quarta-feira, abril 07, 2010

MERVAL PEREIRA

Lula republicano

O GLOBO - 07/04/10 


Dois políticos que não estão diretamente envolvidos com a disputa eleitoral para a Presidência são fundamentais para o resultado da eleição: o presidente Lula e o ex-governador mineiro Aécio Neves. A campanha da ex-ministra Dilma Rousseff gravita em torno da figura de seu padrinho político, e ela não tenta esconder o que está sendo conhecido como "lulodependência", assim como o presidente não pretende disfarçar seu papel, a tal ponto que alardeia que a vitória da candidata petista será a sua vitória, e só ela o fará plenamente realizado no governo. 

Já o ex-governador paulista José Serra depende do também ex-governador Aécio Neves para manter a liderança que ostenta há anos nas pesquisas de opinião. Se o eleitorado mineiro chegar em outubro convencido de que a vitória de Serra é a vitória de Aécio, o PSDB estará consolidando sua hegemonia nos dois maiores colégios eleitorais do país, com amplas chances de partir dos dois estados para vencer a eleição presidencial. 

Ao usar a metáfora "lobo em pele de cordeiro" para identificar a postura do oposicionista José Serra de não atacar Lula, garantindo que não haverá descontinuidade nos programas sociais assistencialistas, a candidata oficial, Dilma Rousseff, utilizou uma imagem que pode facilmente se transformar em arma contra ela. 

É ela quem está sendo acusada de não ser uma democrata convicta, e, a cada vez que homenageia seu passado de lutas contra a ditadura, há quem veja nesse gesto a reafirmação de que existe por trás da "pele de cordeiro" o velho lobo guerrilheiro. 

Um outro ponto sensível, pelo menos para um eleitorado identificado com valores da classe média tradicional, é o mote da campanha oposicionista de atacar a complacência petista com a corrupção. 

Como o assunto é suprapartidário e atinge tanto o PSDB quanto o DEM, em escalas diversas, mas no mesmo calcanhar, a campanha tucana está baseada aparentemente mais na proteção dos companheiros, no compadrio, do que nas acusações de corrupção. 

Aécio Neves vem batendo com rara objetividade na falta de compromisso do PT com o bem comum, lembrando várias situações em que o partido hoje no poder recusou-se a aderir a movimentos políticos que uniam a maioria, desde a Constituinte, que seus representantes não assinaram, até a recusa de participar de um governo de união nacional após o impedimento de Collor. 

E também a ineficiência da máquina pública, devido ao seu aparelhamento político e ao descaso com a meritocracia, substituída pelo apadrinhamento de companheiros. 

Dando demonstrações claras de que se empenhará por uma vitória do PSDB mesmo que não aceite ser o vice oficial, Aécio coloca sua aprovação popular em Minas em contraponto com a do presidente Lula, como uma demonstração de que não é preciso ser "messiânico" para ser popular. 

Já o pré- candidato José Serra tem feito referências diretas à "roubalheira", uma maneira popular de falar em corrupção. 

Disse ele, em uma frase de seu discurso de despedida que já ficou emblemática do que será sua campanha: "Eu estou convencido de que o governo, como as pessoas, tem de ter honra. E assim falo não apenas porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito." 

Lula segue sendo o principal ativo político da candidata Dilma e, camaleônico, muda de tática à medida que as reações se sucedem. 

Depois de multado duas vezes, e de menosprezar a Justiça Eleitoral com gracejos em comícios, Lula deve ter-se dado conta de que é contraproducente cutucar os juízes eleitorais desse jeito. 

Passou a posar de "republicano" e agora promete fazer campanha apenas "fora do expediente", como se fosse presidente apenas das 9 às 17h. 

Na sua nova fase, que combina cinismo com ironia, Lula condenou, em entrevista à Rádio Tupi, no Rio, o uso da máquina pública durante o processo eleitoral. E ainda por cima criticou seus antecessores, que nunca foram multados pelo TSE por fazerem campanha antecipada. 

Lula, dizem que sem ficar vermelho, disse que seria "um teste importante para a democracia" participar da campanha sem usar a máquina pública "como sempre se usou neste país". 

Assim como em São Paulo nos primeiros meses do ano, que teve o maior índice pluviométrico em 70 anos, o volume de chuva que caiu no Estado do Rio nas últimas 48 horas superou tudo o que havia sido registrado nos últimos 40 anos. 

Não é possível atribuir-se a uma só administração os transtornos da cidade e as mortes por todo o estado, mas é possível, sim, constatar a incapacidade dos três níveis de governo de montar um esquema de emergência para orientar e dar uma sensação de menos insegurança aos cidadãos. 

Desde os guardas nas ruas, que desaparecem ao sinal das primeiras chuvas, até os táxis, que também somem, não existe um esquema de emergência montado para situações extremas. 

Os aeroportos, que já são caóticos normalmente, tornam-se inviáveis em dias de crise como a de segunda-feira. 

Com os atrasos dos vôos por falta de teto, e os aviões desviados do Santos Dummont para o Galeão, não há organização suficiente para reordenar o fluxo de malas, nem pessoal para dar informações aos passageiros que se aglomeram nos aeroportos sem informações. 

A Infraero não tem capacidade para organizar os serviços de apoio, e as companhias aéreas não se consideram responsáveis pelos passageiros que despejam pelos aeroportos do país. 

Mas pelo menos foi equiparada a ineficiência administrativa de governadores da oposição e governistas, impedindo que se tire vantagens políticas de situações climáticas extremas, como fizeram os petistas nos primeiros momentos da crise paulista. 

Os bueiros entupidos não têm partido político. A falta de investimento em infraestrutura é generalizada.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Venda de sobra de energia avança no governo 

Folha de S.Paulo - 07/04/2010

O consumidor livre -aquele que consome grande volume de energia elétrica e que é livre para escolher o seu fornecedor- poderá em breve ter o direito de negociar livremente o excedente de energia que contratou mas não conseguiu usar.

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), autor do projeto de lei 402/09 -que libera consumidores livres a negociarem a energia ociosa dos contratos fechados no mercado livre-, prevê que até junho o projeto seja aprovado no Senado.

Em fevereiro, a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou o parecer sobre o projeto, que agora está em trâmite na Comissão de Infraestrutura.

Atualmente, o consumidor livre não pode vender a energia não consumida a um terceiro agente. A parcela não utilizada é liquidada pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) e valorada segundo o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) vigente na semana.
"No PLD, os preços tendem a ser mais baixos e imprevisíveis. O consumidor não tem como prever a receita com a venda no mercado "spot'", diz Paulo Pedrosa, presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia).

A aprovação do projeto, segundo Pedrosa, irá aumentar a eficiência do setor elétrico, contribuindo para ampliar a oferta futura de energia, com contratos de longo prazo.

A liberação é reivindicação antiga do setor, que foi agravada nos piores meses da crise, quando os excedentes de energia alcançaram o pico de 1.024 MW em dezembro de 2008, devido à redução natural do consumo por conta da queda da atividade econômica.

Além do projeto de lei, uma portaria do Ministério de Minas e Energia que regulamenta a venda do excedente foi a consulta pública e pode sair antes do projeto, dizem agentes do mercado. O ministério informa que trabalha atualmente na regulamentação das diretrizes.

"A iniciativa da portaria é correta, mas há alguns pontos, como a vinculação ao prazo do contrato, que poderiam ser ajustados", diz Paulo Mayon, da Compass Comercializadora.

Presidente da Continental vem ao Brasil

Jeff Smisek, o novo presidente da Continental Airlines, vem ao Brasil em maio para a cerimônia que marcará a entrada da TAM na Star Alliance, rede da qual a Continental faz parte.

Smisek assumiu o posto em janeiro e ganhou fama ao anunciar que não receberia remuneração alguma até que a companhia voltasse ao azul. "Viramos especialistas em perder dinheiro. Isso vai acabar", disse Smisek à Folha, em Houston, no início deste ano.

Uma das principais estratégias de Smisek, para reverter mais de US$ 1 bilhão em prejuízo acumulado desde 2001, é aumentar o número de serviços pagos.

Desde que assumiu, a companhia já aumentou tarifas para o transporte de uma segunda bagagem e também a cobrança por comida à bordo. Nas salas vips, bebida alcoólica de segunda linha é gratuita, mas quem quiser uísque ou vinho de qualidade tem de pagar..

Quarta maior companhia dos EUA, a Continental afirma que a mudança da rede de alianças Sky Team para a Star Alliance também vai aumentar o tráfego e ajudar a alcançar a rentabilidade.

TUDO NOVO DE NOVO

Nascida nos Estados Unidos, a TerraCycle está à procura de parceiros no Brasil para dar um destino a embalagens que não são facilmente recicláveis, como aquelas de petiscos, salgadinhos e chocolates. "Esse é um grande problema no mundo todo", diz Guilherme Brammer, presidente da empresa no Brasil. As atividades no país começaram, há cerca de seis meses, com a PepsiCo -a empresa financia o trabalho.

A coleta do lixo é realizada por voluntários, que se cadastram no site da TerraCycle e formam equipes nos seus locais de trabalho e condomínios.

As embalagens são enviadas pelo correio, com porte pago. Separadas, pesadas, rendem R$ 0,02 cada uma para uma entidade social que a equipe queira ajudar. Esse dinheiro fica acumulado na "conta" dos voluntários, os quais de seis em seis meses pedem que o cheque seja enviado à instituição. "Existe uma auditoria para saber como os recursos são empregados", afirma o presidente da empresa.

RECEITA
Um dos grandes alvos do movimento de consolidação por que tem passado o varejo brasileiro, as redes de farmácias no Brasil apresentaram um reajuste ainda pequeno em seu ranking de 2009. A cearense Pague Menos foi líder em faturamento pelo segundo ano consecutivo, seguida por Drogasil (SP), Drogaria São Paulo (SP), Pacheco (RJ) e Droga Raia (SP), de acordo com a lista que será divulgada hoje pela Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias). No ranking que considera o número de lojas das associadas, a fluminense Pacheco foi a primeira colocada, à frente de Pague Menos, Droga Raia, Drogasil e Panvel (RS).

NA LINHA
Está na mesa do conselho da Nextel a proposta da subsidiária brasileira contendo o preço máximo que ela pretende pagar para levar as últimas frequências 3G (telefonia de terceira geração) no país. A venda será feita pela Anatel no final deste mês e deve contar com a participação de pelo menos três operadoras que hoje não atuam nesse segmento. A confirmação da Nextel é do presidente da companhia no Brasil, Sérgio Chaia. Ele não revela os valores, mas afirma que a companhia será agressiva nesse leilão.

TONELADA
A venda de ovos nesta Páscoa alcançou mais de 100 milhões de unidades, o equivalente a 25.500 toneladas de chocolate e 15% mais do que no mesmo período do ano passado, segundo a Apas (Associação Paulista de Supermercados).

ENXURRADA
A Petrobras dispensou os funcionários do prédio administrativo do Maracanã ontem, devido à dificuldade de acesso ao bairro por conta das chuvas no Rio. Não foram alterados a operação na refinaria e o abastecimento dos postos, diz a empresa.

EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO


Chega de saudade

FOLHA DE SÃO PAULO - 07/04/10

A candidata oficial erra ao voltar-se para o passado com o intuito de forjar uma revanche na disputa particular de FHC e Lula 

EM SEU PRIMEIRO discurso depois de deixar a Casa Civil, a candidata Dilma Rousseff insistiu na tentativa de comparar o atual governo com o anterior.
Não se sabe o que pesa mais nessa estratégia enviesada, se a obsessão íntima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de se medir com o antecessor Fernando Henrique Cardoso ou a percepção de que é mais vantajoso para a representante da situação transformar eleições que decidem o futuro do país em avaliação de fatos passados.
Não é demais lembrar que um brasileiro com 18 anos completados em 2010 comemorava 10 ao término do governo FHC -e era uma criança de dois anos quando o sociólogo tucano assumiu.
Esse hipotético cidadão não terá idade para lembrar em que país se vivia no início da década de 90. Mas, se procurar informações, saberá que coube a FHC, na sequência do impeachment de Fernando Collor, e ainda no governo de Itamar Franco, lançar um plano -depois de várias tentativas frustradas- capaz de superar o perverso ciclo hiperinflacionário que havia anos dilapidava a economia popular e impedia o desenvolvimento do país.
Se pretende incursionar pelo passado, poderia a candidata lembrar a seus potenciais eleitores que o Partido dos Trabalhadores negou sustentação ao presidente Itamar Franco e bombardeou o Plano Real. Ou seja, opôs-se de maneira pueril e ideológica a uma das mais notáveis conquistas econômicas da história moderna do país, que propiciou aos brasileiros pobres benefícios inestimáveis, sob a forma de imediato aumento do poder aquisitivo e inédito acesso ao sistema bancário.
Sabe bem a ex-ministra que se alguém nesses anos mudou de pele foi antes o PT do que o PSDB. O que terá sido a famosa "Carta aos Brasileiros" senão uma providencial e pública troca de vestimenta ideológica do candidato Lula -que, eleito, sob aplausos do mundo financeiro, indicou um tucano para o Banco Central (agora no PMDB) e um ex-trotskista com plumagem neoliberal para a Fazenda?
É um exercício vão buscar comparações e escolhas plebiscitárias entre gestões que se encadeiam no tempo. Os avanços e problemas de uma transformam-se em acúmulo ou em fatos acabados na outra. Ou será que faz sentido questionar como teria sido a gestão lulista se tivesse de formular um plano para vencer a hiperinflação, precisasse sanear instituições financeiras públicas e se visse obrigada a estancar uma crise sistêmica dos bancos privados nacionais?
O Brasil precisa pensar e agir com olhos no futuro. Nada tem a ganhar com a tentativa da candidatura governista de forjar uma revanche de disputas pretéritas. Se o presidente Lula não venceu a contenda com Fernando Henrique Cardoso em 1994 não será agora que o fará -pelo simples motivo de que nenhum dos dois é candidato. O governo que se encerra neste ano teve méritos inegáveis, mas muitos deles, é forçoso reconhecer, nasceram de sementes plantadas no passado.

O ESGOTO DO BRASIL

FERNANDO RODRIGUES


Lulocentrismo e dilmismo

FOLHA DE SÃO PAULO - 07/04/10

BRASÍLIA - Pouco se faz ou se decide na campanha de Dilma Rousseff sem a bênção de Lula. A centralização dos debates relevantes é completa. Seria prematuro apontar o mandonismo lulista como algo líquido e certo num eventual governo Dilma em 2011. Mas, por enquanto, os sinais emitidos são exatamente nesse sentido.
Tome-se o caso curioso da agenda da petista no dia 10 de abril, sábado, quando José Serra (PSDB) lançará de maneira oficial sua pré-candidatura a presidente. O evento será em Brasília, numa anunciada grande festa tucana. Os petistas passaram dez dias pensando no que fazer com Dilma nessa data.
Só ontem no fim do dia Lula bateu o martelo e optou-se por uma visita à região do Grande ABC. Antes, a ideia inicial havia sido levar Dilma e Lula ao Rio para um evento público no momento em que Serra estivesse lançando sua candidatura em Brasília. Houve divergência dentro da coordenação petista.
Alguns mais radicais sonharam em promover um convescote de Dilma por locais que ficaram alagadas em São Paulo no início do ano.
Ou uma passagem rápida pelo notório buraco do metrô paulistano.
Tudo ficou suspenso até Lula ter dado ontem sua palavra final.
Some-se ao lulocentrismo a atitude também centralizadora de Dilma Rousseff. A petista até hoje não tem página oficial na internet nem perfis próprios nas redes de relacionamento social. Está tudo pronto, mas só nesta semana a candidata reservou um pouco de tempo para aprovar os layouts preparados. Por enquanto, não fala de maneira direta com os mais de 60 milhões de brasileiros com acesso à web.
Se a ex-ministra deslanchar nas pesquisas e ganhar em outubro, essas idiossincrasias ficarão para trás.
No caso de a campanha fazer água, o lulocentrismo e o dilmismo ocuparão papel de destaque como fatores responsáveis pelo eventual descarrilamento da candidatura.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Tá sobrando?  

O Estado de S.Paulo - 07/04/2010

Aproveitando o troca-troca nos ministérios e nos Estados, o governo Lula editou silenciosamente, no último dia 30, a MP 484. Ela distribui nada menos que R$ 1,6 bilhão assim divididos: metade para as regiões Norte e Nordeste e metade pulverizada nos conformes do Fundo de Participação dos Estados.

Segundo a exposição de motivos, o dinheiro, a fundo perdido, saiu para compensar a crise financeira de 2009 e reforçar o ensino médio.

Do total, São Paulo foi agraciado com 0,5% - algo como R$ 80 milhões.
Dissintonia

O Idec volta ao ataque contra a Anatel: diz que a agência está descumprindo suas próprias normas. É que ela divulgou, em março, uma nova uma regra sobre o aluguel do decodificador para o ponto extra da TV a cabo.

Na contramão da Justiça paulista, que já havia decidido pela ilegalidade da cobrança desses novos pontos.
O céu pode esperar

Com atraso de cinco horas, avião da Ocean Air se preparava para decolar do Rio para São Paulo, anteontem, quando se descobriu um passageiro a mais. Para felicidade geral, uma mulher propõe levar a filha de sete anos no colo, cedendo o assento do lado.

"A senhora merece ir para o céu...", agradece a aeromoça.

"Não", interrompe logo a passageira. "Eu quero é ficar na terra mesmo..."

Gogó

O Metropolitan Opera de NY convidou e Paulo Szot disse OK. Participará da opereta O Morcego. Também no Met, o barítono brasileiro foi confirmado para Carmen, na temporada do ano que vem.

Sobrevida

As Vidas de Chico Xavier, biografia base do filme de Daniel Filho, ganha nova versão. Sai em junho, pela Leya.

Amor de filha

Maria Bethânia faz homenagem a Dona Canô na temporada de shows que começa sexta, no Citibank Hall. Incluiu a canção Curare, de Bororó, que dedicará à mãe.

Precedendo a música, a declaração de amor: "Meu canto é teu, minha senhora".

Batom

Acaba de acontecer uma revolução feminina... em alto-mar. Havia apenas uma mulher, em maio de 2009, na plataforma São Vicente de Tupi - primeiro campo do pré-sal.

Hoje são 11, em áreas que vão desde operadora de rádio a fiscal e oficial de máquinas.


Em terra

Quem foi ontem ao encontro com o elenco do filme Segurança Nacional, na Base Aérea de Guarulhos, viu um hangar transformado em sala de visitas. Com direito a poltronas e sofás de couro e presença de Thiago Lacerda e Milton Gonçalves.
Expostos, equipamentos usados nas filmagens, como o avião Hércules, o Super-Tucano, o Caça F-5. A equipe acompanhou treinamentos da Aeronáutica durante um ano.

Em terra 2

Roberto Carminati, diretor, teve inúmeras reuniões com a Abin, que o assessorou nos diálogos. Lacerda, por sua vez, conviveu com agentes secretos.

Gonçalves agradeceu a Lula por ter liberado o uso da infraestrutura necessária, como o Palácio do Planalto. O filme custou R$ 5 milhões e sai dia 7 de maio.

Cinderelas

Alexandre Birman abre hoje a sua primeira loja homônima.. Em lugar de festa, recebe convidadas com hora marcada.

Elas ganham de presente, forma sob medida arquivada no ateliê.

Panela nova

O Seraphina -um dos restaurantes preferidos dos brasileiros em Manhattan- vem para São Paulo.
Em treinamento em Nova York, está um chef brasileiro.


Na frente

A Praça Dom José Gaspar volta aos anos 80: o Paribar, símbolo da área, acaba de reabrir suas portas. No comando, Luiz Campiglia.

Cat Power, que participa da Virada Cultural, topou. Fará show extra, dia 26 de maio, no Bourbon Street.
Abre sábado, na Pinacoteca, a exposição Portinari na Coleção Castro Maya.

Fábio Júnior sobe ao palco do Credicard Hall nos dias 18 e 19 de junho.

João Alves das Neves lança o livro 400 Anos - Padre Vieira - Imperador da Língua Portuguesa. O evento acontece no Consulado Geral de Portugal em SP. Dia 16.

Nos seus 20 anos, o Bando de Teatro Olodum chega ao Sesc Vila Mariana com três espetáculos. A partir de amanhã.
Tó Brandileone convida compositores amigos para show de música brasileira A Grama do Vizinho. Dia 13, na Casa da Francisca.
João Maurício Galindo, Paulo Caruso e Baixo Ribeiro estão entre os debatedores do Simpósio Traço, Forma e Psicanálise. Sexta, na Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Desavisado membro da equipe do próximo filme Harry Potter esqueceu o roteiro do longa ... no bar. Com 118 páginas, ele foi enviado ao The Sun que - milagre! - devolveu-o à Warner.

ALMIR PAZZIANOTTO PINTO

Tancredo Neves, a CUT e o PT
 O Estado de S.Paulo - 07/04/10

No dia 21 de abril completam-se 25 anos da morte do presidente Tancredo Neves. Após longo sofrimento, o dr. Tancredo sucumbiu à doença que o perseguira ao longo da campanha presidencial e na viagem ao exterior, depois da vitória no Colégio Eleitoral, em 5 de janeiro de 1985, reunido na forma do artigo 74 da Constituição de 1967. O dr. Tancredo obteve 480 votos; Paulo Maluf, 180; registrando-se 17 abstenções, 5 do PT, e 9 ausências.

Em 14 de março, à noite, preparando-se para a posse, o dr. Tancredo Neves, que comemorara 75 anos no dia 4, participou da missa no Santuário Dom Bosco, oficiada por Dom João de Rezende Costa, arcebispo de Belo Horizonte.

Momentos depois, vítima de fortes dores, o dr. Tancredo foi levado ao Hospital de Base para ser operado de complicações no divertículo. Desde esse instante a população brasileira passou a aguardar o restabelecimento do seu líder, expectativa que, desgraçadamente, não se concretizou.

Exemplo do estilo mineiro de fazer política, o dr. Tancredo sabia como ninguém combinar energia, coragem e firmeza nos momentos críticos, como por ocasião do suicídio do presidente Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954, com a lhaneza, paciência e diplomacia que lhe permitiram encaminhar, em nome da oposição, a sucessão do presidente João Figueiredo e obter dos comandantes militares o compromisso de que respeitariam os resultados da eleição indireta.

Raras vezes estive com o dr. Tancredo. À época, era secretário do Trabalho do governo Franco Montoro.

O primeiro encontro ocorreu no Palácio das Mangabeiras, sede do governo de Minas Gerais, em almoço do qual participaram líderes do PMDB. Em determinado momento, o governador me pediu informações sobre a estrutura sindical. Disse-lhe o que pensava, destaquei o problema do peleguismo e declarei que a solução consistia na ratificação da Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da autonomia de organização e garante liberdade de sindicalização.

Com o dr. Tancredo eleito, soube pelo dr. Roberto Gusmão, secretário de Governo, de reunião com o dr. Francisco Dornelles, futuro ministro da Fazenda. O encontro se deu em São Paulo, ocasião na qual fui informado de que assumiria o Ministério do Trabalho, cabendo ao dr. Gusmão o Ministério da Indústria e Comércio.

Nos últimos dias de fevereiro compareci à Granja do Torto, onde o dr. Tancredo disse-me que era convocado para "sofrer com ele durante quatro anos".

O decreto designando-me ministro acha-se assinado pelo dr. Tancredo na qualidade de presidente da República e é datado de 15 de março de 1985. Quem me entregou a cópia foi o ministro-chefe da Casa Civil, José Hugo Castelo Branco, acompanhada de mensagem pessoal. O documento de posse contém o autógrafo do vice-presidente José Sarney.

Antes mesmo da nomeação, fora incumbido da tarefa de negociar entendimento entre governo, patrões e trabalhadores.

O dr. Tancredo julgava indispensável, para a recuperação econômica e o sucesso do período de transição, que se fizesse algo semelhante aos pactos celebrados na Espanha após a morte de Francisco Franco, em 1975, com a instituição do regime monárquico democrático.

Seis importantes acordos, o primeiro conhecido como Pacto de Moncloa, haviam sido firmados, entre 1977 e 1984, pelo ministro Adolfo Suarez com a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), para tornar possível, em clima de tranquilidade sindical, a estabilidade da moeda, a retomada do desenvolvimento e a criação de empregos.

A revista Senhor de 9 de janeiro de 1985 publica entrevista do dr. Tancredo Neves a Mino Carta, em que ele revela desejar "uma trégua para organizar o pacto social que poderá remeter o País a um novo patamar de crescimento".

As reações ao pacto foram divergentes. Enquanto Joaquim dos Santos Andrade, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Conclat, reconhecia a gravidade da crise e se revelava disposto a colaborar, a associação CUT-PT abria hostilidades contra o dr. Tancredo, sem mesmo tentar saber o que se pretendia.

Em vez de aceitar o diálogo, um desvairado Jair Meneguelli panfletava fábricas com a seguinte mensagem: "Metalúrgicos vão à greve contra o pacto."

O Jornal da Tarde, na edição de 11 de fevereiro, estampava as manchetes: "A CUT e o PT declaram guerra a Tancredo" e "Os trabalhadores metalúrgicos do ABC vão à luta já, contra o pacto."

Os fatos revelariam que PT e CUT não blefavam. Em abril a CUT ocupou as instalações da GM, em São José dos Campos, e submeteu a cárcere privado 370 funcionários, vítimas de violências e humilhações.

Na manifestação de 1.º de maio, realizada na Praça da Sé, Meneguelli esbravejava: "Vamos parar o Brasil de norte a sul." De fato, o Brasil via-se atacado por milhares de greves políticas e selvagens.

Em 24 de junho de 1985, o presidente José Sarney convidou as lideranças sindicais, sem exceção, para reunião na Granja do Torto, a fim de discutir como deter a inflação, retomar o crescimento e aumentar salários. Compareceram todos, à exceção da CUT, empenhada no boicote do governo.

Jamais saberemos como seria o Brasil se o dr. Tancredo houvesse governado. A História, porém, é implacável e registra que o PT e a CUT foram responsáveis por 20 anos de atraso, até que o País recuperasse a estabilidade e o desenvolvimento, graças ao Plano Real.

ADVOGADO, FOI MINISTRO DO TRABALHO (1985-1988) E MINISTRO DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO (1988-2002)

PAINEL DA FOLHA

Faz de conta
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/04/10

A reação dos deputados contra o projeto de iniciativa popular que exige "ficha limpa" dos candidatos, da maneira como está redigido atualmente, fez surgir na Câmara uma articulação para postergar a votação, inicialmente prevista para hoje.
Segundo script desenhado ontem, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) colocará o projeto em pauta, de modo a evitar desgaste com a opinião pública. Mas, por questão regimental, os deputados podem devolvê-lo à CCJ, o que protelaria a votação. Isso porque são esperadas várias emendas ao texto original. Para que elas pudessem ser apreciadas diretamente em plenário, seria necessário colocar o projeto em regime de urgência. E não há a menor disposição para isso.


DDD. Tanto José Serra (PSDB) quanto Dilma Rousseff (PT) telefonaram ao governador Sérgio Cabral (PMDB) e ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) para manifestar solidariedade e pedir informações sobre os estragos causados pela chuva no Rio.
Devagar. Embora Dilma tenha feito ontem uma defesa "de leve" da candidatura única da base em Minas, e Hélio Costa (PMDB) tenha mais uma vez apelado aos petistas para que o apoiem, ninguém deve esperar por recuo de Fernando Pimentel ou de Patrus Ananias antes de maio. A ideia do PT local é postergar ao máximo uma decisão. Se mais não for, para conter outras exigências do PMDB.
Consultoria. Entre um e outro evento, Dilma conversou com a funcionária de uma pousada que a ajudou a relembrar expressões mineiras.
Mesa para quatro. No famoso encontro em que Lula explicou a Henrique Meirelles que não tinha como lhe ajudar a ser vice de Dilma, o presidente se fez acompanhar da própria candidata e de Franklin Martins.
Na lata. Coube ao ministro da Comunicação Social a fala mais direta da reunião: diante de Meirelles, Franklin disse que a simples especulação em torno da possibilidade de o presidente do BC tomar o lugar de Michel Temer na vice punha em risco a aliança PT-PMDB, considerada essencial para a candidatura de Dilma.
No paralelo. Enquanto o mundo apostava no diretor de Normas, Alexandre Tombini, para substituir Meirelles, o ministro Guido Mantega (Fazenda) trabalhava para instalar o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, na presidência do BC.
Alma do negócio. Franklin Martins apresentou consulta ao Tribunal Superior Eleitoral sobre a possibilidade de utilizar "o nome ou a marca de programas", além da expressão "governo federal", em "fachadas, locais de atendimento, placas de identificação, uniformes e materiais" durante o período de campanha. Também pergunta se "nomes de órgãos ou entidades responsáveis pela comunicação" poderão ser usados em peças publicitárias.
Em cascata. Técnicos do tribunal esperam uma chuva de processos pedindo a liberação do uso de logomarcas do governo na campanha. A Anvisa foi a primeira. A relatora é a ministra Cármen Lúcia.
Rei. Indagado sobre suas preferências musicais durante entrevista a duas emissoras de rádio ontem no Rio, Lula afirmou ser fã de "Detalhes", de Roberto Carlos.
A postos. Tudo caminha para chapa pura do PSDB no Paraná, com o senador Flávio Arns como vice de Beto Richa.
Visita à Folha. Oded Grajew, presidente do instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, visitou ontem a Folha. Estava com Paulo Itacarambi, vice-presidente-executivo, Gladis Eboli, gerente-executiva, Luanda Nera, coordenadora de comunicação, e Cristina Spera, assessora de imprensa.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio 
"Eduardo Paes e Sérgio Cabral agora procuram desculpas para a redução de investimentos em conservação e limpeza. As imagens da tragédia no Rio revelam o resultado dessa união." 

Do deputado ÍNDIO DA COSTA (DEM-RJ), sobre as declarações do prefeito, que, ao comentar as mortes e os estragos causados pelas chuvas no Rio, disse que "o que aconteceu foi totalmente atípico".
Contraponto 
Sem dono Os deputados petistas José Eduardo Cardozo e Cândido Vaccarezza, este líder do governo, encontraram-se ontem num almoço em Brasília e combinaram de ir embora juntos para colocar a conversa em dia. Na saída do edifício em que estavam, havia um carro parado na porta. Sem pestanejar, os dois entraram no veículo, surpreendendo o motorista que ali aguardava.
-Este carro é seu, não é?- perguntou Cardozo a Vaccarezza em tom de simples confirmação.
-Meu, não! Não é seu?- devolveu o outro.
Diante da negativa, os dois se desculparam e saíram de fininho. Simplesmente, haviam "invadido" o carro errado!

JAPA GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! Sudeste vira chuveste!
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/04/10

Barco com isenção de IPI! Sair de carro acaba com a capota boiando no "Jornal Nacional!"


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Dilúvio! Chama o Noé! Tá chovendo ou tão cuspindo na gente? Tão cuspindo! Num guento mais chuva. Tô ficando com cara de ácaro! E Sudeste vira Chuveste. Chuveste Stallone, é cada pancada! Rio embaixo d'água! São Paulo alagada! Enchente ponte aérea! Queremos barco com isenção de IPI! Carro já era! Sair de carro sempre acaba com a capota boiando no "Jornal Nacional"!
Essa é a foto que mais saiu nos jornais em 2009 e 2010: capota de carro! E o Paes pediu pros cariocas não saírem de casa. Os "não pode" das enchentes. 1) Não pode sair de casa. 2) Não pode sair de carro. Senão a capota aparece boiando no Datena. 3) Não pode jogar lixo. Aliás, não pode jogar lixo e nem votar em lixo! 4) E não pode chapinha. Devido à temporada de chuvas, as chapinhas estão suspensas. Imagine a Fátima Bernardes numa enchente. Rarará!
E é sempre assim: Santos Dumont opera por instrumentos. Congonhas opera por instrumentos. Pandeiro, cuíca, reco-reco e tamborim.
E em virtude das chuvas, a próxima crise do transporte brasileiro vai ser a dos barcos. Não vai ter barco pra salvar tanta gente. É o overbooking das enchentes!
E Rodoanel é todo mundo de rodo na mão. Rarará!
Pedofilia na política: Dilma afaga Garotinho! Sendo que a última coisa que o Garotinho fez foi greve de fome. Desculpa pra não comer a Rosinha. Rarará! Aliás, o único que se deu bem na enchente foi o Garotinho. Porque ele sai boiando. Rarará.
E programa de paulista agora é convidar pra assistir a chuva em casa. "Ah, vem assistir a chuva daqui de casa que a gente chama uma pizza." Rarará!
É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!".
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que no Mato Grosso tem uma cidade chamada Reserva do Cabaçal. Ueba! Espécie em extinção tem que ficar em reserva mesmo. Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pedófilo": companheiro que faz os pés no pediatra. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!

ELIO GASPARI

De Cazemiro@edu para Demóstenes.Torres@gov 

O Globo - 07/04/2010

ILUSTRE SENADOR Demóstenes Torres,

Quem lhe escreve é Cazemiro, um Nagô atrevido. Faço-o porque li que o senhor, um senador, doutor em leis, sustenta que a escravidão brasileira foi uma instituição africana. Referindo-se aos 4 milhões de negros trazidos para o Brasil, vosmicê disse o seguinte: "Lamentavelmente, não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram..."

Vou lhe contar o meu caso. Eu cheguei ao Rio de Janeiro em julho de 1821 a bordo da escuna Emília, junto com outros 354 africanos. O barco era português e o capitão, também. Fingia levar fumo para o Congo, mas foi buscar negros na Nigéria e, na volta, acabou capturado pela Marinha inglesa. Desde 1815, um tratado assinado por Portugal e Grã Bretanha proibia o tráfico de escravos pela linha do Equador.

Quando a Emília atracou no Rio, fomos identificados pelas marcas dos ferros. A minha, no peito, parecia um arabesco. Viramos "africanos livres". Livres? Não, o negro confiscado a um traficante era privatizado e concedido a um senhor, a quem deveria servir por 14 anos. O Félix Africano, resgatado em 1835, penou 27 anos. Doutor Demóstenes, essa lei era brasileira.

A turma da Emília trabalhou na iluminação das ruas e no Passeio Público. Algumas mulheres tornaram-se criadas. A gente se virou, senador. Havia senhores que compravam negros mortos, trocavam nossas identidades e não nos liberavam. As marcas a ferro nos ajudaram.

Alguns de nós conseguiram juntar dinheiro. Como estávamos sob a supervisão dos juízes ingleses, em 1836 compramos lugar num barco. Dos 354 que chegaram, talvez 60 retornaram à África.

Como doutor em leis, vosmicê sabe que o Brasil se comprometeu a acabar com todo o tráfico em 1830. Entre 1831 e 1856 chegaram 760 mil negros, os confiscados devem ter sido 11 mil, ou 1,5%. Aquela propriedade da Marinha, na Marambaia, onde às vezes o presidente brasileiro descansa, era um viveiro de escravos contrabandeados. Não apenas a escravidão do Império era uma instituição brasileira, como assentava-se no ilícito, no contrabando.

Outro dia eu encontrei o Mahommah Baquaqua, mais conhecido nos Estados Unidos do que no Brasil. Ele foi capturado no Benin, lá por 1840, vendido a um padeiro em Pernambuco e revendido no Rio ao capitão do navio "Lembrança".

Em 1847, o barco fez uma viagem ao porto de Nova York e lá o Baquaqua fugiu. Teve a proteção dos abolicionistas, razoável cobertura jornalística, estudou e escreveu um livro contando sua história (inédito em português, imagine). Fazia tempo que eu queria perguntar ao Baquaqua por que, em suas memórias, não contou que, de acordo com as leis brasileiras, o seu cativeiro era ilegal. Ele diz que esqueceu, mas que, se tivesse lembrado, não faria a menor diferença.

Senador Demóstenes, a escravidão foi brasileira, assim como é brasileira uma certa dificuldade para lidar com os negros livres. Eu que o diga.

Axé, Cazemiro
P.S.: Há uma referência ao caso da Emília no artigo "A proibição do tráfico atlântico e a manutenção da escravidão", da professora Beatriz Gallotti Mamigonian, publicado recentemente na coletânea de ensaios "O Brasil Imperial". Que Xangô apresse a publicação de seu livro sobre os "africanos livres" no Brasil.

DORA KRAMER

Jogo de amarelinha
O Estado de S.Paulo - 07/04/10

Pelo revés na formação do palanque para José Serra no Rio de Janeiro a direção nacional do PSDB realmente não esperava. Ao contrário.

Os tucanos andavam se jactando de que estavam muito mais adiantados que o PT na formação dos palanques regionais nos três principais colégios eleitorais do País: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

São Paulo, tudo certo com Geraldo Alckmin, candidato disparado nas pesquisas; Minas, sob a administração do ex-governador Aécio Neves; no Rio, com Fernando Gabeira de candidato a governador, dividindo palanque com Marina Silva, numa aliança de quatro partidos: PSDB, PV, PPS e DEM.

Agora, embora não se possa dizer que a situação tenha se invertido, constata-se, no mínimo, um abalo. Só São Paulo segue sendo um porto seguro.

Mesmo assim, o adversário que estava perdido entre a indefinição total e uma situação quase esdrúxula de ter Ciro Gomes como candidato do PT, hoje já pode apresentar nome definido: Aloizio Mercadante.

No PT de Minas permanece a pressão pela candidatura própria e a contrapressão do Planalto pelo apoio à candidatura de Hélio Costa do PMDB. Mas no PSDB reina uma tênue, sutil, quase imperceptível insegurança a respeito do grau de empenho de Aécio Neves na campanha de José Serra.

Mas a desarrumação mesmo, explícita, deu-se no Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral.

O presidente do PV, Alfredo Sirkis, e a vereadora Andrea Gouveia Vieira, do PSDB, comandam uma rebelião contra a presença do DEM na aliança. Mais precisamente contra a candidatura do ex-prefeito Cesar Maia a senador.

Argumentam, grosso modo, que há rejeição da classe média ao ex-prefeito e pressionam o candidato a governador, Fernando Gabeira, a anunciar o rompimento.

O PSDB nacional já entrou em cena para impedir que se desfaça a coligação. Com alguma dificuldade, diga-se, porque o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, resolveu agredir Gabeira, que, na verdade, era o menos interessado na confusão.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, estará hoje no Rio, mas a discussão do problema deverá ser adiada para a semana que vem, a fim de evitar que as animosidades contaminem o lançamento da candidatura presidencial no próximo sábado.

E qual é a posição da direção nacional?

Simples. Ou se faz a coligação com todos ou não se faz coligação com ninguém, porque todos precisam de todos.

Serra precisa de Gabeira para ter um bom candidato a governador. Gabeira precisa do PSDB para ter tempo de televisão. Ambos precisam do DEM para aumentar o tempo de televisão e ganhar densidade em termos de estrutura partidária. Marina, como candidata a presidente, também precisa de Gabeira, que precisa do PSDB, que precisa do DEM, que precisa de Gabeira, que precisa de Serra.

Resumindo: política, eleitoral e friamente falando, soltos, cada um dos quatro partidos em questão não somam meio. No máximo flanam pelo cenário brincando de amarelinha

Bom combate. A título de provocação, o PSDB pôs o tema da ética na mesa e o PT, a fim de não parecer acuado, aceitou o debate de pronto. Foi um avanço, já que não faz muito tempo as duas principais forças políticas avaliavam que o assunto estaria fora do cenário eleitoral.

Primeiro, porque o eleitorado teria outras prioridades na vida antes de discutir coisas que só interessam a "falsos moralistas", os chamados udenistas de plantão desde a extinção dos partidos pré-ditadura.

Depois, segundo esses autores, a discussão estaria interditada por conta da existência de escândalos nas searas governista e oposicionista. Foram defendidas teses profundas a respeito da política das mãos sujas.

A ideia ganhou reforço especial no fim do ano passado, quando surgiu o caso Arruda, então governador do Distrito Federal filiado ao DEM, principal aliado do PSDB.

Diante daquele acordo tácito segundo o qual a ética estaria fora do debate político, por um nefasto zero a zero entre o roto e o esfarrapado, é motivo de celebração a entrada desse item na agenda de campanha.

CLÁUDIO HUMBERTO

Yeda manda a ‘técnica’ Dilma reassumir o cargo


A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, terá de reassumir a função de técnica da Fundação de Economia e Estatística Siegrefried Emanuel Heuser (FEE), do governo do Rio Grande do Sul, sob pena até de demissão por abandono de emprego. Há anos Dilma estava à disposição do governo federal, “com ônus” para o governo gaúcho, mas a governadora tucana Yeda Crusius revogou a cessão.

“Continuo intolerante ao mau-caratismo, à mentira, à deslealdade”
NOVO GOVERNADOR DE SÃO PAULO, ALBERTO GOLDMAN (PSDB), APÓS ASSUMIR O CARGO

ASSIM NÃO PODE
Dilma Rousseff tem fama de “Caxias”, mas em sua ficha funcional já constam três faltas ao trabalho: ela deveria ter reassumido no dia 1º.

DEMISSÃO IMINENTE 
Como não se cogita que Dilma Rousseff abandone a campanha para voltar ao emprego em Porto Alegre, espera-se que ela se demita.

NOVO DESAFIO
O ex-ministro de Infraestrutura João Santana assumiu a presidência da Constran, importante grupo de obras e transportes do País. 

PRECE EM VÃO
Suspeito de irregularidades e com rombo de R$ 630 milhões, o fundo Prece, da Cedae (RJ), teve as contas aprovadas pelos conselheiros.

DEPUTADO ‘TABELIÃO’ LEGISLA EM CAUSA PRÓPRIA 
É mesmo ligado a cartórios o deputado Alex Canziani (PTB-PR), autor do projeto que altera a Lei da Arbitragem, criando malandramente outra reserva de mercado para o setor. Em carta a esta coluna, o sofista negou ser “tabelião”, mas omitiu o detalhe de que sua mulher é tabeliã, só para comprovar que mentira tem pernas curtas. Ana Lúcia (“Lucy”) Canziani é titular do 2o Ofício de Registro de Imóveis de Londrina (PR).

ATÉ O PESCOÇO
Alex Canziani até foi eleito “diretor de política” da Anoreg, a associação de cartórios, e revela a profissão em seu site: “Registrador de Imóveis”.

QUE VERGONHA... 
Sempre legislando em favor dos cartórios, Alex Canziani defende o trem da alegria efetivando tabeliães sem concurso público. 

AGORA, BRICKS
Para a consultoria americana RWN, faltam Coreia do Sul e Cingapura na sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia, China). Em inglês, vira Bricks.

DITO E FEITO 
O ex-deputado Chico Vigilante (PT) não esquece a advertência que fez ao então governador eleito do DF José Roberto Arruda para não cair na tentação do mensalão: “Se fizer isso, você se acaba”. Não deu outra. 

INTERVENÇÃO NO DF
A provável eleição de um deputado distrital, para governador do DF, fortaleceu tese da intervenção. O ex-deputado Sigmaringa Seixas lidera as preferências de quem de fato importa no governo: o presidente Lula.

QUEM NÃO CHORA... 
O governador do Rio, Sérgio Cabral, chorou suas mágoas no ombro de Lula, pedindo para impedir Dilma Rousseff de ir ao lançamento da candidatura do arqui-inimigo Garotinho, sábado, ao governo do Estado.

CONFISSÃO DE ‘ZERO-UM’
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, classificou ontem de “abaixo de zero” as condições da cidade para enfrentar chuvas. Deve ter ouvido, lá no fundo, a voz de sua consciência: “Então pede pra sair, zero-um!”

A MODA PEGOU 
Quem não tem scanner corporal, improvisa: a Infraero vai instalar equipamentos em aeroportos do Centro-Oeste para checar armas e explosivos em sapatos, meias e calças, mas só até a panturrilha. 

RACIOCÍNIO TORTUOSO
Tarzia Medeiros, da Secretaria de Mulheres do PSOL, afirmou em artigo para o “Novo Partido Anticapitalista” francês que “políticos fascistas” brasileiros querem legalizar o aborto para diminuir a taxa de natalidade dos mais pobres e, assim, diminuir a criminalidade. Pirou?

O POVO QUE SE LIXE 
A PM-DF voltou a fazer concessão à baderna: isolou grande extensão da Esplanada dos Ministérios, ontem, para que policiais e bombeiros se manifestassem pelo seu piso salarial, provocando o caos no trânsito e infernizando a vida de quem passou por lá.

RECORDE
A frota de Brasília atingiu em maio de 2008 a incrível marca de 1 milhão de veículos. Menos de dois anos depois, já aumentou mais de 15%. Toda a população do Distrito Federal pode ser conduzida somente nos bancos da frente dos carros.
PENSANDO BEM... ...o Rio vive há dois dias a Olimpíada da Chuva. 

PODER SEM PUDOR 
LUSTRE GENERAL
Getúlio Vargas demitiu o interventor que nomeara na Bahia, o general Pinto Aleixo, alvo de insinuações da oposição sobre o seu suposto apego aos bens públicos. Afastado, Aleixo mandou para o porto vários volumes da sua mudança, e lá estava a oposição dizendo que era móveis do palácio e até um lustre centenário. Encarregado de avisar quando o general embarcasse para o Rio, um funcionário baiano sapecou um trocadilho, no telegrama:
- Segue general e lustre.

CARA DE PAU

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: O Rio em colapso Caderno Especial: Cadê o plano de emergência?

Folha: Pior chuva mata 98 e paralisa Rio

Estadão: Temporal recorde em 44 anos mata 103 e Rio entra em colapso

JB: A maior chuva da história

Correio: Rio afunda em caos e morte

Valor: Projeto define ônus sobre informações na internet

Jornal do Commercio: Tragédia no Rio