sábado, novembro 28, 2009

RUTH DE AQUINO

REVISTA ÉPOCA
Por que a escola precisa ensinar cidadania
RUTH DE AQUINO
Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

Alunos nas escolas britânicas aprenderão uma nova lição: não bater em mulheres e meninas. Por ano, na Grã-Bretanha, 1 milhão de mulheres sofrem ao menos um episódio de violência doméstica, e 750 mil crianças são testemunhas. A aula estará no currículo obrigatório para crianças a partir de 5 anos. Formar os valores do indivíduo, dar noções de cidadania... é papel da escola ou da família?

Do jeito como as coisas andam, por mais que eu defenda a soberania individual, sou a favor de aulas de cidadania. É um terreno pantanoso. Não se fala aqui da antiga aula de moral e cívica, de assustadora lembrança. Mas de noções de convívio pacífico, não discriminação racial ou sexual, respeito ao meio ambiente, ao vizinho e aos idosos, e alertas para o abuso de álcool, drogas, armas, e contra a violência em casa, no trânsito, na rua, na sala de aula.

Não deveria ser papel dos pais? Ao atribuir à escola parte da responsabilidade pela formação do cidadão, não estaríamos passando atestado da falência da família? Não são os pais que devem ensinar o certo e o errado, de acordo com seus princípios morais e éticos? Teoricamente, sim. Mas, como pais, cumprimos nosso papel? A família moderna – em que pais e mães trabalham dez horas por dia e dedicam pouco tempo aos filhos, ou se divorciam numa velocidade maior do que se casam – é autossuficiente para formar cidadãos responsáveis? A sociedade tem contribuído positivamente para mostrar à criança a fronteira da liberdade que não incomoda o outro? Quando se fala em defesa da cidadania, logo se pensa em sair às ruas e exigir nossos direitos. E os deveres de cada um? Quem é o guardião – precisamos de guardiães?

Uma tragédia ocorrida em Belo Horizonte na quinta-feira demonstra a impotência de famílias que não sabem a quem apelar quando os filhos se viciam e se tornam agressivos. Bruno Guimarães, de 29 anos, que já havia sido internado seis vezes para desintoxicação, foi morto com 12 tiros por três PMs em sua própria casa. Quem chamou a polícia foi o pai. Bruno e amigos consumiam crack e cocaína. Os PMs arrombaram o quarto, e o rapaz atacou um PM com uma faca. Balas de borracha não surtiram efeito, e o PM descontrolado disparou 12 tiros com uma pistola 40. Doze tiros! Fica claro para os pais que chamar a PM para conter um filho drogado não é opção. Não é desse tipo de “guardião” que as famílias precisam.

Teoricamente, caberia aos pais educar seus filhos.
Mas ninguém pode dar conta dessa tarefa sozinho

Podemos criar uma sociedade menos violenta? Dois estudos divulgados na terça-feira, em São Paulo, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelaram que 55% dos jovens dizem ter visto corpos de pessoas assassinadas no último ano. Sabemos que não são as famílias sozinhas, ou as escolas – sem condições de ensinar direito nem português e matemática –, que darão jeito nisso. Falta um foco obsessivo do Estado na educação ampla e irrestrita.

Até que ponto escolas e famílias podem criar uma parceria saudável? Na Grã-Bretanha, pais reagiram ao curso contra a violência doméstica. Uma mãe disse que o governo deveria se concentrar em ensinar as crianças a ler e escrever, e parar de interferir em como os pais criam seus filhos. O primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, disse que “a violência contra mulheres e meninas é uma obscenidade, por isso as escolas tentarão mudar atitudes enraizadas desde a infância”.

Na América Latina, é pior. Um estudo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) mostrou que a violência do parceiro atinge 40% das mulheres: “De pancadas a ameaças de morte, acompanhadas por forte violência psicológica e às vezes também sexual”.

Até que ponto o Estado ajuda ou prejudica? É contribuição ou intromissão? Complicado. Sou favorável à Lei Seca, à proibição do fumo em lugares fechados, à adoção de uma educação ambiental desde cedo. Sou totalmente contra apostilas e livros com viés ideológico, que santificam ou demonizam personagens históricos para fazer a cabeça da criançada. Também acho abuso injustificável usar escolas laicas para pregações religiosas.

Mas acredito que a criação de uma cultura cidadã é responsabilidade de todos. Pais, escolas, Estado.

ANCELMO GÓIS

APAGÃO DA DILMA

O GLOBO - 28/11/09


Quinta, Dilma, a primeira-candidata, descia do 15º andar no elevador do Hotel Tropical Business Manaus, por volta de 14h, quando, ao passar pelo 5º... o elevador parou. Faltou energia.
Deve ser castigo. Afinal, três semanas atrás, a ministra tinha dito que o Brasil estava a salvo de apagões.
MAS... Segundo um funcionário do hotel, a luz não demorou a voltar, porque o gerador foi acionado. Ah, bom!
CARA-DE-PAU
Veja como tem político cara-de-pau. O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, estava ao lado de Lula na inauguração do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, quinta.
Quando era governador, Amazonino foi contra o tal gasoduto e tratava com grosseria o pessoal da Petrobras, que cuidava da obra.
SERRA É POP
Serra se finge de morto em relação à eleição presidencial de 2010. Mas faz um circuito de programas populares na TV muito comum entre candidatos.
Há duas semanas, foi recebido por Hebe Camargo, no SBT. Quinta, deu entrevista a Luciana Gimenez no “Super Pop”, da RedeTV!.
CENA CARIOCA
Quinta à tardinha, no calorão, um rapaz de uns 25 anos andava pelo calçadão de Copacabana de mochila nas costas e... pelado.
Uma moça que passava reparou no, digamos, pré-sal do jovem e exclamou para a amiga: “Nossa, ele está animadinho!”.
O FILHO DE JABOR
Ontem, no Festival de Cinema em Búzios para exibidores, foi mostrado um trecho promocional do filme “A suprema felicidade”, de Arnaldo Jabor, que estava há 15 anos sem filmar.
Foi aplaudidíssimo.
MINISTRO TREMENDÃO
O ministro boa-praça Carlos Ayres Britto, do STF, é fã de Erasmo Carlos.
Outro dia, num shopping de Brasília, adotou um visual que lembrava a jovem guarda, de calça jeans apertada e tênis.
DR. HOUSE
A Editora Planeta vai lançar no Brasil o primeiro livro do ator inglês Hugh Laurie, que interpreta o mal-humorado dr. House na série americana de sucesso sobre o médico excêntrico e genial.
O romance, chamado “O vendedor de armas”, chega às livrarias em janeiro.
ETANOL DA ODEBRECHT
A Odebrecht vai produzir etanol e açúcar em Angola.
A brasileira investirá US$ 200 milhões no projeto, em parceria com o conglomerado local Damer e a petroleira Sonangol. A produção deve começar no fim de 2010.
TERRA TREME
Hoje, às 15h, será realizada a Caminhada pela Família em São Gonçalo, promovida pela prefeitura com apoio de entidades ligadas a igrejas evangélicas. Gays, lésbicas e transexuais vestiram a carapuça e disseram na internet que a caminhada é “homofóbica”.
ALIÁS...
O grupo Liberdade, organização LGBT de São Gonçalo, promete para estes dias uma vigília na porta da prefeitura para protestar contra a prefeita Aparecida Panisset, evangélica, que não aceitou receber um centro estadual que beneficiaria os gays.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

RUY CASTRO

Apagando o passado

FOLHA DE SÃO PAULO - 28/11/09


O cartaz do filme Gainsbourg – Vie héroque, sobre o cantor e compositor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), não poderá ser exposto no metrô de Paris. Motivo: o protagonista aparece com um cigarro entre os dedos e o rosto em meio a uma nuvem de fumaça. Se exibisse o cartaz, o metrô seria multado em 100 mil, por “incitação ao consumo de tabaco”.

Deve ser difícil mostrar Gainsbourg sem um cigarro na mão ou longe de uma nuvem de fumaça. Fumar era sua principal atividade, exceto – talvez – quando estava fazendo amor com Brigitte Bardot, Jane Birkin, Catherine Deneuve, Isabelle Adjani e outras. As mulheres gostavam dele, pouco se importando se fumava ou não.

Se a moda pega, os franceses terão de expurgar grandes expoentes de sua cultura moderna. O poeta Jacques Prévert, por exemplo, nunca foi fotografado sem um Gitane ou um Gauloise na boca. Jean-Paul Sartre e Albert Camus idem. E, como eles, os atores Jean Gabin, Michelle Morgan, Charles Boyer, Yves Montand, Simone Signoret , Jeanne Moreau, Jean-Paul Belmondo. O cineasta Jean-Luc Godard. Os cantores Serge Reggiani, Jacques Brel, Charles Aznavour.

Há meses, o metrô de Paris já havia alterado eletronicamente o clássico cartaz de Meu Tio, o filme de Jacques Tati, removendo o cachimbinho de M. Hulot, seu personagem. Prevê-se que, no futuro, outros personagens também serão “corrigidos”: o aventureiro Arsène Lupin perderá sua piteira; o inspetor Maigret, o cachimbo; o capitão Haddock, de Tintin, também.

A França faz bem em proibir o fumo ao vivo em seus ambientes internos – poucos países fumaram tanto no século 20. Mas a boba tentativa de apagar o cigarro de seu passado não faz jus a um povo de que não se sabe o que mais admirar, se os vícios ou as virtudes.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Ele [Tarso] acabou por usurpar a competência de outros órgãos”
PRESIDENTE DO STF, GILMAR MENDES, AO CRITICAR A ATUAÇÃO DE TARSO GENRO NO CASO BATTISTI

ESCÂNDALO NO DF PODE AJUDAR EX-GOVERNADOR
O escândalo revelado ontem pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, atinge a candidatura à reeleição do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) e em princípio beneficiaria seu principal adversário, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Mas o pivô do caso, o ex-delegado da Polícia Civil e atual secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, é aliado tradicional de Roriz.
CONHECIDOS
No governo Roriz, Durval Barbosa protagonizou o escândalo da Operação Megabyte, sobre fraude em licitações na área de informática.
ACORDÃO
Para amenizar sua punição, Durval fez um acordo de delação premiada com a PF. Gravou e delatou todos os envolvidos na Operação.
SE DEU BEM
O candidato do PT-DF Agnelo Queiroz pode ser o principal beneficiado pela operação da PF, caso Arruda e Roriz sejam de fato atingidos.
ADEUS
O ministro Fernando Gonçalves (STJ), que ordenou a Operação Caixa de Pandora, está se despedindo: vai se aposentar em abril de 2010.
BATTISTI DISPENSOU AJUDA PARA REFUGIADOS
O terrorista italiano Cesare Battisti esnoba, há quase um ano, o auxílio financeiro a asilados. O refúgio, em janeiro, foi concedido pelo ministro Genro (Justiça), contrariando parecer do Comitê Nacional para os Refugiados. Battisti sequer procurou o Conare para conhecer seus direitos, como cursos profissionalizantes, saúde e educação. E também esnobou a verba da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).
CAI, CAI BOLHÃO
Com o anúncio da moratória ontem, Dubai, paraíso emergente da cafonália, virou Ducai. Que não desabem os horrendos arranha-céus.
SÓ BRASILEIROS
A gigante brasileira Vale se uniu à Aço Cearense para inaugurar uma mina no Pará. A Vale terá 25% do negócio de US$ 750 milhões.
EXTENSA LISTA
A senadora Patrícia Saboya desistiu da reeleição. Irá concorrer a um mandato de deputada estadual com o aval do ex, Ciro Gomes (PSB).
CAÇA À FRANCESA
O ministro Jobim (Defesa) chega à França nesta segunda (30) para “incrementar as relações bilaterais” etcetera e tal. De lá, segue para a Ucrânia, na comitiva do presidente Lula, que chega dia 2.
APELOU
O governador José Serra (PSDB) visitou ontem a sala dos milagres na basílica de São Francisco, em Canindé (CE). Ganhou uma fitinha e fez três pedidos, além de orar. E ainda disse adorar os nordestinos.
DEMISSÕES SUSPENSAS...
Os 2 mil funcionários de Furnas ameaçados de demissão, como esta coluna informou no último dia 13, conseguiram no Tribunal Regional do Trabalho de Brasília liminar suspendendo as dispensas.
... EM FURNAS
O acordo para as demissões foi firmado entre Furnas e o Ministério Público do Trabalho. A primeira leva de 500 trabalhadores já seria dispensada em dezembro deste ano.
COSTA DO OURO
Ambientalistas estão verdes de raiva: dono de mansão em Angra dos Reis, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), autorizou novas construções na baía da Ilha Grande, ignorando órgãos técnicos.
TÃO LONGE, TÃO PERTO
O Conselho Nacional de Justiça quer saber por que o Tribunal de Justiça do Tocantins concede tanto empréstimo consignado, entre outras irregularidades. Há juízes recebendo R$ 222 mensais. As diárias no Tribunal não especificam sequer o meio de transporte.
EXEMPLO
Uma leitora que teve câncer repreendeu a ministra presidenciável Dilma Rousseff (Casa Civil) a esta coluna, por não assumir a careca. Seria um exemplo para outras doentes, escreveu a leitora.
PARA A MELHOR
Uma firma de consultoria fez uma pesquisa no estado americano do Texas (que, se fosse um país, seria a 8ª economia do mundo) onde foi constatado que o Brasil é “alvo” dos produtores de equipamentos médicos, em razão da “mudança” e “melhora” do mercado brasileiro.
PENSANDO BEM...
...com tanto rolo, o governo Lula tinha que virar propaganda de papel higiênico.

PODER SEM PUDOR
MADEIRAS QUEIMADAS
Em campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 1985, Jânio Quadros foi procurado pelo seu vice, Artur Alves Pinto, com severas restrições a alguns políticos que apoiavam a candidatura. Jânio ponderou:
– Eleição, meu caro, é uma grande fogueira. Nela, há lugar para madeira de toda qualidade.
O vice não se impressionou com a imagem, e Jânio ensinou:
– Fique tranqüilo: na administração, a gente separa as madeiras.

NEVE: O LIMPA MERDA

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados


- Estadão: Polícia flagra ‘mensalão do DEM’ no governo do DF


- Folha:Governo do DF é acusado de corrupção


- JB: Pré-sal: perda de 3 bi vai “matar” a Saúde

sexta-feira, novembro 27, 2009

ESTUPRADOR DE MENINOS


LULA, O VAGABUNDO COMEDOR DE MENINOS


CÉSAR BENJAMIN, FUDADOR DO PT

"Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

LEIA ABAIXO, O DEPOIMENTO COMPLETO

CÉSAR BENJAMI

Os filhos do Brasil

Folha de S. Paulo - 27/11/2009

ESPECIAL PARA A FOLHA


A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.
Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.
Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".
Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.
Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -"sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.
Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.
Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.
Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.
Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.
Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.
Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.
Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.
Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.
Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.



São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.
Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.
Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.
Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".
Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.
Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.
O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.



Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.
Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.
Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.
A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.
O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.
Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

GOSTOSA

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IGOR GIELOW

Jobim pede à FAB que não indique qual o melhor caça

FOLHA DE SÃO PAULO - 27/11/09


Ministro diz que, independentemente disso, decisão final será mesmo do presidente

Em setembro, o presidente da comissão que avalia o negócio, brigadeiro Dirceu Noro, disse que iria apontar um vencedor do processo


O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que pediu à FAB (Força Aérea Brasileira) que não indicasse um vencedor em sua avaliação técnica dos concorrentes ao fornecimento de 36 novos caças ao Brasil.
Mais: afirmou por meio de sua assessoria que "a expectativa é que o relatório venha conforme solicitado", "mas, independentemente da forma [do texto]", "o que vale é a avaliação final feita pelo presidente da República".
Para Jobim, que diz ter pedido só os prós e contras de cada concorrente em itens como preço e transferência tecnológica, "tudo o mais são insumos para essa decisão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em setembro, o presidente da comissão que avalia o negócio de estimados R$ 10 bilhões, brigadeiro Dirceu Noro, afirmara que iria haver um vencedor do processo seletivo. A declaração foi dada após a gafe de Lula, que havia anunciado a escolha do francês Dassault Rafale durante visita do seu colega Nicolas Sarkozy, esquecendo de esperar a conclusão da avaliação técnica da FAB.

Desconforto
Houve desconforto na Força, e o comandante Juniti Saito chegou a ameaçar entregar o cargo. Os finalistas do processo, suecos e americanos, além dos franceses, já haviam entregado suas propostas finais. O processo foi reaberto e eles foram instados a revê-las.
Desde então o Planalto e a Defesa tentam capitalizar a confusão como uma forma de pressionar pela queda nos custos. Em especial o preço do Rafale, naquela altura 40% superior ao do Boeing F/A-18 americano e o dobro do oferecido pelo Saab Gripen NG sueco.
Ao mesmo tempo, em reiteradas declarações, o governo manteve sua preferência pelo Rafale. O Brasil, afinal, acabara de assinar um acordo militar para fornecimento de submarinos e helicópteros de R$ 22,5 bilhões e uma parceria estratégica com Paris.
Antes do anúncio de setembro, Jobim já havia dito que esperava um relatório indicativo, mas não conclusivo, da FAB. A declaração de então à Folha por Dirceu Noro colocou lenha na fogueira: se os militares escolhessem um avião que não o francês, colocariam os políticos em uma saia justa.
O "timing" da nova "solicitação" de Jobim não é fortuito. Todos os concorrentes reapresentaram propostas prometendo corte de custo. Questionada, a Aeronáutica não divulgou oficialmente, mas certamente o tema foi debatido na reunião de Alto Comando que ocorreu entre anteontem e ontem.
Há incômodo na FAB com o que alguns oficiais consideram desprezo civil por seu trabalho. O processo transcorreu com prazos fixos e produziu mais de 25 mil páginas sobre cada um dos aviões e suas propostas. Um representante de um dos concorrentes, experiente de outras campanhas de venda, diz nunca ter visto análise tão detalhista.
Nos bastidores, os concorrentes consideram que a reunião seria decisiva para o relatório da disputa, conhecida pelo código F-X2 -o "2" para diferenciá-la do malogrado programa abandonado em 2005.
Apesar das movimentações oficiais finais, como a visita do ministro da Defesa sueco a Jobim anteontem, os olhos do governo estão voltados para o quartel-general da Dassault.
Conforme a Folha apurou, para o caso ser dado por encerrado com os franceses, é tudo uma questão de a promessa política de Sarkozy a Lula tornar-se realidade da proposta empresarial. O presidente francês prometeu ao brasileiro que o Rafale seria barateado e que cargueiros em desenvolvimento pela Embraer seriam comprados pela França -ou seja, misturou decisões privadas e estatais na conversa, o que não é inusitado em negócios de defesa, mas que levanta dúvidas.
Havia a expectativa entre as empresas de que o encontro ontem de Lula e Sarkozy em Manaus, aliado à reunião da FAB, fechasse algum diagnóstico. Jobim, contudo, viajou para o encontro de ministros da Defesa no Equador, o que deverá adiar qualquer anúncio por mais alguns dias. Ou não.

MARIA CRISTINA FERNANDES

A política externa sob escrutínio popular

VALOR ECONÔMICO - 27/11/09


As perdas internacionais de Leonel Brizola e o fora FMI de Luiz Inácio Lula da Silva marcaram os limites que, há apenas 20 anos, circunscreveram o tema da política externa nas eleições presidenciais.

É outro o Brasil que, nesse curto espaço de tempo, vê o eixo do discurso político passar das injustiças da ordem internacional contra o país às pretensões nacionais de maior protagonismo na mediação do conflito do Oriente Médio.

A crítica de próprio punho do governador de São Paulo, José Serra ("Folha de S.Paulo", 23/11/2009) à visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, marca a estreia do debate da política externa na campanha presidencial e é, de antemão, um reconhecimento de que o Brasil mudou.

Pela crítica do pré-candidato tucano, depreende-se que o objeto de discórdia é o mérito da visita do governante de um país ditatorial e repressivo e não a pretensão brasileira à mediação.

No dia seguinte o noticiário registraria que nem mesmo o presidente americano questiona as pretensões da diplomacia brasileira. Em carta a Lula, na qual explicitaria suas insatisfações com a visita sem questionar o direito do Brasil de promovê-la, Barack Obama acabaria por aceitar a legitimidade da atuação brasileira ao pedir que a pauta do encontro incluísse direitos humanos e cooperação nuclear.

O historiador brasileiro Luiz Felipe de Alencastro, cuja sede em Paris não o impede de acompanhar detidamente a conjuntura nacional, assistiu à largada do tema na campanha presidencial com incontido interesse.

Custa-lhe entender por que a indignação que cerca a visita de Ahmadinejad não se estende à relação do Brasil com outros países ditatoriais como, por exemplo, a China. O vice-presidente Xi Jinping veio ao Brasil em fevereiro. A visita do representante do país cuja crescente pauta comercial amparou o Brasil na crise não recebeu nenhuma moção de repúdio ou desagrado da oposição.

Alencastro compara a reação contra o presidente iraniano àquela que antecedeu a visita de Lula à Líbia de Khadafi, que precederia sinais de distensão entre as relações do ditador com outros países.

Apesar de Honduras, não vê abandono do princípio da soberania como norteador da política externa brasileira - "O mundo mudou. A não ingerência era uma maneira de se acomodar atrás da liderança americana", diz.

O historiador só vê dois momentos comparáveis ao momento de maior protagonismo das relações exteriores no debate político interno do país, ambos do século XIX - o fim do tráfico negreiro e a Guerra do Paraguai.

E atribui o viés hoje dominante no Itamaraty à retomada da linha que norteou a instituição sob os auspícios de San Thiago Dantas, chanceler do governo João Goulart e paraninfo da turma do ministro Celso Amorim no Rio Branco.

Era o mesmo lado ao qual se perfilava o então presidente da União Nacional dos Estudantes (Une), José Serra. Isso talvez explique por que no seu primeiro libelo de política externa nessa campanha não haja uma única linha de repúdio ao maior protagonismo adotado pelo Itamaraty.

Tão proveitoso quanto observar a linha de confronto que Serra traçará com seus antigos aliados será acompanhar os atritos dentro de sua própria aliança partidária. Herdeiro das forças que derrotaram San Thiago Dantas e sua turma, o DEM, principal aliado serrista, é hoje o partido mais ativo, nos debates parlamentares, à conduta do Itamaraty.

Sem diferenças gritantes em sua política econômica e com quaisquer tentativas de limitar as políticas sociais inviabilizadas pelas urnas, o DEM tem usado a política externa para exercitar um anticomunismo embolorado.

O país das perdas internacionais agora tem poder de veto no FMI, mas o que certamente estará fora do debate é que o ingresso do Brasil não muda o jogo.

Na noite da última terça-feira feira, quando caiu um aguaceiro em São Paulo, tucanos e petistas se misturaram aos intelectuais do Cebrap para comemorar os 40 anos da instituição, da qual Alencastro também foi ativo colaborador. Lá Roberto Schwarz deixaria registrado o depoimento mais contundente sobre os novos tempos do Brasil na ordem mundial.

Dizendo não se arrepender de ter votado em Lula todas as vezes em que este se candidatou e de avaliar positivamente tanto o seu governo quanto o de Fernando Henrique Cardoso, Scharwz assume os riscos de afirmar que, no futuro, ambos os governos, além do de Collor, serão vistos como um único bloco que melhorou a posição relativa do Brasil na globalização.

Fiel às convicções que um dia inspiraram aquele centro de estudos, Scharwz concluiu: "O que me parece errado é adotar uma visão rósea do capitalismo porque o Brasil está com um vento a favor ou porque temos amigos no governo. A irracionalidade e a destrutividade do capitalismo estão aí, visibilíssimos na crise e no despropósito da mercantilização total. E é nessas discussões que o marxismo finca sua crítica, mesmo que, no momento, não faça muitos adeptos".

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

E-mail mcristina.fernandes@valor.com.br


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BRASÍLIA - DF

Com o chapéu alheio


Correio Braziliense - 27/11/2009



O governador de Minas, Aécio Neves, queixou-se ontem da forma como o governo federal anunciou as novas reduções do IPI para linha branca, móveis e material escolar. Com outras palavras, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez cortesia com o chapéu alheio. Para o político mineiro, os governadores e 5,5 mil prefeitos brasileiros são responsáveis por 57% das reduções e isenções de impostos, mas não foram consultados nem reconhecidos como parceiros nas bondades.

Para combater a recessão e forçar o crescimento, o governo federal vem reduzindo a carga tributária que incide sobre o setor produtivo, principalmente as indústrias de automóveis e eletrodomésticos. Mas faz isso com os impostos compartilhados com estados e municípios, com impacto concentrado em algumas cidades e economias regionais, e deixa de fora os tributos exclusivamente federais. “Faltou um pouco de generosidade do governo federal com os estados e municípios que vêm fazendo enorme esforço para o equilíbrio das suas contas”, disse Aécio.

Francês// O presidente Lula joga duro com os franceses nas negociações de compra dos 36 novos caças de última geração. Favoritos na disputa por razões geopolíticas, estão sendo obrigados a fazer novas concessões em termos de proposta de preços para vender ao Brasil os caças Rafale, de duas turbinas. O governo, aparentemente, não tem pressa para bater o martelo.

Aposentados



O Palácio do Planalto prepara uma ofensiva para reagrupar a base governista no Congresso e aprovar o aumento dos aposentados. A proposta é corrigir os benefícios para quem ganha acima do salário mínimo pela inflação mais 80% do PIB. A proposta foi negociada com as centrais sindicais para isolar o senador Paulo Paim (foto), do PT-RS, autor da emenda que reajusta os benefícios com base no salário mínimo. Inclui, ainda, contagem do tempo de seguro-desemprego para efeito de tempo de contribuição; o descarte de 30 (e não mais 20) contribuições “ruins” para o cálculo; e o fator 85/95 para substituir o fator previdenciário, que consiste na soma de idade mais tempo de contribuição, totalizando 85 anos para a mulher e 95 para o homem.

Obama

Apesar da carta que recebeu do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, às vésperas da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e dos desmentidos oficiais, o desconforto do presidente Lula com o poderoso colega do Norte ainda é grande. Idiossincrasias de ambos à parte, o carro está pegando mesmo é por causa de Honduras, que vai realizar eleições com o apoio norte-americano, enquanto o governo brasileiro paga o mico de continuar hospedando o presidente deposto Manoel Zelaya, que boicota o pleito.

Royalties

A mudança do critério das linhas ortogonais por linhas paralelas na delimitação geográfica das áreas confrontantes de exploração de petróleo pode virar mais uma confusão com o Rio de Janeiro. A proposta deve ser apresentada pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP) quando a discussão chegar ao Senado. Pelo critério, o Rio perderia parte de sua bacia de pré-sal, enquanto o Paraná, que ficou de fora por causa do traçado das áreas confrontantes, passaria a ser beneficiado como estado produtor.

Chinatown

Os chineses vieram para ficar. Esse foi o recado de Jia Qinglin, que preside o Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, ontem, no Congresso. Explicou que a China e a América Latina se complementam em termos econômicos e tecnológicos e que a região já é o segundo parceiro comercial dos chineses, com um intercâmbio de US$ 140 bilhões

Mestre



Uma mesa-redonda, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, comemora o lançamento das obras Formação Econômica do Brasil — Edição Comemorativa de 50 Anos (Companhia das Letras) e Cinquenta Anos de Formação Econômica do Brasil — Ensaios sobre a Obra Clássica de Celso Furtado (Ipea). Participam o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, o senador Cristovam Buarque (foto), do PDT, e de Rosa Freire d´Aguiar Furtado, viúva de Celso Furtado. João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, será o mediador.

Violência/ Com o programa Pacto pela Vida, o governo de Pernambuco conseguiu, em dois anos e meio, reduzir a criminalidade entre a população jovem, principal alvo das estatísticas. Os crimes violentos letais (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte) entre adolescentes do Recife regrediram 16% entre 2008 e 2009. Entre os adultos jovens, a queda foi de 14%. No total da população de Recife, a queda nas taxas destes tipos de crimes até meados de novembro foi de 19%.

Blecaute/ O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, prometeu entregar ao Senado, na próxima quarta-feira, o relatório sobre as causas do blecaute. O documento será feito em conjunto com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo ele, “não há qualquer relação com o acidente que causou o blecaute as recomendações dadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).” O governo ainda bate cabeça sobre o assunto.

Leitura/ O lobby de editoras, distribuidoras e livrarias funcionou. O governo vai mesmo encaminhar ao Congresso o projeto de lei que cria o Fundo Pró-Leitura. Será formado com recursos da Educação e da Cultura e pela contribuição das editoras beneficiadas com a alíquota zero do PIS e da Cofins. A meta é atingir 77 milhões de leitores. Com a desoneração, o mercado editorial deixou de pagar R$ 592 milhões aos cofres públicos.

CLAUDIA SAFATLE

Déficit em conta corrente deve superar 3% do PIB

VALOR ECONÔMICO - 27/11/09



A aceleração do crescimento - a taxa anualizada já está na faixa de 8% - vai empurrar o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos novamente para a casa dos 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, patamar abandonado desde 2003.

Esse é o padrão de déficit compatível com uma taxa de crescimento econômico de 5% ao ano, na avaliação de economistas do governo, e ele será impulsionado pelo aumento das importações, necessárias ao abastecimento da demanda do mercado interno, e pelo déficit nas contas de serviços e rendas. Estas últimas, movimentadas principalmente pelas remessas de juros, lucros e dividendos para o exterior.

Em outubro, já refletindo a retomada da economia, houve o maior déficit mensal deste ano nas contas correntes do país: US$ 2,9 bilhões. O superávit comercial de US$ 22,6 bilhões e os US$ 2,6 bilhões de receitas em transferências unilaterais nos dez meses do ano foram insuficientes para cobrir o déficit da conta de serviços e as rendas remetidas ao exterior, de US$ 40 bilhões, resultando em um saldo negativo nas transações correntes, até outubro, de US$ 14,79 bilhões (1,26% do PIB, ainda aquém dos 1,83% do PIB de déficit em igual período de 2008).

Embora uma corrente de economistas alimente o temor de que esteja ocorrendo um processo de reconstrução das vulnerabilidades externas que tanto custaram ao Brasil nas décadas passadas, os profissionais da área econômica do governo não enxergam riscos de o país voltar a ter problemas graves nessa área. Os primeiros comungam de uma visão muito próxima da do governador de São Paulo, José Serra, eventual candidato à presidência da República em 2010. Eles acreditam que os equívocos da política monetária - juros altos demais - estão na raiz da apreciação da taxa de câmbio e esta vai, já no próximo ano, causar desequilíbrio nas contas do balanço de pagamentos. O receio desses analistas é de que o desajuste externo, associado a visível deterioração fiscal, caia como uma bomba no colo do próximo governo.

O argumento das fontes oficiais, porém, é que não ocorrerá um "buraco" de difícil financiamento nas contas externas porque a própria taxa de câmbio flutuante se encarregará de ajustá-las no momento adequado. Hoje, assinalam, os investimentos diretos estrangeiros, capitais de excelente qualidade, mais do que cobrem o déficit.

Neste ano, até outubro, o ingresso líquido de investimentos diretos foi de US$ 19,25 bilhões. Desses, US$ 14,3 bilhões se destinaram a aquisições ou reforços de participações societárias no país e US$ 4,898 bilhões foram empréstimos intercompanhias (das matrizes estrangeiras para suas filiais no Brasil). Para novembro, dados até o dia 18 indicavam ingresso de mais US$ 800 milhões, segundo o Banco Central.

Como prova de que não há risco de ruptura nas contas externas e que o próprio câmbio, ao flutuar, produz a solução, os economistas do governo citam o que ocorreu logo após o início do "crash" de 2008. Em outubro do ano passado o déficit em transações correntes em 12 meses representava 1,68% do PIB. Com a crise global e a escassez de moeda estrangeira (até os créditos às exportações desapareceram), a taxa de câmbio, que em julho havia chegado ao piso de R$ 1,56, no fim do ano já estava em R$ 2,33 e em R$ 2,37 no início deste ano.

A desvalorização do real então ocorrida produziu uma redução substancial do déficit em conta corrente. Este caiu de US$ 28,2 bilhões em dezembro de 2008 para US$ 18,8 bilhões em outubro passado. No passado, quando a dívida externa era elevada e as despesas com juros eram pesadas e rígidas, o balanço de pagamentos demorava a reagir às medidas de correção de rumos. Hoje as contas externas, analisam as fontes do governo, são muito suscetíveis à atividade econômica e reagem com rapidez ao crescimento ou à recessão.

O que não está apaziguado no governo é a pressão da retomada acelerada do crescimento sobre os índices de preços no próximo ano. O crescimento voltou aos níveis registrados antes da crise global de setembro de 2008 e os índices apontam para uma inflação acima das expectativas. Em resposta ao temor inflacionário e à eventualidade do Copom ter que voltar a aumentar a taxa Selic nos primeiros meses de 2010, ano da sucessão presidencial, os juros futuros subiram.

Diante desse cenário e da completa ausência de sentido econômico, sobra atribuir um caráter político eleitoral às medidas de estímulo fiscal concedidas pelo governo nos últimos dias. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou incentivos fiscais para o setor automobilístico, móveis e materiais de construção. Numa ação agora pró-cíclica, o governo pode estar jogando gasolina na fogueira do PIB.

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MÍRIAM LEITÃO

Nas nuvens

O GLOBO - 27/11/09


O economista Ilan Goldfajn acha que o Brasil vai crescer 5,5% no ano que vem, mas isso só se desacelerar durante o ano, porque, do contrário, crescerá mais. Parte é efeito estatístico, parte é crescimento mesmo. Nos anos seguintes, o Brasil pode continuar mantendo o mesmo ritmo. “Só se quisermos muito é que vamos estragar esse ciclo de crescimento”, diz o ex-diretor do Banco Central.

Esta semana, o Itaú-Unibanco, onde Ilan trabalha, soltou um relatório assinado pelo economista e a equipe de análise de conjuntura, com o título “Brasil 2020: a estrada à frente”.

Nele, o cenário não poderia ser mais otimista. A taxa de investimento que atualmente é de 16%, o que não sustenta crescimento algum, iria para 22%. Ele acrescentou na conversa comigo que na sua visão pode chegar a 25%. Mas quem vai financiar essa taxa de investimento se o Brasil tem, como se sabe, baixa taxa de poupança? — O mundo quer nos financiar.

Está vendo agora principalmente as qualidades do país e os avanços que fizemos — disse ele.

Isso significa déficit em tranasaões correntes.

Quando um país cresce com financiamento externo tem mais déficit nas suas contas com o exterior. Para Ilan, o país sairá de 1,2% do PIB de déficit para 4,7% do PIB em 2016, com queda para 3,5% no final da década.

Parte do aumento do investimento será para as obras necessárias de infraestrutura para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas.

Pelo cenário do banco, o Brasil terá de investir, só para as Olimpíadas, 0,7% do PIB por ano, nos quatro anos anteriores ao evento.

Vai investir também US$ 55 bilhões para extrair o petróleo do pré-sal nos próximos dez anos. Quando acabarem os investimentos nas Olimpíadas, o Brasil começará a ter as receitas do petróleo do pré-sal, e isso é que reduzirá o déficit em transações correntes.

O economista diz que há recursos abundantes do mundo atrás de bons mercados onde o consumo possa aumentar. O Brasil se encaixaria perfeitamente nesse modelo, pela perspectiva de uma classe média em expansão.

A demografia ajudaria neste cenário. Nos próximos dez anos o Brasil estará aumentando o tamanho de sua população em idade de trabalhar, e será beneficiado pela queda da taxa de dependência.

Essa taxa resulta da soma da faixa muito jovem da população e da mais velha, e o cálculo de quanto ela representa em proporção da população em idade ativa. Quando ela cai, significa que os que estão no mercado de trabalho têm menos dependentes e portanto maior capacidade de consumo e maior capacidade de poupança. Acontece nos países cuja população idosa é ainda pequena e o percentual de crianças está em queda.

Na economia, o banco prevê queda da taxa de juros.

Uma pequena elevação no ano que vem, e depois queda persistente até uma taxa real de 3,5%. O real continuará valorizado, ajudando a manter a inflação baixa.

Na área fiscal, a previsão é de uma recuperação do superávit primário para 2,5% do PIB, mas não a volta aos percentuais mantidos durante os últimos anos.

Ilan disse que, apesar de o governo ter tido queda forte da receita, a arrecadação vai aumentar nos próximos meses. Primeiro, por causa de programas como o Refis, apesar de seu efeito se esgotar no curto prazo. Segundo, pela própria retomada do crescimento.

— O gasto público continua sendo um desastre, mas haverá o aumento da receita determinado pelo ciclo da retomada. Se o governo fizer um ajuste fiscal forte em 2011, o país conseguirá consolidar esse cenário positivo. Se quiser estragar esse cenário, o governo pode ter um comportamento que leve os investidores a concluírem que o país não é tão estável como imaginavam, e isso os levará a investir menos no Brasil — diz Ilan Goldfajn.

Na projeção do banco, o mundo, neste pós-crise, crescerá a 4% em média na próximo década. Ilan explica que isso é a “falácia da composição”.

Ou seja, parece a volta ao período de crescimento anterior à crise, mas esse aumento do PIB global vai ser mais determinado pelos países emergentes, principalmente China, do que pelos países ricos.

Há economistas, como Nouriel Roubini, que estão temendo que esteja se formando uma nova bolha. Para se ter uma ideia, o preço do cobre aumentou mais de 120% este ano, apesar do aumento dos estoques mundiais do produto. As bolsas acumularam taxas fortes de crescimento, em muitos casos, como a brasileira, quase voltando ao nível em que estava.

— Eu não acredito em crise em W. Não acho que haverá uma nova crise. Em algum momento os Estados Unidos começarão a retirar os estímulos, mas terão um longo período de crescimento baixo. Acho que terão uma década meio perdida — diz.

O Brasil tem de fato várias vantagens neste momento, como a demografia, apontada por Ilan, ajustes já feitos e a queda da pobreza.

Mas há ainda enormes obstáculos no caminho para um crescimento sustentado e o cenário externo é ainda muito cheio de incertezas. O curioso é que um dos pilares desse cenário tão benigno é um real forte. Justamente aquilo que o ministro Guido Mantega gostaria de eliminar, se pudesse.

ARI CUNHA

Energia surpresa


Correio Braziliense - 27/11/2009


Não aparece o responsável pelo apagão que continua irritando a população brasileira. Na vida moderna, não se admite fracasso no fornecimento de eletricidade. Todos os negócios, inclusive do governo, estão enquadrados nas delícias atuais. Governo central nega participação. Ministra Dilma Rousseff, que foi de Minas e Energias, não emite mais uma palavra. Pelo visto, a culpa é de quem paga eletricidade. O povo não reclama, temendo revide, que por acaso já começou. O anúncio de que são necessários R$ 600 milhões por mês para garantir o fim do blecaute fez o silêncio do consumidor. Mas sem engolir o sadismo de quem nega a origem ou põe a culpa no universo. Cidadão guarda constrangimento. Talvez, à chegada das eleições já tenha sumido da memória popular. Não adianta revide. Melhor será procurar governo que grite e não concorde com tudo o que ouve dos subordinados.

A frase que foi pronunciada


“Uma das desgraças do Brasil é precisamente o isolacionismo em que vivem do povo os seus partidos políticos.”
Assis Chateaubriand


Céu
No Rio Grande do Sul, mais de 15 mil pessoas estão fora de casa, por segurança. As chuvas castigam. Oito pessoas morreram. Enquanto isso, no Amazonas, em Manaquiri, o prefeito Jair Souto decretou estado de emergência. A estiagem maltrata. Os dois estados sofrem com alternâncias de chuva e seca ao extremo.

Terra
Manaquiri é um município com atividades importantes em capacitação e treinamento de jovens em vários projetos. O Sebrae Amazonas desenvolve com estudantes e agricultores a produção de óleos essenciais e tubérculos. A iniciativa tem sido importante para a cidadania e independência financeira dos moradores.

Capacitação
Uma pena a Companhia Metropolitana do DF não ter planejado, antes de implementar, o código de conduta dos funcionários do Metrô. As estações em Brasília são impecáveis. Limpas e com boa aparência. O que seria um código de conduta se transformou em código de estética. Vale a capacitação dos funcionários para casos de emergência e o bom atendimento ao público.

Fora daqui
Sai a gripe suína, volta a dengue. O mosquito oportunista encontrou em 17 capitais brasileiras ambiente para se reproduzir. Como as águas que fecham o verão vão até março de 2010, o Aedes aegypti pode ser um cabo eleitoral indesejável.

Pena
Corrupção popular também é notícia. Foi só o Ministério da Educação cruzar os dados dos bolsistas do Prouni com registros federais e estaduais para encontrar 1.700 estudantes que recebiam o benefício irregularmente. As instituições que não assinaram o termo de adesão ao programa também perderão o registro.

Homenagem
Deputados se concentram / aprovam com competência / a lei dos repentistas / Regulamento nas notas / dadas com inteligência / melhora a vida do artista.

Defensoria
Uma boa saída encontrada pelo governo para agilizar o trabalho jurídico. Foi publicada no Diário Oficial uma portaria criando o Programa de Residência Jurídica da Defensoria Pública da União. O programa de pós-graduação com casos práticos institui auxilio de R$ 1 mil e carga semanal de 30 horas.

Renda minha
Tirania financeira. Foi como definiu o senador Antonio Carlos Valadares a concentração dos recursos baseado na pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios. Dos tributos arrecadados, 60% ficam com a União, 25% com os estados e 15% vão para os municípios.

Terceiro Setor
Quase duas décadas depois, atuando como bem entendem, as ONGs passam a ter mais atenção do governo. Para novos registros, vão precisar ter relevância pública e não ter fim lucrativo. Maria Sylvia Di Pietro é coordenadora de uma comissão de juristas que prepara anteprojeto de normas gerais que vão reger esse tipo de atividade de interesse social. Para receber verba pública, o controle da prestação de contas será rígido.

História de Brasília

A continuar assim, o serviço de imprensa do sr. Jânio Quadros passará a exigir, brevemente, o diploma da Casper Libero, o que, convenhamos, fará muita gente se mudar de Brasília. (Publicado em 18/2/1961)

JAPA GOSTOSA


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