sábado, novembro 21, 2009

PAINEL DA FOLHA

Foco regional

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 21/11/09


Detalhamento de portaria publicada anteontem pelo governo liberando R$ 1 bilhão para municípios com até 50 mil habitantes, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, mostra que 70% dos recursos serão destinados às regiões Norte (R$ 162 milhões) e Nordeste (R$ 540 milhões). Os nomes das cidades selecionadas serão anunciados pouco antes do Natal.
O dinheiro é repassado em quatro etapas, conforme o andamento das obras, mas até 90% será liberado antes de as casas serem erguidas. Bandeira da candidatura de Dilma Rousseff (PT), o programa deve movimentar R$ 10 bi em 2010. Em média, os beneficiários têm renda inferior a três salários mínimos.



Plataforma. Do candidato favorito à presidência do PT, José Eduardo Dutra, sobre o aliado preferencial de 2010: "Não tenho ilusão de que o PMDB estará unido em torno da candidatura de Dilma, mas, se eleito, trabalharei para reforçar a relação institucional entre os dois partidos".

Senha 1. A se confirmar a esperada vitória de Reginaldo Lopes na eleição amanhã para a presidência do PT de Minas, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel colocará várias voltas de vantagem sobre Patrus Ananias na disputa pela vaga do partido na sucessão estadual.

Senha 2. Aos mais próximos o ministro do Desenvolvimento Social dá a impressão de já estar em outra, preparando a campanha ao Senado. E Lula até hoje não pediu a Pimentel que desista em favor de Hélio Costa (Comunicações), do aliado PMDB.

Termômetro. A chapa apoiada pela governadora Ana Júlia Carepa deverá perder a eleição do PT no Pará para o grupo do deputado Paulo Rocha. Ela é candidata à reeleição. Ele quer o Senado. Em jogo está uma aliança com o PMDB de Jader Barbalho.

Vai indo... Convidados pelo governador do Paraná, Roberto Requião, a discutir a tese da candidatura própria à Presidência numa reunião hoje em Curitiba, lideranças nacionais do partido já com um pé na canoa de Dilma preferiram sair pela tangente.

...que eu não vou. Íris de Araújo, Michel Temer, Sérgio Cabral, André Puccinelli e Renan Calheiros estão entre os que, ontem, manifestavam a intenção de declinar do convite. No máximo, alguns devem enviar representantes ao convescote de Requião.

Bloco na rua. Lula ganhou uma viola elétrica, ontem em Salvador, e foi homenageado com uma interpretação de "Brasileirinho" na celebração do Dia da Consciência Negra. Em agradecimento, disse que passará o Carnaval de 2010 na capital baiana.

Breu. De Sérgio Guerra (PSDB-PE), sobre a tática do governo para diluir o depoimento de Dilma, despachando uma série de técnicos para falar do blecaute aos senadores : "Quando chegar a vez dela, já apagou a luz de novo".

No cravo. Relator do projeto que altera a Lei de Licitações, Eduardo Suplicy (PT-SP) deverá impor prazo à fiscalização do TCU. A pedido do governo, o senador estipulou limite de 90 dias para as medidas cautelares do tribunal.

Na ferradura. Mas, por solicitação do TCU, Suplicy dirá que os 90 dias só começam a ser contados após o tribunal receber esclarecimentos dos envolvidos na obra.

À iraniana. Mahmoud Ahmadinejad será recebido na tarde de segunda pelos presidentes das Casas do Congresso. Diferentemente do que ocorreu com Shimon Peres, ele não irá ao plenário.

Outro lado. Michel Temer diz que a inclusão na pauta da Câmara da extinção do foro privilegiado foi decidida em reunião com líderes partidários em 13 de outubro.


com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

"O verdadeiro apagão parece ter ocorrido no PSDB, que se recusa a entender a realidade dos 70% de aprovação ao governo Lula."

Do deputado PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre os novos comerciais tucanos, que tratam do recente blecaute e, no final, perguntam ao telespectador: "até quando você vai ficar no escuro?".

Contraponto

Ressaca brava Escalado para reunião às 8h de anteontem sobre a Copa de 2014, Paulo Bernardo (Planejamento) se atrasou e, ao chegar, encontrou o colega Orlando Silva (Esporte) conversando com Gilberto Kassab. À guisa de desculpas, o ministro retardatário disse ao prefeito paulistano:
-Puxa, o Orlando disse que eu podia ficar tranquilo, porque você costuma atrasar...
Mais que depressa, Orlando devolveu a bola:
-Não é bem isso. Na verdade, o Paulo Bernardo amanheceu com dor de cabeça por causa do Palmeiras...
Atlético-PR em sua base eleitoral, o ministro também torce desde pequeno pelo Palmeiras, que na véspera havia perdido para o Grêmio por um desolador 2 x 0.

GOSTOSA PELO SISTEMA DE COTAS DO BLOG

DIOGO MAINARDI

REVISTA VEJA
Diogo Mainardi

Quem é o "Filho do Brasil"

"O chefe da propaganda de Benito Mussolini
era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez,
tem de se arranjar com Franklin Martins"

Luiz Carlos Barreto, o Filho do Brasil." Ele, Luiz Carlos Barreto, é um personagem um tantinho menos oco do que aquele outro, canonizado em sua última obra, Lula, o Filho do Brasil. Quem é Lula? Eu o resumiria numa única linha: um retirante maroto que sonha em se transformar em José Sarney. Ele é Vidas Secas sem Graciliano Ramos. Ele é Antônio Conselheiro sem Euclides da Cunha. Ele é, citando outra patetice sertaneja produzida por Luiz Carlos Barreto, quarenta anos atrás – os filhos do Brasil repetem-se tediosamente de quarenta em quarenta anos –, o cangaceiro Coirana, sem Antônio das Mortes.

Quem já assistiu a um cinejornal do "Istituto Luce" sabe perfeitamente o que esperar de Lula, o Filho do Brasil. Benito Mussolini, em Roma, conclamando as massas, é igual a Lula, no ABC, imitando Bussunda. O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez, tem de se arranjar com Franklin Martins, coordenador do MinCulPop lulista. Mas o fato é que, a cada dia mais, o "filho de Dona Lindu" macaqueia o "filho do ferreiro de Predappio" – só que num cenário mais indigente e embolorado.

Se o crack de 1929 consolidou aquilo que Benito Mussolini chamou de "estado empreendedor", o crack de 2008 fez o mesmo com Lula. A economia fascista tinha IMI e IRI, bancos públicos que forneciam crédito à indústria italiana, privilegiando os aliados do regime. A economia lulista tem Banco do Brasil e BNDES, que desempenham um papel semelhante. Benito Mussolini era celebrado na propaganda oficial por ter "restringido as desigualdades sociais". Lula? Também. Os triunfos italianos nas Copas do Mundo de 1934 e 1938 foram creditados ao Duce, que compareceu aos jogos finais, assim como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram creditadas a Lula. Recentemente, Lula arrumou até seu próprio ditador antissemita, que promete repetir o holocausto: o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, recebido com pompa na capital do lulismo. Os "anos do consenso" de Benito Mussolini duraram de 1929 a 1936. Quanto podem durar os de Lula?

Luiz Carlos Barreto, em 1966, produziu um curta-metragem de propaganda para José Sarney. O curta-metragem foi dirigido por um conhecido marqueteiro: Glauber Rocha. Desde aquele tempo, Luiz Carlos Barreto, "o Filho do Brasil", é quem melhor sintetiza o caráter nacional. Durante a ditadura militar, ele tomou conta da Embrafilme. No período de Fernando Henrique Cardoso, ele fez propaganda para a Embratur e para o BNDES. Quando o lulismo foi desmascarado, em 2006, ele disse: "O mensalão não era mensalão. Era uma anuidade. Faz parte da ética política. E a ética política é elástica". A ética cinematográfica é igualmente elástica. E, no caso de Luiz Carlos Barreto, é uma anuidade.

Luiz Carlos Barreto, homenageado no Senado por Roseana Sarney, que o chamou de "grandalhão dócil e amável do cinema brasileiro", agora planeja filmar o romance Saraminda, de José Sarney. É dessa maneira que Lula passará para a história: como uma mera anuidade no intervalo entre o José Sarney de 1966 e o José Sarney de 2010.

BRASÍLIA - DF

Novela das 40 horas

CORREIO BRAZILIENSE - 21/11/09


O governo se mobiliza para barrar a votação das 40 horas semanais, que divide a base aliada naquilo que o projeto tem de mais importante: o seu caráter policlassista. PT, PDT, PSB e PCdoB são a favor da proposta da Central Única dos Trabalhadores e da Força Sindical, de olho nos votos da massa de sindicalizados. O PMDB, o PTB, PP, o PR e o PRB são contra, tendo como alvo as pequenas e as médias empresas do país.

Se a proposta for votada na próxima semana, a possibilidade de aprovação é grande, por causa dos votos de parte da oposição, principalmente do PSDB e do PPS. O DEM fechou questão contra as 40 horas. A consequência imediata da aprovação seria o fim do trabalho aos sábados para quem tem jornada de oito horas cheias, de segunda a sexta-feira. As empresas que quisessem manter o funcionamento na manhã de sábado teriam que pagar horas extras aos funcionários. O pequeno comércio, escritórios de prestação de serviços, oficinas e empresas de construção civil seriam os mais atingidos, pois, na maioria desses casos, a produtividade depende do número de horas trabalhadas.


Transição

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), tentou costurar um acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro (PTB-PE), para implantar o regime de quarenta horas até 2016, gradualmente, com reduções anuais a partir de 2010. A proposta foi rechaçada pela CUT e pela Força Sindical. A alternativa do Palácio do Planalto é empurrar a decisão “pras calendas”, para evitar um racha na base.


Catacumba

Bombou na estreia no Festival de Brasília o filme Perdão, mister Fiel, do jornalista Jorge Oliveira, ganhador de dois prêmios Esso de reportagem na década de 1970, um deles por denunciar a existência do então secretíssimo acordo nuclear do governo Geisel com a Alemanha. Em consequência do filme, o Ministério da Justiça está atrás do ex-agente do Doi-Codi Marival Chaves para que esclareça as circunstâncias do assassinato do ex-deputado Rubens Paiva. Segundo o sargento reformado do Exército, o parlamentar teria sido esquartejado na prisão. É fácil achar Marival: mora em Vila Velha(ES).


Ferida

Ao subir o tom nas declarações contra o governo italiano, o ministro da Justiça, Tarso Genro (foto), pressiona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a favor do asilo político ao ex-terrorista Cesare Battisti, cuja extradição foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por 5 x 4, com o voto de minerva de seu presidente, Gilmar Mendes. Mexe numa ferida mal-cicatrizada da política italiana ao dizer que Battisti é vítima de setores fascistas da sociedade e do governo da Itália.


Boas-festas/Vem aí mais uma crise na aviação do país. Com o reaquecimento da economia, os salões de embarque e saguões andam lotados e as companhias aéreas começam a tropeçar nas próprias asas. A Infraero tira o corpo fora com a desculpa de que o respeito aos horários é de responsabilidade das companhias, que muitas vezes fecham o check-in na hora marcada, mas os aviões partem com longos atrasos.

Direitos/Advogados cubanos saem do isolamento. O presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Henrique Maués, está em Cuba para a celebração de um acordo de cooperação entre o instituto e a União dos Juristas de Cuba. A ideia é promover o intercâmbio visando tanto à publicação de artigos em revistas digitais e impressas quanto à realização de eventos institucionais.

Voto/ O marqueteiro Álvaro Lins, especialista em monitoramento de campanhas eleitorais e votações, lançou um
site interativo de acompanhamento das eleições de 2010. Qualquer cidadão pode participar: www.votocerto.com.br



Algodão

Escaldado pela confusão que criou ao colocar na pauta a emenda Paim, que equipara o aumento do salário mínimo aos reajustes dos benefícios de aposentados e pensionistas, o presidente da Câmara, Michel Temer (foto), do PMDB-SP, avisou aos líderes que só colocará em votação o regime de 40 horas semanais com um acordo entre líderes. As centrais sindicais não gostaram, pois tudo o que as confederações patronais queriam era engavetar o projeto.


Copa

O Ministério do Turismo planeja investir pesadamente na infraestrutura do país, principalmente em aeroportos, metrôs e rede hoteleira. Pretende oferecer financiamentos às 12 cidades-sedes da ordem de US$ 2 bilhões


Casca-grossa

Jader Barbalho (PMDB-PA), cacique do PMDB na Câmara, não quer saber de conversa sobre candidatura ao Senado. É como falar em corda na casa de enforcado. Cada vez mais está disposto a disputar o governo do Pará contra a governadora petista Ana Júlia Carepa, candidata à reeleição.

CHORANDO DE BARRIGA VAZIA

BETTY MILAN

REVISTA VEJA

Betty Milan

O mito da perfeição

"A psicanálise substituiu o ‘Penso, logo existo’, da filosofia
de Descartes, pelo ‘Digo, logo existo’. Com isso, ela enfatiza
a importância do discurso para a autopercepção"

Um dos consulentes de minha coluna em VEJA.com conta que se esforçou a vida inteira para ser o melhor dos filhos, o irmão mais querido, o namorado perfeito, o funcionário exemplar, o chefe compreensivo, o amigo de todas as horas – mas que se deu conta de só ter se comportado dessa maneira para satisfazer o desejo do outro e, assim, ser adorado e se sentir superior. Ou seja, por egoísmo.

Como não poderia deixar de ser, o desejo do outro e o dele nem sempre coincidem. Dessa forma, casou-se há oito anos por causa de uma gravidez inesperada e é pai de três filhos. Hoje não tem afinidade nenhuma com a mulher, gostaria de se separar dela e não ousa. Tem pavor de ser reprovado. Quando teve uma amante e quase foi pego em flagrante, chegou a pensar em suicídio. Sabe, contudo, que precisa aprender a decepcionar os outros para viver.

Leon Zernitsky/Stock Ilustration Source/Getty Images


A história tanto surpreende pela clareza do consulente em relação à própria vida quanto pela impossibilidade de mudá-la. Apesar da consciência clara, ele está paralisado pelo medo da reprovação. Para saber o motivo, necessita de uma consciência nova, que só a psicanálise propicia – pois é por meio da fala, e apenas dela, que a pessoa se expõe ao seu próprio inconsciente e àquilo que ele pode revelar.

O consulente mostra quão limitada é a consciência reflexiva do dia a dia quando se trata do conhecimento da própria subjetividade. Precisamente por causa desse limite, a psicanálise substituiu o "Penso, logo existo", da filosofia de Descartes, pelo "Digo, logo existo". Com isso, ela enfatiza a importância do discurso para a autopercepção. Não é fácil aceitar o "Digo, logo existo", porque tanto a palavra nos escapa quanto tentamos fugir dela, fato de que a língua dá conta com vários provérbios. Entre eles, "O silêncio é de ouro" ou "O peixe morre pela boca".

O inconsciente, porém, faz e fala por nós. E, também disso, a língua dá conta com a frase "Ninguém é perfeito". Se atentássemos para o que a língua ensina em alguns de seus clichês, sofreríamos menos porque aceitaríamos a possibilidade de falhar. Em vez disso, como o consulente, nós insistimos no mito da perfeição. Caímos continuamente nessa armadilha do nosso imaginário, ao contrário de Sigmund Freud, o criador da psicanálise. Por ter aceito a imperfeição da condição humana, e ter se debruçado sobre essa realidade, ele abriu um caminho verdadeiramente novo e nos legou a possibilidade de nos curarmos de nós mesmos.

ARI CUNHA

Futebol, o embaixador do Brasil

CORREIO BRAZILIENSE - 21/11/09


Nem a promessa de um passeio inesquecível na Disneylândia convencia Luiz, pai sempre muito carinhoso com a filha. Olhava para as atrações, mas não enxergava nada. Pisava nas calçadas cor-de-rosa, mas não chegava aonde gostaria. Até que Tuca, a sogra, reparou na respiração diferente e em uma gota de suor que escorria. Era de um computador que o adorado genro precisava a todo custo. Enquanto não entrasse na rede não iria conseguir acalmar o pensamento. Muito solícita, a sogra resolveu arriscar. Uma sala e um funcionário ostentando um computador. Ali elaborava relatórios e controlava a necessidade de abastecimento nos restaurantes. Nem levantou o olhar à súplica que ouvia de Tuca. Minutos depois, lá estava Luiz no computador do funcionário que deixou a seriedade de lado. Foi só falar no Brasil e no futebol que Luiz conseguiu o que queria. Acompanhar a situação do flamengo no Campeonato Brasileiro. Deu certo. Esperança alimentada.


A frase que não foi pronunciada

“Por isso, papai-noel tem a barba branca.”
Lula, sonhando com o bom velhinho lendo uma carta assinada por Batistti


Pontualidade
Em Goiânia, os usuários do transporte coletivo ganharam uma ferramenta para facilitar a vida. Menos tempo na parada. Usando recursos do celular podem gratuitamente consultar o horário em que o ônibus vai passar. A garantia do horário britânico prometida pela empresa tem um GPS na retaguarda.

Lupa
Ultimamente, o cadastramento tem sido importante para o controle da aplicação da verba pública. Agora é a vez dos beneficiados pelo Programa Bolsa Família. Ao todo, 97.322 famílias deixarão de receber o benefício até dar explicações nas prefeituras. O papel de colaboradores dos governos municipais tem sido de suma importância para a transparência do projeto.

Achaque
Uniformes de autoridades policiais são usados por bandidos que não têm nenhuma dificuldade em adquiri-los. Mas, no Rio de Janeiro, a quadrilha que se passava por falsos agentes falsificou, além da vestimenta, documentos e mandados. A polícia só descobriu porque o funcionário da Caixa, achacado, não tinha nada a dever e desconfiou do golpe.

Começo
Wasny de Roure tentou acabar com a fumaça emitida pelos veículos nas ruas de Brasília. Não conseguiu. É lei distrital, mas não há interesse das empresas de ônibus e caminhões nem de motoristas em acoplar um filtro no escapamento. Comissão do Senado aprova projeto de metas para a redução de gases do efeito estufa. No final, a natureza ganha só discurso. Copenhague
é aqui.

Errados
Coube à senadora Marisa Serrano colocar freios na propaganda de alimentos direcionada a crianças. Por enquanto, só empresários sem compromisso com a saúde infantil têm apostado no marketing para vender produtos que não nutrem o corpo. O projeto que regulamenta a propaganda de alimentos está na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

Urnas
Para alguns técnicos foi frustrante. Para o TSE, valeu a pena. Esse foi o resultado do concurso para que experts em tecnologia da informação achassem uma brecha na segurança das urnas que serão usadas em 2010. Ponto para o TSE.

Berço esplêndido
São muitos os gabinetes nos Três Poderes onde obras de arte repousam longe do olhar da população. Há um grupo de trabalho com a preocupação de expor essas obras no Museu de Arte de Brasília. O senador Cristovam está à frente da ideia.

Territórios
Continua a briga sobre distribuição de terras. A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados está mobilizada depois que aprovou projeto de lei que tira a responsabilidade do Incra por desapropriações. A reforma agrária acontecerá em local definido pelo parlamento brasileiro.

Logística
Enquanto as chamadas por uma ambulância não param no terminal do Samu, os veículos ficam parados nas entradas de emergência porque faltam macas nos hospitais de Brasília para transportar o paciente. Problema simples de se resolver.



História de Brasília

A superquadra do IAPB é a única já concluída e urbanizada. O jardim de frente para o Eixo era uma beleza. Pois bem. Agora é que viram que as galerias pluviais não estavam colocadas e, por isso, estão esburacando o jardim e arrancando a grama que deu tanto trabalho para pegar.(Publicado em 17/2/1961)

UMA COISA E UMA OUTRA COISA

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

REVISTA VEJA
Claudio de Moura Castro

Tecnologia para ricos ou pobres?

"Há pouco tempo, só rico tinha telefone. Hoje, empregadas
domésticas saem fagueiras das lojas com seus celulares
funcionando, prontos para lhes prestar serviços inestimáveis"

Revolução Industrial pesou no lombo do operariado. Marx e Dickens, com ânimos diferentes, descreveram a miséria opressiva de Londres. Mas, a longo prazo, os maiores ganhos foram para esse mesmo proletariado. Para Schumpeter, o desenvolvimento econômico não é mais meias de seda para os ricos – que sempre as tiveram à vontade – mas meias para os pobres. Nos países mais prósperos, um operário hoje tem um nível de conforto que um rico da época de Marx não tinha. Nas nossas paragens tupiniquins, os benefícios para os mais pobres, trazidos pelo crescimento do século XX, foram superiores aos de todos os quatro séculos anteriores. Apenas para ilustrar, a esperança de vida passou de 30 anos para mais de 70. Obviamente, falta muito, não são poucos os excluídos e não se trata de desculpar a horrenda distribuição de renda. Mas, é interessante registrar, os avanços tecnológicos têm sido muito generosos para com os mais pobres. Não que tenham sido pensados assim, mas é o que aconteceu.

A produção de motos (1,5 milhão por ano) corresponde a mais da metade dos brasileiros atingindo 18 anos. Um jovem empregado, morando com seus pais, consegue pagar a prestação de uma motocicleta simples, desfrutando a indescritível sensação de liberdade oferecida por ter seu próprio veículo. O telefone celular é a redenção de quem trabalha por conta própria. Enterro em vala comum para o precário sistema de recados em telefones "de favor". De fato, só rico tinha telefone. Hoje, empregadas domésticas saem fagueiras das lojas com seus celulares funcionando, prontos para lhes prestar serviços inestimáveis.

As fotos de família estavam a cargo dos fotógrafos das praças públicas. Hoje, um celular melhorzinho fotografa tudo, a custo zero. O computador começa a chegar ao povão (em modestas prestações). Por exemplo, o meu borracheiro tem. Quase um terço da população tem algum acesso a ele. O crescimento das vendas é espantoso. Para um universitário, um bom computador usado custa menos do que os livros indicados anualmente pelos professores.

Ilustração Atômica Studio


Quantos municípios brasileiros não têm livrarias? Ou, se têm, seu acervo é pífio. Mas, para que livrarias, se há a Amazon.com e suas versões caboclas? Qualquer um pode comprar quase 20 milhões de títulos pressionando algumas teclas. Quem tem Google ri dos 32 volumes da
Britânica, ao custo de 1.000 dólares, pois a Wikipedia é mais simpática e de graça. Pobre não tem dinheiro para revistas ou jornais, mas agora está tudo na internet. E pode ler, em português e gratuitamente, milhares de livros de domínio público. O rico mandava o contínuo ou o moleque de recados ao correio para postar uma carta. Agora, o pobre passa um e-mail, igualzinho ao rico. E nenhum dos dois paga o selo. E o preço absurdo dos CDs? Hoje, qualquer música pode ser encontrada na web. E, com um pouquinho de astúcia, sem gastar nada. E passam fagueiros os garis, com seus fones ligados nos tocadores de MP3. Como dito, longe deste ensaísta subestimar a situação de pobreza de grande parte da nossa população. Não obstante, a mensagem deste ensaio é que os avanços presentes da tecnologia trazem benefícios bem maiores para o povão.

Tais elucubrações nos levam de volta ao bando de hippies da Califórnia que inventou os microcomputadores, na década de 70. Era um grupo de contracultura que via na tecnologia um antídoto para a opressão, por parte de uma sociedade impessoal, comandada por grandes empresas e por "big brothers" sinistros. Eles buscavam alternativas tecnológicas libertadoras. Queriam ferramentas que permitissem aos pequenos expressar-se em múltiplas direções. Precisavam de soluções pouco dispendiosas. Com o sucesso dos microcomputadores, quase todos ficaram milionários. Não precisaram das soluções baratas que criaram. Mas as ideias estavam na rua. Suas aplicações foram herdadas por bilhões de pessoas.

Restam duas cogitações. Primeiro, o povo ficou mais feliz com seus novos apetrechos? Ou aumentou sua alienação e angústia? Segundo, ele saberá usar isso tudo? Ou as lastimáveis deficiências em sua educação o impedem de usar o melhor desse potencial criado pela tecnologia para aumentar sua cultura e qualidade de vida?

RUY CASTRO

O pé não esquece


FOLHA DE SÃO PAULO - 26/10/09


Há dez anos, vi Octavio de Moraes na praia do Diabo, no Arpoador, de papo com um amigo. Octavio, cor de mogno, já tinha 70 e tantos anos. Era ex-craque do Botafogo, arquiteto aposentado e filho da cronista Eneida, autora do definitivo 'História do Carnaval Carioca'. De repente, uma bola de frescobol rolou a seus pés, atirada por um rapaz que disputava uma partida a 50 ou 60 metros dali. Os jovens pediram que ele a devolvesse.

Octavio nem respondeu. Enquanto conversava, fez um montinho de areia com o pé descalço. Ajeitou a bolinha e, com um chute de três dedos, jogou-a na raquete de um dos garotos, que mal teve de esticar o braço. E reatou o papo com o amigo como se não tivesse feito nada demais. Estupefato, concluí: o sujeito envelhece e suas pernas já não aguentam correr, mas há coisas que o pé não esquece. Uma delas, colocar uma bola, mesmo que de frescobol, a 50 ou 60 metros, em cima de um lenço, se preciso for.

Em sua breve carreira no futebol, Octavio fora artilheiro e campeão carioca pelo Botafogo em 1948 e sul-americano pelo Brasil em 1949. Pouco depois, trocou o gramado pela prancheta e pela praia. Certa vez em Copacabana, nos anos 50, para driblar a proibição de jogar pelada na areia, ajudou a inventar nada menos que o futivôlei. Belo currículo. Mas, se tantos o invejavam naquela época, era por namorar a cantora Elizeth Cardoso, admirada não apenas pela voz.

Em 2005, ouvi-o muitas vezes sobre Garrincha para meu livro 'Estrela Solitária'. Octavio não chegara a jogar com Garrincha, mas conhecia como ninguém a alma do Botafogo, no fundo a dele próprio.

Morreu na semana passada no Rio, aos 86 anos. Não tinha poupança, nem seguro, nem plano de saúde. Mas tinha muitos amigos, que não o esqueceram e foram com ele até o fim.

GOSTOSA

RUTH DE AQUINO

REVISTA ÉPOCA
O coco-verde, vilão do verão?
RUTH DE AQUINO
Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

O verão elege musas e vilões. Às vezes injustamente. Na semana passada, no Rio de Janeiro, os barraqueiros receberam uma ordem: será ilegal vender coco na areia a partir de dezembro. Quase 60% do lixo recolhido nas praias são cocos-verdes – 20 mil cocos por dia. Cada um pesa em média 1 quilo. O “Comitê Gestor da Orla” informou que o coco é o maior detrito, o maior poluidor das praias. Coitado do coco. O maior poluidor das praias é o brasileiro, um povo sem a menor educação ambiental.

Todos se indignaram com a prefeitura, que estaria violando a tradição carioca de beber água geladinha de coco à beira-mar. A tradição, tanto nas praias quanto nos parques, em todos os Estados, é espalhar imundície por onde se anda. No Rio, a mesma multidão que quer se refrescar com coco junto ao mar deixa nas areias, aos domingos, até 180 toneladas de lixo.

É tudo o que se pode imaginar. Garrafas, latas, saquinhos plásticos, palito de churrasco, fralda descartável, luvas (para passar água oxigenada nos pelos do corpo!) e muito mais. A casca do coco leva dez anos para se decompor na natureza. Os sacos e copos de plástico, de 200 a 450 anos.

Acho admirável o desempenho da Comlurb, companhia municipal de limpeza urbana no Rio. Como é árduo o trabalho dos garis para tornar invisível a sujeirada que todos – madames, celebridades, atletas, favelados, jovens e velhos – largam para trás! Quem caminha muito cedo na praia, antes da chegada dos garis, vê a areia coalhada de detritos. É vergonhoso.

A proibição da venda de cocos na areia (prestem atenção, é só na areia, porque os quiosques no calçadão poderão vender) foi destaque em colunas, reportagens e sites. Pouco se falou sobre o resto do choque de ordem praieiro. Camarão no espeto e queijo coalho na brasa não poderão ser vendidos na areia. Botijão de gás, churrasqueira, aparelhos elétricos ou de som e recipientes de vidro estão entre os barrados da praia. Só o coco despertou protestos.

Dizem que o brasileiro adora praia. Eu acho que detesta.
Ninguém trata tão mal algo que adora

Acho inacreditável alguém se atrever a dizer que deixa lixo na praia porque não há contêineres suficientes na areia ou no calçadão. Em primeiro lugar, há. É só andar alguns metros. Um coco é pesado para levar até o calçadão? Dá preguiça? Imaginem 20 mil cocos diariamente. Junto com os cocos, as famílias – mesmo as educadas em colégios de elite – também abandonam os canudos de plástico. Por que, em países civilizados, os usuários levam saquinhos para as praias (especialmente as desertas, sem contêineres)? Para tomar conta de seu próprio lixo.

Aconteceu uma cena insólita recentemente no Rio. Uma motorista jogou lixo pela janela do carro e uma pedestre arremessou o lixo de volta para dentro do carro, gritando: “Este lixo é seu!”. Foi aplaudida. Existe um despertar de consciência. Mas ainda é uma minoria. Mesmo alguns dos que aplaudem a militante talvez sujem a praia. Sem perceber que é a mesma falta de civilidade.

Eu gostei da medida da prefeitura. Por ter despertado um debate. Não por achar que vai mudar alguma coisa. Por si só, é uma medida inócua, que apenas reduz o trabalho braçal dos garis. Às vezes penso numa medida mais radical. Parar de limpar por uns dois dias a praia. Só para a gente se olhar no espelho turvo. Claro que vão culpar a prefeitura: “Pô, ninguém limpa isso?”. Alguém uma hora vai dizer: “E quem sujou isso?”. Fomos nós.

Sem educação ambiental no currículo das escolas desde o primeiro ano, nossas crianças repetirão os vícios dos pais. Com campanhas maciças do governo pela televisão, quem sabe nossos filhos nos repreenderão quando cometermos crimes contra o meio ambiente?

Não sei se nossos sujismundos são os mesmos cidadãos preocupados com o aquecimento global, com a poluição, com os bueiros entupidos que provocam enchentes. Não sei se são os mesmos cidadãos preocupados com o fim das geleiras, com o desmatamento da Amazônia, com as metas que o Brasil vai apresentar em Copenhague no início de dezembro.

Dizem que o brasileiro adora praia. Eu acho que detesta. Ninguém trata tão mal algo que adora.

ANCELMO GÓIS

CUIDE DO SEU APAGÃO

O GLOBO - 21/11/09


Quarta à noite, a Península dos Ministros, em Brasília, ficou sem luz um bom tempo.
No que Dilma Rousseff perdeu a paciência e ligou para o afilhado político Nelson Hubner, da Aneel, a agência que fiscaliza o setor.
APAGÃO QUE SEGUE...
Na mesma hora, Hubner telefonou para um diretor da Companhia Energética de Brasília, reclamou e disse que a Aneel ia fiscalizar a empresa.
O diretor ouviu e, ao ser informado que Dilma tinha cobrado providências, provocou: “A ministra deveria pedir fiscalização na empresa dela”. Era referência ao apagão da semana passada.
PRÊMIO ALBA
Nosso Frei Betto foi o vencedor do Prêmio Alba das Letras e das Artes de 2009, de Cuba.
EU QUERO CARNE
O promotor Rodrigo Terra está investigando a churrascaria Barra Brasa, no Rio.
Diz ter recebido a denúncia de que o restaurante não aceita que os clientes fiquem além de três horas no recinto.
JÁ VÃO TARDE
O Rio vai transferir mais uma leva de bandidos para presídios federais – não se sabe ainda se para Campo Grande ou Catanduvas.
São sete criminosos, seis deles envolvidos na invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, dia 17 de outubro, quando um helicóptero da polícia foi abatido a tiros.
FORÇA ESTRANHA
Nelson Motta, o coleguinha e escritor, faz uma promoção em seu site (sintoniafina.com.br). Dará seu livro Força estranha” aos autores das dez melhores respostas à pergunta: “Qual a força mais estranha que você conhece?”.
– A melhor resposta, por enquanto, é... a “Força Sindical”. Mas, para mim, é o atual time do Fluminense – brinca o tricolor Nelson, feliz com a invencibilidade de 12 jogos do Flu, ameaçado de cair para a segunda divisão.
MÉRITO CULTURAL
Fernanda Montenegro e Sérgio Mamberti vão apresentar o Prêmio da Ordem do Mérito Cultural, dia 25, no Rio, com a presença de Lula.
MORAR BEM
Gilberto Braga, o grande autor de novelas, comprou um apartamento em Paris.
TOM E RUBEM BRAGA
Sérgio Cabral bateu ontem o martelo. O metrô de Ipanema, na Praça General Osório, vai se chamar Estação Tom Jobim.
Viva!
Também determinou que o elevador do Morro do Cantagalo seja Elevador Rubem Braga, pela visão que permitirá da cobertura onde viveu o genial cronista, na Rua Barão da Torre.
LULA SUPERSTAR
Com título “Lula Superstar”, a L’Express, da França, deu destaque, esta semana, ao filme Lula, o filho do Brasil.
Segundo a revistona, a ideia de adaptar o longa do timoneiro para a TV, na forma de novela, não é descartada.
FILME TRISTE
Aliás, veja a maldade que circula na internet. Dois sujeitos falam sobre Lula, o filho do Brasil. Um elogia o filme. Outro, também, mas ressalva: “Pena que o fim seja triste. O cara termina... presidente do Brasil.”
Deve ser coisa da oposição. Como diz o Tutty, “Ô raça”.

JAPA GOSTOSA

DORA KRAMER

Palavras de presidente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 21/11/09

É de praxe que as partes aguardem a publicação oficial da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a extradição de Cesare Battisti. Tanto o presidente Luiz Inácio da Silva para dar a última palavra, quanto o governo italiano para anunciar o que fará caso se considere legalmente lesado.

Não obstante as cautelas, as posições são conhecidas. Para a Itália é ponto de honra que Battisti volta ao país para cumprir pena de prisão perpétua a que foi condenado por quatro homicídios.

Já para o presidente brasileiro, a concessão do refúgio pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, é correta e seu cumprimento "uma questão de soberania nacional" à qual a Itália teria de se curvar gostando ou não.

Foi isso que ele disse no dia 16 de janeiro último e quase o mesmo escreveu em carta ao presidente Giorgio Napolitano três dias depois.

Na época, Lula defendia seu ministro da Justiça, que havia tomado uma decisão tida como "absurda" pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e contrária ao parecer do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça.

Mas Lula avalizou: "Nós tomamos uma decisão de entender que essa pessoa italiana (sic) não precisaria voltar à Itália e poderia ter o status de exilado. O ministro da Justiça entendeu que esse cidadão deveria ficar no Brasil e tomou a decisão que é do Estado brasileiro. Portanto, alguma autoridade italiana pode não gostar, mas tem de respeitar".

Na carta ao presidente Napolitano Lula assegurava que o ato de Tarso Genro estava amparado "na Constituição Brasileira, na Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados e na legislação infraconstitucional (Lei 9.474/97)".

Em defesa de Battisti lembrou que o Brasil é um "país generoso", contestou a validade das provas dos assassinatos - "o acusador fez um processo de delação premiada e hoje nem existe mais para provar essas acusações"- e convalidou a lisura da conduta do italiano "que trabalhou e hoje é escritor".

Na ocasião dessas declarações o presidente não teve o cuidado de fazer ressalvas a um possível entendimento diverso do
Supremo Tribunal Federal. Foi peremptório ao conferir ao juízo do ministro da Justiça o grau de instância máxima.

Foi arrogante, autoritário no trato das instituições italianas e brasileiras e, sobretudo, demonstrou que não sabia da missa a metade a respeito das implicações do caso. Tocou de ouvido em assunto em que conviria conhecer a partitura.

Dia depois

Se o presidente Lula resolver manter Battisti no Brasil, já se sabe, pode levar o País a responder perante tribunal internacional por quebra do tratado de extradição com a Itália e se arriscar também a sofrer denúncia por crime de responsabilidade, já que o tratado tem força de lei.

O que ainda não se aventou é a hipótese de os advogados de Battisti pleitearem do governo brasileiro reparo por danos morais e materiais. Afinal, se Lula decidir pela anistia, o italiano terá ficado dois anos preso por nada.

Ou, como disse o ministro Cezar Peluso na sessão de quarta-feira: "Por gratuito exercício de crueldade."

Cubanos

Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, não está correta a afirmação feita aqui de que a motivação humanística que o fez conceder refúgio a Cesare Battisti não alcançou os pugilistas cubanos mandados de volta a Havana, em 2008.

Por meio de sua assessoria, envia a seguinte mensagem:

"Durante o Pan, cinco atletas pediram refúgio ao Brasil. Estão vivendo aqui até hoje o ciclista Michel Garcia, o jogador de handebol Rafael Capote e o treinador de ginástica artística Lázaro Ramirez.

"Os outros dois atletas, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, inicialmente quiseram ficar. Eles tinham contato com um empresário que prometera levá-los para a Alemanha. Deixaram a delegação cubana, foram para um hotel numa praia do Rio e esperaram; o empresário não apareceu.

"Pediram a um pescador que fizesse contato com a polícia, pois estavam sem dinheiro e sem saber o que fazer. Foram ouvidos pela Polícia Federal, na presença de um procurador da República e de um conselheiro da
OAB-RJ. A todos declararam que queriam voltar para Cuba, e assim foi feito. Não pediram refúgio, ao contrário de seus outros três colegas.

"Em março último Lara confirmou, em entrevista à TV Globo, o desejo de voltar a Cuba. De lá foi para o México, depois para a Alemanha e atualmente vive em Miami.

"Há no Brasil 124 cubanos refugiados. O refúgio mais recente foi dado a um grupo de músicos no ano passado, que vieram para um festival de música e vivem em Recife.

"Portanto, o ministro Tarso Genro não teria motivos para negar refúgio aos dois boxeadores, visto que o concedeu a outros dois atletas e também aos músicos, mais recentemente".

CLÁUDIO HUMBERTO

“Toda vez que o PT soltar uma pesquisa, não acreditem”
ACM NETO (DEM-BA), APÓS O PT-BA DIVULGAR UMA PESQUISA FALSA SOBRE A ELEIÇÃO DE 2010

TERRORISTA DEVE SER LEVADO AO RIO PARA DEPOR
Uma impressionante operação de logística policial, digna da escolta a grandes criminosos, está sendo planejada em sigilo afim de levar o terrorista Cesare Battisti para depor na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no dia 12. O bandido que merece a proteção do ministro Tarso Genro (Justiça) será ouvido sobre crimes como uso de documentos falsos, no Brasil, para abrir contas bancárias e obter cartões de crédito.
BANDIDO COMUM
Cuidados são adotados para evitar fuga de Battisti, sua especialidade. Antes de matar, ele foi processado na Itália por assalto e estupro.
CANA BRAVA
Pelos crimes que cometeu no Brasil, o bandidão Cesare Battisti está sujeito a penas que podem somar onze anos de prisão.
MEXA-SE, MP
Cabe ao Ministério Público Federal oferecer denúncia e pedir a prisão preventiva do terrorista, condenado na Itália por quatro assassinatos.
VIDEOCONFERÊNCIA
A transferência do terrorista para o Rio só poderá ser abortada se o Supremo Tribunal Federal autorizar sua oitiva por videoconferência.
CASO DE MENINO BRASILEIRO CHEGA AO CAPITÓLIO
O caso do menino Sean Goldman, filho da brasileira Bruna com o americano David Goldman, foi parar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. O deputado republicano Cris Smith acusa o governo brasileiro de não obedecer o tratado internacional que “versa sobre o seqüestro de menores”, assinado por ambas as nações. A audiência será realizada no dia 2.
COMPLICADO
Bruna trouxe o filho para o Brasil em 2004 e nunca voltou aos EUA. Ela morreu em 2008 e agora o menino vive com o padrasto, no Rio.
VINGANÇA
O deputado republicano que ajuda David propôs uma lei que permitiria ao presidente americano “punir” o Brasil por não ajudar no caso.
UNIÃO INSTÁVEL
O caso do americano contra o governo brasileiro é uma das poucas causas que uniu parlamentares republicanos e democratas, nos EUA.
OLHO DA RUA
Antes de demitir, ontem, Regina Parisi, diretora-executiva da Fundação Geap, plano de saúde de funcionários federais, o conselho deliberativo consultou o presidente Lula por meio do seu secretário particular Gilberto Carvalho. Lula deu sinal verde e ela foi defenestrada.
ARRUDA NA FRENTE...
Pesquisa realizada no Distrito Federal entre os dias 12 e 18 de novembro aponta que o governador José Roberto Arruda (DEM) lidera com folga as intenções para o GDF, com 26%, dez pontos à frente do principal adversário, o ex-senador Joaquim Roriz (PSC).
... E PT ATRÁS NO DF
A pesquisa, realizada pelo Instituto Dados, o único que apontou a vitória de Joaquim Roriz contra Cristovam Buarque (PDT) em 2002, mostra que o PT é o partido preferido dos eleitores do DF, mas o candidato petista Agnelo Queiroz tem apenas 1,5% das intenções de voto.
DANDO CORDA
O coronel tucano Tasso Jereissati (CE) está dando a maior corda para que o amigo Ciro Gomes aceite ser o vice de Aécio Neves, na chapa presidencial. Com isso, ele limpa o caminho para tentar a reeleição.
EMPREGOS EM ALTA
Com 95.043 trabalhadores empregados, entre efetivos, terceirizados e temporários, o emprego no pólo industrial de Manaus teve em setembro melhor resultado desde janeiro, quando chegou a 95.607.
A TERRA AGRADECE
A Câmara de Vereadores de Araranguá (SC) aprovou a proibição de extração e beneficiamento de carvão mineral, combustível fóssil que contribui para o aquecimento global. E faz a alegria das termoelétricas.
LIKE A VIRGIN
Dorme na gaveta da Alerj projeto do deputado João Pedro (DEM) regulamentando o uso da estrutura pública em eventos privados, que impediria, por exemplo, a farra de batedores para Madonna com dinheiro do contribuinte. O Ministério Público finge-se de morto.
VISÃO DOS INFERNOS
Será especialmente constrangedor um encontro da assessora especial de Lula, Clara Ant, judia, com o anão atômico Ahmadinejad, que nega o Holocausto. O umbral da sala dela tem a mezuzá, símbolo de proteção.
PENSANDO BEM...
...FHC não é bispo como seu xará paraguaio Fernando Lugo, mas ajoelha e reza. O Lugo reza mais: já tem oito filhos.

PODER SEM PUDOR
PARENTE, O MÃO-DE-VACA
Certa vez, num coquetel com investidores em Londres, o então ministro Pedro Malan resolveu brincar com Pedro Pullen Parente, chefe da Casa Civil de FHC. Malan espalhou que Parente era mão de vaca e que isso tinha a ver com os seus descendentes escoceses, conhecidos pela avareza. Ele logo percebeu que de transformara em motivo de chacota. Protestou:
– Pedro, daqui a pouco, todo mundo vai achar que é verdade!?
– A esta altura – saboreou Malan – só você está achando que não é...

O VERME

SÁBADO NOS JORNAIS

- Globo: Cabral reage à mudança na regra de partilha do pré-sal


- Folha: Lula avaliará modelo misto para a banda larga no país


- Estadão: Ministro do STF diz que não se dobrou a pressões


- JB: Calor eleva em 10% consumo de energia


- Correio: Sem concorrência, gasolina é cara no DF


- Jornal do Commercio: Tiros de fuzil em roubo de R$ 2,5 milhões