quinta-feira, abril 08, 2010

BRASIL S/A

Os profissionais
Antonio Machado

CORREIO BRAZILIENSE - 08/04/10

Peão no minueto de Lula com o PMDB, Meirelles percebeu tarde que não havia amador nessa dança


O grande dilema de Henrique Meirelles, dividido entre continuar à frente do Banco Central ou disputar a indicação para vice na chapa da petista Dilma Rousseff pelo PMDB, ao qual se filiou exatamente com essa pretensão em meados de 2009, continua a render versões.

Todas estão centradas nos personagens do imbróglio — Meirelles e Dilma, além dos presidentes Lula e o da Câmara e do PMDB, deputado Michel Temer, o escolhido pelo grupo dominante do peemedebismo a alçar o partido da condição de aliado indesejado, mas necessário a todo governo desde a redemocratização, ao de sócio igualitário.

O PMDB acostumou-se a se ajoelhar diante de todos os altares. Mas vem manifestando a vontade de voltar a rezar a missa, como à época do governo de José Sarney, quando ocupou os principais ministérios e, no vácuo do sucesso efêmero do Plano Cruzado, em 1986, elegeu todos os governadores menos um nas eleições daquele ano.

Lula acredita que o PT precisa do PMDB para Dilma sair vitoriosa na disputa pela sua sucessão. Mas pressente os problemas adiante, caso Dilma se eleja, se der corda ao aliado. Foi daí que teve um estalo. Meirelles cogitava candidatar-se a alguma coisa por Goiás, onde nasceu e tem domicílio eleitoral. Estava sem partido desde 2003, quando renunciou à cadeira de deputado federal pelo PSDB de Goiás, no que foi sua primeira eleição, para assumir o BC.

Meirelles foi convencido a se afiliar ao PMDB, originalmente para se candidatar a governador ou senador por Goiás, mas, na prática, para ser o coringa de Lula no momento de fechar a chapa de Dilma e a coligação de partidos que vai apoiá-la. Lula imaginava Meirelles como candidato a vice-presidente, sendo para Dilma o que lhe foi o industrial José Alencar: uma ponte da política com o empresariado.

Alencar ajudou Lula a dissipar as desconfianças dos mercados e da classe média, as mesmas que poderão surgir no decorrer da campanha em relação a Dilma, que traz o agravante de nunca ter disputado um pleito sequer, além de seu passado de militante contra a ditadura.

Meirelles, ex-executivo da banca estrangeira, bem-sucedido no BC, muito bem-visto pelo capital financeiro, seria par sob medida para Dilma. Lula não esperava é que o presidente do BC tivesse gostado tanto da ideia que passasse a cogitar sua entrada na política só como segundo de Dilma. Aí deu chabu. O PMDB precisaria concordar.

PMDB sonha mais alto
Passa despercebido à imprensa, ou não é levado a sério, mas não por Lula, que algo vem mudando no PMDB. De partido ônibus, tocado por caciques regionais, fisiologista até não mais poder, o que é fato, mas também o é para todos os partidos — até para o PT, em certa medida, uma federação de tendências —, volta a reaparecer a vontade de beliscar o poder sem a intermediação de terceiros.

Era o que suas lideranças maiores tinham em mente quando foram ao então governador Aécio Neves — estrela do PSDB e em disputa com o também governador José Serra para ver quem saía candidato em 2010 a presidente — propor que disputasse a sucessão de Lula pelo PMDB. Aécio recusou. Mas, habilidoso, não fechou a porta para o futuro.

Quando a ficha caiu
O tabuleiro da sucessão é mais amplo que a disputa direta entre os candidatos à cadeira de Lula. Lula via em Meirelles um peão no jogo disputado com o PMDB. Mas tinha de respeitar as regras. Foi o que Meirelles custou a entender, vindo daí a sua indecisão.

Ele deveria assumir-se como candidato por Goiás a alguma coisa e ficar em stand-by, aguardando até junho, o mês das convenções dos partidos e montagem das chapas, para ver como ficava. Ele pediu a Lula garantias e ele não pôde dá-las. Foi então à cúpula do PMDB, e lhe caiu a ficha: era um amador entre profissionais da política.

2014 na perspectiva
Meirelles não só é estranho à turma dirigente do PMDB. Também não está no plano de longo prazo do partido. Poderá estar, pois a ele foi oferecida participação na cota de ministérios que o PMDB vier a ter com quem se eleja. Temer é a parte visível de um grupo que olha cobiçoso sobre o poder imediato, mas com 2014 na perspectiva.

É o fato novo. É o que Lula sacou e tentou neutralizar com alguém de sua confiança. Esteios de Temer, como o deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros, também sacaram. O jogo foi zerado. O candidato a vice de Dilma é Temer. E, se algo lhe acontecer, será outro desse grupo. É o preço para dobrar o tempo de TV de Dilma. Caso se eleja, terá de afagar outra vez o PMDB para ter seu apoio no Congresso. Se Lula cedeu, avaliam, ela vai ceder muito mais.

Mudança de geração
Meirelles acabou sendo, à sua revelia, o detonador de um processo cozinhado em banho Maria, que considera o pós-Lula algo maior — o último capítulo de uma geração de políticos, pressionados ou pela idade ou pela fila de lideranças e interesses emergentes, a sair de cena. Também deve ser o período de consolidação do Plano Real, programa que trouxe a estabilidade, mas não resolveu a questão do crescimento sustentado de longo prazo. O PSDB julga que lhe cabe escrever esse final. O PT, ou com mais justiça Lula, acha o mesmo.

Entre eles, se habilita um PMDB energizado, que prevê sair maior que hoje das eleições. Muita água vai rolar até 2014. Essa visão, porém, já está no radar de alguns empresários, um sinal de que há algo mais que o desejo dos políticos de manejar os cordéis.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

PAINEL DA FOLHA

O quanto antes
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 08/04/10

Depois de tirar Henrique Meirelles do caminho, a cúpula do PMDB agora planeja antecipar o anúncio da escolha de Michel Temer para ocupar o posto de vice na chapa de Dilma Rousseff (PT).
A ideia é aproveitar o evento de lançamento do programa de governo do partido, em 15 de maio, para fazer uma sinalização concreta, ainda que informal, de que estão todos fechados em torno do nome do presidente da Câmara. Para completar a coreografia, os peemedebistas esperam obter de Dilma, na ocasião, uma declaração pública que de algum modo sele o compromisso, sepultando especulações de que "lá na frente" se poderia encontrar uma alternativa.


Se liga. Foi na noite de anteontem, em vôo SP-Brasília, que Lula deu o toque em Michel Temer: como o presidente viaja aos EUA neste domingo, o peemedebista terá de se virar para não assumir o cargo, o que o tornaria inelegível.

Malas prontas. O vice José Alencar (PRB), que assim como o presidente da Câmara tem pretensões em outubro, já escolheu destino para fugir da inelegibilidade: Uruguai.

CVC. Até o final da tarde de ontem, Temer não havia decidido seu roteiro, mas tendia a optar por Buenos Aires.

Fazer o quê? Muito a contragosto, Lula avisou a seus colaboradores que, se a reforma do Planalto não estiver concluída até 21 de abril, data inicialmente prevista para a reinauguração do palácio, o presidente continuará a despachar na sede provisória do governo, no Centro Cultural Banco do Brasil. Desse modo, a capital ficaria sem um evento no Planalto no dia da comemoração de seus 50 anos.

Viveiro 1. O PSDB prevê gastar R$ 500 mil no lançamento da candidatura presidencial de José Serra, neste sábado em Brasília. Segundo a cúpula tucana, os recursos vêm do fundo partidário e do caixa do Diretório Nacional.

Viveiro 2. No evento, um telão exibirá em tempo real mensagens postadas no Twitter, seja pelos presentes, seja por quem seguir via internet.

Que tal? Com dificuldade para incluir Romeu Tuma como candidato ao Senado na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente do PTB-SP, Campos Machado, resolveu propor que os escolhidos sejam os dois nomes mais bem colocados em pesquisa a ser feita em junho, para "atender os princípios da fidelidade e lealdade". Tuma está em segundo no Datafolha. É improvável que a proposta vingue.

Foice. O PC do B, que hoje formaliza apoio a Dilma Rousseff, está em pé de guerra com o PT em São Paulo. Os comunistas do Brasil ameaçam abandonar o candidato ao governo Aloizio Mercadante e aderir a Paulo Skaf (PSB) se os petistas insistirem em rejeitar o cantor e vereador Netinho de Paula como companheiro de chapa de Marta Suplicy ao Senado.

Binóculo. Com receio de ser acusado de promover "intervenção branca", o Planalto observou de longe a definição dos candidatos à eleição indireta no DF, no próximo dia 17. O governo avalia, porém, que o assunto intervenção voltará inevitavelmente à baila se o escolhido usar o cargo como trampolim para se consolidar candidato em outubro.

Camarada. O principal padrinho da indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para a relatoria do Orçamento de 2011 foi Renan Calheiros (PMDB-AL). De início, o governo e o PT preferiam Inácio Arruda (PC do B-CE).

Deixa estar. A experiência negativa na votação dos royalties do pré-sal fez o governo reavaliar a conveniência de enviar ao Congresso, antes das eleições, o projeto da Consolidação das Leis Sociais.
com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

"Do jeito que caminha o PSB, não vão bastar Romário e Marcelinho. Precisaremos de mais 20 ex-jogadores para conseguir votos ]na eleição."
Do deputado JÚLIO DELGADO (PSB-MG), reclamando da dificuldade de seu partido, ainda amarrado à incógnita da candidatura presidencial de Ciro Gomes, para fechar alianças nos Estados.

Contraponto

Último a saber

Em audiência realizada anteontem no Senado, a oposição tentava a todo custo apertar Celso Amorim. Na linha de frente, Tasso Jereissati (PSDB-CE) cobrou o chanceler a propósito de sua recente filiação ao PT.
-O senhor era Serra, seu neopetismo é comovente...
Em seguida, Tasso afirmou que Amorim é cotado para seguir no cargo em caso de vitória do tucano.
-Sou amigo dele. Mas, se ele considerou ou não o meu nome, nunca me disse nada disso- respondeu Amorim.
Tasso, que não tem a melhor das relações com o correligionário Serra, rebateu:
-O senhor sabe... ele gosta de guardar segredos...

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Vamos desencapetar o planeta!
FOLHA DE SÃO PAULO - 08/04/10

O Rio se acabando e o Lula, o Cabral e o Paes falando sobre o PAC? OS TRÊS PACTETAS!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
O brasileiro é cordial. Quatro placas provando que brasileiro é cordial: "Aviso! Não entre! Se entrar, leva tiro! Avisado tá!". "Filho da Puta!
Se jogar lixo aqui, vou quebrar seus bracinhos." "Não mexa nos ninhos.
Senão leva paulada." E por último numa escola infantil: "Não vale jogar pedra nos colegas." Rarará! O brasileiro é cordial!
Chuveste Urgente! São Pedro tá com o dedo na descarga! E o Rio? E o Rio? Corre na internet a foto do Cabral e do Paes abraçados com a legenda: "Querido Noé, quando a arca estiver pronta, não se esqueça do par de antas!" Rarará!
E os telejornais? Bombas, terremotos, enchentes. Tão querendo retirar a gente do planeta. A gente deve ter feito alguma coisa bem ruim! E o Rio se acabando e o Lula, o Cabral e o Paes falando sobre o PAC? Como diz o blog Comentando: OS TRÊS PACTETAS! Rarará! E depois das chuvas, o mofo. O mofo deu.
Aliás, eu ouvi uma evangélica berrando na rádio: "Mofo? Vazamento?
Dor no corpo? É ENCOSTO!". É encosto. Vamos desencapetar o planeta! Aqui em Sampa: São Pedro e São Paulo não se bicam! E no Rio, em vez de chamar o Noé, o Paes vai ter que chamar Moisés. Moisés promove a travessia da avenida Brasil. E o Paes: "Ninguém deve sair de casa". O problema é que a maioria não conseguia chegar em casa! O problema não era sair, era chegar!
E o Lula vai ter que lançar o Balsa Família! E vão cobrar um novo imposto, o IPI: Imposto sobre Produtos Inundados! E essa: "Ex-marido quer indenização por ter doado um rim à ex-mulher". Ele doou o rim e a mulher fugiu com outro. Deu um rim e ganhou um chifre! Rarará!
E as duas loiras conversando: "Ontem acabou a luz no shopping e eu fiquei uma hora na escada rolante em pé". "Não tinha degrau?" "Tinha."
"Então porque não sentou, burra."
Burra é ótimo. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Saboeiro, no Ceará, tem um inferninho chamado Tabaco Fácil. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pedofilia": companheiro que vai pra porta da escola cheirar pum. Mas aí é peidofilia. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

BONECA DE PANO

EUGÊNIO BUCCI

O País polarizado e o lugar da imprensa
 O Estado de S.Paulo - 08/04/10

Com a aproximação das eleições, o País vai-se dividindo em campos opostos. Apaixonadamente. Chamam a isso de polarização - e muita gente gosta. De um lado e de outro, sempre há quem acredite que a tal polarização rende dividendos eleitorais. Tanto na situação como na oposição, agitam-se os que vivem de jogar lenha na fogueira, disparando provocações e xingamentos cujo propósito só pode ser o de acirrar ainda mais os ânimos. Uns e outros se julgam espertíssimos. Uns e outros estão errados. O caminho da exacerbação é o caminho da sombra.

Não que a franqueza não ajude o eleitor. Ela ajuda e é necessária, mesmo quando se expressa com rispidez. Os bons modos, por mais que sejam desejáveis, não devem implicar o sacrifício da clareza. Quanto mais os candidatos são diretos em ressaltar em que se diferenciam dos outros, melhor. O nosso problema, contudo, não é o excesso de boas maneiras - talvez seja o excesso de grosseria. Não corremos o risco de obscurecer as diferenças entre os candidatos por mesuras ou gentilezas artificiais; corremos, sim, o risco de transformar o ódio em espetáculo de palanque e, aí, perder de vista o que temos em comum. Nosso problema, enfim, não é ignorar as propostas que separam os partidos, mas esquecer o que nos une, independentemente dos partidos. É assim que a indústria do insulto corrói a sabedoria que deveria inspirar as decisões democráticas e solapa o bom senso.

Nesse contexto, a imprensa pode ajudar o cidadão a desconfiar da propaganda eleitoral, que tende a ser apelativa, chantagista, extremista. A imprensa tem hoje a grande chance de se apresentar como o fator de equilíbrio. Só depende dos jornalistas. Enquanto os cabos eleitorais têm o seu lado - ou a sua trincheira, como se gabam de dizer -, os jornalistas têm a chance de se distanciar das emoções enfurecidas e promover o esclarecimento. Entre um partido e outro, entre a esquerda e a direita, podem ficar ao lado do cidadão que procura bons fundamentos para decidir em quem votar. É nesse sentido que a imprensa tem, sim, o seu lado: ela é a favor da autonomia do eleitor; ela é contra o fanatismo e a intolerância.

Não, não é exagero falar em fanatismo e intolerância no Brasil dos nossos dias. Há sinais disso à nossa volta. A começar pelos pequenos sintomas. Por vezes, eu noto esses sintomas em leitores que comentam meus artigos na versão eletrônica deste jornal. Quando elogio a fala de um ministro de Estado, logo alguém me acusa de "petista de banho tomado". Quando critico arroubos de arrogância no presidente da República, sou tachado de opositor persistente. Para esses leitores, quem não fica nos extremos deve ser apedrejado. É como se os seus candidatos fossem a virtude em estado puro e só merecessem aplausos deslumbrados. Se você não concorda com eles, que seja silenciado à força.

Palavrões e ofensas pessoais roubam a cena. Rancor e vingança se espalham. O eleitor indeciso - justamente aquele que mais precisa da informação de qualidade - se vê rifado, atingindo por tiros envenenados que o constrangem, que o confundem ainda mais. Em sua ânsia por se diferenciar, os propagandistas partidários ateiam fogo à própria credibilidade para desqualificar o adversário. A eles não interessa a verdade. A eles só interessa o monólogo. Insistem que a contenda se dá entre os vilões - ou os lobos disfarçados de cordeiros - e os mocinhos, os salvadores da pátria. Assim, tentam tapear o público.

Contra esse maniqueísmo estreito e eleitoreiro, o cidadão tem poucas instâncias a lhe socorrer além da imprensa. De sua parte, se souber manter-se distante das paixões partidárias, a imprensa poderá ser útil. Tanto em mostrar as diferenças reais, como, principalmente, em mostrar as semelhanças entre os candidatos - e há mais semelhanças entre eles do que simulam suas campanhas raivosas. Os partidos não gostam de admitir, mas o fato é que existe uma agenda comum unificando os dois - ou mais de dois - lados da disputa.

Um exemplo? A estabilidade econômica. Eis aí um dos núcleos da agenda comum. Tanto isso é verdade que Lula, uma vez eleito, em 2002, foi buscar nas profundezas do partido rival, o PSDB, o nome que garantiria a continuidade do combate à inflação: Henrique Meirelles, que trocou a Câmara dos Deputados pelo Banco Central, onde se encontra, até hoje, como o guardião da moeda, o fiador da estabilidade. Outro núcleo da agenda comum está na justiça social, na redução da desigualdade. É por isso que José Serra não tem como atacar as políticas distributivas do atual governo: o que lhe resta é defendê-los e prometer melhorá-los.

A agenda comum unifica a Nação, mas, a depender da comunicação histriônica dos partidos, ela jamais apareceria. Só jornalismo independente pode serenar os ânimos e chamar o público à razão: o que está em jogo são programas de governo, não a beatificação dos presidenciáveis. Aliás, não existe outra opção para o jornalismo: ou ele se dedica a ser a reserva da razão em meio a essa guerra de irracionalismos, ou poderá ser percebido apenas como linha auxiliar de uma (ou outra) candidatura, o que faria dele, jornalismo, o principal derrotado das próximas eleições.

Há quem compare as campanhas eleitorais a um campeonato de futebol: cada um torce pelo seu time e, desde que o juiz não apite, vale tudo. A comparação é indevida, naturalmente, pois, em se tratando de eleições, o jogo pra valer só começa depois da apuração. Mesmo assim, se as eleições fossem uma final de campeonato, a imprensa não deveria torcer por nenhum dos times. Deveria torcer para o juiz, ou seja, pela lisura da competição, pela soberania do eleitor. É isso que fortalece a democracia. O resto é polarização, essa mania dos irresponsáveis.

CLÓVIS ROSSI

Subdesenvolvidos. E felizes
FOLHA DE SÃO PAULO - 08/04/10


SÃO PAULO - Não deixa de ser uma cruel ironia que o Brasil seja tratado universalmente como potência emergente no momento em que sua cidade mais bonita submerge por inteiro.
Os patrioteiros de plantão dirão que qualquer cidade se afogaria com tanta chuva. É verdade, mas é só parte da verdade. Menos mal que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o governador, Sérgio Cabral, tiveram o bom senso de acrescentar "problemas estruturais" ao excesso de chuva como responsáveis por tamanho estrago.
"Problemas estruturais", do tipo ocupação selvagem de encostas, como afirmou Cabral, é uma maneira elegante de dizer que o Rio, como o Brasil, não é emergente, é subdesenvolvido.
Pena que Deus, ou a natureza, ou quem seja, vira e mexe envie lembretes a respeito. Hoje, no Rio; ontem, em São Paulo; anteontem, em Angra dos Reis; antes de anteontem, em Santa Catarina; amanhã, sabe-se lá onde.
No mesmo dia em que os jornais se ocupavam com a tragédia carioca, saía pesquisa de uma financeira que pretendia mostrar que estamos emergindo, mas que prova o inverso. Ficamos sabendo que a classe C (ou classe média) foi a que mais se expandiu em 2009, sinal de que já não somos tão pobres.
Não? Vejamos: a renda familiar (a familiar, não a individual) mensal da classe C é de R$ 1.276, o que dá um pouco mais do que dois salários mínimos e bem menos do que os R$ 1.995,28 que o Dieese considera o valor necessário (do mínimo, não da classe média, que, como o nome indica, deveria estar acima).
Comparemos agora com a Espanha, o país rico mais "comparável" com o Brasil: cada desempregado espanhol recebeu em fevereiro, na média, 900, equivalentes a R$ 2.110, ou 65% mais que a renda da classe média brasileira. E os desempregados espanhóis não são chamados de emergentes.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Voto fechado 

O Estado de S.Paulo - 08/04/2010

Luiz D"Urso adianta: a OAB paulista conseguiu 600 advogados voluntários para compor as mesas eleitorais nos presídios paulistas - onde os detidos, por decisão da Justiça eleitoral, vão votar pela primeira vez. O TRE não estava conseguindo mesários.

A medida será geral. Ophir Cavalcante, da OAB nacional, quer que as outras 26 seções da Ordem façam igual.

Fechado 2
O direito a voto, para presos cujo caso ainda não transitou em julgado, beneficiará um total de 150 mil, dos quais 50 mil em São Paulo.

Mas ministros do STF já avisaram: não será preciso fazer a eleição onde houver "problemas insuperáveis".

Tempo, tempo

Henrique Meirelles está bastante incomodado com o desenrolar da sua não-saída do Banco Central.

Mas isso não deve durar até o próximo Copom, quando terá que se defender de gritaria contra a alta dos juros.

Próxima atração
Fernando Meirelles foi convocado para fazer o filme publicitário da Copa 2014 no Brasil. O vídeo, de 1 minuto e 20, será apresentado em julho, em Johanesburgo, assim que terminar a Copa da África do Sul.

O mote , "O Brasil Chama", destacará pontos turísticos.


Moon river
Presente aos fãs do clássico Breakfast at Tiffany"s. A exposição Timeless Audrey, sobre Audrey Hepburn, vem ao Brasil no segundo semestre.

Idealizada pelo seu filho, Sean Hepburn Ferrer, a mostra tem apoio da Infinito Cultural, em parceria com Vogue/ Shopping Iguatemi.
Pegadinha?
Ao serem informados, por telefone, de que a Webjet estava operando, passageiros deram com a cara na porta no aeroporto Santos Dumont.

A empresa não estava fazendo voos desde segunda à noite.

Bancoop, fase 2
O MP paulista recebeu nova denúncia contra a Bancoop - agora, por tentativa de estelionato. Valter Picazio Júnior, que representa 3 mil cooperados, alega que a cooperativa deu como garantia de dívida um terreno que já tinha sido vendido.

Grande ausente
Para que Alberto Goldman "brilhasse sozinho", Serra ausentou-se anteontem, na sua posse na Assembleia. Será que usou o mesmo raciocínio para não aparecer ao coquetel à noite, na ala residencial dos Bandeirantes?

Doce lar
Aliás, quem passeia pela ala residencial do Palácio vê logo que ela não foi feita para morar. O prédio, projetado para abrigar a Faculdade Álvares Penteado, foi adaptado sabe-se-lá como. As salas são assimétricas, os quartos espalhados - e os móveis...
Para completar, o jardim da gestão Serra: enorme, envidraçado e muuuuuito desajeitado.

Na frente
Emerson Fittipaldi corre, agora, atrás da saúde pela alimentação. Em dupla com Marisa Volontério, do Centro Senmonoron, mostra em encontro com empresários que "você é o que você come". Dia 15, no Renaissance.

O documentário Karl Max Way, de Flávia Guerra, estreia sábado, no Espaço Unibanco. Como parte do Festival É Tudo Verdade.

Começa hoje, na Dan Galeria, individual de Bob Nugent.
Esther Giobbi, David Bastos, Camila Klein e Leonardo Junqueira são alguns dos arquitetos e decoradores que assinarão ambientes, hoje, no projeto Decora Etna.
De seguidor de Serra no Twitter: "Como permitiu que um corintiano assumisse o governo do Estado?" Resposta: "Porque Goldman é craque".

ELIANE CANTANHÊDE

"As duas cidades"
FOLHA DE SÃO PAULO - 08/04/10

BRASÍLIA - Mesmo quem não é do Rio está cansado de ouvir falar de Copacabana, Ipanema, Leblon.
Mas que tal passar os olhos pelo mapa de ontem na Folha com os locais onde ocorreram mortes? Você conhece Taquara, Turano, Borel, São Gonçalo? E os morros dos Macacos, do Andaraí, dos Prazeres?
Esse mapa reaviva um texto do poeta e jornalista Augusto Frederico Schmidt, há 62 anos, na então "Folha da Manhã": "As duas cidades". Era premonitório. É de uma atualidade espantosa.
"São duas cidades, como dois exércitos inimigos, uma diante da outra (...). A cidade de farrapos, a cidade de miséria, a cidade chamada das favelas desafia a outra cidade, a nossa", alertou em 1948, descrevendo justamente as áreas onde as tragédias têm acolhida e matam.
Como relatava Schmidt, "o próprio presidente da República, justamente alarmado, insiste em atacar o domínio da miséria, o exército de párias que se instalou em nossa cidadela". Muitos presidentes, governadores e prefeitos se revezaram no poder desde então, uns democraticamente, outros impostos.
Nem uns nem outros de fato atacaram a miséria e a questão das favelas. Mas as promessas atravessaram seis décadas. E continuam.
É constrangedor ouvir o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes procurando justificativas inúteis, prometendo que, da próxima vez (sempre da próxima vez...), tudo será diferente. OK. Eles entraram na dança há pouco, não há como culpá-los diretamente. Mas apenas aumentam a lista de responsáveis, empilhando promessas que não cumpriram nem vão cumprir.
Como dizia Schmidt, "as favelas continuarão a existir enquanto o Brasil não se redimir, não se salvar (...). As favelas são o retrato do Brasil". E onde se amontoam os brasileiros fadados a morrer, nesta e nas futuras tragédias no Rio, em São Paulo, no Nordeste, onde for. As "duas cidades" são os "dois Brasis".

JAPA GOSTOSA

ANCELMO GÓIS

Duelo no ar 

O Globo - 08/04/2010

A concorrência entre empresas aéreas brasileiras têm feito bem ao bolso do passageiro.

Os números da Anac mostram que em fevereiro deste ano o quilômetro voado no Brasil custou R$ 0,37.

Ou seja, 26,6% a menos do que no mesmo mês do ano passado e ainda 10,7% menor do que em janeiro anterior.

Mas...

Não é por falta de passageiros que o preço da passagem caiu.

Na comparação entre fevereiro deste ano e o mesmo mês de 2009, o tráfego doméstico subiu quase 43%.

Mundo virtual I

Andrea Pachá, ex-membro do CNJ e atual juíza da 1° Vara de Família de Petrópolis, julgando um caso de regulamentação de visitas a um menino de pais que vivem em cidades distantes entre si, determinou que duas vezes por semana o pai terá direito a contato com o filho... pelo Skype.

Mundo virtual II

Um estudante niteroiense da PUC, no meio desse temporal que arrasou o Rio, lançou no Twitter o movimento “Enforca, PUC-Rio”, pedindo à universidade para não abrir antes da semana que vem.

Deu certo.

Ontem, surgiu o “Enforca, Ibmec” e o “Enforca, Facha”.

Boletim médico

Drica Moraes, a grande atriz que teve diagnóstico recente de leucemia, voltou a ser internada no Hospital Samaritano, no Rio.

Cadeira de Mindlin

Terminou ontem o prazo de inscrição para concorrer à cadeira de José Mindlin na Academia Brasileira de Letras.

A disputa terá 14 candidatos.

Mas os principais são Geraldo Holanda Cavalcanti, Eros Grau, Muniz Sodré e Martinho da Vila.

País da crendice

Para se ter uma ideia de como tem gente que leva a sério o Cacique Cobra Coral, a “entidade científica esotérica” especializada em chuva.

Em 2007, correndo contra o tempo para entregar o estádio do Engenhão para o Pan do Rio, a Odebrecht contratou a médium “para evitar que chovesse na reta final das obras

À la Zózimo

E a Bolívia, hein? O novo governador do departamento de La Paz se chama Cesar Cocarico.

Faz sentido.

Cotas na UFRJ

A vetusta UFRJ, uma das poucas universidades públicas a resistir à adoção de sistema de cotas raciais, pode rever sua posição hoje, durante a reunião do Conselho Universitário.

A ação afirmativa já é adotada em 97 universidades do país. Mas a primeira grande instituição a aderir foi do Rio (Uerj, em 2002).

Picanha à venda

Uma das linhas de investigação desta operação nebulosa da Previ-Rio, que despejou R$ 61 milhões numa tal de Casual Dinning Participações, aponta que a grana se destinava a comprar os 24,5% que o Bank of America pôs à venda da rede Porcão.

Por causa desta operação, Eduardo Paes afastou o comando do fundo dos funcionários da Prefeitura do Rio.

Porco-espinho

Acredite. Um porco-espinho invadiu a sede da subprefeitura da Barra, ontem pela manhã.

Os funcionários foram todos dispensados

Humor na chuva

De um freguês da boate Le Boy, famoso templo gay de Copacabana, que recebeu 350 pessoas terça passada em pleno temporal: — As bichas são anfíbias.

Dúvida

O Rio sucumbiu a uma chuva.

E se tivesse chovido durante 60 dias seguidos, como ocorreu em São Paulo? Viraríamos o Haiti?

Juliana Carvalho lança “Na minha cadeira ou na tua”, hoje, a partir de 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon.

DESDE O fim do verão, os cariocas acostumaram-se com a cena de seu maior símbolo embrulhado em andaimes, para uma reforma já longa. Ontem, o Cristo Redentor amanheceu assim, embrulhado no que parecem, repare, farrapos. Lembra até o inesquecível Cristo mendigo, que desfilou coberto na Beija-Flor em 1989 (veja na foto menor). E sempre vale repetir o pedido da escola de samba: orai por nós

NÍVEA STELMANN, a bela atriz, capricha no sorriso, durante o almoço de comemoração dos seus 36 anos, numa churrascaria da Barra. Muitos anos de vida...

BENTO CARNEIRO, vivido pelo grande humorista Chico Anysio, volta ao ar sábado, no “Zorra Total”. Na foto com ele, a atriz Fabiana Schunk, a Vampeguete, e Lug de Paula, filho de Chico, que interpreta Calunga

PONTO FINAL

No mais


Trecho de uma crônica de Machado de Assis publicada em abril em 1895 (resgatada ontem no blog do escritor Affonso Romano de Sant’Anna): “Que dilúvio, Deus de Noé! (...) a princípio não tive medo: cuidei que eram dessas chuvas que passam logo. Quando porém os elementos se desencadearam deveras, e as ruas ficaram rios, as praças mares, então supus que realmente era o fim dos tempos. As águas entravam pelas casas, outras desciam dos morros, cor de barro...”

DORA KRAMER

Com ar de moço bom
O Estado de S.Paulo - 08/04/10

Nos últimos dias o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tido um comportamento diferente do habitual. Pediu aos ministros que tenham cuidado no cumprimento da lei eleitoral, alertou ao filho que pegue leve nos comentários homofóbicos no Twitter e criticou o uso da máquina pública em campanha eleitoral.

Movimentos puramente táticos? Pode até ser, mas de todo modo é a primeira vez que o presidente defende em público uma boa causa. Em geral, ele costuma criticar as leis, os controles, proteger gente envolvida em escândalos de corrupção, levar os amigos do filho para passear no avião oficial.

Recentemente debochou da Justiça Eleitoral e até então advogava o direito de atuar livremente em prol de sua candidata a presidente da República, Dilma Rousseff.

Seja qual for a motivação do presidente Lula, o resultado imediato é positivo. O histórico não lhe confere credibilidade, mas tampouco autoriza que se lhe subtraia um crédito de confiança por antecipação.

Muito melhor que ele discorde das multas impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos termos ditos numa entrevista à rádio Tupi do que naquela forma de desqualificação pública da Justiça praticamente fazendo leilão das multas para divertir plateias e deformar o foco da questão: a transgressão de uma lei.

Na entrevista à rádio Lula disse que a multa deveria ter sido aplicada à emissora que focalizou o rosto da então ministra Dilma quando ele falou em eleições. Esqueceu-se de que a penalidade foi aplicada ao presidente justamente porque a emissora em questão era a TV Brasil o que, no entendimento do tribunal, caracterizava uso da máquina pública.

Mas a discordância do presidente, e este é o ponto em análise, deu-se de maneira respeitosa. Como deve ser, mas de forma diferente do que vinha sendo feito.

"Acho que o Poder Judiciário tem um papel importante na garantia da democracia deste País e, obviamente se ele entender que eu sou culpado de alguma coisa, como qualquer ser humano comum, tenho que pagar pelo erro que cometi."

Tanta mansidão e correção de procedimentos coincide com uma inflexão no sentido oposto por parte da candidata Dilma Rousseff, mais agressiva no uso e na busca de expressões - "lobos em pele de cordeiro" - que possam marcar o adversário junto ao eleitorado.

Talvez isso signifique o velho truque em que um morde enquanto o outro assopra o adversário e depois os papéis vão se alternando até que se consolidem os perfis.

Na largada, Lula assumiu o magistrado republicano, deixando para Dilma o papel da belicosa defensora de seu legado.

Devido lugar. Em boa hora o PSDB desistiu de esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, agora incluído na lista de oradores da cerimônia de lançamento da candidatura de José Serra à presidência da República.

Não se trata de fazer de FH um cabo eleitoral de luxo ou de jogá-lo na arena para duelar com Lula. Este seria um embate do passado.

É só uma questão de lidar de maneira adequada com a própria trajetória, com os fatos e personagens que dão sentido ao projeto de governo que o partido apresentará para tentar voltar à presidência da República.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Nazistas
O GLOBO - 08/04/10


Nos filmes da série Guerra nas Estrelas os oficiais do império intergaláctico usavam uniformes parecidos com os dos oficiais alemães na Segunda Grande Guerra. Era para identificá-los imediatamente como maus. Ou seja, mil anos no futuro a analogia nazista ainda continuaria funcionando. Como funciona hoje, 65 anos depois da derrota do nazismo, quando se quer caracterizar um mal ou insultar alguém. Uma recente e maluca analogia foi feita por opositores do plano de saúde universal do Barack Obama, que chamaram o plano de nazista. O plano que o Baraca finalmente conseguiu aprovar é menos abrangente do que o que existe na maioria dos países industrializados do mundo, mas “nazista” era um epíteto mais ressoante do que “social-democrata” – que para a direita americana já é um palavrão. Cartazes do Obama com o bigodinho do Hitler faziam parte da campanha contra.
É bom que o mundo nunca se esqueça do nazismo e seus símbolos continuem a evocar um passado de horrores por muitos anos, mas a banalização do termo esvazia seu sentido. Quando tanto a direita quanto a esquerda se xingam de “fascista”, “fascista” passa a não ter significado histórico algum, ou aplicação fora do calor da briga. E “nazista” como a suprema imprecação de certa maneira libera vocações totalitárias e prepotentes que não se reconhecem no modelo execrado. Não foram poucas, a julgar pelo que se lia nos jornais, as pessoas que concordaram com a frase dita depois da matança de meninos na Candelária, a de que aquilo não tinha sido uma chacina e sim uma faxina. Quando se pode chamar até um plano de saúde de nazista, o verdadeiro pensamento nazista fica sem nome.
O Baraca conseguiu a aprovação do seu meio plano mas continua sob fogo da direita – e da esquerda. Está sendo tímido nas mudanças sociais prometidas e não acabou com a intervenção americana no Afeganistão, o que não tinha sido prometido mas era esperado. Mandou mais tropas. E o Afeganistão continua sendo um sumidouro, engolindo o seu terceiro império seguido, depois dos ingleses e dos russos. Enquanto isto a direita religiosa reza pela morte de Obama e “nazista” é apenas um dos rótulos que lhe deram. 
SITUAÇÃO
Robin Williams no show do David Letterman: “Dizem que a situação em Washington está tão feia que estão apunhalando as pessoas pela frente”. 

CLÁUDIO HUMBERTO

“Vamos deixar o projeto, vamos deixar tudo pronto”.
CANDIDATA DILMA ROUSSEFF, SOBRE O PAC 2, APÓS DEIXAR PRONTO APENAS 44% DO “PAC 1”

PP FLERTA COM SERRA PARA DORNELLES SER O VICE
A campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) pode sofrer um importante revés: setores do Partido Progressista (PP), que integra a chamada “base de apoio” do governo Lula no Congresso, articulam secretamente uma aliança com o candidato do PSDB, José Serra. A base do apoio seria o convite para o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) ser oficializado como candidato a vice-presidente, na chapa tucana.

TUDO SE ENCAIXA 
Para os articuladores da aliança PSDB-PP, o DEM aceita Francisco Dornelles como vice, o que satisfaz Aécio Neves, sobrinho do senador.

SUJOS DE OVO
A votação do projeto “Ficha Limpa” na Câmara dos Deputados foi adiada para maio, talvez para lembrar que todo deputado tem mãe. 

TROPA DO DILÚVIO 
Como a “tropa de elite” do governo e prefeitura do Rio não apareceu, restou à população “pedir para sair” do “mar” da lama e dos escombros. 

INTRIGA CHINESA
O veneno é do jornal chinês Global Times: o Japão investirá bilhões em usina geotérmica na Bolívia para minar a influência do Brasil no país.

ADMINISTRADORA ACUSADA DE PREJUÍZO DOS FUNDOS
O fundo de pensão Fusan, da Sanepar, estatal de saneamento do Paraná, contratou a mesma administradora de bens do Prece, o fundo da estatal Ceade, do Rio de Janeiro: Infinity Asset Management, que se chamava “Quality”, na época da CPI dos Fundos de Pensão. Foi inclusive citada no relatório final. Aposentados de hoje e de amanhã se queixam de prejuízos pela baixa remuneração do dinheiro deles.

A VINGANÇA 
Os aloprados adoraram: Osmar Serraglio (PMDB-PR), o relator da CPI dos Correios, tinha assessor acumulando cargos ilegalmente.

“TREM BÃO” 
A língua aloprada do PT ela domina bem. Após plástica, e pregar um sorriso cheio de dentes, Dilma, mineira, agora aprende “mineirês”, uai. 

“LULALÉM”
Com o fiasco da médium Adelaide Scritori, que faz chover e estiar, Lula incorporou o cacique Cobra Coral: garantiu bom tempo nas Olimpíadas. 

PRIMO POBRE
Os “colegas” do aloprado Valdebran Padilha, no dossiê contra tucanos em 2006, estão livres e alguns ricos, mas, expulso do PT, ele foi preso pela PF ontem, acusado de fraude de R$ 51 milhões em Mato Grosso. 

NEGOCIATAS 
O ex-presidente do Tribunal de Contas Paulo Cesar Ávila desistiu de disputar o governo-tampão do DF com nojo das negociatas. Anrã. Ele se filiou ao PSC de Joaquim Roriz após se aposentar, recentemente.

FLANELINHAS S/A
Para quem acha flanelinhas uns coitados, a Inteligência da Secretaria de Segurança do DF descobriu que além dos vinculados ao tráfico de drogas, em Brasília, alguns alugam “pontos de vigiar carros” por até R$ 12 mil ao mês. Há indícios de monopólio por bandidos organizados.

CAUTELA
Jornalista da velha guarda, o ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento Industrial) liga diretamente para repórteres quando quer dar uma entrevista. Detalhe: usa apenas telefone fixo. Tem horror a celular.

MATOU AULA
Em carta a dois mil gestores públicos, a secretária de Educação do DF, Eunice Santos, critica o factoide do ministro Jorge Hage (CGU) sobre desvios de recursos da União. Mas o texto dela maltrata a gramática.

NÃO FOGEM À LUTA
Ao contrário dos governantes nos últimos 40 anos, o Rio e a “muy heroica e bela cidade” mostraram quem são seus verdadeiros heróis: bombeiros e anônimos que improvisaram ajuda no caos.

TRABALHO SUSPENSO
O secretário de Planejamento Mateus Bandeira informa que a ex-ministra Dilma Rousseff pediu a suspensão do seu contrato com o governo gaúcho. Ou seja, a governadora tucana Yeda Crusius nem precisava constranger Dilma, revogando sua cessão ao governo Lula.

PARECE CASTIGO
Alvo de sindicância de suposto assédio moral a funcionários, um deles gay, no consulado em Toronto, o embaixador Américo Fontenelle é o novo cônsul-geral em Sidney (Austrália), cidade “gay friendly”. 

PENSANDO BEM...
...se não começar hoje a reestruturação geral da cidade, o Rio deverá mudar de nome, para “Oceano de Janeiro”. 

PODER SEM PUDOR
PRAÇA DA ALEGRIA 
Em matéria de humor, o ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, poderia fazer dupla com o presidente Lula. Estava saidinho que só ele. Dois repórteres o abordaram, certa vez, num estacionamento, após evento oficial:
- Ministro, ministro, só uma perguntinha...
- Uma perguntinha, tudo bem. O problema é a respostinha.
Saiu sem dizer nada.

SEMPRE NA LAMA

QUINTA NOS JORNAIS

Estadão: Rio tira moradores de 2 favelas

Correio: Dez candidatos na corrida ao Buriti

Valor: Grupo Bertin forma consórcio para Belo Monte

- O Globo: Tragédia se agrava com mais 50 casas soterradas em Niterói

- Folha: Morro desaba e amplia tragédia no Rio