sábado, abril 03, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Alta do aço impacta inflação no segundo semestre, diz consultoria
FOLHA DE SÃO PAULO - 03/04/10

Uma mudança no preço do aço a partir deste mês teria a maior parte do seu impacto sobre a inflação no varejo concentrada neste ano, especialmente no segundo semestre.
A conclusão é de análise feita pela consultoria LCA a respeito da disputa que envolveu, nesta semana, a mineradora brasileira Vale, sua concorrente australiana BHP, siderúrgicas chinesas, brasileiras e europeias.
A elevação do valor do minério de ferro pela Vale resultará em forte pressão no preço do aço e, consequentemente, nos produtos que usam o material.
O modelo calculado pela LCA aponta que "o impacto de mudanças no preço do aço sobre o IPA industrial se dissipa após sete meses, com um impacto máximo no quarto mês. Já o impacto do IPA industrial sobre o IPCA livre se dissipa após nove meses".
O minério de ferro é a matéria-prima principal do aço, usado numa grande variedade de itens, de carros e eletrodomésticos a brinquedos.
O modelo estimado pela LCA sugere que "o impacto direto de um reajuste de 20% no preço do aço sobre o IPCA seria de cerca de 0,13 ponto percentual". O impacto total -direto e indireto- alcançaria cerca de 0,26 ponto percentual.
Um reajuste de 100% no minério de ferro, no entanto, não significaria acréscimo de 0,26 ponto percentual às projeções para a inflação dos preços livres em 2010. Isso porque os analistas já vinha esperando elevação de 15% a 30% no preço do insumo, diz a consultoria.
A LCA destaca ainda que um reajuste do minério também acarreta implicações sobre a cotação cambial doméstica, por meio de melhora substancial do saldo da balança comercial, de até US$ 9 bilhões em 2010.
CHOCOLATE 
O consumo de ovos de Páscoa atingiu 38% dos domicílios brasileiros no ano passado. O tíquete médio foi de cerca de R$ 17, de acordo com pesquisa realizada pela Nielsen. Cerca de 47% desses produtos foram comprados para presente; o restante foi para consumo próprio.
NA BALANÇA 
O levantamento também concluiu que o brasileiro compra em média 700 gramas do produto. O mercado tem na região Sul a maior penetração, com 57% dos lares. O maior tíquete médio para a compra de ovos é registrado no Centro-Oeste.
CASEIRO 
Mais de 10% dos ovos de chocolate comprados na Páscoa foram de fabricação caseira. A principal região de consumo é o interior de São Paulo, com 43% do volume, seguida pela Grande São Paulo, que aparece com 34%, de acordo com a pesquisa da Nielsen.
LIGAÇÃO 
Só 5% dos celulares vendidos hoje na América Latina são smartphones. Segundo a 3G Americas, associação que representa a família GSM e suas evoluções, esse número crescerá em 2010, pois 25% da população do continente tem intenção de possuir um modelo de celular completo. Hoje há 64 milhões de assinantes 3G nas Américas, 50% deles no Brasil.
ENCONTRO 
Raghuram Rajan, ex-economista chefe do FMI, Michael Pettis, colunista do "Financial Times" e professor de finanças em Pequim, e Marc Faber, analista de investimentos, falarão sobre o cenário político e econômico mundial e de investimentos em mercados emergentes, em encontro promovido pelo Itaú BBA, no dia 15, em São Paulo.
PARA O MUNDO
Um dos criadores da cerveja escura Xingu, em 1987, o escritor e empresário Cesario Mello Franco vai desenvolver uma nova linha da cerveja.
Está em planejamento a elaboração de três novas versões, entre elas uma clara e uma vermelha. "Serão todas ligadas à Amazônia", diz Franco.
O projeto está em fase de estudo de mercado, mas, por enquanto, será só para exportação. Em 2005, Franco vendeu os direitos da marca Xingu no Brasil para a Femsa, comprada em janeiro pela Heineken, permanecendo dono da marca no mercado externo.
Hoje a cerveja é exportada para Austrália, EUA e Inglaterra. Nesta semana, a Xingu venceu a segunda etapa de um concurso internacional do jornal "Washington Post" e na semana que vem concorre à vaga na final.
Em breve, o brasileiro poderá conhecer uma cerveja nacional que só estrangeiros conhecem. Outra invenção de Franco, a cerveja Palma Louca, exportada para Austrália, EUA e Inglaterra desde 2002, está em teste em bares de São Paulo.
"Palma Louca é vinculada à cultura brasileira, a escritores. Nas embalagens da cerveja, há referência ao site que dá nome à bebida, no qual jovens buscam mostrar um lado diferente do país."
PARA O BRASIL
Desembarca no Brasil uma das cervejas artesanais líderes dos EUA, a Brooklyn Brewery, comandada pelo mestre cervejeiro Garret Oliver, que está nesta semana no país para acompanhar o lançamento.
O Brasil foi escolhido como a porta de entrada da cerveja na América Latina. A bebida está sendo trazida pela importadora BrazilWays. "A decisão de trazer a Brooklyn levou em conta a carência de uma cerveja artesanal norte-americana no país", afirma Iron Mendes, sócio da importadora.
O potencial do mercado brasileiro para as cervejas artesanais está ligado à culinária do país, segundo Mendes.
A bebida será distribuída em todo o país, de bares a supermercados. Por enquanto, estarão disponíveis 4 dos 20 rótulos que a empresa produz.
A garrafa de 750 ml da Local 1, por exemplo, irá custar, em média, R$ 49 em bares e restaurantes.
O mercado norte-americano de cervejas artesanais é bastante variado, com mais de 1.500 cervejarias, de acordo com Mendes.
A Brooklyn, presente em 13 países, produz 1 milhão de litros por mês. Para este ano, a empresa projeta crescimento de 20%, com faturamento de US$ 25 milhões.

com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK

WALCYR CARRASCO


REVISTA VEJA - SÃO PAULO

Loucos por Reuniões

Por Walcyr Carrasco
por Attílio
Quero me encontrar com uma amiga. Impossível. Sua agenda anda apertadíssima. Proponho:
— Passo aí amanhã para tomar um cafezinho.
— Tenho uma reunião pela manhã e duas à tarde.
— Que tal um almoço?
— Adoraria. Mas já marquei com um cliente.
Suspiro. Insisto.
— Fim de semana, então. Você não me escapa!
— Vou para uma convenção.
— Ei, abre uma brecha! Estou com saudade de você.
Do outro lado da linha ecoa uma respiração profunda. Ela geme:
— Eu também. Estou com saudade de mim mesma.
É impressionante a paixão que a maioria das empresas e seus executivos demonstram por reuniões. Tenho o privilégio de trabalhar em casa. Mas ainda me lembro da época em que gastava grande parte de meu tempo em longas reuniões. Tomava litros de cafezinhos e fazia esforço para não bocejar enquanto os executivos falavam, falavam e falavam. Com frequência, foi perda de tempo e de paciência. A maioria se empenhava em concordar com o alto escalão sem dar na vista. Um amigo debatia longamente sua opinião, apresentava dados. Quando o chefe discordava, reagia com admiração, mesmo tendo ouvido alguma asneira. Humildemente, mudava de opinião. Certo dia, comentei:
— Não se envergonha de bajular tanto?
— Eu, hein? O homem é um poço de vaidade. Se discordar, vou para a lista negra.
Devia estar certo: hoje ocupa um cargo altíssimo na empresa. Os chefes que me perdoem, mas raramente algum suporta ser contrariado diante do próprio staff. Muitos adoram reuniões justamente para se pavonear, desfraldando opiniões sábias. Seu propósito é evidenciar quanto são aptos para continuar no timão. Soube de um que tem o hábito de estender as reuniões muito além do fim do expediente. Fala, conta piadas, discute projetos presentes e futuros enquanto seus executivos perdem jantares, cinemas e, com o tempo, a namorada.
Para mim, a hora do almoço é sagrada. Vivem me convidando para reuniões nesse horário, como se fosse vantagem! Como discutir um trabalho criativo enquanto meu interlocutor espeta pedaços de picanha com o garfo? Já conheci uma mulher que marcava dois e até três almoços de negócios no mesmo dia. No primeiro comia uma salada. Disparava para o outro encontro, em que mandava ver no prato principal. No terceiro, sobremesa e café.
— Assim, meu tempo rende mais — explicou- me.
Jamais me convencerá de que vale a pena. Comida e correria não combinam.
E a tecnologia torna tudo mais difícil. Ninguém mais pode fugir de reunião dizendo que a agenda está lotada. Inventaram a videoconferência. Ou seja, a reunião eletrônica, capaz de alcançar qualquer um a qualquer hora!
Não sou dono nem diretor de empresa para avaliar as vantagens de tantas reuniões, almoços de negócios, encontros de fim de semana. Os funcionários são contratados por seu talento, especialização, currículo. Mas quando realizam suas tarefas?
Fiz essa pergunta para minha amiga cuja saudade confessei. Sem sequer tentar defender o excesso de reuniões, ela rendeu-se:
— Acumulo muita coisa para o fim de semana.
— Ou seja, você vai para a empresa e não trabalha porque passa boa parte do tempo em reuniões. E aí executa em casa as tarefas profissionais. E sua vida pessoal, onde fica?
— Nem sei mais o que é vida pessoal!
Ela prometeu que nos veríamos na outra semana. Fingi acreditar. Serão necessárias tantas reuniões? Tenho muitas dúvidas. Mas fico pensando: quem entra nesse círculo vicioso não consegue mais trabalhar de verdade

EDITORIAL - O GLOBO

Cuba no atoleiro dos Castro
O GLOBO - 03/04/10
Em recente artigo, o colunista Thomas Friedman, do “New York Times”, escreveu que, “no Oriente Médio, o que os líderes lhe dizem privadamente, em inglês, é irrelevante; o que importa é o que eles dizem a seu povo, em sua própria língua”.

O mesmo se poderia aplicar às ditaduras latinoamericanas. A agressiva retórica de Chávez contra os EUA, em público, não o impede de continuar negociando a venda de seu petróleo para os EUA. Cuba, o parque temático stalinista do Caribe, tenta manter a coerência e segue impávida, apesar da crescente penúria da população — segundo a revista “The Economist”, citando dados oficiais, nos primeiros dois meses do ano o estoque de alimentos nos mercados de Havana era um terço menor do que no ano passado. Três furacões em 2008 pioraram tudo. Mas já há no governo quem faça planos para investimentos americanos pós-embargo.

Não existe descontentamento popular aberto porque, se houver, será punido, no mínimo, com a prisão. A ditadura castrista mostrou mais uma vez sua face cruel em fevereiro, ao deixar morrer o dissidente Orlando Tamayo, depois de 85 dias de greve de fome contra o regime.

Para desdouro da imagem do Brasil, o presidente Lula, em visita à ilha, se solidarizou com os irmãos Castro. Até quinta, vivia situação muito difícil o jornalista Guillermo Fariñas, sem comer há dois meses para chamar a atenção sobre os demais presos de consciência.

Cuba perdeu importantes apoios internacionais na área artística e cultural. Em 2003, José Saramago, o escritor português Prêmio Nobel de Literatura, publicou o famoso artigo que começa com o período: “Cheguei até aqui. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho e eu fico”, numa reação à execução de três dissidentes.

No mesmo ano, romperam com o regime o dramaturgo italiano e Prêmio Nobel, Dario Fo, e o diretor e produtor de filmes espanhol Pedro Almodóvar.

Pois agora os cantores e compositores Pablo Milanés e Silvio Rodríguez, ídolos da música cubana que já foram entusiastas da revolução, pedem abertamente reformas. Milanés, que chegou a dedicar shows a Fidel, disse ser “a favor das mudanças que Raúl prometeu, mas não cumpriu”. Para Rodríguez, “este é um momento no qual a revolução e a vida nacional pedem aos gritos uma revisão de muitas coisas, muitos conceitos e até instituições”.

O governo cubano culpa pela situação de penúria o embargo comercial e econômico imposto pelos EUA há 50 anos, e de fato ele tem um peso imenso. O presidente Obama tomou medidas para facilitar o intercâmbio entre exilados cubanos em Miami e parentes na ilha. Mas espera, para considerar o fim do embargo, passos do governo cubano na direção da abertura do regime. Fica insustentável, assim, a posição do chanceler Celso Amorim, que relaciona a dureza do regime cubano à manutenção do embargo, sem exigir que, em troca, o governo de Havana faça concessões.

Lembrando a frase de Friedman, o discurso monolítico da ditadura castrista, para consumo interno, não impediu que seu ministro do Turismo, Manuel Marrero Cruz, se reunisse, em Cancún, com executivos americanos para começar a delinear planos de investimentos para o pós-embargo. Se a esquerda que está no poder em Brasília ajudasse em aconselhamentos aos irmãos Castro, em vez de se solidarizar com a ditadura deles, essa transição se poderia fazer de forma mais suave e rápida, para o bem do povo cubano.

ARI CUNHA

Aviação complicada

CORREIO BRAZILIENSE - 03/04/10


O principal aeroporto do Brasil está deficiente. São Paulo tem população crescente e Viracopos não atende bem nem sequer aos habitantes. Próximos eventos, como Olimpíadas e Campeonato Mundial de Futebol, vão multiplicar as visitas. Mau humor. Preferência para os visitantes é desobediência à lei. Por sinal, o aviso da Alfândega é que carteiraço dá prisão. Há que registrar o desconforto tanto para passageiros quanto para pessoal de operação. Por mais que funcionários se desdobrem, o andamento do serviço continua sofrido. Cidade a 800 metros acima do mar não possui a modernidade dos aeroportos internacionais. S.Paulo não tem equipamento moderno para aeroporto. É hora de pensar no assunto.


A frase que não foi pronunciada

“No Brasil ninguém está acima da lei. Porque não há lei.” 
Seu Furtado pensando no país.




Resultados

» AC número 2 está na ordem do dia. Precipitação governamental. Resultados do PAC 1 ainda não foram divulgados e começam a pensar no futuro. “Devagar com o andor, que o santo é de barro”, declamava o filósofo de Mondubim. Presidente Lula da Silva quer avançar todos os sinais até a próxima eleição.
Fala quem entende

» Miriam Leitão fez comentários que merecem reprodução. Transnordestina está parada pelas desapropriações ainda não feitas no Nordeste, onde pequenas propriedades estão sofrendo. Portos não foram dragados. Trem-bala precisará de mais dois anos para concluir o projeto. Previsão era custar R$ 11 bilhões. Os cálculos de hoje estão em R$ 20 bilhões. Isso porque o real fez o dólar baixar.
Ataque à imprensa

» Presidente Lula da Silva passa a dizer o que realmente deseja: “Jornalistas preferem a desgraça”. Ações do governo são divulgadas todos os dias. Acontece que são poucas. O restante a televisão a toda hora, nos canais pagos, diz coisas em que a gente nem sempre acredita.
Procuradores

» Leonardo Bandarra, procurador em Brasília, recebe acusações graves. Tira o corpo fora e acusa terceiros. Pode sair daí alguma coisa do arco da velha. Bandarra não falaria sem documentos.
Ficha suja

» Portadores de ficha suja, prestem atenção. Lula cresceu fazendo greve. Hoje é amigo dos patrões. A cisão deve servir para os prejudicados com pouca defesa a apresentar.
Folga de juízes

» A boca miúda fala muito na vida folgada dos juízes, com férias alentadas. Caso a registrar é que não trabalham apenas no expediente. Muitos levam processos para estudar no correr da noite. E juiz não tem privilégios que outros desfrutam e a imprensa noticia.
Ilusão

» Aos quatro ventos está a notícia de que Marta Suplicy é a preferida para ocupar a vaga de senadora. O que parece bom sinal pode enganar. Na eleição para prefeita, ela também tinha a maioria de votos e Cassab ganhou.
Luz

» Foi em 1994 quando cobravam nas contas das indústrias um empréstimo compulsório para as contas da Eletrobrás. O deputado Marcio Junqueira, da Comissão de Fiscalização da Câmara dos Deputados, quer notícias sobre a aplicação desses recursos. Em tempos eleitorais, a informação deve continuar em segredo.
Cacau em Ilhéus

» Aqui se noticiou que produtores de cacau de Ilhéus haviam feito união para ser criada fábrica de venda ao público. O cacau do Brasil é uma escandalosa mistura em igual peso de cacau e açúcar. Checando a informação, soubemos que a notícia é falsa. Cacaueiro não se mete a vender produção em pequenas quantidades.



História de Brasília

A Willys Overland do Brasil teve, no último semestre, um lucro líquido, deduzido o Imposto de Renda, de um bilhão de cruzeiros. (Publicado em 1/3/1961)

JAPA GOSTOSA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Haja ambiente
O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/04/10
 
Foi de uma rapidez espantosa a troca de guarda do Ibama assim que Carlos Minc deixou o Ministério do Meio Ambiente. Roberto Messias, presidente do instituto, saiu de férias na terça deixando o cargo à disposição da nova ministra, Izabella Teixeira.
Esta tomou posse na quarta e na quinta, o DOU já saiu com a exoneração do seu chefe de gabinete, da coordenadora de Fauna e Recursos Pesqueiros e a dispensa da presidente substituta, Sandra Klosoviski.
Para o lugar desta foi Abelardo Bayma, que dirigia o setor de Planejamento, Administração Logística.
No resto da casa, o ambiente é de ... tensão.

Meu nome é Bozo
O pastor Arlindo Barreto, o ex-palhaço Bozo, vai dirigir um filme evangélico, chamado O Mensageiro de Deus.
Que conta a fúria do "Coisa Ruim" contra o líder de uma igreja e sua família.
Martelo batido
Juca Ferreira, John Neschling e o produtor cultural José Roberto Walker preparam o lançamento da Cia. Brasileira de Ópera. A estreia é dia 3 junho, em Brasília.
Ouro de Moscou
Um clássico Palmeiras e Corinthians, para arrecadar fundos para o Partido Comunista? Isso mesmo. Aconteceu em outubro de 1945 e é contado em O Jogo Vermelho, livro que Aldo Rebelo lança dia 9, no Museu do Futebol.
O resultado? Foi 3 a 1 para o Palmeiras. E o jogo rendeu à militância 114 mil cruzeiros.

Tragada
Cesar Asfor Rocha recebeu da Phillip Morris pedido para que o STJ não mais emprestasse seu auditório para abrigar congresso internacional contra o tabagismo.
O evento vai ser no prédio da Procuradoria Geral de Brasília.

Recolhimento
Recém-casado, Roger Abdelmassih passa a maior parte do tempo em sua própria casa, evitando sair muito e se expor.
Está concentrando energias para seu interrogatório, em maio. A defesa vai convocar centena de pacientes satisfeitos com a clínica.

Na frente
Pela passagem do Pessach, a páscoa judaica, o Centro da Cultura Judaica promove jantar ecumênico na terça.

Alex Atala e a KitchenAid lançam, na terça, o Guia KitchenAid Milão.

O Copan já começou a ser procurado por políticos interessados em passar por lá durante a campanha. Nas últimas eleições 18 candidatos visitaram o prédio, onde moram cerca de 5.000 pessoas.

Maria João Pires toca em duo com Pavel Gomziakov, o violoncelista russo. Segunda, na Sala São Paulo.

J. Randy Taraborelli teve acesso a um documento inédito do FBI sobre o affair entre JFK e Marilyn Monroe. Os detalhes, na biografia A Vida Secreta de Marilyn Monroe, da Editora Planeta.

Ricardo Karman inventou o Teatrokê, com mini-peças de humor, no Teatro do Centro da Terra. Em vez de cantar, os voluntários da plateia encenam textos curtos, ajudados por ponto eletrônico.
Frejat será uma das atrações do Festival América do Sul. No dia 29, em Corumbá.
Os genéricos, informa a Anvisa, representam 13% do consumo de remédios no País. Já? Ou ainda?

"É preciso dar futuro ao Haiti"

O pior do drama já passou, mas quem esteve no Haiti sabe: o País está desmantelado. "Lá continuam à espera de ajuda 70 mil amputados, aos quais é preciso dar um futuro", diz o médico Fábio Atui. "Isso significa voltar, criar unidades de reabilitação, instalar uma fábrica de próteses, ensiná-los a cuidarem de si mesmos".

É o desafio a que se propõem Atui e todo o grupo de voluntários da Associação Expedicionários da Saúde, que lá estiveram 45 dias fazendo cirurgias e tratando feridos em Les Cayes, cidade a 80 km de Porto Príncipe. Para essa "fase 2", já fazem contatos com Unicamp e HC da USP e programam nova missão para os próximos dias.

Entre janeiro e março, 45 voluntários da ONG fizeram 250 cirurgias. "A certa altura, já tinha gente indo da capital para ser operada lá", diz Atui.
As futuras tarefas dependem de mais voluntários - e para isso eles mantêm contato em seu site (www.expedicionariosdasaude.org.br). "Há sempre trabalho para quem quer ajudar", diz o médico. Quem pagou as viagens? "A infraestrutura ficou em R$ 120 mil. Foi garantida por doadores do Brasil e de países como Noruega e Nova Zelândia".

MERVAL PEREIRA


Emoções em disputa
O GLOBO - 03/04/10

A disputa presidencial deste ano tem uma característica especial: todos os candidatos estão tentando convencer o eleitorado de que são mais preparados que os adversários para dar continuidade ao governo Lula, devido à ampla popularidade do presidente. Mesmo que Lula já tenha escolhido a ex-ministra Dilma Rousseff para representá-lo, na sua própria base partidária, o deputado Ciro Gomes, do PSB, insiste em que é mais bem preparado do que ela para dar continuidade ao governo.
E na oposição, o pré-candidato do PSDB, ex-governador paulista José Serra, faz questão de elogiar o governo Lula, aparecendo para o eleitorado como um candidato oposicionista não a Lula, mas a Dilma ou à política do Banco Central.

O economista político Alexandre Marinis, sócio da consultoria Mosaico, ressalva que “política não é estatística”, e que a candidatura de Dilma tem uma série de características sem precedentes na história do país que não permitem ser modeladas estatisticamente.

Mas ele tem estudos que mostram uma forte correlação entre a popularidade do presidente da República e os votos válidos que seus candidatos recebem nas eleições, não apenas a nível federal, mas também para os governos estaduais e municipais.

Na prática, diz Marinis, o fato de Lula ter em torno de 80% de popularidade não quer dizer que Dilma já está eleita, mas historicamente a popularidade do presidente e a votação de seu candidato têm uma correlação muito forte.

Também o cientista político Alberto Carlos de Almeida, especialista em análise da opinião pública, autor do best-seller “A cabeça do brasileiro ” , acha uma bobagem esses livros de neurocientistas que definem a emoção do eleitor como fator chave para o resultado das eleições.

De acordo com Alberto Carlos de Almeida, “é uma obviedade dizer que a emoção conduz o voto do eleitor”.

Lembra que o filósofo escocês David Hume (17111779) escreveu no século XVIII que “A razão é a escrava das paixões”.

“Você precisa querer uma coisa para ir atrás dela, não é racional”. Em uma eleição em que os dois candidatos não têm carisma, e Lula tem carisma demais, mas não está conseguindo transferir votos para Dilma na proporção de sua popularidade, Alberto Carlos de Almeida diz que, pensando na emoção, “o que está em jogo aí é qual dos dois candidatos poderia dar melhor continuidade ao Lula”.

De um lado, o presidente já escolheu a Dilma como sua preferida. A oposição, contrariando o DNA de oposição, tem que dizer que ela é que vai dar continuidade, porque Serra é mais bem preparado.

“Aí é que está a grande emoção que vai ser disputada”, ressalva Almeida, afirmando que a missão de Serra é “misturar os baralhos”.

Toda a estratégia do governo é separar os baralhos, enquanto a oposição terá que tentar dizer para o eleitor que não faz mal misturar os baralhos .

“ Quando você está em uma eleição, você precisa crescer em cima do mercado do adversário  . O mercado eleitoral é restrito, e essa é uma guerra de ocupação de terreno. O voto dos pobres tem que ser conquistado, e o Serra tem que fazer um discurso convincente para esse pessoal”.

O economista político Alexandre Marinis lembra que os 80% de popularidade de Lula conferem à candidata Dilma Rousseff “um grande potencial eleitoral”, embora isso não queira dizer necessariamente que a forte relação entre popularidade e voto transformará Dilma em vencedora nas eleições.

Apesar de os 80% de aprovação a Lula conferirem a Dilma grande potencial eleitoral, Marinis acha que, em termos de estratégia de campanha para o tucano José Serra, há duas frentes em que ele pode trabalhar dentro do contexto de continuidade que o eleitorado quer.

Uma delas é a desconstrução da imagem de Dilma, ressaltando o fato de que de que ela não tem experiência política. É o que o slogan do PSDB está falando, em experiência.

“Mas eu tenho minhas dúvidas se esta estratégia é suficiente para se contrapor à candidatura governista", diz Marinis.

Olhando historicamente o impacto que a popularidade do presidente tem nas intenções de votos para os candidatos governistas, fica claro que esse impacto é muito forte.

“Se você olha qual era a taxa de aprovação dos  presidentes nas últimas quatro eleições presidenciais, e quais foram os votos válidos que cada um dos candidatos governistas teve, com dados oficiais do TSE, a correlação é muito grande”, ressalta Marinis.

Em 1994, 55% dos eleitores aprovavam o governo de Itamar Franco, e Fernando Henrique, que era seu ministro da Fazenda, teve 54% dos votos válidos; em 1998, Fernando Henrique era aprovado por 58% da população, e teve 53% dos votos válidos na reeleição; em 2002, Fernando Henrique teve 35% de aprovação, e Serra alcançou 39% de votos válidos no segundo turno; e na eleição de 2006, Lula tinha a aprovação de 63% e teve 61% de votos válidos no segundo turno.

“É óbvio que a Dilma não vai ter 80% dos votos válidos.

Se fosse outro candidato, eu diria que ele estaria eleito. Pelo fato de ser a Dilma, você tem uma série de variáveis que não se consegue embutir nos modelos, e nas pesquisas qualitativas”, ressalva o economista político Alexandre Marinis.

“Política não é estatística, tem uma série de nuances.

Mas dá para afirmar categoricamente que a popularidade do presidente é um ativo extremamente forte da candidatura da Dilma”, destaca. (Continua amanhã)

DORA KRAMER

Juiz de fora
O Estado de S.Paulo - 03/04/10

Em 2005, quando o publicitário Duda Mendonça confessou à CPI dos Correios que foi pago por meio de caixa 2 para trabalhar na campanha do presidente Luiz Inácio da Silva na eleição de 2002, a oposição fez acordo com o PT e não levou o caso adiante.
Imaginou que a parada de 2006 estava ganha de qualquer forma e dispensou a guerra desgastante. Parou no meio do caminho e ali ficou à espera da vitória por gravidade.
Havia também o problema do então presidente do partido, Eduardo Azeredo, cuja campanha pela reeleição (perdida) para o governo de Minas Gerais havia se servido do mesmo operador ? Marcos Valério ? que viria a prestar serviços ao PT anos depois.
Em 2009 o PSDB entrou com várias ações contra o governo na Justiça eleitoral por campanha antecipada. Perdeu todas.
Em 2010 ganhou duas e está conversando sobre a possibilidade de fazer um acordo de procedimentos proposto pelo PT, só agora preocupado com o "exagero" das ações ainda motivo de deboche por parte do presidente Lula, que diverte plateias com piadas sobre as multas impostas a ele.
Enquanto a oposição perdia sistematicamente na Justiça, o PT não parecia atento à questão da infração a lei eleitoral.
A partir do momento em que o plenário do Tribunal Superior Eleitoral aplicou uma multa de R$ 10 mil e um juiz do TSE determinou outra sanção de R$ 5 mil ao presidente Lula indicando uma tendência, o presidente do partido, José Eduardo Dutra, achou por bem procurar o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra.
Segundo ele, para propor "um acordo de procedimentos" a fim de não "inibir a livre manifestação dos cidadãos".
É de se perguntar: que acordo? Quais procedimentos, se a lei é uma só? Onde já se viu partido, ainda mais dois partidos que disputam a Presidência da República, abrirem diálogo deixando de lado a Justiça quando ela é parte do problema em questão?
Aqui não se trata da manifestação dos cidadãos e sim da movimentação dos partidos em relação ao que pode ou não pode ser feito no período em que as candidaturas não estão registradas e do uso da máquina pública a serviço de candidatos.
Esse argumento de "judicialização" da campanha é artificial. O recurso ao tribunal eleitoral é um instrumento legítimo dos partidos, faz parte do jogo.
O simples fato de a oposição aceitar abrir conversações a respeito indica que há, por parte do PSDB, um interesse de fazer um acerto de cavalheiros pelo qual o partido fique também imune a ações judiciais por parte do PT.
Guardadas as proporções, uma repetição do que já ocorreu no Congresso algumas vezes sempre com ganho de causa para a impunidade.
Ademais, esse tipo de acerto entre partidos significa que os políticos se acertam para apartar a Justiça Eleitoral do processo. Um acordo só seria aceitável e considerado de cavalheiros se fosse nos termos da lei, em que as partes concordam em obedecer estritamente às regras.
Aí sim, seriam desnecessários os recursos à Justiça. Mas, convenhamos, para isso não é preciso abrir diálogo algum. Basta andar na linha e pronto.
O que parece estar em jogo aqui é outra coisa: um acerto mútuo de não agressão para deixar a Justiça impossibilitada de atuar.
Lições do abismo. De acordo com a cartilha do professor Paulo Vannuchi, ministro dos Direitos Humanos, o papel da imprensa é "informar, cobrar e denunciar". Quando age fora desse limite se transforma em "uma espécie de partido de oposição".
Opinar ou criticar, como faz o ministro, é prerrogativa exclusiva de partido de oposição. Ou "uma espécie de".
Por esse critério, nem às legendas de situação o professor confere a oportunidade de emitir críticas e opiniões. Isso só os partidos de oposição ? ou "uma espécie de" ? têm o direito de fazer.
Seria o caso, então, de o professor se filiar a uma espécie de partido de oposição, já que gosta tanto de criticar e opinar. Só por uma questão de foro íntimo, porque legalmente a Constituição já lhe garante esse direito. Bem como aos demais cidadãos.

CLÁUDIO HUMBERTO


Greenpeace acusada de contrabandear mogno

A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados recebeu documentos de uma denúncia tão grave quanto surpreendente: a ONG holandesa Greenpeace é acusada de fazer contrabando de mogno para a Europa. Mogno é uma madeira nobre, considerada espécie em extinção desde 1973. Os deputados da comissão decidiram convocar os dirigentes da ONG para depor e esclarecer a denúncia.

Acordo 

A Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção proíbe a extração do mogno.

Contraditório

O Greenpeace é a mais importante organização não-governamental que luta pela preservação do meio ambiente.

Proibido

A Diretoria Geral de Meio Ambiente da Comissão Europeia recomendou proibir, em 2002, a comercialização do mogno.

Santa educação

O dia 7, da prometida votação na Câmara do projeto Ficha Limpa, é dedicado a São João Batista de La Salle, padroeiro dos educadores.

Posse a jato

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Luiz Zveiter, empossou em regime de urgência, segundo o regimento interno, o promotor Paulo Rangel, ex-professor da primeira-dama do Rio, a advogada Adriana Ancelmo, frustrando liminares questionando a votação secreta da lista tríplice do Ministério Público. Pela primeira vez, o pleno do tribunal votou na escolha dos aspirantes a desembargador indicados.

Sempre há uma

Também pela primeira vez, os indicados da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro foram rejeitados.

Vai recorrer

Um dos candidatos da OAB justificou a pretensão do cargo vitalício com a herança genética: pai e avô também tinham sido desembargadores.

Dúvida cruel

Um dos desembargadores ironizou: "Como a votação foi secreta, não se sabe se eles foram barrados por falta de saber jurídico ou idoneidade."

Vice de Alckmin

Presidente da Federação das Indústrias de São Paulo e pré-candidato ao Governo, Paulo Skaf discutirá semana que vem, com o candidato tucano Geraldo Alckmin, a possibilidade de ser vice na chapa tucana, após os entreveros com o ex-quase candidato Ciro Gomes (PSB-CE).

A cama treme

Lula deve ter pesadelos diários com a simpática ex-presidente de "esquerda" do Chile, Michelle Bachelet. Ela entregou o Governo com 86% de popularidade para o sucessor de centro-direita, Sebastian Piñera.

Suave prestação

Os PMs e praças de Santa Catarina ameaçam nova barricada contra o governador Luiz Henrique (PMDB) pelo abono parcelado de R$ 250. O comandante e subcomandantes ganharam R$ 159 mil de diárias.

Perto do sonho

Brincadeira entre ministros sobre Eros Grau, no cafezinho do Supremo Tribunal Federal: "Ele teria ficado feliz sendo nomeado já aposentado". O sonho vai se realizar: ele se retira em agosto, ao completar 70 anos.

AGU defende FHC

A Advocacia Geral da União usa sua estrutura, paga pelo contribuinte, para defender Lula de encrencas na Justiça Eleitoral, por imposição legal. Entre os "clientes" da AGU no TSE está o ex-presidente FHC.

Mundo virtual

O ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) chamou de "fábrica de croquis" as novidades diárias do governador Sérgio Cabral nas favelas: "São pelo menos dois por semana, sem estudo prévio e viabilidade", espetou.

FRASE DO DIA

"É normal que as pessoas especulem e tentem achar explicações"
Henrique Meirelles, ao explicar por que desistiu de disputar as eleições de outubro
PODER SEM PUDOR

Padre é um perigo

Políticos da Bahia contam uma velha história do interior, ocorrida nos anos 50, quando adversários de um padre candidato a prefeito o ameaçaram de revelar a lista dos filhos que ele fez nas redondezas, caso mantivesse a candidatura. Confessor das mulheres dos adversários, ele respondeu:
- Meus adversários podem até dizer quem são meus filhos na cidade, mas eu entrego os nomes de todos os que não são filhos deles...
Manteve a candidatura e foi eleito.

COMEDORES DE CRIANÇAS

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Internet em celular faz a conta aumentar 20%

- Folha de S. Paulo: Criação de emprego nos EUA é a maior em 3 anos

- Estadão: Alckmin busca voto do interior; Mercadante se apóia em Lula

- Correio: Leis absurdas - Acredite: o Brasil tem pena de morte!

-Jornal do Brasil: Previ-Rio: cresce pressão por CPI