a atenção para as tendências, tachados de fiscalistas e de estagnacionistas, no propósito de vender a ideia de "novo modelo de desenvolvimento".

Importante, mesmo, seria saber em que medida o maior gasto social contribuiu para melhorar a educação, a segurança, o atendimento à saúde. A candidata oficial à presidência repete como um mantra: "Nós levamos 31 milhões à classe média (sic)." Sendo assim, para quê se preocupar com as filas do SUS ou com a qualidade da escola pública? A nova classe média poderá agora comprar planinhos de saúde e matricular seus filhos na escola privada.

O líder revolucionário de 1968 tem razão, o PIB subiu à cabeça dos nossos governantes.




economista Cláudio Salm, do Instituto de Economia da UFRJ

MANIPULADA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Com eleição, mão de obra perde ritmo na construção pesada 
Maria Cristina Frias
Folha de S.Paulo - 06/09/2010

A chegada das eleições desacelerou o ritmo de contratação de mão de obra para a construção de grandes projetos nos últimos meses.
Em julho, pelo quarto mês consecutivo, o nível de emprego na construção pesada registrou queda no Estado de São Paulo. As empresas do setor contabilizaram 81.566 empregados no mês.
Desde março, já foram demitidos mais de 4.000 trabalhadores, segundo levantamento realizado pelo Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo).
Com a proximidade do período eleitoral, o andamento das obras costuma ser acelerado para que os empreendimentos sejam inaugurados antes do início da propaganda dos candidatos.
A liberação de um novo lote de licitações, porém, já é esperada pelo mercado.
"As quedas foram registradas em virtude do término de muitas obras, como as do Rodoanel. As nossas expectativas, no entanto, são de que o nível de emprego voltará a subir com novas licitações que devem chegar nas próximas semanas", afirma o presidente do Sinicesp, Marlus Renato Dall'Stella.
Na comparação com julho de 2009, ano que teve queda devido a reflexos da crise internacional, a diferença neste ano é de apenas 1.363 trabalhadores a mais.

Equação Os ativos da carteira da indústria de previdência privada aberta atingiram R$ 201 bilhões em julho, alta de 22,15% ante julho de 2009, segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida). A entidade promove, nos dias 15 e 16, um fórum nacional, em SP.

Reforma... O Conselho Diretor da Interfarma (da indústria de pesquisa) aprovou a revisão de seu estatuto para abrir a entidade a outros segmentos voltados à pesquisa em saúde humana.

...na pesquisa Agora podem fazer parte da Interfarma empresas e pesquisadores nacionais, universidades, pessoas físicas, entre outros.

MADEIRA TROPICAL

A paulista IndusParquet, fabricante de pisos de madeira maciça, acaba de abrir um centro de distribuição em Miami para atender o mercado norte-americano.
Desde 1990, a empresa vinha fornecendo pisos para o país, mas por meio de representantes. "Apesar da turbulência no mercado norte-americano, enxergamos uma rápida recuperação econômica no nosso segmento", afirma Dimas Gonçalves, CEO da empresa.
O centro de distribuição recebeu investimento inicial de US$ 10 milhões.
A companhia possui 12 distribuidores no país, que atendem 5.000 pontos de venda. "No primeiro ano, a meta é vender 40 mil m2 de piso por mês. Em julho de 2012, devemos recuperar o nível pré-crise, que era de 100 mil m2", diz Gonçalves.
O mercado interno de pisos também está aquecido, puxado pelos lançamentos imobiliários. "Nos próximos 36 meses, ainda devemos ter uma demanda muito forte, principalmente em São Paulo, Rio e Porto Alegre."

TELA ESPELHADA

A alemã Ad Notam, que produz TV em espelhos, chega ao Brasil.
O empresário Celso Bruschi, representante exclusivo da companhia no país e na América do Sul, trouxe o sistema "Magic Mirror".
"A tela da TV tem 1,8 cm de espessura. À prova de umidade, pode ser usada em sauna, banheiro e barco", explica Bruschi.
Os modelos vão de sete a 82 polegadas, que custam R$ 6.290 e R$ 311 mil, respectivamente.
"O grande diferencial é que não é uma simples TV, é um objeto de arte, com design exclusivo. Pode ser uma parede inteira de espelho com uma TV em um canto, por exemplo."
O empresário já fechou negócios com redes moveleiras, que estão inserindo o produto nas suas linhas.
Fora do Brasil, o primeiro negócio será no Uruguai. "Vamos colocar 116 aparelhos no Hotel Casino Carrasco", afirma Bruschi.

Mercado interno impulsiona indústria de alimentos

As vendas das indústrias da alimentação no Brasil apresentaram crescimento de 5,97% no acumulado de 12 meses até julho, de acordo com pesquisa da Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação).
O aumento está baseado no mercado interno, puxado pelo segmento de supermercados, que representa cerca de 78% do setor, segundo Denis Ribeiro, diretor da associação. Os estabelecimentos de "food service" (alimentação fora de casa) complementam a demanda.
O número de empregos também aumentou no período, com alta de 2,41%, e o salário médio real teve alta de 1,22% nos 12 meses.
O problema, diz Ribeiro, é o mercado externo, que segue desacelerado, embora esteja melhor que em 2009.
"A exportação está devagar e o real valorizado dificulta a manutenção de contratos", afirma Ribeiro.

RENATO LESSA

As cotas na UFRJ
RENATO LESSA
O GLOBO - 06/09/10


O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em decisão de há poucos dias, aprovou a adoção de cotas sociais para a definição de vagas para ingresso de novos estudantes.

O critério social contempla estudantes matriculados na rede pública e provenientes de famílias de baixa renda.

Trata-se de uma combinação entre experiência escolar e renda como critérios compensadores de desvantagens presentes na estrutura da sociedade.

A decisão da UFRJ - defendida abertamente pelo reitor Aloísio Teixeira - impõe-se como alternativa à adoção de cotas raciais. Nessa orientação, a UFRJ soma-se à USP no que diz respeito à criação de sistemas alternativos de acesso à vida universitária, que não se rendem ao racialismo em curso.

Pelo desenho adotado pela UFRJ, parte das vagas para ingresso na universidade será atribuída a estudantes pobres e egressos do sistema de ensino secundário público. A política em vigor na USP tem características distintas, porém parte do mesmo fundamento, qual seja o de privilegiar dimensões sociais e não marcas "étnicas" ou "raciais".

O Inclusp - sigla que designa o programa da USP - confere a alunos provenientes de escolas públicas um acréscimo de 3% na nota do exame de vestibular. O modelo uspiano não considera renda ou "raça", pois parte da premissa de bom senso que há forte concentração de estudantes pobres e negros no ensino público secundário.

Tanto que as avaliações feitas a respeito do programa reconhecem o aumento no número de negros e índios entre os novos estudantes, a despeito da não consideração desses aspectos na definição da política de inclusão.

O critério adotado pela UFRJ combina de forma engenhosa dois marcadores importantes: origem da escolaridade e renda. Ambos terão como efeito uma vigorosa entrada de estudantes negros e pardos na vida universitária, a despeito da não consideração explícita desse critério. Vejamos: segundo os dados da PNAD de 2007, entre os estudantes pobres do ensino médio, com renda familiar abaixo de 1,5 salário mínimo, cerca de 56% são negros ou pardos, e 44%, brancos. Ignoro qual o corte de renda a ser adotado pela UFRJ, mas é de se imaginar que uma política de inclusão que se oriente por critério de renda terá como efeito a maior inclusão do segmento mais excluído. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à origem da escolaridade. Esmagadora maioria dos estudantes pobres está na rede pública de ensino (92%). Logo, o foco na rede pública beneficiará inequivocamente os estudantes pobres. Se considerarmos variáveis de "raça", teremos que 95% dos estudantes pobres negros e respectivamente 94% e 86,6% dos seus equivalentes pardos e brancos estão na rede pública. Dada maior presença dos negros e pardos no contingente da pobreza, é imperativo concluir que a maior parte dos estudantes pobres da rede pública é negra e parda. Se a origem escolar na rede pública for considerada, por simples ilação lógica, os estudantes negros, que são a maior parte dos estudantes pobres, serão o principal contingente incluído.

Duas questões mais gerais devem ser consideradas a partir do importante gesto de democratização de acesso produzido pela UFRJ.

Parece ser indisputado o fato de que uma política que inclua pobres - negros e brancos - é dotada de critério de justiça mais robusto e abrangente do que outra que inclua apenas negros, pobres e não pobres. O contingente prioritário pretendido pelo segundo recorte é coberto, com vantagens, pelo primeiro critério, que aos negros pobres acrescenta os brancos pobres. Em nome de que reduzir o alcance da inclusão a definições "raciais"? O vastíssimo contingente da destituição social de pele clara não merece reparações? E este é um ponto fundamental, critérios raciais e critérios sociais não são variantes de um mesmo vetor, voltado para generosa inclusão dos barrados estruturais da sociedade brasileira. Há uma distinção fundamental. O corte social associado à pobreza designa um contingente móvel: trata-se de aplicar critérios de justiça que impliquem a sua erradicação. Em outros termos, a ideia é a de incluir pobres para que eles deixem sua condição originária. O critério "raça", ao contrário, é fixo. Trata-se aqui de incluir para reconhecer uma diferença permanente e, por essa via, de reinventar a história do país como constituída por inapelável "luta de raças".

RENATO LESSA: Cientista Político

GOSTOSA

SÉRGIO TAMER

Tiririca da Silva
SÉRGIO TAMER
F0LHA DE SÃO PAULO - 06/09/10

O impacto da repercussão da candidatura de Tiririca, com seu poder de comunicação, surpreendeu os conservadores e provocou reacionários


O partido que propõe "uma sociedade livre, pluralista e participativa", conforme consta do programa do PR (Partido da República) em seu primeiro parágrafo, não pode se apresentar como a legenda das restrições prévias para o reconhecimento da legitimidade de uma candidatura à representação popular.
A rigor, nos parece contraditório que alguém se apresente como democrata enquanto questiona a legitimidade da candidatura de qualquer cidadão em dia com suas obrigações e no gozo dos seus direitos civis. Alheias aos costumes de regime democrático, algumas opiniões sobre o conteúdo da propaganda política de televisão confessam saudades da chamada Lei Falcão.
Aparentemente insatisfeitos, os falsos democratas esperavam que os republicanos amordaçassem candidatos ou censurassem suas formas de expressão e conteúdos.
Felizmente, este não é e não será o papel de um partido como o PR. O Partido da República não partilhará do pensamento ressentido que orienta as viúvas do totalitarismo de direita ou de esquerda.
Não há constrangimentos ou subterfúgios para falar do pluralismo que praticamos em nossas listas de candidatos por todo o país. Defendemos, sem exceção, a legitimidade de todas as candidaturas do nosso partido.
A candidatura do artista Francisco Everaldo Oliveira da Silva, o Tiririca, é um símbolo do pluralismo praticado pelo Partido da República. Repentinamente, sem que houvesse qualquer pirotecnia ou preparação prévia, Tiririca e a espontaneidade de sua mensagem conquistaram as atenções na democrática internet brasileira.
O impacto da repercussão da candidatura de Tiririca, com seu poder de comunicação com o povo, surpreendeu conservadores e provocou reacionários adormecidos.
Aceitamos todos os questionamentos e, por vocação democrática, respeitamos inclusive as manifestações injuriosas. Sobretudo depois que o STF (
Supremo Tribunal Federal) reafirmou o compromisso da Constituição brasileira com a ampla liberdade de expressão.
O candidato Francisco Everaldo Oliveira Tiririca da Silva representa um relevante segmento entre os brasileiros. Ele tem todo o direito de se apresentar para o eleitorado da forma que o eleitorado o conhece.
Caso contrário, os candidatos cantores não poderiam cantar, os que usam chapéu teriam de mostrar os cabelos e os médicos estariam proibidos de aparecer na televisão em roupas brancas.
Tiririca é livre para escolher a forma e o conteúdo que lhe parecer conveniente quando se apresenta para pedir o voto nas ruas ou no horário de propaganda política da TV.
Cabe ressaltar, entretanto, que o republicano Francisco Everaldo Oliveira Tiririca da Silva, no exercício do mandato de deputado federal, assumirá dever de obediência ao programa e ao estatuto do Partido da República, além de estar subordinado às restrições impostas pelo Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.
Os artistas Francisco Everaldo Oliveira Tiririca da Silva, Agnaldo Timóteo e Juca Chaves não foram os únicos agraciados com um convite para ingresso no PR.
Da mesma forma que, em todo o país, convidamos para filiação no PR personalidades de outros segmentos da vida brasileira. Sempre orientados pelo propósito de ampliar a representação social na vida política e partidária deste país.
SÉRGIO TAMER, mestre em direito público pela UFPE, doutorando pela Universidade de Salamanca, professor universitário, é procurador federal e presidente do Conselho de Ética do Partido da República.

CLÁUDIO HUMBERTO


Técnica de 'CSI' pode desvendar chacina

Peritos da Polícia Civil do DF utilizam técnicas dignas da série de TV "CSI" para desvendar o brutal assassinato do ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua mulher e a empregada. A filha do casal, Adriana, foi levada no dia 28 ao local da chacina, exatamente um ano depois, e à mesma hora, em idênticas condições de clima e temperatura, para um teste de laboratório que pode revelar uma prova fundamental - e não para submetê-la a constrangimentos, como alegam os advogados.


Álibi de Adriana...

O exame é essencial porque Adriana afirma que as impressões digitais dela encontradas no apartamento foram feitas 18 dias após o crime.


...agora sob lupa

No dia 28 passado, os peritos recolheram novas impressões e 18 dias depois (meados deste mês) determinarão se o álibi de Adriana confere.


Exceção à regra

O tucano Flexa Ribeiro (PA) foi o único senador, dos 81, a comparecer em todas as sessões do Senado em 2010.


Xilocaína

Explicada a paralisia no Senado: foi prorrogado por R$ 1,5 milhão o contrato com a cooperativa dos médicos anestesiologistas do DF.


Blindado

A Ordem dos Advogados do Brasil deve ter esquecido o processo que moveu contra o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, depois que ele acusou advogados de vazarem o conteúdo de processos sigilosos, cuja divulgação não interessava aos clientes. Do Supremo Tribunal Federal, o processo foi encaminhado em abril ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, mas lá não chegou. E ninguém fala mais nisso.


Sem senha

A Secretaria de Políticas para as Mulheres vai gastar R$ 361,6 mil para dar uma guaribada geral em seu site na Internet e melhorar o "direito à informação".


Elogio rasgado

O ex-ministro da Previdência José Pimentel (PT), candidato ao Senado no Ceará, anda criticando o sucessor, Carlos Gabas, por não "dar uma força" na sua campanha. Gabas não contava com elogio tão rasgado.


Palanque

Na quinta (9), o ministro Guido Mantega (Fazenda) vai a Recife participar - no horário de trabalho - de um evento inventado para ajudar a candidatura de Armando Monteiro Neto (PTB) a senador.


Do lado

Uma das mansões alugadas em Brasília pelo staff da campanha de Dilma Rousseff (PT), localizada na QL 24 do Lago Sul, é vizinha de um conhecido empresário ligado ao PSDB. E os petistas nem desconfiam.


Sem cinto

Caos aéreo à vista: insatisfeitos com as condições de trabalho, sobretudo na GOL, 40 pilotos carimbam o passaporte para voar na China. Um total de oitenta deve deixar o Brasil nos próximos meses.


Coisa tá feia

Com Agnelo Queiroz (PT) à frente nas pesquisas, piorou a situação financeira na campanha do rival Joaquim Roriz (PSC). Sem receber, assessores ameaçam abandonar o barco.


Senadora

As pesquisas no Rio Grande do Sul indicam que sairá das urnas uma nova senadora campeã de votos: a jornalista Ana Amélia Lemos (PP).


FRASE DO DIA


"Elas vieram para ficar e, se permitirem, elas podem comandar"

Presidente Lula, sobre o papel da mulher na universidade, nas empresas e na política

PODER SEM PUDOR

Interpretações diferentes
Humberto de Alencar Castelo Branco era presidente e encontrou em uma solenidade o jornalista Carlos Castelo Branco, o maior de todos os colunistas de política. O marechal puxou papo:
- Você leu a notícia de um jornal do Uruguai dizendo que você é filho do presidente do Brasil?
Com seu jeito peculiar, divertido e firme, Castelinho corrigiu:
- Não, presidente. Li uma notícia dizendo que sou filho do "ditador de plantão"...

PT

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Sigilo de tucano foi quebrado em MG por outro filiado ao PT

Folha: Dado de vice tucano foi aberto por petista em MG

Estadão: Violador de IR de tucano em Minas também é filiado ao PT

JB: Eleitor passa ao largo da crise do sigilo fiscal

 Correio: Metade dos brasilienses não assiste ao horário político

Valor: Varejo prevê alta de até 30% nas vendas de Natal

Jornal do Commercio: Vitória suada e show da torcida

Zero Hora: Justiça busca dar pai a 200 mil gaúchos