quinta-feira, fevereiro 18, 2010

MÔNICA BERGAMO

Aqui se samba, aqui se paga

Folha de S.Paulo - 18/02/2010


A ordem partiu da direção da Grande Rio, já na concentração na Sapucaí, na noite de segunda: era para apagar o símbolo da mão com o célebre "nº 1" da Brahma nas camisas do pessoal de apoio do departamento cultural da escola. Começou então um corre-corre da produção com latas de spray dourado para não deixar os vestígios da marca registrada da cerveja, patrocinadora da escola.

Foi apenas um dos conflitos entre publicidade e os desfiles do Rio. A polêmica já havia aparecido em São Paulo, quando a Rosas de Ouro teve de mudar o refrão "O cacau é show" para "O cacau chegou" para despistar a alusão a uma fábrica de chocolates, após protesto da TV Globo. Na Sapucaí, os dissabores foram mais discretos.

O empresário José Victor Oliva, organizador do camarote da Brahma, estava escalado para sair no alto de um carro da Grande Rio representando o espaço VIP. Foi cortado na última hora. A escola achou que já havia "ícones de Brahma" demais no desfile, como o gari Renato Sorriso -destaque de um carro e representado nas fantasias da bateria- e o cantor Zeca Pagodinho, ambos garotos-propaganda da empresa. Temia-se que a sobrecarga irritasse tanto a Globo quanto a Liga das Escolas de Samba do Rio, que vetam merchandising explícito na avenida.

Já a atriz Paola Oliveira, rainha de bateria da escola, desfilou fazendo o "nº 1" com a mão direita. Ela falou à coluna:

FOLHA - O patrocínio da Brahma não compromete a espontaneidade da escola e do samba-enredo?
PAOLA OLIVEIRA - O Carnaval conta uma história. A Sapucaí tem 25 anos e o camarote da Brahma tem 20, então ele faz parte dessa história. Não sei dessas questões de grana, mas se eles colaboraram com a escola, por que não? O "Eu sou guerreiro" [refrão do samba] lembra a Brahma, mas também combina com o povo brasileiro, que é guerreiro mesmo. Está no contexto do enredo.

FOLHA - O que acha de esportistas, como Dunga e Ronaldo, anunciarem bebida alcoólica?
PAOLA - Temos que ser realistas, não hipócritas. Isso [anunciar bebida] é melhor do que tudo aquilo que a gente não vê acontecendo por debaixo dos panos, lá nos poderes superiores. Todo mundo bebe cerveja e tem vida pessoal: os atletas, os artistas, a Madonna... e isso não tira o mérito de ninguém.

Nos camarotes patrocinados pelas cervejas Brahma e Devassa, a maioria dos artistas veste as camisas de propaganda em troca de poder arrastar os amigos para a festa, com entrada livre, comida grátis e bebida à vontade (tão à vontade que a Devassa mandou vetar o uísque lá pelas 3h de terça-feira, devido ao grande número de embriagados).

Na Brahma, a lista dos mais pidões foi encabeçada pelo jogador Ronaldo, que levou mais de 20 pessoas para a área VIP, entre amigos dele e da mulher, Bia Antony. Para conseguir que toda a excursão entrasse, ligou e mandou mensagens várias vezes para a produção do camarote pedindo convites.

Zeca Pagodinho, que fez show no camarote, levou 12 amigos. O jogador Robinho, dez, além da mulher e da sogra. A atriz Susana Vieira, oito pessoas. E Paola Oliveira, contratada como musa do espaço, tinha direito a quatro convites.
(DIÓGENES CAMPANHA e LÍGIA MESQUITA, do Rio)

Serra e Dilma são as pessoas que conheço que mais curtem Carnaval no mundo. Sambam bem, dançam bem, cantam bem e são muito bonitos
JOSÉ WILKER, ator
O baile do Copa é a coisa mais chique do Carnaval. Primeiro: tem muito turista. Segundo: as roupas, tudo smoking. Terceiro: é para quem pode. Tem gays que venderiam a TV para comprar um convite
ISABELITA DOS PATINS, drag queen

Brinco que a Lady Kate é filha da Paris Hilton com o Boy George
KATIUSCIA CANORO, a Lady Kate do "Zorra Total", sobre as brincadeiras que comparavam sua personagem com a socialite americana no Carnaval do Rio

O chão está escorregadio. Eu estava me servindo do jantar e caí, me machuquei, quebrei o prato, foi um tombo horroroso
VERA GIMENEZ, atriz, após cair no baile do Copa

Rapaz, o Brasil tá super na moda, é bem visto por todos. Eu lido bem com o assédio, mas quero me divertir também
RONALDO, sobre o congestionamento de celebridades na Sapucaí

ALBERTO TAMER

Obama nem quer falar mais com os europeus...

O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/02/2010


A Europa está magoada com Obama. Ele deu a entender, parece até que recusou mesmo, a ir a uma próxima reunião com os chefes de Estado da União Europeia. Na última, já havia se queixado pela falta de resultados. Não houve nenhum. Os europeus não se entendem nem entre eles, como dialogar com os EUA? Chegam e saem sempre divididos entre si em qualquer encontro, por mais simples que seja. A França discorda da Alemanha que discorda de todo mundo. E saem como sempre, promessas pífias de não retirar os incentivos até que a economia mundial se estabilizasse. Palavras. Nem com isso, a Alemanha e o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet concordaram plenamente. Eles estão com medo da...inflação, quando a economia apenas começa a evitar a deflação.

Obama cansou. Está todo mundo cansado com a União Europeia que pode ser europeia, mas não é uma união. As economias dos países que a integram divergem. O primeiro erro, como lembra muito bem Paul Kurgman, foi criar uma moeda única, o euro, em 2002, quando o bloco não estava ainda preparado para isso. A segunda, que ele não fala, foi ampliá-la perigosamente, passando de 8 em 2004 para 27 hoje países-membros. Incluíam países periféricos, de economia frágil e crescimento periclitante. A Grécia entrou nesse rolo. ...

O SUBPRIME EUROPEU

Hoje, a eurozona abalada pela crise da Grécia, que, se revela agora, não foi séria, jogou parte das suas dívidas para o mercado futuro, em denuncia bem documentada do New York Times. E está criando o que já se está sendo chamado de "subprime europeu". Só que em vez de imóveis, eles teriam lastreado a dívida futura em receita da loteria, aeroportos e outros itens semelhantes. Decididamente, não é um país sério. Mas e os outros quatro , Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, teriam condições sair das suas dívidas?

A situação da Espanha é a mais grave com desemprego assustador de 19,5% e queda de 4% do PIB. Todos romperam sem menor pudor com todas as regras da União Europeia, que fixou um teto máximo de dívida de 60% do PIB. E ninguém em Bruxelas fez nada até que a bomba grega explodisse.

E em meio a essa parafernália interna, a economia da UE, como um todo, afundou 4,1% e a da eurozona, 4% no ano passado. A Alemanha lidera o atraso, 5%.. Atrás dela, só a Itália, 4,9%. E não há sinal de reação.

Ao contrário, a Grécia irá drenar os recursos da comunidade a não ser que os governos europeus aceitem a intervenção do FMI. Orgulhos, disseram que não. O problema era deles e iriam resolver sozinhos. Sim, mas a que custo financeiro e em crescimento?

Isso é grave porque o seu PIB representa 28% do PIB mundial.

OBAMA: EU NÃO...

E em meio a esse cenário turbulento e depressivo, os chefes de Estado europeus iam reunir-se com Obama. É verdade que o encontro havia sido marcado há tempos, mas desde o inicio ele hesitou. Primeiro, que os europeus se entendam entre si e depois a gente conversa. Por que eles não fizeram como os EUA que, só neste governo, está injetando US$ 787 bilhões em incentivos ao consumo e agora inicia um novo projeto estimado em US$ 300 bilhões para criar e salvar empregos? Por que estão hesitando até agora? Será que nem mesmo na recessão e nesta nova crise, vocês não se unem? Pelo amor de Deus, vocês, lideres europeus, não estão vendo que com o que fizemos, o PIB americano cresceu 5,7% no ultimo trimestre de 2009 e o de vocês apenas 0,1% em relação ao anterior?

MAS TEM A DíVIDA...

O argumento europeu que não podem aumentar a divida já elevada - olha a Grecia e a Espanha aí... - não se sustenta. Não pode aumentar a divida nem criar moeda, como nos EUA, então porque não reduziram impostos nos setores mais atingidos? O efeito sobre a dívida não seria imediato e seria mais rapidamente compensado com o aumento da arrecadação decorrente do crescimento.

Sabem, a coluna tem uma proposta ousada aos governantes europeus: por que não mandam seus técnicos para o Brasil para aprender como nós fizemos? Não gastamos muito, não. Apenas fomos o primeiro a cortar impostos naqueles setores que estavam abalados pela recessão mundial. A indústria automobilística estava despedindo em massa, as vendas caíram? Menor IPI e ela logo voltou a bater recordes de produção. O mesmo aconteceu em outros setores. E, sabem de uma coisa, senhores chefes de governo, a arrecadação voltou a crescer - vai bater recordes...- , a divida interna não explodiu, as empresas voltaram a contratar e o desemprego recuou de 10,1% para 8,1%. E já há falta de mão de obra qualificada!

Presidente, convide esses moços eurocratas para virem aqui que nos ensinamos para eles. Se deixarem de ser vaidosos, aprenderão muito.

É pena que o carnaval acabou. Eles poderiam ter aproveitado para sambar e se tornar mais humanos... Mas não pague a passagem deles, não, presidente!

ARI CUNHA

Boa aplicação de dinheiro


Correio Braziliense - 18/02/2010

Em contraste com a descrença de mau uso, há empresa no Brasil que sobressai. A Rede de Hospitais Sarah Kubitschek é presidida pela médica Lucia Villadino Braga, também com experiência internacional como o cirurgião chefe, Campos da Paz. Hospitais da rede Sarah recebem verba exclusivamente do governo federal. A rede fez contrato de gestão. Realizações são pagas pela República. Não possui funcionário terceirizado. Tem regimento interno comum ao quadro, onde não há caso omisso. Se há tranquilidade na administração do país, está na rede de Hospitais do Serviço Locomotor Sarah Kubitschek. Tanto a presidente quanto o lavador de vidraças têm suas obrigações com detalhes.


A frase que não foi pronunciada

“Doa a quem doar.”
Princípio ativo de formação de governo com a atual lei eleitoral

Carnaval
» Folguedos de Momo não foram bem em São Paulo. Vencendo escola de samba pouco conhecida, a Rosa de Ouro desbancou os Gaviões da Fiel. Descontentes com os resultados anunciados, os corinthianos não aceitaram a decisão dos apuradores. Cadeiras voavam pelos céus atingindo até inocentes. Intervenção da polícia evitou as proporções dos acontecidos.


Férias
» De todas as capitais do Brasil, partiram de ônibus e automóveis as pessoas que queriam descansar. Poucas conseguiram. Excesso de carros nas pistas, vagareza dos automóveis. Restaurantes do percurso exploravam no preço e qualidade da alimentação. Descanso foi voltar para casa e ver as novidades pela televisão.

Shoppings
» Será no próximo mês a inauguração dos grandes shoppings do Lago Norte. O Iguatemi, com presença das filiais do mundo, mostrará a Nauss Comércio e Serviços Ltda., com sede em Brasília. Diretor Marcelo Cunha está fazendo contatos na área internacional e visitantes conhecerão detalhes sobre como funciona o
controle de compras, vendas e serviços.

Túnel
» Túnel está sendo construído sob as pistas da avenida no Lago Norte. Carnaval atrapalhou o serviço. Resta saber se, depois das encrencas pelas quais passa a capital federal, tudo vai correr macio.

Inauguração
» Volume de visitantes vai tornar impossível o trânsito pelos lugares que não foram previstos. A Ponte do Bragheto teve pista acrescida. A entrada projetada não está apta a receber tantos visitantes. Não se prejudique. Defenda seu direito.
A revolta inclui dificuldade ou impossibilidade no trânsito.

Artigos
» Fundação Assis Chateaubriand lança livro com centenas de artigos do fundador dos Diários Associados. O volume tem número 40 da coleção e publica artigos divulgados em 1963. A previsão se estende ao volume 45. Menciona a maior série memorialística já produzida no Brasil. Valioso patrimônio de nosso grupo.

Ministro Rafael Mayer
» Não precisa falar da inteligência. Basta ter assistido pela TV ao depoimento sobre a construção de Brasília. O ministro Rafael Mayer, que presidiu o Supremo Tribunal Federal, é responsável pela Justiça pura e correta do seu tempo. Salvou muita coisa no Poder Supremo, comandado com naturalidade e cultura.

Sudesa
» Enquanto o DF passa por maus bocados, mais de mil pessoas se aproveitam da situação e invadem área no Itapoã. Mesma ladainha. Invasão e depois reclamações por saneamento. A Sudesa
luta bravamente para manter a ordem.

Exportar
» Poloneses se encantam com o vinho brasileiro. A serra gaúcha recebeu um grupo de empresários da Polônia que ensaia negociações há algum tempo. A Apex quer exportar US$ 7 milhões em vinhos neste ano.

História de Brasília

O único engenheiro em Brasília que não usa régua de cálculos é o senhor Oscar Niemeyer. Sempre, quando precisa, há alguém em seu redor para oferecer a régua emprestada.(Publicado em 24/12/1961)

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Já tô com saudades da Ivete!

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/02/10


Acabou o "rebolation"! Agora é todo mundo rebolando o ano inteiro pra pagar o Carnaval!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Ueba! Acabou a gandaia! O meu dinheiro virou cinzas. Acabou o "rebolation"! Agora todo mundo rebolando. Para pagar o Carnaval. Passa cinco dias de "rebolation" na avenida e um ano de "rebolation" para pagar o cartão.
O Carnaval acabou. Menos na Bahia e em Pernambuco. Que já estão pulando o Carnaval de 2011. Faltam 364 dias para o Carnaval! Já tô com saudades da Ivete! E as celebridades no Rio? A Madonna já virou bambu!
Tão arroz de festa que um amigo encontrou a Madonna na fila do pãozinho do Compre Bem de Itaquera! E a Paris Hilton? A Paris Hilton é um chiclé de bola com cartão de crédito. E o camarote da Brahma estava um drama! Celebridade não devia suar! E o sonho de um amigo meu é transar com pelada de carro alegórico: não fala nem reclama, só rebola e dá tchauzinho!
E Carnaval é assim: na Bahia tem bunda e no Sambódromo tem peito! Bunda na Bahia é de tanto mingau de tapioca. E peito no Sambódromo é de tanto silicone. Se aquilo estoura, luta de gel na avenida! E o trio mais animado de Curitiba foi o caminhão da Liquigás tocando "Pour Elise"!
E um outro disse que não tá de ressaca porque ainda tá bêbado! E a Beija-Flor com o tema Brasília? Faltou o panetone. Carro alegórico em forma de panetone! E o Arruda? Deus me arruda! Passou o Carnaval num flat da
Polícia Federal: sofá, TV, ar-condicionado e delivery.
E o chargista Elvis mostra o Arruda decorando a defesa durante o Carnaval: "Rebolation, xon, xon. Rebolation, xon, xon". E a Ivete fantasiada de zebra: "A zebra já nasceu fashion". E adorei a Daniela Mercury: "Tá fantasiada de quê?". "De brasileira." Rarará! E acabou o Carnaval. Chega de bunda. Vamos encarar o Brasil de frente! Com ou sem tapa-sexo! Ai, que preguiça!
E um amigo ainda hoje sai no bloco DEIXA QUE EU COMO! Vai fazer a xepa. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Maceió, Alagoas, tem uma barraca ótima pro Carnaval que se chama Barraca do Pau Deitado. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Avolumado": companheiro vendo as peladas na TV. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno

BARBIE NA TERCEIRA IDADE

DEMÉTRIO MAGNOLI

Fora da lei

O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/02/10


A Constituição diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza", mas a Universidade de Brasília (UnB) distingue os candidatos inscritos em seus vestibulares em função de um critério racial. A Constituição determina que o "acesso aos níveis mais elevados do ensino" se dará "segundo a capacidade de cada um", mas a UnB reserva um quinto de suas vagas a "negros". Na UnB, uma comissão constituída por docentes racialistas e lideranças do "movimento negro" prega rótulos raciais aos candidatos, cassando-lhes o direito de autodeclaração de cor/raça. A Constituição assegura que "ninguém será privado de direitos" por motivo de "convicção filosófica ou política", mas o tribunal racial da UnB promove "entrevistas identitárias" para investigar as opiniões dos candidatos sobre negritude e movimento negro. Por iniciativa do senador Demóstenes Torres, o DEM ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação de inconstitucionalidade contra o vestibular racializado da UnB.

A Fundação Ford é a principal exportadora das políticas de preferências raciais inventadas nos EUA a partir do governo de Richard Nixon. Há uma década ela financia simpósios jurídicos no Brasil destinados a ensinar a juízes como contornar o princípio constitucional da igualdade entre os cidadãos. O argumento formulado pela Fundação Ford baseia-se no justo paradigma de tratar desigualmente os desiguais - o mesmo que sustenta a tributação progressiva e a exigência de rampas para deficientes físicos em edifícios de uso público. Sobre tal paradigma se equilibra o raciocínio de que a desigualdade média de renda entre "brancos", de um lado, e "pretos" e "pardos", de outro, deve ser remediada por políticas raciais de discriminação reversa.

O sofisma precisa ser desmascarado em dois planos. No plano das políticas sociais, tratar desigualmente os desiguais significa expandir as vagas nas universidades públicas e investir na qualidade do sistema público de ensino. Nas palavras de Wellington Dias, o governador petista do Piauí que, corajosamente, desafia um dogma de seu partido: "Criar cotas para negros, índios, alunos do ensino público esconde o lado grave do problema. Isso mostra a incapacidade do poder público. Sou contra isso. É preciso melhorar o sistema e qualificar os professores."

No plano do Direito, o sofisma converte indivíduos singulares em representantes de "raças", ensinando a milhões de jovens a terrível lição de que seus direitos constitucionais estão subordinados a uma cláusula racial. O vestibular da UnB é capaz de negar uma vaga a um concorrente de baixa renda que obteve notas altas, mas foi rotulado como "branco", para transferi-la a um candidato de alta renda com notas inferiores, mas rotulado como "negro". A justificativa implícita inscreve-se na fantasia do pensamento racial: o candidato de alta renda da cor certa "simboliza" a "raça" de baixa renda e seus imaginários ancestrais escravos. O sofisma não resiste a um exame lógico, mas persiste pela adesão política de uma corrente significativa de juristas ao pensamento racial.

A política, no baixo sentido da palavra, contamina a apreciação da ação de inconstitucionalidade que tramita na Corte constitucional. O relator Ricardo Lewandowski, um juiz que enxerga as audiências públicas como meios para mostrar que o tribunal toma decisões "em contato com o povo", tem curiosos critérios de seleção do "povo". No caso da audiência sobre o vestibular da UnB, ele decidiu ignorar a regra elementar da isonomia, convocando 28 depoentes favoráveis às cotas raciais e apenas 12 contrários. O "povo" do relator, ao menos quando se trata da introdução da raça na lei, é constituído essencialmente por representantes do Executivo e das incontáveis ONGs que figuram como sublegendas brasileiras da Fundação Ford.

O princípio da impessoalidade na administração pública, consagrado na Constituição, serve tanto para coibir o patrimonialismo tradicional quanto para conter a tentação contemporânea de subordinar os interesses gerais difusos aos interesses ideológicos organizados. Edson Santos, chefe da mal batizada Secretaria da Igualdade Racial, não reconhece a vigência dessa parte do texto constitucional. Um ofício assinado por ele cumpre o papel de panfleto de convocação de funcionários governamentais e ONGs para "mobilizarem caravanas com destino a Brasília" a fim de pressionar o STF nos dias da audiência pública. Edson Santos monta o circo por fora, enquanto Lewandowski ergue as lonas por dentro.

Em 2 de fevereiro, dia exato em que Edson Santos divulgou o panfleto oficial, as centrais sindicais - cujo financiamento decorre de um ato governamental - firmaram uma carta conjunta de apoio ao vestibular racial da UnB. O "movimentismo" é fenômeno típico do estágio embrionário dos totalitarismos. Nesse estágio, o Estado despe-se de sua natureza pública e adquire as feições de um ente de coordenação de "movimentos sociais" que já não passam de tentáculos do governo. O ministro-militante, que faz o Estado patrocinar uma manifestação "popular" de sítio à Corte constitucional, seria alvo óbvio de processos de responsabilidade se o Ministério Público e a maioria parlamentar não estivessem envenenados pela concepção da sociedade brasileira como uma coleção de "movimentos sociais" e ONGs.

No ofício ilegal, Edson Santos assevera que o hipotético acatamento da ação de inconstitucionalidade "abrirá as portas para paralisar todas as políticas de ação afirmativa, inclusive aquelas que beneficiam as mulheres, estudantes, trabalhadores, os índios, deficientes físicos e mentais, as comunidades tradicionais, etc." A ação em curso incide exclusivamente sobre as políticas de preferências raciais, cujo pressuposto é a rotulação estatal dos cidadãos segundo o critério abominável da raça. Mas o que seria do "movimentismo" sem o clássico expediente da mentira oficial?

Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia
Humana pela USP.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Espanhola fomenta setor ferroviário no país

Folha de S.Paulo - 18/02/2010



Em 1º de março, a fábrica espanhola CAF, recém-chegada ao Brasil, fará testes nos primeiros trens feitos em solo brasileiro. A nova unidade dá fôlego ao setor que vinha retomando a produção no país, até a crise. Em 2009, foram encomendados apenas mil vagões de carga, enquanto no ano anterior o total havia sido de 7.249 vagões.

Em 2010, já são 2.000 em carteira. A partir de abril, a cada mês, quatro ou cinco novos trens serão entregues em São Paulo ao Metrô e à CPTM.

Em março ainda, haverá nova licitação para contratação de 26 trens para a Linha 5 do Metrô. Boa parte deles sairá dos galpões da CAF.

A fabricante espanhola, especializada no transporte de passageiros, venceu quatro licitações (três na CPTM e uma no Metrô) e, para atender às encomendas, em menos de um ano, colocou em funcionamento nova planta em Hortolândia (SP).

A decisão de investir R$ 170 milhões, de capital próprio, em uma nova unidade ocorreu em plena crise, lembra o diretor Paulo Fontenelle.

"O investimento de R$ 21 bilhões é o maior [do gênero] no mundo", diz Fontenelle, sobre o aumento da frota feito pelo governo paulista.

Pelos galpões em Hortolândia, um idioma comum é o "portunhol", dos funcionários das fábricas do País Basco que circulam entre os trabalhadores brasileiros.

A companhia faz 17 trens para o Metrô e 40 para a CPTM. Quase cem trens do Metrô serão reformados, principalmente pela Bombardier.

RECEITA DE SEGURO
A receita do setor de seguros, incluindo capitalização, previdência e resseguros, bateu nos R$ 100 bilhões no ano passado. O crescimento foi de 16%, incluindo os dados das resseguradoras locais de 2009, segundo a Susep.

"O consumidor está, cada vez mais, conhecendo os benefícios dos seguros, não somente na hora de proteger o carro mas também quando pensa no futuro e contrata um VGBL [Vida Gerador de Benefício Livre], um seguro para a casa ou um seguro de vida", afirma Armando Vergílio, superintendente da Susep. Os novos produtos de previdência, como PrevSaúde e PrevEducação, e os microsseguros devem impulsionar o mercado nos próximos anos, diz Vergílio.

Decisão do TRT beneficia Brasil Foods
O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina) suspendeu decisão da Justiça do Trabalho que determinava à Brasil Foods, que resultou da união entre Perdigão e Sadia, a concessão, na unidade de Capinzal, de intervalos de oito minutos a cada 52 minutos de trabalho, proibição à prorrogação de jornada e fixação de multa por descumprimento. Decisão anterior da juíza do Trabalho Lisiane Vieira determinava que a companhia não exigisse horas extras, observasse normas de saúde e segurança e informasse ao Ministério da Previdência o número de portadores de doenças ocupacionais.

PARA BRINDAR
Na esteira da expansão do país, a Cooperativa Vinícola Aurora espera acompanhar o crescimento, com foco no aumento do consumo de vinhos no mercado interno, segundo Alem Guerra, diretor-geral da empresa.

"O aumento da renda per capita, como a que ocorre na região Nordeste, principalmente nas classes C e D, representa grande potencial de crescimento de mercado", diz Guerra.
O entrave a ser enfrentado pelo setor vitivinícola, alerta Guerra, é o peso da alta carga tributária, de cerca de 52% no produto final.

Com o objetivo de incrementar a participação no mercado interno, a Vinícola Aurora vai investir R$ 7 milhões neste ano na ampliação da capacidade de produção de espumantes, vinhos finos e suco de uva.

No ano passado, a empresa faturou R$ 202 milhões, com crescimento de 30% em relação a 2008. As vendas de vinhos finos da vinícola aumentaram 25%.

Já a comercialização de espumantes cresceu 27% -acima do registrado pela média do mercado, que teve incremento de 18% no ano passado.

ELIANE CANTANHÊDE

Festa de noivado sem o noivo

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/02/10


BRASÍLIA - Para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o 4º Congresso do partido, de hoje a sábado, em Brasília, vai ser um "happening" -em bom português, um oba-oba para Dilma Rousseff.
Mas há uma névoa sobre esse clima de festa: o presidente do PMDB e da Câmara, Michel Temer, ameaça não botar os pés ali. Ou seja, o congresso pode virar um noivado sem o noivo.
"Com tantas pendências, como ir a um ato como esse? Antes, precisamos resolver a vida do Hélio Costa [Minas], do Geddel [Bahia], do Jader [Pará] e, agora, até manter o Cabral [Rio]", me disse Temer ontem, relacionando os atritos PMDB-PT nos Estados e confirmando o ciúme do namorico do PT com Garotinho (PR), que estremece a reeleição de Sérgio Cabral.
O quase noivo não parecia nada apaixonado. Ao contrário, mostrou-se aflito para pressionar Dilma e seus padrinhos a favor das candidaturas do PMDB, por uma conta aritmética simples: sem esses Estados peso-pesados, adeus aliança, noivado e casamento com o PT.
Os votos deles são decisivos para selar o casório na convenção peemedebista de junho. Além disso, há dois outros motivos para Temer temer (eta construção infame!) dar as caras no Congresso e preferir enviar "um ofício" (?!) de congratulações para Dilma.
Um é o constrangimento, já que, dia sim, outro também, saem notinhas maliciosas sobre o flerte da noiva com um outro vice, Henrique Meirelles, do BC. O segundo é o risco de ser recebido debaixo de vaia pela base petista.
Afinal, serão 1.350 delegados, mais simpatizantes, curiosos e adesistas. Que líderes conseguem segurar convidados desse tipo? Os mesmos que não seguram a candidatura de Meirelles a vice? Lula que se vire para levar Temer ao congresso até sábado e o PMDB ao altar nas convenções de junho.
Não precisa dar os dedos, mas é bom já dar as alianças -e os anéis.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Na farmácia, até vodca

O Estado de S.Paulo - 18/02/10


Estará fora da lei, a partir de hoje, qualquer uma das 72 mil farmácias e drogarias do País que estiver vendendo produtos não ligados à saúde. A advertência é de Pedro Malagasso, do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo.
É que começa a valer a resolução 44 da Anvisa. O que há nela? Além de procedimentos técnicos, como o modo de tomar pressão, novas normas sobre o que pode, ou não, ser vendido nas gôndolas. Os abusos, diz Malagasso, "estavam passando da conta".
Entre as 66 mil fiscalizações de 2008, nas 15 mil farmácias paulistas, ele relata um caso espantoso: uma farmácia que vendia... vodca. "E na mesma nota era vendido um remédio que, misturado com a vodca, pode matar."
A dúvida: vão fiscalizar a sério, em todo o País?

O fator 20%

Pelas contas do PT, os chamados "radicais livres" do partido entram com 20% dos delegados presentes, a partir de hoje, em Brasília,no Congresso do PT.
Problemas? É o suficiente para fazer barulho. E para incomodar... o PMDB. Que não quer saber de mais discussões sobre a aliança.
No essencial, Cândido Vaccarezza garante que vai tudo bem: " 100% dos delegados estão com a Dilma".

Água mole

Eduardo Suplicy leva ao congresso sua lista de assinaturas para ser candidato petista ao governo paulista.

"O Mercadante reiterou que não quer mesmo entrar nessa disputa", justificou.

In memoriam

Não estão dando descanso a Celso Pitta. O Conselho Regional de Economia do Rio está cobrando - de quem represente o ex-prefeito - as anuidades não pagas durante vários anos.
O valor? R$ 1.861,67.

Bandeira branca

A OAB paulista jogou a toalha. Após batalha jurídica de 5 anos com recursos até ao STF, vai fazer nova seleção para escolher três desembargadores do TJ-SP.
Durante o vale-não vale, segundo o Conjur, ficaram parados três mil recursos.

Posto que é chama

Foi eterno enquanto durou.
Manuela D"Ávila e José Eduardo Cardoso estão solteiros novamente.

Proibidão

Esportistas brasileiros estão abusando mais de substâncias proibidas. Dados do Ladetec, laboratório de antidopagem, mostram que em 2009 foram flagrados 25 produtos vetados - contra 15 no ano anterior. No atletismo, os casos de uso proibido saltaram de 2 para 11.

A maconha foi detectada, em 2008, no futebol e no automobilismo. Em 2009, no futebol, vôlei e golfe.

Scorsese light

A Chanel atira longe.

Escolheu o diretor Martin Scorsese para dirigir a campanha da nova fragrância masculina da marca.

Raquete cigana

Shakira escolheu o campeão Rafael Nadal para estrelar seu novo videoclipe.
O tenista espanhol e a cantora gravaram em Barcelona, em clima sensual e com caracterização cigana.

Clube do 20

Luiz Barretto, do Turismo, articula uma espécie de G-20 do turismo, o D-20. Para levar adiante a ideia, viaja para a África do Sul.

Descendo...

Temporada ruim para os elevadores de Congonhas.
Dias depois de um grupo da GV ficar preso por uma hora, um elevador das novas obras caiu, terça, com 4 pessoas. Nada grave, mas...


NA FRENTE

O Museu do Futebol começa, dia 27, a série Brasil nas Copas, ciclo de atividades mostrando a participação do Brasil nos 17 mundiais da FIFA.

A história do mestre das marchinhas de carnaval, Braguinha, vai virar livro. A publicação sai pela Ediouro.

Até Lars von Trier a atriz Penélope Cruz dispensou. Motivo? Vai gravar Piratas do Caribe na mesma época das filmagens de Melancholia, do dinamarquês.

A Cia. Athletica marca seus 25 anos de vida com nova campanha, a partir do dia 20. Para associar o bem-estar físico à importância de refletir e planejar o futuro.

País sério é assim. Corre na internet pedido para investigar... como Madonna vai usar os fundos que angariou aqui.

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

ROLF KUNTZ

Gargalos e tropeços

O ESTADO DE SÃO PAULO - 18/02/10


Gargalo, como sabe todo apreciador de um bom gole, é "colo de garrafa, ou de outra vasilha, com entrada estreita". Mas é também "obstáculo, empecilho", segundo informa o Aurélio. O primeiro sentido está mais ligado às alegrias da vida. O outro, à atividade própria dos planejadores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva costuma atribuir a seu governo o resgate do planejamento, uma prática abandonada, segundo ele, por vários de seus antecessores. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é apresentado como produto de um governo planejador. Boa parte desse programa continua existindo só no papel, mas isso não impede o presidente de prometer um PAC 2. Ele parece menos familiarizado, no entanto, com o sentido figurado - e administrativo - da palavra gargalo. Reportagem publicada no Globo de domingo corrobora essa suspeita.

O programa de habitações populares, lançado com muito barulho pelo governo federal, está ameaçado pela falta de redes de água e de esgoto, segundo a reportagem. Não se poderá desembolsar o dinheiro, se não houver condições sanitárias básicas nas áreas destinadas às construções. Em má situação financeira, a maior parte das companhias estaduais de saneamento não pode receber dinheiro dos fundos públicos.

O PAC habitacional foi concebido para proporcionar casa a milhões de brasileiros, criar muitos empregos e ativar uma importante cadeia de fornecedores de insumos. Mas faltou pensar no gargalo do saneamento. A Caixa, segundo a reportagem, vai agora cuidar de um plano de recuperação para habilitar as companhias, novamente, a receber financiamento. Mas o problema não é novidade. A crise das empresas de saneamento é conhecido há muito tempo e nenhuma ação foi organizada para a recuperação do setor.

Os gargalos são muito mais numerosos. Na semana passada, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou pela primeira vez um levantamento de conjuntura da construção civil. No trimestre final de 2009, o maior problema apontado pelo conjunto das empresas foi o peso da tributação. Nenhuma novidade nesse ponto. Mas o segundo maior problema foi a falta de mão de obra qualificada.

Essa preocupação foi apontada por 53% das empresas: 48,9% das pequenas, 54,9% das médias e 64,5% das grandes indicaram a falta de pessoal qualificado como o grande problema. No caso das grandes, essa deficiência ganhou mais destaque do que a carga tributária.

A pesquisa é conjuntural, mas o problema não é. A construção civil deixou de ser o grande setor capaz de absorver a mão de obra de baixa qualificação recém-chegada ao mercado urbano. A tecnologia mudou e com isso as necessidades de pessoal também mudaram. Não só o engenheiro tem de ser preparado para as novas condições da atividade. Além de afetar um setor muito importante, essa mudança torna indispensável uma reavaliação do problema da geração de empregos.

Dirigentes da construção civil já haviam apontado, nos últimos anos, problemas de recrutamento de pessoal. A novidade, agora, foi a inclusão do problema numa pesquisa setorial ampla. Noutros segmentos da indústria, a escassez de trabalhadores qualificados fora apontada várias vezes. A própria CNI havia chamado a atenção para o problema em mais de uma ocasião. Mais que isso: executivos entrevistados queixaram-se da falta de pessoal em condições de receber treinamento na fábrica. A falta de qualificação corresponde, antes de mais nada, à mera deficiência da educação fundamental.

Em relação a este problema, o governo federal tem ido raramente além da retórica. Durante anos, o governo do presidente Lula cuidou prioritariamente de criar cursos universitários de utilidade muito duvidosa e de garantir o acesso de mais estudantes ao chamado ensino superior.

Esse tipo de política não garante emprego nem atende às demandas imediatas de uma economia forçada a modernizar-se. Faltaram um diagnóstico realista das carências educacionais e uma aplicação mais eficiente de recursos em programas bem desenhados. O mesmo baixo grau de realismo explica a persistência de gargalos na infraestrutura. Nos últimos oito anos, o governo federal foi lento na mobilização dos capitais e técnicas do setor privado para promover, por exemplo, a recuperação e a modernização das estradas. Isso decorreu, em parte, de preconceitos ideológicos. Preconceitos não escoam safras, nem ações populistas criam empregos produtivos.

CLÓVIS ROSSI

Subintelectualidades

FOLHA DE SÃO PAULO - 18/02/10


SÃO PAULO - Comentários que a candidata Dilma Rousseff compartilhou com Marco Aurélio Garcia, coordenador de seu programa de governo, bem que poderiam servir de epígrafe para o congresso com que o PT comemora 30 anos.
Primeiro comentário: o suposto ou real "retraimento do pensamento crítico". Se há alguma instituição no Brasil que abandonou o pensamento crítico esta é, sem lugar a dúvidas, o PT desde que chegou ao governo.
Antes, criticava tudo e todos, até o que estava correto (vide Plano Real). Agora, o PT é apenas a Tribo dos Adoradores de Lula, em que qualquer mínima dose de crítica, mesmo as mais de acordo com os fatos, são sufocadas.
Segundo comentário: a suposta ou real ascensão de uma "subintelectualidade de direita". Subintelectualidades, de direita ou de esquerda, existiram sempre, no mundo todo. No Brasil, até desconfio que os subintelectuais sejam mais numerosos e estridentes do que os verdadeiramente intelectuais.
Mas, se há de fato uma subintelectualidade em ascensão, ela é hoje a da esquerda, incapaz de sair com uma ideia, uma só que seja, dos escombros do Muro de Berlim. Que já caiu faz 20 anos, é sempre bom lembrar. Ou, posto de outra forma, o PT teve dois terços do seu tempo de vida, desde a queda do Muro, para produzir alguma ideia. Produziu?
Não, segundo um de seus supostos ou reais ideólogos, Tarso Genro, para quem o partido caiu no "vazio" com a crise do mensalão.
Tão vazio que seu até agora presidente, Ricardo Berzoini, e seu sucessor, José Eduardo Dutra, tiveram a bárbara coragem de, em artigo para esta Folha, "celebrar" um "partido democrático, popular e socialista". Democrático e popular ainda dá para passar, com qualificações que o espaço impede de explicitar. Mas socialista só pode ser exercício de "subintelectualidade".
Ou fraude conceitual.

PAINEL DA FOLHA

Cadeiras voadoras

Renata Lo Prete -

Folha de S.Paulo - 18/02/2010


Sobre a candidatura Dilma Rousseff ao Planalto não há discussão, mas o PT chega à abertura de seu congresso, hoje, com arestas a aparar no que diz respeito à ocupação de cargos na nova cúpula do partido.

De saída da tesouraria, Paulo Ferreira (RS) tenta de todo modo emplacar o desconhecido conterrâneo João Motta na secretaria de Comunicação. Pela composição de forças que elegeu José Eduardo Dutra presidente da sigla, esse posto seria destinado à corrente Novo Rumo, que indicou o deputado estadual Rui Falcão. Por sua vez, a bancada de deputados federais quer colocar na Comunicação André Vargas (PR), que chegou a ser cotado para a tesouraria. Mas essa já é de João Vaccari (SP) e ninguém tasca.

Marmelada
A candidatura à Câmara de Paulo Ferreira tira o sono da atual bancada gaúcha do PT, quase toda em busca de reeleição. Para os queixosos, trata-se de concorrência desleal, dada a expertise adquirida por Teixeira na tesouraria. Ele desconversa: "Pior do que ciúme de homem é ciúme de deputado".

Sem refresco
Chamou a atenção de partidos aliados o trecho da resolução do PT sobre tática eleitoral e política de alianças no qual, apesar de destacar a vitória de Dilma e o fortalecimento das bancadas no Congresso como prioridades, a sigla registra que não se pode "menosprezar a importância que têm os governos de Estado", daí a insistência com candidaturas próprias.

Gente grande
De um integrante do núcleo da campanha de Dilma, sobre a exigência de apoio exclusivo feita por Sérgio Cabral (PMDB) no Rio: "O governo não vai se meter a tentar tirar o Garotinho do jogo, até porque de garotinho ele só tem o nome".

Público-alvo
Resolução apresentada pela juventude do PT prevê a construção de um Comitê Nacional de Juventude Dilma Presidenta, cuja coordenação pretende participar do dia-a-dia da "campanha geral".

Bagagem
Desabafo do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) no Twitter sobre o retorno do Carnaval: "Como ponho o turbante do Gandhi na mala?".

Vento
Paulo Octávio foi dormir ontem inclinado a renunciar ainda hoje ao governo do Distrito Federal.

Deixa estar
Apesar do risco Joaquim Roriz, o PSDB continuará a buscar aliança com o PSC. Para os tucanos, a prioridade é ampliar o tempo de TV. E, do jeito que as coisas vão, ninguém sabe se Roriz ainda estará no palanque quando José Serra tiver de fazer campanha em Brasília.

Onde pega
No PSC há dois focos de resistência ao acordo com o PSDB: Pernambuco, onde o partido apoia Eduardo Campos (PSB), e Paraíba, onde Marcondes Gadelha, oriundo do PSB, assumiu o comando da sigla.

Menos, menos
Mesmo entre os insatisfeitos com a liderança de Rodrigo Maia, há quem esteja em campo para conter os "radicais" Demóstenes Torres e Ronaldo Caiado, críticos abertos da atuação do presidente do DEM durante a tormenta no Distrito Federal. O argumento é que o partido está por demais fragilizado para suportar guerra civil.

Que tal?
Ao voar com Guido Mantega (Fazenda) ontem de SP a Brasília, o presidente da Câmara e possível vice de Dilma, Michel Temer (PMDB), fez lobby a favor da proposta de reduzir a jornada de trabalho de 44 para, numa primeira etapa, 42 horas.

Trabalho
Carlos Alberto Grana (PT), presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, e Tadeu Morais de Sousa (PDT), vice do Sindicato dos Metalúrgicos de SP e presidente do Dieese, são as duas apostas do mundo sindical para a eleição à Assembleia paulista.

Tiroteio
"O Distrito Federal só terá solução se livrando do DEM e dos tucanos. Não será Lula quem os salvará."

Contraponto

Sem retoque
Durante visita à nova ala do Hospital do Rim e Hipertensão, há uma semana, o governador José Serra disse que o salto no número de transplantes de rim ocorreu durante sua gestão no Ministério da Saúde.

Imediatamente um funcionário do hospital apareceu com uma foto do tucano tirada naquela época, há quase dez anos. Serra examinou-a, torceu o nariz e, rindo, fez uma "resenha crítica" do próprio retrato:

-Olha, quero apenas deixar registrado que eu estava com essa cara porque ainda não havia feito a cirurgia para retirar as bolsas sob os olhos...

MERVAL PEREIRA

O fim da picada

O Globo - 18/02/2010


Mesmo com toda a crise, é improvável que o Supremo Tribunal Federal decrete a intervenção federal na capital.

Sem o apoio de seu partido, o DEM, que deve iniciar o processo de expulsão na semana que vem, e sem ter sido recebido pelo presidente Lula, a quem pediria ajuda para continuar à frente do governo, o governador em exercício, Paulo Octávio, não tem sustentação política para permanecer no cargo.

Ele foi aconselhado a tentar montar uma equipe suprapartidária no governo, com notáveis do Distrito Federal, abrindo mão do apoio da aliança partidária que sustentava o governo de José Roberto Arruda, de quem era vice.

Mas Paulo Octávio, acusado também de participação nos esquemas de corrupção do governo anterior, e enfrentando também pedidos de impeachment, não tem mais nem prestígio político nem condições objetivas para dar essa guinada, ficando cada vez mais patente que a máquina política montada na capital do país está inteiramente contaminada.

Há indicações seguras de que ele chegou a sondar personalidades do mundo político, e não apenas de Brasília, para que assumissem o controle do governo, dando-lhe o respaldo político de que necessita, mas até o momento não encontrou quem se dispusesse a assumir o fardo.

Mesmo porque o tempo de governo é pequeno — dez meses — e a maior parte dos potenciais pretendentes se candidatará nas eleições de outubro.

O fato de o presidente Lula não ter recebido ontem o governador Paulo Octávio deve ser interpretado como mais um passo para a sua saída do cargo.

Lula não quer dar a impressão de que está envolvido em uma operação política para salvar Paulo Octávio, e quer que ele, segundo expressão de um assessor, “sofra um pouco”.

Seu sofrimento, por enquanto, é também o sofrimento do DEM, e isso é bom para os interesses políticos do governo.

Como se vê, depois de uma primeira reação cautelosa, quando chegou mesmo a lamentar a prisão de Arruda, o presidente Lula está utilizando a crise política do DEM de Brasília para fortalecer a posição do PT na disputa eleitoral da capital.

O timing político está contra Paulo Octávio, pois a tendência do DEM é não lhe dar mais tempo para demonstrar sua capacidade de atuação política.

Enquanto ele espera um apoio de seu partido, o DEM exige que ele demonstre ser capaz de unir a sociedade civil da capital para um governo de recomeço, sem estar contaminado pelo escândalo dos panetones, o que é impossível para ele, que só não está mais atolado nos escândalos porque não surgiu, até agora, nenhum filme flagrandoo em situação irregular.

Mas há inúmeros papéis com indícios de que ele foi par tícipe das falcatruas, e depoimentos diversos incriminando-o.

Para tentar evitar a intervenção federal, a Câmara Distrital, que era dominada por Arruda, já tem maioria para cassar três dos principais envolvidos nos escândalos, os que se tornaram mais notórios devido à aparição nos filmes feitos por Durval Ferreira, o ex-secretário de Arruda que entrou no programa de delação premiada da Polícia Federal e detonou o esquema do governador.

O ex-presidente da Câmara, Leonardo Prudente (sem partido), que ficou famoso escondendo dinheiro até nas meias; a deputada Eurides Brito (PMDB), que aparece nas filmagens estufando sua bolsa com maços de dinheiro; e Júnior Brunelli (PSC) que, abraçado a Durval e a Prudente, participa de uma “oração” de agradecimento pelo suborno.

O mais provável, porém, é que as cassações não sejam suficientes para passar a impressão de que a Câmara de Brasília está saneada.

O governador preso José Roberto Arruda não pretende renunciar formalmente ao cargo, segundo pessoas que estiveram com ele, mas está disposto a garantir que ficará fora do governo até o fim das investigações.

Se não for cassado por seus antigos aliados na Câmara Distrital — hipótese possível, mas ainda improvável —, ele continuará governador, embora afastado.

Pela lei, o presidente da Câmara, Wilson Lima, do PR, teria que assumir um mandato-tampão até o final do governo, mas há informações de que ele não aceitará a missão, alegando que teria que se desincompatibilizar no início de abril para disputar as eleições.

Caberia então, nesse caso, ao presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal assumir o governo até o final do mandato de Arruda. Um retrato da decadência da política do Distrito Federal, o fim da picada que Arruda abriu na política, à base da ganância e arrogância, e que o levou à prisão.

ANCELMO GÓIS

Dupla do barulho

O GLOBO - 18/02/10


Sérgio Cabral perde um amigo, mas não a piada. Do governador para o vice Pezão assim que Madonna e Dilma Rousseff deixaram seu camarote na Sapucaí, domingo:
– Ufa! Agora dá para descansar. Saíram a Madonna e a “Mandona”.

MISS VENEZUELA
Gafe de Cabral ao ser apresentado na Sapucaí à mulher de Luiz Alberto Moreno, presidente do BID:
– Você é a Miss Venezuela...
Ela e o marido são colombianos, um país que vive às turras com a terra de Chávez.
E... Ainda no camarote de Cabral. Uma senhorinha foi abrir uma champanhe e, sem querer, deu um banho em Madonna.
A diva, claro, não gostou.
WC: TEM GENTE
O carnaval de Jesus Luz foi memorável graças, naturalmente, ao prestígio de Madonna.
Veja só. Para ir ao banheiro no Camarote da Brahma, o namorado da cantora tinha a companhia de quatro seguranças.
APAGA ISSO, JESUS
Aliás, mais de uma vez, Madonna reclamou com o namorado porque ele estava fumando.
GENÉRICO DO BRASIL
O New York Times fez matéria sobre remédios genéricos, com destaque para o modelo brasileiro implantado por Serra quando era ministro da Saúde.
O jornal cita a gigante Sanofi Aventis, que comprou a Medley, líder no setor de genéricos.
MORA NA FILOSOFIA
Depois de desfilar ao lado do pai, Martinho da Vila, a felicidade de Mart’nália, no fim do desfile da Vila Isabel, era de sambista genuína:
– Vitória é o de menos, envolve muita coisa, não estou preocupada. O negócio é a festa!
RIO X SÃO PAULO
Pedro Ladeira, um folião gaiato vestido de político, distribuía ontem santinhos pelos blocos do Rio com seus projetos, caso fosse eleito.
Um deles seria a independência (exclusão) de São Paulo do território nacional. Maldade.
REI NA BEIJA-FLOR
É muito provável que o Rei Roberto Carlos seja enredo da Beija-Flor em 2011.
PRIMEIRO A CAIR
Max Lopes não é mais o carnavalesco da Imperatriz.
BILAU JÚNIOR
Ontem, no baile infantil do Clube Naval, na Lagoa, no Rio, três foliões mirins puseram os seus bilauzinhos para fora e... chuááá... regaram o gramado do canteiro, incentivados por dois adultos que os acompanhavam.
Isto ao lado dos banheiros.
HÁ TESTEMUNHAS
Quando a Mangueira fez, pela primeira vez, o genial movimento de “prender” a bateria com grades de alumínio e de “bater” nos componentes, segredo guardado a sete chaves pela escola, um segurança da Liesa ameaçou puxar sua pistola para conter o “conflito”.
Um diretor da verde e rosa correu para pedir calma e explicar que era encenação.
O MILAGRE OCORREU
A prisão de Arruda fez, na última hora, o Bloco Vem Cá Me Dá, que saiu ontem na Barra, no Rio, mudar a letra do samba. No lugar do trecho “Arruda na cadeia, só milagre meu irmão” entrou “Arruda na cadeia foi milagre do povão”.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Ser Sul

O GLOBO - 18/02/10


O rugby é mais popular do que o futebol na África do Sul. Talvez fosse bom tentar entendê-lo, para entender melhor a África do Sul ou ter assunto com os nativos durante a próxima Copa. Lembro que uma das dificuldades para conversar com os americanos sobre a Copa que acontecia na terra deles em 94 era, antes de mais nada, explicar que esporte era aquele que nos levara lá. Muitos diálogos começavam assim:

– Sabe o “football”?
– Sei.
– Pois o futebol não tem nada a ver.

O rugby tem até menos a ver com o futebol do que o “football”, que pelo menos tem onze de cada lado. O rugby tem quinze. Descobri que existe uma rivalidade hemisférica, Norte e Sul, no rugby. Apesar de ter sido inventado na escola de Rugby, na Inglaterra, e levado ao resto do mundo pelos ingleses, como o futebol, o parlamentarismo e o chá com bolinho, os torneios internacionais de rugby têm sido dominados por países do hemisfério Sul. Numa recente final da Copa do Mundo que acompanhei porque estava na Europa, o time da França representava as esperanças do Norte contra a prepotência das ex-colônias, representadas pela Austrália. Já que não se deve ser neutro em nenhum momento da vida, para não correr o risco de virar suíço, fiquei me perguntando se deveria torcer pelos simpáticos franceses, que afinal eram o azarão do campeonato, ou se devia alguma forma de solidariedade sub-equatoriana aos australianos.
É mais difícil do que parece, definir nossas simpatias. Saber qual é o nosso, por assim dizer, time num sentido maior. Algumas adesões são fatais e não dependem de racionalização ou escolha. Espero que nunca chegue a isso, mas numa eventual guerra final entre homens e mulheres pela dominação do mundo servirei ao meu sexo, nem que seja como espião nos vestiários do inimigo. Não adiantou muito a decisão de torcer contra o Brasil dos militares em 70: na primeira vez em que o Jairzinho partiu com a bola em direção ao
gol adversário estava todo o mundo, de esquerda ou de direita, de pé, e empolgado. O coração tem razões, etc.
Na questão racial a coisa se complica. Meu time é o dos brancos até certo ponto, também tenho sangue de índio e de negro, e mesmo o sangue de branco é um combinado ítalo-germano-português que desafiaria qualquer espírito ecumênico. Torcer pra que raça? Torcer pelo Sul espoliado contra o Norte imperialista seria natural, e não apenas por uma fatalidade geográfica. Mas que possível identidade se pode ter com a Nova Zelândia e a Austrália, só para citar duas potências do rugby?
Ser torcedor do Hemisfério Ocidental contra o Hemisfério Oriental melhoraria a média de vitórias do nosso time, sem falar da sua situação financeira, mas significaria ser América de coração como se a América fosse toda igual. “Ser” Hemisfério Sul como se “é”, que remédio, Internacional ou Botafogo, significa ter mais afinidades com a África do Sul do que com o México. E – acabo de me dar conta – ter que torcer pela Argentina em qualquer confronto seu com representantes do outro hemisfério. Impensável.
Acabei torcendo pela França na final daquela Copa de rugby. Era o mais fraco contra o mais forte, latinos contra anglos-saxões, e, que diabo, Michel Legrand, Juliette Binoche, Camus e os direitos do Homem contra Olivia Newton-John e o canguru. Em certos casos a gente sabe, instintivamente, qual não é o nosso time.

CLÁUDIO HUMBERTO

“A prerrogativa de foro, às vezes, é um mal”
JOSÉ GERARDO GROSSI, LAMENTANDO A SITUAÇÃO DE SEU CLIENTE, O GOVERNADOR ARRUDA, DO DF

ARRUDA ESTÁ A CADA DIA MAIS ABATIDO, NO CÁRCERE
A cada dia que passa, o governador afastado do DF, José Roberto Arruda, está mais abatido. O grupo reduzido de pessoas com acesso à sala onde está preso há uma semana, na superintendência da Polícia Federal, sempre o encontra cabisbaixo, calado, abatido, pelo menos 4kg mais magro, emocionando-se a cada visita. Sem privacidade, o governador tem a companhia permanente de dois agentes da PF.
SEGURANÇA
A PF mantém Arruda sob a vigilância de dois agentes para sua própria segurança: a sala/cela não tem grades; apenas janelas de vidro.
LIMITAÇÃO
Flávia Arruda ficou deprimida, ontem, após ver o marido mais triste. E a novidade: ele agora somente poderá receber dela uma refeição por dia.
SEM ESTRATÉGIA
Desde que o pedido de habeas-corpus foi negado, os advogados de Arruda ainda não o visitaram para discutir a estratégia de defesa.
CARA DE FEDOR
Ex-partido de Arruda, o DEM se articula no Congresso para votar em massa pela intervenção no DF. Tenta limpar a barra, em ano eleitoral.
SOB PRESSÃO, PAULO OCTAVIO PARECE AFETADO
Quem anda borocoxô é o governador em exercício do DF, Paulo Octavio, dando a impressão de ser vulnerável à pressão política. “PO” nega a intenção de renunciar, mas quem convive com ele percebe que a ameaça de expulsão do DEM o afeta muito. Paulo Octavio assumiu o governo do DF por insistência da mulher, Ana Christina Kubitscheck, que não o deixou esquecer da responsabilidade como vice-governador.
CESTA BÁSICA
O chanceler Celso Amorim é agora conselheiro de Itaipu Binacional.
Não é nada, não é nada, são R$ 15 mil mensais.
ALOPRADO BOMBÁSTICO
A postura complacente do Brasil em relação ao porralouca iraniano Mahamoud Ahmadinejad rendeu novo apelido à chancelaria: Irãmaraty.
MALA SONORA
O ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, agora canta merengue com conhecido artista dominicano. Vai longe...
CASTIGO SUPREMO
Há uma articulação para que o Supremo Tribunal Federal transfira ao Congresso a palavra final sobre a intervenção no Distrito Federal. Seria uma espécie de supremo castigo com endereço certo: o DEM.
TROCO GOIANO
O deputado Alberto Fraga (DEM-DF) acha que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) radicalizou contra Arruda porque na eleição de 2006 o governador afastado apoiou o adversário dele, Marconi Perillo (PSDB), nos municípios goianos localizados no entorno do DF.
ORA, OS FATOS...
Ao afirmar que “fatos não comprovam fatos; fatos, quando muito, mostram indícios”, o secretário de Educação do governo Arruda, Afonso Brito, confirmou a definição de Nelson Rodrigues para a cara-de-pau nacional: “Se os fatos são contra mim, pior para os fatos”.
RAFALE, A SAGA
Os franceses oram a Joana D’Arc pelo Brasil: Kuwait e Grécia desistiram de comprar caças de combate Rafale, a Líbia cozinha o contrato, e o Marrocos preferiu os F-16s americanos.
APRENDENDO A NEVAR
O ministro Orlando Silva (Esporte) vai com dois assessores assistir aos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, Canadá. Embarcam na quarta (24) e só voltam em 2 de março. Esquiando que é uma beleza.
A SUPER DILMA
Baixou o dom da ubiquidade na ministra-candidata do presidente. Voou para assistir aos carnavais de Recife, Salvador e Rio como o super-homem, evitando aeroportos lotados e voos atrasados. Paira na mente do contribuinte algo mais que os aviões de carreira: os aviões oficiais.
UM RIO QUE PASSOU
Com poucos e fétidos banheiros químicos e excessivos mijões movidos a cerveja e espírito de porco, a Cidade Maravilhosa ganhou um novo acidente geográfico neste Carnaval: o rio “Urinoco”.
SEM CRIME
O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Miguel Vieira, esclarece que o Ministério Público apurou que “não há indício de crime organizado” no Detran-MS e que o autor da denúncia ao Conselho Nacional do Ministério Público já foi processado por “difamação”.
PENSANDO BEM...
...a vassoura sambou melhor que a ministra Dilma Rousseff, no Sambódromo do Rio.

PODER SEM PUDOR
O GEMIDO DO PODER
Então presidente nacional do PT, José Dirceu morava no prédio do demissionário ministro Rafael Greca, em Brasília. Jornalistas que o esperavam correram ao sair um carro da garagem. Não era Greca, era o vizinho. “Ele mora neste prédio também?”, pergunta o distraído petista. Os repórteres confirmaram e Dirceu comenta, coçando a cabeça: “Por isso é que toda noite ouço uns gemidinhos”.

A TERRORISTA MENTIROSA

QUINTA NOS JORNAIS

- Globo: Tijuca acaba jejum de 74 anos


- Folha: Boatos valorizam ações da Teleberas em 35.000%


- Estadão: Dengue vira epidemia em 5 Estados


- JB: Segredos que valem ouro


- Correio: Impeachment na pauta da Câmara


- Valor: BNDES poderá antecipar R$ 20 bilhões à Petrobras


- Jornal do Commercio: Turista alemã é morta no Recife