terça-feira, fevereiro 02, 2010

MERVAL PEREIRA

Humanizar o capitalismo

O GLOBO - 02/02/10


Desde a montagem da programação do 40oFórum Econômico Mundial ficou clara a intenção de seus organizadores de mostrar a face humanizada do capitalismo, ainda envolvido na maior crise desde 1929. A preocupação em mesclar assuntos técnicos com debates sobre felicidade, boa alimentação ou aperfeiçoamento através da arte, que sempre esteve presente na agenda do Fórum, este ano ficou mais evidente ainda.

O próprio mote do encontro — “repensar, redesenhar, reconstruir” — fez com que a tragédia provocada pelo terremoto no Haiti ganhasse relevância no encontro, e um dos motores do Fórum Econômico, que é a troca de informações entre os participantes, em encontros de negócios, ou simples conversas que podem vir a gerar negócios mais adiante, foi usado para estimular não doações, mas investimentos no Haiti.

O anúncio de que a Fundação Melinda e Bill Gates vai investir nada menos de US$ 10 bilhões de dólares nos próximos dez anos para uma ampla campanha internacional de vacinação ganhou o maior destaque nos noticiários internos do Fórum, como a ressaltar o objetivo de “repensar, redesenhar, reconstruir” o mundo a partir de suas mazelas.

Como o próprio comunicado oficial do Fórum destacou, “reconstruir o Haiti vai fazer o mundo mais próspero, vacinação de crianças no mundo em desenvolvimento significa um mundo mais saudável”.

O Fórum destacou também a inter-relação entre a luta contra o desemprego, contra a miséria global e a favor da preservação do meio ambiente como “essencial” para garantir a recuperação da economia a longo prazo e evitar futuras crises.

A escolha do presidente Lula para ser a primeira personalidade a receber o prêmio de “Estadista Global” tem a ver com essa preocupação social do Fórum Econômico, que, desse ponto de vista, tem demonstrado que é mais capaz de propiciar um ambiente de debate em busca de uma redefinição do capitalismo internacional do que o Fórum Social.

Criado em 2001 para se contrapor a Davos e mostrar que “um outro mundo é possível”, nem todos os anos consegue realizar o encontro, e quando o faz se divide não apenas em diversos lugares, mas em diversas linhagens ideológicas.

Essa dispersão de energia e vontades já foi criticada até mesmo pelo presidente Lula, que pediu mais foco nos temas a serem discutidos no Fórum Social, mas sem êxito.

Em Davos, predominou esse ano o sentimento de que a recuperação ainda é frágil, e que a prosperidade tem que ser reconstruída em cima de valores.

Até mesmo decisões técnicas, como a retirada dos subsídios e dos pacotes de estímulo à economia pelos governos, terão que se submeter à percepção dos cidadãos, como observou bem Christine Lagarde, ministra da Economia, Indústria e Emprego da França.

Ao comentar os temores do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, quanto ao momento certo de retirar tais subsídios — “Se sairmos muito tarde, a dívida dos governos pode ficar insustentável, mas se sairmos muito cedo, a crise pode se revigorar ” —, a ministra francesa acrescentou que os líderes terão também que lidar com “a frustração dos seus cidadãos durante esse processo”.

A situação nos Estados Unidos é exemplar dessa ambiguidade da crise. Mesmo com uma melhoria nos números oficiais da economia, um em cada cinco americanos entre 25 e 54 anos está desempregado e, mesmo com a recuperação, um em sete ou oito desses cidadãos continuará desempregado.

O que fez o diretor do C o n s e l h o N a c i o n a l d e E c o n o m i a d o s E s t a d o s Unidos, Larry Summers, definir a situação como sendo de “uma melhora estatística, mas uma recessão humana”.

O fato de que a recuperação econômica está sendo mais rápida no mundo em desenvolvimento, enquanto que nos Estados Unidos e na Europa ela se dá de maneira mais lenta e difícil, é outro fator a desafiar os “senhores do Universo”.

Mostra como a atual crise é distinta das anteriores, e que o mundo necessita abrir espaços para além do G-8 nos organismos internacionais de decisão.

Ao mesmo tempo que a recuperação econômica é o objetivo geral, houve um consenso em torno de como alcançá-la: o novo modelo de crescimento é de baixo carbono, declarou Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do FMI, ao anunciar um plano de US$ 100 bilhões para promover o “crescimento verde”.

O tom moralista das conclusões dos debates pode ser resumido pela declaração de Rowan D. Williams, arcebispo de Canterbury, no Reino Unido, destacada no site oficial do Fórum Econômico Mundial.

Ele exortou os participantes do Fórum a assumirem responsabilidade coletiva para o futuro sendo individualmente responsáveis hoje “Responsabilidade para o futuro significa ser responsável com uma visão de humanidade que nos estimula e engrandece”.

O presidente do Deutsch Bank, Joseph Ackermann, definiu bem a preocupação generalizada com a perda de confiança do cidadão no sistema financeiro: “Se você perde a confiança da sociedade, não pode responder em termos técnicos, mas em termos morais”.

Mesmo assim, Ackermann foi um dos grandes banqueiros presentes ao encontro que se colocaram contra uma nova regulação do sistema financeiro internacional, contrapondo-se à proposta dos líderes políticos, especialmente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

PAINEL DA FOLHA

Dupla função

RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/02/10

Divulgada na esteira de um Vox Populi também favorável a Dilma Rousseff, a pesquisa CNT/ Sensus na qual a candidata do PT aparece na zona do empate técnico com José Serra foi usada ontem para alimentar dois discursos caros ao governo. Um deles é o de que o tucano ainda pode "amarelar", optando pela segurança da reeleição ao governo paulista -não obstante o fato de que outro cenário do mesmo levantamento lhe dá vitória no primeiro turno. O segundo discurso é o da polarização consolidada, que tornaria natural a esperada retirada de Ciro Gomes (PSB) do páreo. "Mais um pouco ele estará empatado com Marina", prevê um cardeal da campanha de Dilma.



Passou. O Planalto não se impressiona com o fato de Ciro surgir, em um dos cenários da Sensus, como elemento garantidor do segundo turno. Alega-se ali que o crescimento de Dilma e a progressiva desidratação do deputado em breve mudarão esse quadro. "A saída do Ciro não representa mais risco nenhum", diz um integrante do comando da campanha petista.

Embaralhado. Os anexos da pesquisa Vox Populi enviados ao TSE, que incluem as cartelas apresentadas aos entrevistados pelo instituto, trazem o nome de Serra e a sigla PSDB "espelhados", dificultando seu reconhecimento.

Lupa. Tucanos protocolaram petição na Justiça Eleitoral para ter acesso ao "sistema de fiscalização e controle" do instituto, sob o argumento de que as letras invertidas teriam prejudicado seu candidato.

Pai da matéria. Em Sorocaba, Serra não quis falar sobre política, preferindo reclamar da vitória do Corinthians sobre o Palmeiras no domingo. "O Roberto Carlos foi expulso, mas acabou substituído pela sorte e pelo juiz", protestou o governador.

Agora vai. Aliados de Tarso Genro (Justiça), pré-candidato ao governo gaúcho, apostam que a visita de Lula ao Estado, nesta sexta-feira, venha a marcar a despedida do ministro da Esplanada.

Duas canoas. Apesar do apoio declarado pelo PDT a Dilma, o diretório gaúcho do partido está dividido entre endossar a candidatura ao governo de José Fogaça (PMDB), de quem herdará a Prefeitura de Porto Alegre, ou a tucana Yeda Crusius, se ela de fato tentar a reeleição. No sábado, a sigla assumiu o comando da Assembleia.

Mínimos detalhes. Executivos do grupo Cosan visitaram Dilma ontem na Casa Civil para apresentar um relato da fusão com a Shell.

Chamada. Em busca de resultados mais vistosos, Lula vai convocar os ministros envolvidos no Territórios da Cidadania para cobrar maior engajamento no programa, que até hoje patina. A agenda do presidente deve incluir em breve visita a um dos territórios, na região Nordeste.

Frugal. O PMDB oferece jantar hoje ao novo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT), que acaba de se submeter a uma cirurgia para perder peso.

Pop 1. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), indicou que pretende ceder à pressão da opinião pública e incluir na pauta, já na próxima semana, o projeto que exige "ficha limpa" dos políticos como pré-requisito para candidaturas.

Pop 2. Apresentado em setembro passado com o respaldo de 1,3 milhão de assinaturas, o texto prevê que condenados em primeira ou única instância por crimes graves não possam disputar. Mas, se realmente for a voto, a tendência é de a restrição ser aliviada, tornando inelegíveis apenas os que tenham sido punidos por uma decisão colegiada de segunda instância.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

"Talvez nem a Dilma queira em seu palanque alguém que foi acusado pela Procuradoria da República de chefiar a quadrilha do mensalão."

Do senador ACM JÚNIOR (DEM-BA), sobre José Dirceu, segundo quem a eventual eleição de Dilma será "o terceiro mandato de Lula", que então voltaria em 2014.

Contraponto

Follow Friday Em visita na sexta passada à Campus Party, megaevento de tecnologia realizado em São Paulo, Dilma Rousseff foi cobrada por não ter ainda aderido ao Twitter.
-O Serra já está lá...- cutucou alguém na plateia.
-Mas eu entendo tudo, porque sou cercada de "tuiteiros"- rebateu a ministra, citando os colegas Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Planejamento), duas presenças assíduas no microblog.
O público quis saber mais, e Dilma emendou:
-Aliás, um dia vou aprender a "tuitar" tão rápido quanto eles debaixo da mesa durante as reuniões!

O ESGOTO DO BRASIL

ELIANE CANTANHÊDE

Pau a pau

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/02/10


BRASÍLIA - José Serra que se cuide, porque as pesquisas começam a dar respostas às duas principais indagações de 2010: o quanto Lula será capaz de transferir sua poderosa popularidade para Dilma Rousseff e quem ganha e quem perde com a desistência de Ciro Gomes.
O pulo de Dilma registrado pela CNT-Sensus confirma a expectativa governista de que, sim, há bastante transferência de voto de Lula para sua candidata, que, de novembro até agora, saiu de 21,7% para 27,8% no cenário que inclui Ciro e de 23,5% para 28,5% sem ele.
A segunda resposta começa a se delinear, mas é cedo para certezas.
O que parece hoje pode não se confirmar amanhã.
Comparando os dois cenários atuais, com e sem Ciro: Dilma varia menos de um ponto (27,8% para 28,5%) quando ele está fora, enquanto Serra salta mais de sete (de 33,2% para 40,7%). Significa que, neste momento, a saída de Ciro favoreceria o tucano. Mas isso depende da campanha. Principalmente da percepção do eleitor de que Ciro é Lula, logo... será Dilma.
Ainda sem Ciro: a soma de Dilma (28,5%) com Marina Silva (9,5%) é menor do que o total de Serra. Equivale a dizer que, se a eleição fosse hoje, Serra estaria eleito já no primeiro turno. Mas é uma hipótese improvável, porque o desempenho de Serra se mantém estável, e o de Dilma é ascendente.
Se o problema do governo é calcular se convém ou não manter Ciro na disputa, o problema do próprio Ciro é outro: a desidratação.
Seu risco é definhar mês após mês, a ponto de chegar ao final comprometendo um futuro promissor.
No mais, um dado da pesquisa é particularmente importante: 20,4%, quase um quarto do eleitorado, anularam o voto ou se declararam indecisos. Dilma está no ataque, conquistando esses votos. Serra está na defensiva, derrapando nas enchentes e mortes em São Paulo. O clima e a temperatura estão mais para ela do que para ele.

ARNALDO JABOR

Nunca fomos tão felizes

O GLOBO - 02/02/10


Volto hoje de férias... ("não fez falta alguma", pensam meus inimigos...) Sinto-me paralisado diante do tempo, das notícias. Um cansaço me toma: analisar o óbvio... CPIs, roubalheiras, gastos públicos, campanha ilegal, Dilma, estresse de Lula, PMDB tomando conta das agências, TCU humilhado, PAC, PAC, PAC... Preciso mudar de repertório. Por isso, tento descobrir, com pinça e lupa, algumas melhorias nesses anos de tantos escândalos e desacertos...

Desculpem meu otimismo - que é visto com desconfiança ("ah... Alguma coisa ele está querendo...") -, mas várias coisas boas já nos aconteceram, apesar do país manipulado por interesses políticos sujos, apesar da lentidão de nossa história torta, que anda como bêbada em volta de nosso destino.

Mas, da bosta, muitas flores germinam. A sociedade civil, na falta de nome melhor, ganhou consciência de sua importância. A sociedade já pensa em "nós" e não em "eles", os remotos donos do poder. Apesar do populismo em alta, já deixamos de ser "vítimas" e passamos a ser "cúmplices".

Já entrou na consciência da população a diferença entre "estatal" e "público". O Estado esteve sempre dentro de nossa alma, muito mais que os burocratas, muito mais que as companhias estatais, o Estado está dentro de nós, em cada célula de nossa formação. Mas, hoje, já confundimos menos "governo" com "Estado". A ideia do Estado como responsável por nossas vidas já se dissolve com a modernidade. A quebra do Estado brasileiro, no meio dos anos 80, foi ruim e boa. Deu-nos uma "orfandade" diante do gigante quebrado, mas despertou o desejo de autonomia na sociedade. Deixou claro que o Estado tem de existir para a sociedade e não o contrário, como ainda é.

Raiou a noção de responsabilidade civil e fiscal; entrou em nossa consciência de coloniais "exilados em sua própria terra" a ideia de que, em finanças, não se gasta mais do que se tem. O mesmo vale para a vida social e política: já existe em nossas cabeças a ideia do "possível", em vez da velha bravata das utopias, que ficou apenas para malucos bolchevistas que ainda dormem nos buracos do poder.

Ao contrário do simplismo de ver tudo por uma ótica "macro", generalizante, as crises na economia mundial nos ensinaram a importância dos detalhes "micro", das pequenas causas que derrubam um universo. É mais importante a competência indutiva que as utopias dedutivas. Uns garotos comedores de hambúrguer de Wall Street podem arrebentar o capitalismo, com mais força que os velhos leninistas. Sabemos que o capital tem de ter limites. Resta saber como...
Diminuiu a divisão ideológica entre direita e esquerda. Agora é pragmatismo e eficiência. Mais importante que apontar causas para a pobreza é descobrir formas de combatê-la. O horror do Haiti talvez ensine (um pouco) que a miséria brutal não pode conviver com os satélites dançando entre os anéis de Saturno. Injustiça social dá prejuízo financeiro. O sonho de uma grande economia sem sociedade acabou, pois uma gigantesca fusão corporativa final excluiria a vida em nome do mercado. As corporações descobrem que a justiça social é uma necessidade de mercado.

A globalização da economia é um bonde carregado de problemas novos, que pode nos jogar num vazio de excluídos. Mas tem a vantagem de nos colocar mais perto da verdade nacional, rompendo as paredes da "taba imaginária", uma ilha ibérica de esperança vã.

A globalização nos trouxe o contato com métodos de gestão mais anglo-saxônicos, trouxe dinamismo para as empresas, trouxe nova ética empresarial, nova ética contábil. Hoje, já podemos pensar em um novo nacionalismo sem cair nos antigos esquematismos.
A tal "mão invisível do mercado" pode nos dar bananas, claro. Mas o conceito de "mercado" dinamiza a autorregulação da vida social e econômica do país. "Mercado" como termômetro dos perigos da injustiça, mas também como sensor dos desejos sociais, "mercado" como amenizador de certezas burras, "mercado" como relativizador de um poder público totalitário.

Hoje, o inimigo principal não é mais a "burguesia" gorda e fumando charuto; o inimigo é a incompetência estatal e simbioses corruptas com um empresariado dependente.

Já entendemos que a ideia de "solução" para o país é um mito. Nunca se chega a uma "solução" histórica. Seria o tal "fim" do Fukuyama, que tantos amam em segredo. E, pelo avesso, a ideia deprimida de "insolubilidade" é também um pretexto reacionário. Podemos, no máximo, limpar caminhos, sanear processos. A ideia de "solução" é substituída pela de "processo".

A sordidez nacional que a democracia exibe, a corrupção, a falta de vergonha política, a violência, todas as falhas boçais do sistema sugerem que a contrapartida para combatê-las deveriam ser medidas boçais, violentas. Só que, para desarmar a eterna bomba suja nacional, há que se ter paciência e aceitar complexidades. Radicalidade não é apelar para a ignorância. Grossura contra grossura se anulam mutuamente.

Já percebemos que os problemas do Brasil são muito mais complicados do que uma mera questão de injustiça social, a ser resolvida apenas pela dinâmica de uma "luta de classes". A injustiça é endêmica e de tal modo paralisante que inviabiliza até um embate de classes. A má distribuição de renda não é causa; é consequência de uma secular estrutura autocrática, de um Estado patrimonialista que tem de ser reformado.

Já sabemos que o Brasil é este país que está aí, com suas deficiências e políticos atrasados. Não há uma outra nação. Mudar o país tem de ser "por dentro", e não uma intervenção mágica, ditatorial ou golpista.

Ou seja, alegrai-vos, otimistas... Há luz ao fim desse túnel imundo. Com suas alianças espúrias e com o método "contemporâneo" e a cínica praticidade com que Lula governou, enxergamos o país como "nunca antes".

As duas grandes obras de Lula: por conciliador, impediu o poder dos jacobinos bolchevistas e, com suas alianças, mostrou que o Brasil é só um grande PMDB. Essa é nossa verdade.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO

Macchu Picchu! Voltei mutcho putcho!

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/02/10


Lula passou sábado pelo Incor e foi bem em todos os exames. Menos no de português! Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Chegam ao Rio os brasileiros resgatados de Macchu Picchu. E mutcho putchos. Um amigo meu chegou de Macchu Picchu mutcho putcho! Rarará!
A saúde do Lula. Boas notícias: Lula passou sábado pelo Incor e foi bem em todos os exames. Menos no de português! É que não tinha exame de português. Rarará!
A pressão estourou: foi pra 51/8! E o Lula tem hipertensão e um amigo meu tem HiperPENSÃO: paga pensão pra três mulheres. E o site Comentando revela que o Lula lançou mais um programa depois do susto: Programa de Inspeção Regular Intensificada de Pressão Arterial dos Companheiros. PIRIPAC! PAC quer dizer Pressão Alta Cumpanhero! Outros acham que não é hipertensão, é megalomania! Vocês viram o discurso que ele mandou pra Davos? TEMOS QUE REINVENTAR O MUNDO! Só isso? Oba. Vamos lá. Eu topo! Rarará!
E outros ainda dizem: foi apenas uma marolinha de gases. E os filmes que ele pegou pra assistir, pra relaxar: "Os Substitutos" e "A Morte Pede Carona". Verdade! Rarará! E olha o cartaz de um estabelecimento em Mossoró, Rio Grande do Norte: "Corta-se cabelo masculino AO VIVO!". É o efeito televisão! O mundo virou uma televisão!
E essa outra pichação numa parede: JESUS SAUVA! O que é isso? Formiga gospel? Jesus saúva! Rarará! E o jogo do Corinthians? Roberto Carlos foi expulso! O Roberto Carlos ficou famoso pela meia! Pois é: um jogador de meia-idade, jogou meia partida, fez falta na meia esquerda e o jogo foi meia boca! Foi expulso porque deu um carrinho.
Sabe como se chama carrinho em Portugal? Penalidade sobre quatro rodas. Rarará! E o novo patrocinador do Corinthians? Vovôzzano! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". É que tem um cartaz num boteco de Guarulhos: "Fiado só quando o Serra terminar o Rodoanel". Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Urucubaca": urubu que pousou num companheiro babaca. Quanto mais infame, melhor! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

LÁ VEM O NOIVO

O GLOBO - 02/02/10


A festa de aniversário de 47 anos de Sérgio Cabral, dia 25, no Palácio Laranjeiras, não teve só sopro de velas. Uma discreta cerimônia religiosa, com a bênção do padre Marcelino, da Igreja de São Jorge, celebrou a união do governador com a advogada Adriana Ancelmo. Houve troca de alianças.
SEGUE...
Lula foi o padrinho, e Dilma, a madrinha. Aliás, chamou a atenção dos convidados o discurso do padrinho:
– Adriana, você precisa ter muita paciência com o Sérgio. O Rio vai ter a eleição mais disputada do Brasil.
O RANKING DO TWITTER
A “The Economist” publicou pesquisa com os dez países que mais usam o Twitter. Deu Austrália em primeiro (lá, os internautas ficam, em média, sete horas por mês no site). O Brasil ficou em sétimo (cinco horas por mês), à frente de Alemanha, França e Japão.
ESPERE UM POUCO
Um aliado de primeira hora da ministra Dilma não resistiu e comentou com Lula:
– Nossa candidata é pesada, hein, presidente? Tá difícil.
Lula não se abalou:
– Calma, ela vai melhorar.
CAETANO NOS EUA
Caetano Veloso vai fazer uma turnê pelos EUA para lançar seu CD “Zii e Zie”. No roteiro, Nova York, Boston, Washington, Los Angeles, São Francisco e Miami. No total, deve cantar para umas 25 mil pessoas.
ECONOMIA
O Ministério da Saúde vai economizar R$ 988 milhões na compra das 21 milhões de doses das vacinas pneumocócica 10-valente e meningocócica C, esse ano. Elas vão ser oferecidas pela primeira vez no SUS.
RESCALDO DA CRISE
Paulo Coelho definiu como ninguém a atmosfera do Fórum Mundial de Davos:
– Foi como o filme “E o vento levou”, em que a Scarlett Ohara tem tudo, perde tudo e diz: “Amanhã será um outro dia!”.
POR FALAR EM DAVOS...
Guido Mantega não é fluente em inglês. O ministro fala francês e italiano. Em eventos maiores, como este em Davos, prefere um intérprete. Como Sérgio Ferreira, o intérprete oficial da Presidência, não foi à Suíça, por causa da gripe de Lula, Mantega usou uma intérprete da nossa embaixada.
ABAIXO A CENSURA
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio derrubou ontem uma lei de 2007, da Câmara de Vereadores, que proibia as escolas de samba de usarem imagens sacras durante os desfiles. A pedido da própria prefeitura, o tribunal concluiu que a norma violava a liberdade de consciência e se caracteriza como censura
prévia.
HOSPITAL
O que se diz na Rádio Corredor é que entrou água na venda do Samaritano para a Rede D’Or. Os sócios do hospital de Botafogo não chegaram a um entendimento.
ALIÁS...
Não é só o Hospital Albert Einstein, com o apoio de Eike Batista, que pretende fincar uma bandeira no Rio. Outro paulista de prestígio, o Sírio-Libanês, também tem planos cariocas.
QUEM VEM
Lula receberá a visita de seu colega do Egito, Hosni Mubarak, dia 8 de abril.

JAPA GOSTOSA

LUIZ GARCIA

Idem e ibidem

O GLOBO - 02/02/10

Pois é, começou mais um ano de eleições. A mais importante nos dará um presidente para os próximos quatro ou — quase certamente, se valem os dois últimos precedentes — os próximos oito.

Não conversemos sobre nomes, mas sobre caminhos. Porque os nomes são conhecidos: José Serra e Dilma Roussef.

Qualidades e traços pessoais à parte, só importa o que eles significam.

Qualquer presidente, ou candidato a isso, deseja o melhor para o país, para o seu partido, a sua própria carreira e a sua biografia. A questão é saber a prioridade, ou a gestão, de cada um desses itens.

Não é incomum que candidatos considerem que tudo aquilo que aparentemente enfeita sua folha corrida é precisamente o que mais ajuda o partido e o país.

Em tese, essa constatação aconselha a eleição dos candidatos mais humildes no bom sentido. Na prática, nem pensar, já que não há humildes na liça. O que não é novidade: costuma ser extraordinariamente baixo o índice de humildade em qualquer político profissional. Mas nada disso quer dizer que seja irrelevante a escolha. De forma alguma: o voto mais esperto talvez seja aquele que despreza as diferenças aparentes entre os dois candidatos. Até mesmo aquelas mais visíveis a olho nu.

Descontando preconceitos históricos, nada desaconselha a eleição de uma mulher para presidente da República.

Evidentemente, também seria bastante ingênuo o voto em Dilma baseado exclusivamente no fato de que o Brasil jamais teve uma mulher no leme.

Tanto quanto seria pouco inteligente a escolha de Serra apenas por se tratar de um macho da espécie. Assim como seria melancólico o voto num dos dois motivado unicamente por supostos defeitos do outro.

No fim das contas, o bom e criterioso voto no governador de São Paulo será aquele baseado no que se conhece de sua vida pública, como político e como administrador.

E também no que se sabe de seu partido, porque dele certamente sairão os principais nomes de seu governo.

O voto na adversária será idem e ibidem. Para quem aprecia o comportamento de Dilma como figura de proa no atual governo — e botem proa nisso — uma indiscutível razão de voto.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ela usa um canhão, enquanto o adversário, um estilingue”
SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), SOBRE O INÍCIO DA CAMPANHA DE DILMA ROUSSEFF (PT)

SERRA ‘PISCA’ E SE DISTANCIA DE CANDIDATURA
A pesquisa CNT/Sensus, apontando “empate técnico” entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), deve levar o tucano antecipar o anúncio da decisão sobre o cargo que vai disputar nas eleições. “Ele piscou”, diz um assessor tucano, para quem a cada pesquisa Serra se distancia da disputa presidencial e se volta para a reeleição. O governador já esperava os números divulgados ontem: ele tem 33,2%, Dilma 27,8%.
EMBALO
Esta coluna revelou que pesquisas internas do PSDB já apontavam essa tendência. Mais: prevêem que Dilma ultrapassa Serra em maio.
NADA MUDOU
Como era de se esperar, muita gente assinou frequência no Senado, às 8h30 de ontem, foi embora e voltou às 18h30 para registrar a saída.
QUE CANSAÇO?
O bom humor de Lula, ontem, no Supremo Tribunal Federal, não sugeriam cansaço ou estresse. Inédito: ele até chegou antes da hora.
FORÇA VERDE
Filho do saudoso embaixador José Aparecido de Oliveira, o deputado José Fernando é pré-candidato do PV ao governo de Minas Gerais.
CONDOR: EX-POLICIAL PROCESSA QUEM O DENUNCIOU
O ex-policial gaúcho João Augusto da Rosa (“Irno”) está processando o jornalista Luiz Cláudio Cunha, autor do livro Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios (L&PM, 2008), que conta o sequestro de Lílian Celiberti, dois filhos menores e Universindo Diaz, em 1978. “Irno” recebeu Cunha com pistola apontada para sua testa, no local em Porto Alegre onde Dops e o Exército uruguaio mantinham Lílian sequestrada.
‘PROVAS’ INDISPONÍVEIS
Irno alega na Justiça que Luiz Claudio Cunha não citou sua “absolvição por falta de provas”. É que as “provas” estavam presas, sob tortura.
VÍTIMA ENCARA O ALGOZ
Quinta (4), às 15h, na 18ª Vara Cível de Porto Alegre, a “prova” Lilian Celiberti estará frente a frente com o sequestrador “Irno”, após 32 anos.
FATOR CIRO
Sensus e Vox Populi atestam a advertência intuitiva de Lula: se Ciro (PSB) não disputar a presidência, Serra (PSDB) herdará seus votos.
QUESTÃO DE LEI...
Faturando R$ 1 bilhão em quase cem convênios milionários de planos de saúde no governo, a Fundação Geap empatou no STF, em 2x2, o julgamento que pode acabar a farra. O ministro Dias Toffoli pediu vista.
...E MORALIDADE
A alegação de que a Geap é mais barata e que atende aos velhinhos não cola graças à farta documentação do Tribunal de Contas da União, por questão de moralidade: a Geap passa ignora a Lei de Licitações.
EM CAMPANHA
O ainda ministro Tarso Genro (Justiça) faz campanha sem medo de ser feliz: assinou ontem um convênio com o prefeito petista de Canoas (RS) dotando a cidade de um sistema de detecção de tiros.
‘O QUE ELE QUER?’
Lula ainda não confirmou a audiência que o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), pediu para esta quinta (4). Contaram a ele que Braga vive conversando em segredo com o tucano José Serra.
MESMO EMBALO
Lula gosta é de carne argentina. Sábado, ele chegou animado a Brasília, após o check-up médico, mandou comprar 20kg de picanha do país dos Kirchner e chamou alguns “cumpanhêro” para comemorar.
DUPLA MILITÂNCIA
O staff de Dilma se irritou ao saber que a empresa FSB, responsável pela comunicação dos ministérios da Saúde e do Turismo, também atua na pré-campanha de José Serra. Atende ainda os governadores do Rio (pró-Dilma) e de Minas e Rio Grande do Sul, ambos do PSDB.
PAIS E FILHOS
O americano David Goldman, que ganhou a custódia do filho Sean após longa batalha judicial no Brasil, ajuda outros pais através da Fundação que criou nos EUA. Um deles, segundo a CTV, do Canadá, é François Larivée, cujo filho está no Brasil com a ex-mulher brasileira.
ESTÁ TUDO DOMINADO
A Associação Brasileira de Imprensa faz assembleia-geral hoje (2) para reformar seu estatuto e suprimir a “inelegibilidade de diretores após o segundo mandato”. Na língua de Hugo Chávez, reeleição indefinida.
PENSANDO BEM...
é melhor ter crise de hipertensão que de inflação.

PODER SEM PUDOR
COMO ENROLAR ELEITOR
Quando a comitiva de Lula chegou a Petrolina, certa vez, uma eleitora foi logo pedindo ao deputado Gonzaga Patriota (PT-PE), então candidato a prefeito da cidade, a realização de um sonho: receber Lula em sua modesta casinha.
– Claro, pode esperar: ele chega lá às 14h30.
Ao contar isso numa roda, colegas de Patriota o censuraram por prometer o que não poderia cumprir. Ele explicou a jogada, com um sorriso maroto:
– Eu é que vou à casa dela, digo que o Lula precisou ir embora...

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: BC quer limitar salários de executivos de bancos


- Folha: BC vai regular salário so setor financeiro


- Estadão: Licença para usina no Rio Xingo sai com 40 exigências


- JB: Ipanema tem a pior areia da Zona Sul


- Correio: Inflação sobe. Para o brasiliense, peso é maior


- Valor: Cosan busca expansão no exterior junto com a Shell


- Jornal do Commercio: Racionamento d'água com os dias contados

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

ANTONIO PENTEADO MENDONÇA

Cada coisa é uma coisa

O Estado de S. Paulo - 01/02/2010


Não adianta comprar roupa de astronauta para pesca submarina. Em outras palavras, cada produto é bom para aquilo para quê ele é desenhado. É até possível algumas adaptações darem certo, mas não é o ideal e existe sempre o risco de as coisas se complicarem. No mundo dos investimentos ou das aplicações financeiras não é diferente. Cada produto tem um perfil que o faz mais indicado para um determinado fim. Na hora de investir, o que precisa ser comparado são produtos similares. Aí o conhecimento detalhado de cada aplicação faz diferença, já que custos com administração, corretagens e comissões, além da carga tributária incidente, podem piorar o desempenho e comprometer a rentabilidade, como acontece atualmente com alguns planos de previdência privada abertos.

Ninguém espera altos rendimentos de uma caderneta de poupança; por outro lado, ninguém espera alta segurança de uma aplicação em derivativos de linhas de financiamento residencial para as classes D e E nos Estados Unidos. Se esta regra for respeitada, e a aplicação feita de forma criteriosa, todo investimento é bom, porque atende um objetivo específico para o qual aquele plano foi desenhado.

A atividade seguradora oferece entre seus produtos, basicamente, dois tipos de investimentos diretos: os planos de previdência privada aberta e os planos de capitalização.

Os planos de previdência privada aberta, ao longo dos últimos anos, se transformaram num dos melhores investimentos do mercado, desde que respeitada sua característica fundamental: ser um plano de longo prazo, no qual o Governo troca com o investidor uma redução proporcional na carga tributária pela manutenção do dinheiro por um prazo mínimo progressivo, antes do qual o saque da importância investida não só deixa de ser interessante, como se torna extremamente onerosa.

Assim, investir num PGBL ou num VGBL dinheiro que pode ser necessário no curto prazo, ou para o qual se espera uma alta rentabilidade num período menor do que dez anos, é escolher um investimento pouco apropriado.

Já os planos de capitalização são produtos com um desenho completamente diferente e altamente particular. Criados na França, estes planos encontraram forte apelo junto aos brasileiros em função de suas características básicas, que o tornam uma mistura de loteria com programa de investimento de médio prazo.

Se brasileiro não gostasse de jogo, o Governo não teria desenvolvido a coleção de loterias colocadas à disposição da população pela Caixa Econômica Federal e pelos Governos dos Estados.

De outro lado, a certeza de receber um valor certo, depois de um determinado tempo de aplicação, é uma ferramenta cômoda para a realização de uma série de ações, desde a compra de um novo automóvel até uma viagem, sem necessidade de grandes contas ou movimentos complexos para a desaplicação do dinheiro.

Por isso, é uma aplicação rotineiramente realizada por um amigo que é também um dos maiores economistas do País. Ele compra planos de capitalização para não se preocupar em dispor do dinheiro para finalidades específicas que tem em mente, num horizonte médio de dois anos. Com a vantagem de, ainda por cima, poder ser sorteado e aí ganhar uma bolada

De forma bastante simples, o plano de capitalização pode ser definido como uma loteria em que não há perdedores e isso o torna extremamente atraente para boa parte dos brasileiros. Afinal, o que pode ser mais gostoso do que jogar na loteria, não ganhar, mas, após um determinado período de tempo prefixado, ter parte do dinheiro jogado devolvido com juros?

Atualmente, os planos de capitalização vão muito além deste desenho e se prestam com boas vantagens competitivas para viabilizar uma série de promoções, o que tem feito com que sua procura cresça regularmente, à medida que estas alternativas vão se tornando mais conhecidas.

O que é preciso se ter claro é que cada coisa é uma coisa e que não adianta querer levar vantagem comprando a coisa errada.

*Antonio Penteado Mendonça é advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas e comentarista da Rádio Eldorado.

CONRADO HÜBNER MENDES

Onze ilhas

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/02/10


O STF (Supremo Tribunal Federal) teve uma agenda politicamente delicada em 2009. Chegaram ao tribunal casos que envolviam a antiga Lei de Imprensa, a demarcação de terras indígenas, a extradição de dissidente político, entre muitos outros temas de menor visibilidade pública.
Suas decisões provocaram reações várias na mídia, tanto na defesa quanto no ataque. Raramente, porém, essas reações se preocuparam em ler com cuidado o que foi dito nas decisões. Colaboraram, assim, para um diálogo de surdos. Não confiaram na própria capacidade de argumentar nem na disposição do STF de ouvir.
Uma pena que não estejamos debatendo os argumentos utilizados pelo STF. Eles são diversos. Em regra, têm estilo prolixo e arrevesado. Constituem peças clássicas do bacharelismo beletrista.
Se tentarmos levar os argumentos do STF a sério, porém, esbarramos numa outra dificuldade: argumentos "do tribunal" quase nunca existem, exceto por obra de uma metáfora. Não há, exceções à parte, razões compartilhadas pela maioria dos ministros, razões que, boas ou ruins, pudéssemos generalizar como do tribunal.
Se perguntarmos por que o STF decidiu um caso numa determinada direção, não raro ficamos sem resposta. Ou melhor, ficamos com muitas respostas que nem sequer conversam entre si, expressas nos votos dos 11 ministros. E por que isso deveria nos preocupar?
Comecemos pela compreensão do propósito de uma corte colegiada, uma empreitada coletiva cujo resultado pretende ser melhor que a soma das opiniões individuais.
Esse ganho só se concretiza quando os membros de tal órgão firmam o compromisso ético de se engajarem numa deliberação genuína. Requer atitudes que não são fáceis de pôr em prática. Exige, de cada um, disposição para duvidar de suas convicções iniciais, vontade de minimizar o desacordo e o reconhecimento da importância de uma opinião institucional coesa, fundada em razões claras.
Praticantes da deliberação escutam tanto quanto falam e não se importam em ser persuadidos. Formam um time que joga em conjunto, sem estrelismos individuais. São colegas, não adversários. Cooperam, não competem. Respeitam o direito ao voto vencido e concorrente, justificáveis se produtos do desacordo autêntico, não de vaidade ou preciosismo.
Um tribunal, se pretende construir uma jurisprudência vigorosa, que sirva de bússola para o regime democrático, precisa almejar uma deliberação assim ambiciosa.
Nossa jurisprudência constitucional, contudo, é quase obscurantista, refém das idiossincrasias enciclopédicas de cada um dos ministros do STF e facilmente manipulável pela retórica advocatícia. Fragiliza nossa linguagem dos direitos fundamentais, que permanece desguarnecida de uma casuística coerente nas decisões do Supremo.
O voto do ministro Peluso no caso em que o jornal "O Estado de S. Paulo" alegava ter sido censurado, por exemplo, menciona essa patologia da corte, mas não se posiciona a respeito dela. Não se incomoda com a frequente ausência, nas suas palavras, de uma "pronúncia coletiva", de uma "inteligência sistemática dos votos", de uma "verdadeira opinião da corte". Apenas constata ser esse hábito consequência de "singular modelo deliberativo historicamente consolidado".
Há tempos se instiga o STF a repensar seus ritos decisórios e hábitos deliberativos. As sugestões de reforma são antigas e não requerem mobilização legislativa, só ajustes internos.
O Supremo volta hoje ao trabalho, e essa seria uma boa meta para 2010.
A tarefa não é simples, nem seria correto responsabilizar os atuais ministros por tal prática. Estão seguindo uma tradição. No entanto, tradições podem ser submetidas a uma reflexão crítica transformadora.
O aperfeiçoamento da deliberação colegiada do STF contribuiria para a qualidade do debate público. E o Supremo se apresentaria não somente como autoridade que toma decisões a serem obedecidas, mas também como fórum que oferece razões a serem debatidas. Criaria uma oportunidade de reforçar sua legitimidade.
O STF não é infalível. Seus erros, assim como acertos, integram o processo de aprendizado democrático. Errando ou acertando, contudo, não pode se dar ao luxo de sonegar razões claras e colegiadas que possamos desafiar, recusar ou apoiar.
Não pode continuar a se proteger por trás de sua filosofia decisória "historicamente consolidada", de um emaranhado de opiniões individuais que não fazem, aparentemente, esforço para convergir.
A celebração de um tribunal "descolegiado", ao invocar passivamente tal tradição como álibi, é perniciosa para o Estado de Direito.
CONRADO HÜBNER MENDES é professor licenciado da Direito GV e da Sociedade Brasileira de Direito Público.

GOSTOSA

MARINA SILVA

Campus Party

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/02/10


Quando olhamos para o futuro, precisamos entender como a inteligência e o conhecimento são compartilhados hoje e para onde apontam. A revolução da tecnologia da informação provocou mudanças tão profundas que ainda não conseguimos entender para que lado faz pender a saga da humanidade.
Inútil buscar respostas lineares, pois felizmente faz parte dessa revolução o embaralhamento dos maniqueísmos. Entendi melhor isso na Campus Party, na última semana, em São Paulo. Quem poderia prever, poucas décadas atrás, a formidável expansão do universo das redes de relacionamento e troca de informação via internet?
A Campus Party é o grande evento dessa nova cultura digital. Chamada de "nerdstock", o que já revela certo preconceito, na verdade é um espaço de intensa participação, inclusive política, e de exercício de cidadania. O que mais me comoveu foi ter reconhecido naqueles jovens o mesmo inconformismo, generosidade e disposição para mudar o mundo que em outras gerações se manifestavam de outras formas.
Encontrei-me com Lawrence Lessig, um dos fundadores da "Creative Commons", ONG que promove o acesso criativo a obras intelectuais por meio de licenças jurídicas que permitem a qualquer criador dizer o que pode ou não ser feito com suas obras. Nossa conversa ajudou-me a avaliar a importância da internet para que a cultura seja um bem de todos.
Participei também de uma iniciação digital -o batismo digital- e de um evento bastante heterodoxo, a desconferência, onde convidado e plateia estão quase no mesmo nível de protagonismo e a conversa toma o rumo que essa interação permite. As perguntas e manifestações não foram diferentes do que tenho ouvido Brasil afora. Dois focos importantes de perguntas foram sobre como fazer para que informações de interesse público estejam disponíveis de forma ágil e com credibilidade, e como ter maior transparência no setor púbico.
Durante o percurso entre os campuseiros, conduzida por Juliano Spyer e João Ramirez, tive a sensação de estar entrando numa mata densa, cheia de boas surpresas e riscos, onde deleite e perigo têm uma linha tênue de separação. Lugar onde a prudência aconselha a companhia de um bom mateiro.
João e Juliano deram um show como mateiros. Sempre repito as palavras de Edgar Morin, de que para sair da crise em que nos encontramos é necessário promover o diálogo de saberes. Na Campus Party, me senti o tempo todo praticando esse preceito. E sentindo como ele é fundamental e empolgante.

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Que esquerda é essa?

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/02/10

SÃO PAULO - Como retrato da esquerda, o Fórum Social Mundial nos oferece uma imagem melancólica. De um lado, o evento, encerrado ontem, se presta a ser um palco de aclamação do lulismo; de outro, reitera sem mais dogmas anticapitalistas, fazendo tabula rasa do legado ruinoso dos experimentos coletivistas do século 20.
Em sua 10ª edição, o fórum agrega uma esquerda que transita entre o novo pragmatismo e a utopia de antigamente, sem que se detenha na crítica de nenhum dos polos. Adesista e fundamentalista ao mesmo tempo, essa esquerda age como quem quer usufruir todos os benefícios possíveis deste mundo (lulista), sem prejuízo de manter intacto o clichê do "outro mundo possível".
Entre o radicalismo vazio e o apego ao poder, haveria uma trilha menos cômoda. Algo como o compromisso com a redução das desigualdades, com o combate à corrupção em todas as suas formas e a defesa da democracia e do pluralismo -tudo combinado numa perspectiva reformista, que se paute pelo realismo sem abrir mão de princípios.
Não é isso, como se sabe, o que seduz os funcionários da utopia. Mas que esquerda é essa que vira as costas aos estudantes venezuelanos e não se manifesta contra a escalada autoritária de Chávez? Que esquerda é essa, para quem o mensalão não existiu ou acha que "a vida é assim mesmo"? Que esquerda é essa, capaz de defender a barba de Fidel Castro e o bigode de José Sarney?
Não há dúvida de que existe uma maioria bem intencionada entre os participantes do fórum. Mas o evento se tornou coisa de profissionais. Com raríssimas exceções, os intelectuais que contam não perdem mais tempo por lá. Restou um lúmpen "pensante" que fez do fórum o seu negócio. Gente, aliás, que cansou de esperar Godot e hoje enche as burras à custa do lulismo. São parasitas do Estado que adoram ressuscitar o fantasma neoliberal diante de plateias embasbacadas para manter viva a sua boquinha. Será possível ainda ser de esquerda sem parecer idiota ou espertalhão?

LAVANDO A XERECA

RUY CASTRO

Morrer de prazer

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/02/10

RIO DE JANEIRO - No outro domingo, o Mais! pediu aos entendidos que citassem sequências marcantes do cinema. O resultado apontou as inevitáveis -a da escadaria em "O Encouraçado Potemkin", a da morte de Annie Girardot em "Rocco e Seus Irmãos", a do corte do osso para a nave em "2001"- e outras menos lembradas, todas de filmes "clássicos".
Fui um pouco discrepante, escolhendo uma sequência de "O Homem do Sputnik", uma chanchada nacional, gênero extinto há 50 anos e ainda meio visto como vira-lata, mas de encantos mil para mim e para o Sérgio Augusto. Poderia ter citado também Oscarito e Grande Otelo como Romeu e Julieta em "Aviso aos Navegantes" (1951).
O duro é escolher uma sequência entre milhares. Talvez por óbvias, ninguém se lembrou de Gene Kelly cantando na chuva ou de Dooley Wilson carbonizando corações com "As Time Goes By" em "Casablanca". Mas, e Harold Lloyd escalando o edifício e se pendurando no relógio em "O Homem-Mosca" (1923)? E Maurice Chevalier saindo para a farra em "A Viúva Alegre" (1934)? E o duelo a espadas entre Stewart Granger e Mel Ferrer em "Scaramouche" (1952)? E a luta a socos entre Alan Ladd e Van Heflin, em meio aos cavalos, em "Os Brutos Também Amam" (1953)?
E o que dizer da sequência inicial de "Meu Tio" (1958), com os meninos e os cachorros pelas ruas? De Silvana Mangano com água pelas pernas em "Arroz Amargo" (1949)? Da primeira aparição de Orson Welles em "O Terceiro Homem" (1949)? De Cyd Charisse descobrindo o capitalismo em "Meias de Seda" (1957)? Ou de Mario Reis, maravilhoso, cantando "Cadê Mimi?" em "Alô, Alô, Carnaval!" (1935)? E muitas mais.
Hoje, com o DVD, é possível assistir a essas e a todas as outras numa única sessão. Corre-se apenas o risco de morrer de prazer.

TODA MÍDIA - NELSON DE SÁ

China vs. EUA

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/02/10


Manchete do "China Daily", "Ministro do exterior cobra que EUA parem de vender armas a Taiwan". Diz que o negócio "fere a segurança nacional da China e os esforços de reunificação pacífica" com Taiwan.
No também chinês "Global Times", "China suspende as visitas militares com os EUA". O ministério da defesa fala em "dano severo" e "indignação".
Ainda no "China Daily", o artigo "Responda quando atacado" descreve o negócio como "despertador" para o país, que "não pode ignorar os valentões" [bullies]. "A China ainda é fraca, econômica e militarmente, comparada aos EUA. Mas uma mensagem tem que ser enviada: De agora em diante, os EUA não devem esperar cooperação da China num amplo espectro de questões regionais e internacionais."
Foi manchete on-line no "Financial Times", "China ameaça EUA", e no "New York Times".

De Davos, no "Wall Street Journal", a consultoria Eurasia Group avisou que o confronto "só vai piorar" e que os perdedores serão as empresas americanas. "Os vencedores serão o Brasil, a potência emergente da América do Sul, e a Índia."

OUTRO MUNDO
A "Newsweek" dá longo artigo de Nader Mousavizadeh, do londrino International Institute for Strategic Studies, avisando que "o mundo que criou o 'eixo do mal' acabou, quanto mais cedo Washington reconhecer, melhor". Diz que "Brasil, Turquia, Rússia, China: nenhum faz segredo da resistência à diplomacia americana anti-'rogue states'". Resistem à escalada contra o Irã.
Na sexta, o Departamento de Estado dos EUA cobrou sanções da China contra o Irã. E ontem o Departamento de Defesa, destaque no "New York Times", já começou a posicionar mísseis no golfo, diante do Irã.

CONSENSO DE PEQUIM
De Davos, Thomas L. Friedman, ontem no "NYT", sob o título "Nunca ouvi isso antes", relata que a "instabilidade política" dos EUA foi tema recorrente no Fórum. E cita "outra frase que nunca ouvi antes: o Consenso de Pequim está substituindo o Consenso de Washington?". Em suma, a estabilidade "confúcio-comunista" já seria vista como alternativa. Friedman acha que não. E que o problema é a divisão partidária em Washington.

RECESSÃO HUMANA
Sob o título "Mercados emergentes tomaram o palco central em Davos", o "WSJ" resumiu o evento opondo as perspectivas divergentes de EUA e Brasil -expressas por Lawrence Summers e por Guido Mantega.
O conselheiro de Obama vê "recuperação estatística, mas recessão humana" nos EUA. O segundo "desenhou um dos melhores cenários" e afirmou que "o crescimento já está forte o bastante para retirar parte do estímulo".

NÃO É O ÚNICO
A "Economist" antevê, para a semana, uma operação de "resgate" [bail-out] da Grécia pela União Europeia. E "não é o único país da eurozona com finanças cambaleantes".

POR OUTRO LADO
No canal CNBC, no final da semana, o chefe da OCDE, o "clube dos ricos", declarou que "há risco de uma bolha de papéis em lugares como o Brasil ou a Índia e temos que ser cuidadosos". Insistiu que "é uma ameaça real".

SEQUESTRO DE CRIANÇAS
Por aqui, foi manchete no site da Reuters Brasil, mas mal noticiado por outros, "Haiti prende norte-americanos que deixavam o país com crianças". Os dez americanos tentavam sair do país com 33 crianças e são "suspeitos de participar de esquema ilegal de doações".
Nos EUA, Drudge Report e Huffington Post postaram a notícia no alto das páginas iniciais, com agências. Mas o "NYT" também mal registrou.

"AMAZONGATE"
O conflito entre "céticos" do aquecimento global e seus proponentes divide a mídia londrina. Depois que o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da ONU, admitiu que as geleiras do Himalaia não vão acabar até 2035, surge agora um "Amazongate", como apelidou o conservador "Telegraph".
Questiona os dados do IPCC prevendo desaparecimento de "até 40%" da floresta, com o aquecimento. No progressista "Observer", o ministro do meio ambiente declarou "guerra aos céticos".

JAPA GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Boticário se prepara para venda direta

FOLHA DE SÃO PAULO - 01/02/10


A empresa de franquias de cosméticos O Boticário se prepara para iniciar vendas porta a porta. A Folha apurou que, no segundo semestre de 2009, a empresa fez seleção para contratar profissionais de concorrentes do ramo de cosméticos e de companhias especializadas em vendas diretas de outros produtos, com a intenção de abrir um novo canal de vendas. Especialistas do mercado de venda direta afirmam que ainda não se sabe se O Boticário lançaria uma nova marca para vender produtos porta a porta ou se o próprio nome da empresa seria aproveitado. Questionado sobre a intenção de iniciar o projeto, o presidente do Boticário, Artur Grynbaum, nega. "Sempre buscamos complementar nossos quadros para reforçar o modelo de franquias. Não temos planos de vendas diretas. Gosto de estudar a venda direta, assim como gosto de estudar todos os canais de distribuição." Segundo a Folha apurou, a empresa realizou processo seletivo sigiloso, em que se identificava apenas como uma multinacional brasileira de bens de consumo. Havia vagas para atuar na área de vendas diretas, na região Sul, onde está localizada a sede do Boticário. Um profissional do mercado, que pediu para não ser identificado, informou que a contratante seria uma empresa do grupo Boticário chamada GKDS Cosmetics. O mercado vê com otimismo a entrada da empresa no segmento porta a porta. "Desconcentraria o mercado, hoje baseado em dois grandes "players", Natura e Avon", afirma Marcelo Pinheiro, da DirectBiz Consultants, consultoria especializada em venda direta. Nesta semana, a empresa inaugura um centro de distribuição com investimentos de R$ 85 milhões, em Registro (SP). O novo empreendimento aumenta em mais de 100% a capacidade de distribuição da marca. Tem 30 mil m2 de área construída e capacidade de expedição de 700 caixas por hora. A marca também investirá na ampliação da fábrica, em São José dos Pinhais (PR). A empresa tem hoje mais de 900 franqueados na rede. Em 2009, foram inauguradas 150 lojas, que totalizaram mais de 2.800 pontos no país.

CACHECOPA
De repente, aqui e ali, surgiram nos saguões do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, pessoas de diferentes nacionalidades com cachecóis nas cores azul, amarelo, verde, vermelho e branco. Era uma iniciativa da delegação sul-africana para divulgar a Copa do Mundo de 2010.

ASAS
Guilherme Paulus, dono da Webjet, recebeu proposta de compra de parte da empresa pela aérea irlandesa Ryanair, segundo a Bloomberg. As conversas devem ser retomadas a partir de março, quando está prevista a promulgação de nova lei para ampliar a participação permitida de estrangeiros em aéreas nacionais. No início de janeiro, o fundo americano Carlyle comprou a CVC, fundada por Paulus.

EM GRUPO
Novos negócios estão nascendo entre Dubai e Brasil. Dez universitários brasileiros e oito jovens dos Emirados Árabes Unidos formaram grupos mistos que desenvolveram planos de negócios apresentados ontem a um júri. Até março, os grupos detalharão os projetos e apresentarão em Dubai, de onde sai um vencedor para competir pelo prêmio de US$ 20 mil, que será investido no negócio ou em estudos. O projeto é patrocinado por Al Ahli Group -conglomerado dos Emirados. No Brasil, teve parceria da Universidade Quantum.

DIRETO DE DAVOS

Diretor do Itaú Unibanco espera aumento de regulação no setor


"Uma mudança vai haver. Temos que estar preparados. Vai ter que ter mais regulação [no setor financeiro], capital mínimo regulatório, novas regras de contabilidade para os bancos, além dos modelos de remuneração dos executivos." A opinião sobre as propostas do presidente Obama é de Ricardo Villela Marino, diretor-executivo responsável pelas unidades externas e pela área de pessoas do Itaú Unibanco. "Há uma tendência de taxar, de colocar mais regras. É uma medida popular que dará votos. Mas vai ter que passar pelo Congresso", disse. "Será algo mais alinhado com o interesse dos acionistas a longo prazo e ajustado ao risco." Marino frisa, porém, que é importante distinguir o que ocorre nos EUA e no Brasil. "É diferente. Nos EUA, houve falhas na gestão de risco, nas companhias que dão "rating", excesso de alavancagem do consumidor americano que, no final, teve de pagar a conta." Marino disse que participantes do Fórum Econômico Mundial neste ano estão "mais aliviados que em 2009. Mas, sabem que têm muito a fazer para evitar recessão de fundo duplo". Villela Marino teve encontros com importantes banqueiros estrangeiros no Fórum suíço. Com relação ao setor financeiro no Brasil, Marino diz que neste ano haverá crescimento da reversão de provisões que os bancos estão fazendo e queda da inadimplência em relação a dois anos anteriores.

Investimento substitui consumo, afirma HSBC

Os países emergentes despontaram como importantes responsáveis pelo restabelecimento da economia global durante a crise, segundo relatório do HSBC divulgado em Davos, com base em estudo sobre os mercados emergentes em 2009. "O Brasil está entre as nações emergentes que estão indo realmente muito bem", afirma Stephen King, economista-chefe do grupo HSBC. "Os preços das principais commodities voltaram a subir rapidamente, o que ajudou muito o país." De acordo com King, o investimento pode estar gradualmente substituindo o consumo como componente que mais contribui para o PIB. O ano de 2010 pode reproduzir o padrão de crescimento da demanda doméstica visto em 2007 e 2008. A inflação é citada como fator que merece atenção. "Apesar da recuperação consistente, revisamos nossa expectativa de inflação para este ano de 5% para 4,6%. A piora vista na inflação ainda não é suficiente para elevação de juros neste primeiro trimestre. Mas as chances de isso ocorrer crescem especialmente se não houver um aperto fiscal em 2010."

com JOANA CUNHA e ALESSANDRA KIANEK