terça-feira, abril 27, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Caixa quer setor privado no financiamento de aterros 
Maria Cristina Frias

Folha de S.Paulo - 27/04/2010

A Caixa Econômica Federal estuda novos modelos para atrair a iniciativa privada ao financiamento de projetos de empreendimentos voltados ao tratamento de resíduos sólidos, como a substituição de aterros e lixões precários.

O programa do banco na área de saneamento ambiental, o chamado Saneamento para Todos, tem cerca de R$ 5 bilhões ao ano, estabelecidos pelo Conselho Curador do FGTS. A linha destina-se à realização de empréstimos a empreendimentos nas áreas de água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos. Mas a procura por financiamento a projetos de resíduos sólidos é quase nula.

"A demanda nesse segmento sempre foi muito baixa. A percepção é que, por haver coleta em cerca de 90% das residências, não houve, por parte da sociedade, maior preocupação com o destino do lixo coletado, que é o problema a ser enfrentado e que precisa de financiamentos específicos", afirma o superintendente nacional de saneamento e infraestrutura da Caixa, Rogério Tavares.

"Do que financiamos em saneamento no PAC, a demanda para resíduos foi de menos de R$ 300 milhões", diz Tavares.

Está em fase de conclusão um estudo, feito em parceria com o Banco Mundial, que busca formas de ampliar a participação privada. O modelo mais adequado deve ser o de PPPs.
No dia 19, a Caixa se reuniu com empresários na Abdib (associação de indústrias de base). "As diretrizes e os detalhes do plano já foram discutidos com o setor", diz Newton Azevedo, vice-presidente da entidade.

No setor de resíduos sólidos, a Abdib estima necessidade de investimentos anuais de R$ 500 milhões para reposição da capacidade dos aterros sanitários, além de gastos anuais de R$ 800 milhões para destinação final dos resíduos e R$ 1 bilhão na operação dos serviços.
Na Taça
O produtor francês Julien Seydoux, proprietário do Chateau des Estanilles, vai inaugurar nesta semana um escritório em Santana de Parnaíba (Grande São Paulo). Seydoux quer ampliar o consumo no Brasil dos vinhos da região francesa de Languedoc-Roussillon. A unidade será responsável pela comercialização dos vinhos da marca para toda a América do Sul. Não haverá importador. "Os consumidores brasileiros formam um mercado de alto potencial, conhecem bem os vinhos de Bordeaux, mas estão precisando conhecer mais franceses", diz. Seu objetivo é ofertar no país um produto orgânico que custa entre R$ 190 e R$ 430. Seydoux participa da ExpoVinis Brasil, maior feira de vinhos da América Latina, nesta semana, em São Paulo.
De Carona
O sucesso do filme "Avatar" alavancou a produção de Blu-ray no país. A Microservice produziu 35 mil discos do filme para a Fox Home Entertainment -a maior tiragem de um título já feita no Brasil. Normalmente, a produção de discos em Blu-ray é de 1.000 a 2.000 por título, segundo Isaac Hemsi, presidente da Microservice, que começou a fabricar os discos com a nova tecnologia em dezembro de 2009. No ano passado, foram vendidos 150 mil unidades de Blu-ray no país. Só nos primeiros três meses deste ano, esse número já atingiu 80 mil. A diferença entre o DVD e o Blu-ray é que este apresenta melhor definição de imagem, além de capacidade maior de armazenamento. Enquanto o DVD tem capacidade de 9 gigabytes, o Blu-ray armazena 50 gigabytes. Após a Copa do Mundo, as vendas de Blu-ray devem crescer no país. "O Mundial irá elevar as vendas de aparelhos de televisão com alta definição e, consequentemente, esse será um grande potencial para o mercado de Blu-ray", diz Hemsi.
Decidido
O livro "Como as Decisões Realmente Acontecem" (editora Leopardo, 241 páginas), de James March, aborda fatores que influenciam as decisões como riscos, lideranças, política e interesses dos grupos que atuam em uma empresa. March propõe-se a definir a inteligência decisória e a apresentar ideias práticas de como usá-la.
Jornada
Cerca de 60% dos administradores apoiam a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, segundo levantamento feito pelo CRA-SP (Conselho Regional de Administração de São Paulo), entre os dias 12 e 16 deste mês. Foram ouvidos 1.800 profissionais filiados, dos quais 56,2% disseram ser favoráveis à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; cerca de 38%, à manutenção das 44 horas semanais; e 5,6% defenderam a redução para 42 horas semanais.
Estágio
Além da reformulação dos Estatutos, a assembleia-geral do Centro de Integração Empresa-Escola, em Florianópolis, elegeu os novos membros do Conselho Diretor dos CIEEs. Ruy Martins Altenfelder Silva (SP), Arnaldo Nisker (RJ) e Otto Beiser (RS) foram eleitos respectivamente presidente e vice-presidentes para o triênio 2010 - 2013.

MERVAL PEREIRA

Democracia reduzida 
Merval Pereira 

O Globo - 27/04/2010

O que menos importa neste momento é o que pensa ou diz o deputado Ciro Gomes. Sua opinião errática sobre as qualidades e defeitos da candidata oficial, Dilma Rousseff, e seus insuspeitos elogios à capacidade e competência do candidato tucano, José Serra, com as conhecidas críticas, podem criar fatos políticos de maior ou menor repercussão, podem influir momentânea ou definitivamente na decisão de eleitores, mas nada disso importa, a não ser para os que estão engajados partidariamente na disputa. Goste-se ou não da maneira como o deputado federal Ciro Gomes faz política, uma coisa é certa: sua desistência forçada à disputa da Presidência da República é um golpe na democracia.

A interferência frontal do presidente Lula para inviabilizar uma candidatura em benefício da que escolheu para suceder-lhe é uma agressão do ponto de vista democrático à livre escolha do eleitor.

Esses conchavos de gabinete que têm o objetivo de transformar em um plebiscito uma eleição em dois turnos, concebida justamente para dar ao candidato eleito a garantia de apoio da maioria do eleitorado, reduzem o sentido da eleição.

Um candidato vencer a eleição no primeiro turno, obtendo 50% mais um dos votos válidos, diante de uma série de candidatos que se apresentaram livremente ao eleitorado, dá ao resultado uma dimensão inequívoca da vontade majoritária do eleitor.

Foi o que aconteceu em 1994 e em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso, o candidato da coligação PSDB-PFL, venceu no primeiro turno.

Na primeira vez, derrotou Lula, candidato por uma coligação de esquerda que unia o PT ao PSB, PPS, PCdoB, mais outros três candidatos de partidos importantes — Orestes Quércia pelo PMDB, Leonel Brizola pelo PDT e Esperidião Amim pelo PPR — e mais uma enxurrada de candidatos de pequenos partidos.

Na reeleição, derrotou novamente Lula e mais Ciro Gomes pelo PPS, Alfredo Sirkis pelo PV e outra série de pequenos partidos, entre os quais se destacava o Prona do Enéas.

Já as vitórias de Lula se deram no segundo turno, sempre contra os candidatos do PSDB, e ele recebeu o apoio de diversos partidos.

Em 2002, do PSB de Garotinho e do PPS de Ciro Gomes, e em 2006, se não oficialmente do partido, dos eleitores do PSOL de Heloisa Helena, e do PDT de Cristovam Buarque.

Havia certa lógica nas coligações, e os acordos políticos no segundo turno faziam sentido.

A ampliação da coalizão governamental no segundo mandato de Lula, numa montagem política que visava não a um projeto de governo, mas à manutenção de um projeto de poder com vistas à permanência de um grupo político no controle das ações por tempo indeterminado, reduzindo ao máximo a possibilidade de alternância no poder, transformou a sucessão presidencial em um jogo de bastidores que fez diversas vítimas até agora.

A primeira foi o próprio PT, que teve que engolir a candidatura de Dilma Rousseff.

Depois os partidos historicamente alinhados ao PT, que foram sendo postos de lado em benefício do PMDB.

Em vez de abrigar facções daquele partido, como tradicionalmente acontecia, o segundo governo Lula conseguiu unir o PMDB, dando a cada facção um punhado do Ministério.

A coalizão do governo Lula mostrou-se instável para levar adiante projetos políticos, mas a maioria que a compõe, partidos de corte tradicional, pragmático, clientelista, sem qualquer afinidade com o projeto político do PT, mostrou-se eficaz para impedir que o governo sofresse qualquer constrangimento das oposições.

Tudo em troca de pedaços autônomos de poder. É essa estranha montagem política que criou a mais heterogênea base parlamentar de um governo nos tempos recentes e lançou a candidatura oficial com uma propaganda eleitoral que terá, em teoria, o dobro do tempo da oposição.

E é ela também que impediu que o PSB lançasse uma candidatura alternativa à escolha oficial, na tentativa de levar o eleitor que gosta de Lula a uma escolha inevitável.

Não está dando certo até agora, o que não quer dizer que não dará.

Por enquanto a política está funcionando mais do que planejavam os arquitetos da escolha inevitável de uma criatura eleitoral tirada do bolso do colete do grande líder.

Um bom exemplo de como uma campanha eleitoral pode dar ao eleitor alternativas que não estão nos planos preconcebidos é a eleição da Inglaterra, onde o liberal Nick Clegg aparece como o azarão que pode forçar uma composição política nova que quebre a dicotomia Trabalhismo (Gordon Brown) x Conservadorismo ( David Cameron).

Entre nós, graças ao esforço inusitado do presidente Lula, muitas vezes passando por cima da legislação, apenas a senadora Marina Silva do PV surge como uma terceira via possível, e mesmo assim porque ela deixou o PT.

Independentemente do que se pense deste ou daquele candidato, usar o poder da Presidência da República para tentar impor ao eleitorado uma escolha plebiscitária que pressupõe que exista apenas um lado bom, é negar um processo virtuoso de evolução do país e reduzir o jogo democrático a uma pelada “nós contra eles”.

Estou em Córdoba, na Espanha, para acompanhar o seminário da Academia da Latinidade, que teve início ontem. A XXI Conferência continua o trabalho de mais de uma década na busca do diálogo entre o mundo islâmico e o Ocidente.

Discute-se aqui nos próximos dias a construção de um ambiente propício à reciprocidade internacional que supere distorções ideológicas e impeça o crescimento do terrorismo e de todas as formas de fundamentalismo.

CELSO MING

A farsa 
Celso Ming 

O Estado de S.Paulo - 27/04/2010

Difícil discordar do ex-governador José Serra. O Mercosul é uma farsa e, tal como está, é um peso morto para o Brasil.

Há anos que Serra tem manifestado esse ponto de vista. Mas só agora, na condição de candidato da oposição à Presidência com boas possibilidades de vitória nas próximas eleições, sua opinião começa a ser levada em conta.

O Mercosul nasceu como área de livre comércio, o primeiro estágio de uma integração econômica. Uma área de livre comércio é aquela em que não há barreiras alfandegárias para o fluxo de mercadorias. Elas transitam de um sócio do bloco para o outro, como um carregamento de geladeiras cruza as fronteiras entre São Paulo e Minas.

Mas, em 1995, quatro anos depois de ter nascido, foi alçado à condição de união aduaneira. Esse é o estágio seguinte, em que não só há livre circulação de mercadorias, mas há união comercial, o que exige adoção da mesma política comercial entre os membros. Isso significa que as tarifas alfandegárias cobradas na entrada de produtos dos países de fora do bloco têm de ser as mesmas. Consequência inevitável desse princípio é o de que os tratados comerciais são negociados em conjunto.

O problema é que o Mercosul não consegue nem mesmo ser uma área de livre comércio. Não só há tarifas alfandegárias entre os membros, como a todo momento o comércio entre Brasil e Argentina, por imposição da Argentina e, às vezes, do Brasil, está sujeito a travas, proibições e limitações. O principal argumento argentino é de que "não há simetria" de condições econômicas entre os dois países e que, por isso, o produto argentino precisa ser protegido da competição aniquiladora da mercadoria brasileira.

Não compensa sequer questionar a qualidade da argumentação argentina. Se não há condições nem para se ter uma área de livre comércio, menos ainda haverá para que o Mercosul seja uma união aduaneira.

E, no entanto, o Brasil não pode ampliar seu mercado para exportações porque, na condição de integrante de uma união aduaneira formal, não pode negociar isoladamente com outros países. Tem de arrastar consigo Argentina, Uruguai e Paraguai. Tratados comerciais exigem aberturas recíprocas de mercado. Se a Argentina não aceita nem sequer a abertura do seu mercado para o produto brasileiro, muito menos a aceitará para países ainda mais competitivos. Enquanto o resto do mundo negocia bilateralmente, o Brasil fica estrangulado em sua política comercial porque a Argentina veta toda iniciativa de negociação comercial.

Admitida a farsa ou, se não isso, admitida a impotência do Mercosul, é preciso saber o que fazer com ele. Serra não entra em pormenores. Afirma apenas que é preciso flexibilizar os tratados, de maneira a permitir que o Brasil e os demais países que assim o desejarem possam fazer o que tem de ser feito.

Flexibilizar o Mercosul é um eufemismo para não ter de empregar a expressão mais crua. O Mercosul não precisa ser flexibilizado, precisa ser rebaixado. E não basta rebaixá-lo à condição de área de livre comércio. É preciso garantir que a área de livre comércio funcione.

Afora isso, não há futuro numa integração econômica entre países se não houver, ao mesmo tempo, convergência entre as políticas fiscal, monetária e cambial. Sem essa convergência, as tais assimetrias continuarão aumentando e, com elas, também a farsa.
Confira
Aumentou a deterioração das expectativas de inflação em 2010. Pela 14ª semana seguida, o mercado ajustou para cima suas projeções. Na média, passou a 5,41%. A meta é 4,5%.
Aí tem... 
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ontem advertiu de que não se deve ler nas entrelinhas da ata do Copom o tamanho da dose dos juros que virá. Foi o suficiente para puxar as apostas para uma alta de até 1 ponto porcentual.
Aí não tem... 
Enquanto isso, o ministro Guido Mantega avisa que essa inflação aí não é nem um pouco importante.

A TERRORISTA MENTIROSA


QUEM SOU EU?

ANCELMO GÓIS

João no Facebook 
Ancelmo Góis 

O Globo - 27/04/2010

João Gilberto não viu a página no Facebook que leva seu nome e também não leu as reportagens a respeito.
— Não vi nem li — ele disse ontem — e não é por menosprezo aos meninos que fazem isso.
É que não tenho interesse em mandar recados, fazer fofoca, bater boca e ofender pessoas.
Segue...
Amigos lhe contaram que, no Facebook, João aparecia como um sujeito mal-humorado. O cantor reagiu com uma risada.
Mas quando falaram que um dos comentários a ele atribuídos era uma crítica a Bento XVI, João ficou bem chateado, triste mesmo. Sempre que vê o Papa na TV, o baiano interrompe o que está fazendo para escutá-lo com atenção e respeito.
E ainda...
“Não tenho nada com isso, não sou eu”, disse João. Sua vontade, enfatizou, é que “esta história acabe de vez”.
A polêmica do Facebook de João foi levantada pelo repórter Leonardo Lichote, do GLOBO.
No mais...
João Gilberto, no momento, prepara-se para shows que fará em junho em Nova York, Boston e Chicago, nos EUA.
Café com artistas
Este café de Dilma com artistas, domingo, em Ipanema, teve quórum miúdo. Mas quem brilhou foi mestre Hugo Carvana,72 anos, que, no meio do debate, pediu para mudar o disco: — Eu não vim aqui para discutir teatro ou cinema. Eu quero discutir o Brasil.
Assim foi feito.
Gaiatos da Vila
Veja a alegria dos meninos do Santos.
Domingo, no ônibus a caminho da final contra o Santo André, no Pacaembu, o presidente do clube, Luís Álvaro Oliveira, pediu aos jogadores que autografassem umas camisas para dar de presente a convidados do camarote santista.
Mas...
Acredite. Neymar, Robinho, Ganso & Cia., de gaiatice, em vez de assinar seus nomes, escreveram os de... Pelé, Messi, Ronaldinho, Kaká, Cristiano Ronaldo...
Tentaram até imitar as assinaturas.
A de Pelé, feita por Neymar, teria ficado igual.
Poder zen
Do ministro zen Ayres Brito, ex-presidente do TSE que costuma meditar, ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto: — O senhor tem um dos ministérios mais estressantes da Esplanada. Aconselho-o a se isolar em silêncio e fazer 20 minutos de meditação diária.
Piolhos e lêndeas
A juíza Vanessa de Oliveira Cavalieri Félix, da 2° Vara Cível de Nilópolis, RJ, determinou que a Cabelos’s.com indenize em R$ 12.420,70 Maria Aparecida Emiliano de Freitas Lopes.
É que Maria Aparecida comprou cabelo humano da empresa para fazer um implante e os fios vieram cheios de... eca!... piolhos e lêndeas
Gatuno a bordo
Domingo, no voo 1856 da Gol (Buenos Aires-Rio), três passageiros se queixaram à tripulação da presença de um gatuno a bordo. É que as compras que tinham feito no free shop de Buenos Aires sumiram enquanto dormiam. Meu Deus...
Uma das vítimas foi a jogadora de vôlei Sandra Pires
Fora da lei
A boate Soho, na Barra, no Rio, divulga num telão o Twitter da Lei Seca, mão amiga de bebuns que traz informações das blitzes do bafômetro
Saliência no Metrô
Corre na 4° Vara Cível do Rio ação em que um rapaz cobra indenização do Metrô por ter sido condenado pelo crime de “abuso contra uma moça no vagão”.
A moça argumentou que, no roça-roça do vagão superlotado, o rapaz “não conseguiu se segurar e acabou se empolgando”.
Segue...
O rapazola, inconformado com a condenação, decidiu processar o Metrô. Segundo ele, a culpa foi da superlotação.
A moça havia apresentado como provas uma cópia do Boletim de Ocorrência e seu vestido “sujo”. Há testemunhas.

A CENA É DE ontem, por volta de 11h, na esquina das ruas Figueiredo de Magalhães e Barata Ribeiro, epicentro do formigueiro humano de Copacabana.

Seis jovens tinham acabado de roubar o cordão de uma senhora e três deles foram imobilizados por uma arma não letal que a PM vem usando. É a pistola Taser, que solta descarga elétrica e paralisa a vítima por 90 segundos. A imagem choca: o atingido se treme todo, como numa convulsão. Os PMs mantiveram os garotos sob a mira (veja na foto), enquanto os três se tremiam. A parte mais triste não aparece: em volta, a turma aplaudia e pedia mais brutalidade. Intolerância que não leva a nada.
Mas, ainda assim, o uso de arma não letal é avanço.
Assim agem as polícias dos países mais civilizados
LAVÍNIA VLASAK, a linda atriz, faz pose cheia de charme durante o lançamento da nova coleção de uma estilista carioca, no Leblon
TODO CORUJA, o ator Marcos Palmeira brinca com a filha Júlia na plateia de uma apresentação do Circo Las Vegas, na Praça Onze. A cena, aliás, é uma fofura
Ponto Final
A turma do PT (Dilma à frente), reforçada por Sérgio Cabral, que se reuniu na quadra da Portela, domingo, teve de correr atrás de um marceneiro. É que um tapume com o retrato de Lula, no palco, encobria as imagens de N. S. da Conceição e São Sebastião, e causou protestos. Resultado: o painel (veja na foto) teve de ser serrado. Amém.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Norma Rousseff
FERNANDO DE BARROS E SILVA

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/04/10

SÃO PAULO - Mas pode chamar também de Dilma Bengell. Como assim? Explico: na capa do site oficial de Dilma Rousseff (dilmanaweb.com.br), há uma sequência de três fotos, formando um painel ao lado da inscrição "MINHA VIDA".
A primeira foto à esquerda é da Dilma bebê, com seus dois ou três aninhos, o olhar sério e o cabelo de franjinha. A terceira imagem, à direita, é muito recente, poderia ter sido feita ontem; lá está Dilma tal como a conhecemos, o cabelo curtinho e avermelhado, o mesmíssimo olhar da primeira imagem.
O problema é a foto do meio. Ao fundo, há um cartaz, onde se leem palavras de ordem: "Contra censura pela cultura". Em primeiro plano, há uma mulher de cabelo curto e séria, cujo rosto é bem menor do que o das imagens ao lado. Sim, estamos nos anos 60. Sim, ela está numa passeata. Sim, claro, só pode ser Dilma Rousseff. Claro, mas errado.
A jovem manifestante da foto parece Dilma, mas é a atriz Norma Bengell. Participava da famosa Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968.
Colocada entre a Dilma bebê e a Dilma madura, a foto da "Dilma jovem" é uma óbvia enganação. Mas ainda pior é a "nota de esclarecimento" que anexaram ao blog da candidata depois que o truque veio à tona: ali se "lamenta" a "interpretação equivocada" e se diz que "jamais houve a intenção de confundir a imagem de Norma Bengell com a de Dilma, o que seria estapafúrdio".
O que essa nota estapafúrdia faz é apenas colocar a cereja do cinismo sobre o bolo da impostura.
A pretexto de "ressaltar" que Dilma participou das "lutas contra a ditadura", seu blog investe na arte de iludir. Lá dentro, informa-se corretamente que a ex-ministra pertenceu a dois grupos adeptos da luta armada -o Colina e a VAR-Palmares. Bom ou mau, isso é diferente de tomar parte numa passeata.
Confundindo Dilma com uma atriz, seu site parece fazer da campanha um tipo de teatro. Faz sentido para uma candidata que, fora do governo, dá a impressão de ainda estar à procura de seu personagem.

PAINEL DA FOLHA

Cascas de banana
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/04/10
 

Sem deixar de reconhecer a importância mobilizadora da internet, petistas envolvidos na campanha de Dilma Rousseff se preocupam com a relativa falta de supervisão sobre a produção de colaboradores que alimentam as redes sociais. Ontem, lia-se no Twitter da candidata: “Tive informações do Ministério da Justiça de que, de maneira alguma, se pretende soltar 20% dos presos do país”. Trata-se de resposta a uma reportagem sobre projeto para monitoramento por tornozeleira eletrônica de detentos libertos. 
Há quem questione a opção de escalar a própria Dilma (ainda que outros escrevam, trata-se de seu endereço oficial) para rebater noticiário potencialmente negativo e que nem mesmo está na ordem do dia.
Outro dia - Dilma iria nesta quinta-feira ao “Programa do Ratinho”, no SBT, mas o apresentador alegou imprevistos, e a participação foi adiada. 
Durão - Com linguajar adaptado ao programa de José Luís Datena, na Band, José Serra referiu-se ontem ao “pedófilo maldito” e defendeu “engaiolar criminoso”. 
Gargarejo - Com a mesma dor de garganta que o afligia ontem na Band, o tucano teve de interromper entrevista à TV Amazônia na sexta. Foi socorrido pelo correligionário Arthur Virgílio. “Repita comigo: brummm, brummm”, orientava o senador. 
De grão... - No esforço para sedimentar as relações com o PP, Yeda Crusius resolveu agilizar a indicação do deputado Vilson Covatti para vice. A Executiva do PSDB gaúcho aprovou documento, enviado ao Diretório Nacional, sugerindo o nome de Francisco Dornelles, presidente nacional do PP, para vice de Serra. 
...em grão - A direção tucana espera que Antonio Anastasia anuncie em breve a aliança que dará ao PP a vice em Minas, fechando a parceria em dois Estados de peso. 
No jogo - No Rio Grande do Sul, o PSB manteve de pé a candidatura de Beto Albuquerque ao governo. O partido cobra aliança do PC do B em retribuição ao apoio dado a Manuela D’Ávila na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre, em 2008. Os comunistas do Brasil, porém, preferem ir de Tarso Genro (PT). 
Não saio - José Artur Filardi (Comunicações) ainda não conseguiu substituir a secretária de comunicação eletrônica, Zilda Beatriz. Ela avisou que só sai depois de conversar com seu primo, o ex-ministro Hélio Costa (PMDB). 
Bastidores - Aloizio Mercadante (PT), agora lançado ao governo paulista, e Paulo Skaf (PSB), que teve a candidatura fragilizada pela retirada de Ciro Gomes da disputa presidencial, encontraram-se ontem nos estúdios da Band, onde participaram de programas diferentes. Conversaram a sós por cerca de 15 minutos. 
Duas canoas - Apesar do apoio declarado do presidente da Força Sindical, Paulinho (PDT), a Aloizio Mercadante (PT), uma parcela expressiva da central pretende apoiar Geraldo Alckmin (PSDB), líder disparado nas pesquisas. 
Engrenagem - Força e CUT pressionarão hoje o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) pelo aumento na alíquota de importações de diversos produtos, sob o argumento de evitar demissões nos setores de autopeças e máquinas. Segundo as centrais, haveria previsão de fechamento de cerca de 30 mil vagas em pleno ano eleitoral. 
Preventivo O TCU convocou os 12 governadores de Estados que receberão jogos da Copa de 2014 para uma reunião em 11 de maio. O tribunal quer fazer recomendações que evitem a paralisação das obras depois de iniciadas.
Tiroteio
Ciro apostou num caminho e não deu certo. Ninguém vai polemizar com ele porque ninguém polemiza com quem está de saída. 
Do peemedebista ROMERO JUCÁ, líder do governo no Senado, em resposta ao deputado do PSB, que, em retirada da disputa presidencial, definiu o PMDB como “um ajuntamento de assaltantes”.
Contraponto
Liga pra mim 
A certa altura do governo Sarney (1985-1990), o então deputado Leopoldo Bessone (PMDB) entrou na lista de cotados para virar ministro da Reforma e Desenvolvimento Agrário, o que colocou a imprensa em seu encalço. 
Naquela época pré-celular, um repórter conseguiu o número da casa de Bessone e não parou mais de ligar: 
- O senhor vai ser ministro? 
- Meu caro, não tem nada disso... 
No enésimo telefonema, ele resolveu abrir o jogo: 
- Estou esperando o Sarney ligar. Se o número estiver ocupado e ele escolher outro ministro, eu te mato! 
Em tempo: Sarney encontrou Bessone, que ocupou o ministério de agosto de 1988 a fevereiro de 1989.

JAPA GOSTOSA

DORA KRAMER

Uma estranha no espelho
DORA KRAMER
FOLHA DE SÃO PAULO - 27/04/10

- Dilma Rousseff tem estilo definido adquirido ao longo da vida e características que determinam seu comportamento: modo de falar, maneira de pensar, forma de manifestar o raciocínio e de expressar o gestual. É assim com todo mundo. 

Para simplificar, chamemos de personalidade o conjunto de características que faz as pessoas se conduzirem desse ou daquele jeito no convívio externo e as leva a orientar seus mecanismos internos conforme critérios particulares.
Cobra-se de Dilma Rousseff uma “mudança de discurso” nessa fase inicial da pré-campanha, a fim de corrigir falhas que, segundo avaliação do presidente Luiz Inácio da Silva, já esboçadas pelo comando da campanha do PT, deixam em vantagem o pré-candidato do PSDB, José Serra. 
Na realidade o que se quer de Dilma é que altere sua personalidade, que seja outra pessoa. De uma hora para outra abandone o palavreado técnico que fazia dormir plateias no Palácio do Planalto e assuma um vocabulário de termos sintéticos, empolgantes.
Que saia dos gabinetes para os palanques a seduzir multidões, cheia de charme; que sorria; que nunca mais chame ninguém de “minha filhinha” ao dirigir-se a jornalistas em entrevista; que não ponha o dedo em riste no rosto do interlocutor; diga frases curtas e, por Deus, complete o raciocínio.
Consta também que Dilma precisa demonstrar segurança e “passar” experiência, não se envolver em tantas polêmicas e, de preferência, deixar de lado esse negócio de ficar comparando os governos Lula e FHC.
A estratégia do plebiscito “nós contra eles” foi inventada por Lula. Não deu certo por erro de cálculo do presidente, que imaginou poder estabelecer a pauta da campanha.
Quanto à reinvenção de Dilma, ela já mudou em relação ao modelo original e provavelmente aí tenha residido o maior equívoco. Não na constatação de que a figura irritadiça não saberia bem ao paladar do eleitor.
Mas na crença irreal de que em questão de meses seria possível incorporar características inteiramente novas em alguém, algumas opostas à natureza da pessoa.
Por que será que Dilma não consegue completar um raciocínio? Muito possivelmente porque não se reconhece na estranha personagem, não tem segurança sobre como se comportar, nunca sabe se está no caminho certo, se o que está dizendo corresponde ou não ao que esperam dela.
Dois exemplos para comparação. 
Quando esteve no Congresso e se envolveu num bate-boca com o líder do DEM, senador Agripino Maia, sobre mentiras ditas durante torturas, Dilma foi Dilma.
Dura, antipática, jamais poderia com aquele tom enfrentar uma campanha eleitoral em que teria de abordar outras questões. Mas dominava o tema, levou Agripino às cordas, segura feito rocha.
Quem era a pessoa que na semana passada estava sendo entrevistada pelo apresentador José Luiz Datena, da TV Bandeirantes? Ninguém. Alguém que saíra de si e ainda vagava feito ectoplasma sem conseguir a incorporação adequada.
Sorria sem espontaneidade, segurava as mãos com receio do dedo em riste escapulir, não dava sentido às respostas. Não sabia era como falar na televisão como candidata, como de resto se viu no governo, não sabe dar entrevista, não sabe lidar com imprensa, não é do ramo dela o público.
Nota-se, Lula e José Serra também mudaram. Mas aproveitaram o que já tinham, não foram artificialmente virados do avesso. Lula deixou de lado o enfezado e assumiu o bem-humorado. Serra agora já não emburra, não se isola e resolveu relaxar, mostrar a face oculta.
Ambos depois de muito errar, de muito apanhar e ao constatar que estavam diante da derradeira chance.
O que se exige de Dilma é que passe a ser aos 62 anos de idade uma pessoa oposta ao que sempre foi e numa atividade nova, diferente da que sempre exerceu.

Sobreviventes
 - Ao contrário de Ciro Gomes, que morreu na praia afogado na rede da proximidade política, Marina Silva e o PMDB sobreviveram a Lula. Marina, porque foi cuidar da vida rompendo os velhos laços de afinidade.
E o PMDB ao impor sua força sem se conduzir como aliado submisso.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Eu vou espernear até terça-feira”
CIRO GOMES (CE), QUE DECIDE HOJE COM O PSB SOBRE SUA CANDIDATURA A PRESIDENTE

PARA LULA, CIRO DESTRUIU SUAS PRÓPRIAS CHANCES 
O presidente Lula lamentou, mas não muito, o desfecho melancólico do projeto presidencial de Ciro Gomes (PSB). Ele lembrou a um senador que Ciro “apostou em quatro cenários” e todos deram errado. Primeiro, apostou que Dilma Rousseff não se viabilizaria, até por razões de saúde; depois, quis ser o vice dela, tentando desqualificar o PMDB. Flertou com Aécio Neves, para ser vice, e ainda tentou “voo solo”.

OUTRO FIASCO 
Lula não menciona, mas ele fez Ciro Gomes se lançar candidato ao governo de São Paulo. Mas o deputado também sepultou o projeto. 

PERGUNTA NUM TAKE
Será que Dilma Rousseff, que se passou por Norma Bengell em seu site de campanha, também trabalhou em Os Cafajestes? 

HASTA LA VICTORIA 
Suspeita-se que até o companheiro Fidel Castro, o Mr. Gaga de Cuba, ao citar “Sierra Maestra”, faz campanha subliminar para o adversário.

CORTE NOS GASTOS
O governo do Distrito Federal tem quase 9 mil “cargos de confiança” que não foram preenchidos no governo Arruda. Serão extintos.

PETROBRAS PUNE EMPREITEIRAS COM SUSPENSÃO
Existe algo mais além dos arrebites de carreira na relação da Petrobras com as empreiteiras, tradicionais doadoras de campanhas eleitorais: há dias, suspendeu a Mendes Júnior e contratos pelos próximos seis meses. Um funcionário estaria desviando válvulas das plataformas da bacia de Campas, após ser expulso das dependências da estatal. Medida mais séria atingiu a Alusa, que foi suspensa por 200 dias.

GELADEIRA
Além da suspensão, a Alusa está impedida de trabalhar com a Transpetro, subsidiária da Petrobras, e com a engenharia da estatal. 

TREM-FANTASMA
A Alusa também perdeu a produção de gás, e se deu mal na área de abastecimento. A Camargo Corrêa deve ser suspensa por 100 dias. 

SEM COMENTÁRIOS
A Petrobras informou que não vai comentar o assunto, e que as questões se referem a “relações contratuais com as empresas”. 

CINEMA PARADISO 
Tem muita gente achando que foi lapso freudiano da campanha petista colocar a foto da atriz Norma Bengell como se fora Dilma Rousseff, no site da candidata. Ambas são conhecidas pelo popular “humor de cão”.

NÃO É ELA 
Dilma enviará declarações gravadas para rádios, a partir desta terça. O aviso que ela mandou às emissoras é tão gentil e simpático que outra vez ficou provado: não é ela quem escreve o que a candidata assina.

“MENAS GENTE”
Após tascar “cituação” no próprio twitter, o assessor que escreve por Dilma no twitter da candidata chamou ontem metrópoles de “metrópolis”. O nome dele é Marcelo Branco, mas até parece Lula.

DANÇA DAS CADEIRAS
O governador do DF, Rogério Rosso, deve nomear David de Matos em lugar de Jaime Alarcão, no cargo de secretário de Obras. Outro que deve rodar é o secretário de Transportes, Gualter Tavares, acusado de ameaçar empresários que denunciaram suposta maracutaia na área.

PF DEVE AOS CORREIOS
Mal das cartas, os Correios não divulgam a dívida dos clientes, mas confirma que a Polícia Federal do Amazonas e do Rio “descumprem contrato”. No Rio, até saldar o débito, a PF não pode usar os serviços. 

É DIFÍCIL
O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso (PMDB), confirmou pessoalmente, ontem, o que a coluna revelou há um mês: R$ 10 milhões em equipamentos de saúde estão mofando em um depósito. O secretário de Saúde não conseguiu comprar “plaquinhas de patrimônio”. 

DINHEIRO É VENDAVAL
O Dnit informou ontem que os R$ 28,1 milhões destinados a casas para sem-terra que invadiram uma faixa de domínio, na BR-448, “nada têm a ver” com o MST, mas com a Prefeitura de Canoas (RS). Anrã.

RIGHI VIVE 
O ex-deputado Gastone Righi (PTB-SP) está vivinho da silva, ao contrário do que esta coluna publicou, e dedicado a suas empresas, como a Rádio Enseada FM, na cidade 
de Santos. Pedimos desculpas pelo erro.

RELEVÂNCIA ZERO
Não é nada, não é nada, o encontro Brasil-Caribe, realizado ontem, em Brasília, não é nada mesmo. 

PODER SEM PUDOR 
SAUDOSO E NOS TRINQUES
Rumo aos 90 anos, mas com corpinho de 70, Miguel Arraes ainda tinha dificuldades de entender por que o locutor que animava sua campanha para deputado federal, em 1989, sempre o anunciava assim:
– Atenção, o saudoso doutor Miguel Arraes acaba de chegaaaar!
Ele achava a maior graça, nunca se queixou do locutor trapalhão.

CRISE DE IDENTIDADE

TERÇA NOS JORNAIS

Globo: PM começará pelo Borel ocupações na Zona Norte

Folha: Violência no Guarujá faz EUA alertarem turistas

Estadão: Incra poderia assentar 50 mil famílias, e ainda desapropria

JB: Alencar é vítima de extorsão

Correio: Receita do ministro: sexo cinco vezes por semana

Valor: STJ conclui texto do novo código de processo civil

Estado de Minas: Hipertensão avança e ministro receita sexo

Jornal do Commercio: Babá fica livre