terça-feira, julho 13, 2010

DORA KRAMER

Tudo pode dar certo 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 13/07/2010

É preciso dar mão à palmatória: tinham razão os que ? entre parlamentares, juristas e otimistas ? não viram nada demais nas mudanças de última hora feitas no Senado ao texto da Lei da Ficha Limpa. Na interpretação deles, a lei não só teria aplicação imediata como já retiraria do páreo eleitoral uma boa leva de fichas-sujas.

Estavam certos e estávamos equivocados os que acreditamos que uma simples mudança do tempo de verbos poderia pôr esforços e expectativas a perder.

A Justiça declarou de pronto a vigência da lei, o Tribunal Superior Eleitoral negou licença para registros de candidaturas judicialmente devedoras, o presidente do TSE aponta para a provável cassação de liminares concedidas e o Ministério Público pede País afora impugnações de gente que procurou fugir de processos e punições por meio da renúncia preventiva aos respectivos mandatos.

Nem no melhor cenário daria para prever uma adesão tão completa à filosofia da ficha limpa.

É de se lembrar que há pouco mais de dois anos o ministro Carlos Ayres Britto era quase uma voz isolada no TSE em favor do veto a candidatos com folhas corridas no lugar de biografias. Alguns tribunais regionais ? sendo o do Rio pioneiro ? ensaiaram bloquear tais candidaturas, mas tiveram suas decisões derrubadas pela instância superior.

Os parlamentares que sustentavam a tese eram gatos pingados a pregar no deserto de um Congresso convicto de que as tentativas continuariam a "dar em nada" para sempre.

Nem o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, acreditava na lei. Hoje ele atesta que a regra da ficha limpa não só vingará na prática ? e ainda nesta eleição ? como terá sua constitucionalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal.

Em abril, dias antes de assumir o posto no lugar de Ayres Britto, quando o projeto estava na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ainda sem o apoio unânime da Casa, Lewandowski lembrava que no STF havia se aliado à corrente que derrubara a ideia do veto a candidatos com contas em aberto na Justiça, em nome do preceito da presunção da inocência até a condenação definitiva.

Na ocasião, limitou-se a responder por si: "Como eleitor, vou escolher o candidato com os melhores antecedentes possíveis."

Totalmente diferente da posição entusiasmada de hoje em prol da eficácia da lei: "Aqueles que não tiverem a ficha limpa farão campanha por sua conta e risco."

Ainda que muita gente ruim vá conseguir encontrar brechas para concorrer e até se eleger, a história já saiu melhor que a encomenda. Quando Joaquim Roriz e Jader Barbalho, por exemplo, poderiam imaginar que seriam amolados depois de terem renunciado aos mandatos de senador para não se arriscarem à cassação e à perda dos direitos políticos?

Assim como eles, outros no mínimo enfrentarão o constrangimento e terão trabalho para conseguir o que antes obtinham sem esforço.

Por essas e várias outras é que convém não menosprezar a ação do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral de coletar assinaturas para apresentação ao Congresso de um projeto de reforma política de iniciativa popular.

A Ordem dos Advogados acabou de aderir, logo é possível que se juntem a eles a Igreja e alguns políticos mais comprometidos com os bons combates. A aprovação da Lei da Ficha Limpa começou assim e tudo indica que se deu certo uma vez pode dar certo de novo.

Outra freguesia. Se é verdade que o Brasil participou das gestões pela libertação de 52 dos 167 presos políticos de Cuba, como diz o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se é fato que o Brasil preparou o terreno para uma operação na qual a Espanha só teve participação de última hora, como insinua o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, seria natural que também oferecesse refúgio aos dissidentes.

Como já fizeram Espanha e Chile. Até agora o Brasil nada disse além de ironizar a atuação dos espanhóis por intermédio de Garcia, que só faltou chamá-los de oportunistas. "A bola caiu no pé deles e eles chutaram para dentro", observou o fidalgo assessor.

MERVAL PEREIRA

Disputa de poder 
Merval Pereira 

O Globo - 13/07/2010

O anúncio de que o programa de governo da candidata oficial, Dilma Rousseff, será revisto mais uma vez, para refletir com mais clareza as intenções da coligação PT-PMDB, denuncia os problemas que estão sendo enfrentados para tornar realidade uma coalizão partidária nascida menos de ideias homogêneas que de interesses políticos de curto prazo.

Depois de rejeitar o programa do PT que havia sido aprovado em março, e de ter anunciado que apresentaria ainda o seu programa para ser mesclado ao do parceiro de empreitada, o PMDB viuse diante da tentativa de um fato consumado: com a rubrica da candidata Dilma e do presidente do PT, José Eduardo Dutra, foi registrado no TSE o programa esquerdista petista como sendo a base oficial de um futuro governo Dilma.

A insistência em viabilizar teses que fragilizam a propriedade privada em benefício das invasões, ou o controle social da mídia em prejuízo da liberdade de expressão, não é surpreendente, nem é possível aceitar-se a desculpa oficial de Dilma Rousseff e do PT de que houve apenas um engano burocrático que gerou o registro no TSE de uma versão do programa que já estava superada pelas negociações.

Tanto não é verdade que não havia outro programa para substituí-lo. O programa que agora se anuncia que será feito será, na verdade, a primeira versão de uma proposta multipartidária que o PMDB está levando muito a sério, e que o PT tenta até o último momento minimizar.

O programa radical do PT tem origem no Programa Nacional dos Direitos Humanos, que tanta crise já gerou.

Na ocasião em que foi lançado, com o apoio explícito do Gabinete Civil que tinha à frente Dilma Rousseff, o Programa de Direitos Humanos gerou uma crise militar por abrir caminho para uma revisão da Lei de Anistia.

Até que se conseguisse contornar a reação dos militares, com a alteração do texto relacionado à anistia, figuras do alto escalão petista, com o auxílio da burocracia do Gabinete Civil, tentaram dar o fato como consumado mandando publicar no Diário Oficial o texto contestado.

A manobra foi abortada com a colaboração do Ministro da Defesa Nelson Jobim, que levou ao presidente Lula a real gravidade do assunto.

Portanto, não é de se espantar que vários assuntos rejeitados naquele Programa montado pela ala esquerdista do governo, tenham reaparecido depois no programa oficial do PT que quase foi transformado no programa oficial de um eventual governo Dilma Rousseff.

Esse episódio demonstra a influência que o PT terá sobre um governo presidido por Dilma Rousseff, não apenas por pressão política, mas também por proximidades ideológicas.

Mas demonstra, sobretudo, a dificuldade que o PMDB terá para exercer o papel moderador que pretende ter nessa coligação.

A relação do PMDB com o PT vem evoluindo desde o início do governo Lula, de um veto total à sua participação no governo a uma participação ampliada na máquina pública.

Em 2002, um acordo montado pelo então todo-poderoso chefe do Gabinete Civil José Dirceu faria com que o PMDB participasse do primeiro ministério de maneira discreta, mas, promissora, do grupo que apoiara Lula em dissidência à decisão da convenção que preferiu dar o vice de José Serra, a então deputada Rita Camata.

O próprio presidente Lula vetou o acordo em cima da hora, alegando que não conhecia os ministros indicados.

Essa desfeita colocou o partido fora das grandes decisões do primeiro governo, mas o deixou também fora, como partido, do mensalão, que devastou não apenas o primeiro escalão do governo, como a base partidária governista.

A superação da crise levou à aproximação de Lula com o PMDB e à reorganização do governo no segundo mandato.

A necessidade de ter o PMDB como grande interlocutor fez também que o partido, dividido historicamente, tomasse uma decisão também histórica de unir suas facções para melhor aproveitar seu prestígio político renovado.

A partir da divisão igualitária de poder entre as suas diversas divisões, o PMDB passou a fazer parte fundamental do projeto de Lula de eleger seu sucessor.

O presidente, pessoalmente, tratou de convencer o PT de que teria que abrir espaços cada vez maiores para os aliados, principalmente o PMDB.

O exemplo mais claro dessa nova situação foi a intervenção em Minas para fazer com que o candidato do PMDB, senador Hélio Costa, fosse o candidato ao governo da coligação, fazendo com que Patrus Ananias aceitasse “com muito orgulho” a vice.

Mas, ao mesmo tempo em que foi tendo ampliada a sua força, o PMDB foi sendo alvo de ações petistas, o partido incomodado com a fome de poder do novo parceiro.

Até mesmo para indicar o candidato a vice o PMDB teve que enfrentar uma pressão política petista, que queria escolher o nome em vez de aceitar a escolha unânime peemedebista de Michel Temer.

O próprio presidente Lula participou dessa tentativa, embora por razões diferentes das do PT, que queria enfraquecer o partido escolhendo um nome que devesse mais sua escolha ao PT do que ao PMDB.

Já Lula queria usar o cargo para dar um recado aos investidores internacionais, indicando um cristão novo do PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Teria o mesmo benefício que o PT buscava e ainda acalmava uma área importante da sociedade que teme as raízes radicais da candidata oficial .

O episódio do programa partidário é mais uma etapa dessa disputa de poder, que já se desenrola antes mesmo de a eleição definir quem será o futuro presidente.

O que já prenuncia o que será a disputa dentro de um eventual governo Dilma Rousseff.

O COMEDOR DE SOROCABA

MÔNICA BERGAMO

Lixo de Sobra 
Mônica Bergamo 

Folha de S.Paulo - 13/07/2010

A Prefeitura de SP estuda mudanças na coleta seletiva de lixo na cidade. Os resíduos hoje são recolhidos em prédios e residências e entregues em 17 cooperativas de catadores. Elas separam os materiais, que depois são vendidos para empresas que trabalham com papel, plástico e alumínio reciclados. A administração quer quebrar o monopólio das cooperativas, que hoje estão lotadas e não conseguem processar todo o material recebido -cerca de 150 toneladas por dia.
Lixo de Sobra 2
"Não podemos nos apoiar exclusivamente num sistema de assistencialismo ecológico", diz Dráusio Barreto, secretário de Serviços de SP. Como as cooperativas estão cheias, as companhias que recolhem os resíduos separados por moradores acabam misturando tudo de novo e jogando em aterros comuns. A ideia é que também empresas privadas possam receber o material coletado.
O Homem da Casa
O número de vasectomias no SUS aumentou 78,7% de 2003 a 2009. Foram 34.144 no ano passado. Já o de laqueaduras, embora seja maior em números absolutos (58.919 cirurgias), teve queda de quase 5% de 2008 para 2009. O Ministério da Saúde atribui os dados ao aumento da participação do homem no planejamento familiar. E diz que o reajuste no valor pago para a realização de vasectomias no SUS contribuiu para o resultado.
Clube do Bolinha
O Brasil é um dos países com menos deputadas e senadoras da América Latina e do Caribe. Levantamento da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) indica que elas ocupam 9% dos cargos do Congresso, à frente de Colômbia (8%), São Cristóvão e Névis (7%) e Haiti (4%). Cuba (43%) e Argentina (40%) lideram.
O Choro da Viúva
O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) pretende convocar representantes do governo do Rio e do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 para explicarem, na Câmara, o orçamento de R$ 720 milhões, em dinheiro público, para adequar o Maracanã para o Mundial. "Imagine gastar tudo isso, às expensas da Viúva, em um estádio que já vem sendo permanentemente reformado nos últimos dez anos!"
Fritura Nota Dez
Cem estudantes de gastronomia à paisana serão jurados do concurso que elegerá o melhor pastel de feira de SP, promovido pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. A partir da semana que vem, os jurados visitarão as 50 barracas selecionadas pelos paulistanos no site do concurso, para comprovar se os pastéis têm qualidade e se o atendimento é bom. A final do concurso acontece em 23 de agosto.
Comilança
O chef Massimo Bottura, do restaurante italiano Osteria Francescana, duas estrelas no guia "Michelin", desembarca no Brasil em outubro para participar da Semana Mesa SP. O chef pâtissier Ben Roche, do Moto, em Chicago, também estará no evento gastronômico realizado pela revista "Prazeres da Mesa" e pelo Senac SP.
Chuva de Arroz
Patricia Birman, filha de Anderson Birman, do grupo Arezzo, de calçados, marcou a data do casamento com o empresário Mario Pedro Marcondes. Os dois se casam na catedral da Sé no dia 17 de setembro e depois fazem festa na Sala São Paulo.
Beleza Infantil
João Doria Jr. realizou no sábado a 8ª edição do Passeio de Bebês, em Campos do Jordão. Cerca de 3.000 pessoas, entre crianças e adultos, participaram do evento. Houve prêmios para as categorias "Bebê mais Bonito", "Mãe mais Bonita", entre outras.

JORGINHO: "AINDA ACORDO DE MADRUGADA" Depois de uma semana recolhido, o ex-auxiliar técnico da seleção brasileira, Jorginho, falou a Diógenes Campanha sobre a eliminação do time na Copa.

Folha - Como se sente?
Jorginho - Ainda acordo de madrugada, com as lembranças martelando a minha cabeça. Ver meus filhos chorando quando voltei. Eu estou triste para c... É como se tivéssemos perdido alguém da família. A gente viu o prazer deles em vestir a camisa da seleção. Em nenhum momento, o presidente Ricardo Teixeira pediu renovação de idade. Pediu comprometimento. Fiquei conversando com o Júlio César no quarto até as 3h da manhã [na noite da eliminação]. Ele disse: "Cara, isso é uma dor que eu vou levar pro resto da vida". Em 2006, não houve consternação nem choro.

E as críticas do Ricardo Teixeira, da CBF?
Ele deu total liberdade para o Dunga, mesmo nos momentos mais difíceis, quando perdemos do Paraguai, empatamos com a Argentina ou perdemos a Olimpíada.

Vocês se sentiram pressionados pela TV Globo?
O Ricardo Teixeira já havia dito que essa seria uma das Copas mais fechadas dos últimos tempos. Não podíamos dispor os jogadores para dar entrevistas toda hora. Eu nunca briguei com a imprensa. Só coloquei o que estava no meu coração. Disseram que eu tinha ascendência sobre o Dunga. Isso ofende a ele e a mim. O Dunga é democrático, mas é o líder.

O excesso de religiosidade não atrapalha?
Nunca participei das reuniões dos atletas, mas em nenhum momento elas atrapalharam. Era uma hora por semana, de estudo bíblico, não era reunião para ganhar campeonato. Será que, se tivéssemos sido campeões, não diriam que isso ajudou?

Ronaldinho e Ganso não fizeram falta?
Uma coisa é o Ronaldinho de 2002, outra é o de 2010. Em 2006 e nas vezes em que nós o convocamos, ele não deu a resposta que eu e você queríamos. Quanto ao Ganso, uma coisa é o Campeonato Paulista, outra é a Copa.

Onde espera estar em 2014?
Ainda vou ter que passar na CBF para pegar minhas coisas e vai doer. Tenho anotações de observações, de coisas motivacionais, que estão lá e talvez possam ser úteis para o próximo treinador. E lembro da tia Noélia, que servia o nosso café, uma pessoa muito especial pra mim [faz uma pausa e fica com a voz embargada, demonstrando choro]. Vai estar sempre no meu coração.
Curto-circuito
Marcia Glogowski lança o livro "Aleijadinho - O Violoncelo" (ed. Alaúde), hoje, a partir das 18h30, na loja de artes da Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

A banda Los Pirata se apresenta hoje, à meia-noite, no clube CB. 18 anos.

A mostra "Drop Shots", de Andrea Laybauer, será inaugurada hoje, às 18h30, na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim.

A cantora Preta Gil comemora três anos do show "Noite Preta" com uma apresentação na boate The Week no dia 6 de agosto. Classificação: 18 anos.

O cantor Maurício Gasperini faz show amanhã, às 22h30, no bar Passatempo. 18 anos.

MÍRIAM LEITÃO

Sabor dos ventos 
Miriam Leitão 

O Globo - 13/07/2010

O saldo comercial está caindo e vai continuar caindo, mesmo assim há boas notícias no nosso comércio internacional: a corrente de comércio atingiu US$ 170 bilhões no primeiro semestre, 35% a mais do que em 2009 e no mesmo nível de 2008, antes da crise. Em parte, é resultado da alta das commodities.

No mundo, a novidade é o ganho de competitividade de 20% para os europeus com a queda do euro.

Para o especialista Joseph Tutundjian, a crise está provocando mudanças no comércio internacional: a desvalorização do euro impulsiona as exportações da Europa; a alta do dólar tira força das vendas americanas; e as mudança cambiais e trabalhistas na China vão aumentar custos para exportar.

Para nós, há duas tendências favoráveis: a crise segurou os preços de produtos dos países ricos que importamos; o crescimento dos emergentes elevou o preço das commodities. Essa combinação fez crescer importações e exportações do Brasil no primeiro semestre. As importações foram recordes, US$ 81,3 bilhões, com crescimento de 43% em relação a 2009. A desvalorização do dólar em relação ao real — mais de 11% nos últimos 12 meses — e o aquecimento da economia impulsionaram as importações.

Alguns números são espantosos. A importação de bens de consumo duráveis aumentou 69%, e o destaque foram os automóveis, com mais de 72%. A venda de carros nacionais subiu também, mas o que as montadoras reclamam é que o mercado externo para o produto brasileiro está desaparecendo pela crise e pelo câmbio.

Uma boa notícia é que empresas aproveitaram o momento para fazer investimentos: as compras de bens de capital subiram 26,2%, um quarto de tudo o que foi comprado no exterior. No mês de junho, a alta chegou a 51%.

As exportações cresceram menos, mas subiram 26,5%, indo para US$ 89,2 bilhões.

Com isso, o saldo caiu 43%, de US$ 13 bi para US$ 7,8 bi, no primeiro semestre. Para o ano que vem, o mercado projeta, no máximo, um saldo para o ano inteiro por volta do que foi conseguido nestes primeiros seis meses de 2010.

Nossa pauta de exportação é dominada pelas matériasprimas e o destaque é o minério de ferro, que em abril teve reajuste de 100%. O vicepresidente da Associação do Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro, disse que o minério pode ser o primeiro produto isolado a atingir US$ 20 bilhões de vendas em um único ano. Só em junho, foram de US$ 2,3 bilhões, 130% a mais do que no mesmo mês de 2009. Mas isso é uma faca de dois gumes: — O minério pode ter novos reajustes. Por um lado, isso é bom porque aumenta o nosso saldo. Por outro, é ruim essa dependência a um produto.

Desse jeito ficamos vulneráveis.

Uma queda de preços, uma redução da importação da China pode nos levar ao déficit — afirmou.

Tutundjian não vê risco de déficit, por enquanto: — Devemos ter superávit de US$ 15 bilhões este ano e não vejo risco no ano que vem. Na medida em que o mundo estiver com demanda por matérias-primas, teremos superávit.

Sobre as mudanças na China, Tutundjian acha que o país pode exportar menos pela alteração dos fatores de competitividade. Mas eles vão mudando devagar. Está havendo uma valorização dos salários e uma valorização lenta do yuan. Tutundjian acha que os chineses terão ganhos de competitividade com logística, há muito investimento nisso, mas que eles não compensarão o aumento do custo trabalhista que já começa a acontecer.

O Departamento Econômico do Bradesco acha que, por enquanto, a combinação de fatores é conveniente para o Brasil. A importação barateada pelo câmbio vai ajudar empresas a se modernizar, com compra de máquinas e equipamentos, e a entrada de bens de consumo ajuda a segurar a inflação num momento de aquecimento. Os ganhos com a elevação dos preços das commodities ajudam a financiar o déficit em transações correntes.

“De um lado, os países emergentes, com o crescimento robusto, têm sustentado os preços das exportações brasileiras como no caso do minério de ferro. De outro lado, a economia do mundo desenvolvido, com elevada ociosidade, tem sido incapaz de ampliar suas margens, refletindo-se em preços de importação bastante deprimidos para o Brasil”, disse o banco em relatório.

Os termos de troca estão favoráveis ao Brasil. O Bradesco calcula que os produtos que exportamos tiveram valorização de 54% entre 2006 e 2010; já os produtos que importamos subiram bem menos: 27,4%. Os produtos básicos — como minério de ferro, soja, entre outros — subiram 66,8%.

O problema de ficar ao sabor dos ventos é que eles mudam. Se houver desaceleração na China ou piora da crise externa, esse quadro pode se alterar.

O presidente da Abracex, Roberto Segatto, diz que o Brasil vive um grande momento, mas ressalta os perigos desse cenário diante de uma crise na Europa de desdobramentos imprevisíveis: — Temos gargalos em todos os setores, de calçados, têxteis a autopeças. A infraestrutura de portos e aeroportos está congestionada. O navio parado encarece o frete, que é mais caro no Brasil que na Europa. Ferrovias, não temos.

As estradas são uma vergonha. A soja colhida em Goiás é a mais barata do mundo, mas quando chega ao Porto de Santos tem o mesmo custo que a americana.

O Brasil sabe o que tem que fazer, mas tem adiado tarefas inadiáveis.

GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Zé com Zé 
Sonia Racy 
O Estado de S.Paulo - 13/07/2010

Aos que estranharam a "cordialidade" súbita, na semana passada, entre a Telefonica e a Portugal Telecom - ambas declarando formalmente estarem dispostas a conversar sobre a compra da parte dos portugueses na Vivo pelos espanhóis - vai a informação. O link do milagre foi um telefonema de Zé para Zé.

O socialista José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, ligou para outro socialista, Luis Zapatero, premiê da Espanha, pedindo ajuda para solucionar a questão.
Zé 2
Sócrates, segundo alta fonte nas negociações, teria relatado a Zapatero o motivo da "mágoa", justificando a respectiva reação. Em nenhum momento César Arieta, dirigente da Telefonica, considerou dar satisfações ao governo português, dono de golden share decisiva na PT.

Zapatero transmitiu o recado a Arieta e assim se deu a vira-volta no caso, o julgamento em Bruxelas.
Cadeira quente
Funcionários antigos da TV Cultura ligaram para explicar que Gabriel Priolli, afastado da diretoria de jornalismo da TV Cultura, foi resgatado da PUC/SP por Paulo Markun há somente três anos. E que ele não teria ido lá muito bem.
Primeiro, assumiu a coordenadoria de eventos e publicações. Depois, passou para a coordenação de conteúdo e qualidade. Terceiro, foi removido para a coordenação de expansão da rede. O jornalismo foi seu quarto cargo.
No forno
Véronique Wiesinger, diretora da Fondation Giacometti, chegou de Paris e foi direto para a Pinacoteca do Estado, semana passada. Negociou os últimos detalhes da exposição do escultor marcada para 2012.
Esperança
Lucy Barreto, mãe de Fábio Barreto, que está em coma há mais de seis meses, animou-se.
Conta que o filho dá alguns sinais de reconhecimento e está reagindo a apertos de mão.
O amor é lindo
Nem a vitória da Copa arrancou tantos suspiros como o vídeo do capitão espanhol, Casillas, beijando a repórter de TV e namorada, Sara Carbonero.
O bonitão, com lágrimas nos olhos, não deixa a jornalista terminar a entrevista e tasca-lhe um beijo apaixonado.
Xeque-mate
Xico Graziano mergulha em complexo tabuleiro chinês.
Está compilando sugestões recebidas a partir das diretrizes do programa do PSDB, registrado Superior Tribunal Eleitoral. O resultado se transformará no programa final de Serra, caso vença a eleição.
Água e óleo
A praça Emílio Garrastazu Médici no câmpus da PUC-Campinas está dando o que falar. Grupos, como o Tortura Nunca Mais, lançaram abaixo assinado reivindicando a troca do nome,

Por...Frei Tito.
Cloro neles
A Associação das Contas Abertas anuncia amanhã o Índice de Transparência dos Estados e do Governo Federal, mostrando como os governantes prestam contas à sociedade sobre seus gastos orçamentários.

Dos 26 Estados mais o DF, 13 foram brindados com notas entre três e quatro, todos das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Os 14 restantes, do Sul e Sudeste, obtiveram notas acima de cinco. E não muito mais altas...
Dolce far niente
Trabalhando há um ano e meio por conta da Copa do Mundo, Pelé tira agora um mês de férias.
Se dividirá entre Juquiá, onde tem um sítio, e sua casa no Guarujá.
Leoa
Muita emoção na Daslu, quinta passada. Em apoio à empresária Eliana Tranchesi.
Na frente
Andrea Laybauer abre hoje a mostra de fotos Drop Shots, na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim.

Acontece hoje o lançamento do livro Aleijadinho - O Violoncelo - A Luteria de Dantas-Barreto, de Márcia Glogowski. Na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Paulo Nassar lança o livro Comunicação Todo Dia. Amanhã, também na Cultura do Conjunto Nacional.

Comemoração dupla. Le Marais Bistrot festeja o primeiro ano de funcionamento amanhã, Dia da Bastilha.

Corre pela internet que o polvo vidente ficou tonto ao lhe apresentarem a caixa-comida Serra e a caixa-comida Dilma. Pulou do aquário.

RICARDO VÉLEZ RODRÍGUEZ

A cara do patrimonialismo lulista
Ricardo Vélez Rodríguez 
O Estado de S.Paulo - 13/07/10

Mal começou a campanha eleitoral e os petistas mostram a que vieram. Isto é, vieram para culminar a obra de desmonte das instituições democráticas, mediante a definitiva consolidação do Estado patrimonial, submetido ao peleguismo lulista. Demétrio Magnoli identificou muito bem essa realidade (A escolha de Serra, 8/7, A2): "O lulismo não é a política macroeconômica do governo, tomada de empréstimo de FHC, mas uma concepção sobre o Estado. A sua vinheta de propaganda, divulgada com dinheiro público pelo marketing oficial, diz que o Brasil é um país de todos. Eis a mentira a ser exposta. O Estado lulista é um conglomerado de interesses privados. Nele se acomodam a elite patrimonialista tradicional, a nova elite política petista, grandes empresas associadas aos fundos de pensão, centrais sindicais chapa-branca e movimentos sociais financiados pelo governo."

Lula e seguidores são caras de pau ao pretenderem vender aos eleitores uma continuidade patrimonialista com o falso nome de "democracia para todos". A candidata Dilma Rousseff não teve a menor vergonha em afirmar que o programa de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral em 5 de julho não era para valer, tendo-o substituído por novo texto (e em 7/7 anunciou que sua campanha entregaria uma terceira e definitiva versão à Justiça Eleitoral contendo as sugestões de consenso dos partidos que compõem a coligação de sua candidatura, conforme publicado pelo Estado). Isso é fazer de todos nós, eleitores, um bando de ingênuos. Será que vamos engolir mais essa? Lula já tinha feito coisa semelhante quando revogou o programa do partido em 2002, a famosa Carta do Recife, substituindo-o, a toque de caixa, pela memorável Carta ao Povo Brasileiro, com base na qual desenvolveu a sua campanha. O problema é que Lula, Dilma e demais confrades não acreditam nas instituições democráticas. Guardaram dos seus anos de militância o menosprezo pelas denominadas "instituições burguesas", que, como ensinavam Marx e Lenin, deveriam simplesmente ser destruídas para erguer sobre as suas ruínas uma ditadura personalista.

Lula acrescentou, sobre essa herança perversa do marxismo-leninismo inserida na ideologia petista, o componente populista. Para essa forma de fazer política o que importa é estabelecer uma espécie de "convívio emocional" entre o líder e o povão que ele diz representar, prescindindo das instituições. Como afirma um dos mais importantes estudiosos contemporâneos do fenômeno, o sociólogo francês Pierre-André Taguieff, na sua obra A Ilusão Populista (Paris, 2007), o líder populista é um demagogo cínico que apregoa a salvação do povinho destruindo as instituições democráticas. Isto é, nem mais nem menos, o que Lula tem feito: desmoralizar as instituições de direito, a começar pela representação política, pela Justiça, pela imprensa livre, pelos Tribunais de Contas e pela vida político-partidária, para, sobre as cinzas da anomia, erguer a sua figura de salvador da Pátria. O atual presidente não duvida um instante em comprometer a credibilidade da nossa diplomacia, tirando dela qualquer seriedade ao acomodá-la aos seus interesses populistas. Acaba de fazer isso na visita ao ditador e genocida Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, alcunhando essa vulgar iniciativa de "pragmatismo".

O "nosso guia" já tinha tomado atitude semelhante, em múltiplas oportunidades, ao longo dos seus quase oito anos de mandato, em face de outros autocratas, como o presidente do Sudão, ou saindo na defesa ardorosa dos populistas latino-americanos Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Corrêa, Daniel Ortega, para não falar da sua amizade incondicional com os irmãos Castro, que presidem a mais antiga satrapia ibero-americana. E por falar em sátrapas, Lula desmoralizou ainda mais a nossa política externa ao se alinhar, desavergonhadamente, com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, cuja legitimidade, nas eleições que o guindaram de novo ao poder, é questionada no próprio Irã e pela comunidade internacional. Tudo com a finalidade clara de deixar uma porta aberta para uma desvairada corrida atômica, banida pela nossa Carta Magna. Aliando-se a quem não deve, Lula terminou, de outro lado, brigando com quem não deve, colocando pedras no caminho de dois países latino-americanos que derrubaram as tentativas de tomada acintosa do poder por populistas ou totalitários: foram decepcionantes as reiteradas críticas do seu governo às ações empreendidas pelo presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, contra as Farc (ainda não consideradas terroristas pelo governo brasileiro), bem como a tragicômica encenação na embaixada brasileira em Honduras para prestigiar o golpista ex-presidente Manuel Zelaya, aliado de Chávez.

Mas voltemos à nossa cena da campanha presidencial que começa. Como muito bem esclareceu o candidato José Serra, as diretrizes de um programa de governo são "a alma" do que se quer, e alguns pontos que constavam da primeira versão da equipe de Dilma são o que o PT realmente defende, "como a facilitação de invasão de terras". Ele citou, ainda, o controle da imprensa. "É tema em que a gente sabe o que eles pensam. Sempre que podem, isso é dito, depois eles vêm e corrigem." O que os adversários mostram, frisou Serra, "não são duas caras, são várias caras". E acrescentou: "Nós temos uma só cara, a minha cara." Garantiu em seguida que as diretrizes de seu programa foram "minuciosamente escritas".

Como questionou Magnoli, terá Serra, neste momento, a coragem de apresentar a sua cara de estadista e denunciar a farsa petista que pretende dar continuidade, no Brasil, ao abjeto patrimonialismo, que pratica a privatização do Estado pela elite clientelista tradicional, pela nova elite sindical, pelas grandes empresas associadas aos fundos de pensão e pelos movimentos sociais financiados pelo governo?

COORDENADOR DO CENTRO DE PESQUISAS ESTRATÉGICAS DA UFJF

MUDANÇA

LUIZ GARCIA

Cuidem dos garotos
LUIZ GARCIA
O GLOBO - 13/07/10
O problema de Bruno está resolvido. Rapidamente, mas não poderia ser diferente: raras vezes um comportamento criminoso é identificado e provado em pouco tempo com tanta abundância de provas, tanta escassez de atenuantes. O ex-goleiro e exiacute;dolo do Flamengo mostrou ser tudo que um atleta profissional e um ídolo popular não pode ser.

Mas seus ex-patrões, e não falo só do Flamengo, bem que poderiam fazer um exame de consciência e perguntar a si mesmos se, antes de matar a companheira com repugnantes requintes de violência, Bruno já não teria dado sinais ou mesmo provas de que alguma coisa estava errada com ele. Talvez não.

Mas o que está mesmo em questão é a possível necessidade de políticas preventivas a respeito.

Profissionais do futebol não são funcionários comuns de uma empresa. Ao assinarem contrato com um clube, passam a ser parte de sua história e de sua imagem. O que significa tanto compromisso como honra — e implica responsabilidades especiais.

Dentro das quatro linhas, e fora delas.

A condição de ídolo popular tem tantas responsabilidades quanto prazeres. Sei que estou apenas citando lugares-comuns, o que pode ser cansativo para o leitor, mas peço um pouco de paciência: eles só ficam comuns por serem verdadeiros e resistirem ao tempo.

O Flamengo agiu com rapidez e eficiência, tanto quanto a polícia, no caso de Bruno. Mas o torcedor tem o direito de perguntar: o que o clube e os outros estão dispostos a fazer, não para reagir a episódios semelhantes, mas simplesmente para evitá-los? É comum, e absolutamente desejável, que rapazes, muitos ainda adolescentes, mostrem nos gramados um grau de excelência no exercício da profissão prematuro, e incomum em outras profissões.

As leis da concorrência mandam que sejam regiamente pagos por isso.

Mas o sucesso antes da maturidade tem riscos óbvios. Talvez deva partir dos clubes, tanto por razões éticas como em defesa de sua própria imagem, a iniciativa de preparar suas jovens estrelas para a administração correta do sucesso. Dá trabalho, com certeza. Mas, em prazo não muito longo, trata-se da defesa de seus interesses e de seu patrimônio. Sem falar no aspecto ético de uma política nesse sentido.

O caso de Bruno é, obviamente, uma aberração.

Não conheço outro caso de craque assassino.

Mas não faltam exemplos de bons jogadores que jogaram fora suas carreiras e não foram cidadãos exemplares — ou pelo menos cidadãos comuns — por absoluta incompetência na administração do êxito. Principalmente porque o sucesso no esporte costuma chegar muito antes do que acontece em outras profissões.

Bruno não foi formado no Flamengo. A ele chegou pronto, para o melhor e para o pior. O que fez de sua vida não é culpa do clube. Mas serve como advertência para todos os clubes.

Cartolas, cuidem de seu patrimônio, cuidem de seus garotos.

ANCELMO GÓIS

Pajelança para 14 
Ancelmo Góis 

O Globo - 13/07/2010

O presidente Jacob Zuma ofereceu a Lula reunir, em setembro, todo mundo que esteve diratamente envolvido na preparação do Mundial da África para uma troca de experiência com brasileiros.
Também...
Em setembro, a Fifa vai instalar uma subsede no Brasil.
Marceu na Copa
Joseph Blatter, chefão da Fifa, almoçava ontem no Pigalle, em Johannesburgo, quando ouviu a prece de um carioca: — Dr. Blatter, em 2014, o Maracanã tem de abrigar a abertura e o encerramento da Copa — O Maracanã é uma catedral.

O templo do futebol. É um lugar até para rezar missa — respondeu Blatter.
Segue..
Na verdade, a Fifa é simpática à ideia de abrir e fechar o Mundial de 14 no Maracanã.

Na África do Sul, o jogo de abertura e a final foram no Soccer City.
Maraca é o cacete
De Ruy Castro, biógrafo de Carmen Miranda, sobre o filme “Maracas: The Carmem Miranda story”, a ser feito nos EUA por Buddy Bregman: — Lá fora, é assim: alguém resolve se apossar de um personagem sem dar satisfação, inclusive deturpando tudo: o que Carmen tinha a ver com maracas?
A Carmen é nossa
Aliás, a produtora Paula Lavigne, que detém os direitos para a tela da história de Carmen, vai recorrer à Justiça.
A nossa Jabulani
Foi só João Bosco sugerir o nome Tanajura para a bola da Copa de 14, que o e-mail da coluna recebeu um ataque especulativo de sugestões. Veja:

Amazônia.

Brasuca.

Carambola.

Caturrita.

Chulipa.

Gorduchinha.

Jabutica.

Joaninha.

Mulata.

Pelé.

Pelota.

Rebolation.

Redonda.

Samba.

Tanajura.

Uirapuru Zumbida.
Aliás
Em tempo de eleições, houve muitas sugestões gaiatas, ligadas ao universo político, como Jabá, Jabaculê e Aloprada.

Teve leitor sugerindo Perseguida.

Em Frei Paulo, “perseguida” quer dizer... deixa pra lá.
A despedida
Um grupo de amigos fez sábado um concerto no quarto do grande músico brasileiro Paulo Moura, 77 anos, na Clínica São Vicente, no Rio.

Wagner Tiso, Humberto Araújo, Daniela Szpilmann, Cliff Korman e Daniel Feldman tocaram várias canções do artista.
Segue...
Depois, Paulo pegou sua clarineta, foi para a varanda, reuniu forças e tocou, com Wagner Tiso, a música “Doce de coco”, de Jacob do Bandolim.

Pura emoção.
Sacolas plásticas
Cabral publica hoje o veto ao adiamento, de autoria do deputado Paulo Ramos, da lei que pretende banir sacolas plásticas de supermercados.

Assim, a determinação passa a valer na sexta-feira.
Craques virtuais
Susana Werner aproveitou que Lúcio estava em sua casa no fim de semana e chamou o craque e o marido para... uma foto que foi para o Twitter dela.
Não agradou
Numa conversa de “especialistas”, liderada por Yamandú Costa, sábado, a música do Bar Astor, em Ipanema, foi eleita “a pior do Rio”.
Choque no xixi
A Secretaria do Choque de Ordem vai intensificar a repressão aos mijões na Lapa, sexta e sábado, aproveitando que parte do bairro vai fechar ao trânsito das 22h às 5h.

A ideia é coibir também os pivetes. Eu apoio.

GOSTOSA

RUBENS BARBOSA

Modernização das Forças Armadas
Rubens Barbosa 
O Estado de S.Paulo - 13/07/10

No âmbito do Ministério da Defesa está em curso um ambicioso plano de modernização e ampliação da capacidade de ação das Forças Armadas. Além da construção do submarino nuclear e da aquisição de aviões de caça de combate, a compra de veículos aéreos não-tripulados (Vants) ocupa lugar de destaque nessa iniciativa.

Os aviões militares não-tripulados, desenvolvidos pelos EUA como arma de ataque, foram utilizados pela primeira vez na Guerra do Iraque. Seu antepassado mais próximo foi o U-2, tripulado, que durante a guerra fria teve papel de inteligência.

A campanha militar dos EUA contra o Iraque em 2003 foi a primeira guerra da era da informação. A tecnologia para o comando e controle das operações longe do campo de batalha ensejou o aparecimento de armamentos que possibilitaram a tomada de decisões a distância, maior controle sobre as operações bélicas e a redução dos combates armados diretos.

Os programas de defesa para pesquisa e desenvolvimento de veículos não-tripulados, não só aéreos, mas também terrestres, avançaram significativamente nos últimos 15 a 20 anos, tanto no âmbito militar quanto no civil. Na aviação civil os pilotos estão sendo substituídos por computadores. O Airbus e o Boeing 777 podem voar entre São Paulo e Nova York sem interferência humana.

Esses veículos não-tripulados de combate aéreo são a primeira evidência concreta das futuras guerras eletrônicas e robotizadas. Alguns analistas militares norte-americanos pensam que os contratos para a construção da próxima geração de caças de combate serão talvez os últimos para equipamentos tripulados de ataque. A eventual compra de caças pelo Brasil também deverá ser a última no gênero.

Se o programa de construção de veículos não-tripulados, aéreos e terrestres, for bem-sucedido, poderemos pensar em guerras sem soldados, com lançamento de mísseis de submarinos automatizados e divisões de veículos terrestres não-tripulados atacando velozmente o território inimigo. Os veículos de defesa não-tripulados trarão consequências táticas, éticas e políticas, que se tornarão mais evidentes à medida que a tecnologia se desenvolver. Em termos de estratégia militar, trata-se de uma revolução no conceito tradicional de guerra.

As perspectivas que tais avanços tecnológicos oferecem aos militares e às lideranças civis são ilimitadas, ao maximizar os resultados estratégicos, minimizar a exposição de vidas humanas, aumentar o poder militar e reduzir os custos de construção e de manutenção.

Como seria de esperar, a introdução dos Vants enfrenta resistência em várias frentes nos EUA. A eventual marginalização dos pilotos está encontrando oposição de parte da Força Aérea. Estrategistas do Ministério da Defesa defendem a ideia de que sempre haverá necessidade das forças terrestres para ocupação do território. As empresas da indústria de defesa, por temerem que seus contratos sejam seriamente afetados, também se opõem. É a inovação chocando-se com a cultura institucional.

Segundo os especialistas, esses progressos tecnológicos levarão de 15 a 20 anos para entrar em operação plena. Enquanto isso, o que fazer no curto prazo com os equipamentos existentes e como, tática e estrategicamente, melhor aproveitá-los?

A ampliação do uso militar dos Vants pelos EUA no Afeganistão e no Paquistão na tentativa de capturar Osama bin Laden e combater o Taleban e as tribos que lhe dão suporte aumentou a eficiência no combate ao terrorismo, mas gerou o chamado efeito colateral, com o crescimento do número de vítimas civis e alto custo perante a opinião pública. A utilização por Israel desses veículos no combate aos palestinos resultou na eliminação dos principais líderes do Hamas, com forte desgaste, ante a morte de mulheres e crianças.

Em termos de avanços tecnológicos de veículos não-tripulados, Israel está tão desenvolvido quanto os EUA, como se viu recentemente na apresentação de um Vant com as dimensões de um avião de transporte, ampliando as facilidades e vantagens estratégicas sobre os aparelhos de tamanho reduzido.

A primeira utilização para fins humanitários do modelo mais avançado dos Vatns dos EUA, o Predador, ocorreu recentemente no Haiti, depois do terremoto que destruiu grande parte do país.

No Brasil, a ideia é utilizar esses Vants para patrulhar os 12 mil km da fronteira da Amazônia e monitorar as zonas marítimas do pré-sal, que se estendem de Santa Catarina ao Espírito Santo. O equipamento poderá fornecer informações sobre movimentos suspeitos de crimes transfronteiriços e eventuais ações suspeitas próximas às plataformas de exploração de petróleo. Sem dúvida, a capacidade de defesa do Brasil ganhará enorme avanço estratégico.

O plano de modernização da estrutura burocrática e operacional das Forças Armadas para responder aos novos desafios estratégicos que o Brasil terá de enfrentar nos próximos anos deveria receber o apoio político e orçamentário de que necessita. A Estratégia Nacional de Defesa e a legislação sobre o plano de modernização fundamentam tais mudanças. Por sua importância para os interesses permanente do País, ambos deveriam ser vistos como projetos de Estado, e não apenas de uma administração prestes a se encerrar.

Levando em conta a extensão do território nacional e nossa crescente projeção externa, o emprego de submarino nuclear, a aquisição de caças de combate, a utilização dos Vants e, não menos importante, a aplicação da tecnologia de informação na área militar exigirão, no médio prazo, a redefinição dos delineamentos estratégicos das Forças Armadas em bases mais amplas e ambiciosas.

Para as novas gerações de oficiais superiores é esse o grande desafio.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É o cúmulo do terror”
PROMOTORA LUIZA ELUF, LÍDER CONTRA VIOLÊNCIA À MULHER, SOBRE A MORTE DE ELIZA SAMUDIO

CARTÕES: GOVERNO LULA TORRA R$ 28,4 MILHÕES
Membros do governo Lula gastaram mais de R$ 6 milhões em junho, utilizando cartões corporativos, dos quais R$ 1,3 milhão por conta da assessoria direta de Lula. O total até agora, em 2010, é de R$ 28,4 milhões, mais da metade classificada de “sigilosa”. Só a presidência da República torrou R$ 7,6 milhões no primeiro semestre. O recorde da farra com cartões, no governo Lula, é de R$ 76,3 milhões em 2007.

ESCALADA
Em fevereiro, a conta dos cartões corporativos do governo Lula totalizava R$ 6 milhões, em abril pulou para R$ 11 milhões.

EU NADA DEVO 
A lorota da “dívida histórica” com a África é coisa dos ignorantes que cercam Lula. Se há dívida, o que é discutível, ela é portuguesa.

JOGO SUJO
Seleção que mais jogou sujo na Copa do Mundo, a Holanda deveria ser punida com o veto a sua participação na Copa de 2014.

PERGUNTA SUBMERSA
Esse polvo alemão toparia uma “cervejinha” para acertar o próximo presidente do
Brasil?

MS: ALIADOS BRIGAM E EXPÕEM BENS DE POLÍTICOS
Em Mato Grosso do Sul, uma guerra na internet, entre aliados do atual governador André Puccinelli (PMDB) e do adversário Zeca do PT, deixou os dois em maus lençóis. Petistas acusaram Puccinelli de fazer crescer o seu patrimônio em 400%, no período de quatro anos. Zeca do PT cutucou e recebeu o troco: seu patrimônio subiu 1.600% em dez anos. Receita Federal e Ministério Público devem estar adorando.

O RECORDISTA
Acaba nesta terça o prazo para impugnação de candidatos às eleições. No DF, aguardam-se mais de vinte contra Joaquim Roriz (PSC).

COMÍCIO DO PT
Lula vai à inauguração do comitê da candidata Dilma Rousseff, no final da tarde desta terça-feira, no Setor Comercial Sul, em Brasília.

NA TERRA DE SARNEY
O tucano José Serra recebe hoje título de cidadão honorário de São Luís (MA) e visita o jornalista Neiva Moreira, que anda adoentado.

BOLA NO PÉ
O goleiro Bruno, caso provada sua culpa e for preso, terá emprego garantido na Copa de 2014: como operário. Convênio do Conselho Nacional de Justiça permite contratação de presidiários para as obras. 

CONFUSO HORÁRIO 
Autoridades da Ásia ou da Europa falarão com as paredes se Lula fizer campanha para Dilma fora do expediente de 8 às 18h. O presidente faltou à aula de Geografia que explica os fusos horários.

HERANÇA MALDITA
Com o Brasil condenado na OEA, nós teremos que pagar quase R$100 mil de indenização porque o governo não investigou nem puniu a morte de sem-terra em 1998, durante despejo em fazenda no Paraná. 

TRABALHEIRA, MEU REI
O jingle “Deixa o galego trabalhar”, do petista Jaques Wagner, pegou ao contrário, na Bahia: as bases do PT rejeitam a aliança com Lídice da Mata (PSB) ao Senado e ameaçam trabalhar só para Walter Pinheiro. 

BOM DE PAPO 
O deputado Waldemir Moka (PMDB-MS) tem sido elogiado na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, que aprovou a LDO. Jeitoso, ele resolve impasses no diálogo, acabando velhas brigas.

POLÍTICA VEM AÍ, CORRA
Leandro Mazzini lança em agosto Corra Que a Política Vem Aí! (Ed. Litteris), na Bienal do Livro de São Paulo. Três craques recomendam ainda mais o livro do titular da coluna Informe JB: as charges de Aliedo, o prefácio de Carlos Heitor Cony e a quarta capa por Murilo Melo Filho.

MULHERES DE LONGE
Dez países pediram que o Irã revogasse o apedrejamento da “adúltera” Sakineh Mohammadi Ashtiani e outras na fila. O amigo Lula se cala e a Anistia Internacional criou uma petição on line e pede mensagens em português à embaixada do Irã no Brasil (webiran@webiran.org.br). 

IH, SUJOU! 
Quatro deputados federais do Ceará – Manoel Salviano (PSDB), Marcelo Teixeira (PR), Zé Gerardo Arruda (PMDB) e Eugênio Rabelo (PP) – têm fichas nada limpas no Tribunal de Contas dos Municípios.

PENSANDO BEM... 
por que os “cumpanhêro” não pedem que o amigo Fidel Castro indenize os presos políticos da ditadura cubana? 

PODER SEM PUDOR
RUIM DE CONVERSA
O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi um jornalista competente e é intelectual completo, mas nem sempre se sente à vontade em entrevistas. Ele era ministro de Relações Institucionais do governo Lula quando, interpelado por uma repórter, desconversou:
– Fala ali com o Mercadante...
– Mas, ministro, ele é muito ruim de fala...
Rebelo mentiu:
– Eu sou pior, pode acreditar...

COPA DE 2014

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Antes de sair Lula ainda criará a sua 12ª estatal

- Folha: Grande varejo dedica 1/3 da expansão às classes CD

- Estadão: Fifa diz que 'falta tudo' para a Copa de 2014

- JB: CNJ põe ordem nos cartórios

- Correio: Clínicas estéticas no DF operam sem UTI

- Valor: Venda de açúcar cria 'fila' de navios e congestiona portos

- Estado de Minas: Voto para governador vai custar quatro vezes mais

- Jornal do Commercio: Recomeça a guerra de Náutico e Sport

- Zero Hora: Brasil negocia com Europa menos restrições à carne