quarta-feira, janeiro 20, 2010

FERNANDO RODRIGUES

Nuances entre Chile e Brasil


Folha de S. Paulo - 20/01/2010

Depois de 20 anos, o grupo ocupante do poder no Chile foi derrotado. Venceu a eleição presidencial o conservador Sebastián Piñera. Perdeu Eduardo Frei, apoiado pela atual presidente, Michelle Bachelet -cuja popularidade está na casa dos 80%.
Tucanos e petistas têm propagado analogias entre o processo eleitoral chileno e o brasileiro. No PSDB, o raciocínio hegemônico é só intuitivo. Lula tem aprovação de até 80%. Logo, não é certo que haverá transferência direta de votos do presidente para sua candidata ao Planalto, Dilma Rousseff.
Petistas rebatem. Apontam a possível fadiga de material sofrida pelo grupo de Bachelet após 20 anos contínuos no poder.
São observações políticas. Têm algum valor. Mas o aspecto mais relevante a ser considerado talvez seja outro: o estado da economia. No Chile, o clima geral é ruim.
Conforme relatou Thiago Guimarães para a Folha, o PIB chileno avançou a uma média anual de 6,6% nos anos 90. Caiu a 4,3% na primeira metade desta década. Sob Bachelet, o ritmo recuou a 2,7%. No ano passado, deve ter ocorrido queda de 1,6%. O desemprego em 2008 era de 7%. Agora está em 9%.
Ao votar, certamente o eleitor chileno levou em conta a parte mais sensível do corpo: o bolso.
No Brasil, o cenário é quase antípoda ao chileno. Quando Lula tomou posse, a taxa de desemprego rondava os 13%. Hoje, está perto de 8%. O PIB de 2009 estagnou, mas não é o recuo amargado pelos chilenos. Neste ano, o crescimento deve ficar na redondeza de 5%. Tudo coroado pelo Bolsa Família, distribuição de dinheiro a cerca de 50 milhões de pessoas pobres.
Como se observa, a condição objetiva da economia no Brasil é mais favorável ao governo. No Chile, deu-se o oposto. Essa conjuntura, por óbvio, não torna inexorável uma vitória do PT. Só é um fator não desprezível na comparação do quadro eleitoral dos dois países.

GOSTOSA

RUY CASTRO

Libido represada


Folha de S. Paulo - 20/01/2010
Na sexta-feira, em São Paulo, num confronto entre gangues na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte da cidade), um "soi disant" punk de 15 anos foi agarrado pelo braço por um grupo de skinheads idem dentro de um carro e arrastado por 60 metros pelas ruas. Sofreu traumatismo craniano, corte extenso no rosto, fraturas na fronte e nas costelas e lesões no fígado e nos rins.
Os skinheads alegam que o punk é que saltou na direção do carro para agredi-los com a ajuda de outros 20 punks. Na troca de acusações, os punks dizem que os skinheads não gostam deles, nem de negros, nordestinos e homossexuais. Mas os punks tampouco são famosos pelo convívio em sociedade.
No Rio, na mesma noite, um grupo de jovens, moradores do Grande Méier, marcou pela internet uma briga com a turma do Grajaú, também na zona norte carioca. O cenário seria uma praça no próprio Grajaú. Na hora combinada, a gangue visitante compareceu, armada de rojões, paus com prego na ponta, pedras, soco inglês.
Mas o bando local fez "forfait" -segundo consta, porque começara a chover forte- e isso revoltou os de fora. Os quais, para descarregar a tensão, descontaram em carros e lixeiras da praça e deram um teco em três garotos que passavam por ali. A polícia prendeu 25 dos vândalos, dos quais 16 menores. Em poucas horas, todos já estavam liberados e em casa, de pijama, prontos para tomar sua gemada e dormir.
Há algo meio fora de moda nesses jovens que marcam brigas, mesmo que pela internet. Dá a entender que só são valentes em quadrilha. Se não houver droga no pedaço, a explicação para tanta energia é uma tremenda libido represada. O que, em 1954 ou 1955, ainda era compreensível. Mas, hoje, com a libido de há muito liberada para fins imorais, homem que é homem não briga com homem.

CELSO MING

A população envelhece


O Estado de S. Paulo - 20/01/2010
Nunca na História a população mundial envelheceu tanto. Esse não é um fenômeno circunscrito a países avançados; atinge mais ou menos uniformemente o mundo inteiro. Terá consequências profundas em todas as dimensões da vida humana. E essa não é uma característica episódica da demografia mundial; é tendência duradoura.


São essas as quatro mais importantes conclusões do informe das Nações Unidas sobre a situação etária da população global que acaba de ser divulgado: Envelhecimento da população mundial - 2009 (World Population Ageing - 2009).

Em seguida, você tem outras observações feitas pelos especialistas das Nações Unidas:
Em 2009, seis países tinham mais da metade da população mundial com mais de 80 anos: China, Estados Unidos, Índia, Japão, Alemanha e Rússia. Em 2050, o Brasil será um deles, com 14 milhões de pessoas de 80 anos para cima.

Atualmente, uma pessoa em cada nove tem mais de 60 anos; em 2050, será uma em cada cinco. A população mundial cresce a um ritmo de 1,2% ao ano. Enquanto isso, o número de sexagenários aumenta 2,6%. Ou seja, tem mais gente envelhecendo do que nascendo.

Em 1998, os países ricos já tinham mais gente com 60 anos do que com 14. Em 2045, o mundo inteiro estará nessas condições. Em 1950, apenas 8% da população mundial tinha mais de 60 anos. No ano passado, já eram 11%. Em 2050, serão 22%.

No segmento com 60 anos ou mais, a faixa etária que mais cresce é a dos 80, a um ritmo de 4% ao ano.

A idade média da população mundial é 28 anos. Dentro de 40 anos, esse marco divisório saltará para a faixa dos 38 anos. O campeão em média de idade mais avançada é o Japão, com 44 anos. O país mais jovem é o Níger, com 15 anos.

Em 1950, a expectativa de vida da população mundial era de 48 anos. No ano passado, essa média saltou para 68. Nos países ricos, quem chegou aos 60, tende a avançar aos 80, se for homem; e aos 82, se for mulher. Nos países em desenvolvimento, a média cai para 75 anos para homens e 77 para mulheres.

Como é fato há muito conhecido, na média, as mulheres vivem mais do que os homens. Mas a proporção em que isso acontece hoje é novidade: a população feminina com mais de 80 anos é quase o dobro da população masculina.

O arquiteto Oscar Niemeyer está longe de estar sozinho no clube dos centenários. No ano passado, 454 mil pessoas no mundo já haviam passado dos 100. Em 2050, serão 4 milhões, aumento de 780%. Em relação aos velhinhos centenários, as mulheres são entre quatro e cinco vezes mais numerosas.

Longe de ser apenas uma sopa de estatísticas, essas mudanças nas condições etárias do mundo terão consequências cuja importância será muito maior do que simplesmente o aumento em 2,6% ao ano das vagas preferenciais para idosos em bancos, cinemas e shopping centers. Muita coisa vai mudar na economia, na relação de poder, no planejamento urbano, na saúde pública e na política de lazer. Possivelmente mudará inclusive o próprio conceito de idoso. Mas essas considerações ficarão para outra edição.

Confira
Te cuida, Redrado! - Até mesmo a oposição argentina não se sente à vontade para segurar Martín Redrado no cargo de presidente do Banco Central da República Argentina.


Dois políticos importantes da oposição, o presidente do Partido Radical, senador Ernesto Sanz, e o vice-presidente da Câmara dos Representantes, Ricardo Alfonsín, sugeriram segunda-feira que Redrado entregue o cargo.

"É difícil sustentar essa situação. É preciso que haja uma boa relação entre o Poder Executivo e o presidente do Banco Central", declarou Alfonsín ao diário La Nación.

GOSTOSA

JANIO DE FREITAS

Lá para cá diferenças há

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10

A máquina e o peso do governo não foram fatores eleitorais no Chile; no Brasil de Lula, são o principal fator

ERA FATAL: se o candidato da direita perdesse a eleição no Chile, consolidaria a tese de que um presidente com alta aprovação transfere votos ao candidato governista; se vencesse, como Sebastián Piñera venceu, seria uma advertência para Lula, que "já está preocupado" enquanto "a oposição se regozija". As deduções se repetem. Mas em nenhum dos casos se justifica qualquer equivalência entre a disputa chilena e a perspectiva eleitoral brasileira.
Duas de várias razões já asseguram a incompatibilidade das situações de lá e de cá. A primeira delas é a atitude mantida por Michelle Bachelet, que cumpriu sem desvio algum o preceito de que aos presidentes cabe presidir as eleições. Permitiu-se no máximo, já no segundo turno, uma palavra de eleitora favorável a Eduardo Frei, de cuja escolha como candidato Bachelet nem participou.
Detentora da melhor avaliação entre todos os presidentes das Américas, com 85% de aprovação pessoal, Bachelet não conseguiu fazer um governo de sucesso. Tal como se dera com seu antecessor, o respeitado Ricardo Lagos. As resistências dos setores influentes projetaram dificuldades políticas que mantiveram o governo, sempre, aquém das expectativas da população. Dois problemas muito sérios no Chile, que são a previdência social e o sistema educacional deformados no tempo de Pinochet, não receberam as esperadas reformas e foram causa permanente de agitação, até com violência. E as camadas de pobreza e miséria não foram satisfeitas pelo chamariz do assistencialismo.
Em resumo, a máquina e o peso do governo não foram fatores eleitorais no Chile. No Brasil de Lula, são o principal fator.

Comprovação
A queixa telefônica feita por Lula a Barack Obama ontem -o Brasil "está sobrecarregado" no Haiti- confirma a mesquinhez das reclamações e insinuações do governo brasileiro, à frente o ministro Celso Amorim, em relação à prevalência brasileira que os Estados Unidos estariam usurpando, com sua presença tão maior por lá.
Reduzir as urgências da tragédia e do sofrimento a questiúncula política, e ainda por cima sem ter condições reais de nem sequer argumentar, faz pensar que essa história de Brasil potência já passa da imaturidade ao patético.

O impostor
É nenhuma, e deveria ser a maior possível, a providência dos Ministérios das Relações Exteriores e da Justiça diante do que disse o cônsul do Haiti em São Paulo, o branco libanês George Samuel Antoine, a respeito de negros em geral. Trata-se de um racista extremado e grosso, cujas palavras, que não posso reproduzir, se ditas por um brasileiro acionariam as penas da Lei Afonso Arinos.
Esse cônsul impostor de um país de negros agrediu também os negros todos deste país de negritude com origem idêntica à dos haitianos. A única atitude responsável e digna por parte dos dois ministros, Celso Amorim e Tarso Genro, é a expulsão sumária desse George Samuel Antoine, que nem insultou só os negros, mas o Brasil como "todo país que tem africano".

JOSÉ NÊUMANNE

O fantasma da vingança espreita a eleição

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/01/10


A polêmica provocada pelo decreto criador do 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH) mostra que ainda não acabou a cesura que remonta às origens do Partido dos Trabalhadores (PT) sobre a natureza da democracia pretendida por seus militantes. Será a clássica democracia burguesa de controles e contrapesos exigidos pelos Pais Fundadores da Revolução Americana de 1783, com a adoção de três Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) autônomos e soberanos, fórmula do francês Montesquieu? Ou a direta, a ser exercida por consultas permanentes à cidadania por plebiscitos e referendos e por conselhos compostos por delegados (neste debate se tem lembrado que soviet significa conselho em russo)? A diferença entre as duas é que a primeira é obviamente imperfeita e a segunda, impossível de ser praticada, tal como define seu significado semântico, conforme disse o cientista político Leôncio Martins Rodrigues em entrevista a este jornal, domingo.

A dúvida traz outra à baila: será a eleição dos mandatários do Executivo e dos representantes do cidadão no Legislativo o momento crucial do exercício do poder pelo povo, como determina a Constituição (no caso do Brasil, mais do que isso, pois nossa democracia é exclusivamente eleitoral), ou apenas um pretexto para galgar o poder e de lá submeter a Nação às próprias convicções? A resposta a essa pergunta é fundamental neste momento em que o País se prepara para viver a sexta escolha direta do chefe do Poder Executivo desde o fim da vigência do acordo negociado na cúpula para a extinção do regime autoritário e sua substituição por um Estado Democrático de Direito, nos moldes definidos na velha democracia burguesa. Luiz Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Palácio do Planalto impulsionado por duas votações que manifestaram a inequívoca vontade da maioria do eleitorado de vê-lo no poder. Seu talento inato para se comunicar com o cidadão comum o tornou o mais popular governante do Brasil desde Tomé de Souza e com parcas chances de vir a ser superado nisso, a julgar pelos quadros atuantes na política e na gestão pública.

Lula fez-se conhecer como dirigente sindical desatrelado do peleguismo no controle da organização dos trabalhadores pelo PTB de Getúlio Vargas e do anarcocomunismo que dirigia o sindicalismo antes das greves do ABC, nos anos 70. Incorporou-se à tradição conciliadora que moldou o estilo de importantes homens públicos brasileiros: dom Pedro II, Bernardo de Vasconcelos, Getúlio Vargas e Tancredo Neves. A primeira conciliação, mercê de seu talento para o ecumenismo, deu-se já na fundação do PT. Antes, dizia-se que a esquerda brasileira só se unia na cadeia. Sob sua égide se reuniram egressos de grupos guerrilheiros de posições inconciliáveis com líderes sindicais apartidários (caso dele próprio) e a esquerda católica, dividida entre políticos "progressistas" da democracia cristã e militantes da Teologia da Libertação, em comunidades eclesiais de base e pastorais.

O tão decantado carisma de Lula e sua habilidade de milagroso domador dos gatos desse incrível saco foram insuficientes para levá-lo ao poder e à glória de agora nas três tentativas que fez antes de chegar à Presidência - a primeira contra Collor e outras duas contra Fernando Henrique Cardoso. O milagre da ascensão ao topo do poder só foi possível com a segunda conciliação, fruto de seu oportunismo e iniciada com o abandono do programa socialista, que unia apenas os três grupos originais do PT, e a adoção de um discurso de austeridade fiscal e combate à inflação da era pós-Palocci. O desgaste dos laços que atavam o saco de gatos, amarrado pelos pretensos social-democratas sob Fernando Henrique, permitiu a Lulinha Paz e Amor promover a segunda e ainda mais bem-sucedida conciliação com a escória da velha política brasileira, que os petistas de antanho chamavam de "isso que está aí". A reverência que o atual presidente fez ao ex Sarney, ao evitar a degola dele na presidência do Senado, teve natureza simbólica, pois a certeza do clã maranhense de que o candidato tucano à sucessão de Fernando Henrique, José Serra, tivera papel decisivo na perseguição à herdeira do chefão, Roseana, no episódio da descoberta de dinheiro vivo em seu comitê eleitoral, foi determinante para a desistência da candidatura por ela. E a senha oportuna para a velha plutocracia mudar de palanque, como agora para beijar a mão da guerrilheira aposentada Dilma Rousseff.

É claro que a fisiologia descarada só se curva hoje à Utopia derrotada na guerra suja, mas vitoriosa no confronto ideológico, seja com a direita que desabou com a ditadura, seja com os liberais da pusilânime aliança PSDB-DEM, porque não quer largar o osso do poder. Nisso, aliás, imita o mais poderoso, Lula, que quer eleger a chefe da Casa Civil na convicção (talvez ilusória) de que será conviva de honra nos banquetes da fortuna e da glória depois da posse de quem lhe suceder.

Há, contudo, entre o criador e a criatura mais diferenças do que pode supor sua débil filosofia. Uma delas é que, por menos que saiba disso, o matreiro Lula ajudou a derrubar o autoritarismo de cima do palanque do Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo, tornando-se, com todas as honras, herói desta democracia que está aí, por mais imperfeita que ela possa ser. E a guerrilheira desalmada e desarmada participou de um processo de enfrentamento militar que só prolongou a longa noite dos porões. E, depois, penetrou no centro das decisões no vácuo do chefe. Isso induz democratas assustados a imaginar que o 3º PNDH seja um projeto de vingança a ser realizado em seu eventual, embora provável, futuro governo. Enquanto ela não esclarecer isso com todas as letras, este fantasma que reabre feridas já cicatrizadas faz tempo continuará a nos espreitar.

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

GOSTOSAS DO TEMPO ANTIGO

EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO

Lula e as centrais

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10


UMA MEDIDA tramada na surdina pelo governo Lula deve garantir, ao menos ao longo do ano eleitoral de 2010, o direito de centrais sindicais nanicas à participação na divisão do bolo do imposto sindical.
Uma portaria do Ministério do Trabalho, de 2008, exigia, a partir deste ano, que uma central representasse ao menos 7% dos trabalhadores sindicalizados no país para ter direito aos recursos repassados pelo governo. Posta em prática, significaria o fim da benesse para três das seis centrais hoje reconhecidas.
Ao mesmo tempo, a lei que legalizou as centrais sindicais, também de 2008, previa um piso de representatividade menor, de 5%, até dois anos depois de sancionada, quando passaria a valer a exigência dos 7%. O prazo vence em março.
A manobra do governo consiste em revogar o trecho da portaria que estipulava o limite maior já em 2010 e, simultaneamente, interpretar que o novo piso só passa a valer em 2011, já que o prazo de 24 meses da lei cai "no meio de um exercício".
Enquanto isso, as centrais nanicas correm para incorporar novos sindicatos às suas siglas. É compreensível o esforço. Não há dados consolidados para 2009, mas, entre janeiro e julho, as entidades embolsaram R$ 74 milhões do imposto sindical.
A dependência de recursos públicos desvirtua o sindicalismo. Em vez de instrumento legítimo para negociações trabalhistas, a máquina sindical passa a servir aos interesses dos dirigentes que nela se encastelam.
Opera nesse campo um dos traços arcaicos da gestão Lula, que busca atrelar ao Estado, com repasses de verba e outros privilégios, vários grupos de interesse. Tal método tem custado caro ao país, tanto por pesar sobre o Orçamento quanto por desvirtuar os objetivos, e por comprometer a independência, de associações típicas da sociedade civil, como as centrais sindicais.

PAINEL DA FOLHA

"O máximo possível"

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10


Para cumprir à risca o discurso de Lula, para quem "é importante inaugurar o máximo de obra possível" antes que Dilma Rousseff troque a Casa Civil pela campanha, o Palácio do Planalto preparou uma agenda com pelo menos 11 inaugurações até o fim de fevereiro. Juntos, o presidente e a ministra-candidata passarão por sete Estados alardeando o PAC.
A lista de eventos vai de um centro de tecnologia em Porto Alegre à "última turbina" da hidrelétrica de Baguari (MG). No caminho, há uma usina de etanol no Pontal de Paranapanema (SP) e uma fábrica de celulose em Três Lagoas (MS). Isso sem contar as escalas em Davos e no Fórum Social Mundial.


Ritmo. Em janeiro do ano passado, Lula fez quatro viagens pelo país, nenhuma a título de inauguração.

2014? Antes de anunciar que pretende voltar ao Vale do Jequitinhonha quando deixar o governo, o presidente já havia comentado com auxiliares que planeja passar seis meses viajando pelo país, numa espécie de nova versão das Caravanas da Cidadania.

Galhos. No discurso em Minas, Lula manifestou preocupação especial com uma árvore dentro de um lago: "Vai que eu venho aqui com meus 70 anos, dou um mergulho e me engancho numa árvore? O presidente morre afogado numa barragem que ele fez".

%#@*&!. Pouco antes de ir às lágrimas ao afirmar ser "mineira de alma", Dilma falou reservadamente cobras e lagartos do tucano Eduardo Azeredo, um dos que tripudiou sobre sua "mineirice".

Origens. Tucanos mineiros voltaram a chiar: "A ministra nasceu no Estado, mas nunca teve vínculos aqui. Não fica bem ela se lembrar de Minas só na hora da campanha", disse Danilo de Castro, secretário de Governo do Estado.

Na rede. A oposição prepara uma nova leva de ações na Justiça acusando o governo de propaganda eleitoral antecipada. O principal alvo é o blog do Planalto, que ontem dizia: "A partir de agora não há espaço para retrocesso".

Vento. Aliado de primeira hora do ex-prefeito Fernando Pimentel (PT), o presidente do PT mineiro, Reginaldo Lopes, defendeu ontem o ministro peemedebista Hélio Costa (Comunicações) para vice de Dilma. Até a semana passada, ele dizia que "as candidaturas do PT e do PMDB no Estado estão em fase de diálogo".

Forcinha. Ao fazer gestos pró-Dilma, o PDT espera, em troca, atenção especial de Lula ao Paraná, onde o pré-candidato Osmar Dias flerta com partidos da oposição.

Tabuleiro. O senador Cristovam Buarque (PDT) e Agnelo Queiroz (PT) voltaram a negociar ontem uma aliança para disputar o governo do Distrito Federal. "Não quero uma aliança só com a cúpula do PT. Quero que a base do partido se envolva na campanha", disse o pedetista, que sonha com um aceno de Lula para se lançar candidato.

Banco. Tão logo o vice Paulo Octávio (DEM) anunciou que não disputará a eleição para o governo do DF, o DEM começou a articular a candidatura do deputado Alberto Fraga, secretário de Transportes de José Roberto Arruda.

Olho vivo. Aliados do governador Jaques Wagner (PT-BA) monitoram o novo blog do peemedebista Geddel Vieira Lima (Integração), seu adversário no Estado. E fazem circular no Palácio do Planalto cada vez que ele "esquece" de elogiar Lula.

Bloco na rua. A Secretaria de Comunicação da Presidência apresenta amanhã na reunião ministerial o "Portal do Brasil", site que reunirá informações sobre todas as áreas do governo.
com LETÍCIA SANDER e MALU DELGADO

Tiroteio

"Agora a Dilma vai ter que comer churrasco com pão de queijo."
Da deputada MARIA DO ROSÁRIO (PT-RS), sobre a declaração da ministra, segundo quem "sua alma é mineira" apesar de ter vivido no Sul.

Contraponto

Eu, Robô


O senador Delcídio Amaral (PT-MS) passava férias em Florianópolis, na virada do ano, quando um grupo de políticos catarinenses comentava a onda de denúncias no final do ano no Estado. Primeiro, foi a vez da árvore de Natal de R$ 3,7 milhões, suspeita de superfaturamento. Depois, denúncias de corrupção contra o vice-governador Leonel Pavan (PSDB).
-É a campeã dos vexames!-, cutucou Delcídio.
Um aliado que ouvia atentamente os relatos lembrou uma história ainda mais intrigante para riso geral:
-Pior foi o robô da feira de engenharia e tecnologia que tossiu em público..

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

JOSÉ SIMÃO

SPFW! Jesus ressuscitou de jeans!

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10


E diz que ele vai ser modelo e DJ: ou seja, bicos; profissão mesmo é comer a Madonna


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Grafite em Pouso Alegre: Marx morreu, Freud morreu, Cristo morreu, e eu não passo muito bem! Rarará! E vocês já viram uma pessoa com colesterol fazendo supermercado? Gosto, mas não posso, gosto, mas não posso, gosto, mas não posso e posso, mas não gosto. Rarará!
E, na Bahia, tem o Centro Cultural Rolinha Preguiçosa. Se fosse em São Paulo seria Rolinha Estressada! E a terra treme! Acho que o mundo tá com o motor vazando. Precisamos de um mundo zero bala. América Central treme, Argentina treme, Taiwan treme! A Madonna esqueceu o vibrador ligado!? Rarará! A Lady Gaga soltou um pum?! E a pergunta dum amigo: se der terremoto na Argentina, o mundo vai fazer vaquinha como pro Haiti? Rarará!
E socuerro! Eu vi Jesus. No Fashion Week, mas vi. O Faxion Bixa tá bombando! Jesus ressuscitou no Faxion Bixa. De jeans! A mídia diz que ele vai exercer suas duas profissões: modelo e DJ. Ou seja, bicos. Profissão mesmo é comer a Madonna! Rarará! E chega com um esquema de segurança igual ao da Madonna! Se o Jesus original tivesse tido essa segurança, o rumo da história teria sido outro. Taria vivo até agora!
E já tem até boneco do Jesus Luz. Com aquela camiseta "Jesus te ama"! Sim, Jesus me ama, mas eu prefiro a Madonna. Jesus me ama, mas eu prefiro a Mulher Melancia! Rarará! E top model ganha por passo! Cada passo uns dez mil dólares. Se eu ganhasse por passo, eu ia e voltava da padaria mil vezes por dia.
E eu vou abrir o Ministério das Perguntas Cretinas. Olha o discurso do Lula: "Quando os rios enchem, a água vai pro mar. E aí eu fico pensando: e se o mar encher, a água vai pra onde?". Rarará! O Lula não tá mais falando de improviso. Tá pensando de improviso!
E eu falei que a Portuguesa não tem torcida? Tem sim. Torcida organizada com o prosaico nome Grêmio Esportivo Recreativo Cultural Leões da Fabulosa! É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Ubatuba tem uma placa Cruzamento Perigoso. E aí picharam embaixo: então usa camisinha. Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Encerrar": levar o Serra de volta pro caixão! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

MERVAL PEREIRA

Forjando a união

O GLOBO - 20/01/10


O governador de Minas, Aécio Neves, deu mais um passo na construção de uma imagem de liderança nacional ao definir claramente sua participação na campanha presidencial como sendo, sem tergiversações, no campo da oposição. A partir da definição de que seu projeto pessoal está intimamente ligado ao projeto nacional do PSDB, e que a unidade da oposição é o pressuposto para a vitória na sucessão de Lula, o governador mineiro deu consequência ao discurso político que vem desenvolvendo desde que decidiu desistir da précandidatura à Presidência

Considerar Aécio Neves um ingênuo ou um político afoito e irresponsável é cometer um grave erro, e os petistas parece que caíram nessa esparrela. Passaram a difundir que o governador mineiro estaria magoado com seu partido e que faria corpo mole na campanha presidencial para não dar apoio à candidatura do governador paulista, José Serra.

Esse raciocínio político tosco não leva em conta que Aécio retirou-se da disputa para se tornar protagonista da decisão tucana. Fez um movimento estratégico que o colocou como um líder com visão de futuro, e não como aquele que provoca uma divisão partidária por interesses imediatistas.

O que o torna o fiel da balança para uma decisão tucana é que seu peso político em Minas e em outras regiões do país, como o Rio, pode não ser suficiente para colocá-lo na liderança das pesquisas, mas é grande o bastante para definir uma eleição nacional.

E esse apetite pela política nacional ele tem demonstrado nas conversas dos últimos dias, com informações atualizadas sobre a situação de diversos estados.

Mas a cada dia que passa Aécio demonstra que sabe que não pode ter dimensão nacional se não cuidar de sua seara política local, e por isso não basta a ele se eleger senador, ou mesmo eleger Antonio Anastasia o governador de Minas.

Por um desses golpes do destino, a candidata adversária Dilma Rousseff é mineira de nascença, embora tenha feito sua vida profissional e política fora do estado.

Minas tornou-se então um ponto fundamental da disputa eleitoral. Juntandose a isso o fato de que o PT mineiro tem uma estrutura forte no estado, e dois candidatos importantes, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, “o pai” da Bolsa Família, e o exprefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, temos aí um desafio e tanto para a liderança de Aécio Neves.

Mesmo tendo a eleição para o Senado garantida, de nada servirá a Aécio ser um senador de uma bancada minoritária e fraca, com o PT governando o país e seu estado ao mesmo tempo.

Mesmo elegendo o governador, se a candidata oficial vencer a eleição, com votação forte em Minas, o senador Aécio ficará enfraquecido em Brasília, e o Senado deverá continuar sendo presidido pelo PMDB.

Ao evitar receber o presidente Lula em Minas para a inauguração da barragem em Jenipapo de Minas, no Vale do Jequitinhonha, a região mais pobre do estado, o governador mineiro deixou claro que não alimentará a campanha de Dilma com posições ambíguas.

Como vem acontecendo com frequência alarmante nesses últimos meses, a inauguração transformou-se em campanha eleitoral aberta, com a candidata travestida de ministra fazendo terrorismo eleitoral contra a oposição. As críticas à inoperância do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) transformaram-se, no palanque governista, em ameaça de acabar com o programa em si, como se a barragem que acabava de ser inaugurada pudesse não existir se a oposição estivesse no governo.

Uma amostra de que a disputa será mais que vigorosa, e que o governador mineiro, assim como o paulista, terão que competir com obras com o governo federal antes de se desincompatibilizarem no final de março.

O presidente Lula já anunciou que pretende inaugurar, com Dilma a seu lado, “o máximo de obras possível” até o último prazo legal.

A postura mais engajada do governador mineiro no projeto nacional do PSDB dispensaria até mesmo a alternativa de ele vir a ser o vice numa chapa tucana purosangue. Mas, na entrevista que deu esta semana, o governador Aécio Neves abriu uma brecha na até então irremovível barreira que colocava a essa possibilidade, embora continue negando-a.

Mais importante do que ter dito que “irreversível é só a morte”, foi o governador colocar a questão em termos de ajudar a vitória de Serra à Presidência, no mesmo plano da eleição de governador do estado: “Não acho que eu possa ajudar mais a candidatura do PSDB do que estando em Minas Gerais, eventualmente como candidato ao Senado, ajudando a dar a vitória ao nosso candidato ao governo em Minas Gerais e ao nosso candidato à Presidência da República”.

Nesses termos, se a continuidade da campanha eleitoral demonstrar que a presença de Aécio Neves na chapa do PSDB é mais interessante para o projeto nacional do partido do que sua candidatura ao Senado, ele terá condições de rever sua posição.

Mais uma vez, como na renúncia à pré-candidatura, ele será o senhor da decisão, em uma estratégia de convergência de interesses, e não de divisão.

Ao contrário do que escrevi aqui ontem, o ex-presidente do Chile Eduardo Frei Montalva, pai do candidato derrotado da Concertação Eduardo Frei — também ex-presidente chileno — morreu em um hospital e não na prisão.

Tendo se transformado em opositor do golpe militar que colocou o general Pinochet no poder, Eduardo Frei Montalva foi envenenado, e a prisão dos acusados pelo crime foi decretada na reta final da eleição, dez anos depois de iniciado o processo.

GOSTOSA

ANDRÉ MELONI NASSAR

Um funeral para o agronegócio

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/01/10


Lendo o decreto do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e os esclarecimentos sobre como o processo de consulta à sociedade foi feito, sou induzido a chegar à seguinte conclusão: o agronegócio não interessa à sociedade e ao governo brasileiros, pelo menos sob a perspectiva de garantia de direitos humanos. Diria, portanto, que conceitualmente o PNDH-3 enterra o agronegócio e atesta seu óbito no Decreto 7.037, datado de 21 de dezembro de 2009.

Os argumentos para o funeral do agronegócio, extraídos do atestado de óbito: o agronegócio contribui para, potencialmente, violar o direito de pequenos e médios agricultores e populações tradicionais; seus componentes, as monoculturas da cana-de-açúcar, do eucalipto, da soja e a grande pecuária (não sabia que havia a pequena pecuária), fazem mal ao meio ambiente e à cultura dos povos e comunidades tradicionais. Ainda estou meio fora de prumo com o julgamento do agronegócio que é apresentado no PNDH-3.

Por mais que tente colocar-me no lugar das pessoas que participaram da elaboração do PNDH, tenho dificuldades em enxergar esse "agronegócio do mal" refletido no programa. Posso entender que exista uma corrente neste governo que acredite em outro modelo de produção agropecuária e florestal. Vá lá. Mas daí a afirmar que o agronegócio vai contra os interesses do Brasil em direitos humanos me parece algo fora de propósito e baseado numa hipótese heroica - ou seja, impossível de ser provada -, a de que a produção agropecuária não baseada no agronegócio (seja lá o que isso for) respeita os direitos humanos e o meio ambiente. Difícil de acreditar.

As manifestações passionais sobre o agronegócio que aparecem no PNDH não são fato isolado. A contestação do modelo que o Brasil seguiu na produção de alimentos, fibras, biocombustíveis e matérias-primas industriais de base agrícola e florestal tem se repetido em outros fóruns e ocasiões. O PNDH, a meu ver, foi o canal encontrado para tentar (espero que sem êxito) criar instituições que viabilizem a implantação de um novo modelo. Se, de fato, a sociedade brasileira fosse capaz de se imaginar com um modelo de produção agropecuária e florestal do tipo do da Índia, que é o que os contra-agronegócio, no fundo, defendem, ela barraria qualquer tentativa de enterrar o agronegócio como o conhecemos hoje.

O interessante é que o agronegócio nem sempre foi visto como vilão. É uma espécie de moda: daqui a algumas estações, muda a tendência de novo. Se o funeral do agronegócio foi em 2009, seu surgimento ocorreu em 1990, tudo registrado no livro Complexo Agroindustrial: o Agribusiness Brasileiro. Foi uma morte precoce, não? À época, os autores do livro nem poderiam imaginar que definir as cadeias produtivas de base agrícola e florestal como agronegócio produziria seu próprio calvário 20 anos depois. Deve haver alguma explicação no inconsciente coletivo dos "esclarecidos brasileiros". Colocada a designação agronegócio, já se ganha a pecha de algo ruim, que a sociedade brasileira não merece.

A despeito da nossa memória curta, o agronegócio brasileiro já teve seus dias de glória. Há dez anos era ovacionado mundo afora. Ninguém conseguia entender como um agronegócio tão jovem pôde ter crescido tão rápido. Foi nessa época que um sem-número de estrangeiros passou a conhecer o Brasil mais de perto. Mas não era apenas fora do Brasil que havia essa admiração. Aqui dentro, também. Dizia-se que o agronegócio era responsável por gerar divisas para o balanço de pagamentos brasileiro. Reconhecia-se que o setor havia trazido desenvolvimento para o interior do País, financiando as atividades econômicas que permitiram o nascimento de diversas cidades. E se via o agronegócio como uma solução para parte dos problemas dos agricultores familiares, porque, por meio das cadeias agroindustriais organizadas, estes tinham acesso ao mercado.

Ao longo dos anos 2000 as coisas foram mudando. Ganharam força no governo as linhas de pensamento que acham que um modelo de produção agropecuária baseado em milhões de pequenos produtores seria ambiental e socialmente melhor. Eu não acredito nisso. Os resultados do Censo Agropecuário de 2006 ilustram bem a situação. Até para poder reafirmar as classificações de tipos de produtores definidas no passado, o censo de 2006 trouxe dados de agricultores familiares e assentados em separado. Na grande maioria dos produtos, o censo indica que a produtividade (quantidade de produto por unidade de área) dos agricultores assentados é menor que a da média dos agricultores familiares e comerciais. Isso indica que uma agricultura estruturada em pequenos agricultores pode até ser boa para segurar o homem no campo, mas não será boa para o consumidor urbano.

Os casos da China e da Índia, que têm um modelo de agricultura parecido com o ideal do grupo antiagronegócio, são ilustrativos. A pobreza no campo é muito maior que no Brasil, os problemas ambientais são muito mais profundos, porque os produtores utilizam tecnologias rudimentares de produção. O consumidor urbano tem problemas de segurança alimentar porque o setor agrícola produz menos do que o país consome. O governo é obrigado a gastar enormes quantidades de dinheiro subsidiando o produtor e o consumidor, perpetuando uma agricultura de baixa produtividade, e não consegue fazer políticas de renda no campo porque o contingente de pessoas vivendo na pobreza no meio rural é muito grande.

Cobrar as responsabilidades sociais e ambientais do agronegócio faz sentido. Carrear grande parte dos subsídios agrícolas para fortalecer os agricultores familiares, também. Criar instituições baseadas na hipótese de que o modelo de agronegócio é ruim para a sociedade brasileira é um erro. Já devíamos saber disso aqui, no Brasil.

André Meloni Nassar é diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações
Internacionais (Icone) E-mail: amnassar@iconebrasil.org.br)

ARI CUNHA

Termoelétrica vinda de Cuba

CORREIO BRAZILIENSE - 20/01/10


Passando pelo Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), lá está uma estação termoelétrica. Brasília tinha apenas uma linha, com energia de Serra Dourada. Fidel Castro contatou Israel Pinheiro. Pediu avião da FAB para apanhar presente em Havana. A Novacap, na época, fazia qualquer importação sem passar pela Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil (Cacex). Era controle direto do dr. Israel mandar avião com funcionários. E foi feito, para Cuba. Na volta, chegou antes da inauguração a pequena estação enviada por Fidel Castro. Pequena, mas de grande serventia. Instalada, ainda hoje funciona com modernidade adquirida nos mais de 50 anos de construção de Brasília. É passar por lá e ver o presente de Cuba à inauguração da capital do Brasil.


A frase que não foi pronunciada

“Os abusos, como os dentes, não se arrancam sem dores.”
Dona Dita, que sonha com a punição aos corruptos.


Turismo
Museus federais recebem reforço financeiro pelo programa de qualificação: R$ 2 milhões para reforma e acessibilidade, folhetos em três idiomas, preparo de profissionais e equipamentos mais modernos. A novidade é uma tela portátil em que deficientes auditivos verão pela linguagem dos sinais a explicação sobre os objetos e os fatos históricos.

Suína
Ao todo, foram 83 milhões de doses. A vacina contra a gripe suína chegou e está no Instituto Butantã. A campanha de vacinação vai acontecer em março. A expectativa do ministro Temporão é ter a população vacinada até junho.

Tremor
Mais um registro na escala Richter. Em 2007, foram quase 7,0 graus. Ano passado, no mês de abril, alcançou 4,3 graus; agora, outro terremoto assusta a população da costa oeste de El Salvador e Guatemala, alcançando 6,0 graus na escala de Richter.

Prevenção
Começam ainda este mês a funcionar as regras do fator acidentário de prevenção. Elas serão referência no cálculo da contribuição pelas empresas para o seguro por acidente de trabalho. Menos acidentes, menos taxas.

Democracia, já
Partido Comunista Chinês e PT têm encontro marcado nos primeiros dias de fevereiro. Trata-se do seminário Brasil e China: propostas para uma nova ordem internacional.

Mancada
Aécio Neves precisa avaliar o material publicitário antes que seja publicado. Nem os partidos nanicos começam uma campanha dizendo: “Você não deve me conhecer...” Foi pouco positivo.

Na mosca
Em compensação, em entrevista, o governador mineiro foi contundente nas declarações contra o aparelhamento e a ineficiência do atual governo. Principalmente no loteamento da máquina pública por filiação partidária.

De olho
Controle sobre os convênios. Esse é mais um objetivo do presidente do TCU, Ubiratan Aguiar. Os recursos da União repassados aos estados, aos municípios e ao DF precisam de clareza na prestação de contas. O Siafi deve viabilizar o intento. A Ouvidoria do TCU disponibilizou o número 0800-6441500 para denúncias contra o mau uso de verba pública.

Comunicação
Repórteres que cobrem o terremoto no Haiti levam aparelho de telefonia por satélite. Acoplam a pequena parafernália ao computador, apontam para o céu e assim se faz a comunicação.

História de Brasília

Uma vala aberta na Quadra 31 está ameaçando a liberdade da criançada. As manilhas não foram colocadas, o trabalho foi suspenso. O prejuízo é dos moradores. (Publicado em 22/2/1961)

JAPA GOSTOSA

ELIO GASPARI

Temporão precisa dedetizar o cartão SUS

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/01/10


Em dez anos, o Ministério da Saúde torrou R$ 400 milhões aplicando má gestão a uma boa ideia


ENTRE O MUNDO encantado da propaganda e o abismo dos fracassos, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tem um abacaxi de R$ 590 milhões sobre a mesa. Ele se chama Cartão Nacional de Saúde, ou cartão SUS. O ministro pode descascá-lo ou comê-lo inteiro, como preferir.
Pela propaganda do seu ministério, o cartão "é um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ao usuário, ao profissional que os realizou e também à unidade de saúde onde foram realizados". "É", coisa nenhuma. Talvez fosse, seria ou será. Por enquanto, o cartão SUS é apenas um desastre que merece ser estudado por pesquisadores da má administração pública e da esperteza dos fornecedores de equipamentos de informática.
A ideia de um cartão que armazenasse todas as informações médicas de um cidadão surgiu no tucanato. A ideia era boa, mas estava condenada a percorrer os caminhos onde estão os intere$$es das empresas fornecedoras de serviços e equipamentos de informática à Viúva. Ao verbo da promessa seguiu-se uma verba para fornecedores de equipamentos. Foram R$ 89,2 milhões, arrematados por duas empresas, numa licitação acusada de direcionamento. Pelo plano, 10 mil máquinas iriam para 44 cidades de um projeto-piloto e a novidade racionalizadora começaria a funcionar em 2001. Passados dez anos, a Viúva gastou R$ 327 milhões e a Unesco botou R$ 74,3 milhões na iniciativa. Total: R$ 401 milhões, desprezando-se os R$ 48,1 milhões guardados no orçamento deste ano.
O repórter Dimmi Amora mostrou o que aconteceu com esse ervanário. Uma inspeção feita em 7 das 44 cidades do projeto-piloto revelou que, das 1.937 máquinas distribuídas, só 7 funcionavam. Prensaram-se 1,1 milhão de cartões, mas pelo menos 346 mil estão engavetados.
Triunfal, o Ministério da Saúde informa que o doutor Temporão "ordenou, em 2008, a reformulação do cartão, principalmente na adaptação tecnológica". Talvez o ministro fizesse melhor chamando a polícia, sem reformular coisa alguma, muito menos na "adaptação tecnológica" de um projeto que clama pela ajuda humanitária da medicina orçamentária. No final de 2005, quando o plano já tinha naufragado, o Ministério da Saúde estendeu-o para as cidades de Fortaleza e Aracaju com um contrato de R$ 11,8 milhões, sem licitação.
Depois de se gastar meio bilhão de reais numa coisa que não funciona, o melhor que se tem a fazer é investigar o que aconteceu, se possível com a ajuda da Polícia Federal. É possível que os equipamentos e os programas vendidos em Brasília só funcionem na cabeça de hierarcas e fornecedores. Também é possível que a máquina burocrática tenha repelido um mecanismo que aprimora os controles e a transparência. Isso pode ter acontecido por puro desinteresse, mas também pelo interesse de evitar que os gastos sejam controlados. O mais provável é que os dez anos de fracassos sejam uma mistura de todos esses fatores.
Temporão pode ir à luta, expondo o desastre à luz do sol. Pode também anunciar uma reformulação, pretendendo reinventar o problema. Nesse caso, o mais provável é que daqui a alguns anos Dimmi Amora seja obrigado a contar que a conta chegou a R$ 1 bilhão. Cartão SUS na mão da patuleia, nem pensar.

ANCELMO GÓIS

Porto quer crescer

O GLOBO - 20/01/10


Nem só da revitalização de seu entorno vive o Porto do Rio. A Companhia Docas articula um aumento na capacidade de manuseio de contêineres de 1 milhão para 3 milhões por ano.

SÓ QUE...
Para isto, a empresa precisa obter algumas licenças ambientais e abrir novos acessos numa área já bem congestionada para embarque e desembarque de caminhões.
MERCADO MAIOR
Cuba e Equador anunciam estes dias a adesão ao padrão de TV digital nipo-brasileiro. Juntam-se a Peru, Argentina, Chile, Venezuela e ao próprio Brasil.
202 ANOS
Oscar Niemeyer confirmou presença, segunda agora, no aniversário de dona Maria Amélia Buarque de Holanda, no Rio. Os dois juntos somam 202 anos — Niemeyer tem 102, e ela faz 100. Lula também deve ir.
AMEAÇA DE MORTE
O deputado estadual Paulo Melo, do PMDB, esteve ontem com a cúpula da polícia do Rio. Melo se diz ameaçado de morte por um ex-PM de Araruama acusado de ser miliciano.
NO MAIS
Deu na “The Economist”, a revistona inglesa. O modo mais seguro de não ter bagagem extraviada nos EUA é você declarar que leva uma pistola na mala. Como ter arma lá é legal, a mala é despachada como “alta prioridade”. Faz sentido.
CAZUZA, SAUDADE
George Israel, saxofonista do Kid Abelha, finaliza um CD em homenagem a Cazuza. Será lançado dia 4 de abril, dia do aniversário do roqueiro, cuja morte completa 20 anos. O disco terá somente músicas dos dois.
ANO DA FRANÇA
Há três dias, a Air France deixa na mão passageiros que tentam embarcar no Galeão-Tom Jobim para Paris. O voo das 18h30m de domingo só decolou às 16h de segunda. Já os passageiros das 18h40m de segunda, só depois de muita revolta, mediada pela Polícia Federal, foram mandados para um hotel à 1h de ontem, sem previsão de decolagem.
ENQUANTO ISSO...
O Sindicato Nacional dos Aeroviários pensa em acionar a Infraero. Diz que não há banheiros em condições de uso para os funcionários de terra no Terminal 2 do Galeão-Tom Jobim. A situação estaria a ponto de o pessoal precisar urinar atrás de aviões.
MUNDO UNIDO
O braço latino da Coca-Cola, liderado pela unidade brasileira, doará US$ 1 milhão ao Haiti, por intermédio da Cruz Vermelha.
ABAIXO A HOMOFOBIA
Duas moças gays, namoradas, foram “convidadas a sair” do Armazém do Chope, no Flamengo, no Rio, sexta. Segundo elas, o gerente disse preferir ver o bar vazio a ter “este tipo de gente”. Elas querem processar a casa. Sexta agora, amigos gays do casal prometem ir namorar no bar, num ato contra a homofobia.
AEROCABRAL
De olho nos Jogos de 2016, Sérgio Cabral visitará as instalações olímpicas inglesas dia 29. De lá, voa para Madri.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Banho de sol

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/01/10


O Congresso Nacional bem que tentou submeter a Justiça Eleitoral às suas conveniências, com o arremedo de reforma política aprovada em meados do ano passado.

Não mexeu na lei a fim de impedir candidaturas de gente de vida pregressa duvidosa, mas alterou a legislação de forma a facilitar o uso do caixa 2 e dificultar a identificação de infratores.

Na ocasião, o Tribunal Superior Eleitoral alertou para os retrocessos e agora preparou uma série de resoluções divulgadas a partir da semana passada e a serem aprovadas até o dia 5 de março próximo, para recuperar a condução do processo no tocante à preservação da conduta de partidos e candidatos.

O "pacote" investe contra as chamadas "doações ocultas", obrigando a identificação de doadores e beneficiados por recursos, permite doações de pessoas físicas pela internet e com cartão de crédito - meios que asseguram registro - e exige o preenchimento de um formulário detalhado sobre a vida processual e financeira de cada postulante a mandato eletivo no momento da inscrição da candidatura.

O tribunal não pode alterar o espírito da lei, mesmo tendo sido de obscurecer o ambiente eleitoral a intenção original. Mas, como aponta um ministro do TSE, nada impede o Judiciário de "primar pela transparência" na regulamentação do texto legal.

É o que se tenta fazer, por exemplo, com a resolução sobre o registro de candidaturas. O veto aos chamados fichas-sujas é impossível enquanto não houver na Constituição uma exceção ao princípio da declaração de culpa só depois de esgotados todos os recursos judiciais.

Vida pregressa não pode ser fator de inelegibilidade, mas o TSE não está proibido de facilitar o acesso do eleitor aos dados da vida do candidato. Pensando nisso, a resolução pede que no formulário do registro de candidaturas os partidos apresentem um histórico detalhado sobre os processos de cada um e um detalhamento minucioso sobre as finanças dos pretendentes, semelhante ao exigido pela Receita Federal.

A ideia do tribunal é pôr todas as informações à disposição do público no site do TSE. Quem quiser, digita o nome e o partido do candidato e pode ter acesso ao histórico. Hoje, além de os dados serem mais genéricos que o pretendido, o exame das informações só pode ser feito no cartório eleitoral.

A preocupação da Justiça Eleitoral é baixar as resoluções de forma a não deixar brechas para a alegação de que o Judiciário extrapola de suas funções e legisla.

Conta em seu favor com o fato de as mudanças feitas pelo Congresso não terem deixado, na redação, explícita a intenção de facilitar a vida dos partidos. Com isso, o tribunal acha que tem margem para trabalhar na interpretação do texto sem exorbitar.

Mesmo assim, é esperada a reação dos partidos que, de público, ainda não se manifestaram, muito embora já tenham sido detectados sinais de abordagens isoladas a um ou outro ministro no sentido de amenizar a austeridade das exigências das resoluções.

Tempo para o Congresso reagir coletiva e objetivamente não há. As resoluções serão discutidas e votadas entre os próximos dias 2 e 5 de março, a primeira semana de trabalho do Poder Legislativo após o recesso.

Além da impossibilidade de se votar novas leis nesse período, elas não valeriam para as eleições de outubro.


Coreografias

O governador de Minas, Aécio Neves, decidiu não acompanhar o presidente Luiz Inácio da Silva e a candidata, a ministra Dilma Rousseff, em visita ontem ao Estado.

Segundo versão tucana, para não "constranger" o governador de São Paulo, José Serra, em sua condição óbvia de candidato do PSDB, à Presidência da República.

"Participar dessa agenda, agora, provocaria especulações", diz alguém identificado nas reportagens como "dirigente tucano".

Especulações de qual natureza? De que Aécio preferiria agradar Lula a se engajar na campanha de seu partido onde joga também o próprio destino? Não faz sentido.

Ademais, o governador até outro dia recebia Lula e Dilma - como fez na visita show às obras de transposição das águas do Rio São Francisco - sem se preocupar com especulações e constrangimentos.

Agora o que mudou é que Aécio não pode mais perder tempo com jogos de aparência e precisa cuidar da realidade: atrair o PMDB, fazer deslanchar a candidatura a governador do vice Antonio Anastasia e assumir um perfil nítido ante o eleitorado.


Humanidades

O resgate de sobreviventes quase uma semana depois do terremoto no Haiti e a avaliação das equipes de que possa haver ainda mais gente viva sob as ruínas mostram o equívoco do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de "eufemismo" falar em desaparecidos, e não mortos, 48 horas após a tragédia.

Uma coisa é realismo, outra aspereza de espírito.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Não se deve confundir popularidade com necessidade de mudança”
PRESIDENTE ELEITO DO CHILE, SEBASTIÁN PIÑEIRA, COMPARANDO LULA A MICHELLE BACHELET

DISCURSO DE DILMA ABORRECE LULA
A inexperiência em campanhas eleitorais da presidenciável petista Dilma Rousseff ainda incomoda o presidente Lula. Ontem, em Jenipapo de Minas (MG), ele se impacientou durante o discurso da ministra. Ela respondia a criticas do senador tucano Eduardo Azeredo (MG) e também atacou o presidente nacional do PSDB. Irritado, Lula desabafou com dois ministros: “Isso não se faz. Ela não precisa responder a esses caras”.
ENCONTRO MARCADO
Hoje o PMDB lulista vai se reunir na residência do presidente da Câmara, Michel Temer, para discutir a aliança com o PT nas eleições presidenciais.
PERNAS BAMBAS
Lula, o Filho do Brasil é ruim de bilheteria: está bem atrás de outros filmes. Arrecadou menos de 12% do que faturou Avatar, por exemplo.
VEXAME
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, pediu “estudo” para doar R$ 300 mil ao Haiti. Só Gisele Bündchen doou R$ 1,5 milhão.
TODO OUVIDOS
O ministério da Defesa abriu concorrência para escolher seu hino. Desde que não fale em cobra em casa de ministro civil fardado...
VÍDEO PODE COMPLICAR CANDIDATO DO PT NO DF
O PT-DF teme a utilização, na campanha, de um vídeo ainda inédito mostrando a visita de Agnelo Queiroz, candidato petista a governador, ao covil de Durval Barbosa, em julho de 2009. Agnelo explicou que o objetivo era apenas conhecer a coleção de vídeos do delator do “DEMsalão”, mas o PT estranhou que ele não tenha denunciado o que viu: a distribuição de dinheiro a políticos aos quais faz oposição.
O GÊNIO DO BRASIL
Físicos britânicos deram nós em feixes de luz, informa a BBC Brasil. Se eles soubessem que, para eleger Dilma, Lula dá nó em pingo d’água...
UNS GENTLEMEN
Temos um parlamento britânico: a Câmara vai gastar R$10,2 mil em chás até o fim de junho. Bolachas à parte.
PERGUNTAR NÃO COMPLICA
Já imaginou um PAC de ajuda aos haitianos e a Infraero coordenando o aeroporto de Porto Príncipe?
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
Apos o factóide com Lula e Dilma, em Brasília, terça (12), sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, os prefeitos participaram de um regabofe patrocinado por cinco bancos interessados no negócio.
NOVO ROMANCE
O escritor José Sarney continua dedicado ao próximo romance, O Solar dos Tarquíneos, que começou a escrever no auge da crise política de 2009. O livro já tem cerca de cinquenta páginas.
LÁ VEM ELE...
Faltam sete dias para o presidente deposto Manuel Zelaya pedir asilo ou ser preso, segundo ultimato do governo interino. Dia 27 toma posse Porfirio Lobo, e a “vovozinha” ouviu dizer que Zelaya vem aí...
SEM REMÉDIO
Militares graduados chamam de “general genérico” o ministro Nelson Jobim (Defesa), desde que um decreto permitiu que use uniforme com insígnia do cargo, não do posto. É o famoso “parece, mas
não é”.
ABALOU GERAL
Abalados como todos com a tragédia do Haiti, os aposentados vêem a terra tremer sob seus pés quando Lula, no “leilão” pelo protagonismo mundial, doa US$ 35 milhões e não repõe as perdas deles.
COMOÇÃO
A primeira-dama Marisa Letícia devia estar tão comovida que nem foi à missa de sétimo dia de d. Zilda Arns, que honra as mulheres brasileiras. Tampouco o maridão.
NEM AÍ
Vários países, pobres e ricos, mandaram socorro, equipes ou dinheiro para o Haiti. Exceto, curiosamente, os muçulmanos. Nem mesmo os mais endinheirados, como Arábia Saudita ou Emirados Árabes.
FUNDO DO POÇO
A Polícia Legislativa do Senado está autorizada a usar equipamentos de escuta e até a rastrear e-mails para tentar identificar servidores que tenham vazado informações sobre benefícios ilegais a protegidos.
CARIOCAS MARTIRIZADOS
Homenageado no feriado de hoje, o padroeiro do Rio, São Sebastião, não deve ter morrido só de flechadas. Mas de insolação também.

PODER SEM PUDOR
POLÍTICA E FALSIDADE
Candidato favorito ao governo de Minas em 1982, logo Tancredo Neves começou a ser bajulado por antigos adversários. O deputado Milton Reis (PMDB), seu fiel escudeiro, chegou a advertir sobre um ex-prefeito de Pouso Alegre que sempre foi ligado à ditadura:
– Tem ex-prefeito que é de uma falsidade...
– Sei muito bem de quem você está falando – respondeu Tancredo – Esse cidadão é de uma ruindade só. Se um dia morrer afogado, pode procurar o corpo dele rio acima...

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Haitianos fogem em massa e deixam os EUA em alerta


- Estadão: EUA e ONU ampliam força militar no Haiti


- JB: Brasil perde trampolim para os EUA


- Correio: Em meio ao caos, um pouco de esperança


- Valor: Grande empresa volta a investir em tecnologia


- Jornal do Commercio: TRE pressionado a anular concurso