quarta-feira, dezembro 02, 2009

FERNANDO RODRIGUES

A insignificância de Brasília


Folha de S. Paulo - 02/12/2009

Se o mensalão do DEM ficar circunscrito aos políticos locais apanhados nos vídeos já apresentados, o impacto sobre a disputa presidencial de 2010 será zero ou muito perto disso.

Brasília é uma anomalia na organização geopolítica brasileira. Deveria ser só uma cidade administrativa no interior de Goiás. Aos poucos, ganhou todos os benefícios de um Estado. Tem três senadores, oito deputados federais e até uma espécie de Assembleia Legislativa, a quase inútil Câmara Legislativa.
A capital federal tem destaque na mídia por ser a sede dos três Poderes. Na prática, sua relevância como plataforma política é ínfima. Com 1,7 milhão de pessoas aptas a votar, responde por apenas 1,3% do eleitorado brasileiro.
Fosse o Piauí (1,7% dos eleitores brasileiros) o palco do mensalão do DEM, a visibilidade do escândalo tenderia a ser menor.
Um fato inescapável é Brasília ter sido inaugurada em 1960. Em 50 anos de existência, nunca produziu um único político de expressão nacional. Seu governador mais bem-sucedido talvez tenha sido Cristovam Buarque. Eleito pelo PT em 1994, popularizou o Bolsa Escola.
Civilizou o trânsito (motoristas respeitam a faixa de pedestres). Mesmo assim, não se reelegeu. Em 2006, candidato a presidente pelo PDT, teve 2,7% dos votos.
Do ponto de vista do Democratas, o partido já tem uma imagem depauperada. Rumará com mais rapidez para o oblívio, ampliando sua tucano-dependência -com poder reduzido na formação da chapa presidencial. Mas o tempo de TV para o PSDB continua garantido.
Tudo considerado, a insignificância política de Brasília minimiza o impacto do mensalão do DEM sobre a eleição presidencial. Exceto se o escândalo transbordar para outros Estados e houver aspersão de lama em políticos de maior calibre.
Uma hipótese ainda remota, embora não improvável.

TÔ CAGANDO PRA VOCES!


MERVAL PEREIRA

Título de cidadania

O GLOBO - 02/12/09


O Morro do Cantagalo, fincado entre Copacabana e Ipanema, no coração da Zona Sul do Rio, tem tudo para se transformar no laboratório de uma medida pioneira, que seria uma consequência concreta da ação do governo do estado de retomar o controle territorial com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Durante quatro meses do ano passado, com o financiamento do Instituto Gerdau e o apoio de escritórios de advocacia e de engenharia, o Instituto Atlântico, entidade apartidária cuja missão é propor, e testar na prática, políticas públicas inovadoras, desenvolveu um projeto de cadastramento geral dos moradores e o levantamento da topografia detalhada do morro, com o objetivo de conceder a titulação plena dos possuidores de lotes e unidades residenciais.

São 1.456 domicílios e cerca de 5 mil moradores, 79% dos quais vivem lá há mais de 20 anos. O economista Paulo Rabelo de Castro, presidente do Instituto Atlântico, esteve ontem com o prefeito Eduardo Paes para tentar viabilizar um acordo para a concessão dos títulos.

O projeto de demarcação do Instituto Atlântico já estava sendo tocado independentemente da ação dos governos estadual e municipal, e esta é a segunda ocasião em que a iniciativa privada e a governamental se cruzam.

Na primeira vez, houve uma parceria que pode indicar o melhor caminho para a resolução dos problemas burocráticos e legais. Terminada a etapa de levantamentos e conferências de dados, o Instituto Atlântico entrou com uma Petição Inicial da Ação de Usucapião Especial Coletiva, inédita no meio jurídico, que está em tramitação na 7aVara da Fazenda Pública Estadual.

Ao mesmo tempo, o governo do estado se interessou pelo projeto, e o vicegovernador, Luiz Fernando Pezão, passou a coordenar os esforços, que resultaram no projeto de Lei Complementar 27, que autoriza o Poder Executivo a tomar iniciativas de alienação de áreas do estado hoje ocupadas por favelas, em benefício de seus atuais possuidores, mediante determinadas condições.

Para Paulo Rabelo, a decisão do governo de retomar o controle territorial do complexo de favelas do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho “é uma ação paralela”, mas a ocupação fundiária poderia anteceder a ocupação territorial. “Agora, a questão fundiária passa a ser uma exigência”, avalia.

O território, que antes era dominado pelos traficantes, precisa ter dono, e o trabalho inicial já foi todo feito. O que está sendo negociado com a prefeitura é o “auto de demarcação”, que pode ser feito por meio de um convênio não oneroso com o Instituto Atlântico, desde que aceitem a demarcação já feita.

Como o estado já aprovou a lei complementar que permite a doação, pode se antecipar e conceder o título, em cerca de 90 dias. Segundo Paulo Rabelo, a organização fundiária de uma comunidade é parte essencial de um amplo projeto de segurança para os próprios moradores e bairros circunvizinhos.

O Instituto Atlântico desenvolveu o que chamam de “tecnologia social”, conjunto de técnicas de intervenção comunitária baseado no princípio da auto-organização.

Por meio da associação dos moradores, toda a população do Cantagalo participou das discussões do projeto desde o início, e todos os moradores deram autorização por escrito para o levantamento.

O aumento dos encargos tributários e de tarifas de serviços públicos que acontecerá com a regularização e o título definitivo, por exemplo, foi muito debatido.

Um dos objetivos será conseguir do estado cobranças reduzidas durante um período de transição, até que a comunidade esteja adaptada à nova situação.

A comunidade do Morro do Cantagalo tem as mesmas características básicas das demais favelas da cidade.

Um estudo recente sobre as favelas do Rio do Instituto de Estudos de Política Econômica — Casa das Garças — mostra que “o ciclo de urbanização básica terminou.

A infraestrutura essencial não é significativamente diferente de outras partes urbanizadas da cidade”.

Tomando por base os dados do Censo de 2008 da Rocinha, complexos do Alemão e Manguinhos, Parada de Lucas e Vigário Geral, o estudo mostra que a residência típica das favelas seria de alvenaria (95%) e teria energia elétrica (100%); água da Cedae ( 99%); rede de esgoto (96%); coleta de lixo (96%); e iluminação na rua (93%).

No Cantagalo, os números encontrados pelo Instituto Brasileiro de Política Social (IBPS), que fez o cadastramento dos moradores, são semelhantes: 94% têm água e esgoto; a coleta de lixo é feita em caçamba para 69% dos moradores e 23% têm coleta regular; 86% têm telefone e 75% têm medidor de luz.

Nas favelas do Rio, quase todos os imóveis são próprios, com exceção da Rocinha, onde 33% são alugados.

No Cantagalo, 77% dos imóveis são próprios.

Esse estudo da Casa das Garças diverge do diagnóstico do economista Paulo Rabelo de Castro quanto à prioridade de ações, concordando com a estratégia do governo do estado. “Devido à existência do controle territorial armado por narcotraficantes e milícias, a retomada definitiva, com a retirada das armas, é uma questão estratégica e não tática”, afirma.

O trabalho chegou à conclusão de que “o estado e a sociedade civil estão presentes nas favelas. A ausência do estado ocorre apenas em uma função: o policiamento ostensivo. Porém, este é o ponto primordial para que todos os demais direitos e equipamento sejam acessados”.

O estudo indica como ação prioritária após a “retomada definitiva e a pacificação”, entre outras, a formalização dos negócios e a regularização da situação fundiária e de habite-se. O mesmo grupo prepara-se agora para analisar as experiências de regularização de títulos em diversos países.

ENTREVISTA: JOSÉ ROBERTO ARRUDA

Em entrevista exclusiva ao Correio, o governador afirma que denúncias são manobra do adversário para vencê-lo no tapetão

CORREIO BRAZILIENSE - 02/12/09

Ana Maria Campos e Lilian Tahan

O escândalo que desmontou o governo, devastou a credibilidade da Câmara Legislativa e expôs o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) com a divulgação de imagens de políticos escondendo maços de dinheiro tem um maestro na visão do principal alvo da Operação Caixa de Pandora. Para o governador JOSÉ ROBERTO ARRUDA(DEM), o responsável por sua derrocada é o seu principal adversário político: o ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Arruda afirma que Durval Barbosa gravou vídeos, manipulou imagens e até pode ter corrompido empresários com objetivo de construir uma trama com força para tirá-lo do poder e ganhar as eleições de 2010 no "tapetão".

Arruda admite que manteve em seu governo um aliado com 32 processos na Justiça por supostos desvios de recursos públicos, a quem considerava um amigo e um "excelente articulador". Apesar dos rumores no meio político em Brasília, o governador nega que tenha passado três anos sendo chantageado por Durval. Disse que só soube da existência do vídeo em que aparece recebendo dinheiro há pouco tempo, quando, então, orientado pelos advogados teria exigido que o secretário registrasse o recebimento dos comprovantes da compra de panetones, versão que sustenta para explicar o destino dos recursos.

Sobre o conteúdo da gravação ocorrida em 21 de outubro com o monitoramento da Polícia Federal, Arruda parece confuso. Não se lembra de detalhes e apenas acredita que quando se referia a números, não falava de propina para aliados, mas tratava de pedidos de empregos em administrações regionais do governo. Na visão do governador, tudo tem explicação. O problema maior é explicar a pessoas como a mãe dele, em Itajubá (MG), a imagem da sacola de dinheiro.

"Tudo o que eu quero é enfrentar Roriz nas urnas"

Depois de tudo o que veio à tona, a operação da Polícia Federal, as acusações de corrupção e os vídeos, o senhor enxerga uma saída?

O problema é grave e ele tem que ser compreendido em três frentes distintas. A jurídica, a política e a mídia. Na questão jurídica, os meus advogados, Dr. Gerardo Grossi, Nabor Bulhões e (José Eduardo) Alckmin me tranquilizaram muito. Não há nos autos, ao que se conhece até agora, nada que possa me incriminar. Nenhuma ação minha que possa ser entendida como dolosa. Há duas questões fundamentais atribuídas a mim: na época do Natal de 2004 ou de 2005, aí eu não me recordo bem, houve a gravação dele (Durval) me entregando dinheiro.

Como explicar o vídeo em que o senhor aparece recebendo dinheiro do seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa?

Todo final de ano, eu faço programas sociais, visito creches, asilos, as periferias das cidades, levo cestas básicas, panetones, o que virou piada até, mas eu faço isso. E vários empresários doam também, o Carrefour doa, pessoas físicas e jurídicas. Ele me fez nesse dia uma doação de livre e espontânea vontade. Não fez apenas naquele ano, fez em outros anos também. Por que gravou? Não sei. Já com alguma má fé naquela época, talvez. Mais tarde fui alertado desses problemas, fiz um registro oficial ao Tribunal Regional Eleitoral não apenas com a doação dele, mas com a doação de todos aqueles que durante 10 anos de uma maneira ou de outra contribuíram nas minhas campanha sociais. Entendem os meus advogados que, embora a imagem seja forte, horrível, de qualquer maneira juridicamente eu estou coberto.

Numa escuta da PF, o senhor fala sobre dinheiro. Como explicar esse tipo de conversa?

No diálogo, eu não o (Durval) via há muito tempo e ele foi propor uma ajuda de R$ 1 milhão de um empresário amigo dele para a minha campanha. Eu disse que a minha campanha só seria no próximo ano, que não era hora ainda de buscar recursos, mas sugeri que ele ajudasse então aliados que já estão trabalhando politicamente e que insistentemente vinham pedindo apoio. Esta conversa está muito truncada, porque eu me lembro, por exemplo, que uma hora a gente falava de empregos, que um determinado deputado indicou 15 pessoas no governo e depois pediu mais 15 cargos e eu não dei. Mas isso foi misturado com a hora que se fala de recursos. Depois, consta dos autos que este aparelho de gravação teria dado um suposto defeito de aquecimento e que teria inclusive desconfigurado os dados. Os meus advogados acham isso muito esquisito. Será que ele não foi lá para me entregar uma mala de dinheiro e me pegar no flagrante? E se eu tivesse recebido, será que o aparelho teria falhado também?

Mas ele estava com uma mala de dinheiro?

Não. Mas ele estava com uma bolsa, uma pasta. Aliás, ele só anda com esta pasta. Mas vamos admitir a hipótese que eu tivesse feito uma coisa errada. Já que ele estava com os equipamentos da Polícia Federal poderiam ter me autuado. Outras horas eu admito que efetivamente sugeri a ele que já que o empresário queria ajudá-lo, que ajudasse campanha de aliados. Mas o que importa é que eu não recebi. Essas são as duas questões que efetivamente me atingiriam. E nessas duas questões eu estou muito tranquilo. Uma terceira questão que paradoxalmente me tranquiliza é que eu fiquei livre, livre de uma pessoa que com essas atitudes demonstra o seu caráter, que efetivamente me ajudou na campanha, fez acordos políticos importantes, foi um interlocutor interessante, porque eu não ganhei a campanha contra o Roriz, eu ganhei por dentro, então várias pessoas que eram do governo Roriz vieram me ajudar. Algumas pessoas maravilhosas, outras infelizmente com esse padrão de comportamento.

Uma coisa que chama a atenção é essa paradoxal relação com o Durval. Sempre se escutou que o Durval chantageava o governo, chantageava pessoas próximas ao senhor. Por que mantê-lo tão próximo, tão perto?

Primeiro, ele sempre foi muito distante. Durante os três anos de governo, eu o encontrei nas reuniões maiores e poucas vezes. Não era uma pessoa próxima a mim. Segundo lugar, quando eu ganhei a eleição, durante oito anos, ele foi presidente da Codeplan no governo Roriz, ele era gestor de um orçamento de R$ 500 milhões por ano em informática. Quando eu ganhei a eleição, ele queria continuar presidente da Codeplan. E aí, eu já informado que ele tinha processos em relação a ações no governo anterior, não permiti que ele fosse presidente da Codeplan. Atendendo às ótimas relações políticas que ele tinha, permiti que ele continuasse no governo, mas em uma área burocrática, sem orçamento, sem nada. Creio que começa aí essa raiva dele contra a gente.

Mas o fato de o senhor ter mantido o Durval na Secretaria de Relações Institucionais garantiu a ele o foro especial, que para ele era muito importante, porque ele tinha muitos processos. Isso não foi uma ajuda que o senhor deu para ele?

Eu não sei te dizer se foi ou se deixou de ser. O que eu sei é que tirei ele da Codeplan. E o que eu sei é que diminuí de R$ 500 milhões por ano para R$ 200 milhões por ano os gastos com informática. Eu diminuí R$ 300 milhões com essa área. Muitas empresas que faturavam R$ 30, 40 milhões por mês, hoje faturam zero. Outras que chegaram a faturar R$ 240 milhões por ano, caíram para 50, 60 (milhões). Todas essas empresas, sabe-se agora, eram ligadas a ele. Será que estão satisfeitas comigo? Será que ele ficou satisfeito de perder o poder que tinha na Codeplan e o poder de manipulação sobre as empresas de informática? Há uma questão-chave aí: sabe-se hoje que este senhor responde a 32 processos por atos eventualmente incorretos na área de informática. Não há um só desses processos que tenha sido no meu governo. Todos eles se referem aos oito anos do governo Roriz.

Governador, mas o motivo de o senhor ter mantido o Durval no governo foi uma chantagem de que ele divulgaria esse filme?

Nunca. Comigo sempre foi elegante e cordial e agora, há pouco tempo, quando alguém me disse que aumentaram os boatos e alguém me disse que ele teria exibido uma fita onde ele me entregou o dinheiro, eu o chamei e tive uma conversa com ele muito clara: 'Dr. Durval, estão dizendo que o senhor gravou no Natal de não sei quando, quando o senhor me deu aquela ajuda para as ações sociais de final de ano. Eu não sei se é verdade ou não é verdade. Não quero discutir isso com o senhor. Até porque essa ação de gravar os outros é tão feia, tão sórdida que não quero nem te perguntar. Eu quero saber o seguinte, todos os outros que me doaram, estão aqui os recibos'. Mostrei pra ele os 100 recibos que tinha.

Foi por isso que o senhor fez os recibos só agora.

Os outros já estavam prontos, muitos deles já estavam prontos há anos. O problema é que ele, o Durval, por alguma razão nunca ninguém tinha entregue para ele os recibos, aí eu entreguei. Aí ele disse: 'ih, mas eu não vou ter como colocar isso no imposto de renda'. Aí eu falei: mas isso é um problema do senhor. Porque eu estou te entregando o recibo e eu quero a sua assinatura de que recebeu o recibo, ou seja, o contrarecibo. Antes dele assinar esse recibo, eu já havia feito no Tribunal Regional Eleitoral o registro de todas as doações que recebi durante todos esses anos antes de ser governador, inclusive fazendo uma pergunta ao Tribunal. Nesse final de ano, na véspera de um ano eleitoral, eu posso fazer essas doações? O Tribunal Regional Eleitoral fez um parecer e arquivou o processo. Está lá no Tribunal.

Há relatos de que ele gravou esse encontro com o senhor. Seus advogados tiveram acesso a essa informação?

Não, mas se ele grava tudo é possível. E o que eu posso te dizer com absoluta certeza é que foi um encontro muito elegante, embora eu tenha sido firme. Ele assinou o contrarecibo normalmente e depois, inclusive, de maneira muito clara se dispôs a ajudar mais na campanha que ele queria participar. E vamos reconhecer aqui, ele sempre foi um grande articulador político. Aí eu falei que ótimo, então estamos juntos. Foi assim a conversa. O (Alberto) Fraga estava nessa conversa o tempo todo e tinha mais alguém que eu não me lembro. A conversa existiu. Agora, independente do recibo que foi feito, anteriormente eu já havia feito o registro no TRE. E tudo isso que nós estamos dizendo é de uma época já prescrita e que eu não era nem governador e nem candidato. Como governador tem o tal diálogo do 21 de outubro. O que me causa espanto é, numa coisa tão importante, o equipamento ter apresentado falhas.

O senhor chegou em algum momento a romper com ele, quando começou a vir a tona os boatos de que ele exibiria as fitas? Circula que o senhor chegou a ter um embate físico com ele e o teria agredido. É verdade?

Que isso? Nunca. Minhas relações com ele sempre foram educadas, sempre foi muito educado comigo, não posso reclamar de nada. Pessoalmente, comigo sempre me respeitou. Nunca fez nenhuma ameaça e, quando chegavam esses boatos, eu o chamava diretamente, como é do meu estilo, e dizia: tem alguma coisa? E ele dizia: 'imagina, o que é isso?'. Ele efetivamente algumas vezes me pedia ajuda, dizendo inclusive que ele era inocente, porque as coisas foram feitas corretamente e eu até procurei ajudar, dentro das minhas limitações.

Era disso que o senhor estava falando quando se referiu a alguns desembargadores?

Eu não tenho lembrança exata do texto. Mas o que eu posso afirmar a vocês é que todas as vezes que ele me pediu ajuda, eu procurei ajudá-lo no limite do que eu posso. Não posso ultrapassar esses limites.

É verdade que o empresário Roberto Cortopassi apresentou para o Renato Malcotti essa gravação que agora foi às TVs e fez uma chantagem para evitar que o BRB continuasse executando essa dívida?

Nunca chegou isso a meu conhecimento. O Roberto é meu amigo, gosto dele pessoalmente, sempre foi muito correto comigo, efetivamente me pediu para ajudar nessa questão do BRB, mas infelizmente eu não consegui porque o BRB tem suas regras.

O senhor explicou a fúria de Durval para ter denunciado o senhor. Existe alguém por trás do Durval?

Tem muitas coincidências aí. O Dr. Durval faz essa denúncia à Justiça no dia 17 de setembro, um dia depois que o ex-governador Roriz saiu do PMDB. Nos dias que antecederam a ação da PF, o ex-governador falou no jornal Entrelagos, no jornal Hoje em Dia, e falou num jantar (com jornalistas) que algo muito grave iria acontecer. Ora, parece-me claro que o ex-governador estava informado da ação da Polícia Federal. Uma coisa que também me causa certa estranheza é que ele (Durval) foi oito anos gestor de uma verba milionária no governo Roriz, R$ 500 milhões por ano, durante oito anos. Se você verificar os vídeos, que são estarrecedores e que estão aparecendo na televisão, a grande maioria deles se refere a este período do governo Roriz, não do meu, onde ele efetivamente manipulava grande quantidade de dinheiro como se vê agora. Que que eu tenho com isso? Será que se eu tivesse mantido ele presidente da Codeplan e se eu não tivesse feito um corte de R$ 300 milhões na informática, será que ele teria feito tudo isso? Ou será que ele estaria feliz comigo?

O senhor identificou que várias das pessoas que estão nas gravações também são seus aliados?

Pelo que se sabe hoje, ele filmava todo mundo, então parece que nessa distribuição farta de fitas há uma seleção. De vez em quando ele coloca lá um (Júnior) Brunelli para disfarçar, mas as outras pessoas são ligadas a mim. Quer dizer, mas mesmo aquelas que hoje são ligadas a mim com fitas que foram feitas no governo Roriz. O mais interessante, ainda não apareceu nenhuma fita dos oito anos que ele foi do governo Roriz com as pessoas ligadas ao Roriz. E como o Roriz antecipou para os jornais a bomba que se abateria sobre Brasília, desculpa, mas eu não tenho como não reconhecer que eu não fiz isso sozinho. E aí é o grande problema que sempre me alertaram. Como eu herdei pessoas do governo Roriz, a maioria delas têm sido muito leal a mim e têm feito um trabalho muito correto. Infelizmente, eu herdei também coisas ruins.

Estou vivo e me sinto aliviado, diz ArrudaApesar do turbilhão de denúncias em que se encontra, o governador JOSÉ ROBERTO ARRUDA (DEM) tem demonstrado disposição para brigar e se manter no poder. Ele garante que em nenhum momento pensou em renunciar e também não perdeu a intenção de concorrer à reeleição. Sua principal meta, no entanto, é permanecer no DEM, inaugurar obras e continuar no comando do governo local até o último dia de dezembro do próximo ano.

Arruda sustenta que a avalanche pode ser comparada a um acidente de carro em que ele saiu gravemente ferido. Mas não morto. "Estou mais vivo do que nunca", garante. Sobre as denúncias de Durval Barbosa, ele disse que está aliviado por ter se livrado de um traidor. Na segunda vez em que chegou ao fundo do poço, Arruda faz uma comparação: "Da primeira vez, foi pior porque eu menti".

Além de Durval, o senhor consegue perceber outras pessoas infiltradas?

Confesso que é um defeito que eu tenho, eu acredito nas pessoas. Sinceramente, eu não percebo não. Se tem mais gente no governo fazendo maldade para favorecer o Roriz? Pode existir. Eu não saí dizendo: ah, você trabalhou no governo Roriz, então não fica comigo. Algumas pessoas até falam assim, você manteve muita gente do Roriz e eu digo: e daí? O Andrade, técnico do Flamengo, com os mesmos jogadores que tinha antes, está fazendo o Flamengo ser campeão. Quando o técnico muda o jeito de jogar, o time pode se recuperar. Eu não queimei as pessoas só porque trabalhavam no governo anterior. Agora, que foi uma armação, engendrada de maneira cuidadosa, não há dúvida. Interlocutores próximos a Roriz chegam a me dizer com clareza que ele percebeu que eu estava caminhando para ganhar no primeiro turno. Então, para ganhar de mim, teria que provocar um grande escândalo no meu governo, e foi o que ele procurou fazer. Eu estou muito tranquilo porque, depois da tempestade, vem a bonança. Eu sei que vou passar por tudo isso. Muitas vezes você vê um deputado pegando um dinheiro e diz: pô, mas o Arruda não podia ter deixado acontecer isso. Gente, olha a data da fita, foi lá no governo anterior. Pode ter havido coisas no meu governo. Gente, pode ser. Eu não vou dizer que não.

Muitas imagens são com a foto oficial do senhor ao fundo.

O que que acontece, como ele ainda ficou no governo e provavelmente vendia para alguns empresários e algumas pessoas um poder que não tinha, mas que já tinha tido, provavelmente ele ainda obteve vantagens ilícitas no meu governo. Houve uma coisa interessante, há mais de ano,eu tive uma informação do Ministério Público, que na Agência de Informática que eu criei sem o Durval, apenas para orientar tecnicamente as áreas de governo, ele estaria tendo uma influência. O que que eu fiz? Demiti as pessoas e extingui a agência por decreto. O grande problema é que, quando entra num governo como eu entrei, proíbe vans piratas, tira camelô da rua, proíbe invasão, derruba prédio, demite 15 mil servidores sem concurso, só contrata servidor concursado, diminui de R$ 500 milhões para R$ 200 milhões os contratos de informática, contraria muitos interesses. Aproximando-se agora o período eleitoral, muitos desses interesses se agrupam com um único objetivo, me derrubar.

O senhor acha que o vice tem alguma coisa a ver com esse episódio, já que ele é citado no inquérito como tendo 30% nos repasses de propina?

O Paulo (Octávio) tem sido muito correto comigo e eu tenho muito cuidado nessas citações, porque eu nessa conversa com você posso falar sobre um terceiro incriminando-o sem que ele saiba nada sobre isso. Por exemplo, alguém pode ter dito: olha, eu preciso aqui de dinheiro e isso é para o Arruda. O sujeito muitas vezes não tem coragem de checar comigo se isso é verdade. Agora, as pessoas que me conhecem sabem da minha maneira de agir.

Mais do que argumentos, o senhor acha que tem materialidade suficiente para poder mostrar irregularidades no governo Roriz?

Tudo o que eu quero é enfrentar o Roriz nas urnas, porque a sensação que eu tenho é que ele, neste momento, com esta articulação que fez com essas pessoas, tenta me derrubar no tapetão, antes da eleição, talvez com medo de me enfrentar. Eu quero ultrapassar este momento, sei que vou ultrapassar, porque juridicamente não há nada contra mim. E se houver um processo, eu só quero ter o direito de respondê-lo. Ora, se condenado, pronto, estou fora. Mas, se absolvido, eu quero disputar a eleição. Eu quero ter a chance de dizer a Brasília o que fiz no meu governo e comparar com a bagunça que ele (Roriz) fez em 20 anos. Eu quero mostrar e inaugurar no ano que vem as duas mil obras que estou fazendo e vão modificar a vida dessa cidade.

O senhor então mantém a disposição de disputar a reeleição?

Eu diria o seguinte: cada dia, a sua agonia. Hoje, eu me sinto, primeiro, aliviado, ainda que a forma tenha sido a pior possível de ter ficado livre de uma pessoa com esse tipo de caráter no meu governo, com esse tipo de comportamento, se fingindo de meu amigo. Segundo, estou absolutamente preparado para enfrentar em todos os foros, todos os questionamentos. Terceiro, tenho consciência de que estou fazendo um bom governo. Eu botei ordem na cidade, que esse dinheiro que eu economizei da informática, dos prédios e carros alugados e de tantas outras coisas, eu investi em benefício da cidade. Essas obras todas serão concluídas no ano que vem. Vou entregar Brasília prontinha, arrumada, nova. E, depois disso, eu quero ter a chance de, num processo eleitoral aberto, sem tapetão, sem uso de ardis como esse, poder enfrentar o debate, poder dizer às pessoas o que o meu governo fez e o mal que Roriz fez a Brasília, principalmente nos dois últimos governos, quando deixou os grileiros invadirem toda a cidade, quando desorganizou a vida da cidade, quando implantou métodos de ação política ruins, alguns dos quais reconheço hoje (que) herdei.

O senhor tinha intenção de, num segundo mandato, ficar mais livre para mudar o governo?

Diria que sim. Aprendi muito. Eu sou uma pessoa um pouco ingênua às vezes, eu confio nas pessoas. Diria que (com) esses anos e esses tropeços preciso ser mais cuidadoso. Há modificações que precisam ser feitas e não vou esperar para fazer lá na frente, não. Vou fazer agora.

Muita gente conta que o senhor foi avisado de que o Durval seria uma pessoa capaz de tudo, e mesmo assim o senhor manteve uma conversa cordial.

Toda vez que me vinham esses boatos, essas notícias ruins, meu jeito de ser é o seguinte: se me falarem que você está falando mal de mim, eu te pergunto: É verdade? Todas vezes que me diziam essas coisas, eu conversava com ele e todas as vezes. Na penúltima conversa, ele me disse: 'vou com você até o final'. Quer dizer, eu acreditei. No momento em que o tirei da Codeplan e do controle pela informática, ele teria compreendido que se teve no governo passado ações dessa área não era para ter mais.

Como o senhor viu a declaração do presidente Lula sobre o episódio?

Ele é ser humano. Não à toa que eu gosto dele. É um homem de bem. Enquanto grandes companheiros meus calaram-se, ele diz que é preciso contextualizar porque o sujeito vê a imagem e diz que foi ontem. Pela minha avaliação, grande parte, não vou dizer todas, mas grande parte das imagens foram feitas no período do governo anterior. E aí é preciso fazer a pergunta: se foram feitas no período do governo anterior, e se o próprio denunciante disse que era um governo escuso, há que se investigar o que acontecia no governo anterior que dava tanto dinheiro?

Aqueles papéis e documentos referentes a gastos de campanha que estão no inquérito são verdadeiros?

Não tenho como olhar cada um desses detalhes, até porque na campanha eu não cuidava disso e nem depois. O que posso dizer é que tudo o que foi feito na campanha teve uma prestação de contas que depois foi aprovada no Tribunal Regional Eleitoral. Se ele (Durval) de modo próprio fez mais alguma coisa para me ajudar, eu até admito. Em instante nenhum estou dizendo que ele não ajudou. Ele ajudou e deu ajudas importantes.

O senhor tinha uma dívida de gratidão com ele?

Não é dívida de gratidão. Era reconhecimento. Por que não? Apesar de algumas pessoas terem dito: 'afaste o cidadão', eu disse que ele ajudou na campanha e não estava mais na área em que estava respondendo processo. E isso é uma coisa importante: os 32 processos que ele responde no Tribunal são por atos praticados no governo anterior. Não há nenhum processo do meu governo. Tem uma coisa também que me deixa muito intrigado. Agora em novembro, portanto, 60 dias depois, foi feita a ação. A renúncia do ex-governador Roriz já faz mais de dois e a bezerra de ouro, parece que eram R$ 2,3 milhões, era milhões de vezes maior do que estamos falando, pelo menos do que apareceu no vídeo e não virou processo.

O que o senhor quer dizer? O Ministério Público não agiu no caso de Roriz?

Não estou dizendo isso. Mas parece que as coisas para me prejudicar estão andando muito rápidas e no caso do Roriz, no mínimo muito lentas.

Governador, o senhor não acha que esse episódio poderá ser usado na campanha presidencial, no contraponto do "mensalão do DEM" contra o "mensalão do PT"?

Não sou o Sherlock Holmes. Mas não tenho nenhum indicativo disso. Tenho com o presidente Lula ou com o PT um bom relacionamento. E no plano local confesso a vocês não considero o PT meu adversário. Acho que o pensamento do PT de Brasília não é muito distante do meu. A minha discordância em relação a Roriz é no seu modelo de governar, sua opção que desorganiza a cidade. Aliás, pessoalmente, também nada contra. Todos os indícios que estão colocados hoje no caso presente são de uma armação preparada, engendrada com apoio direto de pessoas muito próximas ao ex-governador e inclusive com as declarações dele próprio em vários veículos de imprensa. Na véspera da operação policial, ele estava antecipando a operação. Como ele sabia?

Esse escândalo atrapalha o seu partido?

Acho que sim. Esse escândalo atrapalha o meu partido, me atrapalha, é grave. O meu partido tem sido muito elegante comigo, foi à minha casa, abriu processo disciplinar porque tem que ser aberto, os fatos são graves. Mas se o meu partido permitir que nos trâmites processuais eu apresente todas as informações e se possa também ter a avaliação do que fará o Ministério Público e qual será a posição do Judiciário, eu tenho a impressão de que isso pode ser revertido.

O senhor precisa de tempo, então?

É claro. Quando vem a tempestade, quando vem a batida de carro e vem aquela poeira enorme, ninguém sabe quem é o culpado. Todo mundo quer saber o que aconteceu. Posso dizer hoje que sofri um grave acidente de carro, mas não morri. Estou mais vivo do que nunca, porque o meu objetivo é concluir o meu trabalho em Brasília com dignidade, concluir todas as obras, entregar tudo o que eu prometi. Agora, se tem gente que tem medo de me enfrentar nas urnas e prepara esses ardis, essas ciladas, no sentido de confundir a opinião pública e tentar mostrar que todo mundo é farinha do mesmo saco, aí o que eu desejo é que tenha coragem de me enfrentar.

As pessoas falam que será uma campanha sangrenta...

Acho que a campanha já começou. Este foi o primeiro e mais forte ato da campanha porque é um ato que eles desejariam de cara me eliminar do jogo. O Roriz sabe que para ele voltar ele precisa me tirar de campo. Ele tem pesquisa. Eu não jogo esse tipo de jogo. Agora, sinceramente, estou muito desiludido com a hipocrisia da política, os oportunistas, o amigo de ontem que vira o predador de hoje, uma coisa grotesca.

O senhor é um exemplo de político que chegou no fundo do poço e deu a volta por cima, cresceu e virou um governador com alta popularidade. O senhor acha que esse momento é pior do que o da renúncia no Senado?

Não. Acho que Deus está me testando de novo. Mas no primeiro eu não estava bem como vocês estão me vendo hoje. No primeiro episódio, eu tinha mentido, estava errado, eu não tava bem. Hoje, não. Estou muito triste e me emociono, principalmente quando pessoas queridas, como minha mãe em Itajubá, vendo a TV sem entender. Eu sofro pelas pessoas que me amam e que estão sofrendo comigo. Mas estou forte porque sei que estou do lado do bem. Se eu tivesse feito o jogo dos bandidos, os bandidos estariam do meu lado. Não estariam me atacando. Eu não tenho nenhum processo, quem me acusa responde a 32 processos.

Fala-se que há ainda muitas fitas. O senhor teme algo?

Este período ruim está só começando. Se essa pessoa gravava diálogos, manipulava fitas, editava imagens, obviamente nós teremos muitos dias de revelações, pelo menos para confundir a opinião pública. Estou psicologicamente e espiritualmente bem preparado para enfrentar este período e principalmente reunindo forças para enfrentar o momento seguinte, porque acabou a colisão dos carros, quando a poeira baixar, aqui que a gente vai ver quem é culpado, quem estava na contramão. Este momento vai chegar.

O senhor disse que precisa desse apoio e algumas pessoas falaram que o senhor cobrou uma postura do partido.

Não é verdade. A minha reunião com o DEM foi extremamente elegante, calma, tranquila, onde todas as pessoas colocaram as suas posições.

O senhor terá o apoio do DEM?

Eu tenho uma dívida de gratidão muito forte com o DEM. No momento, em que os líderes do partido acharem que estou incomodando, não tenho nenhum problema em sair e concluir o meu mandato. Problema é que sai no jornal a posição de um ou outro parlamentar que tem a posição mais radical. Eu falei com mais de 50 parlamentares do DEM e recolhi deles posições de carinho, de solidariedade, de confiança.

Que avaliação o senhor faz dos seus aliados que aparecem no vídeo recebendo dinheiro?

Parece-me que referem-se ao governo anterior e obviamente quem tem de responder é quem era responsável pelo governo anterior.

É verdade que o senhor disse que seria capaz de se matar ou matá-lo, caso Durval decidisse divulgar o vídeo? A informação consta de depoimento dele no inquérito.

De jeito nenhum. Eu acredito em Deus e quem dispõe da nossa vida é Deus. Agora, estou muito desconfiado. São muitas versões, boatos e com as manipulações dessas fitas. Me parece que só há uma que foi feita com autorização judicial e mesmo essa teria defeito nos aparelhos. E as outras que ele fez de forma clandestina e edita como quer?

O senhor pensou em renunciar?

Nem pensar. Quando a gente está com a consciência tranquila, não há motivo para isso. No episódio do painel, eu estava errado. Nesse, é diferente. Estou fazendo um bom governo. Acho que muita gente deve estar pensando: puxa vida, como é que foi acontecer uma coisa como essa com esse cara que está fazendo um bom governo? A essas pessoas, o que posso pedir é muita calma no julgamento. Vamos esperar baixar a poeira, para saber qual dos carros estava na contramão. Vamos esperar um pouquinho para ver quem é bandido e quem é mocinho.

O senhor tem disposição de reagir?

Olha, tenho muita fé em Deus. Não tenho mais grandes ambições na vida, não. Acho que a política brasileira do jeito que está indo, esse tipo de jogo baixo... O sujeito tem fama de ladrão e aí o que ele faz? Ele tenta fazer o outro também ter fama de ladrão porque fica tudo igual. Ele quer que todo mundo se iguale a ele. Esse jogo sujo da política brasileira me enoja. Mas eu tenho uma missão e eu quero terminá-la. Queria, aliás, agradecer todas as mensagens de otimismo e todos que estão do meu lado, que a gente sabe quem são os amigos da gente do momento de dificuldade. Principalmente a Flávia, minha mulher. Queria fazer um agradecimento especial a ela, que tem cuidado de mim, me dado banho, ajudado a dormir, a reagir e me dar coragem. Não foi à toa que ela apareceu na minha vida. Ela é uma super mulher, a minha alma.

Roriz soube da operação da PF com antecedência

Uma série de eventos ocorridos nos últimos dois meses criaram a convicção no grupo de JOSÉ ROBERTO ARRUDA de que o ex-governador Joaquim Roriz sabia da investigação da Polícia Federal (PF) que culminou com a Operação Caixa de Pandora. Aliados de Roriz vinham criando um clima no meio político de que em breve denúncias graves relacionadas ao governo atual viriam à tona. Também se falava bastante nos bastidores que as fitas gravadas por Durval Barbosa estavam circulando e sendo exibidas a diversas pessoas em salas fechadas.

A convicção começou a se formar a partir dos movimentos de Roriz. Há dois meses, o ex-governador deu uma entrevista na qual apontou que Arruda não seria candidato à reeleição. Ele chegou a declarar que sabia o motivo, mas não poderia revelar. Pessoas próximas do ex-governador relatam que seus aliados mais próximos ofereceriam uma sessão das fitas comprometedoras com bastante desenvoltura. E garantiam que em breve o material viria a público. O próprio Roriz afirmou que em breve mudaria a história política da cidade.

Um dia antes da ação da Polícia Federal, Roriz disse a um grupo de interlocutores, num jantar na casa do Pastor Ricardo Espíndola, que a política do Distrito Federal sofreria em breve um forte abalo e um revés. Ele não deu detalhes, mas estava confiante sobre as chances reais de ver seu adversário político abatido por acusações graves que seriam apresentadas publicamente.

GOSTOSAS

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Arruda comprou a Bauducco!

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/12/09



Avisa pros políticos do Detrito Federal que eu quero um vídeo pornô: dinheiro na calçola!



BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Sabe o deputado que escondeu dinheiro na meia, o Leonardo Prudente? Ele foi autor duma lei chamada NOTA LEGAL. Rarará! É verdade. Num aguento mais piada pronta! Ele tava fazendo o pé de meia! DEM, Dinheiro em Meias!
E direto do Detrito Federal! DEM Urgente! O partido do Deu em Merda! Eu acho que o Arruda comprou a Bauducco! Aquele dinheirão das propinas não era pra comprar panetone pros pobres, dava pra comprar a Bauducco! E o comentando revela: DEM lança o PAC do Natal: Panetone do Arruda Comprado. E a frase do dia: o DEM leva dinheiro na meia, o PT leva na cueca e o povo leva no rabo! Rarará!
Simpatia de Natal: arruda na meia. Pra ficar rico mesmo: tira a arruda da orelha e bota na meia! E eu tô fazendo coleção dos vídeos do Arruda: o deputado botando dinheiro em meia, o Arruda botando dinheiro no saco, saco de papel, a política botando dinheiro na bolsa, e agora empresário com dinheiro na cueca. Meia, saco, bolsa e cueca! Como disse o deputado do DEM: "As vestimenta!".
Como é que o DEM , um partido de elite, fala: as vestimenta. Tá pior que o programa do Rodrigo Faro.
Quadro de perguntas. Em que cidade fica o Coliseu? Grécia, gritou o participante. Qual a capital de Roraima? Santa Catarina. Rarará. E o programa se chama "O Melhor do Brasil". Imagine o pior! E avisa pros políticos do Detrito Federal que eu quero um vídeo pornô: dinheiro na calçola!
E o chargista Sponholz revela que saiu um novo filme: "Zelaya, o Filho Adotivo do Brasil". Rarará! E agora o Lula vai arrumar um bico pro Zelaya na Petrobras. Porque ele tem grande experiência como presidente de posto. Rarará! Infame! Infame! Infame!
E o Blog do Bonitão mostra o Rodrigo Maia, líder do Deu em Merda: "O dinheiro era pra comprar panetone pra base aliada e um velotrol pro ACM Neto". Rarará! É mole? Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Gainesville, na Flórida, tem um restaurante japonês chamado Miraku.
Então bêbado não entra! Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Cueca ou meia": bagageiro pra político transportar grana. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre mas nóis goza! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ELIO GASPARI

‘Ah, se meu panetone falasse...’

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/12/09

É SEMPRE a mesma história. Apanhado, o magano chantageia seus pares ameaçando contar o que sabe. O tempo passa, ele mede as consequências, sai de fininho, e restabelece-se a paz no andar de cima. (Se for o caso, o DEM, ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL, muda de nome.) Em 2001, quando foi apanhado no episódio da violação do sigilo do painel eletrônico do Senado, José Roberto Arruda ameaçou contar o que sabia caso fosse deixado ao relento. À época ele era um quadro do PSDB e líder do governo de Fernando Henrique Cardoso no Senado. Arruda recebeu a visita de dois grão-tucanos, renunciou ao mandato de senador, escapou da cassação e foi cuidar da vida.

Ah, se o Arruda falasse… Em 2001 ele poderia ter contado como se formaram as maiorias parlamentares do tucanato. Algumas, como a da reforma da previdência, nasceram da troca de favores, outras, como a que permitiu a reeleição dos presidentes, governadores e prefeitos, precisaram de mais alavancagem. É verdade que Arruda nunca soube tanto quanto o ministro Sérgio Motta, mas soube bastante.

A crise dos pacotes de dinheiro nas meias de um deputado, na cueca de um dono de jornal e na bolsa de uma educadora transformou Arruda num ativo tóxico. Ele e o senador Eduardo Azeredo, denunciado pelo caixa dois do tucanato mineiro, tornaram-se fiéis depositários do patrimônio de maus costumes da oposição. Às pizzas da nação petista, José Roberto Arruda contrapôs os panetones.

Arruda sabe que as versões apresentadas por seus advogados e pelos seus colegas são pouco mais que um exercício de escárnio. Esse foi um estilo consagrado pelos petistas quando criaram a figura dos “recursos não contabilizados”. Quatro anos depois do estouro do mensalão, os companheiros estão protegidos, alguns com mandato, outros com posições na direção partidária, todos com acesso a gestores de fundos capazes de se comover com uma história de abandono.

Arruda, com as meias e as cuecas de seus aliados, é uma conta que deve ir para o DEM, respingando nos seus tradicionais parceiros do tucanato. Não é justo falar em mensalão numa hora dessas, mas a sorte pregou uma peça ao novo presidente do PT, o comissário José Eduardo Dutra. No mesmo dia em que as bandalheiras de Brasília chegavam ao café da manhã da choldra, ele deu uma entrevista à repórter Vera Rosa e disse o seguinte: “Em toda eleição há o risco de você ter desvios, caixa dois. É inerente ao modelo”. Dutra acha que essa inerência do modelo só será resolvida instituindo-se o financiamento público nas campanhas eleitorais. (Será que o companheiro acha que com financiamento público a rapaziada de Brasília estaria saciada?)

Em 2001 Arruda tinha a rota de fuga da renúncia. Agora essa porta perdeu a funcionalidade, pois, se for posto para fora do DEM, ele não participa da próxima eleição. Se o Ministério Público e a Polícia Federal conseguirem a colaboração de mais um ou dois deputados distritais, os doutores (inclusive Arruda) terão motivos para temer a cadeia.

O desembaraço dos mensaleiros de todos os partidos não será inibido por reformas políticas. A única coisa de que bandido tem algum medo é da cadeia. Esse nobre sentimento pode levar alguns sabiás a gorjear diante dos procuradores ou dos delegados.

ROTINA

DORA KRAMER

Transgressão continuada

O ESTADO DE SÃO PAULO - 02/12/09


Contrariando a impressão geral, o presidente Luiz Inácio da Silva não acha que as cenas do escândalo que mostra uma quadrilha de corruptos em ação em Brasília sejam autoexplicativas.

"As imagens não falam por si", declarou o presidente, sem explicar por quem, então, falariam. A declaração não foi feliz, embora se entenda que na posição dele qualquer juízo mais rigoroso seria interpretado como incongruência em relação à posição sempre condescendente para com transgressões de toda natureza.

Uma exposição desnecessária a esse tipo de cobrança, visto que do ponto de vista político-eleitoral o serviço está feito, independentemente do julgamento do presidente. Justamente porque as imagens falam por si e Lula sabe disso.

Se pôde dizer que não sabia das atividades da organização - "criminosa" no dizer do Ministério Público - que atuava em seu próprio partido, sobre as falcatruas ocorridas na casa do adversário é que não tem mesmo a menor responsabilidade, embora pudesse talvez uma vez na vida censurar malfeitorias no lugar de procurar sempre amenizá-las.

Mas fato é que o abacaxi da vez cabe à oposição descascar. Pode fazê-lo com maior ou menor competência.

A ala mais esperta do DEM sentiu logo o frio do perigo a rondar as respectivas nucas. Optou pela redução de danos, tratando de considerar as acusações "consistentes", na expressão do prefeito Gilberto Kassab, e a situação do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, "insustentável", na avaliação dos senadores Agripino Maia e Demóstenes Torres.

Não obstante os conselhos da voz da experiência, o partido preferiu chafurdar no pântano das evasivas. Consta que a cúpula teria ficado impressionada com a "firmeza" da defesa de Arruda e intimidada com a rudeza da ameaça de "radicalizar" com o partido caso o partido resolvesse radicalizar com ele. Vale dizer, expulsá-lo ou convidá-lo a se retirar.

As ameaças foram relatadas pelos participantes da reunião e, 24 horas depois, negadas. Ou seja, o DEM pôs panos quentes em uma tentativa de chantagem.

Por parte de um correligionário com histórico de transgressão continuada. Há oito anos violou o sigilo do painel de votação do Senado.

Depois disso mentiu com direito a simulação de indignação de choro no plenário, além de juras em nome dos filhos. Em seguida, admitiu a fraude, declarou arrependimento e enganou o eleitorado do Distrito Federal a quem convenceu de que o episódio fora apenas um tropeço.

Eleito deputado e, na condição de parlamentar e candidato ao governo de Brasília, prevaricou ao distribuir alimentos em troca de votos. Governador eleito, prevaricou de novo ao se tornar herdeiro voluntário das operações escusas do antecessor Joaquim Roriz. Ao ponto de abrigar o operador - hoje denominado "o denunciante" - do esquema, dono de fornida folha corrida de processos, na Secretaria de Relações Institucionais.

Coisa que não pode ser chamada de ironia do destino por ser uma zombaria premeditada.

Governador em exercício, Arruda continuou prevaricando como se vê pela gama de corruptos filmados que o cercam no governo e na base parlamentar.

Ameaçado pelo tal secretário, Durval Barbosa, prosseguiu transgredindo, curvando-se à pressão do bandido e ao mesmo tempo permitindo que ele agisse, já que, se foi chantageado, sabia do conteúdo das potenciais denúncias.

Poderia, se pudesse ou quisesse, ter explodido o esquema. Acabou carbonizado por ele.

Isso posto e exposto, José Arruda não se deu por satisfeito. Depois de fraudar, mentir e prevaricar, partiu para a chantagem, ameaçando seu partido de cair atirando, revelando que os dutos de desvio de dinheiro público sob sua jurisdição haviam servido para irrigar outras paragens no cenário nacional.

Fosse apenas por isso, o DEM já não teria outra saída a não ser a expulsão. Sob pena de repetir a submissão de Arruda à chantagem de seu secretário de Relações Institucionais e acabar junto com ele habitando as profundezas do mar de lama.

Antes da reunião em que examinaria ontem a questão, o partido tendia a dar dez dias para o governador "se explicar", alegadamente com receio de que a expulsão sumária pudesse dar margem a contestação judicial sob o argumento da supressão do direito de defesa.

Juridicamente pode até ser o mais prudente, mas politicamente são dez dias de hesitação, e esperança de que o caso "esfrie", que destruirão os já abalados alicerces do partido.

E com eles as estruturas de quem estiver por perto.

Jurisprudência

A surpresa do presidente Lula pela inexistência de cópias piratas do filme sobre a sua vida poderia ser vista como uma brincadeira, não fosse o antecedente de ter requisitado um DVD clandestino para assistir a Dois Filhos de Francisco a bordo do avião presidencial, antes do lançamento oficial.

ANCELMO GÓIS

Haja coração

O GLOBO - 02/12/09


Há quem diga que Durval Barbosa, o homem da mala que denunciou o mensalão do Democratas de Brasília, tem 300 horas de gravação desde 2006.
A ideia seria soltar aos poucos. A conferir.

ELOQUENTE SILÊNCIO...
Aliás, o ex-blog de Cesar Maia não tinha ontem uma linha sobre o mensalão do DEM (seu partido) em Brasília.
BOLSA-DITADURA
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça julga amanhã processos de velhos metalúrgicos do ABC – muitos são ex-colegas de sindicato de Lula – que pedem correção de suas aposentadorias especiais, hoje na faixa de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil.
Estão no grupo Djalma Bom e o deputado federal Devanir Ribeiro, do PT.
O CASO DO VESTIDO
Menos de um mês depois de Geisy Arruda e seu microvestido na Uniban, uma carioca descobriu que a Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da vetusta Fundação Getúlio Vargas tem um regulamento que também veta minissaia.
O Artigo 52 diz que é proibido usar “bermuda, short, minissaia, chinelo, top e camiseta curta ou cavada”.
MOTIM A BORDO
Domingo, um brasileiro deportado que viria algemado e escoltado no voo 7025 (Madri-Rio), da Ibéria, gritou tanto na decolagem que, diante do protesto geral a bordo, o piloto desistiu.
Alegou falta de condições de voar com o rapaz exaltado, e os policiais o tiraram do voo.
TEMPO DE D. JOÃO 6º
O Comitê Olímpico Português resolveu comemorar seu centenário com um livro recém-lançado.
Nele, consta que as Olimpíadas de 2016 serão no Rio, “ex-capital do Império português”. Ah, bom!
SALVE GERAL
Sérgio Rezende, o cineasta, corre para tentar uma vaga na final do Oscar de melhor filme estrangeiro com seu longa Salve geral.
Hoje, exibirá o filme em Washington, no The Greenberg Theater, para integrantes da academia. Dia 8, a sessão será em Los Angeles no Wilshire Screening Room.
ENSINO SUPERIOR
O Censo educacional 2008 mostra que as instituições privadas oferecem 75% das 4,8 milhões de matrículas do ensino superior.
O número é muito baixo, pois só 13% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão cursando uma faculdade. Na Coreia, este percentual é de 56%.
ALIÁS...
Imagine o que seria do ensino brasileiro sem o setor privado, mesmo com todas as deficiências.
ELE É DO RAMO
Pelo menos de cocaína este Robin Williams entende.
O engraçadinho, que disse que o Rio mandou 50 strippers e meio quilo de pó para Copenhague para ganhar os Jogos de 2016, participou de muitas noitadas movidas pela droga. Numa delas, aliás, seu amigo e também ator John Belushi morreu de overdose.
DEUS CASTIGA
Gatunos roubaram a Igreja de Cristo Operário, em Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio.
Levaram computador e os instrumentos musicais da igreja. Que maldade.

GOSTOSA

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RUY CASTRO

Mudou de patamar


FOLHA DE SÃO PAULO - 02/12/09


Em Maceió, na semana passada, mais uma mãe acorrentou a filha à cama para evitar que saísse à rua e fosse assassinada por traficantes, com quem tinha uma dívida pesada por drogas. A garota, 15 anos, é dependente de crack desde os 12; também já é mãe e costuma se prostituir em função do produto. Em contrapartida, relatos sobre pais que saem para buscar crack e abandonam seus bebês em casa durante horas são diários e em todo o País.

Em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, também na semana passada, um casal usuário de crack, num surto de abstinência, arremessou o filho de 1 ano e 3 meses contra a parede. Ainda em BH, um pai chamou a PM para conter a agressividade do filho, 29 anos, que fumava crack em casa e o ameaçava. À chegada da polícia, o rapaz reagiu com uma faca e foi morto com 12 tiros, na frente da família.

No Rio, perto da Mangueira, um homem de 65 anos matou a filha, de 42, com uma facada no coração. A moça e o marido, dependentes de crack, tentavam agredir a mãe dela, usando uma barra de ferro e uma garrafa quebrada. O pai pegou uma faca de cozinha e, para defender a mulher, acertou a filha. Há pouco mais de um mês, idem no Rio, outro dependente, 26 anos, foi entregue à polícia pelo pai após matar a namorada, de 18. Com o crack, nenhuma família fica de pé.

O problema da droga no Brasil mudou de patamar. Não se trata mais de jovens que, depois de anos de uso esporádico e recreativo de drogas ‘leves’, tornam-se dependentes e problemáticos. Agora, usou, bateu _ninguém usa crack recreativamente_, em todas as faixas sociais, culturais e de idade.

Sim, o ser humano sempre usará drogas. Se houver oferta. Há menos de dez anos, o crack estava restrito a uma esquina de São Paulo. Não se cuidou dele e, agora, o drama é nacional. E ninguém está a salvo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“De onde menos se espera é que não vem nada mesmo”
PEDRO SIMON, QUE LANÇOU ONTEM O GOVERNADOR MALUQUINHO ROBERTO REQUIÃO A PRESIDENTE

PF PROCURA R$ 400 MIL EM CÉDULAS MARCADAS
A Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal foi deflagrada depois que Durval Barbosa, já colaborando com a Justiça, gravou políticos e autoridades recebendo dele propinas no valor R$ 400 mil, por suposta determinação do governador José Roberto Arruda. As gravações começaram em 21 de outubro último e todo o dinheiro, marcado pela PF, foi objeto dos mandados de busca e apreensão de sexta-feira (27).
BATOM NA CUECA
Ao cumprir a busca e apreensão, a PF vasculhou gabinetes e casas à procura de cédulas de R$ 50 e R$ 100 que estavam marcadas.
CHAVE DE CADEIA
O Instituto de Criminalística da PF examina os R$ 700 mil apreendidos. Quem foi encontrado com dinheiro marcado corre o risco de ir em cana.
APREENSÃO
Com o secretário de Educação, José Luiz Valente, a PF achou mais de R$ 1 mil em notas de R$ 50 e R$ 100. Ele garante que é grana limpa.
DUAS CÉDULAS
A Polícia Federal realizou junto ao deputado Pedro do Ovo (PRB) a menor apreensão de dinheiro: duas cédulas de R$ 50, em sua carteira.
PRESSIONADOS, DIRETORES DO IBAMA SE DEMITEM
O diretor de Licenciamento Ambiental do Ibama, Sebastião Pires, e o coordenador-geral de Infraestrutura Elétrica, Leozildo Benjamin, pediram demissão, cansados de ser pressionados pelo governo federal a liberar a licença ambiental da hidrelétrica de Belo Monte (PA), a maior obra do mundo. Segundo Leozildo “chega esse ou aquele ministro, promete que [a decisão] vai sair tal dia e, se não sai, a culpa é do Ibama”.
MINISTROS HOLOFOTE
“As autoridades gostam muito de aparecer na mídia, mas deveriam pensar duas vezes antes de anunciar qualquer decisão,” avisa Benjamin.
CUSTO DE UM APOIO
Durval Barbosa disse ao MPF que o apoio do ex-governador Benedito Domingos (PP) ao candidato Arruda, em 2006, custou R$ 6 milhões.
ARTE COMEMORATIVA
A arte Santa Marcelina vai celebrar seus 30 anos com uma exposição comemorativa em Brasília, na QI 5 do Lago Sul, entre os dias 2 e 6.
A VOLTA DOS GAFANHOTOS
O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Messias de Jesus, faz “campanha” no TSE pela cassação do governador Anchieta Jr. (PSDB). Messias acha que herdará o cargo. Ele é muito ligado ao ex-governador Neudo Campos, que foi preso pela Operação Gafanhoto.
FORA DE CENA
Após jogar lama no ventilador, o ex-delegado Durval Barbosa saiu de Brasília para ficar, sob forte escolta policial, na fazenda de um amigo, em Goiás, antes de entrar no Programa de Proteção a Testemunhas.
‘TRAIÇÃO’
No depoimento espontâneo ao Ministério Público Federal, em 17 de setembro, Durval Barbosa explicou por que decidiu gravar todo mundo: termia ser traído por Arruda, após a eleição e “foi o que aconteceu”.
A MÁGOA DE DURVAL
Durval contou ao MPF que sua família foi desfeita pelas perseguições que atribui ao governador José Roberto Arruda. A ex-mulher “não entendia por que se falava em dinheiro desviado se ela vivia limitada financeiramente”. Eles têm dois filhos, de 4 anos e 1 ano e meio.
RORIZ ASSUNTANDO
Ele adora a comparação: como Getúlio Vargas em seu tempo, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) aguarda o desfecho do escândalo do DEMsalão na varanda de sua fazenda, em Luziânia (GO).
DE OLHO EM 2010
O PSDB teme que a retirada de apoio ao DEM no DF prejudique a candidatura tucana a presidente. Por isso, segundo o senador Sérgio Guerra, o PSDB decidiu “desencostar para não se contagiar”.
LADO B
Os deputados distritais do PSDB Raimundo Ribeiro e Milton Barbosa, este irmão do denunciando Durval Barbosa, devem apoiar a proposta de impeachment do governador do DF, José Roberto Arruda (DEM).
INTERNACIONAL
O escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, no governo do Distrito Federal, foi destaque em jornais da China e até do Qatar, que chamam o caso de “rede de corrupção”.
PENSANDO BEM...
... Nem Pandora imaginava o que iam achar dentro da Caixa do governo do Distrito Federal.

PODER SEM PUDOR
RAPOSAS MINEIRAS
José Maria Alckimin era simpático, cumprimentava todo mundo. Certa vez, ao entrar no elevador da Câmara dos Deputados, notou que o ascensorista era novato. Puxou conversa, descobriu que era um mineiro, seu eleitor e insinuou que o reconhecera. Ao despedir-se, fez a pergunta clássica:
– Como é mesmo o seu nome completo?
O rapaz mostrou que esperteza política não é privativa de velhas raposas:
– Qual é mesmo a parte do meu nome que o senhor se lembra?
Os dois caíram na gargalhada.

BANDIDOS

QUARTA NOS JORNAIS

- Globo: Imagem de políticos recebendo propina 'não fala por si', diz Lula


- Folha: Fita expõe ação de Arruda no mensalão


- Estadão: DEM marca expulsão de Arruda para o dia 10


- JB: Tráfico reage à PM e assusta Copacabana


- Correio: Arruda: Roriz quer ganhar no tapetão


- Valor: Gasto com executivos soma R$ 1 bi em 5 bancos


- Jornal do Commercio: Contratação de shows derruba secretário