segunda-feira, abril 19, 2010

PAINEL DA FOLHA

Fobia de dossiês
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/03/10

O presidente Lula teme que a disputa em torno da sucessão de Sérgio Rosa na presidência da Previ descambe para uma guerra de dossiês. O Planalto tem dito que ninguém ganhará com isso. Rosa, que preside há quase uma década a cobiçada entidade dos funcionários do BB, com R$ 142 bilhões em ativos, sairá no final de maio. Ele diverge de Aldemir Bendine, presidente do banco, quanto ao nome de seu sucessor. A turma de Rosa, incluído aí o deputado Ricardo Berzoini, opõe-se ao candidato de Bendine, o vice-presidente de Varejo, Paulo Caffarelli. Por enquanto, Rosa sinaliza que seu candidato é o diretor de Participações, Joilson Rodrigues Ferreira.


Tirinho. Se a candidatura de Ciro Gomes vier a fracassar por falta de apoio do Palácio do Planalto, alguns de seus amigos mais próximos duvidam de que ele vá reagir com destempero e ataques ao PT e ao governo. No máximo, dizem eles, Ciro vai disparar uns poucos tirinhos.
Companheiro. Erenice Guerra vai se mudar para a residência oficial do chefe da Casa Civil. A nova ministra, porém, não herdará o cachorro Nego, que José Dirceu deixou para Dilma Rousseff. Na mudança, o melhor amigo seguiu com a candidata.
Sem refresco. A quem lhe pergunta se a vida mudou com a promoção de secretária-executiva a ministra de Estado, Erenice responde: "Minha agenda continua tão cheia quanto antes".
Emoções fortes. Faz parte da estratégia nacional do PT que, uma vez feitas as prévias em Minas, o partido indique um nome ao Senado, mas apóie a candidatura de Hélio Costa (PMDB) ao governo. No entanto, segundo o núcleo da campanha de Dilma, o desfecho da novela não será fácil.
Caso de polícia. De um senador peemedebista, sobre os entraves regionais à aliança PT-PMDB: "Daqui a pouco esse casamento não será mais celebrado na igreja, e sim na delegacia".
Na estrada. Além da passagem hoje por Minas, José Serra programou pelo menos mais duas viagens para esta semana. O tucano irá ao Rio Grande do Norte, onde a aliança está fechada com a candidatura de Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo.
Bombeiro 1. Ali, Serra também fará um aceno ao PV ao aparecer ao lado da prefeita de Natal, Micarla de Souza. Ele busca um acordo de concicliação para acomodar o DEM no palanque de Fernando Gabeira no Rio.
Bombeiro 2. Em outra missão de paz, Serra irá a Goiás, onde PSDB e DEM não se entendem. De um lado, há o candidato tucano ao governo, Marconi Perillo. De outro, o deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres.
Rock Pesado. O governador do DF eleito indiretamente no sábado, Rogério Rosso (PMDB), tocava baixo numa banda de metal pesado chamada HYAT.
Mesma música. Do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre a eleição indireta ao governo do DF: "Mudaram os personagens, mas há persistência do esquema criminoso".
Luxo só. Neopensador do PMDB, Mangabeira Unger propôs, em documento de 47 páginas enviado ao partido, que o "padrão de vida de luxo" dos brasileiros seja "intensamente tributado". Já entre as considerações ecológicas de Mangabeira, ele define o cerrado, e não a floresta amazônica, como o ecossistema sob maior ameaça no Brasil. 

com SILVIO NAVARRO e ANDREZA MATAIS
Tiroteio
"Quem tem Kassab ao lado deveria pensar duas vezes antes de fazer a infeliz comparação entre o apoio de Lula a Dilma e o caso Maluf-Pitta."

Do deputado federal JILMAR TATTO (PT-SP), sobre a afirmação de Serra de que não necessariamente o sucessor repete a avaliação positiva do antecessor, citando como exemplo os dois ex-prefeitos de São Paulo.
Contraponto
Você primeiro Em 1998, quando ainda não havia entrado para a política, José Alencar almoçou com Itamar Franco, que recebeu telefonema do ex-governador de Minas Hélio Garcia:
-Itamar, sou candidato ao Senado. Você vai me apoiar?
A resposta veio na forma de outra pergunta:
-Eu sou candidato ao governo. Você vai me apoiar?
Garcia saiu pela tangente:
-Eu sou suprapartidário...
Itamar então se voltou para Alencar:
-Você quer ser senador?
-Uai, se for para ajudar, eu entro...
Itamar então retomou a conversa telefônica:
-Hélio, eu já tenho candidato ao Senado!

ANCELMO GÓIS

Clube dos 2 mi
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 19/04/10

“Chico Xavier, o filme”, de Daniel Filho, é o novo sócio do clube dos 2 milhões de espectadores.
O número corresponde, mais ou menos, à quantidade de brasileiros declarados espíritas.
Mas o filme tem sido visto por pessoas de várias religiões.

País do cinema 
O Brasil se torna, aos poucos, o país dos... festivais de cinema.
Acredite, já são quase 150.
Pois em junho agora nasce mais um: será realizado, em nove capitais brasileiras, o Festival de Cinema Francês, que trará dez filmes inéditos da terra de Sarkozy.

Paz em Copacabana 
Pelas contas da polícia do Rio, Copacabana não contabilizou em fevereiro nenhum registro de homicídio, latrocínio, assalto a residência, e, acredite, nenhum roubo de carro.
Isto ocorreu no mês em que o bairro estava cheio de turistas por causa do carnaval.

E mais 
Os dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) mostram ainda que em fevereiro ocorreram 473 homicídios no Rio.
O número é grande, muito grande, mas é o menor registro para este mês, desde 1991.

Malhação S.A. 
A academia Ipanema Sport Club, que funciona 24 horas, vai abrir quatro filiais nos EUA.
O empresário Marco Bruno Pederneiras e sócios investirão US$ 20 milhões no projeto. As filiais ficarão em Nova York (duas), Miami e São Francisco. O estilista Calvin Klein atuou como padrinho do negócio.

ESTE POSTE que desafia a Lei da Gravidade em frente ao número 2.214 da Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, foi apelidado pela vizinhança de... Poste de Pisa. É alusão à famosa inclinação da torre italiana, que, há 800 anos, intriga especialistas. Moradores reclamaram com a Rioluz há cerca de um mês, mas nada foi feito até agora. Não convém esperar que o destino do poste seja o mesmo da torre da bela região da Toscana, que parece ter atingido o equilíbrio desde o século XIX. Alô, prefeitura!

Além das estatais 
No papel, a futura usina de Belo Monte será, como se sabe, controlada por grupos privados, empreiteiras quase sempre.
Mas o braço público vai além dos 49% de ações que estatais da família Eletrobras terão, seja qual for o consórcio vencedor no leilão de amanhã.
O consultor Adriano Pires lembra que o BNDES vai financiar a obra em 25% num prazo de 30 anos. “O total do financiamento será de R$ 13,5 bilhões via Tabela Price, que é muito mais vantajoso por cobrar juros decrescentes, e não pelo Sistema de Amortização Constante, cujas prestações são fixas.”

E mais... 
Durante dez anos, a Sudam dará um desconto de 75% no Imposto de renda a ser pago pela futura usina. Além disso, os fundos de pensão — os mais fortes são paraestatais — deverão aderir ao consórcio vencedor.

No mais 
Usar o meu, o seu, o nosso dinheiro em Belo Monte pode ser a única alternativa de botar a usina em pé. Mas é preciso deixar isto claro.

ZONA FRANCA 
Alô, Paes! O Galpão Aplauso desde janeiro não vê a cor do dinheiro da prefeitura. O projeto, que atende 400 alunos, merece o aplauso da cidade.
Os escritórios Bichara, Barata, Costa e Rocha Advogados, Lippert & Cia Advogados e Montaury Pimenta integram a Lexwork International.
O advogado Manoel Messias Peixinho lançou o livro “Marco regulatório das parcerias públicoprivadas no Direito brasileiro”.
Sergio e Carlos Lopes recebem amanhã na reabertura da Symbol.

Fim de Gramacho 
Com a licença concedida para a implantação do Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, o prefeito Eduardo Paes faz uma promessa: — Espero dar de presente ao Rio, em dezembro, o fechamento definitivo do Aterro de Gramacho. Com direito a cadeado e tudo.

Segue... 
O fim do Aterro de Gramacho, em Caxias mdash; hoje à beira de um colapso ambiental —, já foi anunciado outras vezes.
A ideia de levar o lixo para Seropédica surgiu por um impasse, que durou uns seis anos, no projeto de um aterro em Paciência.

UPA exportação 
O governo fluminense, veja esta, está exportando as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Depois de praticamente todos os estados construírem UPAs, agora são governos de fora. Hoje o ministro da Saúde da Província de Buenos Aires vem ao Rio fechar a “compra” de cinco UPAs.

Guerra e paz 
Luiz Carlos Prestes Filho, que viveu na Rússia nos anos 1970, foi recrutado pela diretora Celina Sodré para ajudar nas pronúncias e traduções de “Guerra e paz”, de Leon Tolstoi.
O clássico será adaptado para o teatro. Os ensaios começam em maio e a estreia está prevista para 2011.

Marketing do sinal 
Meninos que fazem malabarismos em troca de esmolas no sinal da Avenida das Américas em frente ao Wall Mart exibem nas barrigas a seguinte frase, escrita com tinta: “Drogas: tô fora.”

OS CRAQUES Murilo Endres, ponta da seleção brasileira de vôlei e marido da jogadora Jaqueline, do Osasco, e Ronaldo Fenômeno, na final da Superliga, em que o time paulista sagrouse campeão

MESTRE EDU Lobo, o filho, Bena Lobo, e sua mulher, Ursula Corona, nos bastidores do Copa Fest, que animou o Copacabana Palace

A CANTORA Loalwa Braz, vocalista do extinto grupo Kaoma, faz dobradinha com Carlinhos de Jesus, nos bastidores do show da artista, no Bar do Tom

CLÁUDIO HUMBERTO


MP evita fiscalização de quem diz representar

O Conselho Nacional do Ministério Público, encarregado do controle externo do setor, tem uma vaga para "representante da sociedade civil", a ser preenchida por indicação da Câmara dos Deputados. Mas, como controle no dos outros é refresco, os procuradores fazem lobby pelo jurista mineiro Luiz Moreira, apoiado pela Associação Nacional do Ministério Público, que é a corporação profissional dos procuradores.


Nem pensar

A assessoria parlamentar da Procuradoria-Geral da República faz lobby dos guardiães da sociedade que não admitem ser fiscalizados por ela.


Fantasminha

O Ministério do Esporte contratou por R$ 3,4 milhões uma empresa para prestar serviços à "Autoridade Pública Olímpica", que não existe.


Metas

O Ministério da Saúde superou a meta de vacinação na área de saúde contra a gripe: mais de 99%. E 80% das crianças estão imunizadas.


Nada muda

O duopólio TAM-GOL combina preços sem pudor, com diferença de apenas sete reais, na ponte Santos Dumont (Rio)-Congonhas (SP).


Rede de intrigas
Sucesso na internet com um virulento vídeo atacando-o, a deputada Cidinha Campos (PDT) atribui ao conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, José Nader, as denúncias de seu envolvimento com a ONG Abradecont, na Comissão de Defesa do Consumidor, que ela preside. A ONG levou R$ 3,2 milhões sem licitação para gerir cem funcionários à disposição de Cidinha Campos.


Apoio estranho

Cidinha Campos apoia a criação de um terceiro Tribunal de Contas no Rio só para fiscalizar municípios, e já com sinal verde de Sergio Cabral.


Mudança

O Ministério da Justiça vai gastar R$ 2,9 milhões em estantes, lambris, portas, revestimento acústico etc. A repaginada vai até março de 2011.


Medalhas

A mulher do vice José Alencar, Marisa, o filho Josué, e Fábio Barreto, diretor do filme sobre Lula, recebem amanhã a Ordem de Rio Branco.


Espera

O corregedor do Tribunal de Justiça do Rio, Roberto Wider, entrou com mandado de segurança no Supremo para voltar ao cargo, após ter sido afastado pelo Conselho Nacional de Justiça. Seu advogado é Aristides Junqueira, ex-procurador-geral, e o relator, o ministro Marco Aurélio.


Propaganda

O Governo não tem para aposentados, mas sobra para propaganda: o Ministério dos Transportes pagará R$ 14 milhões à agência Link/Bagg, por mais um ano. E querem nos convencer de que as rodovias são uma maravilha.


Vale lembrar

Em 2008, quando o Governo Lula gastou apenas 9,1% dos R$ 615,9 milhões para Prevenção e Preparação para Desastres, mais de 130 pessoas morreram vítimas das fortes chuvas em Santa Catarina.


Tuíta na fama

Relator do grupo de análise dos "ficha-suja", o deputado Índio da Costa (DEM-RJ) festeja oito mil seguidores no Twitter. Já José Genoino (PT-SP), contrário ao projeto, recebe mensagens mandando-o "ao inferno".


Furtos no STJ

Têm sido registrados furtos nos estacionamentos externos do Superior Tribunal de Justiça. Os seguranças só cuidam da área privativa do STJ, e a Polícia Militar, é claro, como em toda Brasília, nunca dá as caras.


PODER SEM PUDOR

A fauna do cerrado
Nos primeiros tempos de Brasília, seu construtor, Israel Pinheiro, adorava mostrar o cerrado a ilustres visitantes. Certa vez, levou um grupo à área onde surgiria a cidade de Taguatinga, na tentativa de encontrar alguns dos muitos animais campestres. Pediu ajuda a um lavrador, no caminho:
- Amigo, tem algum veado por aqui?
- Olha, dr. Israel - respondeu o homem, seu conterrâneo de Minas Gerais - aqui mesmo não, mas dizem que tem um naquela boate ali...

A TERRORISTA MENTIROSA

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Caos na Europa: Companhias pressionam para reabrir espaço aéreo

- Folha: Governo investiga suposta fraude nas verbas do Turismo

- Estadão: PT e PSDB acirram a disputa na Justiça

- JB: Império alvinegro é campeão

- Correio: MP investigará morte do maníaco de Luziânia

- Valor: Governo quer autocontrole ou nova lei para os cartões

- Estado de Minas: BH tem 3,8 mil casas em áreas de alto risco

- Jornal do Commercio: Muda o comando da Segurança Pública

domingo, abril 18, 2010

DANUZA LEÃO

Um final feliz, dentro do possível
DANUZA LEÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/10


Assim passaram a tarde, driblando as enfermeiras, conversando e rindo. No início da noite, ele se foi


O QUE SERÁ menos pior: ter uma morte relativamente em paz, com o auxílio de todos os procedimentos para evitar a dor, ou passar dias, semanas, talvez meses, rodeado de médicos e enfermeiras, cheio de tubos, com estranhos aparelhos em volta, lúcido, talvez -o que é bem pior-, para poder viver por mais alguns dias, semanas, talvez meses? Difícil, a resposta.
Mesmo assim, merece palmas o novo Código de Ética Médica, que dá ao paciente o direito de decidir se o médico deve ou não continuar o tratamento para prolongar sua vida.
Esse paciente, em caso de impossibilidade, pode registrar em cartório o "testamento vital", delegando poderes a alguém para decidir quais os procedimentos que autoriza (ou não), sobretudo para cessar esforços inúteis para ter mais algum tempo de vida, sabe-se lá de que maneira.
A ideia é boa, mas não imagino alguém, em boa saúde, indo ao cartório para fazer esse testamento. Se já estiver mal, a ideia de levar o tabelião ao hospital é terrível. E afinal, delegar a alguém o direito de decisão sobre nossa vida é muito sério. E essa pessoa, será que aceita tal responsabilidade? É aí que começam os problemas, sobretudo se o doente for rico, pois deve ser alguém de total confiança, que não deixe a menor dúvida quanto à sua decisão. E, de preferência, que não seja herdeiro.
Ainda vai haver muita briga em torno desse Código de Ética. Os médicos, para cessarem com os procedimentos, vão querer ver o tal testamento (com firma reconhecida), e se o próprio doente disser que não quer que prolonguem sua vida, já que não existem esperanças, vão querer isso por escrito, para evitar um processo futuro.
Quem ainda não botou sua colher torta no assunto foi a Igreja. É bem verdade que no momento ela está mal na foto, mas é claro que vai dar seus palpites e dizer que a vida é sagrada etc. e tal. Tão sagrada que não é permitido aos católicos o uso de nenhum contraceptivo, mesmo em caso de risco de morte. E a igreja está perdoando tanto -sem nem precisar pedir- que perdoou os Beatles pela blasfêmia ("somos mais famosos do que Jesus") e anos de sexo, drogas e rock and roll; já já estará perdoando os padres pedófilos.
A verdade é que essa história de morte é muito malfeita, e as pessoas não deveriam morrer, apenas tomar um avião e nunca mais dar notícias.
Os amigos poderiam até reclamar, "poxa, nem um telefonema, nem um e-mail com uma foto", mas com o tempo iriam se esquecendo.
Eu tinha um amigo que ficou longo tempo no hospital sofrendo por um monte de coisas. Num determinado momento de um determinado dia, ele percebeu que estava chegando a hora -ou apenas cansou, nunca vamos saber. Fez um sinal para a mulher, com quem já tinha combinado tudo, ela ligou o iPod com as músicas de que ele mais gostava, tirou da bolsa uma garrafa de uísque, serviu dois, um para cada um, em copos que havia trazido de casa, com gelo e soda, que vieram em um pequeno isopor. Enquanto tomavam a primeira dose, ela, que o havia obrigado a deixar o vício de fumar há anos e que nem fumante era, abriu um maço de cigarros, tirou um, acendeu e pôs na mão dele, que sorriu como não fazia há tempos. Assim passaram a tarde, driblando as enfermeiras, conversando e rindo. No início da noite, ele se foi; ela, quase feliz, por terem usufruído, juntos, algumas horas de bem-estar. Houve quem dissesse que eram dois loucos.
Algum tempo depois foi sua vez; passou por todos os sofrimentos de praxe dentro de um hospital, e imagino que tenha pensado em como seria bom ter alguém que lhe oferecesse uma bebida que a ajudasse a ficar levemente eufórica, só que num hospital essas coisas não existem.
Uma pena, aliás. E essa história é verdadeira.

JANIO DE FREITAS

Os bilhões falsos do autoritarismo
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/04/10


Custo alegado pelo governo da hidrelétrica de Belo Monte não inclui gastos adicionais, subsídios e perdas do BNDES


MAIS uma vez se pode testemunhar com clareza o quanto a conduta presidencial de Lula está impregnada de autoritarismo. Como de desajuste com a pedagogia necessária a uma democracia mais real no Brasil. A imposição, com o comprometimento presente e futuro de recursos incalculáveis, da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu paraense, só deixa à sensatez uma esperança tênue no Judiciário.
Marcado para terça-feira, o leilão entre dois consórcios, para decidir o vencedor da obra e da exploração da hidrelétrica, ainda está sujeito à suspensão por medida judicial. O juiz Jirair Aram Meguerian cassou a liminar que sustava o leilão, mas Renato Brill de Góes, procurador da República, dispôs-se a recorrer para que a palavra judicial seja, ao menos, da Corte Especial do Tribunal Regional Federal de Brasília, e não individual. Adiar o leilão, porém, é apenas um recurso temporário e incapaz de deter a vontade autoritária, para que a decisão final surja do confronto entre a pressa interessada do governo e as evidências contrárias à hidrelétrica.
Os R$ 19 bilhões de custo da usina são uma alegação falsa do governo. Seria, se fosse real, o custo da usina em si. Mas há o custo de infraestrutura da região, os custos adicionais de transmissão da energia, e, claro, os reajustes. A proibição contratual dos reajustes pode impedir certas elevações, mas não, por exemplo, as de imprevistos decorrentes -é certo que haverá- da falta de conhecimento pleno da geologia local para o projeto.
O custo alegado da usina para o país é falso ainda porque não inclui os grandes e duradouros subsídios dados pelo governo aos construtores/concessionários. Não inclui a perda do BNDES, que financiará com juros privilegiados 80% do custo da hidrelétrica, caso o dinheiro se destinasse a outros projetos. E não inclui, também, o prejuízo federal do repasse de dinheiro ao BNDES, pelo governo, abaixo do custo de captação. Por fim, é falso porque a graciosidade do financiamento não se limitará aos 30 anos alegados, mas, a custo tão baixo para o devedor, as prorrogações habituais o levarão a um bom meio século.
Você sabe quem pagará tudo isso? Não importa. Pagará sabendo ou não.
O fato de ser a terceira maior hidrelétrica do mundo não justifica tudo? É outra falsificação. Grande, no caso, pode ser o represamento, sobre a floresta amazônica e zonas hoje habitadas, mas não em geração de energia. Mesmo considerando médias anuais, os números do governo são pífios em relação ao gigantismo da obra e seu custo (financeiro, social e ambiental). E os números se arruinam em definitivo ante a realidade de que, no estio, a redução do volume de água vai se refletir em redução da energia gerada. Indústrias, transportes, comércio e moradias não sustam sua necessidade de energia por causa de estio periódico.
Muitas obras do PAC são do mesmo gênero de Belo Monte, boa parte escolhida ou precipitada por motivo eleitoral. São bilhões sem conta. Outros bilhões, muito misteriosos, são as dezenas aplicadas em armamentos, bases e projetos militares. Como se houvesse um país que tudo pode à custa do país grande, e um país grande que de nada sabe, apenas paga -também sem saber.

VOLVER!

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Zapeando 

João Ubaldo Ribeiro

O GLOBO - 18/04/10


Não dá para continuar a ver e ouvir, no close dado pelo noticiário de TV, o único sobrevivente de uma família dizimada pelos deslizamentos de terra e lixo no Rio de Janeiro. As estatísticas que já transformam em números essas famílias e pessoas não apagam – para mim e para, tenho certeza, a maioria de vocês – suas histórias individuais e é muito doloroso pôr-se, mesmo que tão vicariamente, na pele deles. Gente confrontada por vicissitudes terríveis, mas espantosamente forte e capaz ainda, em meio a perdas irrecuperáveis e desnorteantes, de pensar racionalmente, de fazer planos, de ainda acreditar em alguma coisa. Gente de muito mais fibra do que eu, com toda a certeza, que esfrio de pavor só em imaginar achar-me em situação semelhante.
Mas o telejornal muda de foco e passa a ouvir as autoridades. Os adjetivos comumente atados à palavra "autoridades", ou seja, "responsáveis" ou "competentes", parecem agora empregados em lugar de seus antônimos, soam como ironia de quem fala. Diz uma dessas autoridades que as chuvas que causaram os desmoronamentos resultaram em catástrofes tão inevitáveis quanto os tsunamis, como se as vítimas destes construíssem residências em palafitas de compensado no meio do oceano, ou qualquer coisa assim. Diz mais ainda que não mandou chover, e suponho que os munícipes devem agradecer por ele se abster de fazer isso, ainda que abdicando de um privilégio singular.
Sim, claro que a responsabilidade não é de ninguém e quem pagou foi quem morreu e seus sobreviventes. Tudo dentro da normalidade, da mesma forma que a outra reportagem que apareceu depois que mudei de canal, desta vez sobre o ex-governador Arruda. Ouço que está muito abatido, talvez em depressão. Lembro das minhas velhas aulas de Medicina Legal, quando me ensinavam que muitos criminosos não ficavam abatidos devido a remorsos pelos seus atos, mas, sim, ao fato de terem sido descobertos ou desmascarados. Não será esse o caso em questão, talvez. Deve atentar-se à circunstância de que o ex-governador não é criminoso ainda, mas apenas suspeito, não só porque não foi condenado nem se sabe se será, como porque aquela gravação em que aparecia metendo a mão na granolina deixa muita margem para dúvida, conforme observado pelo presidente da República. Apresso-me a informar que, acima, usei "criminosos" apenas como força de expressão e também tenho sérias dúvidas sobre aquela gravação. Teriam sido notas de cem, cinquenta ou sortidas? Eram todas verdadeiras, nenhuma falsa? Eram novas ou usadas? Por aí vai, é dúvida demais para continuar a sustentar acusações levianas.
O abatimento do ex-governador deve persistir, talvez com altos e baixos, pelo menos enquanto o julgamento não se realizar, se se vier a realizar. Funciona bastante, aqui no Brasil. O comentário é "coitado, é muito difícil para ele, um homem com poder e status como ele tinha, agora nessa situação, é o castigo mais duro que ele pode receber". É possível. Pelo menos no nosso direito consuetudinário, ficar abatido e deprimido funciona bastante, podendo redundar até mesmo em exclusão de punibilidade. Já vi um delegado explicar a um jornalista que o atropelador bêbedo, por ele preso depois de atropelar cinco ou seis pessoas, aleijar todas e matar uma, tinha acordado morto de remorsos, coitado, um verdadeiro farrapo de sentimento de culpa, vergonha e arrependimento, tanto assim que, mal acabara de ser solto mediante uma pequena fiança, procurara atendimento psicológico e estava sob tranquilizantes.
Mudo de canal, mas que vejo? Brasília é também objeto das notícias deste aqui, só que agora a respeito das novas eleições para governador do Distrito Federal. Eleição disputada, muitos candidatos. Ainda bem que, como nos bons tempos, é indireta, não vai dar muita despesa. Entre os seletos eleitores, um deputado recém-egresso de uma temporada na cadeia de Papuda. Bonito colégio eleitoral, essa nossa capital é um exemplo. Vislumbro nisso mais um tento para nós, na legislação paradisíaca que imaginamos existir no cobiçado Primeiro Mundo. Podemos ser os pioneiros em dar aos presidiários direito a eleger, dentre os outros presidiários, seus representantes no Congresso, sem prejuízo dos que já estão lá, é claro. Os eleitos serão soltos e empossados e, se voltarem a assaltar, sequestrar ou estuprar, estarão novamente sujeitos às rigorosas penas da lei, caso o foro especial a que terão direito os condenar.
Quem sabe, talvez um dos canais anteriores traga notícias que inspirem pensamentos menos inquietantes. Mas não, aqui está o caso do psicopata que matou vários jovens, depois de violentá-los. Como se sabe, havia sido preso e condenado, mas teve a prisão relaxada por bom comportamento. Certamente esse bom comportamento se deveu em grande parte ao fato de não haver meninos na penitenciária. Todo mundo sabe que psicopata não se cura nem se recupera e esse ilustrou isso claramente, quando voltou a matar apenas dias depois de ter saído da prisão. Mas quase ninguém, inclusive, ao que parece, o juiz responsável pela soltura, ligou para isso. E não importa tantos meninos terem sido assassinados, o que importa é que nossas leis são as mais adiantadas do mundo (sempre me pareceu que lei adiantada para país atrasado é que significa atraso, mas deve ser burrice minha) e nossa Justiça funciona.
Tanto funciona que também se noticia que um cidadão que reagiu a um assalto domingo e matou um dos assaltantes ficou preso até a quarta-feira passada. Foi em legítima defesa e a arma era do próprio assaltante, mas somente a Justiça poderá determinar isso, sabe-se lá quando. É o que dá o sujeito reagir a assalto e não morrer. Vai preso, para aprender a não desobedecer à orientação da autoridade. E, libertado, ainda viverá com medo de uma possível vingança do assaltante sobrevivente. É, parece que não adianta muito mudar de canal.

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO

O advogado de Ahmadinejad

EDITORIAL

O Estado de S.Paulo - 18/04/10

Se cobrasse honorários por desempenho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia apresentar uma alentada fatura ao seu homólogo iraniano Mahmoud Ahmadinejad pelos extenuantes serviços de advocacia que lhe prestou nos últimos dias. Desacreditando a própria versão oficial de que a intenção do governo brasileiro era mediar o conflito sobre o programa nuclear do Irã, Lula se comportou como patrono de Teerã nas suas reuniões bilaterais com os líderes estrangeiros vindos a Brasília para dois encontros de cúpula: o do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e o do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).
O chinês Hu Jintao, o indiano Manmohan Singh, o russo Dmitri Medvedev e o sul-africano Jacob Zuma ouviram dele o que ouviriam de Ahmadinejad: que a adoção, pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU, de uma nova rodada de sanções contra o Irã, buscada pelos Estados Unidos e a União Europeia, seria inútil ou contraproducente, e que o diálogo é a única via para o país prosseguir com o programa nuclear a que tem direito e a comunidade internacional se convencer dos seus fins pacíficos. Na véspera, de volta da Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington, Lula já havia criticado abertamente o presidente Obama.
"O que acho grave é que ele até agora não conversou com o Irã", acusou. Na realidade, o sexteto formado pelos EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Rússia e China vinha conversando intermitentemente com a República Islâmica, sem resultados. Lula, que visitará Teerã daqui a um mês, temperou a sua defesa da posição iraniana com o reparo de que o país "tem de ser mais transparente para mostrar que a finalidade de seu programa é pacífica". Pelo visto, ele acredita nas intenções declaradas do Irã: o problema estaria apenas na sua opacidade. Como se isso não fosse indício veemente de seus planos para, no mínimo, chegar ao limiar da produção da bomba.
Lula tem afirmado que em 2003 o mundo foi induzido a crer que o Iraque tinha armas de destruição em massa - e que isso não pode se repetir com o Irã. O fato é que Saddam agia como se as tivesse, ao passo que Ahmadinejad age como se não quisesse tê-las. Lula também anunciou que falará "olho no olho" com Ahmadinejad "e, se ele disser que vai construir (a bomba), vai arcar com as consequências do seu gesto". Só mesmo a sideral soberba do presidente para levá-lo a imaginar que o seu anfitrião poderá se confessar com ele. Saindo do terreno da galhofa, o que o Brasil propõe é ressuscitar as negociações sobre a troca de urânio iraniano enriquecido a 3% pelo equivalente russo e francês de 20% de teor, para a produção de isótopos de uso medicinal.
A ideia, discutida em outubro passado na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), visava a reduzir os estoques iranianos de material passível de enriquecimento a 90%, necessário para a bomba. A tentativa de testar a boa-fé do Irã gorou quando Ahmadinejad exigiu que a troca fosse simultânea, o que a tornaria inócua para o objetivo desejado.
Foi a gota d"água para os Estados Unidos passarem a dar prioridade às sanções. Assim como as 3 anteriores, desde 2006, elas resultam das trapaças do Irã com a AIEA, sonegando informações requeridas e ocultando instalações e equipamentos sensíveis.
O retrospecto, é bem verdade, indica que as punições de nada serviram - ou porque saíram aguadas do Conselho de Segurança, sobretudo por obra da China, ou porque foram desrespeitadas até por empresas americanas. É incerto o efeito das próximas, se e quando forem aprovadas. Se forem robustas e receberem maciço apoio internacional, talvez levem os iranianos de volta à mesa, para uma negociação que poderia ser muito mais abrangente, como propõem especialistas em Oriente Médio e diplomatas - desde que o Irã deixe de pregar a destruição de Israel. A questão-chave é a posição da China, que mantém as suas cartas perto demais do peito para permitir prognósticos seguros do seu jogo.
Pequim reluta em punir o Irã que lhe vende 12% do seu petróleo e gás. Mas teria concordado em ao menos discutir as sanções com os outros membros do CS. Eis uma atitude mais madura - ou mais esperta - do que a do Brasil, advogando para Teerã.

A TERRORISTA MENTIROSA

PAU MANDADO

MÍRIAM LEITÃO

Bloco desigual
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 18/04/10

A minha parte favorita do PAC chinês é aquela que prevê intercâmbio entre os partidos brasileiros e o Partido Comunista Chinês. O que será que os partidos brasileiros podem aprender com eles? Talvez ensinem como controlar de forma tirânica um país continental por 60 anos, submeter tibetanos, matar estudantes numa praça e censurar a internet.

Poderia ser, também, como criar uma reserva de mercado para os militantes do partido em todos os postos importantes da burocracia, e assim ocupar a máquina do Estado. Mas para isso já há tecnologia local.

Na área comercial, é interessante a parte do acordo em que os dois países se comprometem a intensificar medidas para a exportação de carne suína, porque os chineses acabam de fazer o oposto. O empresário Pedro de Camargo Neto, da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), foi surpreendido, na quinta-feira, com o anúncio de mais um adiamento da visita sanitária que o governo chinês faria ao Brasil, em maio. Isso é uma etapa obrigatória para suspender o embargo à carne brasileira.

— Lula esteve na China em maio, e eles disseram que mandariam uma comitiva ao país. Nada aconteceu.

Estive na China em fevereiro, e eles disseram que mandariam a comitiva no final de maio. Hoje, fico sabendo que a vinda foi adiada para setembro. A impressão é que os chineses só querem vender, nunca comprar.

O Brasil faz papel de bobo nessa relação — disse o empresário.

O acordo entre os bancos de desenvolvimento finge tornar iguais criaturas totalmente diferentes. A China tem uma taxa de poupança de 53%, e no Brasil se comemora quando ela chega a ser 18%. O BNDES disse que uma das modalidades será assim: Brasil e Índia fazem um projeto que é financiado pelos bancos dos dois países e cofinanciado por um terceiro. Imagine o contrário: o BNDES cofinanciando um projeto russoindiano? Hoje, o Brasil tem sido principalmente exportador de commodities. O Brasil exporta minério e soja, como a Rússia exporta petróleo. A China tem exportado produtos de valor agregado, e a Índia tem investido em tecnologia de informação.

— Não é preciso muito esforço para vender matériaprima — diz José Augusto de Castro, da AEB.

Em 2009, pela primeira vez a Índia ultrapassou o Brasil no comércio internacional.

Foram US$ 155 bilhões em vendas, contra US$ 153 bilhões do Brasil. Uma virada dos indianos, que em 1980 exportavam menos da metade do valor brasileiro: US$ 8 bilhões contra US$ 20 bi. A arrancada foi puxada pela venda de manufaturados e de serviços, produtos com maior valor agregado, como carros, computadores e softwares.

A economia indiana conseguiu crescer mais em 2009 (7%) do que em 2008 (6,7%).

A explicação para o bom desempenho está na alta taxa de poupança do país, em torno de 37% do PIB, mas o governo abriu um enorme déficit nas contas públicas com os programas de estímulo. A previsão da agência Fitch é que em 2010 e 2011 o país vai crescer 8% e 8,5%. Mas o crescimento está aumentando perigosamente a inflação.

A China anunciou na quintafeira que o PIB do primeiro trimestre fechou com alta de 11,9%, e o temor de novo é de superaquecimento. Parte desse desempenho é turbinado pelo que mais prejudica o Brasil e o resto do mundo: um câmbio absolutamente artificial.

O que torna a relação comercial chinesa desleal.

Os analistas que acompanham as relações comerciais entre os dois países dizem também que o Brasil é passivo diante das decisões chinesas.

Rodrigo Maciel, do Conselho Empresarial BrasilChina, acredita que os investimentos chineses serão maiores nos próximos anos, mas diz que os produtos brasileiros têm dificuldade de entrar na China, principalmente os agrícolas. Com 60% da população vivendo no campo, cerca de 800 milhões de pessoas, o país não vai abrir sua economia.

— Na rodada Doha, China e Brasil estão em lados opostos na questão agrícola. Os Bric não são um bloco formado, e não acredito que possam vir a ser. Os interesses são muito diversos, principalmente na questão agrícola — afirmou Rodrigo Maciel.

José Augusto de Castro acha que o Brasil, na relação com a China, não consegue tirar proveito nem quando está em situação de vantagem, como na soja, onde há apenas três grandes produtores: Brasil, Estados Unidos e Argentina. Ele teme que os chineses tentem impor preços baixos jogando com a possibilidade de comprar mais da Argentina.

— Nada que a China faz acontece por acaso. Eles têm planejamento em suas ações e fazem o que querem com o Brasil. No caso da soja, o cenário é amplamente favorável, e não conseguimos tirar proveito. A China já está negociando isoladamente com a Argentina, e vai conseguir impor preços mais baixos ao Brasil. Precisamos endurecer o jogo, a exemplo do que faz a Vale na negociação do minério de ferro — disse.

Dos Bric, a Rússia foi o mais afetado pela crise: recessão de 7,9% em 2009. O sétimo pior resultado de todos os países analisados pela Fitch. A previsão para este ano é de crescimento de 4,5%.

A recuperação deve ser puxada pelo aumento do preço do petróleo. A inflação também é um problema, mas a crise derrubou a taxa de 13,3% para 8,8%.

Encontros como esse são importantes e serão cada vez mais frequentes com o aumento do peso do Brasil, mas é bom separar delírio de fato.

Os quatro países que formam a sigla Bric não formam um bloco, são diferentes, e em algumas questões são antagônicos.

Há vários interesses comuns, muitos negócios bons para todos os lados, mas é preciso evitar o delírio de que está se formando uma liga contra os “outros”, e ser mais pragmático na defesa de nossos próprios interesses.